terça-feira, 19 de maio de 2015

Beata Colomba de Rieti, Dominicana - 20 de maio

     Angelina Guadagnoli nasceu numa família da aristocracia italiana em 2 de fevereiro de 1467, na cidade de Rieti. O dia do seu batizado foi marcante e muito curioso. No mesmo instante em que o padre lhe ministrava o batismo, desceu sobre sua cabeça uma pomba branca, talvez como um símbolo da infinidade de graças que o Espírito Santo colocou em sua alma. Por isso, ficou conhecida como Colomba, que significa "pomba".
     Sua celebridade é baseada principalmente em duas coisas: a natureza altamente milagrosa de sua vida desde o seu início, e sua intensa devoção ao Santíssimo Sacramento. Ela foi uma dentre numerosas santas mulheres dominicanas que parecem ter sido suscitadas por Deus para protestar contra e em contraposição à impiedade e à imoralidade corrente na Itália durante os séculos XV e XVI.
     Essas mulheres, quase todas da Ordem Terceira, tinham uma intensa devoção a Santa Catarina de Siena, e tinham como objetivo imitá-la tanto quanto possível. Muitos leigos, tanto homens como mulheres, compartilhavam esta devoção, entre estes Ercole I, Duque de Ferrara, que tinha uma profunda admiração por Colomba e por algumas outras santas dominicanas suas contemporâneas, as mais notáveis das quais foram as Beatas Osana de Mântua e Luísa de Narni. A veneração de Ercole por esta última foi tão grande, que ele não descansou até conseguir que ela fosse viver em Ferrara com algumas de suas irmãs, onde ele mandou construir para ela o seu convento, onde ela morreu depois de muitas provações.
     Angelina, desde a infância consagrou seu coração e sua vida ao amor a Jesus Cristo, como fizeram São Domingos e Santa Catarina, com quem conviveu e dos quais foi discípula. Por si mesma e com firmeza seguiu o caminho para a santidade.
     A tradição diz que ainda no berço procurava privar-se da amamentação. Sua infância foi repleta de penitências severas que só podem ser equiparadas àquelas dos adultos mais santificados.
     Aos dez anos ela consagrou sua virgindade a Jesus, mesmo sabendo que seus pais tinham assumido um casamento para ela. Prometida em casamento a um nobre quando tinha apenas 12 anos, recusou resolutamente o casamento de alta linhagem. O acerto das núpcias foi desfeito quando ela apareceu com a cabeça raspada diante dos pais, que ficaram comovidos com a real vocação da filha.
     Sete anos depois vestiu o hábito de Terciária Dominicana. Iniciou sua formação religiosa no convento dominicano da Ordem Terceira, e teve como orientadores espirituais Santa Catarina, a quem ela chamava de "irmã", e São Domingos, de quem recebeu o hábito em 1496.
     Colomba era de fato muito especial, pois além da alta capacidade contemplativa, contava com dons extraordinários como o da profecia, do conselho, da cura, e sabia perceber, como ninguém, os sentimentos da alma humana.
     Em 1488, aos dezenove anos, atendendo uma inspiração, foi para a cidade de Perugia; os habitantes receberam-na como uma santa. Após algum tempo, ela construiu seu Convento de Santa Catarina, no qual ela reuniu todas as religiosas da Ordem Terceira Dominicana que a desejavam como superiora apesar de sua pouca idade. Seu mosteiro se dedicou à educação das jovens nobres e ficou conhecido como o convento das “Colombas”.
     Mas seu apostolado foi muito fecundo também fora do convento, onde se tornou uma verdadeira "pomba da paz e da concórdia" na luta que existia entre as poderosas famílias da nobreza, que disputavam a região. Colomba conseguiu impedir inúmeras lutas sangrentas que poderiam ter destruído várias vezes a cidade de Perugia.
      Em 1494, quando uma terrível praga grassava em Perugia, Colomba ofereceu-se como vítima pela cidade. A praga cessou, mas Colomba foi atingida pelo flagelo. Ela se recuperou apenas para salvar sua reputação atacada por calúnias tão amplamente difundidas que chegaram a Roma, de onde uma comissão foi enviada para examinar sua vida. Foi tratada por algum tempo como uma impostora e deposta de seu cargo de priora.
     Em 1495, Alexandre VI, tendo ouvido sobre a santidade e os milagres de Colomba, foi pessoalmente a Perugia para vê-la. Diz-se que ela teve um êxtase aos seus pés, e também para ganhar confiança, disse-lhe todos os pecados pessoais. O papa ficou plenamente satisfeito com sua grande santidade e colocou o selo de aprovação em seu modo de vida.
     No ano de 1499 ela foi consultada pelas autoridades que estavam examinando os estigmas da Beata Luísa de Narni; Colomba falou calorosamente a favor de serem genuínos, e de sua admiração pela santidade da Beata Luísa.
     Ela morreu aos trinta e três anos de idade, no dia 20 de maio de 1501, no convento que havia fundado em Perugia.
     O seu culto foi reconhecido por Urbano VIII em 1627. As relíquias da Beata Colomba ainda são veneradas em Perugia, e sua festa é mantida pela Ordem Dominicana em 20 de maio. O papa Urbano VIII declarou Colomba de Rieti padroeira de Perugia.
 
Fonte: www.santiebeati.it - F.M. Capes (Catholic Encyclopedia)

domingo, 17 de maio de 2015

Santa Restituta de Teniza, Mártir - 17 de maio

    
     Santa Restituta de Teniza nasceu em Cartago ou em Teniza (hoje conhecida como Ras Djebel, Tunísia) e foi martirizada durante a perseguição de Diocleciano. Não temos dados históricos precisos sobre o local exato e o ano do seu martírio. Ela às vezes é considerada um dos Mártires de Abitina, um grupo de mártires do Norte Africano que inclui Dativo, Saturnino e outros.
    Uma antiga legenda medieval, recontada posteriormente por Pedro Subdiácono no século X, e semelhante às legendas associadas às Santas Devota, Reparata e Torpes de Pisa, afirma que depois de ter sido horrivelmente torturada Restituta foi colocada em um barco em chamas carregado de estopa e resina. Restituta saiu ilesa do fogo e rogou pela ajuda de Deus. Deus enviou um anjo para guiar seu barco para a Ilha de Aenaria (atual Ischia), e ela aportou no local onde atualmente se encontra San Montano.
     Além disso, a legenda afirma que uma mulher cristã do local chamada Lucina tinha sonhado com o anjo e o barco. Quando ela se caminhou para a praia encontrou o corpo resplandecente e incorrupto de Restituta, que agora estava morta. Lucina convocou a população e a santa foi solenemente enterrada no sopé do Monte Vico, em Lacco Ameno, onde uma basílica paleocristã foi dedicada a ela e é agora o local de um santuário onde ela é venerada.
     No entanto, a propagação do seu culto do Norte de África para a Itália é historicamente associada à expulsão dos católicos daquela região por Genserico, rei dos Vândalos, que pertencia à seita ariana. Provavelmente suas relíquias foram trazidas para Nápoles no século V por Gaucioso de Nápoles, quando de seu exilio.
     A Igreja de Santa Restitua foi construída em sua honra em Nápoles no século VI. A igreja foi então incorporada à Catedral de Nápoles construída no mesmo local no século XIII.
     Ela é a padroeira de Lacco Ameno e, além daquela cidade, ela é especialmente venerada na Ilha de Ischia. Em Lacco Ameno ela é festejada durante três dias, do dia 16 ao dia 18 de maio. Uma cripta associada à Santa Restituta pode ser encontrada em Cagliari, no bairro de Stampace.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Ascensão de Nosso Senhor

 

Leiam a seguinte reflexão sobre esta festa:
“O Senhor Jesus, depois que lhes falou, foi assunto ao céu, e está sentado à direita de Deus” (Mc. 16, 19).
     O lugar que competia a Jesus ressuscitado era o céu, que é a morada das almas e dos corpos bem-aventurados.
     Quis Jesus, todavia, permanecer quarenta dias sobre a terra, e aparecer repetidas vezes a seus discípulos para os certificar de sua ressurreição e instruí-los nas coisas relativas à Igreja: “Falando do Reino de Deus”.
     Tendo desempenhado esta nobre missão, quis o Senhor, antes de deixar a terra, mostrar-se mais uma vez aos apóstolos em Jerusalém; e depois de lhes exprobrar suavemente a sua dureza, por não acreditarem na sua ressurreição, ordenou-lhes que fossem para o Monte das Oliveiras, o lugar onde tinha começado a sua Paixão, a fim de que compreendessem que o verdadeiro caminho para ir ao céu é o dos sofrimentos.
     Depois, cercado de cento e vinte pessoas, repetiu-lhes mais uma vez o que já lhes havia ordenado, especialmente que fossem pregar o Evangelho pelo mundo inteiro; feito o que o divino Redentor levantou as mãos e os abençoou.
     Em seguida, como medita São Boaventura, Jesus abraça sua santíssima Mãe e aperta-a contra o coração, anima e conforta os seus discípulos, que, entre lágrimas, lhe beijam os pés, e com as mãos levantadas e o semblante extraordinariamente majestoso e amável, coroado e vestido como rei, se eleva lentamente ao céu, levando em sua companhia as numerosíssimas almas justas, livradas do limbo.
     A esta vista, todos os presentes se ajoelham novamente e Jesus mais uma vez os abençoa. Afinal uma nuvem subtrai o divino Triunfador à sua vista, e Jesus vai sentar-se à direita do Pai, onde não cessa de ser nosso medianeiro e advogado.
     Avivemos a nossa fé, e contemplemos o júbilo que a entrada triunfal de Jesus causou no paraíso: alegremo-nos com o nosso divino Chefe, e unamos os nossos afetos ao de Maria Santíssima, e dos santos discípulos.
     Como a águia ensina seus filhos a voarem, assim, no mistério de hoje, Jesus Cristo nos exorta a elevar o nosso voo e acompanhá-lo ao céu, senão com o corpo, ao menos com os afetos.
     Desprendamos os nossos corações da terra, e suspiremos pela pátria celeste, onde se acha a nossa felicidade: esperando, como diz o Apóstolo, a adoção de filhos de Deus, a redenção de nosso corpo.
     Entretanto, tenhamos sempre diante dos olhos os exemplos da vida mortal de Nosso Senhor; imitando a sua humildade de mansidão, o seu espírito de mortificação, a sua caridade e o seu zelo pela glória divina.
     Numa palavra, despojemo-nos do homem velho, revestindo-nos das virtudes de Jesus Cristo, que são como que o manto, que, à imitação de Elias, ele deixou para os seus discípulos, quando subiu ao céu.
     Para vencermos todas as dificuldades que se encontram no caminho do Senhor, recordemos muitas vezes a grande verdade que os anjos ensinaram aos discípulos, que, arrebatados, olhavam o céu, para o qual acabava de subir o seu amado mestre: Jesus Cristo voltará um dia à terra com a mesma majestade e glória, como juiz dos vivos e dos mortos.
     Meu querido Redentor Jesus, regozijo-me pelo vosso triunfo glorioso, e rogo-vos que arranqueis do meu coração todo o afeto aos bens miseráveis desta terra, para suspirar senão pelos do paraíso, que vós merecestes para mim com a vossa paixão.
     A mesma graça peço de Vós, ó Pai Eterno. Concedei-me que, assim como eu creio firmemente que vosso Filho unigênito e nosso Redentor subiu hoje ao céu, assim possa continuamente morar ali com o meu espírito e os meus desejos.
     Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo e pela intercessão de Maria Santíssima.
 
Fonte: retirado do livro “Meditações para todos os dias e festas do ano” de Santo Afonso de Ligório.

Santas Justa e Enedina (Eredina) Mártires - 14 de maio

Santas Justa, Enedina e Justina
Martirológio Romano: Na ilha da Sardenha, comemoração das santas Justa e Enedina, mártires.

     O testemunho destas mártires é puramente cúltico, quer dizer, não temos nenhum documento contemporâneo, mas sim um culto persistente que lhes é atribuído na ilha da Sardenha (1).
     A tradição oscila entre um grupo de duas, que celebramos hoje: Justa e Enedina; e um grupo de três, tal como se celebrava no Martirológio Romano anterior: Justa, Justina e Erendina. Parece que a versão mais correta e antiga é a de duas.
      A legenda sobre elas afirma que eram filhas de uma matrona, Cleodonia, que haviam guardado a virgindade, e que foram mártires em uma data tão longínqua como a perseguição de Adriano, no início do século II.
     Ainda que isto não seja impossível, não está apoiado em nenhum dado que conheçamos, e parece mais desejo (habitual em muitas igrejas da antiguidade) de fazer retroceder as origens da comunidade o mais primitivo possível. Com base em alguns martirológios posteriores, nós podemos encontrá-las nas perseguições de Diocleciano (século III-IV).
     Segundo a tradição, as santas sofreram o martírio no local onde se encontra, desde o século XI, a Basílica de Santa Justa, em um povoado do mesmo nome, na província de Oristano, uma das oito em que se divide a ilha na atualidade.
 
     (1) Sardenha (italiano: Sardegna, Sardigna ou Sardinnia) é a segunda ilha do Mediterrâneo pelo tamanho, a oitava na Europa e a quadragésima oitava do mundo. Com um órgão administrativo chamado Região Autônoma da Sardenha é uma região autônoma da República Italiana, com estatuto especial.
     Esta ilha está localizada no centro-oeste do Mar Mediterrâneo, entre o norte da Córsega, onde o Estreito de Bonifácio separa a península italiana da Tunísia no leste e as Ilhas Baleares para o oeste. Ocupa uma área de 24 090 km².
Etimologia:
Enedina, talvez do grego enedynêin: “ser complacente”. Outra forma: Henedina.
Justa, do latim Justus: nome e sobrenome; Justus era nome pagão e cristão e na antiguidade quase sempre nome de escravo. Em alemão Justus também é sobrenome.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Há 98 anos Nossa Senhora aparecia em Fátima, Portugal



     Algo que a História registra, que a Teologia da História indica como certa, é que as grandes catástrofes dos povos são castigos. Isto é um princípio certo da Teologia da História. Quando um povo sofre uma grande catástrofe, isto é um castigo. Não vale para os homens, para os indivíduos particularmente, mas vale para as […]
LEIA MAIS EM:
A certeza do castigo anunciado por Nossa Senhora de Fátima
Posted: 12 May 2015 11:35 AM PDT

Hoje é dia de Nossa Senhora de Fátima! Se você ainda não conhece a aparição MAIS IMPORTANTE da História da Igreja, leia mais no link abaixo
Hoje é dia de Nossa Senhora de Fátima! Se você ainda não conhece a aparição MAIS IMPORTANTE da História da Igreja, leia aqui um resumo do que houve:
Posted: 12 May 2015 08:00 PM PDT

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Sta. Teopista de Camerino, seu esposo Sto. Anastácio e filhos, mártires - 11 de maio

  
   Nestes dois mil anos de existência do Catolicismo, a Santa Igreja tem celebrado famílias inteiras que enfrentaram o martírio atestando assim com o derramamento de seu sangue sua Fé em Cristo.
     Todos estes cônjuges com sua prole constituíam modelos de famílias cristãs, prontos para fazer qualquer coisa para não trair os ensinamentos do Evangelho.
     Hoje uma família é comemorada na região italiana de Marcas, cujo culto é generalizado na área, mas já não é reconhecido pelo Martirológio Romano.
     Santa Teopista era esposa de Anastásio, natural de Camerino, hoje na província de Macerata, e que, de acordo com os “Atos” de sua vida, foi um corniculário, ou seja, Inspetor de Justiça.
     Anastásio se converteu diante da serenidade e da confiança com que o jovem São Venâncio, seu compatriota, enfrentou o martírio. Teopista foi batizada pelo Padre Porfírio junto com seu esposo e filhos: Aradio, Ebodi, Calisto, Felix, Eufêmia e Primitiva, inclusive com todos os serviçais de sua casa.
     Seguindo o exemplo de Venâncio, eles também foram chamados a escolher entre salvar sua vida terrena ou preferir a do Céu. Optando pela segunda alternativa, o seu martírio foi consumado no ano 251 na Via Lata, fora do portão leste de Camerino. Eles sofreram o martírio durante a perseguição decretada por Décio, sob o governador Antíoco.
     Anteriormente o Martirológio Romano celebrava a festa desta família no dia 11 de maio, enquanto na Diocese de Camerino ainda hoje eles são lembrados no dia seguinte.
     Camerino mantém relíquias dos santos em sua diocese.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Beata Maria Teresa Demjanovich, Virgem - 8 de maio

    
     Maria Teresa Demjanovich nasceu no dia 26 de março de 1901 em Bayonne, Nova Jersey, Estados Unidos. Era a mais nova de sete filhos de Alexander Demjanovich e Joana Suchy, os quais eram originários da Rutenia [1], hoje o este da Eslováquia, e emigraram para os Estados Unidos. Recebeu o batismo, a confirmação e a primeira comunhão no rito bizantino rutênio de que seus pais eram fieis praticantes.
     Os Demjanovich cresceram junto às refinarias de petróleo que marcam a paisagem desta parte de Nova Jersey. Teresa completou sua educação primária na idade de 11 anos e recebeu o diploma da escola secundária em 1917 na Bayonne High School (situada onde hoje fica a Robinson School).
     Nesse tempo ela desejava ser carmelita, porém permaneceu em casa para cuidar de sua mãe que se encontrava enferma.  Depois da morte de sua mãe na epidemia de influenza de 1918, sua família a animou a ingressar no College of Saint Elizabeth, na Convent Station, Nova Jersey, onde começou sua carreira universitária em setembro de 1919, graduando-se com honra em julho de 1923 com especialidade em literatura.
     Teresa anelava pela vida religiosa, porém diversas circunstâncias tornavam incerta a decisão em que comunidade devia entrar. Entretanto, ela aceitou um posto de professora na Academia de Santo Aloisio na cidade de Nova Jersey (conhecida como Caritas Academy até que encerrou suas atividades no ano 2008). Durante sua permanência muitas pessoas comentavam sua humildade e genuína piedade. Era muito comum encontrá-la rezando de joelhos na capela do colégio, era muito dedicada à recitação do Rosário.
     Tomava parte do coro da Paroquia de São Vicente de Paula, do Sodalício de Nossa Senhora e de uma comunidade paroquial associada à National Catholic Welfare Conference. Durante o verão e o outono de 1924, Teresa rezava para discernir o rumo de sua vida. Visitou as Carmelitas Descalças do Bronx, Nova York, porém devido a vários problemas de saúde, incluindo dores de cabeça, lhe sugeriram esperar uns anos antes de ingressar.
      Sua família lhe sugeria que usasse sua educação para servir a Deus num instituto dedicado ao ensino. Ela fez uma novena para a festa da Imaculada Conceição daquele ano e ao conclui-la, no dia 8 de dezembro, decidiu ingressar nas Irmãs da Caridade de Santa Isabel [2].
     Ela esperava entrar no convento em 2 de fevereiro de 1925, porém seu pai faleceu no dia 30 de janeiro, o que a fez postergar seu ingresso ate o dia 11 de fevereiro, festa de Nossa Senhora de Lourdes. Seu irmão Carlos Demjanovich, que era sacerdote, e duas irmãs a acompanharam ao convento.
     Foi admitida ao noviciado e no dia 17 de maio de 1925 recebeu o hábito religioso e tomou o nome de Miriam (Maria).
     Nunca recebeu uma transferência oficial de rito, portanto continuava sendo católica bizantina enquanto servia como religiosa em uma congregação de rito latino.
     Entre 1925 e 1926, sendo postulante e noviça, Miriam continuou dando aulas na Academia de Santo Aloisio. Em junho de 1926 seu diretor espiritual, o Padre Benedito Bradley, OSB [3], lhe pediu que escrevesse as conferências para o noviciado. Irmã Maria Teresa escreveu 26 conferências que foram publicadas em um livro.
     Em novembro de 1926, Miriam adoeceu. Depois de uma amigdalectomia, saiu da enfermaria e voltou para o convento, porém apenas podia caminhar para sua habitação. Depois de uns dias, ela perguntou se podia voltar para a enfermaria, mas sua superiora, pensando que era estranho que alguém tão jovem podia estar tão doente, lhe disse: "Acalma-te".
     Quando o Padre Bradley viu quão doente ela estava, avisou seu irmão, que chamou uma de suas irmãs que era enfermeira. Ela foi ao convento e a levou imediatamente para o hospital, onde ela foi diagnosticada com "esgotamento físico e nervoso, com miocardite e apendicite aguda". Os médicos não acreditavam que ela seria suficientemente forte para uma operação e seu estado piorou.
     A profissão de votos permanentes foi feita "in articulo mortis" (perigo de morte) no dia 2 de abril de 1927. Ela foi operada de apendicite em 6 de maio de 1927 e faleceu dois dias depois. Seu funeral ocorreu no dia 11 de maio de 1927 e foi sepultada no Cemitério da Sagrada Família, em terrenos das Irmãs da Caridade de Santa Isabel.
     Sua beatificação deveu-se ao reconhecimento da cura milagrosa de um menino cego de Newark, Estados Unidos, que sofria uma degeneração macular bilateral e recuperou a vista em 1964 após rezar pedindo a intercessão da hoje Beata Miriam Teresa.
     Irmã Maria Teresa foi beatificada no dia 4 de outubro de 2014, numa cerimônia na Catedral Basílica do Sagrado Coração, em Newark, presidida pelo Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Esta foi a primeira beatificação realizada em solo estadunidense.
     No dia seguinte, D. Kurt Burnette, Bispo da Eparquia Católica Bizantina de Passaic, à qual pertencia a família Demjanovich, presidiu uma Missa celebrada na paróquia onde ela fora batizada, Igreja de São João Batista em Bayonne.
     De acordo com a Vice Postuladora da Causa da Irmã Miriam Teresa, Irmã Maria José, S.C., a mensagem da nova beata é que “todos são chamados à santidade”. A jovem Beata que viveu apenas 26 anos devido à sua precária saúde, após seu ingresso no Instituto só viveu dois anos, mas se destacou por sua busca pela perfeição e por uma extraordinária relação mística com Deus. De forma póstuma, foi publicado um livro de sua autoria sob o título de “Maior Perfeição”.
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Notas:
[1] Rutênia é a região da Europa que pertencia aos estados eslavos orientais.  Atualmente se encontra dividida entre vários estados.  Na atualidade podemos chamar de rutênio aos ucranianos orientais e, em muitos casos, aos ucranianos que pertencem à Igreja Católica Bizantina Rutena ou à Igreja Greco-católica Ucraniana, duas igrejas católicas orientais pertencentes à atual Ucrânia.
[2] A Beata sentiu o chamado à vida consagrada na mesma congregação que a educou, as Irmãs da Caridade de Santa Isabel, fundada no ano de 1809, em Maryland, por Santa Isabel Ana Seton, no espírito de São Vicente de Paula e Santa Luísa de Marillac, que se dedica a educação, cuidados aos doentes, serviços sociais em 22 dioceses dos Estados Unidos, e em El Salvador e Haiti.
[3] OSB: Ordem de São Bento (em latim: Ordo Sancti Benedicti).