sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Beata Cristina de Spoleto, Leiga Penitente - 13 de fevereiro

    
     O início da vida desta figura singular de mulher pode muito bem se colocar quando, por volta de 1430, ela decide mudar de vida, abandonar a família e os locais nos quais havia vivido, e vestir o hábito secular das Agostinianas.
     Daquele momento em diante sua existência foi uma permanente peregrinação em busca de um local para viver no esquecimento. Permaneceu próximo de alguns mosteiros agostinianos não ingressando jamais em nenhum deles. A vida de oração, de mortificação, mas sobretudo as obras de misericórdia junto aos necessitados, a obrigavam a se afastar todas as vezes que percebia ser objeto de atenção.
     Em 1457, visitou os locais santos de Assis e de Roma, para depois se dirigir à Terra Santa em companhia de outra terciária. No retorno, chegou a Spoleto onde permaneceu por um breve período, dedicando-se ao cuidado dos doentes no hospital da cidade. Nesta cidade, embora ainda muito jovem, faleceu no dia 13 de fevereiro de 1458, com fama de santidade.
     O seu corpo foi sepultado sob as expensas da comuna de Spoleto na igreja agostiniana de São Nicolau. Numerosas graças e milagres atribuídos à sua intercessão contribuíram para difundir e a aumentar o seu culto, iniciado imediatamente após sua morte, o que levou Gregório XVI a ratificá-lo proclamando-a Beata em 1834.
     Os hagiógrafos são concordes quanto aos dados relativos à sua vida após a decisão de vestir o hábito de terceira agostiniana. Não, entretanto, quanto ao tempo anterior à sua heroica decisão de fugir do mundo permanecendo no mundo, motivo pelo qual é conhecida sob várias denominações.
     Alguns consideram que ela pertencia à família dos Visconti de Milão, ou àquela dos Calvisanos, na Brescia. Sua fuga teria sido motivada pelo desejo de livrar-se de quantos desejavam casar-se com ela contra os seus próprios desejos e ideais.
     Segundos outros, seu nome era Agostinha, nascida em Osteno, nas proximidades do lago de Lugano, por volta de 1432, filha do médico João Camozzi e casada bem jovem com um artesão do local. Tendo enviuvado muito jovem, num relacionamento com um cavalheiro milanês teve um filho que morreu pequenino. Casando-se de novo, perdeu o marido morto por um soldado.
     A Beata Cristina é um exemplo de penitência e de humildade para o laicato católico.
 
Martirológio Romano: Em Spoleto na Úmbria, Beata Cristina (Agostinha) Camozzi, que, depois da morte do marido, tendo vivido durante algum tempo sob a concupiscência da carne, deixou-a para abraçar uma vida de penitência na Ordem Secular de Santo Agostinho, dedicando-se à oração e ao serviço dos doentes e dos pobres.
 
Fonte: www.santiebeati.it

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Nossa Senhora de Lourdes - 11 de fevereiro


Silêncio sobre os milagres operados em Lourdes
                                                                                                       Plinio Corrêa de Oliveira
     No dia 11 de fevereiro celebra-se a aparição de Nossa Senhora em Lourdes [1858]. Sobre ela já temos feito vários comentários. Mas há um ponto a respeito do qual toda insistência é pouca. Nossa Senhora indicou a Santa Bernadette Soubirous [foto abaixo] um lugar no chão e ordenou a ela que o escavasse, pois encontraria uma fonte de cujas águas resultariam muitos milagres.
     Esse fato foi visto por um grande número de pessoas que assistiam a aparição em torno da gruta de Lourdes. Santa Bernadette obedeceu e surgiu uma minazinha de água, que se transformou na famosa fonte de Lourdes, na qual as pessoas se têm banhado e alcançado milagres.
     Esses milagres são verificados por uma junta médica. Qualquer um dos médicos tem o direto de examinar os doentes antes de entrarem na piscina de Lourdes. São exigidas radiografias, exames médicos etc., que atestam que o doente sofre dessa ou daquela doença. Comprovada a natureza da enfermidade, o doente entra na piscina. E com certa frequência, sai imediatamente curado, o que constitui um indiscutível milagre tratando-se de doenças incuráveis.
     Entretanto, notem a maldade do mundo contemporâneo: esses milagres se realizaram em quantidade, mas quase não se fala disso. Maldade enorme por parte dos que não creem, apesar desses milagres. Maldade muito grande também por parte dos que creem, mas não fazem propaganda desses milagres, até os abafam. Nossa Senhora faz maravilhas contínuas e os homens não sabem agradecer. É uma das razões por onde se considera que os castigos anunciados em Fátima [1917] são de todo em todo explicáveis. É o desfecho natural da História contemporânea. É a ingratidão obstinada em relação aos milagres operados em Lourdes.
______________________________________________________
Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 11 de fevereiro de 1970. Sem revisão do autor.
Fonte: www.ipco.org.br

 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Beata Clara Agolanti de Rimini, Clarissa penitente - 10 de fevereiro

    
     Clara nasceu em 1280, foi educada por seu pai, Onosdeo, no cultivo de um carácter forte, quase masculino, e intolerante a qualquer submissão Passou sua adolescência entre cavalos e torneios, rebelde nas práticas religiosas que sua mãe Gaudiana tentava inculcar-lhe. Morta a mãe quando ela contava apenas sete anos de idade, seu pai tornou a se casar e ela ficou ainda mais independente.
     Bem jovem casou-se com o filho de sua madrasta, porém ficou viúva três anos depois, herdando uma imensa fortuna. Durante oito anos continuou se entregando a festas, justas de cavalaria, banquetes, com uma vida frívola e mundana, dando lugar a escândalos e péssimos falatórios na cidade.
     Seu pai e seu irmão morreram no mesmo dia, enquanto estavam em guerra com os Malatesta, rivais pelo domínio na zona de Rimini. Deste modo todas as riquezas da família Agolanti se concentraram nas mãos da jovem viúva. Nem mesmo esse duplo luto a tirou da vida dissipada. Foi pedida em casamento por um nobre que levava uma vida relaxada e ela aceitou com a condição de que pudesse manter o mesmo estilo de vida.
     Aos 34 anos, um fato insólito: um dia, uma força misteriosa, mas irresistível, a obriga a entrar na igreja dos Padres Conventuais, Santa Maria em Trivio, e a rezar um Pai Nosso, que tem o poder de mudar-lhe a vida: pela primeira vez ela se sentiu perturbada e agitada. Voltou para casa, se fechou em seu quarto, onde caiu no chão num mar de lágrimas de arrependimento, e decidiu mudar de vida.
     No dia seguinte, depois de uma noite insone, foi à mesma igreja, onde fez uma confissão geral, e a partir desse momento começou uma vida de piedade, boas obras e penitência, convertendo inclusive o marido, que morreu dois anos depois de modo cristão.
     Então Clara não pôs limites às suas penitências, que se tornaram terríveis, animada de um desejo de expiação que a devorava. Com suas imensas riquezas começou a ajudar a todas as misérias materiais e morais; deu dote e apoio a todas as jovens pobres que desejavam se casar.
     Algumas mulheres de grande fervor se reuniram a ela dispostas a levar uma vida de reclusão e penitência. Clara então fundou um pequeno mosteiro chamado Santa Maria dos Anjos – mais tarde conhecido como de Santa Clara. Obteve a bênção do Bispo de Rimini, Guido Abasi, indo em seguida à Catedral para emitir os votos religiosos, de acordo com a Regra de Santa Clara de Assis.
     Viveu uma dezena de anos como superiora, intensificando os sacrifícios e a contemplação da Paixão de Cristo. O Senhor lhe concedeu o dom de graças místicas elevadíssimas, com êxtases tão profundos, que nenhuma força humana podia deter, e só se recuperava se era levada diante do Santíssimo Sacramento.
     No dia 10 de fevereiro de 1326, Clara morreu aos 46 anos, consumida pela penitência e pela contemplação, e seu corpo descansa na igreja do mosteiro. Seu culto “de tempo imemorial” foi confirmado pelo papa Pio VI em 1784.
     Sua vida é contada em um manuscrito em italiano vulgar, tingido de formas dialetais da Romagna do final do século XV, ainda preservado em Rimini. A legenda foi captada nas suas dobras mais sutis por Jacques Dalarun em um livro de uma força narrativa cativante, Santa e rebelde, que desmonta e monta tempos, espaços, eventos da jornada terrena da Beata.
 
Fonte: www.santiebeati/it

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Beata Eusébia Palomino, Religiosa Salesiana - 9 de fevereiro

    
     No crepúsculo do século XIX, no dia 15 de dezembro de 1899, nasceu Eusébia Palomino Yenes em Contalpino, pequeno povoado de Salamanca, Espanha, em uma casinha baixa, escura e fria. Seu pai Agostinho Palomino tinha uma saúde frágil e sua mãe, Joana Yenes de Villaflores, nunca sabia o que colocar à mesa para saciar a fome de seus filhos. Mais tarde ela diria: “Lembro-me tanto da minha querida casinha, onde passei a minha infância”.
     Quando criança precisava pedir esmolas pelas ruas com seu pai, que após sofrer um acidente no trabalho braçal, não podia mais exercer nenhuma atividade física pesada. Mas esta jovem recebeu do pai desde muito cedo a fé. Nas recordações mais queridas de sua infância estão a participação nas pregações dos missionários que passaram por sua cidade e um grande susto, do qual foi livrada pela intercessão de Nossa Senhora, quando caiu no poço ao tirar água para a família.
     Seu pai, pobre de bens, mas rico dos valores do Sumo Bem, fazia questão de ensinar a ela as primeiras lições de catecismo, e instrui-la o mais que podia na bondade e caridade.
     Frequentando a escola, Eusébia se deparou com outro mundo que não era seu, mas teve que  deixar os livros para ajudar a mãe a procurar lenha no bosque. As poucas forças não a impediam de caminhar alegremente pelas estradas para se preparar para o grande dia da 1ª Comunhão. Então sim, aprendia com facilidade, porque eram coisas de Deus. No dia da Ascenção de 1908, quando tinha 8 anos de idade, recebeu Jesus Sacramentado pela primeira vez; viveu este acontecimento com um fervor inusitado em tão pouca idade.
     Estava convencida de que não era feita para este mundo. Escreveu: “O pouco que tinha era muito para mim, pois nada me podia distanciar das delícias que gozava pensando no céu”. Suas devoções: Nossa Senhora e as Santas Chagas de Jesus Cristo.
     Devido à necessidade extrema de sua família, Eusébia trabalhava para uma família como babá pela manhã e à tarde de ajudante na roça da propriedade desta mesma família. Trabalhando em contato direto com a natureza, Eusébia passou a contemplar o Criador de todas as coisas e a desejar se consagrar inteiramente a Ele.
     Aos 13 anos, no verão de 1912, Eusébia partiu com sua irmã Dolores para Salamanca superando a dor da saudade da casa e passou a trabalhar em um asilo, onde ajudava na limpeza, cozinha, arrumação e costura.
     Aconteceu então um fato singelo e significativo: trabalhando na horta do asilo, Eusébia encontrou uma medalha de Maria Auxiliadora e teve a certeza de que aquela doce Senhora seria companheira de toda a sua vida. Em poucos dias, deu-se o segundo e providencial encontro: no dia 24 de maio, Festa de Nossa Senhora Auxiliadora, saindo da missa na Igreja dos Jesuítas, viu passar uma procissão com a imagem de Maria Auxiliadora e imediatamente pensou que poderia fazer-se religiosa.
     Duas semanas depois, encontrou uma jovem que insistiu que fosse com ela ao Oratório das Irmãs Salesianas. Vendo ali a imagem da sua Auxiliadora, Eusébia ouviu uma voz interior que dizia: “É aqui o teu lugar”. Mas Eusébia resistia, pois sua pobreza não lhe permitia ficar naquele lugar.
     E quem era aquela jovem que a convidou para ir ao Oratório? Ela não soube e nunca mais a encontrou em sua vida! Eusébia passou a frequentar o Oratório assiduamente, até as Irmãs salesianas a convidarem para morar com elas e assim ajudar nos serviços da casa e estudar.
     Ela só pode ingressar no Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora em 1921, emitindo seus primeiros votos religiosos em 5 de agosto de 1924.
     Foi destinada à casa de Valverde del Camino, uma pequena cidade que na época contava com 9.000 habitantes, situada na zona mineira de Andaluzia, nos confins com Portugal. Nesse local, se ocupava da cozinha, da portaria, da rouparia, no cuidado da pequena horta e na assistência às meninas do Oratório.
     Eusébia sempre foi muito tímida e simples. Dedicada no Oratório, na catequese e nas atividades domésticas, Irmã Eusébia destacava-se por sua humildade, singeleza e sinceridade. Não atraía pela espontaneidade, mas pelo carinho e afeto com que realizava as mais simples tarefas.
     Graças a sua grande memória, ela costumava lembrar-se dos feitos missionários, vidas de santos, episódios da devoção mariana, fatos da vida de Dom Bosco, e surpreendentemente atraía para sua cozinha as jovens que desejavam sua agradável companhia, sempre carregada de fé, palavras de bondade e alegre amizade.
     Era conhecida por sua devoção pelo Rosário das Santas Chagas. Tinha o costume de rezar frequentemente a Via Sacra. Ela insistia muito na necessidade de confessar-se e comungar com frequência para sermos bons católicos.
     E as notícias corriam: se dizia dela que era humilde como jamais se tinha visto, rezava sempre, profetizava acontecimentos, tranquilizava as consciências, conduzia as almas à graça divina, fazia sinais milagrosos...
     Em 1930 a guerra civil já se fazia sentir. Eusébia predisse: “A Espanha viverá dias sangrentos. Haverá mártires”.  Ela mesma se oferece como vitima pela liberdade da religião; consagrou-se ao Senhor “como vítima de amor para a salvação das pessoas e para o crescimento do Reino de Jesus e de minha mãe Maria”, conforme as palavras que ela própria escreveu em sua autobiografia, redigida nos anos de enfermidade.
     Desde agosto de 1932 Eusébia começou a sofrer dores muito fortes provenientes da asma, uma enfermidade que há muito tempo tinha, mas que nunca se havia apresentado assim. Com esta, outras doenças e dores se fazem sentir.
     Até 1933, Irmã Eusébia ainda auxiliava nas atividades com as educandas, mas a partir deste ano, quando a República Revolucionária da Espanha decretou a ilegalidade da Igreja Católica, a sua saúde declinou ainda mais e estava acamada a maior parte do tempo. Quando percebia alguma melhora na saúde, por menor que fosse, descia para a capela para rezar ou ao pátio onde reunia em torno de si grande parte das alunas, atraídas pelo seu sorriso simples e amável.
     No dia 4 de outubro de 1934, enquanto algumas irmãs rezavam com ela no lugar onde ela se encontrava, interrompe e empalidece dizendo: “Rezem muito pela Catalunha”. É o inicio da revolução das Astúrias e da proclamação do Estado Catalão em outubro de 1934, que estavam dentro da revolução de 1934, começando a perseguição religiosa. Sua querida diretora, a Beata Carmem Moreno Benitez foi fuzilada com outra irmã em 6 de setembro de 1936.
     Em 1934, embora no quarto, ela pode se alegrar com a canonização de São João Bosco, a quem muito amava como pai e fundador e em quem se espelhava na confiança plena a Maria Auxiliadora.
     Irmã Eusébia Palomino morreu na noite do dia 9 para o dia 10 de fevereiro de 1935, em Valverde del Camino, Huelva. Nos seus momentos de agonia ela falava apenas de coisas belas do céu, da eternidade feliz e sorrindo adormeceu na paz de Nosso Senhor.
     O povo da cidade, as alunas, as irmãs, que conheciam de perto a heroicidade de Irmã Eusébia Palomino, já a consideravam santa e, em 25 de abril de 2004, foi declarada Beata pelo Papa João Paulo II.
     Humildade, alegria, piedade, prudência, virtudes simples, mas angulares para se alcançar a santidade. Elas foram vividas por Eusébia Palomino, Filha de Maria Auxiliadora, chamada a pérola da Igreja espanhola.
     Em Eusébia Palomino, encontramos uma Filha de Maria Auxiliadora que como boa salesiana soube viver a espiritualidade cotidiana do cumprimento do dever na alegria, fiel e confiante na Eucaristia e na Virgem Maria.
O Quadro Milagroso
     Sua história é a seguinte: por seis anos Manuel Parreño, pintor nascido em Valverde, ficou sem dar inicio ao quadro encomendado pelas religiosas. Ele não possui mãos, realizando suas obras com os dedos dos pés. Isto aumentava a dificuldade de obter um retrato perfeito da virtuosa morta.
     Um dia o pintor agnóstico se decide a começar a obra e dirigindo-se à futura beata, diz: “Vamos ver se é verdade o que dizem de ti!” Surpreendido e aterrorizado, em pouco mais de quatro horas dá por terminado o quadro de 1,30 x 0,80 m! Além disto, neste espaço de tempo a pintura aparecia completamente seca, sendo isto humanamente impossível, pois a pintura a óleo precisa de vários dias para sua secagem. Acrescente-se que Parreño normalmente levava 14 ou 15 dias para finalizar cada um dos seus trabalhos... Este acúmulo de maravilhas fez com que o pintor se convertesse em um católico fervoroso e um entusiástico devoto de Irmã Eusébia.
 
Fontes:

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Santa Doroteia e S. Teófilo, Mártires - 7 de fevereiro

    
     Estes mártires são recordados em uma Passio muito antiga e comemorados no Martirológio Jeronimiano no dia 6 de fevereiro. O Martirológio Romano relata: Em Cesareia, na Capadócia, na moderna Turquia, os santos mártires Doroteia, virgem, e Teófilo, advogado.
     Nobre, muito rica e bem educada, Doroteia viveu em Cesareia, capital da província romana da Capadócia, e foi martirizada no ano de 304 por ser cristã, vítima das perseguições do imperador romano Diocleciano.
     A jovem teve os pais martirizados no Anfiteatro, fez um voto de castidade a Cristo e transformou a própria casa numa espécie de igreja, onde passava os dias em meio a jejuns e orações, e valendo-se da própria fortuna para fazer caridade aos pobres. Tanto zelo e piedade atraiam os cristãos de Cesareia que a procuravam para ouvir os mais sábios conselhos. Isso fez com que seu nome fosse citado no Tribunal Romano como praticante da fé cristã.
     Na época governava o pretório de Cesareia o nobre Saprício, que mandou trazer a jovem à sua presença e a interrogou. Como a moça respondesse sabiamente a todas as perguntas, desarticulando as intenções dos juízes de ridicularizarem a religião cristã, e muito zelosa de sua pureza, foi obrigada a viver durante uma semana na companhia de duas jovens sacerdotisas pagãs chamadas Crista e Calista, para que elas fizessem Dorotéia abandonar sua fé.  Mas, a constância de Doroteia acabou por convertê-las à fé cristã, e elas foram mortas.
     Não satisfeito com isso, Saprício sentenciou Doroteia à pena capital: a morte pela espada. Ao escutar a moça dizer que iria para o céu onde era eterna a primavera, um dos pretores, de nome Teófilo, zombou dela dizendo: "Pois já que vais ao jardim de teu esposo onde a primavera é eterna, envia-me de lá frutos e rosas perfumadas".
     Doroteia prometeu realizar sua vontade. Antes de a espada cair sobre sua cabeça, ela rezou e pediu a Deus que realizasse sua promessa. Apareceu-lhe subitamente um Anjo, tendo às mãos uma cesta com três belas maçãs e três perfumadas rosas.
     Doroteia tomou um lenço, enxugou com ele o suor e entregou-o ao Anjo, dizendo-lhe: "Vai e leva a Teófilo e diz que Doroteia, serva de Cristo, lhe envia os frutos e as flores que ele pediu. E diz também que, se ele quiser mais, que vá ter com ela no Paraíso". Dito isso, o Anjo desapareceu e a espada caiu sobre Doroteia, que subiu radiante ao céu.
     No tribunal, Teófilo continuava a zombar do caso de Doroteia quando lhe apareceu o Anjo e transmitiu-lhe o recado da virgem cristã. Assombrado com o estupendo milagre de receber as maçãs e as rosas em época de inverno rigoroso, Teófilo imediatamente foi tocado pela Graça de Deus e passou a afirmar aos amigos que o Deus dos cristãos era de fato O verdadeiro.
     No início todos pensaram que se tratava de mais uma ironia de Teófilo, mas devido à sua insistência, foi denunciado. Saprício então o convocou para julgamento cobrando sua coerência com as convicções antigas, mas Teófilo afirmou que havia se convertido à fé em Cristo e que não a renegaria jamais. Foi torturado e decapitado também.
     O culto de Santa Dorotéia foi muito difundido durante a Idade Média, sendo invocada entre os "Santos Auxiliadores". Inúmeros artistas inspiraram-se na conversão de Teófilo retratando em quadros o milagre de Santa Dorotéia, chamada até hoje de a "Santa das flores".

Santa Doroteia é Patrona das Floristas.
Etimologia: Doroteia = dom de Deus, do grego, como Teodora.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Beata Maria Ana Rivier - 3 de fevereiro


Fundadora da Congregação das Irmãs da Apresentação de Maria

     Maria Ana Rivier, Marinette para os seus familiares, nasceu a 19 de dezembro de 1768, em Montpezat-sous-Bauzon, Ardeche, França. Por volta dos dezesseis meses, no fim de abril de 1770, Marinette sofreu uma queda e em consequência fraturou o quadril; desde então não se mantinha de pé, nem sequer com a ajuda de muletas. Maria também sofria de raquitismo: tinha o torso e a cabeça normalmente desenvolvidos, mas os braços e as pernas eram fracos e na idade adulta não terá mais de um metro e trinta e dois de altura.
     A senhora Rivier, mulher de uma grande fé, recorreu à Virgem Maria. Todos os dias, levava a pequena para junto da imagem de Nossa Senhora da Piedade, na Capela dos Penitentes que ficava próxima de sua casa.
     Durante aquelas visitas, explicava à menina quem é essa Mãe em pranto que leva em seus braços seu Filho morto descido da Cruz. O amor de Cristo e de sua Mãe, o desejo de fazer algo por eles, o horror aos pecados que são a causa de seus sofrimentos e, sobretudo, uma confiança absoluta em Maria, penetram pouco a pouco no generoso e terno coração da menina. Um dia ela declarou sem rodeios à sua mãe: “A Senhora da capela me curará!
     Em casa, conta histórias edificantes para as crianças do povoado, e sabe captar maravilhosamente a atenção de seu pequeno auditório para mantê-lo tranquilo. Ensina-lhes o catecismo e a rezar. Mais tarde dirá: “Também experimentava mais que nunca um vivo desejo de curar-me”.
     Em 1774, seu pai falece e o sepultamento tem lugar no dia 8 de setembro, festividade da Natividade da Santíssima Virgem. Nesse mesmo dia, Maria pede as muletas e diante do espanto de todos, as utiliza e consegue dar três voltas pela casa. No dia de sua festa, a Virgem quis conceder-lhe um presente permitindo que caminhasse com a ajuda das muletas. Mais do que nunca ela cuida das outras crianças organizando pequenas procissões, todos rezando o Rosário.
     Em 31 de julho de 1777, Maria, que então está com nove anos, caiu da escada e fraturou um osso. Uma nova intervenção de Nossa Senhora fará com que ela caminhe após este acidente.
     Sua mãe a ensinara a ler e a escrever, depois, para aprimorar seus conhecimentos enviou-a às religiosas de Nossa Senhora, em Pradelles. Ao regressar, seu zelo a leva a realizar numerosas obras pastorais e caritativas: dá catequese, encaminha os jovens à Missa e ao confessionário, cuida dos enfermos e assiste aos moribundos. Sua vida interior se sustenta com a comunhão diária, a reza do Rosário e do Oficio Parvo da Imaculada Conceição. Sua influência é tão grande, que lhe pedem para fazer novenas com diferentes intenções.
     Aos dezessete anos, Maria solicita seu ingresso nas religiosas de Nossa Senhora, mas o conselho das irmãs rechaça sua admissão por causa de sua má saúde.
     Em 1786, após muita insistência sua, o pároco acaba cedendo e lhe dá permissão para montar uma escola em uma casa pertencente às religiosas dominicanas. A escola logo fica cheia de filhas de gente notável, mas sobretudo de meninas pobres acolhidas gratuitamente. Ela consegue êxitos alentadores com suas alunas. Seu segredo? Audácia, tenacidade, uma alegria comunicativa e muita coragem.
     Eis alguns conselhos que daria mais tarde às novas professoras: “Às vezes as meninas têm malícia suficiente para por à prova o caráter de uma irmã recém-chegada, para verificar se ela é enérgica e vigilante, ou se poderão praticar alguma burla contra ela impunemente. Assim, aquelas pessoas que são cuidadoras de um curso devem mostrar um aspecto severo e sério que dá a entender que cumprirá seus deveres sem hesitação, e também um tom de bondade e de educação para conquistar as meninas”.
     “Velai pela limpeza e a abundância dos alimentos, pois as jovens devem comer suficientemente. O sono e o exercício são necessários. Que não fiquem com os pés úmidos. Se têm frio, dê-lhes algo quente para beber. Se estão doentes, chamem o médico sem dar-lhes “remédios de velhas”. Não lhes imponham alimentos aos quais mostram uma irresistível repugnância...”.
     Em 1789, quando a Revolução Francesa arrebenta, todo ato religioso se torna suspeito. Maria Rivier faz todo o possível para que os padres perseguidos por sua fidelidade ao Papa consigam exercer em segredo suas funções. Seu zelo pela salvação das almas lhe inspira grandes audácias: embora muito prudente, permanece a apóstola com coração de fogo!
     Em Montpezat, a casa dominicana não foi vendida apesar de ter sido declarada bem nacional. Maria continua dirigindo ali sua escola. Logo consegue meia dezena de internas, às quais tenta dar forma de comunidade religiosa, pois ela continua com sua ideia de criar um convento.
     A povoação de Thueyts chama-a. Ela parte como verdadeira missionária. Em breve, quatro jovens juntam-se a ela e deixam-se abrasar pelo fogo do Evangelho. Maria atribui a cada uma delas um povoado da região para ali ensinar o catecismo e dar apoio às jovens para permanecerem fieis à Santa Igreja. Numa época em que todos os conventos se fechavam, Maria Rivier iria abrir o seu!
     Em 1794, o governo revolucionário vende a casa das dominicanas de Montpezat. Maria Rivier e suas companheiras, que devem mudar-se, pedem a Virgem um sinal de ânimo: a imagem de Nossa Senhora lhes sorri! Reconfortadas por aquele milagre, se instalam em Thueyts, em outra casa também das dominicanas, fundando ali uma escola.
     O bispo concede as primeiras autorizações e em 21 de novembro de 1796, festa da Apresentação de Maria no Templo, Maria Rivier e as suas quatro companheiras consagram-se a Deus e à juventude, sob o patrocínio de Nossa Senhora da Apresentação. “Não éramos nada, não tínhamos nada, não podíamos fazer nada”, diria ela mais tarde. “Depois disso, por acaso duvidais que fosse Deus quem conduzia as coisas?
     Em 1801, o Arcebispo Mons. D’Aviau aprova as regras provisórias que a Madre Maria Rivier lhe havia apresentado. Ela é confirmada como superiora e doze religiosas são consagradas. Em 1815, a maior parte da comunidade se traslada de Thueyts para Bourg-Saint-Andéol, para o enorme convento das salesianas adquirido com dificuldades pela fundadora. “Sempre busquei o dinheiro por meio da oração, e ele sempre chegou!”, confessará mostrando uma imagem da Santíssima Virgem.
     A nova comunidade multiplicou-se rapidamente, apesar da sua pobreza. Para Maria Rivier e para as suas irmãs, a educação cristã da juventude é e permanecerá uma prioridade. Contudo, a educação na fé estendeu-se também aos adultos. Os pobres são os seus privilegiados; o primeiro orfanato é aberto a 21 de novembro de 1814.
     Nada detém o ardor apostólico de Maria Rivier. Os párocos pedem-lhe, por vezes, que exorte os seus paroquianos, que reúna as mulheres e as jovens. Maria fala com uma clareza, uma energia, uma unção, que tocam os corações. Animada por uma força interior, exclama: “Ou fazer conhecer Jesus Cristo ou morrer!”
     No momento de abandonar esta terra para finalmente ver a Virgem Maria, a quem tanto amara neste mundo, sua Congregação contava com 300 religiosas vivendo em 141 centros. Hoje em dia, as Irmãs da Apresentação são cerca de 3.000, em 9 províncias, 3 das quais se encontram na Europa e 6 nos Estados Unidos. São ao mesmo tempo educadoras, enfermeiras e educadoras paroquiais.
     No dia 3 de fevereiro de 1838, enquanto rezava a segunda parte da Ave-Maria: “... Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte”, a Madre Maria Rivier, com a idade de 69 anos, faleceu placidamente.
     Maria Rivier, que foi apelidada pelo Beato Pio IX de Mulher-Apóstolo, foi beatificada em Roma pelo Papa João Paulo II a 23 de maio de 1982.



Fontes: www.santiebeati/it; www.apresentacaodemaria.com;
http://es.catholic.net/op/articulos/36322/cat/214/maria-ana-rivier-beata.html

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Santa Aldegunda, Abadessa - 30 de janeiro


     Santa Aldegunda (ou Aldegonde, em francês; Aldegundis ou Adelgundis, em latim) foi uma santa do século VII. Há muitos escritos sobre sua vida, mas nenhum deles contemporâneo da Santa. Alguns deles, incluindo a biografia escrita no século X por Hucbald, foram publicados pelos Bolandistas (Acta SS., Janeiro 11, 1034–35).
     O Senhorio de Malzy há muito tempo pertencia a uma ordem religiosa: as Damas Abadessas e Canonisas do Muito Ilustre Capítulo de Maubeuge, cuja fundadora é Santa Aldegunda.
     Ela nasceu por volta do ano 630 em Coulsore, perto de Maubeuge. Filha de Valberto IV e de Bertila, seu pai, de origem franca, era conde de Hainaut, governador das províncias entre Sambre e Meuse. Sua mãe era princesa da Turíngia. Sua irmã mais velha, Santa Valdru, nascida por volta de 620, tornou-se abadessa de Mons.
     Aldegunda recebeu uma educação mística com o monge Sobin da Abadia de Nivelles e fora convertida ao cristianismo por Santo Amando. À espera da idade legal para o casamento (12 anos na época), seu pai a prometeu a um príncipe anglo-saxão, Eudon.
     Desejando obter o véu das virgens, que somente era conferido na idade de 30 anos, Aldegunda fugiu do castelo da família atravessando a floresta dos arredores. Perseguida por seu pretendente, os anjos vieram em seu auxílio e a protegeram; ela então se instalou naquele local, em plena floresta chamada Maldodium, sendo depois seguida por sua irmã.
     Ela fundou, por volta de 658, um convento de religiosas no local onde os anjos tinham vindo em seu auxílio, o que contribuiu para o nascimento da cidade de Maubeuge.
     A maior parte das noviças que entravam no convento vinha das famílias ricas da região; elas deviam fazer donativos à comunidade. Foi assim que as terras de Malzy lhes foram entregues, bem como as de Seboncourt.
     Aldegunda vinha com frequência a Malzy onde ela fizera construir um leprosário. Alguns milagres de cura lhe são atribuídos.
     Ela faleceu no dia 30 de janeiro de 684 em seu convento, de um câncer no seio. Ela foi enterrada no túmulo familiar de Coulsore. Canonizada em 1039, Aldegunda é invocada contra os males que ela sofreu: dor de cabeça, febre, câncer do seio. Sua intercessão também obtém que as criancinhas caminhem sem dificuldades: bebês são vistos dando seus primeiros passos no bairro de Sainte-Aldegonde, em Maubeuge.
     Santa Aldegunda é representada com um livro em uma das mãos e um bastão de abadessa na outra. Suas sobrinhas, Santa Maldalberta e Santa Aldetrudes, também foram abadessas no mosteiro por ela fundado. Santa Aldegunda é uma das mais famosas santas da linha merovíngia, como é chamada por Aline Hornaday.
     Na Bélgica há igrejas consagradas a Santa Aldegunda em Hérinnes, Baisieux, Écaussinnes-Lalaing, Froidchapelle, Mont-Sainte-Aldegonde, Noirchain e Rance. Na França, Maubeuge é o principal local de seu culto. A Igreja dos Santos Pedro e Paulo, no centro de Maubeuge, expõe o tesouro da Santa que inclui um precioso relicário do século XV, um bastão pastoral e bandeiras que eram usadas nas procissões.
*
     Após anos de pesquisas utilizando o carbono 14, a casula da santa patrona da cidade, foi finalmente autenticada pelo Centro de Pesquisas e de Conservação dos museus da França e pelo Laboratório de Pesquisas dos monumentos históricos.
     Segundo o relatório, uma das principais peças do tesouro de Santa Aldegunda – como há muito tempo era reconhecido – data do século XI e provém de um tecido oriental antigo composto de uma teia de seda e de uma trama de fios, que fora oferecido pelo imperador mongol Mongka ao rei São Luís IX. O tecido foi em seguida transformado em traje litúrgico: “Na época, era a vestimenta a mais preciosa, o destino o mais nobre para os tecidos, uma roupa para dar glória a Deus!”