sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Santa Marciana de Cesarea da Mauritânia, Mártir - 9 de janeiro

    
     Dados biográficos tirados do livro de Abbé Perrier, La grande fleur de la vie des Saints:
     Em Rouzucourt, pequena cidade da Mauritânia, Argélia de hoje, vivia, em fins do século III, uma jovem chamada Marciana, tão piedosa quanto bela, que consagrou muito cedo sua virgindade a Deus e deixou tudo para viver numa cela perto da cidade romana.
     Ora, um dia, a virgem, inspirada sem dúvida pela voz do Senhor, saiu de sua cela e veio se misturar à multidão que circulava na cidade agitada por uma viva emoção, porque corriam os dias sangrentos da perseguição desencadeada no mundo inteiro pelo ímpio Diocleciano.
     Marciana, chegando pela porta Tipásia, viu colocada numa praça uma estátua de mármore da deusa Diana. Aos pés da deusa corriam águas límpidas num tanque também de mármore.
     A intrépida virgem não pode suportar a visão do ídolo impuro. E tendo primeiro lhe quebrado a cabeça, fez depois o ídolo em mil pedaços. Uma multidão furiosa se lançou sobre ela e a maltratou horrivelmente. Depois arrastaram-na ao pretório, perante o juiz imperial.
     A altiva cristã riu-se dos deuses de pedra e de madeira e gloriou-se de adorar o Deus vivo e o exaltou no templo, com voz eloquente. O juiz pagão irritou-se e entregou-a aos gladiadores para que servisse de joguete a infames ultrajes. A virgem permaneceu serena e sem medo. Durante três horas, com efeito, Deus a defendeu no meio desses brutos, atacados de terror e imobilidade. Pela oração da angélica mártir, um deles se converteu a Jesus Cristo.
     O tirano, confuso, redobrou seu ódio ímpio, e não podendo desonrar a virgem cristã, condenou-a a ser estraçalhada por animais ferozes. Marciana, quando chegou a hora, caminhou para a arena como para uma alegre festa, bendizendo a Jesus Cristo. Amarraram-na ao local do suplício e contra ela foi lançado um leão furioso que logo se atirou sobre a vítima, ficou de pé e colocou suas garras sobre seu peito. Depois, afastou-se bruscamente e não a tocou mais.
     O povo, tomado de admiração, gritou que libertasse a jovem mártir. Mas um grupo de judeus, misturado à multidão, e sempre sedento de sangue cristão, pediu que lançassem agora contra Marciana um touro selvagem.
     A fera aproximou-se dela e com seus chifres furiosos lhe fez no peito uma horrível ferida. O sangue jorrou e a virgem caiu agonizante na arena. Tiraram-na de lá por um momento, estancaram-lhe o sangue e como lhe restasse um pouco de vida, o bárbaro tirano a fez amarrar ainda uma terceira vez.
     Marciana ergueu seus olhos ao céu, um sorriso iluminou seu rosto marcado pelo sofrimento: Ó Cristo, gritou, eu Vos adoro e Vos amo. Vós estivestes comigo na prisão, Vós me guardastes pura e agora Vós me chamais. Ó meu Divino Mestre, vou feliz para vós. Recebei a minha alma.
     Neste momento, o tirano lançou-lhe um leopardo monstruoso, que com suas garras horríveis despedaçou os membros da heroica virgem e lhe abriu o glorioso caminho do Céu.
*

     Ela morre docemente chamando a Deus Nosso Senhor e confessando que ela vai para o céu. Qual é a finalidade daquilo? Qual era o último sentido daquilo? Os milagres deveriam atestar, junto ao povo ainda pagão, a veracidade da Religião Católica, e com isso contribuir para a conversão da bacia do Mediterrâneo. A grande obra da Igreja Católica nos séculos da Antiguidade foi a conversão da bacia do Mediterrâneo.
     Sentido da epopeia de Santa Marciana: converter os de seu tempo pelos milagres e pela beleza da doutrina; conservar a fé para a posteridade e convencer os pósteros pelo valor de seu testemunho.

Beata Maria Teresa do Sagrado Coração (Haze) Fundadora - 7 de janeiro

      O seu nome de batismo era Ioanna, ou seja, Joana, e foi uma das filhas da numerosa família Haze. Ela nasceu na cidade de Liège em 27 de fevereiro de 1782. Desde o berço apresentou uma inteligência precoce, aos quatro anos sabia ler e escrever corretamente, porque seu pai, professor de Letras, dedicava o seu tempo livre para ensinar os seus sete filhos. A sua família era rica e importante, plena de religiosidade, pois o pai era secretário do Príncipe-bispo de Hoensbroech.
     A família conviveu com os perigos da Revolução Francesa, pois a Bélgica foi ocupada até 1815, e teve de fugir para o exterior em consequência do avanço do exército revolucionário. Foi nesta circunstância que em 1795 seu pai veio a falecer em Düsseldorf. Depois, algumas de suas irmãs se casaram. Joana e a irmã Fernanda, ao invés do matrimônio, animavam o desejo de seguirem a vida religiosa, coisa impossível, por causa das leis anticlericais da época.
     Entretanto, permaneceram em casa levando uma vida religiosa missionária, dedicadas ao trabalho e as orações; alfabetizavam, catequizavam e atendiam os pobres, doentes e cuidavam da mãe, que morreu em 1820.
     Quatro anos depois, foi oferecida para elas uma escola paroquial em Liège, tolerada pelo governo holandês, ao qual estava submetida à população belga. A escola de bordado anexa a escola paroquial era frequentada pelas mulheres pobres da região.
     Em 1830, quando a Bélgica adquiriu sua independência, Joana decidiu fundar uma nova congregação religiosa, a qual recebeu o nome de "Filhas da Santa Cruz de Liège".
     Com a ajuda e supervisão do deão da Igreja de São Bartolomeu de Liège, Jean Guillaume Habets, redigiu as primeiras constituições. As atividades iniciaram em agosto de 1832, com a finalidade de organizar as escolas privadas, prestar assistência aos presos, aos hospitais dos carentes e dar atendimento às missões.
     Em 1833, na igreja de Potay, Joana e Fernanda fazem seus votos perpétuos. Joana tinha mais de 50 anos de idade e foi preciso uma autorização especial da Santa Sé para realizar sua vestição. Tomou o nome de Maria Teresa do Sagrado Coração e administrou a sua Obra até a idade bem avançada e com muita lucidez. Uma de suas motivações espirituais, que a acompanhou por toda vida, foi: "O Senhor apresenta a Cruz com uma mão e a consolação com a outra". A palavra de ordem de Joana era: “Ide aos pobres com um coração de pobre”.
     O arcebispo reconheceu oficialmente a Congregação em 1845 e aprovou as constituições em 1851.
     A nova Congregação tinha como prioridade a educação das jovens, mas também se dedicava aos doentes em suas casas, às mulheres prisioneiras, à catequese, aos idosos, à confecção de bordados, à ocupar as crianças durante o dia e os adultos nas noites. As religiosas começaram a ser conhecidas na cidade: elas tinham o encargo da prisão das mulheres, de uma casa para reabilitação de prostitutas, de uma casa de acolhimento para os mendigos.
     Logo foram abertas outras casas na Alemanha (1849), na Índia (1861), na Inglaterra (1863), chegando a 50 comunidades e cerca de mil religiosas.
     No dia 7 de janeiro de 1876, Maria Teresa do Sagrado Coração Haze faleceu em Liège e foi sepultada no cemitério de Chénée, na Bélgica. Cinquenta anos mais parte seu corpo foi exumado e estava incorrupto.
     A Congregação conta hoje com mais de 103 comunidades espalhadas em quatro continentes. O processo de sua beatificação se iniciou em 1911, pelos vários milagres atribuídos à sua intercessão. Foi aprovado pela Igreja em janeiro de 1991, sendo beatificada pelo papa João Paulo II em abril de 1991.
     Provavelmente a Beata Maria Teresa do Sagrado Coração, Ioanna Haze, tenha se tornado a beata mais idosa da história da Igreja Católica, pois morreu com noventa e quatro anos, em plena atividade.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Beata Maria Repetto, “a monja santa” - 5 de janeiro

    
     Maria Madalena Paregrina Repetto nasceu em Voltaggio, na província de Alexandria, diocese de Gênova, em 31 de outubro de 1809. Era a filha mais velha do notário João Batista Repetto e de Teresa Gazzale, que tinham dez filhos. Ela foi batizada no mesmo dia com o nome da Santíssima Virgem. Como a mais velha, logo teve que ajudar sua mãe no cuidado dos irmãos e nas tarefas domésticas. Era uma família profundamente religiosa de modo que quatro irmãs e um irmão consagraram-se a Nosso Senhor.
     O dia da Primeira Comunhão, que ela fez quando tinha dez anos, imprimiu em seu coração o desejo de viver o resto de sua vida em união com Jesus. Maria freqüentou a escola por alguns anos, mantendo vivo o interesse pela leitura, especialmente hagiografias. É muito provável que ela aprendeu com seu pai, que tinha uma certa cultura, enquanto sua mãe lhe ensinou a bordar. A serenidade da família foi perturbada quando Maria tinha treze anos, devido à morte prematura de dois irmãos.
     A condição social dos Repetto era certamente melhor do que da maioria dos habitantes de
Voltaggio uma região essencialmente agrícola. Dirigidas por sua mãe, Maria, e sua irmã Josefina visitavam as famílias mais necessitadas da região, fazendo pequenas doações ou trabalhos domésticos. Às vezes elas levavam para casa roupas para lavar ou consertar (um compromisso não leve para duas meninas). A fé realmente iluminava cada passo seu, e ela amadurecia lentamente no coração o desejo da consagração religiosa. Aos 20 anos, quando sua cooperação em casa podia ser dispensada, Maria comunicou seu desejo aos pais.
     Em 7 de maio de 1829, Maria entrou no Conservatório de Nossa Senhora do Refúgio no Monte Calvário, de Gênova. Este Instituto havia sido fundado em Gênova dois séculos antes por Santa Virginia Bracelli Centurione. Estas religiosas são chamadas de "Brignoline" do nome do nobre Emanuel Brignole, que lhes deu o local da primeira Casa Mãe.
     O dote que seu pai lhe deu foi suficiente para mantê-la por toda vida, além de uma soma que, com a permissão da superiora, ela poderia dar para instituições de caridade. Devido suas habilidades e sua instrução foi admitida como religiosa do coro e não como uma auxiliar. Ela pode viver a sua vocação na obscuridade total. No dia da Assunção do ano 1831 fez os votos privados de pobreza, castidade e obediência.
     De caráter simples e alegre, sua calma era edificante. Na oficina de bordado passava seus dias trabalhando e rezando. A oficina garantia importante renda para a casa e para Irmã Maria significava imitar seu patrono e mestre de vida São José, que com o trabalho de carpinteiro provia a subsistência da Sagrada Família. Maria tinha uma confiança ilimitada em São José.
     Em 1835, uma epidemia de cólera eclodiu em Gênova: o desejo de servir a Cristo no doente que sofria fez Irmã Maria vencer sua própria reserva. Com outras Irmãs ela dedicou-se com abnegação e amor. Seu compromisso foi tão grande que começaram a chamá-la de "monja santa". E pensar que por sua pequena estatura e sua humildade era muito difícil ser notada. Cessada a emergência, voltou para a oficina.
     Vinte anos mais tarde, outra epidemia de cólera atingiu a cidade (foi o verão de 1854) e Irmã Maria de novo deu tudo de si mesma como voluntária. As pessoas agora a consideravam uma criatura eleita. Posteriormente, por causa do enfraquecimento da vista, foi-lhe dado o trabalho de porteira. Uma tarefa aparentemente simples, mas fundamental para uma comunidade, uma vez que representa o principal contato com o exterior.
     Eram muitos os que batiam na porta do convento para mendigar ou para receber uma palavra de conforto e Irmã Maria era atenciosa e carinhosa com as necessidades de todos; para cada um tinha uma palavra. Foi nesta missão que se tornou proverbial sua devoção a São José. Ela recomendava a ele todos os doentes. No corredor, ao lado da recepção, havia uma imagem do santo e ela, quando eles pediam graças especiais, se apressava em ir pedir-lhe e implorar.
     Alguns episódios de sua vida são autênticos "fioretti". O grau de oração era muito intenso, gostava de meditar todos os dias as Estações da Via Sacra. Sua serenidade e seu sorriso encantavam; também tinha uma grande sensibilidade pelas vocações. Um dia Irmã Emanuela perguntou-lhe quando a reverenciada fundadora, Virginia Centurione, seria elevada a honra dos altares. Irmã Maria candidamente respondeu que isto iria ocorrer precedida porém por sua "filha". Ela não sabia que aludia a si mesma: Santa Virginia foi beatificada quatro anos após a Irmã Maria (mais tarde também foi canonizada).
     Em 1868 a comunidade teve que deixar o convento para dar lugar à construção da nova estação ferroviária de Brignole. A nova casa foi construída em Marassi e aqui Irmã Maria foi novamente nomeada porteira. Naqueles anos, em Gênova outro homem de Deus ajudava os necessitados: o capuchinho São Francisco Maria de Camporosso (1804-1866). Os dois nunca se encontraram, mas estavam "misteriosamente" em contato por meio de seus assistidos.
     Maria viveu toda sua vida em uma pobreza tal, que ela preferia usar as roupas usadas das Irmãs, que acomodava à suas medidas diminutas. No entanto, muito dinheiro passou por suas mãos: recebia dos ricos e com alegria dava aos pobres.
     Aos seus oitenta anos ela ingressou na enfermaria. Expirou serenamente no dia 5 de janeiro de 1890 tendo nos lábios as palavras "Regina Coeli Laetare, aleluia". Grande era sua fama de santidade, as irmãs mantiveram viva a sua memória, continuando em seu nome uma intensa atividade caritativa. Maria Repetto foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 4 de outubro de 1981. Suas relíquias são veneradas na igreja da Casa Mãe de Gênova.
 
Fonte: www;santiebeati.it

domingo, 3 de janeiro de 2016

Epifania do Senhor

    
     A Epifania do Senhor (do grego: Ἐπιφάνεια: "a aparição; um fenômeno miraculoso") é uma festa religiosa cristã que se celebrava no dia 6 de janeiro, ou seja, doze dias após o Natal, e que a partir da reforma do calendário litúrgico em 1969 passou a ser comemorada dois domingos após o Natal.
     A Epifania é relacionada ao momento da manifestação de Jesus Cristo como o enviado de Deus. Na narração bíblica Jesus deu-se a conhecer a diferentes pessoas e em diferentes momentos, porém o mundo cristão celebra como Epifanias três eventos:
  • A Epifania propriamente dita perante os magos do Oriente (como está relatado em Mat 2 1:12) e que é celebrada no dia 6 de janeiro;
  • A Epifania a João Batista no Rio Jordão durante o Batismo de Jesus;
  • A Epifania a seus discípulos e início de sua vida pública com o milagre de Caná, quando começa o seu ministério.
Narração de São Mateus, Capítulo 2
E tendo nascido Jesus em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém,
 Dizendo: Onde está aquele que é nascido Rei dos Judeus? porque vimos a sua estrela no oriente, e viemos adorá-lo.
 E o rei Herodes, ouvindo isso, perturbou-se, e toda Jerusalém com ele.
 E congregados todos os principais dos sacerdotes, e os escribas do povo, perguntou-lhes onde haveria de nascer o Cristo.
 E eles lhe disseram: Em Belém da Judeia; porque assim está escrito pelo profeta:
 E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as capitais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo Israel.
 Então Herodes, chamando secretamente os magos, inquiriu exatamente deles acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera.
 E enviando-os a Belém, disse: Ide, e perguntai diligentemente pelo menino, e quando o achardes, participai-mo, para que também eu vá e o adore.
 E tendo eles ouvido o rei, foram-se; e eis que a estrela, que tinham visto no oriente, ia adiante deles, até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino.
 10 E vendo eles a estrela, alegraram-se muito com grande alegria.
 11 E entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe, e prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, lhe ofertaram dádivas: ouro, incenso e mirra.
 12 E sendo por divina revelação avisados em sonho para que não voltassem para junto de Herodes, partiram para a sua terra por outro caminho.
 13 E tendo eles se retirado, eis que o anjo do Senhor apareceu a José em sonhos, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e demora-te lá até que eu te diga; porque Herodes há de procurar o menino para o matar.
 
Tradições:
     Em Portugal e na Galiza, o bolo-rei ou bolo de Reis possui grande tradição e é confeccionado com um brinde e uma fava. A pessoa que encontra a fava deve trazer o bolo de Reis no ano seguinte. Por todo o país as pessoas costumam «cantar os reis» ou as «reisadas» de porta em porta. São convidadas a entrar para o interior das casas e oferecidas pequenas refeições com doces, salgados, charcutarias, vinhos, etc. Neste dia eram também muito comuns os autos dos Reis Magos, peças de teatro popular.
     No Brasil, geminado culturalmente com Portugal, esta tradição tem muito do que se faz no velho país. A festa é comemorada com doces e comidas típicas das regiões. Há ainda festivais com as Companhias de Reis (grupo de músicos e dançarinos) que cantam músicas referentes ao evento, as conhecidas festas da Folia de Reis.
     Em alguns países, como Espanha, é estimulada entre as crianças a tradição de se deixar sapatos na janela com capim antes de dormir para que os camelos dos Reis Magos possam se alimentar e retomar viagem. Em troca, os Reis magos deixam doces que as crianças encontram no lugar do capim após acordar. A tradição também consiste em comer o Bolo de Reis.
     Na França e em Quebec (no Canadá), come-se o Galette des Rois (Bolo de Reis), que contém um brinde no seu interior. O bolo vem acompanhado de uma coroa de papel e quem encontrar o brinde na sua fatia, será coroado e terá de oferecer o bolo no ano seguinte. 

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Santa Elisabete Chong Chong-hye, Virgem e mártir - 29 de dezembro

    
Mártires Coreanas
     Elizabeth Chong Chong-hye (ou Jeong Jeong-hye) nasceu em 1797, em Majae, Coréia do Sul; era filha de Agostinho Jeong Yak-jong e de sua segunda esposa, Cecilia Yu So-sa. Ela tinha um irmão de sangue, Paulo Jeong Ha-sang (ou Chong Hasang), e um meio-irmão, Carlos Jeong Cheol-sang. Todos os filhos foram educados na fé católica pelo pai.
     Quando Elizabeth tinha cinco anos, Agostinho foi preso e posteriormente decapitado. Cecilia e os filhos também foram colocados na prisão: privados, por ordem do governo, de todos os seus bens, foram liberados mais tarde e foram morar com um parente que permanecera na religião de seus antepassados. Carlos, no entanto, sofreu o mesmo destino de seu pai.
     Para sustentar a mãe e o irmão, a jovem ganhava a vida fiando e tecendo, e fez um voto a Deus oferecendo-lhe sua virgindade. Ela era tão reservada, que nunca olhava o rosto dos homens. Seus parentes, que inicialmente a desprezavam, começaram a amá-la por causa de seu caráter suave.
     Quando Elisabeth estava com trinta anos, sofreu fortes tentações por um período de cerca de cinco anos, mas conseguiu superá-los através da oração, jejum e até mesmo flagelação. Seu maior desejo, que os missionários viessem à Coréia, foi realizado quando, graças ao seu irmão, chegaram o bispo Laurent Imbert e dois padres, Jacques Chastan e Pierre Maubant, das Missões Exteriores de Paris.
     Foi grande sua alegria ao hospedá-los em sua casa e em cuidar deles. Não cuidava só dos missionários, mas também das pessoas pobres que vinham vê-los, aos quais ensinava o catecismo e dava esmolas. Mons. Imbert ficou tão impressionado com sua atitude que disse: "Elizabeth é mesmo uma catequista".
     Quando a perseguição contra os cristãos recomeçou, o bispo fugiu de Seul para refugiar-se na zona rural, enquanto Elizabeth, Paulo e sua mãe fizeram o melhor para confortar os irmãos na fé, e fornecer alimentos e roupas para aqueles entre eles que eram pobres ou estavam na prisão. Enquanto isso, eles preparavam-se para o martírio.
     Os três foram presos em 19 de julho de 1839. Elizabeth foi submetida a interrogatórios, mas, porque recusou renunciar à sua fé, foi espancada 230 vezes em sete ocasiões distintas, mas nunca se rendeu. Ela estava determinada a suportar tudo por amor a Deus e a Nossa Senhora.
     Enquanto estava na prisão, ela nunca deixou de rezar e encorajar seus companheiros. Os espancamentos repetidos, ela dizia, faziam com que ela entendesse muito bem os sofrimentos de Nosso Senhor. Ela ainda obtinha alimentos e roupas para os prisioneiros.
     Em 29 de dezembro de 1839 foi decapitada junto com outros seis companheiros (Bárbara Cho Chung-i, Madalena Han Yong-I, Pedro Ch'oe Ch'ang-hub, Benta Hyong Kyong-Nyon, Bárbara Ko Sun-i e Madalena Yi Yong -dok), perto da Pequena Porta Ocidental de Seul. Ela tinha 43 anos. Paulo Jeong Ha-sang e Cecilia Yu So-sa também sofreram o martírio.
     Elizabeth e seus companheiros, junto com seu irmão e sua mãe, foram incluídos no grupo de 102 mártires coreanos canonizados pelo Papa João Paulo II em 6 de maio de 1984, como parte da sua viagem apostólica à Coréia, Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão e Tailândia. Seu pai Agostinho Jeong Yak-jong e o filho do primeiro casamento, Carlos Jeong Cheol-sang, foram beatificado pelo Papa Francisco em 16 de agosto de 2014, durante a visita apostólica à Coreia do Sul.
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    No mesmo dia, comemoração de Santa Benta Hyon Kyong-nyon e seis companheiros mártires.
Martirologio Romano: Em Seul, na Coréia, Santa Benta Hyŏn Kyŏng-nyŏn, viúva e catequista, e seis companheiros, mártires, que, depois de terem sofrido muitos suplícios em nome de Cristo, morreram finalmente decapitados.
 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Natal!

Santo Natal: A hora da confiança na noite do mundo

Por Roberto de Mattei | Tradução: Hélio Dias Viana FratresInUnum.com: 
     O Santo Natal não é apenas uma tradição cultural do Ocidente ou a simples memória, cara aos cristãos, de um fato histórico ocorrido na Palestina há 2015 anos. Ele é o momento em que o Redentor da humanidade se fez presente entre nós numa manjedoura, devendo ser adorado como Rei e Senhor do universo. O Natal é, sob esse aspecto, um dos mistérios centrais da nossa fé, a porta que permite entrar em todos os mistérios de Cristo. O Papa São Leão Magno (440-461) escreve: “Aquele que era invisível na sua natureza tornou-se visível na nossa. O Incompreensível quis ser compreendido; Aquele que é anterior ao tempo, começou a existir no tempo; o Senhor do universo, velando a sua Majestade, recebeu a forma de escravo” (Sermo in Nativitate Domini, II, § 2).
     A manifestação do Verbo encarnado foi também a hora de maior triunfo na história dos Anjos. A partir do momento de sua criação, na aurora do universo, eles sabiam que Deus se tornaria homem e O adoraram, deslumbrante, no seio da Santíssima Trindade. Esta revelação haveria de separar irrevogavelmente os anjos fiéis e os rebeldes, o Céu e a Terra, os filhos da luz e os filhos das trevas. Em Belém, chega finalmente para os Anjos a hora de se prostrarem diante do Divino Infante, causa e meio, escreve o Padre Faber, da sua perseverança.
     As harmonias do Gloria in excelsis inundaram o Céu e a Terra, mas naquela noite elas foram ouvidas apenas pelas almas que viviam desapegadas do mundo e com amor de Deus. Entre estas estavam os Pastores de Belém. Eles não pertenciam ao círculo dos ricos e poderosos, mas na solidão e nas noites de vigília em torno de seus rebanhos, mantiveram a fé de Israel. Homens simples, abertos ao maravilhoso, não se surpreenderam com a aparição do Anjo que, fazendo refulgir sobre eles uma luz celestial, disse: “Não temais, porque eis que vos anuncio uma boa nova, que será de grande alegria para todo o povo: Nasceu-vos hoje na cidade de David um Salvador, que é o Cristo, o Senhor. Eis o que vos servirá de sinal: Encontrareis um Menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura” (Lc 2, 11-12).
     Os Pastores seguiram docilmente as indicações do Anjo e foram guiados até a Gruta,  onde encontraram o Menino na manjedoura, com Maria e São José: “Invenerunt Mariam, et Joseph et Infantem positum in Praesepio” (Lc 2, 16). Tiveram a graça de ser os primeiros,  depois de Maria e José, a oferecer na Terra um ato de adoração eterna ao Menino de Belém.  Eles O adoraram, e compreenderam que na sua aparente fragilidade era o Messias prometido, o Rei do Universo.
     O Natal é a primeira afirmação da Realeza de Cristo, que tem por trono a manjedoura, a qual é o escrínio da Civilização Cristã nascente, cujos primeiros profetas são os Pastores. O programa dessa Civilização estava resumido nas palavras que uma miríade de Anjos proclamou naquela noite: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade” (Lc 2, 14).
     Com imensa alegria, os Pastores passaram a anunciar a Boa Nova por todas as partes, nos campos e nos montes. “Omnes qui audierunt mirati sunt” (Lc 2, 18), todos ficaram maravilhados, mas nem todos se dirigiram à Gruta de Belém. Muitos estavam imersos em suas ocupações e renunciaram a um esforço que teria mudado as suas vidas, no tempo e na eternidade. Outros tantos passaram diante da  Gruta naqueles dias, para satisfazer a própria curiosidade, mas não compreenderam,  ou não quiseram compreender, a maravilha do acontecimento.
     No entanto, a Realeza do Menino Jesus foi reconhecida por alguns dentre os mais sábios daquele tempo. Os Magos, Reis do Oriente, eram homens cujos olhares viviam fixados nas coisas celestes, quando no Céu apareceu uma estrela. Esta foi para eles o que o Anjo havia sido para os Pastores –  a voz de Deus que lhes diz: “Ego sum stella splendida et matutina” (Apoc. 22, 16). Também os Reis Magos, como os Pastores, corresponderam perfeitamente ao impulso divino. Eles não foram os únicos a ver a estrela, nem provavelmente os únicos a compreender o seu significado, mas foram os únicos a se porem em marcha rumo ao Ocidente. Outros talvez compreenderam, mas não quiseram  abandonar seus países,  suas casas, seus negócios.
     Os Pastores eram próximos de Belém, e distantes os Magos. Mas a ambos aplica-se o princípio segundo o qual aquele que se aproxima de Deus com pureza de coração jamais é abandonado. Os Pastores e os Magos arrecadaram dons de diversos valores, mas tanto uns quanto outros ofereceram o maior dom que possuíam. Eles deram ao Menino Jesus seus olhos, seus ouvidos, sua boca, seu coração, toda a sua vida;  em uma palavra, consagraram à Sabedoria Encarnada o próprio corpo e a própria alma, e o fizeram através das mãos de Maria e de José, na presença de toda a Corte celeste.
     Nisso imitaram a perfeita submissão à Vontade de Deus do Menino Jesus, que sendo o Verbo de Deus se aniquilou na forma de escravo da Vontade divina, e depois se deixou conduzir por todas as estações até a morte na Cruz e a glória: não escolheu o seu estado, mas deixou-se guiar, a cada momento, pela inspiração da graça, como escreveu um místico do século XVII (Jean-Baptiste Saint-Jure, Vita di Gaston de Renty, tr. it., Glossa, Milano 2007, p. 254).
     A devoção ao Menino Jesus é uma devoção na qual se experimenta um abandono radical à Divina Providência, porque aquele Menino envolto nas palhas é um Deus-homem que aniquilou a sua vontade para fazer a vontade de seu Pai que está nos céus, e o fará submetendo-se a duas criaturas excelsas, mas submissas a Ele: a Bem-aventurada Virgem Maria e São José.
     O Santo Natal é o dia do extremo abandono à Divina Providência, mas também da imensa confiança nos planos misteriosos de Deus. É o dia, escreve São Leão Magno, no qual “o Filho de Deus veio para destruir a obra do diabo (1 João, 3, 8), o dia em que se uniu a nós e nós a Ele, a fim de que o abaixamento de Deus até a humanidade eleve os homens até Deus” (Sermo in Nativitate Domini, VII, § 2). No mesmo sermão, São Leão denuncia o escândalo daqueles que, subindo na sua época os degraus da Basílica de São Pedro, misturavam as orações da Igreja com invocações voltadas aos astros e à natureza: “Que os fiéis – escreve – rejeitem este hábito condenável e perverso, que a honra devida somente a Deus não seja mais misturada com os ritos daqueles que adoram as criaturas. A Sagrada Escritura diz: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e servirás somente a Ele’” (Gn 1: 3).
     Como não entender a atualidade dessas palavras quando na fachada da Basílica de São Pedro são projetados espetáculos neopagãos e se celebra o culto panteísta da Natureza? Nestas horas sombrias, os católicos fiéis continuam a ter a mesma confiança da qual estavam imbuídos os Pastores e os Magos que se aproximavam do Presépio para contemplar Jesus.
     Chega o Natal. As trevas em que o mundo está submerso serão dissipadas e os inimigos de Deus estão tremendo, porque sabem que a hora de sua derrota se aproxima. Por isso eles odeiam o Santo Natal, e por isso nós, com o olhar confiante, contemplamos o Menino Jesus que nasce e Lhe pedimos que ilumine as nossas mentes no meio da escuridão, aqueça os nossos corações no frio, fortaleça as nossas consciências perdidas nas brumas da noite do nosso tempo. Menino Jesus, venha o teu Reino! 


Beata Antônia Maria Verna, Fundadora - 25 de dezembro

    
     Antônia Maria Verna nasceu no dia 12 de junho de 1773 em Pasquaro, pequena localidade da fértil e delicada planície do Piemonte italiano, terra regada pelo rio Orco, a poucos quilômetros de Rivarolo (Turim). Seus pais eram Guilherme Verna e Domingas Maria Vacheri, pobres camponeses; ela era sua segunda filha e a batizaram no mesmo dia de seu nascimento.
     Um único cômodo servia de lar para todos os membros da família, fortemente unida e ancorada na fé e seus princípios. Mamãe Domingas foi sua primeira catequista. Pequenina frequentava a igreja paroquial, seguindo com atenção as homilias e participava das aulas de catecismo; assim que voltava para casa, ensinava o aprendido às crianças que se reuniam em torno dela. Aprendeu a amar o Menino Jesus, a Virgem Imaculada (a quem se consagraria e que teria grande influência na fundação de seu instituto) e a São José, a quem elegeu como seu especial patrono. Três devoções que a acompanharão durante toda sua vida.
     Aos 15 anos estava desejosa de compreender o que Deus queria para ela. Os pais querem encontrar-lhe um bom marido, mas Antônia Maria tem uma ideia completamente diferente. Esta divergência de opções causou muito sofrimento a ela. Naqueles tempos de "combate espiritual" encontrou a força e a coragem na oração, e depois de longo estudo com seu confessor, tomou a decisão de se consagrar a Deus com o voto de virgindade perpétua. Não sabemos exatamente onde e quando ela fez o voto, talvez na igreja de sua terra natal, ou em uma capela dedicada a Nossa Senhora da Providência.
     Devido a insistência reiterada para o casamento (de fato não faltavam os pretendentes), Antônia Maria se vê obrigada a deixar Pasquaro por um certo período de tempo.
     Entrementes, as comoções causadas pela ideologia da Revolução Francesa de 1789 debilitavam também na Itália o sentimento religioso, reduzindo o senso ético da sociedade. A lava revolucionária ia invadindo e cobrindo de naturalismo e de racionalismo todos os campos, para proclamar com violência os “direitos humanos”, direitos que nada têm que ver com a dimensão sobrenatural, dimensão que era expulsa com agressão e ódio.
     O protestantismo, o iluminismo, a filosofia laicista, a maçonaria penetraram no tecido da civilização europeia. Antônia Maria, inteligente e com visão do futuro, dá conta de que chegara o momento de enfrentar o mal, apesar de ter somente 17-18 anos de idade.
     Seu primeiro biógrafo, Francisco Vallosio, escreveu: “Ela intuiu a causa do mal de seu tempo: ‘a falta de instrução e de uma educação cristã básica’. E assim surgiu nela o pensamento generoso de opor-se àquele rio, para deter o vício desenfreado, dissipar as trevas da ignorância, formar os jovens na virtude e levá-los a Deus”.
     Depois do voto de virgindade, emitido aos 15 anos, decidiu retornar humildemente aos bancos escolares, percorrendo a pé 8 quilômetros diariamente para por em prática o que tinha em mente e que sentia que fora ditado por Nosso Senhor. A oração e a penitência são as armas de sua impetuosa chamada: assim começou o apostolado em Pasquaro, com simplicidade, porém com grande eficácia, cuidando maternalmente das crianças e dos jovens.
     Vallosio escreve: “Com amor de mãe reprova, reza e evitava que aqueles rechaçassem as práticas cristãs: toda zelo e paciência para instruir os ignorantes, reconfortar os débeis, consolar os aflitos, e com doçura inefável compartilha o pão do intelecto com as crianças, instruindo-as nos princípios básicos da religião”.
     Ela sente que os confins de Pasquaro são demasiado estreitos para sua missão e se muda, entre 1796 e 1800, para Rivarolo Canavese. Eram tempos duros e difíceis: primeiro os ventos da Revolução Francesa chegaram ao Piemonte, depois chegaram as campanhas militares de Napoleão; as pessoas estão cada vez mais pobres, a delinquência se expande.
     A nova casa de Antônia Maria era constituída de um único quarto que serve de “templo, sala de aula e claustro”. Neste local inicia aulas que incluem o ensino do catecismo e a alfabetização. Sua caridade também se estende a assistência aos doentes em suas casas. Mas, está sozinha, as tarefas são muitas e não dá conta de todas, por isto, entre 1800 e 1802, reúne várias companheiras (não se tem os dados precisos), e a primeira comunidade foi constituída. Assim surgiu as Irmãs da Caridade da Imaculada Conceição.
     Para conseguir a ereção canônica da Congregação, Madre Verna teve que enfrentar muitos obstáculos. Em 7 de março de 1828 obteve a Patente Real de aprovação do Instituto; nesse mesmo ano, em 10 de junho, e com o apoio do Bispo de Ivrea, as fundadoras da Congregação puderam tomar o hábito e realizar sua profissão religiosa. Em 27 de novembro de 1835 recebeu a aprovação eclesiástica definitiva.
     Madre Verna faleceu no dia de Natal de 1838, deixando a suas filhas uma atividade fecunda, capaz de oferecer gratuitamente (“grátis”, como a fundadora costumava dizer), sem reservas, e por amor de Deus, “o aceso completo ao trabalho da salvação, à exemplo de Maria Imaculada”, como é indicado na Regra da Congregação.
     Data de sua beatificação: 2 de outubro de 2011, durante o pontificado de S.S. Bento XVI.
Fonte: www.santiebeati.it