segunda-feira, 15 de junho de 2015

Remédio para a dureza moral contemporânea


     Mães em cujas entranhas decresce de intensidade o amor pelos filhos; maridos que atiram à desgraça um lar inteiro, com o único ato de satisfazer seus próprios instintos e paixões; filhos que, indiferentes à miséria ou ao abandono moral em que deixam seus pais, voltam todas as suas vistas para a fruição dos prazeres desta vida; profissionais que enriquecem às custas do próximo, mostram muitas vezes uma crueldade fria e calculada, que causa muito mais horror do que os extremos de furor a que a guerra pode arrastar os combatentes.
     Realmente, se bem que na guerra os atos de crueldade se possam mais facilmente aquilatar, os que os praticam têm, se não a desculpa, ao menos a atenuante de que são impelidos pela violência do combate. Mas aquilo que se trama e se realiza na tranquilidade da vida quotidiana não pode muitas vezes beneficiar-se de igual atenuante. E isto sobretudo quando não se trata de ações isoladas, mas de hábitos inveterados, que multiplicam indefinidamente as más ações.
     A guerra, tal qual ela é hoje feita, é um índice de crueldade, mas está longe de ser a única manifestação da dureza moral contemporânea.
     Quem diz crueldade diz egoísmo. O homem só prejudica seu próximo por egoísmo, por desejar beneficiar-se de vantagens a que não tem direito. Assim, pois, o último meio de extirpar a crueldade consiste em extirpar o egoísmo.
     Ora, a Teologia nos ensina que o homem só pode ser capaz de verdadeira e completa abnegação de si mesmo, quando seu amor ao próximo é baseado no amor de Deus. Fora de Deus, não há para os afetos humanos estabilidade nem plenitude. Ou o homem ama a Deus a ponto de se esquecer de si mesmo — e neste caso ele saberá realmente amar o próximo —, ou se ama a ponto de se esquecer de Deus, e, neste caso, o egoísmo tende a dominá-lo completamente.
     “Ad Jesum per Mariam”. Por Maria é que se vai a Jesus. Escrevendo na festa do Sagrado Coração Jesus, como não dizer uma palavra de comoção filial ante esse Coração Imaculado [de Maria] que, melhor do que qualquer outro, compreendeu e amou o Divino Redentor?
     Que Nossa Senhora nos obtenha algumas faíscas da imensa devoção que tinha ao Sagrado Coração de Jesus. Que Ela consiga atear em nós um pouco daquele incêndio de amor com que Ela ardeu tão intensamente, são nossos votos dentro desta oitava suave e confortadora.
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Excertos de artigo do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, publicado no “Legionário”, em 22 de junho de 1941.

sábado, 13 de junho de 2015

Festa do Imaculado Coração de Maria

    
 
     A devoção a Maria Santíssima surgiu com toda certeza nos primeiros séculos da Igreja, quando havia a celebração da Missa de Nossa Senhora nos sábados. O missal romano de São Pio V, de 1570, mostra a antiguidade desta prática que consiste em honrar especialmente a Santa Mãe de Deus nesse dia da semana, depois de ter consagrado a sexta-feira para comemorar a Paixão de Nosso Senhor e os sofrimentos de seu Sagrado Coração.
     Seguindo essa tradição, as confrarias que eram dedicadas à devoção do Rosário estabeleceram o costume de dedicar anualmente quinze sábados seguidos à Rainha do Santíssimo Rosário.
     Historicamente, a devoção a Maria Santíssima sob a forma do seu Coração Imaculado ocorreu pela primeira vez no século XIII com Santa Matilde, Santa Gertrudes, São Bernardino de Sena e outros. No século XVII, São Francisco de Sales foi um expoente desta devoção. Mas foi São João Eudes, o grande apóstolo do Imaculado Coração (1601-1680), que deu o impulso decisivo para a prática.
     No mesmo século, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus veio à tona através de Santa Margarida Maria Alacoque e de seu confessor, São Cláudio de La Colombière.
     A devoção ao Sagrado Coração se espalhou, assim também a devoção ao Imaculado Coração. Ambos, Santa Margarida Maria e São Cláudio, foram também profundamente dedicados ao Coração Imaculado de Maria.
     O Papa Pio VI encabeça a lista de vários papas que incrementaram a divulgação da devoção. Com o Papa São Pio X a devoção dos primeiros sábados do mês foi aprovada e encorajada pela sede da Igreja, em Roma. Em 10 de julho de 1905, ele indulgenciou pela primeira vez esta devoção. Em 1944 que o Papa Pio XII estendeu-a a toda a Igreja, fixando a celebração em 22 de agosto.
     Atualmente a festa do Coração Imaculado de Maria é celebrada no sábado seguinte à festa do Sagrado Coração de Jesus, que é móvel, sempre observada na sexta-feira, 19 dias após o Domingo de Pentecostes.
O coração físico, símbolo do coração espiritual
     Os Padres da Igreja consideram que quando do alto da Cruz, Nosso Senhor Jesus Cristo fez Nossa Senhora a mãe de São João, Ele também a nomeou mãe de todos os homens. Assim, o Coração de Maria é o símbolo físico de seu amor sem limites a Deus e ao gênero humano.
     Mas o coração físico de Nossa Senhora também é o símbolo de seu coração espiritual. Assim, no Imaculado Coração de Maria também honramos sua vida interior, suas virtudes, sua perfeita pureza, sua humildade sem limites, seu afeto e sua tristeza.
     Pungente na tradição católica é a representação do Coração de Maria transpassado por uma espada, símbolo de sua imensa tristeza ao testemunhar e ao aceitar a Paixão e Morte de seu Filho para a salvação de nossas almas.
Fátima e o Coração Imaculado de Maria. A devoção dos Cinco Primeiros Sábados.
     Na segunda aparição de Fátima, Nossa Senhora mostrou aos videntes, Lúcia, Francisco e Jacinta, seu coração cercado de espinhos. Mais tarde, em 10 de dezembro de 1925, em uma aparição privada para a Irmã Lúcia, Ela pediu a devoção reparadora dos Cinco Primeiros Sábados.
     A Mãe de Deus apareceu sobre uma nuvem luminosa tendo ao lado o Menino Jesus. O Menino, mostrando-lhe um coração cercado de espinhos que tinha na outra mão, disse-lhe: "Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe, que está coberto de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Lhe cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar".
     A Santíssima Virgem acrescentou: "Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar, e dize que todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e Me fizerem quinze minutos de companhia meditando nos quinze mistérios do Rosário com o fim de Me desagravar, Eu prometo assisti-los na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas".
     Esta devoção tem, assim, a finalidade de reparar o Coração Imaculado de Maria pelas ofensas dos homens. E deve ser praticada em cinco primeiros sábados consecutivos. Divide-se em vários itens, todos indispensáveis:
1 - confissão (*);
2 - comunhão;
3 - recitação do terço;
4 - e quinze minutos de companhia a Nossa Senhora meditando nos quinze mistérios do Rosário (**).
 
(*) Mais tarde, quando o Menino Jesus lhe aparece novamente para cobrar a divulgação dessa devoção, a Irmã Lúcia levantando a dificuldade que algumas pessoas teriam para confessar-se no sábado, pediu-Lhe que fosse válida a confissão de oito dias. O Infante Menino respondeu-lhe que poderia ser até de "muitos mais dias ainda, contanto que, quando Me receberem, estejam em graça e tenham a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria". Caso a pessoa se esquecesse, ao confessar-se, de formular essa intenção, disse Nosso Senhor que "podem formá-la na outra confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem de se confessar".
(**) Aqui intérpretes afirmam que trata-se de meditar sobre um dos quinze mistérios do Rosário, pois do contrário seria praticamente impossível meditar os quinze nos quinze minutos estabelecidos por Nossa Senhora.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Festa do Sagrado Coração de Jesus: esta devoção é fundamental

     O que é, propriamente, a devoção ao Sagrado Coração? É a devoção ao órgão de Nosso Senhor, que é o Coração.
     Mas na Escritura, o coração não tem o significado sentimental que tomou no fim do século XVIII, mais ou menos, e certamente no século XIX. Não exprime o sentimento.
     Quando diz a Escritura: “A ti disse o meu coração: eu te procurei”, o coração aí é a vontade humana, é o propósito humano, é propriamente, a santidade humana. Aí quando Nosso Senhor diz isso, diz: “na minha vontade santíssima, Eu quero”.
     O Evangelho diz: “Nossa Senhora guardou todas as coisas em seu coração e as meditava”. Os senhores percebem que não é o coração sentimental, mas a vontade dEla, a alma dEla que guardava aquelas coisas e pensava sobre elas.
     O coração é a vontade da pessoa, o seu elemento dinâmico que considera e pondera as coisas.
     O Sagrado Coração de Jesus é a consideração disso em Nosso Senhor, simbolizado pelo coração, porque todos os movimentos da vontade do homem podem ter no coração uma repercussão. Nesse sentido, então, é o órgão adequado para exprimir isso.
     E é nesse sentido, então, que se adora o Santíssimo Coração de Jesus.
     Por correlação, por conexão, existe a devoção imensamente significativa, do Imaculado Coração de Maria. O Imaculado Coração de Maria é um escrínio dentro do qual encontramos o Sacratíssimo Coração de Jesus (vide por exemplo o artigo publicado no “Legionário” de 21-7-1940 e intitulado Nossa Senhora do Sagrado Coração).
     A essa devoção Nosso Senhor prometeu um caudal de graças. Comentei o ano passado as promessas do Coração de Jesus a quem fizer as nove primeiras sextas-feiras. A mais marcante delas, talvez, é que as almas que fizerem as nove sextas-feiras não morrerão sem terem a graça especial de se arrependerem antes.
     Não quer dizer que elas certamente irão para o Céu. Quer dizer que terão uma grande graça antes de morrer; não quer dizer que vão perceber que vão morrer, mas no momento relacionado com a morte, elas terão uma grande graça, tão grande que todas as esperanças se podem ter de sua salvação.
     Os senhores compreendem quanto empenho há na Igreja em que essa devoção seja conhecida, seja apreciada, seja medida com a razão, porque devoção sentimental não tem sentido.
     Devoção varonil é a que procura conhecer a razão de ser da coisa e ama a coisa pela sua razão de ser; assim é que um homem e uma mulher forte do Evangelho pensam a respeito das coisas de piedade.
     Então, pensar nisso, querer isso, dirigirmos nossa alma ao Coração de Jesus como fonte de graças calculadas para a época de Revolução, calculada para as épocas difíceis que deveriam vir e pedir que o Coração de Jesus, regenerador pelo sangue e pela água que dEle saiu, nos lave.
     Isto é propriamente a oração magnífica que nas sextas-feiras e, sobretudo, na primeira sexta-feira do mês, e na Sexta-feira da Paixão se deve considerar. [...]
     Se queremos ter distâncias psíquicas para termos equilíbrio mental e nervoso e para nos curarmos  — o quanto possível — de molezas de toda ordem, podemos e devemos recorrer ao Sagrado Coração de Jesus que, com uma graça jorrada dEle — como a água que curou o centurião — possa eliminar a cegueira de nossas almas, porque somos cheios de cegueiras de todos os graus e ordens.
     Peçamos ao Sagrado Coração de Jesus, por intermédio do Coração Imaculado de Maria — porque só assim, por intermédio de Nossa Senhora é que se obtém dEle as graças que nos curem dessa múltipla cegueira —, e teremos feito um esplêndido pedido e estaremos a caminho de conseguir uma magnífica graça.
Plínio Correa de Oliveira – grande líder católico do século XX
 
 
 

Santa Maria Rosa Molas y Valvé, Fundadora - 12 de junho


     Nasceu em Reus, Tarragona, Espanha, no dia 24 de março de 1815, em uma Quinta-Feira Santa. No dia seguinte foi batizada e recebeu o nome de Rosa Francisca Maria de los Dolores. Em sua casa é chamada de Dolores, com diminutivo em Catalão: Doloretes.
     Seus pais: José Molas, natural de Barcelona e Maria Valvé, de Reus. Seus irmãos Antón e Maria, filhos do primeiro; José e Doloretes filhos do segundo casamento. Uma casa de artesãos bem estruturada, onde a fé, a honra, o amor, o trabalho e as sólidas virtudes cristãs são o clima que respiram seus filhos. E entre a casa e a escola transcorreram a infância e a adolescência de Maria Rosa.
     Aos dezesseis anos de idade, Dolores sentiu o chamado de Deus. Quer se consagrar totalmente ao Senhor e ao consolo e alívio dos necessitados. Mas seu pai, um cristão fervoroso, não compreende a vocação de sua filha e um “Não” decisivo é sua resposta. Dolores, convicta de sua vocação, espera dez anos. Compreende que o mais importante a ser feito na vida é a vontade de Deus que se manifesta na negação do pai.
     Na tarde do dia 6 de janeiro de 1841, Maria Rosa deixa, silenciosamente, a casa paterna e se dirige ao Hospital de Reus para se tornar religiosa. A Direção do Hospital está sob a responsabilidade da chamada “Corporação da caridade”. No dia seguinte, já se encontra na enfermaria com o hábito das Filhas da Caridade e um nome novo: Irmã Maria Rosa.
     Dizem-nos que durante sua permanência no Hospital “não havia vazio que sua caridade não preenchesse. Depois vai para casa de caridade, na mesma cidade, para dar aulas para meninas e assumir a direção do colégio de moças e onde ‘chegou como anjo de alegria e bom conselho’”.
     Em 11 de junho de 1844 pediu ao general Martín Zurbano que deixasse de bombardear Reus, ao que ele acedeu.
     De Reus a Tortosa: no dia 18 de março de 1849, assume a Casa de Misericórdia de Jesus, em Tortosa, que passa por um momento muito precário. A esta delicada missão vai como superiora de quatro irmãs. O que encontram ali? Um ambiente de pobreza impressionante.
     Mas, logo há uma mudança radical: os asilados encontram a comida quente, troca de roupa limpa, muito amor nas irmãs e uma mãe em Madre Maria Rosa. Esta abre uma escola gratuita na Casa de Misericórdia para crianças dos arredores mais próximos e, dois anos mais tarde, assume a Escola Pública da cidade.
      Em 1852, recebeu o diploma de professora e assumiu a Direção do Hospital de Santa Cruz, que também passava por um momento difícil. Estas são as obras de Madre Maria Rosa em Tortosa: três estabelecimentos sob sua direção. Porém lhe falta realizar a obra mais importante: a Fundação da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Consolação. Fundada a Congregação, sua missão consoladora se estende pela Plana e pelo campo de Tarragona.
     Estamos no ano de 1876. Madre Maria Rosa completou 61 anos de idade. Trabalhou muito, sofreu corporal e espiritualmente ao longo de sua vida “consagrada totalmente ao Senhor e ao consolo e alívio dos mais necessitados”.
     Grave enfermidade a acomete. Sente no seu interior que Deus a chama para unir-se definitivamente a Ele. Faleceu no dia 11 de junho de 1876, Domingo da Santíssima Trindade.
     Partiu, mas permanece viva em Deus e em sua obra. Descrevem-na sem artifício: rosto sereno, olhos negros e profundos, de olhar sereno, humilde, todo seu porte respirando equilíbrio. Natural, simples e digna. Mulher inteligente e aberta, firme e serena, carinhosa e forte, desapegada. Um instrumento simples, porém, fecundo.
     Destaca-se em Madre Maria Rosa inquebrantável firmeza de vontade e uma integridade pouco comum. Exerce influência e tem prestígio. Ela tem um coração grande “em todas as horas e em todas as circunstâncias seu coração acolheu a inquietude, a compaixão e o sofrimento do próximo”, traços claros de seu justo equilíbrio.
     Foi beatificada por Paulo VI em 8 de maio de 1977 e canonizada por João Paulo II em 11 de dezembro de 1988.
 
http://www.consolacao.org.br/santa-maria-rosa-molas/

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Santa Godeberta, Fundadora - 11 de junho

    
Sta. Godeberta recebe o anel de Sto. Eligius
     Godeberta nasceu por volta do ano 640, em Boves, a algumas léguas de Amiens, na França; morreu por volta do início do século VIII, em Noyon (Oise), a Noviomagus antiga. Ela foi cuidadosamente educada; seus pais eram da nobreza e participavam da corte do Rei Clóvis II.
     Quando a questão de seu casamento estava sendo discutida na presença do rei, o santo bispo de Noyon, Eligius (Elói), como que por inspiração, presenteou-a com um anel de ouro e expressou a esperança de que ela poderia dedicar a sua vida ao serviço de Deus.
     Godeberta, movida pelo Espírito Santo e sentindo o coração de repente cheio de amor divino, afastou-se das brilhantes perspectivas que poderia advir para ela de suas qualidades e de seu nascimento, e recusou as ofertas vantajosas feitas por seus nobres pretendentes. Ela declarou desejar ser esposa de Cristo e pediu ao santo prelado que lhe concedesse o véu de consagração, o que ocorreu em 657.
     Em pouco tempo toda a oposição à sua vontade desapareceu e ela entrou em sua nova vida sob a orientação de Santo Eligius. Clotário II, rei dos Francos, ficou impressionado com sua conduta e seu zelo e presenteou-a com um pequeno palácio que ele tinha em Noyon, juntamente com uma pequena capela dedicada a São Jorge.
     O exemplo de Godeberta inspirou um grande número de jovens donzelas a seguir o mesmo caminho; ela fundou em sua nova casa um convento, sob a Regra de Santo Eligius, do qual ela se tornou a superiora.  Ali ela passou o resto de sua vida em oração e solidão, salvo quando a caridade ou a religião obrigavam-na a sair e visitar pessoas, muitas das quais ainda estavam afundadas nos vícios do paganismo.
     Ela foi notável em particular pelas penitências e jejuns constantes a que ela se submetia. Ela possuía uma fé maravilhosa na eficácia dessa antiga prática dos primeiros cristãos: o Sinal da Cruz. Está registrado que em 676, durante o episcopado de São Momelino, quando a cidade estava ameaçada de destruição total pelo fogo ela fez o Sinal da Cruz sobre as chamas e o incêndio foi imediatamente extinto.
     Durante uma epidemia de peste ela suplicou ao clérigo que ordenasse um jejum de três dias. No início reticente ao seu pedido, ele acabou por ceder... e os habitantes se salvaram: a peste debandou.
     Com o Sinal da Cruz ela dava visão aos cegos e curava os doentes.
     O ano exato de sua morte é desconhecido, mas tradicionalmente é considerado que ocorreu em 11 de junho, dia em que a sua festa é marcada no Proprium de Beauvais. Em Noyon, no entanto, em virtude de um indulto de 2 de abril de 1857, ela é celebrada no quinto domingo depois da Páscoa. O corpo da santa foi enterrado na Igreja de São Jorge, que mais tarde recebeu o seu nome.
     Seu convento se tornou mais tarde a sede de uma paróquia de Noyon.
     Em 1168, Dom Baudoin presidiu o solene traslado do corpo de Godeberta da igreja em ruínas, onde ele tinha descansado por mais de 450 anos, para a Catedral de Noyon. Providencialmente suas relíquias escaparam à devastação do tempo e do fogo, e da malícia dos irreligiosos.
     No período da nefasta Revolução Francesa um cidadão piedoso enterrou secretamente suas relíquias perto da catedral. Quando a tempestade havia passado, elas foram recuperadas de seu esconderijo e sua autenticidade foi reconhecida canonicamente, e foram reintroduzidos na igreja.
     Um sino que a tradição afirma ter sido o efetivamente utilizado por Santa Godeberta em seu convento ainda é preservado. É certamente muito antigo e não parece haver nenhuma boa razão, em particular do ponto de vista arqueológico, para duvidar da confiabilidade da legenda. No tesouro da catedral também pode ser visto um anel de ouro que se diz ter sido apresentada por Santo Eligius a ela. Menção desta relíquia é feita em um registro do ano 1167, estando atualmente na Igreja de Noyon.
     Infelizmente os documentos mais antigos que temos dando detalhes da vida de Godeberta datam do século XI, como a “Vita” mais antiga, que na verdade é mais um panegírico para sua festa do que uma biografia. Acredita-se ter sido composta por Radbodus, que se tornou bispo de Noyon em 1067.
     Naquele tempo o objetivo desses escritores era a edificação em vez da instrução dos fiéis, de modo que encontramos nesta vida as maravilhas habituais relatadas em tais obras pias desse período, mas com poucos fatos históricos.
     É certo, porém, que Santa Godeberta foi venerada como protetora no tempo de pragas e de catástrofes, e temos todas as razões para considerar que essa prática era justificada pelos resultados que se seguiram à sua invocação solene.
     Em 1866, um surto violento de febre tifoide ocorreu em Noyon, dizimando a cidade. Em 23 de maio desse ano, um dos principais cidadãos, cujo filho acabara de ser contagiado, aproximou-se do pároco da igreja e recordando os favores que haviam sido concedidos em eras passadas aos devotos da santa, pediu encarecidamente que o relicário contendo suas relíquias fosse exposto e uma novena de intercessão se iniciasse.
     Isto foi feito no dia seguinte, e logo o flagelo cessou; foi oficialmente certificado que não ocorreu mais nenhum caso de febre tifoide. Em ação de graças uma procissão solene teve lugar algumas semanas mais tarde sob a orientação do bispo, Dom Gignoux, sendo as relíquias de Santa Godeberta levadas triunfalmente pela cidade.
     Uma bela imagem da santa, na Catedral de Noyon, que foi abençoada pelo bispo em 25 de fevereiro de 1867, perpetuou a memória deste evento maravilhoso.
 
Fonte: A. A. MacErlean (Catholic Encyclopedia)
 

 

terça-feira, 9 de junho de 2015

Santa Madrun, Viúva - 9 de junho


     De acordo com as genealogias galesas, Madrun era a filha do rei Vortimer e esposa de Ynyr Gwent, chefe do Monmouthshire Oriental. Além do fato de ela ter dado a seu marido quatro filhos, tudo o que se sabe dela com certeza é que acolheu Santo Tathan (Tathaeus), missionário irlandês no País de Gales.
     Diz a legenda que durante uma visita ao seu irmão, o rei Vortigern, ela foi forçada a fugir para uma colina próxima, enquanto Vortigern foi morto em um assalto à sua fortaleza.
     Ela é considerada a santa padroeira de Trwfynydd em Merionethshire, onde é celebrada no dia 9 de junho.
     Alguns estudiosos acreditam que Santa Madrun e Santa Materiana são a mesma pessoa. Madrun é uma grafia alternativa, ou corruptela, de Materiana, que por sua vez é corruptela de “Marcelliana”, nome usado nos tempos medievais. Outra grafia de seu nome por vezes utilizado é Mertheriana ou Merthiana, assemelhando-se a palavra galesa “merthyr”, que significa “mártir”.
     Santa Materiana, uma galesa emigrada para a Cornuália por volta do ano 450, com Brican e sua família, é patrona de duas igrejas na Cornuália e uma no País de Gales.
     O santo padroeiro da paróquia de Madrun na Cornuália, no entanto, não é a nossa Madrun, mas São Madron (Madernus).

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Beata Maria Teresa Chiramel Mankidiyan, Fundadora - 8 de junho

“Paradigma de paciência na tentação”
     Nasceu a 26 de abril de 1876 em Puthenchira, no Estado do Kerala (Índia). Como escreveu na sua autobiografia, redigida por obediência ao seu diretor espiritual, desde a mais tenra idade sentiu um intenso desejo de amar a Deus, que a levava a jejuar quatro vezes por semana e a recitar o Rosário várias vezes por dia. A sua mãe procurava dissuadi-la desses severos jejuns, mas ela persistiu neste gesto a fim de se assemelhar cada vez mais a Cristo sofredor, e chegou a consagrar a sua virgindade quando tinha apenas dez anos.
     Como consequência da morte da sua mãe, aos 12 anos interrompeu o estudo escolar, mas continuou muito interessada no discernimento da sua vocação. Queria uma vida escondida para se dedicar à oração, e em 1891 decidiu sair de casa para levar uma vida eremítica e de penitência, mas o seu projeto fracassou. Intensificou então a sua colaboração na paróquia, juntamente com três companheiras, dedicando-se aos pobres, doentes e órfãos. Rezava pelos pecadores fazendo contínuos jejuns pela conversão deles. Esse apostolado sofreu fortes críticas, inclusive nos ambientes eclesiásticos.
     Seus sacrifícios foram aumentados pelos ataques dos demônios que pretendiam apoderar-se de sua vontade por meio de inúmeras formas. Desejavam manchar sua pureza, induzi-la ao desespero, a renunciar à penitência, foi golpeada e ferida. Recebia a graça de suportar tantos tormentos com mansidão e humildade. Recebeu os estigmas da Paixão que zelosamente mantinha escondidos; suas levitações foram testemunhadas por muitas pessoas; em seus êxtases frequentes via a Sagrada Família e outros santos, como Santa Teresa de Jesus.
     Maria Teresa deu conta das torturas que padecia ao seu confessor, o Servo de Deus Pe. Vithayathil, cujos conselhos ela seguia. Este sacerdote, nascido em 1865 em Ernakulam, Kerala, havia recebido a ordenação sacerdotal em 1894 e após passar por várias paroquias da diocese de Trichur, se tornou seu diretor espiritual. Ele a acompanhou e orientou. Em uma de suas cartas Maria Teresa lhe disse: “Deus dará a vida eterna aos que convertem os pecadores e os levam ao caminho reto”.
     O Pe. Vithayathil informou ao Bispo sobre os fenômenos que ocorriam com a Beata, especialmente intensos entre 1902 e 1905, e que aumentaram em 1913. O Bispo, duvidando da autenticidade de tais fenômenos místicos, mandou-a submeter-se várias vezes a exorcismos.
     Em 1903 ela explicou ao Vigário Apostólico de Trichur o seu desejo de fundar uma casa de retiro e oração, mas foi-lhe sugerido entrar no convento das Clarissas Franciscanas. Depois, tendo sido enviada ao convento das Carmelitas de Ollur, também ali Maria Teresa percebeu que não era esta a sua vocação.
     Finalmente o Bispo compreendeu que Deus desejava uma nova Congregação religiosa ao serviço da família. No dia 14 de maio de 1914 foi erigida canonicamente a Congregação da Sagrada Família. O Padre Vithayathil foi cofundador deste novo Instituto.
     Durante e após os difíceis anos da primeira guerra mundial, com indômita energia e total confiança na Providência divina, ela deu vida a três novos conventos, duas escolas, uma casa de estudos e um orfanato.
     Após uma ferida se tornar gangrenosa, que não foi possível controlar devido sua diabete, Maria Teresa faleceu no dia 8 de junho de 1926, aos 50 anos de idade, em Kuzhikkattusseny. Sua obra se difundiu pelo mundo e em 2000 contava com 1592 Irmãs e 119 noviças.
     No dia 9 de abril de 2000 ela foi beatificada; é a segunda religiosa indiana elevada às honras dos altares após a Beata Afonsa da Imaculada Conceição.
     O Pe. Vithayathil faleceu em 8 de junho de 1964. Foi sepultado junto ao túmulo da Beata em Kerala.