terça-feira, 12 de julho de 2016

Santa Teresa de Jesus (dos Andes), Monja carmelita 13 de julho

    
     A jovem chilena, Joana Fernandes Solar, nasceu em Santiago, capital do Chile, em 13 de julho de 1900. Era a quarta filha de uma piedosa e aristocrática família chilena. Desde os três anos era incansável em fazer perguntas sobre assuntos religiosos: Deus, o Céu, a Virgem Maria, etc. Desde sua adolescência viveu fascinada pela figura de Jesus. Mais tarde tornou-se religiosa carmelita, iluminando assim com suas extraordinárias virtudes e fenômenos místicos o firmamento da Igreja há sete décadas, tornando-se mais tarde "Santa Teresa dos Andes".
Educação
     Um relato do Pe. Fernando Castel, que participou de missões na fazenda da família da Santa, resume bem a sua infância: “Por volta do ano l904 ou 1905, conheci a menina Joana Fernandes Solar quando tinha mais ou menos quatro anos. Logo me chamou a atenção a precocidade do seu espírito, admirando eu como raciocinava sobre as coisas divinas e como manifestava, já nessa idade tão tenra, amor e culto para com elas. Confesso que então compreendi como pôde a Santíssima Virgem, aos quatro anos somente, consagrar-se a Deus no Templo”, disse o sacerdote.
     Joana Fernandes Solar foi educada no Colégio do Sagrado Coração, preparou-se sucessivamente para a Confissão, Crisma e Primeira omunhão. A recepção da Sagrada Eucaristia marcou a fundo a vida de Juanita: “Não é possível descrever o que se passou em minha alma ao receber Jesus. Pedi-lhe mil vezes que me levasse, e ouvi sua voz querida pela primeira vez. Desde que fiz minha Primeira Comunhão Nosso Senhor me falava depois de eu comungar”, afirmava a religiosa carmelita. A partir de então, foi patente uma acentuada ânsia em buscar as coisas divinas e em praticar a caridade para com o próximo.
A Devoção a Nossa Senhora
     Todos os dias comungava e falava com Jesus longamente. Mas minha devoção especial era à Virgem; contava-lhe tudo”, dizia Juanita. Como fruto dessa devoção, de que já dava mostras desde a primeira infância, aos sete anos aprende a rezar o Rosário e promete rezá-lo todos os dias. Promessa que cumpriu fielmente até a morte. No colégio se empenhou em difundir a devoção a Nossa Senhora, e se tornou religiosa na ordem especialmente dedicada à Santíssima Virgem. Sua alegria e sua união à Mãe de Deus chegam ao auge poucos meses antes da morte, ao descobrir entre os livros do convento o "Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem", de São Luís Maria Grignion de Montfort, o grande doutor marial. Ler o "Tratado" e consagrar-se Àquela que tanto amava foi uma só coisa. Leva outra noviça a consagrar-se igualmente.
Sua vida no colégio
     Aos 15 anos passa a estudar como interna no mesmo colégio. O que parecia a Juanita uma coisa inaceitável - ser interna - torna-se ocasião de progressos espirituais acentuados, e, como diz ela, preparava-a para a grande separação da família quando entrasse para o Carmelo. A piedade e o zelo apostólico de Juanita chamam a atenção das alunas e mestras. Reza ou medita longamente na capela. Com despretensão e habilidade, procura ajudar as colegas, quer nas vias da virtude, quer nos estudos.
     Nos finais de semana, exerce essa ação especialmente junto às internas pobres, acolhidas gratuitamente no colégio. Chega a formar um grupo de aproximadamente 15 moças das melhores famílias de Santiago, oito das quais vieram a ser religiosas. Uma das religiosas do colégio, encarregada de velar pelo aprimoramento espiritual das alunas, logo percebe que Juanita não era uma alma qualquer, e a auxilia. Por essa época leu a vida de Santa Teresinha — falecida não fazia muito — e compreende que devia ser carmelita.
     Numa visão, Nosso Senhor lhe disse que a queria carmelita. Pouco depois de entrar no internato faz voto de virgindade: “Hoje, oito de dezembro de 1915, com a idade de quinze anos, faço voto diante da Santíssima Trindade, em presença da Virgem Maria e de todos os santos do Céu, de não admitir outro Esposo senão meu Senhor Jesus Cristo, a quem amo de todo coração e a quem quero servir até o último momento de minha vida”, jurou Juanita.
As missões de Juanita nas férias
     As férias ocupam um lugar à parte e não menos elevado: sua família possui uma das maiores fazendas do Chile, e durante as férias promove missões para as centenas de empregados. Há preparação para Primeira Comunhão, Crisma, realização de Batismos, casamentos etc. Juanita participa ativamente, dando aulas de catecismo, cuidando da ornamentação da capela ou tocando o harmônio nas cerimônias. O número de sacerdotes nessas missões às vezes chega a quatro, tal era o número de pessoas para atender.
     O bem-estar material dos colonos não é esquecido: a mãe de Juanita, muitas vezes acompanhada por ela, percorre as casas e anota providências a tomar. Com frequência cuida pessoalmente dos doentes. Passadas as missões, Juanita aproveita parte do dia para passear longamente a cavalo ou jogar tênis. Uma coisa porém todos notavam: quer estivesse rezando na capela, quer dando aula de catecismo ou visitando os doentes, quer nas diversões, ela sempre tem a alma entretida com “algo”.
     Na leitura de seu diário vê-se claramente que, além das visões místicas frequentes, Juanita se entretém continuamente com Nosso Senhor. E, às vezes, de modo extraordinário. A esse propósito, escreve o Pe. Felix Henlé, que participara de uma missão na fazenda da família de Juanita: “Um dia entrei silenciosamente no oratório, sem suspeitar que ela estava lá. Mas, que vejo? A senhorita Joana elevada no ar, mais ou menos trinta centímetros, sem que seus joelhos nem seus braços se apoiassem no genuflexório, as mãos postas, adorando o Santíssimo”.
Juanita no Carmelo
     Em l918, deixou o colégio e passou a cuidar da casa, continuando a exercer seu apostolado com as colegas, e agora também com as primas e amigas. Já firmemente resolvida a seguir a voz de Jesus, trocou correspondência com a Madre Superiora do Carmelo de Los Andes. Esta aconselhou-a a ler a vida de Santa Teresa d’Ávila, pois não há fonte mais pura da vocação, por ser ela a reformadora do Carmelo feminino.
     Conta seu irmão Lúcio, que havia ficado com dúvidas religiosas devido a más influências: “Na véspera de entrar no Carmelo, a família foi despedir-se dela na Igreja da Gratidão Nacional. Conversamos longamente e disse-lhe: `Levas tudo, e eu nem sequer tenho a Deus’. Ela me abraçou e se apoiou em meu ombro, dizendo-me: `Não sentes Deus quando estás comigo?’”, relatou o irmão de Juanita. Em maio de 1919, quando ingressa no Carmelo de Los Andes, é visível a sua alegria em meio aos prantos da família que fora despedir-se dela: “Não imagina a felicidade de que desfruto. Encontrei, por fim, o céu na terra. Se é verdade que me separei dos meus com o coração desfeito, hoje gozo de uma paz inalterável”, disse a carmelita Juanita.
     Sua vida no Carmelo deixa uma lembrança que chama as demais religiosas à perfeição. A Priora sustenta junto a outras religiosas experientes e fervorosas que Irmã Teresa de Jesus — esse o seu nome em religião — “já era uma santa”. Conta-se que o confessor de Juanita no Carmelo assevera que no convento ela jamais cometeu imperfeição deliberada.
Morte
     Na Sexta-feira Santa de 1920, após o Ofício que relembra a morte do Divino Salvador, a Superiora percebeu que Irmã Teresa estava pálida e com dificuldade de seguir as cerimônias. Quando lhe apalpou a fronte, viu que estava ardendo em febre, e mandou-a recolher-se ao leito. Dele não se levantaria mais. Nesse período, faz a profissão religiosa e recebe os últimos sacramentos. Ao entardecer de 12 de abril de 1920, contando vinte anos incompletos e apenas 11 meses no Carmelo, fechou os olhos para esta vida, indo encontrar Aquele que pouco antes ela chamara “Meu Esposo”.
     Longe dali, em Santiago, nesta mesma hora, a Irmã Mercedes do Coração de Maria teve uma visão: “Subitamente (…) me encontrei na cela de uma carmelita moribunda; vi que era bem jovem e, apesar da palidez de seu rosto, tudo nela refletia uma luz suavíssima e celestial. Ao lado esquerdo da sua cama havia um anjo com um dardo que lhe trespassava o coração, e logo ouvi: morre de amor”.
     Foi canonizada no dia 21 de março de 1993. Nos processos de beatificação e canonização, três dos principais confessores de Teresa de Jesus dos Andes sustentaram sob juramento que ela jamais cometera pecado mortal nem venial deliberado.
     Seus restos mortais são venerados no Santuário de Auco-Rinconada de Los Andes por milhares de peregrinos. Santa Teresa de Jesus dos Andes é a primeira santa chilena, a primeira santa carmelita descalça fora das fronteiras da Europa e a quarta Santa Teresa do Carmelo depois de Teresa d’Ávila, de Firense e de Lisieux.

Fonte: www.wikipedia.com
Sta. Teresa de Jesus dos Andes, 12 de abril de 1920


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Santa Verônica e a Sagrada Face - 12 de julho

    
     Poucas legendas cristãs são tão conhecidas e estimadas como a de Santa Verônica. Nela se diz que Verônica limpou compassivamente o rosto de Jesus, quando o Senhor caiu sob o peso da cruz em sua caminhada para o Calvário. A sua popularidade não tem nada de estranho, pois toca uma fibra muito íntima do coração dos católicos. Por outro lado, uma versão da legenda, que diz que Verônica era esposa de um oficial romano, constitui um exemplo comovedor de desprezo ao respeito humano.
     Segundo uma das versões mais populares no Ocidente, Verônica transladou-se para Roma após a morte de Cristo e curou o imperador Tibério com a preciosa relíquia; por ocasião de sua morte, a santa legou o véu ao Papa São Clemente. Uma versão francesa da legenda identificou Verônica como a esposa de Zaqueu (Luc. 19:2-10). Quando este abraçou a vida eremítica com o nome de Amadour ou Rocamadour, Verônica foi evangelizar o sul da França.
     Outras versões a identificam com Marta, com a filha da cananeia (Mat. 15:22-28), com uma princesa de Edessa e com a esposa de um oficial galo-romano. A versão mais antiga é a de um suplemento latino das Actas de Pilato ou Evangelho de Nicodemos. O documento data do século IV ou V, porem o suplemento é posterior. O nome latino do suplemento é Cura Sanitatis Tiberii ("a Cura de Tibério").  Nele se identifica Verônica com a mulher que padecia de fluxo de sangue (Mat. 9:20-22). A mesma identidade se lhe atribui em outros documentos.
     Também há muita especulação sobre o nome de Verônica. Por exemplo, a imagem do véu de Verônica era conhecida como a do Homem da “vera icon” (imagem verdadeira) e isto resultou no nome da santa.
     Nenhum dos mais antigos martirológios menciona Santa Verônica, tão pouco o atual Martirológio Romano a comemora. São Carlos Borromeo suprimiu sua festa e seu ofício na diocese de Milão.
     No início do século XV, quando começa a ser introduzida a forma atual da devoção da Via Sacra, se falava em Jerusalém da casa de Santa Verônica; porém, a estação da Via Sacra que se refere à santa só foi se introduzindo pouco a pouco. Por exemplo, tal estação não existia em 1799.
     É muito provável que uma mulher compassiva tenha enxugado realmente o rosto do Senhor a caminho do Calvário, e os cristãos fazem bem em meditar sobre isto e em honrar a memória desta mulher.
     A Encyclopaedia Britannica diz o seguinte sobre Verônica: “Eusébio conta como em Cesareia de Filipe vivia uma mulher a quem Cristo havia curado de um problema de hemorragia (Mt 9:20-22). A história não demorou em lhe dar um nome. No Ocidente foi identificada com Marta de Betânia. No Oriente ela foi chamada de Berenike, ou Beronike, o nome aparecendo em obras tão antigas quanto os ‘Atos de Pilatos’, cuja primeira versão é do século IV d.C. É interessante notar que a derivação do nome Verônica das palavras Vera e Icon (eikon) também é antiga e aparece em ‘Otia Imperialia’ (iii, 25) de Gervásio de Tilbury (fl. 1211), que diz: ‘Est ergo Veronica pictura Domini vera’”.
     Na Basílica de São Pedro de Roma se conserva o véu original, porém é impossível garantir sua autenticidade. Na época de Dante e de Petrarca era muito grande a devoção a este véu. Segundo consta, dita relíquia, em que já quase não se distingue a Santa Face, está em São Pedro desde o tempo do Papa João VII (705-707).
     Há em santuários e museus da Europa diversos véus que reclamam a honra de terem recebido a impressão do rosto de Nosso Senhor durante a Via do Calvário. Destas, vamos nos limitar àquelas que, além de possuírem aprovações eclesiásticas, foram objeto de severos exames científicos que sugerem poderosamente a sua autenticidade. 
- Uma imagem conservada na Basílica de São Pedro, no Vaticano, mas esta imagem praticamente desapareceu do tecido. 
- Uma imagem conservada  no Mosteiro dos Santos Cosme e Damião de Tagliacozzo (Itália), provavelmente cópia do véu guardado em São Pedro.
- Uma imagem conservada na Capela Matilde, em Vaticano.
- Uma imagem conservada no Palácio Imperial de Hofburg, em Viena, Áustria, que guardaria também o Santo Graal. 
- Uma imagem conservada no Mosteiro da Santa Face em Alicante, Espanha.
- Uma imagem conservada na igreja de São Bartolomeu dos Armênios, em Gênova.
- Mas, certamente, os que impressionam são o Véu de Manopello e o Sudário de Oviedo.
     Durante muitos anos o Vaticano fez cópias do Véu da Verônica, as quais foram enviadas a igrejas ou a príncipes católicos. É por isso que em igrejas e museus de diversas cidades europeias se encontram algumas reproduções tidas como autênticas do “Véu da Verônica”.
     Mas, em 1616, o Papa Paulo V (1552-1621) proibiu a confecção de novas cópias. E o Papa Urbano VIII (1623-1644) renovou a proibição acrescida de excomunhão, além de ordenar a destruição de todas as cópias então existentes.
     Em 1844, a Beata Madre Maria Pierina de Michelli relatou ter visto Santa Verônica limpando com seu véu os escarros e a poeira da face de Jesus no caminho do Calvário. Ela afirmou que os atos sacrílegos e blasfemos de hoje adicionam escarros e poeira no rosto de Jesus, que lhe teria pedido a devoção a sua Face Sagrada como reparação comparável ao ato de Verônica. Ela recebeu mensagens de Nossa Senhora e do próprio Jesus para propagar a devoção a Sagrada Face e ao uso de sua Medalha. Em 15 de março de 1957, o Papa Pio XII aprovou a propagação da medalha e a festa, na Itália.
     Uma grande devota e propagadora dessa devoção é Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face.
     Em agosto de 1895, compôs seu "Cântico à Santa Face" e também compôs a "Oração da Santa Face para pecadores": “Pai Eterno, uma vez Tu me destes como minha herança a adorável Face de Teu Filho Divino, eu ofereço esta Face a Ti e Te imploro, em troca desta moeda de valor infinito, que perdoes a ingratidão das almas dedicadas a Ti e que perdoes todos os pobres pecadores".
     São Pio X mandou dizer às Carmelitas de Lisieux, pelo Cardeal Gennari: “que esta imagem seja distribuída profusamente por todas as partes e que seja venerada em todas as famílias cristãs. Recomenda Sua Santidade a propagação de seu culto particularmente aos Excelentíssimos Senhores Bispos como a todos os Eclesiásticos e abençoa especialmente todos aqueles que se tornam seus propagadores”. Recomendou a propagação de seu culto particularmente aos Bispos e Superiores Religiosos (4/6/1906).

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Beata Joana Scopelli, virgem Carmelita - 9 de julho

    
     “Muito tarde chegou este ano a primavera a nossa Religião, que se usou das demais, pois por junho deu ao céu uma fragrantíssima flor, digna de ser colocada em seus maiores altares, fazendo os abris e maios da eternidade (quando em si não o são) muito floridos. Esta foi a graciosa e bem-aventurada Santa Joana de Reggio, fundadora naquela cidade das monjas carmelitas, cuja heroica santidade foi uma olorosa flor para o olfato de Deus, como suas fragrâncias a são em toda a Igreja, e em especial na nossa Religião”.
     Com estas palavras barrocas começa “Flores del Carmelo” a resenha sobre a santa ou beata de hoje. A melhor referência sobre Joana é a biografia escrita pelo Pe. Bento Mutti, que nos chegou na íntegra.
     Segundo esta, Joana nasceu em 1428 em Reggio, na modesta família de Simão e Catarina Scopelli, sendo a menor de três filhas. Desde menina mostrou piedade, caridade e ânsias de entrega a Deus. Era modesta, obediente, amante da religião e do culto. Chegou à adolescência e quis ser carmelita, por seu amor a Virgem Maria - a quem tanto ama a Ordem do Carmelo. Mas seus pais se opuseram, pois eram pobres, não podiam lhe dar o dote, além de ser a terceira e estarem sem se casar suas irmãs. Dar-lhe o dote para ir ao mosteiro implicaria que as outras ficariam sem dote por mais tempo para enfim se casarem.
     Mas ocorreu um milagre: apareceram dois nobres cavaleiros que, sem conhecer as irmãs, as pediram em matrimônio. Os pais se opuseram a princípio, pela estranheza do fato e pela evidente desigualdade social, mas finalmente, vendo que era providência de Deus, aceitaram os matrimônios. Vencido este entrave, se encontrou Joana com o impedimento da saúde e senilidade de seus pais, e lhe pareceu injusto se dar ao gosto de entrar na religião e os deixar sozinhos. Por isso, determinou que sacrificaria seu desejo de ser esposa de Cristo para ser uma boa filha de seus pais. Mas nem chegou a se decidir: seus pais adoeceram e morreram com pouca diferença de tempo.
     Livre das ataduras, deixou todos os seus bens, e retirando-se somente com um crucifixo, foi em companhia de uma amiga a uma humilde casinha, onde levavam vida de beatas. Perguntando sua companheira se teria com que iniciar um mosteiro, Joana lhe apontou o crucifixo, seu único bem e propriedade. Em pouco tempo, uma devota senhora quis doar uma casa, que tinha junto à igreja de São Pedro, para uma obra piedosa, e não havendo melhor obra, decidiu, junto com suas filhas, tomar o hábito do Carmo e fundar um mosteiro. Puseram-se sob a direção de Joana, junto com outras que já tinham vindo para junto dela, atraídas por sua piedade. Em 1452, todas tomaram o hábito carmelita, e se fundou um mosteiro do qual Joana se tornou priora.
     Joana era dada à oração, ao jejum e às penitências. Tinha êxito para o governo, sendo inflexível com as faltas, mas amorosa com quem as cometia. Manteve a pobreza própria do Carmelo. Não faltaram milagres e conversões, como a do jovem Agostinho, herege albigense. Joana lhe falou tão profundamente, e orou tão intensamente por ele, que alcançou de Deus a graça de transformar o coração do jovem. Com sua oração curou a várias pessoas e multiplicou os alimentos do mosteiro.
     Sofreu grandes tentações de desespero por parte do demônio, que aumentava seus pecados e lhe mostrava o inferno, dizendo-lhe que estava certamente condenada. Redobrava suas orações e Deus a iluminava uma vez ou outra, até que finalmente um dia Cristo lhe apareceu triunfante e lhe confirmou que se salvaria, que não devia temer mais o demônio, enquanto lhe punha uma coroa de flores formosíssima. Em forma de carneiro selvagem se mostrou o demônio no meio ao claustro, mas Joana, sabendo quem era na realidade, passou por outro lado, desprezando-o, com que desapareceu o demônio.
     Uma de suas devoções preferidas e eficazes se chamava “a Túnica da Virgem”, que consistia em rezar 15 mil Ave-Marias, intercalando com uma Salve a cada cento. Dizia que tudo alcançava de Deus com esta devoção, que terminava cantando sete vezes a “Ave Maris Stella”.
     Em 1456 transladou o mosteiro, que havia se tornado pequeno, à igreja de São Bernardo, que pertencia aos Humiliatti (que seriam suprimidos em 1571, por sua corrupção) e a tinham quase abandonada.
     Em 1457 finalmente pôde fundar oficialmente o mosteiro, dependente da Congregação Mantuana, ao que pôs o nome de Nossa Senhora del Populo. Foi devotíssima da Virgem Maria, e nas vésperas das festas marianas tinha êxtases nos quais contemplava os mistérios a celebrar.
     A Virgem premiou com um milagre sua dedicação a Ela: estando as religiosas no coro, entrou uma pomba com uma faixa dourada com o texto do Salve, oração que a Ordem Carmelita venera com especial cuidado, fazendo-a, junto com o “Flos Carmeli”, sua oração mariana predileta. Num dia de Natal, a Virgem Maria deixou o Menino Jesus em seus braços, para que lhe manifestasse todo o seu amor. Em um Domingo de Páscoa lhe apareceu o Redentor triunfante, em meio de anjos que cantavam Aleluia, e tomando Cristo flores celestiais que lhe ofereciam os anjos, a coroava como esposa predileta. Tinha os dons de profecias e de ler consciências. Foi devota de socorrer as almas do Purgatório, das quais teve várias revelações.
     Em 1491, o Senhor a avisou de que logo a levaria para gozar a vida eterna, revelando-lhe data e hora precisas, e assim o comunicou a suas irmãs religiosas. Joana se preparou para a morte redobrando a oração, as penitências, a observância religiosa e a caridade. No dia assinalado, caiu enferma, reuniu as religiosas e as exortou a serem fiéis à Regra. Chegada a hora, expirou docemente em 9 de junho de 1491, aos 63 anos. Ainda depois de morta, continuou seu ofício de priora, pois apareceu a algumas religiosas para aconselhá-las e guiá-las.
     Em 1493, as religiosas, vendo a devoção crescente do povo a Joana, quiseram recuperar suas relíquias, e ao abrir o ataúde, a encontraram incorrupta, flexível e emanando um suave odor que inundou o convento e mais além, alguns pontos da cidade. A priora, Jerônima Lanci, cortou o braço direito para sua devoção privada, mas Joana lhe apareceu pedindo que o restituísse a seu lugar. Estando o corpo exposto, começaram a fluir as pessoas e os prodígios, pelo que os superiores carmelitas e o bispo consideraram deixá-la à vista, permitindo o culto. Decidiu-se colocá-lo numa urna visível junto ao altar maior, para o qual se organizou uma procissão com o corpo por toda a cidade.
     Dão-lhe o título de santa ou beata, ainda que não tenha sido proclamada oficialmente nem uma coisa nem outra pela Igreja. Seu culto se considera imemorial e está permitido desde sua confirmação em 1771, ano em que se apresentou a positio de Roma.
     Atualmente o corpo incorrupto se encontra na catedral de Reggio, desde que os conventos da Congregação Mantuana foram suprimidos. Em 2009 se fez um reconhecimento dos restos, que se achavam em bom estado de conservação. Sua festa originalmente era em 9 de junho, logo trasladada, como memória livre, para 9 de julho.

Fonte: http://irmascarmelitas.com.br/index.php?pag=detalhe&codconteudo=981&codmenu=285

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Santa Maria Goretti, Virgem e mártir da pureza

    
Nesta foto única da Santa, ela aparece ao lado de seus familiares:
a mãe e os irmãos menores (é a jovem à direita)
     Maria era a terceira de sete filhos de uma família pobre de bens terrenos, mas rica em fé e virtudes, cultivadas por meio da oração em comum, do terço rezado todos os dias, e aos domingos, Missa e Sagrada Comunhão. No dia seguinte a seu nascimento, foi batizada e consagrada à Virgem. Aos seis anos recebeu o Sacramento da Confirmação.
     Depois do nascimento de seu quarto filho, Luigi Goretti, pai de Maria, pela dura crise econômica que enfrentava, decidiu emigrar com sua família às grandes planícies dos campos romanos, ainda insalubres naquela época.
     Instalou-se em Ferriere di Conca, colocando-se a serviço do Conde Mazzoleni; neste lugar Maria mostra claramente uma inteligência e uma maturidade precoce, onde não existia nenhum pingo de capricho, nem de desobediência, nem de mentira. É realmente o anjo da família.
     Após um ano de trabalho esgotante, Luigi contraiu uma doença fulminante, a malária, que o levou à morte depois de padecer por dez dias. Como consequência da morte de Luigi, Assunta, a mãe de Maria, teve que trabalhar deixando a casa a cargo dos irmãos mais velhos. Maria frequentemente chorava a morte de seu pai, e aproveita qualquer ocasião para ajoelhar-se diante de sua tumba, para elevar a Deus suas preces para que seu pai goze da glória divina.
     Além da tarefa de cuidar de seus irmãos menores, Maria segue rezando e assistindo a seu curso de catecismo. Posteriormente, sua mãe contará que o terço lhe era necessário e, de fato, o levava sempre enrolado em volta do pulso. Assim como a contemplação do crucifixo, que foi para Maria uma fonte onde se nutria de um intenso amor de Deus e de um profundo horror pelo pecado.
     Maria desde muito pequena ansiava receber a Sagrada Eucaristia. Segundo era costume na época, deveria esperar até os onze anos, mas um dia perguntou a sua mãe:
     – Mamãe, quando tomarei a Comunhão? Quero Jesus.
     – Como vai tomá-la, se não sabes o catecismo? Além disso, não sabes ler, não temos dinheiro para comprar o vestido, os sapatos e o véu, e não temos nem um momento livre.
     – Pois assim nunca tomarei a Comunhão, mamãe! E eu não posso estar sem Jesus!
     – E o que queres que eu faça? Não posso deixar que comungues como uma pequena ignorante.
     Diante destas condições, Maria começou a se preparar com ajuda de uma pessoa do lugar, e todo o povo a ajuda dando-lhe a roupa da comunhão. Desta maneira, recebeu a Eucaristia em 29 de maio de 1902.
     A comunhão constante acrescenta nela o amor pela pureza e a anima a tomar a resolução de conservar essa angélica virtude a todo custo. Um dia, após ter escutado um intercâmbio de frases desonestas entre um rapaz e uma de suas companheiras, diz com indignação à sua mãe:
     – Mamãe, que mal havia nessa menina!
     – Procura não tomar parte nunca nestas conversações.
     – Não quero nem pensar, mamãe; antes que fazê-lo, preferiria... E a palavra morrer fica entre seus lábios. Um mês depois, ocorre o que ela sentenciou.
     Ao entrar a serviço do Conde Mazzoleni, Luigi Goretti havia se associado com Giovanni Serenelli e seu filho Alessandro. As duas famílias vivem em quartos separados, mas a cozinha era comum. Luigi se arrependeu em seguida daquela união com Giovanni Serenelli, pessoa muito diferente dos seus, bebedor e carente de discrição em suas palavras.
     Depois da morte de Luigi, Assunta e seus filhos haviam caído sob o jugo despótico dos Serenelli, Maria, que compreendeu a situação, esforça-se para apoiar sua mãe. Desde a morte de seu marido, Assunta sempre esteve no campo e nem sequer tem tempo de ocupar-se da casa, nem da instrução religiosa dos menores.
     Maria se encarrega de tudo na medida do possível. Durante as refeições, não se senta à mesa até que todos estejam servidos, e para ela serve as sobras. Sua obsequiosidade se estende igualmente aos Serenelli. Por sua vez, Giovanni, cuja esposa havia falecido no hospital psiquiátrico de Ancona, não se preocupa em nada com seu filho Alessandro, jovem robusto de dezenove anos, grosseiro e vicioso, que gostava de cobrir seu quarto com imagens obscenas e ler livros indecentes.
     Em seu leito de morte, Luigi Goretti havia pressentido o perigo que a companhia dos Serenelli representava para seus filhos, e havia repetido sem cessar à sua esposa: – Assunta, volte para Corinaldo! Infelizmente Assunta está endividada e comprometida por um contrato de arrendamento.
     Depois de ter maior contato com a família Goretti, Alessandro começou a fazer proposições desonestas à inocente Maria, que em um princípio não compreende.
     Mais tarde, ao adivinhar as intenções perversas do rapaz, a jovem está de sobreaviso e rejeita a adulação e as ameaças. Suplica à sua mãe que não deixe sozinha na casa, mas não se atreve a explicar-lhe claramente as causas de seu pânico, pois Alessandro a havia ameaçado: – Se contar algo a tua mãe, te mato. Seu único recurso é a oração.
     Na véspera de sua morte, Maria pede novamente chorando à sua mãe que não a deixe sozinha, mas, ao não receber mais explicações, esta o considera um capricho e não dá nenhuma importância àquela reiterada súplica.
     No dia 5 de julho, a uns quarenta metros da casa, estão debulhando as favas na terra. Alessandro leva um carro puxado por bois. O faz girar uma e outra vez sobre as favas estendidas no chão. Às três da tarde, no momento em que Maria se encontra sozinha em casa, Alessandro entra e a ameaça de morte se ela não fizesse o que ele mandava. A intenção do rapaz era estuprá-la, porém, ela não se submeteu, ajoelhou-se, protestando que seria um pecado mortal e avisando Alessandro que poderia ir para o Inferno.
     Ela lutou para evitar o estupro, gritava: "Não! É um pecado! Deus não gosta disto!" Alessandro primeiro tentou controlá-la, mas como ela insistia que preferia morrer, ele a apunhalou 11 vezes. Pensando que estava morta, o assassino atira a faca e abre a porta para fugir, mas ao escutá-la gemer de novo, volta sobre seus passos, pega a arma e a atravessa outra vez de parte a parte; depois, sobe e se tranca em seu quarto.
     Ao chegar ao hospital, os médicos se surpreenderam que a menina ainda não havia sucumbido a seus ferimentos, pois alcançou o pericárdio, o coração, o pulmão esquerdo, o diafragma e o intestino. Ao diagnosticar que não tem cura, chamaram o capelão. Maria se confessa com toda clareza. Em seguida, durante duas horas, os médicos cuidaram dela sem adormecê-la.
     Maria não se lamenta, e não deixa de rezar e de oferecer seus sofrimentos à santíssima Virgem, Mãe das Dores. Sua mãe conseguiu que lhe permitam permanecer à cabeceira da cama. Maria ainda tem forças para consolá-la: – Mamãe, querida mamãe, agora estou bem... Como estão meus irmãos e irmãs?
     O sacerdote também está a seu lado, assistindo-a paternalmente. No momento de lhe dar a Sagrada Comunhão, perguntou-lhe: – Maria, perdoa de todo coração teu assassino? Ela respondeu: – Sim, perdoo pelo amor de Jesus, e quero que ele também venha comigo ao paraíso. Quero que esteja a meu lado... Que Deus o perdoe, porque eu já o perdoei.
     Passando por momentos análogos pelos quais passou o Senhor Jesus na Cruz, Maria recebeu a Eucaristia e a Extrema unção, serena, tranquila, humilde no heroísmo de sua vitória.
     Depois de breves momentos, escutam-na dizer: "Papai". Finalmente, Maria entra na glória da Comunhão com Deus amor. É o dia 6 de julho de 1902, às três horas da tarde.
*
     No Natal de 1937, Alessandro dirigiu-se a Corinaldo, lugar onde Assunta Goretti havia se retirado com seus filhos. E vai simplesmente para fazer reparação e pedir perdão à mãe de sua vítima. Diante dela, pergunta-lhe chorando. – Assunta, podes me perdoar? – Se Maria te perdoou -balbucia-, como eu não vou te perdoar? No mesmo dia de Natal, os habitantes de Corinaldo ficam surpresos e emocionados ao ver aproximar-se à mesa da Eucaristia, um ao lado do outro, Alessandro e Assunta.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Santa Maria Goretti, a Santa Inês do século XX - 6 de julho

    
Única foto de Santa Maria Goretti, encontrada em 2011
no álbum de recordações dos Condes Mazzoleni, que acolheram os Goretti
em sua propriedade, nas proximidades de Roma
     Seu nome de batismo era Maria Teresa Goretti, nasceu em 16 de outubro de 1890, em Corinaldo, Província de Ancona, Itália, filha de Luigi Goretti e Assunta Carlini. Era a terceira de seis filhos. Suas irmãs chamavam-se Teresa e Ersilia; seus irmãos eram Ângelo, Sandrino e Mariano.

     Quando tinha seis anos, sua família tornou-se tão pobre que foram forçados a deixar sua fazenda e trabalhar para outros fazendeiros. Em 1899, mudaram-se para Le Ferriere, próximo a atual Latina e Nettuno, em Lazio, onde viviam em um prédio conhecido como "La Cascina Antica", compartilhada com a família Serenelli, cujo filho Alessandro Serenelli viria a ser seu algoz, três anos depois.
     O pai de Maria contraiu malária e morreu quando esta tinha apenas nove anos, em 6 de maio de 1900. Enquanto seus irmãos, mãe e irmãs mais velhas trabalhavam nos campos, Maria cozinhava, limpava a casa e cuidava de sua irmã menor. Era uma vida difícil, mas a família estava sempre próxima, compartilhando um profundo amor por Deus e sua fé.
     Em 5 de julho de 1902, Alessandro, então com 20 anos, encontrou a menina de 11 anos costurando, sozinha em casa. Ele entrou e a ameaçou de morte se ela não fizesse o que ele mandava. A intenção do rapaz era estuprá-la, porém, ela não se submeteu, ajoelhou-se, protestando que seria um pecado mortal e avisando Alessandro que poderia ir para o Inferno. Ela desesperadamente lutou para evitar o estupro, gritava "Não! É um pecado! Deus não gosta disto!". Alessandro primeiro tentou controlá-la, mas como ela insistia que preferia morrer, ele a apunhalou 11 vezes. Ferida, Maria tentou alcançar a porta, mas ele a agarrou e deu mais três punhaladas, antes de fugir.
     A irmã menor de Maria acordou com o barulho e começou a chorar. Quando o pai de Alessandro e a sua mãe chegaram, encontraram Maria sangrando. Levaram-na para o hospital em Netuno. Ela foi operada, sem anestesia, mas os ferimentos estavam além da capacidade dos médicos. Durante a cirurgia, Maria recobrou os sentidos e insistiu que preferia ficar acordada. O farmacêutico do hospital respondeu: "Maria, quando estiveres no céu, pense em mim". Ela olhou para o homem e disse: "Mas quem sabe qual de nós chegará primeiro ao céu?" Ele respondeu "Você, Maria". "Então ficarei feliz em pensar em você".
     No dia seguinte, ela perdoou seu agressor e afirmou que gostaria de encontrá-lo no Céu. Morreu vinte horas após o ataque enquanto olhava uma bela pintura da Virgem Maria. Inspirada em suas mestras Santa Cecília e Santa Inês, aceitou o martírio piedosamente.
     Escrito pelo jornalista Noel Cruz em 2002, o livro "Maria Goretti-Saint under siege" ("Maria Goretti-Santa sob assédio"), baseado em entrevistas de Alessandro Serenelli e de Ersilia, uma irmã de Maria, feitas em 1952, adiciona novos detalhes: em 5 de julho de 1902, às 15:00 horas, Serenelli que insistentemente pedia favores sexuais à menina, aproximou-se. Ela estava cuidando de sua irmã menor, na casa da família. Ele a ameaçou com uma adaga de quase 30 centímetros. Quando Maria recusou, como sempre fazia, ele a feriu com 14 facadas. Os ferimentos atingiram a garganta, coração, pulmões e diafragma. Os cirurgiões no hospital ficaram surpresos que ela ainda estivesse viva.
     Na presença do chefe de polícia, Maria disse a sua mãe que Alessandro já havia tentado estuprá-la duas vezes. Como ele a ameaçava de morte, ela não contou para ninguém.
     Alessandro Serenelli foi capturado logo após a morte de Maria. Inicialmente, seria condenado à prisão perpétua, mas como era menor, a sentença foi comutada para 30 anos na prisão. Ele manteve-se isolado do mundo por três anos, sem demonstrar arrependimento. Até o bispo local, Monsenhor Giovanni Blandini visitá-lo na cadeia. Serenelli escreveu uma nota de agradecimento ao bispo, pedindo que o incluísse em suas orações e contando sobre um sonho que tivera, onde a santa lhe alcançava flores, que se queimavam imediatamente em suas mãos.
     Após sair da prisão, visitou a mãe de Maria, Assunta, e implorou seu perdão. Ela respondeu que se a filha lhe havia perdoado em seu leito de morte, ela não poderia fazer diferente. No seguinte, ambos foram juntos a Santa Missa, recebendo a Eucaristia lado a lado. Ele foi aceito na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, vivendo em um mosteiro e trabalhando como recepcionista e jardineiro até morrer tranquilamente em 1970. Referia-se a Maria como "sua pequena santa" e esteve presente na sua canonização.
     Em 27 de abril de 1947, o Papa Pio XII celebrou a cerimonia de beatificação na Basílica de São Pedro. Ao final da celebração, o Papa caminhou até Assunta, a mãe de Maria. "Quando eu vi o Papa vindo na minha direção, eu rezei, Nossa Senhora, por favor me ajude. Ele colocou sua mão na minha cabeça e disse, abençoada mãe, feliz mãe, mãe de uma abençoada por Deus”. Ambos tinham lágrimas nos olhos.
     Três anos após, em 24 de Junho de 1950, o Papa Pio XII canonizou Goretti como santa, a "Santa Inês do século XX". Assunta estava presente na cerimônia, junto com os quatro irmãos e irmãs ainda vivos. Segundo algumas fontes, ela foi a primeira mãe a estar presente na canonização de seu filho. Mas, talvez, seja a segunda, pois a mãe de São Luís Gonzaga talvez tenha estado presente na sua canonização.
     A celebração foi realizada na Praça São Pedro, em frente à Basílica. Uma multidão de 500.000 pessoas assistiu à celebração, na sua maioria jovens vindos de vários países. O Papa perguntou a eles: "Jovens, prazer ao olhos de Jesus, vocês estão determinados a resistir a todos os ataques à castidade com a ajuda da graça de Deus?" A resposta foi um grande "sim".
     Os três irmãos contaram que Santa Maria Goretti interveio miraculosamente nas suas vidas. Ângelo ouviu sua voz orientando-o a emigrar para a América. Sandrino recebeu uma quantia de dinheiro para pagar sua viagem aos EUA, de maneira inesperada. Faleceu em 1917, ao lado do irmão Ângelo. Este, por sua vez, faleceu em 1964, quando retornou para a Itália. O terceiro irmão, Mariano, enquanto lutava na 1ª. Guerra Mundial, recebeu ordens de abandonar a trincheira e atacar. Neste momento, teve uma visão de Santa Maria Goretti dizendo-lhe para desobedecer e permanecer na trincheira. De todo batalhão, ele foi o único a salvar-se.
     O corpo da Santa é mantido em uma cripta na Basílica de Santa Maria delle Grazie e Santa Maria Goretti, em Nettuno, ao sul de Roma.

Folha de S. Paulo, 15 de junho de 1970.

     “O assassino de Santa Maria Goretti, Alessandro Serenelli, morreu aos 87 anos, 68 anos depois de ter assassinado em Nettuno, na Itália, com 14 punhaladas, a menina de 12 anos, que em 1950 foi canonizada pelo Papa Pio XII”.
     “Alessandro Serenelli, que era vizinho da menina, tentou inutilmente conquistá-la. Um dia assediou-a e assassinou-a com 14 punhaladas. Quando a menina estava num hospital, um padre que a confessou perguntou-lhe se perdoava o assassino. Maria Goretti respondeu: ‘Sim, claro que perdoo Alessandro; quero-o comigo no Céu’”.
     “Em 1902 Serenelli foi condenado a 30 anos de prisão, com os três primeiros anos passados em prisão solitária. A mãe da vítima, entretanto, interveio junto ao tribunal, dizendo que sua filha já perdoara o assassino”.
     “Seis anos depois, numa prisão da Sicília, Serenelli teve uma visão e descreveu assim: - ‘Marieta, como a chamava, apareceu-me num lindo jardim. As grades desapareceram para dar lugar a um jardim. E ela ofereceu-me 14 lírios, cada um correspondendo a uma das punhaladas que lhe dei’”.
     “A partir de então Maria Goretti passou a ser venerada em toda a Itália e pouco a pouco na Europa e na América. Os fiéis intercediam junto a ela principalmente para que conseguisse de Deus o perdão para os pecados carnais. Em 1950 Pio XII canonizou-a”.
     “Em 1929, Serenelli se havia convertido num prisioneiro exemplar depois da visão, tendo sido antes um detento rebelde e problemático. E foi libertado depois de ter cumprido 27 anos de pena”.
     “Quando Maria Goretti foi canonizada, falava-se por toda parte da Itália de milagres concedidos pela santa. Pio XII ateve-se à evidência desses milagres, principalmente o da cura de um surdo que recorrera à intercessão da santa. Agora, ao morrer, Serenelli, já calvo e corcunda, reiterou a visão que tivera. Disse ele que Maria Goretti lhe apareceu outra vez, prometendo-lhe o Céu em troca do crime praticado contra ela - primeiro os lírios e depois o próprio céu.  Serenelli morreu tranquilamente, recebendo os sacramentos da Igreja e o conforto dos que o cercaram nos seus últimos dias”.

     Vídeo da canonização de Santa Maria Goretti pelo Papa Pio XII (29 de junho de 1950) http://youtu.be/_55qVRuWhGY
     Uma religiosa avança entre a multidão: é a irmã de Maria Goretti; o Papa, da sedia gestatória, abençoa os circunstantes; o Presidente da República Italiana assiste a cerimônia; dois irmãos da santa se acham presentes na tribuna da postulação; de uma janela do Vaticano, a mãe da jovem mártir da pureza contempla a canonização.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Beata Nazária Ignácia March y Mesa, Fundadora - 6 de julho

Nasceu em Madri, a 10 de janeiro de 1889. Seus pais, João Alexandre March e Nazária Mesa. Nazária, foi a quarta filha de uma grande prole; sendo gêmea, esteve em perigo de vida e, por isso, foi batizada imediatamente. Para completar as prescrições rituais levaram-na à igreja no dia 11 de abril.
Aos sete anos internaram-na no Colégio do Espírito Santo, onde viveu até aos treze. Ao preparar-se para a primeira comunhão, sentiu que Jesus a chamava a segui-Lo e consagrou-se totalmente a Ele com voto de virgindade no dia 15 de agosto de 1900, diante da imagem de Nossa Senhora que se venerava no colégio.
Em 1906, por motivos econômicos, a família emigrou para a cidade do México. Na viagem, Nazária conheceu as Irmãs dos Anciãos Desamparados, que viajavam no mesmo barco. Entusiasmou-se a ser como elas e entrou na Congregação a 7 de dezembro de 1908. Voltou, por isso, para a Espanha, para fazer o noviciado. Consagrada a Deus pelos votos religiosos, seguiu com outras Irmãs para a Bolívia, a fim de fundar um asilo para idosos na cidade de Oruro. Ali fez os votos perpétuos, no dia 1 de janeiro de 1915.
Por mais de doze anos fez parte dessa comunidade, dedicada inteiramente aos pobres. Percorreu outras cidades, povoações e minas a pedir esmolas para os velhinhos. Nessas caminhadas descobriu que a messe era grande e os operários poucos. Que fazer?
Nos exercícios espirituais feitos em 1920, segundo o método de Santo Inácio de Loyola, sentiu-se fortemente movida a reunir outras pessoas para dilatar o Reino de Cristo, “sob a bandeira da cruz”.
Lutou contra a ideia de abandonar a própria Congregação para fundar outra, mas em 1925 os Bispos de Oruro e de La Paz, assim como o Internúncio Apostólico, concordaram que essa era a vontade de Deus. Foi assim que no dia 16 de junho daquele ano, por decreto do Bispo de Oruro, a Irmã Nazária Inácia deixou a Congregação das Religiosas dos Anciãos Desamparados, para desempenhar a função de Superiora da Comunidade das Nazarenas, que depois tomarão o nome de Missionárias Cruzadas da Igreja.
Decorridos seis meses, eram já dez as religiosas que se dedicavam a trabalhos de apostolado por meio da catequese e da cooperação nas obras paroquiais. Com o correr do tempo, o novo Instituto vai abrir tanto o leque das suas ambições - colégios, orfanatos, oficinas, escolas noturnas, obras de beneficência, asilos, visitas aos presos e doentes nos hospitais, difusão da boa imprensa, casas de exercícios - que a Santa Sé achou prudente restringir um pouco a finalidade da Congregação, quando lhe concedeu o decreto de louvor, a 8 de abril de 1935.
As religiosas passaram pelo crisol do sofrimento. Em 1932 moveram contra elas tão cruéis perseguições que até a vida lhes puseram em perigo. Na Espanha, onde a obra se havia implantado, se não fosse a intervenção do Cônsul do Uruguai, teriam sido fuziladas. Apesar de todas estas adversidades, Madre Nazária Inácia, antes da sua morte, já tinha suas filhas trabalhando na Bolívia, Argentina, Uruguai e Espanha. Em 1977, o Instituto, dividido em cinco províncias, contava 77 casas em 13 nações da Europa, América Latina e África.
A Serva de Deus faleceu santamente em Buenos Aires (Argentina), a 6 de julho de 1943; seus restos foram trasladados para a Casa Mãe de Oruro (Bolívia), segundo seu desejo, em 18 de junho de 1972. Madre Nazária teve as suas virtudes heroicas reconhecidas pela Igreja em setembro de 1988, e foi beatificada em Roma a 27 de setembro de 1992. Sua festa foi indicada como 6 de julho de cada ano.

Fontes: www.vaticano.va/

A Beata com pequenos órfãos

domingo, 3 de julho de 2016

Santa Mustiola, mártir, e o Anel da Ssma. Virgem - 3 de julho


  
  
     Segundo a primeira versão da legenda de Santa Mustiola contida em uma passio, que remonta à primeira metade do século VIII, ela teria vindo de Ilíria com seu primo, o imperador Marcos Aurélio Cláudio, o Gótico, um nativo da Dalmácia elevado ao trono no ano 268, que reinou apenas dois anos. À sua morte, o Senado romano declarou imperador Quintilio, irmão de Cláudio, mas o exército, aclamando imperador Aureliano, fez reinar o novo imperador, que morreu dezessete dias depois de sua eleição.
     Nos vários documentos Mustiola por vezes aparece como uma matrona rica e benemérita; ou, com mais frequência, ela é mencionada como uma jovem doce, mas intrépida na fé. Assim ela é imaginada pelos seus devotos e é representada por pintores.
     Chegou um momento em que, sendo uma testemunha embaraçosa e também, talvez, já cristã, ela ficou numa situação difícil em Roma. Aqui começa sua jornada para Chiusi. Alguns dizem que ela deixou Roma perseguida, outros que inspirada por Deus, outros ainda porque não se sentia bem na corte, queria se retirar na cidade onde aparentemente tinha propriedades e, passando por Sutri, se encontrou com Irineu, diácono que se dedicava ao sepultamento dos mártires e à custódia de seus túmulos. De acordo com outras versões, o acompanhante de Mustiola seria Felix. O que é certo é que em Sutri há um culto à Santa Mustiola, onde é chamada ‘dulcíssima’.
     Quanto tempo durou a viagem é impossível determinar. Em Cesareto, perto de Panicale, a tradição indica uma pedra sobre a qual a Santa teria deixado a marca de seu pé indicando sua passagem pelo local.
     Na cidade de Chiusi a Santa teria vivido ajudando os pobres e, sobretudo, visitando os prisioneiros dando-lhes apoio espiritual e material. De acordo com uma versão tardia da legenda, ela teria levado para Chiusi um anel de noivado da Virgem Maria, oferecendo-o ao culto da cidade.
A travessia do Lago
     O milagre mais conhecido da Santa é o da travessia do lago sobre o seu manto. O particular deste milagre é a trilha que ela deixou na passagem pela água e é dito que ele reaparece na véspera de sua festa, isto é, na noite do dia 2 de julho. Perseguida por soldados romanos, Mustiola se viu diante das águas do Lago de Chiusi, que barravam o seu caminho. A Santa então estendeu seu manto sobre as ondas, se colocou em cima e facilmente atravessou as águas, escapando da fúria dos perseguidores.
O martírio
     Em Chiusi, onde ela fixou morada, ocorreu o martírio que as passio narram segundo um ritual que é igual aos mártires na estrutura e diferente em detalhes, como no caso da tortura. O instrumento do martírio de Mustiola é o flagelo. Neste suplício a vítima é amarrada a uma estaca e é golpeada até a morte com correias tendo nas pontas bolas de chumbo (é o mesmo instrumento usado na Paixão de Nosso Senhor, quando Ele foi flagelado, amarrado à uma coluna, que ainda hoje é venerada).
     Na iconografia, Mustiola traz às vezes este instrumento de tortura junto de si, como é usado nas representações de vários mártires incorporarem o objeto de seu martírio. Com este flagelo ela é representada numa pintura do século XVIII. Em uma pintura sobre tela de 1774, da igreja de Santa Mustiola de Arezzo, o carrasco atinge a Santa com este instrumento de tortura aos pés de um Crucifixo.
O culto
     A igreja dedicada a Santa Mustiola ficava em Montepulciano. Em 1794 a paróquia de Santa Mustiola foi transferida para a Igreja de Santo Agostinho e o antigo edifício desapareceu. Que Montepulciano teve um culto vivo a Santa Mustiola também atesta um tríptico feito por Taddeo di Bartolo localizado no altar-mor da Catedral, onde a santa é representada com o anel.
     Outro lugar de culto à Santa está localizado em Arezzo. O culto à Santa se espalhou ao longo das rotas das antigas vias romanas. Pesaro teve uma especial devoção à Santa, a cuja intercessão a cidade deve a sua salvação numa vitória militar. Em 1327 celebrações foram decretadas em honra da Santa.
     Em Siena existia a associação de sapateiros, próximo do antigo Mosteiro dos Camaldulenses, que a partir de 1692 estão localizados na Academia dos Fisiocráticos dos Museus, tendo Santa Mustiola como patrona. Em outros lugares existem, de acordo com diferentes tradições, anéis preservados como Anel da Virgem.
As Catacumbas
     Na colina onde está localizada a Catacumba de Santa Mustiola, que hoje pode ser visitada, foi construída uma basílica entre os séculos IV e V, mais tarde restaurada por Gregório, duque lombardo de Chiusi. Caindo em desuso, no final de 1700 foi demolida completamente e as pedras foram usadas como material de construção para outros edifícios.
     A Santa foi provavelmente enterrada ali no ano 274 e os túneis serviram como cemitério de cristãos, talvez para protegê-los das invasões bárbaras.
     Além da Catacumba de Santa Mustiola há em Chiusi a Catacumba de Santa Catarina da Alexandria. As catacumbas foram devastadas e delas se perdeu a memória até que ao cavar um poço, em 1634, foram encontradas. Negligenciadas por um longo tempo, foram restauradas e preservadas, oferecendo-se ao interesse e religiosidade dos visitantes.
     A cripta é talvez a parte mais antiga: um túmulo primitivo de origem etrusca foi utilizado para os primeiros enterros e dali expandiu-se em um complexo de vastas galerias.
O anel da Virgem
     Como mencionado, Mustiola trouxe de Roma um anel precioso que ela ofereceu para o culto dos cristãos na cidade de Chiusi. Tratava-se do anel que São José havia oferecido a Maria Ssma. por ocasião de seu noivado.
     Sobre este anel a discussão foi muito acesa: alguns diziam que o anel teria chegado a Chiusi no tempo de Oto III, em 989, e venerado na Basílica de Santa Mustiola (cerca de 2 k de Chiusi) até 1350, quando foi transferido para a Catedral de São Secondiano.
     Como a custódia da relíquia era alvo de contínuos litígios entre os Cônegos de Santa Mustiola e os da Catedral, em 1420, ela foi transferida pelo Bispo Pietro Paolo Bertini da Catedral para a Igreja de São Francisco dos Frades Menores Conventuais. Entretanto, não permaneceu muito tempo ali: em 1473 o Frade Vinterio de Moguncia retirou-o da urna onde estava mantido e levou-o para Perugia, criando um longo conflito e uma disputa entre esta cidade e a cidade de Chiusi, que nunca mais o recuperou. Ainda hoje o Anel Santo está na Catedral de São Lourenço, em Perugia.
     Não parece que o anel fizesse parte do casamento judaico do tempo e, portanto, estamos falando de um símbolo, não de um achado arqueológico. Trata-se de um anel de ônix, a parte superior tem uma forma de modo a receber uma gema de preço mais elevado, ou perdeu algum tipo de ornamento. O anel não era algo a ser usado todos os dias, dado o tamanho, a fragilidade, o peso.
     A história desta subtração é outra história obscura e fascinante, muito importante para a disputa dos Cônegos de Chiusi, porque há uma estreita ligação entre Mustiola e o anel.
     O fato é que Mustiola e o anel formam um nó simbólico, tão obscuro quanto evocativo, que responde a uma razão profunda da religiosidade, não muito diferente da forma como estão unidos Longino e a lança que perfurou o lado de Cristo, Santo André e o Santo Cinto da Virgem, Verônica e seu véu, e outros, em torno dos quais se adensa uma forma de venerar, de rezar, de tocar o inefável. O anel remete ao casamento místico de Mustiola com Cristo, como o de Santa Catarina de Alexandria, e é um sinal de ligação entre o tempo e a eternidade, o material e o transcendente, capaz de devolver a visão espiritual para aqueles que a perderam, como os olhos de Santa Lúcia.
     O culto do Santo Anel é praticado em muitos outros lugares, que não estão sempre conectados a Santa Mustiola, enquanto venerada em Chiusi, onde muitas vezes se faz menção ao Anel.

Fonte:http://www.toscanaoggi.it/Cultura-Societa/Mustiola-la-santa-che-cammino-sulle-acque#sthash.IUNrw1aD.dpuf