sexta-feira, 6 de maio de 2016

Santa Ida (Ita), Viúva e Monja de Nivelles - 8 de maio

    
      O nome "Ida" já aparece na mitologia grega, em que designa uma montanha da ilha de Creta, que, de acordo com o mito, Gaia, a deusa da terra, ia esconder Júpiter criança de seu pai Saturno, o comedor voraz de tudo e até mesmo de seus próprios filhos. Na verdade a santa venerada hoje recebeu o nome germânico "Itta", que só mais tarde foi tratado como "Ida".
     Ida pertencia ao povo dos francos, que na época ainda era um povo de rudes guerreiros. Filha de Arnoaldo, conde da Aquitânia, ainda muito jovem se casou com o Pepino de Landen, prefeito do palácio do rei Dagoberto II da Austrásia e, portanto, um dos maiores dignitários do reino. Ida era irmã de Santo Modoaldo, Bispo de Trier, e da abadessa Santa Severa.
     Além de Grimoaldo, seu filho primogênito, que sucedeu seu pai Pepino, Ida teve duas filhas: Begga e Gertrudes. Suas filhas foram abadessas de Andenne-sur-Meuse e de Nivelles, e também são reverenciadas como santas.
     Os cuidados com a família não impediram Ida de cumprir seus compromissos espirituais.
     Quando os filhos cresceram, a pedido de Santo Amando, Bispo de Maastricht, Ida e Pepino investiram seus bens na fundação de um grande mosteiro beneditino, governado por uma abadessa, cuidando de sua manutenção. Assim, veio à luz o mosteiro feminino de Nivelles, no Brabante, isto é, atual Bélgica, entre Bruxelas e Charleroi.
     Gertrudes, a filha mais nova, foi das primeiras a ir viver de acordo com a Regra de São Bento; ela declarou perante o tribunal franco escolher a vida religiosa preferindo a obediência ao Criador à autoridade real. Parece que o rei Dagoberto havia desejado casar-se com ela. Entrando no mosteiro, ela foi eleita abadessa por sua excelente virtude, com a idade de apenas 20 anos.
     Outra filha de Ida e Pepino, Begga, se casou com Ansegisel, filho de Arnolfo de Metz. Foi por meio da descendência de Begga que Ida foi avó de Pepino de Herstal e uma das matriarcas da grande família carolíngia. Seu único filho, Grimoaldo, mais tarde prefeito do palácio, teve como filho o rei Childeberto, o Adotado.
     Com a morte de Pepino, que é lembrado como beato, Ida despediu-se da vida do mundo e ingressou como uma simples monja no mosteiro de Nivelles. Depondo as vestes de fundadora, Ida tornou-se um exemplo vivo de como a santidade pode ser transmitida não só pelo sangue por pais para filhos, mas também, no sentido oposto ao natural, dos filhos para os pais.
     Assim, em Nivelles, num clima de profunda espiritualidade, as relações normais entre pais e filhos foram invertidas. A mãe, idosa e sábia, teve que se submeter humilde e silenciosamente à sua filha; e a filha, investida de uma autoridade superior à sua juventude, se tornou orientação sábia e discreta daquela que a tinha gerado. Esta incrível via levou-as a se santificarem mutuamente.
     Quando Ida morreu, em 8 de maio de 652, o mosteiro de Nivelles perdeu não só a sua fundadora, mas sobretudo a mais modesta entre as suas religiosas, e a abadessa Gertrudes perdeu não apenas a sua mãe, mas a mais obediente das suas filhas espirituais.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Santas Teutéria e Tosca, Virgens eremitas - 5 de maio

     De acordo com uma história do século XVI, escrita pelo bispo de Verona, Agostinho Valier, Teutéria nasceu de uma nobre família anglo-saxônica entre os séculos VII e VIII, se converteu ao Cristianismo, cresceu significativamente no caminho da santidade, quando um rei pagão, Osvaldo, começou a assediá-la. Teutéria foi então forçada a fugir para a Itália para escapar dele.
     Indo para Verona, escondeu-se junto à irmã de Prócolo, bispo, a virgem Tusca (Tosca), para escapar das buscas do rei. Tosca ou Tusca, nome original, era uma virgem que levava vida de eremita em Verona e gozava da devoção à sua espiritualidade pelos fieis. Teutéria decidiu viver em comunhão com Tosca até a morte, considerando-a sua dirigente espiritual.
     O culto a Teutéria está documentado desde o sec. VIII. Em 750, o bispo Hanno fez a dedicação de uma igreja em sua honra; em 1161 o bispo Ognibene autorizou um reconhecimento de suas relíquias para colocá-las na nova basílica consagrada em 14 de setembro de 1161.
    Antigamente a Igreja de Verona comemorava as duas eremitas santas em datas diferentes em seus livros litúrgicos: 5 de maio Teutéria e 10 de julho Tosca; posteriormente unificaram o culto destas virgens eremitas no dia 5 de maio.
     O nome Tosca ou Tusca vem do latim ‘Tuscus’ e significa ‘etrusco’ e, por extensão, a “toscano”.
     Mais utilizado em Emília Romagna, na Toscana e em Verona, teve um retorno popular após a representação da ópera "Tosca" de Giacomo Puccini.


Capela das Santas Teutéria e Tosca em Verona, Itália

terça-feira, 3 de maio de 2016

Serva de Deus Elisabeth Leseur - 3 de maio

    
     Elisabeth Arrighi Leseur (* 16 de outubro de 1866 - + 3 de maio de 1914), nome de batismo Paulina Elisabeth Arrighi, foi uma mística francesa mais conhecida por seu diário espiritual e pela conversão de seu marido, Félix Leseur (1861-1950), um médico e conhecido líder do movimento anticlerical e ateísta francês. A causa para a beatificação de Elisabeth Leseur foi iniciado em 1934.
     Elisabeth nasceu em Paris numa abastada família francesa de origem corsa. Ela tinha tido hepatite quando criança, que retornou ao longo de sua vida com ataques de gravidade variável.
     Em 1887, ela conheceu o médico Félix Leseur (1861-1950), também oriundo de uma rica família católica. Pouco antes de se casarem em 31 de julho de 1889, Elisabeth descobriu que Félix havia deixado de ser um católico praticante. O Dr. Félix Leseur logo se tornou conhecido como materialista e colaborador de jornais anticlericais em Paris.
     Abastada pelo nascimento e pelo casamento, Elisabeth fazia parte de um grupo social cultivado, educado, e geralmente antirreligioso. A ligação do casal era forte, embora ofuscada pela falta de filhos e por seu sempre crescente desacordo religioso. Dr. Leseur tudo fez para extinguir a fé da esposa; coagiu-a a ler obras de autores racionalistas, como “Les Origines du Christianisme” e “La Vie de Jésus” de Ernest Renan.
     Elisabeth, porém, percebeu a fragilidade das hipóteses de Renan e quis confrontar a validade dos seus argumentos, dedicando-se intensamente ao estudo da Religião, do Evangelho e de São Tomás de Aquino.
Elisabeth Leseur e seu esposo
     De uma religiosidade convencional em sua juventude, Elisabeth Leseur foi motivada, pelos ataques de seu marido contra o Cristianismo e a religião, a sondar mais profundamente a sua fé. Assim, ela teve uma conversão religiosa com a idade de trinta e dois. Desse momento em diante, ela considerou sua principal tarefa rezar pela conversão de seu marido, mantendo-se paciente diante de seus ataques constantes sobre a sua fé.
     Quando podia, ela trabalhava em projetos de caridade para as famílias pobres e fundou outras atividades de caridade. Sua vasta correspondência espiritual por muitos anos não foi do conhecimento de seu marido. Ela se preocupava com os "pobres" ou os "menos", mas sua saúde se deteriorando restringia sua capacidade de responder a esta preocupação.
     Em 1907 sua saúde deteriorou-se de tal forma, que ela foi forçada a levar uma vida sedentária, recebendo visitantes e dirigindo sua casa a partir de uma chaise-longue. Em 1911 ela sofreu uma cirurgia e a radioterapia por causa de um tumor maligno, recuperado, e depois ficou acamada até julho de 1913. Ela morreu de câncer generalizado em 3 de maio de 1914.
Espiritualidade
     
Desde o início, ela organizou a sua vida espiritual em torno de um padrão de disciplina de oração, meditação, leitura, prática sacramental, e escrita. Caridade era o princípio organizador de seu ascetismo. Em sua abordagem à mortificação, ela seguia São Francisco de Sales, que recomendava moderação e estratégias internas ocultas em vez de práticas externas.
Legado
     
Após sua morte, seu marido encontrou uma nota dirigida a ele em que ela profetizava sobre sua conversão e que ele se tornaria padre. A fim de se livrar de tais "superstições", Dr. Félix foi ao santuário mariano de Lourdes, querendo expor os relatos de curas lá como falsos. Na gruta de Lourdes, no entanto, ele passou por uma conversão religiosa.
     Posteriormente, Dr. Felix publicou o diário de sua esposa, Journal et pensées pour chaque jour (Diário e Pensamentos para cada dia). Devido à sua recepção favorável, um ano mais tarde publicou algumas das cartas de sua esposa sob o título de Lettres sur la Souffrance (Cartas a respeito do Sofrimento), Paris 1918; “La Vie Spirituelle” (A Vida Espiritual) Paris 1918; “Lettres à des Incroyants” (Cartas aos Incrédulos) Paris 1922.
Padre Leseur
     No outono de 1919 ele tornou-se noviço dominicano e foi ordenado sacerdote em 1923. Pe. Leseur passou a maior parte de seus restantes vinte e sete anos de vida falando publicamente sobre os escritos espirituais de sua esposa. Ele colaborou na abertura da causa de beatificação de Elisabeth em 1934.
     No ano de 1924, Fulton J. Sheen, que mais tarde se tornaria arcebispo e uma figura popular de televisão e de rádio americanos, fez um retiro sob a direção de Pe. Leseur. Durante muitas horas de direção espiritual, Sheen teve conhecimento da vida de Elisabeth e da conversão de Félix. Sheen posteriormente repetiu essa história de conversão em muitas de suas apresentações.




Referências:
Leseur O.P., Fr. Felix, “In Memoriam”, Journal et pensees de chaque jour, Paris, 2005;
Ruffing R.S.M., Janet K., “Physical Illness: A Mystically Transformative Element in the Life of Elizabeth Leseur”, Spiritual Life, Vol.40, Number 4, Winter 1994;
Ruffing R.S.M., Janet K., “Elizabeth Laseur: A Strangely Forgotten Modern Saint”, in Lay Sanctity, Medieval and Modern, Ann W. Astrell, ed.
* Sheen, Fulton J. “Marriage Problems” (part 40 of a recorded catechism, available online)

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Excertos do livro de Irmã Maria Antonia

    
Cecy aos 13 anos
     Os tópicos abaixo merecem aprofundamento e reflexão dos pais e mestres. Uma jovenzinha é protegida por seu Anjo da Guarda em duas circunstâncias: um “banho na cachoeira” e fitas ou dramas apresentados em cinemas ou teatros. O que Cecy faria diante dos trajes, músicas, programas de TV ou filmes nos dias atuais? Quem poderia supor que de “inocentes banhos na cachoeira” se chegaria ao nudismo de nossas praias?
     Na. Sra. apareceu diversas vezes no século XIX pedindo conversão e penitência. Em 1917, em Fátima, Portugal, Ela disse que se a humanidade não se emendasse viria uma guerra pior (e veio, a 2ª guerra mundial!) e acenou com outro castigo.
     As intervenções do Anjo de Cecy não serviram apenas para ela; se formos sérios e analisarmos todo o conteúdo de sua ação benfazeja, veremos que ele inspira e encoraja uma luta contra os defeitos e uma ação de inconformidade com os ambientes que a criança precisa frequentar.
     Que do céu Cecy vele por nossas crianças e adolescentes!
          
35. O traje de banho impedido
     Nas férias de 1911 a 1912, papai, a conselho médico de aproveitar as águas iodadas dos banhos de mar, no mês de fevereiro, resolveu mandar-me para Santa Vitória do Palmar. Parti logo após o encerramento das aulas, na 2a quinzena de dezembro. Deveria hospedar-me em casa da família N., amiga de meus pais, e cujas filhas estavam internadas em nosso colégio de Jaguarão. Custou-me demasiadamente separar-me da família. [...]
     A viagem correu bem e amanhecemos em Santa Vitória, onde já nos esperava, no porto, o casal N. Estranhei imensamente a falta de meus pais e irmãos e da boa Acácia, se bem que aquela família N. me cercasse de todo o carinho, cuidado e dedicação. Antes de duas semanas, adoeci com febre alta e, se não tivesse a presença contínua de meu Jesus e de meu Novo Amigo, creio que não teria resistido à dura separação. Por fim, restabeleci-me, e a família N. já estava em preparativos para partir para o mar, quando veio a notícia de que a casa fora incendiada. Foi então resolvido ir-se para a grande Fazenda N.
     A vida aprazível e movimentada da fazenda ia, pouco a pouco, como que diluindo a espécie de nostalgia que me ia na alma, e, por fim, sentia-me bem. Eram carreiras, passeios a cavalo ou de breack, e, numa tarde, grande entusiasmo na fazenda, para o banho na “cachoeira”. Estavam na casa as famílias da vizinhança.
     Fomos. Grupos a cavalo, de aranha e de breack. Dona N. levou-me consigo na aranha. Eu ia radiante. Chegamos a tal cachoeira, que para mim foi uma “maravilhosa novidade”. Era um salto d’água, espumante e cantante, que rolava por sobre pedras enormes, indo deitar-se, depois, num leito macio de areia. Armaram, às margens, três ou quatro barraquinhas e, de lá, em pouco tempo, saíam os grupos para o banho.
     Dona N. chamou-me para pôr o tal traje de banho. Corri radiante. Porém, antes de chegar a ela, sou impedida, por um braço, por meu Novo Amigo e pela presença mais viva de Nosso Senhor em meu pequeno ser, fazendo-me compreender que não devia acompanhar aquele grupo. Disse eu, então, parada em meio caminho: “Não, Dona N., não quero vestir-me assim, nem banhar-me. Fico esperando aqui”. Dona N. mostrou descontentamento. Receosa, tímida, mostrava-me indecisa em obedecer-lhe ou não. Porém sentia-me ainda presa pela S. Mão de meu Novo Amigo. Então, resolutamente, respondo aos seus insistentes chamados: “Dona N., não quero vestir-me assim, nem banhar-me”.
     Os grupos prontos preparavam-se para entrar na água. Meu Novo Amigo passou para minha frente e, durante todo o tempo que os banhistas permaneceram na água, e depois na margem, onde formaram baile, tinha eu, pela primeira vez, na minha frente, a Sombra Santa e Benfazeja que, supunha eu, eram as Asas distendidas de meu Novo Amigo. E sempre, dali em diante, as “Santas Asas Protetoras” distenderam-se na minha frente, impedindo-me de ver o que Nosso Senhor nem Ele queriam que eu visse.

36.  Cinema “ponto chic”
      Já no ano de 1912, começou, em Jaguarão, uma verdadeira enchente de cinemas. Abriam-se salões por todos os lados. Aos domingos havia “matinées” quase de hora em hora. Os proprietários de cinema começaram a fazer concorrência uns aos outros, e havia até rivalidades. Por fim, abriu-se um salão luxuoso, da firma Pinto e Irmão, denominado “Ponto Chic”. O proprietário, grande capitalista, mandara construir especialmente tal salão, com poltronas estofadas, ventiladores elétricos, salas de espera, etc., e pelo mesmo preço que os outros.
     Assim é que as famílias acorriam, em turbilhão, ao Ponto Chic. Aos domingos, as “matinées” eram exclusivamente para crianças, onde se distribuíam, grátis, lindos saquinhos de bombons, havendo ainda sorteio de um lindo prêmio: uma grande boneca ou um par de patins ou um diávolo de borracha, etc. Isto atraía, posso até dizer, a criançada em peso de Jaguarão.
     Não sei dizer se tal febre de cinemas prejudicava a moral do povo, sei que, em certo domingo, anunciou-se a estréia de um novo salão pelos Revds. Padres Premonstratenses. Ora, o preço foi menos da metade dos outros cinemas. Agora, o povo convergia para lá.
     De todas as fitas a que assisti no Salão dos Padres (denominação popular), nessa época de minha infância, e também mais tarde, na minha mocidade, sei a história, até hoje, integralmente, e até o seu título: A vida pública do Salvador, O Filho pródigo, O Milagre da Virgem, Tenho por teto o céu, etc.
     O mesmo já não se dá com as fitas a que assisti no teatro ou nos salões. A maior parte delas (com exceção das fitas naturais) ficava por entender, porque grande parte delas me eram vedadas pelas “Santas Asas” de meu Novo Amigo. Já narrei, anteriormente, como nas minhas férias em Santa Vitória, pela 1a vez, meu Novo Amigo assim procedera. A 2a vez foi no cinema “Ponto Chic” e depois continuou sempre, também na minha mocidade.
     Passo a narrar a 2a vez. Num domingo, anunciou o “Ponto Chic” uma extraordinária “soirée”. Fomos à tal soirée extraordinária. Enorme concorrência de famílias. Começou a fita cujo titulo era: A cela no. 13. Duas ou três cenas se haviam passado quando, num dado momento, sinto a S. Mão de meu Novo Amigo sobre meu ombro e, como no banho da cachoeira, suas Santas Asas distendem-se na minha frente, encobrindo totalmente aos meus olhos a cena que se focava na tela. Meu Novo Amigo assim permaneceu durante toda a passagem da fita, de modo que dela nada vi.
     Em outras ocasiões (quero dizer, em outras fitas), suas Santas Asas distendiam-se por certo espaço de tempo. Depois como que se fechavam e, então, eu podia olhar na tela, mas sua Santa Mão permanecia sobre meu ombro, de modo que mais me ocupava com Ele (pois que Ele constituía as minhas delicias, na lembrança de que Jesus estava satisfeito com sua amiguinha) do que com o que me cercava. Muitas e muitas vezes, durante a passagem de uma fita na tela as Santas Asas distendiam-se por tempo rápido e logo me deixavam a vista livre.
      Não somente nos cinemas meu Novo Amigo assim procedia, também em espetáculos (representação de dramas, etc.). Quantas vezes mamãe chamava-me de “pateta”, porque eu não sabia descrever a fita ou o drama a que assistira. E papai dizia-me: “Minha filha, você deve descrever o que vê e narrar o que ouve”. Jamais, porém, dissera-lhes que meu Novo Amigo mo impedia.
     Meu santo e fidelíssimo Novo Amigo, somente hoje reconheço os inúmeros perigos a que estive exposta naquele mundo mau, e dos quais saí ilesa, unicamente pela graça especial de meu Deus e de Vossa fidelíssima guarda. Sede, ó meu Deus, glorificado eternamente na fraqueza de Vossa criaturinha. E a Vós, meu Novo Amigo, o amor grato de Vossa pequenina irmã e amiga. Amém.


terça-feira, 26 de abril de 2016

Beata Alda de Siena, Viúva - 26 de abril

    
Religiosos da Ordem dos Humilhados
     Alda nasceu em Siena, no dia 28 de fevereiro de 1245, filha do nobre Pedro Francisco Ponzi e de Inês Bulgarini, a quem Deus havia mostrado em sonho que escolhera a criança para Si.
     Após ter sido educada e instruída com todo cuidado, foi dada por esposa a um homem “virtutibus ornatissimus” - ornado de virtudes - Bindo Bellanti, do qual, porém, não teve filhos.
     Depois da morte prematura do marido, Alda vestiu o hábito da Ordem Terceira dos Humilhados, e se dedicou mais do que anteriormente à penitência em uma pequena propriedade, onde realizou milagres, teve êxtases e visões.
     Passou os últimos anos de vida no hospital de Santo André, que depois foi chamado de Santo Onofre, totalmente dedicada ao serviço dos pobres, dos enfermos e dos peregrinos.
     Alda morreu no dia 26 de abril de 1309 e foi sepultada na igreja de São Tomás, em Siena, pertencente aos Humilhados. Em 1489 seus ossos foram retirados da terra e colocados em uma parede ao lado de altar, de onde foram transferidos em 1583.
     O seu culto, em Siena e em outras cidades, teve muita difusão na Ordem dos Humilhados. Esta Ordem foi um dos muitos movimentos espirituais que surgiram em contraste aos costumes relaxados e à riqueza frequentemente ostentada pelo clero, defendendo um retorno a uma vida mais austera, frugal. Era de origem espontânea e difundida no norte da Itália, em particular Milão e Como. Ao movimento em Siena esteve próxima Santa Catarina de Siena. Inicialmente condenados como hereges, eles foram reintegrados, mas cerca de quatro séculos depois a Ordem foi supressa. 
Etimologia: Alda = extremamente bela, do céltico.
 
Fonte: www.santiebeati.it, Pietro Burchi

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Irmã Maria Antônia (Cecy Cony), Religiosa e Mística - 24 de abril

    
     O padre jesuíta João Batista Reus, venerável Servo de Deus misticamente agraciado, originário da arquidiocese de Bamberg (Baviera), que por muitos anos residiu em São Leopoldo, RS, falecido em odor de santidade naquela cidade em 1947, confirmou a vida mística e santa da Irmã Maria Antônia (Cecy Cony). Assim a descreve na apresentação do livro Devo Narrar Minha Vida:
     Obrigada pela obediência, escreveu ela as reminiscências da sua vida, sem reflexão, com certa repugnância e pedindo auxílios especiais a Nosso Senhor. Mal terminava algum dos seis cadernos de que se compõe o manuscrito, entregava-o logo às Superioras e não perguntava mais por ele. Morreu antes de concluir a sua autobiografia, que só abrange seus primeiros 21 anos de vida, e pôde apresentar-se na presença do Senhor com a beleza deslumbrante da inocência batismal.
     Cecy era inteligente e de formação esmerada. Os atestados do colégio davam-lhe quase sempre o 1º ou o 2º lugar. No magistério foi professora habilíssima, como atestam suas superioras. Humilde, extremamente sincera e inocente, nunca na sua vida proferiu uma mentira nem ofendeu a Nosso Senhor “por querer”. Esta declaração dá-nos a chave para julgarmos com justiça de certas fragilidades exteriores que lhe notaram algumas pessoas. Era incapaz de inventar fatos místicos. Nem por leitura nem por qualquer outro meio ordinário pôde conhecer os fenômenos dessa natureza que descreve com tanta nitidez.
     Ao saber, quase no fim de seus dias, que havia almas que nunca experimentavam a presença sensível de Nosso Senhor por ocasião da Sagrada Comunhão, perguntou assustada: “Nem na primeira Santa Comunhão?” A resposta negativa fê-la chorar amargamente. E exclamou: “Estas almas, nesta vida, nunca chegaram a conhecer Nosso Senhor”.
São Leopoldo, Colégio Cristo Rei, 8 de dezembro de 1946.
Pe. J. Batista Reus, S.J.
 
     Cecy Cony nasceu no dia 4 de abril de 1900, em Santa Vitória do Palmar, RS. Era filha do Cap. João Ludgero de Aguiar Cony e de Antônia Soares Cony.
     Profundamente religiosa desde tenra infância, como ela mesma relata, “desde esse dia de fevereiro ou março de 1905, o “Novo Amigo” acompanhou-me sempre, sempre, por toda a parte, e comigo fazia guarda a Papai do Céu, ao pé da grande cômoda. ... aos 6 anos soube que Ele era o Santo Anjo da Guarda. Compreendia-o perfeitamente; falava-me, mas eu jamais ouvia sua santa voz”. Cecy conviveu com o seu Anjo da Guarda por cerca de 30 anos.
     Em fins de 1905 ou meados de 1906, o Capitão Cony foi transferido para a guarnição de Jaguarão e a família mudou-se para aquela cidade, onde Cecy passou a frequentar o Colégio Imaculada Conceição.
     Em 17 de outubro de 1906, em sua 1ª Comunhão, fez o juramento de fidelidade: “Bom e querido Jesus, eu juro para o Senhor que não quero nunca fazer um só peca­do”. A partir daquela ocasião, sempre sentia a presença sensível de Jesus na Alma ao comungar.
     Sua devoção a Maria Santíssima também foi precoce: “Depois da Ave-Maria, a segunda oraçãozinha que aprendi com Madre Rafaela, foi: Lembrai-Vos que Vos pertenço, terna Mãe, Senhora Nossa! Ah! Guardai-me e defendei-me como propriedade Vossa. Sempre rezei esta oraçãozinha de manhã e de noite, até entrar para o convento. Aprendera também a fazer sacrificiozinhos a Nossa Senhora. E alegria imensa senti quando Madre Rafaela nos ensinou a rezar o Santo Rosário”.
     O caso do Divino Espírito Santo - Jaguarão, município próximo à fronteira Brasil/Uruguai, tinha uma secular devoção ao Divino Espírito Santo. Todos os anos a Bandeira do Divino saia a angariar donativos para a grande solenidade. A família de Cecy não deixava de colaborar e ela mesma dava sua pequenina contribuição.
     Por volta de 1911, uma chocante notícia pôs em polvorosa todos os habitantes de Jaguarão. No quartel do Exército, localizado no centro da cidade, o coronel comandante mandou um sargento avisar que a procissão devia seguir adiante, pois lá não entraria o estandarte do Espírito Santo. Esse fato causou uma forte impressão em Cecy. "Como esse coronel pode ser tão ruim assim? Os pobres soldados ficaram privados da oportunidade de receber a bênção do Espírito Santo e dar uma modesta contribuição para a festa. Mas, muito pior do que isso, foi o insulto a Deus!" Acabrunhada com tais pensamentos, e não conseguindo adormecer à noite, ela ficou imaginando um meio de reparar tão grave ofensa.
     Inspirada por seu Anjo da Guarda, no dia seguinte saiu às ruas pedindo aos soldados e demais militares moedas e falando da sua tristeza pelo fato do coronel não ter permitido que o estandarte do Espírito Santo entrasse no quartel. Cecy também colabora com o dinheiro que tinha para comprar um sapato novo. Na cidade, ninguém soube desta participação de Cecy.
     Em 8 de dezembro de 1914, Cecy tornou-se Filha de Ma­ria. Em 1920, começaram suas decisões e indecisões sobre o estado a tomar. Foi só em 1925 que Cecy conheceu claramente a Ssma. vontade de Deus a respeito de sua vocação. Com a energia de sua inquebrantável vontade, embora sangrando o coração, despediu-se dos pais e seguiu o chamado do Esposo divino: em junho de 1926, entrou como postulante na Congregação das Irmãs Franciscanas em São Leopoldo, onde se esforçou por adaptar-se ao espírito de São Francisco, o que não lhe custou, porém mais difícil era viver uma vida tão diferente da que levara até ali no seio da família.
     A morte do pai, tão amado, em 18 de janeiro de 1927, foi um duro golpe que abateu suas forças físicas; Cecy teve de deixar seu querido convento.
     De volta ao convento, em 17 de fevereiro de 1928 recebeu o véu branco de noviça. No dia 14 de fevereiro de 1930, Irmã Antônia proferiu os votos temporários, ocasião em que Nosso Senhor novamente aludiu a sofrimentos futuros.

     Irmã Antônia consagrou-se irrevogavelmente ao Divino Esposo pelos votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência no dia 24 de fevereiro de 1933. Com inteira dedicação e espírito de sacrifício, retomou sua atividade como professora no Colégio São José, em São Leopoldo. Compreendia admiravelmente as suas alunas, e estas, por sua vez, cercavam de carinhosa veneração a bondosa educadora.
     Sofrimentos místicos, indizivelmente dolorosos, no corpo e na alma, assediaram-na impiedosamente. Um dos mais dolorosos padecimentos era o peso de todos os pecados do mundo, sentindo ela estes pecados na sua alma como se os tivesse cometido ela mesma. O inferno a incitava a dizer: “não quero mais sofrer!” Mas a jaculatória: “Meu Jesus, eu Vos amo ainda!” foi sua prece eficaz em favor das almas periclitantes, seu grito de vitória contra os assaltos infernais.
     Os sofrimentos de Irmã Antônia valiam ora como reparação pelas perseguições feitas à Santa Igreja, ora como expiação pelos ultrajes que Jesus Eucarístico sofre perenemente; contribuíram para a salvação das crianças e dos soldados, para a santificação do clero e dos religiosos.
     Na noite do dia 24 de abril de 1939, Irmã Antônia morre serenamente, mas envolta em grande padecimento. No dia seguinte foi sepultada no cemitério conventual das franciscanas de São Leopoldo. Alunas atiram flores sobre o sarcófago; suas carinhosas cartas com pedidos e recomendações foram colocadas junto ao seu corpo.
     Finalmente, a palavra do filósofo e conhecido conferencista Frei Pacífico, O.F.M. Cap., que leu a autobiografia: “É pela boca dos 'inocentes, das crianças' que Jesus revela aos homens os tesouros de seu infinito amor. Eu gostei imenso das páginas da feliz criança, encheram minha alma do desejo de recorrer mais seguido ao meu Anjo da Guarda” (excerto).  
Fonte: “Devo Narrar Minha Vida”, Memórias da infância de uma religiosa Franciscana da Penitência e da Caridade Cristã da Casa-Mãe de São Leopoldo, RS, Editadas pelo P. J. Batista Reus, S.J. , Antigo professor de Ascética e Mística.
Imprimatur: Por comissão especial do Exmo. e Revmo. Sr. D. Pedro da Cunha, antigo bispo de Petrópolis, com a data de 15/4/1953.
 

terça-feira, 19 de abril de 2016

Santa Ema da Saxônia, Viúva - 19 de abril

    
     Duas são as santas com esse nome: Ema de Gurk (Áustria) e Ema da Saxônia (Alemanha). Muitos detalhes de suas vidas são semelhantes. Viveram no mesmo século (XI), ambas de nobre família, ambas casaram-se e enviuvaram ainda jovens, repartiram seus bens com os pobres e levaram vida austera, dedicadas à oração e a obras de caridade.
     Ema de Gurk, fundadora de dois mosteiros, morreu a 27 de maio de 1045, enquanto Ema da Saxônia a precedeu cinco anos, uma vez que morreu a 19 de abril de 1040. No mosteiro de São Liutgero em Werden, no Ruhr, perto de Dusseldorf, inexplicavelmente longe da Saxônia, conserva-se uma relíquia da santa: uma mão prodigiosamente intacta.
     Um cronista alemão do mesmo século, Adão de Bremen, na sua História eclesiástica, nos dá informação sobre uma “nobilíssima Ema”, irmã de Meinverk, Bispo de Paderbom (morto em 1036), e esposa do Conde Liutgero da Saxônia.
     O conde morreu muito precocemente. Ema, apesar de ser muito jovem, bela, inteligente e com muitos pretendentes, livremente decidiu consagrar sua viuvez inteiramente ao Senhor.  Sem filhos, se manteve constante em seu novo programa de vida, baseado na total dedicação às obras de caridade.
     Generosa nas doações e no socorrer os outros, mas austera e intransigente consigo mesma, procurou a perfeição no difícil estado de viuvez, uma condição bastante incômoda para uma mulher que ficou só, exposta a mil insídias porque sem apoio e tornada alvo dos cálculos interesseiros de parentes próximos e afastados.
     “Tu és jovem? – lê-se numa fervorosa prédica de São Bernardino de Sena dirigida às viúvas cristãs. Faze com que tua carne seja disciplinada. Quero que aprendas a viver como religiosa. Sê autêntica em tua alma. Queres marido? Toma-o em nome de Deus, livra-te dele. Mas nunca mais terás consolação... Assim seria melhor permaneceres viúva, servir a Deus do melhor modo que puderes, enquanto durar a tua vida”.
     Ema havia escolhido esta última maneira de servir a Deus, a mais difícil e rara. Sua mão, que chegou intacta até nós, nove séculos e meio após sua morte, é sinal certo da sua mais característica virtude: a generosidade.
      Sem filhos naturais, Santa Ema tornou-se mãe espiritual de uma multidão de pessoas. Verdadeira serva de Cristo, serviu o seu esposo celestial com a oração e a caridade, merecendo a devoção não de um marido, mas de milhões de cristãos que já há mais de nove séculos a honram com um culto público.
     Ema faleceu em 1040; ganhou o Céu como prêmio de quem soube rejeitar as propostas do mundo para viver a castidade e o amor aos pobres. Seu corpo, sem aquela mão de que se falou, repousa na catedral de Bremen.
 
Etimologia: Ema = gentil, fraterna, nutriz, do alemão antigo.