sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Beata Lúcia de Settefonti, Virgem camaldulense - 7 de novembro

    
     Em torno de 1100, Bolonha, após cerca de três séculos de dependência de Ravena, se constituiu em comuna livre, mas a vida era continuamente perturbada pelas lutas entre guelfos e gibelinos.
     Neste clima político veio ao mundo uma menina a quem a mãe dedicou uma sincera educação religiosa. Estes cuidados zelosos da mãe resultaram que nos anos seguintes a criança, que se tornou uma jovem esplêndida, desejasse se dedicar à oração e à contemplação.
     A jovem fez os votos na igreja bolonhesa de Santo Estevão, escolhendo o nome de Lúcia, dando adeus definitivo à vida secular. Ela ficou conhecida pelo nome de Lúcia de Settefonti (ou de Stifonti) porque o convento que escolhera para concretizar sua vocação religiosa foi o mosteiro camaldulense de Santa Cristina, ou mosteiro camaldulense de Stifonti, local não distante de Bolonha, na comuna de Ozzano Emilia, fundado em 1097.
     À morte de Matilde, fundadora do mosteiro, Lúcia se tornou abadessa. O hábito monacal entretanto não toldou sua beleza, cuja fama se espalhou por toda a região.
     Após sua morte, sua figura de monja e abadessa se tornou tema de narrativas populares que, dando testemunho do valor de sua intercessão e caridade fraterna, incrementaram o seu culto, particularmente na igreja de Santa Cristina de Bolonha onde fora sepultada.
     Em 7 de novembro de 1573, o Cardeal Paleotti transladou suas relíquias para a igreja de Santo André de Ozzano, onde surgira um outro mosteiro da mesma Ordem. Em 1779, Pio VI confirmou o culto a Beata Lúcia e fixou o dia 7 de novembro como data de celebração de sua memória.
 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Débora, a Profetisa

 
Para salvar seu povo, ela foi feita juíza de Israel
 
     Débora (do hebraico Deburah), cujo nome significa "abelha", foi profetiza e a quarta juíza de Israel. Sua história está descrita no Livro dos Juízes, capítulos 4 e 5. Ela, juntamente com Baraque, liderou os israelitas contra o domínio de Canaã, por volta do século XII a.C. Antes dela foram juízes em Israel Otniel, Eúde e Sangar. Ela é a única mulher citada na Bíblia a ter o status de juíza. Sua origem parece ser simples, pois no texto bíblico ela é apresentada como esposa de Lapidote e que prestava atendimento como profetisa debaixo das palmeiras.
     Após a morte de Eúde o povo de Israel tornou a pecar contra Deus e por isso Ele os entregou nas mãos de Jabim, rei de Canaã. Por vinte anos Israel esteve sob o jugo de Canaã, sendo violentamente oprimido por Sísera, capitão do exército de Jabim e que contava com uma frota de carros de ferro que o tornava invencível para Israel.
     Débora vivia na região montanhosa de Efraim, entre Ramã e Betel. Ela sentava-se debaixo de uma palmeira e o povo de Israel vinha até ela para que ela os ajudasse a resolver as questões que traziam. Além de juíza ela também era profetisa, sendo assim, tinha autoridade divina para discernir e dar soluções aos que a procuravam.
     Certo dia Débora mandou chamar Baraque, e lhe disse que Deus havia ordenado que ele escolhesse dez mil homens das tribos de Naftali e Zebulom para enfrentar Sísera e que a vitória já estava garantida por Ele.
     Débora era uma mulher de profunda fé e grande discernimento espiritual. Havia avaliado a sombria situação de seu país com perspicácia (Jz 5.6-7), compreendeu o motivo da decadência (idolatria, v.8) e assumiu a responsabilidade pela nação (vv. 7,12). Débora é a única mulher na Bíblia que não apenas governou Israel como também deu ordens militares a um homem, e isso com a bênção de Deus. Era tão grande sua autoridade, que quando convocou Baraque, ele veio imediatamente sem questionar.
     Apesar de confiar na palavra que recebeu, Baraque pediu que Débora acompanhasse a ele e seu exercito no dia da batalha. Isso porque ela era juíza e profeta e sua presença com certeza seria capaz de inspirar confiança nos homens escolhidos para a guerra. Por esse pedido Baraque perdeu a honra de matar Sísera. Débora lhe disse que essa honra seria dada a uma mulher.
     Quando ela mandou reunir as tropas, esperava que elas se apresentassem. Aos que ignoravam o chamado, ela amaldiçoava: “Amaldiçoai a Meroz, ...amaldiçoai duramente os seus moradores, porque não vieram em socorro do Senhor” (Jz 5.23). Débora provavelmente não conseguia entender por que esses combatentes de Israel tinham tão pouca fé em Deus.
     Ao ouvir dizer que os israelitas estavam alinhados para a guerra, Sísera convocou todos os seus carros, novecentos carros de ferro, e todo o povo que estava com ele. Quando o momento da batalha chegou houve grande confusão entre o exército de Canaã e eles foram derrotados. Sísera fugiu a pé da batalha para a tenda de Jael, mulher de Héber, o queneu, pois existia um acordo de paz entre eles. Cansado, ele pediu água e adormeceu. Então Jael, pegando uma estaca a cravou na fronte de Sísera com um martelo e o matou, cumprindo o que Débora dissera a Baraque. O povo de Israel, fortalecido, continuou a lutar contra Canaã até que Jabim estivesse totalmente destruído.
      Baraque, sem dúvida, foi um ótimo militar, e seu nome está registrado em Hebreus 11 como homem de fé. Porém, ele mesmo teria capturado Sísera se tivesse confiado um pouco mais em Deus. Débora, por outro lado, era uma simples esposa e mãe, mas sua fé a tornou um vaso muito mais útil para o Senhor do que alguém poderia imaginar.
O Cântico de Débora
     Ao final da batalha Débora cantou um hino de gratidão ao Deus de Israel. Nele podemos perceber o quão sensível Débora era com as questões políticas e espirituais de Israel. Ela tinha consciência de que o pecado de seu povo havia feito com que Deus permitisse que eles passassem por todo aquele sofrimento. Em seu cântico ela abençoa aqueles que se dispuseram a lutar contra Sísera e seu exército e amaldiçoa as Tribos de Israel que temeram diante do inimigo. Comenta ainda sobre os sentimentos da mãe de Sísera, que espera impaciente pelo retorno do filho que nunca mais voltará. Ela termina seu hino com as seguintes palavras: "Assim, ó Senhor, pereçam todos os teus inimigos! Porém os que O amam sejam como o sol quando sai na sua força" (5 Juízes 5.31).
     Este poema muito antigo é um dos documentos mais preciosos da história do período dos Juízes. A fé no Deus do Sinai das tribos ainda ligadas incipientemente encontra expressão viva na música. Este cântico descreve de uma forma impressionante o sofrimento do povo "até Débora surgir, uma mãe surgiu em Israel", e a luta heroica pela liberdade que ela despertou em seus compatriotas. Após a libertação "a terra descansou durante quarenta anos". Não nos é dito o que fez Débora nos assuntos de seu país durante este período de paz, mas é provável que sua influência aumentou por ter seu nome ligado para sempre a tão glorioso evento.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Dia dos Fiéis Defuntos ou Dia de Finados

    
     Desde o século II, alguns cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. No século V, a Igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava. Também o Abade de Cluny, Santo Odilon, em 998 pedia aos monges que orassem pelos mortos. Desde o século XI os Papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) obrigam a comunidade a dedicar um dia aos mortos. No século XIII esse dia anual passa a ser comemorado em 2 de novembro, porque 1º de novembro é Festa de Todos os Santos. A doutrina católica evoca algumas passagens bíblicas para fundamentar sua posição (cf. Tobias 12,12; Jó 1,18-20; Mt 12,32 e II Macabeus 12,43-46), e se apóia em uma prática de quase dois mil anos.
     Existe uma só vida, dizem as Sagradas Escrituras: “Mas, como não sabemos o dia nem a hora, é preciso que, segundo a recomendação do Senhor, vigiemos continuamente, a fim de que no termo da nossa vida sobre a terra, que é só uma, mereçamos entrar com ele para o banquete de núpcias e ser contados entre os eleitos…” (DH 4168)
     Também de modo claro, ensina o Catecismo da Igreja Católica:
     “A morte é o fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo da graça e da misericórdia que Deus lhe oferece para realizar sua vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir seu destino último. Quando tiver terminado o único curso da nossa vida terrestre, não voltaremos mais a outras vidas terrestres. Os homens devem morrer uma só vez. Não existe reencarnação depois da morte. (1013)”.
     Historicamente, muitos povos e culturas creram na reencarnação. Antes mesmo da vinda de Jesus e também nas religiões orientais que professam a reencarnação ou a metempsicose.
     Até mesmo dentro do cristianismo a reencarnação conseguiu encontrar adeptos, como por exemplo, Orígenes, que, por influência do neoplatonismo, ensinava que as almas um dia estiveram junto de Deus, mas "esfriaram", vieram para o mundo e foram aprisionadas. As almas foram guardadas dentro de um "sôma", corpo, que recorda a palavra "sema", túmulo, ou seja, as almas estariam aprisionadas dentro de um "corpo de morte". E o homem verdadeiro seria somente a alma, não o corpo. Diante disso, nota-se que a antropologia da reencarnação não pode ser considerada cristã. Para os reencarnacionista, o homem é somente a alma e o corpo é uma caixinha, um invólucro, uma embalagem descartável. A alma será preservada e sucessivamente melhorada até que chegue a Deus.
     Esta é uma heresia que a Igreja condenou inúmeras vezes ao longo dos séculos. Orígenes recebeu contra si os anátemas (conf. DH 403-411), como também os albigenses na Idade Média (conf. DH 800 e seguintes) e mais recentemente, no Concílio Vaticano II. Com efeito, é importante compreender que, embora a ideia da reencarnação seja atraente, ela carrega em si uma perversão: o homem se torna a sua própria salvação. Jesus Cristo não é necessário. Cada homem, por seu esforço e cruz carregada, construirá uma Torre de Babel e um dia chegará ao céu.
     A reencarnação não somente não leva a vida a sério, como não leva a redenção de Cristo a sério. Portanto, aqueles que creem na reencarnação não podem ser chamados verdadeiramente de "cristãos". E, se os espíritas se dizem cristãos, o são somente em sentido muito amplo, posto que consideram Jesus apenas um espírito de luz que veio para guiar as almas.
     Ora, o Cristianismo não é isso. Cremos que o Verbo (Deus) se fez homem inteiro, corpo e alma e, deste modo, cada um irá um dia triunfar com Deus no céu. Os espíritas, dizem crer na reencarnação, nós, cristãos dizemos: "creio na ressurreição dos mortos e na vida eterna. Amém".
Fonte (excertos):  https://padrepauloricardo.org/episodios/quais-as-consequencias-de-se-crer-na-reencarnacao

domingo, 1 de novembro de 2015

Todos os Santos - 1 de novembro

Hoje é dia de todos os santos!
     O culto de todos os Santos envolve o culto a todas as almas que estão no céu, ainda que sejam almas não canonizadas, porque em algum sentido da palavra, qualquer alma que esteja no céu, que se tenha salvo, é uma alma santa.
     Ela está na presença de Deus, vê Deus face a face e agrada a Deus inteiramente e naturalmente o número de pessoas que estão no céu é um número incontável.
     Com isto a Igreja não tem possibilidade não só de cultuar adequadamente todos os Santos que ela canonizou, mas, sobretudo, de cultuar um número enorme de almas que estão no céu e às quais não se pode prestar um culto regular, porque de fato não se sabe se elas estão salvas ou não, mas [espera-se] que gozem da presença de Deus.
     Por todas estas almas nós temos razões para rezar, nós temos razões para pedir a proteção delas, mas há, naturalmente, algumas almas que têm conosco uma relação especial.
     Mesmo que não nos tenham conhecido nesta vida, nem nós as conheçamos, por esta relação que têm conosco, evidentemente são intercessoras junto [a Deus por] nós.
    Vale a pena neste dia a gente se recomendar a estas almas. São almas irmãs das nossas, porque nós compreendemos, como elas compreenderam, uma luz especial, um esplendor que há em colocar a força a serviço da fé e em apresentar o triunfo da fé baseado num braço forte, num ânimo aguerrido, numa disposição de sacrificar a vida, de sacrificar tudo para obter a vitória da Igreja.
     Estas são almas que estão no céu: a elas nós nos devemos confiar. Isto tudo são as orações com as quais nós devemos recorrer nesta ocasião. Nós devemos, então, pedir HOJE, no dia de todos os Santos, que estas almas zelem por nós e que nos levem para o céu.
     Santa Teresinha do Menino Jesus tinha um culto muito bonito aos irmãos dela mortos batizados, mas antes da idade da razão. Ela dizia que eram os santos da família dela: a família dela iria produzir uma santa muito maior do que tudo isto, mas eram santos da família dela.
     Todos nós temos em nossas famílias pessoas que morreram assim, em idade prematura, e que realmente têm esta graça: são batizados e vão diretamente para o céu sem terem sofrido. Para todos estes nós devemos rezar e rezar muito: são os santos que, hoje, a Igreja cultua.

Ladainha de todos os Santos

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Deus, Pai dos Céus, tende piedade de nós (invocação a ser repetida)
Deus Filho, Redentor do mundo,
Deus Espírito Santo,
Santíssima Trindade, que sois um só Deus,

Santa Maria, rogai por nós (invocação a ser repetida)
Santa Mãe de Deus,
Santa Virgem das virgens,
São Miguel,
São Gabriel,
São Rafael,
Todos os santos Anjos e Arcanjos,
Todas as santas ordens dos Espíritos bem-aventurados,
São João Batista,
São José,
Todos os Santos Patriarcas e Profetas,

São Pedro,
São Paulo,
Santo André,
São Tiago,
São João,
São Tomé,
São Tiago,
São Felipe,
São Bartolomeu,
São Mateus,
São Simão,
São Tadeu,
São Matias,
São Barnabé,
São Lucas,
São Marcos,
Todos os Santos Apóstolos e Evangelistas,
Todos os Santos Discí­pulos do Senhor,
Todos os Santos Inocentes,

Santo Estevão,
São Lourenço,
São Vicente,
São Fabiano e São Sebastião,
São João e São Paulo,
São Cosme e São Damião,
São Gervásio e São Protásio,
Todos os Santos Mártires,

São Silvestre,
São Gregório,
Santo Ambrósio,
Santo Agostinho,
São Jerônimo,
São Martinho,
São Nicolau,
Todos os Santos Pontí­fices e Confessores,
Todos os Santos Doutores,

Santo Antão,
São Bento,
São Bernardo,
São Domingos,
São Francisco,
Todos os Santos Sacerdotes e Levitas,
Todos os Santos Monges e Eremitas,

Santa Maria Madalena,
Santa Ágata,
Santa Luzia,
Santa Inês,
Santa Cecília,
Santa Catarina,
Santa Anastásia,
Todas as Santas Virgens e Viúvas,
Todos os Santos e Santas de Deus, intercedei por nós.

Sede-nos propício,
R/. perdoai-nos, Senhor.
Sede-nos propício,
R/. ouvi-nos, Senhor.

De todo o mal, livrai-nos, Senhor
De todo pecado,
Da vossa ira,
Da morte repentina e imprevista,
Das ciladas do demônio,
Da ira, do ódio e de toda má vontade,
Do espírito de impureza,
Do raio e da tempestade,
Do flagelo do terremoto,
Da peste, da fome e da guerra,
Do perigo iminente,
Da morte eterna,
Pelo Mistério da vossa Encarnação,
Pelo vosso Advento,
Pela vossa Natividade,
Pelo vosso Batismo e santo jejum,
Pela vossa Cruz e Paixão,
Pela vossa morte e sepultura,
Pela vossa Ressurreição,
Pela vossa admirável Ascensão,
Pela vinda do Espírito Santo Consolador,
No dia do Juízo,
Pecadores que somos, nós Vos rogamos, ouvi-nos
Para que nos perdoeis,
Para que nos favoreçais,
Para que Vos digneis conduzir-nos a uma verdadeira penitência,
Para que Vos digneis governar e conservar a vossa Santa Igreja,
Para que Vos digneis conservar na Santa religião o Sumo Pontífice e todas as ordens da hierarquia eclesiástica,
Para que Vos digneis humilhar os inimigos da Santa Igreja,
Para que Vos digneis conceder aos reis e príncipes cristãos a paz e verdadeira concórdia,
Para que Vos digneis conceder a paz e união a todo o povo cristão,
Para que Vos digneis atrair à unidade da fé todos os que estão no erro, e conduzir todos os infiéis à luz do Evangelho,
Para que Vos digneis confortar-nos e conservar-nos no vosso santo serviço,
Para que Vos digneis elevar as nossas almas a desejar as coisas do Céu,
Para que Vos digneis retribuir a todos os nossos benfeitores, dando-lhes a eterna felicidade,
Para que livreis da condenação eterna as nossas almas, as dos nossos irmãos, parentes e benfeitores,
Para que Vos digneis dar e conservar os frutos da Terra,
Para que Vos digneis dar a todos os fiéis defuntos o descanso eterno,
Para que Vos digneis atender-nos,
Filho de Deus,

V/. Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
R/. perdoai-nos, Senhor.
V/. Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
R/. atendei-nos, Senhor.
V/. Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
R/. tende piedade de nós.
V/. Jesus Cristo, ouvi-nos.
R/. Jesus Cristo, atendei-nos.
V/. Senhor, tende piedade de nós, Jesus Cristo, tende piedade de nós.
R/. Senhor, tende piedade de nós.

V/. Pai-Nosso (em voz baixa)
V/. E não nos deixeis cair em tentação.
R/. Mas livrai-nos do mal

sábado, 31 de outubro de 2015

Beata Irene Stefani, Missionária - 31 de outubro

    
     Irmã Irene Stefani, no século Maria Mercedes Stefani, nasceu no dia 22 de agosto de 1891 em Anfo, no Val Sabbia (Brescia, Itália).
     Em 19 de junho de 1911, aos 19 anos de idade, deixou sua terra natal, Anfo, onde já era conhecida como “o anjo dos pobres”, e se dirigiu a Turim onde o Beato José Allamano, o fundador do Instituto dos Missionários da Consolata, aca­bava de dar inicio também às Missionárias da Consolata. Ele a recebeu no pequeno grupo das primeiras jovens desejosas de entregar a vida a Deus por meio da obra missionária.
     Terminada sua preparação, até fins de 1914, com confiança e humilde valentia, aceitou com entusiasmo o mandato para as missões do Quênia, consciente das dificuldades que a esperavam. Seu coração não treme, porque está confiante em Deus. Em 29 de janeiro de 1914, dia de sua consagração a Deus, Irmã Irene condensou em poucas linhas seu programa de vida: “Só Jesus! Tudo com Jesus... Toda de Jesus... Tudo para Jesus... Nada para mim”.
     Chegou ao Quênia em janeiro de 1915, experimentou a pobreza extrema, o cansaço, a solidão. Teve que se esforçar para aprender um idioma novo e penetrar em uma cultura muito diferente. Irmã Irene encontrou espaço em seu coração para aquele mundo ao qual se entregava com todo seu ser: é mulher humilde, cheia de fé ardente, de caridade intrépida e esperança inquebrantável para anunciar que Jesus é o Filho de Deus e o Salvador da humanidade.
     Em 1915, poucos meses após sua chegada ao Quênia, os efeitos da 1ª guerra mundial são sentidos nas colônias inglesas e alemãs, e envolvem diretamente numerosos missionários presentes na África Oriental.
     A partir de agosto de 1916, Irmã Irene exerce a tarefa de enfermeira da Cruz Vermelha no Quênia e na Tanzânia nos hospitais de campo erguidos pelos “carriers”, os trezentos mil e mais indígenas mobilizados pelos ingleses para defender e alargar suas fronteiras. Com piedade e abnegação ela passa dias e noites nas grandes tendas onde se amontoam até dois mil enfermos e feridos. Naquelas condições miseráveis falta tudo, porém Irmã Irene supre a falta de remédios e de assistência médica multiplicando os gestos de caridade e de afeto maternal a cada um desses po­bres jovens. “Essa irmã é um anjo”, eram os comentários.
     No fim da guerra Irmã Irene voltou para o Quênia, entre seus Agikuyus, e se entregou totalmente à obra de evangelização com inesgotável espírito apostólico. Ela era mestra, enfermeira, parteira, visitadora familiar e a todos levava amor e gestos concretos de solidariedade. Tanto que as pessoas começaram a chamá-la com carinho “Nyaatha”, que significa “a mãe toda misericórdia”.
     Ao completar 39 anos de idade, diante das necessidades incalculáveis da obra missionária e sempre mais consciente de sua pequenez, Irmã Irene sentiu um chamado interior para oferecer a Deus o supremo sacrifício de sua vida para o advento do seu reino. Duas semanas apenas depois do seu oferecimento, assistindo um doente de peste que morreu em seus braços, contraiu a mesma doença que em poucos dias a levou a morte, vítima de sua caridade heroica.
     Era o dia 31 de outubro de 1930. Enquanto a dolorosa notícia de sua morte se difundia, as pessoas aturdidas e consternadas acorriam em massa à missão para ver seu rosto pela última vez, superando o temor supersticioso dos mortos, ainda muito arraigado naquele tempo.
     Meio século depois, a Igreja de Nyeri (Quênia) e a de Turim pediram à Congregação dos Santos em Roma que sejam reconhecidas as virtudes heroicas de Irmã Irene Stefani, para a glória de Deus e exemplo aos fieis.
     Seus restos, exumados em 1995, repousam na igreja da Consolata em Nyeri ­Mathari (Quênia). Ela foi proclamada Venerável em 2 de abril de 2011. Após o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão, Irmã Irene Stefani foi beatificada em 23 de maio de 2015.
A água que se multiplicou
     O milagre aprovado pela Igreja é atípico e raro: uma pia batismal utilizada em batismos, com restos de água, misteriosamente não se esgotou nos três dias em que foi consumida por cerca de 250 pessoas escondidas numa igreja de Nipepe (Moçambique), que haviam fugido dos guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).
     Irmã Anair Voltolini, catarinense de Blumenau, que foi missionária por oito anos em Moçambique e hoje é a Provincial da Congregação da Consolata em São Paulo, conhece bem o milagre, pois sua missão estava distante apenas 130 km de Nipepe e ainda hoje há inúmeras testemunhas do fato. Ela conta “que apenas havia algumas bolachas para todas as pessoas. Não havia banheiros. Duas salas da igreja foram reservadas para as necessidades fisiológicas dos homens e mulheres. A única água existente eram seis litros que ficaram armazenados num tronco da pia batismal. No domingo anterior tinha havido batizados na paróquia. Durante estes três dias, todas as 250 pessoas tomaram dessa água que nunca secava, inclusive durante o evento nasceu uma criança que foi lavada com a mesma água”.
     “Um verdadeiro milagre científico. Depois de três dias, um homem saiu da igreja e foi obrigado a denunciar os demais. Os guerrilheiros entraram no recinto e obrigaram a homens e mulheres a viajar com eles até a base da Renamo, 200 km distante da vila”.
     O padre Frizzi estava celebrando a missa quando se deu o ataque. Os guerrilheiros, depois de pilharem a Missão e as casas dos catequistas, obrigaram o missionário a escolher um grupo de homens para carregarem os bens roubados e acompanhá-los até à sua base. O padre se negou proceder a tal escolha e evitou a todo o custo que alguém fosse levado com eles. Segundo a tradição maúa, sentou-se no chão, como sinal de recusa.
     Seguiu-se um longo impasse. O missionário negava-se a deixar partir a sua gente e os guerrilheiros não queriam voltar sozinhos. Ao final, alguns ficaram com o padre e as demais famílias com mulheres e crianças foram forçadas a ir para a base. Passados dois meses, todos fugiram e voltaram para Nipepe são e salvos. Um grande milagre da Irmã Irene.
Publicado no Jornal digital Parceiros das Missões, n.35, maio de 2015

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Santa Balsâmia, nutriz de São Remígio - 27 de outubro

    
     A qualificação que Santa Balsâmia trouxe com ela ao calendário é a de ama de leite, ou nutriz.
     A prática da amamentação pela ama de leite é hoje menos comum, justamente por ser objeto de críticas de caráter médico, de higiene e até mesmo psicológico. Mas houve um tempo em que era uma instituição de grande importância do ponto de vista social, enquanto numa plano de vida familiar era a resposta inevitável para os hábitos das esposas dos dias passados.
     A delicadeza das funções de uma nutriz, que era algo mais do que uma máquina de amamentar, explica a propagação do culto das santas amas de leite e especialmente a popularidade de Santa Balsâmia, muito viva nos séculos da Idade Média.
     A figura desta santa é muito pitoresca, mas também bastante nebulosa. Na França, na Diocese de Reims, ela é homenageada como a ama de leite de São Remígio, bispo daquela cidade. Reflete sobre ela a glória de um filho de leite de excepcional importância, porque São Remígio foi quem levou à conversão a Rainha Clotilde, depois ao seu marido Clovis, com todos os seus cavaleiros francos. Com a conversão de Clóvis, por parte de São Remígio, começou a história cristã da França, “a filha primogênita da Igreja", e nesta história, naquela prole, mesmo o leite de Santa Balsâmia parecia ter algum peso.
     Já dissemos que São Remígio é considerado pelos franceses quase como um segundo João Batista, profeta e precursor do Verbo cristão na França. Diz-se que também ele foi abençoado no ventre da mãe, Santa Celina, que corresponderia então a Santa Isabel, mãe de João Batista.
     Mas com a santa de hoje, Balsâmia, São Remígio teria algo mais do que o mesmo São João. Teria como santa até mesmo a nutriz, cujo nome no entanto aparece no final do século X e que, além de ama de leite, foi chamada mãe de santos, porque São Celsino seria um de seus filhos.
     Na França, ela foi chamada de Santa Nutriz, depois prevaleceu o nome de Balsâmia, como se o leite dispensado ao seu excepcional afilhado fosse um bálsamo perfumado da santidade.
      Um último detalhe as legendas adicionam ao seu relato. Embora reverenciada na França, ela seria de origem italiana, de fato Romana, e de Roma, inspirada por Deus, teria ido para Reims para levar a cabo a sua delicada tarefa de ama de leite. O significado disto é particularmente claro: o leite - ou bálsamo - transmitido pela nutriz a São Remígio, e deste transmitido a toda França, “a filha primogênita da Igreja", sem dúvida veio diretamente de Roma: incorrupto, não adulterado, não sofisticado, era o puro leite da doutrina católica, apostólica e romana.
 
Etimologicamente Balsâmia significa “bálsamo, perfume”. Vem do latim.
Fonte: www.santiebeati.it – Arquivo Paróquia

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Beatas Clotilde Paillot e companheiras, Mártires - 23 de outubro

    
     No final do século XVIII, em 14 de julho de 1789, a França foi duramente golpeada pela Revolução. Foi um momento de importantes transformações para praticamente todas as sociedades ocidentais. Foi também um período conturbado, sangrento, em que profundas injustiças foram cometidas.
     No dia 30 de setembro de 1790, os comissários da municipalidade de Valenciennes, de acordo com o decreto da Constituinte, se apresentaram no convento das Ursulinas para inventariar os bens da comunidade e para questionar se as irmãs tinham a intenção de perseverar na sua vocação. Havia então 32 irmãs no convento e a superiora era Madre Clotilde Paillot (* 25/11/1739 - + 23/10/1794), que tinha sido eleita no dia 13 de fevereiro do mesmo ano. A resposta das irmãs foi unânime: pretendiam continuar Ursulinas, devotadas à educação das jovenzinhas da cidade.
     Em 13 de setembro de 1792, Valenciennes foi assediada pelas tropas inimigas e no dia 17, tendo sido solicitado seu convento para os defensores da cidade, as Ursulinas foram obrigadas a procurar hospedagem junto às coirmãs de Mons, Bélgica. No dia 6 de novembro as tropas francesas, tendo vencido a batalha de Jammapes, ocuparam Mons, o que obrigou as Ursulinas, algumas semanas depois, a se mudarem novamente.
     Mas a ocupação francesa em Mons durou pouco. Derrotadas na batalha de Neerwinden, as tropas francesas a evacuaram em 21 de março de 1793. As Ursulinas de Valenciennes podiam pensar em retornar à sua cidade, já que os austríacos, possuidores da cidade, encorajavam a reconstituição da comunidade.
     Quando as religiosas chegaram à sua casa, iniciaram logo os trabalhos de restauração, pois fora saqueada. As irmãs não tardaram em retomar com toda intensidade suas atividades, tanto que em 29 de abril de 1794 houve uma profissão e uma vestição em seu convento.
     Em 26 de julho as tropas francesas conseguiram uma grande vitória em Freurus e em 26 de agosto os austríacos se retiraram de Valenciennes. Algumas irmãs permaneceram no convento com Madre Clotilde e foram aprisionadas em 1º de setembro e mantidas encarceradas em suas próprias celas. As outras foram procuradas e aprisionadas com numerosos outros suspeitos.
     O representante da Convenção era então um certo João Batista Lacoste, um dos personagens mais repugnantes daquela época. A sua grande ânsia era poder dispor de uma guilhotina, o que se tornara para ele uma verdadeira obsessão. Ele recebeu uma somente no dia 13 de outubro.
     Naquela data, o golpe de Estado do 9 termidor (27 de julho de 1794) já ocorrera, mas ele não levou isto em conta e mandou instalar a máquina sinistra, e naquele mesmo dia cinco condenados foram guilhotinados.
     No dia 15 de outubro, às nove horas da noite, 116 suspeitos foram reunidos no município e colocados à disposição do tribunal constituído ilegalmente por Lacoste. Eram particularmente numerosos os padres e as religiosas. A razão para condená-los era ocultada sob a acusação de traição e emigração. Os prisioneiros se encontravam em condições higiênicas incríveis e em grande promiscuidade, mas muitas irmãs puderam aproveitar para confessar-se e comungar.
     As primeiras Ursulinas a comparecerem diante do tribunal no dia 17 de outubro, juntamente com os padres refratários, foram guilhotinadas naquele mesmo dia.
     O segundo grupo de religiosas foi martirizado no dia 23 de outubro de 1794:
            Madre Maria Clotilde de S. Francisco de Borja foi a primeira a ser guilhotinada;
Irmã Maria Escolástica de S. Tiago (Margarida José Leroux), aprisionada no mesmo tempo que sua irmã Ana Josefa, chamada Josefina, professa nas Clarissas de Nuns, que fora obrigada a deixar a clausura por causa das leis emanadas durante a Revolução e se retirara entre as Ursulinas, junto à irmã;
Duas brigidinas: Maria Lívia Lacroix e Maria Agostinha Erraux;
A última, uma conversa, Irmã Maria Cordola Josefa de S. Domingos (Joana Luísa Barré)
     É preciso salientar o aspecto do testemunho dado pelas 11 religiosas por ocasião do processo que as mandou para a morte. A priora, Madre Clotilde Paillot, deu aos juízes respostas dignas dos mártires da Igreja primitiva e manifestamente inspiradas pelo Espírito Santo.
     Condenadas, as irmãs cortaram, elas mesmas, seus cabelos e desguarnecerem seus hábitos em volta do pescoço para facilitar a obra da guilhotina. Ansiosas por dar a conhecer o perdão aos seus perseguidores, apressaram-se em beijar as mãos de seus algozes. Subiram o patíbulo recitando o "Te Deum" e as ladainhas da Virgem.
     As 11 religiosas guilhotinadas em Valenciennes foram beatificadas por Bento XV em 13 de junho de 1920, junto com 4 Filhas da Caridade de Arras.
     As religiosas guilhotinadas no dia 23 de outubro têm sua festa litúrgica neste dia.