sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Santa Margarida d’Youville, Fundadora - 16 de outubro

     
     Margarida nasceu em Varennes, Quebec, no dia 15 de outubro de 1701, filha de Cristovão-Dufrost de Lajemmerais e de Renée de Varennes. Era a mais velha de uma família de seis filhos; perdeu seu pai quando tinha apenas sete anos. 
     Dos 11 aos 13 anos estudou no pensionato das Irmãs Ursulinas de Quebec, o que lhe possibilitou ajudar na educação de seus irmãos; foi também apoio indispensável à sua mãe nos trabalhos domésticos.
     Margarida cresceu em idade e maturidade. Sua graça e distinção atraiam a atenção de pretendes e um jovem nobre tornou-se seu noivo. Entretanto, o segundo casamento de sua mãe com um médico irlandês, que a sociedade de Varennes considerava como um estrangeiro, influencia a reputação familiar de Margarida e o seu primeiro noivado é desfeito.
     A família se transferiu para Montreal, onde Margarida conheceu Francisco d’Youville e casou-se com ele no dia 12 de agosto de 1722. O marido era um homem volúvel, egoísta, indiferente e ela sofria com suas longas ausências e seu comércio ilegal de aguardente com os Ameríndios. Francisco ficou gravemente doente e veio a falecer com a idade de 30 anos, após oito anos de casamento. Margarida estava grávida de seu sexto filho; dos seis filhos, quatro morreram ainda pequenos.
     Viúva aos 28 anos, com dois filhos para educar, com dívidas contraídas pelo marido e sua reputação de novo abalada devido aos atos do esposo, Margarida abre um pequeno comércio tendo em vista a sua sobrevivência e a dos filhos, as dívidas que o marido lhe deixara, e ainda prover as necessidades dos pobres que ela encontra em seu caminho.
     Sua família não aprovava seu gesto de caridade, alegando não ser bem visto pela sociedade que uma mulher de ascendência nobre, agisse de tal maneira. Apesar da oposição familiar e da sociedade, Margarida continuou sua missão junto aos pobres. Na idade de 26 anos, ainda durante o casamento, ela havia sido agraciada por Deus com uma experiência espiritual que iria transformar a sua vida conduzindo-a a cumprir sua missão de caridade.
     No dia 21 de novembro de 1737, Margarida acolheu em sua casa uma mulher cega. Mais ainda, pedia esmola para o enterro dos criminosos executados na praça do mercado de sua cidade e consertava as roupas dos idosos do Hospital geral de Montreal. Sua dedicação aos pobres inspira três mulheres a se juntarem a ela.
     No dia 31 de dezembro de 1737, Margarida e suas três amigas se consagram ao serviço dos pobres em quem elas veem Jesus Cristo. Esse ato é considerado como a fundação da Congregação das Irmãs de Caridade de Montreal “Soeurs Grises”. Este foi o nome dado a este pequeno grupo por desprezo. “As irmãs estão grises” (quer dizer estão embriagadas!), gritava o povo, com desprezo, para Margarida e para suas companheiras.
     As pessoas que a discriminavam o faziam por relacionarem o seu trabalho ao tráfico de Francisco d’ Youville. Contudo, o mesmo povo que as desprezava então, as enalteceria mais tarde, pois elas passariam para a História como aquelas que a todos atendem e estendem a mão com suma caridade.
     Mais tarde, quando as irmãs já eram bem respeitadas, Margarida escolheria este nome (soeurs grises) em sinal de humildade e lembrança desta injusta acusação.
     Nos anos seguintes a obra sofre várias provações: incêndio, doença, pobreza extrema, conquista do país pelos ingleses. Margarida e suas Irmãs as aceitam numa atitude de confiança na Providência divina. No dia 2 de fevereiro de 1745, dia seguinte ao incêndio que destruiu sua casa, assinavam os Primeiros Propósitos: “receber, nutrir e manter tantos pobres quantos possamos sustentar...” Fiéis ao compromisso que assumiram, se mantêm serenas e encontram força e apoio na inabalável confiança na Divina Providência.
     O Hospital geral de Montreal, construído em 1693 pelos irmãos Charon, estava em ruínas. A direção desse hospital foi confiada provisoriamente a Margarida, pois ninguém queria assumir tal tarefa. Ela entrou nesta instituição no dia 7 de outubro de 1747 e, em menos de 3 anos, com a ajuda de suas companheiras, renovou completamente esse hospital para fazer dele uma casa de acolhimento. – “Vamos à casa das ‘Soeurs Grises’, dizia o povo desvalido, elas nunca recusam ninguém”.
     Sem conhecimento de Margarida, as autoridades decidiram fazer uma fusão entre o Hospital geral de Montreal e o de Quebec. Com sua constante confiança em Deus, ela diz: “Se Deus nos chama a governar esta casa, seu plano se realizará, os obstáculos e perseguição dos homens não nos poderão abalar”.
     Em 1753, Luís XV, rei da França, assinava as “Cartas patentes” sancionando a nomeação de Margarida como diretora do Hospital geral. Não demorou e esta instituição ficou cheia, abrigando idosos, órfãos, deficientes mentais ou físicos, doentes crônicos, crianças abandonadas.
     Margarida viveu no Hospital geral de 1747 até seu falecimento, dia 23 de dezembro de 1771. Ela abria seu coração e sua casa a todas as necessidades humanas. As últimas palavras de Margarida continuam ainda a inspirar as Irmãs de Caridade hoje. Seu último pedido foi que ficassem fiéis ao caminho que lhes havia sido traçado por Deus e percorrido por ela e suas companheiras: obediência à vontade de Deus e a mais perfeita união entre elas.
     No dia 3 de maio de 1959, o papa João XXIII beatificou Margarida. Ela tornou-se assim a primeira mulher de origem canadense beatificada. Em 9 de dezembro de 1990, o papa João Paulo II canonizou esta Mãe dos pobres e apresentou-a ao mundo inteiro como modelo de amor compassivo.
     A Igreja celebra sua festa litúrgica no dia 16 de outubro.

Nota: Seus três filhos
- José Francisco Youville de la Découverte (1724-1778)
- Maria Luísa Youville (1727-1727)
- Carlos Maria Madalena Youville (1729-1790)
     Os dois filhos que chegaram a idade adulta se tornaram sacerdotes.


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Há 99 anos o Sol bailou no céu e 100.000 pessoas presenciaram o maior milagre do século 20! - 13 de outubro de 1917

     
     
     Você está a caminho do trabalho, como faz todos os dias. Imagine se num dia comum, de repente, você olhasse para o céu e…
                                           …o Sol começasse a se mexer! 
     No mínimo curioso, não é? Pois foi exatamente isso que aconteceu há 99 anos!
     No dia 13 de outubro de 1917, 70.000 pessoas estavam na Cova da Iria, local onde os pastorinhos Lúcia, Francisco e Jacinta contemplavam a visita de Nossa Senhora desde maio daquele ano. 
     Agora era o cenário onde milhares de pessoas poderiam ver com os próprios olhos o milagre que a Mãe de Deus já havia previsto para aquela data.
     Nossa Senhora havia alertado os pastorinhos, três meses antes do milagre do sol, que ela faria  um milagre “para que todos vissem e acreditassem”.
     O governo de Portugal tentou evitar que as pessoas chegassem até a Cova da Iria. Haviam soldados impedindo a passagem dos fiéis.
     Uma verdadeira agitação. Mas nada impediu aqueles que esperavam o milagre anunciado pela Virgem de Fátima.
     Todos estavam ansiosos, inclusive os céticos e, independentemente da motivação para chegarem até lá, ninguém imaginava o que estava por vir…
     Ninguém além dos três pastorinhos podia ver Nossa Senhora. Ela apareceu a eles, novamente perto de uma árvore chamada azinheira, como havia feito desde o começo de suas aparições.
     Enquanto a Virgem Maria fazia previsões às três crianças, a multidão começou a presenciar o milagre do sol.
     Esse foi o testemunho do Sr. Mário Godinho, que presenciou de perto os 10 minutos em que o Sol “bailou” no céu: “Vi, numa área bem nítida do céu (onde não se pode fixar o sol diretamente) o próprio sol. Era como um disco de vidro fosco iluminado por detrás e girando sobre si mesmo, dando a impressão que estava caindo sobre nossas cabeças. Ouvi centenas de pessoas gritarem palavras de fé e amor à Santíssima Virgem. E então acreditei. Estava certo de que não tinha sido vítima de sugestão. Nunca mais vi o sol como aquela vez”.
     Além das 70.000 testemunhas que estavam na cova da Iria, cerca de 30.000 pessoas ainda puderam assistir ao espetacular milagre em até 960 km quadrados de distância.
     Inúmeras pessoas se converteram naquele dia. O Sol se mexeu no céu, sem cegar. As roupas das pessoas secaram da chuva. 

     Era um sinal claro, direto e maravilhoso que Deus, por intermédio de Nossa Senhora, enviou ao povo de Portugal no dia 13 de outubro de 1917.
     O país inteiro começou então a perceber que não se tratava de invenção das três crianças.
     Multidões inteiras continuaram a se dirigir a Fátima e o impacto do milagre aumentava à medida em que as testemunhas divulgavam mais e mais o que tinham visto.
     O Milagre do Sol é dirigido a nós para nos recordar de que Deus existe e que nós o rejeitamos toda vez que O desobedecemos e ignoramos; foi espetacular e assustador para que todos acreditassem.
     A Virgem Maria em sua gigantesca bondade nos deu em suas aparições os meios de rejeitarmos a nós mesmos e abandonar o pecado que nos lança para os castigos de Deus.
     Se de um lado a mensagem é terrível, de outro ela nos dá esperanças e a total confiança na máxima: ”Por fim meu Imaculado Coração Triunfará”
     “Sinto-me incapaz de descrever o que vi […]. Apavorado, corri e me escondi do meio das pessoas que choravam, imaginando que o fim do mundo fosse iminente. Tratava-se de uma multidão reunida do lado de fora de nossa aldeia em que homens e mulheres gritavam surpreendidos pelo que estava acontecendo; razão pela qual
todos nós deixamos as aulas e corremos à rua”. (Padre Joaquim Lourenço, que assistiu ao milagre do Sol)


Fonte: http://www.adf.org.br

Santa Parasceve, a Jovem, eremita - 13 de outubro

     

      A “Vida de Santa Parasceve, a Jovem”, foi escrita pelo Metropolitana de Myra, Mateus, no século XVII, após a última transferência das relíquias para a Moldávia em 1641, seis séculos depois da morte da santa eremita.
     Parasceve nasceu em Epivate, um porto a um dia de caminhada de Constantinopla. Ela viveu e morreu provavelmente no século X.
     Pertencia a uma família nobre; ela e seu irmão Eutimio ficaram órfãs muito jovens e ambos decidiram abraçar a vida religiosa. Eutimio, por suas virtudes, foi feito bispo de Maditos. Parasceve, depois de um certo número de anos em um mosteiro, se retirou como eremita em uma área do deserto do Jordão, imitando a vida santa dos antigos monges eremitas do Egito e da Síria: longas orações, vigílias noturnas e jejum frequente. Ela só comia algo aos sábados e domingos e dormia sobre a terra nua
     Certa noite Parasceve teve uma visão de um anjo que a exortava a perseverar em sua vida de penitente, e recomendou-lhe voltar para sua cidade natal.
     Parasceve deixou então o eremitério e foi para Constantinopla, e como peregrina visitou os santuários, colocando-se sob a proteção da Virgem na igreja de Blachernae; em seguida, dirigiu-se a Epivate, onde continuou nas práticas de penitência, mortificação e oração, o que fez o resto de sua vida. Quando morreu, ela foi enterrada por pessoas que sequer a conheciam, e sua memória se evanesceu.
     Mas, em uma data posterior, um milagre fez florescer sua memória: perto de Epivate vivia um estilita. Um dia alguns marinheiros lançaram aos pés de sua coluna o corpo de um dos seus colegas morto de peste. O corpo começou a apodrecer, exalando um cheiro tão forte, que o estilita rezou para alguém vir enterrá-lo. Alguns homens, cavando a sepultura, encontraram um corpo enterrado que exalava um perfume tão delicado que superava o mau cheiro do cadáver.
     Um certo Jorge, que fazia parte do grupo de coveiros, à noite teve um sonho no qual ele era convidado a colocar em um caixão o corpo encontrado, revelando-lhe o nome de Parasceve, nascida e criada em Epivate. Na mesma noite uma vizinha de Jorge teve um outro sonho em que a Santa prometia que ajudaria quem com fé recorresse a ela. Ela tornou-se padroeira da cidade. As relíquias foram levadas para a igreja dos Santos Apóstolos, onde muitos milagres ocorreram; em 1204, os conquistadores francos levaram inúmeras relíquias de Constantinopla para o Ocidente.
     Mas, em 1230-1231 o corpo Santa Parasceve foi cedido pelo imperador de Constantinopla ao rei conquistador búlgaro João II de Asen (1218-1241), que o levou para Turnov, na Bulgária, onde foi recebido com solenidade pelo Patriarca Basílio, e foi colocado na basílica do palácio imperial.
     Quando em 1393 os turcos tomaram Turnov, então capital da Bulgária, as relíquias foram transferidas para Belgrado, onde permaneceram até 1521, quando a cidade foi conquistada por Solimão, o Magnífico. Sabendo da grande veneração que os cristãos tinham por essas relíquias, o sultão as enviou para Constantinopla, onde o patriarca as fez depositar na igreja Pammacaristos.
     Mas as relíquias não permaneceram por muito tempo ali: quando em 1586 Murad III tomou o santuário dos cristãos, estas e outras relíquias foram levadas para a igreja de São Demétrio Kanabu e depois para a igreja de São Jorge no Fanar, em 1612 e, finalmente, em 1641, chegaram à Moldávia.
     Suas relíquias agora repousam na Romênia, na cidade de Iasi. Em Belgrado, o poço de Santa Parasceva cura miraculosamente os enfermos que dele se aproximam com fé em Deus e amor a essa santa.
     Depois da transladação para Turnov a Santa, com o nome de Petka ou Petnica, gozava de grande popularidade entre o povo búlgaro e logo se tornou a patrona nacional. Ela sempre teve um culto especial entre os povos eslavos dos Balcãs, porque acreditava-se que seus pais eram eslavos.
     Sua festa é celebrada no dia 13 de outubro.


Fonte: www.santiebeati.it/

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A Princesa Isabel e sua devoção a Nossa Senhora Aparecida




    

     A história da Princesa Isabel com Nossa Senhora Aparecida é muito bonita e conhecida por poucos.
     A Princesa Isabel era devota fervorosa de Nossa Senhora Aparecida e tinha o sonho de ser mãe de um menino que herdasse o trono da realeza.
     Com o objetivo de ser mãe a qualquer custo, a Princesa Isabel sofreu vários abortos e a primeira gravidez que conseguiu levar até os nove meses foi frustrante, porque resultou no nascimento de uma menina morta, após um trabalho de parto difícil e muito doloroso de 50 horas. Foi um momento muito triste.
     Mas muito persistente e devota de Nossa Senhora Aparecida, a Princesa Isabel pedia com muita fé o favor da Santa Mãe de Deus de lhe conceder um filho, e no mês de Maria se dedicava limpando e adornando diariamente, com flores frescas, a Igreja de Petrópolis (RJ) onde morava.
     Um ano após perder a filha, a Princesa deu à luz o herdeiro do trono. No dia 15 de outubro de 1875 nasceu D. Pedro de Alcântara; o menino nasceu asfixiado em consequência do fórcipe e sofreu lesões no braço esquerdo.
     Foi com muita fé que a Princesa Isabel conseguiu realizar o sonho de ter um filho, após 11 anos de casada. Nos anos seguintes a realeza brasileira ganhou outros dois herdeiros, D. Luiz Maria e D. Antônio.
     Por duas vezes, durante o Império, a Princesa se fez romeira da santa e lhe ofereceu régios presentes.
     Em 6 de novembro de 1888, a Princesa Isabel visitou pela segunda vez a basílica e ofertou à santa, em agradecimento por uma graça alcançada (promessa feita em sua primeira visita, em 8 de dezembro de 1868), uma coroa de ouro de 14 centímetros de altura e 11 de largura, feita com 300 gramas de ouro 24 quilates, cravejada com 40 diamantes e rubis, juntamente com um manto azul, ricamente adornado. Esta é a mesma coroa com que a Imagem foi coroada Rainha do Brasil em 8 de setembro de 1904 e que está coroando Nossa Senhora em Aparecida até hoje.
*

     Isabel, filha do último Imperador do Brasil, D. Pedro II, nasceu em julho de 1846. Casou-se com 18 anos, com D. Luiz Felipe d’ Orleans, o Conde d’Eu e governou o Brasil por três vezes. Na terceira vez, assinou a Lei Áurea, que aboliu a escravidão.
     Por esse nobre motivo o Papa Leão XIII concedeu a ela a Rosa de Ouro, em 28 de setembro de 1888. A princesa foi a única brasileira a receber a Rosa de Ouro. Os outros dois exemplares foram dedicados ao Santuário Nacional de Aparecida pelos Papas Paulo VI em 1967 e Bento XVI em 2007.
     A história de Aparecida tem outro fato curioso sobre a passagem da Princesa Isabel.
     No ano de 1857, o escravo Zacarias fugiu de Curitiba e veio para Bananal, cidade de São Paulo, sendo preso e algemado. Ao passar pela Capela de Aparecida, pediu ao feitor a licença de ver Nossa Senhora Aparecida e ele permitiu. Ao fazer o seu pedido de clemência por liberdade, o escravo se ajoelhou e ergueu os braços algemados e fez a prece. A corrente caiu tinindo no chão. Foi um dos primeiros milagres conhecidos de Nossa Senhora Aparecida a correr pelas vilas vizinhas e pela província.
     Quando aconteceu o milagre da libertação de Zacarias, todos os escravos tinham a esperança de também serem libertos. Outro escravo conseguiu autorização do feitor para entrar na Capela. Rezou e fez o mesmo pedido, mas a corrente não se abriu. Ele rezou tristemente e ficou decepcionado por não ter alcançado o milagre. Levantou-se e descendo a antiga Rua da Calçada, hoje Ladeira Monte Carmelo, no centro de Aparecida, viu a comitiva real. O escravo ajoelhou-se e pediu a bênção da Princesa.
     Dona Isabel ordenou então que o escravo fosse posto em liberdade. As correntes não caíram no chão como o do escravo Zacarias, mas Nossa Senhora fez com que a princesa fosse tocada pelo gesto do escravo e lhe concedesse a libertação.
     Por ter assinado a libertação dos escravos a Princesa recebeu o título de ‘Redentora’. Após 32 anos de desterro, a Princesa faleceu em Paris no dia 14 de outubro de 1921.





sábado, 8 de outubro de 2016

Santa Renfrida, Abadessa de Denain – 8 de outubro

     
     A História nos relata que “Renfrida, educada santamente por seus pais, pediu-lhes para se consagrar inteiramente a Nosso Senhor Jesus Cristo fazendo-se religiosa”.
     Parece que suas nove irmãs seguiram a mais velha na vocação religiosa. Um relato moderno diz “que é possível que alguns dos nomes de irmãs tenham sido dados a companheiras de Renfrida por ter abraçado a vida religiosa com as outras”.
     Os pais, que se alegraram com esta decisão comum de suas filhas, “fundaram e edificaram, em 764 (754 ou 774) uma igreja e um claustro dedicados a Virgem Maria, em um local de seu condado chamado Denaing”, e também uma outra igreja dedicada à São Martinho, para os habitantes da região.
     Documentos antigos são ainda inéditos, por exemplo, o manuscrito de Jean d’Arleux no. 880 da biblioteca de Cambrai e as obras de Wauchier de Denain do século XIII, e poderão esclarecer ainda mais todo o itinerário desta cidade, da Abadia e, consequentemente, a história de seus ilustres Santos.
     Está escrito que “este local próximo ao rio L’Escaut, muito aprazível e bastante conveniente, deleitável, com belos prados, rico de boas terras, fecundas de bosques e a floresta que existe aí embeleza a região. Este local é chamado Denaing desde antigamente”. É certo que o vilarejo existia antes da construção do mosteiro (300 a 400 habitantes), mas foi graças às monjas que Denain entrou para a História.
     A Igreja de São Martinho existe ainda hoje. A igreja das religiosas de Santa Maria localizava-se em parte na atual Praça Wilson, os fundamentos foram encontrados em 1924, mas infelizmente não foram preservados.
     O mosteiro ficava entre o presbitério de São Martinho e o castelo Le Bret (um dos últimos vestígios da abadia com as casas da rua levando ao castelo – talvez as mais antigas cavalariças, e comuns ao castelo – e também o pavilhão da rua da pirâmide hoje abandonado).
     Esta região foi evangelizada inicialmente por pregadores itinerantes: São Martinho, São Saulve, São Amando e também por monges irlandeses. Uma segunda evangelização foi feita em seguida por habitantes da região: Santa Aldegunda (Maubeuge), Santa Maxelenda (Caudry), Santa Fara (Bruay sur l’Escaut), Santa Renfrida (Denain). Toda esta história religiosa se estende por vários séculos: do século VI à época carolíngia (750-850).
     Muito se tem falado sobre uma viagem à Roma e à Jerusalém levada a cabo “sob boa escolta” por Renfrida e suas irmãs. É certo que as peregrinações por devoção aos Lugares Santos eram muito comuns na época; é dito que foi a mãe, Santa Regina, que incentivou suas filhas a fazer esta viagem, cheia de perigos.
     Em Roma, cinco irmãs decidiram ir a Terra Santa – Jerusalém, Belém e Nazaré – e não retornaram. As outras também morreram na cidade de Roma e Renfrida voltou sozinha para Denain. Ela encontrou sua mãe desolada por ter suas filhas longe e neste meio tempo havia perdido seu esposo, o conde Adalberto *, que, dizem, morreu de desgosto pela perda de suas filhas.
     Parece que durante a ausência de Renfrida jovens ingressaram no mosteiro. Foi Santa Regina que as acolheu e por isso ela é considerada como a primeira abadessa e é representada com a coroa real e o báculo de abadessa.
     Quando Renfrida retornou a Denain, Regina se retirou em uma cela, que ela havia mandado construir, para ali se consagrar à contemplação e à oração.
     É dito também que Renfrida dirigiu o mosteiro durante 25 anos e que ela morreu em 805 (ou 775, 791, 800). Ela foi sepultada na igreja entre o pai e a mãe. Em 1793 as sepulturas de Regina, Adalberto e Renfrida ainda eram visíveis na igreja de Denain.
     Renfrida, considerada fundadora da Abadia de Denain, com a ajuda de sua mãe, Santa Regina, é celebrada na diocese de Cambrai. Ela também é patrona de duas paróquias da diocese de Namur (Bélgica).
     Santa Renfrida foi venerada, amada e invocada durante os mil anos de existência do ilustre capítulo das Cônegas de Denain. Ela também foi venerada pelos habitantes de Denain e pelas regiões vizinhas devido à reputação do mosteiro.
     Os três relicários contendo relíquias de Renfrida, Regina e Adalberto eram levados em procissões solenes, especialmente na cidade de Valenciennes. Os anais dos Bollandistas (volume IV, de outubro) lembram que há muitas comprovações litúrgicas do culto de Santa Renfrida que remontam ao século IX.
     Santa Renfrida continua sendo a Padroeira de Denain.  Há séculos ela é venerada por uma multidão de peregrinos, que veem implorar sua intercessão junto ao Senhor, para curá-los de alguma doença dos olhos. Para isto, a Fonte de Santa Renfrida é procurada por suas águas milagrosas.
     Há uma paróquia dedicada a Santa Renfrida em Hönnepel, Alemanha; outra em Oret, ao sul de Charleroi, na Bélgica; e ainda outra em Pry, França.
     Em 2005, todas estas paróquias, comemoraram os 1200 anos do falecimento de Santa Renfrida. Em Denain, ela foi mais especialmente lembrada.
     O Martirológio Romano a festeja no dia 8 de outubro.


* Adelberto II de Ostrevent († 790), ou Santo Adalberto, esposo de Santa Regina, além de Renfrida foi pai do rei Pepino. Ele é festejado em 22 de abril.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Santas Fé e Alberta, Virgens e mártires - 6 de outubro

Martirológio Romano: Em Agen na Aquitânia, hoje França, Santa Fé, mártir.

     Venerada na Idade Média, na França e em outros lugares, infelizmente esta Santa é conhecida apenas por documentos lendários. O Martirológio Geronimiano a recorda no dia 6 de outubro, mas não indica quando a santa morreu. O autor desconhecido do original da passio, hoje perdida, contudo era conhecida por Floro; este a inseriu no seu martirológio. A passio afirma que Fé morreu durante a perseguição de Diocleciano e Aronis precisa o ano: 303. Seu martírio deve ter ocorrido em uma das perseguições do século III.
     A vida de Santa Fé é relatada em um poema do século XII, a Canção de Santa Fé. A pequena Fé, nascida em uma rica família de Agen, foi convertida ao catolicismo pelo bispo São Caprasio. Tinha 12 anos quando eclodiu a perseguição de Diocleciano. O prefeito Daciano mandou prendê-la e não conseguindo convencê-la a sacrificar aos ídolos, fez com que ela fosse colocada sobre uma chapa de ferro em brasa. Uma tempestade providencial apagou o fogo, e finalmente a pequena Fé foi decapitada.
     Muitos milagres ocorreram junto ao túmulo da santa, o que a tornou muito conhecida. A ela é atribuído o fato de ter livrado prisioneiros.
    No século V o bispo Dulcídio construiu em Agen uma basílica, restaurada no século XIII e ampliada no século XV; foi demolida em 1892 para atender as necessidades urbanísticas.
     Mas, ao contrário de todos os costumes, o centro de irradiação do culto a Santa Fé não foi a basílica ad corpus, mas a igreja de Conques-en-Rouergue, para onde, no século IX, foram transladadas algumas de suas relíquias. Além da igreja, havia também um mosteiro que se tornou famoso devido sua localização. Estando na rota medieval dos peregrinos de São Tiago de Compostela, estes paravam ali para venerar a santa; paravam também os cavaleiros cristãos que iam para o mesmo Santuário de Compostela antes de enfrentar os mouros invasores na Espanha.
     O culto de Santa Fé espalhou-se assim por toda a Europa e depois para a América, onde muitas cidades e igrejas foram dedicadas a ela. Entre as mais importantes são dignas de nota a Abadia de Conches na Normandia e a igreja Sélestat, na Alsácia.
*
     De acordo com uma tradição e um culto recente, Alberta seria irmã de Santa Fé e foi decapitada provavelmente no século III. Celebrada em 11 de outubro em Agen desde 1727, ela é comemorada no dia 6 de outubro junto com sua irmã.
     Seus restos mortais são conservados na igreja de São Pedro e São Febade de Venerque, no Alto Garonne. Eles foram encontrados no mesmo relicário de São Febade. O Abade Melet foi o responsável pelo encontro destas relíquias. Ele sabia que a cabeça de São Febade não estava neste relicário pois ela continua em Agen. Ora, ele descobriu ossos de crânio e outros ossos que visivelmente não pertenciam ao bispo de Agen. Após minuciosas buscas em velhos arquivos, o Abade Melet desvendou o segredo: tratava-se dos restos de Santa Alberta; eles estavam reunidos em um mesmo relicário desde o século X. Uma parte das relíquias foi distribuída especialmente à catedral São Caprasio d’Agen.
     Na nova edição do Martirológio Romano de 2003, o nome Santa Alberta virgem e mártir não aparece, embora tivesse sido mencionada em edições anteriores. A autorizada Bibliotheca Sanctorum informa sobre uma Santa Alberta, virgem e mártir de Agen, cidade da França (Lot-et-Garonne), seu culto e a vida está intimamente ligada à de Santa Fé, célebre menina mártir que sofreu muitos tormentos antes de ser morta.
     Acredita-se que Alberta é irmã de Santa Fé e foi decapitada junto com santos Caprasio, bispo, Primo e Feliciano, outros cristãos do lugar. Maior foi o culto da mártir Santa Fé, talvez por causa do significado do seu nome, ou devido sua jovem idade e, sobretudo, porque foi dedicada a ela a igreja de Conques-en-Rouergne. Isto deve ter deixado na sombra a figura da suposta irmã Alberta, provavelmente mais velha do que ela.
     O nome Alberta é principalmente lembrado como o feminino de Santo Alberto Magno, mestre de São Tomás de Aquino, que é festejado em 15 de novembro, mas no uso corrente a versão mais difundida é Albertina.
Relicário de Sta. Fé em Conques

Reunião das duas irmãs
     Após a descoberta das relíquias de Santa Alberta, em 22 de setembro de 1884, o bispo de Rodez doou a Venerque uma relíquia de Santa Fé, “a fim de que as duas irmãs se reúnam novamente”. Estas novas relíquias provêm do relicário de Santa Fé que foi descoberto em Conques. Este evento aconteceu em 21 de outubro de 1884, numa cerimônia solene no lugar chamado Montfrouzi em Venerque, pelo vigário de Agen, o Abade Rumeau. O martírio da santa foi dado como exemplo as jovens como coragem diante da morte. Três bispos e quarenta padres estavam presentes além de uma multidão imensa.

     Santa Alberta é representada no frontispício da Abadia de Santa Fé de Conques.  Ela está ao lado do Cristo Majestoso, à direita, que simboliza o Paraiso. Ela faz parte do cortejo dos eleitos precedidos pela Virgem. Carlos Magno, benfeitor legendário da abadia, também está ali. Santa Alberta está entre São Caprasio, bispo de Agen, e Aronis, o monge que levou de Agen as relíquias de sua irmã, Santa Fé.   

Abadia de Santa Fé de Conques

sábado, 1 de outubro de 2016

Madre Jacinta de São José, Carmelita – 2 de outubro

Na América, o aparecimento e desenvolvimento do Carmelo Descalço feminino deu-se, em certa medida, de forma semelhante ao caso francês e belga. Sem poder contar com a iniciativa direta da Ordem, muitos colonos que alimentavam o desejo de que se fundassem conventos carmelitas em suas terras, tiveram que constituí-los por conta própria, recebendo quando muito um apoio indireto por parte da Ordem. Foi o que ocorreu no caso do Brasil. Aqui, o primeiro Convento de Carmelitas Descalças surgiu do empenho pessoal de uma leiga, Jacinta Pereira Ayres, filha de importante família de Colônia, que com o apoio do Bispo do Rio de Janeiro, Dom Frei João da Cruz, Carmelita Descalço, e do Governador da Província, Gomes Freire de Andrade, Conde de Bobadela, o fundou em 1750, nas encostas do morro do Desterro, nas imediações do atual Bairro da Lapa.
Madre Jacinta – como ficou conhecida por todos, apesar de nunca haver professado canonicamente – nasceu no Rio de Janeiro, a 15 de outubro de 1715, festa de Santa Teresa de Jesus, de pais profundamente cristãos. Crescendo nesse ambiente de profunda religiosidade, desde pequena foi favorecida de graças extraordinárias e tornou-se admirável por suas virtudes e pela vida perfeita que levava na casa paterna. Jacinta sentiu-se naturalmente inclinada a abraçar a vida religiosa. Revelou o seu desejo à sua irmã Francisca, e ambas resolveram entrar num Convento. Não havendo, porém, convento de religiosas, naquele tempo, no Rio de Janeiro, o padrasto - pois seu pai já havia morrido - requereu a licença de Sua Majestade D. João V, Rei de Portugal, que benignamente deferiu, a fim de que Jacinta e sua irmã Francisca fossem para Lisboa e aí escolhessem o Convento e a Ordem que mais lhes agradasse.
É interessante a observação da historiadora Leila Mezan Algranti: "Numa colônia de população tão rala, não havia espaço para a vida contemplativa feminina. Embora a presença de religiosos homens tenha marcado a colonização desde o início, o estabelecimento de congregações de mulheres é bem posterior. Mesmo quando a colonização já ia avançada, nos séculos XVII e XVIII, a Coroa procurou manter-se fiel à política de incentivo ao casamento, proibindo, sempre que possível, o surgimento de mosteiros para mulheres, principalmente nas zonas menos povoadas e pouco desenvolvidas”.
Faltando, contudo, pouco tempo para seu embarque a Lisboa, um acidente impediu Jacinta de deixar o Rio de Janeiro. Presa à cama com o quadril fraturado, sem poder andar ou ficar de pé, Jacinta se viu obrigada então a abandonar seu projeto.
Mais tarde, já se convalescendo da fratura, Jacinta "um dia, ao descer a ladeira do Desterro, depois de assistir à Missa que ali era celebrada, teve a FELIZ INSPIRAÇÃO de escolher naqueles arredores um lugar solitário para aí, com sua irmã e outras piedosas donzelas, que a quisessem acompanhar, viver debaixo de uma Regra". Encontrando uma chácara abandonada, conhecida como chácara da Bica, Jacinta, com o apoio de um tio, conseguiu adquiri-la por preço moderado e, no dia 27 de março de 1742, acompanhada por seu irmão por parte de pai, que era sacerdote, e uma criada, deixou a casa paterna e, "depois de se ter confessado e comungado, ouvido Missa na ermida do Desterro, foi encerrar-se naquela chácara isolada, com a firme intenção de nunca mais sair dali". No dia seguinte, Francisca juntava-se a Jacinta. As duas, com a ajuda do irmão José, improvisaram então, em meio às ruínas da chácara, um insólito convento, estabelecendo inclusive clausura. Construíram uma capelinha em honra ao Menino Deus, que ainda hoje existe na Rua Riachuelo, restaurada pela Sociedade de São Vicente de Paula.
Logo a notícia do aparecimento da nova casa se difundiu por toda a cidade, causando ótima impressão na opinião pública, e no poder civil e eclesiástico da Colônia. Assim, a partir de 1748, outras jovens foram se agregando a elas e, desde então, Madre Jacinta passou a contar com o apoio e a admiração do governador, o Conde de Bobadela, Gomes Freire de Andrade, e do Bispo, Dom Frei João da Cruz. Aconselhada pelo confessor do bispo, Frei Manoel de Jesus, também Carmelita Descalço, Madre Jacinta resolveu adotar, para regular a vida de sua nascente comunidade, as Constituições da reforma teresiana, ainda que oficialmente as donzelas da Chácara da Bica continuassem a ser leigas.
Desejosa de transformar o recolhimento em Convento Carmelita Descalço, Jacinta pede a autorização e o apoio do bispo D. Frei João da Cruz que, entusiasmado com a idéia, iniciou os procedimentos para obter as licenças que deveriam ser dadas por Roma e pela Coroa portuguesa. Entrementes, permitiu que se recebesse oficialmente postulantes em seu recolhimento, autorizando que vestissem o hábito carmelitano depois de cumprido o tempo regular da profissão religiosa. Ao mesmo tempo, Madre Jacinta, providenciava com o Governador o projeto do edifício que abrigaria a primeira comunidade carmelitana do Brasil, cuja pedra seria assentada pelo Bispo, às 15:00 hs do dia 24 de junho de 1750.
O Governador, Gomes Freire de Andrade, atraído pela fama das virtudes de Madre Jacinta e suas filhas, foi visitá-las com o Bispo D. Antônio do Desterro e adquiriu-lhes tão grande estima, que tendo alcançado do Bispo a doação da antiga ermida do Desterro (não se pode precisar o ano de sua fundação; sabe-se que sua construção data de 1629, no dia 15 de agosto.), que há mais de um século se elevava no outeiro do mesmo nome (o atual Morro de Santa Teresa), um pouco acima da Chácara, onde muitas vezes ela tinha ido rezar, edificou ao lado o Convento de Santa Teresa, à sua custa, segundo o projeto do Brigadeiro José Fernandes Alpoim, indo muitas vezes inspecionar o andamento da construção.
Antes, porém, que pudesse encaminhar os pedidos de oficialização do Convento, D. João da Cruz viu-se obrigado a deixar a Diocese, passando o governo a D. Frei Antônio do Desterro, franciscano, que orientado por Madre Jacinta e pelo Conde de Bobadela, deu prosseguimento às gestões de seu antecessor. No momento de pedir autorização para a fundação de um Convento Carmelita, o fez para um de Clarissas. Ao saberem disso, quando chegou o Breve Pontifício, em janeiro de 1751, Madre Jacinta e suas companheiras não o aceitaram, recusando-se a professarem numa Regra que não condizia com as suas reivindicações.
Sentindo-se traídas, pediram a intervenção do Conde de Bobadela para que convencesse o Bispo a mudar de idéia e lhes permitissem professar na Regra que haviam escolhido. Como ele se mantinha inflexível, Madre Jacinta decidiu resolver pessoalmente a questão, indo a Lisboa em busca de um novo breve e da licença real.
"Uma teia de intrigas desencadeou-se a partir da viagem de Madre Jacinta..." Mas depois de examinar os documentos referentes ao caso e investigar pessoalmente a Madre, o Padre Col manifestou-se favorável ao seu pedido, julgando-a capaz e bem intencionada. Entretanto, buscando testar a humildade e obediência da brasileira, sugeriu ao monarca, em seu parecer, “que lhe fosse vedada a condição de Fundadora e Priora e que, para o estabelecimento do convento, fossem enviadas de Portugal carmelitas experientes”. Assim instruído e tendo entrevistado pessoalmente Madre Jacinta, o rei, D. José I, não apenas expediu o alvará favorável, como ainda providenciou para que seu representante em Roma, Antônio Freire de Andrade Encerrabodes, obtivesse a fundação de um convento segundo a Regra e as Constituições da Reforma Carmelitana de Santa Teresa. Este foi expedido no dia 22 de dezembro de 1755.
Munida das devidas licenças, Madre Jacinta retornou ao Brasil, aportando no Rio de Janeiro a 17 de abril de 1756.
Apesar das autorizações, o Bispo D. Antônio não quis professar canonicamente Madre Jacinta e suas filhas, indo de encontro às disposições oficiais de Roma e Portugal. Porém, em vista desta divergência irreconciliável, o Conde de Bobadela achou prudente não insistir mais, esperando que com o tempo, havia afinal de desaparecer todos os embaraços. Madre Jacinta, que podia apelar à Corte e à Sé apostólica, resolveu aceitar o conselho do conde e não insistiu mais no assunto.
Em 1757, concluídas as obras do edifício do convento, Madre Jacinta e suas filhas ali se recolheram definitivamente, “vivendo em observância religiosa, seguindo em tudo a Regra e Constituições da reforma carmelitana...” Em 1767, o Recolhimento de Santa Teresa contava já com 21 mulheres, número máximo definido pelas Constituições.
Madre Jacinta, findou seus dias na prática constante das virtudes e no dia 2 de outubro de 1768 morre, aos 52 anos de idade, sem ter podido receber a profissão canônica. Seus restos mortais são conservados no Convento de Santa Teresa, assim como os do fundador, Gomes Freire de Andrade, falecido em 1º de janeiro de 1763.
As filhas de Madre Jacinta continuaram recolhidas em seu Convento, imitando os exemplos de sua admirável Fundadora, até que após a morte de D. Frei Antônio do Desterro, ocorrida em 1773, o seu sucessor, D. Joaquim Justiniano Mascarenhas Castelo Branco, em 1780, reconheceu oficialmente a clausura e vestiu canonicamente as recolhidas com o hábito carmelitano. Em seguida, no dia 23 de janeiro de 1781, finalmente, as filhas de Madre Jacinta professaram os votos religiosos solenes.
Quantos anos de perseverança! Vinte e cinco anos desde a expedição do Breve Pontifício! O Convento de Santa Teresa teve a alegria de celebrar os seus 250 anos de Fundação, no ano Jubilar 2000 do nascimento de Jesus Cristo (1750 - 2000).
1o. Convento Carmelita do Brasil - Rio de Janeiro