quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Beata Isabel Canori Mora, Mãe de família, 3ª. trinitária - 5 de fevereiro

    
     Isabel Canori Mora (1774–1825) foi uma leiga romana beneficiada com extraordinários fenômenos místicos.
     Em 1996, a Libreria Editrice Vaticana, com o Imprimatur da diocese de Roma, editou tais escritos na íntegra, seguindo a ortografia e a gramática italiana moderna (La mia vita nel Cuore della TrinitàDiario della Beata Elisabetta Canori Mora, sposa e madre, Libreria Editrice Vaticana, 1996, 765 pp. Imprimatur do Vicariato de Roma, Pe. Luigi Moretti, secretário-geral, 31-8-1995). [...]
     A nota dominante da vida da bem-aventurada foi dada pelo pedido que Deus lhe fez, de oferecer-se como vítima pela preservação do Papado em Roma. Tal pedido ocorreu no início do pontificado de Leão XII (28.9.1823–10.2.1829), quando a beata teve uma revelação sobre uma futura restauração da Igreja.
     Deus, que costumava falar a ela com uma franqueza não usual sobre o Papado, então lhe fez ver que essa renovação da Igreja não dependia tanto dos ocupantes da Cátedra de Pedro quanto da erradicação dos erros que envenenam a sociedades civil e eclesial.
     Esses erros afiguravam-se na visão como cinco imensas árvores que intoxicam e matam espiritualmente grandes multidões de homens. A indispensável tarefa de erradicação desses erros tem um lado angélico sobrenatural.
     Essa visão reveste-se de interesse todo especial para os nossos dias. Quando, afinal, a Igreja será restaurada?
     No dia 10 de janeiro de 1824 minha alma foi admitida para falar familiarmente com meu Deus. Ele se deteve, na sua infinita bondade, para falar com minha pobre alma sobre as circunstâncias de nossa santa religião católica e da Santa Igreja.
     Minha alma assim orava a meu Deus pelas necessidades atuais da Santa Igreja:
     – Meu Deus – dizia – quando acontecerá que eu possa Vos ver honrado e glorificado por todos os homens como convém? Mas, oh meu Deus, como são poucos os que Vos amam! Oh, como é grande o número dos que Vos desprezam, meu Deus, que grande pena é isto para mim! Acreditava que com esta eleição de um novo Papa [Nota: refere-se à eleição de S.S. Leão XII] a Santa Igreja seria renovada, e que o Cristianismo iria mudar de costumes; mas, pelo que eu vejo, caminhamos de mesmo jeito.
     Diante desta minha insistência, Deus me respondeu assim:
     – Minha filha, não recordas que Eu te disse que a nave era a mesma, e que adiantaria pouco, para os marinheiros da nave, mudar de piloto?
     Minha alma respondeu:
     –Ah sim, meu Deus, lembro-me que, três dias após a eleição do sumo pontífice Leão, fizestes-me entender bem que a série de perseguições não havia acabado. Meu Deus, se a nave será sempre a mesma, nós ficaremos presos aos mesmos males! Ah! Senhor, reparai-a Vós, fazei uma nave nova, que nos conduza ao porto da bem-aventurança eterna do Paraíso!
     Sim, meu Deus, peço-Vos esta graça pelos vossos méritos infinitos, sim, não m’a negueis. Vós me tendes prometido ouvir minhas pobres orações. Sim, pela vossa bondade, ouvi-me, então, pois eu Vos rogo por todo o Cristianismo: reponde-nos no bom caminho, Vos rogo, Vos suplico, pelo vosso Sangue Preciosíssimo; para que fabriqueis a nave de nossa salvação!
     E assim ouvi responder:
     – Minha filha, antes de construir essa nave, devem tirar aquelas cinco árvores que estendem suas raízes pela terra.
     Ouvindo estas palavras, minha alma entristeceu muito, achando que demoraria muitíssimo tempo fazer esta nova nave.
     – Portanto – eu dizia chorando – dois séculos não serão suficientes para fabricar esta nave! Meu Deus, quanta pena isso me causa. Se Noé demorou cem anos para fabricar a Arca, Vós, portanto, oh meu Deus, continuareis a ser ofendido durante um tão longo período de tempo? Eu não posso imaginar, eu me sinto desmaiar pela dor. Oh meu Jesus, tirai-me a vida, pois eu não consigo Vos ver de tal maneira ofendido.
     Chorava abundantemente e me sentia esmagada pela grande aflição de espírito; mas, enquanto estava nessa situação aflitiva, ouvi uma voz que dizia:
     – Serena teu espírito, enxuga também tuas lágrimas. Sabe que este não é um trabalho terrestre, como o de Noé, mas é um trabalho celeste, porque os fabricantes desta minha nave são os meus anjos. Alegra-te, oh minha filha, amada, e não te entristeças! O tempo está em minhas mãos, posso abreviá-lo quanto quiser; reza, não te canses, que não será tão demorado como tu pensas.
     E minha alma respondeu assim:
     – Oh meu Deus, quanto me alegrais fazendo-me saber que Vos aprazará abreviar o tempo de vossas misericórdias; venha logo este tempo bendito, oh meu Senhor, para que sejais conhecido, amado e adorado como convém por todos.
     Assim a Beata Isabel Canori Mora deixou registrado no diário com suas revelações místicas, que escreveu por ordem de seu diretor espiritual:
Os anjos lhe revelam a conspiração dentro da Igreja Católica
     No dia 26 de janeiro de 1815, fui levada pelos santos anjos, que costumam me favorecer, a um lugar subterrâneo, onde, pelas tochas acesas que conduziam nas mãos, pude descobrir a perseguição oculta que é feita por muitos eclesiásticos contra Deus. Sob o manto do bem, perseguem a Jesus crucificado e seu Santo Evangelho. Eu os via como lobos enraivecidos que maquinavam derrubar o chefe da Igreja de seu trono, procuravam por todas as formas jogar por terra a Igreja Católica.
     Mas porque foi do agrado de Deus, pela valiosa intercessão do patriarca Santo Inácio, eu via surgir da nobilíssima Companhia de Jesus um grande personagem, rico de virtudes e de doutrina, muito insigne, dotado de celeste eloquência, que sustentava os direitos da Igreja Católica, juntamente com outros seus companheiros, muitos dos quais davam seu sangue por Jesus Cristo.
     Diante deste conhecimento, minha pobre alma apresentava ardentes orações ao Altíssimo, para que se dignasse libertar nossa Mãe, a Santa Igreja, de uma perseguição tão funesta.
     Subitamente, eu fui levada como por um relâmpago a ver o duro estrago que está para fazer a justiça de Deus sobre aqueles miseráveis. Com supremo terror, eu via relampaguear em volta deles os raios da justiça irada. [...]
A Igreja Católica vivendo uma espécie de Paixão
     No dia 1º de abril 1815, (...) depois do jantar, eu estava na igreja, na adoração do Santíssimo Sacramento, quando me pareceu ser transportada num instante a um local solitário onde tudo respirava tristeza e aflição.
     De improviso vi chegar muitos Anjos que, pelos seus rostos e suas vestimentas, denotavam os gravíssimos padecimentos de nossa Mãe a Santa Igreja. Depois vi chegar mais outros três Anjos, igualmente vestidos de luto, muito mais tristes que os primeiros. Eles levavam sobre os ombros uma pedra de um tamanho desmesurado e de uma beleza ímpar. Pousaram com muito respeito solitário a referida grandíssima e belíssima pedra naquele lugar, e todos os anjos mencionados formaram em volta dela uma coroa, e choravam olhando-a cheios de tristeza.
     Como foi lutuosa a impressão que recebeu meu coração, não saberia repeti-lo. (...) E eis que vi de longe chegar outros homens de santa vida, tristes nos rostos, penitenciais nas vestimentas, que olhavam dita pedra e choravam. A aflição deles demonstrava muita coisa. Diante deste comparecimento, meu espírito ficou muito aflito e angustiado. Mas não acabou aqui a minha pena.
     Eis que de novo vejo aparecer muitas santas virgens, tristes e doloridas, com os rostos pálidos e vertendo muitos prantos, seus corações estavam cheios de pesar. Estas virgens aflitas acompanhavam uma venerável matrona, vestida de escuro, com a tristeza no rosto e a aflição no coração.
     Vendo isto o meu espírito ficou intrigado, e cheio de temor procurava o significado de tudo quanto tinha visto, quando desde o alto do céu percebi relampagueando os raios da justiça irritada.
     Meu espírito ficou estupefato de medo, privado de todo conhecimento.
Perseguições atraem um caos e um castigo universal
     No dia 11 de abril de 1815, enquanto rezava pelas necessidades de nossa Mãe, a Santa Igreja, e do Sumo Pontífice, me pareceu ter uma notícia interna que me mostrou a grande manobra que é feita pelos perseguidores de nossa religião católica. Estes tentam, com enganos sutilíssimos e argumentos dissimulados, derrubar o chefe da Igreja. Imploremos ardentemente ao Senhor para que ninguém seja enganado pelas fraudes deles.
     No dia 7 de junho de 1815, durante a Santa Comunhão, fui levada a um local solitário onde tive notícia das graves aflições que deverá sofrer nossa santa Mãe a Igreja. Oh, quantas penas! Mas quantas deveremos sofrer nós! Deus quer renovar todo o mundo. E isto não se pode fazer sem uma grande destruição. (...)
Purificação da Igreja Católica
     O mundo era proa de uma gravíssima desolação. A pequena grei de Jesus Cristo apresentava ardorosas orações ao Altíssimo para que se dignasse suspender tanto extermínio e tanta ruína. Em atenção aos votos deste pequeno número, cessava o extermínio por parte dos homens e começava um outro da parte de Deus.
     O céu ficou coberto de negras nuvens, estourando os mais terríveis raios que aqui incineravam, lá incendiavam. A terra estava abalada não menos que o céu. Terremotos mais horríveis, as voragens mais ruinosas provocavam os derradeiros estragos sobre a terra. Desta maneira foram separados os bons católicos dos maus cristãos.
     Muitos daqueles que outrora negavam Deus agora O confessavam e O reconheciam pelo Deus que Ele é.
     Todos O respeitavam, O adoravam, O amavam. Todos observavam sua Santa Lei. Todos os religiosos e as religiosas se estabeleciam na verdadeira observância de suas Regras.
     O clero secular era a edificação da Santa Igreja. Nas Ordens religiosas floresciam homens de muita santidade e doutrina, de vida muito austera. Todo o mundo estava em paz.
     Escrito por obediência.

Fontes: Impresso: —Bem-aventurada Isabel Canori Mora (1774–1825) "La mia vita nel Cuore della Trinità — Diario della Beata Elisabetta Canori Mora, sposa e madre", Libreria Editrice Vaticana, 1996, 765 pp. Imprimatur do Vicariato de Roma, Pe. Luigi Moretti, secretário-geral, 31-8-1995" Manuscrito: MS 132, igreja de San Carlo alle Quattro Fontane, Roma. Versão digital: — Intratext.
http://www.intratext.com/IXT/ITA1070/.
http://aparicaodelasalette.blogspot.com.br/2013/03/conspiracao-na-igreja-e-seu-castigo.html

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Apresentação do Senhor - 2 de fevereiro

    
 
     Esta festa, colocada 40 dias depois do Natal, apresenta diante dos nossos olhos um momento particular da vida da Sagrada Família: segundo a lei mosaica, o Menino Jesus é levado por Maria e José ao templo de Jerusalém para ser oferecido ao Senhor. Simeão e Ana, inspirados por Deus, reconhecem naquele Menino o Messias tão esperado e profetizam sobre Ele. Estamos na presença de um mistério, ao mesmo tempo simples e solene, no qual a Santa Igreja celebra Cristo, o Consagrado do Pai, primogênito da nova humanidade.
     A Igreja celebra, a cada dia 2 de fevereiro, a festa da apresentação do Senhor, que é chamada também de Purificação de Nossa Senhora, ou Nossa Senhora das Candeias, ou ainda Nossa Senhora da Candelária. É uma das festas mais antigas da Igreja Católica. Data do século IV. É o dia em que Nossa Senhora e São José apresentam a Deus o filho Jesus.
     O gesto da apresentação recorda o oferecimento de toda a vida de Jesus Cristo a Deus, vislumbrando que Sua existência está voltada para a humanidade. Esta festa também é conhecida como Festa da Purificação de Nossa Senhora, pois a lei de Moisés fixava o tempo em que as mães, após dar à luz, deviam se apresentar com os filhos recém-nascidos, diante dos altares do Templo. Além disso, determinava uma oferenda a ser feita quando a criança era do sexo masculino.
     No Templo, José e Maria encontram a profetisa Ana e o velho Simeão.  Ana, viúva há muitos anos, vivia no Templo dedicando-se ao serviço a Deus com jejuns e orações.  Ao encontrar o Menino, reconhece Nele o Messias esperado e põe-se a louvar a Deus e a falar da revelação que lhe acontecera a todas as pessoas.
     É Simeão quem reconhece no Menino o verdadeiro Messias tão esperado e, após agradecer a Deus, adverte Maria sobre o futuro de Jesus: Ele será um sinal de contradição, revelando os pensamentos de muitos corações e uma espada transpassará a alma da Mãe amorosa, que verá seu Filho sofrer pelo egoísmo da humanidade que não O receberá.
     Certamente, Maria continuava a meditar sobre o significado de todas essas coisas em Seu coração.  Voltando para Nazaré, acompanha o crescimento do Menino em sabedoria, estatura e graça.
     Peçamos ao Senhor que, a exemplo de Simeão e de Ana, possamos penetrar no mais profundo do mistério de seu Filho Jesus, e nos tornar proclamadores da salvação presente na nossa história. 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Há cem anos aparecia em Fátima o Anjo de Portugal

     No início deste novo ano, nós olhamos para trás com gratidão em relação ao ano anterior. Hoje você é convidado a viajar de volta ao ano de 1916. E vamos longe... para Portugal.
     Vamos encontrar três pastorinhos: Jacinta, Francisco e Lúcia. Eles passaram um dia tranquilo de primavera fazendo o que todas as crianças faziam naquela época e continuam a fazer hoje (quando não há videogames por perto!). Eles estavam brincando com pedras, jogavam com seixos... QUANDO, num piscar de olhos, as suas vidas mudaram para sempre!
     Eis as próprias palavras de Lúcia: "E então começamos a ver, ao longe, acima das árvores que se estendiam para o leste, uma luz mais branca do que a neve na forma de um homem jovem, bastante transparente, e tão brilhante como cristal aos raios do sol”. Então, essa "luz mais branca do que a neve" começou a falar, dizendo: "Não temais. EU SOU o Anjo da Paz. Rezai comigo".
     Desta forma, o Anjo da Paz preparava estas três crianças para tornarem-se amigos íntimos de Nossa Senhora; preparava-os espiritualmente para receber a Rainha do Céu.
     Caros amigos de Maria Ssma., acreditamos que este Anjo da Paz está nos pedindo para nos prepararmos da mesma maneira para o Centenário de Fátima que vai ocorrer daqui um ANO. Em um ano nós estaremos comemorando 100 anos que Nossa Senhora, Ela mesma, apareceu aos pastorinhos de Fátima, dando-lhes – e a todo o mundo – a solução para o nosso tempo: Oração. Penitência. Conversão.
     Estamos prontos para o Centenário? Então, vamos nos preparar espiritualmente com uma oração diária - ou tão frequentemente quanto possível: a mesma oração que mudou a vida de Jacinta, Francisco e Lúcia. Vamos deixar de "brincar com seixos" - as pequenas coisas diárias - e vamos rezar com o Anjo da Paz. Santo Agostinho disse: "A paz é a tranquilidade da ordem". Que o Anjo da Paz, no ano de 2016, traga ordem e paz à nossa alma e ao mundo.
(excertos de artigo do site americaneedsfatima.org)
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     Na primeira aparição, o Anjo ensinou esta jaculatória: “Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam“.
     Dias depois o Anjo apareceu e disse: “Que fazeis? Orai, orai muito. Os Corações Santíssimos de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente orações e sacrifícios ao Altíssimo”.
     Como nos havemos de sacrificar?” – perguntou Lúcia.
     De tudo que puderdes, oferecei a Deus um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí, assim, sobre vossa Pátria, a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai, com submissão, o sofrimento que o Senhor vos enviar”.
     Meses depois, eis que aparece o Anjo trazendo na mão um Cálice e, sobre ele, uma Hóstia, da qual caíam dentro do Cálice algumas gotas de sangue. O Anjo deixou o Cálice suspenso no ar, e prostrou-se em terra, repetindo três vezes a oração:
     “Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores".
Monumento ao Anjo de Portugal em Fátima
 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

São Paulo legou um verdadeiro manual de apostolado, com a gravidade de um testamento espiritual 25 de janeiro

    
     Vamos passar a coisas muito mais altas, muito mais antigas e muito mais transcendentais. Do fundo dos séculos nos vem hoje a voz de São Paulo. Hoje é sua festa e o 413° (hoje 462º) aniversário desta cidade, que se chamou exatamente São Paulo por ter sido fundada no dia 25 de Janeiro. É razoável e justo, portanto, que no comentário do Santo do Dia ouçamos pelo menos trechos de uma epístola de São Paulo a Timóteo: 
Dou graças Àquele que me confortou, a Jesus Cristo, Nosso Senhor, porque me julgou fiel pondo-me no ministério a mim, que fui antes blasfemo e perseguidor e injuriador”. 
     Ele dá graças a Deus por ter sido posto no ministério eclesiástico e levado à excelsa categoria de Apóstolo, embora tenha sido antes um inimigo de Nosso Senhor Jesus Cristo. 
... mas alcancei a misericórdia de Deus porque eu fiz por ignorância, sendo ainda incrédulo”. 
     Quer dizer, muitas coisas ele não sabia, o que lhe servia de atenuante. 
Mas a graça de Nosso Senhor superabundou com a fé e a caridade que há em Jesus Cristo. Palavra fiel e digna de toda aceitação, Jesus Cristo veio a esse mundo salvar os pecadores, dos quais sou o primeiro”. 
     Ele reconhecia que era pecador; que Jesus Cristo veio ao mundo salvar pecadores como ele, então recebeu aquela superabundância de graça que o tornou o Apóstolo das gentes. 
Mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, sendo o primeiro, mostrasse a Jesus Cristo toda a sua paciência, para exemplo dos que hão de crer nele para alcançar a vida eterna”. 
     Sendo ele o Apóstolo das gentes, um caso insigne da Igreja de Jesus Cristo, era bom que se provasse nele a misericórdia de Deus, a Quem tinha ofendido e por misericórdia tinha sido perdoado. E era bom, portanto, que essa misericórdia brilhasse em si.
     Agora vem, então, a parte para nós mais sensível da epístola: 
Tu (Timóteo) persevera no que aprendeste e que te foi confiado, sabendo de quem aprendeste. Conjuro-te, diante de Deus e de Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu reino, prega a palavra, insiste a tempo e fora de tempo, repreende, suplica, admoesta com toda paciência e doutrina, porque tempo virá em que muitos já não suportarão a sã doutrina, mas desejosos de ouvir coisas agradáveis cercar-se-ão de mestres segundo seus desejos e apartarão os ouvidos da verdade e os aplicarão às fábulas. Tu, porém, vigia sobre todas as coisas, suporta os trabalhos, faz a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério; sê sóbrio; porque quanto a mim estou para ser oferecido em libação e o tempo de minha dissolução se avizinha”. 
     Estou para ser oferecido em libação”: era a vítima que estava para ser oferecida como holocausto; “o tempo de minha dissolução se avizinha”: o tempo em que se há de dissolver o ente dele, separando-se a alma do corpo. 
Combati o bom combate, acabei a minha carreira; guardei a fé, de resto, está-me reservada a coroa de justiça que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não só a mim, mas também a todos aqueles que desejam a sua vida”. 
     Estas palavras, que vamos analisar em seguida, foram pronunciadas por São Paulo no momento precisamente em que se divisava para ele a hora da morte. Essa epístola tem algo da gravidade de um testamento, das últimas palavras de um mestre a um discípulo bem amado, no momento em que esse mestre percebe que vai deixar a terra.
     Quais são os conselhos que dá a esse discípulo?
     Em primeiro lugar, diz ele: “há de vir um tempo em que muitos já não suportarão a doutrina, mas desejosos de ouvir coisas agradáveis cercar-se-ão de mestres segundo seus desejos”. Isso exatamente acontece em nossa época, mais do que em todas as anteriores. As pessoas não querem ouvir os mestres ortodoxos que dizem o que Jesus Cristo ensinou. Mas querem ouvir mestres segundo seus desejos. Ou seja, querem que a moral católica fosse relaxada para assim também levar uma vida relaxada.
     Então, não dar ouvidos aos católicos que ensinam a moral católica como ela é, mas sim conforme diz o mau católico, o sacerdote traficante, que ensina a doutrina católica como ela não é, mas como se gostaria que fosse. Aceita-se qualquer nova heresia porque é agradável de ouvi-la. Esses que assim ensinam são mestres falsos, de acordo com os desejos dos homens. E exatamente em nossa época se dá isso. Muitíssimos não querem mais os mestres verdadeiros, muitíssimos querem mestres falsos segundo os seus desejos. 
E apartarão os ouvidos da verdade”. 
     Quando se procura ensinar a verdade, mostrar qual é a doutrina católica verdadeira, eles desviam os ouvidos. 
E os aplicarão à fábula”. 
     A “fábula” é mentira, imaginação, embuste. Eles não ouvirão a verdade, mas vão ouvir as fábulas, vão ouvir tantos erros que infelizmente circulam dentro da Santa Igreja e que as almas aceitam porque estão de acordo com seus instintos depravados, que facilitam a circulação de seus vícios e nos quais, portanto, eles acreditam.
     Timóteo estava posto, assim, por São Paulo, em face da proximidade de heresias que iam se dar dentro da Igreja daquele tempo.
     De fato, no tempo das catacumbas houve heresias. Mas sobretudo São Paulo previa os nossos tempos e os tempos do Anticristo. Seus conselhos não são apenas para Timóteo, mas para todos que ao longo dos séculos se encontrassem em condições análogas às de Timóteo e que lutariam contra os fautores do erro, e isto (é valido) até o fim do mundo para os que lutarão contra o Anticristo. São, portanto, conselhos diretamente aos que lutamos contra o precursor do Anticristo. E quais são esses conselhos? “Persevera no que aprendeste e que te foi confiado, sabendo de quem aprendeste e que te foi confiado”.
     Quer dizer, antes de tudo, primeira recomendação: persevera na fé, persevera  na fé antiga, persevera na fé tradicional que tu aprendeste, porque sabe quem é que ensinou. Era uma pessoa digna de crédito, digna de confiança, que transmitia verdadeiramente a verdadeira fé. Então, primeira recomendação: atitude de fidelidade, de eco, de docilidade ao ensinamento tradicional da Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana.
 
continua...

São Paulo legou um verdadeiro manual de apostolado - 25 de janeiro

cont.
 
     Os sacerdotes das gerações antigas, verdadeiros depositários da verdadeira fé, deram um ensinamento que chegou até nós. Podemos saber qual é a tradição e, com esta, qual é a verdade. Porque o que a Igreja ensinou ontem, não pode ter ficado erro hoje, tem que ser verdade sempre. E se há uma contradição, está no novo.
     Então, devemos ser homens que perseveram, quer dizer, que continuam, que estão na mesma fé de antigamente e que nela permanecem fiéis. Essa é a primeira recomendação.
     Depois ele continua:
“Conjuro-te, diante de Deus e de Jesus Cristo que há de vir julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu Reino...”
     Ou seja: eu te peço diante de Cristo, e lembra-te que esse Cristo – em presença do qual eu te faço esse pedido – virá à terra julgar os vivos e os mortos, e vai te julgar, portanto, a ti, a quem eu faço esse pedido; e vai te julgar em função do atendimento que deres a esse pedido. Eu te peço em presença de Jesus Cristo, eu te peço pelo amor à vinda dele, pelo amor ao Reino dele eu te peço. Peço o quê? Agora vem o dever:
“... prega a palavra”.
     Nós não somos sacerdotes, mas temos o direito – como leigos – de transmitir a palavra pregada pelos sacerdotes genuínos, que dão a doutrina verdadeira e que são sacerdotes fiéis ao passado. Então, logo depois da fidelidade à doutrina católica vem o enunciado da doutrina católica para outros, da doutrina tradicional, afirmação da qual é a verdadeira doutrina católica. Então:
           “prega a palavra, insiste a tempo e fora de tempo”.
     Ou seja, insiste caso os outros gostem, mas caso os outros achem que você é importuno, insista também. A expressão latina é mais rigorosa do que está aqui: “oportune et importune”: insista oportunamente e inoportunamente.
     Quer dizer, fale com os outros, ainda que eles não gostem. Seja homem! Seja católico! Seja guerreiro da palavra! Se não gostem, afirme de novo. Combata. Faça-lhes entrar a palavra pelos ouvidos adentro. Seja soldado de Jesus Cristo. Isso é que São Paulo pede a Timóteo. E isso é que nós devemos fazer: não ter medo de ensinar a verdade, não recuar, não nos aborrecermos com o fato dos outros não nos darem atenção ou até de nos responderem mal. Ensinar de novo e ensinar com varonilidade sobrenatural. É uma coisa que é nosso dever e com o que damos glória a Deus.
     Depois ele continua:
“Repreende...”.
     Repreender é censurar, é chegar para as pessoas e dizer: “Tu fizeste mal”.
     Há uma certa escola de apostolado que acha que o apóstolo nunca deve censurar os outros, que deve ser sempre gentil, sempre amável: “Fulano, você abandonou sua mulher, tomou uma outra. Ora, pobre coitado... quanto drama sentimental!
     Eu compreendo que o outro goste de ouvir, mas não podemos dizer isso. Nós temos que dizer o que disse São João Batista a Herodes, o que disse o profeta Natam a Davi: “Tu pecaste, tu andaste mal, cometeste uma ação censurável e eu te digo que é censurável, porque Deus censura, porque é contra a lei de Deus. E ouça e ouça porque eu estou falando”. Essa é a atitude do verdadeiro católico.
     Depois, continua:
          “Repreende, suplica e admoesta com toda paciência e doutrina”.
     Não basta repreender, às vezes é (necessário) suplicar. Repreende-se o pecador que procura dizer que seu pecado está bem, que procura cinicamente pavonear-se com o pecado que cometeu. Mas quando se trata de um pecador que reconhece que anda mal, que sabe que o seu vício é mau e o esconde, então pode-se agir com benignidade. E aí é o momento de suplicar, de ser humilde, afável, generoso, de pedir para que se pratique a virtude, assim como o último dos mendigos pede a mais preciosa das esmolas. Quer dizer, aí é o momento do afeto fraterno, é o momento da caridade, é o momento do carinho, que faz tanto bem para as almas fracas.
“Suplica, admoesta com toda paciência e doutrina”.
     Quer dizer, advirta, mostra que está errado com toda paciência, para esses que estão fracos, que se envergonham, que reconhecem que andam mal. Então, para esses, com toda paciência, admoestar.
     Nunca começar uma admoestação com algo do gênero assim: “Fulano, até quando você deixará de ouvir o que eu te disse? Afinal de contas, eu perco a paciência com você!” Isso é orgulho. Deve-se fazer o contrário. Nunca perder a paciência, nunca ter a palavra dura, nunca manifestar-se cansado de tanto repetir as (mesmas) coisas. Tomar um ar – ao se dar conselhos – de que a gente está achando uma delícia dar aquele conselho, nunca deixar transparecer que se pode estar cansado, que se pode estar caceteado, nem nada.
     Mas isto não basta. Além de admoestar com toda paciência, é preciso admoestar com toda doutrina, ou seja, é preciso dizer coisas razoáveis, é preciso dar conselhos bons, saber empregar os argumentos bons em favor da verdade, de maneira a tocar o entendimento e mover a vontade da pessoa a quem se dirige. E isso, então, é exatamente o modo de apostolado nosso que, mais do que Timóteo, fomos colocados em situação tão triste. E com isso os senhores tem um verdadeiro manual de apostolado.
     Os senhores têm igualmente a justificação de métodos de apostolado empregados nos periódicos "Catolicismo" (no Brasil), em "Cruzada" (Argentina), em "Fiducia" (no Chile), com o estilo de se exprimir que é tão diferente de tantas folículas católicas e não católicas que circulam por aí. São publicações combativas, que insistem “oportuna e importunamente”. E temos fundamento em São Paulo para sermos assim.
     Do fundo dos séculos, ouvimos a voz de São Paulo a Timóteo e essa voz nos diz, em outros termos: Filhos, vocês têm razão, contem com as minhas orações e com a proteção do Céu.
     Assim, São Paulo que nos abençoe e que nos ouça no pedido de termos a plenitude do magnífico espírito dele.
 
Plinio Corrêa de Oliveira
Santo do Dia 25 de janeiro de 1967

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Santa Teodolinda, Rainha dos Longobardos - 22 de janeiro

    
     Teodolinda era filha de Garibaldo, rei da Baviera. Vendo-se por um lado apertado pelos Francos e por outro pelos Longobardos, para segurança desejou contrair um parentesco com os Francos prometendo a filha Teodolinda ao jovem rei Childeberto II. Mas este projeto não teve êxito e Teodolinda foi então dada como esposa ao rei longobardo Autari. Os dois esposos transferiram a capital do reino longobardo para Monza.
     A Rainha Teodolinda, de religião católica, mantinha correspondência com o Papa São Gregório Magno com a finalidade de alcançar a conversão ao cristianismo do povo do qual se tornara rainha. Porém, não conseguia converter o marido, Autari, que não aceitava fossem batizados os filhos dos longobardos. Teodolinda, contudo, conseguiu que seu filho Adaloaldo fosse batizado em Monza.
     Tendo enviuvado em 589, dois anos depois desposou o Duque de Torino, Agilulfo, ao qual transmitiu o título real. Por ocasião da morte do segundo marido, em 616, por nove anos assumiu a regência em nome do filho Adaloaldo, ainda menor de idade.
     A cristianização dos longobardos continuou durante o período da sua regência, apesar da forte oposição e hostilidade de alguns duques que haviam aderido à heresia ariana.
     Alguns meses após sua subida ao trono, o jovem Adaloaldo foi deposto pelo Duque de Torino, Ariovaldo, e teve que fugir com a mãe, se refugiando em Ravenna junto ao exarca bizantino Eleutério.
     Ambos faleceram em 628, Teodolinda provavelmente de velhice, enquanto Adaloaldo talvez envenenado. Teodolinda é venerada como santa, mas o seu culto não foi confirmado oficialmente pela Igreja.
Etimologia: Teodolindo (a), do alemão Theodelinde, Theodolind. Theodelinda: “serpente (linde) (adorada) pelo povo (theode)”, ou “escudo de tília (linde) do povo”.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Santas Liberada e Faustina de Como, Fundadoras beneditinas - 19 de janeiro

    
     Segundo as notícias mais antigas sobre estas duas santas, constantes do “Liber Notitiae Sanctorum Mediolani” (Livro de notícias sobre os santos de Milão) do século XIII, Liberada e Faustina foram duas irmãs de nobre origem, nascidas em território de Piacenza, em Rocca d’Olgisio, nos primeiros decênios do 5º século. O pai, Giovannato, nobre do Val di Taro, era dono de uma mansão importante ao lado do vale Tidone, que ainda hoje existe.
     As duas irmãs perderam a mãe em jovem idade e foram confiadas a um tutor de nome Marcelo. O pai, não tendo mais filhos, queria que suas filhas encontrassem um casamento digno e nobre. Mas as filhas estavam dispostas a seguir outro tipo de vida, o da contemplação e da oração, ao serviço de Deus. Esses desejos foram contrariados pelo pai e as filhas para realizá-los tiveram de fugir de casa.
     Elas se abrigaram em Como, onde receberam o véu (sinal de sua consagração a Deus) das mãos do Bispo Agripino. Elas adotaram a Regra de São Bento, que naqueles anos começava a se expandir; fundaram um mosteiro dedicado a Santa Margarida, com capela adjacente dedicada a São João Batista, mosteiro que foi vital por mais de um milênio e mais tarde suprimido, em 1810, por ordem de Napoleão, quando ainda havia dez monjas presentes.
     Não há dados precisos sobre as datas das respectivas mortes das irmãs, mas talvez tenham falecido a pouca distância de alguns anos uma da outra, no século VI. No “Comentário do Martirológio Romano” é dito que Santa Liberada era recordada no dia 19 de janeiro, enquanto Santa Faustina o era no dia 16 de janeiro, indicando inclusive algumas igrejas de Milão e seus arredores onde elas eram veneradas.
     As duas irmãs foram enterradas no complexo monástico perto de Como. O primeiro translado ocorreu no tempo do Bispo Guido Grimoldi (1096-1125), porque o local se tornara inseguro devido às contínuas invasões bárbaras; os corpos foram levados para a Catedral de Santa Maria de Como. Em 13 de maio de 1317, quando era bispo Leão de Lambertenghi, foram colocados na Igreja de São Carpóforo. Logo apareceram hagiografias que convenceram Barônio, o hagiógrafo historiador que teve sob sua responsabilidade a execução do primeiro Martirológio Romano, no século XVI, a inserir as duas irmãs no dia 18 de janeiro, junto com uma biografia sumária.
     Em 1618, uma parte das relíquias foi doada à Piacenza, cidade de origem das santas, e atualmente são preservadas na Igreja de Santa Eufêmia. As duas irmãs, Liberada e Faustina, são celebradas como santas virgens no novo Martirológio Romano da Igreja Católica, no dia 19 de janeiro.
Tradição
     A tradição fala de uma intervenção milagrosa de Liberada que salvou uma nobre da região. Ela havia sido condenada por seu marido com o suplício da cruz. Liberada salvou a pobre mulher que estava morrendo, curando-lhe as lesões terríveis. Esta história contada há tempos, fez com que a figura de Vilgefortis, que morreu com o suplício da cruz, tivesse "contaminado" a tradição hagiográfica de Santa Librada, virgem e mártir. A existência de mais santas com o mesmo nome de Liberada, compreensível se pensarmos no grande valor simbólico que o nome "Liberada" carrega com ele, produziu infelizmente ao longo do tempo uma série de prejuízos para as tradições de culto das várias comunidades onde são veneradas.
     A tradição do norte da Itália a quer (como Santa Margarida a qual tinha se dedicado) como protetora das mães, das enfermeiras e dos bebês.
     Em Val Camonica há a legenda que vê as Santas Faustina e Liberada vivendo como penitentes em uma caverna na região em Capo di Ponte. Elas milagrosamente intervieram segurando com as mãos duas pedras que ameaçavam a vila. Ainda hoje, perto da igreja dedicada a elas, podemos ver duas pedras enormes que ostentam a impressão de mãos e ainda são veneradas pela população local.
     Liberada muitas vezes é representada com sua irmã, em hábito beneditino, segurando um lírio símbolo da virgindade; mas a imagem que talvez seja a mais difundida é aquela em que vemos Liberada tendo nos braços dois bebês, como padroeira contra os perigos do parto e a mortalidade infantil.
     Famoso é o ciclo de afrescos sobre a vida de Liberada e de Faustina do século XIV, que originalmente era localizado no Mosteiro de Santa Margarida e agora está preservada no Museu de Como. Nos vários episódios do ciclo as Santas são mostradas quando partem da casa natal enquanto atravessam, com seu tutor, Marcelo, o Rio Pó, a sua chegada a Como, e vários outros episódios não bem preservados.
     Em muitas áreas da Lombardia, do Piemonte e do Val d'Aosta são preservadas imagens de Santa Liberada, que datam do século XV, em que ela é retratada segurando duas crianças nos braços. Nessas imagens as duas crianças aparecem com a auréola sobre a cabeça e em alguns casos (por exemplo, no afresco do Castelo de Montalto Dora) são legíveis as inscrições que identificam as duas crianças como os Santos Gervário e Protásio, os irmãos gêmeos filhos São Vital e Santa Valéria. Podemos, portanto, pensar em uma sobreposição do culto de Santa Liberada e de Santa Valéria, que é invocada para proteger contra os perigos do parto e da mortalidade infantil.
 
Etimologia: Liberada, do latim Liberatus: “libertada, liberta”.
Faustina, do latim Faustinus, diminutivo de Faustus: “faustoso, feliz, venturoso, ditoso”.