domingo, 12 de julho de 2015

Beata Zélia Guérin, mãe de Santa Teresa do Menino Jesus - 12 de julho

    
 
     Isidoro Guérin, antigo soldado do império, e recruta  da polícia, que aos 39 anos decidiu casar-se com Louise-Jeanne Macè, dezesseis anos mais jovem que ele, era o pai de Azélie-Marie Guérin (chamada  apenas Zélia) que nasceu no dia 23 de dezembro de 1831 em Gandelain, departamento de Orne (Normandia), França.
     Ela foi batizada o dia seguinte ao seu nascimento na Igreja de St.Denis-sur-Sarthon. Uma irmã, Maria Luísa a precedia de dois anos; tornar-se-á religiosa da Visitação de Mans. Um irmão, Isidoro, virá dez anos mais tarde e será o filho mimado da família. 
     Para os pais de Zélia a vida havia sido dura, o que repercutia em sua maneira de ser: eram rudes, autoritários e exigentes, se bem que tivessem uma fé firme. Zélia, inteligente e comunicativa por natureza, define sua infância e sua juventude em uma carta ao seu irmão: “tristes como um sudário, porque se a minha mãe te mimava, comigo, tu sabes, ela era muito severa; no entanto tão boa não sabia como prender-me, assim eu sofri muito do coração”.
     Apesar disto, quando seu pai, viúvo e doente, manifestou o desejo de ir morar com ela, o acolheu e cuidou dele com devoção até seu falecimento em 1868. Felizmente encontrou em sua irmã Maria Luísa uma alma gêmea e uma segunda mãe.
     Após estudos nas "Irmãs da Adoração Perpétua" de Alençon, ela sentiu-se chamada à vida religiosa, mas diante da recusa da superiora das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, ela orientou-se para uma formação profissional, se inscreveu na "École dentellière", e iniciou com sucesso a fabricação do famoso Ponto de Alençon.
     No final de 1853 instalou-se como “fabricante de Ponto de Alençon” na Rua Saint Blaise, 36. A qualidade do seu trabalho fez a fama do seu atelier. Ela foi recompensada com uma medalha de prata por ocasião da Exposição de 1858 em Alençon. Nas relações que mantém com as suas operárias, ela diz que é necessário amá-las como os membros da sua própria família.
     No mês de abril de 1858, ao cruzar com um jovem de nobre fisionomia, semblante reservado e modos dignos, se sentiu fortemente impressionada e ouviu interiormente que esse era o homem eleito para ela. Era Luís Martin, relojoeiro.  Em pouco tempo os dois jovens chegaram a um entendimento. Três meses mais tarde, no dia 13 de julho, eles se casaram na Igreja de Nossa Senhora. Eles foram  abençoados pelo Padre Hurel, Pró-Reitor da Igreja de São Leonardo.  
     O  amor que ela tem por  seu marido é expresso em suas cartas: "Tua mulher que te ama mais do que a vida", "Eu te abraço como eu te amo"... Estas não são apenas palavras: sua alegria é de estarem juntos e compartilharem tudo o que fazem na vida diária sob o olhar de Deus.
     De 1860 a 1873, nove crianças nasceram no lar Martin das quais 4 morreram pequenas. Zélia experimentava alegrias e sofrimentos no ritmo destes nascimentos e destas mortes. Assim, podemos ler na sua correspondência: "Eu gosto das crianças à loucura, eu nasci para tê-los...".
     Depois do nascimento de Teresa, em 1873, ela escrevia: "Eu já sofri muito na minha vida”. A educação de suas filhas consumia toda energia de seu coração. A confiança foi a alma dessa educação. Para suas filhas ela deseja o melhor, se tornarem santas! Isso não a impede de organizar festas, jogos... E como se diverte nesta família! Eram divertimentos castos que davam a verdadeira felicidade.
     Desde 1865 uma glândula no seio direito, que degenerara em câncer, fazia Zélia sofrer muito. "Se o Bom Deus quer curar-me, eu ficarei muito contente, porque no fundo eu desejo viver, custa-me deixar meu marido e minhas filhas. Mas, por outro lado, digo a mim mesma: se eu não for curada, pode ser que seja mais útil que eu parta”.
     No dia 28 de agosto de 1877, à meia-noite e meia, Zélia morreu na presença de seu marido e de seu irmão. 
     Deixemos as últimas palavras à Teresinha:  "De mamãe, eu amava o sorriso, seu olhar profundo parecia dizer: ‘a eternidade me encanta e me atrai, eu quero ir para o céu azul ver Deus!’”. 

* * *

     Seu esposo passa então a ocupar-se sozinho da família. Teresa tinha nesta época pouco mais de quatro anos, a filha mais velha tinha 17 anos. Ele se transfere para Lisieux, onde morava o cunhado, deste modo a Tia Celina poderia cuidar das filhas. Lá ele vê três de suas filhas entrarem para o Carmelo. Teresa também ingressa ali aos 15 anos. Luís faleceu após perder as faculdades mentais e esteve internado no sanatório de Caen.
     O casal foi beatificado pela Igreja Católica em 19 de outubro de 2008, em cerimônia realizada na basílica de Lisieux dedicada à sua filha Teresa e presidida pelo cardeal José Saraiva Martins.
     Zélia é celebrada pelo Carmelo e pela Diocese de Bayeux no dia 12 de julho.
 
 
 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Santa Amalberga de Maubeuge, Viúva e monja - 10 de julho

Esposa, mãe, viúva e religiosa: Uma santa lendária que viveu no século VII.
 
     Hoje a Igreja celebra Santa Amalberga de Maubeuge, também conhecida pelo nome de Madelberga, Amalburga, Amélia e Amália. Ela não deve ser confundida com Santa Amélia, mártir de Tavio que viveu no século III, mas, acima de tudo, com sua homônima e contemporânea, Santa Amalberga de Temse, ela também comemorada em 10 de julho.
     Santa Amalberga de Maubeuge nasceu em Saintes, na Valônia, Brabante, atualmente Bélgica, de uma família de ascendência nobre e cresceu na riqueza que convém a sua classe social.
     Desposou Witger [2], Duque de Lotaríngia e Conde de Brabante, de cuja união nasceram três filhos: Santo Emeberto [3], que foi bispo de Cambrai, Santa Reinalda [4]  mártir, que morreu decapitada em mãos dos hunos, e Santa Gúdula [5], abadessa proclamada Padroeira da Bélgica e Bruxelas. Alguns falam de quatro filhos, porque a Vita Gudilae, escrita por um monge beneditino entre 1048 e 1051, conta a história de uma certa Santa Farailde, irmã de Gúdula, que como ela fora educada no mosteiro de Nivelles, da prima Santa Gertrudes, embora na Vita Pharaildis não se faça menção deste parentesco.
     Esta santa mulher que viveu no século VII, original da Lotaríngia [1] e pertencente a uma família que conta com nada menos do que santas como Begga e Gertrudes de Nivelles, filhas dos santos Pepino de Landen e Ida de Nivelles, nos dias atuais passa quase despercebida, mas permanece até hoje um dos maiores exemplos de esposa, mãe, viúva e monja.
     Dela é dito ter sido uma mulher de rara beleza, graciosa e de modos refinados e, ao mesmo tempo simples, humilde, dedicada e zelosa com os necessitados. Seu estilo de vida sóbrio e sua caridade foi certamente um exemplo para os filhos, mas também para o seu marido que em algum momento da vida decidiu tornar-se monge.
     Foi depois do nascimento de sua última filha, Gúdula, e da morte de seu marido, Santo Witger, que se tornara monge beneditino, que ela decidiu consagrar sua vida inteiramente a Deus, recebendo o véu monástico das mãos de Santo Oberto. Entrou no Mosteiro de Maubeuge, do qual se tornou abadessa, permanecendo lá até o fim de seus dias.
     Ela morreu em 690, e pouco tempo depois seus restos mortais foram transferidos para Binche, na Abadia de Lobbes, (Hainaut) hoje Bélgica, onde ainda são mantidos.
     Um monge da Abadia Beneditina de Lobbes elaborou sua história entre 1033 e 1048; a ele devemos o que se sabe sobre ela e sua vida. Embora este escrito não seja considerado fiável ​​e sua vida parece pouco mais do que uma legenda, deve-se ressaltar que como nos mitos, ou nos contos de fadas narrados às crianças, juntamente com aqueles elementos da história que nós definimos como fantásticos estão presentes verdades.
     Em particular, na vida desta santa emerge uma verdade acima de todas: a verdade que está em Cristo, Aquele que na cruz subverteu toda a lógica e o pensamento humano, "Aquele que morrendo destruiu a morte" e redimiu o mundo. É por isso que a história, ou se quisermos, a legenda de Santa Amalberga de Maubeuge, como a de muitos outros santos e beatos antes e depois dela, é "algo que tem de ser lido”.
     Ela é lembrada por proteger as pessoas contra a dor no braço, contusões e febre. É representada segurando uma palma e um livro aberto com uma coroa a seus pés, de pé sobre um grande esturjão. 
 
Notas:
[1] A Lotaríngia foi um reino da Europa ocidental resultante da divisão do Império Carolíngio no Tratado de Verdun, e que consistia numa estreita faixa de terra ao longo dos rios Reno e Ródano. Este reino compreendia as regiões que hoje são a Holanda, a Bélgica, o Luxemburgo, a Renânia do Norte-Vestefália, a Renânia-Palatinado e o Sarre (estados da Alemanha), e ainda a Alsácia e a Lorena – que herdou o nome do antigo reino (em alemão, o nome desta região de França atualmente é Lothringen). 
[2] Quase nada se sabe de Santo Witger de Hammes, a não ser que foi esposo de Santa Amalberga e pai dos três filhos também santos, e que se tornou monge em Hainaut.
[3] Santo Emeberto, ou Ableberto foi Bispo de Cambrai, em Flandres, na Bélgica e teria morrido em 710. De acordo com o Gesta Episcoporum Cameracensis (Atos dos Bispos de Cambrai), ele foi enterrado em um lugar chamado Hammes, localizado nas imediações de Cambrai. Seu corpo foi depois levado para a Abadia de Maubeuge, onde sua mãe havia se tornado abadessa. Memória litúrgica: 15 de janeiro.
[4] Reinalda ou Reinilde de Saintes (630 - 700), duquesa lotaríngia que dedicou sua vida inteiramente aos pobres e sofreu o martírio nas mãos dos Hunos, sendo decapitada junto com o diácono Grimoaldo e o seu servo Gondolfo. É padroeira de Saintes, onde é particularmente venerada. Lá há uma fonte chamada "poço de Santa Reinalda", que registra inúmeras curas de doenças da visão, tendo surgido um Patronato de Santa Reinalda por causa disso. Na iconografia é representada como princesa, ou por vezes como peregrina com o cajado, ou como mártir com a espada. Memória litúrgica: dia 16 de julho.
[5] Gódula ou Gúdula (646 - 680/714), é padroeira da Bélgica e da cidade de Bruxelas. Vide sua vida no dia 8 de janeiro de 2012 neste site.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Beata Maria Rosa (Suzanne Agathe Deloye), mártir - 6 de julho

Capela dos mártires, Catedral de Orange
Religiosa beneditina do convento de Caderousse
     Suzana Ágata Deloye nasceu em Sérignan, cidade limítrofe com Orange, no dia 4 de fevereiro de 1741, filha de José Alexis Deloye e Suzana Jean-Clerc. Depois de uma infância inteira passada nas práticas mais fervorosas de piedade, tendo um pouco mais de vinte anos de idade, ela pediu e obteve o seu ingresso no mosteiro beneditino de Caderousse, sob a invocação da Assunção de Nossa Senhora.
     Ali viveu Irmã Maria Rosa, ali ela fez sua profissão, ali, por fim, por mais de trinta anos, ela se preparou, por sua fidelidade aos deveres diários de sua vocação, para a glória do martírio.
     Ela deveria abrir caminho para suas companheiras de prisão, e de ser a primeira a se apresentar para as bodas do Cordeiro.
     A supressão das Ordens religiosas a fez voltar para sua família por algum tempo. Retirada em Sérignan, ela permaneceu ali até 10 de maio de 1794, edificando os seus familiares por sua piedade, e levando no mundo uma vida de santa monja. Porque as religiosas que pela malícia dos acontecimentos retornavam para a vida secular, não se acreditavam livres de suas obrigações monásticas. Um pequeno livro de poucas páginas que se fazia circular entre elas, lembrava os votos que as ligavam e as características da vida monástica que tinham de manter no século.
     Sob o título de As regras para a conduta das religiosas dispersas pela Revolução, elas aí encontravam as instruções mais sábias. Maria Rosa deve ter lido o livro. A casa onde ela encontrou refúgio era de seu próprio irmão, Pedro Alexis. Bom cristão, ele educou seus filhos na piedade e estrita observância das leis da Igreja. Duas de suas filhas deixaram a casa paterna para se consagrar a Deus a serviço dos pobres no Hospital Santa Marta de Avignon; uma terceira, Teresa Rosália Deloye, tendo entrado no Santíssimo Sacramento de Bollène, seria a última a vestir o hábito em 23 de novembro de 1790.
     Além disso, embora sabendo que estava pondo sua cabeça em risco, ele escondeu no sótão, nos piores dias do Terror, um padre não juramentado de Saint-Paul-Trois-Châteaux. Por sua audácia e sangue frio ele se impôs aos revolucionários, foi capaz de evitar suas perseguições e graças a ele os fiéis da região puderam às vezes assistir a missa e receber os sacramentos.
     Em 2 de março de 1794, a bem-aventurada beneditina foi convocada pela municipalidade de Sérignan, em companhia de Henriete Faurie e Andreia Minutte, para prestar juramento de acordo com a lei. "Todas se recusaram a fazer o juramento, apesar de tudo o que foi feito pelo prefeito para fazê-las aceitar".
     O fracasso desta primeira tentativa não desanimou os municipais. Um período de dez dias "para que elas refletissem sobre uma recusa que não devia existir” foi dado às três religiosas, mas no sétimo dia foram convocadas novamente, e Irmã Maria Rosa persistiu na recusa, bem como suas duas companheiras.
     O Comitê de Supervisão de sua região a colocou na prisão, e a conduziu a Orange, com as duas religiosas do Santíssimo Sacramento de Bollène, Henriete Faurie e Andreia Minutte, e um padre, o Cônego Lusignan. A partir desse momento a causa de sua prisão pareceu óbvia. "Enviamos”, escreve o Comité de Sérignan ao de Orange, “as três religiosas não juramentadas que temos aqui". Nenhum outro delito era imputado a Irmã Maria Rosa, a não ser sua recusa em prestar um juramento que sua consciência rejeitava. E que culpa seriam capazes de descobrir na vida desta beneditina cujas ações e palavras eram edificantes e puras?
     Deus quis que a partir daquele momento a Irmã Maria Rosa conhecesse a amargura específica a determinados mártires. A municipalidade de Sérignan a conduziu a Orange na carroça de seu irmão Alexis, dirigida por seu empregado acompanhado de dois Guardas Nacionais.
     Na prisão da Cure, onde a Irmã Maria Rosa ficou presa desde o dia de sua chegada, 10 de maio, estavam presas há oito dias as religiosas aprisionadas no final de março.
     A presença e o fervor destas santas mulheres já tinham dado à escura prisão a aparência de um convento. Lá elas seguiam uma regra e praticavam seus exercícios regulares, e até mesmo se engajavam em algumas austeridades compatíveis com a sua situação. Irmã Maria Rosa encontrou ali, sob uma forma ligeiramente diferente, mas no seu essencial, suas práticas beneditinas. E alegremente tomou seu lugar entre as prisioneiras e participou das suas orações e penitências.
     Quase dois meses se passaram assim. Em 5 de julho, ela foi chamada ao tribunal da Comissão do Povo. Os juízes esperavam que tendo sido chamada a primeira e única de suas companheiras, ela enfraqueceria e reconsiderando sua intransigência prestaria enfim o juramento prescrito. Além disso, o presidente Fauvéty imediatamente trouxe o interrogatório em seu verdadeiro ponto, e lhe propôs jurar imediatamente, como diziam então, e obedecer à lei. Irmã Maria Rosa recusou com firmeza, declarando que ela sobretudo via o juramento como uma verdadeira apostasia.
     O acusador público Viot tinha uma tarefa fácil. Sobre a cabeça desta primeira vítima, condenada já por sua confissão corajosa a uma morte próxima, ele acumulou palavras retumbantes, mas assassinas, com que ele condenaria todas as suas companheiras. "Muito inimiga da liberdade, esta jovem tem tentado de tudo para destruir a república pelo fanatismo e pela superstição. Ela recusou o juramento que foi exigido dela, ela queria acender a guerra civil... etc.".
     “O fanatismo, a superstição”, aquilo significava na linguagem revolucionária a fidelidade à Igreja, seus sacramentos, seu culto, seus sacerdotes. Ninguém naquela época se enganava com isso e teria sido difícil manter a este respeito as menores ilusões. Fouquier-Tinville ele próprio tinha precisado o significado destas palavras encontradas em todos os indiciamentos de nossos veneráveis. Em 17 de julho 1794, uma carmelita de Compiègne acusada de fanatismo perguntou o que significava. O procurador-geral respondeu entre as mais horríveis blasfêmias: "Por fanatismo, eu entendo o seu apego às práticas pueris e às suas crenças tolas".
     Condenada à morte em 6 de julho, a Irmã Maria Rosa foi executada no mesmo dia às 18:00. Com ela morreu pela mesma causa um sacerdote santo, o Cônego Antoine Lusignan. Sua emulação para morrer como dignos mártires, diz um de seus historiadores, foi tal que não podemos dizer se foi a religiosa que sustentou a coragem do sacerdote, ou o padre que apoiou a da religiosa. O que é certo é que eles foram para a morte com uma santa alegria. Irmã Maria Rosa mostrou às suas companheiras o caminho da verdadeira vida. Elas não tardariam a palmilhá-lo.
     Foi beatificada pelo Papa Pio XI em 10 de maio de 1925.
 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Santa Berta de Blangy, Abadessa - 4 de julho


Martirológio Romano: Em Blangy, no território de Arras, na França, Santa Berta, abadessa, que tendo entrado com suas filhas Gertrudes e Deotila no mosteiro por ela fundado, depois de alguns anos se retirou como reclusa em uma cela. 
 
     Santa Berta nasceu na França por volta do ano 640, filha de Rigoberto, conde palatino sob o reino carolíngio de Clodovil II (636-656), e de Ursona, filha do rei de Kent, Inglaterra.
     Com vinte anos, por motivos de Estado, desposou Sigfrido, um parente do rei; do matrimônio nasceram cinco filhas. Quando seu marido morreu, em 672, depois de vinte anos de matrimônio, ela pode por fim abraçar sua vocação monástica, para o que construiu duas casas de oração. Conta sua legenda que as construções ruíam e que então um anjo lhe apareceu para indicar o lugar em que devia fundar o mosteiro. Assim, em 682 ou 685, Berta fundou um convento em Blangy, Artois (atualmente Blangy-sur-Ternoise).
     Nesse mosteiro se retirou com suas duas filhas mais velhas, Gertrudes e Deotila. Durante alguns anos exerceu a função de abadessa. Uma vez organizada a comunidade, deixou a direção do mosteiro nas mãos de suas filhas e se retirou numa cela pequena junto à igreja do mosteiro, onde se dedicou à penitência e à oração.
     Após muitos vividos praticamente como sepultada viva, morreu de causas naturais em 4 de julho de 725, com uns 85 anos. Suas relíquias foram transladadas em 825 de Erstein para Estrasburgo para salvá-las das invasões dos normandos, mas em 1032 retornaram ao mosteiro de Blangy, que entrementes havia sido incorporado à Ordem Beneditina.
     Na diocese de Arras a festa de Santa Berta é celebrada no dia 4 de julho, dia também indicado no Martirológio Romano. 

Fontes: www.santiebeati/it e Ref. "Ste. Berthe et son Abbaye de Blangy", Lille, 1892.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Beata Assunta Marchetti, Co-fundadora - 1 de julho




Este blog anunciou a beatificação de Madre Assunta em outubro de 1914. Hoje a recordamos novamente, pois ela merece todo respeito e veneração pelo trabalho que realizou no Brasil.

 
     Maria Assunta Catarina Marchetti nasceu em Lombrici di Camaiore, província de Lucca, na região da Toscana, Itália, no dia 15 de agosto de 1871, dia da Assunção de Nossa Senhora ao céu, e foi batizada no dia seguinte na paróquia Santa Maria Assunta, que ficava ao lado da casa da família. Seus pais eram Ângelo Marchetti e Carolina Ghilarducci, moleiros. Toda a família se dedicava ao trabalho da moagem de cereais e, como meeiros dos proprietários, dependiam do moinho não só para o sustento como para a moradia da família.
     Os pais sempre contaram com a ajuda de Assunta para cuidar dos outros 10 irmãos, pois era a terceira filha e sua mãe tinha saúde frágil. Desde jovem Maria Assunta anelava por uma vida de total dedicação e doação a Deus na vida religiosa contemplativa. Mas as tarefas domésticas, a doença da mãe e a morte prematura do pai impediram-na de realizar imediatamente suas aspirações.
     Seu anseio foi adiado ainda mais, pois seu irmão mais velho, José Marchetti, ingressou no seminário de Lucca, e ordenou-se padre em 1892. Isso aumentou os seus trabalhos.
     No final do século XIX os italianos deixavam a Itália e rumavam para as Américas, especialmente para o Brasil. Seu irmão, o Pe. José, tornou-se pároco em Compignano, diocese de Lucca, e via a maioria dos paroquianos deixarem a Itália em busca de sobrevivência. Então, de sacerdote diocesano passou a ser missionário de São Carlos Borromeo, Congregação fundada em 1887 pelo Bispo de Piacenza, o Beato João Batista Scalabrini, apóstolo dos migrantes, que compadecido dos imigrantes italianos, organizou um grupo de missionários para acompanha-los nas suas viagens nada fáceis.
     O Pe. José embarcou para o Brasil em outubro de 1894 e passou a ser missionário de bordo; durante as viagens da Itália para o Brasil atendia os imigrantes ministrando os Sacramentos necessários, inclusive as exéquias para os que morriam e eram lançados ao mar.
     Em uma dessas viagens uma jovem mãe morreu a bordo do navio deixando órfã uma filha pequena e o marido desesperado. O pai deixou aos seus cuidados o bebê que ele assumiu a responsabilidade de cuidar. Ao desembarcar no Brasil, o padre imediatamente providenciou um orfanato onde colocou a criança. A partir deste fato, ele entendeu que sua missão não era a de ser missionário de bordo, mas de cuidar dos órfãos filhos de imigrantes italianos e africanos que viviam na cidade de São Paulo.
     Em fevereiro de 1895 o Pe. José iniciou a construção do Orfanato Cristóvão Colombo, em São Paulo, e retornando à Itália convidou Assunta a abraçar a causa dos migrantes. Não foi fácil convencê-la, pois ela queria ser religiosa de clausura, e dedicar-se à vida de oração pela Igreja. Seu irmão lhe disse: “... lá estou sozinho com 200 órfãos...”, e indicando um quadro acrescentou: “... olhe para o Coração de Jesus, escute seus apelos e depois me responda se vem ou não comigo para o Brasil”. Junto com a mãe e duas jovens, Maria Assunta foi apresentada a D. Scalabrini.
     Em 25 de outubro de 1895, Maria Assunta, seu irmão e suas duas amigas emitiram os primeiros votos religiosos nas mãos do Beato João Batista Scalabrini, fundador da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo - Scalabrinianas, constituindo as "Servas dos Órfãos e Abandonados".
     Em 27 de outubro, partiram para o Brasil como missionários para os imigrantes e nunca mais retornaram à Itália, fazendo de sua pátria o Brasil.
     Madre Assunta se colocou à frente do grupo inicial de quatro Irmãs, ocupando tanto o posto de superiora como o de cozinheira. Foi a coluna que sustentou a Congregação, sobretudo diante da morte prematura do irmão e fundador, o Pe. José Marchetti, aos 27 anos, em dezembro do ano seguinte, 1896, vítima da febre tifoide, muito comum entre os imigrantes naquele período.
O trabalho missionário em São Paulo
      Madre Assunta não só iria enfrentar o mundo, como também deveria socorrer as pessoas em um ambiente hostil, pois na época São Paulo era marcada por outras religiões como a maçonaria, por exemplo.
      Ao chegarem a São Paulo dedicaram-se ao cuidado dos órfãos e dos imigrantes italianos afetados pela cólera tifoide e pela difteria. O orfanato tinha como objetivo ser um ambiente familiar para os pequenos que haviam perdido os pais nos trajetos da imigração e no trabalho nas fazendas de café. Eram órfãos italianos, africanos, todos eram bem acolhidos. Assunta se dedicou ao próximo com heroísmo e não media esforços quando se tratava de atender ao mais necessitado.
     O primeiro doente da Santa Casa de Monte Alto - SP foi um homem negro, mendigo. Madre Assunta se compadeceu dele porque estava sozinho na enfermaria, enquanto não havia ainda enfermeiros. Colocou uma cama no fundo do corredor, do lado oposto do doente e dormiu ali algumas noites para poder atendê-lo logo que chamasse. Via Cristo no irmão pobre, sofrido ou doente”, contou Irmã Afonsina Salvador que conviveu com Madre Assunta. “Tudo o que acontece é bom, porque vem de Deus”, sempre dizia Assunta, como que fazendo ecoar o mesmo pensamento de seu irmão, o Pe. José, que em todos os acontecimentos dizia: Deo gratias!
     Por sugestão de D. Alvarenga, então bispo de São Paulo, a Congregação mudou o nome para o de Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo, as Scalabrinianas ou Irmãs Carlistas.
     Em 1900, Madre Assunta foi forte e decidida quando teve que defender sua Congregação contra a decisão de incorporá-la à Congregação das Irmãs Apóstolas, como era intenção de D. Scalabrini.  Ela soube enfrentar autoridades com energia e respeito, decidida a continuar observando as constituições escritas por Pe. Marchetti. D. Scalabrini esteve quatro semanas em São Paulo, em 1904, junto às Irmãs. Encorajou-as e ao retornar à Itália decidiu pedir à Santa Sé a separação das duas Congregações, pois tinham vocações diferentes.
     Por sugestão de D. Alvarenga, então bispo de São Paulo, a Congregação mudou o nome para o de Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo, as Scalabrinianas ou Irmãs Carlistas.
     A solução definitiva veio a partir de 1907, quando as Missionárias de São Carlos, por ser ainda de direito diocesano, passaram a depender do bispo de São Paulo, então D. Duarte Leopoldo e Silva. A Congregação tomou seu rumo definitivo. D. Duarte contribuiu para que essa solução fosse tomada, mas em 1910 determinou que Madre Assunta e suas companheiras, após 15 anos de vida religiosa, fizessem novamente o noviciado canônico. Assim, em 1912 elas puderam fazer seus votos perpétuos e Madre Assunta foi nomeada superiora geral por seis anos.
     Madre Assunta suportou com heroísmo as duras provas do dia-a-dia. À noite atendia quantos batiam à sua porta no pequeno ambulatório instalado no orfanato feminino de Vila Prudente. Quando trabalhava nos hospitais, não tinha um instante de descanso, pois os doentes sempre a queriam por perto, seja para dizer-lhes uma boa palavra, seja para curar suas feridas. Possuía um caráter forte, mas sabia controlar-se. Moderada no comer e no beber, não escolhia alimentos, procurando sempre os que ela menos apreciava. Amava a simplicidade e recusava a comodidade.
     Quando superiora da sua Congregação aliava a oração e a Adoração Eucarística aos mais pesados serviços junto às Irmãs, mostrando real interesse pelo que faziam, levantando-lhes o ânimo. Antes de resolver qualquer problema, costumava passar horas junto ao Sacrário, ponderando os prós e contras, até decidir-se pelo melhor.
     Uma ferida grave na perna, provocada durante a visita a um doente, causou-lhe longos anos de sofrimento. Nos últimos meses viveu em uma cadeira de rodas. Mesmo imobilizada em uma cama, interessava-se por tudo o que se passava na casa, preocupando-se com todos. sempre atenta em servir o próximo.
     Após 53 anos de vida missionária, Madre Assunta morreu como viveu: tranquila, calma, serena, carinhosa, no meio dos seus orfãozinhos, no dia 1º de julho de 1948, no orfanato da Vila Prudente - SP, hoje “Casa Madre Assunta Marchetti”, onde se encontram seus restos mortais.
     Hoje as Irmãs Carlistas são mais de 800, presentes em 20 nações de 4 continentes.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Sts. Júnia e Andrônico de Roma, Esposos, discípulos de S. Paulo - 30 de junho

    
“Saudai a Andrônico e a Júnia, meus compatriotas e companheiros de prisão, os quais se assinalam entre os apóstolos, e que também estavam em Cristo antes de mim”. (Romanos 16:7).
 
     De acordo com este versículo, Andrônico era um compatriota de Paulo e um companheiro do apóstolo na prisão, além de particularmente bem conhecido entre os apóstolos e tinha se tornado um seguidor de Jesus antes da conversão de Paulo na estrada para Damasco.
     Andrônico e Júnia viviam em Roma no ano 58 d.C., quando o Apostolo Paulo os saudou calorosamente na Carta aos Romanos.
     Há um consenso de que Júnia era sua esposa, mas este nome também pode indicar um irmão ou irmã, pai ou filha, ou ainda nenhuma relação particular com Paulo, exceto o fato de serem compatriotas.
     Traduções do Novo Testamento variam sobre a forma como apresentam as palavras gregas para "assinalam" e "apóstolos". Uma teoria é que Andrônico e Júnia não seriam apóstolos, mas tinham grande reputação entre eles. Porém, a classicista Evelyn Stagg e o estudioso do Novo Testamento, Frank Stagg, escreveram que Paulo fez questão de citar explicitamente o quão bem conhecido é o casal para ele.
     Esta referência à terem sido companheiros de prisão e sobre o fato de terem se convertido antes dele demonstra que ele estava bem seguro ao afirmá-los entre os apóstolos como fez, com base no seu próprio envolvimento. Os Staggs terminam por concluir que tanto o contexto quanto o conteúdo do versículo devem ser lidos naturalmente como uma recomendação de Paulo sobre Andrônico e Júnia como excelentes cristãos e apóstolos, assim como Silas, Timóteo e outros que receberam o mesmo título durante o cristianismo primitivo.
     Segundo Hipólito de Roma, Andrômico teria sido um dos setenta discípulos enviados por Jesus, depois bispo na Panonia, enquanto o “Catalogus virorum apostolicorum” o menciona como bispo na Espanha.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Beata Maria Lhuillier, Virgem e mártir - 25 de junho

Martirológio Romano: Em Laval, França, Beata Maria Lhuillier, virgem e mártir, que, recebida na Congregação das Irmãs Hospitalárias da Misericórdia, durante a Revolução Francesa foi decapitada por manter-se fiel aos votos religiosos da Igreja (1794).
     Maria Lhuillier nasceu em Arquenay, França, em 18 de novembro de 1744. Cresceu analfabeta e logo ficou órfã. Depois de servir uma senhora do lugar, foi trabalhar no convento de São Juliano das Canonisas Regulares Hospitalárias da Misericórdia de Jesus. Foi enviada ao hospital de Château Gontier e em 1778, depois de muitos sofrimentos e humilhações, ela foi admitida na profissão religiosa deste Instituto como Irmã conversa, tomando o nome de Maria de Santa Mônica.
     Quando a Revolução Francesa eclodiu, em fevereiro de 1794, as religiosas foram obrigadas a abandonar o hospital e a refugiar-se em Laval, no ex-convento das Ursulinas.
     Acusada de distribuir parte da roupa limpa do hospital a pessoas necessitadas, Maria Lhuillier foi presa e conduzida diante de uma comissão. O juiz declarou que ignoraria aquela infração se a religiosa prestasse o juramento de "Liberdade e Igualdade", porém ela não quis fazê-lo. O juiz a ameaçou com a guilhotina, e a quantos seguissem seu exemplo, porém ela permaneceu corajosa e disse: "Tanto melhor para mim e para minhas Irmãs. Assim teremos a alegria de morrer por nossa fé, e mais rápido poderemos ver a Deus”. O juiz insinuou: "Veja que queremos salvar-te e te oferecemos o melhor". Ela porém respondeu: "Todos os meios que me ofereces são somente para enganar-me, mas graças a Deus, não o consegues. Eu não quero perder-me por toda a eternidade".
     Ao ouvir a sentença de morte, nossa beata se ajoelhou e exclamou: "Deus meu, quantas graças me fazeis contando-me no número de vossos mártires, embora eu seja uma grande pecadora".
     Depois, estando sozinha, cortou os cabelos, então um ajudante do verdugo a agarrou e com um golpe de sabre cortou suas roupas. A mártir empalideceu pelo ultraje e desmaiou. Quando se recompôs comentou: "A morte não me dá medo, porém podias poupar-me desta dor". Novamente foi convidada a prestar juramento, porém ela suspirou: "Ó Deus! Preferir uma vida passageira e caduca a uma vida gloriosa e imortal? Não, não, prefiro a morte".
     Antes de subir ao cadafalso exclamou: "Deus meu, eu devo morrer de uma morte assim doce, enquanto tu sofreste tanto por mim...". Morreu em Laval.
     Em 15 de junho de 1955 o Papa Pio XII beatificou 19 mártires franceses de Laval.