sexta-feira, 29 de abril de 2016

Excertos do livro de Irmã Maria Antonia

    
Cecy aos 13 anos
     Os tópicos abaixo merecem aprofundamento e reflexão dos pais e mestres. Uma jovenzinha é protegida por seu Anjo da Guarda em duas circunstâncias: um “banho na cachoeira” e fitas ou dramas apresentados em cinemas ou teatros. O que Cecy faria diante dos trajes, músicas, programas de TV ou filmes nos dias atuais? Quem poderia supor que de “inocentes banhos na cachoeira” se chegaria ao nudismo de nossas praias?
     Na. Sra. apareceu diversas vezes no século XIX pedindo conversão e penitência. Em 1917, em Fátima, Portugal, Ela disse que se a humanidade não se emendasse viria uma guerra pior (e veio, a 2ª guerra mundial!) e acenou com outro castigo.
     As intervenções do Anjo de Cecy não serviram apenas para ela; se formos sérios e analisarmos todo o conteúdo de sua ação benfazeja, veremos que ele inspira e encoraja uma luta contra os defeitos e uma ação de inconformidade com os ambientes que a criança precisa frequentar.
     Que do céu Cecy vele por nossas crianças e adolescentes!
          
35. O traje de banho impedido
     Nas férias de 1911 a 1912, papai, a conselho médico de aproveitar as águas iodadas dos banhos de mar, no mês de fevereiro, resolveu mandar-me para Santa Vitória do Palmar. Parti logo após o encerramento das aulas, na 2a quinzena de dezembro. Deveria hospedar-me em casa da família N., amiga de meus pais, e cujas filhas estavam internadas em nosso colégio de Jaguarão. Custou-me demasiadamente separar-me da família. [...]
     A viagem correu bem e amanhecemos em Santa Vitória, onde já nos esperava, no porto, o casal N. Estranhei imensamente a falta de meus pais e irmãos e da boa Acácia, se bem que aquela família N. me cercasse de todo o carinho, cuidado e dedicação. Antes de duas semanas, adoeci com febre alta e, se não tivesse a presença contínua de meu Jesus e de meu Novo Amigo, creio que não teria resistido à dura separação. Por fim, restabeleci-me, e a família N. já estava em preparativos para partir para o mar, quando veio a notícia de que a casa fora incendiada. Foi então resolvido ir-se para a grande Fazenda N.
     A vida aprazível e movimentada da fazenda ia, pouco a pouco, como que diluindo a espécie de nostalgia que me ia na alma, e, por fim, sentia-me bem. Eram carreiras, passeios a cavalo ou de breack, e, numa tarde, grande entusiasmo na fazenda, para o banho na “cachoeira”. Estavam na casa as famílias da vizinhança.
     Fomos. Grupos a cavalo, de aranha e de breack. Dona N. levou-me consigo na aranha. Eu ia radiante. Chegamos a tal cachoeira, que para mim foi uma “maravilhosa novidade”. Era um salto d’água, espumante e cantante, que rolava por sobre pedras enormes, indo deitar-se, depois, num leito macio de areia. Armaram, às margens, três ou quatro barraquinhas e, de lá, em pouco tempo, saíam os grupos para o banho.
     Dona N. chamou-me para pôr o tal traje de banho. Corri radiante. Porém, antes de chegar a ela, sou impedida, por um braço, por meu Novo Amigo e pela presença mais viva de Nosso Senhor em meu pequeno ser, fazendo-me compreender que não devia acompanhar aquele grupo. Disse eu, então, parada em meio caminho: “Não, Dona N., não quero vestir-me assim, nem banhar-me. Fico esperando aqui”. Dona N. mostrou descontentamento. Receosa, tímida, mostrava-me indecisa em obedecer-lhe ou não. Porém sentia-me ainda presa pela S. Mão de meu Novo Amigo. Então, resolutamente, respondo aos seus insistentes chamados: “Dona N., não quero vestir-me assim, nem banhar-me”.
     Os grupos prontos preparavam-se para entrar na água. Meu Novo Amigo passou para minha frente e, durante todo o tempo que os banhistas permaneceram na água, e depois na margem, onde formaram baile, tinha eu, pela primeira vez, na minha frente, a Sombra Santa e Benfazeja que, supunha eu, eram as Asas distendidas de meu Novo Amigo. E sempre, dali em diante, as “Santas Asas Protetoras” distenderam-se na minha frente, impedindo-me de ver o que Nosso Senhor nem Ele queriam que eu visse.

36.  Cinema “ponto chic”
      Já no ano de 1912, começou, em Jaguarão, uma verdadeira enchente de cinemas. Abriam-se salões por todos os lados. Aos domingos havia “matinées” quase de hora em hora. Os proprietários de cinema começaram a fazer concorrência uns aos outros, e havia até rivalidades. Por fim, abriu-se um salão luxuoso, da firma Pinto e Irmão, denominado “Ponto Chic”. O proprietário, grande capitalista, mandara construir especialmente tal salão, com poltronas estofadas, ventiladores elétricos, salas de espera, etc., e pelo mesmo preço que os outros.
     Assim é que as famílias acorriam, em turbilhão, ao Ponto Chic. Aos domingos, as “matinées” eram exclusivamente para crianças, onde se distribuíam, grátis, lindos saquinhos de bombons, havendo ainda sorteio de um lindo prêmio: uma grande boneca ou um par de patins ou um diávolo de borracha, etc. Isto atraía, posso até dizer, a criançada em peso de Jaguarão.
     Não sei dizer se tal febre de cinemas prejudicava a moral do povo, sei que, em certo domingo, anunciou-se a estréia de um novo salão pelos Revds. Padres Premonstratenses. Ora, o preço foi menos da metade dos outros cinemas. Agora, o povo convergia para lá.
     De todas as fitas a que assisti no Salão dos Padres (denominação popular), nessa época de minha infância, e também mais tarde, na minha mocidade, sei a história, até hoje, integralmente, e até o seu título: A vida pública do Salvador, O Filho pródigo, O Milagre da Virgem, Tenho por teto o céu, etc.
     O mesmo já não se dá com as fitas a que assisti no teatro ou nos salões. A maior parte delas (com exceção das fitas naturais) ficava por entender, porque grande parte delas me eram vedadas pelas “Santas Asas” de meu Novo Amigo. Já narrei, anteriormente, como nas minhas férias em Santa Vitória, pela 1a vez, meu Novo Amigo assim procedera. A 2a vez foi no cinema “Ponto Chic” e depois continuou sempre, também na minha mocidade.
     Passo a narrar a 2a vez. Num domingo, anunciou o “Ponto Chic” uma extraordinária “soirée”. Fomos à tal soirée extraordinária. Enorme concorrência de famílias. Começou a fita cujo titulo era: A cela no. 13. Duas ou três cenas se haviam passado quando, num dado momento, sinto a S. Mão de meu Novo Amigo sobre meu ombro e, como no banho da cachoeira, suas Santas Asas distendem-se na minha frente, encobrindo totalmente aos meus olhos a cena que se focava na tela. Meu Novo Amigo assim permaneceu durante toda a passagem da fita, de modo que dela nada vi.
     Em outras ocasiões (quero dizer, em outras fitas), suas Santas Asas distendiam-se por certo espaço de tempo. Depois como que se fechavam e, então, eu podia olhar na tela, mas sua Santa Mão permanecia sobre meu ombro, de modo que mais me ocupava com Ele (pois que Ele constituía as minhas delicias, na lembrança de que Jesus estava satisfeito com sua amiguinha) do que com o que me cercava. Muitas e muitas vezes, durante a passagem de uma fita na tela as Santas Asas distendiam-se por tempo rápido e logo me deixavam a vista livre.
      Não somente nos cinemas meu Novo Amigo assim procedia, também em espetáculos (representação de dramas, etc.). Quantas vezes mamãe chamava-me de “pateta”, porque eu não sabia descrever a fita ou o drama a que assistira. E papai dizia-me: “Minha filha, você deve descrever o que vê e narrar o que ouve”. Jamais, porém, dissera-lhes que meu Novo Amigo mo impedia.
     Meu santo e fidelíssimo Novo Amigo, somente hoje reconheço os inúmeros perigos a que estive exposta naquele mundo mau, e dos quais saí ilesa, unicamente pela graça especial de meu Deus e de Vossa fidelíssima guarda. Sede, ó meu Deus, glorificado eternamente na fraqueza de Vossa criaturinha. E a Vós, meu Novo Amigo, o amor grato de Vossa pequenina irmã e amiga. Amém.


terça-feira, 26 de abril de 2016

Beata Alda de Siena, Viúva - 26 de abril

    
Religiosos da Ordem dos Humilhados
     Alda nasceu em Siena, no dia 28 de fevereiro de 1245, filha do nobre Pedro Francisco Ponzi e de Inês Bulgarini, a quem Deus havia mostrado em sonho que escolhera a criança para Si.
     Após ter sido educada e instruída com todo cuidado, foi dada por esposa a um homem “virtutibus ornatissimus” - ornado de virtudes - Bindo Bellanti, do qual, porém, não teve filhos.
     Depois da morte prematura do marido, Alda vestiu o hábito da Ordem Terceira dos Humilhados, e se dedicou mais do que anteriormente à penitência em uma pequena propriedade, onde realizou milagres, teve êxtases e visões.
     Passou os últimos anos de vida no hospital de Santo André, que depois foi chamado de Santo Onofre, totalmente dedicada ao serviço dos pobres, dos enfermos e dos peregrinos.
     Alda morreu no dia 26 de abril de 1309 e foi sepultada na igreja de São Tomás, em Siena, pertencente aos Humilhados. Em 1489 seus ossos foram retirados da terra e colocados em uma parede ao lado de altar, de onde foram transferidos em 1583.
     O seu culto, em Siena e em outras cidades, teve muita difusão na Ordem dos Humilhados. Esta Ordem foi um dos muitos movimentos espirituais que surgiram em contraste aos costumes relaxados e à riqueza frequentemente ostentada pelo clero, defendendo um retorno a uma vida mais austera, frugal. Era de origem espontânea e difundida no norte da Itália, em particular Milão e Como. Ao movimento em Siena esteve próxima Santa Catarina de Siena. Inicialmente condenados como hereges, eles foram reintegrados, mas cerca de quatro séculos depois a Ordem foi supressa. 
Etimologia: Alda = extremamente bela, do céltico.
 
Fonte: www.santiebeati.it, Pietro Burchi

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Irmã Maria Antônia (Cecy Cony), Religiosa e Mística - 24 de abril

    
     O padre jesuíta João Batista Reus, venerável Servo de Deus misticamente agraciado, originário da arquidiocese de Bamberg (Baviera), que por muitos anos residiu em São Leopoldo, RS, falecido em odor de santidade naquela cidade em 1947, confirmou a vida mística e santa da Irmã Maria Antônia (Cecy Cony). Assim a descreve na apresentação do livro Devo Narrar Minha Vida:
     Obrigada pela obediência, escreveu ela as reminiscências da sua vida, sem reflexão, com certa repugnância e pedindo auxílios especiais a Nosso Senhor. Mal terminava algum dos seis cadernos de que se compõe o manuscrito, entregava-o logo às Superioras e não perguntava mais por ele. Morreu antes de concluir a sua autobiografia, que só abrange seus primeiros 21 anos de vida, e pôde apresentar-se na presença do Senhor com a beleza deslumbrante da inocência batismal.
     Cecy era inteligente e de formação esmerada. Os atestados do colégio davam-lhe quase sempre o 1º ou o 2º lugar. No magistério foi professora habilíssima, como atestam suas superioras. Humilde, extremamente sincera e inocente, nunca na sua vida proferiu uma mentira nem ofendeu a Nosso Senhor “por querer”. Esta declaração dá-nos a chave para julgarmos com justiça de certas fragilidades exteriores que lhe notaram algumas pessoas. Era incapaz de inventar fatos místicos. Nem por leitura nem por qualquer outro meio ordinário pôde conhecer os fenômenos dessa natureza que descreve com tanta nitidez.
     Ao saber, quase no fim de seus dias, que havia almas que nunca experimentavam a presença sensível de Nosso Senhor por ocasião da Sagrada Comunhão, perguntou assustada: “Nem na primeira Santa Comunhão?” A resposta negativa fê-la chorar amargamente. E exclamou: “Estas almas, nesta vida, nunca chegaram a conhecer Nosso Senhor”.
São Leopoldo, Colégio Cristo Rei, 8 de dezembro de 1946.
Pe. J. Batista Reus, S.J.
 
     Cecy Cony nasceu no dia 4 de abril de 1900, em Santa Vitória do Palmar, RS. Era filha do Cap. João Ludgero de Aguiar Cony e de Antônia Soares Cony.
     Profundamente religiosa desde tenra infância, como ela mesma relata, “desde esse dia de fevereiro ou março de 1905, o “Novo Amigo” acompanhou-me sempre, sempre, por toda a parte, e comigo fazia guarda a Papai do Céu, ao pé da grande cômoda. ... aos 6 anos soube que Ele era o Santo Anjo da Guarda. Compreendia-o perfeitamente; falava-me, mas eu jamais ouvia sua santa voz”. Cecy conviveu com o seu Anjo da Guarda por cerca de 30 anos.
     Em fins de 1905 ou meados de 1906, o Capitão Cony foi transferido para a guarnição de Jaguarão e a família mudou-se para aquela cidade, onde Cecy passou a frequentar o Colégio Imaculada Conceição.
     Em 17 de outubro de 1906, em sua 1ª Comunhão, fez o juramento de fidelidade: “Bom e querido Jesus, eu juro para o Senhor que não quero nunca fazer um só peca­do”. A partir daquela ocasião, sempre sentia a presença sensível de Jesus na Alma ao comungar.
     Sua devoção a Maria Santíssima também foi precoce: “Depois da Ave-Maria, a segunda oraçãozinha que aprendi com Madre Rafaela, foi: Lembrai-Vos que Vos pertenço, terna Mãe, Senhora Nossa! Ah! Guardai-me e defendei-me como propriedade Vossa. Sempre rezei esta oraçãozinha de manhã e de noite, até entrar para o convento. Aprendera também a fazer sacrificiozinhos a Nossa Senhora. E alegria imensa senti quando Madre Rafaela nos ensinou a rezar o Santo Rosário”.
     O caso do Divino Espírito Santo - Jaguarão, município próximo à fronteira Brasil/Uruguai, tinha uma secular devoção ao Divino Espírito Santo. Todos os anos a Bandeira do Divino saia a angariar donativos para a grande solenidade. A família de Cecy não deixava de colaborar e ela mesma dava sua pequenina contribuição.
     Por volta de 1911, uma chocante notícia pôs em polvorosa todos os habitantes de Jaguarão. No quartel do Exército, localizado no centro da cidade, o coronel comandante mandou um sargento avisar que a procissão devia seguir adiante, pois lá não entraria o estandarte do Espírito Santo. Esse fato causou uma forte impressão em Cecy. "Como esse coronel pode ser tão ruim assim? Os pobres soldados ficaram privados da oportunidade de receber a bênção do Espírito Santo e dar uma modesta contribuição para a festa. Mas, muito pior do que isso, foi o insulto a Deus!" Acabrunhada com tais pensamentos, e não conseguindo adormecer à noite, ela ficou imaginando um meio de reparar tão grave ofensa.
     Inspirada por seu Anjo da Guarda, no dia seguinte saiu às ruas pedindo aos soldados e demais militares moedas e falando da sua tristeza pelo fato do coronel não ter permitido que o estandarte do Espírito Santo entrasse no quartel. Cecy também colabora com o dinheiro que tinha para comprar um sapato novo. Na cidade, ninguém soube desta participação de Cecy.
     Em 8 de dezembro de 1914, Cecy tornou-se Filha de Ma­ria. Em 1920, começaram suas decisões e indecisões sobre o estado a tomar. Foi só em 1925 que Cecy conheceu claramente a Ssma. vontade de Deus a respeito de sua vocação. Com a energia de sua inquebrantável vontade, embora sangrando o coração, despediu-se dos pais e seguiu o chamado do Esposo divino: em junho de 1926, entrou como postulante na Congregação das Irmãs Franciscanas em São Leopoldo, onde se esforçou por adaptar-se ao espírito de São Francisco, o que não lhe custou, porém mais difícil era viver uma vida tão diferente da que levara até ali no seio da família.
     A morte do pai, tão amado, em 18 de janeiro de 1927, foi um duro golpe que abateu suas forças físicas; Cecy teve de deixar seu querido convento.
     De volta ao convento, em 17 de fevereiro de 1928 recebeu o véu branco de noviça. No dia 14 de fevereiro de 1930, Irmã Antônia proferiu os votos temporários, ocasião em que Nosso Senhor novamente aludiu a sofrimentos futuros.

     Irmã Antônia consagrou-se irrevogavelmente ao Divino Esposo pelos votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência no dia 24 de fevereiro de 1933. Com inteira dedicação e espírito de sacrifício, retomou sua atividade como professora no Colégio São José, em São Leopoldo. Compreendia admiravelmente as suas alunas, e estas, por sua vez, cercavam de carinhosa veneração a bondosa educadora.
     Sofrimentos místicos, indizivelmente dolorosos, no corpo e na alma, assediaram-na impiedosamente. Um dos mais dolorosos padecimentos era o peso de todos os pecados do mundo, sentindo ela estes pecados na sua alma como se os tivesse cometido ela mesma. O inferno a incitava a dizer: “não quero mais sofrer!” Mas a jaculatória: “Meu Jesus, eu Vos amo ainda!” foi sua prece eficaz em favor das almas periclitantes, seu grito de vitória contra os assaltos infernais.
     Os sofrimentos de Irmã Antônia valiam ora como reparação pelas perseguições feitas à Santa Igreja, ora como expiação pelos ultrajes que Jesus Eucarístico sofre perenemente; contribuíram para a salvação das crianças e dos soldados, para a santificação do clero e dos religiosos.
     Na noite do dia 24 de abril de 1939, Irmã Antônia morre serenamente, mas envolta em grande padecimento. No dia seguinte foi sepultada no cemitério conventual das franciscanas de São Leopoldo. Alunas atiram flores sobre o sarcófago; suas carinhosas cartas com pedidos e recomendações foram colocadas junto ao seu corpo.
     Finalmente, a palavra do filósofo e conhecido conferencista Frei Pacífico, O.F.M. Cap., que leu a autobiografia: “É pela boca dos 'inocentes, das crianças' que Jesus revela aos homens os tesouros de seu infinito amor. Eu gostei imenso das páginas da feliz criança, encheram minha alma do desejo de recorrer mais seguido ao meu Anjo da Guarda” (excerto).  
Fonte: “Devo Narrar Minha Vida”, Memórias da infância de uma religiosa Franciscana da Penitência e da Caridade Cristã da Casa-Mãe de São Leopoldo, RS, Editadas pelo P. J. Batista Reus, S.J. , Antigo professor de Ascética e Mística.
Imprimatur: Por comissão especial do Exmo. e Revmo. Sr. D. Pedro da Cunha, antigo bispo de Petrópolis, com a data de 15/4/1953.
 

terça-feira, 19 de abril de 2016

Santa Ema da Saxônia, Viúva - 19 de abril

    
     Duas são as santas com esse nome: Ema de Gurk (Áustria) e Ema da Saxônia (Alemanha). Muitos detalhes de suas vidas são semelhantes. Viveram no mesmo século (XI), ambas de nobre família, ambas casaram-se e enviuvaram ainda jovens, repartiram seus bens com os pobres e levaram vida austera, dedicadas à oração e a obras de caridade.
     Ema de Gurk, fundadora de dois mosteiros, morreu a 27 de maio de 1045, enquanto Ema da Saxônia a precedeu cinco anos, uma vez que morreu a 19 de abril de 1040. No mosteiro de São Liutgero em Werden, no Ruhr, perto de Dusseldorf, inexplicavelmente longe da Saxônia, conserva-se uma relíquia da santa: uma mão prodigiosamente intacta.
     Um cronista alemão do mesmo século, Adão de Bremen, na sua História eclesiástica, nos dá informação sobre uma “nobilíssima Ema”, irmã de Meinverk, Bispo de Paderbom (morto em 1036), e esposa do Conde Liutgero da Saxônia.
     O conde morreu muito precocemente. Ema, apesar de ser muito jovem, bela, inteligente e com muitos pretendentes, livremente decidiu consagrar sua viuvez inteiramente ao Senhor.  Sem filhos, se manteve constante em seu novo programa de vida, baseado na total dedicação às obras de caridade.
     Generosa nas doações e no socorrer os outros, mas austera e intransigente consigo mesma, procurou a perfeição no difícil estado de viuvez, uma condição bastante incômoda para uma mulher que ficou só, exposta a mil insídias porque sem apoio e tornada alvo dos cálculos interesseiros de parentes próximos e afastados.
     “Tu és jovem? – lê-se numa fervorosa prédica de São Bernardino de Sena dirigida às viúvas cristãs. Faze com que tua carne seja disciplinada. Quero que aprendas a viver como religiosa. Sê autêntica em tua alma. Queres marido? Toma-o em nome de Deus, livra-te dele. Mas nunca mais terás consolação... Assim seria melhor permaneceres viúva, servir a Deus do melhor modo que puderes, enquanto durar a tua vida”.
     Ema havia escolhido esta última maneira de servir a Deus, a mais difícil e rara. Sua mão, que chegou intacta até nós, nove séculos e meio após sua morte, é sinal certo da sua mais característica virtude: a generosidade.
      Sem filhos naturais, Santa Ema tornou-se mãe espiritual de uma multidão de pessoas. Verdadeira serva de Cristo, serviu o seu esposo celestial com a oração e a caridade, merecendo a devoção não de um marido, mas de milhões de cristãos que já há mais de nove séculos a honram com um culto público.
     Ema faleceu em 1040; ganhou o Céu como prêmio de quem soube rejeitar as propostas do mundo para viver a castidade e o amor aos pobres. Seu corpo, sem aquela mão de que se falou, repousa na catedral de Bremen.
 
Etimologia: Ema = gentil, fraterna, nutriz, do alemão antigo.
 

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Santa Bernadete Soubirous, Vidente de Lourdes - 16 de abril

    
     Bernadete nasceu no dia sete de janeiro de 1844, na cidade de Lourdes, uma região montanhosa da França. Sua família camponesa era numerosa, religiosa e muito pobre. Desde a infância, a pequena tinha  problemas de saúde em consequência da asma. Era analfabeta, mas tinha aprendido a rezar o terço, o que fazia diariamente enquanto cuidava dos afazeres da casa. 
     Numa tarde úmida e fria, enquanto recolhia gravetos que seriam usados no aquecimento de sua casa, Bernadete foi atraída por uma luz radiante: Nossa Senhora a chamava para rezar. Era o dia 11 de fevereiro de 1858.
     Durante vários meses a Virgem Maria lhe apareceu, sempre pedindo que rezasse o terço. Apesar de sua honestidade, a maioria das pessoas não acreditava na aparição, mas Bernadete ficava extasiada, rezando e conversando com Nossa Senhora.
     Bernadete chamava a atenção pela sua modéstia, autenticidade e simplicidade. Compreendeu que tinha sido escolhida como instrumento para a mensagem que a Virgem queria transmitir ao mundo: a conversão, a necessidade de rezar o terço e o amor à sua Imaculada Conceição.
     Na gruta onde a Virgem aparecia, brotou uma fonte de água que jorra até hoje. O lugar tornou-se conhecido e converteu-se num dos maiores santuários marianos do mundo. 
     Bernadete foi submetida a métodos de interrogatórios, constrangimentos e intimidações pelas autoridades civis, que seriam inadmissíveis nos dias de hoje. Não obstante, nunca vacilou em afirmar com toda a convicção a autenticidade das aparições, o que fez até a sua morte.
     Para fugir à curiosidade geral, Bernadete refugiou-se como "pensionista indigente" no hospital das Irmãs da Caridade de Nevers em Lourdes, em 1860. Ali recebe instrução e, em 1862, fez de próprio punho o primeiro relato escrito das aparições (carta abaixo).
     No dia 18 de janeiro de 1862, Mons. Bertrand Sévère Laurence, Bispo de Tarbes, reconheceu pública e oficialmente a realidade do fato das aparições.
     Em julho de 1866, Bernadete iniciou o seu noviciado no Convento de Saint-Gildard e, em 30 de outubro de 1867, fez a profissão de religiosa da Congregação das Irmãs da Caridade de Nevers. Enquanto junto da milagrosa fonte ocorriam os primeiros prodígios e de toda a parte acorriam multidão de devotos, ela só pedia para permanecer escondida e esquecida de todos.
     Na profissão religiosa tinha assumido o nome de Irmã Bernarda, em homenagem a São Bernardo de Claraval, e durante 15 anos de vida conventual suportou em silêncio sofrimentos físicos e morais, como a indiferença das próprias Irmãs, de acordo com o desígnio providencial que priva as almas escolhidas da compreensão e frequentemente também do respeito das almas medíocres. Dedicou-se à enfermagem até ficar imobilizada, em 1878, pela doença que lhe causou a morte.
     Às três horas da tarde do dia 16 de abril de 1879, os olhos que tinham visto Maria Santíssima se fecharam para sempre. Antes de expirar, exclamou emocionada: “Eu vi a Virgem. Sim, a vi, a vi! Que formosa era!  Ainda na agonia ouviram Bernadete dizer “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por mim, pobre pecadora”. Alguns momentos depois, soltou o último suspiro. Tinha pedido orações por si, ainda mesmo depois que falecesse.
     O Papa Pio XI a canonizou em 8 de dezembro de 1933, dia da Imaculada Conceição, designando sua festa para o dia de sua morte. 
     Uma imensa multidão assistiu ao seu funeral no dia 19 de abril de 1879, que foi necessário ser adiado por causa da grande afluência de gente totalmente inesperada.
     O documento mais significativo acerca das aparições e da própria Bernadete, é uma carta datada de 1862, onde Bernadete relata com clareza todo o ocorrido durante as dezoito visões. Somente parte da carta está disponível ao acesso público:
     Eu tinha ido com duas outras meninas na margem do Rio Gave quando ouvi um som de sussurro. Olhei para as árvores e elas estavam paradas e o ruído não era delas. Então eu olhei e vi uma caverna e uma senhora vestindo um lindo vestido branco com um cinto brilhante. No topo de cada pé havia uma rosa pálida da mesma cor das contas do rosário que ela segurava. Eu queria fazer o Sinal da Cruz, mas eu não conseguia e minha mão ficava para baixo. Aí a senhora fez o Sinal da Cruz ela mesma e na segunda tentativa eu consegui fazer o Sinal da Cruz embora minhas mãos tremessem. Então eu comecei a dizer o rosário enquanto ela movia as contas com os dedos sem mover os lábios. Quando eu terminei a Ave-Maria, ela desapareceu.
     Eu perguntei as minhas duas companheiras se elas haviam notado algo e elas responderam que não haviam visto nada. Naturalmente elas queriam saber o que eu estava fazendo e eu disse a elas que tinha visto uma Senhora com um lindo vestido branco, embora eu não soubesse quem era. Disse a eles para não dizer nada sobre o assunto porque iriam dizer que era coisa de criança. Voltei no domingo ao mesmo lugar sentindo que era chamada ali.
     Na terceira vez que fui a Senhora reapareceu e falou comigo e me pediu para retornar todos os próximos 15 dias. Eu disse que viria e então Ela disse para dizer aos padres para fazerem uma capela ali. Ela me disse também para tomar a água da fonte. Eu fui ao rio que era a única água que podia ver. Ela me fez realizar que não falava do Rio Gave e sim de um pequeno fio d’água perto da caverna. Eu coloquei minhas mãos em concha e tentei pegar um pouco do liquido sem sucesso. Aí comecei a cavar com as mãos o chão para encontrar mais água e na quarta tentativa encontrei água suficiente para beber. A senhora desapareceu e fui para casa.
     Voltei todos os dias durante 15 dias e cada vez, exceto em uma segunda e uma sexta, a Senhora apareceu e disse-me para olhar para a fonte e lavar-me nela e ver se os padres poderiam fazer uma capela ali. Disse ainda que eu deveria orar pela conversão dos pecadores. Perguntei a Ela, várias vezes, o que queria dizer com isto, mas ela somente sorria. Uma vez finalmente, com os braços para frente, Ela olhou para o céu e disse-me que era a Imaculada Conceição. Durante 15 dias Ela me disse três segredos que não era para revelar a ninguém e até hoje não os revelei.
 
     Desde 1858 até hoje, contínuas multidões se têm reunido em Lourdes, às vezes presididas por Papas ou seus Legados, e muito mais frequentemente por Bispos e Cardeais. Os milagres de curas são estudados com todo o rigor e só reconhecidos quando de todo certos. Mais numerosas são as curas de almas, embora mais difíceis de contar. 

Fontes: Lourdes e suas aparições – ‘Santos de cada dia’, Pe. José Leite, S.J. 3ª. Edição.
http://coisasdesantos.blogspot.com.br/2015_03_22_archive.html

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Santa Tomáide, mártir - 14 de abril

Martirológio Romano: Em Alexandria do Egito, Santa Tomáide, mártir. (476)
 
Mártir por defender sua castidade
     Santa Tomáide é recordada nos sinassários bizantinos que lhe tecem um grande elogio, rico de detalhes, perfilando uma Santa Maria Goretti de outros tempos, um de tantos exemplos de jovens cristãs que preferiram a morte a perder a integridade de sua virgindade.
     Nascida em Alexandria, foi dada por esposa a um pescador, porém o sogro tomado de uma paixão impura tentou seduzi-la. A Santa se opôs com firmeza de ânimo e com toda sua força e então o cortejador, com um golpe de espada, cortou-a em dois, provocando sua morte. Era o ano 476.
     O velho, que ficou cego, confessou o delito e foi decapitado. A notícia do glorioso martírio de Tomáide se difundiu pelos arredores de Alexandria, e o abade Daniel mandou sepultar o corpo da Santa no cemitério dos monges.
     As relíquias foram transladadas para Constantinopla. O azeite das lamparinas que ardiam sobre seu túmulo era utilizado como remédio contra as tentações da carne.  
Fonte: www.santiebeati.it

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Santa Vissia de Fermo, Virgem e mártir - 12 de abril

Martirológio Romano: Em Fermo, nas Marcas, Santa Vissia, Virgem e Mártir.
     Uma coisa é certa, com seu texto oficial, o Martirológio Romano, a Igreja celebra no dia 12 de abril as santas virgens e mártires Vissia e Sofia de Fermo, no Piaceno, Itália. Dito isto, de certo não se sabe mais nada, nem de suas vidas nem porque são comemoradas juntas.
     De resto, temos algumas notícias esparsas: o historiador Ughelli em sua obra Itália Sagrada, no volume II, falando da Diocese de Fermo (Ascoli, Piceno), atesta que o corpo de Santa Vissia repousa na catedral, e na verdade na igreja metropolitana da cidade existem vários relicários, entre eles, em uma urna de ébano com enfeites de metal dourado de estilo barroco, é preservada a cabeça da santa mártir Vissia; estranhamente em outra urna está bem preservada a cabeça de Santa Sofia mártir.
     Esta coincidência de dois crânios sugere que elas foram martirizadas ao mesmo tempo, senão em conjunto, e provavelmente decapitadas.
     De acordo com as tradições locais, Sofia e Vissia foram martirizadas em torno de 250, sob o imperador Décio (249-251), durante a sétima perseguição que ele desencadeou. Na catedral há uma lápide que descreve que Santa Vissia enobrece a cidade natal com o seu martírio.
     Seus nomes fizeram parte de uma lista de santos venerados em Fermo, transmitida em 5 de agosto de 1581 por um padre local a um padre Oratoriano e amigo de Cesar Barônio, que como sabemos compilou o primeiro "Martirológio Romano", e inseriu as duas virgens e santas mártires juntas no mesmo dia 12 de abril. Segundo alguns documentos locais, Santa Sofia também era comemorada em 30 de abril
     A tudo isto é preciso acrescentar que alguns estudiosos mantêm reserva a Santa Sofia de Fermo, como a outras Sofias, como, por exemplo, a viúva Sabedoria (Sofia) mártir que é venerada no Ocidente no dia 30 de setembro, juntamente com as filhas Fé, Esperança, Caridade, e cujo culto se espalhou no Oriente com os nomes de Sofia, Pistis, Elpis, Ágape e são celebradas no culto grego em 1º de agosto. 
Fonte: www.santiebeati/it, Antonio Borrelli