segunda-feira, 28 de março de 2016

A Santa Túnica de Argenteuil e o Sagrado Espinho de Bari

     Duas relíquias da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo são alvo de peregrinação nesse mês: a Santa Túnica de Argenteuil, França, e o Sagrado Espinho em Bari, na Itália.    
     A túnica que Nosso Senhor usou durante a Paixão está sendo visitada neste mês na Basílica de Saint Denis, caso raro que ocorre muito excepcionalmente.
A Santa túnica de Argenteuil analisada por um cientista
 
     Numa igreja de Argenteuil, cidade hoje absorvida pela grande Paris, venera-se uma túnica que, segundo tradição milenar da Igreja, foi tecida por Nossa Senhora para o Menino Jesus. Seria a mesma que Nosso Senhor usou na sua Paixão. A mesma, portanto, que os algozes romanos, vendo que era inconsútil – isto é, formando uma só peça, sem costuras – lançaram à sorte, para não ter que dividi-la entre eles.
     Utilizando equipamentos os mais avançados, a ciência moderna foi analisar a relíquia. O professor André Marion, pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique – CNRS (Paris) é especialista no processamento numérico de imagens, leciona na Universidade de Paris-Orsay e é autor de numerosas publicações científicas e técnicas.
     Ele já fez descobertas surpreendentes a respeito do Santo Sudário de Turim, com base em métodos ótico-digitais. Ele publicou suas conclusões sobre a túnica de Argenteuil no livro “Jesus e a ciência – A verdade sobre as relíquias de Cristo” (foto embaixo).
     Para o trabalho, o Prof. Marion localizou nos arquivos da Diocese de Versailles chapas tiradas em 1934. Estavam bem conservadas. Sobre elas aplicou as técnicas de digitalização de imagens, baseadas em scanners e computadores poderosos. É de se salientar a precisão do método, que chega a ser de 10 a 20 milésimos de milímetro.
     Assim ele pôde mapear as manchas de sangue, que não são facilmente perceptíveis num primeiro olhar. Por fim, comparou o mapa obtido com as manchas de sangue – aliás, minuciosamente estudadas – do Santo Sudário de Turim. Porém, desde logo surgia uma dificuldade. O Santo Sudário envolveu o Corpo de Nosso Senhor esticado e imóvel no Santo Sepulcro, enquanto a Santa Túnica de Argenteuil fora portada por Ele vergado sob a Cruz, caminhando com passo cambaleante, desequilibrando-se e caindo na ruela pedregosa, imensamente enfraquecido por desapiedadas torturas.
     Se ainda imaginarmos Nosso Senhor segurando com suas mãos a extremidade da Cruz na altura do ombro, é fácil supormos que a Túnica deve ter formado pregas.
     Essas pregas raspavam nas chagas abertas nas divinas costas, enquanto a parte da frente da Túnica ficava solta por efeito da curvatura geral do corpo. Todos esses fatores faziam com que o sangue se espalhasse no pano de um modo irregular.
     O Prof. Marion solicitou então a ajuda de um voluntário com as proporções anatômicas do Santo Sudário. Ele simulou os movimentos da Via Crucis, utilizando uma túnica do mesmo tamanho da de Argenteuil. Os movimentos foram repetidos várias vezes e em várias formas, tendo sido sistematicamente fotografados.
     A seguir, com base nessas fotos e por métodos computacionais, o Prof. Marion criou um primeiro modelo virtual do corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo carregando a Cruz. No monitor do computador esse modelo aparece como o desenho de um manequim.
     Sobre ele aplicou então as imagens da Túnica de Argenteuil. Dessa maneira reproduziu as pregas, que naturalmente se formam pelo ajuste ao corpo, e a difusão das manchas de sangue provocada pelos movimentos dolorosíssimos sob a Cruz. Da mesma maneira, aplicou a imagem da Santa Túnica a um segundo modelo virtual feito com base no Santo Sudário de Turim. E eis a admirável surpresa!
     Na primeira experiência, a distribuição das manchas sanguíneas na Túnica correspondeu perfeitamente aos ferimentos e às posturas próprias ao carregamento da Cruz. Na segunda, as manchas ficaram posicionadas de modo a se superporem exatamente com as chagas do Santo Sudário.
     Em ambas as experiências, na tela do computador aparecem as feridas – as mais sangrentas de todas – provocadas pelo madeiro, bem diferenciadas das horríveis dilacerações dos açoites da flagelação, indicando com precisão a posição da Cruz.
     Até pormenores históricos que intrigavam os cientistas ficaram esclarecidos. Um deles é que os romanos – executores materiais da Crucifixão, sob a pressão do ódio judeu – não costumavam obrigar o condenado a carregar a Cruz inteira. Eles já deixavam o tronco principal encravado no local do suplício – no caso, o Calvário –, mas forçavam o sentenciado a levar a trave da Cruz, chamada patibulum.
     Em sentido contrário, os quatro Evangelhos não falam do patibulum, mas só da Cruz: “Et baiulans sibi crucem exivit in eum” (Jo 19, 17). São Mateus, São Marcos e São Lucas mencionam o cruzeiro no episódio em que o Cireneu foi obrigado a ajudar Nosso Senhor Jesus Cristo a carregá-lo.
     Ora, na análise computadorizada das fotografias da Túnica aparecem com toda clareza possível as chagas e tumefações provocadas por uma cruz, e não por um mero patibulum.
     As manchas de sangue indicam que na Via Sacra os dois madeiros cruzaram-se na altura da omoplata esquerdo de Nosso Senhor. Na iconografia tradicional, na Via Sacra Nosso Senhor aparece habitualmente com um cíngulo, ou cordão cingindo os rins. Tal cordão não deixara nenhum vestígio conhecido. Mas, no ensaio digital, a presença do cordão, de que nos fala a tradição aparece perfeitamente identificada!
     A conclusão do Prof. Marion é a seguinte: “O procedimento praticado foi, de longe, muito mais preciso que os que tiveram lugar no passado. Segundo nossos antepassados, era necessário acreditar que um só e mesmo supliciado tinha manchado com seu sangue a túnica [de Argenteuil] e o Sudário [de Turim]”.
     “Estas repetidas afirmações requeriam um estudo aprofundado: desejamos então verificar, por nós mesmos, se tal comparação pode se justificar. Os resultados aparecem entretanto perfeitamente conclusivos”.
     “A correspondência das feridas é um argumento a favor da autenticidade das duas relíquias, que devem se referir bem ao mesmo supliciado. É muito difícil imaginar que falsários tenham tentado correlacionar de modo tão perfeito os dois objetos…”
 
Fonte: Ciência Confirma a Igreja; Apostolado Spiritus Paraclitus
----------
La Repubblica, 25 de março de 2016 - Também em Bari, o prodígio com o Sagrado Espinho se renova

 
     Uma multidão de fiéis visitou a Basílica de São Nicolau, em Bari, para a exposição do Santo Espinho, um fragmento da coroa de Jesus, que é mantido na capela das relíquias. Os fiéis estavam à espera do milagre que é renovado quando a Sexta-feira Santa coincide com 25 de março, dia em que a Igreja celebra a memória litúrgica da Anunciação.
    O anúncio foi feito pelo monsenhor Raffaele Calabro durante a homilia: "Tenho o prazer de anunciar a todos de uma forma solene que o milagre começou". O prodígio consiste na mudança de cor do sangue que mancha o Espinho Santo, a qual se torna mais viva. A relíquia tinha sido fotografada continuamente com equipamento especial - uma câmera de alta resolução, um espectrômetro e um sistema de câmera hyperspectral que percebem a variação de cor - e uma comissão de 12 especialistas produzem minutos.
     Após a fragmentação da coroa, lemos nos anais, os espinhos foram conservados em várias partes da Europa (na Itália existem em diferentes locais e em Puglia são preservados dois: um em Bari, no tesouro da Basílica e um em Andria, onde é exposto na capela de São Ricardo na catedral). Nesses fragmentos teriam permanecido desde a crucificação de Jesus manchas acastanhadas como sangue coagulado. E quando a Sexta-feira Santa coincide com a Anunciação, as manchas devem se tingir de um vermelho mais vivo.
25 março 2016

domingo, 27 de março de 2016

PÁSCOA, RESSURREIÇÃO DE NOSSO SENHOR


     Assim que a alma de Nosso Senhor voltou ao corpo, Ele apareceu a Nossa Senhora. Como terá sido esse encontro?
     Nós poderíamos imaginar que Ele tenha aparecido como Senhor esplendoroso — Rei, como nunca ninguém foi nem será rei. Ou, pelo contrário, com um sorriso de afago que lembrava o seu primeiro olhar no presépio de Belém.
     O que o olhar d’Ele comunicou a Ela? O que Nossa Senhora, a criatura perfeita, teria dito, vendo-O e amando-O inteiramente?
     Foi o primeiro louvor que Nosso Senhor recebeu da sua Mãe, após a Ressurreição.
     Quando as cidades eram pouco ruidosas, ouvia-se o bimbalhar dos sinos ao meio-dia, celebrando a Ressurreição. Nas ruas, os moleques espancavam bonecos de Judas.
     A Aleluia cantava-se por toda parte. As pessoas cumprimentavam-se, distribuíam ovos de Páscoa. As igrejas enchiam-se, a liturgia apresentava enorme pompa.
     Da dor do Calvário nasceu a imensa alegria da Páscoa. A alegria verdadeira, que não é filha do vício, mas fruto abençoado da virtude.
     Quando Deus volta a sua Face para os homens, tudo se torna fácil, suave, alegre, brilhante. Quando Deus desvia a sua Face dos homens, são épocas de castigo.
     É como o sol que desaparece. Ó Senhor Jesus, voltai para nós a vossa Face divina e olhai-nos com bondade. Nesse momento a graça há de nos iluminar, e sentir-nos-emos outros.
     Que o Divino Espírito Santo, pelos méritos de vossa Ressurreição, comunique aos que Vos são fiéis a força e o valor para congregar os bons e derrotar os inimigos da vossa Igreja.
     Que Ele renove as almas, restaure as instituições, as nações e a Civilização Cristã — nós Vo-lo pedimos por meio de Nossa Senhora, Medianeira Onipotente e Co-redentora do gênero humano.
 
Fonte: Retirado da Revista Catolicismo. 

quinta-feira, 24 de março de 2016

Beata Josafata (Miguelina Hordáshevska), Co-fundadora - 25 de março

    
     Miguelina Hordáshevska foi a quinta de nove filhos de uma grande família que era sustentada pelo trabalho de carpinteiro do pai, com a ajuda parcial da mãe. Ela nasceu no dia 20 de novembro de 1869 em Chervonohrad, próximo de Lviv, a capital provincial da Ucrânia. Sua família era profundamente católica, pertencente ao rito bizantino.
     Não havia nenhuma possibilidade de mandá-la estudar e, portanto, Miguelina teve que ir trabalhar em um vidraceiro. Enquanto crescia com grande virtude e numa intensa vida de piedade, foi desenvolvendo nela a semente da vocação religiosa.
     Em 1888 ela participou de um retiro para jovens orientado pelos Padres Basilianos, onde conheceu um digno missionário, o Padre Jeremias Lomnitsky, que se tornou seu diretor espiritual e aquele que será o braço mais valioso na fundação que ela irá depois realizar.
     Miguelina tornou-se uma apóstola muito ativa entre os fiéis, especialmente os membros da Fraternidade do Sagrado Coração de Cristo, participando nas celebrações litúrgicas, nos cantos e nas obras de caridade. Ela confidenciou ao Padre Jeremias sua intenção de consagrar-se na vida religiosa. Como só havia então uma ordem de freiras de clausura de rito bizantino, o seu diretor sugeriu-lhe um projeto dos Padres Basilianos de fundar uma Congregação feminina do rito bizantino-ucraniano de vida ativa e ela poderia ser a primeira das irmãs.
     Depois de um período de reflexão, meditação e preparação, no dia 24 de agosto de 1892, na igreja basiliana de Santo Onofre em Lviev, ocorreu a vestição da primeira freira: Miguelina mudou seu nome para Josafata, em homenagem ao grande mártir da Ucrânia, São Josafá Kuncewycz.
     A Congregação tomou o nome de Servas de Maria Imaculada, com a tarefa de exercer um apostolado de vida ativa junto a todos os necessitados. Irmã Josafata sofreu muito em sua curta existência por causa de mal-entendidos, calúnias e ambições de outros, e pela dor atroz de uma tuberculose óssea que a levou à morte na idade de 49, no dia 25 de março de 1919.
     Já no momento de sua morte a Congregação tinha aberto 23 missões com 123 freiras principalmente na Ucrânia, onde, como já foi dito, havia apenas um tipo de freiras, as basilianas de clausura, portanto o campo de apostolado entre as pessoas era vasto e novo.
     No início da 2ª. Guerra Mundial a Congregação contava com 92 casas e cerca de 600 freiras. Mas todas as casas foram confiscadas pelo regime comunista, e quanto às freiras, 36 foram presas e deportadas para a Sibéria, as outras sofreram nas prisões ou trabalharam em fábricas, dispersando assim a herança espiritual da Co-fundadora.
     Aquelas Irmãs que tinham sido enviadas em missão ao Canadá, aos EUA e ao Brasil, bem como aquelas que tinham conseguido fugir do regime junto com muitos refugiados ucranianos para a França, Inglaterra e Alemanha, mantiveram vivo o espírito da comunidade, continuando seu trabalho junto aos ucranianos refugiados pelo mundo.
     Em 1990, quando a Ucrânia ganhou a independência, as Servas dispersas por todo o mundo puseram mãos a obra ajudando a reconstruir a vida religiosa na sua pátria, após 50 anos de comunismo-marxismo; crescendo sempre mais, estão presentes na Ucrânia e em muitos países estrangeiros, saindo finalmente da clandestinidade.
     Em 1982, o corpo da Beata Josafata foi transferido de um antigo cemitério abandonado para a Casa Generalícia em Roma. O Papa João Paulo II a beatificou em Lviv em 27 de junho de 2001, sendo a primeira Beata da gloriosa terra da Ucrânia.
 

segunda-feira, 21 de março de 2016

Santa Basilissa e S. Calínico de Galacia, Mártires - 22 de março


Martirológio Romano: Em Galacia, na moderna Turquia, santos Calínico e Basilissa, mártires. 251.


     Estes santos receberam culto desde a antiguidade tanto no Oriente como no Ocidente. Entretanto, a tradição textual em torno deles é muito confusa: em muitos martirológios (incluída a versão anterior do Romano) aparecem como duas mulheres: Calínica e Basilissa, mas nos menológios mais antigos (e conforme estes o Romano atual foi corrigido), o primeiro dos dois é um homem: Calínico. Também quanto à data houve algumas discrepâncias, encontrando-se os dias 21, 22 e 26 de março. O Martirológio Romano, recorda estes mártires no dia 22 de março «
natalis sanctarum martyrum Callinicae et Basilissae».

     Basilissa era uma rica matrona de Galacia que gastava sua fortuna para socorrer os cristãos encarcerados e animá-los. Não há uma "Vita" destes mártires, porém um menológio grego transmite um pequeno dado: Basilissa era uma rica viúva que dava seu dinheiro ao jovem Calínico para que alimentasse e ajudasse os cristãos presos que aguardavam o martírio.

     A obra dos dois chegou aos ouvidos das autoridades e foram aprisionados. Como não quisessem apostatar de sua Fé, foram decapitados. Isto ocorreu possivelmente na época da perseguição de Décio.

sexta-feira, 18 de março de 2016

São José, Patrono da Igreja

    
 
     O Papa Pio IX, no dia 8 de dezembro de 1870, declarou o glorioso São José, Padroeiro da Igreja Católica. Este mesmo Papa, em 08/12/1854, já tinha proclamado solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Através de Decreto da Congregação dos Sagrados Ritos, o Papa atendeu à solicitação do episcopado do mundo todo, que estava então reunido no Concílio Vaticano I (08/12/1869 a 20/10/1870), os quais rogaram ao Santo Padre que se dignasse constituir São José Padroeiro da Igreja Católica.
     Assim se expressou a Sagrada Congregação dos Ritos: “Assim como Deus constituíra o antigo José, filho do antigo patriarca Jacó, para presidir em toda a terra do Egito, a fim de conservar o trigo para os povos; assim, chegada a plenitude dos tempos, estando para enviar à terra o seu Unigênito Filho para redenção do mundo, escolheu outro José, de quem o primeiro era figura; constituiu-o Senhor e Príncipe de sua casa e de sua possessão, e elegeu-o custódio de seus principais tesouros.
     José teve, de fato, por esposa a Imaculada Virgem Maria, da qual por virtude do Espírito Santo, nasceu Nosso Senhor Jesus Cristo, que, junto aos homens, se dignou ser julgado filho de José, e lhe foi submisso. E José, não só viu Aquele que tantos reis e profetas desejaram ver, mas conversou com Ele, estreitou-O ao peito com paternal afeto, beijou-O; e, além disso, com extremoso cuidado, alimentou Aquele que devia ser nutrição espiritual e alimento de vida eterna para o povo fiel.
     Por esta excelsa dignidade, concedida por Deus a seu fidelíssimo Servo, a Igreja, após a Virgem Santíssima, sua Esposa, teve sempre em grande honra e cumulou de louvores o Beatíssimo José, e nas angústias lhe implorou a intercessão. Ora, estando a Igreja, nestes tristíssimos tempos, perseguida em toda parte por inimigos, e opressa por tão graves calamidades, a ponto de julgarem os ímpios que as portas do abismo prevaleceram contra Ela, os Bispos de todo o mundo católico, em seu nome e no dos fiéis confiados a seus cuidados, rogaram ao Sumo Pontífice que se dignasse constituir São José Padroeiro da Igreja Católica.
     Tendo, pois eles, no Sagrado Concílio Ecumênico Vaticano I, renovado com maior insistência os mesmos pedidos e desejos, o Santo Padre Pio IX, comovido com a presente e lutuosa condição dos tempos, querendo de modo especial colocar-se a si mesmo e aos fiéis sob o poderosíssimo Patrocínio do Santo Patriarca José e satisfazer os desejos dos Bispos, declarou-o solenemente Padroeiro da Igreja Católica.
     Elevou a sua festa, que caí a 19 de março a rito duplo de primeira classe. E, além disso, ordenou que esta declaração, feita com o presente decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, fosse publicado no dia consagrado à Imaculada Virgem Mãe de Deus, Esposa do castíssimo José.
     Eram, como sempre, tempos difíceis para a Igreja. O Papa convocara o Concílio Vaticano I para enfrentar o brado da Revolução Francesa (1789) contra a fé, no endeusamento da razão e do nacionalismo. O século XIX começou marcado pelo materialismo racionalista e pelo ateísmo fora da Igreja; dentro dela as tendências conciliaristas e de separatismo que enfraqueciam a autoridade do Papa e a unidade da Igreja. Mais uma vez a Barca de Pedro era ameaçada pelas ondas do século. Então a Igreja recomendou-se ao “Pai” terreno do Senhor. Aquele que cuidara tão bem da Cabeça da Igreja, ainda Menino, cuidaria também de todo o seu Corpo Místico. Trinta anos depois, o Papa Leão XIII, no dia 15/8/1899, assinava a Encíclica “Quanquam Pluries” sobre São José, nos tempos difíceis da virada do século.
     Ouçamos o Papa: “Nos tempos calamitosos, especialmente quando o poder das trevas parece tudo usar em prejuízo da cristandade, a Igreja costuma sempre invocar súplice a Deus, autor e vingador seu, com maior fervor e perseverança, interpondo também a mediação do Santo, em cujo patrocínio mais confia para encontrar socorro, entre os quais se acha em primeiro lugar a Augusta Virgem Mãe de Deus”.
     “Ora, bem sabeis Veneráveis Irmãos que os tempos presentes não são menos desastrosos do que tantos outros, e tristíssimos, atravessados pela cristandade. De fato, vemos perecer em muitos o princípio de todas as virtudes cristãs, de fé, extinguir-se a caridade, depravar-se nas idéias e costumes a nova geração, perfeitamente hostilizar-se por toda a parte a Igreja de Jesus Cristo, atacar-se atrozmente o Pontificado, e com audácia cada vez mais imprudente arrancarem – se os próprios fundamentos da religião”.
     “Nós propomos… para tornar Deus mais favorável às nossas preces e para que Ele, recebendo as súplicas de mais intercessores, dê mais pronto e amplo socorro à sua Igreja, julgamos sumamente conveniente que o povo cristão se habitue a invocar com singular devoção e confiança, juntamente com a Virgem Mãe de Deus, o seu castíssimo esposo São José: temos motivos particulares para crer que seja isto aceito e agradável à própria Virgem. E, a respeito desse assunto, do qual pela primeira vez tratamos em público, bem conhecemos que a piedade do povo cristão não só é favorável, mas tem progredido também por iniciativa própria; pois vemos já gradativamente promovido e estendido o culto de São José por zelo dos Romanos Pontífices, nas épocas anteriores, universalmente aumentado e com indubitável incremento nestes últimos tempos, em especial depois que Pio IX, nosso antecessor de feliz memória, declarou às súplicas de muitos bispos, Padroeiro da Igreja Católica o Santíssimo Patriarca. Não obstante, por ser muito necessário que seu culto lance raízes nas instituições católicas e nos costumes, queremos que o povo cristão receba, antes de tudo, de nossa voz e autoridade novo estímulo”. [...]
     E o Papa destaca a missão que Deus confiou a José: “Ora, a casa divina que José, quase com pátrio poder, governava, era o berço da Igreja nascente. A Virgem Santíssima, por ser Mãe de Jesus Cristo, e também Mãe de todos os cristãos, por Ela gerados em meio às atrocíssimas penas do Redentor no Calvário; como Jesus Cristo é, de certo modo o primogênito dos cristãos, seus irmãos por adoção e redenção”.
     “Daí resulta ser confiada, de modo especial, ao Beatíssimo Patriarca a multidão dos cristãos, da qual se compõe a Igreja, isto é, a inúmera família espalhada por todo o mundo e sobre o qual tem, como esposo da Virgem e pai adotivo de Jesus Cristo, uma autoridade paterna. É pois conveniente e sumamente digno para o bem-aventurado José que, assim como costumava proteger santamente em todo o evento a família de Nazaré, agora assista e defenda, com seu celeste patrocínio, a Igreja de Cristo”.
     O Papa Leão XIII fez questão de compor uma Oração a São José pela Santa Igreja. [...]

São José, Patrono da Boa Morte - 19 de março


A agonia do Patrono da Boa Morte

Este conjunto escultural interpreta muito bem a morte de São José, no transe de quem já está agonizando. Ele sofre as dores da morte, mas numa atitude de quem sabe que se encontra assistido pela Santíssima Virgem e por Nosso Senhor. São José tem conhecimento de que está tendo contato com o próprio Deus e com sua virginal esposa e a noção de que isso já é o Céu!
São José aparenta deixar sua alma aberta para ouvir o que Eles dizem. Mas só pode prestar meia atenção devido à extrema dor – propriamente uma agonia. Entretanto, nota-se que ele está tranquilo e recebendo graças e correspondendo a elas.
Observem a atitude de Nosso Senhor. Ele fala com o respeito com que se fala a um pai, concedendo a São José a honra de tocar nEle. Atitude de Mestre, de autoridade, de sabedoria e bondade fantásticas, mas com algo de respeito de filho para com seu pai. Nosso Senhor observa em São José o efeito do que Ele diz e, assim, continua falando, matizando suas palavras de acordo com as reações de seu pai adotivo. Fala com afeto, com muito cuidado, mas sem apreensão, uma vez que sabe perfeitamente que São José irá para o Céu.
Quanto à Virgem Santíssima, observem que Ela se coloca em segundo plano; não fala, conserva a distância que a Virgem mantém em relação ao seu próprio esposo.
Ela não fala, mas se mostra muito carinhosa, atenta e participando da dor do esposo castíssimo. A compaixão nEla aparece mais acentuada do que em Nosso Senhor, porque Ele é o mestre e Ela é a esposa que acompanha aquela situação.
 
Plinio Corrêa de Oliveira

quarta-feira, 16 de março de 2016

Beata Maria Repetto e a devoção a São José

Religiosa do Instituto das Irmãs de Nossa Senhora do Refúgio no Monte Calvário
     Maria nasceu em Voltaggio, Itália, no seio de uma família da burguesia. Ingressou como religiosa das Irmãs de Nossa Senhora do Refúgio no Monte Calvário, em Gênova, em 1829. Trabalhou como costureira e bordadeira da comunidade durante muitos anos. Quando a visão começou a falhar, destinaram-na à portaria do convento onde desenvolveu um trabalho apostólico profundo e promoveu a devoção a São José. Teve o dom da cura, colocando a medalha de São José no lugar enfermo. Não atribuía nada para si mesma, mas ao Santo Patriarca.
     Conta-se que um dia uma mulher chegou ao convento para pedir orações por seu marido cego. A Irmã Maria aconselhou-a a rezar a São José. Quando a mulher se foi, Irmã Maria virou-se em direção ao quadro do Santo que tinha na portaria e lhe disse: “São José, o senhor faz ideia como é triste uma pessoa viver na escuridão?” A mulher voltou ao convento e lhe disse que seu marido havia recuperado a visão repentinamente. A Beata girou o quadro de São José e viu um bilhete que dizia: “São José agradece-lhe por isso".
     Maria Repetto foi beatificada em 4 de outubro de 1981.
 
(veja sua pequena biografia neste site, no dia 5 de janeiro de 2016)