terça-feira, 8 de setembro de 2015

Natividade de Nossa Senhora — data que nos enche de alegria

 

     O dia da Natividade de Maria Santíssima consiste para a humanidade em imenso gáudio, prenúncio do nascimento do nosso Redentor.
     Ninguém esquece, e com toda razão, o aniversário de sua própria mãe. Porém, infelizmente, há católicos que esquecem o dia natalício da Santíssima Mãe de todas as mães, Mãe de Deus e nossa também.
     A festa do nascimento de Nossa Senhora é comemorada a 8 de setembro.
     A fim de fixarmos bem essa magna data, e não nos esquecermos de a celebrar condignamente todos os anos, apresentamos a seguir admirável comentário de Plinio Corrêa de Oliveira, proferido durante conferência comemorativa desse augusto aniversário, em 1965.
     Como Nossa Senhora é a Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, tudo quanto se pode dizer do Natal, guardadas as devidas proporções, pode-se dizer da Natividade de Nossa Senhora. Assim, a Natividade da Santíssima Virgem também deve ser ocasião para nós de todas as alegrias, todas as impressões, todas as graças da noite de Natal.
     A salvação veio ao mundo com o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, de algum modo, esta afirmação é também verdadeira em relação à Natividade da Mãe do Salvador. Porque, se é verdade que o único Salvador é Nosso Senhor Jesus Cristo, Nossa Senhora, com sua oração onipotente, pediu e apressou a vinda do Messias que já estava prometida. Pode-se dizer portanto que, de certo modo, com Ela veio a salvação.
     O Natal representou uma honra incomparável para a humanidade, porque o Verbo Encarnado veio ao mundo na noite de Natal. Mas é também verdade que — repito, guardadas as devidas proporções — representou uma honra enorme para a humanidade o nascimento de Nossa Senhora. A criatura mais perfeita nascida em todos os séculos; uma criatura concebida sem pecado original, trazendo em si uma plenitude de graças para todo o mundo. Compreendemos assim como a Natividade da Virgem é parecida com a noite de Natal. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Santa Regina de Alise, Virgem e mártir - 7 de setembro

    
     No ano de 252, uma jovem gaulesa de dezesseis anos chamada Regina (em francês Reine), convertida ao cristianismo, apascentava suas ovelhas aos pés do Monte Auxois, local atualmente chamado Alise. Sua mãe morrera durante o parto e seu pai era pagão.
     O governador romano da Gália, Olibrius (ou Olimbrius), tentou seduzi-la, mas ela resistiu e recusou inclusive o casamento para não abjurar sua fé.
     Ela foi martirizada e decapitada. A partir do século seguinte um culto se desenvolveu. Seu corpo foi transferido para fora da cidade de Alise, num local onde foi construída uma basílica sobre o seu túmulo.
     Entre os milagres obtidos por sua intercessão, está a cura de uma criança de nome Heriboldo, que sofria com uma forte febre; também há a cura de um homem de Réome obtida por meio da aplicação de um pedaço de madeira da maca da santa, bem como a cura de um frade e de um cego.
     O culto desta santa pode ser comprovado com a descoberta em 1909 do “serviço eucarístico” de Alise. A descoberta constituía de um conjunto que continha uma patena e três cálices que foram utilizados para a celebração da eucaristia. A patena contém uma gravura de um peixe (o ichtus) e o nome de “Regina”. O conjunto datado do século IV não deixa dúvidas quanto a existência da jovem mártir.
     A cidade Alise-Sainte-Reine, que cresceu aos pés do Monte Auxois, a escolheu como patrona e a cada ano os habitantes organizam a representação de um ‘mistério’ em sua honra e memória. Esta tradição é confirmada a partir do ano 866 e perdura ainda hoje. Este é o ‘mistério’ mais antigo celebrado sem interrupção na França. Em 1271 procedeu-se a confecção de um novo busto relicário de prata com as armas da França, de Castela e da antiga Borgonha.
     A Confraria de Santa Regina, datada de 1544, foi criada pelos religiosos de Flavigny e em 1644, com a reforma dos beneditinos de Saint-Maur, a peregrinação teve um revigoramento e em 1659 os membros da Confraria foram dotados por Mons. Luís Doni d’Attichy, Bispo de Autun, de 40 dias de indulgencias. No século XVI os monges colocavam a corrente de Santa Regina ao redor do pescoço dos peregrinos. Hoje a corrente é conservada na igreja paroquial de Flavigny-sur-Ozerain e exposta à veneração dos peregrinos no dia da festa da Santa, dia 7 de setembro.
     Suas relíquias são conservadas na Abadia de Flavigny-sur-Ozerain desde meados do século IX. O contato com o sarcófago da santa é atestado no século IX. A cripta foi arranjada para receber o corpo da santa. No século XVII, as relíquias da santa foram colocadas em um armário atrás do altar-mor e são expostas no dia de sua festa.
     Em 1648 os monges de Flavigny tomaram conhecimento de outro corpo que diziam ser de Santa Regina e que havia sido doado por Carlos Magno a Osnabrück, na Vestefália; os monges mandaram vir uma relíquia deste corpo, o que desencadeou um conflito entre os Cordeliers de Alise e aos beneditinos de Flavigny sobre a autenticidade desta relíquia.
     Além de Flavigy-sur-Ozetain e Alise-Sainte-Reine há outros locais onde Santa Regina é venerada:
            - Voisine, Yonne, uma capela datando de 1827 construída por dois habitantes após um voto feito na peregrinação a Alise-Sainte-Reine
            - Drensteinfurt, Alemanha
            - Osnabrück, Vestefália

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Santa Basilissa de Nicomédia, Virgem e mártir - 3 de setembro

Martirológio Romano: Em Nicomédia, na Bitínia, moderna Turquia, Santa Basilissa, virgem e mártir.
     Com poucas palavras o Martirológio Romano cita hoje a virgem e mártir Santa Basilissa de Nicomédia, morta na Bitínia no início do século IV.
     O Sinassário de Constantinopla menciona o martírio de Basilissa, na Nicomédia, a 3 de setembro, durante a perseguição de Diocleciano. A Passio grega, escrita por Nicéforo Gregoras, é um documento de carater oratório com detalhes biográficos que portanto não merecem muita consideração. No entanto, há provas de que a veneração pela Santa era ainda muito viva no sec. XIV em Constantinopla, especialmente no Mosteiro de Blacherne. A Santa era particularmente invocada pelas jovens mães que não conseguiam amamentar seus filhos.
     O Sinassário Alexandrino de Miguel, Bispo de Atrib e Malig, também indica a memória de Basilissa a 3 de setembro. Ele acredita que a mártir tinha apenas nove anos quando, por se recusar a renunciar à sua fé, foi submetida a torturas terríveis depois das quais morreu. A tradução do Sinassário Alexandrino tem conservado a mesma notícia em 6 maskaram. Barônio introduziu no Martirológio Romano a celebração de Basilissa a 3 de setembro.
 
Etimologia: Basilissa, do grego, “rainha”.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Santa Colomba, Eremita - 1 de setembro

    
 
     Percorrendo o elenco dos santos medievais na hagiografia, impressiona o número de famílias inteiras cujos membros são considerados santos, especialmente os nobres e os governantes; o fenômeno é mais evidente nos países anglo-saxões, mas também na Itália houve muitos casos.
     Um dos casos mais famosos é o da família dos condes de Pagliara, próximo de Castelli, na província de Teramo. Eram desta família São Berardo, bispo de Teramo e padroeiro da cidade, sua irmã é Santa Colomba e seus irmãos os santos Nicolau e Egídio.
     Os Pagliara tinham o título de conde, talvez herdado dos antigos condes Marsi e eram os senhores do Vale Siliciano, que abrangia um vasto território no Grand Sasso, Itália.
     Berardo, já monge beneditino e sacerdote em Montecassino, se retirou no famoso Mosteiro de São João em Venere, Abruzzo, e dali foi chamado para a sede episcopal de Teramo.
     De seus irmãos, Nicolau e Egídio, só se sabe que eles são mencionados em uma breve citação, juntamente com Santa Colomba, por estudiosos hagiográficos, como os Bollandistas, constituídos pelo jesuíta belga Jean Bolland (1596-1665) para compilar o 'Acta Sanctorum'.
     Na mesma citação, no dia 1º de setembro, Santa Colomba é lembrada como jovem condessa de Pagliara que nasceu em 1100; retirou-se jovem para viver como ermitã nas encostas do Monte Infornace (Grand Sasso).
     A caverna onde ela viveu e morreu está localizada a meio caminho de um penhasco, no qual está esculpido um sinal dizendo "pente de Santa Colomba", em memória do uso pela jovem de um pente para manter seus longos cabelos; nas proximidades existe a impressão de uma mão na rocha, que recorda o fato da Santa ter se apoiado ali ao escalar a montanha íngreme.
     Os dois "sinais" estão ligados ao culto das pedras, ainda florescente em Abruzzo, incluindo a presença de um buraco milagroso, existente sob o altar da igreja dedicada a Santa Colomba, construída pelo Bispo Berardo, seu irmão, após sua morte ocorrida no inverno de 1116, então tinha apenas 16 anos; os devotos acreditam que ao introduzir a cabeça no buraco podem ser curados de algumas doenças.
     A capela foi abençoada em 1216 por Santo Atanásio, bispo de Penne. No dia 1º de setembro comemora-se a sua festa.
*
     A Ermida de Santa Colomba está situada a 1250 metros acima do nível do mar, no sopé do Monte Infornace. Tem acesso por Pretara através de um bom caminho. Segundo a tradição, neste lugar, no século XII, Santa Colomba, filha dos condes de Pagliara e irmã de São Berardo, abandonando o conforto do castelo, se retirou em oração e penitência.
     Entre as legendas que cercam a vida da santa, as mais comuns são as que falam da impressão de sua mão em uma rocha, que pode ser encontrada no caminho até o eremitério e o do chamado "pente de Santa Colomba" que, para alguns, seria uma série de incisões paralelas (como os dentes de um pente) sobre uma rocha plana na vizinhança da Ermida.
     Santa Colomba morreu, amorosamente assistida por seu irmão, o futuro bispo de Teramo. Em 1595 seus restos mortais foram transferidos para a Igreja de Santa Lúcia e só em 1955 a imagem de Santa Colomba, e os seus restos sagrados, foram transferidos para a capela de Pretara.
     A igreja foi restaurada recentemente. No seu interior, está colocada a imagem de Santa Colomba e ao lado é visível a abertura que já abrigou as relíquias da santa.
     Em uma placa afixada fora, acima da porta da frente, lemos o seguinte: "À pomba sagrada, Condessa de Pagliara e irmã de S. Berardo Bispo de Teramo, do povo de Pretara, na memória do centenário da descoberta dos restos mortais da Santa, rainha de nossas montanhas. Pretara Setembro de 1992. H. MT.1234".
Ermida de Santa Colomba
 

domingo, 30 de agosto de 2015

Beata Bronislava da Polônia, Priora - 30 de agosto

   
     Bronislava nasceu em 1230 em uma importante família polonesa; seu avô havia fundado o mosteiro Premonstratense em Zwierzyniec, perto de Cracóvia, onde a tia de Bronislava, Gertrude, tinha entrado, tornando-se mais tarde priora em Imbramowice.
     Bronislava também era prima do dominicano São Jacinto e relacionada com São Jacek e o Beato Czeslaw. Bronislava entrou no convento de Zwierzyniec com a idade de dezesseis anos, e foi logo depois eleita priora. As marcas de sua vida espiritual eram suas devoções à Paixão de Nosso Senhor e a Sua Santa Cruz.
     Quando a peste chegou à Polônia, ela logo começou a ajudar os doentes e a consolar os moribundos. Durante a turbulência política que tomou conta da Polônia, o convento de Zwierzyniec teve que ser abandonado em várias ocasiões por estar localizado fora da muralha de Cracóvia e, portanto, vulnerável a ataques. Nessas ocasiões, as religiosas eram forçadas a procurar abrigo das hordas de saqueadores em outras casas religiosas, ou nas profundezas das florestas.
     O pior ataque veio em 1241 com a invasão dos tártaros. Bronislava e algumas das suas irmãs estavam rezando com os braços estendidos na forma de uma cruz, quando ela recebeu a notícia de que os tártaros selvagens estavam avançando rapidamente para Cracóvia.
     O convento estava em perigo iminente de destruição. Bronislava pegou um crucifixo, apertou-a contra seu coração e disse às suas Irmãs: "Não temam nada. A cruz vai nos salvar". Ela então levou as Irmãs para as passagens subterrâneas do convento, onde permaneceram com sucesso escondidas dos invasores. O convento, no entanto, não foi poupado, e desabou em chamas, prendendo as Irmãs no subterrâneo. Conta-se que quando Bronislava bateu três vezes com seu crucifixo em uma parede de pedra da escura prisão, uma passagem para a liberdade se abriu para elas. Após a destruição do convento, muitas Irmãs se refugiaram nos mosteiros que haviam sido poupados. Bronislava permaneceu nas ruínas do antigo convento com um punhado delas, construindo pequenas cabanas para dormir e passava os dias cuidando dos pobres, dos doentes e das inúmeras vítimas da invasão tártara.
     Bronislava faleceu em 1259, logo após a morte de São Jacinto. Desde então seu culto floresceu entre os habitantes da Cracóvia e seu santuário é local de muitas peregrinações. Em todas as épocas da história da Cracóvia as pessoas procuraram sempre a sua ajuda nos momentos de dificuldade. Em 23 de agosto de 1839 o Papa Gregório confirmou seu culto imemorial e muitas centenas continuam a rezar por sua canonização. Ela é considerada Padroeira de uma boa morte e da prevenção de doenças.
Fonte: Nobility.org, comenta:
     Pensando na perseguição islâmica de cristãos na África, Índia, Paquistão e no Oriente Médio, só podemos rezar pedindo que Deus, em Sua infinita misericórdia faça por eles o que Ele fez pela Beata Bronislava e suas Irmãs, protegendo-os e não permitindo que os inimigos da Cruz descubram seu esconderijo.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Santa Adelina de Poulangy, Abadessa - 28 de agosto

    
Ruínas do mosteiro fundado pelo Beato Guy 
Filha do Beato Guido (Guy*), irmão de São Bernardo de Claraval, e da Beata Elisabete, que foi abadessa de Larrey (Dijon).
     Adelina cresceu em Juilly; abraçou a vida monástica no mosteiro materno, ou talvez em Jully ou em Tard. Enviada para Poulangy (diocese de Langres) para introduzir ali a reforma cisterciense, tornou-se abadessa daquele mosteiro de 1157 a 1200.
     Nas suas atividades para o bem da Ordem, Adelina obedecia a direção do tio, São Bernardo. Após sua morte foi venerada como beata ou santa, mas não há indícios de um culto oficial.
     Sua memória é celebrada no dia 28 de agosto ou em 2 de setembro.
 
(*) Guy de Durnes foi o primeiro abade de Notre-Dame de Cherlieu. Ele deixou Claraval para fundar, com 12 religiosos, a abadia cisterciense de Cherlieu, em 17 de janeiro de 1131. A fama de santidade de Guy e de seus discípulos atraiu muitos e o mosteiro chegou a contar com 600 monges.  A vida ali era austera: comiam quase sempre folhas de faia com pão de cevada. Com Guy, Cherlieu expandiu-se com novos mosteiros em Acey, Le Gard, Haut-Crête na Suisse, Beaulieu. São Bernardo associou-o à revisão e à correção do canto litúrgico. Ele faleceu em 1157.
 
Etimologia: Adelina (como Adele e Adelaide) do alemão, composto de Adel, nobre ou nobreza, et lind, doce.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Santa Hermínia, Venerada em Reims 25 de agosto

     Em 1384, uma camponesa pobre e iletrada chamada Hermínia mudou-se para a cidade de Reims com seu esposo idoso. A época em que ela viveu era afligida por guerras, pragas e pelo cisma no interior da Igreja Católica, e a vida de Hermínia poderia facilmente não ser notada entre as rupturas da História.
     Porém, após a perda de seu esposo, as coisas tiveram uma reviravolta: nos últimos dez meses de sua vida, Hermínia foi atormentada por visões noturnas de anjos e demônios. Durante seus horrores noturnos ela era atacada por animais, surrada e sequestrada por demônios disfarçados, e exposta a espetáculos carnais; em outras noites, ela era abençoada por santos, visitada pela Virgem Maria. Ela confessou estas coisas estranhas a um frade agostiniano conhecido pelo nome de Jean le Graveur, que relatou tudo com detalhes vívidos.
     Em uma Vita escrita por Radulfo, vice-prior de um mosteiro próximo a Reims, é relatado que Hermínia era pobre de dinheiro, mas rica de paciência e de humildade.
     Hermínia faleceu no dia 25 de agosto de 1396. Foi sepultada na nave da Igreja de São Paulo, onde atualmente se vê o coro dos monges, sob uma pedra branca com sua imagem e uma breve inscrição. Uma relação das visões de Hermínia foi enviada por João Morelli para Paris, onde foi examinada por Pedro d’Ailly, superior da universidade de Navarra e por Gerson. Os dois concluíram que o culto a Hermínia poderia ser difundido.
     Sua festa é celebrada no dia 25 de agosto.
Etimologia: Hermínia, duas origens: 1) do latim Herminius, derivado de Hermes; 2) do alemão, Irmin, o deus Irmin, “o grande, o forte, o poderoso”. Em francês, Ermine. Também pode ser hipocorístico de Irmgard ou Irmingard: “bastão (gard) do deus Irmin (grande, forte, poderoso).