quarta-feira, 13 de maio de 2015

Há 98 anos Nossa Senhora aparecia em Fátima, Portugal



     Algo que a História registra, que a Teologia da História indica como certa, é que as grandes catástrofes dos povos são castigos. Isto é um princípio certo da Teologia da História. Quando um povo sofre uma grande catástrofe, isto é um castigo. Não vale para os homens, para os indivíduos particularmente, mas vale para as […]
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A certeza do castigo anunciado por Nossa Senhora de Fátima
Posted: 12 May 2015 11:35 AM PDT

Hoje é dia de Nossa Senhora de Fátima! Se você ainda não conhece a aparição MAIS IMPORTANTE da História da Igreja, leia mais no link abaixo
Hoje é dia de Nossa Senhora de Fátima! Se você ainda não conhece a aparição MAIS IMPORTANTE da História da Igreja, leia aqui um resumo do que houve:
Posted: 12 May 2015 08:00 PM PDT

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Sta. Teopista de Camerino, seu esposo Sto. Anastácio e filhos, mártires - 11 de maio

  
   Nestes dois mil anos de existência do Catolicismo, a Santa Igreja tem celebrado famílias inteiras que enfrentaram o martírio atestando assim com o derramamento de seu sangue sua Fé em Cristo.
     Todos estes cônjuges com sua prole constituíam modelos de famílias cristãs, prontos para fazer qualquer coisa para não trair os ensinamentos do Evangelho.
     Hoje uma família é comemorada na região italiana de Marcas, cujo culto é generalizado na área, mas já não é reconhecido pelo Martirológio Romano.
     Santa Teopista era esposa de Anastásio, natural de Camerino, hoje na província de Macerata, e que, de acordo com os “Atos” de sua vida, foi um corniculário, ou seja, Inspetor de Justiça.
     Anastásio se converteu diante da serenidade e da confiança com que o jovem São Venâncio, seu compatriota, enfrentou o martírio. Teopista foi batizada pelo Padre Porfírio junto com seu esposo e filhos: Aradio, Ebodi, Calisto, Felix, Eufêmia e Primitiva, inclusive com todos os serviçais de sua casa.
     Seguindo o exemplo de Venâncio, eles também foram chamados a escolher entre salvar sua vida terrena ou preferir a do Céu. Optando pela segunda alternativa, o seu martírio foi consumado no ano 251 na Via Lata, fora do portão leste de Camerino. Eles sofreram o martírio durante a perseguição decretada por Décio, sob o governador Antíoco.
     Anteriormente o Martirológio Romano celebrava a festa desta família no dia 11 de maio, enquanto na Diocese de Camerino ainda hoje eles são lembrados no dia seguinte.
     Camerino mantém relíquias dos santos em sua diocese.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Beata Maria Teresa Demjanovich, Virgem - 8 de maio

    
     Maria Teresa Demjanovich nasceu no dia 26 de março de 1901 em Bayonne, Nova Jersey, Estados Unidos. Era a mais nova de sete filhos de Alexander Demjanovich e Joana Suchy, os quais eram originários da Rutenia [1], hoje o este da Eslováquia, e emigraram para os Estados Unidos. Recebeu o batismo, a confirmação e a primeira comunhão no rito bizantino rutênio de que seus pais eram fieis praticantes.
     Os Demjanovich cresceram junto às refinarias de petróleo que marcam a paisagem desta parte de Nova Jersey. Teresa completou sua educação primária na idade de 11 anos e recebeu o diploma da escola secundária em 1917 na Bayonne High School (situada onde hoje fica a Robinson School).
     Nesse tempo ela desejava ser carmelita, porém permaneceu em casa para cuidar de sua mãe que se encontrava enferma.  Depois da morte de sua mãe na epidemia de influenza de 1918, sua família a animou a ingressar no College of Saint Elizabeth, na Convent Station, Nova Jersey, onde começou sua carreira universitária em setembro de 1919, graduando-se com honra em julho de 1923 com especialidade em literatura.
     Teresa anelava pela vida religiosa, porém diversas circunstâncias tornavam incerta a decisão em que comunidade devia entrar. Entretanto, ela aceitou um posto de professora na Academia de Santo Aloisio na cidade de Nova Jersey (conhecida como Caritas Academy até que encerrou suas atividades no ano 2008). Durante sua permanência muitas pessoas comentavam sua humildade e genuína piedade. Era muito comum encontrá-la rezando de joelhos na capela do colégio, era muito dedicada à recitação do Rosário.
     Tomava parte do coro da Paroquia de São Vicente de Paula, do Sodalício de Nossa Senhora e de uma comunidade paroquial associada à National Catholic Welfare Conference. Durante o verão e o outono de 1924, Teresa rezava para discernir o rumo de sua vida. Visitou as Carmelitas Descalças do Bronx, Nova York, porém devido a vários problemas de saúde, incluindo dores de cabeça, lhe sugeriram esperar uns anos antes de ingressar.
      Sua família lhe sugeria que usasse sua educação para servir a Deus num instituto dedicado ao ensino. Ela fez uma novena para a festa da Imaculada Conceição daquele ano e ao conclui-la, no dia 8 de dezembro, decidiu ingressar nas Irmãs da Caridade de Santa Isabel [2].
     Ela esperava entrar no convento em 2 de fevereiro de 1925, porém seu pai faleceu no dia 30 de janeiro, o que a fez postergar seu ingresso ate o dia 11 de fevereiro, festa de Nossa Senhora de Lourdes. Seu irmão Carlos Demjanovich, que era sacerdote, e duas irmãs a acompanharam ao convento.
     Foi admitida ao noviciado e no dia 17 de maio de 1925 recebeu o hábito religioso e tomou o nome de Miriam (Maria).
     Nunca recebeu uma transferência oficial de rito, portanto continuava sendo católica bizantina enquanto servia como religiosa em uma congregação de rito latino.
     Entre 1925 e 1926, sendo postulante e noviça, Miriam continuou dando aulas na Academia de Santo Aloisio. Em junho de 1926 seu diretor espiritual, o Padre Benedito Bradley, OSB [3], lhe pediu que escrevesse as conferências para o noviciado. Irmã Maria Teresa escreveu 26 conferências que foram publicadas em um livro.
     Em novembro de 1926, Miriam adoeceu. Depois de uma amigdalectomia, saiu da enfermaria e voltou para o convento, porém apenas podia caminhar para sua habitação. Depois de uns dias, ela perguntou se podia voltar para a enfermaria, mas sua superiora, pensando que era estranho que alguém tão jovem podia estar tão doente, lhe disse: "Acalma-te".
     Quando o Padre Bradley viu quão doente ela estava, avisou seu irmão, que chamou uma de suas irmãs que era enfermeira. Ela foi ao convento e a levou imediatamente para o hospital, onde ela foi diagnosticada com "esgotamento físico e nervoso, com miocardite e apendicite aguda". Os médicos não acreditavam que ela seria suficientemente forte para uma operação e seu estado piorou.
     A profissão de votos permanentes foi feita "in articulo mortis" (perigo de morte) no dia 2 de abril de 1927. Ela foi operada de apendicite em 6 de maio de 1927 e faleceu dois dias depois. Seu funeral ocorreu no dia 11 de maio de 1927 e foi sepultada no Cemitério da Sagrada Família, em terrenos das Irmãs da Caridade de Santa Isabel.
     Sua beatificação deveu-se ao reconhecimento da cura milagrosa de um menino cego de Newark, Estados Unidos, que sofria uma degeneração macular bilateral e recuperou a vista em 1964 após rezar pedindo a intercessão da hoje Beata Miriam Teresa.
     Irmã Maria Teresa foi beatificada no dia 4 de outubro de 2014, numa cerimônia na Catedral Basílica do Sagrado Coração, em Newark, presidida pelo Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Esta foi a primeira beatificação realizada em solo estadunidense.
     No dia seguinte, D. Kurt Burnette, Bispo da Eparquia Católica Bizantina de Passaic, à qual pertencia a família Demjanovich, presidiu uma Missa celebrada na paróquia onde ela fora batizada, Igreja de São João Batista em Bayonne.
     De acordo com a Vice Postuladora da Causa da Irmã Miriam Teresa, Irmã Maria José, S.C., a mensagem da nova beata é que “todos são chamados à santidade”. A jovem Beata que viveu apenas 26 anos devido à sua precária saúde, após seu ingresso no Instituto só viveu dois anos, mas se destacou por sua busca pela perfeição e por uma extraordinária relação mística com Deus. De forma póstuma, foi publicado um livro de sua autoria sob o título de “Maior Perfeição”.
________
Notas:
[1] Rutênia é a região da Europa que pertencia aos estados eslavos orientais.  Atualmente se encontra dividida entre vários estados.  Na atualidade podemos chamar de rutênio aos ucranianos orientais e, em muitos casos, aos ucranianos que pertencem à Igreja Católica Bizantina Rutena ou à Igreja Greco-católica Ucraniana, duas igrejas católicas orientais pertencentes à atual Ucrânia.
[2] A Beata sentiu o chamado à vida consagrada na mesma congregação que a educou, as Irmãs da Caridade de Santa Isabel, fundada no ano de 1809, em Maryland, por Santa Isabel Ana Seton, no espírito de São Vicente de Paula e Santa Luísa de Marillac, que se dedica a educação, cuidados aos doentes, serviços sociais em 22 dioceses dos Estados Unidos, e em El Salvador e Haiti.
[3] OSB: Ordem de São Bento (em latim: Ordo Sancti Benedicti).

terça-feira, 5 de maio de 2015

Santa Irene (ou Erina) de Lecce, Virgem e mártir - 5 de maio

    
     Santa venerada na cidade de Lecce, Itália, cuja existência é cercada de legenda; estudos sobre ela se restringem a uma Vita abreviada constante do Menológio de Basílio, do século X.
     Irene, que em Lecce é chamada de Erina, era filha de um pequeno senhor de nome Licinius, que zeloso da beleza da filhinha a encerrou numa torre quando esta tinha seis anos, vigiada por treze servos.
     Deus a instruiu no coração sobre a doutrina cristã e São Timóteo, discípulo de São Paulo, a batizou. Ela quebrou todos os ídolos que o pai lhe dera para serem adorados. O pai, tomado pela ira, amarrou-a sobre um cavalo zangado para fazê-la morrer, mas milagrosamente Irene se salvou, enquanto o pai morreu devido as consequências de uma mordida na mão dada pelo mesmo cavalo.
     A jovem cristã obteve com suas orações a ressurreição do pai, o qual, com toda a família e cerca de três mil pagãos, se converteu ao cristianismo. O governador Ampélio tentou fazer com que Irene apostatasse e diante de sua recusa, enfurecido, mandou torturá-la e decapitar.
     Na Vita não há nenhuma indicação do lugar e da data de sua morte.
     Outras Vite, que são o desenvolvimento e embelezamento da presente, são condensadas nos menológios bizantinos, um dos quais narra que Irene nasceu em Magedo (Pérsia), filha de rei e antes de ser batizada se chamava Penélope; seguem relatos de fatos inverossímeis e finalmente é condenada a morte pelo rei da Pérsia, Sapore (272).
     Segundo outra tradição, Irene, filha de Licínio, seria originária de Lecce, onde é festejada no dia 5 de maio com o nome de Erina.
     Desde o século V já havia em Constantinopla duas igrejas dedicadas a ela, que foram restauradas e reconstruídas várias vezes, das quais uma ainda hoje existe.
     O nome Irene deriva do grego Eiréne e significa Paz, a Pacífica. Este nome foi adotado no latim imperial com o significado agoural, e depois pelos cristãos como nome que induzisse a paz entre todos os irmãos em Cristo e sobretudo da paz celeste.
 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Madre Maria Letícia da Virgem Misericordiosa, Fundadora - 2 de maio

    
     Duas jovens brasileiras transpuseram os mares para ingressar no Mosteiro Redentorista de Bruges, Bélgica:  Helena Isnard (Ir. Maria Tereza do Menino Jesus) e Ir. Maria Luiza do Coração de Jesus. Elas regressaram ao Brasil no dia 14 de junho de 1921; o grupo das fundadoras desembarcou no Rio de Janeiro:  Madre Maria Clemente, Ir. Maria Verônica, Ir. Maria Tereza do Menino Jesus, Ir. Maria Luiza do Sagrado Coração de Jesus.
     Inicialmente as religiosas se instalaram em Vassouras – RJ e se transladaram para Itu – SP em fevereiro de 1924.
     Em março de 1952, a Ir. Maria Letícia da Virgem Misericordiosa, com outras irmãs oriundas de Itu, fundou o Mosteiro do Imaculado Coração de Maria na cidade de Belo Horizonte – MG.
     Em 22 de maio de 1969, Madre Letícia fundou, com algumas irmãs, o Mosteiro da Santa Face e do Puríssimo e Doloroso Coração de Maria em Diamantina, que foi transladado em 1970 para Campos, onde chegaram em 26 de julho; por fim, este Mosteiro foi transladado para São Fidélis – RS, onde as Irmãs chegaram no dia 28 de dezembro de 2003.
* * *
     Maria Julieta da Gama Cerqueira era descendente de ilustre e tradicional estirpe mineira. Nasceu em Belo Horizonte no dia 10 de março de 1900; consagrou-se desde cedo à vida religiosa, ingressando na Congre­gação das Servas do Espírito Santo, em Juiz de Fora. Naquela cidade dedicou-se à forma­ção da juventude feminina, tendo depois atuado em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.
     Desejosa de uma vida mais contemplativa, a então Irmã Maria Letícia da Virgem Misericordiosa transfe­riu-se para o Mosteiro das Irmãs Redentoristas, em Itu. Desta cidade, dirigiu-se a Belo Horizonte, onde fundou o Mosteiro do Imaculado Co­ração de Maria, daquela Congrega­ção.
     Em 1969 trasladou-se da capital mineira para Diamantina (MG) e, posterior­mente, para Campos (RJ). Nesta im­portante cidade fluminense, Madre Letícia fundou o Mosteiro do Coração Doloroso e Imaculado de Maria, no qual foi Superiora até seu falecimento.
     Dotada de excecional inteligência e rara firmeza de vontade, Madre Letícia discerniu, desde seus primórdios, a crise progressista que hoje assola a Igreja. Assim, por seus conselhos, seus exemplos, sua extra­ordinária influência pessoal, consti­tuiu-se, desde logo, num dos baluar­tes da defesa da sã doutrina.
     Principalmente por suas orações e por seus sacrifícios, Madre Letícia, dotada de profunda piedade eucarística, devoção a Nossa Senho­ra e à Santa Igreja, tudo fez para ob­ter da divina clemência que abrevias­se a tormenta que hoje se abate sobre o mundo católico. Neste sentido, ofe­receu com resignação e constância edificantes os longos padecimentos da moléstia que acabou por vitimá-la.
     Madre Letícia foi ardorosa simpatizante da TFP, dispensando àquela entidade seu contínuo apoio, preces e sacrifícios.
     Quando sobre ela caiu o veredicto terrível do câncer, permaneceu firme, decidida, olhava para a morte com tranquilidade, não desejando deixar de batalhar pela glória de Deus e salvação das almas, mas disposta a fazer a vontade de Deus. Após alguns meses de intenso sofrimento, ela morreu rezando. Duas pessoas que a assistiam, a amparavam; ela estava sentada na cama, às vezes parava um pouco de rezar devido à falta de ar; depois, refeita, retomava as orações. Em determinado momento a religiosa que a acompanhava disse para o sacerdote presente: “Padre, a Madre morreu!” A Providência a tinha chamado.
     Seu faleci­mento ocorreu no dia 2 de maio de 1974, aos 74 anos de idade. Atendendo ao seu pedido, o corpo foi sepultado no jazigo da TFP no Cemitério da Consolação, na capital de São Paulo.
Uma alma calorosa, ardorosa
     Madre Leticia era muito decidida. Estando para entrar no convento, dirigiu-se para lá de trem. Entretanto, havia hora para entrar. Como o trem estivesse passando perto do convento muito lentamente, e ao ver que não daria tempo para esperar que ele chegasse à estação, ela não teve dúvidas: jogou sua mala e pulou do trem, para espanto geral dos passageiros.
     Uma de suas grandes alegrias foi ter feito uma peregrinação a Fátima, Portugal. Ela contava cenas tocantes da devoção do povo português por Nossa Senhora. Dizia que as promessas de Nossa Senhora em Fátima iam cumprir-se muito brevemente.
     Ela era muito alegre, possuía a verdadeira alegria que não se abate mesmo no meio das adversidades. Durante sua doença ela procurava animar as Irmãs dizendo coisas engraçadas para distraí-las. Em Portugal, divertia-se imitando o sotaque português, o que fazia de modo tão perfeito, que a Irmã que a acompanhava não podia conter o riso.
     Em carta de 1971 a uma de suas dirigidas leigas, Madre Letícia recomendava: “No vendaval tremendo por que está passando a Santa Igreja, é preciso não só proteger a Fé, mas ainda guerrear para mantê-la, e ainda torná-la cada vez mais intensa, brilhante”. ... “A mulher hoje perdeu completamente a noção de dignidade, do pudor; tornou-se escrava da moda por mais indecorosa que seja. Você precisa velar com especial cuidado sobre esta tentação terrível que vem arrebanhando meninas, moças e senhoras”.
     Em 27 de dezembro de 1973, antes de uma cirurgia, Madre Letícia escreveu uma pungente carta aos seus irmãos, da qual é este edificante trecho: “Minha vida e minha morte estão nas mãos de Nossa Senhora, Ela que é sempre a ‘Causa da minha Alegria”. A Ela me consagrou nossa mãe, como aliás consagrou todos os filhos. Embora cheia de infidelidades, procurei sempre a Ela me dar. Como temer neste momento? Estou em Seus braços. Se continuar a viver, vou esforçar-me por servi-La melhor e amá-La mais; se morrer, banhando minha alma no mar infinito da misericórdia de Deus, irei vê-La no Céu!
       No hospital, após a cirurgia, conversando com uma visitante, disse a certa altura: “Daqui a pouco virá a visita mais importante!” A pessoa perguntou quem era e ela respondeu muito séria, mas afetuosamente: “Jesus!” É que iam levar a Santa Comunhão para ela...
Frases
     “Vamos falar de grandes coisas, das dores da Igreja”.
     “Se formos esperar que os outros nos tratem mal, então poucas vezes faremos atos de humildade. O melhor ato de humildade é nos considerarmos diante de Deus: nós não somos nada, Deus é tudo! Fazer isto muitas vezes”.
     “Sim, meu Deus, nada Vos recusarei!”

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Beata Maria Luísa de Jesus Trichet, Fundadora - 28 de abril

    
      Nasceu em Poitiers (França), no dia 7 de maio de 1684 e foi batizada no mesmo dia. Quarta de uma família de oito filhos, recebeu uma sólida educação cristã tanto na família como na escola, pois frequentou o colégio de religiosas, no Convento de Notre-Dame, onde encontrou um ambiente de formação muito a seu gosto: as educadoras levavam uma vida contemplativa na ação.
     Cresceu no ambiente de oito irmãos sob a direção maternal de uma mulher de caráter forte, e de um pai habituado a exercer o direito e a julgar com retidão como consultor jurídico do governo da cidade.
      A sombra da cruz projetou-se sobre esta família: vitimada por grave doença, sua irmã Teresa falece, enquanto a irmã mais velha, Joana, fica paralítica a partir dos 13 anos de idade até à morte. Sempre que regressava a casa, Maria Luísa ocupava-se carinhosamente de sua irmã paralítica, familiarizando-se com a dor e o carinho para com os doentes.
     No ano de 1701, Isabel, outra irmã, regressou emocionada do sermão que acabara de ouvir numa igreja da cidade. Maria Luísa intuiu que ela havia feito uma grande descoberta. Indaga a razão da grande emoção e chega ao conhecimento de que sua irmã tinha ouvido a pregação e se tinha confessado com o capelão do Hospital, Padre Luís Maria Grignion de Montfort. Sua fama de pregador e de confessor era já notável entre a juventude desta região do Poitou.
      Maria Luísa também quis conhecer e ouvir o fervoroso sacerdote. No confessionário dá-se o primeiro encontro entre estas duas almas sedentas de Deus, ambas desejosas de dedicação à salvação dos homens e ao amparo dos desprotegidos. Diante dos sinais evidentes de vocação, o Padre Montfort afirmou sem rodeios: "Foi Nossa Senhora que te enviou. Tornar-te-ás religiosa".
     Estas palavras marcaram o compromisso entre estas duas grandes almas, um compromisso para a glória de Deus e louvor de Maria, que eles tanto amavam, compromisso que tinha por base a Sabedoria da cruz que o Verbo Encarnado quis abraçar.
     Espontaneamente Maria Luísa oferece seus serviços no hospital: ela consagra boa parte de seu tempo aos pobres e aos enfermos. Mas logo o Padre Montfort lhe pede para "permanecer" ali. A este chamado ela responde com um "sim" total. No hospital não há posto livre para ela entrar na qualidade de "governante"; não importa, Maria Luísa simplesmente consegue ser admitida como "pobre". Tinha apenas 19 anos.
     Sua mãe lhe havia dito: "Você ficará louca como este sacerdote". Após um doloroso noviciado entre incompreensões e obstáculos, Maria Luísa dedica-se ao serviço dos pobres e doentes do hospital de Poitiers. Entretanto, ficou entregue aos cuidados do Espírito Santo, já que o Padre Capelão iria se ausentar por um período de 10 anos para se dedicar à pregação de missões populares na sua querida Bretanha.
     No dia 2 de fevereiro de 1703, Maria Luísa emitiu os votos religiosos sob a orientação do seu confessor, tornando-se assim a primeira pedra da Congregação das Filhas da Sabedoria. O novo instituto, à sombra da cruz e sob a proteção de Maria, teria por missão servir os pobres e os doentes e dedicar-se à formação cristã da juventude.
     A célebre cruz que São Luís de Montfort desenhou foi colocada no centro do hospital. Maria Luísa levava uma cruz sobre seu hábito cinza, mas sobretudo em seu coração. Com efeito, ela realizava o serviço cansativo de cada dia, a ausência de companheiras, o falecimento de duas de suas irmãs e de seu irmão, jovem sacerdote morto vítima da peste e de sua abnegação.
     É o começo de uma aventura que é por sua vez a história da Congregação das Filhas da Sabedoria. Em 1714, chega a primeira companheira, Catarina Brunet; em 1715, acontece a fundação da primeira comunidade em La Rochelle (Charente) com duas novas recrutas: Maria Régnier e Maria Valleau; em 1716, São Luís Maria de Montfort morre prematuramente na idade de 43 anos.
     A jovem Congregação se desestabiliza com esta notícia tão dolorosa quanto inesperada. Maria Luísa experimenta a frase escrita por São Luís de Montfort: "Se não se arrisca algo por Deus, não se faz nada de grande por Ele". Durante 43 anos, Maria Luísa de Jesus, só, forma suas companheiras, conduz e dá vida às fundações que se multiplicam: escolas de caridade, visitas e cuidados aos enfermos, sopa popular para os mendigos, gestão de grandes hospitais na França.
     Os pobres do hospital de Niort (Deux-Sèvres) a chamam "a Boa Madre Jesus". Seu programa de vida é muito simples: "É necessário que eu ame a Deus oculto em meu próximo" (coro de um cântico composto por São Luís Maria de Montfort destinado às Filhas da Sabedoria).
     Quando Madre Maria Luísa morre no dia 28 de abril de 1759, em Saint-Laurent-sur-Sèvre (Vendée), a Congregação conta com 174 religiosas presentes em 36 comunidades, mais a Casa Mãe.
     Esta discípula de São Luís Maria Grignion de Montfort, e sua colaboradora na fundação da Congregação das Filhas da Sabedoria, descansa junto ao seu mestre na igreja paroquial de Saint-Laurent-sur-Sèvre.
     No dia 16 de maio de 1993, Maria Luísa de Jesus Trichet foi declarada beata pelo Papa João Paulo II em Roma.
 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Santa Huna, Viúva na Alsácia - 25 de abril


     As informações sobre Santa Huna constam da “Vita Deodati”, escrita entretanto três séculos e meio depois de sua existência; esta “Vita” narra as obras de São Deodato (St. Dié), bispo escocês peregrino e de certa forma também legendária.
     De acordo com Ruyr e Riguet, Huna pertencia à família real da Borgonha. Um manuscrito preservado na freguesia de Hunawihr sublinha que ela nasceu em torno de 620, e descendia de São Sigismundo, rei da Borgonha. O sangue de Santa Odila corria nas veias desta nobre dama.
     Ela viveu no século VII, aos pés do Vosges, na aldeia da Alsácia que deve a ela o seu nome, Hunawihr. Ela se casou com um piedoso senhor alsaciano chamado Hunon. As ruínas do seu castelo ainda são visíveis a três léguas de Colmar, numa encantadora região entre Zellenberg e a 1 km ao sul de Ribeauvillé.
     Eles construíram uma igreja em honra de São Tiago Maior, que mais tarde legaram para a Abadia de St-Dié. O nascimento de um filho iria colocar a castelã em relacionamento com São Deodato.
     É muito provável que os senhores de Hunawihr estivessem estáveis em terras que haviam pertencido a uma colônia romana, e nas quais havia um pequeno estabelecimento termal. Isto permitiu-lhes cuidar dos doentes e dos pobres que tinham se refugiado nas ruínas dos antigos banhos.
     Os seus parentes, os Duques da Alsácia, protegiam os monges escoceses de São Columbano, itinerantes naquela região (o território ao longo dos séculos pertenceu, de acordo com os acontecimentos políticos, de vez em quando à França ou à Alemanha, hoje é francês). Entre eles havia o já mencionado São Deodato, Bispo de Nevers, que morava então na Alsácia.
     Como uma outra Santa Ana, Huna pediu a Deus uma posteridade. O Senhor atendeu seus pedidos e ela deu à luz um filho. Huna o ofereceu ao Eterno e o consagrou ao serviço do altar. Este jovem rebento de uma ilustre família foi batizado por São Deodato. O santo prelado lhe deu seu nome e o recebeu mais tarde no número de seus religiosos em Ebersmunster, onde ele morreu em odor de santidade. A história quase não fala dele.
     São Deodato, que governava então as abadias de Ebersmunster e de Jointure, na Lorena, visitava com frequência o castelo de Huna e contribuía, pelo seu exemplo e suas exortações, para o progresso desta humilde serva de Deus.
     Como seu único filho ingressara no convento de Ebersheimmünster, ela transferiu toda sua ternura para os pobres e infelizes, dedicando-se a provê-los de alimento e vestimenta, tratando dos doentes, inclusive lavando suas roupas de cama, muitas vezes purulentas, na fonte próxima ao castelo.
     Seu castelo era asilo onde se refugiavam os necessitados, porque ela não só lhes dispensava dinheiro, mas cuidava de seus enfermos fazendo os serviços mais humildes; muito tempo após sua morte as pessoas mostravam a fonte onde ela não se envergonhava de ir lavar as roupas dos pobres, o que lhe valeu o sobrenome de Santa Lavadeira.
     Diz-se que seu castelo frequentemente estava repleto de uma multidão de pobres que vinham lhe expor suas penas. Huna os recebia sempre com uma extrema boa vontade que a todos tocava, procurando consolá-los, melhorar sua situação e contribuindo para isto de todas as maneiras. A confiança que o povo punha nela ia a tal ponto, que muitas vezes a colocavam como árbitro de contendas, e que se submetiam às suas decisões sem murmurar.
     A “Vita Deodati” considera Hunon como o principal benfeitor da Abadia de St-Dié; Huna é nomeada apenas como sua esposa. Mais tarde, na tradição popular, Huna assumiria o papel mais importante dentre os piedosos cônjuges por sua intensa vida de caridade, continuada ao longo dos anos de sua viuvez até sua morte em 679.
     Huna mereceu o nome de princesa santa durante sua vida e sua morte colocou de luto e de aflição todos que a haviam conhecido.
      Em 1520, a pedido de Ulrich, Duque de Württemberg, senhor do lugar, do bispo de Basileia e dos cônegos de St-Dié, o Papa Leão X autorizou a ‘elevação’ dos restos mortais de Huna conservados em Hunawihr (no primeiro milênio a cerimônia era considerada a canonização do personagem reverenciado, sendo proclamado santo no âmbito da diocese requerente).
     Mas pouco tempo depois o Duque Ulrich (1487-1550), aderiu à Pseudo-Reforma Protestante, e já em 1540 as relíquias de Santa Huna foram profanadas e espalhadas pelos moradores que se tornaram seguidores do pseudo-reformador protestante Zwinglio (1484-1531).
     Em 1865, a diocese de Estrasburgo, a atual capital do departamento francês do Baixo Reno, que inclui a Alsácia, pode inscrever no Livro Litúrgico a festa da santa viúva no dia 25 de abril, o dia da comemoração da ‘elevação’ de 1520. Outras regiões da Alsácia a recordam em dias diferentes, como o dia 15 de abril.
     Pelo milagre operado por São Deodato, que fez jorrar água de uma fonte para ajudar Huna, que lavava pessoalmente as roupas dos pobres, ela é considerada a padroeira das lavadeiras na Alsácia.
     A representação mais venerável de Santa Huna é a dos vitrais da Catedral de Saint-Dié, único precioso vestígio do final do século XIII. Santa Huna aí é representada com seu marido, ao lado de São Deodato com a cruz e a mitra.
 
Fontes: (Segundo a história dos santos de Vosges, obra do Cônego Laurent "Eles são nossos antepassados" - Diocese de Saint-Die); www.santiebeati.it/
Les Petites Bollandistes: Vies des saints, tome 6.