domingo, 13 de março de 2016

Sóror Isabel Sillevorts e a Origem do Cordão de São José

    
     O Cordão de São José teve origem na Bélgica, na cidade de Anvers, onde se localizava o convento das Agostinianas. Conta-se que Sóror Isabel Sillevorts foi, em determinada ocasião, atacada do 'mal de pedra', sem que todos os recursos da medicina, empregados para curá-la surtissem qualquer efeito.
     Devota de São José, Sóror Isabel, animada da mais firme confiança no patrocínio deste Glorioso Santo, conseguiu que um Sacerdote lhe benzesse um cordão, cingiu-o à cintura, em homenagem ao grande Patriarca, abandonando, dessa forma, os recursos da terapêutica e iniciando, com todo o fervor, uma Novena de Súplica ao Esposo puríssimo da Virgem Maria, Mãe de Deus. 
     Alguns dias depois, mais precisamente em 10 de junho de 1649, quando entre fortes dores fazia ao Santo as mais ardentes súplicas, Sóror Isabel se vê livre de um cálculo de grande dimensão, ficando assim completamente curada.
     A repercussão do milagre foi grande e rápida, fazendo com que aumentasse nos habitantes de Anvers a devoção a São José, que já não era pequena.
    Em 1842, na Igreja de São Nicolau, em Verona, por ocasião dos piedosos exercícios do mês de São Paulo, foi esse fato publicado, causando grande repercussão e muitas pessoas enfermas cingiram-se com o cordão bento e experimentaram o valioso auxílio do Glorioso Patriarca, o Santíssimo José.
     O uso do Cordão de São José foi crescendo cada vez mais e hoje ele não é só procurado para alívio das enfermidades corporais, mas também, e com igual sucesso, para os perigos da alma.
     Devemos, também, salientar que o Cordão de São José é utilizado como uma arma poderosa contra o demônio da impureza. Devido à sua comprovada eficácia contra os males corporais, espirituais e morais, a Santa Sé autorizou a Devoção do Cordão de São José, permitindo até que fosse usado pública e solenemente. 
     Permitiu, também, a Santa Sé a fundação da Confraria e Arquiconfraria do Cordão de São José, elevando uma delas à categoria de primária. Em setembro de 1859, dando provimento a uma petição do Bispo de Verona, a Sagrada Congregação dos Ritos aprovou a fórmula da Bênção do Cordão de São José.
     O Cordão de São José deve ser confeccionado com linho ou algodão bem alvejado. A pureza e a alvura desses materiais nos hão de indicar a candura e a virginal pureza de São José, castíssimo esposo da Virgem Maria, Mãe de Deus.
     Numa das extremidades o Cordão tem sete nós que representam as sete tristezas e as sete alegrias do Glorioso São José. Por fim, deve o Cordão de São José ser bento com bênção própria, por sacerdotes outorgados para tais fins.
     O Cordão de São José, desde que esteja bento, pode ser usado das seguintes formas: cingido à cintura sob a roupa (o cordão maior), no pulso (o cordão menor) ou tê-lo bem guardado para ser usado por ocasião de dores e sofrimentos físicos, aplicando-o com fé na parte enferma do corpo, como costumamos fazer com medalhas de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Nossa Senhora, rezando, então, a São José, sete vezes o Glória ao Pai.
     O Cordão de São José pode e deve ser usado pelas gestantes que o levarão cingido à cintura, protegendo-as do perigo de aborto, nos partos difíceis, etc., como comprovam centenas de fatos.
     Deve-se rezar diariamente Sete Glórias ao Pai em honra das sete dores e das sete alegrias de São José, ou qualquer outra oração a São José. 
     O Papa Pio IX enriqueceu esta fácil e benéfica devoção, com várias indulgências plenárias e parciais, mediante o uso do cordão.
 
Fonte: http://www.sendarium.com/2013/03/o-cordao-de-sao-jose.html

quinta-feira, 10 de março de 2016

Santa Teresinha do Menino Jesus e São José

    
 
      A devoção a São José era tradicional na abençoada família de Santa Teresinha do Menino Jesus. Zélia Guerin, a piedosa mãe de Santa Teresinha, era fiel devota de São José. Ela conta que Santa Teresinha estava à morte após o batismo, mas com uma oração fervorosa a São José a menina recuperou-se milagrosamente, quando já não havia mais esperança. São José salvara a vida preciosa da “maior santa dos tempos modernos”, como disse o Papa São Pio X.
 
     "Eu pedia também a São José velasse por mim. Desde a minha infância eu tinha por ele uma devoção que se fundia com o meu amor a Santíssima Virgem. Recitava todos os dias a oração: “Ó São José, Pai e Protetor das virgens” (*). Por isso, empreendi sem receio minha longa viagem. Estava tão bem protegida, que me parecia impossível sentir medo”. 
Trecho retirado da autobiografia de Santa Teresinha, "História de uma alma".
 
(*) Ó São José, Pai e Protetor das virgens, Modelo e Padroeiro dos devotos do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós!

segunda-feira, 7 de março de 2016

Março, mês dedicado a São José

Santa Teresa d`Ávila e a devoção a São José
     Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e encomendei-me muito a ele. Vi claro que, tanto desta necessidade como de outras maiores, de perder a honra e perder a alma, este pai e senhor meu me livrou melhor do que eu lhe saberia pedir. Não me recordo, até agora, de lhe haver suplicado nada que não tenha deixado de fazer.
     É coisa que espanta (que maravilha) as grandes mercês que me tem feito Deus por meio deste bem-aventurado santo, dos perigos que me tem livrado, tanto de corpo quanto de alma. A outros santos parece que o Senhor lhes deu graça para socorrer em uma necessidade; a este glorioso santo tenho experiência que socorre em todas e que quer o Senhor dar-nos a entender que assim como esteve submetido a ele na terra, que como tinha nome de pai – sendo custódio – podia mandar Nele, também no céu faz quanto lhe pedem. E isto o tem comprovado algumas pessoas, a quem eu dizia que se encomendassem a ele, também por experiência; e ainda há muitas que começaram a ter-lhe devoção havendo experimentando esta verdade.
     Queria eu persuadir a todos para que fossem devotos deste glorioso santo, pela grande experiência que tenho dos bens que ele alcança de Deus. Não conheci pessoa que deveras lhe seja devota e faça particulares serviços, que não a vejamos mais adiantada nas virtudes porque muito aproveitam as almas que a ele se encomendam. Parece-me, já há alguns anos, que a cada ano, em seu dia, lhe peço uma coisa e sempre a vejo cumprida. Se o pedido segue meio torcido, ele o endereça para o meu bem.
     Se fosse uma pessoa que tivesse autoridade no escrever, de bom grado me estenderia em dizer muito a miúdo as mercês que este glorioso santo tem feito a mim e a outras pessoas.
     Só peço, pelo amor de Deus, que o prove quem não me crê e verá por experiência o grande bem que é o encomendar-se a este glorioso Patriarca e ter-lhe devoção. Pessoas de oração, em especial, sempre deveriam ser a ele afeiçoadas.
     Não sei como se pode pensar na Rainha dos Anjos, no tempo que passou com o Menino Jesus, e não se dar graças a São José pelo bem com o qual lhes ajudou. Quem não encontrar mestre que lhe ensine oração, tome este glorioso santo por mestre e não errará no caminho.
Santa Teresa d’Ávila, Livro da Vida 6,6-8
* * *
      São José é o patrono da boa morte: Santa Teresa, narrando a morte de suas filhas, devotas do Santo, dizia:
     Tenho observado que, no momento de exalar o último suspiro, gozavam inefável paz e tranquilidade; sua morte assemelhava-se ao doce repouso da oração. Nada indicava que estivessem interiormente agitadas por tentações. Essas divinas luzes me libertaram o coração do temor da morte. Morrer parece-me agora o que há de mais fácil para uma alma fiel”. 
* * *
     Santa Teresa d’Ávila nada empreendia sem se recomendar a São José. Foi a grande apóstola da devoção a São José. Numa das suas viagens, dirigia-se com algumas freiras a uma cidade da Espanha, onde iria fundar mais um mosteiro em honra de São José. O carro era puxado por cavalos. Quando atravessavam uma região montanhosa, em estrada cercada de precipícios, o condutor perdeu as rédeas e os cavalos se precipitaram montanha abaixo. Iam na direção de um enorme precipício. Santa Teresa, ao perceber o perigo em que se achavam, com voz firme e confiante disse:
     — Aqui só existe um meio de escapar da morte: é recorrer a São José e implorar-lhe a proteção.
     E bradaram por São José. De repente, ouve-se uma voz forte, enérgica: – Parem! parem! Se derem mais um passo, todos morrerão!, como se estivesse segurando os cavalos. Imediatamente os cavalos pararam.
     – De que lado havemos de seguir? perguntam as carmelitas.
     A voz responde:
     — Por tal caminho, que é mais seguro e menos perigoso.
     Curioso é que os cavalos, como que por si mesmos, tomaram logo a direção indicada. Estavam fora do perigo… Procuraram quem lhes falara e onde estava o benfeitor que as salvou, e a cuja voz os cavalos obedeceram. Não viram por ali nenhum ser humano.
     Santa Teresa disse às suas Irmãs: “em vão procuramos nosso salvador do perigo; quem nos salvou foi nosso padroeiro São José!”
     A grande santa nunca empreendeu viagem ou negócios sem pedir a proteção de São José.
 
Fonte: Glória e Poder de São José – Mons. Ascânio Brandão – Editora Ave Maria

quinta-feira, 3 de março de 2016

Santa Camila de Auxerre - 3 de março

    
     Camila, chamada Camila d’Écoulives, Camila de Auxerre ou Santa Camila, segundo a legenda era originária de uma rica família de Civitavecchia, na Itália. Com suas quatro irmãs (ou primas) Porcaria, Máxima, Palaia e Magnancia, ela se dirigiu a Ravena atraída pelo renome do bispo Germano de Auxerre.
     São Germano fora eleito bispo de Auxerre em 418. Além de bispo, São Germano era diplomata e viajante. Ele morreu em Ravena durante uma missão junto à imperatriz romana Galla Placídia em 448.
     Convertidas pela pregação do bispo, as cinco fizeram voto de virgindade em suas mãos. As cinco irmãs o assistiram nos seus últimos momentos. Quando o bispo morreu, em 31 de julho de 448, elas decidiram acompanhar o cortejo que levaria seu corpo de Ravena a Auxerre. O corpo do bispo foi solenemente transladado para ser sepultado em Auxerre, no oratório de São Maurício, origem da Abadia de São Germano.
     Durante o cortejo, numerosos milagres foram relatados pelos habitantes das aldeias que eram visitadas. Mas a viagem era penosa, Magnancia e Palaia morreram sucessivamente nas cidades da região da Borgonha que receberam os seus nomes.
     Ao chegar o cortejo próximo de Auxerre, Camila também faleceu e ali foi sepultada. Uma igreja foi construída sobre o seu túmulo que ficou localizado na cripta. A localidade é conhecida hoje como Écoulives-Sainte-Camille. Como suas irmãs, ela rapidamente foi considerada como santa pelo élan popular. Mais tarde, suas relíquias foram queimadas pelos calvinistas.
     Santa Camila não é citada na edição de 1866 do Martirológio Romano, lista oficial dos santos da Igreja Católica. Mas ela é citada no Martirológio de Auxerre (festejada em 3 de março) e é lembrada em Sens no dia 26 de novembro.
Écoulives-Sainte-Camille, França
 

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Santa Honorina, Mártir - 27 de fevereiro

Martirológio Romano: No território de Rouen na França, Santa Honorina, virgem e mártir
     Não há muitas informações sobre esta santa e as que existem são incertas.
     Uma tradição conservada na diocese de Rouen narra que Honorina, chamada da Normandia, sofreu o martírio pelas mãos dos pagãos sob Diocleciano (243-313) em Mélamare. O seu corpo foi lançado no Rio Sena e encalhou em Graville, onde foi recolhido e sepultado pelos cristãos, e seu túmulo deu início ao seu culto.
     Outra tradição diz que ela foi martirizada em Coulonces, vizinho das duas paróquias modernas dedicadas a ela. Em 876, devido à ameaça das invasões normandas, os monges que custodiavam suas relíquias transferiram-nas para o interior, na confluência do Rio Sena com o Oise, colocando-as na capela da fortaleza.
     Em 21 de junho de 1082, o castelo fortaleza de Conflans foi destruído e os monges decidiram construir uma igreja fora da muralha dedicada a Santa Honorina, cujas relíquias foram solenemente transportadas para ali na presença do bispo de Paris.
     Nos anos 1250, 1619 e 1752 foram efetuados reconhecimentos das relíquias; foi constituída uma Confraria em sua honra, que obteve indulgências especiais em 1690.
     Santa Honorina é patrona dos marinheiros desde que Conflans se tornou o porto de chegada dos trabalhadores nos rebocadores dos rios e canais franceses, e no qual foi ancorada a capela-rebocadora que é a base da capelania dos bateleiros franceses.
     A festa de Santa Honorina é celebrada em 27 de fevereiro, pelo menos em sete dioceses francesas entre as quais Versalhes. 
 
Etimologia: Honorina (o), do latim Honorinus: “deus da honra”. Cp. Honório, do latim Honorius: “que tem honra, respeito, estima, glória”.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Beata Cecilia, Dominicana - 25 de fevereiro


     Esta Beata viveu nos século XV-XVI. Nas ‘Vidas’ de Razzi, única fonte da qual dependem todos os outros biógrafos, encontramos as seguintes informações:

     Após oito anos de matrimônio, de acordo com o esposo Cecília se tornou dominicana, entrando no Mosteiro das Dominicanas de Santa Catarina mártir, na cidade de Ferrara, onde passou trinta anos de vida ascética. Foi priora por três vezes, amada pelas monjas por sua “humanidade, modéstia e prudência”.

     Morreu logo depois de uma visão celeste ocorrida no Natal de 1511. “Depois de sua morte ocorreram alguns milagres os quais, por brevidade, não relatamos”.

     Ela é comemorada no dia 25 de fevereiro.

 

 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Beata Rafaela Ybarra de Villalonga, Fundadora - 23 de fevereiro

    
     Rafaela Maria da Luz Estefania de Ybarra y Arámbarri nasceu em Bilbao, em 1843, no seio de uma das famílias mais poderosas de Vizcaya. Seu pai havia criado as primeiras empresas mineiras que logo dariam lugar aos Altos Fornos de Vizcaya. Era a mais velha de cinco irmãos. Sua família era profundamente católica e lhe inculcou as virtudes humanas que foram a base de uma vida excepcional. Pertencia à alta sociedade de Bilbao.
     Os sinais do amor divino nela foram precoces. Viveu a experiência de sua Primeira Comunhão com grande alegria: “Comunguei com grande fervor. Recordo muito bem haver experimentado grandes consolos espirituais e haver chorado pensando na Paixão de Jesus”. Não obstante, no meio de sua piedade, havia também espaço para certas vaidades que, em geral, são particularmente atraentes na juventude.
     Ela mesma confessou seus bons hábitos e também suas debilidades: “Agradava-me ser vista e bem tratada. O luxo não era exagerado para minha posição social. No entanto, gastava bastante em tudo. Agradavam-me muito as joias. Porém, conservava um fundo de piedade natural. Rezava o Rosário todos os dias com os empregados; lia meus livros de piedade e era compassiva com os necessitados”.
     Aos 18 anos se casou com José Villalonga y Gipuló, engenheiro industrial de procedência catalã, homem virtuoso, sem cuja generosidade e respeito não teria podido levar a cabo a obra que empreendeu. Tiveram sete filhos, dos quais dois morreram cedo.
     Quando do falecimento de sua irmã Rosário, Rafaela tomou para si o cuidado de seus cinco sobrinhos. Nesta família de dez crianças se desenvolveu o trabalho familiar desta beata. Sua influência se estendeu à sua numerosa família, e era especialmente apreciada pelo trato com os doentes, aos quais atendia cumulando-os de paz e consolo. Tornou seu desejo em realidade: “Que eu seja a cada dia melhor esposa, melhor mãe, melhor filha”.
     Ela também teve que desprender-se repentinamente de dois de seus filhos, além do Benjamim, que foi atingido por uma terrível febre e dolorosa paralisia infantil. Esse fato, Dom Bosco a havia vaticinado ao encontrá-la em Barcelona: "Senhora, este menino será sua pequena cruz"; a mãe teve que lidar com essa dor e apreciar a grandeza do pequeno que um dia disse-lhe: "mamãe, tu és, pelo menos, 'serva de Deus'".
     Sua união com Deus alcançou níveis próprios aos santos. Seus escritos sobre experiências espirituais, bem como sua numerosa correspondência, refletem uma mulher cheia de amor a Jesus Cristo e a seus semelhantes.
     Rafaela tinha tal devoção ao Santíssimo Sacramento, que cada vez se sentia mais impelida à união com Ele e a realizar o maior bem que lhe fosse possível.  Esse momento chegou quando, como resultado da ocupação de seu marido – promotor da empresa “Altos Hornos”, que tinha um capital humano de três mil pessoas –, tomou contato com a realidade do mundo operário.
     Sentia-se inclinada a cuidar das meninas e das jovens expostas a riscos que vêm unidos à pobreza e à ignorância, tão frequentes em sua época. Via os males que acercavam as jovens operárias e, para acolhê-las, criou a casa Asilo da Sagrada Família. As recolhia pelas ruas e não titubeava em se colocar em apertos e se expor a situações difíceis com o objetivo de resgatá-las do perigo. Queria proporcionar-lhes tudo o que precisavam humana e espiritualmente, semeando a esperança em suas vidas. Além disso, aos enfermos e pobres nunca lhes faltou sua caridade. “As pessoas passam, porém, as obras permanecem”, costumava dizer.
     A Rafaela seu esposo nunca lhe pôs impedimentos para exercer um vibrante apostolado, que frutificou generosamente, culminando com sua aprovação para que professasse e fundasse um Instituto religioso, máxima prova de um amor humano que se inspira no amor divino, o Instituto das Irmãs dos Anjos Custódios, em 1894.
     Rafaela criou em Bilbao numerosas instituições de proteção à mulher. Ajudaram-na neste empenho as voluntárias que trabalhavam seguindo o lema que lhes deu: “doçura nos meios e firmeza nos fins”. Tinha claro, e assim o transmitiu, que “o que não alcança o amor, não o conseguirá o temor”. Dizia isto por experiência, posto que um dia que foi buscar uma reclusa, esta a esbofeteou. E ela, respondendo com mansidão, lhe disse: “Não me fizeste dano, minha filha! Desde agora te quero ainda mais bem”, palavras tão sentidas e autênticas que desmoronaram a revolta e a arrogância da jovem, que se arrependeu chorando amargamente.
     O propósito de toda a obra de Rafaela foi este: viverem “unidas a Deus pela oração e o apostolado” para levar “o anúncio do amor de Deus ao mundo da infância e da juventude”. Assim, surgiram apartamentos e oficinas que puderam dar suporte e treinamento a estes grupos.
     O dia 2 de agosto de 1897, festa de Nossa Senhora dos Anjos, marca um momento especial em sua vida e obra: foi colocada a primeira pedra do Colégio Anjos Custódios de Zabalbide, em Bilbao, ficando definitivamente inaugurado em 24 de março de 1899. A Congregação tinha finalmente sua Casa Mãe que poderia servir de modelo às que posteriormente viessem a existir.
     Mesmo após a morte de seu esposo Rafaela jamais professou como religiosa, porque a morte de sua nora fez com que ela se encarregasse do cuidado de seus seis netos.
     Faleceu santamente no dia 23 de fevereiro de 1900, em Bilbao, aos 57 anos, sem poder ver consolidada sua fundação. Vivera plenamente o lema que ensinava a todos: “Não vos canseis de fazer o bem”. O Instituto das Irmãs dos Anjos Custódios está presente hoje em mais de 35 casas dispersas pela Espanha e América.
     Foi beatificada em 30 de setembro de 1984.