sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Há 170 anos, Aparições de La Salette - 19 de setembro

Vida e morte dos videntes de La Salette
Há 170 anos, nas pastagens da montanha!
     No sábado, 19 de setembro de 1846, bem cedo, duas crianças sobem as ladeiras do Monte Planeau. O sol resplandecia sobre as pastagens... De repente, um clarão se mexe, se agita, gira sobre si mesmo. Às duas crianças faltam palavras para externar a impressão de vida que irradia desse globo de fogo. Uma Mulher ali aparece, assentada, a cabeça entre as mãos, os cotovelos sobre os joelhos, numa atitude de profunda beleza.
     Inicia-se assim a Aparição de Nossa Senhora em La Salette (vide neste blog o relato da Aparição e a Mensagem, post de 19 de setembro de 2014).
     Hoje nos deteremos nas vidas dos videntes e seu calvário após terem sido arautos das admoestações de Nossa Senhor.
Narradores da visão
      Nos anos subsequentes à aparição, as duas crianças, Melanie Calvat e Maximino Giraud, repetiram incansavelmente a mensagem pública de Nossa Senhora aos peregrinos que iam a La Salette. Tinham as reações típicas da idade, mas se transformavam na hora de contar a milagrosa aparição.
     Não faltaram incrédulos ou mal-intencionados que tentaram pegá-los em contradição. Nas respostas dos videntes transparecia de tal maneira o sobrenatural, que todos ficavam num misto de desconcerto e admiração.
     Um caso arquetípico deu-se com o Padre Dupanloup, líder liberal francês que posteriormente, como bispo de Orleans, foi um dos chefes da oposição à proclamação do dogma da infalibilidade papal durante o Concílio Vaticano I. O Pe. Dupanloup passou alguns dias com Maximino, tentando que o menino lhe revelasse o segredo. Até colocou sobre a mesa uma pilha de moedas de ouro — coisa que deslumbrou a Maximino, pois, sendo de família miserável, jamais vira algo assim — e lhas ofereceu em troca da violação do compromisso com Nossa Senhora. O pretexto foi tirar da indigência a ele e à sua família. A reação de Maximino foi de uma tal integridade, que o Pe. Dupanloup saiu confundido: "Eu senti que a dignidade da criança era maior que a minha”. (3)
O Calvário de Maximino
     Maximino entrou no seminário diocesano, onde primou por sua seriedade e piedade.
     O bispo de Grenoble, Mons. Ginoulhiac, acérrimo opositor da aparição, impôs-lhe como condição para ser ordenado não mais falar do caso e silenciar o segredo que Nossa Senhora lhe pedira para divulgar.
     Maximino respondeu em carta: “Se Sua Excia. Mons. Ginoulhiac tem a intenção de me paralisar antecipadamente, de não me deixar nem agir, nem falar nem escrever, quando a minha missão de apóstolo de La Salette me tornará obrigatório fazê-lo, pense antes de me dar sua opinião. Uma tal intenção no meu superior seria um sinal positivo de eu não ter vocação. Deus não iria me dar uma vocação sacerdotal diametralmente oposta à vocação que me vem de Maria: a de difundir em todo lugar e sempre, segundo as circunstâncias, suas advertências a seu povo. Eu não teria então outra coisa a fazer senão ingressar na nova milícia religiosa que combate voluntariamente e sem empecilhos, mas também por sua conta e risco, sem engajar em nada a responsabilidade dos pastores”. (4)
     Maximino teve que deixar o seminário. Procurou estudar e trabalhar em Paris e em Le Havre. Mas aonde ia, seguia-o um amontoado de maledicências e hostilidades de origem anticatólica ou eclesiástica liberal. Espalhou-se ser ele inculto, estúpido, instável, bêbado e dissoluto. Mons. Ginoulhiac escreveu ao anticatólico Ministro de Culto, afirmando que se tratava de um “mentiroso” que tinha sido necessário expulsar do seminário. (5) O vigário de Saint Germain l'Auxerrois — famosa igreja de Paris — escreveu um libreto acusando-o de viver em concubinato com sua mãe adotiva! (6)
     Um fato banal serviu de pretexto para a maledicência opor São João Maria Vianney a Maximino e La Salette. O próprio Cura d'Ars dissipou as murmurações em carta ao bispo de Grenoble: “Tenho uma grande confiança em Nossa Senhora de La Salette; faço vir água da fonte; abençoo e distribuo grande quantidade de medalhas e imagens representando esse fato; distribuo pedacinhos da pedra sobre a qual a Santa Virgem teria sentado, levo um pedaço continuamente comigo e até o fiz pôr num relicário. Falo muito frequentemente do fato na Igreja. Parece-me, Monsenhor, que há poucos sacerdotes em vossa diocese que tenham feito tanto quanto eu por La Salette”. (7)
     Maximino transmitiu mensagens pessoais para personagens-chaves do tempo: ao Conde de Chambord, pretendente legitimista à coroa da França, para dissuadi-lo de reinar; ao arcebispo de Paris, Mons. Darboy, a quem predisse que morreria fuzilado, como de fato o foi pelos revolucionários da comuna de Paris; a Napoleão III, advertindo-o de sua próxima queda caso abandonasse o Papa, como acabou acontecendo.
     Maximino alistou-se nos zuavos pontifícios, mas a vida de caserna não correspondia a seu ideal. Em seus últimos anos de vida foi acolhido por uma família de Paris, até que esta perdeu a casa na revolução da comuna de 1870. Ele acabou dormindo ao relento e contraiu a doença que lhe provocou a morte.
     Na mais extrema indigência, Maximino pediu a Mons. Ginoulhiac um lugar onde morrer dignamente. O prelado recusou o pedido. O bispo, “turiferário do regime", (8) tinha sido recompensado pelo governo com a Sé primacial de Lyon. Aliás, o Bem-aventurado Pio IX nunca concedeu a esse prelado a honra do cardinalato, que é concedida ex-oficio a todos os arcebispos de Lyon.
     Na miséria, Maximino entregou sua alma a Deus em sua cidade natal de Corps, em 1º de março de 1875, aos 39 anos de idade. Deixou o exemplo de uma vida moral íntegra e de uma indomável determinação em fazer a vontade de Nossa Senhora acima da vontade dos homens. Seu coração foi depositado na basílica de La Salette, e seu corpo no pequeno cemitério de Corps.
O Calvário de Melanie
     Melanie ingressou nas Irmãs da Providência em Corenc, diocese de Grenoble. Não quis fazer-se religiosa contemplativa, pois queria ter toda a liberdade para divulgar o segredo de La Salette. A comunidade ficou edificada com suas virtudes e dons sobrenaturais. Melanie recebera os estigmas quando tinha quatro anos, e o Menino Jesus — a quem ela chamava “meu irmãozinho” — aparecia-lhe regularmente para aconselhá-la. As religiosas decidiram aceitar a sua profissão solene.
     Mons. Ginoulhiac, porém, exigia-lhe que silenciasse para sempre a mensagem de La Salette e não divulgasse o segredo quando chegasse a data determinada pela Virgem Santíssima — 1858. Como Melanie não aceitasse essa imposição, no dia de profissão o bispo a enviou para a abadia da Grande Chartreuse. Na volta, a vidente percebeu que suas companheiras tinham feito os votos, e que ela ficara de fora. Mons. Ginoulhiac aconselhou-a a ingressar no Carmelo de Darlington, na Inglaterra. Era um exílio, mas Melanie aceitou em espírito de obediência.
     Em Darlington, as carmelitas ficaram admiradas com os dons sobrenaturais incomuns de Melanie, bem como pelo assédio que sofria por parte do demônio. Ela fez os votos com as ressalvas indispensáveis para garantir a divulgação do segredo.
     Melanie não sabia, mas Mons. Ginoulhiac ordenara ao diretor espiritual dela, sob pena de interdito, entregar a ele as cartas contendo matéria de consciência. Quando se aproximava a data de 1858, ela sentiu-se numa espécie de cárcere e enviou cartas às autoridades, até jogando-as por cima do muro da clausura. O fato foi muito explorado por seus inimigos, mas o bispo de Exham lhe outorgou as devidas licenças e o Papa Pio IX confirmou a exclaustração.
     Voltou à França, mas nunca teve sossego, estando sempre submetida a pressões para não revelar a mensagem. Em 1858, como ordenara Nossa Senhora, ela enviou o segredo por inteiro ao Papa Pio IX. Além do mais, providenciou sua publicação em Marselha em 1860; e em Lecce (Itália), com imprimatur de Mons. Zola, em 1879. Ameaçada de excomunhão por bispos adversários de La Salette, Mélanie instalou-se no sul da Itália, onde alguns bispos a protegeram.
     As incessantes mudanças de diocese, a que foi forçada, deram pretexto para maiores difamações. Dizia-se que ela era orgulhosa, egocêntrica, histérica, girovaga, mistificadora, amasiada com padres, que fora surpreendida num prostíbulo, masoquista e antissemita!
     Na Itália, Melanie foi co-fundadora das religiosas do Divino Zelo, que tem entre suas finalidades rezar pela vinda dos Apóstolos dos Últimos Tempos. O fundador — Santo Aníbal de França — foi seu diretor espiritual nos últimos anos de vida. Também na Itália, o Beato Giacomo Cusmano implorou o auxílio dela para fundar a Ordem dos Servos e Servas dos Pobres.
     Melanie faleceu em Altamura, província de Bari (Itália) –– sozinha num quarto, como tinha predito –– na noite de 14 para 15 de dezembro de 1904, com 72 anos de idade. Os vizinhos ouviram aquela noite um cântico de anjos que saía de seu apartamento. Santo Aníbal de França pronunciou ardoroso elogio fúnebre da vidente e de sua santidade nas catedrais de Altamura e Messina. Um ano depois, durante a trasladação de seus restos mortais, verificou-se que o corpo estava incorrupto. Numa segunda trasladação, já não estava mais. Seu corpo venera-se em monumento fúnebre na capela do orfanato das religiosas do Divino Zelo, em Altamura.
Sto. Aníbal de França e Melanie
     Santo Aníbal de França preparou seu processo de beatificação, mas não pôde introduzi-lo pois foi chamado ao Céu. São Pedro Julião Eymard, fundador dos Sacramentinos, morreu estreitando contra o peito uma imagem da aparição. O Papa São Pio X perguntou ao bispo que presidiu os funerais de Melanie: “E nossa santa?”. (9)
     Contraditados, antipatizados, difamados e perseguidos por alguns, mas apreciados, defendidos e protegidos por pessoas virtuosas e mesmo santas, Melanie e Maximino entraram na iconografia católica aos pés de Nossa Senhora, nas inúmeras imagens de La Salette que se veneram em toda a Terra.
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Notas:
3. Jean Stern, La Salette — Documents authentiques, vol. 2, Cerf, Paris, pp. 284 ss.
4. René Laurentin — Michel Corteville, Découverte du secret de La Salette, Fayard, Paris, 2002, p. 75.
5. Stern, op. cit., vol. 3, pp. 227-228.
6. Laurentin-Corteville, op. cit, p. 106.
7. Stern, op. cit, vol. 3, p. 161.
8. Laurentin-Corteville, op. cit., p. 27.
9. Laurentin-Corteville, op. cit., p. 139.
Fonte: (excertos) de artigo de Luís Dufaur publicado em

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Exaltação da Santa Cruz e Santa Helena – 14 de setembro

Relicário contendo fração do Lenho Santo
     Esta festa é também chamada da “Cruz gloriosa”. E os orientais denominavam-na “da preciosa Cruz portadora da Vida”.
     É uma das mais antigas solenidades litúrgicas da Igreja Católica, já era celebrada em Jerusalém no tempo de Constantino (337). Começou a celebrar-se o aniversário da invenção ou encontro da Santa Cruz (cf. Santa Helena) e a dedicação da Basílica do Santo Sepulcro na primeira metade do século IV, no dia 14 de setembro.
     Por muitos séculos a festa da descoberta da Santa Cruz foi celebrada em Jerusalém e em muitos locais do mundo inteiro no dia 3 de maio, data em que, segundo a tradição, fora encontrada. A reforma litúrgica pós-conciliar suprimiu a data de 3 de maio no calendário universal, substituindo-a pelo dia 14 de setembro.
     O trono a que Jesus quer ser elevado, para triunfar da soberba e da sensualidade, é a Cruz, selo de infâmia para Ele, mas sede de misericórdia para nós. Nesse trono O sentaram um dia os judeus por malícia, e nele se senta cada dia a fé cristã, que no Crucifixo adora o seu Deus e Redentor.
     Num túmulo do cemitério de Ciríaca, encontrou Pio IX uma cruz antiga de ouro, na qual estava gravada esta inscrição:
     Crux est vita mihi (a cruz é vida para mim),
     Mors inimice tibi (e morte para ti, ó inimigo).
     Esta preciosa inscrição conserva-se hoje na Biblioteca Vaticana.
     Formosa e densa de sentido é também a seguinte inscrição beneditina, expoente de grande fé e devoção:
     Crux sancta sit mihi lux (a Santa Cruz seja para mim luz),
     Nunquam daemon sit mihi dux (e o demônio nunca seja o meu guia).
     Com grande concisão expressaram os antigos a eficácia da Cruz de Cristo, sinal triunfal da nossa Redenção, no anagrama grego que significa: A Cruz é luz e é vida.
 
Fonte: (excertos) Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J. 3ª edição 
Santa Helena, Viúva, mãe do Imperador Constantino († 330) 
    
     Helena nasceu em meados do século III, provavelmente em Bitínia, região da Ásia Menor. Os autores britânicos afirmam que ela nasceu na Inglaterra, naquele tempo uma província romana, e que Constâncio Cloro, tribuno e mais tarde governador da ilha, enamorou-se dela e a tomou por esposa. Por volta do ano 274 tiveram um filho a quem deram o nome de Constantino.
     Constâncio Cloro chegou a ser marechal de campo e o imperador Maximiano nomeou-o co-regente e, portanto, seu sucessor no Império, mas com a condição de que repudiasse sua mulher e esposasse sua enteada Teodora.
     Tanto Helena quanto Constâncio Cloro eram pagãos. Levado pela ambição, Constâncio se separou dela e levou para Roma seu pequeno filho, Constantino. Helena chorou sua desgraça por 14 anos. Em 306, com a morte de Constâncio, Constantino foi nomeado imperador, iniciando para ela uma nova vida. Constantino mandou vir sua mãe para viver na corte, conferindo-lhe o nome de Augusta e o título de imperatriz.
     Helena recebeu o Batismo, provavelmente no ano 307, e foi uma cristã exemplar e testemunha da grande jornada em que Constantino colocou pela primeira vez a cruz nos estandartes de suas legiões para vencer em batalha o seu rival Maxêncio, no mês de outubro do ano 312.
     No início do ano 313 o imperador publicou o Édito de Milão, pelo qual permitia o Cristianismo no Império. Seguindo o exemplo de sua mãe, converteu-se, sendo batizado pelo Papa São Silvestre. Depois de trezentos anos de perseguição, a Igreja de Cristo assentava-se triunfante sobre a terra. A piedosa imperatriz dedicou-se inteiramente a socorrer os pobres e aliviar as misérias de seus semelhantes.
     Quando já anciã - tinha então setenta e sete anos - visitou os santos lugares. Subiu ao topo do Gólgota, onde havia sido erguido um templo à Vênus. Este templo fora construído por ordem do imperador Adriano, que odiava os cristãos, e certamente quis com isso evitar que aquele local fosse venerado pelos discípulos de Nosso Senhor.
     Conhecendo o costume judaico de enterrar no lugar da execução de um malfeitor os instrumentos que serviram para sua morte, Santa Helena mandou derrubar o templo e procurar a cruz onde padecera o Redentor.
     Depois de muitas e profundas escavações, três cruzes foram encontradas. Como não se podia distinguir qual era a cruz de Jesus, levaram-nas a uma mulher agonizante. Ao tocá-la com a primeira cruz, a enferma piorou, ao tocá-la com a segunda, continuou tão doente quanto antes, porém ao tocá-la com a terceira cruz, a enferma recuperou instantaneamente a saúde.
     Santa Helena e o Bispo de Jerusalém, São Macário, e milhares de devotos levaram a Cruz em piedosa procissão pelas ruas de Jerusalém. E pelo caminho se encontraram com uma mulher viúva que levava seu filho morto para ser enterrado. Ao aproximarem a Santa Cruz do morto este ressuscitou.
     Santa Helena fez com que se dividisse a Cruz em três partes. Um dos pedaços foi entregue ao Bispo São Macário, para que o entronizasse na Igreja de Jerusalém; o segundo foi enviado para a Igreja de Constantinopla e o terceiro para Roma. A basílica que abrigou a relíquia chamou-se Santa Cruz de Jerusalém. Mandou também construir três edifícios: um junto ao Monte Calvário, outro na cova de Belém e um terceiro no Monte das Oliveiras.
     Santa Helena estava com oitenta anos quando regressou de sua viagem. Faleceu pouco depois, provavelmente em Tréveris, por volta do ano 328 ou 330. O Martirológio Romano comemora sua festa em 18 de agosto. Uma capela dedicada a ela, em Roma, conserva algumas de suas relíquias.
 
Reflexão: Compreendamos o que representa para uma mulher ao mesmo tempo ser mãe do primeiro imperador cristão e ser aquela que tira das entranhas da terra a verdadeira Cruz, e todos os benefícios que foram espalhados pela terra pela posse da verdadeira Cruz, pela adoração da verdadeira Cruz, pela presença das relíquias da verdadeira Cruz por toda parte. Todos esses benefícios têm Santa Helena na sua origem, aí se compreende o vulto dessa mulher, se compreende a estatura dessa alma, se compreende também o que é uma grande missão. E se compreende algo a respeito do feitio feminino quando ele é verdadeiramente católico. (Plinio Corrêa de Oliveira) 
Helena significa: “tocha resplandecente”.

sábado, 10 de setembro de 2016

SANTÍSSIMO NOME DE MARIA - 12 de setembro



"Este nome tem mais virtude do que todos os nomes dos Santos para confortar os débeis, curar os enfermos, iluminar os cegos, abrandar os corações endurecidos, fortificar os que combatem, dar ânimo aos cansados e derrubar o poderio dos demônios".

“O nome de Maria, diz São Pedro Crisólogo, é nome de salvação para os regenerado, sinal de todas as virtudes, honra da castidade; é o sacrifício agradável a Deus; é a virtude da hospitalidade; é a escola de santidade; é, enfim, um nome completamente maternal”.


     Hoje a Igreja celebra a memória do Santíssimo Nome de Maria. Como era costume entre os judeus, oito dias depois da Virgem Santíssima nascer, os seus pais deram-Lhe, inspirados por Deus, o nome de Maria.
     A Espanha, por aprovação do Romano Pontífice, concedida em 1513, foi a primeira a celebrar esta festa. Inocêncio XI, em 1683, estendeu-a à Igreja Universal, em ação de graças pela vitória alcançada por João Sobieski, rei da Polônia, sobre os turcos que tinham cercado Viena e ameaçavam o Ocidente.
     A celebração do Santíssimo Nome de Maria é uma das devoções marianas da Ordem da Santíssima Trindade. Introduzida nas Províncias Trinitárias Espanholas pelo Santo Trinitário Simão de Rojas no século XVI, imediatamente espalhou-se por toda Ordem a partir de 1622 com missa e ofício próprio. Introduzida e mantida na tradição da Ordem, esta celebração foi sempre confirmada nas reformas litúrgicas, tendo sua última revisão no ano de 1973.

Etimologia do nome de Maria:

De uma língua semítica, quer dizer “senhora”. Há vários correspondentes: no hebreu, Miryám; no árabe e etíope, Maryam. Maria é adaptação grega de Maryám, antiga forma hebraica que significa “excelsa, sublime”. F. Zorell tem este nome como sendo do egípcio, cujo significado seria “predileta de Javé”.


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Santas Menodora, Metrodora e Ninfodora, Mártires da Bitinia - 10 de setembro

    
     A única passio publicada até hoje sobre estas mártires é a relatada por São Simão Metafraste no dia 10 de setembro. Os documentos bizantinos têm destas santas um breve relato, conservando poucas informações, e já Tillemont apontava o pouco valor desta composição.
     Segundo estas fontes, as três irmãs, Menodora, Metrodora e Ninfodora haviam abandonado a terra natal, na Bitinia, e se estabeleceram perto de Pithia, não distante de uma fonte.
     O brilho e a beleza de suas almas e corpos caracterizavam estas santas mulheres. Os cuidados e hábitos deste mundo não as ocupava; em tudo correspondiam ao que diz a 1ª Epístola a Timóteo: “Quanto às mulheres, que elas tenham roupas decentes e se enfeitem com pudor e modéstia. Não usem tranças, nem objetos de ouro, pérolas ou vestuário suntuoso”. Por amor a Cristo elas deixaram a sua pátria e as suas confortáveis casas, e foram viver numa colina próximo a uma fonte termal, onde viveram uma vida de ascese, cultivando ainda mais seus espíritos serenos. Elas foram abençoadas por Deus com o dom de curar as enfermidades, e assim socorriam especialmente os mais necessitados.
     Era a época da perseguição de Maximiano Galério. Denunciadas ao governador Frontão por sua fé cristã, foram levadas diante do tribunal, interrogadas e torturadas. A primeira a ser martirizada foi Menodora, mas Metrodora e Ninfodora não se intimidaram diante da visão do seu cadáver, como esperavam os juízes: ao contrário, sua coragem foi reforçada, confessaram a própria fé e foram então por sua vez martirizadas. Entregaram seus espíritos a Deus no ano 290.
     Sempre segundo aquelas fontes, o culto às três irmãs, sepultadas junto, se manteve vivo devido aos milagres que elas operavam.
     Não se conservou a lembrança da igreja em que se pretendia fossem conservadas as relíquias das três irmãs, e, por outro lado, o culto destas mártires não saiu do âmbito da Igreja bizantina. No século XVI, a memória das mártires foi introduzida, por meio do assim chamado Menológio do Cardeal Sirleto, no Martirológio Galesino; Barônio introduziu um breve comentários sobre elas no Martirológio Romano.
     O escasso fundamento histórico da passio dispensa colocar o problema se a relíquia conservada na Catedral de Cesena “os grande ex corpore S. Metrodorae”, pertence realmente à santa homônima compreendida neste grupo.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Natividade de Nossa Senhora – 8 de setembro

Onde nasceu Nossa Senhora?
     Essa pergunta, versando sobre tema muito caro aos católicos, por diversas razões não encontra fácil resposta. A natividade da Virgem Santíssima é comemorada no dia 8 do corrente.
                                                                                                                                Valdis Grinsteins
     Para entender a escassez de informações nos primeiros séculos da Igreja, sobre a vida de Nossa Senhora, convém levar em conta as particularidades daquela época.
     O mundo pagão, por efeito da decadência em que se encontrava, era politeísta, ou seja, os homens adoravam simultaneamente vários deuses. Os pagãos não achavam ilógico nem absurdo que houvesse várias divindades, ou que elas não fossem perfeitas. Pior ainda. Consideravam normal que os deuses dessem exemplo de devassidão moral, sendo, por exemplo, adúlteros, ladrões ou bêbados. Obviamente, nem todos os deuses eram apresentados como subjugados por esses vícios, mas o fato de haver vários deles nessas condições tornava imensamente árduo para os pagãos entender a noção católica do verdadeiro e único Deus, de perfeição infinita.
     Por isso a primitiva Igreja teve muito cuidado ao apresentar Nossa Senhora como Mãe de Deus, pois aqueles povos, com forte influência do paganismo, rapidamente tenderiam a transformá-la numa deusa. Somente após a queda do Império Romano do Ocidente e a sucessiva cristianização dos povos começou a Igreja – que nunca negou a importância fundamental da Virgem Santíssima na história da salvação – a colocar Nossa Senhora na evidência que lhe compete e a exaltar suas maravilhas. E com isso, a fazer um bem indescritível às almas dos fiéis.
     É fácil compreender por que nesse longo período, cerca de 400 anos, muitas informações a respeito da Santíssima Virgem tenham se perdido e outras se encontrem em fontes não inteiramente confiáveis. Não obstante, a Tradição da Igreja conservou fielmente aqueles atributos d’Ela que eram necessários para a integridade da fé dos católicos. O essencial foi transmitido, e, para um filho que ama sua Mãe, qualquer dado a respeito d’Ela é importante.
     Entre esses dados, sobre os quais um véu de mistério permaneceu, está o local em que nasceu Nossa Senhora.
Belém, Seforis, ou Jerusalém
     Três cidades disputam a honra de ter sido o local de nascimento da Mãe de Deus. (1)
     A primeira é Belém. Deve-se essa tradição ao fato de Nossa Senhora ser de estirpe real, da casa de Davi. Sendo Belém a cidade de Davi, foi essa a razão pela qual São José e a Virgem Santíssima – ambos descendentes do Profeta-Rei – dirigiram-se àquela localidade, por ocasião do censo romano que ordenava a todos registrarem-se no lugar originário de suas famílias. Por isso, o Menino Jesus nasceu em Belém, e é aclamado, no Evangelho, como Filho de Davi. O principal argumento dos que sustentam a tese de que Nossa Senhora nasceu em Belém encontra-se num documento intitulado De Nativitate S. Mariae, incluído na continuação das obras de São Jerônimo.
     Outra tradição assinala a pequena localidade de Seforis, poucos quilômetros ao norte de Belém, como o local do nascimento da Virgem. Tal opinião tem como base que, já na época do Imperador Constantino, no início do século IV, foi construída uma igreja nessa localidade para celebrar o fato de ali terem residido São Joaquim e Santa Ana, pais de Nossa Senhora. Santo Epifânio menciona tal santuário. Os defensores de outras hipóteses assinalam que o fato de os genitores da Virgem Santíssima terem morado lá não indica necessariamente que Nossa Senhora haja nascido naquela localidade.
     A hipótese que congrega maior número de adeptos é a de que Ela nasceu em Jerusalém. São Sofrônio, Patriarca de Jerusalém (634-638), escrevendo no ano 603, afirma claramente ser aquela a cidade natal de Maria Santíssima. (2) São João Damasceno defende a mesma posição.
A festa da Natividade
     Na Igreja católica celebramos numerosas festas de santos. Havendo, felizmente, milhares de santos, comemoram-se milhares de festas. Ocorre que não se celebra a data de nascimento do santo, mas sim a de sua morte — correspondendo ao dia da entrada dele na vida eterna. Somente em três casos comemoram-se as festas no dia do nascimento: Nosso Senhor Jesus Cristo (Natal); o nascimento de São João Batista; e a natividade da Santíssima Virgem.
     A festa da Natividade era celebrada no Oriente católico muito antes de ser instituída no Ocidente. Segundo uma bela tradição, tal festa teve início quando São Maurílio a introduziu na diocese de Angers, na França, em consequência de uma revelação, no ano 430. Um senhor de Angers encontrava-se na pradaria de Marillais, na noite de 8 de setembro daquele ano, quando ouviu os anjos cantando no Céu. Perguntou-lhes qual o motivo do cântico. Responderam-lhe que cantavam em razão de sua alegria pelo nascimento de Nossa Senhora durante a noite daquele dia. (3)
     Em Roma, já no século VII, encontra-se o registro da comemoração de tal festa. O Papa Sérgio tornou-a solene, mediante uma grande procissão.
     Posteriormente, Fulberto, Bispo de Chartres, muito contribuiu para a difusão dessa data em toda a França. Finalmente, o Papa Inocêncio IV, em 1245, durante o Concilio de Lyon, estendeu a festividade para toda a Igreja.
Comemoração na atualidade
     Por uma série de motivos curiosos, a festa da Natividade é celebrada muito especialmente na Itália e em Malta. Sendo o povo italiano muito vivo e propenso a celebrações familiares, não surpreende esse fato.
     Em Malta, a principal comemoração da festa consiste numa solene procissão na localidade de Xaghra. (4)
     Na cidade de Florença, no dia da festa, numerosas crianças dirigem-se ao rio Arno levando pequenas lanternas, que são colocadas na água e lentamente vão atravessando a cidade.
     Na Sicília, na localidade de Mistretta, a população celebra a festa representando um baile entre dois gigantes. À primeira vista, pareceria que isto nada tem a ver com o fato histórico. Mas ele corresponde a uma tradição: foi encontrada uma imagem de Santa Ana com Nossa Senhora ainda menina. Levada à cidade, a imagem misteriosamente retornou ao local onde havia sido achada, e os habitantes julgaram que só poderia ter sido levada por gigantes. Proveio dessa lenda o costume.
     Em Moliterno, ao contrário, existe o lindo e pitoresco costume de as meninas da localidade fixarem pequenas candeias nos chapéus de seus trajes típicos. Em determinado momento desaparecem as outras luzes e só permanecem as das meninas, que executam uma dança regional.
     Curiosamente, em muitas localidades as luzes desempenham papel determinante na festa. Podemos conjeturar uma razão para o fato: a Natividade de Nossa Senhora representou o prenúncio da chegada ao mundo da Luz de Justiça, Nosso Senhor Jesus Cristo.
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Notas:
2. Nuevo Diccionario de Mariologia, Ediciones Paulinas.
3. La fête angevine N.D. de France, IV, Paris, 1864, 188.

Beata Apolônia do Santíssimo Sacramento (Lizarraga Ochoa de Zabalegui) Virgem e mártir - 8 de setembro

    

     Apolônia Lizárraga nasceu na cidade de Lezaun, que então pertencia ao município de Valle de Yerri, em Navarra, Espanha. Ela entrou no noviciado dos Carmelitas da Caridade de Vedruna, em Vitória, em 16 de julho de 1886 e emitiu os primeiros votos em 17 de julho de 1888, desde então era conhecida com o nome do Apolônia do Santíssimo Sacramento.
    
Apolônia ocupou vários cargos na sua congregação, de professora nas escolas em Trujillo (Cáceres) e Villafranca de los Barros (Badajoz) a superiora da comunidade de Sevilha e diretora da escola de Vich. Finalmente, foi eleita superiora geral do Instituto em 1925, cargo que ocupou até 1936, ano em que sofreu o martírio. Como Superiora Geral preocupava-se com a expansão do Instituto, que chegou a ter casas em Buenos Aires, na Argentina; Vigo, Leon, Murcia e Alcoy em Espanha;
e quatro na França.
     
Quando a guerra eclodiu em 1936, Apolônia dedicou-se a buscar refúgio para as religiosas de sua congregação, a fim de salvar suas vidas, especialmente as noviças e as doentes. Ela escondeu-se nas casas de vários amigos. Em setembro daquele mesmo ano, ela foi presa e encarcerada em San Elias (Barcelona).
     Na tarde de 8 de setembro, de acordo com algumas testemunhas que foram presas com ela na Checa, foi serrada e esquartejada e seus restos foram jogados como isca para os suínos. Aparentemente, isso foi o destino de muitos detidos da Checa Sto. Elias.
Culto
     Ela foi beatificada pelo Papa Bento XVI, em 28 de outubro de 2007, em uma cerimônia presidida por ele próprio, na Praça da Cidade do Vaticano de São Pedro.
Nesta celebração do pontífice elevou à honra do altar cerca de 498 mártires da Guerra Civil espanhola do século XX.
     
A Checa Sto. Elias é hoje uma cripta da paróquia de Santa Inês. Nela a memória dos mártires da Guerra Civil da Espanha, inclusive da Beata Apolônia, é mantida. Sua festa é celebrada no dia 6 de novembro.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Serva de Deus Benigna Consolata Ferrero, Visitandina - 1 setembro


CENTENÁRIO da morte da Serva de Deus Irmã Benigna Consolata Ferro, falecida em odor de santidade, no Mosteiro da Visitação de Como,
em 1 de setembro de 1916.

Escreve, minha Benigna, Apóstola da Minha Misericórdia, escreve o seguinte: o que tenho mais a peito fazer conhecer é que sou todo amor; a maior mágoa que os homens me possam causar é duvidarem da minha bondade”.

     Maria Consolata nasceu em Turim em 6 de agosto de 1885 no seio de uma família profundamente cristã e foi batizada no dia 8 de agosto. No ambiente religioso de sua casa e nos institutos onde estudou, Maria passou uma infância serena, distinguindo-se cada vez mais por sua piedade. Terminados os estudos, se dedicou inteiramente à família, que amava ternamente. Foi um período muito fecundo para seu crescimento espiritual.
     Em 15 de maio de 1894 recebeu o sacramento da Confirmação e em 22 de abril de 1895 fez sua 1ª Comunhão. Desde 1896 era dirigida pelo Cônego Luís Boccardo (1861-1936), hoje já beatificado, um santo e autorizado sacerdote de Turim, que foi seu diretor até o dia de sua entrada no mosteiro.
     Em 1900, com 15 anos, Maria fez o voto temporal de virgindade e Nosso Senhor começou a elevá-la a uma total dedicação a Seu Coração. O Cônego Boccardo, dirigindo-a, pode verificar os progressos de Maria nas virtudes (humildade, simplicidade, doçura…) o que o fez pensar que ela se adequava à Ordem da Visitação.
     Para examinar melhor tudo o que passava em sua alma, o diretor pediu que ela escrevesse um diário e Maria, obedientíssima, embora com repugnância, o fez. As primeiras notas do diário espiritual datam de 1902. Maria Consolata tinha 17 anos. São páginas das quais se pode deduzir que anterior àquela data sua alma já havia sido favorecida com graças particulares de luz interior, Jesus atuava nela como uma mãe com seu filho e a chamava também a sofrer por amor, porque o amor se fortalece com a dor. Ela sentia um convite interior a viver no mundo como se estivesse no claustro; só Deus devia ser o centro de sua vida e sua ocupação a salvação das almas.
     Jesus lhe comunicava sua “sede ardente” de almas e fazia também dela uma alma “sedenta” de sacrifícios e de humilhações. Ela intuía que entrando na Ordem da Visitação poderia realizar seu maior desejo: tornar conhecido e amado o adorável Coração de Jesus e ser instrumento de Sua misericórdia.
     Em 12 de outubro, de 1904, Nosso Senhor lhe diz: “Hás de entrar para a Visitação 1º porque assim o quero; 2º porque, na Visitação, não somente te poderás fazer santa, mas porque aí poderás alcançar o grau de sublime perfeição em que te quero; 3º para o bem espiritual dos outros. Lê as Regras com atenção, mas sem temor, pois estão impregnadas de amor e de misericórdia; não te devem meter medo. Se o meu Coração te foi até agora asilo de misericórdia, julgas que deixará de o ser depois que fores toda minha? Minha esposa, hei de pagar-te com usura todos os teus sacrifícios e atos de abnegação”.
     Purificada por provas pessoais e familiares, que temperando seu caráter haviam enriquecido sua virtude, Maria Consolata ingressou na Visitação de Como em 30 de dezembro de 1907, aos 22 anos. Ali progrediu ainda mais nas virtudes tipicamente visitandinas de simplicidade, humildade, obediência, mortificação interior e recolhimento.
     Externamente suas virtudes edificavam as Irmãs; interiormente vivia um aumento progressivo de intimidade e doação a Nosso Senhor. Era uma vida comum aos olhos dos homens, porém Jesus, que a havia eleito como “Apóstola de sua Misericórdia”, revelava a ela os segredos infinitos de Seu Coração, que ela fielmente transcrevia em seu diário, por ordem dos superiores.
    Em 5 de novembro de 1908 realizou-se sua vestição, ocasião em que tomou o nome de Benigna Consolata; em 23 de novembro de 1909 fez a profissão religiosa, e a profissão solene em 28 de novembro de 1912.
     O Bispo de Como, Mons. Alfonso Archi, foi quem tranquilizou a madre superiora sobre a via especial de Irmã Benigna, e pediu que lhe deixasse um pouco de tempo para escrever e a exercitasse na humildade.
     Os últimos anos de sua vida foram talvez os mais intensos: pode confiar-se totalmente à Madre Josefina Antonieta Scazziga, seus escritos são mais abundantes e experimentava uma crescente confiança e abandono total ao Amor misericordioso, chegando ao oferecimento do sacrifício de sua vida, feito com o consentimento dos superiores, em 4 de julho de 1915, para que a 1ª Guerra Mundial cessasse. A “Voz” mesma lhe dizia muitas vezes que sua vida estava chegando ao fim e que “escrevesse quanto pudesse”, não para si mesma, mas para as almas, fazendo-se “Apóstola do Amor”. Uma vez havia confiado à Madre: “Quando penso que nossos pequenos atos de amor dão glória a um Deus, que nós, pobres criaturas, podemos dar glória a um Deus, que um Deus nos permite amá-Lo...”, e ficava imóvel, com uma luz viva brilhando os olhos.
    No mês de julho de 1916, após um retiro de 12 dias, intenso e fecundo, Jesus lhe pediu para preparar-se para a morte; então sua saúde começou a deteriorar e nos primeiros dias de agosto uma pneumonia se manifestou, tendo sido encaminhada para a enfermaria.
     Depois de uma prova íntima e dolorosa, expirou serenamente no dia 1º de setembro de 1916, primeira sexta-feira do mês, às 15 h. Tinha 31 anos. Após sua morte Nosso Senhor tirou o “véu” que escondia sua “pequena Secretária”: as palavras do bispo na homilia fúnebre começaram a revelar à comunidade que “tesouro” lhes havia sido confiado e em breve a devoção a Irmã Benigna Consolata começou a se difundir.
     Esta jovem visitandina que levou uma vida humilde e escondida começou a ser conhecida e amada por um número cada vez maior de pessoas em todo o mundo. A Causa de Beatificação foi aberta em 1923 e em 1º de setembro de 1924 seus restos mortais foram transladados do cemitério de Camerlata, onde haviam sido objeto de homenagens espontâneos e incessantes, para a igreja do Mosteiro de Como, onde ainda hoje pessoas de todas as partes do mundo veem rezar e testemunhar favores e graças recebidas por sua intercessão.
     No dia 13 de agosto de 1915, alguns meses antes da morte de Irmã Benigna, disse-lhe Nosso Senhor: “Benigna, pequenina secretária do meu amor para com as criaturas, tu escreverás e outros publicarão os teus escritos…
     Aquela que passou toda a sua vida escondida no Sagrado Coração, como verdadeira visitandina, após sua morte começou a fazer amado o Amor que a escolheu.
     Logo, veio a luz o seu Vademecum proposto às almas religiosas por um piedoso autor. E rapidamente foi traduzido em mais de dez idiomas, inclusive o português. E uma pequena biografia de autor anônimo, mas cuja autoria deve ser de uma religiosa visitandina, foi publicada. Também com grande rapidez, é traduzida para muitas outras línguas.
     Em 1925, o público francês se encanta com a simplicidade e delicadeza da Irmã Benigna, graças em parte a uma pequena publicação do dominicano Padre Duriaux.
     Em Espanha, ganhará traduções seja de sua biografia, seja de seus escritos, com tradução das visitandinas de Salamanca, e amplamente divulgadas pelo Servo de Deus Padre Juan Gonzalez Arintero (1860-1928), dominicano, restaurador dos estudos místicos em Espanha, grande mestre e diretor espiritual. Ele recomenda a espiritualidade da Serva de Deus e passa a utilizá-la como referência em muitas de suas obras.
Beato Luís Boccardo
     O Processo de Beatificação está atualmente na Congregação Vaticana competente. Em 1928 seu primeiro diretor espiritual, o Cônego Luís Boccardo, escreveu sua biografia e três opúsculos em defesa da espiritualidade mística de Irmã Benigna Consolata. Além disso, foi um dos zelosos promotores da causa de beatificação e testemunha preciosa no Processo Diocesano que transcorreu em Turim. A Causa foi retomada em 22 de agosto de 1995.

Nota:
     A maior parte dos dados e do texto, dos quais foi feita uma tradução, pode ser encontrada na web da Visitação de Gênova (Itália) www.monasterovisitazione-baggiovara.org
     É interessante saber que Santa Faustina Kowalska tinha como livro de cabeceira o Vademecum escrito por Irmã Benigna Consolata, como também seu diretor espiritual, o Beato Sopokco, Este, ao fundar a Congregação religiosa pedida por Jesus a Santa Faustina, a colocou sob a proteção de Irmã Benigna Consolata. Também Santa Teresa dos Andes cita a Irmã Benigna Consolata em seus escritos pessoais.
     De acordo com os decretos do Papa Urbano VIII, em nada se pretende antecipar ao juízo da autoridade eclesiástica.

Fontes: www.santiebeati/it