terça-feira, 4 de agosto de 2015

Santa Nonna, Esposa e mãe - 5 de agosto

Martirológio Romano: Em Nazianzo, na Capadócia, na moderna Turquia, Santa Nonna, que foi esposa do santo bispo Gregório o Velho e mãe dos santos: Gregório o Teólogo, Cesário e Gorgônia. 
 
     Santa Nonna nasceu por volta do século III e recebeu uma educação cristã ministrada por seus pais. Tendo se casado com um membro da seita judeu-pagã dos ipsistari, isto é, adoradores do Altíssimo, não tardou a convertê-lo ao Cristianismo. Este se tornou mais tarde sacerdote e bispo, pois no Oriente estava em uso o costume de homens casados se tornarem sacerdotes, e é conhecido e venerado como São Gregório o Velho.
     A santidade deste casal é medida pelo resultado obtido junto à sua prole: três de seus filhos mereceram receber oficialmente a honra dos altares. O filho mais velho, São Gregório Nazianzeno (festejado a 2 de janeiro), doutor da Igreja, que nos seus escritos recordou muitas vezes a vida virtuosa de sua mãe; Santa Gorgônia (festejada a 9 de dezembro, vide neste site um pequeno resumo de sua vida), casada e mãe de três filhos; e São Cesário (festejado a 25 de fevereiro), médico.
     Nonna faleceu alguns meses depois de seu esposo e morreu em avançada idade. O seu culto é especialmente difundido na cidade de Nazianzo, na Capadócia, e o Martirológio Romano a recorda no dia 5 de agosto, data em que nasceu para o Céu no ano de 374.
     Que a santidade desta família seja exemplo para nós nos dias de hoje, em que esta instituição sagrada é tão vilipendiada e corre tantos perigos devido a decadência dos costumes. Cada católico é responsável pela existência da família segundo os ensinamentos tradicionais da Santa Igreja. Rezemos e combatamos os elementos demolidores da família.
 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

“Ela já o perdoou"

“Ela já o perdoou", respondeu a Irmã
     O Arcebispo Ryan, durante um sermão, relatou este fato:
     "Durante a Guerra Civil nos Estados Unidos duas Irmãs da Caridade, caminhando juntas pelas ruas de Boston, foram insultadas por um homem por causa de seu ódio ao traje religioso que elas usavam. Posteriormente este homem foi para o exército como substituto de alguém que tinha sido convocado. Ele foi ferido em uma das batalhas em Missouri e levado a um hospital provisório cuidado por Irmãs, e, é claro, foi tratado amavelmente. Quando estava prestes a morrer, a Irmã que o atendia instou-o a pedir perdão a Deus pelos pecados de sua vida e a se preparar para se encontrar com o seu Juiz”.
     - "Irmã", respondeu o soldado moribundo, "eu tenho sido um homem mau, mas há um ato de minha vida que pesa mais sobre mim do que todos os outros. Uma vez eu insultei uma pessoa da Ordem que agora me trata tão gentilmente e, doente como eu estou, se ela estivesse aqui agora eu cairia a seus pés, imploraria seu perdão, e morreria em paz".
     - "Ela já perdoou você", respondeu a Irmã. "No momento em que você foi trazido aqui eu o reconheci por essa marca em sua testa, e eu há muito tempo já o havia perdoado de coração".
     - “E por que”, replicou o soldado, "você tem sido mais gentil comigo do que com os outros?"
     - "É porque você insultou-me tanto, e por causa dEle", ela acrescentou, beijando seu crucifixo.
    - "Traga-me seu padre imediatamente", disse o moribundo. "A religião que inspira tamanha força deve ser de Deus".
     O sacerdote e a irmã se ajoelharam enquanto o soldado morria em paz.
The Catechism In Examples Vol. V,  By the Rev. D. Chisholm Pg. 137-138

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Beata Maria Vicenta de Sta. Doroteia, Fundadora - 30 de julho

    
     Madre Maria Vicenta nasceu no Estado de Cotija, Michoacán, México, terra de santos, filha de Luís Chávez e de Benigna de Jesus Orozco, no dia 6 de fevereiro de 1867; aos dois meses recebeu na pia batismal o nome de Doroteia, que significa “presente de Deus”.
     Nos primeiros anos de sua vida trabalhou como pastora e antes da 1ª Comunhão lhe deram um Menino Jesus de porcelana que seria seu companheiro por toda a vida. Todos os anos a família deixava a ela o encargo de preparar o presépio para os festejos de Natal, e muitos vizinhos vinham vê-lo, pois havia um encanto na forma como ela colocava as figuras, a cada ano de um modo diferente.
     Após uma terrível inundação, a família ficou ainda mais pobre do que antes e o pai decidiu mudar-se para Cocula, Jalisco, Guadalajara, e passou a morar no bairro pobre de migrantes chamado Mexicaltzingo.
     No bairro de Mexicaltzingo a umidade e a falta de alimentação fizeram Doroteia adoecer gravemente dos pulmões; ela foi atendida no Hospital da Santíssima Trindade da Confraria de São Vicente de Paula. Era o ano 1892, Doroteia tinha 24 anos.
     As Filhas da Caridade haviam sido expulsas de Guadalajara no ano em que Doroteia nasceu; as asas brancas de seus véus não eram vistas no Hospício Cabañas e nos hospitais de Belém e de São Felipe. Mas senhoras católicas tinham providenciado a construção do pequeno Hospital da Santíssima Trindade junto à igreja paroquial.
     E foi neste hospital que a Providência dispôs que Doroteia fosse internada e “por uma graça especial de Deus, no mesmo dia em que ingressei no hospital concebi a ideia e tomei a resolução de consagrar-me ao serviço de Deus Nosso Senhor e Salvador na pessoa dos pobrezinhos doentes”, conforme narra a própria Beata.
     Quando Doroteia recebeu alta, foi para sua casa para despedir-se de seus familiares e voltou para ficar definitivamente a serviço do hospital. A partir de 19 de julho de 1892 o hospital e os doentes seriam seus pais e seus irmãos: Doroteia Chávez se uniu às duas Vicentinas que atendiam o centro de saúde.
     Em 1896, como a nova diretora do hospital, Margarida Gómez, desse um regulamento sumamente estrito às religiosas que ali trabalhavam, as companheiras de Doroteia saíram e ela ficou sozinha no grande edifício cheio de misérias. Naquela época ela estudava anatomia e outras matérias para dar um melhor atendimento aos doentes que acolhiam.
     Então, com a ajuda do Cônego Miguel Cano Gutiérrez, no dia 15 de agosto de 1910, Doroteia e outras seis postulantes emitiram os primeiros votos como Servas da Santíssima Trindade e dos Pobres. Ao professar, tomou o nome de Maria Vicenta de Santa Doroteia.
     Naquele mesmo ano fundaram um hospital em Zapotlán el Grande. As erupções do vulcão de Colima foram o batismo de sangue da obra, pois todo o povoado se converteu em um hospital para atender e dar de comer, assistir e ajudar a morrer bem.
     Em 1913 a Congregação foi formalizada; o primeiro capítulo geral a escolheu como Superiora geral. Outro hospital foi fundado em Lagos de Moreno e San Juan de los Lagos, e outros pequenos hospitais e asilos para anciãos foram aparecendo, poque a caridade de Nosso Senhor Jesus Cristo lhes pedia isto.
     As guerras externas (perseguição callista) e as guerras internas (desejos de reforma da Congregação) resultaram na retirada do cargo de Madre Vicenta e ela foi enviada para Zapotlán. Em 1929, o novo capítulo geral a recolocou no cargo de Superiora geral.
     Entre doentes e mil pequenos serviços Madre Vicentita, como era conhecida, chegou à idade de 82 anos, quando faleceu, no dia 29 de julho de 1949.
     Madre Vicentita passou para a história por sua grande bondade, doçura e caridade. Havia servido Aquele que estando sozinho, doente e velho, pobre e desvalido fora acolhido nos hospitais e asilos que seu imenso amor a Ele havia construído.
     Foi proclamada Beata pelo Papa João Paulo II em 9 de novembro de 1997, em Roma. 

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Beata Lúcia Bufalari, Agostiniana - 27 de julho

Martirológio Romano: Em Amélia, na Úmbria, Beata Lúcia Bufalari, virgem, irmã do Beato João de Rieti, das Oblatas da Ordem de Santo Agostinho, insigne por seu espírito de penitência e zelo pelas almas.
     Uma tradição secular, embora não baseada em documentos, diz que a Beata nasceu em Porchiano del Monte, uma aldeia a poucos quilômetros de Amélia, na Úmbria, Itália, onde, em meados do século XIII, fora construído o convento dos Agostinianos, cuja espiritualidade certamente atraiu a jovem Lúcia e também seu irmão, João. Este ingressou no convento e logo se mudou para Rieti, onde morreu muito jovem, e é conhecido com o nome de Beato João de Rieti (festa em 1º de agosto).
     As mais antigas fontes históricas à disposição para traçar um esboço biográfico da vida da Beata Lúcia são “Os Séculos Agostinianos” de Luís Torelli, usado mais tarde por Ludovico Jacobilli, mas ambos parecem se alimentar mais de estereótipos do que de eventos históricos.
     Torelli fala do pedido feito pela jovem Lúcia à seus pais para poder entrar nas Terciárias Agostinianas "na clausura que em Amélia tinha nossas religiosas", mas nenhuma documentação relativa a algum convento feminino que seguisse a regra agostiniana  no século XIV em Amélia chegou até nós.
     A conclusão lógica é que Torelli para aprofundar a sua história da Ordem, procura tornar menos escassa as poucas informações que se tem sobre a Beata, que já há séculos gozava de um culto popular generalizado, isto também só certificado por documentos do século XVII e numerosos ex-votos conservados na Igreja de Santo Agostinho.
     É o que diz também o Pe. João Lupidi em um livro de memórias históricas que apareceu na transladação do corpo para a Igreja de Santa Monica.
     Torelli descreve mortificações e penitências que a Beata se submetia, um lugar-comum em muitas vidas de santos. O cronista agostiniano continua a falar da afabilidade da Beata, de suas virtudes que convenceram as coirmãs a elegê-la sua prioresa, apesar de ser uma das mais jovens. Entretanto, não temos nenhum documento contemporâneo atestando a presença de uma comunidade estruturada de religiosas Agostinianas. Mas podemos presumir que algum grupo de "terciárias" realmente viveu à sombra do mosteiro masculino, pois, bem no canto do agora antigo mosteiro de Santa Monica, sempre foi indicada pela piedade popular a cela onde a Beata Lúcia teria vivido e morrido, e dentro da qual foi colocado um quadro de Jacinto Gimignani que a retrata.
     Sua morte teria ocorrido em 27 de julho de 1350. A Beata foi enterrada na sacristia de Santo Agostinho, em um túmulo único e bem reconhecível, um sinal claro da devoção que cercava Lúcia. E diante do túmulo logo começaram a florescer milagres, especialmente em favor das crianças "enfeitiçadas”, isto é, vítimas da ação do demônio. No quadro a Beata Lúcia expulsa o demoníaco mestre do mal.
     Os registros históricos sobre a Beata aparecem somente em 1614, quando os Anciãos da Cidade de Amélia certificaram com um ato público que o corpo incorrupto da Beata "foi mantido na sacristia da igreja de Santo Agostinho e foi considerado e reverenciado por todos os habitantes da cidade como de uma santa".
     Nos anos seguintes seu corpo foi exumado da sepultura primitiva, posto em uma urna de madeira dourada e exposto sobre um altar da igreja, onde permaneceu até 24 de abril de 1925 quando, em uma cerimônia solene, foi colocado em uma urna nova e recolocado sob um altar da igreja do mosteiro de Santa Monica. Ali permaneceu até maio de 2011. Então, devido à saída das monjas e da recente indisponibilidade da igreja, foi recolocado sob o altar da Catedral de Amélia.
     O culto da Beata Lucia foi confirmado pelo Papa Gregório XVI em 3 de agosto de 1832. A sua festa é celebrada em 27 de julho. Ela é invocada contra a possessão diabólica.
 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Santa Cristina de Bolsena, Mártir - 24 de julho

    
     A arqueologia não serve apenas para descobrir faraós enterrados em suas pirâmides; ela também pode confirmar a existência de santos mártires que deram suas vidas pela fé em Deus. Foi o que aconteceu com Santa Cristina, que teve sua tradição comprovada somente no século XIX, com as descobertas científicas de pesquisadores.
     Segundo os mosaicos descobertos na Igreja de Santo Apolinário, em Ravena, construída no século VI, Cristina era realmente uma das virgens cristãs mártires das antigas perseguições. E, portanto, já naquele século era venerada como santa, como se pode observar pela descoberta de sua sepultura, que também possibilitou a descoberta de um cemitério subterrâneo.
    A arte também corroborou com seu testemunho através dos tempos. O martírio da jovem virgem Cristina foi representado pelas mãos de famosos pintores, como João Della Robbias, Lucas Signorelli, Paulo Veronese e Lucas Cranach, entre outros. Além disso, textos escritos em latim e grego relatam seu suplício e morte, que só discordam quanto à cidade de sua origem.
    Os registros gregos mostram como sua terra natal Tiro, enquanto os latinos citam Bolsena, na Toscana, Itália.
     Esses relatos contam que o pai de Cristina, Urbano, era pagão e um oficial do Império Romano, que, ao saber da conversão da filha, queria obrigá-la a renunciar ao Cristianismo. Por isso decidiu trancar a filha numa torre na companhia de doze servas pagãs. Para mostrar que não abdicava da fé em Cristo, Cristina despedaçou as estátuas dos deuses pagãos existentes na torre e jogou, janela abaixo, as joias que as adornavam, para que os pobres pudessem pegá-las. Quando tomou conhecimento do feito, Urbano mandou chicoteá-la e prendê-la num cárcere. Como não conseguisse a rendição da filha, entregou-a aos juízes.
    Cristina foi torturada terrivelmente e depois jogada numa cela, onde três anjos celestes limparam e curaram suas feridas. Finalmente o governante pagão mandou que lhe amarrassem uma pedra ao pescoço e a jogassem num lago. Novamente anjos intervieram, sustentaram a pedra, que ficou boiando na superfície da água, e levaram a jovem até a margem do lago.
    As torturas continuaram, mesmo depois de seu pai ser castigado por Deus e morrer de forma terrível. Cristina ainda foi novamente flagelada, depois amarrada a uma grade de ferro quente e colocada numa fornalha superaquecida, mordida por cobras venenosas e teve os seios cortados, antes de, finalmente, ser morta com duas lanças transpassando seu corpo virgem. Assim o seu martírio foi divulgado pelo povo cristão desde o ano 287.
     O verbete sobre ela no Martirológio Romano é bem curto: "Em Bolsena, na Toscana, Santa Cristina, Virgem e Mártir". No passado esta santa esteve incluída no Calendário dos santos ser comemorada universalmente onde quer que o rito romano fosse celebrado, mas, ainda que a sua devoção continue aprovada, ela foi retirada da lista em 1969 "por que nada se sabe sobre esta virgem e mártir, com exceção de seu nome e o local onde está enterrada em Bolsena”.
     [O calendário tridentino deu-lhe uma comemoração dentro da Missa da Vigília de São Tiago. Quando, em 1955, Pio XII suprimiu essa vigília, a celebração de Santa Cristina se tornou um "simples" e, em 1962, uma "comemoração". De acordo com as regras nas edições posteriores do missal romano, Santa Cristina pode agora ser celebrada com um "memorial" em toda parte no dia de sua festa, exceto no caso de haver alguma celebração obrigatória designada para este dia no local.
     Toffia, na Província de Rieti, guarda as relíquias da santa e as mantém em exposição numa urna transparente. Palermo, uma cidade da qual Cristina é uma das quatro padroeiras, também alega ter as relíquias.
     A Catedral de São João Evangelista em Cleveland, Ohio, EUA, alega que "na capela da Ressurreição, abaixo do altar, está o relicário de Santa Cristina, incluindo seu esqueleto completo e um pequeno frasco com seu sangue. As relíquias foram presenteadas ao Arcebispo Schrembs em 1928 pelo papa Pio XI. A tradição diz que Cristina era uma jovem de 13 ou 14 anos que morrera por sua fé por volta do ano 300 d.C.”.

Fontes:
http://www.diariocatolico.com.br/2014/07/o-martirio-de-santa-cristina.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cristina_de_Bolsena

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Beata Rita Dolores Pujalte Sanchez, religiosa, mártir na Espanha - 20 de julho

    
     A Beata Rita Dolores Pujalte Sánchez nasceu em Aspe (Alicante), no dia 18 de fevereiro de 1853, filha de Antônio Pujalte Anton e de Luísa Sanchez Almodóvar, uma família cristã e abastada. Seus anos de infância e adolescência foram marcados por forte religiosidade, dedicava-se à catequese e às obras de caridade.
     Em 1888 ingressou no Instituto das Irmãs da Caridade do Sagrado Coração de Jesus, fundado em 1877 por Madre Isabel Larrañaga, no qual desempenhou os cargos de mestra de noviças e de segunda superiora, depois da Venerável fundadora. Fez sua profissão religiosa em 21 de junho de 1890; tempos depois emitiu seus votos perpétuos.
     Destacou-se pela solidez de sua fé, caridade, espírito de oração e no trato humano. Com paciência suportou uma doença no ocaso de sua vida e a cegueira, tendo sido ajudada até o fim pela Beata Francisca Aldea Araujo, também ela religiosa da mesma Congregação, que fora discípula de Madre Rita quando esta era mestra de noviças.
     A Beata Francisca nasceu em 17 de dezembro de 1881 em Somolinos, província de Guadalajara. Atuou em diversos cargos no conselho geral, fiel observante da regra, humilde, prudente, entregue ao trabalho e à oração.
     Durante a perseguição religiosa levada a cabo na guerra civil espanhola de 1936-1939, as duas foram presas no dia 20 de julho de 1936 e fuziladas às 3 ½ h da tarde. Naquele período a Igreja pagou um enorme tributo: foram assassinados sete mil entre religiosos, religiosas e sacerdotes.
     As duas religiosas tinham passado parte de suas vidas no Colégio de Santa Susana e juntas saíram dele para percorrer um caminho que as converteria em testemunhas de sua fé. O colégio ficava no Bairro das Ventas, então uma das zonas suburbanas de Madrid. Este colégio acolhia, além das religiosas, meninas pobres e órfãs. Embora a situação fosse extremamente perigosa em meio a um ambiente geral de tensão, a comunidade optou por permanecer no colégio para atender as meninas.
     Madre Rita Dolores em várias ocasiões fora convidada a deixar o colégio e procurar por um lugar mais seguro, mas segundo sua lógica, ela perdia mais que ganhava e sempre recusava. Madre Francisca, movida por sua caridade, se comprometeu a não abandoná-la, estando consciente do risco que assumia.
     No dia 20 de julho de 1936 o colégio foi assaltado e alvo de tiroteio. Segundo testemunhas, tanto Rita Dolores como Francisca, quando souberam que a chegada dos milicianos era eminente, se dirigiram para a capela para preparar-se para o martírio; perdoaram antecipada e generosamente seus verdugos e se dispuseram para a morte, que pressentiam certa, se colocando nas mãos de Deus. “Coloquemo-nos em seus braços e que seja feita a sua santíssima vontade”, disse Madre Rita Dolores.
     Na portaria, momentos antes de sair, recitaram o Credo na presença dos milicianos, que as acompanharam até a casa de uma família conhecida. Por volta do meio-dia foram conduzidas violentamente para o interior de uma camioneta. Elas foram levadas para Canillejas, um subúrbio da capital, e ali foram fuziladas no mesmo dia, às 3 ½ h da tarde. Madre Rita tinha 83 anos e Madre Francisca 55 anos.
     Logo a fama de seu martírio foi divulgada. Testemunhas presenciais se maravilharam com a serenidade de seus rostos e do perfume que se desprendia de seus restos mortais. Por toda parte deixaram a marca de santidade e de humildade. Foram coerentes até o fim no caminho escolhido para fazer o bem ao próximo. Em 1940 seus corpos incorruptos foram encontrados e exumados.
     As Beatas Rita Dolores Pujalte Sánchez e Francisca Aldea Araujo, foram beatificadas em 10 de maio de 1998 no Vaticano pelo Papa João Paulo II. Vários habitantes de Aspes se encontravam presentes, inclusive parentes da Madre Rita Dolores, como, por exemplo, Angel Maria Boronat Calatayed, que havia intervindo no ato de beatificação.

sábado, 18 de julho de 2015

Santa Sinforosa e sete filhos, Mártires - 18 de julho

    
     Na Via Tiburtina, vivia uma senhora chamada Sinforosa com os seus 7 filhos chamados Crescêncio, Julião, Nemésio, Primitivo, Justino, Estácio e Eugênio. Ela vivia perto da majestosa vila do imperador Adriano, o qual havia ordenado a morte de seu marido, o tribuno Getúlio, do cunhado Amâncio e do amigo deles, Primitivo.
     Após ter terminado a construção de sua grandiosa vila, o imperador Adriano antes de inaugurá-la desejou consultar os deuses, os quais lhe disseram: A viúva Sinforosa e seus filhos nos atormentam diariamente invocando seu Deus. Se ela e os filhos oferecerem sacrifício, prometemos dar-lhe tudo o que pedir. Adriano chamou então o prefeito Licínio e ordenou que Sinforosa fosse presa e conduzida com seus filhos ao templo de Hércules.
     Depois, com lisonjas, ameaças e chantagens, procurou fazê-la desistir de sua Fé e a sacrificar aos ídolos, mas a Santa com nobre ânimo seguia o exemplo de Getúlio e dos companheiros de martírio de seu esposo.  Vendo que a mulher não se submetia aos seus desejos, o imperador renovou a ordem de junto com seus filhos ela sacrificar aos deuses pagãos, senão todos seriam condenados à morte, mas Sinforosa foi irremovível, como também seus sete filhos.
     Visto serem vãs todas as tentativas, o imperador ordenou que Sinforosa fosse torturada. Finalmente, ele deu ordem aos guardas para amarrarem uma grande pedra ao pescoço de Sinforosa e para lançá-la no Rio Anjo (Aniene).
     Chegou a vez de seus filhos. O imperador ordenou que fossem conduzidos ao templo onde tentaram convencê-los a aceitarem os ídolos, mas como se negassem a fazê-lo, os sete foram torturados e, em seguida, cada um deles sofreu um tipo de martírio diferente: Crescêncio foi esfaqueado na garganta, Julião, no peito, Nemésio, no coração, Primitivo foi ferido no umbigo, Justino, nas costas, Estácio, no flanco e Eugênio foi cortado em dois, de cima a baixo. Os corpos foram atirados numa vala comum no lugar que os sacerdotes pagãos passaram a chamar de "Ad septem Biothanatos" (palavra grega antiga utilizada para suicidas e, no caso dos pagãos, para denominar os cristãos que sofriam o martírio).
     Dois anos depois, tendo acalmado o furor dos perseguidores contra os cristãos, seu irmão Eugênio, que era membro do conselho de Tibur (Tiburtino = Tivoli), recolheu os corpos e os sepultou nos arredores da cidade.
     No século XVII, Antônio Bosio descobriu as ruínas de uma basílica num lugar popularmente chamado de "le sette fratte" (uma corruptela de "os sete irmãos") na Via Tiburtina, a quatorze quilômetros de Roma. Os "Atos" e o martirológio concordam que este era o local do túmulo de Sinforosa e seus filhos. Descobertas posteriores, que não deixam dúvidas de que a basílica foi construída sobre o túmulo deles, foram feitas por Stevenson. As relíquias foram transladadas para Sant’Angelo in Pescheria, em Roma, por ordem do Papa Estêvão II em 752. Um sarcófago foi descoberto no local em 1610 com a seguinte inscrição: “Aqui jazem os corpos dos santos mártires Sinforosa, seu marido Zótio (Getúlio) e seus filhos, transferidos pelo papa Estêvão”.
     Nos dias atuais há uma igreja dedicada a Santa perto de Bagni di Tivoli.
 
Etimologia: Sinforosa, do latim, provavelmente Symphorosa, derivado do grego symphorá: “sucesso, fortuna, sorte, destino”.