terça-feira, 24 de maio de 2016

Santa Joana, Mulher de Cuza - 24 de maio

    
     O Martirológio Romano põe, em data moderna, a comemoração de Santa Joana, esposa de Cuza, procurador de Herodes.
     Martirológio Romano: Comemoração de Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, que com outras mulheres ajudava Jesus e os Apóstolos com os próprios bens e no dia da Ressurreição do Senhor encontrou a pedra do sepulcro retirada e disto deu notícia aos discípulos.

     Joana é o nome de uma mulher mencionada nos Evangelhos, a qual foi curada por Jesus e que teria depois apoiado os discípulos e Jesus em suas viagens. Ela é mencionada no Evangelho de São Lucas como uma das seguidoras de Jesus. Ela era esposa de Cuza, responsável pela residência de Herodes Antipas, o tetrarca da Galileia. Seu nome significa "Javé foi gracioso", uma variação de "Ana", que significa "graça" ou "favorecimento".
     Não sabemos muita coisa sobre ela, mas São Lucas nos diz que ela foi curada por Jesus de alguma enfermidade física ou espiritual: "... e os doze iam com Ele, e algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e enfermidades... (Lucas 8: 1-3); e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes" (Lucas 8:1-2). Assim, Joana aparece listada entre as "mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades", juntamente com Maria Madalena e Susana.
     O teólogo Adrian Hastings sugeriu que ela pode ter sido uma das fontes de Lucas para os eventos ocorridos na corte de Herodes. Ela foi testemunha da morte de João, o Batista. Ela viu, diante de si, a cabeça de um homem que morrera por falar a verdade e mostrar o pecado de Herodes que vivia com Herodias, esposa do seu irmão Filipe.
     Depois deste assassinato, ela temeu pela vida de Jesus e de seus seguidores. Mas, mesmo temendo esta perseguição, ela não deixou de segui-Lo, nem de servi-Lo com seus bens. Como esposa de um importante oficial da corte, ela teria os meios necessários para viajar e apoiar Jesus e os discípulos.
     Não sabemos ao certo se ela estava na Crucificação de Jesus, mas sabemos que ela estava sempre ao lado das mulheres que O seguiam. Foi justamente na Ressurreição de Cristo que ela, juntamente com Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, correu para anunciar aos discípulos e apóstolos que o seu Senhor havia ressuscitado.
     Ela é citada em Lucas 24 com “Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago; também as outras que estavam com elas, relataram estas coisas aos apóstolos” (Lucas 24:10), as primeiras a relatarem aos onze apóstolos que o túmulo de Jesus estava vazio e que ali estavam “dois varões com vestes resplandecentes” (Lucas 24:4).
     Embora não seja mencionada pelo nome em Atos 1, é muito provável que Joana tenha sido uma das mulheres que se juntaram aos discípulos e Maria, Mãe de Jesus, no cenáculo para rezar. Ela estava entre os 120 que elegeram Matias para preencher a vaga deixada por Judas Iscariotes e também estava presente no Pentecostes.
     Richard J. Bauckham e Ben Witherington III concluíram que Joana, a discípula, é a mesma pessoa que Júnia, mencionada em Romanos 16 (Romanos 16:7). A maioria dos antigos manuscritos gregos lista o nome "Júnia" como feminino, uma opinião que representa o consenso atual sobre o tema.
     Santa Joana foi protagonista de fatos que a deixaram imensamente agradecida a Deus: 1º) ela foi curada por Jesus (Lucas 8:1-3) e viu nesta cura a mão do próprio Deus agindo em sua vida; 2º) ela foi bem aceita por Jesus e pelas pessoas que O seguiam; 3º) ela recebeu o maior e mais desejado presente: fazer parte do grupo de mulheres que foram as primeiras a verem Jesus ressuscitado; 4º) ela pôde ajudar Jesus – não media esforços para isto com seu trabalho e seus bens. Ela amava tanto ajudar Jesus, que depois da Sua morte planejou cuidar dEle preparando especiarias e unguentos juntamente com as outras mulheres.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Beata Maria Crescência Pérez, Religiosa gianellina - 20 de maio


     Os Pérez e os Rodriguez deixaram a Galícia espanhola em um barco cheio de esperança rumo a América do Sul. Entretanto, realidades amargas, imprevisíveis, frearam muitas vezes o entusiasmo da partida; ao contrário, algumas vezes incitavam reações impensadas naqueles de vontades obstinadas.
     Os imigrantes muitas vezes trabalhavam de sol a sol em suas terras férteis, navegando em rios amplos, ou se instalando na periferia, quando conseguiam se acomodar nas cidades. Mas, com sua pobreza de origem levavam a riqueza de suas tradições católicas. Assim aconteceu com os Pérez-Rodriguez que diante da adversidade não desesperaram. Em Córdoba, em meados de 1889, Agustín Pérez se casa com Ema Rodriguez, diante do altar da Virgem do Pilar.
     A Argentina vivia momentos agitados que faziam alternar partidos conservadores e liberais no governo das cidades, sem apoio de alguns, o que fez com que o casal emigrasse para Montevidéu. Na capital uruguaia nasceu seu primeiro filho, que morreu aos três anos. Outro filho faleceu ao nascer. Sobreviveram Emílio e Antônio. Mas como o jovem casal não encontrava horizontes de progresso naquele país, decidiu voltar para a Argentina.
     Em San Martin, Buenos Aires, no frio agosto de 1897, nasceu nossa Maria Angélica. Quando ela nasceu as condições da família tinham melhorado, porque o pai, já com trinta anos, conseguira finalmente um trabalho na Companhia Alemã de Eletricidade.
     Família rica em fé e em filhos: nasceram ainda Agostinho, Aída, Maria Luísa, José Maria. Porém, a jovem mãe adoece e o médico consultado aconselha que se não a levassem para um clima mais ameno, ele não garantia que ela sobrevivesse. Assim, a família parte para Pergamino com seus filhos, seus poucos bens, e uma fé profunda.
     Ao entardecer, a mãe acalmava as crianças inquietas, colocava todas de joelhos e rezavam o Rosário. Dia a dia, quase inconscientemente, ela transmitia a seus filhos o conceito da fé. E assim cresceram estas crianças, com essa mãe forte que ensina a responder com amor ao amor de Deus, a transformar alegrias e dores em momentos de graça. Cresceram com profundas convicções religiosas, embora fossem à igreja ocasionalmente, porque esta ficava a três horas de distância.
     A maior parte do ciclo primário Maria Angélica cursou no Lar de Jesus, de Pergamino. Ali também se formou em mestra de Trabalhos.
     Sua vocação religiosa, que havia crescido ao longo destes anos, tomou uma forma definida quando em 31 de dezembro de 1915 ingressou no noviciado das Irmãs do Horto, em Buenos Aires. Recebeu o hábito em 2 de setembro de 1918, ocasião em que morria seu pai. A Congregação das Filhas de Maria Santíssima do Horto foi fundada em 12 de janeiro de 1829 por Santo Antônio Maria Gianelli, Bispo de Bobbio (canonizado em 1951), motivo porque as Irmãs são chamadas Gianellinas.
     Não desejando outra coisa que agradar a Deus com uma vida santa e ser instrumento dEle para salvar as almas, se entregou totalmente à sua missão, fazendo-se “toda para todos”, em obediência perfeita e na caridade ilimitada.
     Segundo testemunhas, a virtude especial de Irmã Maria Crescência foi a humildade. Esta virtude permitiu que ela vivesse as exigências da caridade fraterna e da perfeita vida em comum com íntima e serena alegria. Era feliz em poder fazer a vontade de Deus.
     Os primeiros anos de sua vida religiosa foram dedicados à infância. Desempenhou a tarefa de mestra de Trabalhos e catequista, em primeiro lugar na escola anexa à Casa Provincial, e depois no Colégio do Horto, de Buenos Aires.
      Uma segunda etapa de sua vida teve como destinatários os doentes. Começou esta missão no Sanatório Marítimo de Mar del Plata (Solarium), dedicado exclusivamente à internação e atenção à crianças afetadas pela tuberculose óssea. Permaneceu ali por três anos.
     Como sua frágil saúde começou a declinar rápida e seriamente, seus superiores decidiram enviá-la para um local cujo clima ajudasse na sua recuperação. Vallenar, no Chile, onde as Irmãs do Horto atendiam no hospital desde 1915, foi o local escolhido. Em 1928, a Irmã Maria Crescência visitou Pergamino pela última fez para despedir-se para sempre de seus familiares. Pouco depois, acompanhada pela Madre Provincial, viajou para o Chile, onde transcorreu a última etapa de sua vida, pois quatro anos depois de sua chegada entregou a sua alma a Deus em Vallenar, após uma vida heroica na virtude.
     No momento em que Irmã Maria Crescência chegava a Vallenar bem pode dizer-se que as Irmãs do Horto estavam escrevendo uma página de ouro da Congregação na América.
     Vallenar, de aproximadamente seis mil habitantes naquele momento, seis anos antes havia sofrido um terrível e devastador terremoto que destruiu quase a totalidade das casas do povoado. A partir deste fato, Vallenar entrou em um longo processo de reconstrução que se prolongou por muitos anos.
     A grande pobreza em que viviam, a dor de tantas famílias sem teto, a solidão do lugar e as enormes distâncias de outros povoados, fizeram que se cumprisse claramente o desejo do fundador: “Levem sempre a pobreza consigo e vão aonde, pelas dificuldades do lugar e pela falta de meios, outras Irmãs não podem ir”.
     Apesar do muito que lhe custou deixar sua pátria, família e comunidade, Irmã Maria Crescência viu claramente a vontade de Deus nas palavras de sua Superiora e com gosto aceitou o que Ele lhe pedia. Ela havia dito: “Para cumprir a vontade de Deus eu iria ao fim do mundo”.
     Ela viveu em Vallenar totalmente entregue ao serviço de seus irmãos doentes, dentro da alegria da vida em comum e crescendo incessantemente no amor de Deus, a quem havia consagrado sua vida, chegando a dizer: “Senhor, que eu Te ame tanto como Tu te amas a Ti mesmo”.
     Diante do progresso e da gravidade sua doença, foi internada durante três meses em um hospital próximo de Vallenar, totalmente isolada para evitar o contágio. Mas as últimas semanas de sua vida ela passou novamente em Vallenar, com suas coirmãs, edificando-as com sua serenidade e profunda paz interior.
     Deus tinha reservado graças muito especiais para aqueles momentos. Segundo as crônicas, ela recebeu em visão a visita do fundador, Santo Antônio Maria Gianelli. Da imagem do quadro da Virgem do Horto, que ficava junto de seu leito, Maria abençoou-a e às Irmãs. O Menino Jesus quis sair dos braços de sua Mãe e Irmã Maria Crescência estendeu os seus para recebê-Lo.
     Com piedade recebeu o Santo Viático, rodeada de sua Superiora e de suas Irmãs, e enquanto rezava com elas as orações dos agonizantes, ergueu-se, e inclinando-se profundamente diante do quadro do Sagrado Coração de Jesus, repetiu as palavras que o mesmo Jesus lhe havia ensinado: “Coração de Jesus, pelos sofrimentos de vosso Divino Coração, tem misericórdia de nós!”
     Em seguida iniciou uma fervorosa oração: “Coração de Jesus, abençoai-me e abençoai estas minhas Irmãs; dai forças a elas para combaterem com fervor e para procurarem a salvação das almas nestes tempos difíceis. Abençoai nosso Instituto, do qual recebi tanto bem e no qual nestes momentos me considero a criatura mais feliz do mundo. Vos peço, Coração Santíssimo de Jesus, que mandeis muitas e boas vocações para o nosso Instituto. Ó Coração de Jesus, peço-Vos uma especial bênção para o Chile, e já que é Vossa vontade que eu aqui morra contente, Vos ofereço este sacrifício pela paz e tranquilidade desta Nação”.
     Seu desejo de unir-se a Jesus era veemente, por isso exclamou: “Não me detenham mais... Não me detenham mais... Sim, que todos vão ao Coração Santíssimo de Jesus. Ali encontrarão a salvação de sua alma”. Finalmente, disse sorrindo: “Pai, em Tuas mãos encomendo meu espírito”. Assim faleceu santamente no dia 20 de maio de 1932.
     Logo depois de seu falecimento no Colégio do Horto de Quillota, 600 k distante de Vallenar, neste local as Irmãs reunidas sentiram uma fragrância semelhante ao perfume das violetas, que permaneceu vários dias dentro dos muros do colégio. Diante deste fato inexplicável, a Superiora disse: “A Irmã Crescência morreu!” Imediatamente chegou um telegrama avisando de sua morte.
     Quando as Irmãs do Horto deixaram Vallenar, a população não quis que levassem o corpo daquela que chamavam “a santinha”. Assim, ela ali ficou por 35 anos, até que em 8 de novembro de 1966 a Congregação ia transladar seus restos, porém, ao abrirem seu caixão encontraram seu corpo e seu hábito intactos e em perfeita conservação. A cidade de Vallenar acorreu para constatar este fato tão singular. Foi realizado novo velório e depois ela foi levada para Quillota, onde permaneceu por 17 anos.
     Em 1983 o seu corpo foi transladado para o panteão das Irmãs em Pergamino até 26 de julho de 1986, quando, por motivo da abertura do processo diocesano para sua beatificação, foi transladado para a Capela do Colégio do Horto, em Pergamino.
     Seu túmulo é constantemente visitado por numerosos peregrinos, que de todas as partes do país veem venerar suas relíquias e pedir ajuda ou agradecer seus favores.
     Irmã Maria Crescência foi beatificada em 17 de novembro de 2012 em Buenos Aires, na Argentina, durante uma celebração presidida pelo Cardeal Ângelo Amato.

Fonte: hermanacrescencia.com.ar // ACI Prensa (excertos)

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Santa Restituta, Mãe de Sto. Eusébio de Vercelli - 17 de maio

    
     Um hagiógrafo desconhecido escreveu no século VIII uma biografia de Santo Eusébio, o primeiro bispo de Vercelli, porém natural da Sardenha. Tal escrito sustenta que a mãe do santo chamava-se Restituta.
     Ela também nasceu na Sardenha, na segunda metade do século III. Após a morte de seu marido, morto por ódio à fé cristã, ela decidiu deixar a ilha e foi para Roma levando consigo seus dois filhos, que foram batizados pelo papa Santo Eusébio. Em homenagem a ele, as crianças receberam o nome de Eusébio e Eusébia.
     Eusébio foi o primeiro a receber o cargo episcopal no Piemonte, enquanto sua irmã fundou o ramo feminino do famoso mosteiro de Vercelli.
     Restituta mais tarde voltou para a Sardenha e próximo de Cagliari enfrentou o mesmo destino de seu marido, o martírio, na primeira metade do século IV.
     Em 1607 escavações foram realizadas naquela cidade, e foi confirmada a existência de duas capelas em que eram mantidas uma imagem e as relíquias de Santa Restituta.
     Alguns historiadores, no entanto, referem estes restos à outra santa do mesmo nome, mártir próximo de Cartago sob o procônsul Antonino, cujas relíquias foram trazidas para a Sardenha por alguns refugiados que escaparam dos estragos feitos pelos vândalos.
     A festa das duas santas homônimas é colocada no mesmo dia: 17 de maio.

Fonte: www.santiebeati/it
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     Apesar das poucas informações sobre Santa Restituta, pode-se ter uma ideia de suas virtudes tomando-se conhecimento da vida de Santo Eusébio de Vercelli, cheia de lutas pela integridade da Igreja Católica num momento de real perigo para sua unidade. Segue um pequeno resumo de tudo quanto ele sofreu pela Santa Igreja. Além disso, como mãe de Santa Eusébia, fundadora do monaquismo feminino de Vercelli, presume-se que também sobre ela exerceu uma ação virtuosa.
* * *
     Eusébio nasceu na Ilha da Sardenha no ano 283. Depois da morte do seu pai, em testemunho da fé em Cristo, durante a perseguição do imperador Diocleciano, sua mãe levou-o para completar os estudos eclesiásticos em Roma. Assim, muito jovem, Eusébio entrou para o clero, sendo ordenado sacerdote. Aos poucos, foi ganhando a admiração do povo cristão e do papa Júlio I, que o consagrou bispo da diocese de Vercelli em 345.
     Nessa condição, participou do Concílio de Milão em 355, no qual os bispos adeptos da doutrina ariana tentaram forçá-lo a votar pela condenação do bispo de Alexandria, Santo Atanásio. Eusébio, além de discordar do arianismo, considerou a votação uma covardia, pois Atanásio, sempre um fiel guardião da verdadeira doutrina católica, estava ausente e não podia defender-se. Como ficou contra a condenação, ele e outros bispos foram condenados ao exílio na Palestina.
     Isso não o livrou da perseguição dos hereges arianos que infestavam a cidade. Ao contrário, sofreu muito nas mãos deles. Como não mudava de posição e enfrentava os desafetos com resignação e humildade, acabou preso, e qualquer forma de comunicação sua com os demais católicos foi cortada. Na prisão, sofreu ainda vários castigos físicos. Contam os escritos que passou também por um terrível suplício psicológico.
     Quando o povo cristão tomou conhecimento do fato ergueu-se a seu favor. Foram tantos e tão veementes os protestos que os hereges permitiram sua libertação. Contudo o exílio continuou e ele foi mandado para a Capadócia, na Turquia e, de lá, para o deserto de Tebaida, no Egito, onde foi obrigado a permanecer até a morte do então imperador Constantino, a quem sucedeu Juliano, o Apóstata, que deu a liberdade a todos os bispos presos e permitiu que retomassem as suas dioceses.
     Depois do exílio de seis anos, Eusébio foi o primeiro a participar do Concílio de Alexandria, organizado pelo amigo, Santo Atanásio. Só então passou a evangelizar, dirigindo-se primeiro a Antioquia e depois à Ilíria, onde os arianos, com sua doutrina, continuavam confundindo o povo católico. Batalhou muito combatendo todos eles.
     Mais tarde, foi para a Itália, sendo recepcionado com verdadeira aclamação popular. Em seguida, na companhia de Santo Hilário, bispo de Poitiers, iniciou um exaustivo trabalho pela unificação da Igreja Católica na Gália, atual França. Somente quando os objetivos estavam em vias de serem alcançados é que ele voltou à sua diocese em Vercelli, onde faleceu no dia 1º de agosto de 371.
     Apesar de ser considerado mártir pela Igreja, na verdade Santo Eusébio de Vercelli não morreu em testemunho da fé, como havia ocorrido com seu pai. Mas foram tantos os seus sofrimentos no trabalho de difusão e defesa do Cristianismo, passando por exílios e torturas, que recebeu esse título da Igreja, cujo mérito jamais foi contestado. Com a reforma do calendário litúrgico de Roma, de 1969, sua festa foi marcada para o dia 2 de agosto. Nesta data, as suas relíquias são veneradas na catedral de Vercelli, onde foram sepultadas e permanecem até os nossos dias.
*Fonte: Pia Sociedade Filhas de São Paulo Paulinas http://www.paulinas.org.br
 

Virgem da colina: Crea e Oropa
     A Tradição aponta Santo Eusébio, primeiro Bispo de Vercelli, como fundador dos Santuários marianos de Crea e Oropa. Ele teria trazido do exílio as imagens da Virgem Maria, para os montes de Crea, de Oropa e para a cidade de Cágliari, sua terra natal.
     Fugindo das perseguições dos arianos, Santo Eusébio chegou ao castelo de Crea e ali ficou três meses, construindo um oratório em honra à Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus.
     Permanecendo um pouco mais, traduziu os quatros Evangelhos do grego para o latim, trabalho que muito serviu ao cenóbio e à evangelização das comunidades nas vilas e nos campos.
     O Santuário de Crea é, ainda hoje, centro de devoção mariana da diocese de Casale. Na antiga estrada que conduz a Crea se encontra uma Capela chamada de “Repouso de Santo Eusébio”; a tradição quer lembrar o descanso e o sono do santo quando levou a imagem da Virgem a Crea.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Beata Madalena Albrici, Virgem Agostiniana - 13 de maio

          Madalena pertencia à nobreza italiana. Nasceu em Como, cidade da Lombardia ao norte de Milão, em 1415. Após a morte de seus pais, Madalena decidiu se retirar no Convento de Santa Margarida da mesma cidade, próximo do famoso Lago de Como, onde eram recebidas as filhas dos nobres.
     Por inspiração de Deus, no entanto, dirigiu-se sem vacilar a uma casa religiosa que, fora dos muros da cidade, tinha sido construída num lugar chamado Brunate e adotara a Regra de Santo Agostinho. O convento estava quase vazio, mas o número de religiosas aumentou consideravelmente após a entrada de Madalena, que foi eleita superiora. A comunidade tendo crescido paulatinamente com o ingresso de várias jovens, se converteu em mosteiro com o título de Santo André e sob a mesma Regra.
     Em 1455, a comunidade foi acolhida sob a jurisdição da Ordem das Irmãs Eremitas de Santo Agostinho da Lombardia, a qual foi definitivamente aprovada pelo Papa Pio II em 16 de Julho de 1459.
     Madalena considerava como uma de suas maiores satisfações pertencer à Ordem Agostiniana e estar sob sua jurisdição. Uniu muitas consagradas, que faziam vida comum em suas casas, à Ordem. Assim se acrescentou à família agostiniana um considerável número de mosteiros.
     A Beata foi uma admirável propagadora da espiritualidade agostiniana. Uniu muitas jovens consagradas que viviam isoladas em suas casas à vida comum sob a Regra de Santo Agostinho. Madalena fundou outro convento na cidade de Como, mas ela permaneceu em Brunate. Também se lhe atribui a fundação de uma fraternidade de agostinianos seculares em Como.
     Ela se destacou por um espírito de penitência, de contemplação e de caridade com todos. Exortava as religiosas sob sua responsabilidade à comunhão frequente e as incitava a uma maior perfeição nas virtudes, preferindo sempre obedecer a mandar, ser súdita a ser superiora, e a colocar primeiro o serviço.
     Sobressaindo na pureza de vida e na caridade com todos, morreu em maio de 1465, após uma longa e dolorosa doença.
     São Pio X confirmou seu culto no dia 10 de dezembro de 1907. Suas relíquias são veneradas com devoção na igreja de Brunate. Na Diocese de Como ela é celebrada no dia 15 de maio.

Martirológio Romano: Em Como, da Lombardia, Beata Madalena Albrici, Abadessa da Ordem de Santo Agostinho, que reavivou extraordinariamente o fervor de suas irmãs em religião (1834).

Etimologicamente: Madalena (outrora Magdalena), de origem hebraica, maghdal = “Torre de Deus”. Também se relaciona com o lugar de origem de Maria de Mágdala ou Maria Magdalena.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Beata Imelda Lambertini, Devota da Eucaristia - 12 de maio

    

     Imelda Lambertini pertencia a uma nobre família da Bolonha, Itália. Nasceu provavelmente no ano de 1320. Era filha do Conde Egano Lambertini e de sua segunda esposa, Castora Galluzzi; no batismo a menina recebeu o nome de Maria Madalena.
      Seus pais eram muito piedosos e amavam sua filha mais do que tudo no mundo. Eles percebiam que embora a menina lhes devotasse também um grande afeto, não era feita para este mundo. Frequentemente sua mãe a encontrava ajoelhada em algum canto do palácio em profunda oração. Toda vez que as pessoas falavam de Deus seus olhos brilhavam. E seus pais notaram que várias vezes, quando se mencionava Jesus no Santíssimo Sacramento, sua face se tornava quase transparente. Ela desejava ardentemente fazer a Primeira Comunhão, mas ela não tinha ainda a idade exigida na época.
     Apesar de sua pouca idade, após insistência contínua dela, os pais a deixaram ficar com as monjas de um convento próximo. Era comum, na época, as meninas serem educadas por religiosas em seus mosteiros.
     Ela entrou no mosteiro das dominicanas de Santa Maria Madalena do Val di Pietra, onde hoje existe o convento dos capuchinhos, e deram-lhe o nome de Imelda. A comunidade era composta das Cônegas Regulares de Santo Agostinho, que no fim do século passaram para a Regra Dominicana.
     No convento, a pequena Imelda era como um peixe dentro d’água. Ela amava o silêncio, os longos corredores de pedra com seus belos arcos, os hábitos branco e preto das monjas, os cânticos, as orações, o trabalho. Mais do que tudo, ela amava o tabernáculo. Finalmente ela estava sob o mesmo teto com o seu Jesus. Sempre que os horários do mosteiro o permitiam, lá estava ela de joelhos no coro observando do alto a capela do convento, seus olhos fixos no tabernáculo.
     Na vida comunitária ela era como um raio de sol no meio de tantas irmãs adultas. Devido a sua tenra idade, a Reverenda Madre também não queria que Imelda participasse de todos os atos da comunidade.
     Dois anos se passaram.  Somente uma coisa a entristecia na sua vida no convento: ela ainda não tinha conseguido receber a Primeira Comunhão. Quando ela via as irmãs comungando sua alma ardia de desejo de estar entre elas. Às vezes ela não conseguia conter suas lágrimas. Então, ela suplicava aos céus para terem misericórdia dela e encontrar uma maneira de fazê-la comungar.
     Na Vigília da Ascensão, dia 12 de maio de 1333, Imelda assistiu a Santa Missa na capela, junto com outras educandas e as Irmãs. Ao chegar a hora da Comunhão, ajoelhada, Imelda rezava com fervor desejando receber Jesus.
     No fim da Missa, quando as monjas saíram do coro em fila, a última virou-se para olhar a pequena figura branca ainda de joelhos em oração. Imelda normalmente permanecia mais tempo lá, sem se mexer e absorvida na oração. A comunidade, acostumada com este seu hábito, deixava-a ficar.
     Foi quase que automaticamente que a irmã olhou para trás para dar uma olhada e para se encantar com aquela pequena maravilha de piedade Eucarística. A respeitosa irmã parou espantada, e ficou como que pregada ao solo. Lá estava a menina ajoelhada, com a cabeça baixa, como sempre, mas pairando sobre ela havia uma Hóstia branca, brilhando no meio de uma suave luminosidade.
     Avisada pela irmã, a comunidade toda se apressou em voltar para o coro e caiu de joelhos diante do incrível sinal. A Madre Superiora entendeu. Não havia dúvida que Nosso Senhor queria que aquela menina O recebesse. Ela chamou o capelão que rapidamente se aproximou com uma patena de ouro. Assim que ele chegou perto da menina ajoelhada, a Hóstia desceu sobre a patena.
     Neste momento, Imelda, que o tempo todo tinha permanecido com a cabeça baixa e os olhos fechados, vagarosamente levantou sua face radiante e abriu seus lábios. Tomando a Hóstia, o padre capelão deu-lhe a Comunhão. Ela abaixou a cabeça uma vez mais e permaneceu imóvel.
     Após um longo tempo, a Madre Superiora se aproximou dela. Tomando gentilmente Imelda pelos ombros, a boa monja tentou fazê-la erguer-se, mas Imelda caiu em seus braços. Sua face tinha uma expressão de inexprimível beleza.
     Imelda tinha dito certa vez, "Eu não sei como se pode receber Nosso Senhor e não morrer!" Agora, ela O tinha recebido e o seu primeiro encontro com Jesus Eucarístico fora demais para seu pequeno coração ardente. Ela se fora com Ele.
     Em 1582, as dominicanas se transferiram para o interior dos muros de Bolonha, obtendo da Cúria a transladação das relíquias da Beata, que hoje se encontram na igreja de São Segismundo. Desde então o seu nome foi inserido no catálogo dos Santos e Beatos da Igreja da Bolonha.
     Sob o pontificado de Bento XIV (1740-1758), que a recordou em uma obra sobre canonizações dos Servos de Deus, o culto da beata foi confirmado. Porém, a beatificação somente foi concretizada com o Papa Leão XII em 20 de dezembro de 1826. A canonização foi retomada em 1921 prosseguindo até 1942, quando foi paralisada por dificuldades de caráter histórico.
     As relíquias de Imelda repousam num belo relicário na Igreja de São Segismundo, em Bolonha. Na imagem que a representa, sua bela face é iluminada pelas luzes de um êxtase e parece dizer: "Meu Jesus, Ele é minha recompensa imensamente grande!"
     A pequena Imelda Lambertini é festejada no dia 12 de maio. Em 1908, São Pio X declarou-a patrona das crianças que fazem sua Primeira Comunhão. Naquele mesmo ano ele decretara que as crianças menores de 12 anos podiam ser recebidas à Primeira Comunhão.
     O culto à pequena Imelda se difundiu com a crescente devoção eucarística no mundo todo. É a patrona venerada dos Pequenos Devotos do Rosário e Benjamins da Ação Católica.
     Na França, o mosteiro de Prouilles fundou em sua honra uma Confraria, aprovada pelo Sumo Pontífice, e colocada sob a direção da Ordem Dominicana.
     Finalmente, o Servo de Deus Padre Joaquim Pio Lorgna (1870-1928), dominicano, colocou sob sua proteção a Congregação que fundou, as Irmãs Dominicanas da Beata Imelda, hoje presente na Itália, Brasil, Albânia, Filipinas, Camarões, Bolívia. 

Etimologia: Imelda = do alemão antigo, Himilhilde: “guerreira (hilde) do céu (himil)” ou “guerreira celeste”.
Imagem de cera que se encontra na Igreja de S. Sigismundo - embaixo, relicário contendo os ossos da Beata Imelda

Igreja de São Sigismundo, Bolonha, Itália


sexta-feira, 6 de maio de 2016

Santa Ida (Ita), Viúva e Monja de Nivelles - 8 de maio

    
      O nome "Ida" já aparece na mitologia grega, em que designa uma montanha da ilha de Creta, que, de acordo com o mito, Gaia, a deusa da terra, ia esconder Júpiter criança de seu pai Saturno, o comedor voraz de tudo e até mesmo de seus próprios filhos. Na verdade a santa venerada hoje recebeu o nome germânico "Itta", que só mais tarde foi tratado como "Ida".
     Ida pertencia ao povo dos francos, que na época ainda era um povo de rudes guerreiros. Filha de Arnoaldo, conde da Aquitânia, ainda muito jovem se casou com o Pepino de Landen, prefeito do palácio do rei Dagoberto II da Austrásia e, portanto, um dos maiores dignitários do reino. Ida era irmã de Santo Modoaldo, Bispo de Trier, e da abadessa Santa Severa.
     Além de Grimoaldo, seu filho primogênito, que sucedeu seu pai Pepino, Ida teve duas filhas: Begga e Gertrudes. Suas filhas foram abadessas de Andenne-sur-Meuse e de Nivelles, e também são reverenciadas como santas.
     Os cuidados com a família não impediram Ida de cumprir seus compromissos espirituais.
     Quando os filhos cresceram, a pedido de Santo Amando, Bispo de Maastricht, Ida e Pepino investiram seus bens na fundação de um grande mosteiro beneditino, governado por uma abadessa, cuidando de sua manutenção. Assim, veio à luz o mosteiro feminino de Nivelles, no Brabante, isto é, atual Bélgica, entre Bruxelas e Charleroi.
     Gertrudes, a filha mais nova, foi das primeiras a ir viver de acordo com a Regra de São Bento; ela declarou perante o tribunal franco escolher a vida religiosa preferindo a obediência ao Criador à autoridade real. Parece que o rei Dagoberto havia desejado casar-se com ela. Entrando no mosteiro, ela foi eleita abadessa por sua excelente virtude, com a idade de apenas 20 anos.
     Outra filha de Ida e Pepino, Begga, se casou com Ansegisel, filho de Arnolfo de Metz. Foi por meio da descendência de Begga que Ida foi avó de Pepino de Herstal e uma das matriarcas da grande família carolíngia. Seu único filho, Grimoaldo, mais tarde prefeito do palácio, teve como filho o rei Childeberto, o Adotado.
     Com a morte de Pepino, que é lembrado como beato, Ida despediu-se da vida do mundo e ingressou como uma simples monja no mosteiro de Nivelles. Depondo as vestes de fundadora, Ida tornou-se um exemplo vivo de como a santidade pode ser transmitida não só pelo sangue por pais para filhos, mas também, no sentido oposto ao natural, dos filhos para os pais.
     Assim, em Nivelles, num clima de profunda espiritualidade, as relações normais entre pais e filhos foram invertidas. A mãe, idosa e sábia, teve que se submeter humilde e silenciosamente à sua filha; e a filha, investida de uma autoridade superior à sua juventude, se tornou orientação sábia e discreta daquela que a tinha gerado. Esta incrível via levou-as a se santificarem mutuamente.
     Quando Ida morreu, em 8 de maio de 652, o mosteiro de Nivelles perdeu não só a sua fundadora, mas sobretudo a mais modesta entre as suas religiosas, e a abadessa Gertrudes perdeu não apenas a sua mãe, mas a mais obediente das suas filhas espirituais.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Santas Teutéria e Tosca, Virgens eremitas - 5 de maio

     De acordo com uma história do século XVI, escrita pelo bispo de Verona, Agostinho Valier, Teutéria nasceu de uma nobre família anglo-saxônica entre os séculos VII e VIII, se converteu ao Cristianismo, cresceu significativamente no caminho da santidade, quando um rei pagão, Osvaldo, começou a assediá-la. Teutéria foi então forçada a fugir para a Itália para escapar dele.
     Indo para Verona, escondeu-se junto à irmã de Prócolo, bispo, a virgem Tusca (Tosca), para escapar das buscas do rei. Tosca ou Tusca, nome original, era uma virgem que levava vida de eremita em Verona e gozava da devoção à sua espiritualidade pelos fieis. Teutéria decidiu viver em comunhão com Tosca até a morte, considerando-a sua dirigente espiritual.
     O culto a Teutéria está documentado desde o sec. VIII. Em 750, o bispo Hanno fez a dedicação de uma igreja em sua honra; em 1161 o bispo Ognibene autorizou um reconhecimento de suas relíquias para colocá-las na nova basílica consagrada em 14 de setembro de 1161.
    Antigamente a Igreja de Verona comemorava as duas eremitas santas em datas diferentes em seus livros litúrgicos: 5 de maio Teutéria e 10 de julho Tosca; posteriormente unificaram o culto destas virgens eremitas no dia 5 de maio.
     O nome Tosca ou Tusca vem do latim ‘Tuscus’ e significa ‘etrusco’ e, por extensão, a “toscano”.
     Mais utilizado em Emília Romagna, na Toscana e em Verona, teve um retorno popular após a representação da ópera "Tosca" de Giacomo Puccini.


Capela das Santas Teutéria e Tosca em Verona, Itália