terça-feira, 7 de agosto de 2018

Beata Claudia de Corgey – 8 de agosto

     
     A Beata Cláudia de Corgey foi uma Clarissa que viveu entre o final do século XIV e a primeira metade do século XV.
     Ela foi companheira de Santa Colette, a grande reformadora francesa que através de sua ação junto aos mosteiros da Ordem das Clarissas os fez retornar à regra com a austeridade primitiva, tornando-se assim a fundadora das Clarissas Coletinas.
     O importante mosteiro de Poligny foi fundado em 1415, entre Lons-le-Saunier e Besançon, por Santa Colette. A Beata Cláudia foi nomeada pela Santa, abadessa daquele mosteiro da Borgonha.
     Os hagiógrafos lembram apenas que a Beata Cláudia foi uma abadessa que esteve à frente do mosteiro, governando-o com grande cautela e que morreu em Poligny em 8 de agosto de 1439.
     As religiosas acolhiam com alegria franciscana os fiéis que pediam hospitalidade e desejavam usufruir das suas orações. Santa Clara dizia às suas irmãs que iam mendigar fora do convento: “Quando vocês virem belas arvores cobertas de flores e folhas, agradeçam a Deus. Digam obrigado a Ele também quando vocês encontrarem as pessoas e quando virem as outras criaturas que o Senhor fez. Então Deus receberá a glória de todas as coisas e em todas as coisas”.
     Tão pouco sabemos da vida e obra desta Beata, mas certamente deve ter sido uma fiel discípula da Fundadora, para esta ter-lhe dado uma função de tal envergadura.
     No martirológio franciscano a festa da Beata Claudia foi fixada no dia de sua morte.

Mosteiro de Santa Clara, Poligny

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Nossa Senhora das Neves e a Basílica de Santa Maria Maior – 5 de agosto


     Sob o pontificado do Papa Libério (352-366), o patrício romano João e sua esposa de igual nobreza, não tendo filhos aos quais pudessem deixar seus bens, prometeram dar sua herança à Santíssima Virgem Mãe de Deus, suplicando-lhe por fervorosas e ardentes preces que indicasse a obra pia preferida por Ela, na qual deveriam empregar esse dinheiro. A Bem-aventurada Virgem Maria, ouvindo com bondade estas orações e pedidos vindos do coração, a eles respondeu através de um milagre.
     No dia 5 de agosto, época para Roma de maior calor, a neve cobriu durante a noite uma parte da Colina Esquilina. Nessa mesma noite, a Mãe de Deus, em sonho, deu aviso a João e a sua esposa, separadamente, para que mandassem construir no local que vissem coberto de neve uma igreja, a qual seria consagrada sob o nome da Virgem Maria: assim, queria Ela ser nomeada herdeira deles. João, comunicando o fato ao Papa Libério, soube que também este havia tido a mesma visão.
     Solenemente acompanhado pelos sacerdotes e pelo povo, veio o Soberano Pontífice, então, à colina coberta de neve, e aí determinou o lugar da igreja, que foi edificada às expensas de João e de sua esposa. Sixto III a restaurou mais tarde. Foi chamada, de início, por diversos nomes, basílica de Libério, Santa Maria do Presépio. Mas, tendo sido construídas na cidade numerosas igrejas sob a invocação da Santíssima Virgem Maria, para que a basílica – que excedia em dignidade às outras do mesmo nome, devido ao brilho de sua miraculosa origem – fosse também honrada pela excelência de seu título, designaram-na pelo de Santa Maria Maior. Celebra-se a solenidade no aniversário de sua consagração, como lembrança do milagre da neve caída neste dia.
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Dom Prosper Guéranger, L 'Année liturgique, les temps après Pentecôte, tome IV, Maison Alfred Mame et fils, 1922, excertos das pp. 368 e 369.

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Origens da Basílica de Santa Maria Maior
Nossa Senhora das Neves
     A primitiva igreja do século IV, da qual não restam vestígios, foi erigida pelo Papa Libério perto do Mercado de Lívia - construído pelo Imperador Augusto -, segundo urna fonte autorizada como o Liber Pontificalis.
     Investigações arqueológicas efetuadas no subsolo da atual basílica, de meados da década de 70, comprovaram a existência de um edifício, que deve ter sido o mencionado mercado, dedicado por Augusto a sua esposa Lívia.
     Esse edifício foi soterrado e sobre ele o Papa Sixto III construiu, de 432 a 440, a Basílica de Santa Maria Maior. O grandioso templo, basicamente o mesmo que hoje admiramos, é dedicado ao culto de Maria, Mãe de Deus, devido à proclamação, pouco anterior à construção da basílica, do dogma da maternidade divina da Virgem Santíssima, no Concílio de Éfeso (43 I).
     Até o século IX, o grande templo mariano era comumente chamado Basílica de Libério. Depois, passou a ser denominado Basílica da Beata Virgem das Neves, em virtude do milagre ocorrido no século IV, tendo sido estabelecida uma festa em comemoração daquele evento prodigioso.
     O relato do episódio, referente ao patrício João, sua esposa e o Papa Libério, conservado pela Tradição, foi transmitido por escrito por Frei Bartolomeu de Trento e representado em mosaico por Fi­lippo Rusuti sobre a parede do pórtico da fachada medieval da basílica, parcialmente conservada.
     A veneranda igreja também foi chamada Basílica de Santa Maria do Presépio, bem como Belém de Roma. Narra a História que no dia seguinte ao da solene definição do dogma da maternidade divina de Maria, no Concílio de Éfeso (43 I), Sixto III promoveu um ato solene na presença do povo para evidenciar a homenagem àquele dogma. Nessa ocasião, o Pontífice mandou construir uma capelinha que, segundo parece, reproduzia L Gruta de Belém e continha relíquias da manjedoura onde nascera o Redentor da humanidade. Quando foi construída posteriormente a Basílica, a pequena capela constituía uma edificação à parte, a qual, no decorrer do tempo, não se conservou.
     Hoje, as relíquias da Gruta de Belém são veneradas na cripta da Basílica.


Basílica de Santa Maria Maior



Fontes de referência:
1.P. Gabriel M. Roschini OSM, Mariologia, tomo lI, Pars III, De singulari cultu BMV, 2ª ed., Angelus Belardetti Editor, Roma, 1948.
2. Il Vaticano e Roma cristiana, Libreria Editrice Vaticana, Cidade deI Vaticano, 1975.

Fonte: http://catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/8ACA0FC2-3048-313C-2E64ADCEAF4A1D49/mes/Agosto1994

     Em 12 de novembro de 1493, logo após a sua descoberta por Cristóvão Colombo, a Ilha de Nevis, situada na região das Caraíbas, recebeu devotamente o nome de Nossa Senhora das Neves.
     No Brasil, Nossa Senhora das Neves é a padroeira de muitos municípios, sendo o mais importante deles João Pessoa, capital da Paraíba, onde se observa feriado estadual (Lei Estadual 3.489/1967).

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Perdão de Assis - Indulgência Plenária da Porciúncula

De 1º a 2 de agosto: saiba como obter a Indulgência da Porciúncula!
   
     Os fiéis que visitarem qualquer igreja franciscana, em qualquer lugar do mundo, desde o meio-dia de 1º de agosto até a meia-noite de 2 de agosto poderão obter a assim chamada Indulgência Plenária da Porciúncula.
     Mas atenção: não basta, obviamente, fazer a visita. É também necessário cumprir as condições habituais para se ganhar qualquer indulgência plenária: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Santo Padre.
A Porciúncula
     Trata-se da pequena igreja que São Francisco de Assis dedicou a Santa Maria dos Anjos. Ela hoje fica dentro da grande Basílica de Assis, construída entre os séculos XVI e XVII.
     A igrejinha foi a segunda morada de São Francisco e dos seus primeiros frades. No Domingo de Ramos de 1211, foi lá que São Francisco recebeu a profissão de Santa Clara, dando assim origem à família religiosa das Clarissas, de inspiração franciscana. A Porciúncula foi ainda o local em que, na tarde de 3 de outubro de 1226, São Francisco partiu deste mundo para a Céu.
A indulgência
     Uma noite, do ano do Senhor de 1216, São Francisco estava compenetrado na oração e na contemplação na igrejinha da Porciúncula, perto de Assis, quando, repentinamente, a igrejinha ficou repleta de uma vivíssima luz e ele viu sobre o altar Nosso Senhor Jesus Cristo e à sua direita a sua Mãe Santíssima, circundados de uma multidão de anjos.  São Francisco, em silêncio e com a face por terra, adorou a seu Senhor.
     Perguntaram-lhe, então, o que ele desejava para a salvação das almas. A resposta de São Francisco foi imediata: “Santíssimo Pai, mesmo que eu seja um mísero pecador, te peço que a todos quantos arrependidos e confessados, virão visitar esta igreja, lhes conceda amplo e generoso perdão, com uma completa remissão de todas as culpas”.
     O Senhor lhe disse: “Ó Irmão Francisco, aquilo que pedes é grande, de coisas maiores és digno e coisas maiores tereis: acolho portanto o teu pedido, mas com a condição de que tu peças esta indulgência, da parte minha, ao meu Vigário na terra (Papa)”.
     São Francisco partiu para Perusia junto de outro frade para ver o Papa Honório III, que naqueles dias encontrava-se naquela cidade e com candura lhe narrou a visão que teve. O Papa o escutou com atenção e, depois de alguns esclarecimentos, deu a sua aprovação e disse: “Por quanto anos queres esta indulgência?” Francisco, respondeu-lhe: “Pai santo, não peço por anos, mas por almas”.
     E feliz, se dirigiu à porta, mas o Pontífice o convocou: “Como, não queres nenhum documento?” E São Francisco respondeu-lhe: “Santo Pai, de Deus, Ele cuidará de manifestar a obra sua; eu não tenho necessidade de algum documento. Esta carta deve ser a Santíssima Virgem Maria, Cristo o Escrivão e os Anjos as testemunhas”.
     Poucos dias mais tarde, junto aos Bispos da Úmbria, ao povo reunido na Porciúncula, Francisco anunciou a indulgência plenária e disse entre lágrimas: “Irmãos meus, quero mandar-vos todos ao paraíso!”
     Foi um enorme presente obtido por São Francisco para as almas que ele tanto amava. Antigamente, a obtenção de indulgências era muito difícil para os fiéis, que precisavam partir em peregrinação a lugares distantes como a Terra Santa. Com a Indulgência da Porciúncula, porém, o assim chamado “Perdão de Assis” pode agora ser concedido em todas as igrejas franciscanas do mundo, cumpridas as condições habituais de qualquer indulgência.
     Em 1966, por ocasião do 750º aniversário da concessão da Indulgência da Porciúncula, o Papa Paulo VI publicou a carta apostólica Sacrosancta Portiunculae Ecclesia, na qual indica, em referência às peregrinações dos fiéis:
     Queira Deus que a peregrinação transmitida durante séculos à igreja da Porciúncula, que Nosso mesmo predecessor João XXIII empreendeu com ânimo piedoso, não termine, mas, antes, cresça continuamente a multidão de fiéis que ali acorrem ao encontro com Cristo rico em misericórdia e com sua Mãe, que sempre intercede perante Ele”.

terça-feira, 31 de julho de 2018

Santa Aled ou Almeda, Virgem e mártir – 1º de agosto

Santa Almeda (inglês Eluned, latim Almedha ou Elevetha), também conhecida como Aled e por outros nomes, foi um virgem mártir dos séculos V ou VI da moderna Brecon. George Phillips, escrevendo para a Enciclopédia Católica, a chama de "a Despojada do Mabinogion".

Legenda
     Uma das muitas filhas do rei Brychan de Brycheiniog, no sul de Gales (um monarca sub-romano que abraçou a fé do Cristianismo), Aled tornou-se cristã ainda jovem. [1] Ela rejeitou as investidas de um príncipe pagão e fugiu para evitar ser forçada a se relacionar com ele. Ela viajou primeiro para Llan Ddew, de onde foi expulsa pelos moradores; depois foi para Llanfilo. Aqui novamente ela foi expulsa pelos habitantes sob o pretexto de roubo. Ela então viajou para Llechfaen, onde foi novamente expulsa da comunidade. Ela não encontraria paz até a chegada a Slwch Tump, onde o senhor local lhe deu proteção. Ali ela edificou uma ermida. (*)
     No entanto, o perseguidor de Aled a encontrou. Ela fugiu dele, mas ele a perseguiu colina abaixo e a decapitou. Sua cabeça rolou colina abaixo e bateu em uma pedra; como na história de Santa Vinifrida, uma fonte brotou daquele local.
     Há uma referência a Almeda no trabalho de William Worcester (c. 1415–1485). Ele se refere aos restos mortais da santa como estando abrigados na igreja do Priorado em Usk, lar de uma comunidade de freiras beneditinas fundada antes de 1135 por Richard de Clare. (2)
Veneração
     No século XI, quando os normandos chegaram, seu poço em Slwch era associado às curas e outros milagres. Como muitos outros locais, o poço sagrado e a igreja de Aled foram destruídos na Reforma de Henrique VIII.
     Em seu ensaio de 1698 sobre a história de Brecknockshire, o historiador galês Hugh Thomas fala da capela, em sua época, como "de pé, embora sem telhado e sem utilização; as pessoas a chamavam de Santa Tayled [Santa Aled]. Situava-se numa eminência, a cerca de dois quilômetros a leste de Brecknock e a cerca de 800 metros de uma casa de fazenda, antigamente a mansão e residência dos Aubreys, senhores de Slwch, que o senhorio outorgou a Sir Reginald Aubrey por Bernard Newmarche, no reinado de William Rufus. Alguns pequenos vestígios deste edifício ainda podem ser encontrados, e um teixo envelhecido, com um poço aos seus pés, marca o local perto do qual a capela antigamente existia". [3]
     Na cidade de Aberhodni há uma antiga igreja dedicada a ela; nesta igreja ela é comemorada no dia 1 de agosto.

Estas são as palavras de Geraldo Cambrensis, em seu Itinerário:
     Há muitas igrejas no País de Gales que se distinguem por seus nomes [os nomes dos filhos de S. Brychan, e uma delas, localizada no topo de uma colina, perto de Brecheinoc, e não distante do castelo de Aberhodni, é chamada de igreja de Santa Almeda, do nome da santa virgem que recusando a mão de um esposo da terra, se casou com o Rei Eterno e triunfou num feliz martírio; em sua honra anualmente se celebra uma solene festa no início de agosto, com um grande concurso de pessoas vindas de consideráveis distâncias, que sofrendo de várias enfermidades, pelos méritos desta Santa Virgem receberam sua desejada saúde.
     A pequena igreja que foi construída sobre sua cela foi suprimida em 1698 (Attwater2, Benedictines, Encyclopaedia, Farmer)

(*) Podemos fazer hipóteses quanto a estes itinerários de Santa Almeda (cf foto acima). É verdade que ela fugia de um casamento não desejado, mas devemos nos recordar que o Catolicismo estava ainda em início de expansão. Provavelmente ela deve ter procurado, nas suas andanças, converter povoados ainda sob o jugo do paganismo e pode ser isto a causa da rejeição que ela encontrou em vários locais. Seu martírio certamente intercedeu para a conversão da sua gente.

Um dos poços atribuídos a Sta. Aled
Notas:
1. Varner, Gary R., Sacred Wells, Algora Publishing, 2009 ISBN 9780875867175 
2. Cartwright, Jane. "Dead virgins: feminine sanctity in medieval Wales", Medium Aevum, 22 March 2002 
3. Gerald of Wales. The Itinerary of Archbishop Baldwin through Wales – Book I, Ch. 2: Journey through Hay and Brecheinia (Oxford, Mississippi, 1997)

Fontes:
https://en.wikipedia.org/wiki/Saint_Eluned
https://web.archive.org/web/20051128121206/http://www.bath.ac.uk/~liskmj/wellsweb/wellstxt/wellsprings/way.htm
http://www.celticsaints.org/2011/0801e.html
http://www.themodernantiquarian.com/site/3413/slwch_tump.html#folklore

sábado, 28 de julho de 2018

Santa Serafina de Espanha, virgem – 29 de julho

    
     Embora existam duas Servas de Deus com o nome de Serafina que esperam por reconhecimento de sua santidade: Irmã Serafina - Vitoria Gregoris (1873-1935 Veneza) e Irmã Serafina de Deus - Prudence Pisa, venerável (1621-1699 Capri), a recente edição do Martirológio Romano relata sob este nome apenas duas beatas e nenhuma santa: a beata freira espanhola capuchinha, mártir em 1936, Serafina Fernandez Ibero (Emanuela Iusta) e a Beata Serafina Sforza, religiosa Clarissa (1434-1478).
     Mas nas edições anteriores, o Martirológio Romano mencionava em 29 de julho a única santa com este nome que foi incluída neste catálogo famoso dos santos da Igreja Romana, compilado pelo cardeal Cesare Baronio (1538-1607), tendo-se baseado no Martirológio de Belini, publicado em 1498 e que parece ser o primeiro texto a nomear esta santa.
     No mesmo dia é comemorada Santa Serapia, companheira de Santa Sabina, e alguns estudiosos tendem a identificar Serapia com Serafina, não fora o detalhe de que os locais inerentes à sua vida são diferentes.
     Serapia e Sabina foram mártires de Roma, enquanto os poucos relatos de fontes dizem que esta Santa Serafina era virgem espanhola da Galícia (região montanhosa da Espanha), que recebera os primeiros ensinamentos cristãos diretamente do Apóstolo São Tiago que, como é do nosso conhecimento, é altamente venerado na Espanha, onde ele pregou e depois morreu como mártir em Jerusalém no ano 43.
     Levando-se em consideração esta hipótese e tradição, devemos colocar a vida da virgem Serafina de Espanha em torno da primeira metade do primeiro século.
     O seu nome é muito usado em boa parte da Itália e da França; de origem judaica, significa "anjo resplandecente" e, de acordo com a tradição judaica, os anjos serafins e querubins seguram o trono de Deus.

Fonte: www.santiebeati.it/
Santuário de Santiago de Compostela, Galícia, Espanha

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Beata Camila Gentili de Rovellone, mártir – 26 de julho

    
     A Beata Camila Gentili de Rovellone viveu na segunda metade do século XV em San Severino, Marche di Lucca, Itália. Não era da realeza, mas filha de nobres; seus pais eram os senhores Rovellone e Brandina da família Giusti, da aristocracia local.
     Em uma transação injusta, mas típica das famílias nobres, Camila foi dada como esposa a Batista Santucci, um homem violento que além do mais tinha rancores contra os Giusti, o que torna a situação bastante inexplicável. Camila era uma mulher suave, doce, submissa e todos apreciavam-na por causa de sua bondade.
     Em 1482, Batista assassinou Pierozzo Grassi, que era da família dos Giusti, e foi declarado culpado e condenado à morte, mas teve a vida salva pela intercessão de Camila, que interveio com seu empenho pessoal e suas orações. Diante de um favor de tão alto valor, Batista não apenas não lhe agradeceu, como o ódio irracional contra a família aumentou, dirigindo-se contra a esposa, a ponto de proibir que ela fosse visitar sua mãe. A isto Camila se negou e continuou a visitá-la com a mesma frequência de até então.
     Aquilo exasperou Batista, que planejou meticulosamente sua vingança: fingindo uma ternura que não era natural nele, propôs a sua esposa passar uns dias em Uvaiolo, onde possuíam um sitio. Ela, acreditando que seu marido estava mudando, não suspeitou de nada e o acompanhou encantada. Quando estavam a sós, ele a apunhalou brutalmente ferindo-a no seio esquerdo, sob o qual palpita o coração, e na garganta, enquanto ela invocava o Senhor e perdoava seu assassino.
     Era o dia 26 de julho de 1486. Após a morte de Camila, Batista teve a desfaçatez de tentar fugir, mas devido à sua vinculação com aquela região e aos seus antecedentes, foi imediatamente descoberto e objeto da indignação da sociedade, embora não haja registros sobre qual foi o seu castigo.
     O corpo de Camila foi enterrado na Igreja de Santa Maria dal Mercato (atual Igreja de São Domingos) que era onde a família Gentili tinha seu mausoléu. Atualmente seu túmulo continua sendo destino de peregrinos que pedem graças e sua intercessão. Foi muito devoto dela o Cardeal de Bolonha, Próspero Lambertini, depois papa Bento XV.
     Em 15 de janeiro de 1841 Gregório XVI a proclamou beata e estabeleceu sua festa para o 27 de julho, dia posterior ao de seu assassinato.



Martirológio Romano: Em Septémpeda (atual San Severino, Marche), no Piceno, Beata Camila Gentili, martirizada por seu próprio esposo (séc. XIV/XV).

Etimologia: Camilo, -a, do etrusco/latim Camillus: “liberto que servia os sacerdotes no sacrifício; menino nobre deste mister”. Muito contribuiu para a difusão deste nome a figura da virgem guerreira Camila mencionada por Virgílio na obra Eneida.

Fontes:

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Beata Maria Mercedes Prat, virgem e mártir – 24 de julho

Martirológio Romano: Em Barcelona, Espanha, Beata Maria Mercedes Prat, da Companhia de Santa Teresa de Jesus, virgem e mártir, que durante a guerra civil espanhola foi condenada à morte por ser religiosa (1936)

     A Madre Mercedes nasceu em Barcelona no dia 6 de março de 1880. Seu pai, João Prat, morreu em 26 de maio de 1895, e sua mãe, Teresa Prat, entregou sua alma ao Senhor um ano depois, em 16 de maio de 1896.
     No Colégio da Companhia de Santa Teresa de Jesus fez sua 1ª Comunhão em 30 de junho de 1890. Um dos ensinamentos das Teresianas que logo assimilou foi a oração, especialmente a prática do famoso “Quarto de Hora de Oração” que inculcava São Henrique de Ossó às jovens da Arquiconfraria a que ela pertencia.
     Mercedes deu logo com entusiasmo adesão à Companhia de Santa Teresa e seu apostolado fundamental: “Para a glória de Deus e para o bem da Religião, não há nada melhor que os Institutos dedicados ao apostolado do ensino. São sumamente necessários”.
     O noviciado abriu-lhe suas portas em 27 de agosto de 1904. Era então superiora geral a Fundadora, Maria Teresa Blanch, e mestra de noviças a Madre Francisca Pla.
     Uma das Irmãs que com ela conviveu definiu Mercedes Prat como “uma teresiana segundo o Coração de Deus”. No dia 1 de março de 1905 Mercedes vestiu o hábito da Companhia, e em 10 de março de 1907 fez os votos temporários e começou sua nova vida de professa no local onde a obediência a destinasse.
     Ela trabalhou no campo da educação em Barcelona até 1909, quando foi enviada para Madrid onde fez seus votos definitivos em 10 de março de 1910. Em 1915 ela estava em Tortosa e foi depois designada para trabalhar na Casa Mãe da Congregação em Barcelona (1920).
     Madre Mercedes se destacava por sua simpatia natural no trato e firmeza de caráter; era equânime e equilibrada nas reações; tinha grande prudência e verdadeira no falar e atuar. Era considerada como uma religiosa exemplar por todas as Irmãs, como manifestou a Irmã Maria Teresa Fernandez, que também conviveu com ela. A Irmã Joaquina Miguel, sua companheira na prisão e no suplício, assegura com encantadora singeleza que ela “era muito boa e muito santa”. Uma das alunas que a conheceu quando ela as entretinha no recreio, disse: “Lembro-me que todas a apreciávamos por sua afabilidade e virtude”.
     Sua irmã Teresa Prat, assegura “que desde pequena foi uma alma entregue a Deus, como irmã mais velha nos falava do céu e do desejo de alcança-lo, incitando os irmãos à elevação de nossas almas a Deus”.
     Mas foi Cristo, atraída especialmente por seu Coração, o grande amor de sua vida. A Irmã Pilar Suárez Inclán disse que ela manifestava com simplicidade seu amor à Pessoa de Cristo em seus mistérios, especialmente em seu Sagrado Coração. Repetia com frequência, quando falava dos perigos da revolução que se expandia na Espanha: “Aconteça o que acontecer, o Coração de Jesus triunfará!
     A situação foi ficando mais crítica nos últimos anos da república, se pressentia o desenlace. Silenciosamente, mas observando os acontecimentos, ela sabia que estavam em perigo, era então vista prolongar suas orações diante do Sacrário. Era dali que lhe vinha aquela confiança ilimitada e, mais tarde, aquela fortaleza exemplar. No mês de julho de 1936, teria a oportunidade de dar testemunho de sua obediência e entrega.
A igreja de Bonanova e o que restou dela
     O Pe. Traveria S.J. acabava de pregar os exercícios espirituais para as religiosas e havia exortado que elas oferecessem o martírio se Deus lhes concedesse esta graça. Mercedes se ofereceu.
     Na manhã de domingo, 19 de julho de 1936, o capelão avisou, desde o Seminário, que se encontrava em meio a um tiroteio ensurdecedor e seria impossível ir rezar a Missa para elas. No fim da tarde, da Casa Mãe da Congregação as religiosas teresianas viam angustiadas ser consumida pelo fogo a igreja da paroquia vizinha, Bonanova.
     A comunidade reunida na capela elevava insistentes orações pela fé na Espanha, atacada com furor satânico pela revolução anticristã. À meia noite rezaram os três Pai Nossos pelas intenções secretas do Fundador. A superiora, Madre Blanch, revelou que São Henrique de Ossó prescrevera estes três Pai Nossos como proteção especial em perigos extremos, tais como os que então se avizinhavam, e concluiu: “Confiemos todas nossas coisas nas mãos de Deus, Ele nos guardará. Que o Senhor nos guarde a todas!”.
     Diante dos acontecimentos, a superiora dispôs que no dia seguinte todas se despojassem de seus hábitos e vestissem roupas seculares. No dia 20, buscou refúgio para as religiosas junto a famílias católicas que haviam oferecido para isto. Algumas aceitaram outras não. A comunidade ficou dispersa numa cidade controlada e aterrorizada pelas patrulhas revolucionárias. Nosso Senhor, entretanto, havia eleito aqueles que iriam render a suprema homenagem de suas vidas. Uma eleita por Ele foi a mais bela rosa da comunidade, a Madre Mercedes Prat do Coração de Jesus, então vice-superiora local e secretária da Madre Geral.
     Ela foi obrigada a se refugiar na casa dos familiares de outra religiosa que ficava no outro extremo da cidade. No dia 23 de julho ela saiu acompanhada da cândida irmã portuguesa Joaquina Miguel, que apenas tartamudeava o castelhano. Pouco depois de sair à rua, por seu aspecto e vestimenta, a patrulha de milicianos as fez parar e perguntou: “Vocês são monjas disfarçadas?”. Madre Mercedes respondeu tranquila: “Sim, somos religiosas”. O chefe da patrulha, apontando-lhes sua pistola exclamou: “Bem, é suficiente”. Mercedes e a Irmã que a acompanhava não o ignoravam. “Vão nos matar, mas vamos lá, obedecerei porque o Senhor o quer”.
     As religiosas foram levadas pelos milicianos à sede do comitê, prenderam-nas no sótão junto com muitos outros detidos, e seguiram-se horas de angústia para as irmãs: interrogatórios, ameaças, simulação de fuzilamento. Foi um longo dia o 23 de julho. Elas começaram a rezar o rosário, primeiro em voz baixa, depois a meia voz e os outros prisioneiros se juntaram a elas. Os carcereiros se alarmaram e as ameaçaram: “Ou vocês se calam, ou metemos o rosário pela boca a golpes de baionetas”.
     Às 21 h, junto com um jovem religioso e duas monjas franciscanas, mais a dona de casa que as havia ocultado, foram obrigadas a subir no caminhão “dos passeios”. Atravessaram a cidade e na estrada da Arrabassada foram alinhadas em frente à vala e as metralharam. As duas caíram juntas, Madre Mercedes ferida no peito e Irmã Joaquina, malferida. Os verdugos se vão e a Irmã Joaquina sente sobre si o sangue de Madre Mercedes, recostando-se junto ao seu ouvido reza as orações preparatórias da boa morte.
     Ao cabo de uma hora, os faróis de outro caminhão brilham na escuridão e este freia seco diante delas. Um homem desceu para inspecionar os cadáveres. Irmã Joaquina permanece imóvel. Madre Prat, não se dando conta do novo visitante, continua invocando: “Jesus, José, Maria, assisti-me em minha última agonia!”. O miliciano tira sua pistola e descarrega o tiro de graça na cabeça da vítima moribunda. E suas últimas palavras foram as do Padre Nosso: “Perdoai-nos como perdoamos...”
     Madre Mercedes faleceu nas primeiras horas do dia 24 de julho de 1936.
     Fez-se o silêncio. Irmã Joaquina compôs as roupas da Madre, cerrou seus olhos, cruzou os seus braços sobre o peito e rezou uma oração sobre o cadáver. Ela a viu como “o anjo da dor”. Arrastando-se como pode, conseguiu chegar ao Consulado de Portugal. O testemunho de Irmã Joaquina Miguel, que sobreviveu milagrosamente, foi fundamental para o processo de beatificação de Maria Mercedes.
     A fama de santidade de Madre Prat se estendeu em Barcelona, especialmente recordada por suas companheiras do instituto religioso e por suas alunas.
     No dia 21 de maio de 1955 seus restos mortais foram depositados em uma urna colocada em um nicho próprio na capela da Casa Mãe da Companhia de Santa Teresa de Jesus em Barcelona, onde são venerados. Ali espera seu corpo a ressurreição.
     Em 29 de abril de 1990 foi beatificada pelo Papa João Paulo II.


Fontes:
https://www.religionenlibertad.com/blog/16743/la-noche-del-23-de-julio-en-barcelona.html
stjteresianas.pcn.net
http://www.msscc.es/