segunda-feira, 4 de abril de 2016

Santa Irene de Salônico, Virgem e Mártir - 5 de abril

Santa Irene assiste o martírio das irmãs, miniatura do Menológio Basílio II
 
 
Martirológio: Em Salônica, na Macedônia, agora na Grécia, Santa Irene, virgem e mártir, que ignorou o decreto de Diocleciano que proibia manter escondidos os livros sagrados, foi levada para um lupanar e em seguida queimada na fogueira por ordem do governador Dulcério, o qual já infringira o martírio às suas irmãs Ágape e Quiônia. 
     Irene nasceu, segundo alegam as legendas, no século IV, época do imperador romano Diocleciano, considerado o mais sanguinário perseguidor dos cristãos, e que "proibia que as pessoas portassem ou guardassem escritos que pregassem o Cristianismo". Todos os livros "deveriam ser entregues às autoridades para serem queimados”. Irene, ainda jovem, junto com suas irmãs, Ágape (Amor) e Quiônia (Pureza), pertenciam a uma família pagã da Tessalônica, mas elas se converteram e possuíam vários livros da Sagrada Escritura, e passaram a pregar o Cristianismo.
     O martírio destas três jovens irmãs é contado em um documento que é uma versão um pouco ampliada de testemunhos genuínos.
     As três irmãs foram denunciadas e, em sua casa "foram encontrados vários livros cristãos”, por isso passaram a ser "perseguidas, e deveriam ser levadas ao interrogatório diante do governador da Macedônia, Dulcério". Deveriam, como os demais cristãos, submeter-se ao "intenso interrogatório, para renegar a fé em Cristo". E só se salvariam se idolatrassem os falsos deuses, oferecendo "publicamente comida e incenso a eles, e queimando os seus livros". Quando os cristãos se negavam a renunciar a sua fé, "geralmente eram queimados vivos, junto com as Escrituras Sagradas".
     Ágape e Quiônia foram encontradas antes. Presas e interrogadas, negaram-se a adorar os falsos deuses e confirmaram sua fé. As jovens foram levadas diante do governador da Macedônia, Dulcério, sob a acusação de terem recusado comer alimentos que tinham sido oferecidos em sacrifício aos deuses. Quando o governador perguntou onde tinham aprendido ideias tão estranhas, Quiônia respondeu: "De Nosso Senhor Jesus Cristo", e novamente ela e Ágape recusaram-se a comer o alimento e, por causa disso, foram queimadas vivas. O Martirológio Romano as reverencia dois dias antes.
     Entretanto, Irene, que havia escondido grande parte dos livros cristãos em sua casa, conseguiu "fugir para as montanhas, mas foi encontrada no dia do martírio das suas irmãs, levada a um prostíbulo para ser violada e, depois, presa". Lá, porém, "por uma graça, ninguém a tocou". Irene foi, então, "submetida a interrogatório, manteve-se firme em sua profissão de fé". Condenada pelo governador Dulcério, foi entregue aos carrascos, "que lhe tiraram a roupa, expuseram-na à vergonha pública e depois também a queimaram viva".
     Outras três mulheres e um homem foram julgados junto com estas mártires; uma das mulheres foi enviada de volta para a prisão porque estava grávida. Não é relatado o que aconteceu com eles.
     O culto a Santa Irene ainda é muito intenso no Oriente e no Ocidente, e se perpetuou até os nossos dias pelo seu lendário "exemplo de santa mártir", bem como pela tradição de seu nome, que em grego significa "paz", e é muito difundido em todo o planeta, principalmente entre os povos cristãos.
     A festa de Santa Irene acontece em 5 de abril, dia em que recebeu a palma do martírio pela fé em Cristo, no ano 304.
Fontes: www.santiebeati.it, autor Donald Attwater; www.wikipedia

domingo, 3 de abril de 2016

Beata Maria Teresa Casini, fundadora - 3 de abril

Martirológio Romano: Em Grottaferratta, Roma, Itália, Beata Maria Teresa Casini, fundadora do Instituto das Irmãs Oblatas do Coração de Jesus. ( 1937)
     Maria Teresa Casini nasceu nos Castelli Romani (municípios italianos da província de Roma), em uma cidade chamada Frascati, região do Lácio, em 27 de outubro de 1864, a primogênita do casal formado pelo engenheiro Tomas Casini e por Melania Rayner (ela era francesa). Aos dez anos ficou órfão de pai, seu primeiro e eficaz educador, e teve que mudar-se com sua mãe para Grottaferrata, onde seus avós maternos tinham se radicado definitivamente.
     Em 1875 foi aluna do Colégio de Santa Rufina, em Roma, onde descobriu um vivo desejo de consagrar-se a Deus. Por razões de saúde teve que regressar a sua família, e ali viveu um período de grande incomodidade moral causada pela obediência à sua mãe que a fazia frequentar a vida social de um mundo ao qual sentia não pertencer.
     Para Maria Teresa Casini foi providencial conhecer o Padre Arsênio Pellegrini, abade da Abadia de Grottaferrata, que com sua sábia direção espiritual a ajudou a olhar dentro de si mesma, analisar a situação em que se encontrava e poder eleger com convicção seu próprio caminho.
     Assim, em 1º de fevereiro de 1885, pode tornar realidade sua aspiração ingressando no Mosteiro da Santíssima Conceição, das Clarissas, próximo da Basílica San Pietro in Vincoli, em Roma, onde tomou o nome de Irmã Serafina do Coração Traspassado de Jesus.
     Infelizmente, sua saúde mais uma vez influenciou sua vida: quase dois anos mais tarde, em 2 de dezembro de 1886, se viu obrigada a deixar o mosteiro.
     Ao voltar para sua casa em Grottaferrata, Teresa Casini começou a pensar em como concretizar seu desejo de dedicar sua energia pela santificação dos sacerdotes, os quais têm que ser ajudados e apoiados, tanto em seu ministério quanto em sua vida, com oração constante, que deve guardar total harmonia com um verdadeiro espírito de colaboração.
     Com este propósito começou a reunir jovens que abraçavam seu ideal, inicialmente sem pensar na criação de uma congregação religiosa, mas, em 4 de fevereiro de 1894 o grupo tomou o nome de "Vítimas do Sagrado Coração", sendo assim as primeiras irmãs de um novo instituto de estrita clausura.
     Depois de algum tempo, entretanto, diante da insistência da própria Madre Teresa Casini, aboliram a regra de estrita clausura, para assim poder sair e dedicar-se a uma variedade de atividades, sendo que nesta decisão também influenciou a exortação do Cardeal Francisco Satolli, bispo de Frascati.
     Em 1910 foi aberto o primeiro estúdio e desde 1912 outros internatos para meninas, o que resultou na criação dos “Pequenos Amigos de Jesus”, em 1920, (apesar de muitas incompreensões e críticas), cujo objetivo era acomodar e educar adequadamente meninos que mostravam uma natural inclinação ao sacerdócio e quando completavam 12 anos deviam ser enviados ao Seminário. Outro propósito era construir instituições para dar acolhida aos sacerdotes idosos, doentes e necessitados.
     As Irmãs obtiveram reconhecimento canônico em 1º de novembro de 1916, mudando o antigo nome para "Oblatas do Sagrado Coração de Jesus". Expandiram-se não só na Itália, mas também, desde 1946, nos Estados Unidos e Brasil, onde foram chamadas para assistir aos sacerdotes nas paroquias e nas Casas do Clero, garantindo seu cuidado e serenidade de vida.
     Depois de uns trinta anos a frente do Instituto, e com 66 anos de idade, Madre Teresa se retirou em 1930 na Casa de Grottaferrata, deixando a direção em mãos mais jovens, porém sempre se mantendo vigilante e orante por suas filhas e suas casas.
     Faleceu em Grottaferrata no dia 3 de abril de 1937. Seu corpo foi sepultado inicialmente na Capela das Irmãs Zelosas do Sagrado Coração no cemitério local; foi exumado em 28 de abril de 1949 e colocado na capela do Instituto em Grottaferrata. Finalmente, em 20 de maio de 1965, foi transladado para a igreja anexa a atual Casa Geral das Oblatas em Roma.
     Em 26 de janeiro de 1981 foi introduzido em Roma o processo para sua beatificação; Madre Maria Teresa Casini foi beatificada em 31 de outubro de 2015.
 
Por: Antonio Borrelli | Fuente: santiebeati.it
responsable de la traducción: Xavier Villalta

sábado, 2 de abril de 2016

Semear Ave-Marias nos caminhos

 

     Muitos Santos semearam Ave-Marias nos caminhos por onde andaram… Em particular, podemos dizer que a recitação do Rosário feita silenciosamente enquanto se caminha, viaja, foi a ocupação mais comum entre os santos. 
     Alguns o demonstraram até externamente passando de rua em rua, com o Rosário em movimento entre as mãos.

- São Conrado de Parzhan, humilde capuchinho da Baviera, reunia os rapazes pelas ruas e recitava com eles o Rosário, em pia procissão, que edificava toda a cidade.
.
- Santa Joana D’Arc se recolhia facilmente, cavalgando absorta junto ao seu rei. Ele mesmo uma vez lhe perguntou o que sonhava enquanto cavalgava tão silenciosa. ”Gentil Senhor – respondeu a heroína – estou recitando o Rosário”.

- Nos nossos tempos Santa Bertila Boscardin em Vicenza, São Maximiliano Maria Kolbe, em Roma, Pe. Dolindo Ruotolo, em Nápoles, atravessavam as ruas da cidade recitando o Rosário.
 
- São José Cafasso conta que um dia, de manhã cedo, encontrou pelas ruas de Turim uma velhinha toda recolhida. O Santo lhe perguntou:
     - Por que, boa velhinha, andas pela rua a esta hora?
     - Passo a limpar as ruas, respondeu a velhinha.
    Admirado, o Santo perguntou: - Que quer dizer?
     - Esta noite foi carnaval e foram cometidos muitos pecados. Por isso, passo rezando o Rosário, para purificar as ruas de tantos pecados.
     - Muito bem, boa velhinha! 

Fonte: vashonorabile.blogspot (excertos)

segunda-feira, 28 de março de 2016

A Santa Túnica de Argenteuil e o Sagrado Espinho de Bari

     Duas relíquias da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo são alvo de peregrinação nesse mês: a Santa Túnica de Argenteuil, França, e o Sagrado Espinho em Bari, na Itália.    
     A túnica que Nosso Senhor usou durante a Paixão está sendo visitada neste mês na Basílica de Saint Denis, caso raro que ocorre muito excepcionalmente.
A Santa túnica de Argenteuil analisada por um cientista
 
     Numa igreja de Argenteuil, cidade hoje absorvida pela grande Paris, venera-se uma túnica que, segundo tradição milenar da Igreja, foi tecida por Nossa Senhora para o Menino Jesus. Seria a mesma que Nosso Senhor usou na sua Paixão. A mesma, portanto, que os algozes romanos, vendo que era inconsútil – isto é, formando uma só peça, sem costuras – lançaram à sorte, para não ter que dividi-la entre eles.
     Utilizando equipamentos os mais avançados, a ciência moderna foi analisar a relíquia. O professor André Marion, pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique – CNRS (Paris) é especialista no processamento numérico de imagens, leciona na Universidade de Paris-Orsay e é autor de numerosas publicações científicas e técnicas.
     Ele já fez descobertas surpreendentes a respeito do Santo Sudário de Turim, com base em métodos ótico-digitais. Ele publicou suas conclusões sobre a túnica de Argenteuil no livro “Jesus e a ciência – A verdade sobre as relíquias de Cristo” (foto embaixo).
     Para o trabalho, o Prof. Marion localizou nos arquivos da Diocese de Versailles chapas tiradas em 1934. Estavam bem conservadas. Sobre elas aplicou as técnicas de digitalização de imagens, baseadas em scanners e computadores poderosos. É de se salientar a precisão do método, que chega a ser de 10 a 20 milésimos de milímetro.
     Assim ele pôde mapear as manchas de sangue, que não são facilmente perceptíveis num primeiro olhar. Por fim, comparou o mapa obtido com as manchas de sangue – aliás, minuciosamente estudadas – do Santo Sudário de Turim. Porém, desde logo surgia uma dificuldade. O Santo Sudário envolveu o Corpo de Nosso Senhor esticado e imóvel no Santo Sepulcro, enquanto a Santa Túnica de Argenteuil fora portada por Ele vergado sob a Cruz, caminhando com passo cambaleante, desequilibrando-se e caindo na ruela pedregosa, imensamente enfraquecido por desapiedadas torturas.
     Se ainda imaginarmos Nosso Senhor segurando com suas mãos a extremidade da Cruz na altura do ombro, é fácil supormos que a Túnica deve ter formado pregas.
     Essas pregas raspavam nas chagas abertas nas divinas costas, enquanto a parte da frente da Túnica ficava solta por efeito da curvatura geral do corpo. Todos esses fatores faziam com que o sangue se espalhasse no pano de um modo irregular.
     O Prof. Marion solicitou então a ajuda de um voluntário com as proporções anatômicas do Santo Sudário. Ele simulou os movimentos da Via Crucis, utilizando uma túnica do mesmo tamanho da de Argenteuil. Os movimentos foram repetidos várias vezes e em várias formas, tendo sido sistematicamente fotografados.
     A seguir, com base nessas fotos e por métodos computacionais, o Prof. Marion criou um primeiro modelo virtual do corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo carregando a Cruz. No monitor do computador esse modelo aparece como o desenho de um manequim.
     Sobre ele aplicou então as imagens da Túnica de Argenteuil. Dessa maneira reproduziu as pregas, que naturalmente se formam pelo ajuste ao corpo, e a difusão das manchas de sangue provocada pelos movimentos dolorosíssimos sob a Cruz. Da mesma maneira, aplicou a imagem da Santa Túnica a um segundo modelo virtual feito com base no Santo Sudário de Turim. E eis a admirável surpresa!
     Na primeira experiência, a distribuição das manchas sanguíneas na Túnica correspondeu perfeitamente aos ferimentos e às posturas próprias ao carregamento da Cruz. Na segunda, as manchas ficaram posicionadas de modo a se superporem exatamente com as chagas do Santo Sudário.
     Em ambas as experiências, na tela do computador aparecem as feridas – as mais sangrentas de todas – provocadas pelo madeiro, bem diferenciadas das horríveis dilacerações dos açoites da flagelação, indicando com precisão a posição da Cruz.
     Até pormenores históricos que intrigavam os cientistas ficaram esclarecidos. Um deles é que os romanos – executores materiais da Crucifixão, sob a pressão do ódio judeu – não costumavam obrigar o condenado a carregar a Cruz inteira. Eles já deixavam o tronco principal encravado no local do suplício – no caso, o Calvário –, mas forçavam o sentenciado a levar a trave da Cruz, chamada patibulum.
     Em sentido contrário, os quatro Evangelhos não falam do patibulum, mas só da Cruz: “Et baiulans sibi crucem exivit in eum” (Jo 19, 17). São Mateus, São Marcos e São Lucas mencionam o cruzeiro no episódio em que o Cireneu foi obrigado a ajudar Nosso Senhor Jesus Cristo a carregá-lo.
     Ora, na análise computadorizada das fotografias da Túnica aparecem com toda clareza possível as chagas e tumefações provocadas por uma cruz, e não por um mero patibulum.
     As manchas de sangue indicam que na Via Sacra os dois madeiros cruzaram-se na altura da omoplata esquerdo de Nosso Senhor. Na iconografia tradicional, na Via Sacra Nosso Senhor aparece habitualmente com um cíngulo, ou cordão cingindo os rins. Tal cordão não deixara nenhum vestígio conhecido. Mas, no ensaio digital, a presença do cordão, de que nos fala a tradição aparece perfeitamente identificada!
     A conclusão do Prof. Marion é a seguinte: “O procedimento praticado foi, de longe, muito mais preciso que os que tiveram lugar no passado. Segundo nossos antepassados, era necessário acreditar que um só e mesmo supliciado tinha manchado com seu sangue a túnica [de Argenteuil] e o Sudário [de Turim]”.
     “Estas repetidas afirmações requeriam um estudo aprofundado: desejamos então verificar, por nós mesmos, se tal comparação pode se justificar. Os resultados aparecem entretanto perfeitamente conclusivos”.
     “A correspondência das feridas é um argumento a favor da autenticidade das duas relíquias, que devem se referir bem ao mesmo supliciado. É muito difícil imaginar que falsários tenham tentado correlacionar de modo tão perfeito os dois objetos…”
 
Fonte: Ciência Confirma a Igreja; Apostolado Spiritus Paraclitus
----------
La Repubblica, 25 de março de 2016 - Também em Bari, o prodígio com o Sagrado Espinho se renova

 
     Uma multidão de fiéis visitou a Basílica de São Nicolau, em Bari, para a exposição do Santo Espinho, um fragmento da coroa de Jesus, que é mantido na capela das relíquias. Os fiéis estavam à espera do milagre que é renovado quando a Sexta-feira Santa coincide com 25 de março, dia em que a Igreja celebra a memória litúrgica da Anunciação.
    O anúncio foi feito pelo monsenhor Raffaele Calabro durante a homilia: "Tenho o prazer de anunciar a todos de uma forma solene que o milagre começou". O prodígio consiste na mudança de cor do sangue que mancha o Espinho Santo, a qual se torna mais viva. A relíquia tinha sido fotografada continuamente com equipamento especial - uma câmera de alta resolução, um espectrômetro e um sistema de câmera hyperspectral que percebem a variação de cor - e uma comissão de 12 especialistas produzem minutos.
     Após a fragmentação da coroa, lemos nos anais, os espinhos foram conservados em várias partes da Europa (na Itália existem em diferentes locais e em Puglia são preservados dois: um em Bari, no tesouro da Basílica e um em Andria, onde é exposto na capela de São Ricardo na catedral). Nesses fragmentos teriam permanecido desde a crucificação de Jesus manchas acastanhadas como sangue coagulado. E quando a Sexta-feira Santa coincide com a Anunciação, as manchas devem se tingir de um vermelho mais vivo.
25 março 2016

domingo, 27 de março de 2016

PÁSCOA, RESSURREIÇÃO DE NOSSO SENHOR


     Assim que a alma de Nosso Senhor voltou ao corpo, Ele apareceu a Nossa Senhora. Como terá sido esse encontro?
     Nós poderíamos imaginar que Ele tenha aparecido como Senhor esplendoroso — Rei, como nunca ninguém foi nem será rei. Ou, pelo contrário, com um sorriso de afago que lembrava o seu primeiro olhar no presépio de Belém.
     O que o olhar d’Ele comunicou a Ela? O que Nossa Senhora, a criatura perfeita, teria dito, vendo-O e amando-O inteiramente?
     Foi o primeiro louvor que Nosso Senhor recebeu da sua Mãe, após a Ressurreição.
     Quando as cidades eram pouco ruidosas, ouvia-se o bimbalhar dos sinos ao meio-dia, celebrando a Ressurreição. Nas ruas, os moleques espancavam bonecos de Judas.
     A Aleluia cantava-se por toda parte. As pessoas cumprimentavam-se, distribuíam ovos de Páscoa. As igrejas enchiam-se, a liturgia apresentava enorme pompa.
     Da dor do Calvário nasceu a imensa alegria da Páscoa. A alegria verdadeira, que não é filha do vício, mas fruto abençoado da virtude.
     Quando Deus volta a sua Face para os homens, tudo se torna fácil, suave, alegre, brilhante. Quando Deus desvia a sua Face dos homens, são épocas de castigo.
     É como o sol que desaparece. Ó Senhor Jesus, voltai para nós a vossa Face divina e olhai-nos com bondade. Nesse momento a graça há de nos iluminar, e sentir-nos-emos outros.
     Que o Divino Espírito Santo, pelos méritos de vossa Ressurreição, comunique aos que Vos são fiéis a força e o valor para congregar os bons e derrotar os inimigos da vossa Igreja.
     Que Ele renove as almas, restaure as instituições, as nações e a Civilização Cristã — nós Vo-lo pedimos por meio de Nossa Senhora, Medianeira Onipotente e Co-redentora do gênero humano.
 
Fonte: Retirado da Revista Catolicismo. 

quinta-feira, 24 de março de 2016

Beata Josafata (Miguelina Hordáshevska), Co-fundadora - 25 de março

    
     Miguelina Hordáshevska foi a quinta de nove filhos de uma grande família que era sustentada pelo trabalho de carpinteiro do pai, com a ajuda parcial da mãe. Ela nasceu no dia 20 de novembro de 1869 em Chervonohrad, próximo de Lviv, a capital provincial da Ucrânia. Sua família era profundamente católica, pertencente ao rito bizantino.
     Não havia nenhuma possibilidade de mandá-la estudar e, portanto, Miguelina teve que ir trabalhar em um vidraceiro. Enquanto crescia com grande virtude e numa intensa vida de piedade, foi desenvolvendo nela a semente da vocação religiosa.
     Em 1888 ela participou de um retiro para jovens orientado pelos Padres Basilianos, onde conheceu um digno missionário, o Padre Jeremias Lomnitsky, que se tornou seu diretor espiritual e aquele que será o braço mais valioso na fundação que ela irá depois realizar.
     Miguelina tornou-se uma apóstola muito ativa entre os fiéis, especialmente os membros da Fraternidade do Sagrado Coração de Cristo, participando nas celebrações litúrgicas, nos cantos e nas obras de caridade. Ela confidenciou ao Padre Jeremias sua intenção de consagrar-se na vida religiosa. Como só havia então uma ordem de freiras de clausura de rito bizantino, o seu diretor sugeriu-lhe um projeto dos Padres Basilianos de fundar uma Congregação feminina do rito bizantino-ucraniano de vida ativa e ela poderia ser a primeira das irmãs.
     Depois de um período de reflexão, meditação e preparação, no dia 24 de agosto de 1892, na igreja basiliana de Santo Onofre em Lviev, ocorreu a vestição da primeira freira: Miguelina mudou seu nome para Josafata, em homenagem ao grande mártir da Ucrânia, São Josafá Kuncewycz.
     A Congregação tomou o nome de Servas de Maria Imaculada, com a tarefa de exercer um apostolado de vida ativa junto a todos os necessitados. Irmã Josafata sofreu muito em sua curta existência por causa de mal-entendidos, calúnias e ambições de outros, e pela dor atroz de uma tuberculose óssea que a levou à morte na idade de 49, no dia 25 de março de 1919.
     Já no momento de sua morte a Congregação tinha aberto 23 missões com 123 freiras principalmente na Ucrânia, onde, como já foi dito, havia apenas um tipo de freiras, as basilianas de clausura, portanto o campo de apostolado entre as pessoas era vasto e novo.
     No início da 2ª. Guerra Mundial a Congregação contava com 92 casas e cerca de 600 freiras. Mas todas as casas foram confiscadas pelo regime comunista, e quanto às freiras, 36 foram presas e deportadas para a Sibéria, as outras sofreram nas prisões ou trabalharam em fábricas, dispersando assim a herança espiritual da Co-fundadora.
     Aquelas Irmãs que tinham sido enviadas em missão ao Canadá, aos EUA e ao Brasil, bem como aquelas que tinham conseguido fugir do regime junto com muitos refugiados ucranianos para a França, Inglaterra e Alemanha, mantiveram vivo o espírito da comunidade, continuando seu trabalho junto aos ucranianos refugiados pelo mundo.
     Em 1990, quando a Ucrânia ganhou a independência, as Servas dispersas por todo o mundo puseram mãos a obra ajudando a reconstruir a vida religiosa na sua pátria, após 50 anos de comunismo-marxismo; crescendo sempre mais, estão presentes na Ucrânia e em muitos países estrangeiros, saindo finalmente da clandestinidade.
     Em 1982, o corpo da Beata Josafata foi transferido de um antigo cemitério abandonado para a Casa Generalícia em Roma. O Papa João Paulo II a beatificou em Lviv em 27 de junho de 2001, sendo a primeira Beata da gloriosa terra da Ucrânia.
 

segunda-feira, 21 de março de 2016

Santa Basilissa e S. Calínico de Galacia, Mártires - 22 de março


Martirológio Romano: Em Galacia, na moderna Turquia, santos Calínico e Basilissa, mártires. 251.


     Estes santos receberam culto desde a antiguidade tanto no Oriente como no Ocidente. Entretanto, a tradição textual em torno deles é muito confusa: em muitos martirológios (incluída a versão anterior do Romano) aparecem como duas mulheres: Calínica e Basilissa, mas nos menológios mais antigos (e conforme estes o Romano atual foi corrigido), o primeiro dos dois é um homem: Calínico. Também quanto à data houve algumas discrepâncias, encontrando-se os dias 21, 22 e 26 de março. O Martirológio Romano, recorda estes mártires no dia 22 de março «
natalis sanctarum martyrum Callinicae et Basilissae».

     Basilissa era uma rica matrona de Galacia que gastava sua fortuna para socorrer os cristãos encarcerados e animá-los. Não há uma "Vita" destes mártires, porém um menológio grego transmite um pequeno dado: Basilissa era uma rica viúva que dava seu dinheiro ao jovem Calínico para que alimentasse e ajudasse os cristãos presos que aguardavam o martírio.

     A obra dos dois chegou aos ouvidos das autoridades e foram aprisionados. Como não quisessem apostatar de sua Fé, foram decapitados. Isto ocorreu possivelmente na época da perseguição de Décio.