sábado, 10 de setembro de 2016

SANTÍSSIMO NOME DE MARIA - 12 de setembro



"Este nome tem mais virtude do que todos os nomes dos Santos para confortar os débeis, curar os enfermos, iluminar os cegos, abrandar os corações endurecidos, fortificar os que combatem, dar ânimo aos cansados e derrubar o poderio dos demônios".

“O nome de Maria, diz São Pedro Crisólogo, é nome de salvação para os regenerado, sinal de todas as virtudes, honra da castidade; é o sacrifício agradável a Deus; é a virtude da hospitalidade; é a escola de santidade; é, enfim, um nome completamente maternal”.


     Hoje a Igreja celebra a memória do Santíssimo Nome de Maria. Como era costume entre os judeus, oito dias depois da Virgem Santíssima nascer, os seus pais deram-Lhe, inspirados por Deus, o nome de Maria.
     A Espanha, por aprovação do Romano Pontífice, concedida em 1513, foi a primeira a celebrar esta festa. Inocêncio XI, em 1683, estendeu-a à Igreja Universal, em ação de graças pela vitória alcançada por João Sobieski, rei da Polônia, sobre os turcos que tinham cercado Viena e ameaçavam o Ocidente.
     A celebração do Santíssimo Nome de Maria é uma das devoções marianas da Ordem da Santíssima Trindade. Introduzida nas Províncias Trinitárias Espanholas pelo Santo Trinitário Simão de Rojas no século XVI, imediatamente espalhou-se por toda Ordem a partir de 1622 com missa e ofício próprio. Introduzida e mantida na tradição da Ordem, esta celebração foi sempre confirmada nas reformas litúrgicas, tendo sua última revisão no ano de 1973.

Etimologia do nome de Maria:

De uma língua semítica, quer dizer “senhora”. Há vários correspondentes: no hebreu, Miryám; no árabe e etíope, Maryam. Maria é adaptação grega de Maryám, antiga forma hebraica que significa “excelsa, sublime”. F. Zorell tem este nome como sendo do egípcio, cujo significado seria “predileta de Javé”.


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Santas Menodora, Metrodora e Ninfodora, Mártires da Bitinia - 10 de setembro

    
     A única passio publicada até hoje sobre estas mártires é a relatada por São Simão Metafraste no dia 10 de setembro. Os documentos bizantinos têm destas santas um breve relato, conservando poucas informações, e já Tillemont apontava o pouco valor desta composição.
     Segundo estas fontes, as três irmãs, Menodora, Metrodora e Ninfodora haviam abandonado a terra natal, na Bitinia, e se estabeleceram perto de Pithia, não distante de uma fonte.
     O brilho e a beleza de suas almas e corpos caracterizavam estas santas mulheres. Os cuidados e hábitos deste mundo não as ocupava; em tudo correspondiam ao que diz a 1ª Epístola a Timóteo: “Quanto às mulheres, que elas tenham roupas decentes e se enfeitem com pudor e modéstia. Não usem tranças, nem objetos de ouro, pérolas ou vestuário suntuoso”. Por amor a Cristo elas deixaram a sua pátria e as suas confortáveis casas, e foram viver numa colina próximo a uma fonte termal, onde viveram uma vida de ascese, cultivando ainda mais seus espíritos serenos. Elas foram abençoadas por Deus com o dom de curar as enfermidades, e assim socorriam especialmente os mais necessitados.
     Era a época da perseguição de Maximiano Galério. Denunciadas ao governador Frontão por sua fé cristã, foram levadas diante do tribunal, interrogadas e torturadas. A primeira a ser martirizada foi Menodora, mas Metrodora e Ninfodora não se intimidaram diante da visão do seu cadáver, como esperavam os juízes: ao contrário, sua coragem foi reforçada, confessaram a própria fé e foram então por sua vez martirizadas. Entregaram seus espíritos a Deus no ano 290.
     Sempre segundo aquelas fontes, o culto às três irmãs, sepultadas junto, se manteve vivo devido aos milagres que elas operavam.
     Não se conservou a lembrança da igreja em que se pretendia fossem conservadas as relíquias das três irmãs, e, por outro lado, o culto destas mártires não saiu do âmbito da Igreja bizantina. No século XVI, a memória das mártires foi introduzida, por meio do assim chamado Menológio do Cardeal Sirleto, no Martirológio Galesino; Barônio introduziu um breve comentários sobre elas no Martirológio Romano.
     O escasso fundamento histórico da passio dispensa colocar o problema se a relíquia conservada na Catedral de Cesena “os grande ex corpore S. Metrodorae”, pertence realmente à santa homônima compreendida neste grupo.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Natividade de Nossa Senhora – 8 de setembro

Onde nasceu Nossa Senhora?
     Essa pergunta, versando sobre tema muito caro aos católicos, por diversas razões não encontra fácil resposta. A natividade da Virgem Santíssima é comemorada no dia 8 do corrente.
                                                                                                                                Valdis Grinsteins
     Para entender a escassez de informações nos primeiros séculos da Igreja, sobre a vida de Nossa Senhora, convém levar em conta as particularidades daquela época.
     O mundo pagão, por efeito da decadência em que se encontrava, era politeísta, ou seja, os homens adoravam simultaneamente vários deuses. Os pagãos não achavam ilógico nem absurdo que houvesse várias divindades, ou que elas não fossem perfeitas. Pior ainda. Consideravam normal que os deuses dessem exemplo de devassidão moral, sendo, por exemplo, adúlteros, ladrões ou bêbados. Obviamente, nem todos os deuses eram apresentados como subjugados por esses vícios, mas o fato de haver vários deles nessas condições tornava imensamente árduo para os pagãos entender a noção católica do verdadeiro e único Deus, de perfeição infinita.
     Por isso a primitiva Igreja teve muito cuidado ao apresentar Nossa Senhora como Mãe de Deus, pois aqueles povos, com forte influência do paganismo, rapidamente tenderiam a transformá-la numa deusa. Somente após a queda do Império Romano do Ocidente e a sucessiva cristianização dos povos começou a Igreja – que nunca negou a importância fundamental da Virgem Santíssima na história da salvação – a colocar Nossa Senhora na evidência que lhe compete e a exaltar suas maravilhas. E com isso, a fazer um bem indescritível às almas dos fiéis.
     É fácil compreender por que nesse longo período, cerca de 400 anos, muitas informações a respeito da Santíssima Virgem tenham se perdido e outras se encontrem em fontes não inteiramente confiáveis. Não obstante, a Tradição da Igreja conservou fielmente aqueles atributos d’Ela que eram necessários para a integridade da fé dos católicos. O essencial foi transmitido, e, para um filho que ama sua Mãe, qualquer dado a respeito d’Ela é importante.
     Entre esses dados, sobre os quais um véu de mistério permaneceu, está o local em que nasceu Nossa Senhora.
Belém, Seforis, ou Jerusalém
     Três cidades disputam a honra de ter sido o local de nascimento da Mãe de Deus. (1)
     A primeira é Belém. Deve-se essa tradição ao fato de Nossa Senhora ser de estirpe real, da casa de Davi. Sendo Belém a cidade de Davi, foi essa a razão pela qual São José e a Virgem Santíssima – ambos descendentes do Profeta-Rei – dirigiram-se àquela localidade, por ocasião do censo romano que ordenava a todos registrarem-se no lugar originário de suas famílias. Por isso, o Menino Jesus nasceu em Belém, e é aclamado, no Evangelho, como Filho de Davi. O principal argumento dos que sustentam a tese de que Nossa Senhora nasceu em Belém encontra-se num documento intitulado De Nativitate S. Mariae, incluído na continuação das obras de São Jerônimo.
     Outra tradição assinala a pequena localidade de Seforis, poucos quilômetros ao norte de Belém, como o local do nascimento da Virgem. Tal opinião tem como base que, já na época do Imperador Constantino, no início do século IV, foi construída uma igreja nessa localidade para celebrar o fato de ali terem residido São Joaquim e Santa Ana, pais de Nossa Senhora. Santo Epifânio menciona tal santuário. Os defensores de outras hipóteses assinalam que o fato de os genitores da Virgem Santíssima terem morado lá não indica necessariamente que Nossa Senhora haja nascido naquela localidade.
     A hipótese que congrega maior número de adeptos é a de que Ela nasceu em Jerusalém. São Sofrônio, Patriarca de Jerusalém (634-638), escrevendo no ano 603, afirma claramente ser aquela a cidade natal de Maria Santíssima. (2) São João Damasceno defende a mesma posição.
A festa da Natividade
     Na Igreja católica celebramos numerosas festas de santos. Havendo, felizmente, milhares de santos, comemoram-se milhares de festas. Ocorre que não se celebra a data de nascimento do santo, mas sim a de sua morte — correspondendo ao dia da entrada dele na vida eterna. Somente em três casos comemoram-se as festas no dia do nascimento: Nosso Senhor Jesus Cristo (Natal); o nascimento de São João Batista; e a natividade da Santíssima Virgem.
     A festa da Natividade era celebrada no Oriente católico muito antes de ser instituída no Ocidente. Segundo uma bela tradição, tal festa teve início quando São Maurílio a introduziu na diocese de Angers, na França, em consequência de uma revelação, no ano 430. Um senhor de Angers encontrava-se na pradaria de Marillais, na noite de 8 de setembro daquele ano, quando ouviu os anjos cantando no Céu. Perguntou-lhes qual o motivo do cântico. Responderam-lhe que cantavam em razão de sua alegria pelo nascimento de Nossa Senhora durante a noite daquele dia. (3)
     Em Roma, já no século VII, encontra-se o registro da comemoração de tal festa. O Papa Sérgio tornou-a solene, mediante uma grande procissão.
     Posteriormente, Fulberto, Bispo de Chartres, muito contribuiu para a difusão dessa data em toda a França. Finalmente, o Papa Inocêncio IV, em 1245, durante o Concilio de Lyon, estendeu a festividade para toda a Igreja.
Comemoração na atualidade
     Por uma série de motivos curiosos, a festa da Natividade é celebrada muito especialmente na Itália e em Malta. Sendo o povo italiano muito vivo e propenso a celebrações familiares, não surpreende esse fato.
     Em Malta, a principal comemoração da festa consiste numa solene procissão na localidade de Xaghra. (4)
     Na cidade de Florença, no dia da festa, numerosas crianças dirigem-se ao rio Arno levando pequenas lanternas, que são colocadas na água e lentamente vão atravessando a cidade.
     Na Sicília, na localidade de Mistretta, a população celebra a festa representando um baile entre dois gigantes. À primeira vista, pareceria que isto nada tem a ver com o fato histórico. Mas ele corresponde a uma tradição: foi encontrada uma imagem de Santa Ana com Nossa Senhora ainda menina. Levada à cidade, a imagem misteriosamente retornou ao local onde havia sido achada, e os habitantes julgaram que só poderia ter sido levada por gigantes. Proveio dessa lenda o costume.
     Em Moliterno, ao contrário, existe o lindo e pitoresco costume de as meninas da localidade fixarem pequenas candeias nos chapéus de seus trajes típicos. Em determinado momento desaparecem as outras luzes e só permanecem as das meninas, que executam uma dança regional.
     Curiosamente, em muitas localidades as luzes desempenham papel determinante na festa. Podemos conjeturar uma razão para o fato: a Natividade de Nossa Senhora representou o prenúncio da chegada ao mundo da Luz de Justiça, Nosso Senhor Jesus Cristo.
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Notas:
2. Nuevo Diccionario de Mariologia, Ediciones Paulinas.
3. La fête angevine N.D. de France, IV, Paris, 1864, 188.

Beata Apolônia do Santíssimo Sacramento (Lizarraga Ochoa de Zabalegui) Virgem e mártir - 8 de setembro

    

     Apolônia Lizárraga nasceu na cidade de Lezaun, que então pertencia ao município de Valle de Yerri, em Navarra, Espanha. Ela entrou no noviciado dos Carmelitas da Caridade de Vedruna, em Vitória, em 16 de julho de 1886 e emitiu os primeiros votos em 17 de julho de 1888, desde então era conhecida com o nome do Apolônia do Santíssimo Sacramento.
    
Apolônia ocupou vários cargos na sua congregação, de professora nas escolas em Trujillo (Cáceres) e Villafranca de los Barros (Badajoz) a superiora da comunidade de Sevilha e diretora da escola de Vich. Finalmente, foi eleita superiora geral do Instituto em 1925, cargo que ocupou até 1936, ano em que sofreu o martírio. Como Superiora Geral preocupava-se com a expansão do Instituto, que chegou a ter casas em Buenos Aires, na Argentina; Vigo, Leon, Murcia e Alcoy em Espanha;
e quatro na França.
     
Quando a guerra eclodiu em 1936, Apolônia dedicou-se a buscar refúgio para as religiosas de sua congregação, a fim de salvar suas vidas, especialmente as noviças e as doentes. Ela escondeu-se nas casas de vários amigos. Em setembro daquele mesmo ano, ela foi presa e encarcerada em San Elias (Barcelona).
     Na tarde de 8 de setembro, de acordo com algumas testemunhas que foram presas com ela na Checa, foi serrada e esquartejada e seus restos foram jogados como isca para os suínos. Aparentemente, isso foi o destino de muitos detidos da Checa Sto. Elias.
Culto
     Ela foi beatificada pelo Papa Bento XVI, em 28 de outubro de 2007, em uma cerimônia presidida por ele próprio, na Praça da Cidade do Vaticano de São Pedro.
Nesta celebração do pontífice elevou à honra do altar cerca de 498 mártires da Guerra Civil espanhola do século XX.
     
A Checa Sto. Elias é hoje uma cripta da paróquia de Santa Inês. Nela a memória dos mártires da Guerra Civil da Espanha, inclusive da Beata Apolônia, é mantida. Sua festa é celebrada no dia 6 de novembro.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Serva de Deus Benigna Consolata Ferrero, Visitandina - 1 setembro


CENTENÁRIO da morte da Serva de Deus Irmã Benigna Consolata Ferro, falecida em odor de santidade, no Mosteiro da Visitação de Como,
em 1 de setembro de 1916.

Escreve, minha Benigna, Apóstola da Minha Misericórdia, escreve o seguinte: o que tenho mais a peito fazer conhecer é que sou todo amor; a maior mágoa que os homens me possam causar é duvidarem da minha bondade”.

     Maria Consolata nasceu em Turim em 6 de agosto de 1885 no seio de uma família profundamente cristã e foi batizada no dia 8 de agosto. No ambiente religioso de sua casa e nos institutos onde estudou, Maria passou uma infância serena, distinguindo-se cada vez mais por sua piedade. Terminados os estudos, se dedicou inteiramente à família, que amava ternamente. Foi um período muito fecundo para seu crescimento espiritual.
     Em 15 de maio de 1894 recebeu o sacramento da Confirmação e em 22 de abril de 1895 fez sua 1ª Comunhão. Desde 1896 era dirigida pelo Cônego Luís Boccardo (1861-1936), hoje já beatificado, um santo e autorizado sacerdote de Turim, que foi seu diretor até o dia de sua entrada no mosteiro.
     Em 1900, com 15 anos, Maria fez o voto temporal de virgindade e Nosso Senhor começou a elevá-la a uma total dedicação a Seu Coração. O Cônego Boccardo, dirigindo-a, pode verificar os progressos de Maria nas virtudes (humildade, simplicidade, doçura…) o que o fez pensar que ela se adequava à Ordem da Visitação.
     Para examinar melhor tudo o que passava em sua alma, o diretor pediu que ela escrevesse um diário e Maria, obedientíssima, embora com repugnância, o fez. As primeiras notas do diário espiritual datam de 1902. Maria Consolata tinha 17 anos. São páginas das quais se pode deduzir que anterior àquela data sua alma já havia sido favorecida com graças particulares de luz interior, Jesus atuava nela como uma mãe com seu filho e a chamava também a sofrer por amor, porque o amor se fortalece com a dor. Ela sentia um convite interior a viver no mundo como se estivesse no claustro; só Deus devia ser o centro de sua vida e sua ocupação a salvação das almas.
     Jesus lhe comunicava sua “sede ardente” de almas e fazia também dela uma alma “sedenta” de sacrifícios e de humilhações. Ela intuía que entrando na Ordem da Visitação poderia realizar seu maior desejo: tornar conhecido e amado o adorável Coração de Jesus e ser instrumento de Sua misericórdia.
     Em 12 de outubro, de 1904, Nosso Senhor lhe diz: “Hás de entrar para a Visitação 1º porque assim o quero; 2º porque, na Visitação, não somente te poderás fazer santa, mas porque aí poderás alcançar o grau de sublime perfeição em que te quero; 3º para o bem espiritual dos outros. Lê as Regras com atenção, mas sem temor, pois estão impregnadas de amor e de misericórdia; não te devem meter medo. Se o meu Coração te foi até agora asilo de misericórdia, julgas que deixará de o ser depois que fores toda minha? Minha esposa, hei de pagar-te com usura todos os teus sacrifícios e atos de abnegação”.
     Purificada por provas pessoais e familiares, que temperando seu caráter haviam enriquecido sua virtude, Maria Consolata ingressou na Visitação de Como em 30 de dezembro de 1907, aos 22 anos. Ali progrediu ainda mais nas virtudes tipicamente visitandinas de simplicidade, humildade, obediência, mortificação interior e recolhimento.
     Externamente suas virtudes edificavam as Irmãs; interiormente vivia um aumento progressivo de intimidade e doação a Nosso Senhor. Era uma vida comum aos olhos dos homens, porém Jesus, que a havia eleito como “Apóstola de sua Misericórdia”, revelava a ela os segredos infinitos de Seu Coração, que ela fielmente transcrevia em seu diário, por ordem dos superiores.
    Em 5 de novembro de 1908 realizou-se sua vestição, ocasião em que tomou o nome de Benigna Consolata; em 23 de novembro de 1909 fez a profissão religiosa, e a profissão solene em 28 de novembro de 1912.
     O Bispo de Como, Mons. Alfonso Archi, foi quem tranquilizou a madre superiora sobre a via especial de Irmã Benigna, e pediu que lhe deixasse um pouco de tempo para escrever e a exercitasse na humildade.
     Os últimos anos de sua vida foram talvez os mais intensos: pode confiar-se totalmente à Madre Josefina Antonieta Scazziga, seus escritos são mais abundantes e experimentava uma crescente confiança e abandono total ao Amor misericordioso, chegando ao oferecimento do sacrifício de sua vida, feito com o consentimento dos superiores, em 4 de julho de 1915, para que a 1ª Guerra Mundial cessasse. A “Voz” mesma lhe dizia muitas vezes que sua vida estava chegando ao fim e que “escrevesse quanto pudesse”, não para si mesma, mas para as almas, fazendo-se “Apóstola do Amor”. Uma vez havia confiado à Madre: “Quando penso que nossos pequenos atos de amor dão glória a um Deus, que nós, pobres criaturas, podemos dar glória a um Deus, que um Deus nos permite amá-Lo...”, e ficava imóvel, com uma luz viva brilhando os olhos.
    No mês de julho de 1916, após um retiro de 12 dias, intenso e fecundo, Jesus lhe pediu para preparar-se para a morte; então sua saúde começou a deteriorar e nos primeiros dias de agosto uma pneumonia se manifestou, tendo sido encaminhada para a enfermaria.
     Depois de uma prova íntima e dolorosa, expirou serenamente no dia 1º de setembro de 1916, primeira sexta-feira do mês, às 15 h. Tinha 31 anos. Após sua morte Nosso Senhor tirou o “véu” que escondia sua “pequena Secretária”: as palavras do bispo na homilia fúnebre começaram a revelar à comunidade que “tesouro” lhes havia sido confiado e em breve a devoção a Irmã Benigna Consolata começou a se difundir.
     Esta jovem visitandina que levou uma vida humilde e escondida começou a ser conhecida e amada por um número cada vez maior de pessoas em todo o mundo. A Causa de Beatificação foi aberta em 1923 e em 1º de setembro de 1924 seus restos mortais foram transladados do cemitério de Camerlata, onde haviam sido objeto de homenagens espontâneos e incessantes, para a igreja do Mosteiro de Como, onde ainda hoje pessoas de todas as partes do mundo veem rezar e testemunhar favores e graças recebidas por sua intercessão.
     No dia 13 de agosto de 1915, alguns meses antes da morte de Irmã Benigna, disse-lhe Nosso Senhor: “Benigna, pequenina secretária do meu amor para com as criaturas, tu escreverás e outros publicarão os teus escritos…
     Aquela que passou toda a sua vida escondida no Sagrado Coração, como verdadeira visitandina, após sua morte começou a fazer amado o Amor que a escolheu.
     Logo, veio a luz o seu Vademecum proposto às almas religiosas por um piedoso autor. E rapidamente foi traduzido em mais de dez idiomas, inclusive o português. E uma pequena biografia de autor anônimo, mas cuja autoria deve ser de uma religiosa visitandina, foi publicada. Também com grande rapidez, é traduzida para muitas outras línguas.
     Em 1925, o público francês se encanta com a simplicidade e delicadeza da Irmã Benigna, graças em parte a uma pequena publicação do dominicano Padre Duriaux.
     Em Espanha, ganhará traduções seja de sua biografia, seja de seus escritos, com tradução das visitandinas de Salamanca, e amplamente divulgadas pelo Servo de Deus Padre Juan Gonzalez Arintero (1860-1928), dominicano, restaurador dos estudos místicos em Espanha, grande mestre e diretor espiritual. Ele recomenda a espiritualidade da Serva de Deus e passa a utilizá-la como referência em muitas de suas obras.
Beato Luís Boccardo
     O Processo de Beatificação está atualmente na Congregação Vaticana competente. Em 1928 seu primeiro diretor espiritual, o Cônego Luís Boccardo, escreveu sua biografia e três opúsculos em defesa da espiritualidade mística de Irmã Benigna Consolata. Além disso, foi um dos zelosos promotores da causa de beatificação e testemunha preciosa no Processo Diocesano que transcorreu em Turim. A Causa foi retomada em 22 de agosto de 1995.

Nota:
     A maior parte dos dados e do texto, dos quais foi feita uma tradução, pode ser encontrada na web da Visitação de Gênova (Itália) www.monasterovisitazione-baggiovara.org
     É interessante saber que Santa Faustina Kowalska tinha como livro de cabeceira o Vademecum escrito por Irmã Benigna Consolata, como também seu diretor espiritual, o Beato Sopokco, Este, ao fundar a Congregação religiosa pedida por Jesus a Santa Faustina, a colocou sob a proteção de Irmã Benigna Consolata. Também Santa Teresa dos Andes cita a Irmã Benigna Consolata em seus escritos pessoais.
     De acordo com os decretos do Papa Urbano VIII, em nada se pretende antecipar ao juízo da autoridade eclesiástica.

Fontes: www.santiebeati/it

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Nellie Organ, a Violeta do SSmo. Sacramento

    
     Não podíamos deixar de finalizar o mês de agosto sem relatar algo sobre este pequeno anjo que veio ao mundo em 24 de agosto de 1903.
     É tão extraordinária a vida desta criança que faleceu aos 4 anos e cinco meses, que os céticos certamente vão dizer que é impossível uma tão pequena criatura ter tais sentimentos e princípios. Mas estes mesmos céticos “babam” vendo seus filhos, netos ou sobrinhos manuseando smartphones, celulares e outras coisas do tipo aos dois, três anos de idade; colocam nas mídias filmes que mostram seus pequenos imitando os trejeitos e as danças despudoradas de pops stars...
     Mas, as pessoas de Fé se edificarão com o relato que segue e procurarão se tornar mais sérias em vista de uma santidade tão precoce.
*

     Quase um século depois de sua morte, a memória da pequena Nellie Organ é mantida viva por uma página internacional na Internet, onde também são citados dois livros de edição recente, enquanto que na Europa ainda circulam páginas devocionais em recordação da "Pequena Violeta do SSmo. Sacramento", com uma foto da época, em que ela aparece a com seu vestidinho branco da 1ª. Comunhão, divulgada pela "Maison du Bon Pasteur" de Paris e impresso na Tipografia Pontifícia no Instituto Pio IX, de Roma.
     Nellie Organ, nasceu em Cork, na Irlanda católica, em 24 de agosto de 1903. Seu pai, William Organ e sua mãe Mary Aherne Organ se casaram em 4 de julho de 1896 e seu casamento foi logo abençoado com quatro filhos: Tomas, David, Mary e Ellie, a mais nova. Os nomes sagrados foram as primeiras palavras que Ellie (Nellie) aprendeu, e à noite a família rezava o rosário. Sua mãe a ensinara a beijar o crucifixo e as contas maiores, um hábito que Nellie conservou.
     Sua mãe morreu de tuberculose, deixando seu pai, que ganhava muito pouco, com quatro filhos menores de nove anos aos que mal alimentava. Ellie (que era carinhosamente conhecida como Nellie) mostrava sinais de incapacidade: uma séria queda quando era um bebê a havia deixado com a cervical encurvada, afetando sua coluna, o que lhe proporcionava fortes dores e a impedia, segundo ia crescendo, poder sentar-se direita. 
     Seu pai, assumindo finalmente que não podia cuidar de seus filhos como era devido, decidiu deixá-los ao cuidado das instituições. Tomas foi enviado para a Escola dos Irmãos da Caridade em Upton; David ao convento escola das Irmãs das Mercês, Passage West; Nellie, junto com sua irmã Mary, foi enviada às Irmãs da Misericórdia, e ali descobriram que ambas padeciam de tosse ferina por isso foram trasladadas para o orfanato das Irmãs do Bom Pastor, onde foram recebidas e cuidadas. Ali a pequena Nellie tinha todo o cuidado, assistida pelas Irmãs e pela enfermeira, Srta. Hall, que ela começou a chamar carinhosamente de "mamãe".
     As religiosas ficaram logo surpresas com a inteligência precoce da criança e da extraordinária disposição para as coisas de Deus; um instinto misterioso de graça a atraia especialmente à SSma. Eucaristia e à Paixão de Jesus. Para entender esses dons espirituais de Nellie Organ é preciso considerar uma precocidade extraordinária de Fé, que Deus certamente suscita ao longo do tempo a algumas de suas criaturas, enviando-as para o mundo quase como um anjo de passagem, indicando os mistérios do amor e da grandeza de Deus aos seus contemporâneos, para voltar velozmente ao amor infinito do Pai. E acreditamos que essa foi a pequena Nellie, que tanta admiração, devoção, causou na Irlanda e na Europa no início do século XX, tanto assim que cem anos depois de sua morte prematura, estamos aqui falando sobre isso, considerando-a uma tocha acesa que ainda ilumina o caminho para a compreensão do dom de Jesus Eucaristia para a humanidade.
     Transportadas em uma cadeira de rodas ou em uma maca, ela permanecia na igreja como um anjo, com os olhos fixos no Tabernáculo e com as mãos unida. Ela solicitava a cada instante para ser levada pela Irmã enfermeira para tão perto do altar quanto possível, especialmente quando era exposto o SSmo. Sacramento.
     Naqueles nove meses que passou no Instituto do Bom Pastor, o desejo da Eucaristia tornou-se mais intenso: ela via as religiosas, as enfermeiras e as meninas mais velhas receberem a Santa Comunhão durante a celebração da Missa, enquanto a ela, assim tão pequena, não era concedido. De resto, devemos nos lembrar que a Primeira Comunhão, antes de 1910, não podia ser dada, a menos que a criança tivesse pelo menos 12-13 anos e sempre sob o julgamento do padre sobre a sua preparação e disposição.
     A "Pequena Nellie", embora tão doente que não podia ser deixada sozinha, inventava tudo, com imaginação e um desejo muito mais velho do que ela, para se aproximar de alguma forma do seu "Santo Deus", e assim uma manhã, voltando-se para a Srta. Hall, enfermeira, que tinha de assistir à Missa, disse que assim que ela recebesse a Sagrada Comunhão, que retornasse imediatamente a ela e lhe desse um beijo, o que para Nellie, assim, tornou-se o beijo de Jesus.
     Sua insistência junto às religiosas para receber a Eucaristia também tornou-se diária; as religiosas consternadas por não serem capazes de agradá-la, procuravam explicar a ela que não era possível.
     Um dia chegou ao Instituto um padre idoso que foi informado dos pedidos insistentes da pequena doente, e ele então quis conhecê-la; permaneceu no orfanato por algumas semanas, visitando-a todos os dias e interrogando-a sobre seu conhecimento das coisas de Deus e sobretudo do seu desejo da Eucaristia, se maravilhando pela bondade, inteligência e amor ao "Santo Deus, da pequena enferma. Ele conversou com a Madre Superiora das Irmãs, dando um parecer favorável para que Nellie pudesse receber a sua Primeira Comunhão, ele prometeu para isto falar com o bispo.
     O Bispo de Cork ficou muito espantado diante deste caso incomum, mas depois de uma longa oração na capela, ele escreveu uma carta à Superiora: "Sim! Eu abençoo a menina cheia de graça com todo o meu coração. Queira rezar por seu bispo na hora mais feliz de sua vida, que agora está perto", e enviou para a menina um santinho representando São João Evangelista que ternamente descansava a cabeça sobre o Coração de Jesus, na Última Ceia.
     De acordo com as regras da época, o bispo administrou antes o Sacramento da Confirmação, em seguida, no dia 6 de dezembro de 1907, primeira sexta-feira do mês, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, com uma solene celebração na igreja do Instituto que teve a participação de todas as irmãs e as crianças, Nellie, transportada em uma cadeira com almofadas, e precedida por sua irmã Maria com uma vela acesa, se aproximou do altar e finalmente recebeu a Sagrada Comunhão, o seu "Santo Deus".
     Foi indescritível a alegria experimentada pela criança, que uma vez transportada de volta para a cama de seu quarto, recebeu radiante os adultos e as crianças do Instituto que queriam ver a pequenina abençoado, trazendo-lhe pequenos presentes.
     Seus últimos dias transcorreram entre a resistência ao sofrimento físico cada vez mais em ascensão e o desejo diário de receber a Sagrada Comunhão, que ela recebeu 32 vezes em menos de dois meses.
     Toda vez que recebia o Pão dos Anjos, a face de Nellie se transfigurava, ficando várias horas absorvida em oração e ação de graças, com uma maturidade muito superior à sua idade, confortando todos aqueles que em torno de si sofriam, lembrando-lhes a Paixão de Jesus.
     Tudo isso acontecer com uma menina de quatro anos e meio parece incrível, especialmente quando visto com os nossos olhos modernamente racionais, mas é tudo verdade, e para isso devemos nos curvar à vontade de Deus que opera milagres através das almas mais simples
     Depois de uma longa agonia, também assistida por seu pai e irmã, Nellie Organ morreu em um domingo, 2 de fevereiro de 1908, Festa da "Candelária" (Purificação de Maria). Ela foi enterrada no Cemitério de São José, em Cork, porém um ano depois transladaram seus restos mortais, que encontraram intactos, para o Cemitério do Convento.
     No ano seguinte, os alunos do orfanato tiveram a ideia de fazer uma Novena à "Pequena Nellie" para pedir-lhe para obter um "sinal" que inspirasse o Papa São Pio X a dar a todas as crianças do mundo a possibilidade de receber a Primeira Comunhão. Alguns meses mais tarde, com o decreto "Quam singulari", o Papa concedeu a primeira comunhão a todos as crianças que chegaram ao uso da razão. O mesmo Papa, informado sobre a história da menina irlandesa, em 21 de novembro de 1910, enviou a Bênção Apostólica, escrevendo de próprio punho "Nellie, ainda menina, foi chamada para o Céu".
       À intercessão da "Violeta da SS. Sacramento" foram atribuídas curas instantâneas e graças extraordinárias, que propagaram sua fama de pequena santa.

Adendo:
     1) A enfermeira, Srta. Hall, relatou uma atitude extraordinária de Nellie por ocasião de sua primeira visita à capela durante a Exposição do SSmo. Sacramento. Naquela manhã, a Srta. Hall levou Nellie para a capela. A menina nunca antes tinha visto a Sagrada Hóstia exposta no ostensório. Qual não foi a surpresa da Srta. Hall ao ouvir a criança dizer para ela sussurrando: “Mamãe, ali está Ele, ali está o Santo Deus!”  E com sua pequena mão apontava para o ostensório; depois disso, ela não tirava seus olhos da Hóstia, enquanto uma expressão de êxtase transfigurava sua face. Daquele dia em diante, por algum conhecimento interior, sem nenhum sinal exterior para guiá-la, Nellie sempre sabia quando havia Exposição no convento.
     2) Ela rezava frequentemente durante o dia, e seu recolhimento durante as orações era muito edificante. Ela rezava por todos que prezava: as Irmãs, o Bispo, as Enfermeiras, suas pequenas companheiras, pela Igreja de Cristo e pelo Papa. A forma como ela rezava o rosário era particularmente edificante. Ela beijava cada conta maior e o crucifixo, e recitava cada oração devagar, com clareza, e com um espírito de recolhimento muito marcante para alguém tão pequeno.
     A Reverenda Madre escreve: “Uma tarde, estando sentada ao lado de sua cama, eu disse: ‘Vamos conversar, ou devemos rezar o rosário?’ ‘Reze o rosário, Mamãe’, ela respondeu. Eu só tinha rezado algumas Ave-Marias quando eu a ouvi sussurrar: ‘Ajoelhe, Mamãe’. Eu não prestei atenção e continuei até o fim da primeira dezena, quando ela repetiu em um tom determinado: ‘Ajoelhe, Mamãe’, e eu tive que terminar o rosário ajoelhada”.
     Em 30 de janeiro de 1908, Madre Francisca foi vê-la. Sabendo que a vida da criança estava no fim, ela sobre o que ela sabia que a menina gostava. “Nellie, quando você foi para o Santo Deus, você vai pedir para Ele me levar? Eu desejo muito o Paraíso”. A criança olhou para a Madre perscrutando e seus belíssimos olhos pareciam brilhar com uma luz preternatural. Então ela respondeu solenemente: “O Santo Deus não pode levá-la, Mamãe, até a Sra. ficar melhor e fazer o que Ele deseja que a Sra. faça”. Madre Francisca Xavier Hickey viveu até os 99 anos de idade. Ela faleceu em 1960 no Instituto Bom Pastor de St. Paul, Minnesota.
     3) O Reverendo Dr. Scannell conta-nos como foi a exumação: “Estavam presentes: um padre (ele próprio, Pe. Scannell), a Enfermeira e duas outras testemunhas de credibilidade. Para grande espanto de todos, porque temos que ter em mente que a criança morreu de phthisis (um desgaste do tecido, usualmente a tuberculose pulmonar), o corpo foi encontrado intacto, exceto por uma pequena cavidade na mandíbula direita, que corresponde ao osso que foi destruído por caries quando a pequena ainda estava viva. Os dedos estavam bastante flexíveis e o cabelo tinha crescido um tanto. O vestido, a guirlanda e o véu da 1ª. Comunhão, com os quais ela havia sido sepultada, como fora seu desejo, estavam intactos. A medalha de prata de Filha de Maria estava tão brilhante como se tivesse sido polida recentemente; tudo, de fato, foi encontrado exatamente como no dia da morte de Nellie”.

http://www.mysticsofthechurch.com/2010/03/marie-rose-ferron-american-mystic.html

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Beata Eufrásia Eluvathingal, Carmelita - 29 de agosto

    
     Nasceu no dia 7 de outubro de 1877 na aldeia de Kattoor (Índia), na paróquia de Edathuruthy, que formava parte do então vicariato de Trichur (posteriormente passou a ser diocese e foi dividida) e que atualmente pertence à diocese de Irinjalakuda. Era filha de Antony e Kunjethy de Eluvathingal Cherpukara, uma rica família católica do rito siro-malabar. Foi batizada com o nome de Rosa.
     Desde pequena, por influência de sua mãe, mulher muito piedosa, começou a exercitar-se nas virtudes. Na idade de nove anos consagrou a Deus sua virgindade. Contra a vontade de seu pai, na idade de doze anos ingressou no internato das religiosas da Congregação da Mãe do Carmelo de Koonammavu.
     Depois da reorganização dos vicariatos apostólicos realizada no ano 1896, no dia 9 de maio de 1897 as religiosas e as aspirantes do vicariato de Trichur se trasladaram de Koonammavu para Ambazhakkad.
     No dia seguinte, Rosa recebeu o véu e se tornou postulante com o nome de Eufrásia do Sagrado Coração de Jesus. Em 10 de janeiro de 1898 tomou o hábito na Congregação da Mãe do Carmelo, o primeiro instituto feminino surgido na Igreja siro-malabar, que fora fundado em 13 de fevereiro de 1866 em Koonammavu, no Estado de Kerala, pelo beato Kuriakose Elias Chavara e o padre Leopoldo Beccaro, da Ordem dos Carmelitas Descalços, então delegado carmelita em Kerala, como terceira ordem dos Carmelitas Descalços. Desde 1967 é de direito pontifício.
     Em 24 de maio de 1900, por ocasião da fundação do convento de Santa Maria em Ollur (a 5 k da cidade de Trichur), Irmã Eufrásia emitiu os votos perpétuos. Nesse convento viveu durante 48 anos.
     Em 1904 foi nomeada mestra de noviças, ocupando este cargo até ser nomeada superiora em 1913.
     Por causa de seu profundo espírito de oração chamavam-na de “madre orante”. Alcançou uma profunda união com Nosso Senhor, especialmente na Sagrada Eucaristia. As Irmãs carmelitas a chamavam “sacrário móvel”. Passava longas horas diante do sacrário na capela do convento, esquecida de si mesma e de tudo que a rodeava.
     Em uma carta a seu diretor espiritual expressa a sede que sentia de adorar, amar e consolar Cristo na Eucaristia: “Como aqui a maior riqueza, a Santa Missa, não se celebra a miúdo, experimento uma grande dor interior e sinto um grande desejo de suprir essa ausência. Tenho uma grande fome e uma grande sede de fazer algo a respeito” (3 de julho de 1902).
     Ela foi uma grande apóstola da Eucaristia; se esforçava por fazer com que todos amassem, adorassem e consolassem a Jesus no Santíssimo Sacramento. Também tinha uma devoção especial por Cristo Crucificado. Beijava com frequência o crucifixo e falava interiormente com ele, apertando-o contra o peito. O sofrimento, a paixão e a dor de Cristo provocavam uma grande dor em seu coração.
     Foi uma grande apóstola da Eucaristia. Se esforçava por fazer com que todos amassem, adorassem e consolassem Jesus no Santíssimo Sacramento.
     Professava uma filial devoção à Virgem Maria, que considerava como sua verdadeira mãe. Era especialmente devota do santo rosário; rezava os 15 mistérios meditando na vida de Nosso Senhor e de sua Mãe Santíssima.
     Levou uma vida muito simples e austera, realizando numerosos atos de penitência e mortificação. Comia uma só vez por dia, evitando a carne, o pescado, os ovos e o leite.
     Conjugava perfeitamente a ação e a contemplação em sua vida. Seu amor a Deus se manifestava na compaixão e no amor às pessoas que se dirigiam a ela para que as ajudasse em suas dificuldades econômicas ou problemas familiares, ou para pedir-lhe orações a fim de curar-se de uma enfermidade, obter um emprego ou superar um exame. Sabiam que ela intercederia junto a Mãe de Deus e que suas orações eram sempre escutadas. Era um modelo exemplar de caridade.
     Madre Eufrásia, que havia oferecido sua vida como sacrifício de amor a Deus, faleceu no dia 29 de agosto de 1952. Foi beatificada em 3 de dezembro de 2006 na igreja de Santo Antônio Forane, em Ollur, arquidiocese de Trichur, pelo Cardeal Varkey Vithayathil, arcebispo mor de Ernakulam-Angamaly dos siro-malabares.
     Foi canonizada em 23 de novembro de 2014.

http://es.catholic.net/op/articulos/36462/cat/214/eufrasia-del-sagrado-corazon-de-jesus-eluvathingal-beata.html