quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Santa Rosa Fan Hui, Virgem e mártir – 16 de agosto

Martirológio Romano: Na aldeia de Fannjiazhuang próximo de Wujiao na província de Hebei na China, Santa Rosa Fan Hui, virgem e mártir, que na perseguição desencadeada pelos sequazes da seita dos Boxers, coberta de ferimentos, foi lançada ainda vida no rio.

Uma catequista exemplar por sua entrega a dar a conhecer o Evangelho, por sua conduta e seu amor ao próximo. Catequista por 20 anos, Fan Hui havia mudado seu nome pelo belo nome de Rosa.

     Em 1895, a China foi derrotada pelo Japão; como resultado disto surgiram as sociedades secretas que defendiam motins com violência, uma delas era os 'Boxers', apoiados pela Imperatriz viúva Tzu Hsi e pelo seu conselheiro o Príncipe Tuan, que agiram de maneira sangrenta e xenofóbica.
     As vítimas foram os cristãos, tanto fiéis como missionários, que desde junho de 1900 sofreram uma verdadeira perseguição.
     Entre os muitos mártires desse período também consta Fan Hui, que tinha tomado o nome de Rosa, se tornara uma ativa catequista da aldeia de Kang-kia-tciang e das aldeias vizinhas, e que teve que se esconder durante a perseguição dos 'Boxers', mudando continuamente de lugar.
     Junto com uma amiga, que mais tarde se tornaria uma verdadeira testemunha, ela passou o dia Assunção e a noite seguinte em oração. Na manhã de 16 de agosto de 1900, a vila foi invadida por soldados que prenderam alguns cristãos, mas informados da presença de Rosa, de cujo zelo eles haviam tomado conhecimento, com a ajuda de alguns espiões eles a encontraram e a prenderam.
     Ela foi submetida a um interrogatório cheio de espancamentos, golpes de lança e espada que faziam com que seu sangue gotejasse abundante, mas ela não negava ser cristã, demostrando ter fé na vida eterna e que, portanto, esses tormentos eram aceitos com fé.
     Rosa foi lançada, toda ensanguentada, no rio da aldeia, mas ela conseguiu escapar e atingir a margem oposta. Alcançada novamente pelos carrascos, foram-lhe infligidos outros ferimentos e jogada de volta na água, onde ela acabou se afogando; ela tinha 45 anos.
     Rosa foi beatificada junto com outros mártires chineses por Pio XII em 17 de abril de 1955 e canonizada junto com 119 outros mártires na China, pelo papa João Paulo II em 1º de outubro de 2000.

Fontes:
www.santiebeati.it/
http://es.catholic.net/op/articulos/37299/rosa-fan-hui--santa.html# - Por: P. Felipe Santos

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Assunção de Nossa Senhora – 15 de agosto

Uma piedosa reconstituição.

     A festa da Assunção de Nossa Senhora foi constituída em dogma pelo papa Pio XII em 1 de novembro de 1950. A festa é comemorada no dia 15 de agosto também sob os títulos de Nossa Senhora da Glória ou de Nossa Senhora da Guia.
     Esse dogma era ardentemente desejado pelas almas católicas do mundo inteiro, porque coloca Nossa Senhora completamente fora de paralelo com qualquer outra mera criatura. Justifica-se assim o culto de hiperdulia que a Igreja lhe tributa. [“hiperdulia”: culto especial reservado à Virgem Maria, superior à “dulia” que se dedica aos santos e aos anjos].
     Nossa Senhora passou por uma morte suavíssima que é qualificada com uma propriedade de linguagem muito bonita, como a “dormição de Nossa Senhora”.
“Dormição” indica que Ela teve uma morte tão suave, tão próxima da ressurreição que, apesar de ser uma verdadeira morte, entretanto mais parecia a um simples sono.
     Nossa Senhora depois foi chamada à vida por Deus, ressuscitou como Nosso Senhor Jesus Cristo. Subiu depois aos céus, na presença de todos os apóstolos ali reunidos, e de uma quantidade muito grande de fiéis.
     Essa Assunção representa uma verdadeira glorificação aos olhos de toda a humanidade até o fim do mundo. É o proêmio da glorificação que Ela deveria receber no Céu.
     É interessante fazermos uma recomposição de lugar para imaginarmos como a Assunção se passou. A respeito do fato não existem descrições e podemos imaginá-lo como nossa piedade gostaria.
     Em baixo, os Apóstolos todos ajoelhados, rezando num ambiente com algo de inefavelmente nobre, sublime, recolhido, interior.  Podemos imaginar todos os Apóstolos com expressões de personagens de Fra Angélico. 


     O céu enchendo-se gradualmente de anjos, à imagem dos anjos de Fra Angélico também, tomando os coloridos os mais diversos, com matizações e irradiações magnificas, um espetáculo absolutamente incomparável.
     Se Nossa Senhora pôde dar ao céu um colorido tão diverso e produzir fenômenos tão excepcionais em Fátima, por que o mesmo não se teria dado por ocasião de Sua Assunção ao Céu?
     Ela se coloca em pé enquanto o respeito e recolhimento de todos aqueles que estão lá vão crescendo. A semelhança física dEla com Nosso Senhor Jesus Cristo, seu Filho, vai se acentuando cada vez mais. 
     A glória de Nosso Senhor transfigurado se vai comunicando a Ela. Ela cada vez mais rainha, cada vez mais majestosa, cada vez mais mãe. Todo seu íntimo se manifestando de modo supremo nessa hora de despedida.
     Alguns anjos, talvez, os mais esplêndidos do Céu, se aproximam e fazem Nossa Senhora subir. Com o auxílio deles, Ela vai subindo e, aos poucos, o céu vai se transformando.
     Na terra, aquela maravilha vai mudando, e volta ao aspecto primitivo. Os homens voltam para casa com a sensação que tiveram na Ascensão de Nosso Senhor. Ao mesmo tempo estão maravilhados, com uma saudade sem nome, desolados por algum lado, mas levando na retina algo que nunca tinham visto, nem podiam ter imaginado a respeito de Nossa Senhora.
     Imediatamente, o triunfo de Nossa Senhora começa no Céu. A Igreja gloriosa inteira vai recebê-La. Nosso Senhor Jesus Cristo A acolhe, todos os coros de anjos estão ai, São José está perto. Depois é coroada pela Santíssima Trindade.
     É impossível pensar nesse triunfo terreno, sem pensar no triunfo celeste que veio logo depois. É a glorificação de Nossa Senhora aos olhos de toda a Igreja triunfante e aos olhos de toda a Igreja militante.
     Com certeza, nesse dia também a Igreja padecente no Purgatório recebeu uma efusão de graças extraordinárias. Não é temerário pensar que quase todas as almas que estavam purgando suas penas foram libertadas por Nossa Senhora nesse dia. De maneira que também ali houve uma alegria enorme.
     Assim é que podemos imaginar como foi a gloriosa Assunção de nossa Rainha.
     Algo disso se repetirá quando vier o Reino de Maria prometido em Fátima, quando virmos o mundo todo transformado e a glória de Nossa Senhora brilhar sobre a terra, porque Seu reinado começou de modo efetivo, e dias maravilhosos de graças, como nunca houve antes, começam a se anunciar também.
     Antes de contemplarmos a glória de Nossa Senhora no Céu, nós havemos de contempla-la na terra certamente, com algo que poderá nos dar alguma semelhança desse triunfo sem nome que deve ter sido a Assunção de Maria.
     Quando pensamos nos triunfos que os homens preparam para seus grandes batalhadores, por exemplo, as tropas francesas desfilando sob o Arco do Triunfo, depois da Guerra de 14-18, ou mais pocamente nos triunfos que os romanos preparavam para seus generais vencedores, devemos compreender que Nosso Senhor Jesus Cristo que é infinitamente mais generoso, deve ter premiado Nossa Senhora, no triunfo dEla aos olhos dos homens de um modo também incomensuravelmente maior.
     Portanto, tudo quanto existe de mais glorioso e triunfal na Criação, terá certamente brilhado na hora da Assunção de Nossa Senhora.
     Meditando nisso, aproximamo-nos nessa festa pensando na virtude que devemos pedir a Nossa Senhora. Cada um deve pedir a virtude que mais carece.
     Mas, não haveria demasia em pedirmos a Ela uma virtude: que é o senso da glória dEla. Quer dizer, compreender bem tudo quanto representa Sua gloria na ordem da Criação. Como essa glória é a mais alta expressão criada da glória de Deus. Nós devemos ser sedentos de defender pela virtude de combatividade levada ao seu último extremo a glória de Nossa Senhora na terra.
     Fazer de nós verdadeiros cavaleiros cruzados de Nossa Senhora, lutando por Sua glória na terra. Essa me parece a virtude mais adequada nessa festa de glória, que é a Assunção de Nossa Senhora.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de palestra pronunciada em 14.8.65, sem revisão do autor - Fonte: Agência Boa Imprensa – (ABIM)
http://www.jornaluniao.com.br/noticias/61720/como-foi-a-assuncao-de-nossa-senhora/

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Beata Gertrudes Llamazares Fernández, Religiosa e Mártir - 13 de agosto

    
     A Irmã Gertrudes nasceu no dia 6 de fevereiro de 1870 em Cerezales del Condado (León), Espanha. Seus pais eram Agustín Llamazares e Francisca Fernández. Foi batizada no dia 9 de fevereiro de 1870 na igreja paroquial de São João Batista, de Cerezales del Condado, recebendo o nome de Doroteia; recebeu o sacramento da confirmação em Vegas del Condado em 26 de maio de 1890.
     Em 1º de fevereiro de 1896, recebeu o hábito na Congregação das Missionárias Franciscanas da Mãe do Divino Pastor. Em 1896 emitiu seus únicos votos como uma religiosa doada. Reservada e fidelíssima, a ela foram confiados assuntos delicados, confiança que jamais atraiçoou.
     No começo da guerra, com um grupo de irmãs se refugiou em um apartamento na Rua del Almirante. A presença de tantas religiosas provocou protestos dos vizinhos e a Irmã Gertrudes procurou outro refúgio. Os milicianos procurando uma irmã porteira a encontram, sendo presa junto com uma senhora e um sacerdote, e levados em um automóvel para um lugar desconhecido.
     Na página 146 do livro publicado pelo governo sob o título “A dominação vermelha na Espanha”, está escrito:
     A Irmã Gertrudes, religiosa da Comunidade de Terciárias Franciscanas da Divina Pastora, do convento da Rua de Santa Engracia, número 132 (hoje 136), foi aprisionada na portaria número 7 da Rua Diego de León, onde estava escondida, sendo conduzida pelos milicianos junto com uma senhora e um sacerdote, ambos desconhecidos, em um automóvel, até uma floresta de pinheiros na estrada Hortaleza, em cujo local, depois de serem barbaramente maltratados, foram atados ao veículo que os arrastou até o povoado de Hortaleza, onde já chegaram mortos e completamente destroçados, sendo os cadáveres pisoteados e profanados pelo bairro vermelho”.
     No fólio 84, verso, número 13 do dossiê do cemitério de Hortaleza, consta: “Às 17 horas do dia 14 de agosto de 1936, sendo Juiz D. Miguel Morales Cano, apareceu nos km 7 e 8 da estrada da mencionada Vila, e à direita, um cadáver de uns 65 anos, calvo no alto da cabeça, cabelo loiro, toca preta, saia e anágua, lenço preto na cabeça, sapatos e meias pretas. Usava uma bolsa de listras brancas e pretas e duas porta-moedas que continham: um rosário e duas cédulas em nome de Doroteia Llamazares Fernández, natural de Cerezales, (León), nascida em 6 de fevereiro de 1870, vivendo em Santa Engracia, 110, escola, emitida em Madrid em 21-11-1935. O outro porta-moedas continha moedas diferentes, importando 42 pts. com 85 centavos. Em uma carteira danificada, vazia, havia um caderno com anotações religiosas, vários papéis com anotações de compras, outro cartão em nome de Flora Gago Curieses, de Castrillo de Campo (Palencia), nascida em 16 de agosto, estudante, moradora de Baltasar Bachero, 3; também um recibo que dizia: tenho em meu poder 135 pts da Irmã Gertrudes Llamazares (Juan B. Pardo, 27-3-1936), um rosário, dois cristos, um relógio, uma corrente de bolso, várias medalhas, duas facas, uma almofada de alfinetes, um dedal, um tubo com alfinetes, um lápis, um pedra e uma borracha. Ela morreu, provavelmente, em 13 de agosto, cerca de 13 horas, tendo destroços da região do cérebro”.
     Investigações posteriores chegaram à conclusão que seus restos mortais repousam com muitos outros em uma fossa comum no cemitério das monjas da Sagrada Família de Hortaleza.
     Irmã Gertrudes Llamazares foi beatificada no dia 13 de outubro de 2013.


Fontes:
http://es.catholic.net/op/articulos/36999/cat/214/gertrudis-llamazares-fernandez-beata.html#modal
 - Por: . | Fuente: www.anamogas.net
http://hagiopedia.blogspot.com/2014/08/beata-gertrudis-llamazares-fernandez.html

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Santa Filomena de Roma, Princesa, virgem e mártir – 11de agosto

    
     Santa Filomena de Roma é uma santa cuja vida ainda é misteriosa. Seus restos foram encontrados em 25 de maio de 1802 nas catacumbas de Priscila, em Roma, mas a ausência da inscrição mártir causou dúvida sobre a possibilidade de morte por martírio. Por esta razão, ela foi removida do calendário pela Sagrada Congregação dos Ritos na Reforma Litúrgica na década de 1960, apesar da disseminação do culto e da devoção pessoal de vários papas e santos.
     Segundo uma narração, Filomena foi princesa da Ilha de Corfu, tinha 13 anos quando foi a Roma com seus pais para conhecer o imperador romano Diocleciano.
     Seus pais, não conseguiam ter filhos, mas por sugestão de um médico cristão, deixaram de fazer sacrifícios aos deuses pagãos e receberam o batismo, acabando por receber a graça de uma filha a quem chamaram de Lumena por ter nascido à luz da fé. Na pia batismal, chamaram-lhe Filomena, que significa “filho/a da luz”. Criada nos costumes cristãos, Filomena fez votos de virgindade no início da adolescência.
     O poderoso imperador romano Diocleciano declarou guerra ao pai de Filomena, que como não tinha possibilidade de o enfrentar, foi a Roma pedir clemência.
     Ao receber a família de Filomena, o imperador ficou prostrado pela beleza da jovem, prometendo não só a paz, como também vantagens políticas e econômicas ao pai de Filomena se concedesse a sua filha em casamento. O pai de Filomena aceitou alegremente a proposta, mas a filha, já prometida a Jesus, protestou com todas as suas forças. Nem os seus pais a conseguiram convencer a mudar de ideias.
     Perante a recusa da jovem, o imperador tentou convencê-la acenando com os privilégios de ser imperatriz de Roma, mas sem sucesso. Furioso, Diocleciano mandou prender a jovem até que ela mudasse de ideias. Filomena terá recebido uma visita de Nossa Senhora na prisão, que prometeu levá-la ao céu em três dias.
     A jovem permaneceu sempre inflexível, o que levou o imperador, cheio de ódio, a ordenar os piores martírios contra Filomena. Tentaram pegar fogo à jovem, lançar flechas sobre o seu corpo, e jogaram seu corpo ao rio, atado a uma âncora. Com a proteção divina, a jovem saiu incólume de todos os martírios.
     Perante os milagres, muitos se converteram ao Cristianismo. Por fim, o imperador ordenou que decapitassem Filomena, acabando o seu corpo por ceder e subir aos céus no dia 11 de agosto.
     Dentro do túmulo foi encontrado um jarro oval contendo o sangue da santa. O nicho estava fechado por três telhas de terracota, com a inscrição Lumena pax te cum fi pintada nelas. A pessoa que posicionou e cimentou os azulejos cometeu uma falha na ordem de sequência que corretamente deveria ter sido: Pax tecum Filumena, ou “A paz esteja contigo, Filomena”. Os azulejos datam de um período entre o final do terceiro século e o início do século IV depois de Cristo.
     Informações sobre Santa Filomena constam de uma revelação particular que teve em 3 de agosto de 1833, a Serva de Deus, a Irmã Maria Luísa de Jesus (1799-1875), sua fervorosa devota. A Congregação da Sagrada Inquisição Romana e Universal aprovou a revelação em 21 de dezembro de 1833. O Pe. Francesco De Lucia de Mugnano, com a ajuda do Bispo de Potenza, Dom Cesare, obteve o cadáver da mártir que foi colocado em uma capela lateral da igreja Nossa Senhora das Graças onde até hoje está localizado.
     Famosos devotos da santa foram: Leão XII, Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII, São Pio X, o Cura d'Ars, a Serva de Deus Pauline Jaricot, a serva de Deus Maria Cristina de Sabóia, o Beato Bartolo Longo e o Santo Pe. Pio de Pietrelcina.

Santos devotos de Santa Filomena
Fontes:
www.santiebeati.it/
https://www.calendarr.com/portugal/dia-de-santa-filomena/



História da vida e do martírio de Santa Filomena
(Segundo as revelações à Serva de Deus Madre Maria Luísa de Jesus)     

     Eu sou a filha de um príncipe que governava um pequeno Estado da Grécia. Minha Mãe era também da realeza. Eles não tinham meninos. Eram idólatras e continuamente ofereciam orações e sacrifícios à seus deuses falsos.
     Um doutor de Roma chamado Públio vivia no palácio ao serviço de meu pai. Este doutor havia professado o cristianismo. Vendo a aflição de meus pais e por um impulso do Espírito Santo lhes falou acerca de nossa fé e lhes prometeu orar por eles, se consentissem em batizarem-se.
     A graça que acompanhava suas palavras iluminou o entendimento de meus pais e triunfou sobre sua vontade. Fizeram-se cristãos e obtiveram seu esperado desejo de ter filhos.
     Ao momento de nascer me puseram o nome de Lumena, em alusão à luz da fé, da qual era fruto. No dia de meu batismo me chamaram Filomena, filha da luz (filia luminis) porque nesse dia havia nascido à fé. Meus pais me tinham grande carinho e sempre me tinham com eles.
     Foi por isso que me levaram a Roma, em uma viagem que meu pai foi obrigado a fazer devido a uma guerra injusta. Eu tinha treze anos. Quando chegamos a capital, nos dirigimos ao palácio do imperador e fomos admitidos para uma audiência.
     Tão pronto Diocleciano me viu, fixou os olhos em mim. O imperador ouviu toda a explicação do príncipe, meu pai. Quando este acabou e não querendo ser já mais molestado lhe disse: “Eu porei a tua disposição toda a força de meu império. Eu só desejo uma coisa em troca, que é a mão de tua filha”.
    Meu pai, deslumbrado com uma honra que não esperava, atende imediatamente a proposta do imperador e quando regressamos a nossa casa, meu pai e minha mãe fizeram todo o possível para induzir-me a que cedesse aos desejos do imperador e os seus. Eu chorava e lhes dizia: “vocês desejam que pelo amor de um homem eu rompa a promessa que fiz a Jesus Cristo? Minha virgindade pertence a ele e eu já não posso dispor dela”.
     ‘Mas sois muito jovem para esse tipo de compromisso’ - me diziam - e juntavam as mais terríveis ameaças para fazer-me aceitar casar com o imperador. A graça de Deus me fez invencível. Meu pai não podendo fazer o imperador ceder e para desfazer-se da promessa que havia feito, foi obrigado por Diocleciano a levar-me a sua presença.
     Antes, tive que suportar novos ataques da parte de meus pais até o ponto, que de joelhos ante mim, imploravam com lágrimas em seus olhos, que tivesse piedade deles e de minha pátria. Minha resposta foi: “Não, não, Deus e o voto de virgindade que lhe fiz, vem primeiro que vocês e minha pátria. Meu reino é o Céu”.
     Minhas palavras os fez desesperar e me levaram ante a presença do imperador, o qual fez todo o possível para ganhar-me com suas atrativas promessas e com suas ameaças, as quais foram inúteis. Ele ficou furioso e, influenciado pelo demônio, me mandou a um dos cárceres do palácio onde fui encadeada.
     Pensando que a vergonha e a dor iam me debilitar o valor que meu Divino Esposo me havia inspirado. Me vinha ver todos os dias e soltava minhas cadeias para que pudesse comer a pequena porção de pão e água que recebia como alimento, e depois renovava seus ataques, que se não houvesse sido pela graça de Deus não teria resistido. Eu não cessava de encomendar-me a Jesus e sua Santíssima Mãe.
     Meu cativeiro durou trinta e sete dias, e no meio de uma luz celestial, vi a Maria com seu Divino Filho em seus braços, a qual me disse: "Filha, três dias mais de prisão e depois de quarenta dias, se acabará este estado de dor".
     As felizes notícias fizeram meu coração bater de alegria, mas como a Rainha dos Anjos havia dito, deixaria a prisão, para sustentar um combate mais terrível que os que já havia tido.
     Passei da alegria a uma terrível angústia, que pensava me mataria. “Filha, tem valentia”, disse a Rainha dos Céus e me recordou meu nome, o qual havia recebido em meu Batismo dizendo-me: "Vós sois LUMENA, e Vosso Esposo é chamado Luz. Não tenhais medo. Eu ajudarei no momento do combate, a graça virá para dar-vos força. O anjo Gabriel virá a socorrer, eu lhe recomendarei especialmente a ele, vosso cuidado". As palavras da Rainha das Virgens me deram ânimo. A visão desapareceu deixando a prisão cheia de um perfume celestial.
     O que me havia anunciado, logo se realizou. Diocleciano perdendo todas as suas esperanças de fazer-me cumprir a promessa de meu pai, tomou a decisão de torturar-me publicamente e o primeiro tormento era ser flagelada. Ordenou que me tirassem meus vestidos, que fosse atada a uma coluna em presença de muitos homens da corte, fez com que me flagelassem com tal violência, que meu corpo se banhou em sangue, e luzia como uma só ferida aberta.
     O tirano pensando que eu ia desmaiar e morrer, me fez arrastar a prisão para que morresse. Dois Anjos brilhantes como a luz, me apareceram na obscuridade e derramaram um bálsamo em minhas feridas, restaurando em mim a força, que não tinha antes de minha tortura.
     Quando o imperador foi informado da mudança que em mim havia ocorrido, me fez levar ante sua presença e trato de fazer-me ver que minha cura se devia a Júpiter o qual desejava que eu fosse a imperatriz de Roma.
     O Espírito Divino, ao qual lhe devia a constância em perseverar na pureza, me encheu de luz e conhecimento, e a todas as provas que dava da solidez de nossa fé, nem o imperador nem sua corte podiam achar resposta.
     Então, o imperador frenético, ordenou que me afogassem, com um âncora atada ao pescoço nas águas do Rio Tibre. A ordem foi executada imediatamente, mas Deus permitiu que não acontecesse. No momento no qual ia ser precipitada ao rio, dois Anjos vieram em meu socorro, cortando a corda que estava atada a âncora, a qual foi parar ao fundo do rio, e me transportaram gentilmente a vista da multidão, nas margens do rio.
     O milagre fez que muitos espectadores se convertessem ao cristianismo. O imperador, alegando que o milagre se devia a magia, me fez arrastar pelas ruas de Roma e ordenou que me fosse disparada uma chuva de flechas.
     O sangue brotou de todas as partes de meu corpo e ordenou que fosse levada de novo a meu cárcere. O céu me honrou com um novo favor. Entrei em um doce sono e quando despertei estava totalmente curada.
     O tirano cheio de raiva disse: “Que seja traspassada com flechas afiadas”. Outra vez os arqueiros dobraram seus arcos, colheram todas as suas forças, mas as flechas se negaram a sair. O imperador estava presente e ficou furioso e pensando que a ação do fogo podia romper o encanto, ordenou que se pusesse a esquentar no forno e que fossem dirigidas ao meu coração.
     Foi obedecido, mas as flechas, depois de ter percorrido parte da distância, tomaram a direção contrária e regressaram a ferir a aqueles que a haviam atirado. Seis dos arqueiros morreram. Alguns deles renunciaram ao paganismo e o povo começou a dar testemunho público do poder de Deus que me havia protegido.
     Isto enfureceu ao tirano. Este determinou apressar minha morte, ordenando que minha cabeça fosse cortada com um machado. Então, minha alma voou até meu Divino Esposo, o qual me deu a coroa da virgindade a palma do martírio.

Fonte:
http://www.santosebeatoscatolicos.com/2014/08/santa-filomena-de-roma-virgem-e-martir.html

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Beata Claudia de Corgey – 8 de agosto

     
     A Beata Cláudia de Corgey foi uma Clarissa que viveu entre o final do século XIV e a primeira metade do século XV.
     Ela foi companheira de Santa Colette, a grande reformadora francesa que através de sua ação junto aos mosteiros da Ordem das Clarissas os fez retornar à regra com a austeridade primitiva, tornando-se assim a fundadora das Clarissas Coletinas.
     O importante mosteiro de Poligny foi fundado em 1415, entre Lons-le-Saunier e Besançon, por Santa Colette. A Beata Cláudia foi nomeada pela Santa, abadessa daquele mosteiro da Borgonha.
     Os hagiógrafos lembram apenas que a Beata Cláudia foi uma abadessa que esteve à frente do mosteiro, governando-o com grande cautela e que morreu em Poligny em 8 de agosto de 1439.
     As religiosas acolhiam com alegria franciscana os fiéis que pediam hospitalidade e desejavam usufruir das suas orações. Santa Clara dizia às suas irmãs que iam mendigar fora do convento: “Quando vocês virem belas arvores cobertas de flores e folhas, agradeçam a Deus. Digam obrigado a Ele também quando vocês encontrarem as pessoas e quando virem as outras criaturas que o Senhor fez. Então Deus receberá a glória de todas as coisas e em todas as coisas”.
     Tão pouco sabemos da vida e obra desta Beata, mas certamente deve ter sido uma fiel discípula da Fundadora, para esta ter-lhe dado uma função de tal envergadura.
     No martirológio franciscano a festa da Beata Claudia foi fixada no dia de sua morte.

Mosteiro de Santa Clara, Poligny

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Nossa Senhora das Neves e a Basílica de Santa Maria Maior – 5 de agosto


     Sob o pontificado do Papa Libério (352-366), o patrício romano João e sua esposa de igual nobreza, não tendo filhos aos quais pudessem deixar seus bens, prometeram dar sua herança à Santíssima Virgem Mãe de Deus, suplicando-lhe por fervorosas e ardentes preces que indicasse a obra pia preferida por Ela, na qual deveriam empregar esse dinheiro. A Bem-aventurada Virgem Maria, ouvindo com bondade estas orações e pedidos vindos do coração, a eles respondeu através de um milagre.
     No dia 5 de agosto, época para Roma de maior calor, a neve cobriu durante a noite uma parte da Colina Esquilina. Nessa mesma noite, a Mãe de Deus, em sonho, deu aviso a João e a sua esposa, separadamente, para que mandassem construir no local que vissem coberto de neve uma igreja, a qual seria consagrada sob o nome da Virgem Maria: assim, queria Ela ser nomeada herdeira deles. João, comunicando o fato ao Papa Libério, soube que também este havia tido a mesma visão.
     Solenemente acompanhado pelos sacerdotes e pelo povo, veio o Soberano Pontífice, então, à colina coberta de neve, e aí determinou o lugar da igreja, que foi edificada às expensas de João e de sua esposa. Sixto III a restaurou mais tarde. Foi chamada, de início, por diversos nomes, basílica de Libério, Santa Maria do Presépio. Mas, tendo sido construídas na cidade numerosas igrejas sob a invocação da Santíssima Virgem Maria, para que a basílica – que excedia em dignidade às outras do mesmo nome, devido ao brilho de sua miraculosa origem – fosse também honrada pela excelência de seu título, designaram-na pelo de Santa Maria Maior. Celebra-se a solenidade no aniversário de sua consagração, como lembrança do milagre da neve caída neste dia.
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Dom Prosper Guéranger, L 'Année liturgique, les temps après Pentecôte, tome IV, Maison Alfred Mame et fils, 1922, excertos das pp. 368 e 369.

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Origens da Basílica de Santa Maria Maior
Nossa Senhora das Neves
     A primitiva igreja do século IV, da qual não restam vestígios, foi erigida pelo Papa Libério perto do Mercado de Lívia - construído pelo Imperador Augusto -, segundo urna fonte autorizada como o Liber Pontificalis.
     Investigações arqueológicas efetuadas no subsolo da atual basílica, de meados da década de 70, comprovaram a existência de um edifício, que deve ter sido o mencionado mercado, dedicado por Augusto a sua esposa Lívia.
     Esse edifício foi soterrado e sobre ele o Papa Sixto III construiu, de 432 a 440, a Basílica de Santa Maria Maior. O grandioso templo, basicamente o mesmo que hoje admiramos, é dedicado ao culto de Maria, Mãe de Deus, devido à proclamação, pouco anterior à construção da basílica, do dogma da maternidade divina da Virgem Santíssima, no Concílio de Éfeso (43 I).
     Até o século IX, o grande templo mariano era comumente chamado Basílica de Libério. Depois, passou a ser denominado Basílica da Beata Virgem das Neves, em virtude do milagre ocorrido no século IV, tendo sido estabelecida uma festa em comemoração daquele evento prodigioso.
     O relato do episódio, referente ao patrício João, sua esposa e o Papa Libério, conservado pela Tradição, foi transmitido por escrito por Frei Bartolomeu de Trento e representado em mosaico por Fi­lippo Rusuti sobre a parede do pórtico da fachada medieval da basílica, parcialmente conservada.
     A veneranda igreja também foi chamada Basílica de Santa Maria do Presépio, bem como Belém de Roma. Narra a História que no dia seguinte ao da solene definição do dogma da maternidade divina de Maria, no Concílio de Éfeso (43 I), Sixto III promoveu um ato solene na presença do povo para evidenciar a homenagem àquele dogma. Nessa ocasião, o Pontífice mandou construir uma capelinha que, segundo parece, reproduzia L Gruta de Belém e continha relíquias da manjedoura onde nascera o Redentor da humanidade. Quando foi construída posteriormente a Basílica, a pequena capela constituía uma edificação à parte, a qual, no decorrer do tempo, não se conservou.
     Hoje, as relíquias da Gruta de Belém são veneradas na cripta da Basílica.


Basílica de Santa Maria Maior



Fontes de referência:
1.P. Gabriel M. Roschini OSM, Mariologia, tomo lI, Pars III, De singulari cultu BMV, 2ª ed., Angelus Belardetti Editor, Roma, 1948.
2. Il Vaticano e Roma cristiana, Libreria Editrice Vaticana, Cidade deI Vaticano, 1975.

Fonte: http://catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/8ACA0FC2-3048-313C-2E64ADCEAF4A1D49/mes/Agosto1994

     Em 12 de novembro de 1493, logo após a sua descoberta por Cristóvão Colombo, a Ilha de Nevis, situada na região das Caraíbas, recebeu devotamente o nome de Nossa Senhora das Neves.
     No Brasil, Nossa Senhora das Neves é a padroeira de muitos municípios, sendo o mais importante deles João Pessoa, capital da Paraíba, onde se observa feriado estadual (Lei Estadual 3.489/1967).

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Perdão de Assis - Indulgência Plenária da Porciúncula

De 1º a 2 de agosto: saiba como obter a Indulgência da Porciúncula!
   
     Os fiéis que visitarem qualquer igreja franciscana, em qualquer lugar do mundo, desde o meio-dia de 1º de agosto até a meia-noite de 2 de agosto poderão obter a assim chamada Indulgência Plenária da Porciúncula.
     Mas atenção: não basta, obviamente, fazer a visita. É também necessário cumprir as condições habituais para se ganhar qualquer indulgência plenária: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Santo Padre.
A Porciúncula
     Trata-se da pequena igreja que São Francisco de Assis dedicou a Santa Maria dos Anjos. Ela hoje fica dentro da grande Basílica de Assis, construída entre os séculos XVI e XVII.
     A igrejinha foi a segunda morada de São Francisco e dos seus primeiros frades. No Domingo de Ramos de 1211, foi lá que São Francisco recebeu a profissão de Santa Clara, dando assim origem à família religiosa das Clarissas, de inspiração franciscana. A Porciúncula foi ainda o local em que, na tarde de 3 de outubro de 1226, São Francisco partiu deste mundo para a Céu.
A indulgência
     Uma noite, do ano do Senhor de 1216, São Francisco estava compenetrado na oração e na contemplação na igrejinha da Porciúncula, perto de Assis, quando, repentinamente, a igrejinha ficou repleta de uma vivíssima luz e ele viu sobre o altar Nosso Senhor Jesus Cristo e à sua direita a sua Mãe Santíssima, circundados de uma multidão de anjos.  São Francisco, em silêncio e com a face por terra, adorou a seu Senhor.
     Perguntaram-lhe, então, o que ele desejava para a salvação das almas. A resposta de São Francisco foi imediata: “Santíssimo Pai, mesmo que eu seja um mísero pecador, te peço que a todos quantos arrependidos e confessados, virão visitar esta igreja, lhes conceda amplo e generoso perdão, com uma completa remissão de todas as culpas”.
     O Senhor lhe disse: “Ó Irmão Francisco, aquilo que pedes é grande, de coisas maiores és digno e coisas maiores tereis: acolho portanto o teu pedido, mas com a condição de que tu peças esta indulgência, da parte minha, ao meu Vigário na terra (Papa)”.
     São Francisco partiu para Perusia junto de outro frade para ver o Papa Honório III, que naqueles dias encontrava-se naquela cidade e com candura lhe narrou a visão que teve. O Papa o escutou com atenção e, depois de alguns esclarecimentos, deu a sua aprovação e disse: “Por quanto anos queres esta indulgência?” Francisco, respondeu-lhe: “Pai santo, não peço por anos, mas por almas”.
     E feliz, se dirigiu à porta, mas o Pontífice o convocou: “Como, não queres nenhum documento?” E São Francisco respondeu-lhe: “Santo Pai, de Deus, Ele cuidará de manifestar a obra sua; eu não tenho necessidade de algum documento. Esta carta deve ser a Santíssima Virgem Maria, Cristo o Escrivão e os Anjos as testemunhas”.
     Poucos dias mais tarde, junto aos Bispos da Úmbria, ao povo reunido na Porciúncula, Francisco anunciou a indulgência plenária e disse entre lágrimas: “Irmãos meus, quero mandar-vos todos ao paraíso!”
     Foi um enorme presente obtido por São Francisco para as almas que ele tanto amava. Antigamente, a obtenção de indulgências era muito difícil para os fiéis, que precisavam partir em peregrinação a lugares distantes como a Terra Santa. Com a Indulgência da Porciúncula, porém, o assim chamado “Perdão de Assis” pode agora ser concedido em todas as igrejas franciscanas do mundo, cumpridas as condições habituais de qualquer indulgência.
     Em 1966, por ocasião do 750º aniversário da concessão da Indulgência da Porciúncula, o Papa Paulo VI publicou a carta apostólica Sacrosancta Portiunculae Ecclesia, na qual indica, em referência às peregrinações dos fiéis:
     Queira Deus que a peregrinação transmitida durante séculos à igreja da Porciúncula, que Nosso mesmo predecessor João XXIII empreendeu com ânimo piedoso, não termine, mas, antes, cresça continuamente a multidão de fiéis que ali acorrem ao encontro com Cristo rico em misericórdia e com sua Mãe, que sempre intercede perante Ele”.