sexta-feira, 3 de junho de 2016

Imaculado Coração de Maria - 4 de junho

Por que Nossa Senhora em Fátima propôs a devoção a seu Imaculado Coração como solução para a imensa crise do mundo moderno?

  
   Quando li há muitos anos A mística cidade de Deus, da Venerável Sóror Maria de Agreda, chamou-me a atenção um ponto a respeito de Nossa Senhora: Ela tem o conhecimento de todas as ciências, até mesmo das militares. Julguei isso um achado, porque não teria sentido que Deus concedesse a Ela tantos privilégios e a privasse nesse ponto.

     Mas, por outro lado, como provar que Nossa Senhora conhece táticas e estratégias?
     Quando analisamos as diversas devoções surgidas ao longo dos séculos à Santíssima Virgem, várias delas fruto de aparições ou revelações, compreendemos a existência de uma ligação lógica profunda entre o tipo de invocação e a época na qual essa devoção se tornou necessária ou até imprescindível.
     Isto é lógico, porque na luta espiritual, assim como na guerra, as armas se adaptam ao tipo de combate e a luta se trava de acordo com o gênero de armas existentes.
     Quando não havia pólvora nem artilharia, as pessoas se protegiam em castelos com altas muralhas, isolados numa montanha ou em algum local de difícil acesso.
     Com o descobrimento da pólvora – e com ela dos canhões – isto já não era suficiente e as pessoas procuravam se resguardar dentro de fortificações sólidas, como tantas existentes no litoral brasileiro.
     Quando nem isto foi suficiente, as pessoas passaram a camuflar tanto quanto podiam o local onde se escondiam, evitando assim ser vítimas de bombardeios.
Para cada situação, nova devoção
     A história da luta espiritual entre a luz e as trevas obedece a semelhante lógica.
     Quando, no início da Cristandade, a corrupção no mundo pagão era generalizada, tornaram-se necessários exemplos ostensivos de vida virtuosa, ou de mártires que provassem pelo heroísmo a existência de outro mundo.
     Nossa Senhora era então apresentada como a Virgem e a Mãe casta por excelência.
     Quando começaram a surgir Estados cristãos, impôs-se o aparecimento de governantes e governados virtuosos e, sobretudo, de devoções a Nossa Senhora enquanto Rainha.
     Para deformar essa virtude, o inimigo infernal açulou o orgulho, que rejeitava servir determinado rei ou nobre poderoso. A Igreja respondeu a essa revolta mediante a devoção do escapulário — símbolo de que servimos a uma Rainha ainda mais poderosa.
     Depois, quando o demônio e seus sequazes começaram a difundir doutrinas erradas, com desvios sutis e difíceis de replicar, apareceu o Rosário, em que se medita uma série de verdades elementares. Contrarrestou-se com isso a investida do adversário.
     Quando o protestantismo estimulou o orgulho, apresentando-o como superioridade espiritual, a Igreja ensinou as devoções a Nossa Senhora como mestra da humildade. Surgiram então devoções como a da Divina Pastora, tão difundida pela Ordem dos capuchinhos.
     Por ocasião dos ataques externos, como o dos turcos muçulmanos para esmagar a Igreja, nasceram devoções como a de Nossa Senhora Auxiliadora dos Cristãos.
     Antes e depois da Revolução Francesa surgiu e propagou-se o Iluminismo, para o qual só a razão é séria, e que tudo aquilo que não se prova no âmbito das ciências naturais (como a existência de Deus) não pode ser levado em conta.
     A Igreja então nos lembrou a beleza dos mistérios mariais, como o da Imaculada Conceição. E não é mera casualidade o fato de Nossa Senhora de Lourdes operar milagres que até hoje deixam atônitos os que veem na ciência a única porta do conhecimento.
     Ficou mais do que provado ter havido uma intervenção sobrenatural nos extraordinários milagres de Lourdes, obrigando os que vilipendiam a fé à incômoda posição de não poderem explicar cientificamente o que não podem negar.
Devoção ao Imaculado Coração de Maria
     Chegamos assim aos nossos dias, com uma crise espiritual, moral, política e financeira generalizada.
     Como contestar e se opor à pretensão moderna de que alcançamos o melhor nível de vida da História, a melhor organização social, e de que podemos fazer o que bem entendermos, até estabelecer estatutos de legalidade para desvios morais condenados claramente nas Sagradas Escrituras?
     É a própria Santíssima Virgem que em Fátima indica o remédio para tão grande mal: a devoção a seu Imaculado Coração. Por quê?
     Se houve por um lado enorme progresso material nos últimos tempos, por outro ninguém pode negar que se verificou também uma decadência moral imensa. Crimes antes difíceis de imaginar ocorrem hoje com frequência.
     Pesquisas de opinião atestam que as pessoas se mostram muito céticas em relação ao futuro, e os jovens tendem a admitir que terão uma vida pior que a de seus pais.
     Os pecados coletivos vão tomando uma proporção assustadora.
     Na Europa, a limitação da natalidade, causada pelo egoísmo e não pela pobreza, chegou a tal ponto que muitas pessoas se perguntam se seus países sobreviverão, ou irão desaparecer submergidos pelas ondas da imigração?
Inauditas misérias e solução materna
     Quando os problemas chegam a um extremo, só a mudança radical resolve. De onde a necessidade da imagem do coração — ou seja, mudar aquilo que amamos com apego e começar outro modo de viver.
     Mas, por que então não conservar a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, praticada desde o século XVIII? Por que mudar para o Coração de Maria?
     Eis aí outro problema de caráter psicológico. Primeiramente, não se trata de mudar nada. A devoção ao Imaculado Coração de Maria soma-se à devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Elas como que formam uma só devoção.
     Acontece que o nível de pecado chegou a tal ponto, que alguns poderiam pensar: É demais um Deus perdoar tanto e, para isso, só mesmo o concurso materno poderá ajudar.
     Obviamente, do ponto de vista doutrinário, esta objeção é falsa. Deus Nosso Senhor é a própria Misericórdia e, por maior que seja a bondade de Nossa Senhora, ela é um canal que traz até nós a misericórdia d’Ele.
     Mas como Deus toma em consideração as nossas misérias, para nos fazer sentir melhor sua infinita misericórdia, Ele aponta como saída uma solução materna.
     E, no fundo, as palavras de Nossa Senhora em Fátima, ¨Por fim o meu Imaculado Coração triunfará¨, podem ser assim interpretadas: “Vocês cometeram todo tipo de crimes, mas meu coração materno os ama a tal ponto, que mesmo assim encontrei uma saída e vou conduzir ao Céu todos os que se abrirem ao meu amor¨.
    Só com esta segurança, de que nossa Mãe vai nos ajudar, é que podemos adquirir forças para iniciar o processo da reforma de nossos corações.
     Resumindo, temos hoje dois adversários espirituais terríveis: por um lado, o apego ao pecado, e a pecados incomensuráveis; por outro lado, a sensação de que fracassamos de tal forma, que sem uma ajuda absolutamente extraordinária não sairemos da triste situação em que nos encontramos.
     Para combater esses dois inimigos de nossa alma nos é oferecida uma arma decisiva: a devoção ao Imaculado Coração de admirável Mãe, que move montanhas e resolve casos impossíveis. E que promete ademais, de maneira a não deixar dúvidas, uma vitória completa.
     Podemos duvidar depois disto da sabedoria que, seguindo as melhores regras de estratégia, governa as ações de Nossa Senhora?

Fonte: Valdis Grinsteins – Revista Catolicismo

Santa Clotilde, Rainha da França - 3 de junho


Estátua de Santa Clotilde no jardim de Luxemburgo, Paris

"Às suas orações a França deve o dom da Fé" (oração litúrgica da festa da Santa)

     O rei da Borgonha morreu e seus quatro filhos dividiram o pequeno reino. Dois  deles, gananciosos e cruéis, uniram-se aos ferozes alamanos para invadir os reinos dos outros dois irmãos. Childerico teve a cabeça decepada, seus filhos foram mortos e a esposa atirada ao Ródano. As duas filhas de Childerico, ainda muito crianças, foram poupadas. Gundebaldo, um dos irmãos invasores, levou-as para sua corte. Apesar de ariano, permitiu que elas continuassem a professar a verdadeira religião.
     Fredegária, a mais velha, tornou-se religiosa num mosteiro, onde terminou seus dias em odor de santidade. Clotilde, a mais nova, por "sua doçura,  piedade e amor pelos pobres, fazia-se bendizer por todos aqueles que viviam a seu redor".
Sua missão: converter um rei e um reino
     A fama de sua virtude e beleza chegou ao reino dos Francos (atual França). Clóvis I, vitorioso rei dos francos, provavelmente influenciado pelo Bispo São Remígio, que gozava da inteira confiança do monarca, pensou em desposar a virtuosa princesa, apesar de ser ela católica. As bodas realizaram-se no ano de 493, em Soissons, com toda a suntuosidade da época.
     Para agradar a esposa, o rei franco mandou instalar um oratório católico no palácio. Nele Clotilde assistia diariamente a Santa Missa com grande devoção.
     Clotilde deu à luz  um herdeiro e obteve de Clóvis licença para batizá-lo. O pequeno inocente faleceu poucos dias depois. Clóvis alegou que se ele tivesse sido consagrado aos seus deuses não teria morrido. A rainha protestou com firmeza e doçura dizendo que em vez de entristecerem-se, eles deveriam alegrar-se por ter o pequenino ido para o Céu.
     No ano seguinte, Clotilde deu à luz outro menino. Apenas batizada, a criança correu perigo de morte. A rainha por suas súplicas e lágrimas, que visavam mais a conversão do marido do que evitar outro falecimento, obteve de Deus que ele se restabelecesse.
     Clóvis começou a admirar as qualidades da esposa, e ouvia-a com gosto, mas a sua conversão haveria de custar muitas lágrimas à esposa. A piedosa rainha entregava-se em segredo a grandes austeridades, prolongadas orações e caridade para com os pobres, a fim de obter a conversão do marido e do reino. Ao mesmo tempo, procurava suavizar o temperamento belicoso do esposo com sua mansidão cristã.
     Clotilde tornou-se amiga de Santa Genoveva, que então resplandecia em Paris por suas virtudes e milagres; a ela e a São Remígio Clotilde recomendou também a conversão do marido. Enquanto isso, Clotilde catequizava suas damas, serviçais e mesmo alguns dos nobres francos que viviam no palácio.
     Na planície de Tolbiac, em 496, a hora da Providência chegou. Clóvis viu-se quase vencido pelos alamanos, mas obteve a reversão da batalha após formular a seguinte promessa: Deus de Clotilde, se me dás a vitória, faço-me cristão". Após a vitória, sua conversão foi pronta e sincera. Não querendo esperar chegar a Soissons para conhecer "a Fé de Clotilde", mandou chamar um virtuoso eremita, São Vedasto, para que, marchando a seu lado, o instruísse na Fé católica.
     No dia de Natal do mesmo ano, Clóvis, com três mil de seus mais valentes guerreiros, suas duas irmãs e seu filho bastardo, Thierry, ingressaram pelo batismo "na Fé de Clotilde". Quando o rei dos francos entrou com o Bispo de Reims no batistério, este lhe disse as famosas palavras: "Curva a cabeça, altivo Sicambro; adora o que queimaste e queima o que adoraste".
     No momento em que São Remígio ia proceder à unção do rei com o óleo do Santo Crisma, uma pomba trazendo no bico uma ampola com azeite baixou da abóbada do templo. O Bispo ungiu com aquele azeite a cabeça de Clóvis. Esse azeite seria usado para a unção de praticamente todos os reis franceses, até a abominável Revolução Francesa, quando a ampola foi quebrada pelos revolucionários.
     Clóvis tornou-se muito devoto de São Martinho e foi muitas vezes a Tours visitar-lhe o túmulo. Iniciou a aliança entre a França e a Igreja enviando embaixadores ao Papa Anastácio, e fazendo colocar sua própria coroa diante do túmulo do Apóstolo São Pedro. Encorajado por Clotilde, o rei mandou destruir os templos dos ídolos em seu Estado e construiu igrejas dedicadas ao verdadeiro Deus. Clóvis conquistou também a inexpugnável Paris.
     A partir de então, um afeto muito mais forte e sobrenatural uniu os dois esposos, concedendo-lhes a Providência mais dois filhos e uma filha, que é também honrada como Santa.
     Clotilde incentivou seu esposo a empreender uma guerra contra Alarico, rei dos visigodos, que tentava disseminar a heresia ariana na região de Guyenne. Enquanto Clotilde, que o acompanhara nessa cruzada, rezava pelo êxito da batalha, Clóvis abatia o rei visigodo e desbaratava seu exército.
     Extenuado pelas fadigas e lides do governo, Clóvis viu-se atacado por mortal doença em Paris. Clotilde foi ao seu encontro. São Severino, Abade, ministrou-lhe os Sacramentos e ajudou-o preparar-se para a morte. O rei faleceu em 27 de novembro de 511 aos 45 anos de idade.
     Clotilde quis então viver só para Deus; dividiu o reino entre seus três filhos e o enteado. O filho natural de Clóvis, Thierry, reinou em Reims sobre a Austrásia, parte oriental da França, com várias províncias da Alemanha atual; Clodomiro reinou em Orleães; Childeberto em Paris e Clotário I em Soissons.
     Mais de 30 anos de sofrimentos ainda estavam reservados à rainha. Clotilde tinha dado sua filha, que recebera seu nome, como esposa a Amalrico, rei dos visigodos da Espanha, visando a conversão desse monarca. Todavia, a reação do soberano ariano foi de promover toda sorte de perseguições à esposa por sua fidelidade à verdadeira religião. Com permissão do rei, seus vassalos chegavam a atirar-lhe lama quando ela ia à igreja.
     Seus irmãos declararam guerra a Amalrico, que foi morto. Trouxeram então consigo a jovem Clotilde. A mãe não voltaria a ver a filha senão no Céu, pois, acabrunhada de dor, a jovem faleceu a caminho da terra natal.
     As contínuas discórdias e dissensões de seus filhos, e as crueldades cometidas por eles levaram-na a sair de Paris, que tinha sido elevada por Clóvis a capital. Mudou-se para junto do túmulo de São Martinho, em Tours, no mosteiro ali existente, onde, diz São Gregório de Tours, "viu-se uma filha de rei, sobrinha de um rei, esposa de um rei, e a mãe de vários reis, passar as noites em oração, servir os pobres e proteger as viúvas e os orfãozinhos". E ali viveu até à morte.
     Desde essa época viveu ela para a oração, as esmolas, as vigílias, jejuns e outras penitências. E operou vários milagres ainda em vida: curas, mudança de água em vinho, fez surgir uma fonte em campo árido...
     Sentindo aproximar-se a morte, mandou chamar seus dois filhos, exortando-os a servir a Deus e a guardar sua lei, a proteger os pobres, a viverem juntos em perfeita harmonia, e a tratar seus povos com bondade. Depois de fazer pública profissão de Fé Católica, recebeu os Sacramentos e entregou docemente sua alma ao Criador, no dia 3 de junho de 545.

Felizes os povos aos quais foi dada uma mãe, pela divina munificência.
Santa Clotilde, vitral

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Mês do Sagrado Coração de Jesus

    
     Em 1675, atendendo ao apelo de Jesus, Santa Margarida Maria Alacoque propagou essa devoção.
     “Eis este coração que tanto tem amado os homens. Não recebo da maior parte senão ingratidões, desprezos, ultrajes, sacrilégios, indiferenças… Eis que te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento (Corpo de Deus) seja dedicada a uma festa especial para honrar o Meu coração, comungando neste dia e dando-lhe a devida reparação por meio de um ato de desagravo, para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares. E prometo-te que o Meu Coração se dilatará para derramar com abundância as influências de Seu divino Amor sobre os que tributem esta divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada”.
     No sábado celebramos o Imaculado Coração de Maria.
*
     A devoção ao Sagrado Coração de Jesus foi sempre muito especial aos franciscanos, a exemplo de São Francisco de Assis, inflamado de seráfico amor por Jesus. Seu coração ardia de amor pelo coração do Mártir Crucificado.
     Escreveram e falaram do Coração de Jesus: São Boaventura, Santo Antônio de Pádua, São Bernardino de Sena e muitos outros santos franciscanos.
     A festa do Sagrado Coração de Jesus é complemento da do Corpo e Sangue de Cristo, reunindo todos os mistérios de Jesus em um só, que materialmente é o coração de carne de Jesus, espiritualmente quer expressar os infinitos tesouros do amor.
     É a festa do amor de Deus para conosco. A Igreja celebra a Festa do Sagrado Coração de Jesus na sexta-feira da semana seguinte à Festa de Corpus Christi.
     O coração é mostrado na Escritura como símbolo do amor de Deus. No Calvário o soldado abriu o lado de Cristo com a lança (Jo. 19,34). Diz a Liturgia que “aberto o seu Coração divino, foi derramado sobre nós torrentes de graças e de misericórdia”. Jesus é a Encarnação viva do Amor de Deus, e seu Coração é o símbolo desse Amor. Por isso, encerrando um conjunto de grandes Festas (Páscoa, Ascensão, Pentecostes, Santíssima Trindade, Corpus Christi), a liturgia nos leva a contemplar o Coração de Jesus.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, de Frei Giuliano Ferrini e Frei José Guillermo Ramirez, OFM, edição Porziuncola 

domingo, 29 de maio de 2016

Visitação da Virgem Maria - 31 de maio

    

     Festa do Magnificat, a Visitação estende e expande a alegria da salvação. Maria Santíssima, a Arca da Nova Aliança, é recebida por Santa Isabel como a Mãe do Senhor. A Visitação é o encontro entre a jovem mãe, Maria, a serva do Senhor, e a idosa Isabel, símbolo de Israel expectante. A solicitude amorosa de Maria, com a sua viagem apressada, expressa juntamente com o ato de caridade o anúncio de que os tempos chegaram. João, que exulta no seio materno, já começou a sua missão de Precursor. O calendário litúrgico leva em conta a narrativa do Evangelho que coloca a Visitação no terceiro mês da Anunciação e do nascimento de São João Batista.
     Após o anúncio do Anjo, Maria sai às pressas, diz São Lucas, para visitar sua prima Isabel e prestar-lhe serviço. A cidadezinha onde residia a futura mãe de São João Batista, situada na pequena aldeia de Ain-Karin, requeria uma viagem de cerca de cem quilômetros através de região montanhosa, e não estava isenta de fadigas e perigos. Provavelmente Maria juntara-se a uma caravana de peregrinos que viajavam a Jerusalém, por meio de Samaria, e atingia Ain- Karim, na Judéia, onde vivia a família de Zacarias.
     A Virgem Santíssima caminhava alegremente, não apenas pelo desejo de auxiliar a parente, mas também porque sabia que levava consigo o Filho de Deus, o Salvador do Mundo. Trazendo Jesus em seu seio, ela ia levar a graça à família do sumo sacerdote Zacarias, realizando assim, desde então, por vontade de Deus, a sua missão de Medianeira de todas as graças.
     A presença do Verbo que se fez carne em Maria é causa de graça para Isabel que, inspirada, pressente os grandes mistérios operados na jovem prima: a sua dignidade da Mãe de Deus, a sua fé na palavra de Deus e a santificação do precursor, que se alegra no seio da mãe. No primeiro instante em que Maria Santíssima saudou a prima, Santa Isabel, cheia do Espírito Santo, respondeu-lhe: “Bendita és tu entre todas as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!”, e, ao sentir o filho exultando em seu seio, continuou: “De onde me vem a honra de receber a visita da Mãe do Meu Senhor?
     É fácil imaginar que sentimentos permeiam a alma de Maria Santíssima na meditação do mistério que lhe fora anunciado pelo Anjo. São sentimentos de gratidão humilde para a grandeza e a bondade de Deus, e Maria não sabendo mais conter a alegria de que estava possuída desde a Anunciação, respondeu-lhe com as belíssimas palavras do “Magnificat”: “Minha alma glorifica o Senhor e meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador”, profetizando em seguida que todas as gerações a chamariam de Bem-aventurada. Era a expressão “do amor jubiloso que canta e louva o Amado" (São Bernardino de Siena).
     A Virgem Maria ficou com Isabel até o nascimento de João Batista, provavelmente à espera de mais oito dias para o rito da imposição do nome.
     Ainda nos dias de hoje conservam-se as ruínas da habitação de Zacarias na aldeia de Ain-Karin, e pode-se beber da água pura e cristalina da sua fonte, onde, segundo a tradição, a Virgem Santíssima saciou várias vezes a sua sede. Naquelas paragens existe também a cova em que São João Batista, ainda criança, foi escondido para escapar aos furores de Herodes, que ordenava a matança dos inocentes.
     Ao aceitar este cálculo do tempo gasto junto a sua prima Isabel, a Festa da Visitação, de origem franciscana (os Frades Menores já a celebravam em 1263), era celebrada em 2 de julho, ou seja, no final da visita de Maria. Teria sido mais lógico colocar sua memória depois do dia 25 de março, de Festa da Anunciação, mas se queria evitar que caísse durante o período da Quaresma.
     A festa foi mais tarde estendida a toda a Igreja latina pelo Papa Urbano VI para propiciar a intercessão de Maria para alcançar a paz e a unidade dos cristãos divididos pelo Grande Cisma do Ocidente. O sínodo de Basileia, na sessão de 10 de julho de 1441, confirmou a Festividade da Visitação, inicialmente não aceita pelos Estados que apoiavam o antipapa.
     Desde 1412, Nossa Senhora da Visitação é festejada especialmente pelos italianos da Sicília como a Padroeira da cidade da Enna.
     Os portugueses sempre a celebraram com muita pompa, porque o rei D. Manuel I, o Venturoso, que governou entre 1495 e 1521, escolheu Nossa Senhora da Visitação como a Padroeira da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa, e de todas as outras do reino.
     Foi assim que este culto chegou ao Brasil Colônia, primeiro na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, depois se disseminou por todo território brasileiro. Esta festa, celebrada na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro durante mais de três séculos, era assistida pelos governadores, pelos vice-reis e, após a vinda da família real para o Brasil, por D. João VI e toda corte. Depois da independência esta tradição religiosa foi conservada e os dois imperadores sempre tomaram parte na famosa procissão de Santa Isabel. Após a procissão os fieis iam levar conforto aos enfermos e suas doações às instituições.
     O calendário litúrgico atual, não levando em conta a cronologia sugerida no episódio evangélico, abandonou a tradicional data de 2 de julho (anteriormente a Visitação também era comemorada em outras datas) para fixar sua memória no último dia de maio, como a coroação do mês que a devoção popular consagra ao culto particular da Virgem.
     “Na Encarnação - comentava São Francisco de Sales - Maria se humilha confessando ser a escrava do Senhor... Mas para Maria não bastou se humilhar diante de Deus, porque ela sabia que a caridade e a humildade não são perfeitas se não passam de Deus para o próximo. Não é possível amar a Deus a quem não vemos, se não amamos os homens que vemos. Isto se cumpre na Visitação”.

Recitação do Magnificat
     São Luis Maria Grignion de Montfort, em seu Tratado da verdadeira devoção a Santíssima Virgem, diz que o Magnificat “é a única oração e a única obra composta por Maria, ou melhor, que Jesus fez por meio dEla, pois Ele fala pela boca de sua Mãe Santíssima. É o melhor sacrifício de louvor que Deus já recebeu na lei da graça. É, de um lado, o mais humilde e o mais reconhecido; e doutro, o mais sublime e mais elevado de todos os cânticos. Há neste cântico mistérios tão grandes e tão ocultos, que os próprios anjos ignoram”. (par. VI, pág. 240) E aconselha que se reze com frequência esta oração.

Magnificat
(Lucas 1, 46-56)

A minha alma glorifica ao Senhor;
e meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da sua escrava;
portanto, de hoje em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada.
Porque realizou em mim maravilhas Aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.
E cuja misericórdia se estende de geração em geração sobre os que o temem.
Manifestou o poder do seu braço;
dissipou aqueles que se orgulhavam nos pensamentos do seu coração.
Depôs do trono os poderosos e elevou os humildes.
Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos.
Tomou cuidado de Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia,
conforme tinha dito a nossos pais, a Abraão e à sua posteridade para sempre.
Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo.
Assim como era no princípio, agora e sempre,
por todos os séculos dos séculos  Amém.

http://www.adf.org.br/home/2012/05/hoje-e-dia-de-nossa-senhora-da-visitacao/

sábado, 28 de maio de 2016

Por que Maio é o mês de Maria?



Autor: Prof. André Luiz Oliveira (*)

     Devoto de Maria que sou, fui tomado por uma curiosidade repentina, que me encabulava, perguntei-me como deveria ter surgido a dedicação do mês de Maio a Nossa Senhora. Com certeza talvez esta pergunta tenha passado por nossas mentes muitas vezes… Como fiel devoto da Virgem Maria, irei ajudá-los a descobrir como Maio se tornou o mês de Maria.
     Maio é o quinto mês do ano civil. No Hemisfério Norte, por volta do dia 21 de Março dá-se o início da Primavera, enquanto no Hemisfério Sul vive-se o Outono.
     Com estudos e pesquisas cheguei à conclusão de que a devoção de dedicar este mês à Virgem tenha surgido por volta do século XIII, na Europa, em um período de grande “marianismo” e conclui que mais ainda por uma questão climática, Maio é o mês das flores e se encontra na plenitude da Primavera, neste tempo as árvores florescem e os jardins se ornam com flores de todos os tamanhos, odores e cores. Para homenagear a Mãe do Filho de Deus, alguém muito sabiamente escolheu este mês por ser ele todo florido, fazendo um comparativo de Maria: “A flor mais bela do jardim de Deus!”. E pessoalmente acredito que esta dedicação se reforçou pela semelhança das palavras: Maio e Maria.
     Depois da dedicação do mês de Maio à Maria, já no século XIX, vemos que durante o mês inteiro, tinha-se por costume prestar culto (coroações e ofícios) às imagens de Nossa Senhora. Crianças vestidas de anjos, que homenageavam Maria, Virgem e Rainha, colocando-lhe véu, palma e rosário, à frente dos fiéis reunidos, enquanto cantavam cânticos e hinos a ela dedicados, no final, era coroada a imagem e crianças jogavam sobre ela pétalas de flores. Historiadores dizem que as coroações das imagens de Nossa Senhora se espalharam depois de 1849, pela ação dos Padres Lazaristas e das Irmãs da Caridade. Não que elas não existissem antes, porém não eram tão divulgadas e nem possuíam ritos próprios para tal cerimônia.
     Dedicar um mês a Maria, com certeza é uma prática bem antiga, chega a ser difícil ter uma precisão de data, é antes de tudo algo que faz parte da tradição do povo, que nas igrejas e capelas do mundo inteiro lhe dedicam ofícios, ladainhas, terços e as belas coroações. Essa é a maneira carinhosa de reconhecermos aquela que trouxe ao mundo o Filho de Deus (cf. Lc 1,26-38), pois não há “Jesus sem Maria e Maria sem Jesus”.
     Recordemos que grande difusor da devoção mariana foi o pensador católico, Plinio Corrêa de Oliveira. Devoto incondicional da Santíssima Virgem compreendeu que a máxima de São Luís Maria de Montfort: “O Reino de Jesus, por Maria”; era de uma veracidade teológica; e assim o sendo, difundiu a devoção a Nossa Senhora em seus escritos e conferências. “Onde a devoção a Ela é plena, Ela é Rainha, logo é o Reino de Maria”.
     Ao recordarmos a Mãe estamos recordando o Filho, pois quem prestigia a Mãe certamente prestigia o Filho. Durante o mês de Maio dedique a Maria orações e preces e participe sempre dessa tradição popular que presta esta bela homenagem à Serva do Senhor. Não nos esqueçamos das palavras do célebre Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório: “Um verdadeiro devoto de Maria Santíssima jamais se perde”.

(*) Prof. André Luiz Oliveira é Filósofo, Pedagogo, Escritor e Membro da Academia Marial de Aparecida

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Solenidade de Corpus Christi

    
Procissão de Corpus Christi encabeçada pelo Papa Gregório XVI,
por F Cavalleri, século XIX

     No final do século  XIII surgiu em Liége, Bélgica, um Movimento Eucarístico cujo centro foi a  Abadia de Cornillon fundada em 1124 pelo Bispo Albero de Liége. Este movimento deu origem a vários costumes eucarísticos, como, por exemplo, a Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos durante a elevação na Missa e a festa do  Corpus Christi.
     Santa Juliana de Mont Cornillon, naquela época priora da Abadia, foi a enviada de Deus para propiciar esta Festa. A santa nasceu em Retines perto de Liége, Bélgica, em 1193. Ficou órfã muito pequena e foi educada pelas freiras Agostinianas em Mont Cornillon. Quando cresceu, fez sua profissão religiosa e mais tarde foi superiora de sua comunidade. Morreu em 5 de abril de 1258, na casa das monjas Cistercienses em Fosses e foi enterrada em Villiers.
     Desde jovem Santa Juliana teve uma grande veneração ao Santíssimo Sacramento. E sempre esperava que se tivesse uma festa especial em sua honra. Este desejo se diz ter intensificado por uma visão que teve da Igreja sob a aparência de lua cheia com uma mancha negra, que significada a ausência dessa solenidade.
     Juliana comunicou estas aparições a D. Roberto de Thorete, o então bispo de Liége, também ao douto dominicano Hugh, mais tarde cardeal legado dos Países Baixos, e a Jacques Pantaleón, nessa época arqui-diácono de Liége, mais tarde o Papa Urbano IV.
     O bispo  Roberto ficou impressionado, e como nesse tempo os bispos tinham o direito de ordenar festas para suas dioceses, convocou um sínodo em 1246 e ordenou que a celebração fosse feita no ano seguinte, ao mesmo tempo o Papa ordenou que um monge de nome João escrevesse o  Ofício para essa ocasião. O decreto está preservado em Binterim (Denkwürdigkeiten, V.I. 276), junto com algumas partes do Ofício.
     D. Roberto não viveu para ver a realização de sua ordem, já que morreu em 16 de outubro de 1246, mas a festa foi celebrada pela primeira vez no ano seguinte a quinta-feira posterior à festa da Santíssima Trindade. Mais tarde um bispo alemão conheceu o costume e o estendeu por toda a atual Alemanha.
     O Papa Urbano IV naquela época tinha a corte em Orvieto, um pouco ao norte de Roma. Muito perto desta localidade está Bolsena, onde em 1263 ou 1264 aconteceu o Milagre de Bolsena: um sacerdote que celebrava a Santa Missa teve dúvidas de que a  Consagração fosse algo real. No momento de partir a Sagrada Forma, viu sair dela sangue do qual foi se empapando em seguida o corporal. A venerada relíquia foi levada em procissão a Orvieto em 19 de junho de 1264. Hoje se conservam os corporais - onde se apoia o cálice e a patena durante a Missa - em Orvieto, e também se pode ver a pedra do altar em Bolsena manchada de sangue.
     O Santo Padre, movido pelo prodígio e a petição de vários bispos, faz com que se estenda a festa do Corpus Christi a toda a Igreja por meio da bula "Transiturus" de 8 de setembro do mesmo ano, fixando-a para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes  e outorgando muitas indulgências a todos que assistirem a Santa Missa e o Ofício.
     Em seguida, segundo alguns biógrafos, o Papa Urbano IV encarregou um Ofício - a liturgia das horas - a São Boaventura e a Santo Tomás de Aquino; quando o Pontífice começou a ler em voz alta o Ofício feito por Santo Tomás, São Boaventura foi rasgando o seu em pedaços.
     A morte do Papa Urbano IV (em 2 de outubro de 1264) um pouco depois da publicação do  decreto prejudicou a difusão da festa. Mas o  Papa Clemente V tomou o assunto em suas mãos e, no concílio geral de  Viena (1311), ordenou mais uma vez a adoção desta festa. Em 1317 é promulgada uma recopilação de leis - por João XXII - e assim a festa é estendida a toda a Igreja.
     Nenhum dos decretos fala da procissão com o  Santíssimo como um aspecto da celebração. Porém estas procissões foram dotadas de indulgências pelos Papas Martinho V e Eugênio IV, e se fizeram bastante comuns a partir do século XIV.
     A festa foi aceita em Cologne em 1306; em Worms a adotaram em 1315; em Strasburg em 1316. Na Inglaterra foi introduzida da Bélgica entre 1320 e 1325. Nos Estados Unidos e nos outros países a solenidade era celebrada no domingo depois do domingo da Santíssima Trindade.
     Na Igreja grega a festa de Corpus Christi é conhecida nos calendários dos sírios, armênios, coptas, melquitas e os rutínios da Galícia, Calábria e Sicília.
     Finalmente, o Concílio de Trento declara que muito piedosa e religiosamente foi introduzido na Igreja de Deus o costume que todos os anos, em determinado dia festivo,  seja celebrado este excelso e venerável sacramento com singular veneração e solenidade; e reverente e honorificamente seja levado em procissão pelas ruas e lugares públicos. Nisto os cristãos expressam sua gratidão e memória por tão inefável e verdadeiramente divino benefício, pelo qual se faz novamente presente a vitória e triunfo sobre a morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.


terça-feira, 24 de maio de 2016

Santa Joana, Mulher de Cuza - 24 de maio

    
     O Martirológio Romano põe, em data moderna, a comemoração de Santa Joana, esposa de Cuza, procurador de Herodes.
     Martirológio Romano: Comemoração de Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, que com outras mulheres ajudava Jesus e os Apóstolos com os próprios bens e no dia da Ressurreição do Senhor encontrou a pedra do sepulcro retirada e disto deu notícia aos discípulos.

     Joana é o nome de uma mulher mencionada nos Evangelhos, a qual foi curada por Jesus e que teria depois apoiado os discípulos e Jesus em suas viagens. Ela é mencionada no Evangelho de São Lucas como uma das seguidoras de Jesus. Ela era esposa de Cuza, responsável pela residência de Herodes Antipas, o tetrarca da Galileia. Seu nome significa "Javé foi gracioso", uma variação de "Ana", que significa "graça" ou "favorecimento".
     Não sabemos muita coisa sobre ela, mas São Lucas nos diz que ela foi curada por Jesus de alguma enfermidade física ou espiritual: "... e os doze iam com Ele, e algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e enfermidades... (Lucas 8: 1-3); e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes" (Lucas 8:1-2). Assim, Joana aparece listada entre as "mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades", juntamente com Maria Madalena e Susana.
     O teólogo Adrian Hastings sugeriu que ela pode ter sido uma das fontes de Lucas para os eventos ocorridos na corte de Herodes. Ela foi testemunha da morte de João, o Batista. Ela viu, diante de si, a cabeça de um homem que morrera por falar a verdade e mostrar o pecado de Herodes que vivia com Herodias, esposa do seu irmão Filipe.
     Depois deste assassinato, ela temeu pela vida de Jesus e de seus seguidores. Mas, mesmo temendo esta perseguição, ela não deixou de segui-Lo, nem de servi-Lo com seus bens. Como esposa de um importante oficial da corte, ela teria os meios necessários para viajar e apoiar Jesus e os discípulos.
     Não sabemos ao certo se ela estava na Crucificação de Jesus, mas sabemos que ela estava sempre ao lado das mulheres que O seguiam. Foi justamente na Ressurreição de Cristo que ela, juntamente com Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, correu para anunciar aos discípulos e apóstolos que o seu Senhor havia ressuscitado.
     Ela é citada em Lucas 24 com “Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago; também as outras que estavam com elas, relataram estas coisas aos apóstolos” (Lucas 24:10), as primeiras a relatarem aos onze apóstolos que o túmulo de Jesus estava vazio e que ali estavam “dois varões com vestes resplandecentes” (Lucas 24:4).
     Embora não seja mencionada pelo nome em Atos 1, é muito provável que Joana tenha sido uma das mulheres que se juntaram aos discípulos e Maria, Mãe de Jesus, no cenáculo para rezar. Ela estava entre os 120 que elegeram Matias para preencher a vaga deixada por Judas Iscariotes e também estava presente no Pentecostes.
     Richard J. Bauckham e Ben Witherington III concluíram que Joana, a discípula, é a mesma pessoa que Júnia, mencionada em Romanos 16 (Romanos 16:7). A maioria dos antigos manuscritos gregos lista o nome "Júnia" como feminino, uma opinião que representa o consenso atual sobre o tema.
     Santa Joana foi protagonista de fatos que a deixaram imensamente agradecida a Deus: 1º) ela foi curada por Jesus (Lucas 8:1-3) e viu nesta cura a mão do próprio Deus agindo em sua vida; 2º) ela foi bem aceita por Jesus e pelas pessoas que O seguiam; 3º) ela recebeu o maior e mais desejado presente: fazer parte do grupo de mulheres que foram as primeiras a verem Jesus ressuscitado; 4º) ela pôde ajudar Jesus – não media esforços para isto com seu trabalho e seus bens. Ela amava tanto ajudar Jesus, que depois da Sua morte planejou cuidar dEle preparando especiarias e unguentos juntamente com as outras mulheres.