segunda-feira, 29 de junho de 2015

Sts. Júnia e Andrônico de Roma, Esposos, discípulos de S. Paulo - 30 de junho

    
“Saudai a Andrônico e a Júnia, meus compatriotas e companheiros de prisão, os quais se assinalam entre os apóstolos, e que também estavam em Cristo antes de mim”. (Romanos 16:7).
 
     De acordo com este versículo, Andrônico era um compatriota de Paulo e um companheiro do apóstolo na prisão, além de particularmente bem conhecido entre os apóstolos e tinha se tornado um seguidor de Jesus antes da conversão de Paulo na estrada para Damasco.
     Andrônico e Júnia viviam em Roma no ano 58 d.C., quando o Apostolo Paulo os saudou calorosamente na Carta aos Romanos.
     Há um consenso de que Júnia era sua esposa, mas este nome também pode indicar um irmão ou irmã, pai ou filha, ou ainda nenhuma relação particular com Paulo, exceto o fato de serem compatriotas.
     Traduções do Novo Testamento variam sobre a forma como apresentam as palavras gregas para "assinalam" e "apóstolos". Uma teoria é que Andrônico e Júnia não seriam apóstolos, mas tinham grande reputação entre eles. Porém, a classicista Evelyn Stagg e o estudioso do Novo Testamento, Frank Stagg, escreveram que Paulo fez questão de citar explicitamente o quão bem conhecido é o casal para ele.
     Esta referência à terem sido companheiros de prisão e sobre o fato de terem se convertido antes dele demonstra que ele estava bem seguro ao afirmá-los entre os apóstolos como fez, com base no seu próprio envolvimento. Os Staggs terminam por concluir que tanto o contexto quanto o conteúdo do versículo devem ser lidos naturalmente como uma recomendação de Paulo sobre Andrônico e Júnia como excelentes cristãos e apóstolos, assim como Silas, Timóteo e outros que receberam o mesmo título durante o cristianismo primitivo.
     Segundo Hipólito de Roma, Andrômico teria sido um dos setenta discípulos enviados por Jesus, depois bispo na Panonia, enquanto o “Catalogus virorum apostolicorum” o menciona como bispo na Espanha.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Beata Maria Lhuillier, Virgem e mártir - 25 de junho

Martirológio Romano: Em Laval, França, Beata Maria Lhuillier, virgem e mártir, que, recebida na Congregação das Irmãs Hospitalárias da Misericórdia, durante a Revolução Francesa foi decapitada por manter-se fiel aos votos religiosos da Igreja (1794).
     Maria Lhuillier nasceu em Arquenay, França, em 18 de novembro de 1744. Cresceu analfabeta e logo ficou órfã. Depois de servir uma senhora do lugar, foi trabalhar no convento de São Juliano das Canonisas Regulares Hospitalárias da Misericórdia de Jesus. Foi enviada ao hospital de Château Gontier e em 1778, depois de muitos sofrimentos e humilhações, ela foi admitida na profissão religiosa deste Instituto como Irmã conversa, tomando o nome de Maria de Santa Mônica.
     Quando a Revolução Francesa eclodiu, em fevereiro de 1794, as religiosas foram obrigadas a abandonar o hospital e a refugiar-se em Laval, no ex-convento das Ursulinas.
     Acusada de distribuir parte da roupa limpa do hospital a pessoas necessitadas, Maria Lhuillier foi presa e conduzida diante de uma comissão. O juiz declarou que ignoraria aquela infração se a religiosa prestasse o juramento de "Liberdade e Igualdade", porém ela não quis fazê-lo. O juiz a ameaçou com a guilhotina, e a quantos seguissem seu exemplo, porém ela permaneceu corajosa e disse: "Tanto melhor para mim e para minhas Irmãs. Assim teremos a alegria de morrer por nossa fé, e mais rápido poderemos ver a Deus”. O juiz insinuou: "Veja que queremos salvar-te e te oferecemos o melhor". Ela porém respondeu: "Todos os meios que me ofereces são somente para enganar-me, mas graças a Deus, não o consegues. Eu não quero perder-me por toda a eternidade".
     Ao ouvir a sentença de morte, nossa beata se ajoelhou e exclamou: "Deus meu, quantas graças me fazeis contando-me no número de vossos mártires, embora eu seja uma grande pecadora".
     Depois, estando sozinha, cortou os cabelos, então um ajudante do verdugo a agarrou e com um golpe de sabre cortou suas roupas. A mártir empalideceu pelo ultraje e desmaiou. Quando se recompôs comentou: "A morte não me dá medo, porém podias poupar-me desta dor". Novamente foi convidada a prestar juramento, porém ela suspirou: "Ó Deus! Preferir uma vida passageira e caduca a uma vida gloriosa e imortal? Não, não, prefiro a morte".
     Antes de subir ao cadafalso exclamou: "Deus meu, eu devo morrer de uma morte assim doce, enquanto tu sofreste tanto por mim...". Morreu em Laval.
     Em 15 de junho de 1955 o Papa Pio XII beatificou 19 mártires franceses de Laval.
 

terça-feira, 23 de junho de 2015

Santa Agripina, virgem e mártir - 23 de junho

   

     Agripina, cujo nome é por certo de ilustre memória na antiga onomástica romana, é muito venerada pelos católicos na Sicília e, em menor grau, na Grécia.
     A tradição nos fala de uma mulher de nobre ascendência que havia consagrado sua virgindade a Cristo e vivia reclusa em sua casa, porém realizando obras de caridade com todos os que batiam à sua porta.
     Durante a perseguição de Valeriano (257-260), escandalizada com as matanças de cristãos, pediu uma audiência com o imperador e, por ser de ilustre família, foi recebida. Levada a presença de Valeriano recriminou-o duramente por sua conduta com a comunidade cristã e instou-o a se converter se não queria ir para o fogo eterno junto com seus deuses. Quando o césar a impeliu a sacrificar aos deuses, ela se negou corajosamente, o que o levou a mandar castigá-la. Agripina foi duramente açoitada e vários ossos se quebraram, em seguida a colocaram na prisão. Após varias sessões dessas, ela acabou morrendo na cela ou durante o tormento.
     Seu corpo foi recolhido por três jovens piedosas, Paula, Basa e Agatônice, e foi levado para a Basílica de São Paulo, onde foi enterrado. Posteriormente um monge trasladou suas relíquias para a Sicília, onde foram recebidas por São Gregório de Agrigento, que as trasladou para a cidade de Mineo.
     No tempo de Constantino, Severo, bispo de Catania, mandou erguer uma igreja em sua honra. No século XI suas relíquias foram desenterradas e levadas para Constantinopla para protegê-las da profanação da pirataria turca.
     Tudo isto é mencionado pela tradição. Mas não há dados sobre a Agripina histórica. Uma passio foi escrita no século VIII, posterior portanto à data de seu martírio.
     Alguns historiadores dizem que esta história é pouco verossímil, mas tem pontos de verdade: as boas relações entre os monges basilianos gregos da Sicília com os de Roma, São Gregório foi bispo de Agrigento, mas nos séculos VI-VIII e não no tempo de Constantino. E quanto ao bispo Severo, ele realmente foi bispo de Catania, mas também no século VII. Para explicar a popularidade da santa, o hagiógrafo Papebrochio determinou que a trasladação das relíquias seria mais tardia, mas não há provas disto.
     Para concluir, muito provavelmente Santa Agripina é uma santa histórica, cuja existência e martírio são reais, porém não se sabe com certeza como foi martirizada.
     Ela é padroeira da cidade de Mineo e dos emigrantes desta cidade no bairro de North’s End, em Boston (EUA), onde até hoje ela é comemorada.
     Santa Agripina é protetora dos leprosos e das vítimas de tortura por causa de seu martírio, e é invocada contra os maus espíritos e as tempestades.
     Sua iconografia consiste em uma pequena torre sobre um livro, uma cruz e a cabeça de Valeriano a seus pés.
Etimologia: Agripina forma feminina de Agripa, que significa "Senhor do campo"; outra versão seria "nascido de parto difícil".


sexta-feira, 19 de junho de 2015

Beatas Sancha, Teresa e Mafalda, de Portugal

    
     Não era só nos mosteiros e conventos que se refugiava e florescia a santidade da nossa Idade Média. Também, no palácio real, três filhas de D. Sancho I (1154-1211) surgiram como três plantas eleitas de Deus que, bem fidalgamente, souberam ataviar-se com a riqueza e beleza das virtudes cristãs, para ficarem de exemplo aos reis e aos povos. Nascidas e educadas na corte chegaram mesmo, duas delas, a contrair matrimônio, com algum príncipe. Mas ainda assim, tais voltas deu a fortuna que vieram todas três a renunciar depois ao mundo, seus cômodos e enredos, para se consagrarem à perfeição religiosa. Foram elas:
Beata Sancha (1180-1229)
     Nascida em Coimbra, foi educada, como suas irmãs, na piedade e austeridade dos bons tempos. Animada pelo mais alto espírito de fé e zelo do serviço de Deus, logo que assegurou a posse da vila de Alenquer, que seu pai lhe legara, o seu primeiro cuidado foi fundar nas proximidades, na serra de Montejunto, um convento de Dominicanos; e outro de Franciscanos, na mesma vila, tudo pela sua devoção e especial proteção que dispensava às ordens mendicantes.
     Com igual zelo e devoção edificou também a Igreja de Redondo. Para si levanta o convento de Celas, em Coimbra, onde toma o hábito de Cister, para levar, sob aquela regra, uma vida de oração e austeridade até à morte, a 13 de Março de 1229.
 
Beata Teresa (1177-1250)
     Casou com Afonso IX de Leão e teve três filhos (Sancha, Dulce e Fernando), mas o casamento foi considerado nulo por consanguinidade por Celestino III, (1181-1198). D. Afonso casa de novo com Berengária de Castela e tem cinco filhos, mas este casamento é considerado nulo pelo mesmo motivo que o anterior.
     D. Afonso acaba por declarar guerra ao Rei de Portugal sustentado em supostos direitos decorrentes do casamento desfeito e Da. Teresa regressa então a Portugal e recolhe-se no Mosteiro de Lorvão onde existia já um convento beneditino que, no ano de 1200, ela restaura e agregar a si outras companheiras e onde toma o hábito. Esta comunidade chegará a ter mais de trezentas freiras.
     À morte de D. Afonso, em 1230, abre-se a disputa entre os filhos dos seus dois casamentos, até porque D. Afonso havia deserdado o filho primogênito do segundo casamento e legado o Reino às duas filhas de Teresa.
     Da. Teresa intervém nesta disputa e permite que Fernando III de Castela assuma o trono de Leão. Esta não é, aliás, a única querela dinástica em que Teresa tem um papel relevante; vêm afligir-lhe ainda os últimos anos as contendas de seus sobrinhos, D. Sancho II e D. Afonso III. Foi a sua intervenção que pôs um fim nas contendas entre eles. Nada, porém, diminuiu, antes tornou mais meritória a sua piedade com Deus, e contínua caridade com os humildes e desprotegidos.
 
Beata Mafalda (1195-1256)
     Foi também casada neste caso com Henrique I de Castela. Na menoridade dele, cuja morte deixou livre Da. Mafalda, esta, preferindo também a tudo o recolhimento e vida do claustro, adaptou, para a ordem de Cister, o convento beneditino de Arouca, onde se consagrou ao serviço de Deus para todo o resto da sua vida.
     O culto de Deus e da virtude, e a contínua solicitude de bem-fazer são todo o seu empenho e serão o destino de todos os seus bens, cuja distribuição testamentária atinge os mosteiros de Arouca, Tuias, S. Tirso, Paço de Sousa, Vila Boa do Bispo e Alcobaça, mais as ordens do Templo, Hospital e Avis, Dominicanos do Porto e as Sés do Porto e Lamego.
     Com tantas obras de piedade e misericórdia, a sua memória, como a de suas santas irmãs, ficou abençoada pela devoção dos fiéis, com culto desde tempos imemoriais que veio a ser reconhecido por Pio VI (1775-1799) em março de 1792.
     Teresa e Sancha foram Beatificadas pelo Papa Clemente XI (1700-1721), a 13 de dezembro de 1705, pela Bula Sollicitudo Pastoralis Offici, celebrando-as a Igreja nos dias 17 de junho e 11 de abril, respectivamente.
     Mafalda foi Beatificada pelo Papa Pio VI em março de 1792 e a sua festa é no dia 2 de maio.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Santa Benilde de Córdoba, viúva e mártir - 15 de junho


Martirológio Romano: Em Córdoba, na Andaluzia, Espanha, Santa Benilde, mártir, morta em idade bem avançada durante a perseguição dos mouros.  
     Corria o ano de 853 quando se desencadeou uma perseguição dos mouros contra os cristãos. Há tempos os muçulmanos havia invadido a Espanha e de tempos em tempos faziam leis para combater o aumento do catolicismo no país.
     Santo Eulógio conta que no dia seguinte ao martírio dos Santos Anastásio, Feliz e Digna, Benilde se apresentou aos juízes.
     Apesar de sua idade avançada, a viúva Benilde encheu-se de coragem evangélica, ergueu sua voz contra a tirania. Compareceu diante do juiz muçulmano na mesquita de Córdoba e proclamou que preferia a fé à vida e ao silêncio cúmplice com aquela tirania. Seu gesto claro, generoso e valente lhe custou a vida. Foi decapitada e suas cinzas foram dispersas, como as daqueles três mártires citados. Entretanto, antes de lançar seus restos mortais no Guadalquivir, seu corpo sem cabeça fora empalado e exposto a toda a cidade.
     Como os mouros conheciam bem os costumes cristãos, depois das execuções queimavam os corpos dos mártires e suas cinzas eram lançadas no Rio Guadalquivir para evitar a criação de santuários nos túmulos dos mártires.
     Dizem os entendidos que desde então as águas do Guadalquivir baixam “contaminadas” pelo único barro que, em lugar de sujar, fecundam a Igreja andaluza.
     Introduzida no Martirológio Romano por Barônio, a festa de Benilde é celebrada no dia 15 de junho. Ela é considerada uma dos Mártires de Córdoba.

Remédio para a dureza moral contemporânea


     Mães em cujas entranhas decresce de intensidade o amor pelos filhos; maridos que atiram à desgraça um lar inteiro, com o único ato de satisfazer seus próprios instintos e paixões; filhos que, indiferentes à miséria ou ao abandono moral em que deixam seus pais, voltam todas as suas vistas para a fruição dos prazeres desta vida; profissionais que enriquecem às custas do próximo, mostram muitas vezes uma crueldade fria e calculada, que causa muito mais horror do que os extremos de furor a que a guerra pode arrastar os combatentes.
     Realmente, se bem que na guerra os atos de crueldade se possam mais facilmente aquilatar, os que os praticam têm, se não a desculpa, ao menos a atenuante de que são impelidos pela violência do combate. Mas aquilo que se trama e se realiza na tranquilidade da vida quotidiana não pode muitas vezes beneficiar-se de igual atenuante. E isto sobretudo quando não se trata de ações isoladas, mas de hábitos inveterados, que multiplicam indefinidamente as más ações.
     A guerra, tal qual ela é hoje feita, é um índice de crueldade, mas está longe de ser a única manifestação da dureza moral contemporânea.
     Quem diz crueldade diz egoísmo. O homem só prejudica seu próximo por egoísmo, por desejar beneficiar-se de vantagens a que não tem direito. Assim, pois, o último meio de extirpar a crueldade consiste em extirpar o egoísmo.
     Ora, a Teologia nos ensina que o homem só pode ser capaz de verdadeira e completa abnegação de si mesmo, quando seu amor ao próximo é baseado no amor de Deus. Fora de Deus, não há para os afetos humanos estabilidade nem plenitude. Ou o homem ama a Deus a ponto de se esquecer de si mesmo — e neste caso ele saberá realmente amar o próximo —, ou se ama a ponto de se esquecer de Deus, e, neste caso, o egoísmo tende a dominá-lo completamente.
     “Ad Jesum per Mariam”. Por Maria é que se vai a Jesus. Escrevendo na festa do Sagrado Coração Jesus, como não dizer uma palavra de comoção filial ante esse Coração Imaculado [de Maria] que, melhor do que qualquer outro, compreendeu e amou o Divino Redentor?
     Que Nossa Senhora nos obtenha algumas faíscas da imensa devoção que tinha ao Sagrado Coração de Jesus. Que Ela consiga atear em nós um pouco daquele incêndio de amor com que Ela ardeu tão intensamente, são nossos votos dentro desta oitava suave e confortadora.
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Excertos de artigo do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, publicado no “Legionário”, em 22 de junho de 1941.

sábado, 13 de junho de 2015

Festa do Imaculado Coração de Maria

    
 
     A devoção a Maria Santíssima surgiu com toda certeza nos primeiros séculos da Igreja, quando havia a celebração da Missa de Nossa Senhora nos sábados. O missal romano de São Pio V, de 1570, mostra a antiguidade desta prática que consiste em honrar especialmente a Santa Mãe de Deus nesse dia da semana, depois de ter consagrado a sexta-feira para comemorar a Paixão de Nosso Senhor e os sofrimentos de seu Sagrado Coração.
     Seguindo essa tradição, as confrarias que eram dedicadas à devoção do Rosário estabeleceram o costume de dedicar anualmente quinze sábados seguidos à Rainha do Santíssimo Rosário.
     Historicamente, a devoção a Maria Santíssima sob a forma do seu Coração Imaculado ocorreu pela primeira vez no século XIII com Santa Matilde, Santa Gertrudes, São Bernardino de Sena e outros. No século XVII, São Francisco de Sales foi um expoente desta devoção. Mas foi São João Eudes, o grande apóstolo do Imaculado Coração (1601-1680), que deu o impulso decisivo para a prática.
     No mesmo século, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus veio à tona através de Santa Margarida Maria Alacoque e de seu confessor, São Cláudio de La Colombière.
     A devoção ao Sagrado Coração se espalhou, assim também a devoção ao Imaculado Coração. Ambos, Santa Margarida Maria e São Cláudio, foram também profundamente dedicados ao Coração Imaculado de Maria.
     O Papa Pio VI encabeça a lista de vários papas que incrementaram a divulgação da devoção. Com o Papa São Pio X a devoção dos primeiros sábados do mês foi aprovada e encorajada pela sede da Igreja, em Roma. Em 10 de julho de 1905, ele indulgenciou pela primeira vez esta devoção. Em 1944 que o Papa Pio XII estendeu-a a toda a Igreja, fixando a celebração em 22 de agosto.
     Atualmente a festa do Coração Imaculado de Maria é celebrada no sábado seguinte à festa do Sagrado Coração de Jesus, que é móvel, sempre observada na sexta-feira, 19 dias após o Domingo de Pentecostes.
O coração físico, símbolo do coração espiritual
     Os Padres da Igreja consideram que quando do alto da Cruz, Nosso Senhor Jesus Cristo fez Nossa Senhora a mãe de São João, Ele também a nomeou mãe de todos os homens. Assim, o Coração de Maria é o símbolo físico de seu amor sem limites a Deus e ao gênero humano.
     Mas o coração físico de Nossa Senhora também é o símbolo de seu coração espiritual. Assim, no Imaculado Coração de Maria também honramos sua vida interior, suas virtudes, sua perfeita pureza, sua humildade sem limites, seu afeto e sua tristeza.
     Pungente na tradição católica é a representação do Coração de Maria transpassado por uma espada, símbolo de sua imensa tristeza ao testemunhar e ao aceitar a Paixão e Morte de seu Filho para a salvação de nossas almas.
Fátima e o Coração Imaculado de Maria. A devoção dos Cinco Primeiros Sábados.
     Na segunda aparição de Fátima, Nossa Senhora mostrou aos videntes, Lúcia, Francisco e Jacinta, seu coração cercado de espinhos. Mais tarde, em 10 de dezembro de 1925, em uma aparição privada para a Irmã Lúcia, Ela pediu a devoção reparadora dos Cinco Primeiros Sábados.
     A Mãe de Deus apareceu sobre uma nuvem luminosa tendo ao lado o Menino Jesus. O Menino, mostrando-lhe um coração cercado de espinhos que tinha na outra mão, disse-lhe: "Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe, que está coberto de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Lhe cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar".
     A Santíssima Virgem acrescentou: "Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar, e dize que todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e Me fizerem quinze minutos de companhia meditando nos quinze mistérios do Rosário com o fim de Me desagravar, Eu prometo assisti-los na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas".
     Esta devoção tem, assim, a finalidade de reparar o Coração Imaculado de Maria pelas ofensas dos homens. E deve ser praticada em cinco primeiros sábados consecutivos. Divide-se em vários itens, todos indispensáveis:
1 - confissão (*);
2 - comunhão;
3 - recitação do terço;
4 - e quinze minutos de companhia a Nossa Senhora meditando nos quinze mistérios do Rosário (**).
 
(*) Mais tarde, quando o Menino Jesus lhe aparece novamente para cobrar a divulgação dessa devoção, a Irmã Lúcia levantando a dificuldade que algumas pessoas teriam para confessar-se no sábado, pediu-Lhe que fosse válida a confissão de oito dias. O Infante Menino respondeu-lhe que poderia ser até de "muitos mais dias ainda, contanto que, quando Me receberem, estejam em graça e tenham a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria". Caso a pessoa se esquecesse, ao confessar-se, de formular essa intenção, disse Nosso Senhor que "podem formá-la na outra confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem de se confessar".
(**) Aqui intérpretes afirmam que trata-se de meditar sobre um dos quinze mistérios do Rosário, pois do contrário seria praticamente impossível meditar os quinze nos quinze minutos estabelecidos por Nossa Senhora.