sábado, 13 de outubro de 2018

Santa Celidônia de Subiaco, Solitária - 13 de outubro

Martirológio Romano: Perto de Subiaco, no Lácio, Itália, Santa Quelidonia ou Celidônia, virgem, que, como diz a tradição, durante cinquenta e oito anos levou vida solitária e austera, dedicada unicamente a Deus († 1152).

     Chelidonia em grego (chelidôn) significa "andorinha". Esta santa de nome original, e que não são muitas as pessoas que o têm, gostava da solidão: passou quase 60 anos nos montes Simbruini que rodeiam a cidade de Abruzzo, Itália.
     Ela nasceu em Cicoli, em Abruzzo, por volta de 1077, numa família do povo. Seu primeiro nome era aparentemente Cleridona ("dom da sorte"); após a Renascença, a partir de um afresco da caverna sagrada de Subiaco, começaram a usar Quelidonia.
     Por volta de 1092, ansiosa para se dedicar a Deus, ela deixou a casa da família e se retirou como eremita em uma caverna de Simbruini, duas milhas a nordeste de Subiaco. O lugar era e é conhecido como Mora Ferogna.
     Este lugar era então um itinerário importante para atingir a santidade, devido em parte a São Bento e sua imensa obra religiosa. Foi ali que ele se retirou pela primeira vez para levar uma vida de penitência e oração. Fundou doze eremitérios. Hoje só restou o de Santa Escolástica, irmã de São Bento.
     Celidônia viveu ali por quase 60 anos sozinha diante de Deus, jejuando e rezando, heroicamente suportando a inclemência das estações, dormindo sobre a rocha nua, desafiando a selvageria de lobos, alimentada pelas ofertas dos fiéis, logo atraídos pela fama de suas virtudes e de seus milagres, e às vezes sustentada milagrosamente por Deus.
     Uma vez apenas Celidônia interrompeu sua solidão, entre 1111 e 1122, numa peregrinação a Roma. Na volta, tomou o hábito de monja no mosteiro de Santa Escolástica. O que significa que o fez na comunidade feminina mais antiga do Ocidente. Na basílica de Santa Escolástica, no dia 12 de fevereiro, dia consagrado à irmã de São Bento, Celidônia recebeu o habito beneditino das mãos do Cardeal Conone, Bispo de Palestrina.
     Retomou em seguida sua vida eremítica, que não abandonou até a morte, na noite de 12 para 13 de outubro de 1152. Uma coluna luminosa foi vista então por numerosas testemunhas nos arredores de seu eremo. Também em Segni, onde se encontrava o Papa Eugênio III, o fenômeno foi observado. Foi este mesmo papa que elevou Celidônia às honras do altar.
     O corpo da santa foi transferido em seguida pelo Abade Simão, do Mosteiro de Santa Escolástica, e sepultado na capela de Santa Maria Nova. Mas, nove anos depois seus restos mortais foram transferidos para um local onde mais tarde o Abade Simão construiu um mosteiro de religiosas e uma capela dedicada a Santa Celidônia e a Santa Maria Madalena. O mosteiro aparece em um documento datado de 4 de outubro de 1187.
     Em 1578, como o mosteiro estava abandonado, o corpo da santa foi definitivamente transferido para o Mosteiro de Santa Escolástica pelo Abade Cirilo de Montefiascone, com festas soleníssimas que aparecem numa minuciosa redação. Na ocasião a biografia da santa, redigida por um anônimo contemporâneo de Celidônia e perdida mais tarde, foi reescrita numa forma mais elegante.
     A Sagrada Congregação dos Ritos proclamou-a patrona principal de Subiaco em 21 de outubro de 1695.
     Do ponto de vista folclórico, é interessante a procissão de 13 de outubro: ela sai da basílica de Santa Escolástica levando um relicário contendo o coração da santa, atinge um ponto de onde se vê Subiaco. Dali a cidade e o território abacial são abençoados com a relíquia; à noite, as pessoas que vivem aos pés do monte onde a santa viveu e morreu acendem luzes em torno do local para renovar a luz maravilhosa que o iluminou por ocasião de sua morte.
     Provavelmente nos nossos dias haveria menos estresses e infartos se muita gente dedicasse alguns dias ao que fez Celidônia. Seria a melhor terapia para todo aquele que sente necessidade de paz interior. E é um fato constatado que as hospedarias dos mosteiros estão o ano todo repletas de pessoas que buscam o silêncio.


Há também uma outra celidônia, uma planta medicinal conhecida como erva-andorinha, erva-das-verrugas ou ceruda. Esta planta medicinal apresenta talo ramificado e quebradiço, com flores amarelas, folhas grandes, alternadas e verde-escuras. A celidônia pode ser usada como remédio caseiro no tratamento de desconforto relacionado à vesícula biliar, mas também tem indicação para o tratamento de verrugas.



Este post apareceu neste blog em 12 de outubro de 2015

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil 12 de outubro



Consagração a Nossa Senhora


      Senhora Aparecida, eu renovo, neste momento, a minha consagração. Eu vos consagro os meus trabalhos, sofrimentos e alegrias, o meu corpo, a minha alma e toda a minha vida. Eu vos consagro a minha família! 
     Ó Senhora Aparecida, livrai-nos de todo o mal, das doenças e do pecado. Abençoai as nossas famílias, os doentes e as criancinhas. Abençoai a Santa Igreja, o Papa e os bispos, os sacerdotes e ministros, religiosos e leigos. Abençoai a nossa paróquia, o nosso pároco.
     Senhora Aparecida, lembrai-vos que sois Padroeira poderosa da nossa Pátria! Abençoai, protegei, salvai o vosso Brasil das garras do comunismo e de todo mal! E dai-nos a vossa bênção.

http://www.paroquiadesantana.com.br/site/index.php/noticias/185-rezemos-com-nossa-senhora-aparecida

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Santa Telquide (ou Teodequilda), Abadessa de Jouarre - 10 de outubro


Cripta: à direita túmulo com inscrição sobre a Santa
Martirológio Romano: No mosteiro de Jouarre, no território de Meaux, cerca do ano 670, na Nêustria, na hodierna França, Santa Telquide, abadessa, que sendo nobre de nascimento, ilustre pelos seus méritos e austera em seus costumes, ensinou as virgens consagradas a ir ao encontro de Cristo com as lâmpadas acesas.
     Santa Telquide foi a primeira abadessa do Mosteiro de Jouarre, na Champagne francesa. Ela repousa na magnifica cripta merovíngia daquele mosteiro que canta ainda hoje como ela a Glória de Deus.
     As primeiras monjas vieram, no ano de 630, da vizinha Abadia de Faremoutiers e se colocaram sob a Regra de São Columbano.
      A inscrição no túmulo nos diz: “De nobre origem, radiante de méritos, forte na sua conduta, ela brilhou por sua fé santa. Ela exulta na glória do Paraiso”.

Abadia de Nossa Senhora de Jouarre
     A fundação merovíngia da abadessa Teodequilda ou Telquide teve lugar, segundo a tradição, no ano 630, inspirada pela visita de São Columbano, o monge viajante irlandês que inspirou a construção de mosteiros no princípio do século VII.
     Como parte de sua herança celta, Jouarre foi estabelecido como um mosteiro duplo, isto é, uma comunidade de monges e monjas, sob o governo da abadessa, que em 1225 obteve imunidade de interferência pelo Bispo de Meaux, respondendo somente ao Papa.
     A cripta merovíngia sob a igreja abacial românica contém uma série de corpos encerrados em sarcófagos, especialmente do irmão de Telquide, Agilberto (m. 680), talhada com uma cena do Antigo Testamento e Cristo em Majestade, pontos de destaque da arquitetura pré-românica.
     Em meados do século IX, a abadia adquiriu as relíquias de São Potenciano; as relíquias reunidas em Jouarre atraiam peregrinos. A reputação da abadia era tão grande, que recebeu uma visita do Papa Inocêncio II em 1131 e albergou um sínodo em 1133. A submissão da abadessa ao Bispo de Meaux não aconteceu até que Bossuet desempenhou o posto em 1690.
     A abadia é um importante centro de peregrinação; foi construída uma cidade fortificada ao seu redor e isto deu lugar ao nascimento da atual cidade de Jouarre.
     Os edifícios atuais do mosteiro, novamente ocupado por monjas beneditinas, datam do século XVIII, com destaque para seu tradicional jardim de frutas e hortaliças.

Abadia de Jouarre, Meaux, França


terça-feira, 9 de outubro de 2018

Santa Públia de Antioquia, Abadessa - 9 de outubro


Martirológio Romano: Em Antioquia, na Síria, hoje Antakya, na Turquia, a comemoração de Santa Públia, que depois da morte do esposo entrou num mosteiro e, à passagem do imperador Juliano o Apóstata, cantando com as suas companheiras virgens as palavras do salmo “Os ídolos dos gentios são ouro e prata” e “Sejam como eles os que os fazem”, por ordem do imperador foi esbofeteada e asperamente repreendida. († c. 362)

    Públia era uma matrona síria que ingressou em um mosteiro após o falecimento de seu esposo. Ela reuniu em sua casa algumas virgens e viúvas para consagrar-se às práticas de piedade na vida em comum. Logo foi eleita abadessa do mosteiro.
     Em 362, o imperador Juliano, o Apóstata, (assim chamado porque depois de ser cristão voltou ao paganismo) passou por Antioquia em uma campanha contra a Pérsia. Ao passar diante da casa de Públia, Juliano ouviu estas mulheres cantar o Salmo 115: “Os ídolos dos gentios são de ouro e prata e estão feitos pela mão do homem; não têm boca e não podem falar”. “Que os que constroem os ídolos e todos os que põem confiança neles sejam como seus deuses”.
     Juliano tomou como uma alusão pessoal e mandou calá-las para que nunca mais fosse possível que cantassem. Públia respondeu por suas companheiras citando o Salmo 67: “Deus se levantará e destruirá seus inimigos”. Juliano mandou-a chamar e ordenou que fosse esbofeteada constantemente, até que as demais deixassem de cantar. Prometeu condená-las a morte quando voltasse da campanha da Pérsia, mas Juliano nunca voltou dessa campanha, e assim Públia e suas companheiras acabaram suas vidas em paz.
     Públia faleceu em 364. Alguns escritores (Tritenio ou Lezana) em seus escritos sobre a Ordem do Carmo a incluem como santa desta Ordem.
Fonte:
-"La leyenda de oro para cada día del año". Volumen 3. Pedro de Ribadaneira, Barcelona, 1866.

Quem foi Juliano, o Apóstata
    Flávio Claudio Juliano nasceu em Constantinopla em 331 ou 332. Era filho de Júlio Constâncio, (meio irmão do imperador Constantino I) e sua segunda esposa, Basilina. Seus avós paternos eram o imperador romano do Ocidente, Constâncio Cloro, e sua segunda esposa, Flávia Maximiana Teodora.
     Ainda criança, Juliano testemunhou o assassinato de sua família por seu primo, o imperador cristão Constâncio II em 337, quando este, após a morte de Constantino I, procurava eliminar possíveis rivais ao trono. Juliano e seu irmão Constâncio Galo viveram encerrados numa vila em Macellum, na Capadócia. Aí recebeu Juliano uma severa educação cristã, tendo sido até ordenado leitor (das Sagradas Escrituras). No entanto, continuou a ler apaixonadamente os autores clássicos pagãos, que sempre o fascinaram mais. Mais tarde, por volta de 350, encontramo-lo em Constantinopla e Nicomédia a estudar junto de filósofos neoplatônicos, como Máximo de Éfeso, que esteve por trás da sua conversão a uma forma mística de paganismo associada a magia. Durante mais ou menos 10 anos, Juliano ocultou esta sua conversão.
     Constâncio nomeou-o César em 355, quando foi chamado a Milão. Foi então enviado à Gália para conter as invasões de francos e alamanos, aonde foi vitorioso e restabeleceu a linha fronteiriça do Reno. Em 360, Constâncio decidiu retirar as melhores tropas de Juliano, deslocando-as ao oriente, para a campanha contra os persas. O descontentamento entre os militares foi grande. Com o início da marcha das tropas, nas imediações de Lutécia (atual Paris), elas se amotinaram e trataram de aclamar Juliano como Augusto. Constâncio recusou tal aclamação, o que fez com que Juliano marchasse contra ele em 361. Constâncio, então em Antióquia, decide contra-atacar, mas morre em Tarso, vítima de uma febre.
     Ao entrar em Constantinopla, Juliano logo impôs um programa de reformas. Livrou-se dos funcionários mais odiados de Constâncio e proclamou a liberdade de culto para cristãos e pagãos, reabilitando o clero que estava no exílio. Reduziu de forma drástica o pessoal do palácio imperial. Diminuiu alguns impostos e reforçou o controle das finanças públicas. 
     Em sua religião helenística, acolheu toda a cultura grega, tentando devolver à literatura pagã o seu conteúdo religioso. Cristãos como São Gregório de Nazianzeno indignaram-se com a medida. É verdade que houve um favorecimento dos pagãos, mas proibiu-se qualquer ação depreciativa contra os cristãos. Isso não impediu que Juliano atacasse duramente o cristianismo, como na sua obra Contra os Galileus.
Juliano, o Apóstata, e a Reconstrução do Templo de Jerusalém
      Juliano sabia que, segundo a predição de Jesus Cristo, não devia ficar pedra sobre pedra do edifício do templo, e quis dar um desmentido ao “Deus dos galileus”. Posto que não gostasse dos judeus, chamou-os para a obra e prodigalizou-lhes dinheiro e promessas. Encarregou o conde Alípio, um dos seus mais fiéis oficiais, de vigiar e apressar os trabalhos.
      Começaram por arrancar os antigos alicerces. O número dos operários era incalculável, e o seu ardor parecia que superaria todos os obstáculos. Contudo, São Cirilo, Bispo de Jerusalém, zombava de todos os seus esforços e dizia publicamente que era chegado o tempo em que se cumpririam literalmente os oráculos do Senhor: “Nem sequer porão uma pedra sobre outra” — repetia o santo prelado sem se perturbar. Efetivamente, tirados os velhos fundamentos, sobreveio um horrível terremoto, que encheu as escavações, dispersou os materiais amontoados, derrubou os edifícios vizinhos, matou ou feriu uma parte dos trabalhadores.
      Passados poucos dias, lançaram outra vez mão à obra. Mas imensos globos de fogo saíram das entranhas da terra, repeliram os materiais e devoraram os obreiros e as ferramentas. Este terrível fenômeno reproduziu-se várias vezes. O fogo só cessou de aparecer depois de abandonada a obra. Este fato é incontestável. Atestam-no São Cirilo, testemunha ocular, São Jerônimo, Santo Ambrósio, São Crisóstomo e São Gregório Nazianzeno, contemporâneos deste prodígio. Além desses, os historiadores Rufino, Sócrates, Sozomeno, Teodoreto, Zonoras, Epifânio, o diácono Nicéforo, Calixto, o ariano Filostorgo, o judeu David Gunzi, o rabino Gédaliah e o próprio Amiano Marcelino, pagão, amigo íntimo e zeloso defensor de Juliano.
      A este respeito, São Crisóstomo exclama: “Cristo edificou a sua Igreja sobre a pedra, e nada pôde derrubá-la. Ele derrubou o templo, e nada pôde reedificá-lo. Ninguém abate o que Deus eleva, nem eleva o que Deus abate”. Segundo a maior parte dos autores eclesiásticos, juntou-se um fogo vindo do céu às chamas saídas da terra, e apareceram cruzes luminosas nos ares, e até sobre a roupa dos trabalhadores. Tão extraordinário prodígio espantou todos os espectadores. Muitos judeus, e até idólatras, confessaram a divindade de Jesus Cristo e pediram o batismo.
      Deste modo, em lugar de destruir a profecia do Salvador, Juliano completou-a, tirando até a última pedra do templo de Jerusalém. Ele ficou confundido, mas nem por isso abriu os olhos à luz.
(Pe. Rivaux, “Tratado de História Eclesiástica” – Livraria Chardron, Porto, 1876, Tomo I, pp. 305-307).
Expedição de Juliano contra os persas
      Depois de magra refeição, Juliano sentou-se numa cama de campanha para redigir seu diário. Durante esse trabalho, viu ele aparecer a seu lado o gênio do império, o mesmo que já o tinha visitado no palácio de Lutécia (atual Paris) na noite em que as legiões gaulesas o tinham saudado com o título de Augusto. Desta vez o espectro estava vestido com um manto negro. Fitou longamente em Juliano um olhar tristonho e saiu da tenda sem pronunciar uma única palavra.
      O imperador saiu em disparada, aterrorizado, ao encalço do fantasma. Por causa de seus gritos, acorreram à sua tenda seus mágicos e sacerdotes pagãos habituais, tendo Máximo à frente. Tentaram tranquilizá-lo. Aconselharam-no a oferecer um sacrifício aos gênios protetores. À meia-noite, a vítima, uma novilha branca, foi levada para junto do altar. Mas no momento em que a faca do sacerdote lhe abria o pescoço, uma estrela que deslizava lentamente descreveu um arco no zênite, traçando um rastro de luz que se extinguiu repentinamente no horizonte. “É o deus Marte que se vinga de mim!” — exclamou Juliano.
      A última noite de Juliano, perturbada por essa série de presságios funestos, findou em consultas aos mágicos e sacerdotes. Os intérpretes oficiais da vontade dos deuses declararam unanimemente que esses fenômenos eram uma advertência do céu, e que se tornava necessário suspender todos os planos de ataque para o dia seguinte.
      Sob um sol tórrido, Juliano acabava de depor sua couraça quando um clamor intenso irrompeu em torno dele. Era o exército persa que, aproveitando a situação excepcional, invadia o acampamento. Sem se dar o tempo de revestir a armadura, Juliano monta a cavalo, voa até a retaguarda onde tinha lugar o ataque, e organiza a resistência. Alguns instantes depois, um grupo de arqueiros persas faz chover sobre o imperador e sua escolta uma saraivada de flechas. Uma delas, após arranhar o braço direito do imperador, vem enterrar-se-lhe no fígado.
      Diz Teodoreto que nesse momento Juliano levou a mão à ferida, recolheu o sangue que saía aos borbotões e o lançou ao céu, gritando: “Venceste, Galileu!

(Pe. J.E. Darras, “Histoire Generale de L’Église” – Ed. Louis Vivès, Paris, 1867, vol. 10)

Etimologia: Públia = forma feminina de Públio, “formoso, belo”.
Nome do general vencedor de Aníbal: Públio Cornélio Escipion.
Nome da Rainha de Aragão e Condessa de Barcelona (1136-1173)

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Santa Pelágia, virgem e mártir – 8 de outubro

   
     O Martirológio Romano apresenta-nos quatro santas com este nome. A primeira é uma jovem mártir de Antioquia, que se jogou da janela para evitar a perda da virgindade. São João Crisóstomo louva a sua coragem, dando origem a intermináveis discussões. O mesmo santo bispo narra as vicissitudes de uma célebre atriz, belíssima tanto quanto dissoluta que, depois da conversão, levou vida austera de penitência. Mas não diz seu nome. Assim, um autor desconhecido, que se nomeia Tiago, julgou bom dar-lhe o nome de Pelágia e escrever um longo relato sobre sua história. Narra que Pelágia mudou de vida, recebeu o batismo e se retirou para viver como eremita em uma cela escavada junto ao monte das Oliveiras. O pseudo-Tiago acrescenta que a mulher, para não ser objeto de desejos, travestiu-se de homem e viveu longamente em penitência, purificando-se, assim, dos passados desregramentos.

Retirado do livro ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora.


Pelágia, Virgem e Mártir
     Esta Pelágia, comemorada hoje, era uma jovem de quinze anos que no princípio da perseguição do imperador Diocleciano, em 302, acusada de cristã, viu um dia os soldados do perseguidor varejarem-lhe a casa dando-lhe voz de prisão. Como ela estava só em casa, ninguém podia vir em seu auxílio.
     Pelágia recebeu-os bem e quando se propuseram levá-la, pediu-lhes permissão para que fosse trocar de roupa. Dado o consentimento pelo chefe da escolta, Pelágia dirigiu-se ao quarto. Certamente por inspiração divina e desejosa de escapar dos ultrajes que a esperavam, infalíveis, e a temer pela virgindade que consagrara a Deus, não titubeou: ganhou o mais alto da casa em que vivia, em Antioquia, e de lá se atirou ao chão, falecendo quase que instantaneamente.
     Santo Ambrósio de Milão, no seu tratado Das Virgens, apresenta-nos esta Santa Pelágia como irmã das mártires Bernicéia e Prosdocéia. Santa Pelágia se ligou àquelas santas porque Bernicéia e Prosdocéia também tiraram suas vidas para escapar do horror. Presas, iam sendo levadas ao cárcere. Em dado momento, a meio caminho, quando chegaram perto dum rio, solicitaram licença aos soldados para afastarem-se um pouco, o que lhes foi concedido. Destarte, sem que pudessem ser impedidas, atiraram-se, de comum acordo, à correnteza.
     Pergunta-se: cometeram o suicídio? Sem sombra de dúvida. Todavia, foram honradas com um culto público, porque aquele tirar-se a vida foi considerado como um ato de obediência a Deus. Muitas santas virgens assim agiram, como vimos e veremos no transcorrer dos dias e dos meses.
     Digna de Aquiléia, depois de Átila sujeitar a cidade, coubera a um capitão como despojo, e ficaram alojados numa altíssima torre que se erguia à beira do rio Batizon. Disse a jovem ao capitão: – Se me queres lograr, segue-me. E, assim dizendo, do mais alto da torre atirou-se ao rio, onde se afogou. “Salvou com a morte a sua castidade”.


(Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVII, p. 421 a 423)

sábado, 6 de outubro de 2018

Santa Maria Francisca das Cinco Chagas, Virgem Terciária Franciscana, Mística e Estigmatizada - 6 de outubro

Em Nápoles, na Campânia, região da Itália, Santa Maria Francisca das Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo (Ana Maria Gallo), virgem da Terceira Ordem Secular de São Francisco, admirável pela paciência nas inúmeras e contínuas tribulações e adversidades, bem como pelas penitências e pelo amor de Deus e das almas.

     Ana Maria nasceu em Nápoles no dia da Anunciação, 25 de março de 1715, filha de Francisco Gallo e Bárbara Basini, comerciantes, porém, de condição modesta. Aos quatro anos pediu à mãe que a levasse à igreja para participar do Santo Sacrifício da Missa. Obteve também, nessa idade, o privilégio de poder confessar-se, embora tivesse que esperar até os sete anos para fazer a Primeira Comunhão. Depois disso, sua surpreendente maturidade levou o confessor a permitir-lhe comungar diariamente, privilégio muito raro na época.  Desde pequena mostrou tanta piedade e prática de virtudes, que foi chamada de "a santinha”.
     Assim que atingiu a adolescência, o pai colocou-a em sua pequena fábrica, onde já trabalhavam sua mãe e suas irmãs. Ana Maria soube conciliar o trabalho com a vida de piedade.
     Quando tinha apenas 16 anos, resolveu tornar-se terceira franciscana, mas para tanto precisava pedir autorização ao pai. Sua resolução foi um rude golpe para o avarento pai, que lhe preparava um casamento com um rico cavalheiro, pois tal união seria uma oportunidade de melhora da situação econômica da família.
     A partir de então o pai empregou todos os meios para demover a filha de seu intento, inclusive apelando para agressão física. Chegou a trancá-la em um quarto da casa por vários dias, dando-lhe apenas pão e água como alimento. A intervenção de um religioso muito respeitável levou Francisco a dar-lhe a autorização solicitada.
     Assim tornou-se ela terceira franciscana, seguindo a Regra e a orientação dos frades menores, que tinham o convento de Santa Lucia do Monte em São João José da Cruz. Ana Maria foi admitida na Ordem Terceira de São Francisco, na reforma de São Pedro de Alcântara, em 1731, escolhendo os nomes de Maria, por devoção à Nossa Senhora, Francisca, por devoção a São Francisco, e das Cinco Chagas, por devoção à sagrada Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Permaneceu no mundo, porém, viveu na mais perfeita observância da severa Regra Franciscana, submetendo seu corpo, já cansado por um contínuo trabalho, a flagelações, vigílias e cilícios.
     Tendo sua mãe falecido, o pai, desejoso de casar-se novamente, quis pôr sobre seus ombros o sustento e o cuidado da família, que constava então de quatro pessoas para alimentar e vestir. Com dificuldade, a santa livrou-se desse encargo, alegando sua má saúde. No entanto, o avarento pai passou a cobrar-lhe o aluguel do pequeno cômodo que ocupava na casa, sendo ela obrigada a recorrer a seus benfeitores para pagá-lo e assim atender a sua família.
     Êxtases, transes, arroubos místicos, profecia, eram para ela situações vulgares. Vivia já das coisas sobrenaturais, incompreendida, perseguida, tratada como visionária foi submetida a exames por parte das autoridades eclesiásticas. Em 7 anos de duro martírio suportou tudo com inalterada mansidão.
     Nos últimos anos da sua vida, estava impedida de participar da Santa Missa, por causa de uma grave doença que a mantinha acamada. Muitos sacerdotes, principalmente o religioso barnabita, padre Bianchi, viam que durante a Missa desaparecia um pedaço da Hóstia Magna consagrada e um pouco de vinho consagrado. Era o Anjo da Guarda da Santa que levava a Comunhão à religiosa.
     Para Santa Maria Francisca das Cinco Chagas era a Comunhão Espiritual o único alívio para a dor aguda que sentia, quando ficava fechada em casa, longe do seu Amor, especialmente quando não lhe era permitido fazer a Comunhão Sacramental. Então, ela subia ao terraço da casa e, olhando para a Igreja, suspirava entre lágrimas: “Felizes aqueles que hoje Te puderam receber no Sacramento, ó Jesus! Felizes os Sacerdotes que estão sempre perto do Amabilíssimo Jesus!” E assim só a Comunhão Espiritual podia tranquilizá-la um pouco.
     Em 1763, Santa Maria Francisca conheceu, por revelação divina, que o reino de Nápoles seria desolado por uma grande fome seguida por terrível epidemia. Ela mesma foi atingida pela enfermidade chegando às portas da morte, tendo recebido os últimos Sacramentos.
     Assistida por muitos religiosos fiéis, fortalecida pela Eucaristia, morreu serenamente no seu quarto no dia 6 de outubro de 1791, aos 76 anos. Seu corpo foi sepultado na igreja de Santa Luzia do Monte, onde é venerado, incorrupto, ao lado do túmulo de São João José da Cruz.
     Foi canonizada pelo Papa Pio IX a 29 de junho de 1867. 

Fontes: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

São Manuel Rodrigues de Moura e esposa, mártires de Cunhaú, RN - 3 de outubro


Martirológio Romano: Na margem do Rio Uruaçu perto de Natal, no Brasil, Beato Ambrósio Francisco Ferro, sacerdote e companheiros mártires, vítimas da repressão perpetrada contra a fé católica.

O contexto histórico
     A evangelização no Rio Grande do Norte foi iniciada em 1597 por missionários jesuítas e sacerdotes diocesanos vindos do católico Portugal, começando com a catequese dos índios e pela formação das primeiras comunidades cristãs.
     Nos anos seguintes houve desembarques de franceses e holandeses, com a intenção de expulsar dos locais colonizados os portugueses: os holandeses conseguiram em 1630. De confissão calvinista, acompanhados por seus pastores, eles determinaram na área, até então pacífica, uma restrição da liberdade de culto. Na prática, os católicos foram perseguidos.
     Na época, havia apenas duas paróquias no Rio Grande do Norte: em Cunhaú, a paróquia de Nossa Senhora da Purificação ou das Candeias, liderada pelo pároco Pe. André de Soveral, membro da Companhia de Jesus; em Natal, a paróquia de Nossa Senhora da Apresentação, cujo pároco era o Pe. Ambrósio Francisco Ferro.

O martírio de Manuel Rodrigues de Moura e sua esposa
     Ambas as paróquias foram vítimas de graves perseguições religiosas calvinistas: os fiéis de Cunhaú foram massacrados em 16 de julho de 1645, juntamente com seu pároco.
     Pressionados pelo acontecido em Cunhaú, os católicos de Natal tentaram se salvar. Um grupo de 80 pessoas improvisou uma paliçada no território de Potengi (hoje São Gonçalo do Amarante), a 25 quilômetros de Fortaleza. Foi inútil: homens, mulheres e crianças foram enviados pelas autoridades holandesas para um local estabelecido em Uruaçu, próximo ao rio homônimo
    No dia 3 de outubro de 1645 foram mortos por soldados e cerca de 200 índios comandados pelo líder indígena Antonio Paraopaba, que tendo se convertido ao protestantismo calvinista, nutria uma verdadeira aversão dos católicos.
     Entre as vítimas do massacre também se encontrava um casal. Dos dois temos apenas o nome dele, Manuel Rodrigues de Moura. Após a morte do marido, a mulher, que o acompanhava, teve mãos e pés amputados. Ela morreu ao lado do esposo, após três dias de agonia.

O caminho para os altares
     A autorização para o início de sua causa, incluindo as vítimas de Cunhaú e de Natal, tem data de 6 de junho de 1989. A fase diocesana foi então aberta na diocese de Natal no mesmo ano e terminou em 1994. Em 25 de novembro de 1994 chegou o decreto de validação do inquérito diocesano.
     Em 28 de outubro de 1997 ocorreu o encontro dos Consultores históricos da Congregação para as Causas dos Santos, seguido em 1998 pela entrega da "Positio super martyrio". Em 23 de junho do mesmo ano, os consultores teológicos deram uma opinião favorável sobre o martírio dos 30 brasileiros; seu julgamento positivo foi confirmado em 10 de novembro pelos cardeais e bispos membros da Congregação.
     Em 21 de dezembro de 1998, o Papa autorizou a promulgação do decreto pelo qual o Pe. André de Soveral e seus companheiros foram declarados mártires; eles foram beatificados em 5 de março de 2000.
     A 23 de março de 2017 o Papa Francisco aprovou os votos da Sessão Ordinária dos Cardeais e Bispos membros da Congregação para as Causas dos Santos sobre a sua canonização, sem mais um milagre; a canonização foi celebrada em 15 de outubro de 2017.
     Como resultado, Manuel Rodrigues de Moura e sua esposa é o segundo casal canonizado juntos, bem como o primeiro em que ambos são mártires e santos.

Os mártires
     A história do grupo é contada no livro "Beato Mateus Moreira e seus Companheiros Mártires", do Mons. Francisco de Assis Pereira.
    Nele o autor relata que no dia 16 de julho de 1645, na então cidade de Cunhaú (em Canguaretama), 69 pessoas foram assassinadas durante uma missa celebrada pelo Pe. André de Soveral. Já no dia 3 de outubro daquele mesmo ano, outro grupo de católicos foi assassinado durante uma Missa em Natal, na capital do Estado. De lá, o sacerdote Ambrósio Francisco Ferro foi levado para a cidade de Uruaçu (em São Gonçalo do Amarante) e assassinado junto a outros 80 fiéis.
     De acordo com Mons. Pereira, todos foram mortos porque os holandeses não aceitavam a prática do Catolicismo nas áreas por eles dominadas. Ainda segundo o relato do autor da obra, um dos camponeses mortos, chamado de Mateus Moreira, repetia a frase "Louvado seja o Santíssimo Sacramento" antes de ter seu coração arrancado.
     Além de Moreira, os 27 leigos que foram canonizados são Antônio Vilela Cid, Antônio Vilela e sua filha (identificada apenas como uma criança do sexo feminino), Estêvão Machado de Miranda e duas filhas (também não identificadas por nome, mas uma delas tinha apenas alguns meses), Manoel Rodrigues de Moura e sua esposa (também não identificada por nome), João Lostau Navarro, José do Porto, Francisco de Bastos, Diogo Pereira, Vicente de Souza Pereira, Francisco Mendes Pereira, João da Silveira, Simão Correia, João Martins e seus sete companheiros (identificados apenas como um grupo de jovens que se recusaram a lutar pela Holanda contra Portugal), a filha de Francisco Dias - apesar do nome de Francisco não estar entre as vítimas, é provável que ele tenha morrido junto à filha identificada apenas como uma criança -, Antônio Baracho e Domingos de Carvalho. As causas das mortes dos mártires foram diversas, sendo alguns assassinados por espadas, outros por espancamento e mutilações e alguns tendo sido queimados vivos.

Fontes: