quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Quinta Aparição de Nossa Senhora de Fátima - 13 de setembro de 1917


    

     Na Quinta aparição de Nossa Senhora, como das outras vezes, uma série de fenômenos atmosféricos foram observados pelas pessoas que tinham ido à Cova da Iria.
     Calculou-se que estavam presentes entre 15 e 20 mil pessoas.
     O súbito refrescar da atmosfera, o empalidecer do sol até o ponto de se verem as estrelas, uma espécie de chuva como que de pétalas ou flocos de neve, que desapareciam antes de pousarem na terra.
     E desta vez, foi notado um globo luminoso que se movia lenta e majestosamente pelo céu de um para outro. E que, no final da aparição, moveu-se em sentido contrário.
     Os três pastorinhos notaram, como de costume, o reflexo de uma luz e, a seguir, viram Nossa Senhora sobre a azinheira.
     Nossa Senhora: Continuem a rezar o Terço para alcançarem o fim da guerra. Em outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, São José com o Menino Jesus, para abençoarem o mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda, trazei-a só durante o dia”.
     Lúcia: “Têm-me pedido para Lhe pedir muitas coisas: cura de alguns doentes, de um surdo-mudo
     Nossa Senhora: “Sim, alguns curarei, outros não. Em outubro farei um milagre para que todos acreditem”.
    E, começando a elevar-se, desapareceu como de costume.

Os três pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta no dia 13 de setembro de 2017

domingo, 10 de setembro de 2017

Beata Maria Celeste Crostarosa, Monja, Fundadora - 11 de setembro

    
     A Beata Maria Celeste Crostarosa transformou em realidade o projeto contemplativo redentorista. Uma mulher ao mesmo tempo forte e terna, devorada pelo fogo do Espírito Santo. Contemplar a ação de Deus em sua vida é uma verdadeira parábola de sabedoria
     Ela nasceu em Nápoles no dia 31 de outubro de 1696, décima dos doze filhos de José Crostarosa, magistrado e descendente de uma nobre família de Abruzzo, e de Paula Battistini Caldari. Foi batizada no dia 1º de novembro na igreja de São José Maior, com o nome de Júlia Marcela Santa.
     Precoce em inteligência e capacidade de raciocinar, dotada de um caráter decidido e extrovertido, a infância e adolescência de Júlia transcorreu na serenidade abastada de sua casa. Iniciou o aprofundamento de sua vida espiritual, mas não foi isenta de crise; aconselhada pelo Pe. Bartolomeu Cacace conseguiu superar aquela fase.
     Em 1716, aos 20 anos, acompanhou com sua mãe a irmã, Úrsula, ao mosteiro carmelita, recentemente fundado, de Santa Maria das 7 Dores em Marigliano, na província de Nápoles. Decidiu também ficar naquele mosteiro, já que há 3 anos fizera voto de castidade. Em 21 de novembro de 1718 as duas irmãs vestiram o hábito carmelita e iniciaram o noviciado, terminado no ano seguinte. Júlia tomou o nome de Irmã Cândida do Céu.
     Quando o mosteiro foi fechado por causas de força maior, as duas irmãs foram obrigadas a deixar Marigliano, em 16 de outubro de 1723. Depois de uma breve permanência na família, aceitaram o convite do Pe. Tomás Falcoia, das Obras Pias, que havia fundado dois anos antes o mosteiro da Santíssima Conceição em Scala, província de Salermo, ao qual dera a regra da Visitação. Elas se transferiram para lá em janeiro de 1724; Júlia assumiu o nome de Irmã Maria Celeste do Santo Deserto e foi seguida em breve por outra irmã, Joana.
     Em 25 de abril de 1725, depois da Comunhão, ocorreu o primeiro dos acontecimentos extraordinários dos quais seria protagonista. Foi revelado a ela como, por seu intermédio, o Senhor introduziria no mundo um novo instituto religioso. Por obediência à mestra de noviças redigiu o texto “Instituto e Regras do Santíssimo Salvador contidos nos Santos Evangelhos”.
     A aprovação foi alcançada depois de um atento exame por parte de um conselho de teólogos napolitanos, solicitado pelo Pe. Falcoia, e em seguida a não poucas dificuldades por parte dos superiores e de algumas coirmãs. Foi determinante, para a solução da contenda, a contribuição de um sacerdote napolitano, Pe. Afonso Maria de Liguori (futuro santo e doutor da Igreja).
     Em 13 de janeiro de 1731 teve início a Ordem do Santíssimo Salvador, que com a aprovação pontifícia, em 1750, mudará o título para “do Santíssimo Redentor”. Os religiosos são geralmente conhecidos como “Redentoristas”.
     A tantas graças logo sucederam momentos difíceis para Irmã Maria Celeste. Não poucas incompreensões surgiram entre ela, o Pe. Falcoia e a comunidade religiosa. A questão tornou-se mais complicada quando o novo bispo de Scala impôs à fundadora firmar uma nova versão da Regra, não ter mais como diretor espiritual o Pe. Falcoia e não se relacionar com um leigo, Tosquez. De fato, ela foi isolada da comunidade e privada da Eucaristia.
     Devido ao clima pesado que se criara, no mês de maio sua irmã Joana escreveu ao pai: desejava deixar o mosteiro. O Pe. Jorge Crostarosa, jesuíta, foi então para Scala e sugeriu que ela interrompesse seu relacionamento com Tosquez, mas não assinasse as Regras remanejadas, e se contentasse com o confessor ordinário do mosteiro. A conclusão do dissídio chegou no dia 14 de maio de 1733: Irmã Maria Celeste foi expulsa e com ela, voluntariamente, saíram as suas duas irmãs.
     Por 10 dias, de 26 de maio em diante, elas foram hóspedes do mosteiro beneditino da Santíssima Trindade de Amalfi. No mês de junho se retiraram no conservatório dominicano da Santíssima Anunciada em Pareti di Nocera (hoje Nocera Inferior, província de Salermo). Irmã Maria Celeste se tornou superiora e o reformou, exercendo o bem seja dentro como fora dos muros do claustro. O seu novo diretor espiritual, depois de 5 anos, foi Pe. Bernardino Sommantico.
     A pedido do Duque Ravaschieri de Roccapiemonte, em 7 de novembro de 1735 partiu novamente para uma tentativa de fundação. A sua comunidade se transferiu para o novo conservatório do Santíssimo Salvador em 4 de outubro de 1739, onde, em 26 de março de 1742, ocorreu a vestição de oito jovens. Finalmente Irmã Maria Celeste podia atuar segundo o que lhe fora inspirado, guiando as coirmãs, mas também as jovens que vinham ser educadas no mosteiro com equilíbrio e responsabilidade.
     Para ela a vida das monjas devia ser uma perfeita imitação da vida de Cristo; em consequência, a comunidade religiosa era concebida como “viva memória” de Seu amor redentor. O critério fundamental que as devia inspirar era a essência bebida na familiaridade com o Evangelho e concretizada no doar-se sem reserva ao próximo, como escrito na Regra.
     Além da estima de Santo Afonso Maria de Liguori, Irmã Maria Celeste gozava da amizade do jovem irmão redentorista Gerardo Maiella (ele também canonizado, conhecido entre nós como São Geraldo Magela) e de todo o povo de Foggia, que a chamava “a santa priora”. Por volta de 1750, aconselhada por seu diretor espiritual escreveu sua autobiografia, fonte de numerosos detalhes sobre sua história pessoal.
     Sua existência terrena se encerrou em 14 de setembro de 1755 no mosteiro de Foggia, enquanto o sacerdote que a assistia, lendo a Paixão segundo São João, chegara às palavras “Consummatum est” – “Está consumado”.
     Além da autobiografia, Madre Maria Celeste deixou um substancioso epistolário que completa o quadro de sua personalidade e permite observar sua vida interior. Como resultado de suas 14 obras ascéticas é considerada uma das maiores místicas italianas do século XVII.
     Na realidade, Madre Maria Celeste é uma grande desconhecida, entretanto, por sua obra e seus escritos merece um lugar de destaque na história da espiritualidade católica. Fundadora da Ordem do Santíssimo Redentor (Comunidades Contemplativas Redentoristas) em 1731, e inspiradora da Congregação do Santíssimo Redentor (Missionários Redentoristas) fundada por Santo Afonso Maria de Liguori em 1732, as comunidades redentoristas se expandiram pelo mundo todo, levando seu canto, louvor e serviço.
     A Beata dava uma importância extraordinária ao Evangelho como fonte primeira de inspiração tanto para o Instituto como para sua vida espiritual. Meditações sobre o Advento, Natal e Quaresma são valiosa ajuda para nos aproximar do Mistério de Cristo através da contemplação dos mistérios de Sua vida. Madre Maria Celeste vai percorrendo os textos do Evangelho e comentando os parágrafos para nos ajudar a aprofunda-lo e a nos encontrarmos com Deus, o Deus encarnado em Jesus Cristo por amor de nós.
     Graças a sua fama de santidade, de 9 de julho de 1879 ao 1º de julho de 1884, foi introduzido um processo informativo, seguido pelo decreto da Congregação dos Ritos em 11 de agosto de 1901. A validade jurídica do processo apostólico foi reconhecida em 21 de maio de 1999.
     Os cardeais e bispos membros da Congregação para a Causa dos Santos, na sessão ordinária de 7 de maio de 2013, reconheceram que a Serva de Deus exerceu em grau heroico as virtudes teologais, cardeais e anexas. Em 3 de junho de 2013 o papa Francisco autorizou a promulgação do decreto sobre a heroicidade das virtudes.
     Em 14 de dezembro de 2015 foi promulgado o decreto sobre o milagre ocorrido pela intercessão de Madre Maria Celeste. A beatificação foi celebrada no dia 18 de junho de 2016, em Foggia, conduzida pelo Cardeal Amato como enviado do papa.
     A memória litúrgica da Beata Maria Celeste Crostarosa, para as monjas redentoristas e os padres redentoristas fundados por Santo Afonso, é o dia 11 de setembro.

Fontes: www.santiebeati/it;
http://es.catholic.net/op/articulos/6078/cat/171/maria-celeste-crostarosa.html

As Filhas da Beata no Brasil
     Duas jovens brasileiras transpuseram os mares para ingressar no Mosteiro Redentorista de Bruges, Bélgica:  Helena Isnard (Irmã Maria Tereza do Menino Jesus) e Irmã Maria Luiza do Coração de Jesus. Elas regressaram ao Brasil no dia 14 de junho de 1921; o grupo das fundadoras desembarcou no Rio de Janeiro:  Madre Maria Clemente, Irmã Maria Verônica, Irmã Maria Tereza do Menino Jesus, Irmã Maria Luiza do Sagrado Coração de Jesus.
     Inicialmente as religiosas se instalaram em Vassouras – RJ e se transladaram para Itu – SP em fevereiro de 1924.
     Em março de 1952, a Irmã Maria Letícia da Virgem Misericordiosa, com outras irmãs oriundas de Itu, fundou o Mosteiro do Imaculado Coração de Maria na cidade de Belo Horizonte – MG.
     Em 22 de maio de 1969, Madre Letícia fundou, com algumas irmãs, o Mosteiro da Santa Face e do Puríssimo e Doloroso Coração de Maria, em Diamantina, que foi transladado em 1970 para Campos, onde chegaram em 26 de julho; por fim, este Mosteiro foi transladado para São Fidélis – RS, onde as Irmãs chegaram no dia 28 de dezembro de 2003.

     Para maiores detalhes sobre Madre Maria Letícia, vide post deste blog em 2 maio 2015.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Natividade de Nossa Senhora – 8 de setembro


    
     O nascimento de Nossa Senhora ou a Natividade de Maria é uma festa litúrgica da Igreja Católica, celebrada no dia 8 de setembro, nove meses após a sua Imaculada Conceição, celebrada em 8 de dezembro.
     Esta festa tem sua origem em Jerusalém. Começou a ser celebrada no século V como festa da Basílica Sanctae Mariae ubi nata est, atualmente conhecida como Basílica de Santa Ana. No século VII, já era celebrada pelas igrejas bizantinas e em Roma, como festa do nascimento da Bem-Aventurada Virgem Maria. A festa foi incluída no calendário tridentino em 8 de setembro e permanece, até hoje, nesta data.
     De acordo com a tradição, Maria nasceu de pais já velhos e estéreis, chamados Joaquim e Ana, como resposta às suas preces. A paciência e a resignação com que sofriam a esterilidade levaram-lhes ao prêmio de ter por filha aquela que havia de ser a Mãe de Jesus. Eram residentes em Jerusalém, ao lado da piscina de Betesda, onde hoje se ergue a Basílica de Santa Ana; e aí, num sábado, 8 de setembro do ano 20 a.C., nasceu-lhes uma filha que recebeu o nome de Miriam, que em hebraico significa "Senhora da Luz", passado para o latim como Maria. Maria foi oferecida ao Templo de Jerusalém aos três anos, tendo lá permanecido até os doze anos.
     Visivelmente, nenhum acontecimento extraordinário acompanhou o nascimento de Maria e os Evangelhos nada dizem sobre sua natividade. Nenhum relato de profecia, nem aparições de anjos, nem sinais extraordinários são narrados pelos evangelistas. No entanto, São João Damasceno afirma que o nascimento a partir de uma mãe estéril já era um sinal das bênçãos especiais que recaem sobre Maria. Ainda, em sua Homilia sobre a Natividade de Maria diz: "Hoje é o começo da salvação do mundo, porque na Santa Probática foi-nos gerada a Mãe de Deus através de quem o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, nos foi gerado".
     No século IV, e posteriormente, no século XV, surgiu a crença que Maria também teria sido concebida por uma virgem, pelo poder do Espírito Santo. Esta crença foi condenada como um erro pela Igreja Católica em 1677. A Igreja ensina que Maria foi concebida de maneira natural, mas foi miraculosamente preservada do pecado original para ser a mãe de Cristo. Esta concepção livre do pecado original é chamada de Imaculada Conceição.
     Assim se exprimiu o Padre Antônio Vieira sobre essa celebração:
     "Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno de ser festejado o Nascimento de Maria? Vede o para que nasceu. Nasceu para que dEla nascesse Deus. (...) Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde; perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios; perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo; perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação; perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres; perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança. Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz; os discordes, para Senhora da Paz; os desencaminhados, para Senhora da Guia; os cativos, para Senhora do Livramento; os cercados, para Senhora da Vitória. Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho; os navegantes, para Senhora da Boa Viagem; os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso; os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte; os pecadores todos, para Senhora da Graça; e todos os seus devotos, para Senhora da Glória. E se todas estas vozes se unirem em uma só voz, dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus" (Sermão do Nascimento da Mãe de Deus)”.



NATIVIDADE de Maria
Homilia de São João Damasceno
[...]
     Eu te saúdo, Maria, filha dulcíssima de Ana. De novo para ti o amor me impele. Como descrever o teu caminhar cheio de seriedade, os teus vestidos, a graça de teu rosto, a maturidade do discernimento num corpo juvenil? A tua forma de estar foi modesta, distante de todo o luxo e de toda a indolência; o teu caminhar era grave, sem precipitação, sem preguiça; o teu carácter era sério, temperado de júbilo, de uma perfeita reserva a propósito dos homens ? disto é testemunho a inquietação que te surgiu aquando da proposta inesperada do anjo. A teus pais dócil e obediente, tinhas humildes sentimentos nas mais altas contemplações, palavra amável, provinda de uma alma pacífica. Em resumo: que outra digna morada senão tu para Deus? Com razão todas as gerações te proclamam bem-aventurada, oh glória insigne da humanidade! Tu és a honra do sacerdócio, a esperança dos cristãos, a planta fecunda da virgindade, porque é através de ti que o renome da virgindade se estendeu aos confins do mundo. «Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o Fruto do teu ventre». Aqueles que confessam a tua maternidade divina são benditos, e malditos aqueles que a negam.
     12. Joaquim e Ana, casal abençoado, recebei de mim estas palavras de aniversário. Oh filha de Joaquim e de Ana, oh Soberana, acolhe a palavra deste teu servo pecador, mas inflamada pelo amor, e para quem tu és a única esperança de alegria, a protetora da vida e, junto de teu Filho, a reconciliadora e firme garantia da salvação. Possa tu aliviar-me do fardo dos meus pecados, dissipar a névoa que obscurece o meu espírito e o peso que me agarra à matéria. Possas tu deter as tentações, governar felizmente a minha vida e conduzir-me pela mão até à felicidade do Alto. Concede ao mundo a paz, e a todos os habitantes ortodoxos desta cidade uma alegria perfeita e a salvação eterna, pelas orações de teus pais e de todo o Corpo da Igreja. Assim seja, assim seja! «Salve, oh cheia de graça, o Senhor está contigo! Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto de teu ventre», Jesus Cristo, o Filho de Deus. A Ele a Glória, com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém.

Por São João Damasceno
Tradução: Seminário de Sintra (Portugal)

http://alexandrinabalasar.free.fr/natividade_de_maria.htm

Santa Regina, virgem e mártir – 7 de setembro


     Regina ou Reine, seu nome no idioma natal, viveu no século III, em Alise, na antiga Gália, França. Seu nascimento foi marcado por uma tragédia familiar, sua mãe morreu durante o parto. Por essa razão a criança precisou de uma ama de leite, e providencialmente esta era uma cristã. Foi ela que a inspirou nos caminhos da verdadeira fé e da virtude. Na adolescência, a própria Regina pediu para ser batizada, embora o ambiente em sua casa fosse pagão. 
     A cada dia tornava-se mais piedosa e crescia a convicção de que queria ser esposa de Cristo. Não aceitava o cortejo dos rapazes que queriam desposá-la, tanto por sua beleza física como por suas virtudes exemplares. Ela simplesmente se afastava de todos, preferindo passar a maior parte do seu tempo reclusa em oração e penitência. 
     Entretanto, o real martírio de Regina começou muito cedo e em sua própria casa. O seu pai, um servidor do Império Romano chamado Olíbrio, exigia que ela reverenciasse os deuses, até que um dia recebeu a denúncia de que Regina era uma cristã. No início não acreditou, mas resolveu investigar e quando percebeu que era verdade, denunciou a própria filha ao imperador Décio, que tentou seduzi-la com promessas vantajosas caso renegasse Cristo. Constatando que nada conseguiria com a bela jovem, muito menos demovê-la de sua fé, ele friamente mandou-a para o suplício. Regina sofreu torturas e foi decapitada. 
     Seu corpo foi transferido para fora da cidade de Alise, e uma basílica foi construída sobre seu túmulo. Rapidamente se desenvolveu um culto em sua honra, resultado de milagres ocorridos por sua intercessão. Entre os milagres consta a cura de uma criança de nome Heriboldo, que sofria de uma febre muito forte; um homem de Réome curou-se pela aplicação de um pedaço de madeira do sarcófago da santa; a cura de um irmão atingido pela doença da pedra e a cura parcial de um cego.
     O culto desta santa foi garantido pela descoberta, em 1909, do “serviço eucarístico” de Alise. A descoberta consistia de um conjunto constando de um prato e três cálices que se supõe eram utilizados para a celebração da Eucaristia. O prato tem a gravura de um peixe (ichtus) e o nome de “Regina”. O conjunto datado do século IV não deixa dúvidas quanto à existência da jovem mártir.
     A cidade Alise-Sainte-Reine, que se desenvolveu aos pés do Monte Auxois, a tem por padroeira, e a cada ano os habitantes organizam a representação de um ‘mistério’ em sua memória e em sua honra. A tradição é atestada desde 866 e continua ainda hoje. Esta é a mais antiga celebração de um mistério sem interrupção na França. Em 1271, ela foi precedida de um busto relicário de prata com as armas da França, de Castela e da antiga Borgonha.
     A Confraria de Santa Regina data de 1544, criada pelos religiosos de Flavigny e, em 1644, com a reforma dos beneditinos de Saint-Maur, a peregrinação recebeu uma nova vitalidade, e em 1659 os membros da Confraria foram dotados pelo Mons. Luís Doni d’Attichy, bispo de Autum, de 40 dias de indulgência.
     No século XVI, os monges passavam as correntes de Santa Regina em torno do pescoço dos peregrinos. Hoje estas correntes são conservadas na igreja paroquial de Flavigny-sur-Ozerain e expostas à veneração dos peregrinos no dia de sua festa, 7 de setembro.
     Suas relíquias são conservadas na Abadia de Flavigny-sur-Ozerain desde a metade do século IX. A cripta foi ordenada para receber o corpo da santa. No século XVII, suas relíquias foram colocadas em um armário atrás do altar mor e sua exposição acontecia no dia de sua festa.
     As semelhanças existentes com a vida de Santa Margarida da Antioquia levam autores a considerar que a narração da história de Santa Regina é apócrifa, esta tradição poderia ser a lembrança de um fato local.
     Além de Flavigy-sur-Ozerain e Alise-Sainte-Reine, há outros locais consagrados a Santa Regina: 1. Voisines, em Yonne, encontramos a capela de Santa Regina datando de 1827 e construída pelos habitantes após a realização de um voto feito em uma peregrinação à Alise-Sainte-Reine; 2. Drensteinfurt, Alemanha; 3. Osnabrück, Vestefália.
Imagem de Sta. Regina em Drensteinfurt, Alemanha




segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Beata Catarina Mattei de Racconigi, Dominicana - 4 de setembro

Martirológio Romano: Em Caramagnan no Piemonte, Beata Catarina Mattei, virgem, Irmã da Penitência de São Domingos, que suportou com caridade admirável e abundância de virtude a constante enfermidade, as calúnias dos homens e todas as tentações.

     A Beata Catarina de Racconigi foi uma viva cópia de Santa Catarina de Siena, a quem, por uma celeste visão, adotou como mestra. Catarina tinha quinze anos quando teve uma visão da Santíssima Virgem que tomando a mão da jovem a uniu a do Divino Redentor, dizendo: "Te dou por esposo meu Filho em fé, esperança e caridade”.
     Em outra visão, a Santíssima Virgem apresentou-se com o hábito dominicano, mandou que ela entrasse na Ordem Terceira, predizendo que em breve os irmãos abririam um convento em Racconigi.
     Jesus enriqueceu sua esposa com graças extraordinárias e um sem número de favores: imprimiu nela os santos estigmas, cingiu sua cabeça com uma coroa de espinhos.
     Jesus foi sempre sua única esperança no meio de dores, humilhações e calúnias de que foi objeto. Com suas palavras e suas orações conduziu inumeráveis almas a Deus. Se ofereceu como vítima para obter uma trégua nas contínuas guerras que assolavam sua pátria e foi escutada.
*
     Catarina Mattei era filha do ferreiro Jorge Mattei e sua esposa Billia Ferrari, que já tinham tido cinco filhos do sexo masculino antes dela. A cidade em que nasceu, Racconigi, governada por um ramo primogênito dos Savóia, era importante na indústria de transformação. No campo, os bichos-da-seda eram obtidos a partir de casulos de seda, cujos filamentos eram então trabalhados na cidade. Entre os trabalhadores também estava Catarina Mattei, apreciada como tecelã.
     Parece que ela inicialmente se dirigiu a uma comunidade local dos Servitas para tentar a vida religiosa. Em 1509, aos 23 anos, começou a frequentar um pequeno convento dominicano (estabelecido por Claudio de Savoia, Senhor de Racconigi) colocado sob a direção espiritual de um ilustre pregador: o Pe. Domenico Onesti de Bra. Mas, em breve, em torno dela começam rumores. Conhecendo sua intensa vida de oração, alguns falam sobre fatos sobrenaturais que acompanhariam essas devoções, mal interpretando suas palavras. Outros falam sobre exibicionismo, ou pior. Então, em 1512, ela foi intimada a comparecer perante o Tribunal do Bispo em Turim. Catarina vai, escuta, responde e volta para sua cidade serena e tranquila.
     Em 1514, aos 28 anos, a Ordem Dominicana acolheu-a canonicamente como terciária em Racconigi: Cláudio de Savoia estava presente no rito. Ela estava cada vez mais em conformidade com a espiritualidade dominicana do tempo, com toda a sua tensão resultante da influência de Savonarola, a reforma interna da Igreja (Jerônimo Savonarola fora condenado à fogueira por heresia em Florença quando Catarina tinha 12 anos). A tudo isso se misturava o aditivo do conflito frequente entre Ordens religiosas, que juntas chegavam a dividir os fiéis e a preocupar os governantes.
     Resultado: em 1523, Catarina Mattei recebeu a ordem de deixar Racconigi: Bernardino I de Savoia, o sucessor de Cláudio, tratou-a como um perigo público. Ela se instalou na vizinha Caramagna, levando uma vida comum com outras duas terciárias. Por um momento, mesmo os dominicanos estavam proibidos de visitá-la. Entretanto, os pregadores falavam dela nas suas andanças pela Itália. Assim, sua fama também chegou a Mirandola, em Modena, a um ilustre personagem entre os leigos católicos envolvidos na reforma da Igreja: Conde Francisco Pico (sobrinho e biógrafo do famoso João Pico della Mirandola).
     O Conde Francisco Pico foi o homem que no Concílio de Latrão V (1512-17) apresentou ao Papa Leão X um plano de reforma dos costumes na Igreja. Ele também se interessou por Catarina, primeiro escrevendo e depois encontrando-se várias vezes com ela no Piemonte e em Emilia. Ele também escreveria uma biografia dela com foco nos fenômenos de "iluminação" sobre os quais ela falava com ele.
     Catarina morreu na casa de Caramagna. Mas seu corpo - como ela havia disposto - foi transferido para Garessio, pátria do dominicano Pedro Martire Morelli, que foi seu último confessor. Ele ainda hoje se encontra em Garessio, na Igreja da Assunção da Virgem Maria. Em sua cidade natal, Racconigi, vive e ainda opera a Irmandade da Beata Catarina, e anualmente sua memória é celebrada na igreja dedicada a ela.
     O Papa Pio VII, em 9 de abril de 1808, ratificou seu culto concedendo-lhe Missa e Ofício próprios.

Fontes: ar.geocities.com/misa_tridentina01; www.santiebeati/it

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Beata Juliana de Collalto - 1 setembro

Martirológio Romano: Em Veneza, Beata Juliana de Collalto, Abadessa da Ordem de São Bento.

     Juliana nasceu em Collalto (hoje pertencente a comuna de Susegana, na província de Treviso|) em 1186. Seus pais eram o Conde Rambaldo VI e a Condessa Joana de Sant’Angelo, de Mântua, que lhe deram uma educação profundamente católica.
     Aos 12 anos, vestiu o hábito beneditino em Santa Margarida de Salarola. Ali viveu os primeiros anos de vida religiosa de modo exemplar. Em 1220 ingressou no mesmo mosteiro a Beata Beatriz I d’Este, e entre estas duas almas eleitas nasceu uma profunda amizade.
     Na poderosa e rica República de Veneza os mosteiros tinham a sua importância, mesmo porque eles acolhiam jovens das mais importantes e nobres famílias. Na Ilha de Spinalonga (hoje Giudecca) surgia a igreja de São Cataldo. Juliana, que se notabilizara pelo nome ilustre ao qual acrescentara excelentes virtudes, foi encarregada da fundação de um mosteiro ao lado daquela igreja. Nasceu assim, naquele local abandonado, uma comunidade claustral que por séculos se dedicará à oração. A igreja foi dedicada também a São Biagio.
     Juliana foi nomeada abadessa e, além do respeito à Regra para a sua própria santificação e de suas coirmãs, teve sempre particular apreço pelos pobres. A sua caridade era conhecida por toda cidade, e ainda em vida fez muitos prodígios. Do mosteiro dos Santos Biagio e Cataldo da Giudecca dependia aquele de “terra firme” de Pianiga, que Juliana fez restaurar por volta da metade do século. Após as leis de supressão das ordens religiosas de fins do século XVII, o edifício foi transformado na Vila Albarea.
     Nos últimos anos de sua vida a beata sofreu de fortes dores de cabeça, razão pela qual ela é patrona daqueles que sofrem do mesmo mal.
     A Beata Juliana faleceu no dia 1º de setembro de 1263, aos 76 anos de idade, dos quais 64 dedicados ao Senhor. Foi sepultada no cemitério da igreja, e continuou a ser lembrada pela fama de taumaturga. Muitos foram os seus biógrafos.
     Por volta de 1289, o seu corpo foi encontrado incorrupto e colocado em um sarcófago artístico. Em 1733, as relíquias foram colocadas em um altar da igreja, onde exatamente 20 anos depois (em 30 de maio) o Papa Bento XI confirmou seu culto “ab immemorabili”, com memória no dia 1º de setembro.
     Em 1810 o corpo foi transladado para a Igreja do Redentor e 12 anos depois para a paróquia de Santa Eufêmia, onde ainda hoje é venerado na capela de Sant’Ana. Na igreja de sua cidade natal são veneradas relíquias da falange, um rosário no qual apoiou a cabeça, um travesseiro e parte do hábito usado no momento da morte. O antigo sarcófago de madeira é hoje conservado no Museu Correr de Veneza. Seus quadros são antiquíssimo exemplo de como a pintura veneziana foi influenciada naquele tempo pela arte bizantina.
Cenas da vida da Beata Juliana de Collalto


Fonte: www.santiebeati/it - Daniel Bolognini

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Santa Rosa de Lima e o "poço dos milagres"


     No dia 30 de agosto, milhares de fiéis se reúnem no Santuário de Santa Rosa de Lima para celebrar o dia da padroeira do Peru e das Filipinas.
     Com muita devoção, crianças e adultos se aproximam do histórico “poço dos favores” para depositar suas cartas dirigidas à santa Rosa. O poço está localizado no interior do lugar onde vivia a santa – e hoje é o seu santuário.
     Na praça em frente ao poço podem ser lidas as seguintes palavras: “Rosa jogou neste poço a chave do cadeado de uma corrente de ferro que ela colocou na cintura para fazer a penitência perpétua pelos pecadores”.
História da devoção 
     A determinação para fazer penitência e aproximar-se das dores de Jesus na cruz sempre foi um destaque da vida de Santa Rosa. É através deste ato de amor que seu sacrifício feito em vida há tantos séculos ainda hoje segue dando graças abundantes ao povo de Lima e do mundo inteiro que a invoca.
     Conta-se que, um dia, a santa jogou no poço a chave do cadeado da corrente de ferro que usava na cintura como penitência e, quando lhe pediram para tirasse o cinto, Rosa confessou a impossibilidade de fazê-lo.
     Diante do fato, a santa se dirigiu ao poço dos favores e, depois de suas súplicas, foi ali que Deus abriu milagrosamente o cadeado.
     Quando ela morreu, os milagres e as graças conseguidas por sua intercessão cresceram cada vez mais. Os fiéis, então, começaram a deixar seus pedidos no poço, na confiança que Santa Rosa receberia a correspondência e, por sua intercessão, Deus concederia as graças.
     Com o passar dos séculos, milhões de pessoas deram testemunho das graças ali recebidas pela intercessão de Santa Rosa. São graças espirituais e materiais.
A fé compartilhada através da internet
     Nem todos os devotos da santa têm a possibilidade de estar em Lima para se aproximarem da casa dela. Por isso, para aqueles que não podem estar lá pessoalmente, o arcebispado de Lima criou uma plataforma virtual (http://www.arzobispadodelima.org/santa-rosa-de-lima/2011/07/04/buzon-virtual/), onde os fiéis do mundo inteiro podem deixar seus pedidos e agradecimentos.
     As pessoas que administram a conta de e-mail de Santa Rosa o fazem com muito respeito e mantêm as mensagens em anonimato. Depois de lerem os assuntos, os voluntários imprimem os pedidos e os jogam ao poço.
     Depois de 400 anos de intercessão de Santa Rosa, o poço é, hoje, uma fonte de inúmeras graças para todos, lembrando-nos, como ela mesma dizia, “além da cruz, não há outra via pela qual podemos chegar ao céu”. 
Fonte: https://pt.aleteia.org/


     Em 2011 este blog publicou este pequeno resumo da vida desta Santa tão sublime:

Santa Rosa de Lima, Padroeira do Peru e da América – 23 de agosto

     Santa Rosa de Lima é a primeira Santa da América e padroeira do Peru e da América. Nascida em Quives, província de Lima no ano de 1586, coincidentemente no mesmo ano da aparição da Virgem Santíssima na cidade de Chiquinquira. Era descendente de conquistadores espanhóis. Seu nome de batismo era Isabel Flores y Oliva, mas a extraordinária beleza da criança motivou a mudança do nome de Isabel para Rosa, ao que ela acrescentou o de Santa Maria. Seus pais eram Gaspar de Flores, espanhol arcabuz do Vice-Rei e Maria Oliva, limenha. Era a terceira dos onze filhos do casal. 
     Seus pais antes ricos tornaram-se pobres devido ao insucesso numa empresa de mineração e ela cresceu na pobreza, trabalhando na terra e na costura até altas horas da noite para ajudar no sustento da família. Cultivava as rosas de seu próprio jardim e as vendia no mercado e por isso é tida como patrona das floristas. Diz-se que tangia graciosa a viola e a harpa e tinha voz doce e melodiosa. Além de muito bela, Rosa era tida como a moça mais virtuosa e prendada de Lima. 
     Foi pretendida pelos jovens mais ricos e distintos de Lima e arredores, mas a todos rejeitou por amar a Cristo como esposo. 
     Um dia estava rezando diante de uma imagem da Virgem Maria, com Jesus Cristo ainda bebê nos braços, quando ouviu uma voz que vinha da pequena imagem de Jesus, que lhe dizia: "Rosa, dedique a mim todo o seu amor..." A partir de então, tomou a decisão de amar somente a Jesus, mas devido à sua beleza, muitos homens acabavam se apaixonando por ela. Para não ser motivo de tentações, Rosa cortou seus longos e belos cabelos, e passou a cobrir o rosto constantemente com um véu. 
     Decidiu ingressar em um convento da Ordem Agostiniana, entretanto, estando diante da imagem da Virgem Santíssima, sentiu que não podia levantar-se nem mesmo com a ajuda de seu irmão. Foi então que percebeu ser tudo aquilo um aviso dos céus para não ir, e bastou fazer uma prece à Nossa Senhora para que a paralisia desaparecesse por completo. 
     A partir deste dia, Rosa, que se espelhava em Santa Catarina de Sena como modelo de vida a ser seguido, passou a pedir diariamente a Deus para indicar-lhe em que ordem religiosa deveria ingressar. Percebeu que todos os dias, assim que começava a rezar, aparecia uma pequena borboleta nas cores branca e preta, e com este sinal chegou à conclusão que deveria ingressar na Congregação da Ordem Terceira de São Domingos, cujas vestimentas eram nestas cores. 
     Tendo ingressado na ordem aos vinte anos, pediu e obteve licença de emitir os votos religiosos em casa - e não no convento - como terciária dominicana e tomou o hábito da Ordem Terceira Dominicana, após lutar contra o desejo contrário dos pais. 
     Construiu uma cela estreita e pobre no fundo do quintal da casa dos pais e começou a ter vida religiosa, penitenciando seu corpo com jejuns e cilícios dolorosos; conta-se que utilizava muitas vezes um aro de prata guarnecido com fincos, semelhante a uma coroa de espinhos. Entre as penitências estava o jejum contínuo: Rosa consumia o mínimo necessário para sua sobrevivência e quase não bebia água. Dormia sobre duras tábuas e ao olhar para o crucifixo dizia: "Senhor, a sua cruz é muito mais cruel que a minha". 
     Quando seu pai perdeu toda a fortuna, Santa Rosa não se perturbou ao ter que trabalhar de doméstica, pois tinha esta certeza: "Se os homens soubessem o que é viver em graça, não se assustariam com nenhum sofrimento e padeceriam de bom grado qualquer pena, porque a graça é fruto da paciência". Vivendo fora do convento, renunciou à vida fácil, dizendo: "O prazer e a felicidade que o mundo pode me oferecer são simplesmente uma sombra em comparação ao que sinto". 
     Alcançando um alto grau de vida contemplativa e de experiência mística, suas orações e penitências conseguiram converter muitos pecadores. Era extremamente bondosa e caridosa para com todos, especialmente para com os índios e negros, aos quais prestava os serviços mais humildes em caso de doença.
     Segundo os relatos de seus biógrafos e dos amigos que a acompanharam, dentre eles seu confessor Frei Juan de Lorenzana, por sua piedade e devoção Santa Rosa recebeu de Deus o dom dos milagres. Ela era constantemente visitada pela Virgem Maria e pelo Menino Jesus que quis repousar certa vez entre seus braços e a coroou com uma grinalda de rosas, que se tornou seu símbolo. Também é afirmado que tinha constantemente junto a si seu Anjo da Guarda, com quem conversava. Ainda em vida lhe foram atribuídos muitos favores: milagres de curas, conversões, propiciação das chuvas e até mesmo o impedimento da invasão de Lima pelos piratas holandeses em 1615. 
     Apesar de agraciada com experiências místicas fora do comum, nunca lhe faltou a cruz, a fim de que compartilhasse dos sofrimentos do Divino Mestre, sofrimentos provindos de duras incompreensões e perseguições e, nos últimos anos de vida, de sofrimentos físicos, agudas dores devidas à prolongada doença que a levou à morte em 24 de agosto de 1617, aos 31 anos de idade. Suas últimas palavras foram "Jesus está comigo!" 
     Seu sepultamento foi apoteótico e pranteado por todo o Vice-Reino do Peru e seu túmulo tornou-se palco de milagres, bem como também os lugares onde viveu e trabalhou pela causa da Igreja.
    Conta-se que o Papa Clemente relutava em elevá-la aos altares, mas foi convencido após presenciar uma milagrosa chuva de pétalas de rosa que caiu sobre ele, vinda do céu e que atribuiu a Santa Rosa de Lima. 
     Ela foi beatificada por Clemente IX em 1667 e canonizada em 1671 por Clemente X. Foi a primeira santa canonizada da América e proclamada padroeira da América Latina. É também padroeira das Filipinas. 
     No Brasil, alguns municípios, como Nova Santa Rosa, no Paraná, a adotam como Padroeira.

Reconstituição facial utilizando técnicas forenses, por Cícero Moraes