sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Nossa Senhora das Dores – 15 de setembro

    
     A Igreja comemora as dores da Santíssima Virgem na Semana da Paixão e no dia 15 de setembro.
     O culto a Nossa Senhora das Dores iniciou-se no ano 1221 no Mosteiro de Schönau, na então Germânia, hoje, Alemanha. A festa de Nossa Senhora das Dores como hoje a conhecemos, celebrada em 15 de setembro, teve início em Florença, na Itália, no ano de 1239 através da Ordem dos Servos de Maria, uma ordem profundamente mariana; foi autorizado que celebrassem uma festividade em memória das Sete Dores no terceiro domingo de setembro de todos os anos.
     Na Idade Média, havia uma devoção popular pelos cinco gozos da Virgem Mãe, e pela mesma época se complementou essa devoção com outra festa em honra a suas cinco dores durante a Paixão. Mais adiante, as penas da Virgem Maria aumentaram para sete e não só compreenderam sua marcha para o Calvário, mas também sua vida inteira.
     O Papa Bento XIII estendeu a solenidade a toda a Igreja, em 1727, com o nome das Sete Dores, mantendo-se a referência original da Missa e do ofício da Crucificação do Senhor.
     Santa Brígida da Suécia diz em suas revelações, aprovadas pela Igreja, que Nossa Senhora prometeu conceder sete graças a quem rezar, cada dia, sete Ave-Marias em honra de suas dores e lágrimas, meditando sobre elas.
     As promessas são:
1 - Porei a paz em suas famílias.
2 - Serão iluminados sobre os divinos mistérios.
3 - Consolá-los-ei em suas penas e acompanhá-los-ei em suas aflições.
4 - Conceder-lhes-ei tudo o que me pedirem, contanto que não se oponha a adorável vontade de meu divino Filho e a santificação de suas almas.
5 - Defendê-los-ei nos combates espirituais contra o inimigo infernal e protegê-los-ei em todos os instantes da vida.
6 - Assistir-lhes-ei visivelmente no momento da morte e verão o rosto de Sua Mãe Santíssima.
7 - Obtive de meu Filho, para os que propagarem esta devoção às minhas lágrimas e dores, sejam transladados desta vida terrena à felicidade eterna, diretamente, pois ser-lhes-ão apagados todos seus pecados e meu Filho e eu seremos sua eterna consolação e alegria.

Os sofrimentos de Maria e a salvação da humanidade
     A primeira dor de Maria é a profecia do velho Simeão. O evangelista Lucas narra as palavras que transbordam dos lábios do sábio Simeão: “Este menino vai causar queda e a elevação de muitos em Israel; ele será um sinal de contradição; a ti própria, uma espada te transpassará a alma, para que se revelem os pensamentos de muitos corações” (Lc 2, 34b-35). Nesta primeira dor percebemos a profunda união íntima de Maria com seu filho, ela se associa de forma profunda ao sofrimento e sacrifício redentor do Filho.
     Outro acontecimento que traz dor ao coração da Virgem Maria é a fuga com sua família para o Egito. Deus mais uma vez envia seu mensageiro. Desta vez, José, o esposo fiel é o destinatário, uma vez que Deus confiara a ele suas duas preciosidades: seu filho Jesus e Maria. José toma o Menino e a Mãe, e foge para o Egito, lá permanecendo até ser avisado. Maria se mostra forte, não foge dos perigos, dos sofrimentos, mostra-se Mãe amorosa e protetora do fruto de seu ventre.
     Os três dias que Jesus esteve ausente e foi encontrado no Templo, entre os doutores, é a dor da perplexidade e da ausência do Amado Filho.
     Durante a Paixão, as dores foram se avolumando: a Agonia no Horto, a Prisão, a Condenação, a Via Crucis. Alguns destes passos Ela não acompanhou pessoalmente, mas certamente os conhecia por sua íntima união com os sofrimentos do Salvador.
     O encontro com Jesus na Via Crucis foi dilacerante: como Ela gostaria de sofrer sobre si os golpes e o cansaço da caminhada! Mas foi um rápido e fortuito encontro, sem que Ela sequer pudesse aliviar suas feridas.
     Ao pé da cruz, Maria Santíssima acompanha ser crucificado Aquele que Ela conteve em seu ventre e em seu coração. Do alto do privilegiado madeiro, Nosso Senhor Jesus Cristo A constitui Mãe da humanidade.
     A dor lancinante quando o Divino Corpo de Jesus foi retirado da Cruz e colocado no túmulo, só lhe foi suportável em virtude da Fé e da certeza de que a Ressurreição estava próxima.
     Assim como Jesus Cristo se tornou o nosso Redentor por nos ter resgatado da escravidão do pecado e do demônio pelos merecimentos da sua Paixão, Maria Santíssima, pelos merecimentos das suas dores, também cooperou na causa da nossa salvação. Ela tornou-se Corredentora do gênero humano porque uniu voluntariamente os seus sofrimentos aos do seu Filho. “É exatamente o que Jesus Cristo declarou do alto da cruz, depositando nas mãos dela, como diz São Bernardo, todo o preço da Redenção, e proclamando-a Mãe de todos os fiéis na pessoa de João: Mulier, ecce filius tuus (Jo 19, 26) — ‘Mulher, eis aí teu filho’”.
     Nós também temos a felicidade de ser filhos desta grande Mãe e, por isso, alegremo-nos com ela pela glorificação das suas dores. Pois, se a Paixão de Cristo foi o ato supremo do amor de Deus pela humanidade, os sofrimentos da Virgem das Dores formaram o insuperável ato de amor humano para com Deus e para com toda a humanidade. Sendo assim, sejamos sempre fiéis devotos da Virgem Maria, reconhecendo-a como criatura mais abrasada em amor, como verdadeira Rainha dos Mártires e Corredentora da salvação do gênero humano.
     Peçamos a Nossa Senhora a graça de sermos fortes diante dos sofrimentos da vida e perseverarmos na contemplação dos sofrimentos de seu Divino Filho, para, a seu exemplo, acompanha-Lo até a morte, fieis aos seus ensinamentos.

Fontes:

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Santíssimo Nome de Maria – 12 de setembro




O Feliz Nascimento de Maria Santíssima Senhora Nossa 
     Sua Mãe, Ana, ... recebeu aviso do Senhor que chegara a hora do parto. Ouviu sua voz cheia de gozo do Divino Espírito, e prostrada em oração pediu ao Senhor que a assistisse com sua graça e proteção para o feliz sucesso de sua maternidade.
     Sentiu o natural movimento que acontece em tal caso, e a mais que ditosa menina Maria foi, por virtude e providência divina, arrebatada num altíssimo êxtase. Abstraída de todas as operações sensitivas, nasceu ao mundo sem o conhecer pelos sentidos, pois por eles poderia ter notado, já que possuía o uso da razão. O poder do Altíssimo dispôs por daquele modo para que a princesa do céu não percebesse o próprio nascimento.
Maria, aurora da graça
     Nasceu pura, limpa, formosa e cheia de graças, publicando por elas que vinha livre da lei e tributo do pecado. Em substância, nasceu como os demais filhos de Adão, mas com tais condições e particularidades da graça, que este nascimento foi admirável milagre para toda a natureza e eterno louvor de seu autor.
     Despontou, pois, este divino luzeiro no mundo às doze horas da noite, começando a separar a noite e trevas da antiga lei, do novo dia da graça que já queria amanhecer.
     Envolveram-na em panos e foi tratada como as demais crianças, aquela que tinha sua mente na Divindade, e como infante, quem em sabedoria excedia a todos os mortais e aos mesmos anjos. Não consentiu sua mãe que outras mãos cuidassem da menina, e com as suas a envolveu em mantilhas. Seu estado não lhe foi impedimento, porque foi isenta das onerosas consequências que ordinariamente sofrem as outras mães em seus partos.
Oração de Sant´Ana
     Recebeu Sant´Ana em suas mãos aquela que, sendo sua filha, era ao mesmo tempo o maior tesouro do céu e da terra entre as puras criaturas, inferior somente a Deus e superior a toda a criação.
     Com fervor e lágrimas a ofereceu a Deus dizendo interiormente: Senhor de infinita sabedoria e poder, criador de tudo quanto existe: ofereço-vos o fruto do meu seio, recebido de vossa bondade, com eterno agradecimento por me terdes dado sem eu tê-lo podido merecer. Na filha e mãe cumpri vossa vontade santíssima e do alto de vosso trono e grandeza olhai para nossa pequenez.
     Sede eternamente bendito por terdes enriquecido o mundo com criatura tão agradável ao vosso beneplácito, e porque Nela preparastes a morada e tabernáculo (Sb 9,8) para o Verbo Eterno residir. A meus santos pais e profetas dou felicitações e neles a toda a linhagem humana, pelo seguro penhor que lhes dais de sua redenção.
     Entretanto, como tratarei aquela que me dais por filha, se não mereço ser sua serva? Como tocarei a verdadeira arca do testamento? Dai-me, Senhor e Rei meu, a luz que necessito para conhecer vossa vontade, e executá-la para vosso agrado e serviço de minha filha.
Resposta do Senhor
     Respondeu o Senhor no íntimo da santa matrona que exteriormente tratasse a divina menina como sua filha sem mostrar-lhe reverência, mas que conservasse em seu coração essa reverência. No mais, cumprisse com as obrigações de verdadeira mãe, criando sua filha com solicitude e amor.
     Assim fez a feliz mãe. Usando deste direito e permissão, sem perder a divina reverência, deliciava-se com sua Filha Santíssima, tratando-a e acariciando-a como as outras mães, mas atenta à grandeza do tão oculto e divino segredo que entre ambas haviam.
     Os anjos de guarda da meiga menina, com grande multidão de outros deles, a reverenciaram nos braços de sua mãe e lhe entoaram celestial música, da qual ouviu um pouco a ditosa Ana.
     Os mil anjos nomeados para a custódia da grande Rainha, ofereceram-se e dedicaram-se ao seu serviço. Foi esta a primeira vez que a divina Senhora os viu em forma corpórea, com as divisas e vestes que explicarei noutro capítulo. A menina pediu-lhes louvassem com Ela, e em seu nome, ao altíssimo.
São Gabriel anuncia ao limbo o nascimento de Maria
     No momento em que nasceu nossa princesa Maria, o Altíssimo enviou o Santo Arcanjo Gabriel para participar aos santos pais do limbo esta tão alegre nova para eles.
     O embaixador celestial desceu logo, iluminando aquela profunda caverna e alegrando aos justos nelas detidos. Noticiou-lhes que já começava a amanhecer o dia da eterna felicidade e redenção do gênero humano, tão desejado e esperado pelos santos e vaticinado pelos profetas. Já nascera a futura Mãe do Messias prometido e muito em breve veriam a salvação e glória do Altíssimo.
     Deu-lhes notícia o santo Príncipe das excelências de Maria Santíssima e do que a mão do Onipotente começara a fazer por Ela, para conhecerem melhor o ditoso princípio do mistério que poria fim a sua prolongada prisão.
     Todos aqueles pais, profetas e demais justos que estavam no limbo alegraram-se em espírito, e com novos cânticos louvaram o Senhor por este benefício.
Os anjos reconheceram Maria por sua Rainha
     Quem poderá dignamente exaltar este maravilhoso prodígio da destra do Onipotente?
     Quem dirá o gozo e admiração dos espíritos celestiais ao verem e celebrarem com novos cânticos aquela tão nova maravilha entre as obras do Altíssimo?
     Ali reconheceram e reverenciaram a sua Rainha e Senhora, escolhida para Mãe Daquele que seria sua cabeça, causa da graça e da glória que possuíam, pois as deviam aos méritos de Cristo, previstos na divina aceitação.
     Mas, que língua e que pensamento mortal pode entrar no segredo do coração daquela tenra menina, no sucesso e feitos de tão peregrino favor?
     Deixo-o à piedade católica, e muito mais aos que no Senhor o conheceram, e a nós quando por sua misericórdia infinita chegarmos a gozá-lo face a face.
Deus impõe-lhe o nome de Maria
     Determinou-se naquele divino consistório e tribunal, dar nome a Menina rainha. Como nenhum é legitimo e adequado senão o que é posto no ser imutável de Deus, onde com equidade, peso, medida e infinita sabedoria se dispensam e ordenam todas as coisas, quis Sua Majestade dá-lo por si mesmo no céu.
     Manifestou aos espíritos angélicos que as três divinas pessoas haviam decretado e formado os dulcíssimos nomes de Jesus e Maria, para filho e mãe ab initio ante saecula. Que desde toda a eternidade haviam se comprazido neles, gravando-os em sua memória eterna e tendo-os presentes em todas as coisas a que haviam dado existência, pois para o serviço deles tinham sido criados.
     Conhecendo estes e outros mistérios, os santos anjos ouviram sair do trono do Pai Eterno voz que dizia: - Nossa eleita chamar-se–á Maria, e este nome há de ser maravilhoso e magnífico. Os que o invocarem com devoção receberão copiosíssimas graças, os que o pronunciarem com reverência serão consolados, e todos acharão nele alívio para suas dores, tesouros com que se enriquecerem, luz para serem guiados à vida eterna. Será terrível contra o inferno, esmagará a cabeça da serpente e obterá insignes vitórias contra os príncipes das trevas.
     Mandou o Senhor aos espíritos angélicos que participassem este ditoso nome à Sant´Ana, para ser realizado na terra o que fora confirmado no céu. A divina Menina prostrada pelo afeto ante o trono, deu humildes graças ao Ser eterno e com admiráveis e dulcíssimos cantos recebeu o nome.
     Se se quisesse escrever as prerrogativas e graças que lhe concederam, seria mister compor livro separado em maiores volumes.
     Os santos reverenciaram de novo, no trono do Altíssimo, a Maria Santíssima por futura Mãe do Verbo, sua Rainha e Senhora. Veneraram seu nome, prostrando-se ao ser pronunciado pela voz do eterno Pai, particularmente os que o levavam sobre o peito como divisa. Todos cantaram louvores por mistérios tão grandes e ocultos, mas a Menina Rainha ignorava a causa de quanto presenciava, porque não lhe seria manifestada sua dignidade de Mãe do Verbo até o tempo da Encarnação.
     Com o mesmo júbilo e reverência voltaram os anjos a pô-la nos braços de Sant´Ana, a quem foi oculto este sucesso e a ausência de sua filha, pois fora substituída por um de seus anjos da guarda, com um corpo aparente.
     Além disso, enquanto a divina Menina esteve no céu empíreo, teve sua mãe Ana um êxtase de altíssima contemplação. Nele, ainda que ignorasse o que se passava com sua Menina, lhe foram manifestados grandes mistérios da dignidade da Mãe de Deus para a qual sua filha era escolhida. A prudente matrona conservou-os sempre em seu coração, meditando-os para, de acordo com eles, proceder com sua filha.
O nascimento de Maria, alegria para o céu e a terra
     Aos oito dias do nascimento da grande Rainha, desceram das alturas multidões de anjos formosíssimos e roçagantes. Traziam um brasão no qual vinha gravado e resplandecente o nome de MARIA. Manifestando-se a ditosa mãe Ana disseram-lhe que o nome de sua filha era o que traziam. Que a divina providência lho havia dado e ordenava que ela e Joaquim o impusessem logo. ...
     ... Deste modo recebeu nossa Princesa o nome que lhe foi dado pela Santíssima Trindade no céu, no dia em que nasceu, e na terra oito dias depois. Foi inscrito no registro dos demais, quando sua mãe foi ao Templo para cumprir a lei. ...

Fonte:
Livro: “Mística Cidade de Deus” – Maria de Ágreda - Espanha Século XVII - Primeiro Tomo - páginas: 171 a 175 - Capítulo 21
(Obs.: Lê-se no Livro Mística Cidade de Deus que o Nascimento da Santíssima Virgem deu-se no dia 8 de setembro como também é tradição na Santa Igreja Católica.)


domingo, 9 de setembro de 2018

Beata Ana Kolesárová, mártir da pureza

    
     Na manhã do dia 1º de setembro p.p., em Košice, Eslováquia, o Cardeal Angelo Becciu presidiu o rito de beatificação de Ana Kolesárová, uma jovem de 16 anos que, a exemplo de várias santas e beatas, morreu mártir para defender sua pureza.
     Antes de viajar à Eslováquia, falando ao Vatican News, o cardeal disse que a mensagem que Ana Kolerárová nos deixa é "totalmente contra a corrente; uma jovem de 16 anos que tem a força para se opor à brutalidade de um militar soviético que queria abusar dela. Ela se recusa, não apenas por um simples instinto de defesa, mas pela crença de que ela tinha que se manter pura e casta. Em um mundo em que se ri destes valores, é uma mensagem belíssima".
Infância e adolescência
     Ana Kolesárová nasceu em 14 de julho de 1928 no distrito de Michalovce, na antiga Tchecoslováquia, filha de Ján Kolesár (conhecida pelos amigos como "Hruška") e de Anka Kušnírová. Ana era a mais nova dos três filhos do casal; ela tinha uma meia-irmã, Maria, e um irmão Miguel. Seu batismo foi celebrado na paróquia local no dia seguinte ao seu nascimento. Os Kolesárs eram descritos como agricultores piedosos, frequentadores assíduos da Santa Missa, que viviam sua fé de maneira concreta. [2] [1]
     Sua mãe morreu após ela ter completado dez anos, quando ela passou a cuidar da casa e de seu irmão mais velho, Miguel. [3] Aqueles que conviveram com ela relataram que sua vida era ao mesmo tempo modesta e simples, e notavam sua presença frequente na igreja. Kolesárová costumava assistir à missa com as amigas depois de completar as tarefas domésticas. [5] [2]
     No outono de 1944, a fase final e mais sangrenta da 2ª. Guerra Mundial (a frente oriental) passava pelo distrito oriental de Michalovce, que era então parte da nação húngara. Foi durante esse período de transição violenta que as pessoas que moravam nas aldeias vizinhas se escondiam em seus porões para esperar que os bombardeios e as lutas terminassem. [2] [3]
O Assassinato
      Em 22 de novembro de 1944, os soldados do Exército Vermelho entraram na cidade. Seu pai Jan abrigou-se com seus filhos e seus vizinhos no porão sob a cozinha. Durante uma revista à casa, um soldado soviético bêbado descobriu o esconderijo. [6] O pai de Ana pediu que ela fosse "dar a ele algo para comer"; ela saiu do esconderijo e caminhou até a cozinha para servir comida e água ao soldado, na esperança de manter a paz e provar que ela e os outros não ameaçavam o soldado. [4]
     A natureza incerta da guerra fez com que ela e as outras mulheres da aldeia usassem vestidos pretos para não atrair atenção indesejada para si mesmas e desencorajar o comportamento impróprio dos soldados. [2] Mas isso não impediu o soldado assediá-la. [7] [6] Ana repeliu seus avanços e desvencilhou-se de suas garras enquanto ele tentava estuprá-la. [8] O soldado perseguiu-a até o porão. [9] [2]
     Ali, diante da insistente recusa de cometer o pecado, ele apontou seu rifle automático PPSh-41 e matou-a com dois tiros no rosto e no peito, diante de seu pai e irmãos [6]. Suas palavras finais foram: "Adeus pai! Jesus, Maria, José!" [3] [1] [10] A menina fizera sua confissão e recebera a Comunhão pouco tempo antes de ser morta. [4] Seus restos mortais foram enterrados na noite seguinte, apesar da intensa luta que ocorria na área, mas o funeral foi realizado sem um padre, em segredo, de modo a permanecer em segurança. O Padre Anton Lukáč celebrou os solenes ritos fúnebres uma semana depois, em 29 de novembro de 1944.
     O Pe. Lukáč era o pároco da aldeia de Pavlovce nad Uhom e depois investigou a sua morte. Ele entrevistou os aldeões e obteve declarações assinadas de cinco testemunhas. Ele então registrou o incidente nas crônicas de sua paróquia e no registro observou que ela morreu para defender sua inocência. O padre jesuíta Michal Potocky também forneceu informações sobre a vida de Ana Kolesárová e as circunstâncias de sua morte. Apesar disso - e após o fim da guerra - o novo governo socialista da Tchecoslováquia proibiu a menção do incidente e impôs uma proibição estrita das reuniões abertas no local da sepultura.
     A casa em que ela viveu ainda existe. Agora é usada por uma organização fundada e dedicada a ela. A organização Domcek promove trabalho voluntário, bem como eventos sociais e oficinas para jovens de sua idade. Há também frequentes peregrinações à sua sepultura (três vezes por ano: em fevereiro, abril e agosto), enquanto em Pavlovce nad Uhom há um grande encontro dedicado a ela, que é popular entre os adolescentes.  
Beatificação
     O processo de beatificação começou em 3 de julho de 2004, depois que a Congregação para as Causas dos Santos concedeu-lhe o título de Serva de Deus e declarou "nihil obstat" (sem objeções) à causa. [2] A investigação diocesana sobre sua vida e assassinato foi aberta em Košice em 2 de abril de 2005 e foi encerrada em 14 de fevereiro de 2012, depois de ouvir 38 pessoas. A C.C.S. mais tarde validou o processo diocesano em Roma, em 14 de junho de 2013, e recebeu o dossiê da Positio de 650 páginas em 2015 para avaliação. Os teólogos e os membros da C.C.S.  aprovaram a causa após a avaliação do dossiê, no dia 6 de fevereiro de 2018.
     Sua beatificação recebeu a confirmação oficial em 6 de março de 2018, depois que o Papa Francisco confirmou que Ana Kolesárová havia morrido "in defensum castitatis". [3] A beatificação foi celebrada na sua Eslováquia natal em 1º de setembro de 2018 e cerca de 30 000 pessoas assistiram à missa.

Atraídos pela santidade
     O sacerdote jesuíta Michal Potocký, natural do povoado de Vysoká, reuniu testemunhos sobre a vida e a morte de Ana e começou a divulgá-los.
     Com a queda do regime comunista, a história da jovem começou a ser falada e conhecida até que em 1999, alunos de um colégio realizaram uma peregrinação e um retiro espiritual, até o seu túmulo, liderados por um sacerdote.
     Estas peregrinações, chamadas de Peregrinações da Alegria, se tornaram frequentes e hoje cerca de 4 mil pessoas por ano passam pelo local onde Ana está sepultada. Os jovens são os que mais frequentam o local cuidando também de sua manutenção.
     Muitos foram curados de feridas interiores de relacionamentos, depressão e viveram conversões autênticas; no santuário também se reza muito para que a beata ajude a encontrar a vocação e a reconstruir relacionamentos.
     Muitos jovens dizem que lá conseguem de verdade encontrar uma alegria pura, perceber que seus corações podem confiar novamente nas pessoas. Um lugar onde podem chorar, sorrir e falar de seus sonhos.
     Rezemos, pedindo a intercessão da Beata Ana para que os jovens de todo mundo possam encontrar a verdadeira Alegria de suas vidas: o Amor de Deus.

Segundo fonte de Vatican.va
Com informações de Anna Kolesárová.sk

Referências:
1. "Venerable Anna Kolesárová". Saints SQPN. 9 March 2018. Retrieved 9 March 2018. 
2. "Serva di Dio Anna Kolesárová". Santi e Beati. Retrieved 9 March 2018. 
3. "Young Slovak martyr will be beatified". The Slovak Spectator. 8 March 2018. Retrieved 8 March 2018. 
4. "About Anna". Domcek. Retrieved 9 March 2018. 
5. "Anna Kolesarova". Farnost Vitaz (in Slovak). Rimkat.sk. Retrieved 6 August 2013. 
6. https://annakolesarova.sk/en/
7. http://www.catholicsun.org/2018/08/22/anna-kolesarova/
8. https://www.thetablet.co.uk/news/8720/murdered-slovak-peasant-girl-to-be-declared-blessed-
9. "Príbeh, ktorý sa odohral v tú osudnú novembrovú noc". Anka (in Slovak). Domcek.org. Retrieved 7 August 2013. 
10. Slaninkova, Zuzana (25 January 2012). "O Anke Kolesarovej". Katolicke noviny (in Slovak). Retrieved 7 August

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Natividade de Nossa Senhora – 8 de setembro


    
     A Igreja Católica celebra numerosas festas de santos, mas não celebra a data de nascimento deles, mas sim a de sua morte, correspondendo ao dia da entrada dele na vida eterna.
     Em três casos Ela comemora o dia do nascimento: Nosso Senhor Jesus Cristo (Natal); o nascimento de São João Batista; e a Natividade da Santíssima Virgem.
     A Natividade de Nossa Senhora é uma festividade religiosa celebrada pela Igreja Católica precisamente nove meses depois de comemorar a Imaculada Conceição da Virgem Maria. A festa da Natividade era celebrada no Oriente católico muito antes de ser instituída no Ocidente. Segundo uma bela tradição, tal festa teve início quando São Maurílio a introduziu na diocese de Angers, na França, em consequência de uma revelação, no ano 430:
     “Um senhor de Angers encontrava-se na pradaria de Marillais, na noite de 8 de setembro daquele ano, quando ouviu os anjos cantando no Céu. Perguntou-lhes qual o motivo do cântico. Responderam-lhe que cantavam em razão de sua alegria pelo nascimento de Nossa Senhora durante a noite daquele dia”.
     Em Roma, já no século VII, há registro da comemoração desta festa. O Papa Sérgio tornou-a solene, mediante uma grande procissão. Posteriormente, Fulberto, Bispo de Chartres, muito contribuiu para a difusão desta data em toda a França. Finalmente, o Papa Inocêncio IV, em 1245, durante o Concílio de Lyon, estendeu a festividade para toda a Igreja.
     Assim se exprimiu o Padre Antônio Vieira sobre esta celebração:
     “Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno de ser festejado o Nascimento de Maria? Vede o para que nasceu. Nasceu para que dEla nascesse Deus. (…) Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde; perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios; perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo; perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação; perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres; perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança. Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz; os discordes, para Senhora da Paz; os desencaminhados, para Senhora da Guia; os cativos, para Senhora do Livramento; os cercados, para Senhora da Vitória. Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho; os navegantes, para Senhora da Boa Viagem; os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso; os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte; os pecadores todos, para Senhora da Graça; e todos os seus devotos, para Senhora da Glória. E se todas estas vozes se unirem em uma só voz, dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus” (Sermão do Nascimento da Mãe de Deus)”.
     Desta forma, a Natividade de Nossa Senhora é celebrada pela Igreja como um dia de alegria universal. No contexto do Antigo e do Novo Testamento, a Santíssima Virgem Maria nasceu neste dia radiante, tendo sido escolhido antes dos séculos pela Divina Providência para a realização do Mistério da Encarnação do Verbo de Deus. Ela é revelada como a Mãe do Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo.
     De acordo com a tradição, Nossa Senhora nasceu na cidade da Galileia, em Nazaré. Seus pais eram Joaquim da tribo do Profeta-Rei David, e de Ana da tribo de o primeiro sacerdote Aarão. O casal não tinha filhos, já que Ana era estéril. A esterilidade era considerada castigo divino pelo pecado e Joaquim e Ana tiveram que suportar o abuso de seus próprios conterrâneos.
     Em um dos dias de festa no Templo, Joaquim levou o seu sacrifício para oferecer a Deus, mas o Sumo Sacerdote não quis aceitá-lo, considerando que ele era indigno já que não tinha filhos. Em profunda tristeza, Joaquim foi para o deserto e ali rezou a Deus pedindo uma criança. Ana chorou amargamente quando soube o que tinha acontecido no Templo. Ana nunca reclamou contra o Senhor, mas rezava para pedir a misericórdia de Deus sobre sua família.
     O Senhor atendeu-os quando o casal piedoso havia atingido a velhice extrema e preparara-se pela vida virtuosa de uma vocação sublime de ser os pais da Santíssima Virgem Maria, a futura mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Arcanjo Gabriel foi o mensageiro da parte de Deus, dizendo que suas orações tinham sido ouvidas e deles nasceria uma filha abençoada, Maria, por quem viria a salvação de todo o mundo. A Santíssima Virgem Maria superou em pureza e virtude não só toda a humanidade, mas também os anjos. Maria, a arca da aliança, templo vivo de Deus.
     A Natividade da Maria marca o momento em que a grande promessa de Deus para a salvação da humanidade estava prestes a ser cumprida. O nascimento de Maria também foi milagroso. Ela foi concebida sem pecado como uma graça especial, porque Deus a havia escolhido para ser a mãe de seu filho (Theotokos – Mãe de Deus). Maria, sem pecado, entrou neste mundo através do privilégio da Imaculada Conceição, e é a primogênita dos redimidos. Seu nascimento é motivo de grande alegria, pois é considerada a “aurora de nossa salvação”, como o Papa Paulo VI escreveu no documento, Marialis Cultus, em 1972.
     Que a Festa da Natividade nos faça relembrar esta história tão especial, com os olhos agradecidos diante de Deus e dAquela que soube dizer sim e se submeter totalmente à vontade do Criador. Através do seu “fiat” Maria tornou-se a Mãe não somente de Jesus, mas de toda a humanidade.
Natividade de Nossa Senhora
Genealogia de Nossa Senhora, a árvore de Jessé

Fonte:  

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Santa Eva (ou Evelina), mártir venerada em Dreux – 6 de setembro

    
     Santa Eva (em francês Ève ou Eveline) é uma virgem mártir venerada em Dreux, cidade da qual é patrona, nos departamentos Eure e Loir, França.
     Dela sabe-se somente o que a tradição tem mantido, isto é, que seu martírio provavelmente ocorreu em uma das perseguições dos primeiros séculos do Cristianismo. Não sabemos quando e como ela viveu, nem quem era, mas certamente amava Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem enfrentou o martírio, como outras dezenas de milhares de cristãos, homens, mulheres e até crianças, naquele triste e tão glorioso período do advento do Cristianismo no vasto Império Romano.
     A nefasta Revolução Francesa, no final do século XVIII, fez desaparecer uma capela dedicada a Santa Eva erguida em 1653, bem como uma cruz mais antiga, que fora colocada, segundo a tradição, no local do martírio.
     A igreja de São Pedro em Dreux mantém algumas das suas relíquias, e desde 1946 a sua festa na cidade, que ocorre no dia 6 de setembro, é celebrada com rito duplo de primeira classe com oitava, isto é, com solenidade e nos próximos oito dias.
     O nome Eva deriva do hebraico Hawah (forma antiga de Haith), que significa "mãe dos vivos"; nos calendários há quatro santas com este nome, incluindo Eva, a ancestral, veneradas em dias diferentes

A Cruz de Santa Eva
     Desde tempos imemoriais havia em Dreux uma Cruz de Santa Eva, que fora erguida no provável local de seu martírio nos primeiros séculos da Cristandade. Após os danos causados pela Revolução Francesa, uma nova cruz foi erigida em 6 de setembro de 1863.
     Situada sobre o platô norte de Dreux, ela foi agora restaurada pela cidade. As letras haviam se tornado ilegíveis. Hoje, a história da mártir Santa Eva, santa patrona da cidade de Dreux, brilha com todas as letras aos pés de sua cruz.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Beata Teresa de Ourém – 3 de setembro

    
     Não há no concelho de Vila Nova de Ourém lugar algum com a singularidade do Zambujal. Os que escreveram a história eclesiástica, narrando a vida dos santos, e os que escreveram a história profana, falam deste lugar com menção especial, porque nele nascera a Beata Teresa de Ourém.
     Não discordam eles enquanto ao lugar do nascimento e milagres que fizera, mas variam numa ou noutra circunstância. D. Tomaz da Encarnação nos diz, com exceção de todos os demais, que tão distinta e formosa beata viveu em Santarém, sendo depois criada do prior de Ourém; todos porém afirmam que Ourém, próspera e florescente, no reinado de D. Afonso III, mereceu a ventura de possuir em toda a sua vida a beata, e em especial a freguesia de S. João, uma das quatro que havia a esse tempo, empregando-se como criada do prior dela.
     As suas devoções e os milagres divulgados, lhe granjearam o nome de santa cuja opinião desfrutou ainda em sua vida, e, desde logo, falecendo em 3 de setembro de 1266, começou o culto com festa que anualmente lhe faziam os seus devotos conservando-se em caixa de prata a cabeça, e no altar a sua imagem que pelo terramoto ficou debaixo das ruínas da sé de Ourém.
     A relíquia conservada da santa é de admirável virtude contra as dores de ouvidos. A Beata Teresa se não habitava em Ourém o edifício que ainda serve de cadeia pública, e que tradicionalmente se tem chamado de casa de Santa Teresa, é contudo certo que a essa circunstância anda ligada a história interessante dos desgraçados que nela entraram.
     Querem alguns supor que na cadeia se empregaram os materiais da casa da beata, que antes vivera numa humilde habitação, construída dentro do castelo: seja porém o que for, é averiguado que antes que a ciência legisladora formalizasse em lei do país a abolição da pena morte, era constante que o desgraçado arremessado à cadeia de Ourém, por maiores que fossem os malefícios cometidos, nunca sofrera o infamante suplício a que a sentença os condenava! Parece que entre todas as maravilhas da Beata Teresa não é menos recomendável esta, poupando à humanidade mais alguns dos pavorosos espetáculos, convertida a sua casa num asilo da vida.
     Muitos escritores portugueses a recordam como uma pessoa penitente que teve o dom dos milagres. No tempo apropriado, como resultado do grande afluxo de fieis que lhe atribuíam um grande culto popular, o bispo aprovou o seu culto definindo-a como beata, decidindo que sua festa devia ser celebrada no aniversário de sua morte, isto é, 3 de setembro.
     A Beata é invocada como protetora contra as doenças do ouvido.

Fontes:
In: J. Elyseu, Esboço Histórico do concelho de Vila Nova de Ourém, 1868

sábado, 1 de setembro de 2018

Beata Joana Soderini de Florença, religiosa Serva de Maria – 1° de setembro

   
     Joana veio ao mundo no ano 1301, numa das primeiras famílias de Florença. Nem bem sua razão começou a desabrochar e já o seu maior prazer consistia em ouvir a narrativa dos mistérios da fé cristã, e em conversar sobre eles. Uma terna piedade lhe abrasava o coração. A Santa Virgem merecia-lhe particular devoção, honrou-a desde os mais ternos anos: todos os dias entoava-lhe louvores e dirigia-lhe fervorosas preces.
     Tendo Joana chegado ao conhecimento, de maneira sobrenatural, de que a sua governanta, chamada Felícia Tonia, morreria dentro de pouco tempo, preveniu a moça, e esta, submetendo-se resignadamente à vontade de Deus, se ocupou em procurar uma pessoa prudente capaz de substituí-la junto à aluna. Nessa intenção indicou a ilustre Juliana Falconieri, canonizada posteriormente.
     Muito repugnava aos pais de Joana a ideia de fazê-la ingressar num estabelecimento religioso, pois era a única filha do casal, e já cogitavam dá-la em casamento a um jovem florentino de classe igualmente elevada. Porém, quando a menina lhes contou que já escolhera Jesus Cristo para esposo, não ousaram opor-se ao desejo por ela manifestado. Apenas com doze anos de idade, a jovem serva de Deus colocou-se sob a disciplina de Santa Juliana e prazerosamente envergou o hábito religioso.
     Como Juliana Falconieri, Joana foi atraída pela vida penitente e evangélica dos Sete Santos Servos de Maria, que haviam deixado tudo retirando-se inicialmente na periferia de Florença, e em seguida instalando-se no Monte Senario para viver a serviço da Virgem Santíssima.
     Sob a direção de tão hábil mestra, não tardou em realizar grandes progressos nos caminhos da perfeição. Não satisfeita por haver renunciado ao mundo e a todas as vantagens temporais que nele poderia encontrar, desejou ligar-se a Deus por laços indissolúveis e pronunciou, diante do altar de Nossa Senhora da Anunciação, seu voto de castidade perpétua. Porém, persuadida de que essa virtude evangélica só através da mortificação e da prece perdura na alma, castigou o corpo durante a vida inteira com o jejum, as vigílias, o cilício, a disciplina e várias outras austeridades. Possuía tão grande humildade que encontrava prazer em executar as tarefas mais grosseiras da casa e em prestar às suas irmãs os serviços mais abjetos. Sua doçura, sua bondade, a alegria simples e natural que acompanhava seus atos de caridade, mereceram-lhe e conquistaram-lhe a afeição de todas suas companheiras.
      O demônio, invejoso de tão alta pureza e virtude, envidou os maiores esforços para triunfar da serva de Deus. Esta porém, cheia de confiança no auxílio do céu, resistiu tenazmente às mais difíceis e penosas tentações, suportou com paciência as mais mortificantes provações, e afinal saiu vitoriosa da luta que sustentara contra o inimigo. Para premiar a sua virtude, sem dúvida, o Senhor favoreceu-o com o dom da profecia. Joana fez várias predições cuja veracidade foi comprovada pelos acontecimentos.
     Como sua mestra, Joana era profundamente devota da Eucaristia, nutrindo-se diariamente do Pão dos Anjos e permanecendo muitas horas do dia e da noite diante de Jesus Sacramentado.
     Tendo chegado o tempo em que a sua bem-aventurada diretora, Santa Juliana Falconieri, deixaria a terra para reunir-se ao celeste esposo, Joana prodigalizou-lhe os mais assíduos e os caridosos cuidados; recebeu, em 1340, o seu último suspiro e foi a primeira a ver a imagem do Salvador miraculosamente impressa, como um sinete, no peito daquela ilustre virgem. Comunicou o prodígio às irmãs, que não se fartaram de admirá-lo. De tal modo a impressionou aquele favor celestial que redobrou de fervor e empenhou-se, durante os vinte e seis anos que ainda viveu, em imitar todas as virtudes de que a Santa Juliana lhe dera tão belos exemplos.
     Enfim, rica de merecimento e gasta pelas mais rigorosas penitências, entregou pacificamente a alma ao Criador, no dia 1º de setembro de 1367, alimentada pela Divina Eucaristia. Seu corpo foi transportado para a Igreja da Anunciação de Florença, assistida pelos servitas, e bem depressa se tornou objeto de veneração pública.
     Em virtude da insistente solicitação do Conde Lourenço Soderini, patrício romano que pertencia à mesma família da santa religiosa, o Papa Leão XII aprovou, no dia primeiro de outubro de 1828, o culto imemorial da bem-aventurada Joana.

(Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XV, p. 363 a 365)