domingo, 10 de junho de 2018

Beata Iolanda da Polônia, Duquesa e Abadessa - 11 de junho

   
   Iolanda, ou Helena, como foi chamada depois pelos súditos poloneses, nasceu no ano de 1235, na cidade de Esztergom, filha de Bela IV, rei da Hungria, que era terciário franciscano, e de sua esposa Maria Laskarina, da casa imperial grega. As suas duas irmãs, mais famosas, foram Santa Margarida da Hungria, canonizada em 1943 por Pio XII; e Santa Kinga (Cunegundes) canonizada por João Paulo II em 1999. Santa Isabel da Hungria, terciária franciscana, era sua tia. Nas raízes da santidade de sua família estava Santa Edviges e os santos soberanos húngaros, Santos Estevão e Ladislau. Por ramos colaterais, descendia de Santa Margarida, Rainha da Escócia.
     Iolanda foi educada desde muito pequena pela irmã Cunegundes, que se casara com um dos reis mais virtuosos da Polônia, Boleslau o Casto. Por tradição familiar e social da época, Iolanda deveria também se casar com alguém da terra e, em 1256, foi entregue como esposa a outro Boleslau, o Duque de Kalisz, conhecido como "o Piedoso". O casamento foi celebrado em Cracóvia. Foi uma época de muita alegria para o povo polonês que viu nas duas estrangeiras pessoas profundamente bondosas, cristãs, justas e caridosas.
     Iolanda também se tornou terceira franciscana e uniu aos deveres de esposa e mãe o exercício da caridade, concretizando-o na assistência aos pobres e aos doentes. Entretanto, o reino verdadeiramente exemplar de Boleslau o Casto, de sua esposa Santa Kinga, e dos cunhados Beata Iolanda e Boleslau o Piedoso, não teve longa duração, pois alguns anos depois o quarteto foi desmanchado pela fatalidade.
     Primeiro morreu o rei, deixando Kinga viúva. Em 1279 o esposo de Iolanda faleceu; ela então dividiu os seus bens entre a Igreja e seus parentes, dando parte a sua irmã viúva. Iolanda tinha então três filhas; ela arranjou que duas delas se casassem e uma terceira, que apresentava vocação religiosa, se retirasse para o convento das Clarissas de Sandeck, onde já se encontrava a tia, Kinga. As duas logo seriam seguidas por Iolanda.
     Muitos anos se passaram e as três damas cristãs continuavam naquele lugar, fazendo do silêncio do claustro o terreno para um fecundo período de meditação e oração. Quando Cunegundes faleceu, em 1292, para escapar das incursões bárbaras, Iolanda deixou esse mosteiro e abrigou-se mais a oeste, no convento das Clarissas de Gniezno. O convento havia sido fundado por seu marido Boleslau, o Piedoso, sem que ele certamente imaginasse que entre aquelas filhas de Santa Clara um dia sua esposa também haveria de se esconder sob o hábito franciscano.
     Iolanda foi eleita abadessa, mas agia como se fosse inferior a todas: praticava intensamente as virtudes cristãs e religiosas, especialmente a humildade, a oração e a meditação da Paixão de Cristo. Também é dito que ela teve revelações e aparições do Jesus Crucificado. Ela conduziu suas coirmãs no caminho das virtudes mais heroicas, precedendo-as na prática da penitência e contemplação com generosidade constante que foi nutrida pela meditação diária da Paixão de Cristo. A solidão não a impedia de ocupar-se dos pobres aos quais dava alimento e generosas dádivas.
     Em 1298 ela ficou gravemente doente e previu a hora de sua morte. Enquanto as coirmãs choravam em volta do seu leito de dor, ela as instou a serem fiéis à observância da regra e à perseverança no desprezo às coisas terrenas. E falou ainda sobre a magnífica recompensa que as esperava no céu. Fortificada com os últimos sacramentos, ela adormeceu docemente no Senhor. Era 11 de junho de 1298. Tinha 63 anos. Foi enterrada na capela do claustro.
     Amada pela população, seu culto ganhou força entre os fiéis do Leste europeu e difundiu-se por todo o mundo católico ao longo dos tempos. Seu túmulo tornou-se meta de romeiros pelos milagres e graças atribuídos à sua intercessão.
     Em 1631 foi iniciado o processo para sua beatificação; em 26 de setembro de 1827 Leão XII autorizou o seu culto e permitiu à Ordem dos Frades Menores Conventuais e às Clarissas celebrarem em sua honra o Ofício e a Missa. Leão XIII estendeu sua festa a todas as outras dioceses da Polônia.
     As filhas de Iolanda e Boleslau, que permaneceram no mundo, são: Edviges de Kalisz (1266-1339), esposa do Rei Vladislau I da Polônia; Isabel de Kalisz (1263-1304), esposa do Duque Henrique V de Legnica.



Fonte: www.santiebeati.it  Don Luca Roveda

Etimologia: o seu nome, de origem grega, significa “Violeta”.

Em 14 de junho de 2014 este blog publicou um relato sobre esta Beata.


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Festa do Sagrado Coração de Jesus - 8 de junho


Vi cientistas ateus empalidecerem ao constatar que há coisas que não se pode compreender sem uma perspectiva que está acima da razão natural”.



     O Dr. Ricardo Castañón Gomez, boliviano, é conhecido como doutor em Psicologia Clínica, mas sobretudo pelo contato direto com algumas manifestações eucarísticas que estão além do conhecimento humano.
     Ao semanário da Arquidiocese do México, ele conta alguns fatos de sua vida. Em 1999, sendo um não crente, formado academicamente sobre as bases do existencialismo ateu de Jean Paul Sartre, à pedido do então Arcebispo de Buenos Aires, Mons. Jorge Mario Bergoglio, “realizou a primeira análise científica de uma Hóstia consagrada, da qual manava uma substância avermelhada; concluiu a investigação no ano 2006, comprovando que a substância era sangue humano, que a mesma continha glóbulos brancos intatos, e músculo de coração ‘vivo’, miocárdio ventrículo esquerdo. Cabe assinalar que o caso ainda não foi declarado milagre, mas sinal, e a Hóstia permanece exposta no altar da paróquia de Santa Maria de Buenos Aires”.
     Entretanto, ele menciona que há um “milagre”, assim declarado pela autoridade diocesana. O fato ocorreu em Tixtla, Chilpancingo, quando uma Hóstia consagrada começou a sangrar em 2013: “Aqui confirmamos que o tipo de sangue é AB, o mesmo encontrado no Santo Sudário de Turim e no Milagre Eucarístico de Lanciano. Encontramos tecido vivo, bem como um glóbulo branco ativo, enquanto se constata uma lesão presente no tecido, aspecto que se parece, por exemplo, com um coração infartado”.
     Desde 1999, Castañón se dedica a estudar 15 casos de “milagres eucarísticos”. “Cada série de minhas investigações são repetidas em três laboratórios de nações diferentes, e as variáveis são muitas: sangue, ADN, glóbulos brancos e vermelhos, tecido humano, hemoglobina e outras; posso dizer que do ponto de vista científico minhas informações finais são cem por cento confiáveis”.
     Os fatos que ele atesta são verdadeiramente surpreendentes: “Como se poderia obter sangue sem osso e medula óssea? Como se poderia obter músculo de um coração vivo e glóbulos brancos em um pedacinho de pão? Como se poderia obter hemoglobina, uma substância sujeita a mecanismos bioquímicos complexos e a um programa genético inicial? Vi cientistas ateus empalidecerem ao constatar que há coisas que não se pode compreender sem uma perspectiva que está acima da razão natural”.
     Atualmente ele estuda um caso ocorrido no final do ano passado, que parece ser sangue em Vinho consagrado. Quando ele tiver resultados conclusivos, nos comunicará.
     Só desejo dizer que ao comprovar que as efusões que estas Hóstias consagradas apresentam se identifica sangue fresco e tecido vivo, isto me impacta, me fascina, toca o mais íntimo do ser. Em cada Comunhão vem a minha memória a frase de Jesus: “O pão que eu darei é minha carne”. Recebo a Eucaristia todo dia e quando comungo meu pensamento é: “Vou receber Cristo, o mesmo que esteve nos braços de Maria, Aquele que caminhou com seus Apóstolos, o Filho vivo do Deus vivo, que morreu e ressuscitou e está à direita do Padre”.

Declaração do Prof. Frederico Stigbe da Columbia University em Nova York. 
     Em 26 de março de 2005, cinco anos e meio desde o início da investigação, ele informa: “Se trata de tecido do coração, tem mudanças degenerativas do miocárdio e estas mudanças degenerativas são devidas a que células estão inflamadas e se trata do ventrículo esquerdo do coração. As amostras que possuo são de músculo do coração, quero dizer que o resultado desta amostra é carne e sangue, o músculo é do miocárdio, o centro que faz pulsar o coração do ventrículo esquerdo onde o sangue é purificado e limpo”.
     O Dr. Stigbe disse ao Dr. Castañón que o paciente de onde provêm estas amostras sofreu muito -  Dr. Castañón esclarece novamente que o especialista não sabia que estas amostras vinham de uma Hóstia – e este paciente sofreu muito porque foi golpeado na altura do peito e lhe provocaram um infarto!
     É importante notar que foi mencionada a existência de glóbulos brancos: se se extrai sangue de uma pessoa, 15 minutos depois os glóbulos brancos se desintegram; então, como é possível que até o ano de 2005 tínhamos glóbulos brancos na amostra que foi extraída em 1996? A conclusão é que o coração tinha ativa dinâmica viva no instante em que se tirou as amostras!


Reflexão:
     É impressionante que a ciência nos proporciona argumentos para nos confirmar na Fé e na devoção ao Sagrado Coração de Jesus, num mundo que cada vez menos crê nos milagres. Pessoas “modernas” e “instruídas” tendem a descartar o milagroso, preferindo crer que a ciência finalmente dará uma explicação natural ao inexplicável; que somente ignorantes ou crédulos fazem peregrinações desesperadas em busca de cura ou de sinais milagrosos. E quando finalmente têm diante dos olhos a comprovação do sobrenatural, se surpreendem, se calam, alguns se convertem, outros continuam sua vida vazia e sem sentido.
     Se trata de tecido do Coração” e “este paciente sofreu muito porque foi golpeado na altura do peito e lhe provocaram um infarto”.
     Adoremos o Sagrado Coração de Jesus que, como Ele mesmo disse à Santa Margarida Maria Alacoque: “Eis o Coração que tanto amou os homens!”
     Coração de Jesus, atravessado pela lança, tende piedade de nós!

Beata Maria do Divino Coração – 8 de junho

   
     Maria Anna Johanna Franziska Theresia Antonia Huberta Droste zu Vischering nasceu, com o seu irmão gêmeo Max, no dia 8 de setembro de 1863, solenidade da Natividade de Nossa Senhora, no Palácio Erbdrostenhof, em Münster, cidade situada na região da Vestfália, na Alemanha, sendo filha de uma das mais nobres famílias que se distinguiu pela sua fidelidade à Igreja Católica durante a perseguição do Kulturkampf – os seus pais eram Clemente, o Conde Droste zu Vischering, e Helena, a Condessa de Galen.
      De saúde frágil, Maria Droste zu Vischering foi batizada de imediato. Anos mais tarde, sua mãe revelou-lhe que no dia do nascimento das duas crianças ela experimentou uma tal consolação e uma alegria sobrenatural tão grande, como nunca sentira em toda a sua vida. Na verdade, pode dizer-se que isso era já um sinal da graça divina manifestando o quanto os dois, e sobretudo Maria, trilhariam o caminho da perfeição e do amor de Deus.
Castelo de Darfeld
     Maria Droste zu Vischering passou a sua infância com a família no Castelo de Darfeld, um dos mais belos da região, e foi uma criança cheia de vida: corria pelos corredores intermináveis do castelo, atirava-se para cima das moitas e da relva molhada do jardim, montava a cavalo, patinava no gelo e lutava para ser a primeira em qualquer jogo com os irmãos. Desde a mais tenra idade que a sua alma inocente fora atraída pelo Sagrado Coração de Jesus. Para Maria Droste zu Vischering, a devoção ao Coração de Cristo sempre se fundiu por inteiro com a devoção ao Santíssimo Sacramento, conforme ela própria declarou: "Nunca pude separar a devoção ao Coração de Jesus da devoção ao Santíssimo Sacramento; e nunca serei capaz de explicar como e quanto o Sagrado Coração de Jesus se dignou favorecer-me no Santíssimo Sacramento da Eucaristia".
     No dia 25 de abril de 1875, Maria fez, com o seu irmão gêmeo Max, a sua 1ª. Comunhão: "Esperei nesse dia a graça da vocação religiosa, mas em vão...". Essa graça recebeu-a apenas no dia 8 de julho do mesmo ano, mas só após a recepção do Crisma.
     Em 1878, contudo, Maria escutou uma pregação sobre a passagem bíblica que diz “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma” e reagiu da seguinte forma: “Nesse preciso momento pensei: tens que te tornar Religiosa! Teria preferido que os meus ouvidos não tivessem escutado, mas é impossível resistir à voz de Deus”.
     Durante a primavera de 1879, num dos trilhos da sua particular devoção ao Coração de Cristo, e após uma primeira experiência de vida religiosa realizada no Pensionato das Irmãs do Sagrado Coração em Riedenburg, Maria Droste zu Vischering chegou a uma importante conclusão: "[…] comecei a compreender que sem espírito de sacrifício o amor ao Coração de Jesus não passa de uma ilusão".
Vida religiosa
     No ano de 1883, na capela do Castelo de Darfeld, Maria escutou uma locução interior de Jesus que lhe disse: “Tu serás a esposa do Meu Coração”. No dia 5 de agosto desse mesmo ano, data do Jubileu de Prata do casamento de seus pais, Maria manifestou-lhes o desejo definitivo de se tornar religiosa e não tardou para que isso se tornasse realidade.
     Em 1888, visitou com sua mãe o Hospital de Darfeld e lá encontrou uma jovem que tinha dado escândalo. Maria, vencendo a sua repugnância e timidez face à mãe, estendeu a mão à infeliz. Pode dizer-se que foi o primeiro contato com o carisma das Irmãs do Bom Pastor. Na Igreja Paroquial, pouco tempo depois, tornou a ouvir a voz de Jesus que lhe disse: “Tens de entrar no Convento do Bom Pastor”. Maria decidiu-se, então, a entrar no noviciado do Convento do Bom Pastor de Münster. 
     Depois de ter recebido o hábito branco da Congregação – no mesmo dia e na mesma hora que, na França, no Carmelo de Lisieux, Teresa Martin recebia o hábito castanho (e, anos mais tarde, tornou-se na conhecida Santa Teresinha do Menino Jesus) –, Maria recebeu ainda o nome que se tornou para ela um programa de vida: Irmã Maria do Divino Coração.
     A Irmã Maria passou apenas cinco anos em Münster, pois a obediência chamou-a a uma missão especial em Portugal, para onde foi enviada inicialmente como Assistente da Superiora do Convento de Lisboa. De fevereiro a maio de 1894 permaneceu na capital portuguesa, mas em pouco tempo foi nomeada para o seu cargo definitivo de Madre Superiora do Convento das Irmãs do Bom Pastor do Porto.
     Ali se dedicou, de alma e coração, ao serviço de largas dezenas de jovens, entregues aos cuidados da sua Congregação, em tempos de grandes dificuldades materiais, perfeitamente integrada na sua nova pátria: “Sinto‑me tão portuguesa, que não me importo com tanto desconforto, tanto frio e tanta umidade”.
     Restauradora da disciplina religiosa e exigente na formação das suas filhas, a Irmã Maria foi alvo de inúmeras incompreensões por parte da comunidade que estava habituada a viver entregue só a si mesma. A principal atenção da Madre Superiora, contudo, foi sempre para as jovens internas, preferindo as mais pobres e as mais infelizes.
Morte e incorruptibilidade
     A Irmã Maria morreu no dia 8 de junho de 1899. O seu corpo, encontrado incorrupto quando da sua primeira exumação, encontra-se atualmente exposto para veneração pública na Igreja do Sagrado Coração, em Ermesinde, ereta pelas suas filhas, junto ao Convento do Bom Pastor dessa mesma localidade. Existem relíquias extraídas do seu corpo que se encontram expostas para veneração no Convento das Irmãs do Bom Pastor do Porto e na Capela dos Confidentes de Jesus situada no Santuário Nacional de Cristo Rei, em Almada.
     Na primeira sexta-feira de julho (ou agosto) de 1897, recebeu ela ordem do Senhor: “Deves erigir-Me aqui um lugar de reparação, e Eu erigirei nele um lugar de graças. Depois disse-me que queria que esta igreja fosse sobretudo um lugar de reparação pelos sacrilégios, e para atrair graças e bênçãos sobre o clero”.
      A construção deste templo foi uma das suas últimas preocupações. Ela mesma, no seu leito de dor, mal podendo segurar um lápis entre os dedos, traçou as linhas arquitetônicas. Não quis o Senhor dar-lhe em vida a alegria de ver realizado o seu sonho. Realizaram-no as suas filhas em Ermesinde. Diante da Hóstia consagrada em constante exposição, almas rezam em adoração reparadora.
Consagração do Mundo ao Sagrado Coração de Jesus
     A Consagração do Mundo ao Sagrado Coração de Jesus foi feita pelo Papa Leão XIII em 11 de junho de 1899, atendendo aos pedidos, em nome do próprio Jesus Cristo, que lhe foram dirigidos a partir de Portugal pela Beata Irmã Maria do Divino Coração Droste zu Vischering. Tal fato veio a ocorrer logo após a publicação da Encíclica Annum Sacrum.
     Num encontro que teve com os pais da Irmã Maria do Divino Coração, em Roma, Leão XIII anunciou que devido aos pedidos de sua filha que vivia no Porto ia realizar “o ato mais grandioso de todo o meu Pontificado”: a Consagração do gênero humano ao Coração de Jesus Cristo. A Irmã Maria foi o instrumento providencial de Deus para levar o Papa Leão XIII a realizar este ato solene.
     Em 1964, a Irmã Maria do Divino Coração, Condessa Droste zu Vischering, recebeu oficialmente o título de Venerável pela Congregação para as Causas dos Santos. No dia 1º de novembro de 1975, solenidade de Todos os Santos, foi beatificada pelo Papa Paulo VI. Atualmente, o Doutor Waldery Hilgeman foi nomeado postulador da causa de canonização que se encontra em curso.
Promessas do Sagrado Coração de Jesus
Convento do Bom Pastor do Porto
     Nas Suas revelações à Irmã Maria do Divino Coração Droste zu Vischering, Jesus apresentou-lhe duas grandes e prodigiosas promessas:
- Promessa de graças por intercessão da Irmã Maria do Divino Coração
     Fica sabendo, Minha filha, que da caridade do Meu Coração, quero fazer descer torrentes de graças através do teu coração para dentro do coração dos outros. É esta a razão porque hão-de dirigir-se com confiança a ti; não são as tuas qualidades, mas sou Eu mesmo a causa disso. Nunca ninguém que se encontrar contigo se afastará sem que a sua alma seja de qualquer maneira consolada, aliviada ou santificada, ou sem haver recebido alguma graça, nem até o mais endurecido pecador… dele depende aproveitar-se desta graça”. (1)
- Promessa de graças a conceder na Igreja do Sagrado Coração de Jesus
     Há muito tempo, como sabe, desejo construir no terreno do Bom Pastor uma igreja. Indecisa sobre a invocação da mesma, rezei e consultei muitas pessoas sem chegar a qualquer conclusão. Na primeira sexta-feira deste mês, pedi a Nosso Senhor que me iluminasse. Depois da Sagrada Comunhão, Ele disse-me: ‘Quero que a Igreja seja consagrada ao Meu Coração. Deves erigir aqui um lugar de reparação; por Minha parte, será um lugar de graças. Distribuirei copiosamente graças a todos os habitantes desta casa [o Convento], aos que nela vivem, aos que nela viverão, e até às pessoas das suas relações’. Depois disse-me que queria esta igreja, sobretudo, como lugar de reparação pelos sacrilégios e para obter graças para o clero”. (2)
 Corpo incorrupto da Beata Maria do Divino Coração
Notas:
1. Carta da Irmã Maria do Divino Coração datada de 23 de junho de 1897 in Autobiografia da Beata Maria do Divino Coração, Religiosa do Bom Pastor. Lisboa: Edição da Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, 1993
2. Carta da Irmã Maria do Divino Coração datada de 13 de agosto de 1897 in Autobiografia da Beata Maria do Divino Coração, Religiosa do Bom Pastor. Lisboa: Edição da Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, 1993

Fontes:
- Padre Luis Chasle; Irmã Maria do Divino Coração: chamada no século Droste de Vischering – religiosa do Bom Pastor (1863-1899). Porto: Typ. Catholica de Fonseca & Filho, 1907.
- Graças obtidas por intercessão da Condessa Droste de Vischering, Irmã Maria do Divino Coração. Porto: Tipografia da Casa Nun'Alvares, 1940.
- Joaquim Abranches; Beata Maria do Divino Coração. Braga: Mensageiro do Coração de Jesus, 1976.
- Autobiografia da Beata Maria do Divino Coração, Religiosa do Bom Pastor. Lisboa: Edição da Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, 1993.


Em 8 de junho de 2011 este blog postou um resumo biográfico desta Beata.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Madre Maria Angélica da Eucaristia, carmelita brasileira exemplar

     
    Uma pessoa amiga nos falou sobre o falecimento repentino da Madre Maria Angélica da Eucaristia, fundadora do Carmelo Maria Mãe da Igreja, de Montes Claros, no sábado 2 de junho. Ao velório, no domingo, afluíram centenas de pessoas de todas as classes sociais para demonstrar seu apreço por esta religiosa; cada um dos presentes tinha algo a recordar e agradecer a ela.
     Para exemplificar sua ação benfazeja, contou-nos nossa amiga que uma das carmelitas daquele convento era funcionária de um banco em São Paulo e, certo dia, vendo uma religiosa carmelita na Av. Paulista, ficou tão tocada que resolveu ingressar no Carmelo. Anos depois foi transferida para Montes Claro e foi grande sua surpresa ao conhecer a Madre Superiora: era a religiosa que vira em São Paulo! Naquela ocasião Madre Angélica viajara para SP para um tratamento médico.
     Este blog presta uma homenagem a esta religiosa pequena e franzina de corpo, mas gigante na alma; com grande cultura, traduziu várias obras religiosas do francês para o português.
*
     Há 87 anos nascia em Grão Mogol-MG (a 600 k de Belo Horizonte) Madre Maria Angélica da Eucaristia, cujo nome de batismo é Sophia Maria Esteves de Melo. Depois de estudar em Belo Horizonte, ingressou no Carmelo daquela cidade, sendo posteriormente transferida para Montes Claros, onde fundou o Carmelo montes-clarense.
Igreja de Sto. Antônio, Grão Mogol MG
     Reproduzimos aqui excertos de uma homenagem prestada à Madre em 2010, por ocasião de seu 60º ano de profissão religiosa.

Madre Maria Angélica da Eucaristia e suas Esmeraldas
     No dia 21 de novembro, festa da apresentação de Nossa Senhora, as carmelitas renovam a profissão de seus votos. Enquanto Elisabete pronuncia de novo com as companheiras a fórmula dos votos, sente um impulso de graça irresistível que a transporta à Santíssima Trindade.
     Ao voltar à cela, escreve num só lance e sem hesitação, como um grito emanado do coração, uma das mais belas declarações de elevação e amor aos seus Três: “Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim mesma para fixar-me em Vós, imóvel e pacífica, como se minha alma já estivesse na eternidade... Ó meu Cristo amado, crucificado por amor, quisera ser uma esposa para vosso Coração, quisera cobrir-vos de glória, amar-vos.... Ó fogo devorador, Espírito de amor, vinde a mim para que se opere em minha alma como que uma encarnação do Verbo... Ó meu Três, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão infinita, Imensidade onde me perco, entrego-me a vós como uma presa. Sepultai-vos em mim para que eu me sepulte em vós, até que vá contemplar em vossa luz o abismo de vossas grandezas”.
     E assim, no Carmelo de Dijon, no ano de 1904, a jovem Elisabete da Trindade encerra este tratado de diálogo com a Trindade.
     Ao querer ser toda dEle, as vocações surgem e se concretizam. Assim, diversas filhas e filhos da Santa de Ávila vêm percorrendo os caminhos da chama viva de Amor, anunciada pelo seu discípulo, companheiro e amigo, São João da Cruz.
     E há exatamente 6 décadas uma destas criaturas chamada às fileiras do Carmelo, pode adentrar uma das casas de oração, onde, como dito pela própria Teresa de Jesus, “encerradas aqui, pelejaremos por Ele”. Trata-se da nossa querida Irmã Maria Angélica da Eucarística, conhecida como Madre Angélica e para suas filhas: “nossa Mãe”.
     Mas como recordar e percorrer aquele distante e próximo dia 12 de dezembro do ano de 1950? Vamos deixar a própria Madre Angélica, nos contar, como o fez no ano de 1957, ao definir o seu ideal como amor:
     “Ó Mestre amado, é teu o meu segredo:
     Amar-te muito, louvar-te em meu degredo,
     Passar a vida inteira, ó celestial enlevo,
     Dizendo sempre: “Sim” ao divinal apelo.
     Viver silenciosa, oculta em meu Carmelo,
     Sofrer, morrer de amor, é este o meu anelo
     Travar o bom combate sobre a terra.
     Maria, doce Mãe sem igual na terra.
     E Cristo, meu Esposo, que triunfador impera!
     E entrega ao Pai a nova Humanidade
     Num hino de louvor e glória à Trindade!

     O Louvor de Glória se fez e faz presente em sua caminhada. Se fez presente na decisão de deixar os seus entes queridos e adentrar o Carmelo Nossa Senhora Aparecida, na cidade de Belo Horizonte. Se fez novamente vivo e presente quando da decisão de deixar a capital do Estado de Minas Gerais, rumo à cidade do Norte do Estado, Montes Claros e fundar com suas companheiras no dia 8 de setembro de 1977 a primeira casa contemplativa na região Norte do Estado. Assim, nasceu o Carmelo Maria Mãe da Igreja e Paulo VI e mais uma vez Madre Angélica como a pequena Teresa do Menino Jesus concretizava o Evangelho: “ser missionária e pregar o Evangelho”.
     Da década de 70 para cá participou ativamente da família carmelitana e, como sua Santa Madre, não se limitou a ficar somente em Montes Claros, levou o perfume carmelitano para duas Fundações, sendo o Carmelo da Ressureição e Beata Edith Stein, em Senhor do Bonfim, BA e o Carmelo Santíssima Trindade e Beata Elisabeth da Trindade, em Coronel Fabriciano, MG.
     Como a missão não pode ficar “escondida” participou e acolheu com carinho a fundação do Grupo Beata Elisabete da Trindade (OCDS) e atualmente elevado à categoria de Comunidade. Fez-se e continua se fazendo Mãe de inúmeras filhas espirituais, e nesta relação de Mãe-Filhas, basta recordar (para se entender melhor) a mesma relação estabelecida entre uma jovem chilena, de nome Juanita e posteriormente elevada a honra dos altares com o nome de Santa Teresa de Jesus de Los Andes, e sua Madre, coincidentemente denominada Irmã Angélica. [...]
     “Asseguro-lhe, Madre, que sinto uma confiança enorme na senhora, e é porque encontro em seu coração de mãe a ternura de N. Senhor para com minha alma”. No mês de setembro, ainda de 1918, escreve a Irmã Angélica narrando sua imensa alegria, ao receber da mesma uma correspondência dizendo que havia um cantinho no “pombalzinho” dos Andes para ela. Pede que as orações da Priora levem a ela as três virtudes, da pureza, humildade e caridade.
     Em sua primeira visita ao Carmelo de Los Andes, Juanita dirá que o conventinho é uma casa velha e feia, mas tal pobreza falou e comoveu seu coração. Ainda dirá que teve momentos de choro quando ouviu pela primeira vez a voz da Madrezinha. “Não fazia um segundo que estava ali, e minha alma gozava de uma paz inalterável. Só Deus que via meu coração poderia compreender minha felicidade”. A Priora disse a Juanita: “suas dúvidas quanto à vocação são infundadas, pois já nasceste carmelita”.
     Assim, podemos plagiar a Priora de Juanita, dizendo para nossa Madre Angélica: já nasceste carmelita. E nestas suas Bodas de Esmeralda, temos certeza que suas virtudes e dedicação se confundem com a gema rara, esverdeada, livres de inclusões e com lapidação perfeita.
     Os estudiosos dizem: “cuidem de suas esmeraldas” pela raridade e beleza. Às Irmãs nós dizemos: “cuidem de sua Priora”.
     Receba, Madre Angélica, nestes 60 anos de caminhada no “pombalzinho” do Carmelo, os mais caros sentimentos de vossas atuais filhas em Montes Claros. [...]
     E que a Eucaristia, símbolo de vosso nome e de vossa caminhada, continue expressando o que nos ensinou o Apóstolo da Eucaristia, São Pedro Julião Eymar: “A Eucaristia é também a vida da alma e da sociedade humana, como o sol é a vida dos corpos e da face da terra. Sem o sol, a terra é estéril; ele alegra-a, adorna-a e enriquece-a; ele dá aos corpos a eficácia, a força e a beleza".

Comunidade Beata Elisabete da Trindade – OCDS – Montes Claros, Minas Gerais.

*
      Em março de 2006, Madre Maria Angélica da Eucaristia foi escolhida pelo vereador Ruy Muniz para ser homenageada no Dia Internacional da Mulher. 

Mensagem da Homenageada (excertos)
[...]
     Deus criando a mulher quis transbordar sobre ela um pouco da sua ternura e bondade, dotando-a de um coração que sabe amar e doar-se sem limites. Sempre ao longo da história a presença da mulher é normalmente unida a gestos heroicos de amor, de caridade, de doação, de altruísmo. Ao homem estão unidas as grandes conquistas, guerras, sacrifícios, aventuras. A missão da mulher é mais de construir a humanidade e educar corações para que não se embruteçam e se esterilizem pela grandeza e pelo poder.
     Uma monja ser escolhida para representar a mulher montes-clarense pode parecer estranho. As monjas de clausura, as carmelitas descalças?! Além de sua presença orante e acolhedora na cidade, elas não construíram nenhuma creche, hospital ou alguma obra grandiosa, mas esse gesto pode ter e tem um sentido muito grande se o considerarmos à luz da fé e da palavra do Evangelho. O Camelo com suas monjas é um sinal vivo que nos interpela e nos questiona para que possamos compreender que a nossa vida não pode ser reduzida só a coisas. Há algo de bem mais profundo, há valores que buscam com ânsia e que aos olhos cegados pelo brilho falso da riqueza e do poder nos impedem de ver.
     A história pode ser contemplada a partir de várias janelas: política, científica, social, mas também religiosa. O que neste momento eu gostaria de relembrar é que só a mulher com sua vida e feminilidade pode influenciar o ritmo da história não a partir da obra, mas sim do amor oblativo da oração. E hoje, nesta homenagem, tenho também presentes todas as minhas co-irmãs que no silêncio, no escondimento, no anonimato, oferecem suas vidas e toda a energia de seu ser integral: corpo, espírito, inteligência, para que o mundo seja mais humano, mais fraterno.
     Neste momento, saúdo com respeitoso cumprimento a Santíssima Virgem, a grande Consagrada, a todas as religiosas consagradas da nossa Arquidiocese, a todas as mulheres, mães, esposas, filhas da nossa sociedade montes-clarense que se consagram ao bem comum, quer no santuário familiar; quer nas atividades assistenciais e profissionais; quer na oração silenciosa, e se desvelam pelo próximo mais próximo com solicitude e amor.
     Aqui expresso o meu agradecimento ao Sr. Prefeito Dr. Athos Avelino, ao Presidente da Câmara Municipal Sr. Sebastião Ildeu Maia, ao Vereador Professor Ruy Muniz, que teve a delicadeza de fazer a indicação do meu nome, e a toda a Câmara dos Vereadores, que houve por bem apoiar a referida indicação de uma simples monja de clausura.
     Este gesto de toda esta Casa vem mostrar bem alto que o valor da pessoa não está na beleza, na riqueza, ou no seu status social. A mulher tem o valor em si mesma e não no que lhe é exterior, e por isso é merecedora de amor, respeito e consideração da sociedade.
     A todos o meu muito obrigada!
Irmã Maria Angélica da Eucaristia

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Beata Margarida Lucia Szewczyk, Fundadora - 5 de junho

   
     A Beata viveu em tempos difíceis e teve que agir muitas vezes de forma ilegal e secretamente. O que pode parecer um ato de corajosa bravura digna de cavaleiros poloneses, pode ser um obstáculo para aqueles que, em condições de conspiração, estão fazendo obras para ajudar a sociedade e devem sobreviver no tempo da ocupação. Como uma mulher sozinha pode realizar sua obra quando vivia sob a ameaça de deportação para a Sibéria? Onde ela encontrou forças para confiar no Senhor e acreditar que seu trabalho fazia sentido apesar do mundo pessimista ao seu redor?
     O sofrimento foi presente em sua vida desde o nascimento. Tendo nascido em Szepetówka (Ucrânia) em 1828, em tenra infância perdeu seus pais e foi criada por sua meia-irmã mais velha. Sentindo-se atraída pela vida religiosa, ela não podia realizar seu maior sonho, porque naquela época todos os conventos haviam sido fechados pelos russos. Aos 20 anos Lúcia tornou-se terceira da Ordem Franciscana: cuidava dos pobres, dos doentes, preparava crianças para a primeira comunhão.
     Em 1870, a fim de fortalecer sua fé e seu amor a Deus, ela fez uma peregrinação à Terra Santa. Ela seguiu a pé até Odessa, na Ucrânia, onde tomou o barco para chegar ao local desejado. Chegando em Jerusalém, ela trabalhou no Hospital São José com freiras francesas. Durante sua estadia de 3 anos na terra de Cristo, ela ofereceu sua vida a Nossa Senhora das Dores.
     De volta a Polônia, ela desejava realizar algo pelos mais fracos. A forma concreta ela encontrou quando conheceu o Padre Honório Koźmiński, graças ao qual Lúcia pode se tornar religiosa e com sua ajuda fundar de uma nova ordem.
Gravura antiga de Szepetówka
     Em 1881, Lúcia fundou a Congregação das Filhas da Bem-aventurada Virgem Maria das Dores chamada de Ordem Seráfica, tomando então o nome de Irmã Margarida (Małgorzata). Ela cuidava dos pobres em um abrigo em Varsóvia, e depois de um tempo comprou uma casa em Zakroczym.
     De acordo com relatos, ela levou duas mulheres idosas nas costas até o andar superior, para cuidar delas. Foi assim que nasceu a Congregação de Nossa Senhora das Dores. Madre Margarida não parou por aí. Novas casas nasceram e a congregação cresceu apesar da vigilância policial. O fim das inspeções foi para a congregação um sinal da Providência, que velava pela nova obra e a salvava apesar do terror que reinava.
     Outras obras da Congregação de Nossa Senhora das Dores começaram a aparecer na Galícia, para onde Madre Margarida se mudou. Ela construiu novas casas para idosos, crianças e órfãos, em condições mais favoráveis ​​do que na Polônia. Ela fundou escolas para meninas pobres, oficinas de costura, enquanto as Irmãs visitavam os doentes e trabalhavam em hospitais. As "seráficas" (este é o nome mais popular da congregação) oferecem suas intenções à Divina Providência, que nunca as desapontou.
     Após vinte anos de compromisso, Madre Margarida nomeou uma nova superiora e voltou para as terras da ocupação russa. Ela continuou a ajudar os necessitados e, no final de sua vida, ofereceu seus sofrimentos por sua intenção. Os últimos meses de sua vida transcorreram no convento de Nieszawa, cidade localizada no centro-norte da Polônia.  
     Madre Margarida deixou esta terra em 5 de junho de 1905, em Nieszawa. Uma multidão compareceu ao seu funeral.
     A "mãe dos pobres e órfãos" foi beatificada dia 9 de abril de 2013 em Cracóvia, onde, na 3 Rue Łowiecka, é atualmente a Casa Geral da Congregação por ela fundada.
     Seu processo de beatificação foi aberto na fase diocesana em 1993. A causa foi passada para a fase romana em 1996 para ser examinada pela Congregação para as Causas dos Santos. Em 20 de dezembro de 2012, o Papa Bento XVI reconheceu um milagre a ela atribuído com a finalidade de sua beatificação, que foi celebrada em 9 de junho de 2013.
     A Missa e a cerimônia de beatificação foram realizadas no Santuário da Divina Misericórdia em Lagiewniki (Cracóvia, Polônia), na presença de 20.000 fiéis, sob a presidência do Cardeal Ângelo Amato SDB, representando o Papa Francisco, e a direção do Cardeal Stanislaw Dziwisz, Arcebispo metropolitano de Cracóvia e o Arcebispo Józef Kowalczyk, Primaz da Polônia.
     Na ocasião foram beatificadas duas religiosas polonesas: Margarida Lúcia Szewczyk e Sofia Czeska Maciejowska, que na metade do século XVII fundou a Congregação das Virgens da Apresentação da Bem-aventurada Virgem Maria.

Aspecto da cidade de Nieszawa
http://misericordiae.net/fr/saint/bienheureuse-marguerite-lucie-szewczyk-1828-1905
www.santiebeati/it
http://reflexionchretienne.e-monsite.com/pages/vie-des-saints/juin/bse-marguerite-lucie-szewczyk-religieuse-fondatrice-fete-le-05-juin.html#Skl7RJgLytsH6hk0.99

Em 5 de junho de 2014 este blog postou um pequeno resumo sobre esta Beata.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Santa Rute, Nora Exemplar – 4 de junho



    “Disse-lhe então Noemi: ‘Olha, tua cunhada voltou para junto do seu povo e para seu deus; volta também com ela’. Respondeu Rute: ‘Não insistas comigo para que te deixe, pois para onde fores, irei também, onde for tua moradia, será também minha; teu povo será o meu povo e teu Deus será o meu Deus. Onde morreres, quero morrer e ser sepultada.  Que Deus me mande este castigo e acrescente mais este se outra coisa, a não ser a morte, me separar de ti!”

     Rut, Rute ou Ruth é personagem do Antigo Testamento. O Livro de Rute é o oitavo livro do Antigo Testamento e é tratado como um dos livros históricos, posicionado entre Juízes e I Samuel, pois seus eventos transcorrem «nos dias em que os juízes julgavam» (Rute 1:1). Seu nome é uma referência à figura principal do relato, Rute, a bisavó do Rei Davi. Rute, cujo nome significa “amizade”, “companheira, amiga”, ou “beleza”, era moabita.
     A narrativa mostra como Rute se tornou uma ancestral do Rei Davi por meio do casamento com Boaz. O apreço, a lealdade e a confiança em Deus que Boaz, Naomi (ou Noemi) e Rute demonstraram permeiam o relato (Rute 1:8-17, 2:4-20, 3:9-13, 4:10).
     Excetuando-se a lista genealógica (Rute 4:18-22), os eventos relatados no livro de Rute abrangem um período de cerca de 11 anos no tempo dos juízes, embora não se declare exatamente quando ocorreram.
     O relato concluir com a genealogia de Davi sugere que o escritor estava a par do propósito de Deus com respeito a Davi. Isto se ajustaria a Samuel, pois foi ele quem ungiu a Davi para ser rei. Por isso, teria sido também apropriado que Samuel fizesse um registro dos ancestrais de Davi (I Samuel 16:1-13).
     Há evidência da orientação de Deus na preservação da linhagem que levava ao Messias, bem como na escolha dos indivíduos para essa linhagem. Às mulheres israelitas casadas com um homem da tribo de Judá apresentava-se a possível perspectiva de contribuir para a linhagem terrestre do Messias (Gênesis 49:10).
     Também merece destaque o fato da protagonista do livro ser uma estrangeira, e isso mostra que a salvação não tem fronteiras, e que o amor de Deus não é nacionalista, nem exclusivista. No entanto devemos lembrar que Rute era etnicamente vizinha dos que a assimilaram e, portanto, da mesma família semítica antiga, o que pode ser considerado um proto-nacionalismo regionalista antigo entre as duas margens longitudinais do Jordão.
*
     Rute nasceu em Moab, região que fica ao sul de Israel, do outro lado do Mar Morto, atual Jordânia. Lendo o livro de Rute ficamos sabendo que a jovem moabita era justa, santa, temente a Deus, embora criada nos costumes moabitas. Os moabitas eram inimigos dos israelitas e os venceram em algumas batalhas.
     Uma grande fome em Israel obrigou muitos judeus a emigrar em busca de sobrevivência. Noemi, seu esposo Elimelec, da tribo de Judá, e seus dois filhos Maalon e Quelion foram para a terra de Moab e lá Elimelec faleceu. Maalon e Quelion tomaram por esposas as mulheres da terra: Quelion casou-se com Orfa e Maalon com Rute. Foi desta forma que Rute entrou para a história de Israel e seu nome será lembrado para sempre.
     Os dois filhos de Noemi também faleceram em Moab sem deixar descendência. Noemi ficou só numa terra estranha. Por isso, quando chegou ao conhecimento dela que o Senhor tinha permitido a abundância retornar à sua terra, resolver voltar para sua pátria.
     A princípio suas noras decidiram acompanhá-la, mas Noemi insistiu para elas ficarem em Moab; eram jovens e poderiam se casar novamente. Orfa acatou o conselho de Noemi e ficou em Moab. Mas Rute não a quis abandonar. A passagem das Escrituras que se encontra no início deste post mostra a lealdade, a elevação de alma e a firmeza da jovem.
     De voltar à sua terra, os parentes de Noemi ficaram admirados com o carinho e atenção que Rute dedicava a sogra. Elas chegaram na época da colheita da cevada e Rute ia ao campo inicialmente recolhendo as espigas que caiam no chão e que o dono do campo, Boaz, permitia que os pobres recolhessem. Boaz viu com que dedicação a jovem fazia aquela tarefa e a contratou para trabalhar na colheita. Ele tinha parentesco com Noemi e era um homem bom e piedoso que amava a Deus e conhecia sua Lei. Boaz trata tão bem a moabita, que ela se surpreende; como é que uma estrangeira pode ser tão bem tratada?
     Noemi percebe a oportunidade de ao mesmo tempo conseguir um marido para Rute e recuperar as terras de seu marido falecido. Rute segue os conselhos de Noemi e escuta a orientação piedosa e sábia de Boaz. ela não tenta usufruir da situação, Rute tem coragem de deixar claro para Boaz quais são suas intenções; ela não usa meias palavras, ela não usa de falsas estratégias; seu sim é sim, e seu não é não: “Sou Rute tua serva, estende a tua capa sobre tua serva, porque tu és resgatador”.
     É importante entendermos melhor essa ideia do ‘resgatador’: Boaz era alguém que estava numa posição de cuidar de Noemi e de Rute, resgatando as terras que eram de Elimelec. Isso envolveria nesse caso uma união matrimonial com Rute, trazendo descendentes para esta casa. Boaz desejava fazer o bem e se interessou verdadeiramente por aquela mulher piedosa, trabalhadora, fiel e transparente. E por fim se casaram.
     O filho de Rute e Boaz, neto de Noemi, se chamou Obed. Ele foi o pai de Jessé, que foi o pai de Davi. Assim, Rute foi essencial para que, um dia, várias gerações mais tarde, Jesus nascesse da descendência de Davi.

    Por causa de sua fidelidade, Rute teve descendentes que chegaram até o Messias, o Salvador, Jesus, o Filho de Deus. Na Idade Média Rute era considerada uma prefigura da Igreja e Boaz a prefigura de Cristo, e a união de ambos como prefigura da união entre Cristo e a Igreja.