sexta-feira, 6 de março de 2015

Santa Colete Boylet de Corbie, Virgem, Clarissa - 6 de março

    
     A vida e a obra de Santa Colete se situam numa época extremamente tormentosa: a Guerra dos Cem Anos, gerada pelas rivalidades sangrentas entre duas famílias principescas da França; e o Cisma do Ocidente que dividia a Cristandade. Na Ordem franciscana, as dissensões - nascidas já em vida de São Francisco - entre os partidários da regra estrita e os que desejavam mitigações, terminaram com a vitória destes últimos.
Quanto ao ramo feminino da Ordem, o direito de possuir bens, concedido por Alexandre IV ao mosteiro de Longchamps, próximo de Paris, fundado pela Beata Isabel de França, irmã de São Luís IX, começou a enfraquecer seriamente o "privilégio da pobreza" arduamente defendido por Santa Clara.
Em 1263, Urbano IV estendeu a regra mitigada a todos os conventos de Clarissas e só raras comunidades guardaram a estrita observância primitiva. Autorização de possuir bens e tolerâncias relativas à clausura levaram à tibieza os conventos "urbanistas".
É neste contexto que devemos compreender a missão de Santa Colete.
A vocação
Nicolette Boylet ou Boëllet nasceu em Corbie, diocese de Amiens, França, em 13 de janeiro de 1381. Seus pais, Roberto Boylet e Marguerite Moyon, quase sexagenários, colocaram este nome na menina em sinal de reconhecimento a São Nicolau de Bari pelo seu nascimento. O pai era artista carpinteiro, caridoso e virtuoso; a mãe confessava-se e comungava toda semana, coisa rara naquela época.
A menina cresceu em um ambiente acolhedor e muito religioso. Aos quatro anos já tinha uma vida de oração; aos sete, fazia uma hora de oração diária e assistia clandestinamente as Matinas cantadas nos beneditinos. Ela dirá mais tarde que aos nove anos recebeu plena e inteira revelação do espírito da Ordem franciscana e da necessidade de sua reforma.
Em 1399, seus pais faleceram com alguns meses de intervalo um do outro. O pai confiara a filha aos cuidados de D. Raoul de Roye, abade do mosteiro beneditino de Corbie. Este desejava que ela se casasse. Colete recusou-se e acabou obtendo sua permissão para doar seus bens aos pobres e para entrar para a beguinaria (*) de Amiens, onde ficou apenas um ano por achar muito suave a disciplina ali vigente.
Pelo mesmo motivo fez tentativas frustradas junto às beneditinas de Corbie e no Convento de Moncel, que seguia a regra de Urbano IV.
Colete retornou a Corbie e seus concidadãos, que anteriormente a admiravam, passaram a desprezá-la porque a consideravam uma instável. Seu tutor começava a se impacientar com seus "caprichos".
Neste isolamento moral, a Providência colocou o Padre João Pinet em seu caminho. Ele era guardião do convento de Hesdin, fervoroso religioso de São Francisco, intensamente desejoso de fazer reviver a observância primitiva da Ordem. Este religioso aconselhou-a a se fazer reclusa da Terceira da Ordem de São Francisco.
Em 17 de setembro de 1402, festa dos Estigmas de São Francisco, ela pronunciou o voto de clausura, e passou a viver numa pequena ermida próxima da igreja paroquial de Nossa Senhora, em Corbie. Emparedaram-na entre dois contrafortes da igreja, numa pequeníssima cela que recebia a luz através de uma grade de ferro que dava para a igreja. Ali permaneceu por três anos, jejuando durante a Quaresma a pão e água, dormindo sobre um punhado de gravetos espalhados no chão.
A reformadora
     Em sua reclusão as visões se multiplicaram: por determinação de São Francisco e de Santa Clara, que lhe apareceram, ela devia reformar a Ordem segunda franciscana. Colete temia que tais visões fossem causadas "pelo inimigo do inferno". Ela consultou clérigos de seu meio e todos concordam em que ela devia agir. Após muita relutância, fruto de sua humildade, empreendeu a reforma inspirada por Deus.
Ela precisava de alguém que a aconselhasse e mais uma vez a Providência vem em seu auxílio: o Padre Henrique de Baume, religioso franciscano de grande virtude, que sofria com a decadência da sua Ordem, tornou-se seu diretor espiritual e seu colaborador zeloso. Ele obtém a adesão da Condessa Branca de Genebra para a causa de Colete. Em Besançon, ele se encontra com Isabeau de Rochechouard, viúva do Barão de Brissay, que o acompanha a Corbie.
Durante o Cisma havia três papas ao mesmo tempo: um em Roma, outro em Avinhão e o terceiro em Pisa. A França - bem como a Espanha e a Escócia - prestava obediência ao papa de Avinhão, que então era Bento XIII.
Em 1406, obtida a dispensa do voto de reclusão perpétua, Colete dirigiu-se a Nice, acompanhada do Padre Baume e da Baronesa de Brissay, para se encontrar com Bento XIII. Expõe-lhe detalhadamente seu propósito restaurador.
Depois de profunda reflexão, Bento XIII impôs-lhe o véu e o cordão seráfico e nomeou-a Superiora Geral de todos os conventos de Clarissas que viesse a fundar ou reformar. Autorizava Colete a transferir para o convento que fosse fundar as religiosas de mosteiros estrangeiros, e acolher eventualmente membros da Ordem Terceira franciscana. Bento XIII expediu a bula autorizando a reforma no dia 16 de outubro de 1406.
Os católicos viviam na perplexidade e na boa vontade durante esses tormentosos anos do Cisma; estavam do lado que tinham por autêntico, ou que lhes indicavam suas autoridades. Santa Catarina de Siena e Santa Catarina da Suécia estavam com o papa de Roma, enquanto São Vicente Ferrer e Santa Colete estavam com o de Avinhão, concretamente com Bento XIII.
Não foi fácil para Colete dar andamento aos seus projetos imediatamente. Durante alguns anos suas tentativas de reforma fracassaram. Seu empenho teve o apoio de personagens tão relevantes como a Condessa de Genebra e das duquesas de Borgonha e da Baviera.
No Franche-Comté, com mais três amigas, que se tornaram suas primeiras filhas, ela se instalou. A comunidade logo cresceu e foi preciso procurar um lugar mais espaçoso. Em 1410, conseguiu finalmente autorização para ocupar o convento de urbanistas de Besançon, onde viviam apenas duas irmãs. A reforma estava assegurada. Àquele convento logo seguiram outros até um total de 17, reformados ou novas fundações.
Como norma, cada convento devia ter quatro frades a seu serviço. Assim, a dinâmica reformadora sempre mantinha contato com os Gerais Franciscanos. Os Gerais da Ordem, principalmente Antônio de Massa e Guilherme de Casal, aceitaram e confirmaram a bula de 1406. O espírito da reforma coletina se infiltrava sutilmente na Ordem primeira.
 Colete precisava criar as Constituições para reger tão numerosas fundações. Em 1430, ela redigiu um texto - conhecido como Sentimentos de Santa Colete - que foi remanejado em 1432 e aprovado em 28 de setembro de 1434 por Frei Guilherme de Casal. Este havia submetido o texto a dois cardeais e alguns outros teólogos, que deram sua aprovação.
Quanto ao ramo masculino, Santa Colete não tinha evidentemente jurisdição sobre a Ordem primeira, mas ela exerceu uma forte influência espiritual nela e conseguiu a adesão de alguns conventos masculinos à sua reforma. Segundo uma estimativa mais provável, em 1447, data da morte da Santa, a sua reforma contava com 17 conventos femininos e 7 masculinos.
A reforma coletina estendeu-se rapidamente pela França, Espanha, Flandres e Saboia. Sob o impulso renovador de Santa Colete, os franciscanos voltaram a praticar aquilo que São Francisco havia querido para sua Ordem: vida de pobreza sem mitigações, vida austera, intensa oração pessoal e comunitária, e muita oração e penitência pela unidade da Igreja, então dividida pelo Cisma.
Nos dias atuais, os conventos de "coletinas" são cerca de 140, a maior parte na Europa, embora haja alguns também na América, Ásia e África.
            A piedade de Colete, notável desde a infância, cresceu e a conduziu a um tal grau de união com Deus, que os êxtases tornaram-se contínuos. Por vezes, eles duravam vários dias. Ao redor dessa intensa vida mística, que a ação não obstava, gravitavam fenômenos tais como: levitação; eflúvios odoríferos que emanavam não somente da pessoa de Colete, mas das coisas que ela tocava; conhecimento das consciências; o estado das almas do Purgatório; dons de profecia.
            Santa Colete era de uma pureza requintada, e seu amor por esta virtude se manifestava por seu pendor irresistível pelas almas puras, as crianças também a atraiam, e mesmo os animais cuja aparência simbolizavam a pureza, como as rolas e os cordeiros.
            Ela protagonizou inúmeros milagres que favoreciam suas fundações: na reforma de Hesdin, recebeu uma soma de quinhentos escudos de ouro, de origem celeste; em Poligny, descoberta de água potável; a provisão de trigo de Auxonne não diminuía e possibilitava as religiosas reparti-lo com os frades de Dôle; um tonel de vinho encheu-se sob a ação das preces de Colete, e muitos outros fatos relatados em seu processo de canonização.
            Verdadeira filha da Igreja, ele sofria com o Cisma que dilacerava sua unidade, e trabalhou denodadamente com São Vicente Ferrer pela extinção do Cisma.
Coleta era também filha da França. As nobres casas conflitantes, Armagnacs (partido do Duque d'Orleans) e Bourguignons (partido do Duque de Bourgogne), a chamaram para fundar conventos em seus domínios. Segundo depoimentos, ela certa vez conseguiu dissuadi-los de lutar. Apesar das tensões, Colete foi respeitada por ambas e pode continuar sua obra.
            Santa Colete viajou muito, operou numerosos milagres, suportou sofrimentos de toda a espécie. Ela foi uma mulher extraordinária que soube obter a colaboração de papas, frades, príncipes, duques para a sua obra. Santa Colete morreu em Gand, Bélgica, no dia 6 de março de 1447. As marcas de sua própria doença e do sofrimento desapareceram. Seu corpo tornou-se belo, com uma pele branca como a neve, membros flexíveis e exalando um celestial perfume. Como era seu desejo, o corpo foi sepultado direto na terra. Numeroso foi o público que compareceu às suas exéquias, atraídos por sua fama de virtude e pelos fatos maravilhosos que narravam sobre ela.
O processo de sua canonização iniciou poucos anos após sua morte, em 1472, mas somente se tornaria realidade anos depois. O processo relata, além dos fatos mencionados, curas operadas em pessoas de suas comunidades e cinco casos de ressurreição. Colete foi beatificada em 23 de janeiro de 1740. Porém, ela só foi canonizada em 24 de maio de 1807, sob o pontificado de Pio VII. Sua festa é celebrada no dia 6 de março.
 
(*) Beguinaria: convento onde vivem religiosas sem pronunciar votos, cada qual ocupando o seu aposento à parte. Beguina é o nome dado a essas religiosas nos Países Baixos e na Bélgica.
 
Etimologia: Colete, ou Colette, abreviação de Nicolette, feminino de Nicolet, em português Nicolau, do grego Nikólaos: “vencedor (niko) do povo (laos)”.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Beata Maria Luísa (Mère Saint-Louis) Fundadora - 4 de março

    
     Maria Luísa Elisabeth de Lamoignon nasceu em Paris, França, no dia 3 de outubro de 1763. Seu pai era então Guarda dos Selos da França sob Luís XVI. Ela tinha três irmãs e quatro irmãos. Crescendo em uma família aristocrática, ela recebeu uma boa educação.
     O Padre Plácido Levé, jesuíta, que foi seu primeiro biografo, escrevia em 1857: “Muito jovem, aos prazeres brilhantes que atraiam suas irmãs, ela preferia uma vida retirada e estudiosa. A oração era o principal atrativo e o mais caro alimento de sua alma. O estudo era sua maior ocupação. Seu espírito vivo e penetrante se abria sem dificuldade a todo o conhecimento. Ela cultivava as artes com o mesmo sucesso e o mesmo gosto. Aluna de Rameau, este a admirava e ia à sua casa, dizia ele, não para aperfeiçoá-la na arte do cravo, mas para ouvi-la tocar e se exercitar com ela”.
     O Cardeal Amato se recorda da vocação especial desta nova Beata: “A Beata Madre Saint-Louis fez frutificar os seus dotes naturais e da graça, falando a língua da caridade evangélica, que convida concretamente a dar de comer aos famintos, de beber aos sedentos, a servir e a ajudar os pobres, instruir os ignorantes, educar os pequenos nas vias da virtude”. 
     Terna e sensível, mas ao mesmo tempo uma natureza “forte, generosa, capaz dos mais duros e dos maiores empreendimentos” era dotada de um julgamento sólido e pleno de “sabedoria e bondade”. 
     Segundo o costume da época, casou-se muito jovem com o Conde Molé de Champlâtreux, Francisco Eduardo Molé de Champlâtreux. "Meus pais me uniram ao homem o mais virtuoso como também o melhor”, escreveu ela. Assumindo as obrigações de sua posição – a fortuna dos esposos Molé era imensa – ela fez, de acordo com seu marido, a escolha de uma simplicidade de vida e do serviço dos pobres.
     O casal teve cinco filhos, três deles falecidos em tenra idade. Ela teve que suportar uma das maiores dores: o esposo foi guilhotinado injustamente durante o Terror, o período mais terrível da Revolução Francesa. O casal fora aprisionado, mas ela foi liberada devido ao seu estado de saúde. O esposo foi guilhotinado no dia de Páscoa de 1794. No mesmo ano ela enfrentou a morte de sua filha de quatro anos. Além disso, seus bens foram confiscados pela Revolução. Ela enfrentou a miséria, a fome e as provações da alma.
     Após o choque brutal causado pela morte de Francisco Eduardo, a chaga de seu coração cicatrizou docemente, sem que Luísa Elisabeth, que se tornaria mais tarde Mère Saint-Louis, se esquecesse de seu esposo diante de Deus. “Todos os dias eu renovo a Deus o sacrifício inicial”, assegurava a seu filho, lhe indicando o retrato de seu pai. No testamento que escreveu em 1810, ela diz: “Ao me separar de vocês, meus queridos filhos, para me revestir de um retiro profundo, eu fiz a Deus o maior sacrifício”.
     Ficando sozinha, seu coração foi consolado pelo Senhor, que havia sacrificado o Seu Filho dileto, e perdoou os assassinos do marido. Foi assim que se aproximou ainda mais da Cruz, de quem se sentia filha, e, a exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, a amar “os seus que estavam no mundo, até o fim”. Isto ela pedia às suas Irmãs das Filhas da Caridade, congregação por ela fundada: formar-se segundo o modelo de Maria aos pés da Cruz.
     Em abril de 1803, Mme. Molé tendo chegado a Vannes, Mons. de Pancemont, Bispo de Vannes, condoído com a situação das meninas, convidou-a a dirigir uma obra de caridade e de educação, que ele chamara Casa do Pai Eterno.
     No dia 21 de novembro de 1803, Festa da Apresentação de Maria no Templo, Mme. Molé foi oficialmente nomeada superiora da Casa em presença de Mons. de Pancemont. A partir de então ela passou a ser conhecida como Madre São Luís (Mère Saint-Louis). As religiosas tomam a denominação de Irmãs da Caridade de São Luís.
     Ela escolheu São Luís IX como protetor de sua fundação por ser ele o patrono da França. À sua Congregação, que deve trabalhar junto aos mais humildes, ela dá por guia o santo que oferece os mais belos exemplos de uma vida comprometida com o temporal: “Um místico que mantinha os pés na terra, brilhava das mais belas virtudes humanas: lealdade, coragem, senso de honra, equidade, franqueza e delicadeza. Um místico cuja fé intrépida se refletia nos atos os mais simples e no dever de cada dia”.
     Ela mandou instalar oficinas de tecelagem mecânicas para fiação de algodão, o trabalho da lã e a fabricação de rendas, porque tem gosto pelo progresso e sonhos de tornar essas oficinas modelos de sua espécie. É um sucesso! As pessoas se apressam para admirar o trabalho e especialmente para ver a transformação social das meninas. "As crianças mudam visivelmente". Falam do Pai Eterno por toda a região, e outras cidades também querem ter uma Casa de educação social segundo aquele modelo.
     Em 1º de março de 1816, os estabelecimentos de educação gratuita e de caridade legalmente fundados em Vannes e em Auray por Madre São Luís são aprovados.
     Madre São Luís convidava suas Irmãs a "considerar Maria como o modelo no qual nos devemos formar", não A separando jamais de seu Filho, nem de sua missão. Sua piedade marial ia o mais das vezes a Nossa Senhora das Dores que, "malgrado a ternura de seu coração, consentiu no sacrifício e na morte de seu Filho”, Nossa Senhora da Compaixão, próxima de todos os calvários do mundo, “cheia de zelo pelos interesses de Deus e pela salvação dos homens”.
     Madre São Luís não para: em 1816 abre uma casa de caridade em Pléchâtel, e em 1818 uma casa de retiro espiritual em Auray, depois, em 1820, um noviciado em Saint Gildas de Rhuys. Como Santa Teresa d’Ávila ela funda sobre os alicerces da caridade e da confiança. Tudo é por Deus.
     No dia 3 de novembro de 1824, a fundadora adquiriu a Abadia de Rhuys, onde as Irmãs se instalaram em maio de 1825.
     Estreitando ao peito o crucifixo do qual não se separava jamais, Madre São Luís morreu em Vannes, no dia 4 de março de 1825, rodeada das filhas de sua alma. Ela morreu suavemente, como uma criança que adormece no regaço de sua mãe; apagou-se a lâmpada luminosa de caridade e bondade, capaz de indicar a todos o caminho a seguir, como só os Santos o sabem.
     A notícia correu por toda a cidade de Vannes. A multidão se comprimiu na capela do Padre Eterno para ver a santa, e foi na capela do Seminário Maior que teve lugar as exéquias. Ainda hoje ela repousa na capela do jardim do Padre Eterno de Vannes.
     Madre São Luís foi beatificada em Vannes pelo delegado do Papa Bento XVI, no dia 27 de maio de 2012.
     Quase dois séculos após o seu falecimento, a Congregação das Irmãs da Caridade de São Luís conta com 145 casas: França, Inglaterra, Canadá, Estados Unidos, Haiti, Madagascar, etc.
     Embora tenha sido beatificada como religiosa fundadora, Madre São Luís se santificou em vários estados de vida: jovem de inteligência brilhante, esposa de coração generoso, mãe extremosa, religiosa exemplar, fundadora. 
 
Tout est grand quand c'est l'amour qui le fait”. - Mère Saint-Louis

terça-feira, 3 de março de 2015

     Catarina Drexel nasceu no dia 26 de novembro de 1858 em Filadélfia, Pensilvânia, USA. Era filha do banqueiro Francis Anthony Drexel e de Hannah Jane Langstroth, sua primeira esposa.  Seu pai era bem conhecido como filantropo. Seus pais inculcaram nas filhas a ideia de que deviam utilizar sua riqueza generosamente. Sua irmã mais velha, Isabel, abriu uma escola para órfãos na Pensilvânia; sua irmã mais jovem fundou uma escola para pessoas pobres de raça negra na Virginia.
     A mãe de Catarina faleceu pouco depois de seu nascimento. O Sr. Drexel tornou a se casar dois anos depois. A nova esposa do Sr. Drexel fez um oratório na casa e marcou um horário para as orações diárias das filhas. A família procurava manter as crianças rodeadas de amizades que tinham seus princípios católicos. Quando Catarina estava com 15 anos, seus pais a levaram a Roma onde eles tiveram uma audiência com o Papa Pio IX. Foi uma experiência que marcou sua alma profundamente.
     Ajudada pela excelente formação católica, Catarina cresceu em virtudes e graças que Deus concede às almas generosas; ela estava pronta para aplicar os ensinamentos recebidos de seus pais de que seus bens eram dons de Deus para ela cumprir a missão para a qual Ele a destinava.
     Catarina cuidou de sua madrasta por três anos até que esta morreu em 1883.
     Quando a família fez uma viagem ao Oeste dos Estados Unidos, Catarina viu a condição e degradação dos nativos índios americanos. Esta experiência despertou seu desejo de fazer algo específico para ajudar a aliviar sua condição.
     Durante uma audiência em 1887, Catarina pediu ao Papa Leão XIII que enviasse mais missionários ao Estado de Wyoming, para seu amigo o Bispo James O'Connor. O papa lhe respondeu: “Por que tu não te fazes missionária?”
     Este foi o início de uma vida de apoio pessoal e financeiro a numerosas missões e aos missionários nos Estados Unidos.
     Catarina visitou os estados do Norte e Sul Dakota, conheceu o chefe índio da tribo Sioux, e começou sua ajuda sistemática às missões com os índios americanos.
      Entrou no noviciado das Irmãs da Misericórdia (Sisters of Mercy). Em 12 de fevereiro de 1891, Catarina fundou as Irmãs do Santíssimo Sacramento para os índios e negros, em Santa Fé, Novo México, USA.
     Madre Francisca Cabrini, que também é santa canonizada, aconselhou-a que recebesse a aprovação de Roma para a sua fundação. Ela recebeu esta aprovação no ano 1913.
     Desde os 33 anos até sua morte em 1955, ela dedicou sua vida e sua fortuna pessoal de 20 milhões de dólares ao seu trabalho. Em 1894, a Madre Drexel tomou parte da inauguração da primeira escola das Irmãs do Santíssimo Sacramento para índios americanos, a escola índia de Santa Catarina em Santa Fé, Novo México.
     A esta fundação se seguiram outras escolas para os índios americanos do Este do Rio Mississipi, e para os afros americanos do sul dos Estados Unidos. Em 1915 também fundou na Luisiana a Universidade Xavier e a Escola Preparatória da Universidade em Nova Orleans.
     No ano de 1942, Catarina já tinha um sistema de escolas católicas para índios americanos e negros em 13 estados. Este sistema incluía 40 missões, 23 escolas rurais, 50 missões para os índios e a Universidade Xavier em Nova Orleans, Louisiana, USA, a primeira universidade nos Estados Unidos para as pessoas de raça negra.  Por tudo isto Catarina sofreu perseguições.
     Catarina também fundou muitas capelas, conventos e mosteiros. Quando morreu, em 1955, mais de quinhentas Irmãs ensinavam em 63 escolas em todo o país.
     Em 1935, Catarina sofreu um severo ataque do coração, e nos 20 anos seguintes viveu retirada, passou o resto de sua vida concentrada na oração e na meditação. Morreu no dia 3 de março de 1955, aos 96 anos, no convento de Santa Elizabeth em Bensalem Township, Pensilvânia.
     Catarina foi beatificada por João Paulo II em 20 de novembro de 1988 e canonizada em 1º de outubro de 2000, tornando-se a segunda santa nascida nos Estados Unidos. Seu dia é o 3 de março, aniversário de sua morte. Está enterrada em Bensalem Township.
     A vida de Santa Catarina Drexel é um enigma para a sociedade materialista e pecadora de nossos dias. Pensar que alguém destinou uma enorme fortuna para aqueles menos favorecidos é impensável no mundo de hoje. Infelizmente em nossos dias há fortunas empregadas para destruir a Igreja Católica. Devemos também mencionar que a orientação dada pelos pais de Santa Catarina foi indispensável na formação de sua disposição para a santidade e generosidade. Os pais modernos fariam bem em seriamente seguir o seu exemplo.
Sta. Catarina Drexel

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Beata Francisca Ana da Virgem das Dores, Fundadora - 27 de fevereiro

    
     Francisca Ana, chamada habitualmente Francinaina, nasceu em Sencelles, Mallorca, Baleares, em 1º de junho de 1781, sendo batizada no mesmo dia; pertencia a uma família de camponeses.
     Desde pequena se sentia chamada a se consagrar a Deus na vida religiosa. Mas inúmeras e variadas dificuldades a impediram de fazê-lo, com muito pesar de sua parte. Cresceu como qualquer menina do povoado de então; como ajudava os pais e os três irmãos mais velhos nos trabalhos do campo e da casa, Francinaina não fez os estudos elementares. Analfabeta, aprendia o catecismo de memória; também aprendeu a costurar.
     Desde pequena se dedicava às devoções do Rosário, da Via Sacra, bem como à frequência na Comunhão. Pediu permissão para entrar em um convento, mas seu pai não aceitou, o que a fez se tornar terciária franciscana desde 1798, levando uma vida de religiosa em sua casa e em meio aos seus trabalhos seculares.
     Aos 26 anos, falecida sua mãe e também seus irmãos, Francinaina vivia junto a seu pai na casa familiar. Além de cuidar de seu pai, ela se encarregava de todas as tarefas do campo e domésticas.
         Em 1821, seu pai falece. Por ocasião de sua morte Francinaina tinha quarenta anos; ela reafirmou seu projeto de dedicar sua vida a Deus e aos demais. Decidiu levar uma vida de retiro em sua casa, onde vivia em companhia de outra mulher, Madalena Cirer Bennazar, a qual permanecerá junto a ela até sua morte.
     Em Sencelles ela era popularmente conhecida como "Sa Tia Xiroia". Trabalha na paróquia e atende ao povo que com frequência recorria a seus conselhos. O que ganha na colheita investe nos pobres, reservando para si mesma apenas o indispensável.
     Em 1850 o reitor de Sencelles, Juan Molinas, decidiu estabelecer uma casa de caridade, no espírito das Filhas da Caridade de São Vicente de Paula, na localidade. Encarregou a direção desta nova instituição a Francisca, que ofereceu sua casa e seus bens para a obra. Em 7 de dezembro de 1851 fez, junto com outras duas mulheres Ir. Madalena e Ir. Conceição, os votos na nova Congregação, tomando o nome de Francisca Ana da Virgem das Dores.
     Apesar de analfabeta, Ir. Francisca ensinava e educava crianças e jovens na fé cristã. Oferecia consolo aos pobres e aos doentes, e os ajudava no limite de suas possibilidades. Orientava e aconselhava as meninas, e qualquer pessoa que necessitasse; também assistia aos moribundos.
     Diversos milagres lhe são atribuídos: uma menina foi e voltou de Sencelles à Binisalem, situada a oito quilômetros, em busca de medicamentos. Como chovia Ir. Francisca lhe cedeu sua sombrinha para que a usasse como guarda-chuva. Ao voltar a menina estava completamente seca. Outros milagres se referem à cura de enfermidades de crianças. A fama destes milagres correu pela ilha e muitos vão até Sencelles, como a família Femenias, desde Artá, ou os pais de Guillermo Puigserver, da vila de Lluchmayor.
     Ir. Francisca faleceu no dia 27 de fevereiro de 1855 como consequência de um acidente cerebrovascular; pessoas de todas as classes sociais foram prestar homenagem a ela, que foi sepultada na cripta do Convento das Irmãs de Caridade de Sencelles.

Beatificação

     O Papa João Paulo II a beatificou em Roma em 1º de outubro de 1989.
     A Beata Francisca Ana é venerada em toda a Ilha de Mallorca por todas as curas milagrosas que lhe são atribuídas. Sua festividade se celebra em 27 de fevereiro; nesse dia os habitantes de Sencelles, e de outras povoações, saem às ruas para levar uma oferenda floral para aquela que foi a fundadora das Irmãs de Caridade.
     Desde 1986, a cada ano se realiza uma romaria no 2º domingo do mês de maio que vai da localidade de Casa Blanca até o túmulo da Beata. Esta romaria é feita a pé, a cavalo ou de carro. Em 2005 ela foi nomeada Filha Predileta da ilha pelo Conselho de Mallorca. Desde 2009 ela é a patrona dos catequistas.
Fontes:
Wikipedia

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Santa Aldetrudes, Abadessa - 25 de fevereiro

    
 
Santa Aldetrudes, sua irmã e sua mãe Santa Valdetrudes (ou Waldru) 


     Canon O' Hanlon traz um relato de uma abadessa belga no dia 25 de fevereiro, a quem o hagiologista do século XVII, o Padre John Colgan, dizia ser de ascendência irlandesa: Santa Aldetrudes, ou Aldetrudis, Virgem e abadessa de Malbod, ou Maubeuge, na Bélgica.
      Esta santa virgem é reivindicada como pertencente aos santos da Irlanda pelo Padre João Colgan, porque do lado do pai seu sangue ancestral era irlandês, mesmo embora ela tivesse nascido na Bélgica e vivido lá.
      Os Bolandistas, depois de uma introdução escolástica, produziram uma breve Vida Latina da santa, adicionando algumas poucas notas, a título de esclarecimento. Estes atos são feitos a partir de um manuscrito Codex da Vida de Santa Aldetrudes encontrado no Mosteiro de Rubra Vallis, perto de Bruxelas, e inserido na primeira parte da Hagiologia Brabantina, a partir das lições do Breviário para a Igreja Colegiada de Mons, fundada por Santa Waldetrude.
      O pai de Santa Aldetrudes foi Maelceadar ou Maldegarius, também chamado Vicente, tendo recebido este último nome por conta das inúmeras vitórias que obteve; por esta razão também ele foi criado Conde de Hainault, nos Países Baixos, por Dagoberto, o famoso rei dos francos. Para aumentar essas honras, este monarca deu-lhe em casamento sua parente Santa Waldetrude (Waldetrudis ou Waudru).
     Esta feliz aliança deu quatro filhos santos à Igreja: São Landrico, bispo de Meaux; São Dentelino, Patrono de Rosensis, em Cleves; Santa Aldetrudes e Santa Madelberta.
       A irmã de Santa Waldetrude, Santa Aldegunda, tinha fundado uma instituição religiosa em Maubeuge, uma cidade nas Flandres francesa, e perto da fronteira sul da Bélgica. Desde sua mais tenra infância, Santa Aldetrudes, com sua irmã Santa Madelberta, foi distinguida por suas disposições piedosas. Ambas foram colocadas sob a proteção de sua santa tia Aldegunda, para receber uma formação religiosa e secular.
      A influência e os preceitos desta santa mulher logo levaram as sobrinhas a desprezar as vaidades deste mundo e a dedicar suas almas virgens para Cristo. Nossa santa especialmente gostava de ouvir as frases do Evangelho relativas às virgens prudentes e às insensatas. Ela vivia em oração fervorosa e constante, em vigílias contínuas, em abundantes esmolas.
     Um fato interessante lhe é relacionado. Certa de que a cera utilizada nas velas do altar não devia ir para o lixo, Aldetrudes reuniu os gotejamentos e os fragmentos de círios para colocá-los novamente na panela. Quando colocado sobre o fogo, no entanto, a cera derretida incendiou-se. Pensando que havia perigo de incêndio, e não querendo perder a cera, Aldetrudes corajosamente pegou a panela e levantou-a em suas mãos, levando-a para o chão de pedra. Embora parte da cera derretida atingisse suas mãos e os braços, ela milagrosamente escapou sem qualquer queimadura ou machucado como consequência dessa corajosa aventura. Isto foi de grande edificação para todos os servos do convento que estavam presentes.
     Quando sua santa tia, Aldegunda, foi levada da terra para o céu, nossa santa foi nomeada para sucedê-la na administração dos assuntos conventuais, em Maubeuge. Ela presidiu este convento por 12 anos. Durante este período, Santa Aldetrudes governou suas freiras com muito cuidado e caridade.
     Uma de suas filhas espirituais teve uma visão do Apóstolo São Pedro com Santa Aldetrudes. Eles apareciam de pé, no canto do altar e envolvidos numa conversa. Com um sorriso benévolo o Apóstolo, exclamava: "Tenha coragem, virgem amável, pois eu tenho a ti e aos teus servos sob a minha tutela constante, e eu vou reduzir a nada os esforços do velho inimigo". Olhando de novo, a freira viu um favo de mel nos lábios de sua abadessa e uma escada pela qual ela se esforçava para subir ao céu. A narração desta visão foi de grande consolo para comunidade religiosa de Aldetrudes.
     Numa outra ocasião, águias foram vistas voando em direção ao céu e levando para lá Santa Aldetrudes e suas orações. No entanto, ela tinha dúvidas em relação à eficácia de suas orações e aos seus próprios méritos, mas ela foi reconfortada por uma visão noturna quando ela viu um grande globo de cristal brilhante voar diante dela indo para o Oriente.
     Poucos dias depois um santo sacerdote disse a ela que na noite da Epifania do Senhor ele viu um homem venerável de longos cabelos vindo como um rei oriental, com três varinhas, levando flores em sua mão. Estas ele apresentou a Aldetrudes, dizendo: "Tu regerás com uma varinha, e elas devem crescer em tuas mãos para as nuvens". A santa abadessa caiu de joelhos e orou com lágrimas a Deus.
     Uma das irmãs de religião de Santa Aldetrudes relacionada com São Dado ou Audeon, Bispo, fez um relato completo da vida de sua abadessa, sendo que uma cópia deste documento devia existir no Convento de Maubeuge, pois o Abade Sobnias, ou Sobinus, escreveu uma Vida de sua tia, Sta. Aldegunda para o Mosteiro de Nivelles.
     Santa Aldetrudes faleceu no dia 25 de fevereiro, o ano de sua morte sendo 676, embora os Bolandistas creem que ela sobreviveu a São Audeon, mas isto não é certo.
 
Fonte:
Etimologia: Aldetrudes = este nome deriva do nome Adeltraud, do alemão antigo, composto de dois elementos: “adal” (nobre) mais “brübi” (força). Ou seja, nobre e forte.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Beata Josefina Vannini, Fundadora - 23 de fevereiro

    
     Judite Adelaide Vannini nasceu na Itália, no dia 7 de julho de 1859. Órfã de pai e mãe, Judite foi educada pelas Irmãs de Caridade até a idade de 21 anos.
     A data da  sua Primeira Comunhão, que esperou com amor indescritível, foi também o germe de uma decisão por muito tempo pensada com especial carinho: dar-se a Deus e a Ele consagrar sua pobre vida, desejo que cultivou e fez  crescer imperiosamente.
     O tempo amadureceu ainda mais a decisão de que seria Deus seu único e indivisível amor. Foi aos 20 anos de idade que pediu o ingresso  no convento das Irmãs de Caridade. Em 2 de março de 1883,  ingressou no noviciado de Siena.  Mas, por razões de saúde, foi obrigada a voltar para Roma, para o antigo pensionato onde recebera o diploma de instrutora. Esta prova causou-lhe grande sofrimento. No silêncio, teve de aplicar-se aos trabalhos manuais (bordado) para ganhar seu pão.
     Posteriormente, foi novamente aceita ao noviciado e enviada à comunidade de Montenero (Leghorn), onde permaneceu até 1886, em seguida a Bracciano até 1888, quando novamente teve de retornar ao pensionato. Era mais uma prova imposta pelo Senhor, que provava a pureza deste ouro no cadinho da humilhação. Os superiores definitivamente haviam decidido que não tinha vocação e por isto decidiram que retornasse aos afazeres do mundo.
     Judite tinha então 29 anos. A boa superiora do pensionato encontrou alojamento para ela nos arredores da cidade, e percebendo a piedade e a disponibilidade de Josefina, explicou-lhe que aceitariam de boa vontade que permanecesse entre elas, mas este tipo de vida não era compatível com seu caráter de profunda espiritualidade. Além de todos estes contratempos, teve de lutar contra as intenções de seu irmão Augusto, que tentava dissuadi-la da ideia de sua eventual consagração à Deus e a aconselhava a  permanecer entre eles para formarem uma só família.
     Aos trinta e poucos anos confiou-se aos cuidados de sua tia e madrinha Ana Maria.  A esta altura todas as suas aspirações pareciam ter caído por terra, mas o Senhor a predispunha para outros horizontes sem contudo poupá-la de muitos outros sacrifícios e renúncias. Os frutos destes dois anos em que ali permaneceu, imprimiu nela ainda mais a qualidade incontestável de seu caráter, o grande abandono em Deus e a mais perfeita obediência ao seu diretor espiritual.
     Numa conversa privada que teve com o Padre Luís Tezza, Judite abriu a sua alma ao pregador.  Falou de seus projetos, dos seus malogros, das suas aspirações. Enquanto o Padre Luís a ouvia pela primeira vez, descobria nela rara sabedoria e uma grande maturidade espiritual. E viu nela um belo instrumento a ser usado em uma fundação em amadurecimento.  Havia chegado o momento em que Deus realizaria nela plenamente a Sua vontade.
     O Padre Tezza não perdeu tempo: expondo-lhe os detalhes de uma fundação movida pelo espírito de São Camilo de Lellis, propôs que nela colaborasse. Judite pediu um tempo para dar uma resposta definitiva. Após refletir sobre a proposta diante de Deus, finalmente aceitou o encargo, colocando-se à inteira disposição do Padre Luís Tezza.  Assim, na humildade e no silêncio, surge a nova fundação.
     Obtendo permissão de seus superiores eclesiásticos, no dia 2 de fevereiro de 1892 (festa da Purificação de Nossa Senhora e aniversário da conversão de São Camilo de Lellis), Judite e duas companheiras foram empossadas em um pequeno apartamento na Rua Merulana, 141.  Mantidas na solidão, no silêncio, oração e trabalho, santamente preparavam-se para receber o ingresso na Congregação Filhas de São Camilo.  Foi na festa de São José, em 19 de março de 1892, que Judite tomou o nome definitivo de Irmã Maria Josefina, tornando-se superiora da pequena comunidade.
     É fácil imaginar a suprema alegria do Padre Luís, das suas primeiras filhas e dos camilianos presentes. Uma nova congregação tinha nascido, limitada, extremamente pobre, mas com plena confiança depositada em Deus, na Santíssima Virgem, em São José, escolhido como protetor específico, sob a proteção paterna de São Camilo de Lellis.
     Em 1909 a fundadora atingiu a idade de cinquenta anos. Exatamente neste ano Nosso Senhor concedeu a ela a alegria desejada por muito tempo: a aprovação eclesiástica do Instituto. O cardeal vigário, Pedro Respighi, por decreto firmado em 21 de junho de 1909, criava os piedosos asilos, junto à Congregação de Direito Diocesano e aprovava as suas constituições.
     Madre Josefina Vannini, frágil desde a juventude, nunca teve boa saúde. Os sofrimentos da adolescência, as desilusões da juventude, o peso da fundação, a apreensão e o amor intenso e dedicado às suas religiosas, consumiram-na sobremaneira.  Seu coração estava cansado e não batia mais regularmente.
     Por ocasião de uma visita à uma comunidade, retornou extremamente esgotada e foi obrigada, pela grande fraqueza,  a pôr-se de cama. Todos estavam conscientes de que a Madre tinha chegado a uma fase em que talvez não pudesse mais continuar nas suas funções de superiora. Ela mesma havia compreendido isto e com muita resignação facilmente aceitou os afetuosos cuidados de suas filhas.
     Pouco tempo de vida restou-lhe depois disto. Ao final da jornada, um padre escreveu sobre ela: “Como ocorre em cada boa alma, nesta enfermidade terminal resplandecerá mais do que nunca as virtudes que a acompanharam durante sua vida religiosa. Piedade para com Deus, paciência nas suas dores, afeição para seus irmãos, docilidade aos confessores, mortificação para si mesma, gratidão em cada pequeno serviço, humildade nos sentimentos, espírito de fé e amor de Deus, eram coisas que a animavam eu diria quase continuamente”.
     Estando próximo o fim, repetia aos padres que a assistiam frases de amor e de fé em Deus e na Virgem. À véspera de sua morte quis ver as suas filhas, dando-lhes as últimas instruções. Morreu serenamente na noite de 23 de fevereiro de 1911, aos cinquenta e dois anos, em Roma.
     Em apenas 19 anos de trabalho, Madre Josefina Vannini conseguiu difundir o seu providencial instituto na Itália, na França, na Bélgica e na América do Sul. Hoje as Filhas de São Camilo trabalham em quatro continentes: Europa, Ásia, África, América.
     A causa de canonização foi enviada ao tribunal do Vicariato de Roma em 1955. Em 16 de outubro de 1994 João Paulo II a proclamou Beata. 
Fontes: www.santiebeati.it; e material traduzido,  sintetizado e adaptado por Página Oriente do original em francês, através do site dos camilianos na França.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Beata Maria Henriqueta Dominici, Virgem - 21 de fevereiro

    
     Catarina, era seu nome civil, nasceu em Carmagnola (Borgo Salsasio, Turim), em 10 de outubro de 1829, no seio de uma humilde família camponesa. Teve uma infância serena, circundada pelos afetos familiares, mas, em 1833, o pai abandonou a família, um pesar que marcou a sua infância e adolescência. Sua mãe, com os filhos, foi viver com um tio sacerdote em Borgo San Bernardo (também em Carmagnola), junto ao avô e uma tia. 
     Diante do infortúnio, Catarina se abre para uma vida de doação e se volta para Deus, a quem sempre se refere como o “Bom papai”, dirigindo-se a Ele com confiança filial. Catarina, de temperamento orgulhoso e independente, mas também terno e sensível, desde a juventude trava uma luta interior com a sua natureza, deixando que Deus molde o seu caráter. Transforma-se pouco a pouco em uma criatura humilde, simples, disponível, aberta e dócil à ação da graça. Aprende a dizer “sim” a Nosso Senhor dia após dia e começa a viver as virtudes de um modo heroico.
     Quando manifestou seu desejo de fazer-se religiosa, seu tio sacerdote se opôs firmemente, enquanto sua mãe, se bem que não era contrária, sentia medo de ficar sozinha. Foi preciso que cinco anos se passassem para ela poder cumprir seus desejos. Fez parte da Companhia dos Humilhados, que tinha a missão de acompanhar os mortos à sepultura.
     Em 1850, obteve a permissão de tornar-se religiosa, mas não de clausura como ela desejava: ingressou nas Irmãs de Santa Ana. Foi recebida no palácio Barolo de Turim pela fundadora, a Marquesa Júlia.
     O Instituto de Santa Ana havia sido fundado em 1834 por Carlos Tancredi Falletti, Marquês de Barolo, para acolher as crianças de rua e nascia com a missão de educá-los e instrui-los. O marquês morreu no dia 4 de setembro de 1838 em Chiari. Sua esposa, Júlia Cobert, nascida em Maulevrièr, na católica Vadeia, viveu até o dia 19 de janeiro de 1864, cumprindo a missão que assumiu com ele no serviço aos mais pobres.
     No dia 26 de julho de 1851 Catarina vestiu o hábito religioso, recebendo o nome de Ir. Maria Henriqueta. Nas comunidades nas quais o Senhor a coloca e nas várias situações nas quais se encontra vivendo, Ir. Henriqueta continuou de modo sempre mais intenso a vida de doação. A fidelidade nas pequenas ações é o segredo do seu caminho: “As pequenas ações feitas com grande amor valem muito mais que os atos heroicos feitos com objetivos humanos”.
     Ao seu diretor espiritual, um jesuíta, manifestou sua aridez espiritual e seu desejo de ir como missionária à Índia. Para preparar-se obteve a permissão de privar-se "das coisas não absolutamente necessárias".
     Em 1854 foi enviada a Castelfidardo, onde havia uma casa fundada uns anos antes, a pouca distância do Santuário de Loreto. Foi acolhida por suas Irmãs de religião "como uma espiã", mas em pouco tempo se fez amar.
     Um ano depois de sua chegada eclodiu uma epidemia de cólera na cidade, quando as Irmãs se ofereceram para cuidar dos doentes; a dedicação da Beata foi extraordinária. Foi nomeada mestra de noviças.
     O dia 17 de maio de 1857 foi memorável: com outras religiosas ela assistiu à audiência com o Beato Pio IX que visitava Loreto. Assistindo à audiência estava presente Santa Madalena Sofia Barat.
     Com 32 anos foi eleita Superiora Geral. Recebeu assim, ainda muito jovem, a herança de uma Congregação também muito jovem e deveria ser “a Madre” até o final da sua vida (1894). Escolhida por Deus para consolidar e desenvolver o Instituto, Madre Henriqueta foi fiel ao espírito dos Fundadores.
     Abriu o Instituto aos horizontes da missão ad Gentes, enviando as primeiras seis missionárias à Índia, em 1871, pois desejava fortemente que Deus e o Seu amor fossem conhecidos no mundo inteiro, porque pensava: “é impossível conhecê-Lo e não amá-Lo”. Presentes primeiramente em Secunderabad, as Irmãs se propagaram em vários estados indianos, e hoje a missão na Índia é a maior do Instituto.
     A Madre Maria Henriqueta esteve à frente da Congregação até sua morte, e a desenvolveu de forma excepcional. Fundou 32 casas, chegando a Roma e Sicília.  Foi conselheira de São João Bosco quando este criou a Regra das Filhas de Maria Auxiliadora, e lhe "emprestou" duas irmãs para a nova congregação.
     Afável e gentil, Madre Maria Henriqueta era reservada e de poucas palavras. Com a permissão de seus superiores fez o voto extraordinário de buscar no cumprimento de cada ação o modo "mais perfeito". Meditava longamente diante do Tabernáculo e obteve da Santa Sé que suas religiosas pudessem comungar diariamente. Ao ler seus escritos, a Autobiografia e o enorme epistolário, se percebe seu total abandono nas mãos da Providência.
     A Beata Maria Henrique procurou em todas as coisas a vontade de Deus e se abandonou, tornando-se com a sua própria vida um canto de louvor à Santíssima Trindade. É esta herança espiritual que deixa para suas filhas e a todos aqueles que têm a graça de encontrá-la no seu caminho.
     Ela faleceu em Turim de um câncer de mama. Seus restos se encontram na capela da Casa Mãe de Turim.
     No dia 7 de maio de 1978 o Papa Paulo VI a proclamou bem-aventurada, reconhecendo a sua riqueza e fecundidade espiritual e indicando o seu caminho de santidade como modelo a seguir. 
 
Fontes: www.santiebeati.it;