terça-feira, 9 de agosto de 2016

Agnès de La Barre de Nanteuil - 13 de agosto


Agnes de Nanteuil, nascida em 17de setembro de 1922 em Neuilly-sur-Seine e falecida em 13 de agosto de 1944 em Paray-le-Monial é uma católica da Resistência Francesa. Christophe Carichon (*) nos retrata uma bela personalidade onde a influência, a paz e a abnegação, resultantes de sua Fé, impressionaram aqueles que a conheceram e em especial as mulheres que participaram de seus últimos momentos em um dos últimos vagões a caminho dos campos de extermínio.
   
     A geração espontânea não existe! Agnès é herdeira de dois grandes nomes franceses dos quais recebeu como legado a tradição de servir a Deus, a Igreja, a França e ao próximo. Do lado do pai, uma antiga família, os La Barre de Nanteuil, ancorada no Vexin normando há muitos séculos. Leais ao trono e ao altar, derramaram seu sangue em todos os campos de batalha da monarquia de dois impérios, da Restauração e da Terceira República: Wagram, Smolensk, Espanha, Crimeia, Paris, Tonkin, China. Um tio-avô de Agnès morreu aos 20 anos nas fileiras das tropas do general Lamoricière em Castelfidardo (1860) em defesa dos interesses papais contra os piemonteses. Do lado materno, uma grande família parisiense: os Cochin. Entre eles estão muitos vereadores e deputados, o mais famoso deles, Denys Cochin, acadêmico, membro do Parlamento e Ministro durante a 1ª Guerra Mundial. Seu filho, primo de Agnès, é o grande historiador da Revolução Francesa Augustin Cochin, que morreu pela França em 1916.
     Agnes nasceu em 1922 em uma família cristã muito amorosa. Seus pais, Gabriel e Sabina de Nanteuil, tiveram seis filhos, sendo Agnès a mais velha. Os primeiros anos de sua infância ela os passou na "bela Paris" e nas propriedades da família na Normandia e no Norte. Quando pequena, ela estava longe de ser uma santa! Seu primo Raul de Vitton escreveu: "Agnès é uma pequena bola de nervos. Ela cresceu rápido, andou muito cedo. Ela é de uma atividade extrema, viva, muito engenhosa, alegre, independente e desobediente. Ela também sabe a que se apegar, mas é assim: é pegar ou largar. À sua mãe, que disse a ela quando ela tinha três anos de idade, ‘você é má a tal ponto, que eu não vou ser capaz de mantê-la: vou dar você de presente a outra senhora’, Agnès respondeu com uma ousadia cândida, sem se desmontar: ‘mas a outra senhora também não vai me querer...’"
     Viva, sorridente, bonita, a pequena Agnès, loira de olhos azuis profundos, já não deixa ninguém indiferente. Ela poderia muito bem ter se tornado insuportável, mas foi após um retiro espiritual, na idade de 14 anos e meio, que ela mudou seu coração, se converteu no primeiro sentido do termo. Ela escolheu um lema que orientaria toda a sua vida: "Tudo para os outros, nada para mim". A partir desse momento, apesar das dificuldades, quedas, desânimos, Agnès se apega a sua promessa de ser melhor para se tornar uma "mulher de caráter". Ela escreveu em seu diário: "Estou resolvida, com a ajuda do Bom Deus, a me assemelhar a uma criança radiante das graças de Deus, alegre, amável, sorridente, honesta, trabalhadora. Eis o que eu desejaria ser, o que eu quero e o que eu espero".
     Ela se doa aos outros: escoteira, catequista. E ela precisa de coragem: em 1937, após reveses de fortuna, os Nanteuil vendem o castelo de seu casamento e se exilam na Bretanha, em Vannes, que não era um “resort chique" de hoje, era profundamente rural. As avenidas parisienses foram substituídas pelas estradas poeirentas; as mansões pelas casas de campo. Agnès escreveu em seu diário: "Um trimestre passou! Como o tempo voa! Eu sou como uma frágil árvore transplantada que ainda não conhece a dureza do clima e a violência dos ventos (29 de dezembro de 1937)", e ainda "Eu me sinto triste com frequência: ter deixado tudo, amizades, cursos, distrações... mas me restam os dois entes mais queridos: o Bom Deus e meus pais, meus irmãos e irmãs (5 de fevereiro de 1938)".
     Após o desastre de 1940, os Nanteuil escolheram rapidamente o campo da resistência aos ocupantes. Sabina de Nanteuil (viúva desde 1942) entra na rede Liberação-Norte. Apesar dos enormes riscos, a Viscondessa de Nanteuil hospeda em sua casa os jovens refratários ao serviço compulsório (STO) e os prisioneiros fugitivos. Em 1943, ela monta uma estrutura para abrigar aviadores britânicos abatidos e ajudá-los a fazer o seu caminho para a liberdade. Com a ajuda dela e de Agnès, cerca de trinta aviadores aliados chegaram com segurança à Espanha. Agnès também ajudou a obter documentos falsos para os franceses que se esquivavam do STO (Força de Trabalho Obrigatório).



(continua no próximo post)

sábado, 6 de agosto de 2016

Festa da Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo - 6 de agosto

    
     A Festa da Transfiguração do Senhor remonta ao século V. Ela nos convida a olhar para a Sagrada Face do Filho de Deus, como o fizeram os Apóstolos Pedro, Tiago e João, que viram a Sua transfiguração no alto do Monte Tabor.
     O fato é narrado pelos evangelistas São Mateus, São Marcos e São Lucas. A seguir a narração segundo São Mateus:
     "Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte. E transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia fazer assim tão brancas. Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com Jesus. Pedro tomou a palavra: ‘Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias’. Com efeito, não sabia o que falava, porque estavam sobremaneira atemorizados. Formou-se então uma nuvem que os encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: ‘Este é o meu Filho muito amado; ouvi-O’. E olhando eles logo em derredor, já não viram ninguém, senão só a Jesus com eles. Ao descerem do monte, proibiu-lhes Jesus que contassem a quem quer que fosse o que tinham visto, até que o Filho do homem houvesse ressurgido dos mortos. E guardaram esta recomendação consigo, perguntando entre si o que significaria: Ser ressuscitado dentre os mortos". (Mt 9,2-10)
     Desta forma Nosso Senhor Jesus Cristo queria fortalecer a Fé dos três privilegiados Apóstolos, que iriam presenciar os dias terríveis de Sua Paixão. Contemplando antecipadamente num instante seu esplendor e sua glória, eles podiam avaliar o que os aguardava na eternidade: contemplar a Face adorável de Deus... São Pedro recorda com emoção aquilo que presenciou, afirmando: "Fomos testemunhas oculares da Sua majestade" (2 Pd 1, 16).
     Em 1457 esta celebração se estendeu a toda Cristandade por determinação do Papa Calisto III, para celebrar a vitória das tropas cristãs, ocorrida no ano anterior, sobre os turcos muçulmanos que ameaçavam a liberdade na Europa cristã.
Basílica da Transfiguração, Monte Tabor
     Nos dias atuais, mais do que nunca esta festa nos é necessária, pois assim como Ele ao se transfigurar para os Apóstolos procurava fortalece-los, nós precisamos de Sua proteção para permanecermos firmes na Fé num mundo cada vez mais afastado de Deus e de sua Santa Igreja.
Monte Tabor


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Nossa Senhora das Neves e a Basílica de Santa Maria Maior - 5 de agosto

    
     Sob o pontificado do Papa Libério (352-366), o patrício romano João e sua esposa de igual nobreza, não tendo filhos aos quais pudessem deixar seus bens, prometeram dar sua herança à Santíssima Virgem Mãe de Deus, suplicando-lhe por fervorosas e ardentes preces que indicasse a obra pia preferida por Ela, na qual deveriam empregar esse dinheiro. A Bem-aventurada Virgem Maria, ouvindo com bondade estas orações e pedidos vindos do coração, a eles respondeu através de um milagre.
     No dia 5 de agosto, época para Roma de maior calor, a neve cobriu durante a noite uma parte da Colina Esquilina. Nessa mesma noite, a Mãe de Deus, em sonho, deu aviso a João e a sua esposa, separadamente, para que mandassem construir no local que vissem coberto de neve uma igreja, a qual seria consagrada sob o nome da Virgem Maria: assim, queria Ela ser nomeada herdeira deles. João, comunicando o fato ao Papa Libério, soube que também este havia tido a mesma visão.
     Solenemente acompanhado pelos sacerdotes e pelo povo, veio o Soberano Pontífice, então, à colina coberta de neve, e aí determinou o lugar da igreja, que foi edificada às expensas de João e de sua esposa. Sixto III a restaurou mais tarde. Foi chamada, de início, por diversos nomes, basílica de Libério, Santa Maria do Presépio. Mas, tendo sido construídas na cidade numerosas igrejas sob a invocação da Santíssima Virgem Maria, para que a basílica – que excedia em dignidade às outras do mesmo nome, devido ao brilho de sua miraculosa origem – fosse também honrada pela excelência de seu título, designaram-na pelo de Santa Maria Maior. Celebra-se a solenidade no aniversário de sua consagração, como lembrança do milagre da neve caída neste dia.
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Dom Prosper Guéranger, L 'Année liturgique, les temps après Pentecôte, tome IV, Maison Alfred Mame et fils, 1922, excertos das pp. 368 e 369.
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Origens da Basílica de Santa Maria Maior
     A primitiva igreja do século IV, da qual não restam vestígios, foi erigida pelo Papa Libério perto do Mercado de Lívia - construído pelo Imperador Augusto -, segundo uma fonte autorizada como o Liber Pontificalis.
     Investigações arqueológicas efetuadas no subsolo da atual basílica, de meados da década de 70, comprovaram a existência de um edifício que deve ter sido o mencionado mercado dedicado por Augusto a sua esposa Lívia.
     Esse edifício foi soterrado e sobre ele o Papa Sixto III construiu, de 432 a 440, a Basílica de Santa Maria Maior. O grandioso templo, basicamente o mesmo que hoje admiramos, é dedicado ao culto de Maria, Mãe de Deus, devido à proclamação, pouco anterior à construção da basílica, do dogma da maternidade divina da Virgem Santíssima, no Concílio de Éfeso (43 I).
     Até o século IX, o grande templo mariano era comumente chamado Basílica de Libério. Depois, passou a ser denominado Basílica da Beata Virgem das Neves, em virtude do milagre ocorrido no século IV, tendo sido estabelecida uma festa em comemoração daquele evento prodigioso.
     O relato do episódio, referente ao patrício João, sua esposa e o Papa Libério, conservado pela Tradição, foi transmitido por escrito por Frei Bartolomeu de Trento e representado em mosaico por Fi­lippo Rusuti sobre a parede do pórtico da fachada medieval da basílica, parcialmente conservada.
     A veneranda igreja também foi chamada Basílica de Santa Maria do Presépio, bem como Belém de Roma. Narra a História que no dia seguinte ao da solene definição do dogma da maternidade divina de Maria, no Concílio de Éfeso (43 I), Sixto III promoveu um ato solene na presença do povo para evidenciar a homenagem àquele dogma. Nessa ocasião, o Pontífice mandou construir uma capelinha que, segundo parece, reproduzia a Gruta de Belém e continha relíquias da manjedoura onde nascera o Redentor da humanidade. Quando foi construída posteriormente a Basílica, a pequena capela constituía uma edificação à parte, a qual, no decorrer do tempo, não se conservou.
     Hoje, as relíquias da Gruta de Belém são veneradas na cripta da Basílica.

Fontes de referência:
1.P. Gabriel M. Roschini OSM, Mariologia, tomo lI, Pars III, De singulari cultu BMV, 2ª ed., Angelus Belardetti Editor, Roma, 1948.
2. Il Vaticano e Roma cristiana, Libreria Editrice Vaticana, Cidade del Vaticano, 1975.


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Santa Centola, mártir - 2 de agosto

    
     Segundo o Ano Cristão, Centola nasceu em Toledo, de pais nobres e pagãos. Desde pequena, por seu próprio raciocínio e observação da realidade, sobretudo pela graça divina, compreendeu a falsidade da idolatria. Assim, abraçou em segredo a fé cristã com tudo o que isto significa: oração, caridade, sacrifícios, anúncio de Nosso Senhor Jesus Cristo. Seu pai tentou fazê-la abandonar a nova fé e voltar à fé de seus pais. Promessas, presentes, ameaças, nada pode “separá-la de Jesus Cristo, cujo amor se havia apoderado de seu coração inteiramente”.
     Sentindo muito, fugiu de sua casa chegando a Soris ou Siaria (atualmente Sierro), terra que pertencia ao antigo bispado de Burgos, embora não à cidade. Ali se hospedou na casa de uma senhora cristã chamada Helena. As crônicas ou as tradições não nos relatam como elas se conheceram, nem porque ali, porém é provável que sendo a hospitalidade entre os seguidores da mesma fé uma virtude amada pelos cristãos, Helena a acolheu ao saber que fugia por motivos religiosos. Assim foi que Centola e Helena se dedicaram às obras de caridade e de piedade.
     Entretanto, o imperador Maximino, “persuadido de que a subsistência de seu império dependia da destruição da religião do Crucificado” (segundo o Ano Cristão), enviou seu ministro Eglisio às terras cantábricas para obrigar aos cristãos a cumprir a lei de sacrificar aos deuses renegando sua fé. Inteirado de que Centola, além de não ocultar sua fé, a pregava e convertia à Igreja muitos habitantes da região, mandou-a chamar ao tribunal.
     Outra vez foi submetida a promessas, ameaças, desta vez por parte de quem a executaria, que não puderam dobrá-la, o que levou Eglisio mandar colocá-la no ‘potro’, que estiraria seu corpo. Embora ouvindo claramente que seus ossos se desconjuntavam, mandou ferir seu corpo com garfos de ferro. Centola porém nem renegou sua fé, nem implorou, mas ao contrário, ridicularizava seus verdugos e os desafiava a provar novos tormentos. Ela foi levada para a prisão e a deixaram agonizar devido às feridas que sangravam.
     Inteiradas disto, algumas nobres senhoras da vila, espantadas diante da crueldade do governador, e compadecidas de Centola, foram até a prisão. Tentaram persuadi-la a ceder às leis. Centola respondeu com uma apologia à fé cristã e lhes deu a entender o prêmio que lhe estava reservado por permanecer fiel a Cristo, e se elas pudessem intuir qual seria ele, elas teriam inveja dela e não compaixão.
     Eglisio soube desta admoestação no cárcere e mandou cortar sua língua, porém “aquele Senhor por quem padecia fez com que falasse sem este instrumento, por uma daquelas portentosas maravilhas de Seu infinito poder”. Ou seja, sem a língua falou, e mais do que falar, profetizou que Helena, que veio visitá-la, também seria martirizada e desejou a ela “valor para que não desfaleças na prova”.
     Tendo Eglisio se inteirado de que Helena também visitara Centola e que era cristã, mandou-a aprisionar, com o que ela se alegrou “desejosa de acompanhar sua amiga na morte, como havia feito em vida”. Finalmente, ambas foram degoladas no ano 304 da era cristã. Provavelmente foram executadas fora da cidade.

     Em 782, os esposos Fernando e Gutina, senhores de Castro-Sierro, construíram uma pequena igreja em Valdelateja, sobre o local tradicionalmente considerado o do martírio. No século IX, Fernando, Conde de Santander e Castela, mandou restaurar o santuário da Santa em Sierro.
     Os calendários moçárabes celebram Centola o dia 2 de agosto, porém não lhe dão o título de mártir e seu culto não se associou ao de Helena até o século XIV, quando do translado dos corpos realizado por D. Gonzalo de Hinojosa, que pôs seu martírio a 4 de agosto de 304.
     Este translado se realizou em 1317, reinando Alfonso XI, para que elas recebessem um culto mais apropriado na catedral de Burgos (embora suas cabeças permanecessem em Sierro). D. Gonzalo colocou suas relíquias no altar mor, e lhes concedeu Missa e Ofício próprio, com rito duplo de primeira classe. Decretou que se fizesse procissão e que esse dia fosse de preceito para a cidade e diocese de Burgos.
     Baronio as inscreveu em seu martirológio em 13 de agosto “Burgis in Hispania Santarum Centollæ & Elena Martirum”, seguindo Alfonso de Villegas, autor do Flos Sanctorum (Toledo 1578).
     Atualmente o arcebispado de Burgos celebra Santa Centola dia 2 de agosto, e não no dia 13, como antes. Ao revisar e reformar seu calendário próprio, somente Centola é celebrada, porque ainda que as atas sejam legendárias e sem crédito, o culto a Centola está enraizado em Sierro, não o de Helena, cuja pessoa e culto foi acrescentado no século XIV, e sobre a qual nada se sabe; talvez seja outra mártir desconhecida.

Martirológio Romano: Na região próxima da atual cidade de Burgos, na Espanha, Santa Centola, mártir.
Interior da ermida, com as imagens das Santas

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Beatas Carmelitas Missionárias, mártires de 1936 - 31 de julho


As quatro mártires carmelitas missionárias de L’Arrabassada, Barcelona

     Em L’Arrabassada, perto de Barcelona, também na Espanha, as beatas virgens da Congregação das Irmãs Carmelitas Missionárias e mártires, que, durante a perseguição religiosa, foram assassinadas por causa da sua fidelidade a Cristo Esposo.

     Em 1936, durante a guerra espanhola houve uma grande e devastadora perseguição a Igreja Católica, onde morreram martirizados Bispos, sacerdotes, seminaristas, religiosos, leigos, leigas em fidelidade a Fé em Jesus Cristo, entre eles, estão as Irmãs Carmelitas Missionárias.
     O Papa Bento XVI, em outubro de ano 2007, confirmou  o heroísmo e testemunho da sua Fé cristã proclamando-as Beatas e apresentando-as  ao mundo como sinal profético que estimula e fortalece a nossa fidelidade a Jesus Cristo.
     São estes os seus nomes: Ir. Esperança da Cruz (Teresa Subirá Sanjaume) de 61 anos; Ir. Daniela de São Barnabé (Vicenta Achurra Gogenola) de 46 anos; Ir. Gabriela de São João da Cruz (Francisca Pons Sardá) de 56 anos; e Ir. Maria do Refúgio de Santo Ângelo (Maria Roqueta Serra) de 58 anos.
     A Irmã Daniela havia professado seus votos perpétuos em 1921 e trabalhou em Las Corts, no Seminário da Diocese de Barcelona, no Asilo de Badalona, na assistência no Amparo de Santa Lucia (Barcelona) e finalmente na Casa Mãe de Gracia, Barcelona, assistindo a enfermos a domicílio, particularmente uma doente grave em Pedralbes, para onde viajava de bonde (transvia). Precisamente viajando com a Irmã Gabriela, foi denunciada por um empregado da companhia de transporte. Elas foram detidas e fuziladas em L’Arrabassada (Barcelona).
     A Irmã Gabriela tinha emitido seus votos perpétuos em 1913; aos familiares que lhe propunham voltar para casa diante do clima de violência anticlerical, dizia: “que estava disposta a dar a vida e a morrer com as Irmãs; que se Deus a tinha destinado ao martírio, Ele lhe daria a graça necessária”.
     Trabalhou no Hospital de Tárrega, no Asilo de Santa Lucia, em Santa Coloma de Queralt, no Seminário Diocesano, em Las Corts. Esteve uns anos em Villa Mercedes (Argentina), e finalmente, em 1936, na Casa Mãe de Gracia, Barcelona, destinada à serviço de enfermeira a domicílio, junto com Irmã Daniela.
     No mesmo dia, e supostamente pelo mesmo comitê, foi detida a superiora da Casa-Colégio de Vilarrodona, Irmã Esperança da Cruz, que havia feito seus votos perpétuos em 1902. Ir. Esperança da Cruz nasceu em 1875 em Ventolá, Girona. Trabalhou com doentes em Tárrega e de Alayor (Baleares), e no ensino em Sans e Vilarrodona (Tarragona).
    Junto com ela foi detida a Irmã Maria do Refúgio, que fizera sua profissão solene em 1904 e trabalhou em várias casas de Barcelona e Vilarrodona, da qual foi vigaria do colégio; e onde as duas experiências fizeram-na passar a ser “medrosa e acovardada diante do perigo do martírio, porém disposta ao que Deus quisesse” e a “desejar morrer por Ele e passar pelo martírio”.
     Ambas também foram fuziladas em L’Arrabassada.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Beata Maria Pierina de Michelli e a Sagrada Face de Jesus - 26 de julho

    
      Madre Maria Pierina de Michelli nasceu em Milão, Itália, em 11 de setembro de 1890 e faleceu em 26 de julho de 1945 aos 55 anos. Foi privilegiada com muitas visões da Virgem Maria e do próprio Jesus para espalhar a devoção à Sagrada Face, em reparação dos muitos insultos que Ele sofreu em Sua Paixão, e sofre ainda nos dias de hoje. Desde criança Irmã Pierina praticava atos de reparação, os quais aos poucos a levaram a uma imolação completa de si mesma.
     Seus restos mortais estão no Instituto Espírito Santo, em Roma. Sua morte não teve as características da morte dos homens em geral, foi uma passagem de amor, como ela mesma escreveu em seu diário no dia 19 de julho de 1941: "Sinto um desejo profundo de viver sempre unida a Jesus, para amá-lo intensamente, porque a minha morte só pode ser um transporte de amor ao meu esposo, Jesus”.
     Maria Pierina tomou o hábito das filhas da Imaculada Conceição no dia 14 de maio de 1914. Quando noviça ainda obteve licença para fazer a adoração noturna, e quando na noite de Quinta-Feira Santa estava rezando diante do Crucificado, escutou as palavras: “Beija-Me!” Irmã Maria Pierina obedeceu sem demora, e seus lábios, em vez de pousar sobre uma face de gesso, sentiram viva a Face de Jesus.
     A noite inteira passou na igreja, pois quando a Madre Superiora ali a encontrou já era de manhã. O coração abalado com o sofrimento de Jesus sentiu o desejo de reparar os ultrajes que Ele recebera na Sagrada Face e continua há receber a cada dia no Santíssimo Sacramento.
     Em 1919, a Irmã Maria Pierina foi enviada para a Casa Mãe, em Buenos Aires. No dia 12 de abril de 1920, quando ela reclamou a Jesus sobre a dor que sentia, Ele se apresentou a ela coberto de sangue e com uma expressão de ternura e de dor "que eu nunca vou esquecer", escreveu ela, Ele disse: "E eu, o que Eu fiz?"
     Com o passar dos anos, Jesus se lhe manifestava de vez em quando, ora triste, ora ensanguentado, pedindo sempre reparação. E foi por isso que o desejo de sofrer e de se sacrificar pelas almas cresceu mais e mais no coração de Irmã Pierina.
     Em carta ao Papa Pio XII, em 1943, por ocasião de uma visita ao trono de Pedro, Irmã Maria Pierina escreve: “Eu tinha doze anos quando, na Sexta-Feira Santa, esperava em minha paróquia a minha vez de beijar o crucifixo, e ouço uma voz distinta que diz: ‘Ninguém me dá um beijo de amor no rosto, para reparar o beijo de Judas?’Acreditei, na minha inocência de menina, que todos ouvissem a voz, e fiquei com muita pena vendo que continuavam a beijar as chagas e que ninguém pensava em beijá-lo no Rosto. Eu darei o beijo de amor, Jesus, tenha paciência. Na minha vez, apliquei-lhe um forte beijo no Rosto, com todo o ardor do meu coração. Eu estava feliz, acreditando que Jesus, agora contente, não sofreria mais aquela pena”.
     Assim ela conta, na carta a Pio XII: “Em 31 de maio de 1938, quando rezava na capelinha de meu noviciado, uma Bela Senhora se apresentou a mim; tinha nas mãos um escapulário formado por duas flanelinhas brancas, unidas por um cordão. Em uma estava a ‘imagem’ da Sagrada Face de Jesus e a frase: ‘Ilumina Domine Vultum Tuum super nos’ (Fazei resplandecer sua Face sobre nós) e na outra uma hóstia circundada por raios e com a frase: ‘Mane nobiscum Domine’ (Fica conosco, Senhor)”.
     Irmã Maria Pierina encontrou muita dificuldade em conseguir que seus superiores atendessem ao pedido de Maria Santíssima em fazer este escapulário. Não só se negaram a fazê-lo como também a proibiram de fazê-lo. Tinham-na por louca, desiquilibrada e não acreditavam nestas Aparições.
     Até que um dia a Madre Superiora do convento foi substituída. Irmã Maria Pierina então foi relatar a nova superiora as Mensagens e o pedido de Nossa Senhora em fazer o Escapulário. A princípio ela não acreditou, mas, depois, tocada pela vida e santidade da Irmã Maria Pierina, convenceu-se da veracidade das Aparições e concordou em ajudar.
     Contudo, disse à Irmã Maria Pierina: "Diga a Nossa Senhora que não posso fazer o Escapulário, mas, se Ela aceitar, farei uma Medalha da Sagrada Face com as inscrições que Ela pediu". Irmã Pierina então perguntou a Santíssima Virgem se Ela aceitaria a Medalha. Nossa Senhora aceitou.
     No dia 7 de abril de 1943 a santíssima Virgem lhe apareceu e disse: Minha filha, não se preocupe, pois o escapulário é substituído pela Medalha, com as mesmas promessas e favores. Só resta difundi-las mais ainda. Ora, interessa-me muito a festa da Sagrada Face de meu  Divino Filho. Diga-o ao Papa que esta festa tanto me interessa”. Em seguida abençoou-a e desapareceu.
     Após grandes dificuldades, obteve permissão para cunhar a medalha.  As despesas de encomenda  das medalhas foi um milagre: Irmã Pierina encontrou em sua mesa um envelope com a quantia exata de 11.200 liras, dinheiro necessário para cunhar as primeiras Medalhas.
     O demônio mostrou seu desgosto, ódio e raiva em ver as Medalhas prontas. Este infernal inimigo de Deus derrubou as Medalhas no chão, pelos corredores e pelas escadas, quebrou imagens e queimou as imagens da Sagrada Face e bateu na Irmã Pierina. Em vão, as Medalhas seguiram seu destino: os pecadores necessitados da Face do Senhor!
     Durante a Segunda Guerra Mundial, o mundo estava em turbulência. Neste período, na Itália, viu-se uma ampla distribuição desta medalha. A primeira medalha foi enviada ao Santo Padre e depois começou a distribuição e logo reconhecida como miraculosa.
     Parentes e amigos dos combatentes enviaram aos soldados, marinheiros e aviadores a réplica da Sagrada Face de Jesus. Homens, mulheres, crianças, jovens, velhos, sãos, enfermos, cristãos, bêbados e prisioneiros de guerra: todos  experimentaram seu prodigioso efeito.  Desde então, a medalha tornou-se famosa por seus milagres e grandes favores espirituais e temporais.
 “Quem Me contempla, Me consola”
     Durante a oração noturna da primeira sexta-feira da quaresma em 1936, Jesus, depois de havê-la feito participante das dores da agonia do Getsêmani, disse-lhe, mostrando sua Face coberta de sangue e tomada de grande tristeza: “Quero que Minha Face, que reflete a Minha íntima aflição de meu ânimo, a dor de Meu coração, seja mais honrada”. Jesus tornou a dizer-lhe: “Cada vez que se contemplar Minha Face, derramarei Meu Amor nos corações, e por meio de minha Sagrada Face obter-se-á a salvação de muitas almas”.
     Na primeira terça-feira (da paixão de 1937) depois de ter sido instruída na devoção da Sagrada Face, conforme ela escreveu, Jesus lhe disse: “Pode ser que algumas almas receiem que a devoção e o culto da Minha Face venha a diminuir a do Meu Coração. Diga-lhes que, ao contrário, será completada e aumentada. Contemplando a Minha Face, as almas participarão das Minhas dores e sentirão a necessidade de amar e reparar. Pois não é esta a verdadeira devoção ao Meu Coração?
     Madre Pierina de Micheli morreu no dia 26 de julho de 1945 na Casa da Santa Face em Centonara d’Artò (Novara). Foi beatificada na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, no dia 30 de maio de 2010.
     No dia 10 de janeiro de 1959, a Congregação dos Ritos em Roma, com a aprovação de João XXIII, concedeu aos Bispos e Sacerdotes do Brasil a aprovação para a festa da Sagrada Face, a ser comemorada na 3ª Feira de Carnaval, aprovando o texto da Missa. Podemos dizer que esta devoção já está espalhada pelo mundo inteiro. Ela é muito antiga, cheia de contemplação, de oração e intercessão.


sexta-feira, 22 de julho de 2016

Beata Luísa de Saboia, Viúva - 24 de julho


     Luísa provavelmente nasceu em Bourg-en-Bresse no dia 28 de julho de 1462, quinta de nove filhos do Beato Amadeu IX de Saboia e de Iolanda de França, irmã do rei Luís XI. Por parte da mãe era neta do Rei Carlos VII da França, sobrinha do Rei Luís XI e prima de Santa Joana de Valois.
     A capital do ducado era Chambery, mas a corte era itinerante para um controle direto dos territórios sob sua jurisdição. A Casa de Saboia já então era proprietária do Santo Sudário, tesouro precioso que acompanhava a corte em seus deslocamentos. Podemos imaginar toda a veneração de que esta relíquia era alvo por parte de Amadeu e da pequena Luísa.
     Extremamente religioso e magnânimo, depois de ter assegurado ao seu povo um longo período de paz, o Beato Amadeu morre em Vercelli no dia 30 de março de 1472, aos trinta e oito anos de idade. Luísa não tinha ainda dez. Herdou do pai uma fé profunda; a mãe, de caráter mais forte do que o esposo, tornara-se regente do ducado há alguns anos.
     A menina foi educada admiravelmente por sua mãe. Desde muito pequena dava mostras de possuir qualidades espirituais extraordinárias. Catarina de Saulx, uma das damas de honra de Luísa escreveu sobre ela as seguintes palavras: “Era tão doce e generosa, bem disposta e amável, que despertava o afeto de todos que se deixavam levar por sua atração e conquistar pelo seu encanto”.
     A doçura da jovem Luísa atraiu Hugo de Châlons-Arlay, Senhor de Château-Guyon catorze anos mais velho do que ela, membro do ramo deposto dos Senhores de Borgonha, hóspede em Chambery durante sete anos após ter caído em desgraça.
     Os eventos políticos daqueles tempos eram muito complicados, os interesses territoriais causavam numerosas guerras. Iolanda selara um pacto com Carlos o Temerário, Duque de Borgonha, mas sendo alvo de uma suspeita de complô, foi presa com os filhos pelo seu aliado (1476). Na solidão de uma prisão não tão rígida, Luísa fez um retiro e conheceu o franciscano Padre João Perrin, que no futuro teria muita importância para ela.
     Hugo visitou-a na prisão e entre eles foi crescendo o afeto. Embora Luísa começasse a desejar o retiro na clausura, foi o Padre Perrin quem a convenceu de que também no matrimônio ela poderia viver santamente.
     Entrementes, devido a intercessão do Rei Luís XI, Iolanda e os filhos foram libertados. Iolanda morreu no Castelo de Moncalieri no dia 29 de agosto de 1478. Luísa e a irmã Maria foram conduzidas à corte de Luís XI que se considerava tutor natural das sobrinhas. Ele tinha um interesse: o casamento da sobrinha com Hugo de Châlons significava ter um importante aliado. Luísa aquiesce.
     As núpcias foram celebradas solenemente em Dijon a 24 de agosto de 1479. Luísa tinha dezessete anos. O Castelo de Nozeroy foi escolhido para morada do novo casal. Hugo se tornara proprietário de um patrimônio considerável; nos arquivos de Arlay e de Besançon podemos tomar conhecimento das largas doações feitas pelo casal aos menos favorecidos.
     O Senhor de Nozeroy era um homem tão bom quanto rico. De acordo com sua esposa, impôs em seu castelo uma vida perfeitamente católica. Tanto por exemplo como por preceito, marido e mulher criarão um nível de vida moral e material para todos os que moravam em suas terras e dependiam deles de alguma maneira. Em contrate com os palácios e residências de outros nobres, o suntuoso palácio dos de Châlons parecia um mosteiro. Com grande empenho se combatia o costume de jurar ou de usar palavras grosseiras.
     Luísa foi a primeira dama a ter uma caixa para os pobres, na qual todos os que viviam ou visitavam sua casa tinham a obrigação de colocar dinheiro, caso jurassem ou dissessem palavras feias. Luísa prodigalizou grande caridade aos enfermos e necessitados, viúvas e órfãos, especialmente aos leprosos. Ela se dedicava pessoalmente na confecção de tecidos para distribuí-los aos pobres ou para ornamentar as igrejas.
     Nas vigílias das festas de Nossa Senhora, dizia Luísa, 365 Ave-Marias. Rezava muitas vezes o saltério. Confessava-se frequentemente e comungava nas festas. Muitas vezes, depois duma festa mundana, dizia: “Senhor Deus, quanto estou aborrecida! De tudo isto será preciso dar contas”. Os decotes desgostavam-na e ela proibia-os às suas damas. Não queria que se jogasse a dinheiro, mas tolerava, caso se tratasse de insignificâncias. E a quem perdia aconselhava: “Dê tudo por Deus, não conserve nada”.
     Enfim, a oração era o fundamento da união do casal. Tão feliz união, entretanto, durou somente dez anos: em 1490 a dor golpeia Luísa novamente. Depois de ter assistido seu esposo até seu sepultamento, restava a ela como único refugio a fé. O casal não tivera filhos; Luísa poderia viver como rica viúva no seu castelo, ou contrair um novo casamento, mas seu desejo maior era de consagrar-se ao Senhor.
     O Padre Perrin a guiou espiritualmente até seu ingresso no Mosteiro de Santa Clara de Orbe (Vaud, atual Suíça). Ela precisou de dois anos para colocar em ordem todos os assuntos; durante este período usou o hábito dos terciários franciscanos, aprendeu a rezar o Ofício Divino e se levantava a meia-noite para rezar Matinas. Toda sexta-feira se disciplinava. Distribuiu sua fortuna, contestou as objeções de seus parentes e amigos.
     Em vida do marido, na Quinta-feira Santa ele lavava os pés a treze pobres e ela a treze mulheres. Morrendo ele, ela manteve as treze mulheres da Semana Santa, mas acrescentou, em todas as sextas-feiras, a lavagem dos pés de cinco pobrezinhas, dando-lhes depois esmola.
     Finalmente, em 1492, acompanhada de suas duas damas de honra, Catarina de Saulx e Carlota de Saint-Maurice, foi admitida no Convento das Clarissas Pobres de Orbe. Este mosteiro havia sido fundado pela mãe de Hugo de Châlons, e desde 1427 era ocupado por uma comunidade de Santa Coleta, a reformadora francesa das Clarissas. Muitas vezes Luísa ali fora para rezar e visitar sua cunhada, Filipina, monja naquele mosteiro.
     O hábito simples franciscano substituiu as roupas preciosas. Tendo sido um modelo de donzela, de esposa e de viúva, Luísa se tornou um modelo de monja. Foi sempre uma religiosa exemplar. Grande era seu espírito de piedade e de oração, em uma atmosfera austera e pobre. Sua humildade era sincera e natural: lavava os pratos, varria, ajudava na cozinha, limpava os corredores e tudo fazia bem e com gosto. Com a mesma simplicidade e naturalidade aceitou e desempenhou o cargo de abadessa quando a elegeram. Neste cargo mostrou especial solicitude em servir aos frades de sua Ordem, e qualquer deles que chegassem a se hospedar no convento era atendido regiamente; a presença dos padres e dos irmãos era como uma bênção de Deus e nada podia faltar aos filhos do “bom pai São Francisco”.
     Escreveu meditações sobre o Rosário e é-lhe atribuído um pequeno tratado sobre a importância da fidelidade à Regra, e os sinais de tibieza num mosteiro. Citemos: “Quando se frequentam demais os locutórios... Quando se leem livros espirituais mais para aprender do que praticar; quando se leem capítulos por costume e se dizem culpas a fingir e não para procurar emenda... Quando se tem mais cuidado do exterior que do interior...”. Estes manuscritos foram levados pelas irmãs quando da transferência de Orbe para Evian, mas hoje estão desaparecidos.
     No último período de sua vida Santa Luísa sofreu diversas doenças. Morreu sussurrando o nome da Virgem Maria no dia 24 de julho de 1503. Tinha somente quarenta anos; foi sepultada no cemitério do convento. A fama de sua santidade logo se difunde; as primeiras notas biográficas foram escritas por Catarina de Saulx, sua companheira fiel por vinte anos, antes e depois da entrada no mosteiro.
     Quando em 1531 as monjas foram expulsas de Orbe, os seus despojos, bem como os da cunhada Filipina, foram colocados em uma única arca de carvalho, transportada para o convento franciscano de Nozeroy. Durante a nefasta Revolução Francesa o convento foi destruído e se perdeu qualquer pista dos túmulos.
     Em 1838, escavações foram feitas em busca da arca, a qual foi encontrada em boas condições. Os ossos de Luísa foram reconhecidos pelo médico David após uma escrupulosa perícia, baseada na altura e idade das duas falecidas. Foram confiadas ao Mons. Vogliotti, capelão régio, a fim de serem transportadas a Turim para serem colocadas, com as devidas honras, na capela interna do Palácio Real, na época paróquia, junto ao altar dedicado ao pai de Luísa, o Beato Amadeu IX (1840).
     O Papa Gregório XVI confirmou, em 1839, o culto prestado deste tempo imemorial à beata. Teve Ofício e Missa nas dioceses do antigo reino da Sardenha, a 11 de agosto, e entre os franciscanos, a 1º de outubro; ficou sendo festejada a 24 de julho.

Livro Santos de cada Dia, de www.jesuitas.pt