terça-feira, 30 de outubro de 2018

VÉSPERAS DE TODOS OS SANTOS E HALLOWEEN

Reproduzimos a seguir um artigo sobre o Halloween que traz luzes interessantes sobre o assunto 

O guia definitivo do Halloween para católicos (não, não é compatível)
Redação da Aleteia | Out 29, 2018 
Das origens (fascinantes) dessa popular festividade, passando pela sua ruptura prática com a fé cristã até chegar à alternativa católica segura: o "Holywins".
    Todos os anos, no final de outubro, ressurge em diversos ambientes católicos o debate sobre a compatibilidade ou não entre a fé cristã e o “Dia das Bruxas”, cada vez mais conhecido no Brasil pelo nome importado: “Halloween”.
     A resposta para esse falso dilema se torna clara quando se levam em conta os fatos históricos e objetivos ligados ao surgimento, desenvolvimento, situação atual e conexões culturais dessa festividade folclórica (diga-se de passagem, aliás, a desconsideração dos fatos históricos e objetivos impede respostas claras seja qual for o assunto).
     É com base nos fatos, portanto, que podemos concluir de modo equilibrado que o Halloween pode até ter tido alguma relação de compatibilidade com a fé cristã nos seus inícios, mas esta não é mais a realidade dessa festividade há muito tempo.

PARTE 1: As origens do Halloween
     O Halloween foi surgindo ao longo do tempo como a mistura resultante de heranças pagãs do norte europeu com práticas medievais de piedade popular católica desenvolvidas em diferentes contextos, principalmente na Irlanda, na França e na Inglaterra, e levadas por comunidades imigrantes até os Estados Unidos, onde as atuais tradições de 31 de outubro se consolidaram e foram “exportadas” para dezenas de outros países.
O ELEMENTO PAGÃO
     Os antigos celtas da Irlanda e da Grã-Bretanha comemoravam um festival pagão menor no último dia de cada mês. No caso do último dia de outubro, segundo alguns autores, seriam feitos sacrifícios ao deus da morte, Samhain, para propiciar um bom inverno (no hemisfério norte). Esta versão, no entanto, não é consenso entre os estudiosos.
     O que se aceita mais comumente é que viria a ocorrer, sim, um sincretismo entre o festival pagão que costumava realizar-se no fim de outubro e a data cristã de Todos os Santos, que, aliás, está na raiz do próprio termo inglês “Halloween”: a palavra vem de “All Hallows’ Eve”, ou seja, “Véspera de Todos os Santos”.
O ELEMENTO CRISTÃO
     A festa de Todos os Santos era antigamente comemorada em 13 de maio, mas o Papa Gregório III a mudou para 1º de novembro no século VIII – porque esse é o dia da dedicação da Capela de Todos os Santos na basílica vaticana de São Pedro. Alguns anos mais tarde, o Papa Gregório IV ordenou que a festa de Todos os Santos fosse observada em todos os lugares da cristandade. Foi assim que ela começou a ser celebrada na Irlanda, ainda influenciada por tradições pagãs celtas.
     Passadas mais algumas décadas, o abade Santo Odilo, do poderoso mosteiro de Cluny, no sul da França, instituiu no ano de 998 uma nova celebração para o dia 2 de novembro: aquela passaria a ser uma jornada de oração pelas almas de todos os fiéis falecidos.
     A Igreja passou então a ter duas datas especiais consecutivas dedicadas à lembrança dos que já partiram desta vida: uma, em 1º de novembro, para recordar todos os mortos que já estão nos céus (e que por isso mesmo são reconhecidos como santos); a outra, em 2 de novembro, para recordar também os mortos que ainda podem estar no purgatório.
     E quanto aos mortos que foram para o inferno? A pergunta soa absurda, mas parece que os camponeses católicos irlandeses começaram a se questionar exatamente isso: por que ninguém se lembra das almas infelizes que estão no inferno?
DA IRLANDA: TRÊS DATAS PARA OS MORTOS
     Povoados irlandeses começaram então a bater panelas pelas ruas na véspera de Todos os Santos – a já mencionada “All Hallows’ Eve”. A proposta era que as almas condenadas “soubessem” que não tinham sido esquecidas. Foi assim que, pelo menos na Irlanda, todos os mortos passaram a ser lembrados – muito embora o clero não avalizasse as celebrações populares da véspera de Todos os Santos porque, obviamente, não seria possível oficializar no calendário da Igreja um “Dia de Todos os Condenados”: não há como festejar a condenação de uma alma, nem como homenagear as almas que, consciente e voluntariamente, optaram por se afastar de Deus eternamente e, por conseguinte, se condenaram ao inferno.
     Vale lembrar, aqui, que não é Deus quem as condena: Ele apenas respeita a tal ponto a liberdade de escolha do ser humano que, mesmo a Seu pesar, permite que uma alma decida rejeitá-lo de forma completa.
DA FRANÇA: AS “DANÇAS MACABRAS”  
   Os séculos XIV e XV foram marcados, na Europa, por repetidos surtos de peste bubônica, a famigerada “Peste Negra”. Com mortes massivas que chegaram a varrer o incrível número de mais de um terço da população do continente, cada vez mais missas eram rezadas no Dia de Finados. Nesse contexto, começaram a se popularizar na França as representações artísticas que hoje conhecemos como “Danças Macabras” ou “Danças da Morte“: comumente pintadas em muros de cemitérios, as cenas mostravam o diabo conduzindo uma fila de pessoas, incluindo papas, reis, damas, cavaleiros, monges, camponeses, leprosos, etc., para dentro do túmulo. Essa dança era às vezes apresentada teatralmente no Dia de Finados, com pessoas vestidas em trajes que representavam os vários estados de vida medievais.
     Os franceses se fantasiavam desse jeito no dia de Finados – e não na véspera de Todos os Santos, que é a data do atual Halloween. Já os irlandeses celebravam a véspera de Todos os Santos (“All Hallows’ Eve”) – mas não se fantasiavam. Mais tarde, como logo veremos, essas duas tradições se misturaram. E não só elas: ainda entraria em cena a “contribuição” de um terceiro povo, o inglês.
DA INGLATERRA: O “TRICK OR TREAT
     Durante o período de repressão anticatólica na Inglaterra, entre os séculos XVI e XVIII, os católicos não tinham direitos legais por lá: não podiam ocupar cargos, eram sujeitos a multas, sofriam prisão e pagavam pesados ​​impostos. Era crime celebrar a missa e centenas de sacerdotes foram martirizados. Um dos atos de resistência dos católicos ingleses foi bastante desastrado: um complô para explodir o rei protestante James I e o parlamento inteiro em Londres. A mal concebida “Conspiração da Pólvora” foi frustrada em 5 de novembro de 1605, quando o homem que guardava a pólvora, um imprudente convertido chamado Guy Fawkes, foi capturado e enforcado, levando a trama ao fracasso.
     Essa data se tornou conhecida como o Dia de Guy Fawkes e virou na Inglaterra uma celebração em que foliões mascarados batiam à porta dos católicos locais, de madrugada, exigindo cerveja e bolos para fazerem a sua festa. Era o nascimento do desafio “trick or treat” (“brincadeira ou acordo”): ou os católicos entregavam o que os foliões pediam, ou os foliões aprontariam com eles alguma brincadeira nem sempre de bom gosto…
AS TRADIÇÕES SE MISTURAM NA AMÉRICA DO NORTE
     O encontro das tradições irlandesas, francesas e inglesas aconteceu nas colônias britânicas da América do Norte durante o século XVIII. Imigrantes católicos irlandeses e franceses começaram a se casar entre si e, com isso, a misturar suas tradições: os irlandeses trouxeram o costume de recordar, na véspera de todos os santos, as almas condenadas ao inferno; os franceses, o costume de usar fantasias macabras no dia de finados. Não tardaria para que as duas celebrações se fundissem.
     Já os ingleses agregaram à mistura a sua brincadeira do “trick or treat”, que se estendeu às crianças: elas passaram a sair fantasiadas (inclusive de seres monstruosos) e a bater à porta dos outros pedindo doces. Se os donos da casa dão as guloseimas solicitadas, tudo bem; se não dão, as crianças já avisaram: vão aprontar alguma. É por isso que, em português, a frase “trick or treat” (“brincadeira ou acordo”) foi adaptada para a rima “gostosuras ou travessuras”.
E AS ABÓBORAS E BRUXAS?
     Um dos acréscimos norte-americanos mais recentes ao Halloween chegou por intermédio da indústria dos cartões festivos, no final do século XIX. O Halloween já tinha a sua faceta “macabra”: por que, então, não dar às bruxas um lugar de destaque nos cartões a serem distribuídos aos amigos nessa data?
     Os cartões de Halloween não deram certo, mas as bruxas sim. Foi por isso que, também no final dos anos 1800, os folcloristas mal informados introduziram nessa mistura de tradições o “jack-o’-lantern”, ou seja, as abóboras iluminadas com uma vela. Apelando para descontextualizadas origens druidas do Halloween, eles resgataram as luminárias dos antigos festivais celtas de colheita – que, aliás, eram feitas originalmente de nabos, não de abóboras.
O HALLOWEEN CHEGA À AMÉRICA LATINA
     Os países latino-americanos pegaram o bonde andando e ficaram só com a parte mais tardia da celebração popular, traduzindo o nome da festa, em geral, como “Dia das Bruxas” – e negligenciando toda a história da Véspera de Todos os Santos.
     Este é o caso, por exemplo, do Brasil, onde o “Dia das Bruxas” tem se tornado mais popular nos últimos anos, em algumas regiões, principalmente por influência das escolas de idiomas que o adotaram entre as suas atividades. “Curiosamente”, porém, outra data de grande popularidade nos Estados Unidos, o Dia de Ação de Graças, não ganhou o mesmo tratamento.

PARTE 2: Há perigos espirituais no Halloween?
     O pe. Aldo Buonaiuto, da Comunidade Papa João XXIII, é exorcista e coordenador de um serviço de ajuda a vítimas do ocultismo em seu país, a Itália. Todos os meses de outubro, segundo o pe. Aldo, a linha 0800 deste serviço toca sem parar. Ele mesmo explica, resumidamente: das brincadeiras do Halloween para o ocultismo há somente um pequeno passo.
     Em 2015, o pe. Aldo lançou na Itália o livro “Halloween: Lo scherzetto del diavolo” (A brincadeira do diabo – título livremente traduzido, dado que a obra ainda não está disponível em português). O texto examina aspectos históricos e sociológicos desse fenômeno dito cultural.
     Eis um depoimento do sacerdote:
     “Ligou uma mãe desesperada, que tinha descoberto as mentiras do filho, um rapaz excelente, sincero, que, de repente, mudou de círculo de amizades. Ela descobriu que o rapaz tinha profanado um cemitério… Eu falei com o rapaz. ‘Por que você fez isso?’ E a primeira palavra foi ‘Halloween’. Chorando, ele me falou da forte persuasão dos novos amigos. No começo parecia tudo uma brincadeira, um jogo. Depois, ele descobriu que eles estavam agindo a sério; que todos eles acreditavam mesmo naquilo que estavam fazendo. E ele não conseguia se livrar deles”.
    O episódio, quase banal, aponta que é fácil entrar nesses circuitos – mas, “especialmente para um jovem, não é fácil sair deles: por vergonha, por medo e por tantas dinâmicas típicas dessa idade”.
     O padre italiano não está sozinho no propósito de alertar para os riscos daquilo que parece mera brincadeira. Mesmo da curiosidade inócua partem consequências que podem não ser previstas, mas das quais existe farta documentação.

(continua)

Fonte: https://pt.aleteia.org/

sábado, 27 de outubro de 2018

Santos Vicente, Sabina e Cristeta, irmãos e mártires – 27 de outubro

    
     No início do século IV, os irmãos Vicente, Sabina e Cristeta sofreram o martírio por negarem-se a assinar um documento no qual deviam reconhecer que tinham oferecido sacrifícios aos deuses romanos, segundo estabelecia o quarto edito da perseguição.
     Durante o reinado de Diocleciano e Maximiano o pretor Públio Daciano foi o responsável pela grande perseguição aos cristãos na Península Ibérica, com o objetivo de extinguir a religião. Segundo registros, a chegada de Daciano a Barcelona ocorreu em julho de 304. A perseguição na Espanha e em Portugal aconteceu à medida em que o pretor empreendia suas viagens por estes territórios.
     A fonte que narra a vida destes irmãos é o hino Huc vos gratifice, anterior ao século IX, atribuído à época dos visigodos, que contém relatos anteriores à invasão muçulmana na Península Ibérica. O hino era cantado em Ávila, elogiava o martírio, mas não contava os feitos dos irmãos. A hagiografia provém destes textos.
     Segundo a tradição, os irmãos Vicente, Sabina e Cristeta nasceram em Ébora de Carpetânia (atual Talavera de la Reina, município da província de Toledo). É comum associar Ébora a Évora, Portugal. Por este motivo, são também conhecidos como os mártires de Évora.
     Educado na fé cristã, o jovem Vicente vivia uma vida virtuosa. Praticava o culto cristão apesar das proibições. Por este motivo, foi delatado para Daciano. Este ordena que o coloquem diante de uma estátua de Júpiter para obrigá-lo a prestar o culto imperial. Os guardas levam-no de casa com este objetivo, porém, segundo a tradição, no caminho ocorre um prodígio: uma pedra amolece, prendendo os pés e o báculo de Vicente. Diante disto, os guardas o deixam.
     Ao retornar para casa, Vicente foge com suas irmãs Sabina e Cristeta através da serra que hoje tem seu nome. Daciano ordena sua busca. Os três foram capturados perto de Ávila. Por recusarem o culto aos deuses imperiais, foram cruelmente chicoteados, espancados e esmagados com pedras. E então, em vez de deixar uma impressão na pedra, Vicente deixou uma grande impressão em toda a Espanha.
     Ele é mostrado com suas duas irmãs, todos sendo torturados e desmembrados na roda. Seus corpos foram depositados num buraco de uma rocha. Posteriormente uma igreja em honra destes mártires foi construída sobre o local (a rocha é a que se pode contemplar na capela direita da cripta).
     As relíquias foram transladadas para o Mosteiro de São Pedro de Arlanza por ordem do Rei Fernando I de Leão e Castela no ano de 1062, porque a Igreja de São Vicente estava bastante abandonada e havia o risco de perderem-se os santos despojos. 
     Mais tarde houve um novo translado, em 1835, para a Colegiata de São Cosme e São Damião de Covarrubias, de onde passaram a capela das relíquias da Catedral de Burgos, até seu último translado ao seu primeiro lugar de veneração, a Basílica de São Vicente de Ávila, dentro de umas urnas colocadas no altar mor.
     Na Basílica de São Vicente de Ávila se encontra o monumento fúnebre erigido em memória dos Santos Mártires, em estilo românico, cujo autor é o mestre Fruchel (ou Eruchel). Nele consta cenas da perseguição de Daciano, a prisão de São Vicente, a visita das irmãs na prisão, a fuga dos irmãos e finalmente sua execução.

Fontes:
Teulón, J.L.: Santos Mártires de Talavera: Vicente, Sabina y Cristeta, acessada em 22 de agosto de 2016

 
Monumento Fúnebre na Basílica de S Vicente de Ávila


Em 26 de outubro de 2011 este blog publicou texto similar

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Santas Daria e Derbilia de Connaught, virgens – 25 de outubro


Cruz Celta
     A mesma fonte que nos traz os dados de São Cormac, informa que Derbilia pertencia, como também Daria, à estirpe real dos Fiachra, que floresceu do século V em diante, e à qual pertenceram muitos reis do Connaught e muitos santos da Igreja.
    Destas santas não se tem maiores informações do que estas. Pode-se supor que esta Derbilia é a mesma Derbilia de Arras, que acompanhou São Columbano e a qual os Bolandistas se referem brevemente no dia 3 de agosto.
     É muito difícil obter dados destes santos que viveram há tantos séculos, que as intempéries naturais e ocasionais guerras e invasões apagaram os vestígios. Podemos especular que estas jovens virgens tenham sido discípulas de São Cormac, ou São Columbano por consequência, já que o primeiro foi discípulo do segundo.
     Daria e Derbilia são recordadas em 25 ou 26 de outubro.
     São Cormac, Abade, foi um santo irlandês século VI. Desde a sua juventude ele seguiu
uma vida monástica e acabou se tornando um discípulo de São Columbano. Anos depois tornou-se Abade de Dearmagh, agora conhecido como Durrow, no condado de King. Ele renunciou a esta função para se entregar à vida missionária. Ele sempre foi de natureza corajosa e empreendedora, e mais de uma vez em sua carreira missionária seu zelo levou-o a aventurar-se em alto mar, em busca de alguma terra pagã onde pudesse pregar a Fé, ou de alguma região desértica onde ele pudesse viver em comunhão mais próxima com Deus.
     Em uma de suas viagens ele visitou São Columbano em Iona, e depois navegou até Orkneys, onde o povo pagão estava disposto a matá-lo. Mas um dos chefes havia muito antes prometido solenemente a São Columbano, que tinha tido uma revelação sobre a chegada de Cormac às ilhas e a ameaça de sua morte, para que nenhum dano lhe acontecesse em Orkneys. Esta intervenção foi bem-sucedida.
     Nem o local nem a hora da morte de Saint Cormac são conhecidos com alguma certeza, mas uma antiga tradição irlandesa afirma que ele retornou a Durrow e foi enterrado lá.
     Ainda existe um fragmento da "Crozier de Durrow", que é considerada a mais antiga relíquia de seu tipo agora existente. Acredita-se que tenha pertencido ao fundador de Durrow, o grande Columbano, e ter sido dado por ele a seu discípulo, Cormac.


Etimologia:
Daria = que mantém o bem, do persa
Derbilia = nome de mulher de origem étnica, significa “oriunda de Derbe”, cidade da Licaonia

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Santa Fridesvida de Oxford, Abadessa – 19 de outubro

        

   Esta santa, também conhecida como Frithuswith, nasceu no Reino da Mércia, tradicionalmente em Oxford, mas talvez em Didcot. Era de nobre nascimento, nobreza de raça bem como de sentimentos: o pai dela, Dida de Eynsham, pequeno rei de uma região, que contribuiu muito para a expansão do monasticismo em seu reino construindo muitas igrejas de abadias. De acordo com sua esposa, Safrida, ele deixou a pequena aos cuidados de uma mulher santa chamado Aelfgith que cresceu com o lema "O que não é Deus não é nada", inclinando-a assim firmemente à vida espiritual. O pai mandou construir uma igreja para ela com um mosteiro adjacente onde a santa tomou o véu com 12 companheiras; em torno da abadia surgiu um conglomerado urbano e nela a Santa se retirou, levando uma vida de caridade e de amor pela reclusão.
     A história diz que o Conde de Leicester, Ælfgar se apaixonou por ela, por sua beleza, mas também visando sua riqueza, desejou casar-se com ela, mas tendo sido rejeitado, planejou sequestrá-la. O plano foi descoberto pelos espiões de seu pai, e a santa teve que fugir. Com duas companheiras, encontrou um barco conduzido por um jovem que era um anjo, que conduziu as três pelo rio Abingdon até chegar a um local desconhecido, às vezes identificado como Bampton (Oxfordshire) outra vezes como Frilsham (Berkshire).
    Ali ela permaneceu por três anos em um abrigo de porcos, alimentando-se de bolotas e bebendo a água de uma fonte que apareceu atendendo suas orações. O pretendente não desistiu e começou a procurá-la, finalmente cercando Oxford. Aqui, há duas tradições distintas: a primeira afirma que saltando as muralhas da cidade o príncipe foi acometido de cegueira súbita, tendo a Santa se colocado sob à proteção das Santas Catarina e Cecília.
     Segundo outra versão, o povo de Oxford, com medo, revelou o seu refúgio e ficaram cegos antes do príncipe, depois ficou ele mesmo. Por essa razão, durante séculos, os reis da Inglaterra foram proibidos de entrar em Oxford, até Henrique III, que quebrou a tradição e muitos atribuem a este ato os desastres que o atingiram mais tarde.
     Voltando aos acontecimentos relacionados à Santa, o príncipe recuperou-se pela intercessão da própria Fridesvida, depois de ter manifestado arrependimento. Outros milagres desta Santa são narrados, como, por exemplo, ter curado um leproso com um beijo casto em seu retorno a Oxford. De volta ao seu convento, a Santa reuniu em torno de si numerosos monges e monjas anglo-saxões, o que deu origem a um mosteiro duplo de alguma importância tanto para a vida religiosa como administrativa, tanto que alguns acreditam que ali foi lançada a origem da Universidade de Oxford, da qual a Santa é protetora, bem como da cidade.
     Conta-se que as monjas de Binsey se queixavam de ter que ir buscar água no distante Rio Tâmisa, então Fridesvida rezou a Deus e uma fonte brotou. Um poço foi feito e a água do poço tinha propriedades curativas e muitas pessoas iam procurá-la. Este poço ainda pode ser encontrado hoje na Igreja de Santa Margarida em Binsey, a poucos quilômetros de Oxford.
     Santa Fridesvida morreu no ano 735 no eremitério de Binsey, onde ela havia se retirado nos últimos anos de sua vida. Enterrada na capela do seu mosteiro, mais tarde transformada na Catedral de Oxford, depois de vários eventos e transladações, seu relicário foi definitivamente destruído pelo protestante calvinista em 1561.

Priorado de Santa Fridesvida, Oxford
     O priorado de Sta. Fridesvida, uma construção medieval agostiniana (alguns dos edifícios dos quais foram incorporados à Igreja de Cristo, Oxford após a dissolução dos mosteiros) é reivindicado como o local de sua abadia e relíquias. Desde cedo, a abadia parece ter sido uma importante proprietária de terras na área. No entanto, foi destruído em 1002 durante os eventos do massacre de St. Brice's Day. Um relicário foi mantido na abadia em honra de Fridesvida; mais tarde, um mosteiro foi construído para os cânones agostinianos.
    Autoridade sobre o assunto, o Dr. John Blair, do Queen's College, em Oxford, acredita que a Catedral da Igreja de Cristo foi construída no local de sua igreja saxônica.
     Em 1180, o arcebispo de Canterbury, Richard de Dover, transladou os restos mortais de Fridesvida para a nova igreja do mosteiro, evento que contou com a presença do rei Henrique II da Inglaterra.
     A história posterior do mosteiro foi difícil; o santuário foi repetidamente vandalizado durante a dissolução dos mosteiros no reinado de Henrique IV. Em 1546 a igreja do mosteiro tornou-se (e ainda permanece) a igreja da catedral para a diocese de Oxford. Seu relicário foi reintegrado pela Rainha Maria em 1558, mas mais tarde foi profanado por James Calfhill, o cônego calvinista da igreja, que estava decidido a suprimir seu culto. Como resultado, os restos mortais de Fridesvida foram misturados com os de Catherine Dammartin, esposa de Peter Martyr Vermigli, e permanecem assim até hoje.
Na tradição moderna
     Fridesvida é a santa padroeira de Oxford e da Universidade de Oxford, declarada pelo arcebispo de Canterbury Henry Chichele em 1440. Seu dia de festa é 19 de outubro, o dia tradicional de sua morte; a data de sua transladação também é comemorada em 12 de fevereiro. Na arte, ela é representada segurando o cajado pastoral de uma abadessa, uma fonte nascendo perto dela e um boi a seus pés. A fonte provavelmente representa o poço sagrado em Binsey. Ela aparece em vitrais medievais, e em vitrais pré-rafaelitas por Edward Burne-Jones na Christ Church Cathedral, Oxford, na capela onde há um relicário com seu nome.


sábado, 20 de outubro de 2018

Santa Cleópatra, viúva – 19 de outubro

    
     O nome deriva do grego Κλεοπατρα (Kleopatra), composto da κλεος (kleos) "glória", e πατρος (patros) "do pai": portanto o significado é “glória do pai".  Este nome deve sua popularidade a Cleópatra VII, a rainha do Egito amante de Júlio Cesar e depois de Marco Antônio.
     O Martirológio Romano na sua última edição não menciona santa ou beata com este nome, porém o nome está presente na tradição da Igreja e a Bibliotheca Sanctorum contém duas santas com este nome.
     Uma, dita “viúva, é recordada no dia 19 de outubro; uma segunda, dita “de Tessalonica” nos Martirológios bizantinos é recordada em 1º de setembro.
     A Santa Cleópatra viúva egípcia é ligada ao culto do mártir São Varo. Ela e seu filho São João vieram da aldeia de Edras, atual Daraa, Síria, e foram contemporâneos do mártir São Varo
     No tempo de Maximiano Valério (250-310), imperador, o soldado Varo se interessou pela sorte de alguns eremitas do Egito que haviam sido aprisionados em decorrência da perseguição contra os cristãos. Varo ia confortá-los, o que o declarava cristão, e tomado de fervor, como ocorreu a Santo Antônio de Pádua diante dos Mártires de Ceuta, expressou o desejo de unir-se a eles. Foi assim condenado imediatamente à flagelação, morrendo em 307. No dia seguinte os seis eremitas também morreram martirizados por Cristo.
     O culto de São Varo e dos seis eremitas é pouco conhecido no Ocidente, foi Barônio que os inseriu no Martirológio Romano no dia 19 de outubro. A moderna edição do Martirológio menciona: “No Egito, São Varo, soldado, que, sob o imperador Maximiano, enquanto visitava e confortava seis santos eremitas encarcerados, desejou tomar o lugar de um sétimo que morrera no eremitério e, assim, padecendo juntamente com eles os cruéis suplícios, alcançou a palma do martírio”.
     Conta-se que, tomada por compaixão, uma piedosa cristã de nome Cleópatra, viúva de um oficial romano, trouxe o corpo de Varo para sua casa, onde o enterrou. Após o fim das perseguições, conseguiu retornar a Edra, levando o corpo do mártir, colocando-o num túmulo, próximo ao Monte Tabor, em torno do qual a comunidade cristã local passou a se reunir buscando sua intercessão.
     Devido aos numerosos peregrinos que vinham venerar a relíquia do Santo mártir, Santa Cleópatra decidiu erigir uma pequena igreja sobre o túmulo. 
     Tendo seu filho crescido, ela desejou que ele fosse militar como seu pai. Ele deveria partir para Roma, onde o imperador lhe daria um posto, mas antes Cleópatra quis que ele a auxiliasse na conclusão da edificação da capela. Com grandes festas a capela foi inaugurada, mas João faleceu na noite seguinte, Cleópatra muito chorou sua morte e o enterrou junto à relíquia de São Varo.
     Após a morte de João, Cleópatra o viu em um sonho com São Varo, sob a figura de um menino. São Varo a consolava e dizia que rezava por seus parentes pagãos e que seu filho fora salvo. Segundo o Prólogo de Ocrida, São Varo aparecia frequentemente para Cleópatra resplandecente como um anjo.
     A Santa viveu ainda sete anos; após ter distribuído seus bens aos pobres e passar seu tempo em oração e jejum, Santa Cleópatra faleceu e foi sepultada na mesma igreja que erigira, junto aos Santos Varo e João.
     Ela é recordada com São Varo no dia 19 de outubro.


Fontes: www.santiebeati.it/

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Beata Tarsila Córdoba Belda – 17 de outubro

Na cidade de Algemesi, na região de Valência, Espanha, Beata Tarsila Córdoba Belda, mártir, que, sendo mãe de família, passou para a glória de Cristo na perseguição.

     Tarsila nasceu em Sollana no dia 8 de maio de 1861. Foi educada na fé católica e em 3 de julho de 1884 casou-se com Vicente Girona Gozalbo, com quem teve três filhos.
     Deus Nosso Senhor permitiu que ela passasse por duras provas na vida familiar: seu esposo teve uma doença mental e faleceu após longos anos, em 26 de março de 1922. Tarsila também enfrentou a perda sucessiva de seus filhos, inclusive uma filha casada que deixou uma filha pequena. Tudo ela superou com grande paciência e espírito sobrenatural.
     Além do cuidado da família, levava uma vida de piedade incomum: assistia Missa e comungava diariamente, pertencia à várias associações paroquiais, nas quais colaborava com fervor, e inclusive contavam com sua valiosa cooperação nas obras de caridade nas Conferências de São Vicente. Após a morte do esposo em 1922, pode se dedicar mais intensamente ao apostolado.
     Durante a perseguição religiosa dos anos 30 na Espanha, Tarsila ocultou objetos sacros em sua casa e cuidou de religiosas escondidas. Descoberta, foi presa pelo comité de sua cidade por causa de sua religiosidade.
     Observação: a beata havia socorrido a família do chefe do comitê que determinou sua prisão. Vemos como os revolucionários, ao contrário dos católicos, não têm nenhum sentimento de gratidão.
     Na prisão, Tarsila confortava seus companheiros e exortava-os a entregar-se à vontade de Deus com confiança. Detida no dia 10 de outubro de 1936, esteve na prisão no ex convento dos mercedários até o dia 17 do mesmo mês, quando foi levada de madrugada e fuzilada junto ao muro do cemitério de Algemesi, aos 75 anos de idade.
     Foi beatificada em 11 de março de 2001 pelo papa João Paulo II.    


Significado do Nome Tarsila
     A maioria expõe que Tarsila é um derivado de Társio, nativo da cidade de Tarso, uma cidade da Ásia Menor. Provavelmente, transmutaram o nome Tarso inserindo um sufixo comum feminino “ila”, ou do grego “tarsos”, que quer dizer “coragem, audácia”.
     Esse nome não é usado fora do Brasil e é bem difícil de encontrar. Aproveitando o post, vou replicar um relato que achei na internet feito por uma pessoa chamada Tarsila:
     “Hoje é meu aniversário e curiosamente descobri uma coisa sobre o meu nome, então achei apropriado. Nunca tive muita certeza da origem do meu nome, claro que foi inspirado na famosa pintora brasileira Tarsila do Amaral, mas o que significa “Tarsila”?
     Sempre encontrei coisas como “derivado de Tharsáleos ou Tarcísio” que vem de “Tarso”, de origem grega que significa “confiança, coragem” e que “indica uma pessoa que não dá muita importância aos bens materiais, quer apenas o suficiente para levar uma vida tranquila e poder buscar a evolução espiritual”. Nunca saiu disso, mas eu não ficava satisfeita, Tarsila não é Tarcísio.
     Hoje me deu uma vontadezinha de procurar (e olha que já fiz isso muitas vezes) e olhem só o que eu descobri: Tarsila, do jeitinho que escreve o meu nome, é, na verdade o nome de um documento. As Tarsilas (também conhecidas como Sarsilas ou Silsilahs) significam corrente ou conexão e são utilizadas para provar a legitimidade das famílias nobres de filipinos mulçumanos. As Tarsilas mostram quem pertence a qual linha de descendência, seja através de afinidade ou casamento, ou seja, Tarsila é mais ou menos uma árvore genealógica, contudo ela geralmente só traça até o ancestral mais famoso ou nobre.
     Eu vejo a coisa assim: meu nome significa uma união legítima de pessoas, um grupo que forma uma unidade, uma linha de vidas, uma história. Isso me deixa muito feliz porque significa o registro de um desenvolvimento e é assim que eu me sinto – uma conexão entre vidas e pessoas!”

*** Não comprovei as informações extras.

Outras referências, além da artista Tarsila do Amaral:
Tarsila Rorato Crusius, filha da ex-governadora do estado do Rio Grande do Sul, Yeda Rorato Crusius.

Társila Córdoba Belda, mártir católica, morta durante a Guerra Civil Espanhola. Após a tragédia pessoal da morte de seu esposo e de seus três filhos, participou ativamente da vida eclesiástica. Foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 11 de março de 2001.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Santa Madalena de Nagasaki, jovem mártir japonesa - Festa 15 de outubro

     
     Madalena nasceu entre 1611 e 1612, em uma aldeia próxima de Nagasaki, no Japão. Desde cedo ela recebeu esmerada educação. Os antigos manuscritos relatam que ela era uma jovem graciosa, delicada e bela. Seus pais eram católicos de nobre linhagem.
     Sua infância coincidiu com um período de cruéis perseguições contra os católicos. O ditador Tokugawa Yematsu, budista, decretou uma terrível perseguição contra os católicos em 1614. Com seus sucessores, Hidetada e Yemitsu, essa perseguição tornou-se ainda mais virulenta e cruel, a ponto de em poucos anos quase exterminar a cristandade do Japão.
     Os pais e irmãos de Madalena foram martirizados quando ela era ainda pequena. Ela certamente foi também testemunha da morte de muitos outros católicos. É provável que tivesse lido o livro “Exortação ao martírio”, que circulava clandestinamente entre os católicos. Neste livro davam-se conselhos para resistir à ira dos tiranos e eram lembrados os exemplos de crianças frágeis, além de jovens, homens e mulheres, que sofreram com paciência os mais terríveis suplícios por causa da sua fé em Jesus Cristo, recebendo assim a glória do martírio.
     A oração, a leitura dos livros sagrados e o exemplo de tantos mártires, compatriotas seus, foram fortalecendo o ânimo de Madalena.
     Por volta de 1624, chegaram a Nagasaki dois zelosos missionários agostinianos: Frei Francisco de Jesus e Frei Vicente de Santo Antônio. Ambos criaram a Ordem Terceira Agostiniana Recoleta para auxiliá-los no apostolado. Formada por leigos, a Ordem Terceira, hoje denominada Fraternidade Secular, ficava encarregada da catequese.
     Atraída pela profunda espiritualidade dos dois missionários, Madalena se consagrou a Deus como Terceira Agostiniana Recoleta, sendo uma das primeiras a entrar para aquela Ordem. Começou o seu apostolado com tanto carinho e abnegação, que foram incontáveis os pagãos que se converteram ao Cristianismo.
     Ela consolava os aflitos, animava os fracos, fortalecia os que fraquejavam por causa das perseguições, apoiava os corajosos e esforçados, dava catecismo para as crianças, e arrecadava esmolas para os pobres entre os comerciantes portugueses. Fez várias amigas entre as filhas dos ocidentais que moravam em Nagasaki, as quais muito se edificavam com as suas virtudes, tendo algumas delas relatado suas impressões e lembranças para os primeiros biógrafos da Santa.
Em 1628 a perseguição ficou mais violenta. Como quase todos os católicos de Nagasaki, Madalena se viu obrigada a refugiar-se nas montanhas. Homens e mulheres virtuosos viviam nas grutas e se alimentavam de ervas silvestres. Ali vivia ela na companhia dos demais, amada e querida de todos, mesmo dos pagãos.
     Os santos religiosos, Frei Francisco e Frei Vicente, também viviam nas montanhas zelando pelas almas e oferecendo-lhes o conforto dos Sacramentos. Entretanto, ambos foram detidos e passaram vários dias na prisão antes de serem queimados vivos no dia 3 de setembro de 1632.
     No dia seguinte, chegaram ao Japão outros dois missionários agostinianos recoletos, Frei Melquior de Santo Agostinho e Frei Martinho de São Nicolau. Estes também foram presos no dia 1° de novembro de 1632 e no dia 11 de dezembro foram queimados vivos a fogo lento, tal como havia acontecido com os Bem-aventurados Francisco e Vicente.
     Após a morte desses religiosos, Madalena permaneceu nas montanhas cerca de dois anos dedicando-se ao apostolado, batizando, aconselhando, consolando e fortalecendo os que a procuravam. Numerosos foram os católicos que preferiram morrer a renegar a fé. Infelizmente, muitos também foram os que fraquejaram e apostataram diante do horror dos suplícios.
     Desolada e triste pela apostasia destes irmãos e desejosa de sofrer o martírio, Madalena acreditou ter chegado o momento de apresentar-se aos juízes e torturadores para dar exemplo vivo aos católicos.
     Vestindo o seu hábito de Terceira e portando um pequeno alforje cheio de livros de santos para meditar e pregar no cárcere, ela se apresentou aos carcereiros e guardas dizendo-se católica e religiosa.
     Num primeiro momento os guardas mandaram-na embora, dizendo que sendo ela tão jovem e frágil não poderia suportar os horríveis tormentos a que eram submetidos os religiosos. Contudo, no dia seguinte ela foi presa.
     Admirados com sua beleza e comovidos pela sua tenra idade, vendo-a estimada e admirada pelos católicos e também por ser de família nobre e ilustre, os juízes tentaram convencê-la a abandonar a fé através de atenções especiais e promessas as mais diversas, mas tudo foi em vão.
     Depois de sofrer vários tipos de torturas sem perder a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, Madalena foi tirada da prisão no início de outubro de 1634, e com outros dez católicos foi levada ao lugar do martírio.  Todos foram condenados ao tsuruchi, tormento especialmente criado para torturar os cristãos e que consistia numa forca na qual o condenado é amarrado de cabeça para baixo, sendo da cabeça para baixo preso dentro de um poço cheio de imundícies. Um corte era feito atrás da orelha, para que o sangue não chegasse à cabeça e assim a morte fosse lenta.
     Levada antes em desfile num cavalo, não demonstrava terror, mas júbilo. E aos que acompanhavam, ela pedia: “Vós que ficais, em boa hora, recomendai-me a Deus”. Levada até Nishizaka, foi amarrada e presa no tsuruchi. Os soldados às vezes ouviam-na bradar: “Tenho sede”, e perguntavam se gostaria de beber água. Ela retrucava dizendo que queria não dessa água, mas da Água Viva. Foram extraordinários treze dias e meio aguentando a tortura, sem comida ou bebida, entoando hinos cristãos em japonês.
     Os soldados não acreditavam no que estava acontecendo. “Não se surpreendam se eu não morrer nessa provação, pois o Senhor que adoro me preserva e sustenta. Sinto uma mão suave que me segura o rosto e alivia o corpo”, dizia ela.
     Suspensa pelos pés, com a cabeça e o peito imersos num poço, durante o suplício a corajosa jovem invocava os nomes de Jesus e Maria, e resistiu ao tormento por treze dias. Na noite do 13° dia, o poço foi inundado por uma tempestade e Madalena morreu afogada. Tinha então 22 ou 24 anos de idade.
     Depois de morta seu corpo foi queimado, e as cinzas foram espalhadas nas águas do mar, a fim de que suas relíquias não caíssem nas mãos dos fiéis. Seu martírio deu-se em meados de outubro de 1634.
     No Processo de Macau, feito em 1638, houve o relato de 41 testemunhas oculares, e outras informações nos chegaram por relações dos padres que a conheceram.
     Beatificada em 1981, foi declarada Santa por João Paulo II em 18 de outubro de 1987, coincidindo com o Dia Mundial de Oração pelas Missões.

Igreja em Nagasaki em honra aos mártires


Fontes de informação para as notas biográficas sobre os santos agostinianos e Bem-aventurados os livros Seduction of God (Pubblicazioni Agostiniane, Roma 2001), de autoria do Padre Fernando Rojo Martínez, OSA, e Santos e Beatos da família agostiniana. Conceda agostiniano litúrgica Missal, publicado pela Federação Agostiniana Espanhola (FAE, Madrid 2008).
https://www.povonovo.org/santa-madalena-de-nagasaki