quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

‘NOITE FELIZ’, a história de sua origem

     
     Cada povo tem suas canções, seus próprios cânticos de Natal. Entretanto existe uma canção de Natal interpretada praticamente no mundo inteiro, em todas as línguas, “Noite Feliz” ou “Stille Nacht”, conforme seu título em alemão.
    Há mais de 200 anos, no dia 11 de dezembro de 1792, um ano depois da morte de Mozart, um menino pobre nasceu na mesma cidade do célebre compositor, em Salzburgo, Áustria. Era o terceiro filho de Ana Schoiber, uma costureira que remendava e fabricava meias. O pai dele chamava-se Joseph Mohr, um soldado que legou o nome ao filho antes de desertar e desaparecer, deixando a família na miséria. As autoridades de Salzburgo acharam que 3 filhos naturais era demais. Ana Schoiber foi condenada a pagar uma multa de 9 florins.
     Naquele momento surgiu a salvação na pessoa de Joseph Wohlmuth, um homem que afirmou querer pagar a multa de Ana Schoiber se pudesse ser o padrinho do pequeno Joseph. Visto que Wohlmuth era o carrasco oficial de Salzburgo, ele não podia entrar na igreja para o batismo da criança, e mandou sua cozinheira substitui-lo na cerimônia. Foi assim que começou a vida difícil do menino Joseph Mohr: sem pai, vivendo na miséria com a mãe e dois irmãos, tendo um padrinho que era o carrasco da cidade.
     A pequena família morava perto do Monte dos Capuchinhos, num apartamento invadido pela umidade: tal situação foi a origem da tuberculose de Joseph. Em condições tão precárias como essas, na Salzburgo do início do século 18, era impossível prever um futuro para um menino que nem sequer tinha a oportunidade de aprender um oficio. Muitas vezes, sentado na escada da casa, Joseph pensava cantando em voz alta. Um dirigente do coro da Catedral de Salzburgo descobriu essa voz e convenceu a mãe que deixasse o filho cantar na igreja. Abriram-se assim para Joseph as portas de uma vida melhor.
     Uma certa amargura surgiu depois daquela felicidade: nos registros da escola Joseph Mohr teve de ser declarado órfão, medida tomada para proteger o menino, visto que na época filhos de mães solteiras não eram admitidos em nenhum lugar. Apesar de tudo, aos 7 anos de idade, Joseph foi para a escola primária e alguns anos mais tarde terminou o curso secundário. Já tocava violino e cantava no coro da Igreja de São Pedro de Salzburgo.
     Em 1810 encontramos Joseph Mohr estudando filosofia e preparando-se para o sacerdócio. Um ano mais tarde entrou no seminário. No dia 15 de julho de 1815 foi ordenado numa cerimônia solene na Catedral de Salzburgo. É incrível o caminho percorrido por esse menino pobre de Salzburgo. A partir de um berço cercado por tantas privações tornou-se um sacerdote da Igreja.
     Pouco tempo depois da sua ordenação o novo sacerdote teve que se apresentar como vicário em Mariapfarr, um povoado longe de Salzburgo. Foi em Mariapfarr que seu pai tinha nascido. Joseph tinha o pressentimento que ali ele iria encontrar alguns parentes, e, que teria de abandonar o anonimato de seu estado civil de órfão. Esse povoado se encontra a mais de 1000 metros de altitude e só era acessível no verão, em razão da neve invernal. O pároco de Mariapfarr contou ao novo vigário que muitas casas da região haviam sido construídas com pedras de lugares sagrados dos romanos e dos celtas e que ainda existiam muitas tradições em matéria de medicina e nos costumes dos habitantes em geral.
     Joseph Mohr visitou essas construções perdidas nas montanhas. Os passeios nos bosques, o ar puro e a vida sadia fizeram desaparecer quase que completamente os seus problemas pulmonares. Em Mariapfarr, Joseph Mohr encontrou o seu avô. Era um homem sábio, conhecedor de todas as tradições e da vida dos camponeses da região. Ninguém perguntou nada a Joseph sobre sua origem: todo mundo aceitou-o como padre e como neto do velho Mohr. Na sua paróquia, Joseph viveu um Natal extraordinário. Quando estudante assistira a festas solenes e frias que não haviam tocado o seu coração. Em Mariapfarr Joseph viu que com canções populares podem existir festas alegres e profundas que despertam calor humano e sentimentos de caridade nos corações.

     É possível que naquela atmosfera, tão diferente da Catedral de Salzburgo, tenha surgido a primeira semente da poesia da canção “Noite Feliz”. Quando todos os fiéis saíram da igreja, os coroinhas acenderam as velas das lanternas para iluminar o caminho das casas. “Noite silenciosa, noite santa. Todos dormem. Só o santíssimo casal vela com carinho. Gracioso menino de cabelo anelado: durma na paz celeste”. Assim começa a primeira estrofe da poesia que escreveu Joseph Mohr. Recentemente, encontramos em Salzburgo um fac-símile do ano de 1816 da canção “Noite Feliz” para duas vozes e violão, com letra de Joseph Mohr, música de Franz Xaver Gruber. 1816 foi o ano da morte do avô de Joseph em Mariapfarr. O texto foi escrito quando a guerra havia terminado na Áustria.
     A tuberculose reincidiu. Depois de um período de convalescença em Salzburgo, Joseph viu que não podia viver na montanha. Como vigário encontrou outra paróquia a 20 km ao norte de Salzburgo, no povoado de Oberndorf, à margem do rio Salzach. Foi ali que ele conheceu o maestro Franz Xaver Gruber, organista, músico.
     Os dois amigos começaram a tocar juntos na igreja e em casa. Joseph Mohr ficou muito feliz em reencontrar o rio e os bosques de sua juventude. Foi bem aceito pelos fiéis, porque um padre que podia ficar em posição reta e de pé numa embarcação era uma pessoa merecedora de respeito. Mas o padre do povoado ficou com ciúmes da ascendência espiritual do jovem vigário entre os fiéis. Ele descobriu que Joseph era filho natural e começou a amargar a sua vida.
     Estamos perto do Natal de 1818. O maestro e amigo Franz Xaver Gruber tentou uma reconciliação organizando uma vigília de Natal. O Pe. Joseph visitou seu amigo, que morava num apartamentinho acima da escolinha da vizinha aldeia de Arnsdorf. Mostrou-lhe o poema que havia escrito em Mariapfarr e os dois amigos trabalharam na composição. Assim, em 25 de dezembro de 1818, nasceu a canção de Natal que hoje em dia é interpretada no mundo inteiro, em todas as línguas “Noite Feliz”.
     Quando aqueles dois homens acompanhados pelo coro cantavam por vez primeira em pé diante do altarzinho da capela de São Nicolau, o “Stille Nacht! Heiligen Nacht!”, não faziam ideia da repercussão que o fato teria no mundo.
Franz Xaver Gruber e Pe. Joseph Mohr
     Karl Mauracher, mestre construtor e reparador de órgãos viajou várias vezes a Oberndorf para consertar o órgão. Numa das viagens obteve a partitura e a levou para sua terra. Foi assim, também despretensiosamente, que começou a difusão.
     De início, nem tinha nome e era chamada de “canção folclórica tirolesa”. Duas famílias que viajavam cantando canções populares do vale do Ziller incorporaram a peça a seu repertório e a entoaram em dezembro de 1832 em Leipzig num concerto de música folclórica. A partir de então a difusão progrediu como mancha de azeite.  
     Por fim, a família Rainer cantou o Stille Nacht na presença do imperador da Áustria Francisco I e do czar da Rússia Alexandre I. A canção natalina passou a ser a preferida do rei Frederico Guilherme IV da Prússia.
     O Pe. Joseph morreu pobremente na cidadezinha de Wagrain, nos Alpes, como pároco. Ele doou todos os seus bens para a educação das crianças.
     O inspetor escolar de São Johann, num relatório ao bispo, descreve o Pe. Joseph como um amigo dos fiéis, sempre perto dos pobres e um pai protetor. Seu nome foi esquecido por todos até ser recuperado posteriormente.
     A família de Franz Xaver Gruber conservou alguns dos humildes móveis do músico e o violão daquela noite abençoada, hoje peça histórica. O túmulo de Franz é decorado com uma árvore de Natal todos os meses de dezembro.
     A imagem dos dois coautores está nos vitralzinhos da capelinha de São Nicolau.
     Assim é a riqueza insondável da Igreja: faz nascer no coração dos humildes e despretensiosos frutos de graça, perfeição e beleza que os gênios naturalmente mais dotados do mundo jamais conseguem superar.



Fontes: Autor: Peter Schuler; Tradução: Magda Bonetti; Versão brasileira: Torquato Leitãohttp://queridosfilhos.org.br/Natal_noite_feliz_historia.html; catedraismedievais.blogspot.com/

A capela do "Stille Nach" em Oberndorf

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Beata Maria Francisca Schervier, religiosa e fundadora - 14 de dezembro

Fundadora das Irmãs dos Pobres de São Francisco

     Maria Francisca Schervier nasceu em Aachen, Alemanha, no dia 3 de janeiro de 1819, filha de João Henrique e Luísa Migeon. Era afilhada do Imperador Francisco II. Depois da morte de sua mãe, ocorrida em 1832, passou a socorrer os pobres em suas necessidades e a ensinar o catecismo.
     Era o início da Revolução Industrial; o ambiente frequentemente era hostil, porque a burguesia ostentava uma atitude voltairiana. Maria Francisca, filha de um rico fabricante de agulhas, costumava visitar a fábrica da família para distribuir comida e roupas aos trabalhadores.  
     Observando os moradores de seu bairro, ela percebeu que muitas pessoas, inclusive crianças, trabalhavam em condições precárias nas fábricas e que eram muitas as que viviam na pobreza.  Essa experiência na adolescência modelou a sua vida. Como era uma jovem devotada à oração, ela ousou sonhar em se dedicar a ajudar os pobres e os doentes da sua cidade. E escreveu: “Senti arder em mim a chama de um grande amor ao próximo”. Ela não se deixava desanimar por nenhum cansaço nem pelo temor diante das dificuldades, e encontrou ajuda para sua obra em um sacerdote de sua paróquia.
     Em 1844, Maria Francisca, abastada e culta, decidiu entrar em um grupo de pessoas que viviam sob a inspiração dos ideais de São Francisco de Assis, a Ordem Terceira Secular de São Francisco (OFS). Esta Ordem havia sido fundada pelo próprio São Francisco para leigos que desejavam viver com simplicidade e servir os pobres.  Maria Francisca e algumas amigas serviam à mesa dos pobres da paróquia da Igreja de São Paulo, em Aachen.
    No dia 11 de maio de 1845, Francisca e suas amigas fundaram uma congregação religiosa feminina dedicada a levar cuidados, esperança e compaixão aos pobres e aos sofredores.  A data da fundação tem um significado espiritual porque era a Festa de Pentecostes, em que a Santa Igreja comemora a descida do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos no Cenáculo, e por extensão, ao mundo.
    Este grupo pouco depois teve ocasião de prestar um grande serviço durante uma epidemia de cólera e de varíola que assolou a cidade.
   Para dar uma forma canônica à nascente instituição, escreveu uma Regra em que punha seu pequeno grupo sob a proteção de São Francisco de Assis, acentuando a caridade, a pobreza e as obras de misericórdia para com os pobres. Daí vem o nome do instituto: Irmãs dos Pobres de São Francisco de Assis.
    Sua Regra, entretanto, somente foi aprovada por São Pio X em 1908. A nova congregação se difundiu rapidamente: já em 1858 havia sido fundada uma casa provincial em Hartwel, Estados Unidos.
     Às vésperas da aprovação pontifícia o Instituto contava já com 61 casas, das quais 16 na América, e 1500 religiosas. Atualmente há 12 casas na Alemanha e nos Estados Unidos, algumas religiosas se têm dedicado à obra de recuperação da juventude e outras se dedicaram, durante as guerras de 1864, 1866 e 1870, à assistência sanitária dos militares nos hospitais.
   Em sua Autobiografia a Beata Francisca escreveu: “Da cruz me pareceu receber a profunda compreensão que deveria dedicar-me inteiramente ao Senhor com a prática concreta da caridade ao próximo. O fogo do amor ao próximo já ardia em meu coração e daquele momento em diante senti um grande desejo de procurar e de amar o Senhor nos pobres, nos doentes, dos infelizes. Nos pobres e nos sofredores reconheci o Senhor tão claramente como se O houvesse visto com os olhos do corpo; por isso, todos os meus pensamentos e desejos eram focados no ver como fazer para amá-los e confortá-los como se fora Ele mesmo”.
     Apesar desta atividade dinâmica, Maria Francisca sabia encontrar tempo para se dedicar à oração, a meditação, a visita diária ao Santíssimo Sacramento, o cultivo de uma terna e filial devoção a Mãe de Deus.
    Era suave para com todos e severa consigo mesma; praticava mortificações e penitências, tinha grande respeito pelos sacerdotes. Suportou com resignação cristã a última enfermidade que aprimorou sua alma e a fez digna da glória.
    Maria Francisca faleceu no dia 14 de dezembro de 1876 em Aachen. Tinha quase 58 anos de idade. A cidade participou de seu funeral e a chorou porque perdeu a mãe amadíssima de todos, especialmente dos pobres, dos infelizes e dos pequenos.
     Foi beatificada no dia 28 de abril de 1974.  
    Atualmente, as Irmãs Franciscanas dos Pobres estão presentes nos Estados Unidos, na Itália, no Brasil, no Senegal e nas Filipinas.


Fontes: www.santiebeati.it/ Guillermo Ferrini | Fuente: FrateFrancesco.org 


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Santa Bertoara, Abadessa – 12 de dezembro

   
Figura representando uma Abadessa
no século VI-VII


Santa Bertoara (século VII) Abadessa da Abadia de Notre-Dame-de-Sales da cidade de Bourges, França.
     Jonas de Bobbio, hagiógrafo de São Columbano, menciona quatro fundações columbianas na diocese de Bourges. Na Vita Columbani está escrito que Bertoara, jovem de nobre estirpe, fundou o mosteiro de monjas chamado Notre-Dame-de-Sales em Bourges.
     Ela viveu na época do bispo de Bourges, São Austregésilo (Saint Oustrille, em francês) e foi testemunha de muitos milagres realizados por este santo a favor dos pobres e dos miseráveis.
     Santa Bertoara aparece duas vezes nos relatos dos milagres de São Austregésilo constantes da Vita escrita por Jonas (Bibl. Hag. Lat. No. 841, c. 10 e 14 ib. p. 197-199):
     Uma noite, quando ela se dirigia à igreja para a oração da Vigília, percebeu sob a calha do telhado de uma casa um paralítico que queria ir à igreja ver São Austregésilo. Ela ordenou aos seus servidores que fossem buscar o paralítico e o levassem até o altar. O Santo viu o pobre homem, exortou-o à contrição de seus pecados e, após terem-lhe dado um banho, ele se curou.
     Outra menção feita a Bertoara se refere a cura de uma jovem de nome Friovala, que São Austregésilo curou dando-lhe a Eucaristia. Antes da cura, esta jovem tinha terríveis crises de raiva e acreditavam que ela estivesse possessa pelo demônio. São Austregésilo deu a ela o hábito religioso, prescreveu-lhe a abstinência de carne e de vinho, e a confiou a Santa Bertoara.
     A diocese de Bourges não conservou sua memória: nenhuma igreja ou altar foi consagrado à esta Santa; ela não aparece nos calendários antigos. Por volta do ano 990 as monjas foram substituídas por canonisas que acolheram monjas fugitivas trazendo uma preciosa relíquia: a correia que havia atado Jesus à coluna da flagelação.  Atualmente não há nenhum traço deste mosteiro, situado provavelmente no quarteirão episcopal. A igreja Notre-Dame-de-Sales, que ameaçava ruir, foi destruída em 1960.
     No passado Santa Bertoara, segundo os antigos, era festejada no dia 4 de dezembro; hoje na diocese de Bourges sua festa está fixada no dia 12 de dezembro.


Fonte bibliográfica: Gilles Cugnier, Histoire du monastère de Luxeuil à travers ses abbés, 2004-2006, tome 1, pages 16, 171, 205, 274, édition Guéniot, Langres.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Beata Dolores Broseta Bonet, Leiga mártir de 1936 – 9 de dezembro

Martirológio Romano: Na Comunidade Valenciana, Espanha, Beatas Josefa Martínez Pérez e 12 religiosas professas da Congregação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paula, que junto com Dolores Broseta Bonet, leiga, foram assassinadas por ódio à fé. (1936) 

     Dolores nasceu em Bétera (Valencia, Espanha) em 1892 no seio de uma família de seis filhos. Dois morreram pequenos. Seus pais, Joaquim e Maria, bons cristãos, levavam seus filhos ao Colégio Asilo das Filhas da Caridade a partir dos três anos. Dolores era a mais nova dos irmãos que chegaram a idade adulta.
     Aos 16 anos terminou sua formação no colégio e se dedica a ajudar as Irmãs, sem descuidar de sua mãe idosa, pois seus três irmãos viviam fora de Bétera. Dolores participou da Associação das Filhas de Maria da Medalha Milagrosa, e nela cultivou a imitação da Santíssima Virgem na oração e no atendimento aos pobres.
     Aos 21 anos decidiu se tornar Filha da Caridade. Foi ao Hospital de Valencia para realizar a prova, mas por sofrer de frequentes hemorragias não pode ingressar no instituto, razão pela qual passou a cuidar e a ensinar crianças.
      Quando em 1925 sua mãe falece, ela se passou a viver no convento, ajudando as monjas como leiga.
Fiel colaboradora
     Apesar de sua saúde delicada, Dolores ajudava a comunidade de todas as maneiras que lhe era possível. Colaborava com as Irmãs na classe dos pequenos e na oficina de bordados. Segundo quem a conheceu, era uma mulher muito generosa e boa.
     Em 21 de junho de 1936 as religiosas foram expulsas do convento e Dolores se refugiou na casa de seus irmãos.
     As monjas encontraram hospitalidade em um local do povoado, mas no início de agosto o comitê comunista obrigou-as a abandonar Bétera. A pequena comunidade de cinco religiosas transferiu-se para uma pousada em Valencia, e Dolores cuidava para que não faltasse nada a elas. Percorria as ruas buscando provisões para as religiosas. Ia seguidamente para Bétera e faz chegar às Irmãs os víveres recolhidos entre os habitantes da cidade, que sentiam carinho e estima pelas religiosas.
     Um ex-alcaide ameaçou Dolores para que lhe dissesse o lugar onde estavam refugiadas as Irmãs. Ela chorou muito, mas não disse nada. Este homem e outro de Moncada, seguiram Dolores numa das viagens que fez e viram onde entrava, localizaram as Irmãs e as levaram prisioneiras a Checa localizada no Seminário diocesano de Moncada (Valencia). Levaram com elas também Dolores.
     No dia 9 de dezembro, a uma da madrugada, foram levadas ao “Picadero de Paterna”, onde normalmente eram assassinados os sacerdotes e as religiosas. Ali foram fuziladas junto a outros trinta ou quarenta católicos. Foram beatificadas em 13 de outubro de 2013.
A Beata Dolores e as Beatas religiosas beatificadas



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Festa da Imaculada Conceição de Maria – 8 de dezembro


   Em sua Constituição Apostólica Ineffabilis Deus (8 de dezembro de 1854), que definiu oficialmente a Imaculada Conceição como dogma, o Papa Pio IX recorreu principalmente para a afirmação de Gênesis 3:15, onde Deus disse: "Eu porei inimizades entre ti e a mulher, entre sua descendência e a dela", assim, segundo esta profecia, seria necessário uma mulher sem pecado para dar à luz o Cristo, que reconciliaria o homem com Deus.
     O verso "Tu és toda formosa, não há mancha em ti" (na Vulgata: "Tota pulchra es, amica mea, et macula non est in te"), no Cântico dos Cânticos (4,7) é usado para defender a Imaculada Conceição.
     Outros versos incluem:
     "Também farão uma arca de madeira incorruptível; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio, e de um côvado e meio a sua altura". (Êxodo 25:10-11)
     "Pode o puro [Jesus] vir dum ser impuro? Jamais!"(Jó 14:4)
     "Assim, fiz uma arca de madeira incorruptível, e alisei duas tábuas de pedra, como as primeiras; e subi ao monte com as duas tábuas na minha mão". (Deuteronômio 10:3)
     Outras traduções para a palavras incorruptível ("setim" em hebraico) incluem "acácia", "indestrutível" e "duro" para descrever a madeira utilizada. Noé usou essa madeira porque era considerada muito durável e "incorruptível". Maria é considerada a Arca da Nova da Aliança (Apocalipse 11:19) e, portanto, a Nova Arca seria igualmente "incorruptível" ou "imaculada".
História
     Desde o Cristianismo primitivo diversos Padres da Igreja defenderam a Imaculada Conceição da Virgem Maria, tanto no Oriente como no Ocidente. No século IV, Santo Efrém da Síria (306-373), diácono, teólogo e compositor de hinos, propunha que só Jesus Cristo e Maria são limpos e puros de toda a mancha do pecado.
     Já no século VIII se celebrava a festa litúrgica da Conceição de Maria aos 8 de dezembro ou nove meses antes da festa de sua natividade, comemorada no dia 8 de setembro. No século X, a Grã-Bretanha celebrava a Imaculada Conceição de Maria.
     A festa da Imaculada Conceição de 8 de dezembro foi definida em 28 de fevereiro de 1476 pelo Papa Sisto IV. A existência da festa é um forte indício da crença da Igreja sobre a Imaculada Conceição mesmo antes da sua definição do século XIX como um dogma.
     Em 1497, a Universidade de Paris decretou que ninguém poderia ser admitido na instituição se não defendesse a Imaculada Concepção de Maria, exemplo que foi seguido por outras universidades como a de Coimbra e de Évora.
     Em 1617, o Papa Paulo V proibiu que se afirmasse que Maria tivesse nascido com o pecado original, e em 1622 Gregório V impôs silêncio absoluto aos que se opunham à doutrina. Foi em 8 de dezembro de 1661 que Alexandre VII promulgou a Constituição apostólica Sollicitudo omnium Ecclesiarum em que definia o sentido da palavra conceptio, proibindo qualquer discussão sobre o assunto.
     Na Itália do século XV, o franciscano Bernardino de Bustis escreveu o Ofício da Imaculada Conceição, com aprovação oficial do texto pelo Papa Inocêncio XI em 1678. Foi enriquecido pelo Papa Pio IX em 31 de março de 1876, após a definição do dogma, com 300 dias de indulgência cada vez que recitado.
Visão de Santo Tomás de Aquino
     Teólogos e Doutores da Igreja, como Santo Anselmo, São Bernardo e São Boaventura, chegaram a negar a Imaculada Conceição.
     Sobre Santo Tomás de Aquino criou-se um consenso de que ele teria, durante toda a sua vida, negado e repudiado completamente o dogma da Imaculada Conceição. Tal consenso é falso, porque, inicialmente, este doutor da Igreja declarou abertamente que a Virgem foi pela graça imunizada contra o pecado original, defendendo claramente o dogma do privilégio mariano, que seria declarado e definido séculos mais tarde. No livro primeiro dos comentários dos livros das Sentenças (Sent.), escrito provavelmente em 1252 e quando Santo Tomás contava apenas 27 anos de idade, ainda no início de sua atividade acadêmica em Paris, ele escreveu o seguinte:
     "Ao terceiro, respondo dizendo que se consegue a pureza pelo afastamento do contrário: por isso, pode haver alguma criatura que, entre as realidades criadas, nenhum seja mais pura do que ela, se não houver nela nenhum contágio do pecado; e tal foi a pureza da Virgem Santa, que foi imune do pecado original e do atual". (I Sent., d. 44, q. 1, a. 3)
     Depois, Santo Tomás adotou uma postura confusa sobre o dogma da Imaculada Conceição, presente em trechos do Compêndio de Teologia e da Suma Teológica.
     Mas, no final da sua vida, Santo Tomás retornou à sua tese original favorável ao dogma mariano. A sua defesa encontra-se no texto Expositio super Salutatione angelicae, sermão de um período em que ele já contava 48 anos de idade, provavelmente do ano de 1273: Ipsa enim purissima fuit et quantum ad culpam, quia ipsa virgo nec originale, nec mortale nec veniale peccatum incurrit. ["Ela é, pois, puríssima também quanto à culpa, pois nunca incorreu em nenhum pecado, nem original, nem mortal ou venial".]
     Este retorno à tese original encontra-se também em várias obras da época final de São Tomás, como, por exemplo, na Postiila Super Psalmos de 1273, onde se lê, no comentário do Salmo 16, 2: "Em Cristo a Bem-Aventurada Virgem Maria não incorreu absolutamente em nenhuma mancha” ou no Salmo 18, 6: “Que não teve nenhuma obscuridade de pecado".
Lourdes
     Em 1858, Santa Bernadete Soubirou foi agraciada com uma aparição que se autodenominou "Imaculada Conceição" na localidade de Lourdes, na Diocese de Tarbes, na França. O caso foi submetido às autoridades civis locais e eclesiásticas, após o que o bispo de Tarbes deu por confirmadas as aparições como sendo da Virgem Maria. As autoridades civis francesas se viram impotentes para impedir a devoção de milhares de peregrinos na época. Atualmente, Lourdes se transformou num lugar de peregrinação internacional de milhões de católicos devotos da Virgem Maria.
 
Foto inédita de Sta. Bernadete na gruta das Aparições

https://pt.wikipedia.org/wiki/Imaculada_Concei%C3%A7%C3%A3o (excertos)

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Beata Aurélia (Clementina) Arambarri Fuente, Religiosa e mártir – 6 de dezembro

Martirológio Romano: Em Madrid, Espanha, Beata Aurélia (no século Clementina Arambarri Fuente) e 3 companheiras, religiosas professas das Servas de Maria Ministras dos Enfermos, assassinadas por ódio à fé. ( + 1936)

     A Beata Aurélia nasceu em Vitória, Álava, no dia 23 de outubro de 1866 e foi batizada no mesmo dia na paroquia de Santa Maria da Vitória, recebendo o nome de Clementina. Seus pais, católicos fervorosos, educaram cristã e piedosamente sua filha.
     Com 20 anos ingressou no Instituto das Servas de Maria, no dia 23 de agosto de 1866, na Casa Mãe. Conheceu a Fundadora, Santa Maria Soledade, sendo ela quem a admitiu e de cujas mãos recebeu o santo hábito, no dia 14 de novembro de 1866. Fez sua profissão temporária em 18 de dezembro de 1887, sendo destinada a Porto Rico, onde emitiu a profissão perpétua em 18 de dezembro de 1894.
     Aos 38 anos de idade foi nomeada Superiora da comunidade de Guanajuato (México), cargo que exerceu com grande caridade e solicitude até o ano de 1909, quando foi transferida para a comunidade de Durango e Puebla (México), onde vivenciou a terrível revolução mexicana.
     Transferida para a Espanha em agosto de 1916, confiaram a ela o cargo de Superiora em Mataró, Alcoy, Sarriá e Barbastro, demonstrando sempre o mesmo zelo e interesse pelas Irmãs em seu governo.
     Em outubro de 1929, ao ser erigida a Província de Madrid, foi transferida para a mesma como Conselheira Provincial e Superiora de Pozuelo de Alarcón, até que em 1934, vendo que suas forças naturais não lhe permitiam continuar em cargo tão delicado, foi transferida, com grande pesar por parte dos Superiores, para a enfermaria de Madrid, sendo modelo de virtudes para aqueles que dela cuidavam e aos que a visitavam.
     No ano 1936, diante do grande perigo que corriam as anciãs em Madrid, foi resolvido que Madre Aurélia seria transferida para a casa de Pozuelo de Alarcón, para que tivesse mais tranquilidade, embora os planos de Deus tenham sido diferentes.
     Tanto na calma como na adversidade o lema de Madre Aurélia era: “De Deus somos, Ele não permitirá que nos aconteça algo de ruim”.
     Em julho de 1936 a guerra civil espanhola foi declarada, a casa das religiosas foi invadida e as Irmãs tiveram que se dispersar entre as famílias conhecidas, ficando submetidas a uma rigorosa vigilância e sem comunicação umas com as outras. Madre Aurélia com outras três Irmãs foi reconhecida como religiosa e sem negar em nenhum momento sua condição de consagrada a Deus, foi escolhida para o martírio.
     É muito provável que Madre Aurélia tenha morrido na noite de 6 a 7 de dezembro de 1936 em Aravaca, Madrid. Madre Aurélia foi beatificada em 13 de outubro de 2013.

Fonte: SiervasDeMariaCastilla.com 

A Beata Aurélia e suas companheiras de martírio



sábado, 3 de dezembro de 2016

Sta. Hilária, seu esposo Cláudio, e os filhos Jasão e Mauro, Mártires em Roma – 3 de dezembro

Crisanto e Daria foram denunciados ao magistrado romano Cláudio como seguidores do Cristianismo. Testemunhando como Crisanto e Daria suportavam os cruéis suplícios, e os milagres que operavam, Cláudio também se converteu ao Cristianismo com sua esposa Hilária e seus filhos Jasão e Mauro. Por ordem do imperador, Cláudio foi afogado com uma pedra atada ao pescoço, e os filhos foram decapitados. Crisanto e Daria, depois de sofrerem horríveis suplícios, foram enterrados vivos.

     O grupo de mártires ao qual pertence Hilária consiste de quatro santos, Cláudio, Hilária, Jasão e Mauro, são celebrados pelo Martirológio Romano em 3 de dezembro.
     A notícia do martírio vem do Martirológio de Adônis, que tirou-a da Passio dos Santos Crisanto e Daria.
     De acordo com esta Passio, Cláudio era um oficial do exército que enquanto interrogava os mártires Crisanto e Daria, à vista de um milagre operado por eles se converteu ao Cristianismo juntamente com sua esposa Hilária, os filhos Jasão e Mauro, e 70 soldados.
     Informado do ocorrido, o imperador Numeriano (283-284) ordenou que Cláudio fosse lançado no mar com uma pedra no pescoço, enquanto os seus dois filhos, Jasão e Mauro, com 70 soldados, foram decapitados.
     Alquebrada pela dor, Hilária não conseguiu recuperar o corpo de seu marido, agora perdido no mar, e foi presa quando se preparava para enterrar os corpos de seus filhos. Antes de ser morta, ela pede para rezar; durante a oração foi martirizada.
     Mais tarde os cristãos de Roma reuniram-se em uma caverna próxima ao lugar do martírio para homenageá-los; os pagãos, ao saberem disso, obstruíram a entrada da caverna e todos os que estavam lá dentro morreram de fome. Dentre os que morreram nomeiam-se o presbítero Deodoro e o diácono Mariano.
     O túmulo de Hilária, Jasão e Mauro existia no século VII na Via Salaria, também mencionado nos itinerários da época, o de Mauro tinha sido ornado com um poema do Papa São Dâmaso.

     Estas poucas notas forçosamente falam apenas sobre o final sangrento, mas brilhante, de uma família cristã na era das perseguições romanas, não sabendo de sua vida na sociedade imperial.

Martírio dos Santos Mauro e Jasão