sábado, 11 de abril de 2015

Beata Ida de Louvain, Monja cisterciense - 13 de abril

    
     Sabemos de Ida de Louvain o que um autor anônimo conta em sua Vida, escrita pouco tempo depois de sua morte.
     Nascida por volta de 1212, Ida pertencia a uma família de ricos comerciantes. Seu pai era um comerciante de vinhos que vivia na operosa cidade de Louvain e que, preocupado unicamente em acumular riquezas e em usufruir dos bens terrenos, ficou muito contrariado quando a filha lhe disse que tinha a intenção de se fazer monja. O pai não consentiu, o que a fez sofrer muito.
     Desde muito jovem ela manifestou repulsa por aquela nova sociedade comercial cujo aparecimento nas cidades do Norte provocava uma pobreza muito grande de uma população reduzida à mendicância. Em profundo conflito com a família, Ida se dedicava a ajudar os pobres, ao mesmo tempo em que se infligia impressionantes penitências que visavam reparar os ultrajes feitos a Nosso Senhor Jesus Cristo.
     Ela finalmente conseguiu vencer a dureza de seu pai e ingressou na abadia cisterciense de Val-des-Roses, perto de Malines. Sua biografia, composta provavelmente no final do século XIII, baseada nos testemunhos de seu confessor, revela uma mulher em odor de santidade cujo renome ultrapassou o claustro de seu mosteiro.
     Dominicanos e franciscanos reconheceram os seus méritos e não se pode deixar de perceber a influência da espiritualidade franciscana nas evocações dessa mística: a exemplo de São Francisco de Assis, Ida tinha grande familiaridade com os animais; seu corpo marcado por cinco chagas evocava seu amor imenso por Jesus sofredor.
     Antes mesmo de sua entrada no mosteiro apresentava um desejo insaciável de receber a Eucaristia.  É um dos temas desenvolvidos em sua Vida; assim como ela, outras santas daquele século dão testemunho da grande devoção pelo Santíssimo Sacramento que se desenvolveu a partir da Festa de Corpus Christi celebrada pela 1ª vez em 1246 na diocese de Liége.
     Sua biografia também apresenta numerosas analogias com a de outras cistercienses da diocese de Liège: Ida de Nivelles, Lutgarda d’Aywières, Beatriz de Nazaré ou Ida de Gorsleeuw, com as quais esta mística participa da mesma intimidade com o Menino Deus e Jesus Cristo crucificado.
     Alegrias e sofrimentos marcam seus encontros com Cristo que se faz ver, ouvir, entender. Ele se revela o Amor Encarnado que fere ao mesmo tempo em que cura. Ele oferece a ela seu Coração, lhe desvenda sua beleza, celebra uma Missa solene para ela.
     Transportada ao coro dos Serafins, ela vislumbra o mistério da Santíssima Trindade. Seu biógrafo revela que ela traduziu os textos da liturgia para a língua vernácula sob a orientação do Espírito Santo.
     Além de jejuns, distribuição alimento aos pobres, participação nos sofrimentos de Nosso Senhor, Ida se dedicou à oração, à contemplação e aos trabalhos manuais, entre os quais preferia a transcrição dos livros, mas não recusava jamais as incumbências mais humildes; estava sempre disponível no serviço de suas irmãs de hábito.
     Os fenômenos místicos, os seus êxtases frequentes e muitos prodígios lhe foram atribuídos e numerosas conversões.
     Ida faleceu no dia 13 de abril em um ano por volta de 1290.
     Considerada beata no século XVII tanto pelos hagiógrafos cistercienses como pelos Bolandistas, Ida faz parte destas figuras tratadas abundantemente pelos especialistas da mística da Idade Média. 

Fontes: «Vita de venerabili Ida Lovaniensi. Ordinis Cisterciensis...», Bibliothèque nationale de Vienne, Series nova 12707, f°167r°-197r°.; «Vita de venerabili Ida Lovaniensi. Ordinis Cisterciensis...», éd. Daniel Papebroch, Acta sanctorum, Avril, t.II, 1866, p.156-198.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Santa Maria Rosa Júlia Billiart, Fundadora - 8 de abril

    
     Santa Júlia Billiart nasceu em 12 de julho de 1751 em Cuvilly, perto de Beauvais, Picardia, França. No batismo recebeu o nome de Maria Rosa Julieta. Era a sexta de sete filhos de Jean-François Billiart, um fazendeiro razoavelmente próspero, que também era dono de uma pequena loja, e de sua esposa Marie-Louise-Antoinette Debraine.
     Desde tenra idade Júlia demonstrou piedade e virtudes incomuns: aos 7 anos sabia todo o Catecismo de cor e costumava reunir as amigas em torno dela para ouvirem a catequese que ela explicava. Sua educação era limitada à escola da aldeia de Cuvilly, que era conduzida por seu tio, Thibault Guilbert.
     Em assuntos espirituais, seu progresso foi tão rápido que o padre da paróquia, Pe. Dangicourt, permitiu que ela recebesse a 1ª Comunhão na idade de 9 anos, enquanto o normal era 13. O pároco deu-lhe permissão para fazer um voto privado de castidade aos 14 anos de idade. Ele ensinou-lhe como fazer oração mental, a controlar o seu temperamento e incutiu-lhe um profundo amor por Jesus na Eucaristia.
     Em 1767, a família perdeu sua fortuna devido a maus investimentos e Júlia teve que realizar um trabalho duro para ajudar a família a sobreviver, mas continuou a ensinar catecismo às crianças mais jovens e aos trabalhadores agrícolas da freguesia, além disso, visitava os doentes.
     Júlia estava com vinte anos quando sua vida foi subitamente mudada. Uma noite, no inverno de 1774, alguém fez uma tentativa de ferir ou mesmo matar o pai: os dois estavam sentados juntos em casa, quando foi disparado um tiro pela janela. Júlia, sensível, teve um choque que a levou a uma paralisia nervosa, e progressivamente a doença a tornou incapaz de andar, o que lhe causou grande dor. Tentativas de tratamento não deram resultado, e ela ficou completamente inválida. Ela recebia a comunhão diária, e passava quatro a cinco horas por dia em contemplação. Ela oferecia seu sofrimento ao Sagrado Coração de Jesus como reparação pelos pecados, especialmente aqueles que eram cometidos contra a Sagrada Eucaristia.
     O pároco continuava a ser seu diretor espiritual, e a encorajou a continuar com o seu trabalho de catequese da cama. Ela desenvolveu o seu próprio apostolado, dando conselhos espirituais a um número crescente de pessoas. Algumas mulheres ricas começaram a visitá-la, impressionadas com o que tinham ouvido da sua paciência, dedicação e bom humor.
     Em 1789, a famigerada Revolução Francesa se instala. Entre os que a visitavam e conversavam com ela naquela época estavam os Bem-aventurados irmãos François-Joseph de Rochefoucauld e Louis de la Rochefoucauld, bispos de Beauvais e Saintes, respectivamente, ambos martirizados no massacre do Mosteiro dos Carmelitas, na Rue de Rennes, em Paris, em 2 de setembro de 1792 e fazem parte dos 191 Mártires de Setembro.
     Em 1790, o padre da paróquia de Cuvilly foi substituído por um padre juramentado do governo revolucionário. Foi principalmente graças à influência que Júlia tinha sobre o povo que houve boicote ao intruso. Mas quando ela ficou sob suspeita pelo governo revolucionário por receber em sua casa os sacerdotes perseguidos, e na praça da aldeia o carrasco pôs fogo no mobiliário da igreja, onde Julia deveria ser queimada como bruxa, ela foi forçada a se esconder.
       Seus amigos foram exilados de Cuvilly, e nos três anos seguintes ela viveu na clandestinidade em Compiègne, onde foi transferida de um abrigo para outro. Ela sofreu dores e a doença se deteriorou a tal ponto, que ela perdeu a fala durante vários meses. Nesse tempo, ela teve uma visão: ela viu o Calvário cercado por freiras em trajes incomuns e ouviu uma voz dizendo-lhe: "Veja essas filhas espirituais que vos dou em um instituto marcado pela cruz".
     Em Compiègne ela morou perto do bendito Carmelo onde 16 freiras carmelitas enfrentaram cantando a guilhotina em 17 de julho de 1794.
     Após o primeiro intervalo das perseguições que se seguiram ao fim do período do Terror, Júlia foi resgatada por um velho amigo, e em outubro de 1794, ela foi trazida para Amiens, para a casa do Visconde Blin de Bourdon.
     Neste lar hospitaleiro, Júlia se recuperou e conheceu a irmã do Visconde, Françoise Blin de Bourdon, Viscondessa de Gézaincourt, que se tornou sua amiga íntima e sua assistente em todos os trabalhos, co-fundadora do seu Instituto e sua primeira biógrafa. Françoise tinha 38 anos quando conheceu Júlia e havia passado sua juventude na piedade e em boas ações. Ela havia sido presa com toda a família durante o Terror, e só escapou da morte por causa da queda de Robespierre.
     Entre 1794 e 1804, Júlia tenta dar ao seu trabalho uma forma permanente. Mas uma nova perseguição se espalhou e forçou Júlia e sua nova amiga a se retirarem para uma casa que pertencia à família Doria, em Bettencourt. Neste tempo, foram visitadas várias vezes pelo Pe. Joseph Desire Varin (1769-1850), superior dos Padres da Fé, que ficou impressionado pela personalidade e habilidade de Júlia. Ele estava convencido de que Deus a tinha escolhido para fazer grandes coisas pela Igreja.
     Após a Revolução, Júlia voltou a Amiens, e fundou, sob orientação do Pe. Varin o "Instituto de Nossa Senhora para educação cristã". O seu principal objetivo era o cuidado espiritual das crianças pobres, mas também a educação de meninas de todas as classes e de formação de professores. A fundação foi aprovada pelo Bispo de Amiens, Mons. Demandolx, ex-bispo de La Rochelle.
     Em 1804, os Padres da Fé realizaram uma grande missão em Amiens. Júlia pediu a um dos sacerdotes, o Pe. Enfantin, que tinha sido ordenado em uma granja durante a Revolução, para acompanhá-la em uma novena. No quinto dia, 1º junho, Festa do Sagrado Coração de Jesus, ele ordenou-lhe: "Madre, se tendes alguma fé, dê um passo em honra do Sagrado Coração de Jesus". Ela se levantou imediatamente e estava completamente curada após 22 anos de invalidez.
     Algumas senhoras se juntaram a Júlia e a Françoise, e o Pe. Varin escreveu uma regra provisória para elas. As primeiras quatro irmãs fizeram seus votos no dia 15 de outubro de 1804: Júlia Billiart, Françoise Blin de Bourdon, Victoire Leleu e Justine Garson. A regra temporária foi tão presciente que os seus princípios nunca foram alterados. Antes que um ano se passasse eram dezoito irmãs.
     Após sua recuperação, Júlia continuou a expansão de sua Congregação a passos rápidos, a qual se espalhou para Gent, Namur e Tournai, em Flandres (atual Bélgica). Agora ela também podia participar pessoalmente de missões conduzidas pelos Pais da Fé em outras cidades, mas as suas atividades foram interrompidas pelo governo.
     Quando a Congregação foi aprovada por decreto imperial de 19 de junho de 1806, tinha 30 membros. De 1804 até sua morte em 1816, Júlia viajou incessantemente e foi responsável pela rápida expansão do novo Instituto.
     Por causa da Revolução Francesa o povo não havia recebido nenhuma formação religiosa, e ela estava preocupada com a descristianização do país. Esta foi a principal motivação para o seu trabalho educacional. Embora o seu interesse inicial tivesse sido sempre os pobres, ela compreendeu que as outras classes na sociedade também tinham uma grande necessidade de educação cristã saudável e que suas irmãs nunca poderiam cobrir sozinhas toda a demanda.
     Em 1809, após problemas com o novo diretor do Instituto, Madre Júlia se instalou em Namur (Bélgica), levando consigo a maioria das Irmãs. O bispo da cidade, Mons. Joseph Pisani de la Gaude, aprovou a Congregação alterando o seu nome para "Irmãs de Nossa Senhora de Namur”.
     Várias circunstâncias levaram ao fechamento de todos os conventos e as escolas na França, e, em 1815, e os conventos belgas foram saqueados pelos soldados, antes e depois da Batalha de Waterloo.
     Madre Júlia enfrentava as dificuldades com bom humor e uma total confiança na Providência de Deus, e ela manteve a Congregação firme por meio de viagens intermináveis de convento a convento, onde ela incentivava, apoiava e contribuía ensinando ou lavando, se necessário. Françoise (Madre São José), por sua vez manteve um governo empreendedor, com uma segurança aristocrática, uma força tranqüila e a convicção de que Madre Júlia fizera a obra de Deus.
     Madre Júlia, que foi a fundadora de uma das principais Congregações da Igreja, não escreveu nenhum tratado sobre o ensino ou o funcionamento das escolas. Suas ideias são encontradas nas cartas e nas instruções que deu às Irmãs, e como Madre São José colocou essas ideias em prática após sua morte.
     Em 1844, a regra foi aprovada pelo Papa Gregório XVI (1831-46). Quando Madre São José (Françoise Blin) morreu em 1838, a nova Congregação estava firmemente estabelecida, a sua filosofia de trabalho e a sua presença aceita e apreciada. Até o final do século XIX, a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora se espalhou para os Estados Unidos, Grã-Bretanha, Guatemala, Congo e da Rodésia (Zimbabwe). Em 1900, ela chegou ao Japão, China, Brasil, Peru, Nigéria e Quênia.
     Madre Júlia adoeceu em janeiro de 1816, e após três meses de sofrimento, em meio ao silêncio e a paciência, faleceu em 8 de abril 1816, em Namur, enquanto calmamente recitava o Magnificat. O Bispo de Namur disse: “A Madre Julia é uma dessas pessoas que podem fazer mais pela Igreja de Deus em poucos anos do que os outros fazem em um século”.
     Ela foi enterrada no dia 10 de abril no cemitério da cidade. Sua reputação de santidade foi reforçada por vários milagres. Seu processo de canonização foi iniciado em 1881 e seus restos mortais foram removidos em 1882.
     Ela foi beatificada em 13 de maio de 1906 (o documento foi datado de 19 de março) por São Pio X (1903-14), e canonizada em 22 de junho de 1969 por Paulo VI (1963-78).

sábado, 4 de abril de 2015

Santa Maria Crescência Höss, Terceira Franciscana - 5 de abril


     Maria Crescência Höss nasceu numa família numerosa de humildes tecelões na cidade de Kaufbeuren* (que naquele tempo contava com dois mil e quinhentos habitantes, protestantes em sua maioria), na Alemanha, no dia 20 de outubro de 1682.  Seus pais eram católicos praticantes.
     Na escola se distinguiu por sua inteligência e sua devoção. Desde sua infância rezava muito e com fervor ao Espírito Santo, devoção que cultivou durante toda sua vida. Desejava que as pessoas vissem nEle um caminho mais fácil de vida espiritual. Tornou-se tecelã para ajudar seus pais, mas sua maior aspiração era entrar no mosteiro das Franciscanas de Kaufbeuren.
     Embora seus pais apoiassem sua decisão, eram demasiado pobres para pagar o dote requerido e isto somente foi possível com a ajuda decisiva do prefeito protestante, sensível à vocação religiosa de Crescência.
     Admitida pelas franciscanas em 1703, um ano depois recebia o hábito definitivo da Ordem Terceira.
     Maria Crescência possuía dotes espirituais, humanísticos e morais que fascinavam todos que dela se aproximavam. Durante muitos anos foi porteira do convento, cargo em que aproveitou para aconselhar muita gente e realizar uma generosa obra de caridade. Para um número extraordinário de pessoas, foi a auxiliadora previdente, sensata e também conselheira iluminada.
     Possuía a capacidade de reconhecer rapidamente os problemas e apresentar soluções apropriadas e racionais. Até mesmo o príncipe herdeiro e bispo de Colônia, Clemente Augusto, tinha-a como orientadora espiritual e sábia, tanto que solicitou ao papa sua canonização logo que ela morreu.
     Crescência tinha uma inteligência privilegiada. Dentro do pequeno convento das franciscanas, conseguiu fazer um surpreendente apostolado, onde cumpriu todas as funções com a dedicação e a generosidade de quem possui a alma dos grandes.
     Em 1717, ela se tornou mestra de noviças, formando as jovens irmãs para uma vida digna da espiritualidade interior daquela comunidade religiosa.
     Em 1741, para sua surpresa, Maria Crescência foi eleita superiora e, apesar das tentativas de recusa, acabou aceitando a tarefa. Recomendou a observação do silêncio, a oração contemplativa, e a leitura espiritual, especialmente o Evangelho.
     Em seus três anos como superiora tornou-se sua segunda fundadora. Firmou solidamente as bases espirituais franciscanas no respeito ao juramento da vocação, que diz: "Deus quer os ricos em virtudes, não em bens temporais". Os pontos principais de seu programa para a renovação do convento foram a confiança ilimitada na Providência Divina, na doação integral ao próximo e aos mais pobres, no amor ao silêncio, na devoção a Jesus Crucificado, na devoção à eucaristia e à Virgem Santa.
     Graças a ela o pequeno mosteiro de Kaufbeuren desempenhou um surpreendente e importante apostolado epistolar.
     Maria Crescência Höss morreu em Easter, no dia 5 de abril de 1744, e tornou-se uma das santas mais veneradas da Alemanha e da Europa do Leste. Foi sepultada no convento da Ordem Terceira das Franciscanas de Kaufbeuren, que logo se tornou um local de intensa peregrinação de devotos que solicitam sua intercessão em curas e graças. Esse fenômeno se verificou ininterruptamente desde sua morte e se intensificou depois de sua beatificação levada a cabo por Leão XIII em 7 de outubro de 1900. Esta veneração continua viva até hoje de modo surpreendente, não somente entre os católicos mas também entre as comunidades surgidas da Pseudo Reforma.
     É costume representá-la tendo uma cruz na mão direita enquanto a esquerda se dirige ao Salvador Crucificado, pois durante toda sua vida predominou nela a contemplação e a devoção a Nosso Senhor Jesus Cristo em sua agonia, que a levava a um grande espírito de sacrifício pessoal, seguindo o exemplo do Salvador.
     O seu culto foi fixado para o dia 5 de abril e se tornou oficial que no local de sua sepultura fosse erigido um santuário para a visitação de fiéis. A sua canonização foi feita em 2001, por João Paulo II, em Roma. 
(*) Kaufbeuren é uma cidade da região de Regierungsbezirk, Schwaben, no sul da Bavária. A cidade faz parte do distrito de Ostallgäu. Possui 44.8 mil habitantes.
 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Beata Isabel Vendramini, Fundadora - 2 de abril


Virgem Fundadora do Instituto das Irmãs Isabelas da Ordem Terceira de São Francisco
     Isabel Vendramini, filha de Francisco Vendramini e Antônia Ângela Duodo, nasceu em Bassano del Grappa no dia 9 de outubro de 1790. Desde menina, como ela mesma escrive de si, foi presenteada com as mais seletas bênçãos. A 1ª. Comunhão e a Confirmação foram etapas decisivas em sua vida. Por algum tempo foi aluna das Irmãs Agostinianas, que a formaram em seu itinerário espiritual.
     Jovem brilhante, ela gostava de se vestir bem e era centro de interesse. Era amante da solidão e com frequência se retirava no campo para rezar. Depois de seis anos de noivado, às vésperas das bodas, o Senhor a fez ver com clareza que a chamava, o que para ela foi uma verdadeira conversão.
     Consagrada ao Senhor pelas vias de São Francisco, de uma fé ativa e consciente, empreendedora segundo o Evangelho a serviço dos mais pobres num programa de vida tendo Cristo como centro, encontramos em seus escritos as etapas do itinerário da elevada espiritualidade seráfica e apostólica.
     Em 17 de setembro de 1817, festa dos Estigmas de São Francisco, percebeu claramente que era chamada a uma vida de consagração. Desde então com alegria começou a levar uma vida de austera penitência e caridade. Assistia aos doentes e se dedicava inteiramente à educação das jovens de um orfanato. Em 1821 se tornou terceira franciscana. O Senhor a guiava para caminhos mais elevados.
     Em 1º de janeiro de 1827, deixou Bassano e se mudou para Pádua. Três dias depois foi contratada pela “Casa dos Expostos” para a formação das jovens. Ali se encontrou com Dom Luigi Moran, que se tornou seu diretor espiritual e colaborador na fundação que Isabel pretendia levar a cabo. Madura na experiência educativa, de apostolado, de graças e de carismas, em 4 de outubro de 1830 teve início a nova congregação das primeiras Irmãs Terceiras Franciscanas Isabelinas, com a vestição e a profissão religiosa no ano seguinte.
     Deus abençoou esta instituição e o número de religiosas cresceu; receberam uma sólida formação sob a direção inspirada da Madre Isabel Vendramini.
     Em 1834 foram chamadas à “Casa das Indústrias”. Em 1836 foram encarregadas da instrução das meninas órfãs, hóspedes do colégio do Beato Peregrino. Mais tarde foram chamadas para a assistência dos idosos nas casas de repouso e para os doentes em casas de saúde e hospitais. Nos anos de epidemia de cólera, Isabel e suas isabelinas se prodigaram com heroica dedicação na assistência dos enfermos.
     O desenvolvimento do instituto se dava sob a vigilante e maternal direção da Madre. Por 32 anos ela foi a Superiora amada e venerada de sua congregação, à qual ela deu a fisionomia franciscana e o ímpeto caritativo e missionário que hoje conta com 1.500 religiosas na Europa, África, Oriente Médio e América Latina.
     A Fundadora faleceu antes da aprovação de sua obra. Cheia de mérito e virtudes expirou no dia 2 de abril de 1860 aos 70 anos. Seu túmulo desapareceu depois de 1872, durante os trabalhos de reestruturação do cemitério de Pádua. Joao Paulo II a beatificou em 4 de novembro de 1990.
 
Fontes: es.catholic.net/op/.../isabel-vendramini-beata.html ; www.santiebeati.it

domingo, 29 de março de 2015

Beata Agnes du Catillon, Monja cisterciense - 29 de março

Monja cisterciense em hábito de casa
Religiosa de Beauprè, próximo de Grammont
     Entre as almas que edificaram a Abadia de Beauprè da Ordem Cisterciense, na antiga diocese de Cambrai, França, Agnes du Catillon é citada.
     Ela viveu em meados do século XII, quando sobretudo a influência de São Bernardo contribuía para a multiplicação das casas monásticas em todos os lugares.
     A Venerável Agnes exerceu por muito tempo as funções de sub-priora e mestra de noviças. Segundo testemunho de contemporâneos, jamais ela foi vista cometendo falhas, mesmo nos menores itens da Regra.
     Após receber a Santa Comunhão, ela elevava-se do solo em êxtase, fato que ocorreu muitas vezes. Naturalmente pálida, seu semblante se cobria de um rubor que indicava os santos ardores que abrasavam sua alma.
     Sempre calma e recolhida, ela nunca pronunciava uma palavra que não fosse para a maior glória de Deus.
     Uma prática de devoção que lhe era muito cara: a meditação da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. A cada hora do dia ela repassava na memória uma circunstância dessa dolorosa Paixão. Quando sua irmã, que vivia com ela na abadia, perguntava onde ela havia deixado seu Divino Esposo, ela respondia indicando o tema de sua última meditação.
     Este fervor mereceu-lhe as graças mais assinaladas. Ela morreu na Abadia de Beauprè. Após sua morte ocorreram prodígios relevantes.
     Nos martirológios cistercienses, como o de Bucelino, e no Auctarium ad Molanum de A. Du Raisse, que contém um breve extrato dos atos de Beauprè, a Beata Agnes é recordada no dia 28 de março. Na Ordem Beneditina sua memória é no dia 29 de março.
 
Etimologia: Agnes, do latim Agnes, do grego hagné: “pura, santa”; ou do latim Agna: “cordeirinha, ovelha nova” = Inês.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Anunciação e Encarnação do Verbo - 25 de março

“O Anjo do Senhor anunciou a Maria”
 
 

     No dia 25 de março a Igreja celebra este fato incomparável: a Anunciação!
     Fra Angélico pintou um quadro da Anunciação: a Virgem Maria encontra-se numa casinha pequena, modesta, limpíssima e em inteira ordem, num claustro composto de umas arcadazinhas. Ela está sentada com um livrinho de meditação no colo. Uma atmosfera de paz impregna todo o ambiente, quando o arcanjo São Gabriel aparece e se ajoelha diante d´Ela. E Maria aparece um pouco inclinada ouvindo o anjo falar.
     É o fato extraordinário que se deu naquela ocasião. Ela não pensava na possibilidade de um anjo visitá-La, nem na mensagem que ele vinha trazendo.
     Há milênios a humanidade esperava Aquele que deveria vir ao mundo — aquela criatura perfeita que seria o centro de todas as coisas.
     Em virtude do pecado original, os homens estavam imersos num caos. Na pior das formas da desordem encontravam-se os povos pagãos e também o povo eleito. O povo judaico, que tinha sido escolhido para a promessa, estava na maior decadência e no maior afastamento de Deus. Na Terra nada mais se salvava.
     Entretanto, uma Virgem concebida sem pecado original — nascida de Santa Ana e de São Joaquim, e que depois se casaria virginalmente com São José — meditava. Ela percebia que a única solução para a salvação dos homens era a vinda do Messias a fim de redimir o gênero humano. Ela meditava, lia a Bíblia com uma inteligência maior do que jamais ninguém teve e pensava a respeito do Messias.
     Assim meditando, Ela foi levada pelo desejo de que nascesse o Messias e pedia por essa vinda. Ela foi compondo a figura do Messias, com base nas Escrituras e em conjecturas, até imaginar como Ele seria. Sua sabedoria, virtude e amor de Deus auxiliaram-na nessa composição.
     Na paz da sua meditação, quando Ela acabava de pôr o último traço na imaginação de como Nosso Senhor Jesus Cristo seria, uma iluminação dentro do jardim! Aparece o anjo e lhe diz: “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois Vós entre as mulheres”.
     Ela se perturbou, pois não sabia qual era a finalidade dessa saudação. O anjo, então, explicou-Lhe que Ela seria Mãe do Filho de Deus e que o Verbo de Deus, o Messias, nasceria d’Ela.
     Pode-se imaginar a surpresa, pois Ela se julgava indigna de ser a escrava da Mãe do Messias e pedia a graça de poder conhecer a Mãe do Messias e de servi-la. Era o que aspirava. Entretanto, mesmo considerando esse favor arrojado, o anjo anuncia que Ela própria seria a Mãe do Messias!
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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 24 de março de 1984. Sem revisão do autor.

terça-feira, 24 de março de 2015

Beata Berta de Laon, Mãe de S. Carlos Magno - 24 de março

    
     Enquanto o filho, depois de tantos e tantos séculos, ainda é muito célebre, a mãe caiu no esquecimento da História. Trata-se da Beata Bertranda (ou Berta) de Laon, mãe do imperador São Carlos Magno.
     Tendo nascido em 726, foi esposa de Pepino, o Breve, e Rainha dos Francos. Ela faleceu em 12 de julho de 783 e foi enterrada em Saint-Denis, junto com o esposo, onde o seu túmulo, mandado restaurar pelo rei francês São Luís IX, leva como única inscrição "Berta, mater Caroli Magni".
     Os historiadores dizem que o grande imperador nutria uma ternura respeitosa por sua mãe e que ouvia os seus conselhos com certa deferência.
     Não sabemos nada de certo sobre as origens de Bertranda: segundo alguns era a filha de Cariberto, Conde de Laon, enquanto outros defendem que ela era filha de um imperador de Constantinopla.
     Porém, é do conhecimento de todos os historiadores como os reis dos Francos se preocupavam pouco com as origens mais ou menos ilustres de suas esposas; ninguém nunca se ocupou em descobrir verdadeiramente de onde veio a Rainha Berta, já que até mesmo a antiga poesia heroica e as várias legendas também deixam de fora a questão.
     Seu culto como "beata" tem um caráter estritamente local. Às vezes ela é conhecida como "Berta a Piedosa".
     A Beata Berta é considerada padroeira das fiadeiras. “Do tempo em que a Rainha Berta fiava”. Este adágio, que remonta aos nossos avós, demonstra qual era a veneração que eles tinham por Berta, que permanecera em suas lembranças como um tipo de perfeição real e feminino. Este renome que atravessou os séculos é entretanto o pouco que nos restou da Beata Berta.
     Sua festa é celebrada em 24 de março.
Dados Históricos
     Ela era filha de Cariberto, Conde de Laon, cuja mãe, Bertranda de Prüm, co-fundadora do Mosteiro de Prüm, talvez fosse filha do rei merovíngio Thierry III; e de Gisele da Aquitânia.
     O casamento de Bertranda com Pepino coloca uma série de problemas. A documentação contemporânea, estudada pelo historiador Leo Levillain (1870-1952), retomada depois por Christian Settipani, cita Bertranda como única esposa de Pepino, o Breve.
     Alguns escritos indicam, entretanto, que Pepino fora casado primeiro com Leutburgie ou Leutberga, com a qual ele teria tido cinco filhos, totalmente desconhecidos em outros lugares. Esta legenda de uma primeira esposa talvez tenha erroneamente origem no Li Roumans de Berte aus grans piés (A história de Berta dos pés grandes), em que o autor dá uma primeira esposa, chamada Leutburgie, à Pepino.
    A data de seu casamento também é objeto de discussão. Os Anais de Prüm mencionam 743 ou 744 e os Anais de Saint-Bertin, escritos cem anos mais tarde, indicam 749. Em qualquer caso, Pepino era então prefeito do palácio.
     A data de nascimento de Carlos Magno também é controvertida. De acordo com Einhard em sua Vita Caroli, Carlos Magno tinha 72 anos quando de sua morte em 814. Mas o seu testemunho é incerto. Os Anais Petaviani dão a data de 747, mas eles também afirmam que Carlos Magno nasceu após a ida de seu tio Carlomano à Roma, num evento que ocorreu após 15 de agosto de 747, ocasião em que Carlomano assinou uma carta a favor da Abade Anglinus, de Stavelot-Malmédy. Além disso, em 747 a Páscoa caiu em 2 de abril e os colunistas não teriam deixado de notar a coincidência. É por estas razões que o nascimento de Carlos Magno é provavelmente considerado no dia 2 de abril de 748, e o casamento de seus pais em 743 ou 744.
     Bertranda deu à luz a Carlomano em 751, ano em que Pepino tornou-se rei dos Francos após a deposição do último rei merovíngio Childerico III. Ela foi coroada com o marido em Soissons.
     Em julho de 754, por ocasião da sagração do marido em Saint-Denis, ela recebeu a bênção do Papa Estevão II, bem como seus filhos Carlos e Carlomano.
     Após cerca de 10 anos de casamento, Pepino tentou se separar de Berta, mas o papa persuadiu-o com firmeza a mantê-la como esposa; ela lhe deu sete filhos dos quais três atingiriam a idade adulta: Carlos Magno (748-814 ou 742); Carlomano (751-771); Gisele, abadessa de Chelles (757-811).
     Dotada de uma personalidade doce e afável, Berta era muito ativa durante o reinado de seu marido, a quem ela muitas vezes dava conselhos.
     Após a morte de Pepino (768), Carlos e Carlomano tornam-se reis dos Francos, tendo o reino sido dividido entre eles, de acordo com os costumes francos. Bertranda se esforçou para manter alguma influência sobre eles. Ela inclusive tratou do casamento de Carlos, em 770, com Désirée da Lombardia, mas ele a repudiou em 771. Ela também tentou manter a harmonia entre os dois irmãos.
     Com a morte de seu irmão em 771, Carlos apossou-se de seus territórios em detrimento de seus sobrinhos. Ele afasta sua mãe, que deixa a corte para se retirar na Abadia de Choisy-au-Bac, local de sepultamento de alguns reis merovíngios (na Igreja de Sto. Estevão), perto de Compiègne, onde ela morreu em 783.
    Ela foi sepultada na Abadia de Saint-Denis, junto ao esposo Pepino, o Breve.
Inspiração literária
     Berta inspirou o trovador Adenet le Roi, que escreveu, em 1270, Li Roumans de Berte aus grans piés. Neste poema ele narra uma suposta substituição no casamento de Pepino, que foi enganado e desposou uma falsa rainha, surpreendentemente parecida com sua noiva Berta, princesa húngara. Esta última foi finalmente reconhecida pelo comprimento dos pés.
     Berta dos pés grandes também é citada na Balada das damas de outrora de François Villon. Em 21 de outubro de 2014, Rémi Usseil publicou Berthe au grand pied, uma canção épica moderna vagamente baseada no poema de Adenet le Roi.
 
Fonte: fr.wikipedia.org/wiki/Bertrade_de_Laon