quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Santa Margarida da Escócia - 16 de novembro

    
Casamento de Sta. Margarida e Malcolm III

     A história da Escócia em geral, e de Edimburgo em particular, foi muito conturbada através dos tempos. Não só os seus primeiros habitantes tentaram defender-se dos inimigos, como todos aqueles que vieram mais tarde, por exemplo, os romanos, que mantiveram sempre um contato estreito com a população local, os Votadini.
     Em 1017 o rei da Inglaterra Edmundo II foi assassinado. Canuto II, o Grande, rei da Dinamarca, viu nisto uma oportunidade para concluir a conquista deste país. Enviou para a Suécia os dois filhos do rei falecido, Edmundo e Eduardo, esperando que lá fossem mortos, mas o rei sueco mandou os órfãos para a Hungria, onde reinava Santo Estêvão. Este rei recebeu-os com todo afeto e providenciou que lhes fosse dada uma educação segundo seu nascimento. Edmundo morreu sem sucessor; Eduardo, o Exilado, casou-se com Ágata, sobrinha do Imperador Santo Henrique e irmã de Gisela, esposa do rei Santo Estêvão. Nasceram-lhes três filhos: Edgard, herdeiro do trono inglês e mais tarde Cruzado, Cristina, que se tornou religiosa em Romsey, e Margarida.
     Quando Santo Eduardo III, o Confessor, subiu ao trono da Inglaterra, em 1041, convidou seu parente, que vivia exilado na corte da Hungria, a voltar com a família para a Inglaterra. Em 1054 foram muito bem recebidos. A princesa Margarida, jovenzinha, a todos encantou por sua piedade e modéstia. Já então dava mostras de sua caridade para com os pobres e necessitados, e era devotíssima da Mãe de Deus.
     Em 1066, Guilherme, o Conquistador, atravessou o Canal da Mancha e invadiu a Inglaterra. Na batalha de Hastings se apoderou do trono inglês. Para subtrair-se à tirania do conquistador, Edgard e Margarida, estão com 20 anos de idade, fugiram para a Hungria, pois sabiam que seriam bem recebidos. Mas outro era o desígnio da Providência, e durante uma tempestade o barco que os transportava foi atirado às costas da Escócia.
     Neste país foram acolhidos pelo rei Malcolm III. Este já fora casado com Ingeburge de Orkney (morta em 1069), com quem tivera três filhos. Encantado com as qualidades de Margarida, propôs-lhe o matrimônio. Há muito alimentava ela o desejo de fazer-se religiosa como sua irmã Cristina. Seu confessor convenceu-a que poderia auxiliar mais a religião subindo ao trono. No ano de 1070 casaram-se em Dunfermline e Margarida foi coroada rainha da Escócia. Aos 24 anos de idade, foi reputada a princesa mais formosa de seu século.
     O matrimônio foi abençoado por Deus com nove filhos, seis homens e três mulheres, todos tendo seguido a senda da mãe. Etelreda faleceu pequenina, Eduardo foi morto com seu pai em 1093; três filhos, Edmundo, Edgar e David, reinaram sucessivamente no trono da Escócia, continuando a Era Dourada inaugurada por seus pais; quanto às duas filhas, Matilde tornou-se esposa de Henrique I da Inglaterra, e era uma imagem viva da mãe; Edith casou-se com Eustácio, Conde de Boulogne, tornando-se por sua vez a mãe de seu povo. Dois de seus filhos, Matilde e David I, rei da Escócia, foram elevados à honra dos altares.
     Margarida empregou todos os esforços para criar um ambiente mais civilizado na corte. Inteligente e muito religiosa, conseguiu modernizar o país introduzindo ideias da Inglaterra e da Europa. Copiou algumas modas normandas, como carnes temperadas e vinhos franceses, tapeçarias, roupas bonitas, dança e canto.
     Ela era uma rainha “piedosa e varonil ao mesmo tempo. Cavalgava gentilmente entre os magnatas, tecia e bordava entre as damas, rezava entre os monges, discutia entre os sábios, e entre os artistas planejava projetos de catedrais e de mosteiros”. (1)
     Era muito amada pelo povo, pois mudou os modos da corte e seus padrões de comportamento; os nobres foram proibidos de embebedar-se. Ela ajudava os pobres, alimentava-os, dava-lhes abrigo. Diariamente servia pessoalmente a refeição a nove meninas órfãs e a 24 anciãos. Durante o Advento e a Quaresma, atendia a 300 pobres, com o rei, ambos de joelhos, por respeito a Nosso Senhor Jesus Cristo em seus membros padecentes, oferecendo-lhes comida da mesa real.
     Foi dela a ideia dos barcos chamados Queen's Ferry sobre a passagem do Firth of Forth para Santo André. Encorajou o comércio exterior. Margarida convidou três monges beneditinos ingleses da Abadia de Canterbury a construir um mosteiro em Dunfermline para abrigar seu maior tesouro: uma relíquia da verdadeira Cruz. Restaurou o mosteiro na Ilha de Iona, que fora fundado por São Columbano. Os monges trouxeram novas habilidades agrícolas e novidades na arquitetura. Ela fundou um hospital para prisioneiros doentes, onde eles eram tratados com extremo cuidado até obterem sua liberdade.
     Margarida mandou também construir uma capela nova no castelo de Edimburgo, no estilo normando, que é atualmente uma das mais antigas igrejas na Escócia, e onde a Rainha passava horas em prece. Seu Evangelho, livro ricamente adornado com joias, caiu um dia num rio e foi miraculosamente recuperado, estando hoje na Biblioteca Bodleian em Oxford.
     Malcolm ouvia os conselhos da esposa para estabelecer as leis do reino, e deixou-a reunir vários concílios. Desta forma ela procurou reconduzir os escoceses aos costumes da Igreja de Roma. A comunhão pascal e o descanso do domingo tinham sido descuidados; a celebração da Missa era acompanhada com ritos pagãos ou profanos; os casamentos entre parentes próximos, proibidos pela Igreja, não eram raros. A rainha fez com que esses abusos cessassem, e obteve também que a Quaresma iniciasse na Quarta-feira de Cinzas. Enfim, ela organizou a Igreja da Escócia e atraiu ordens religiosas, principalmente da França e da Inglaterra, com vistas a contribuir eficazmente para o incremento da vida litúrgica, pois desejava o esplendor na Casa de Deus.
Sta. Margarida cuidando de um pobre
     O seu quarto era, por assim dizer, uma oficina cheia de paramentos em vários graus de execução. Os seus cuidados não tinham por objeto apenas as igrejas: ela mandou vir do exterior ornamentos para o palácio e quis que o rei andasse sempre acompanhado por uma guarda de honra.
     Mas, à noite, depois de tomar algum repouso, levantava-se para rezar as Matinas da Santíssima Trindade, da Cruz, de Nossa Senhora, o ofício dos defuntos, o saltério inteiro e Laudes. De manhã, após lavar os pés de seis pobres e servir as nove órfãs, assistia cinco ou seis Missas particulares antes da Missa solene. Este era o programa do Advento e da Quaresma. No resto do ano estes exercícios reduziam-se, mas os pobres continuavam a ser atendidos.
     Margarida anglicizou e refinou a corte e o marido com suas virtudes, modéstia, beleza rara. Sua paciência e doçura suavizaram os modos do marido - e converter o Rei é converter o Reino. O marido iletrado, embora falasse três línguas, foi se tornando mais cristão e a seus três filhos, que reinaram depois dele, Margarida inspirou amor a Deus, desprezo das vaidades terrestres e horror ao pecado. Assim, toda a Escócia progrediu, tornando o reinado de Malcolm um dos mais felizes e prósperos da Escócia. Seus três filhos, Edmundo, Edgar e David, reinaram sucessivamente no trono da Escócia, continuando a Era Dourada inaugurada por seus pais.
     Em 1093, o marido partiu em expedição contra Guilherme o Ruivo, da Inglaterra, que tinha invadido a Northumberland escocesa. Margarida pediu a ele que não fosse pessoalmente, mas ele resolveu ir com seus filhos Eduardo e Edgard, pois acreditava que o temor da rainha era devido à sua bondade. A rainha estava acamada em sua última doença e dias antes de sua morte, a 13 de novembro, disse que algo de ruim para a Escócia havia acontecido. Dias depois chegou a notícia: Edgar voltou da guerra e relatou que o rei tinha sido morto naquele dia, junto com seu primogênito, numa emboscada durante a campanha. Erguendo os olhos ao céu, dizendo que considerava a tragédia como castigo por seus pecados, Margarida começou a rezar e faleceu. Era o dia 16 de novembro de 1093, a rainha tinha 47 anos de idade.
     Seu corpo foi sepultado diante do altar principal da abadia de Dunfermline, ao lado do marido.
     Em 1093 o rei Malcolm III mandara construir o seu castelo em Edimburgo; seu filho mais novo, o rei David I mandou construir uma capela dedicada à sua mãe, a rainha Margarida, que é hoje o edifício mais antigo da cidade, visto que nada mais restou do castelo da época.
     Em 19 de julho de 1259 suas relíquias foram transferidas para um santuário novo. Foi canonizada em 1250 ou 1251 pelo papa Inocêncio IV e é festejada em 16 de novembro.
     Quando esse país caiu na heresia protestante, os católicos recolheram secretamente as relíquias da rainha santa e de seu esposo, a quem também consideravam santo, e as enviaram ao rei Filipe II da Espanha, que lhes deu um refúgio seguro no mosteiro El Escorial, que acabava de construir. Mas quando o Bispo Gillies de Edimburgo pediu sua devolução, não foram encontradas.
     Santa Margarida tornou-se padroeira da Escócia.

Sta. Margarida participando de um Concílio

Nota:
1. Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madrid, 1945, tomo II, p. 579.
Fontes: Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, tomo VI, pp. 548/554.
Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, S. A., Saragoça, 1947, tomo III, pp. 413/423.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Santa Maxelenda, virgem e mártir – 13 de novembro

Martirológio Romano: No território de Cambrai, na França, Santa Maxelenda, virgem e mártir, que tendo escolhido Cristo como esposo, recusou seguir o homem a quem fora prometida por seus pais e, assim, morreu transpassada pela espada.

     Santa Maxelenda, segundo um relato do século X, nasceu em Caudry, próximo à Cambrai; seus pais, Huinlino e Ameltrudes eram nobres. Seu pai era conhecido tanto por suas qualidades pessoais como por sua grande riqueza. Santo Alberto era então Bispo de Cambrai.
     Maxelenda desde pequena demonstrava grande piedade. Ela costumava isolar-se para rezar. Atingindo a idade de 20 anos, não faltaram pretendentes, mas os pais haviam escolhido para ela Harduin d’Armeval, futuro senhor de Solesmes, que era pagão.
     Quando a jovem levou ao conhecimento dos pais que seus projetos eram outros, estes tentaram persuadi-la a servir a Deus como esposa e mãe, como não poucas santas da história haviam feito. Maxelenda pediu um tempo para pensar, mas um anjo lhe apareceu para confirmar a sua escolha e então ela informou ao pai que desejava tornar-se monja.
     Entretanto, os pais também se mostraram decididos e iniciaram os preparativos para o casamento, mesmo contra a sua vontade. Para evitar a cerimônia, Maxelenda foi obrigada a se refugiar com sua ama perto de Cateau-Cambresis, mas Harduin e seus amigos descobriram seu esconderijo e tentaram raptá-la. A jovem felizmente conseguir fugir e já estava escapando quando o esposo prometido a golpeou furiosamente com a espada, matando-a. Imediatamente Harduin ficou cego.
     Maxelenda foi sepultada na igreja de Saint-Sulpice de Pommereul, mas em virtude dos numerosos milagres verificados junto a sua sepultura, em 673 o Bispo de Cambrai e de Arras, Vindiciano, fez transladar suas relíquias para a igreja de Saint-Vaast de Caudry.
     Harduin, que havia pedido para participar da procissão, caiu de joelhos quando da passagem de suas relíquias. Arrependendo-se de seu crime e pedindo perdão a Deus, recuperou no mesmo instante a visão.
     Ainda hoje Santa Maxelenda é festejada na Diocese de Cambrai no dia 13 de novembro.

Basílica de Santa Maxelenda
     A construção desta imponente basílica, nos anos 1830, revela a importância da veneração dedicada à Santa em Caudry.
     O edifício, em estilo gótico, foi edificado segundo planos do arquiteto Luís Cordonnier, entre 1887 e 1890. Local de peregrinação dos cegos e daqueles que têm pouca visão, ela foi elevada a basílica menor por um breve pontifício de 3 de setembro de 1991. No interior, capelas dedicadas à Nossa Senhora do Rosário e à Santa Maxelenda, com o relicário da Santa.

Oração:
     Santa Maxelenda, virgem e mártir, tu que curaste teu assassino que ficara cego, guardai nosso precioso dom da visão, curai aqueles que dela estão privados, ou que estão em risco de perdê-la. Obtenha sobretudo a luz do espírito e do coração para que caminhemos sempre nas vias do Evangelho. Tu que desejavas te consagrar a Deus, instrui aqueles que buscam sua vocação nesta terra. Que com a ajuda de tua oração eles encontrem a paz e realizem sua vocação. Amém.

Etimologia: Maxelenda, derivado do latim Maximus: “o maior”, “o máximo”, e talvez acrescido da abreviação “linda” de nomes como Ermelinda, Deolinda.

Fontes: www.santiebeati;itBook of Saints, by the Monks of Ramsgate; Wikipédia

A Basílica de Sta. Maxelenda em Caudry, França

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Beata Maria Micaela Baldoví Trull, Abadessa bernardina, mártir - 9 de novembro

    
     Nasceu em Algemesi, Valencia, Espanha, em 28 de abril de 1869. Contava 67 anos de idade quando sofreu o martírio. Seu nome civil era Maria da Saúde Baldoví Trull, filha de João Batista e Joaquina; foi batizada na paroquia de São Jaime e confirmada em 1879. Embora em menina não tivesse frequentado centros educativos, nem em sua juventude tivesse estudado, possuía uma grande capacidade intelectual que ela mesma se encarregou de cultivar e ampliar, destacando-se o seu autodomínio.
     Ingressou na Ordem Cisterciense em 1892, no mosteiro de Gratia Dei, em La Zaydia, Valencia, tendo feito seus votos solenes com 24 anos. Desempenhou as tarefas de porteira, roupeira, administradora dos bens do mosteiro, e finalmente, como era muito fiel às regras monásticas da Ordem, foi eleita abadessa em 1917 até 1921. Madre Maria Micaela como abadessa foi muito amada por suas filhas, pois exercia seu governo com muito espírito maternal e profunda compreensão das fraquezas humanas.
     Em 1927, desejando ampliar a Ordem, fundou um novo mosteiro, Fons Salutis, para o qual se transferiu em 30 de outubro de 1927 com outras monjas, sendo a primeira abadessa da comunidade.
     Quando da Guerra Civil de 1936, a comunidade se viu obrigada a retirar-se do mosteiro. Isto ocorreu em 21 de julho; na madrugada do dia 22, após a santa missa e tendo consumido todas as hóstias sagradas, a comunidade abandonou o mosteiro e a Madre Maria Micaela foi viver com os irmãos João Batista e Encarnação.
     No dia 16 de outubro, as duas irmãs foram detidas e encarceradas precisamente em Fons Salutis, o mesmo mosteiro que Madre Maria Micaela havia fundado e que agora era usado como cárcere. Inclusive lhe deram como calabouço a mesma cela que ela havia usado como abadessa.
     Os diversos interrogatórios a que foi submetida lhe causaram grande sofrimento, pois foram muito duros com ela. Porém, esquecendo-se de si mesma se dedicava em consolar e animar as demais religiosas prisioneiras, rezava sem cessar e era vista beijando as paredes de sua cela, como santificando sua própria prisão. Desta atitude corajosa e exemplar ficou-nos vários testemunhos de pessoas que conviveram com ela.
     Eu fui presa e levada para o convento de Fons Salutis, convertido em prisão, creio que em 26 10 1936, e me colocaram na cela que havia sido ocupada por Maria Teresa Roig e suas 4 filhas, que foram mortas no dia anterior. Uma vez na cela, a Madre Micaela, que estava na cela ao lado, me chamou batendo na parede e perguntando-me quem era e o que acontecia na rua. Logo, um carcereiro chamado Pedro Fernandez abriu as celas e falei com ela, que se mostrava muito animada e corajosa e me disse: “Quem diria que esta convento que eu fundei ia ser minha prisão, ocupando a mesma cela de abadessa e de presa!”, e acrescentou que, quando chegasse o momento da morte, devíamos gritar: ‘Viva Cristo Rei!’, e as demais responder: ‘Viva!’. Este foi o tema da conversação durante os dias que convivemos juntas na prisão, mostrando-se sempre muito animada”. (Josefa Giner Botella, prisioneira)
     Eu estava ocupando o cargo de chefe do Corpo de Guarda, que vigiava o mosteiro prisão, onde estava presa M. Micaela. Quantas vezes fui abrir a cela em que ela se encontrava, a via recolhida, mas sem perder o ânimo, estava muito recolhida interiormente. Algumas vezes ajoelhada e outras rezando”. (Pedro Fernandez Lopez, carcereiro)
     Finalmente, em 9 de novembro de 1936, por volta das 9 h da noite, a fuzilaram bem como a sua irmã Encarnação, na estrada de Benifaió, no fim do município de Almussales. Parece que Encarnação morreu logo, mas Madre Micaela ficou com vida e agonizou durante toda a noite, até que ao amanhecer cortaram sua cabeça.
     Ao terminar a guerra, após uma longa investigação, seus corpos foram encontrados, exumados e recuperados. Com grande horror encontraram as duas cabeças separadas do tronco, o que revelava que as irmãs foram decapitadas. Seus restos foram enterrados no cemitério de Benifaió e foram transladados depois para Algemesi e inumados em Fons Salutis em 1974.
     Madre Maria Micaela foi beatificada em 3 de outubro de 2015.

O Mosteiro cisterciense de Fons Salutis

     Este mosteiro, filial do Real Mosteiro de Nossa Senhora de Gratia Dei (Zaydia) de Valencia, foi inaugurado em 30 de outubro de 1927. A primeira pedra fora colocada em julho de 1925.
     As religiosas que formaram a primeira comunidade: Madre Maria Micaela, abadessa, Soror Trindade Esteve Medes, Soror Rosalia Castell Vázquez, Soror Natividade Medes Ferrís, Soror Josefa Toraz e a noviça Gerardina Peñaroya.
     Madre Maria Micaela Baldoví e Irmã Natividade (Úrsula) Medes, foram martirizadas em 1936 e beatificadas.
    Era um mosteiro pequeno, inacabado (nunca se terminou o projeto previsto). Assim narrava este evento a imprensa da época:
     "Às três da tarde de ontem o reverendíssimo prelado de Algemesi se dirigiu ao local fora da cidade onde foi construído um belo mosteiro para as religiosas cistercienses de São Bernardo, que ocupavam o antiquíssimo convento Zaydía.
     “As religiosas, algumas das quais há 30 anos vivem em clausura, e durante este período não haviam pisado as ruas, transladaram-se do seu convento até a Real Capela de Nossa Senhora dos Desamparados para se despedir da celestial Patrona de Valencia, e em veículos preparados para isto, se dirigiram a Algemesi, onde visitaram a igreja paroquial, prestando homenagem de seu amor e veneração à Santíssima Virgem da Saúde.
     “Também o Sr. Arcebispo fez sua viagem de automóvel, acompanhado de seu capelão, Doutor Benavent, os cônegos doutores Cabanes e Montañana, pároco prior da Colegiata de São Bartolomeu, doutor Pérez Thous e outros sacerdotes”.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Beata Filipa Ghisilieri, Clarissa - 8 de novembro

    
     Em Assis, viveu e morreu a Beata Filipa Ghisilieri, que no século tinha sido companheira de Santa Clara. Quatro anos depois de aquela Santa renunciar ao mundo, ao ouvi-la exortar com muita devoção suas monjas animando-as no exercício de governar a si mesmas e dedicar-se ao serviço de Nosso Senhor para alcançar a vida eterna, Filipa resolveu segui-la e usou o hábito de todo coração para servir ao Senhor, em cujas mãos depositou seu espírito no fim da vida.
     Ela faleceu no dia 13 de outubro de 1277 em Assis, e foi sepultada na Igreja de São Jorge daquela cidade.
     A Beata era filha de Leonardo, Capitão de Collenezo e pertencente à família do papa São Pio V. Era bolonhesa de nascimento e se fez monja no convento de São Damião na cidade de Assis, onde passara a viver.
     Era muito dedicada à gloriosa Santa Clara, por cujas orações e méritos Filipa foi curada de uma dor de cabeça que a incomodava há seis anos. Imitou com grande solicitude e diligência o santo procedimento de Santa Clara, viveu santamente por muitos anos, e morreu em odor de santidade.
     Esta Beata é citada no volume de G. B. Melloni “Atti o memorie degli Uomini illustri in santità nati o morti in Bologna” e no texto de L. Jacobilli e P. Cesio da Cassia “La vita del SS. Romano Pontefice Pio V” publicado em 1661.
     A Beata Filipa é recordada na memória de todos os franciscanos venerados por sua santidade, enquanto a Igreja bolonhesa a comemora no dia 8 de novembro, dia em que são recordados os santos da diocese.


Etimologia: Filipe (a) do grego Philippos: “amigo (philos) de cavalos (hippos)”.

sábado, 4 de novembro de 2017

Beata Beatriz da Suábia, Rainha - 5 de novembro

Beatriz, quarta filha de Felipe de Suabia e de Irene Angelo, bem como neta do imperador Frederico Barbaroxa, casou-se em 30 de novembro de 1219 com o rei de Castela e Leão, São Fernando III. Assim, ela foi mãe do futuro soberano Alfonso X e de nove filhos: Fradique, Fernando, Henrique, Felipe, Sancho, Manuel, Leonor, Berengária e Maria. Ela fazia parte da Ordem de Santa Maria das Mercês; preferindo a glória celeste aos bens terrenos, foi recompensada por Deus com uma coroa especial: a aureola de santidade. Os seus restos repousam na Catedral de Sevilha junto ao marido. Ela recebeu o título de "Beata" e, como tal, é comemorado no dia 5 de novembro.

     É bem notável que nos dois mil anos de Cristianismo os santos que sempre gozaram de maior popularidade têm sido predominantemente os religiosos de todas as ordens e graus, e os mártires dos primeiros séculos. Em segundo plano, estão todas as figuras exemplares de esposos que na vida conjugal tentaram atuar na chamada Igreja doméstica, a Esposa de Cristo Nosso Senhor.
     Muitos dos casais que receberam culto público são soberanos das nações europeias, mas, infelizmente, muitas vezes e de bom grado é dada maior popularidade para o marido, como nos casos de Carlo Magno e Ildegarda, Estêvão e Gisela da Hungria, Etelberto e Berta de Kent.
     O caso de uma santa esposa um pouco negligenciada é o da Rainha Beatriz da Suabia. Na verdade, poucas são as informações da curta vida terrena desta nobre mulher.
     Ela nasceu na Alemanha por volta de 1200, na grande família Hohenstaufen, a quarta filha de Felipe de Suécia (1180-1208), Duque da Suabia e de Irene Angelo de Constantinopla. Felipe, por sua vez, era filho de Frederico I Barbaroxa (1122-1190), Imperador da Alemanha. Nas veias de Beatriz, portanto, fluía o sangue imperial puro, digno do título de "Sua Alteza Imperial".
     Uma das poucas datas certas em sua vida parece ser o dia 30 de novembro de 1219, dia do seu casamento com o rei Fernando III de Castela e Leão, muito mais famoso do que ela, já que sua memória está ligada à Reconquista da Península Ibérica ao Cristianismo. Desta feliz união nasceu o futuro soberano Alfonso X e outros nove filhos: Fradique, Fernando, Henrique, Felipe, Sancho, Manuel, Leonor, Berengária e Maria.
     A Rainha Beatriz fazia parte da Ordem de Santa Maria das Mercês, fundada na Espanha por São Pedro Nolasco onde é particularmente difundida. Ela pertencia à Ordem como terciária, enquanto uma mulher casada. Então, preferindo a glória celestial aos bens terrenos, Deus a recompensou com uma coroa especial, aureola da santidade.
     Cerca de 1235, ainda em uma idade não muito avançada, Beatriz faleceu em Tori, perto de Zamona, e seus restos mortais foram primeiramente sepultados em Huelgas. Tendo enviuvado, Ferdinand III casou-se em segundas núpcias com Joana de Ponthieu Montreueil, que deu a ele três filhos: Fernando, Leonor e Luís.
     Quando ele morreu em 30 de maio de 1252 e foi enterrado na Catedral de Sevilha, os restos mortais da amada Beatriz também foram transladados e colocados ao lado dele, e começaram a ser objeto de veneração pelos fiéis.
     Foi atribuído a ela popularmente o título de "Beata" e como tal é comemorada no dia 5 de novembro, embora infelizmente seu culto pareça ser limitado ao nível local e à Ordem dos Mercedários.
     Enquanto seu marido foi oficialmente canonizado em 1671, Beatriz da Suábia continua ainda a espera de uma confirmação oficial de seu culto. Quanto a iconografia relativa a ela, há uma especial menção à uma escultura do século XIII no claustro da Catedral de Sevilha, bem como seu monumento funerário ao lado de São Fernando III.
A Beata ao lado do seu esposo, São Fernando
São Fernando III
     Fernando nasceu na vila de Valparaíso, em Zamora, Espanha, no dia 1o de agosto de 1198. Era filho do famoso Afonso IX de Leão, que reinou no século XII. Um rei que brilhou pelo poder, mas cujo filho o suplantou pela glória e pela fé. A mãe era Berengária de Castela, que o educou dentro dos preceitos cristãos de amor incondicional a Deus e obediência total aos mandamentos da Igreja. Assim ele cresceu, respeitando o ser humano e preparando-se para defender sua terra e seu Deus.
     Assumiu com dezoito anos o trono de Castela, quando já pertencia à Ordem Terceira Franciscana. Casou-se com Beatriz da Suábia, filha do rei da Alemanha, uma das princesas mais virtuosas de sua época, em 1219. O casal foi abençoado com o nascimento de 10 filhos. Viúvo, em 1235, contraiu segundo matrimônio com Joana de Ponthieu, bisneta do rei Luís VIII, da França. Ao todo teve treze filhos, o filho mais velho foi seu sucessor e passou para a história como rei Afonso X, o Sábio, e sua filha Eleonor, do segundo casamento, foi esposa do rei Eduardo I da Inglaterra.
     Essas uniões serviram para estabilizar a casa real de Leão e Castela com a realeza germânica, francesa e inglesa. Condizente com sua fé, evitou os embates, inclusive os diplomáticos, e aplacou revoltas só com sua presença e palavra, preferindo ceder em alguns pontos a recorrer à guerra.
     Sob seu reinado foram mudados os códigos civis, ficando mais brandos sob a tutela do Supremo Conselho de Castela, instituiu o castelhano como língua oficial e única, fundou a famosa Universidade de Salamanca e libertou sua nação do domínio dos árabes muçulmanos. Abrindo mão do tempo desperdiçado com novas conquistas, utilizava-o para fundar novas dioceses, erguer novas catedrais, igrejas, conventos e hospitais, sem recorrer a novos impostos, como dizem os registros e a história.
     Em 1225, teve que pegar em armas contra os invasores árabes, mas levou em sua companhia o Arcebispo de Toledo, para que ajudasse a perseverar os soldados na fé. Queria, com a campanha militar, apenas reconquistar seus domínios e propagar o Catolicismo. Vencida a batalha, com a expulsão dos muçulmanos, os despojos de guerra foram utilizados para a construção da belíssima Catedral de Toledo. Durante seu reinado, cidades inteiras foram doadas às ordens religiosas.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Júlia Greeley, o Anjo de Misericórdia de Denver, EUA

    
     Hoje, dia de Todos os Santos, apresentamos uma figura que embora não tenha sido ainda canonicamente elevada à honra dos altares, é tida pelos católicos da cidade de Denver, Colorado, EUA, como uma santa.
     Os habitantes de Denver creem firmemente que ela esteja no Céu, pois Nosso Senhor disse: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia” (Mt 5, 7).
     No dia 2 de junho de 2017, uma missa em homenagem a Júlia Greeley foi rezada na Igreja Católica do Sagrado Coração em Denver, local frequentado por ela até sua morte em 7 de junho de 1918.
     Júlia Greeley viveu na obscuridade durante a maior parte de sua vida; hoje sua canonização está sendo cogitada pela Igreja Católica.
     Como um prelúdio dos próximos passos para sua canonização, naquele dia os seus restos mortais foram transferidos e colocados num túmulo de mármore na Catedral Basílica da Imaculada Conceição em Denver.
     Durante a missa em sua honra, numa igreja cheia de leigos, o bispo auxiliar Jorge Rodriguez falou sobre a vida de Júlia.
     Cento e trinta e sete anos atrás, Júlia Greeley converteu-se ao Catolicismo. Alguns estão sentados nos bancos em que ela sentou; após a missa, ela saía pelas portas que transporemos nesta noite. Peçamos a Deus, como Júlia fazia quando deixava a igreja: como podemos mostrar a Ele nosso amor e como podemos servi-Lo”.
     A vida de Júlia Greeley é surpreendente porque ela brilha no meio de uma triste realidade da história humana: ela conheceu a tragédia da escravidão, a dor e a humilhação, mas sua vida toda foi de serviço, plena de amor. Isto é em si um milagre, que uma mulher rodeada de rancor não odiasse”.
     A Igreja universal está reconhecendo que Júlia Greeley levou uma vida santa”. [...]
     A santidade pode acontecer em almas humildes, que realizem coisas simples, como Júlia Greeley ajudando pobres em silêncio nas ruas de Denver, e compartilhando seu amor pelo Sagrado Coração de Jesus”.
     Isto é o que os santos fazem: eles despertam em nós o desejo de também sermos santos! Peçamos a Júlia Greeley, que está no Céu, que nos inspire a responder a Nosso Senhor como ela, para que possamos também dizer como São Pedro: ‘Senhor, Vós sabeis que eu Vos amo!’”
*

     Júlia Greeley [foto acima], nasceu escrava entre 1833 e 1848 em Hannibal, no Missouri (ela não se lembrava do ano em que nasceu). Como escrava, suportou tratamento horrível: certa vez, um chicote atingiu seu olho direito e destruiu-o, quando um chefe de escravos batia na mãe de Júlia.
     Em 1874, 11 anos após a libertação dos escravos, ela se mudou para Denver, no Colorado, indo morar com uma família católica, os Gilpin. Júlia Gilpin era casada com o primeiro governador territorial do Colorado, William Gilpin. Sob a influência da patroa, Júlia se converteu ao catolicismo em 1880, recebendo o batismo na igreja do Sagrado Coração de Jesus daquela cidade, que começou a frequentar assiduamente. Se tornou uma católica fervorosa, de missa e comunhão diárias.
     Em 1901, Júlia Greeley tornou-se membro da Ordem Secular Franciscana. Os padres jesuítas de sua paróquia reconheceram que ela era a mais fervorosa promotora da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
     Apesar de sua própria pobreza, Júlia dedicava grande parte de seu tempo coletando alimentos, vestiários e outros bens para os pobres. Geralmente ela fazia essa distribuição à noite, a fim de evitar embaraços às pessoas que ajudava e para permanecer no anonimato. Socorria igualmente famílias de negros e de brancos pobres, usando de muita delicadeza para não os melindrar.
     Embora ganhasse pouco, limpando e cozinhando, “dedicava-se a ajudar outras pessoas [mais] pobres do que ela. Isto já diz tudo sobre o seu coração caritativo. Ademais, sentia grande devoção pelo Sagrado Coração de Jesus, ficando conhecida por caminhar até 20 diferentes estações de bombeiros a fim de repartir entre eles medalhas de feltro do Sagrado Coração [o ‘Detém-te’, ou ‘Escudo do Sagrado Coração de Jesus’] e folhetos. Ela é a encarnação das obras corporais e espirituais de misericórdia…”, escreve seu biógrafo, o Frei Capuchinho Pe. Blaine Burkey
     Segundo seu biógrafo, Júlia Greeley não lia nem escrevia. “Ela jejuava todas as manhãs. Mesmo depois de ter comungado, as pessoas diziam: ‘Por que você não vem e toma o desjejum?’ e ela dizia ‘A Comunhão é o meu desjejum!’
     Júlia faleceu no dia 7 de junho de 1918, na festa do Sagrado Coração de Jesus. Os jornais da cidade, como o Denver Catholic Register, escreveram longos obituários em sua honra. Como ela não sabia bem sua idade, calcula-se que teria por volta de 80 anos quando faleceu. Era tão querida, que seu corpo permaneceu na capela ardente durante cinco horas, para atender ao afluxo constante de pessoas de todos os âmbitos da sociedade que queriam venerá-la.
     Dois dias após o funeral de Júlia, o Denver Catholic Register apresentou um artigo de Matthew Smith (que mais tarde se tornou padre e um dos mais célebres editores do Register), no qual ele dizia: “Sua vida se assemelha a de uma santa canonizada”. Mons. Smith não sabia quão providenciais suas palavras eram.
      Duas comissões foram indicadas para promover a causa de canonização de Júlia; estão investigando sua vida e coletando todas as informações sobre ela que ainda não tenham sido descobertas. Examinam suas virtudes, sua reputação de santidade e qualquer evidência a favor ou contra isto.
A foto de Júlia Greeley
     Virginia Haddad tomou conhecimento de Júlia Greeley quando pequena. Ela teria por volta de 6 ou 7 anos quando sua mãe lhe mostrou um velho jornal que publicara a única foto conhecida de Júlia. “Ela me falou sobre Júlia”, recorda Virginia, “e me disse que aquela foto única dela e de uma criança, era a de Tia Marge, e que Júlia era uma pessoa santa que ajudara muitas pessoas em Denver”.
     A foto relaciona-se com um casal residente em Denver, Agnes e George Urquhart, que tinha perdido seu primeiro filho bem pequenino. Os médicos disseram que eles não poderiam ter mais filhos, mas quando Júlia encontrou o casal e ouviu esta novidade, disse que isto era uma tolice. “Vocês terão outra criança”, ela disse, “e ela será meu pequeno anjo branco”.
     Cerca de um ano depois, em 11 de setembro de 1915, nasceu Marjorie Ann Urquharts. A mãe de Virginia, Virginia Rose, nasceu em 1918.
     Virginia Haddad relatou ao Denver Catholic que não tinha muitos detalhes sobre Júlia. “[Minha mãe] disse-me que [Júlia] era uma escrava e que foi agredida pelo chicote do chefe dos escravos, e ficou cega de um olho”. Foi somente anos depois que Virginia Haddad buscou mais informações sobre Júlia Greeley na internet.                                                            

          Virginia Haddad junto ao túmulo de Júlia Greeley – na foto conhecida do Anjo de Caridade, ela carrega a tia de Virginia, Marjorie Urquhart
     Virginia Haddad, leiga franciscana, ficou ainda mais ligada a Júlia Greeley ao tomar conhecimento que ela também fora uma leiga franciscana. A partir de todas estas informações, ela se tornou uma difusora da vida de Júlia.




A cidade de Denver, EUA, em 1898

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Beata Serafina Micheli: a visão de Lutero no Inferno

     
     Em 1883, a Bem-aventurada Sóror Maria Serafina Micheli (1849-1911), fundadora do Instituto das Irmãs dos Anjos, passava pela cidade de Eisleben, na Saxônia, Alemanha. Eisleben é a cidade natal de Lutero. E naquele dia comemorava-se o quarto centenário do nascimento daquele grande heresiarca (10 de novembro de 1483).
     Lutero dividiu a Igreja e a Europa. Dessa divisão adviriam crudelíssimas guerras de religião que duraram décadas a fio.
     A população aguardava o imperador alemão Guilherme I que devia presidir as solenidades.
     A futura beata não se interessou pela agitação e seu único desejo era encontrar uma igreja onde pudesse rezar e visitar a Jesus Sacramentado. As igrejas estavam fechadas e já era noite. 
     Na escuridão localizou uma com as portas trancadas, mas se ajoelhou nos degraus de acesso. Pela falta de luz não percebeu que a igreja não era católica, mas protestante. Enquanto rezava lhe apareceu o anjo da guarda e lhe disse:
     ‒ “Levante, porque este é um templo protestante”.
     E acrescentou:
     ‒ “Eu quero te fazer ver o lugar aonde Martinho Lutero foi condenado e a pena que sofre como castigo de seu orgulho”.
     Depois destas palavras, a santa religiosa viu uma horrível voragem de fogo, na qual era cruelmente atormentado um número incalculável de almas. No fundo dessa voragem via-se um homem: Martinho Lutero. Ele se distinguia dos outros porque estava rodeado de demônios que o obrigavam a ficar de joelhos.
     Todos esses espíritos imundos equipados com martelos se esforçavam, em vão, para enfiar-lhe na cabeça um grande prego.
     A freira achou que se o povo que estava na festa visse aquela cena dramática, certamente não tributaria honras, lembranças, comemorações e festejos a semelhante personagem. [também pode-se dizer o mesmo daqueles que no dia de hoje comemoram a pseudo-reforma de Lutero]
     Desde então, Sóror Serafina sempre que aparecia a ocasião exortava suas irmãs de religião a viverem na humildade e no esquecimento dos outros. Ela estava convencida que Martinho Lutero foi condenado ao Inferno sobretudo por causa do primeiro pecado capital: a soberba.
     O orgulho fez que ele caísse no pecado capital e o levou para a aberta rebelião contra a Igreja Católica. A sua péssima conduta moral, sua atitude de revolta contra o Papado e a sua pregação de más doutrinas pesaram muito no desvio de muitas almas superficiais e mundanas que caíram na perdição eterna.
     Sóror Serafina foi beatificada na diocese de Cerreto Sannita, província de Benevento, em 28 de maio de 2011.


O Inferno, por Fra Angélico
Vide resumo biográfico da Beata em 24 de março de 2014.