terça-feira, 10 de outubro de 2017

Santos Eulampio e Eulampia, mártires – 10 de outubro


Martirológio Romano: Na Nicomédia, de Bitinia, Santo Eulampio e sua irmã Santa Eulampia, mártires durante a perseguição desencadeada por Diocleciano.

     Santos Eulampio e Eulampia são dois irmãos oriundos de Nicomédia que foram martirizados por volta de 310 d.C., durante o reinado de Maximiliano Dava.
     Santo Eulampio era um jovem cristão que fugiu da cidade durante a perseguição e se refugiou numa caverna nos arredores da cidade de Nicomédia. Vários cristãos também estavam escondidos ali e seus companheiros o enviaram a Nicomédia em busca de alimentos.
     Eulampio se deteve numa rua a ler o edito de perseguição contra os cristãos; quando um soldado o viu e chamou a atenção dos demais para a sua presença, ele começou a correr. Naturalmente, sua atitude despertou suspeita e Eulampio foi perseguido, capturado e levado à presença do juiz.
     O magistrado repreendeu aos guardas por haver apreendido o jovem e, ordenando que desatassem suas mãos, começou a interrogá-lo. Depois que tomou conhecimento do nome e profissão de Eulampio, mandou que oferecesse sacrifícios a algum dos deuses. O jovem negou-se a fazê-lo, contestando que aqueles eram tão somente ídolos de barro. Enfurecido, o magistrado mandou que fosse açoitado. Como Eulampio permanecesse inamovível, ordenou que fosse amarrado e arrastado por um potro.
     Sua irmã Eulampia correu ao seu encontro para abraçá-lo e consolá-lo, e também foi detida e presa. Ambos foram submetidos a diversas formas de tortura, saindo ilesos.
     Segundo a tradição, ao vê-los sair rejuvenescidos de um banho de azeite fervente, cerca de duzentos soldados que presenciaram o fato se converteram à fé cristã e foram decapitados juntamente com os dois mártires de Nicomédia.
     Na Acta Sanctorum, oct., vol. v, se encontra o texto grego das atas discutido a fundo. Há outra referência em Migne, Patrologia Grega, vol. CXV, cc. 1053-1065.

Fonte: «Vidas de los santos de A. Butler», Herbert Thurston, SI
http://www.eltestigofiel.orgindex.php?idu=sn_369

sábado, 7 de outubro de 2017

Santa Maria Francisca das Cinco Chagas de Jesus - 6 de outubro


    
     Ana Maria Gallo nasceu no dia 25 de março de 1714, em Nápoles, e morreu nessa cidade no dia 6 de outubro de 1791. Francisco Gallo, seu pai, pertencia à classe média, era tecelão, homem severo, avarento, de temperamento apaixonado, muito fez sofrer a filha. Bárbara Basinsin, sua mãe, entretanto, era uma mulher muito piedosa que suportou pacientemente a conduta brutal do esposo.
     Ana Maria nasceu e cresceu nos famosos "quarteirões espanhóis" de Nápoles. Esses quarteirões tiveram sua origem nos anos 1600, quando tropas espanholas ali se alojaram a poucos passos do Palácio Real, prontos para intervir à primeira chamada. Após a ocupação espanhola, as construções permaneceram e se estenderam; a população aumentou e ao mesmo tempo a promiscuidade e a violência propagaram-se naqueles "quarteirões".
     Na época desta Santa, não só aqueles perigos aumentavam: o fervor de obras religiosas, com conventos e igrejas, se estabelecia também ali, a fim de dar ajuda espiritual e material aos fiéis.
     Ana Maria era muito pequenina quando foi obrigada pelo pai a trabalhar em sua tecelagem. A mãe, por outro lado, aproveitava todo momento livre para ler livros piedosos para ela e a levava à igreja para rezar. Admirado com a piedade da criança, e vendo que ela sabia de cor o catecismo, o pároco permitiu que ela fizesse a Primeira Comunhão aos oito anos, e no ano seguinte a encarregou de preparar várias crianças.
     As operárias de seu pai comentavam que Ana Maria trabalhava as mesmas horas que elas e, entretanto, fazia o dobro que elas. "Será que ela recebe ajuda de seu Anjo da Guarda?", se perguntavam. E logo correu a notícia que ela recebia ajuda especial do céu.
     Um domingo à tarde, quando preparava as crianças para a Primeira Comunhão, de repente ficou calada, com o olhar distante, e disse: "José, Zezinho, corre para tua casa, pois tua mãe está precisando de ti. Vá para lá agora!" O menino saiu correndo e encontrou sua mãe desmaiada. Ao cair, ela entornara uma lamparina acesa sobre umas roupas e um incêndio se iniciara. O menino conseguiu apagar as chamas e salvar a vida da mãe. O fato logo se propagou pelo bairro e as pessoas começaram a comentar que Deus enviava mensagens extraordinárias para aquela jovenzinha.
     Ana Maria frequentava a igreja do Convento de São Pedro Alcântara e ali conheceu e se fez dirigir pelo futuro São João José da Cruz.
     Uma senhora convidou-a certa vez para visitar um doente, porém a levou a uma casa onde estava acontecendo um baile imoral. Maria Francisca fugiu imediatamente, livrando-se da corrupção.
     Francisco Gallo conseguiu um noivo de boa situação financeira para Ana Maria. Ela, porém, lhe disse que já havia prometido a Deus que se conservaria solteira, para dedicar-se a vida espiritual e para rezar pela salvação das almas. Seu pai se encolerizou e a açoitou violentamente. Fechou-a em um quarto a pão e água por vários dias. A jovem aproveitou para jejuar e dedicar-se a oração e a meditação. A mãe conseguiu que um frade menor, Padre Teófilo, viesse a sua casa e convencesse o pai a deixá-la em liberdade para seguir sua vocação.
     Assim, aos dezesseis anos, no dia 8 de setembro de 1731, Ana Maria recebeu o hábito da Ordem da Reforma de São Pedro de Alcântara, formulando os votos prescritos e mudando o nome de batismo para o de Maria Francisca das Cinco Chagas, pois era muito devota da Paixão e Morte de Jesus, de Maria Santíssima e de São Francisco de Assis.
     Seu diretor espiritual era o Padre João Pessiri, que a colocou em contato com uma Terceira Professa Alcantarina, Maria Felícia. Ambas passaram a viver numa casa do piedoso Padre Pessiri; Maria Francisca ali permaneceu por 38 anos, até a sua morte. Ela viveu no mundo secular, comportando-se como religiosa.
     O edifício logo tomou o nome de convento por ser a casa das Irmãs Terceiras, mas a moradia não tinha sido construída com esta finalidade, e ainda hoje mantém a característica de uma cômoda habitação de três andares para uma família, alguns dos quais foram modificados em Capela e obras anexas. Aquela casa tornou-se meta continua de fiéis, entre os quais São Francisco Xavier Bianchi, de quem ela predisse a santidade.
Dons sobrenaturais
     Maria Francisca tinha frequentes êxtases quando estava em oração. A Santíssima Virgem lhe aparecia e lhe trazia mensagens. O demônio também se apresentava em forma de um cão raivoso que a aterrorizava. Ela descobriu que ao fazer o Sinal da Cruz e ao pronunciar os nomes de Jesus, Maria e José o demônio fugia. Este foi o conselho que ouviu um dia de um crucifixo: "Quando os ataques do inimigo das almas te assaltarem, faça o Sinal da Cruz e, além de invocar as três Pessoas Divinas da Santíssima Trindade, deves dizer várias vezes: 'Jesus, José e Maria'".
     Um dia em que varria a sacristia, ouviu uma voz que lhe dizia: "Maria Francisca, fuja, saia rápido daqui!" Ela saiu correndo e minutos depois o teto da sacristia desabou!...
     Ao rezar a Via Sacra, ela sofria algumas dores parecidas com as que Jesus sofreu no Horto das Oliveiras, na Flagelação, na Coroação de Espinhos, ao levar a Cruz e ao ser crucificado. A cada Sexta-feira Santa entrava em agonia como se estivesse morrendo na Cruz. Tudo isto Maria Francisca oferecia pela conversão dos pecadores e pelo descanso das almas do Purgatório. As pessoas diziam: "Maria Francisca livra sozinha mais almas do Purgatório com seus sofrimentos que todos nós com nossas orações".
     Um dos fenômenos mais extraordinários desta Santa acontecia durante a Comunhão. Três vezes a Santa Hóstia voou e pousou em seus lábios! Uma vez, quando o sacerdote disse "este é o Cordeiro de Deus", a Hóstia que ele tinha nas mãos saiu voando e foi colocar-se na boca da Santa. Outra vez, voou do Cálice, e uma terceira vez, quando o sacerdote partia a Hóstia grande, um pedaço dela voou até a fervorosa Santa, que aguardava ajoelhada o momento de comungar.
     No Natal de 1741, o Menino Jesus lhe falou: "Quero que sejamos amigos para sempre". Foi tão grande a emoção dela ao ouvir Nosso Senhor, que ficou cega por 24 horas. Recobrou a visão e dedicou-se a amar a Jesus e a fazê-Lo amar pelos outros.
     As Cinco Chagas de Jesus apareceram em seu corpo, mas, a seu pedido, Deus as tornou invisíveis, mantendo as dores que causavam. Sua saúde era frágil e as doenças a faziam sofrer enormemente. Quando seu pai estava moribundo, ela pediu que Deus passasse para ela as dores que o pobre homem padecia, o que aconteceu. Com estes sofrimentos ela alcançou a conversão de seu pai e de muitos pecadores. Em sonhos ela via várias almas do Purgatório que lhe suplicavam que oferecesse seus sofrimentos por elas e a Santa assim fazia.
     Sacerdotes, pessoas religiosas e piedosas procuravam-na em busca de conselho. Sua caridade e compaixão, sobretudo com os aflitos e miseráveis, não teve limites. Como São Francisco de Assis, Santa Maria Francisca tinha uma terna devoção ao Menino Jesus, a Santa Eucaristia e a Virgem Maria.
     Muitas pessoas a tratavam mal e ela oferecia com paciência estes maus tratos rezando por aqueles que a ofendiam e tratando bem aqueles que a tratavam mal. As pessoas murmuravam contra ela, que, porém, calava para assemelhar-se a Jesus que calou em Sua Paixão. A Santa sofreu muita incompreensão por parte do pai, das irmãs e, inclusive seus confessores a fizeram sofrer, pois, para provar sua santidade a tratavam com severidade na direção espiritual.
     Maria Francisca disse um dia ao seu confessor: "Sofri em minha vida tudo o que uma pessoa pode sofrer. Porém, tudo foi por amor de Deus". E acrescentou: "Padre, sejam muito bondosos com as pessoas que vêm vos consultar. Não sejam duros com ninguém".
     Anunciou que em breve viriam sofrimentos terríveis para a Igreja Católica. E realmente as ferozes perseguições da Revolução Francesa em breve ceifariam milhares de vidas de católicos. Ela pediu a Deus que não permitisse que ela presenciasse aqueles desastres. E ela morreu santamente quando eles estavam começando, no dia 6 de outubro de 1791.
     Uma grande multidão participou de seu funeral e seu corpo repousa no Santuário - Casa da Santa, em Vico Tre Re. Foi beatificada em 12 de novembro de 1843 por Gregório XVI e canonizada em 29 de junho de 1867 pelo Beato Pio IX. Foi a primeira Santa napolitana. Sua festa é observada pelos Frades Menores e pelos Capuchinhos.
     Há dois séculos o povo acorre pedindo-lhe graças, como atestam duas lápides no exterior da capela. A segunda diz respeito à 2ª Guerra Mundial, durante a qual Nápoles foi bombardeada 105 vezes, mas os "quarteirões" e sua densa população foram poupados. Na capela há ainda uma cadeira usada pela Santa, procurada pelas senhoras, especialmente aquelas que devotamente desejam um filho, que nela sentam-se pedindo graças (*).
           
Fontes:
Ferdinand Heckmann,
http://ec.aciprensa.com/m/mariafrances.htm; Antonio Borrelli, www.santiebeati.it;
Ciclo Santoral, ar.geocities.com/misa_tridentina.


(*)
05 de dezembro, 2007 - 12h23 GMT (10h23 Brasília)
Cadeira na Itália 'ajuda mulheres a ter filhos'; assista.
     Uma cadeira que pertenceu a Santa Maria Francisca está atraindo mulheres de todo o mundo para a cidade italiana de Nápoles.
     As fiéis acreditam que o objeto é capaz do milagre de ajudá-las a ter filhos.
     Em um ritual, elas se sentam na cadeira e são tocadas na barriga por uma freira com um objeto que carrega uma costela e um cacho de cabelo da santa. A freira, Madre Giuliana, diz que é a fé que dá às mulheres a capacidade de conceber um bebê.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Santa Maria Faustina - 5 de outubro

Apóstola da Divina Misericórdia para um mundo cujos pecados clamam por punição

     Nosso Senhor Jesus Cristo quis escolher almas prediletas que atraíssem a Sua Misericórdia, a fim de levar os homens a renunciar ao pecado, a emendar suas vidas pela penitência e evitar a perdição individual e coletiva.
     Considerando as insondáveis ofensas da humanidade pecadora, Ele confidenciou que, em virtude de sua perfeita Justiça, deveria pôr fim ao mundo. Porém, se os homens reformassem suas vidas, Sua Divina Misericórdia tocaria os corações que se abrissem a ela. Jesus Cristo poderia inaugurar assim uma era de reconciliação de Deus com os homens, a era da Sua Misericórdia.
     Mas era preciso preparar a humanidade para essa indispensável mudança de vida, restaurando a moral da família, da sociedade e do universo. E inclusive, realidade muito mais dolorosa, corrigir a avançada decadência do clero, inclusive em suas esferas mais altas. Para a missão de revelar a devoção à Divina Misericórdia, Nosso Senhor escolheu uma humilde religiosa polonesa.
*
     Santa Maria Faustina nasceu no dia 25 de agosto de 1905, no vilarejo de Glogowiec, próximo da cidade de Turek, terceira filha de uma prole de dez crianças do casal Mariana e Stanislao Kowalski. No batismo recebeu o nome de Helena. Frequentou a escola somente por três anos. Era uma aluna atenta e inteligente, mas a necessidade de ajudar a sua mãe nos trabalhos a impediram de estudar.
     Completados os 15 anos, foi trabalhar como doméstica na casa de conhecidos dos pais em Aleksandròw Lúdzki; depois trabalhou em Lúdz e Ostrúwek perto de Varsóvia, até a sua entrada no convento. Desde criança, sentia o desejo de aproximar-se de Deus, amadurecendo nela a decisão de torna-se religiosa. Em seu diário, com muita discrição, ela diz:
     Aos sete anos ouvi pela primeira vez a voz de Deus na minha alma, isto é, a chamada a uma vida mais perfeita, mas nem sempre obedeci a voz da graça. Não encontrei ninguém que me esclarecesse estas coisas”.
     O chamado contínuo da graça era para mim um grande tormento, porém procurava sufocá-lo com os passatempos. Evitava encontrar-me com Deus intimamente e com toda a alma me abria às criaturas. ... Uma vez fui a um local de dança com uma das minhas irmãs. Enquanto todos se divertiam muitíssimo, a minha alma começou a experimentar íntimos tormentos. No momento em que comecei a dançar, percebi Jesus perto de mim, Jesus flagelado, sem as suas vestes, todo coberto de feridas, e que me disse estas palavras: ‘Quanto tempo ainda deverei suportar-te? Até quando me renegarás?’ No mesmo instante acabou o alegre som da música; desapareceu da minha vista a companhia com que me encontrava. Ficamos só Jesus e eu. Sentei-me perto da minha querida irmã, fazendo passar por uma dor de cabeça aquilo que tinha acontecido dentro de mim. Pouco depois abandonei a companhia de minha irmã e fui à Catedral de S. Estanislau Kostka. Era quase noite. Na catedral havia poucas pessoas. Sem dar importância ao que acontecia ao meu redor, me ajoelhei com os braços apertos diante ao SS. Sacramento e pedi ao Senhor que se dignasse de me fazer conhecer o que deveria fazer. Então escutei estas palavras: ‘Parte imediatamente para Varsóvia, lá entrarás no convento’. Levantei da oração e fui para casa. Fiz as coisas indispensáveis. Coloquei minha irmã ao corrente do que tinha acontecido à minha alma, pedi a ela que cumprimentasse nossos pais e assim, só com um vestido, sem nada mais, cheguei em Varsóvia”.
     Era julho de 1924. No mesmo mês Helena se apresentou à Congregação das Irmãs da Beata Virgem Maria da Misericórdia pedindo ser admitida. Não lhe foi negado, mas pediram a ela que esperasse um ano. Finalmente, foi acolhida no convento no dia 1° de agosto de 1925. Durante a vestição (30/04/1926) recebeu o nome de Maria Faustina.
     Irmã Maria Faustina esteve em várias casas da sua congregação: em Varsóvia, em Plock, em Wilno, em Cracóvia até a sua morte, e também por breves períodos em Kiekrz, perto de Poznan, em Walendòw e Derdy e, por motivos de saúde, em Skolimòw perto de Varsóvia e em Rabka.
     Ela trabalhou como cozinheira, jardineira, vigia, como ajudante na padaria e se ocupou dos vestiários do convento. Algumas ocupações, devido a sua saúde frágil, eram muito cansativas e às vezes insuportáveis. Em diversas ocasiões, Irmã Maria Faustina foi acusada de simular a doença para não trabalhar. Isto a fazia sofrer muito, mas não se lamentava.
     Irmã Maria Faustina foi uma filha fiel da Igreja, que ela amava como Mãe e como Corpo Místico de Cristo. Sabendo qual era o seu lugar na Igreja, colaborava com a Misericórdia Divina na obra da salvação das almas perdidas. Respondendo ao desejo e ao exemplo de Jesus, oferecia a sua vida em sacrifício.
     A missão de Irmã Maria Faustina foi descrita no "Diário" que ela escrevia seguindo o desejo de Jesus e à sugestão dos padres confessores, anotando fielmente todas as palavras de Jesus e revelando o contato da sua alma com Ele.
     Nosso Senhor lhe apareceu em 22 de fevereiro de 1931, para lhe indicar o cerne de sua vocação: atrair a Misericórdia Divina para o mundo.
     Ó meu Deus, sou consciente da minha missão na Santa Igreja: o meu engajamento contínuo para impetrar a Misericórdia para o mundo. Eu me uno estreitamente a Jesus e me ofereço como vítima que implora pelo mundo.
     “Deus nada vai me negar, quando O invocar com a voz de seu Filho. Por mim mesma, meu sacrifício não é nada, mas quando o uno ao sacrifício de Jesus Cristo, torna-se onipotente e tem força para aplacar a cólera de Deus.
     “Deus nos ama em seu Filho. A dolorosa Paixão do Filho de Deus é uma invocação que continuamente atenua a cólera de Deus” (Diário, página 195).
     Para atrair a Divina Misericórdia, Nosso Senhor revelou-lhe um terço ou coroa especial, e pediu a instituição de sua festa litúrgica solene no primeiro domingo depois da Páscoa.
     Irmã Faustina ofereceu a sua vida a Deus em sacrifício pelos pecadores, a fim de salvar as suas almas, e por essa razão foi submetida a numerosos sofrimentos. Nos últimos anos de vida intensificaram-se os sofrimentos interiores da "noite passiva do espírito", bem como os problemas físicos. Desenvolveu-se uma tuberculose que atacou os pulmões e o estômago. Em razão disso, por duas vezes, e por um período de vários meses, permaneceu em tratamento no hospital de Pradnik, em Cracóvia.
     Completamente esgotada fisicamente, mas em plena maturidade espiritual e misticamente unida a Deus, faleceu no dia 5 de outubro de 1938 com fama de santidade, tendo apenas 33 anos de idade, dos quais 13 anos de vida religiosa. Seu corpo foi sepultado em um túmulo no cemitério do convento, em Cracóvia. No período do processo informativo para a sua canonização, em 1966, foi transferido para a capela do mesmo convento.
     A festa da Divina Misericórdia foi instituída no dia 5 de maio de 2000 e se celebra no primeiro domingo após a Páscoa.
     Irmã Maria Faustina foi canonizada em 22 de abril de 2001.

A Imagem da Divina Misericórdia
Diário, 22 de fevereiro de 1931:
     “À noite, quando me encontrava na minha cela, vi Nosso Senhor vestido de branco. Uma das mãos estava erguida para a bênção, e a outra tocava-lhe a túnica, sobre o peito. Da túnica entreaberta sobre o peito saíam dois grandes raios, um era vermelho e o outro branco. Em silêncio, eu contemplava o Senhor. A minha alma estava cheia de temor, mas também de grande alegria.
     Logo depois, Jesus me disse: Pinta uma Imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós. ... Prometo que a alma que venerar esta Imagem não perecerá. Prometo também, já aqui na Terra, a vitória sobre os inimigos e, especialmente, na hora da morte.
     ... Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia. Quero que essa Imagem, que pintarás com o pincel, seja benta solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia.
     “Então Jesus queixou-se a mim e disse: “A desconfiança das almas Me rasga as entranhas. Dói-me ainda mais a desconfiança das almas escolhidas. Apesar de Meu amor inesgotável, não têm confiança em Mim. Nem mesmo minha morte foi suficiente para elas. Ai das almas que abusam dela”.
     Eugênio Kazimirowski, famoso e hábil pintor, mostrou-se digno de pintar a Imagem de Jesus Misericordioso. Pintar sob orientação significava renunciar à própria visão artística, em prol de uma execução fiel do que lhe era relatado por Irmã Maria Faustina, que vinha ao ateliê do pintor ao menos uma vez por semana, durante seis meses, a fim de sugerir detalhes e apontar os erros.
     "Quando fui à casa daquele pintor que estava pintando a Imagem, e vi que ela não era tão bela como o é Jesus, fiquei muito triste com isso, mas escondi essa mágoa no fundo do meu coração. … A Madre Superiora ficou na cidade para resolver diversos assuntos e eu voltei para casa sozinha. Imediatamente dirigi-me à capela e chorei muito. Eu disse ao Senhor: Quem vos pintará tão belo como sois? Então ouvi estas palavras: O valor da Imagem não está na beleza da tinta, nem na habilidade do pintor, mas na minha graça". (Diário, 313).
     O extraordinário cuidado na execução da Santa Efígie do Salvador, gravada na memória de Santa Maria Faustina, é confirmado pelo fato de que a efígie pintada corresponde perfeitamente às proporções e à figura estampada no Sudário de Turim.
     Desde o dia 3 de abril de 1937 a Imagem ficou exposta à veneração na Igreja de São Miguel, em Vilnius, hoje capital da Lituânia, que até 1939 fazia parte da Polônia. Em 1948 o regime comunista fechou esta igreja. O quadro foi então levado para a paróquia de Nowa Ruda, na Bielorrússia, onde permaneceu entre 1949 e 1986, ano em que o comunismo transformou a igreja em armazém do Estado. Com isso o quadro, tão perseguido pelo comunismo, retornou a Vilnius, desta feita para a Igreja do Espírito Santo. Esta igreja foi reformada em 2003 e promovida a Santuário da Misericórdia Divina. Desde 2005 a Imagem é venerada na mesma capela-santuário de Ostra Brama, hoje Santuário da Misericórdia Divina, em Vilnius, Lituânia.
     A primitiva Imagem, pintada pelo pintor Eugênio Kazimirowski e feita segundo a orientação direta da Irmã Faustina, não deve ser confundida com a pintura feita em 1944 pelo artista Adolfo Hyla, que pintou segundo a sua própria concepção; esta obra encontra-se exposta em Cracóvia, Polônia. O simples cotejo entre ambas revela a autenticidade e superioridade da pintura feita por Eugênio Kazimirowski conforme as indicações de Santa Maria Faustina.

domingo, 1 de outubro de 2017

Beata Maria Antonina Kratochwil, virgem e mártir - 2 de outubro

Martirológio Romano: Na cidade de Stanislawòw, então da Polônia, Beata Maria Antonina Kratochwil, virgem da Congregação das Irmãs das Escolas de Nossa Senhora, e mártir, que na época da 2ª. Guerra Mundial foi encarcerada por sua fé e morreu por causa das torturas suportadas por Cristo.

     Maria Ana Kratochwil nasceu em Ostrava-Vitcovice (Moravia), hoje República Checa, em 1881. Como seu pai morreu muito prematuramente, a menina foi internada no orfanato de Bielsko, dirigido pelas Irmãs Escolásticas de Nossa Senhora. Maria Ana fez os estudos de magistério e em 1906 pode colocar-se como professora na escola de Karwin.
     Três anos mais tarde ingressava na mencionada Congregação, pronunciando os votos em 27 de setembro de 1910 com o nome de Irmã Maria Antonina. Foi professora nos colégios de Karwin, Lvov e Tlumacz, e em Lvov exerceu a função de mestra das candidatas a religiosas de sua Congregação.
     Quando a 2ª. Guerra Mundial se desencadeou, ficou na zona submetida à Rússia, suportando as restrições impostas aos colégios católicos; pouco tempo depois foi nomeada superiora da casa de Mikuliczyn e naquele mesmo ano as religiosas foram privadas de sua casa.
     Em junho de 1941 as tropas de Hitler ocuparam a região, as Irmãs puderam voltar para sua casa de Mikuliczyn, mas em condições sumamente difíceis. Em 9 de julho de 1942 Irmã Maria Antonina e as demais Irmãs foram presas pela Gestapo por causa de uma delação falsa apresentada contra elas.
     Irmã Maria Antonina foi levada para a prisão de Stanislawòw, onde os maus-tratos ferozes de que foi objeto por parte dos guardas, as duras condições da prisão e o tifo que contraiu levaram-na a um estado lamentável. Deram-lhe liberdade e teve que ser internada no hospital daquela cidade, onde veio a falecer uma semana depois, no dia 2 de outubro de 1942.
     Todos tinham ficado admirados com sua profunda piedade, sua entrega plena à sua tarefa como religiosa e sua paciência e ânimo na tribulação.
     Foi beatificada pelo papa João Paulo II em 13 de junho de 1999.
A Beata em trajes civis durante a proibição do uso do
hábito religioso pelo governo de Hitler.
É notório o sofrimento estampado em seu rosto.

Fonte: «Año Cristiano» - AAVV, BAC, 2003
http://www.eltestigofiel.orgindex.php?idu=sn_3603

sábado, 30 de setembro de 2017

Santa Teresinha do Menino Jesus - Há 120 anos


Fotografia tirada momentos depois da morte de Santa Teresinha, em 1º de outubro de 1897. Segundo a Irmã Geneviève, a fotografia "reproduz fielmente o sorriso celeste de nossa irmã".



     Na tarde de 30 de setembro de 1897, uma cena inesquecível desdobrava-se na enfermaria do Carmelo de Lisieux. Cercada de toda a comunidade ajoelhada em torno de seu leito de dores, Santa Teresinha do Menino Jesus, fitando os olhos no crucifixo, pronunciava suas últimas palavras nesta terra de exílio:
     - Oh! eu O amo... Meu Deus... eu... Vos amo!
     Subitamente, seus amortecidos olhos de agonizante recuperam vida e fixam-se num ponto abaixo da imagem de Nossa Senhora. Seu rosto retoma a aparência juvenil de quando ela gozava de plena saúde. Parecendo estar em êxtase, ela fecha os olhos e expira. Um misterioso sorriso aflora-lhe aos lábios e aumenta a formosura de sua fisionomia.



     O que me impulsiona a ir para o céu é o pensamento de poder acender no amor de Deus uma multidão de almas que O louvarão eternamente”. (Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face)
     Farei cair uma chuva de rosas”.
     Estas palavras foram proferidas por Santa Teresinha do Menino Jesus antes de morrer.
     Não vou ficar ociosa no céu olhando a face de Deus, mas ficarei olhando para a terra para ajudar quem me procura”.
     Meus desejos sobem ao infinito. O que Deus me reserva após a morte, o que pressinto de glória e de amor, ultrapassa de tal modo tudo o que se pode conceber, que sou forçada, por momentos, a deter meu pensamento. Quase fico com vertigem”. (Confidência íntima de Santa Teresinha a Soeur Marie de la Trinité, Circulaire Nécrologique de Soeur Marie de la Trinité, Carmel de Lisieux, 1944).
    Eu pensava que tinha nascido para a glória e procurando o meio de a atingir, o bom Deus me fez compreender ... que ela consistiria em tornar-me uma grande santa”. (Manuscrits Autobiographiques, Office Central de Lisieux, 1957. A, 32).
     Quanto à minha missão, como a de Joana d’Arc, a vontade de Deus será cumprida apesar da inveja dos homens”. (Novissima Verba – in Demiers entretiens, volume d’annexes, Editions du Centenaire, Desclée de Brouwer – Editions du Cerf, Paris, 1971).

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Beata Felícia Meda, Abadessa Clarissa - 30 de setembro

    
     Não há uma fonte segura que permita estabelecer o local de nascimento de Felícia Meda, nem sua família de origem; sabe-se, entretanto, que ela nasceu por volta de 1378. O erudito Gallucci diz que ela era originária de Meda (não distante de Novara, Itália), mas o comentário das Acta sanctorum (pp. 752-754) conclui que Milão era sua cidade natal.
     A tradição erudita dos Frades Menores refere que ela teve um irmão e uma irmã, também ela Clarissa, mas sem documento comprobatório. Ela era a filha mais velha e quando ficaram órfãos prematuramente, Felícia se tornou “mãe” dos irmãos menores, cuidando de sua educação, dedicando a eles sua juventude.
     Aos 12 anos fizera voto de castidade, consagrando seu corpo a Deus. Mas foi somente depois dos 20 anos, por volta de 1398 - 1400, quando sua tarefa de cuidar dos irmãos terminou, que ela pode ingressar no convento das Clarissas de Santa Úrsula, em Porta Vercelesse. Antes de deixar o mundo, entregou seus bens aos irmãos e aos pobres.
     Seu exemplo era tão contagiante, que sua irmã logo a seguiu, entrando também no convento das Clarissas, enquanto que o irmão se tornava frade franciscano.
     O convento de Santa Úrsula surgira no século anterior como uma fundação agostiniana e foi o primeiro a adotar a Regra de Santa Clara.
     Durante 25 anos de vida religiosa Felícia praticou com eximia regularidade e admirável rigor as virtudes que a tornaram apta a exercer o cargo de superiora do convento de Santa Úrsula, para o qual foi eleita. Sob sua direção o convento se tornou um modelo de virtude e piedade. A presença de Felícia em Santa Úrsula em 1412 e como abadessa pela primeira vez em outubro de 1425, cargo que ocupou até 1439, é documentada em alguns atos notariais.
     Foi naquele ano que Batista de Montefeltro, Duquesa de Pesaro, esposa de Galeazzo Malatesta, Senhor de Pesaro, quis fundar um novo convento de religiosas Clarissas naquela cidade e se dirigiu a São Bernardino de Sena, que era então o vigário geral dos Franciscanos Observantes. Seu pedido era específico: para dirigir a nova fundação ela não queria uma Clarissa qualquer, por virtuosa que fosse: desejava que Felícia Meda o dirigisse.
     Em carta datada de dezembro de 1438, o Papa Eugênio IV dirigiu-se ao Bispo de Pesaro (Bullarium, n. 404) ordenando a fundação de um mosteiro clariano, sujeito ao vigário da Observância e com o título de Corpus Domini, na casa que os Malatesta haviam designado às monjas, declarando que isto correspondia a um pedido da Duquesa Malatesta.
     São Bernardino de Sena não teve dificuldade para convencer Felícia a deixar Milão e seguir para Pesaro com outras sete Irmãs para trabalhar na nova fundação. Ela obedeceu prontamente ao Superior, ainda que lhe custasse deixar, já anciã, a cidade onde sempre vivera circundada de um vivíssimo afeto.
     Em 24 de julho de 1439, por meio de uma carta, o Geral dos Frades Menores, Guilherme da Casale, transferiu-a para Pesaro, onde seria confiado a ela o recém-criado mosteiro das Clarissas, denominado Corpus Domini ou Corpus Christi (Sensi, p.1187 n. 17).
     Quando a Beata chegou com as sete Irmãs à cidade dos Malatesta, em vão a Duquesa foi ao seu encontro com sua carruagem: Felícia Meda recusou usá-la e entrou em Pesaro a pé, caminhando até o novo mosteiro em meio à admiração devota de uma multidão.
     A mesma ovação popular se repetiu quatro anos depois, em 30 de setembro de 1444, quando de sua morte, tendo o povo de Pesaro aclamado como Santa aquela a quem eram atribuídos numerosos milagres.
     Dados sobre o estado do mosteiro durante o governo da Beata são relatados em Notizie delle cose più essenziale – Notícias das coisas mais essenciais (fonte dos registros publicados no Bullarium Franciscanum. Nova serie, Supplementum, pp. 450 n. 525, 463 n. 596).
     Após sua morte testemunhas atestaram que se verificaram milagres junto a sua sepultura. Três anos depois de seu falecimento, no reconhecimento de seu corpo, se constatou que estava incorrupto. Por desejo dos duques de Urbino, Guidobaldo II e Vitória Farnese, os seus despojos foram colocados no coro das monjas, onde permaneceu até sua definitiva transladação para a Catedral de Pesaro, quando da supressão do mosteiro em 1810. Naquela ocasião, as relíquias da Beata foram transladadas junto com as da célebre Beata Serafina Sforza de Pesaro, morta no mesmo mosteiro em 1478, bem como o crucifixo dado a Beata Felícia Meda por São Bernardino de Sena.
     Em 1921, malfeitores violaram a Capela das Beatas, levando objetos preciosos deixados por seus devotos. Os habitantes de Pesaro, entretanto, fizeram questão de oferecer novos presentes às duas insignes protetoras da cidade e da Diocese de Pesaro, confirmando assim sua grande devoção e gratidão por elas.
     O seu culto como Beata foi aprovado pelo Papa Pio VII em 2 de maio de 1807.

Etimologia: Felícia, do latim Felicius: “feliz, venturoso”.
Retábulo das Beatas Felícia Meda e Serafina Sforza




quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Beatas Maria do Monte Carmelo, Rosa e Madalena Fradera Ferragutcasas, Virgens e mártires - 27 de setembro

     Estas 3 religiosas da Congregação das Missionárias do Coração de Maria de Mataró eram também irmãs de sangue. Que o exemplo de imolação e sacrifício destas três religiosas católicas nunca se apague da memória dos cristãos!


Irmã Carmem Fradera Ferragutcasas
     Nasceu a 25 de outubro de 1895. Foi batizada a 27 de outubro de 1895 na igreja paroquial de S. Martinho de Riudarenes (Girona, Espanha). Ingressou na Congregação em julho de 1921 em Barcelona.

Irmã Rosa Fradera Ferragutcasas

     Nasceu a 20 de novembro de 1900. Foi batizada a 21 de novembro de 1900 na igreja paroquial de S. Martinho de Riudarenes (Girona, Espanha). Ingressou na Congregação em dezembro de 1922 em Barcelona.


Irmã Madalena Fradera Ferragutcasas
     Nasceu a 12 de dezembro de 1902. Foi batizada a 16 de dezembro de 1902 na igreja paroquial de S. Martinho de Riudarenes (Girona, Espanha). Ingressou na Congregação em dezembro de 1922 em Barcelona.

     As três foram brutalmente torturadas e assassinadas por vários milicianos comunistas, somente pelo fato de serem religiosas católicas, na madrugada do dia 27 de setembro de 1936 em Lloret de Mar. 
*
     Como medida de segurança e de prevenção diante da situação caótica vivida em Espanha desde os acontecimentos de julho de 1936, a Congregação destas 3 irmãs ordenou que abandonassem o Colégio onde as três trabalhavam e fossem para a casa de seus pais vestidas em traje secular.
    As Irmãs Carmem, Rosa e Madalena Fradera Ferragutcasas chegaram então a Riudarenes, à casa de seus pais, que as recebem de braços abertos e com grande emoção. Ali têm todo o carinho familiar e podem continuar a manter as suas práticas religiosas de oração do Ofício Divino, leitura e meditação espiritual, enquanto também colaboram nas tarefas diárias e agrícolas da casa.
     A 25 de setembro de 1936 vários milicianos comunistas armados dirigiram-se à casa paterna em Riudarenes para “registrar” os habitantes, tendo aproveitado para roubarem 4.000 pesetas e exigirem mais 500, como “contribuição de guerra”. Em relação às 3 irmãs religiosas, interrogaram-nas e ameaçaram-nas.
     Na madrugada de 27 de setembro, ainda de noite, vários milicianos marxistas, todos armados, dirigiram-se à casa procurando pelas três irmãs, alegando que necessitavam delas para “interrogatório” no Comité Local de Gerona.
     Apesar da grande resistência e oposição da família, as três irmãs são levadas, tendo estas declarado que “se vêm por causa de nós, nós estamos dispostas a morrer por Cristo”. A mais nova, Madalena (de 33 anos) ainda disse: “Não nos enganam, vamos felizes por dar o nosso sangue a nosso Deus. Adeus querido pai, irmão e cunhada; vamos morrer, mas vamos tranquilas”.
     Os comunistas não tiveram qualquer consideração pela docilidade das irmãs. Foi aos encontrões e empurrões que foram conduzidas até o automóvel que as conduziria à morte. Nem sequer esperaram que estivessem bem sentadas para fechar a porta do carro, fecharam-na com tanta força, com o pé da Madalena ainda de fora, que o fraturaram. Rosa, rasgou então um pedaço do seu vestido, com que enrolou o pé de sua irmã.
     O automóvel arrancou (era um Ford) e seguiu pela estrada de Vidreras até Lloret de Mar, até um bosque num local chamado Els Hostalet – atualmente é a urbanização Lloret Blau, perto de Cabanys, a 4 km de Lloret. Ali, antes de nascer o dia, as três irmãs entregaram a sua vida num martírio terrível e horrendo.
     Levadas a pé até junto de uma grande árvore, perto da estrada, ali tentaram violá-las uma e outra vez, mas encontraram sempre uma forte resistência por parte das irmãs, que defenderam com grande tenacidade a sua virgindade com todas as forças. Prova da luta que mantiveram contra os seus agressores foram os diversos dentes partidos de Carmen e de Madalena, que já tinha um pé partido.
     Como não conseguiam vencer a sua oposição, torturaram-nas sadicamente, depois dispararam tiros nas suas partes intimas, como forma de total desprezo pela virgindade consagrada. Como se tudo isto não fosse suficiente, regaram-lhe as pernas com gasolina e deitaram-lhes fogo para arderem lentamente.
     Por fim, cansando-se daquele espetáculo macabro, já moribundas foram assassinadas com tiros de pistola na cabeça. Todos os detalhes deste martírio tão horrendo foram conhecidos pela boca dos seus próprios assassinos, que relataram a quem os quisesse ouvir, tanto nos bares da aldeia, como no Comité Local, orgulhosos das suas façanhas.
     Os corpos das três religiosas foram enterrados no cemitério de Riudarenes, depois da sua recuperação, identificação e registro. Atualmente (2012), os restos das três mártires repousam na capela da Casa-mãe da Congregação, em Olot (Girona, Espanha). A transladação solene das relíquias das três mártires ocorreu em 1961, acompanhada por milhares de fiéis.
     Entregaram-se de forma tão doce e mansamente às mãos dos seus torturadores, porque amavam tanto Jesus Cristo quanto os agressores O odiavam. Só mesmo o ódio à Fé, o Odium Fidei mais extremo e fanático pode levar a tão cruel sadismo e brutalidade.
     A 28 de outubro de 2007 as três foram beatificadas, para alegria de toda a Santa Igreja, pelo Papa Bento XVI. Que a doação de suas vidas, seja semente de novas vocações religiosas em jovens cristãs!

http://martiresdeespanha.blogspot.com.br/2012/