quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Serva de Deus Benigna Consolata Ferrero, Visitandina - 1 setembro


CENTENÁRIO da morte da Serva de Deus Irmã Benigna Consolata Ferro, falecida em odor de santidade, no Mosteiro da Visitação de Como,
em 1 de setembro de 1916.

Escreve, minha Benigna, Apóstola da Minha Misericórdia, escreve o seguinte: o que tenho mais a peito fazer conhecer é que sou todo amor; a maior mágoa que os homens me possam causar é duvidarem da minha bondade”.

     Maria Consolata nasceu em Turim em 6 de agosto de 1885 no seio de uma família profundamente cristã e foi batizada no dia 8 de agosto. No ambiente religioso de sua casa e nos institutos onde estudou, Maria passou uma infância serena, distinguindo-se cada vez mais por sua piedade. Terminados os estudos, se dedicou inteiramente à família, que amava ternamente. Foi um período muito fecundo para seu crescimento espiritual.
     Em 15 de maio de 1894 recebeu o sacramento da Confirmação e em 22 de abril de 1895 fez sua 1ª Comunhão. Desde 1896 era dirigida pelo Cônego Luís Boccardo (1861-1936), hoje já beatificado, um santo e autorizado sacerdote de Turim, que foi seu diretor até o dia de sua entrada no mosteiro.
     Em 1900, com 15 anos, Maria fez o voto temporal de virgindade e Nosso Senhor começou a elevá-la a uma total dedicação a Seu Coração. O Cônego Boccardo, dirigindo-a, pode verificar os progressos de Maria nas virtudes (humildade, simplicidade, doçura…) o que o fez pensar que ela se adequava à Ordem da Visitação.
     Para examinar melhor tudo o que passava em sua alma, o diretor pediu que ela escrevesse um diário e Maria, obedientíssima, embora com repugnância, o fez. As primeiras notas do diário espiritual datam de 1902. Maria Consolata tinha 17 anos. São páginas das quais se pode deduzir que anterior àquela data sua alma já havia sido favorecida com graças particulares de luz interior, Jesus atuava nela como uma mãe com seu filho e a chamava também a sofrer por amor, porque o amor se fortalece com a dor. Ela sentia um convite interior a viver no mundo como se estivesse no claustro; só Deus devia ser o centro de sua vida e sua ocupação a salvação das almas.
     Jesus lhe comunicava sua “sede ardente” de almas e fazia também dela uma alma “sedenta” de sacrifícios e de humilhações. Ela intuía que entrando na Ordem da Visitação poderia realizar seu maior desejo: tornar conhecido e amado o adorável Coração de Jesus e ser instrumento de Sua misericórdia.
     Em 12 de outubro, de 1904, Nosso Senhor lhe diz: “Hás de entrar para a Visitação 1º porque assim o quero; 2º porque, na Visitação, não somente te poderás fazer santa, mas porque aí poderás alcançar o grau de sublime perfeição em que te quero; 3º para o bem espiritual dos outros. Lê as Regras com atenção, mas sem temor, pois estão impregnadas de amor e de misericórdia; não te devem meter medo. Se o meu Coração te foi até agora asilo de misericórdia, julgas que deixará de o ser depois que fores toda minha? Minha esposa, hei de pagar-te com usura todos os teus sacrifícios e atos de abnegação”.
     Purificada por provas pessoais e familiares, que temperando seu caráter haviam enriquecido sua virtude, Maria Consolata ingressou na Visitação de Como em 30 de dezembro de 1907, aos 22 anos. Ali progrediu ainda mais nas virtudes tipicamente visitandinas de simplicidade, humildade, obediência, mortificação interior e recolhimento.
     Externamente suas virtudes edificavam as Irmãs; interiormente vivia um aumento progressivo de intimidade e doação a Nosso Senhor. Era uma vida comum aos olhos dos homens, porém Jesus, que a havia eleito como “Apóstola de sua Misericórdia”, revelava a ela os segredos infinitos de Seu Coração, que ela fielmente transcrevia em seu diário, por ordem dos superiores.
    Em 5 de novembro de 1908 realizou-se sua vestição, ocasião em que tomou o nome de Benigna Consolata; em 23 de novembro de 1909 fez a profissão religiosa, e a profissão solene em 28 de novembro de 1912.
     O Bispo de Como, Mons. Alfonso Archi, foi quem tranquilizou a madre superiora sobre a via especial de Irmã Benigna, e pediu que lhe deixasse um pouco de tempo para escrever e a exercitasse na humildade.
     Os últimos anos de sua vida foram talvez os mais intensos: pode confiar-se totalmente à Madre Josefina Antonieta Scazziga, seus escritos são mais abundantes e experimentava uma crescente confiança e abandono total ao Amor misericordioso, chegando ao oferecimento do sacrifício de sua vida, feito com o consentimento dos superiores, em 4 de julho de 1915, para que a 1ª Guerra Mundial cessasse. A “Voz” mesma lhe dizia muitas vezes que sua vida estava chegando ao fim e que “escrevesse quanto pudesse”, não para si mesma, mas para as almas, fazendo-se “Apóstola do Amor”. Uma vez havia confiado à Madre: “Quando penso que nossos pequenos atos de amor dão glória a um Deus, que nós, pobres criaturas, podemos dar glória a um Deus, que um Deus nos permite amá-Lo...”, e ficava imóvel, com uma luz viva brilhando os olhos.
    No mês de julho de 1916, após um retiro de 12 dias, intenso e fecundo, Jesus lhe pediu para preparar-se para a morte; então sua saúde começou a deteriorar e nos primeiros dias de agosto uma pneumonia se manifestou, tendo sido encaminhada para a enfermaria.
     Depois de uma prova íntima e dolorosa, expirou serenamente no dia 1º de setembro de 1916, primeira sexta-feira do mês, às 15 h. Tinha 31 anos. Após sua morte Nosso Senhor tirou o “véu” que escondia sua “pequena Secretária”: as palavras do bispo na homilia fúnebre começaram a revelar à comunidade que “tesouro” lhes havia sido confiado e em breve a devoção a Irmã Benigna Consolata começou a se difundir.
     Esta jovem visitandina que levou uma vida humilde e escondida começou a ser conhecida e amada por um número cada vez maior de pessoas em todo o mundo. A Causa de Beatificação foi aberta em 1923 e em 1º de setembro de 1924 seus restos mortais foram transladados do cemitério de Camerlata, onde haviam sido objeto de homenagens espontâneos e incessantes, para a igreja do Mosteiro de Como, onde ainda hoje pessoas de todas as partes do mundo veem rezar e testemunhar favores e graças recebidas por sua intercessão.
     No dia 13 de agosto de 1915, alguns meses antes da morte de Irmã Benigna, disse-lhe Nosso Senhor: “Benigna, pequenina secretária do meu amor para com as criaturas, tu escreverás e outros publicarão os teus escritos…
     Aquela que passou toda a sua vida escondida no Sagrado Coração, como verdadeira visitandina, após sua morte começou a fazer amado o Amor que a escolheu.
     Logo, veio a luz o seu Vademecum proposto às almas religiosas por um piedoso autor. E rapidamente foi traduzido em mais de dez idiomas, inclusive o português. E uma pequena biografia de autor anônimo, mas cuja autoria deve ser de uma religiosa visitandina, foi publicada. Também com grande rapidez, é traduzida para muitas outras línguas.
     Em 1925, o público francês se encanta com a simplicidade e delicadeza da Irmã Benigna, graças em parte a uma pequena publicação do dominicano Padre Duriaux.
     Em Espanha, ganhará traduções seja de sua biografia, seja de seus escritos, com tradução das visitandinas de Salamanca, e amplamente divulgadas pelo Servo de Deus Padre Juan Gonzalez Arintero (1860-1928), dominicano, restaurador dos estudos místicos em Espanha, grande mestre e diretor espiritual. Ele recomenda a espiritualidade da Serva de Deus e passa a utilizá-la como referência em muitas de suas obras.
Beato Luís Boccardo
     O Processo de Beatificação está atualmente na Congregação Vaticana competente. Em 1928 seu primeiro diretor espiritual, o Cônego Luís Boccardo, escreveu sua biografia e três opúsculos em defesa da espiritualidade mística de Irmã Benigna Consolata. Além disso, foi um dos zelosos promotores da causa de beatificação e testemunha preciosa no Processo Diocesano que transcorreu em Turim. A Causa foi retomada em 22 de agosto de 1995.

Nota:
     A maior parte dos dados e do texto, dos quais foi feita uma tradução, pode ser encontrada na web da Visitação de Gênova (Itália) www.monasterovisitazione-baggiovara.org
     É interessante saber que Santa Faustina Kowalska tinha como livro de cabeceira o Vademecum escrito por Irmã Benigna Consolata, como também seu diretor espiritual, o Beato Sopokco, Este, ao fundar a Congregação religiosa pedida por Jesus a Santa Faustina, a colocou sob a proteção de Irmã Benigna Consolata. Também Santa Teresa dos Andes cita a Irmã Benigna Consolata em seus escritos pessoais.
     De acordo com os decretos do Papa Urbano VIII, em nada se pretende antecipar ao juízo da autoridade eclesiástica.

Fontes: www.santiebeati/it

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Nellie Organ, a Violeta do SSmo. Sacramento

    
     Não podíamos deixar de finalizar o mês de agosto sem relatar algo sobre este pequeno anjo que veio ao mundo em 24 de agosto de 1903.
     É tão extraordinária a vida desta criança que faleceu aos 4 anos e cinco meses, que os céticos certamente vão dizer que é impossível uma tão pequena criatura ter tais sentimentos e princípios. Mas estes mesmos céticos “babam” vendo seus filhos, netos ou sobrinhos manuseando smartphones, celulares e outras coisas do tipo aos dois, três anos de idade; colocam nas mídias filmes que mostram seus pequenos imitando os trejeitos e as danças despudoradas de pops stars...
     Mas, as pessoas de Fé se edificarão com o relato que segue e procurarão se tornar mais sérias em vista de uma santidade tão precoce.
*

     Quase um século depois de sua morte, a memória da pequena Nellie Organ é mantida viva por uma página internacional na Internet, onde também são citados dois livros de edição recente, enquanto que na Europa ainda circulam páginas devocionais em recordação da "Pequena Violeta do SSmo. Sacramento", com uma foto da época, em que ela aparece a com seu vestidinho branco da 1ª. Comunhão, divulgada pela "Maison du Bon Pasteur" de Paris e impresso na Tipografia Pontifícia no Instituto Pio IX, de Roma.
     Nellie Organ, nasceu em Cork, na Irlanda católica, em 24 de agosto de 1903. Seu pai, William Organ e sua mãe Mary Aherne Organ se casaram em 4 de julho de 1896 e seu casamento foi logo abençoado com quatro filhos: Tomas, David, Mary e Ellie, a mais nova. Os nomes sagrados foram as primeiras palavras que Ellie (Nellie) aprendeu, e à noite a família rezava o rosário. Sua mãe a ensinara a beijar o crucifixo e as contas maiores, um hábito que Nellie conservou.
     Sua mãe morreu de tuberculose, deixando seu pai, que ganhava muito pouco, com quatro filhos menores de nove anos aos que mal alimentava. Ellie (que era carinhosamente conhecida como Nellie) mostrava sinais de incapacidade: uma séria queda quando era um bebê a havia deixado com a cervical encurvada, afetando sua coluna, o que lhe proporcionava fortes dores e a impedia, segundo ia crescendo, poder sentar-se direita. 
     Seu pai, assumindo finalmente que não podia cuidar de seus filhos como era devido, decidiu deixá-los ao cuidado das instituições. Tomas foi enviado para a Escola dos Irmãos da Caridade em Upton; David ao convento escola das Irmãs das Mercês, Passage West; Nellie, junto com sua irmã Mary, foi enviada às Irmãs da Misericórdia, e ali descobriram que ambas padeciam de tosse ferina por isso foram trasladadas para o orfanato das Irmãs do Bom Pastor, onde foram recebidas e cuidadas. Ali a pequena Nellie tinha todo o cuidado, assistida pelas Irmãs e pela enfermeira, Srta. Hall, que ela começou a chamar carinhosamente de "mamãe".
     As religiosas ficaram logo surpresas com a inteligência precoce da criança e da extraordinária disposição para as coisas de Deus; um instinto misterioso de graça a atraia especialmente à SSma. Eucaristia e à Paixão de Jesus. Para entender esses dons espirituais de Nellie Organ é preciso considerar uma precocidade extraordinária de Fé, que Deus certamente suscita ao longo do tempo a algumas de suas criaturas, enviando-as para o mundo quase como um anjo de passagem, indicando os mistérios do amor e da grandeza de Deus aos seus contemporâneos, para voltar velozmente ao amor infinito do Pai. E acreditamos que essa foi a pequena Nellie, que tanta admiração, devoção, causou na Irlanda e na Europa no início do século XX, tanto assim que cem anos depois de sua morte prematura, estamos aqui falando sobre isso, considerando-a uma tocha acesa que ainda ilumina o caminho para a compreensão do dom de Jesus Eucaristia para a humanidade.
     Transportadas em uma cadeira de rodas ou em uma maca, ela permanecia na igreja como um anjo, com os olhos fixos no Tabernáculo e com as mãos unida. Ela solicitava a cada instante para ser levada pela Irmã enfermeira para tão perto do altar quanto possível, especialmente quando era exposto o SSmo. Sacramento.
     Naqueles nove meses que passou no Instituto do Bom Pastor, o desejo da Eucaristia tornou-se mais intenso: ela via as religiosas, as enfermeiras e as meninas mais velhas receberem a Santa Comunhão durante a celebração da Missa, enquanto a ela, assim tão pequena, não era concedido. De resto, devemos nos lembrar que a Primeira Comunhão, antes de 1910, não podia ser dada, a menos que a criança tivesse pelo menos 12-13 anos e sempre sob o julgamento do padre sobre a sua preparação e disposição.
     A "Pequena Nellie", embora tão doente que não podia ser deixada sozinha, inventava tudo, com imaginação e um desejo muito mais velho do que ela, para se aproximar de alguma forma do seu "Santo Deus", e assim uma manhã, voltando-se para a Srta. Hall, enfermeira, que tinha de assistir à Missa, disse que assim que ela recebesse a Sagrada Comunhão, que retornasse imediatamente a ela e lhe desse um beijo, o que para Nellie, assim, tornou-se o beijo de Jesus.
     Sua insistência junto às religiosas para receber a Eucaristia também tornou-se diária; as religiosas consternadas por não serem capazes de agradá-la, procuravam explicar a ela que não era possível.
     Um dia chegou ao Instituto um padre idoso que foi informado dos pedidos insistentes da pequena doente, e ele então quis conhecê-la; permaneceu no orfanato por algumas semanas, visitando-a todos os dias e interrogando-a sobre seu conhecimento das coisas de Deus e sobretudo do seu desejo da Eucaristia, se maravilhando pela bondade, inteligência e amor ao "Santo Deus, da pequena enferma. Ele conversou com a Madre Superiora das Irmãs, dando um parecer favorável para que Nellie pudesse receber a sua Primeira Comunhão, ele prometeu para isto falar com o bispo.
     O Bispo de Cork ficou muito espantado diante deste caso incomum, mas depois de uma longa oração na capela, ele escreveu uma carta à Superiora: "Sim! Eu abençoo a menina cheia de graça com todo o meu coração. Queira rezar por seu bispo na hora mais feliz de sua vida, que agora está perto", e enviou para a menina um santinho representando São João Evangelista que ternamente descansava a cabeça sobre o Coração de Jesus, na Última Ceia.
     De acordo com as regras da época, o bispo administrou antes o Sacramento da Confirmação, em seguida, no dia 6 de dezembro de 1907, primeira sexta-feira do mês, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, com uma solene celebração na igreja do Instituto que teve a participação de todas as irmãs e as crianças, Nellie, transportada em uma cadeira com almofadas, e precedida por sua irmã Maria com uma vela acesa, se aproximou do altar e finalmente recebeu a Sagrada Comunhão, o seu "Santo Deus".
     Foi indescritível a alegria experimentada pela criança, que uma vez transportada de volta para a cama de seu quarto, recebeu radiante os adultos e as crianças do Instituto que queriam ver a pequenina abençoado, trazendo-lhe pequenos presentes.
     Seus últimos dias transcorreram entre a resistência ao sofrimento físico cada vez mais em ascensão e o desejo diário de receber a Sagrada Comunhão, que ela recebeu 32 vezes em menos de dois meses.
     Toda vez que recebia o Pão dos Anjos, a face de Nellie se transfigurava, ficando várias horas absorvida em oração e ação de graças, com uma maturidade muito superior à sua idade, confortando todos aqueles que em torno de si sofriam, lembrando-lhes a Paixão de Jesus.
     Tudo isso acontecer com uma menina de quatro anos e meio parece incrível, especialmente quando visto com os nossos olhos modernamente racionais, mas é tudo verdade, e para isso devemos nos curvar à vontade de Deus que opera milagres através das almas mais simples
     Depois de uma longa agonia, também assistida por seu pai e irmã, Nellie Organ morreu em um domingo, 2 de fevereiro de 1908, Festa da "Candelária" (Purificação de Maria). Ela foi enterrada no Cemitério de São José, em Cork, porém um ano depois transladaram seus restos mortais, que encontraram intactos, para o Cemitério do Convento.
     No ano seguinte, os alunos do orfanato tiveram a ideia de fazer uma Novena à "Pequena Nellie" para pedir-lhe para obter um "sinal" que inspirasse o Papa São Pio X a dar a todas as crianças do mundo a possibilidade de receber a Primeira Comunhão. Alguns meses mais tarde, com o decreto "Quam singulari", o Papa concedeu a primeira comunhão a todos as crianças que chegaram ao uso da razão. O mesmo Papa, informado sobre a história da menina irlandesa, em 21 de novembro de 1910, enviou a Bênção Apostólica, escrevendo de próprio punho "Nellie, ainda menina, foi chamada para o Céu".
       À intercessão da "Violeta da SS. Sacramento" foram atribuídas curas instantâneas e graças extraordinárias, que propagaram sua fama de pequena santa.

Adendo:
     1) A enfermeira, Srta. Hall, relatou uma atitude extraordinária de Nellie por ocasião de sua primeira visita à capela durante a Exposição do SSmo. Sacramento. Naquela manhã, a Srta. Hall levou Nellie para a capela. A menina nunca antes tinha visto a Sagrada Hóstia exposta no ostensório. Qual não foi a surpresa da Srta. Hall ao ouvir a criança dizer para ela sussurrando: “Mamãe, ali está Ele, ali está o Santo Deus!”  E com sua pequena mão apontava para o ostensório; depois disso, ela não tirava seus olhos da Hóstia, enquanto uma expressão de êxtase transfigurava sua face. Daquele dia em diante, por algum conhecimento interior, sem nenhum sinal exterior para guiá-la, Nellie sempre sabia quando havia Exposição no convento.
     2) Ela rezava frequentemente durante o dia, e seu recolhimento durante as orações era muito edificante. Ela rezava por todos que prezava: as Irmãs, o Bispo, as Enfermeiras, suas pequenas companheiras, pela Igreja de Cristo e pelo Papa. A forma como ela rezava o rosário era particularmente edificante. Ela beijava cada conta maior e o crucifixo, e recitava cada oração devagar, com clareza, e com um espírito de recolhimento muito marcante para alguém tão pequeno.
     A Reverenda Madre escreve: “Uma tarde, estando sentada ao lado de sua cama, eu disse: ‘Vamos conversar, ou devemos rezar o rosário?’ ‘Reze o rosário, Mamãe’, ela respondeu. Eu só tinha rezado algumas Ave-Marias quando eu a ouvi sussurrar: ‘Ajoelhe, Mamãe’. Eu não prestei atenção e continuei até o fim da primeira dezena, quando ela repetiu em um tom determinado: ‘Ajoelhe, Mamãe’, e eu tive que terminar o rosário ajoelhada”.
     Em 30 de janeiro de 1908, Madre Francisca foi vê-la. Sabendo que a vida da criança estava no fim, ela sobre o que ela sabia que a menina gostava. “Nellie, quando você foi para o Santo Deus, você vai pedir para Ele me levar? Eu desejo muito o Paraíso”. A criança olhou para a Madre perscrutando e seus belíssimos olhos pareciam brilhar com uma luz preternatural. Então ela respondeu solenemente: “O Santo Deus não pode levá-la, Mamãe, até a Sra. ficar melhor e fazer o que Ele deseja que a Sra. faça”. Madre Francisca Xavier Hickey viveu até os 99 anos de idade. Ela faleceu em 1960 no Instituto Bom Pastor de St. Paul, Minnesota.
     3) O Reverendo Dr. Scannell conta-nos como foi a exumação: “Estavam presentes: um padre (ele próprio, Pe. Scannell), a Enfermeira e duas outras testemunhas de credibilidade. Para grande espanto de todos, porque temos que ter em mente que a criança morreu de phthisis (um desgaste do tecido, usualmente a tuberculose pulmonar), o corpo foi encontrado intacto, exceto por uma pequena cavidade na mandíbula direita, que corresponde ao osso que foi destruído por caries quando a pequena ainda estava viva. Os dedos estavam bastante flexíveis e o cabelo tinha crescido um tanto. O vestido, a guirlanda e o véu da 1ª. Comunhão, com os quais ela havia sido sepultada, como fora seu desejo, estavam intactos. A medalha de prata de Filha de Maria estava tão brilhante como se tivesse sido polida recentemente; tudo, de fato, foi encontrado exatamente como no dia da morte de Nellie”.

http://www.mysticsofthechurch.com/2010/03/marie-rose-ferron-american-mystic.html

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Beata Eufrásia Eluvathingal, Carmelita - 29 de agosto

    
     Nasceu no dia 7 de outubro de 1877 na aldeia de Kattoor (Índia), na paróquia de Edathuruthy, que formava parte do então vicariato de Trichur (posteriormente passou a ser diocese e foi dividida) e que atualmente pertence à diocese de Irinjalakuda. Era filha de Antony e Kunjethy de Eluvathingal Cherpukara, uma rica família católica do rito siro-malabar. Foi batizada com o nome de Rosa.
     Desde pequena, por influência de sua mãe, mulher muito piedosa, começou a exercitar-se nas virtudes. Na idade de nove anos consagrou a Deus sua virgindade. Contra a vontade de seu pai, na idade de doze anos ingressou no internato das religiosas da Congregação da Mãe do Carmelo de Koonammavu.
     Depois da reorganização dos vicariatos apostólicos realizada no ano 1896, no dia 9 de maio de 1897 as religiosas e as aspirantes do vicariato de Trichur se trasladaram de Koonammavu para Ambazhakkad.
     No dia seguinte, Rosa recebeu o véu e se tornou postulante com o nome de Eufrásia do Sagrado Coração de Jesus. Em 10 de janeiro de 1898 tomou o hábito na Congregação da Mãe do Carmelo, o primeiro instituto feminino surgido na Igreja siro-malabar, que fora fundado em 13 de fevereiro de 1866 em Koonammavu, no Estado de Kerala, pelo beato Kuriakose Elias Chavara e o padre Leopoldo Beccaro, da Ordem dos Carmelitas Descalços, então delegado carmelita em Kerala, como terceira ordem dos Carmelitas Descalços. Desde 1967 é de direito pontifício.
     Em 24 de maio de 1900, por ocasião da fundação do convento de Santa Maria em Ollur (a 5 k da cidade de Trichur), Irmã Eufrásia emitiu os votos perpétuos. Nesse convento viveu durante 48 anos.
     Em 1904 foi nomeada mestra de noviças, ocupando este cargo até ser nomeada superiora em 1913.
     Por causa de seu profundo espírito de oração chamavam-na de “madre orante”. Alcançou uma profunda união com Nosso Senhor, especialmente na Sagrada Eucaristia. As Irmãs carmelitas a chamavam “sacrário móvel”. Passava longas horas diante do sacrário na capela do convento, esquecida de si mesma e de tudo que a rodeava.
     Em uma carta a seu diretor espiritual expressa a sede que sentia de adorar, amar e consolar Cristo na Eucaristia: “Como aqui a maior riqueza, a Santa Missa, não se celebra a miúdo, experimento uma grande dor interior e sinto um grande desejo de suprir essa ausência. Tenho uma grande fome e uma grande sede de fazer algo a respeito” (3 de julho de 1902).
     Ela foi uma grande apóstola da Eucaristia; se esforçava por fazer com que todos amassem, adorassem e consolassem a Jesus no Santíssimo Sacramento. Também tinha uma devoção especial por Cristo Crucificado. Beijava com frequência o crucifixo e falava interiormente com ele, apertando-o contra o peito. O sofrimento, a paixão e a dor de Cristo provocavam uma grande dor em seu coração.
     Foi uma grande apóstola da Eucaristia. Se esforçava por fazer com que todos amassem, adorassem e consolassem Jesus no Santíssimo Sacramento.
     Professava uma filial devoção à Virgem Maria, que considerava como sua verdadeira mãe. Era especialmente devota do santo rosário; rezava os 15 mistérios meditando na vida de Nosso Senhor e de sua Mãe Santíssima.
     Levou uma vida muito simples e austera, realizando numerosos atos de penitência e mortificação. Comia uma só vez por dia, evitando a carne, o pescado, os ovos e o leite.
     Conjugava perfeitamente a ação e a contemplação em sua vida. Seu amor a Deus se manifestava na compaixão e no amor às pessoas que se dirigiam a ela para que as ajudasse em suas dificuldades econômicas ou problemas familiares, ou para pedir-lhe orações a fim de curar-se de uma enfermidade, obter um emprego ou superar um exame. Sabiam que ela intercederia junto a Mãe de Deus e que suas orações eram sempre escutadas. Era um modelo exemplar de caridade.
     Madre Eufrásia, que havia oferecido sua vida como sacrifício de amor a Deus, faleceu no dia 29 de agosto de 1952. Foi beatificada em 3 de dezembro de 2006 na igreja de Santo Antônio Forane, em Ollur, arquidiocese de Trichur, pelo Cardeal Varkey Vithayathil, arcebispo mor de Ernakulam-Angamaly dos siro-malabares.
     Foi canonizada em 23 de novembro de 2014.

http://es.catholic.net/op/articulos/36462/cat/214/eufrasia-del-sagrado-corazon-de-jesus-eluvathingal-beata.html

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Santa Mônica, mãe de Sto. Agostinho - 27 de agosto


O colóquio de Santo Agostinho com Santa Mônica em Óstia     

     A mãe de Santo Agostinho, Santa Mônica (331–387), passou uns trinta anos ou mais chorando a pedir a Deus a conversão de seu filho. Santo Agostinho acabou por comer as bolotas dos porcos e começou um processo de conversão que fez dele o grande Doutor da Igreja.
     Santo Agostinho, já convertido, e Santa Mônica resolveram voltar para a África do Norte, naquele tempo inteiramente romana, e mais especificamente para a cidade de Cartago, de onde eram naturais, para ali residirem. E assim percorreram uma parte da Itália para tomar um navio em Óstia, pequeno porto perto de Roma, e de lá iam seguir para a África.
     Encontravam-se então numa hospedaria de Óstia, junto a uma janela e começaram a conversar a respeito de Deus e das coisas do Céu, quando os dois tiveram um êxtase.
     Santo Agostinho relata este colóquio extraordinário e é um dos trechos mais famosos das “Confissões”. O trecho é extraído diretamente das “Confissões”:
     Próximo já do dia em que ela ia sair desta vida - dia que Vós conhecíeis e nós ignorávamos – sucedeu, segundo creio, por disposição de Vossos secretos desígnios, que nos encontrássemos sozinhos, ela e eu, apoiados a uma janela cuja vista dava para o jardim da casa onde morávamos. Era em Óstia, na foz do Tibre, onde, apartados da multidão, após o cansaço duma longa viagem, retemperávamos as forças para nos embarcarmos.
     Falávamos a sós, muito docemente, esquecendo o passado e dilatando-nos para o futuro. Na presença da Verdade, que sois Vós, alvitrávamos qual seria a vida eterna dos santos, que 'nunca os olhos viram, nunca o ouvido ouviu, nem o coração do homem imaginou'.
     Sim, os lábios do nosso coração abriam-se ansiosos para a corrente celeste da nossa fonte, a fonte da Vida, que está em Vós, para que aspergidos segundo a nossa capacidade, pudéssemos de algum modo pensar num assunto tão transcendente.
     Encaminhamos a conversa até a conclusão de que as delícias dos sentidos do corpo, por maiores que sejam e por mais brilhante que seja o resplendor sensível que as cerca, não são dignas de comparar-se à felicidade daquela vida, nem mesmo que delas se faça menção. Elevando-nos em afetos mais ardentes por essa felicidade, divagamos gradualmente por todas as coisas corporais até ao próprio céu, donde o sol, a lua e as estrelas iluminam a terra.
     Subíamos ainda mais em espírito, meditando, falando e admirando as Vossas obras. Chegamos às nossas almas e passamos por elas para atingir essa região de inesgotável abundância, onde apascentais eternamente Israel com o pastio da verdade. Ali a vida é a própria Sabedoria, por Quem tudo foi criado, tudo o que existiu e o que há de existir, sem que ela própria se crie a si mesma, pois existe como sempre foi e como sempre será. Antes, não há nela 'ter sido', nem 'haver de ser', pois simplesmente ‘é’, por ser eterna.
     Enquanto assim falávamos, anelantes pela Sabedoria atingimo-la momentaneamente num vislumbre completo do nosso coração.
     Suspiramos e deixamos lá agarradas as primícias de nosso espírito. Voltamos ao vão ruído dos nossos lábios, onde a palavra começa e acaba. Como poderá esta, meu Deus, comparar-se ao Vosso Verbo, que subsiste por si mesmo, nunca envelhecendo e tudo renovando?
     Dizíamos pois: suponhamos uma alma onde jazem em silêncio a rebelião da carne, as vãs imaginações da terra, da água, do ar e do céu...
     Suponhamos que ela guarde silêncio consigo mesma, que passa para além de si, nem sequer pensando em si; uma alma na qual se calem igualmente os sonhos e as revelações imaginárias, toda a palavra humana, todo o sinal, enfim, tudo o que sucede passageiramente.
     Imaginemos que nessa mesma alma existe o silêncio completo, porque se ainda pode ouvir, todos os seres lhe dizem: ‘Não nos fizemos a nós mesmos, fez-nos O que permanece eternamente’. Se ditas estas palavras os seres emudecerem, porque já escutaram quem os fez, suponhamos então que Ele sozinho fala, não por essas criaturas, mas diretamente, de modo a ouvirmos a sua palavra, não pronunciada por uma língua corpórea, nem por voz de Anjo, nem pelo estrondo do trovão, nem por metáforas enigmáticas, mas já por Ele mesmo.
     Suponhamos que ouvíamos Aquele que amamos nas criaturas, mas sem o intermédio delas, assim como nós acabávamos de experimentar, atingindo num voo de pensamento, a Eterna Sabedoria que permanece imutável sobre todos os seres.
     Se esta contemplação continuasse e se todas as outras visões de ordem muito diferente cessassem, se unicamente esta arrebatasse a alma e a absorvesse, de modo que a vida eterna fosse semelhante a este vislumbre intuitivo - a visão beatifica - pelo qual suspiramos, não seria isto a realização do “entra no gozo do teu Senhor”? E quando sucederá isto? Será quando todos ressuscitarmos? Mas então não seremos todos transformados?
     Ainda que isto, dizíamos, não pelo mesmo modo e por estas palavras, contudo, bem sabeis, Senhor, quanto o mundo e os seus prazeres nos pareciam vis, naquele dia quando assim conversávamos. Minha mãe acrescentou ainda: ‘Meu filho, quanto a mim, já nenhuma coisa me dá gosto nesta vida. Não sei o que faço ainda aqui, nem porque ainda cá esteja, esvanecidas já as esperanças deste mundo. Por um só motivo desejava prolongar um pouco a minha vida: para ver-te cristão e católico, antes de eu morrer. Deus concedeu-me esta graça superabundantemente, pois vejo que já desprezas a felicidade terrena para servirdes ao Senhor. Que faço, eu, pois, aqui?’
     Santa Mônica, nesta visão, teve o prenúncio de sua própria morte, compreendeu que não tinha nada mais para fazer. Quando sentiu que Santo Agostinho estava nas mãos de Deus, não quis perder tempo vendo-o servir a Deus. Poucos dias depois ela morria, ainda estando na cidade de Óstia. Sua missão na terra estava cumprida e Nosso Senhor a chamou ao Céu para gozar do prêmio que merecia.
Morte de Sta. Mônica, por Ottaviano Nelli (séc. XV)

Santa Patrícia de Constantinopla, Virgem - 25 de agosto

    
     Santa Patrícia nasceu em Constantinopla no início do século VII. Filha de família nobre, seu pai era Constante II (668-685), imperador de Constantinopla e descendente de Constantino, o grande, o imperador que decretou o Cristianismo como religião oficial do Império Romano.
     Santa Patrícia foi educada por uma ama de nome Aglaia, que era cristã. Muito cedo fez voto de virgindade. Seu pai, porém, sem saber das intenções da filha, como era costume na época arranjou-lhe um nobre casamento. Patrícia explicou a seu pai suas intenções, que de imediato ele não aceitou. Patrícia então fugiu com Aglaia, e mais algumas amigas que tinham o mesmo ideal, levando parte de seus bens. Ela foi para as ilhas gregas e depois para Nápoles, Itália.
     Em Nápoles ela passou a ajudar as igrejas da cidade com seus bens, não só na decoração com ornamentos dignos, como também com utensílios essenciais para as celebrações litúrgicas. Patrícia também ajudava os conventos que cuidavam dos pobres e conseguiu várias relíquias de santos mártires para que fossem colocadas nos altares das igrejas.
     Patrícia foi para Roma colocar-se sob a proteção do Papa Libério numa possível perseguição por parte de seu pai; das mãos deste papa ela recebeu o véu, símbolo de consagração a Deus.
     Após o falecimento de seu pai, Patrícia voltou para sua terra natal com Aglaia e suas amigas. Ela então renunciou oficialmente à sua herança e à coroa, e distribuiu seus bens aos pobres. Depois, ela intentou ir em peregrinação à Terra Santa, mas o navio que a levava enfrentou ventos contrários que o fez atracar no litoral de Nápoles. Patrícia, bem como algumas de suas companheiras, foi arremetida à Ilha de Megaride, também conhecida como Castel dell’Ovo, onde havia um pequeno convento. Ali ela foi socorrida e acolhida elas Irmãs. Ela entretanto estava muito ferida devido ao naufrágio.
     Santa Patrícia faleceu pouco tempo depois no convento de Megaride. A fiel serva Aglaia organizou o funeral com a participação de muita gente, inclusive do bispo e do nobre da cidade.
     Como Patrícia havia gostado muito de Nápoles, tinha indicado o local onde gostaria de ser sepultada, isto é, diante do Mosteiro das Irmãs basilianas, dedicado aos santos Nicandro e Marciano. Ali ficaram suas relíquias e posteriormente o convento passou a ser chamado das Irmãs Patricianas, ou de Santa Patrícia.
     O povo napolitano passou a difundir o seu culta tornando-se ela padroeira da cidade junto com São Genaro.
     Ela foi canonizada em 1625, e em 1864, devido acontecimentos históricos e políticos, as relíquias da Santa, revestidas de cera e colocadas em uma urna feita de ouro, prata e adornada com pedras preciosas, foram transladadas para o Mosteiro de São Gregório Armênio, onde foram depositadas na capela lateral da monumental igreja do mosteiro.
     A população sempre venerou a Santa, assistindo estupefata o prodígio da liquefação do sangue que emana de um dente conservado em um relicário. Durante vários séculos a liquefação do sangue ocorreu de várias formas e em tempos diferentes. Este milagre é menos conhecido do que a liquefação do sangue de São Genaro, patrono principal da cidade de Nápoles.
     Seu culto é celebrado no dia 25 de agosto.
     Santa Patrícia nos dá o exemplo da perseverança, do respeito aos templos, ao culto e aos objetos sagrados. Ao renunciar à coroa e distribuir seus bens aos pobres, ela nos mostra onde está a verdadeira felicidade e nos faz lembrar que os bens deste mundo são passageiros e não valem nada em vista da felicidade verdadeira que Nosso Senhor Jesus Cristo reservou àqueles que o seguem.

Etimologia: Patrícia = do latim, “de nobre descendência”.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Santa Joana Antida Thouret - 24 de agosto

   
    “Minha filha, aqui é a vontade de Deus! Ele quer você na França. Os jovens ignorantes abandonados estão esperando por você. Vá, portanto, como uma filha generosa de São Vicente de Paulo e evangelize os pobres”, disse um eremita à jovem Joana Antida Thouret.
     Joana Antida Thouret nasceu em Sancey-le-Long, próxima de Besançon, na França, no dia 27 de novembro de 1765. Francisco e Cláudia eram seus pais, tiveram cinco filhos sendo ela a primeira. Joana, de natureza melancólica, tinha uma saúde delicada, um caráter gentil e era muito caridosa. Desde cedo aspirava a uma vida de comunhão com Deus. A família simples, dedicada a vida rural, sempre foi voltada para a fé cristã.
     Quando aos dezesseis anos sua mãe faleceu, Joana ficou tão abalada que só encontrou amparo na imensa devoção que dedicava à Virgem Maria. A partir de então ela teve de assumir as responsabilidades da casa e da família, da qual cuidou com muito amor e determinação. Mas o apelo de Deus ao seu coração era muito forte e aos 22 anos, com o consentimento do pai, ela ingressou no noviciado do Convento das Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo, indo para Langres e depois para Paris.
     Naquela época era normal a noviça ser submetida aos trabalhos pesados da comunidade. Assim foi com Joana que, em função da mudança de clima e do grande esforço físico, acabou adoecendo gravemente. Temendo ser enviada de volta para a casa paterna, rezou muito pedindo a Deus para cura-la. Foi atendida através de uma dedicada enfermeira que a tratou com medicação especial. Em 1788 recebeu o hábito religioso das vicentinas.
     Nesta época, a Revolução Francesa espalhava morte e terror, levando muitos religiosos, leigos e sacerdotes à condenação e à morte pela guilhotina. Em 1795 Joana e suas companheiras foram para a Suíça, mas em 1797 ela retornou a sua cidade natal. Em 1799 fundou em Besançon uma escola gratuita para meninas, onde funcionava também o atendimento aos pobres. Algum tempo depois abre uma nova escola e uma farmácia. Entretanto os revolucionários a descobriram e teve de se esconder por dois anos.
     Em 1799 pôde retornar e junto com quatro religiosas fundou outra escola com farmácia, formando o primeiro núcleo do Instituto das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo. Em 1802 escreveu as regras e em 1807 fundou o Instituto das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo. 
     Logo as discípulas de Joana Antida aumentaram e a nova congregação se expandiu pela França, Suíça, Saboia e Nápoles. Nesta cidade, em 1810, Joana assumiu a direção de um grande hospital. A Santa passou a última etapa de sua vida em Nápoles, onde empreendeu intensa atividade abrindo muitos institutos, desenvolvendo assim sua congregação.
      Em 23 de julho de 1819 as regras do Instituto são aprovadas pelo Papa Pio VII.
     Joana continuou a empreender vigorosos esforços na fundação de novas casas até que no dia 24 de agosto de 1826 faleceu no convento de Nápoles rodeada por suas religiosas.
     Foi beatificada em 23 de maio de 1926 pelo Papa Pio XI e canonizada também por ele em 14 de janeiro de 1934, tendo sido indicada sua celebração para o dia de sua morte.

Basílica de Sta. Joana Antide Thouret em sua cidade natal.



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Beata Paula Montaldi, Virgem - 18 de agosto



Virgem religiosa da Segunda Ordem (1443-1514)


     Nascida em 1443, com 15 anos entrou no mosteiro das Irmãs Clarissas de Santa Luzia, Mântua, onde foi abadessa durante muitos anos. A Paixão de Jesus era para ela o assunto mais frequente das conversas, bem como das meditações e contemplações. Foi também singularmente devota da Eucaristia. Levava uma vida austera, com cilícios, flagelações e jejuns, e sentia-se feliz nas humilhações, fadigas e trabalhos.
     No relacionamento com as Irmãs mostrava-se cheia de caridade e sempre pronta a ajudá-las em qualquer necessidade. Sob a sua direção o mosteiro de Santa Luzia ganhou fama pelas numerosas vocações e pela vida seráfica das religiosas.
     Em agradecimento ao Senhor pelos favores por Ele concedidos, costumava repetir esta oração: “Meu Deus, eu te amo de todo o coração, com um amor sem medida, e nunca deixarei de cantar os teus louvores”.
     Nos 56 anos de vida religiosa, nunca causou qualquer desgosto às Irmãs. Como superiora, procurou não apenas o bem espiritual das religiosas, mas também o bem material da comunidade, convencida de que não pode haver perfeita observância da regra se falta o indispensável para a vida. No jardim mandou abrir um poço, que veio a chamar-se o “Poço da Beata Paula”, a cuja água se tem atribuído propriedades curativas.
     Era grande a sua confiança em Deus. Amiúde repetia a expressão de São Paulo: “Sei em quem confio!”. Era às vezes arrebatada em êxtase, e outras vezes ouviram-se coros angélicos a cantarem junto ao sacrário. Escreveu vários opúsculos, em especial sobre o nome de Jesus, que lamentavelmente se perderam.
     Um dia, estando a orar em êxtase diante dum crucifixo situado ao cimo dumas escadas, foi atacada pelo demônio, que a lançou por terra. Socorrida pelas irmãs, foi reclinada num enxergão. Eram os seus últimos dias e as suas últimas palavras. Exausta pelas prolongadas vigílias, pelos rigorosos jejuns e outras ásperas penitências, assistida pelo seu confessor e pelas Irmãs, apertando contra o coração o crucifixo repetia mais uma vez a sua jaculatória predileta “Paixão de Cristo, Sangue de Cristo, misericórdia!”, expirou serenamente no dia 18 de agosto de 1514. Tinha 71 anos, 56 dos quais passados no mosteiro.
     Seu culto foi aprovado por Pio IX em 6 de setembro de 1876.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.