segunda-feira, 13 de maio de 2013

Santa Teodora Guérin, Fundadora - 14 de maio

   
Que fortaleza adquire a alma na oração! Em meio à tormenta, quão doce é a calma que a oração encontra no coração de Jesus! Porém... Qual o consolo que têm aqueles que não rezam?” (Sta. Teodora Guérin)

     Ana Teresa Guérin nasceu no dia 2 de outubro de 1798 na aldeia de Étables, França. Sua devoção a Deus e à Igreja Católica se manifestou quando ainda muito pequena. Foi-lhe permitido receber a Primeira Comunhão com apenas dez anos de idade (fato incomum na época) e nessa ocasião expressou ao pároco sua intenção de algum dia tomar o hábito de religiosa.
     A pequena Ana Teresa com frequência procurava a solidão das costas rochosas próximas de sua casa, onde dedicava muitas horas à meditação, à reflexão e à oração. Foi educada por sua mãe, Isabel Guérin, que centralizou seu ensino na religião e nas Escrituras. Laurêncio, pai de Ana Teresa, prestava serviços na Armada de Napoleão e permanecia fora do lar por longos períodos.
     Quando Ana Teresa tinha 15 anos seu pai foi assassinado por bandidos quando voltava para casa para visitar sua família. A perda do esposo tornou Isabel muito doente, durante muitos anos a responsabilidade de cuidar da mãe e da pequena irmã recaiu sobre Ana Teresa que, além disto, cuidava da casa e da horta da família.
     Ao longo desses anos de penúrias e sacrifícios - na realidade, durante toda sua vida -, a fé em Deus nunca vacilou, jamais titubeou. No mais profundo de sua alma sabia que Deus estava com ela, que sempre estaria com ela, como uma companhia constante.
     Ana Teresa tinha quase 25 anos quando ingressou nas Irmãs da Providência de Ruillé-sur-Loire, uma jovem comunidade de religiosas que serviam a Deus na educação das crianças e cuidando dos pobres, doentes e moribundos.
     Irmã Santa Teodora, como era então conhecida, foi solicitada para encabeçar um pequeno grupo missionário de Irmãs da Providência nos Estados Unidos. O projeto incluía o estabelecimento de um convento, a fundação de escolas e compartilhar o amor a Deus com os pioneiros da Diocese de Vincennes, no Estado de Indiana.
     Piedosa e humilde, Irmã Teodora jamais imaginou ser a pessoa mais indicada para a missão. Sua saúde era frágil. Durante seu noviciado havia adoecido gravemente e os remédios comprometeram gravemente seu sistema digestivo, a ponto de no resto de sua vida só poder consumir alimentos suaves e macios. Após muitas orações e consultas aos superiores, aceitou a missão temendo que ninguém o faria, talvez nenhuma religiosa se aventurasse em tão agreste região para difundir o amor de Deus.
     Madre Teodora e outras cinco Irmãs da Providência chegaram à sede de sua missão em Saint Mary-of-the-Woods, Indiana, na tarde do dia 22 de outubro de 1840. Imediatamente se dirigiram à pequena cabana de troncos que fazia as vezes de capela. Ali, as Irmãs se prostraram em oração diante do Santíssimo Sacramento para agradecer a Deus terem chegado sãs e salvas, e para pedir a Ele a bênção para a nova missão.
     Nessa terra Madre Teodora estabeleceu uma Congregação, escolas e um legado de amor, misericórdia e justiça que perdura até hoje.
     Durante anos de provações e anos de paz, Madre Teodora confiou sempre na Providência Divina, procurando obter conselho e direção, urgindo as Irmãs da Providência a “entregar-se por inteiro nas mãos da Providência”. Em suas cartas à França dizia: “Porém nossa esperança reside na Providência de Deus, que nos tem protegido até o presente e que, de uma ou outra maneira, proverá para nossas necessidades futuras”.
     No outono de 1840, a missão de Saint Mary-of-the-Woods consistia apenas de uma capela - uma diminuta cabana de troncos que também servia de alojamento para um sacerdote - e uma fazenda de pequena estrutura onde residiam Madre Teodora, as Irmãs francesas e várias postulantes. Ao chegar o primeiro inverno, fortes ventos do norte sopraram sacudindo a pequena fazenda. As Irmãs sentiam frio constantemente e passavam fome. Logo converteram a galeria em uma capela; nesse humilde convento encontravam conforto na presença do Santíssimo Sacramento. Madre Teodora sempre dizia: “Com Jesus, o que podemos temer?
     Durante seus primeiros anos em Saint Mary-of-the-Woods, Madre Teodora enfrentou numerosos problemas: o preconceito contra os católicos, especialmente contra as religiosas; traições, mal-entendidos; a ruptura das Congregações de Indiana e de Ruillé; um incêndio devastador que destruiu uma colheita deixando as Irmãs desprovidas e famintas; frequentes doenças mortais.
     Em cartas Madre Teodora relatava suas tribulações: “Se alguma vez esta pobre e pequena comunidade conseguir assentar-se definitivamente, o fará sobre a Cruz; isto me infunde confiança e me brinda esperança, mesmo diante do desamparo”.
     Menos de um ano depois de sua chegada a Saint Mary-of-the-Woods, Madre Teodora fundou a primeira Academia da Congregação e, em 1842, estabeleceu escolas em Jasper, Indiana e St. Francisville, Illinois. Por ocasião de sua morte, Madre Teodora já tinha aberto escolas em várias cidades de toda Indiana e a Congregação das Irmãs da Providência era uma instituição sólida, viável e respeitada. Madre Teodora sempre atribuiu o crescimento e o êxito das Irmãs a Deus e a Maria, Mãe de Jesus, a quem dedicou os seus trabalhos em Saint Mary-of-the-Woods.
     Madre Teodora tinha a rara habilidade de fazer florescer as melhores virtudes nas pessoas para permitir-lhes ir além do que aparentemente era possível. O amor de Madre Teodora foi uma de suas grandes virtudes. Amava a Deus, ao povo de Deus, as Irmãs, a Igreja Católica e as pessoas a quem servia. Jamais excluiu alguém de suas obras e orações, pois dedicou sua vida a ajudar a todos a conhecer a Deus e a viver uma vida melhor.
     Ela faleceu dezesseis anos após sua chegada a Saint Mary-of-the-Woods, no dia 14 de maio de 1856. Durante esses anos, influenciou inúmeras vidas, o que ainda hoje continua fazendo. O legado que entregou às gerações que a sucederam é sua vida: um modelo de bondade, virtude, amor e fé.
     Foi canonizada em 15 de outubro de 2006 por S.S. Bento XVI. 

sábado, 11 de maio de 2013

Beata Juliana de Norwich, Mística - 13 de maio

     Ignora-se o seu nome de Batismo e o de sua família. O seu livro Revelações do Amor Divino, que contém dados sobre sua existência, é mencionado por uma testemunha recentemente descoberta: Margery Kempe, outra mística de seu tempo, que em sua autobiografia diz que no ano 1413 visitou "Lady Julian" para obter conselhos de direção espiritual.
     Juliana, nome como era conhecida em vida, e pelo qual ficará conhecida para sempre, talvez tenha sido adotado em honra de São Julião, patrono da igreja junto à qual transcorreu grande parte de sua vida. A igreja pertencia ao Mosteiro de Beneditinas de SS. Maria, dentro da cidade de Norwich. Há um debate acadêmico sobre se Juliana era uma monja do priorado, ou uma leiga. Ela viveu em uma ermida de três quartos do lado de fora do mosteiro, e tinha dois servidores que a atendiam quando atingiu a idade avançada.
     Aos 30 anos, quando ela vivia em casa, sofreu uma doença grave. Embora aparentemente em seu leito de morte, ela teve uma série de visões intensas de Jesus Cristo, que terminaram no momento em que ela se recuperou de sua doença, no dia 13 de maio de 1373.
     Juliana escreveu sobre suas visões imediatamente depois que elas tinham acontecido: esses escritos são conhecidos como "O texto curto". Vinte a trinta anos mais tarde, ela escreveu uma meditação teológica sobre o significado das visões, conhecida como "O texto longo". Suas visões foram a fonte de sua grande obra, Revelações do Amor Divino, que ela escreveu em torno de 1393. Acredita-se ser o mais antigo livro escrito no idioma inglês por uma mulher.
     Revelações é uma obra célebre no Catolicismo por causa da clareza e da profundidade da visão de Deus de Juliana.
     A primeira versão impressa das Revelações se tornou disponível ao público em 1670 e foi editada pelo beneditino Serenus Cressy. O livro não se tornou muito conhecido até o século 20. A edição de Cressy foi reimpresso em 1843, 1864 e novamente em 1902. A versão do livro feita por Grace Warrack, em 1901, introduziu os escritos de Juliana junto à maioria dos leitores do início do século 20.
     Após a publicação da edição de Warrack, o nome de Juliana se espalhou rapidamente e se tornou tema de muitas palestras e escritos. Em 1979, uma edição do livro foi publicada e, como resultado, o livro tornou-se amplamente vendido e discutido, em um momento de espiritualidade renovada. Juliana de Norwich é agora reconhecida como uma das místicas mais importantes da Inglaterra.
     Os beneditinos de Norwich e o Cardeal da Inglaterra, Adam Easton, podem ter sido os diretores espirituais de Juliana de Norwich, e os editores de seu Longo Texto Mostrando o Amor.
     O ditado: "... Tudo estará bem, e todos estarão bem, e todos os tipos de coisas deverão estar bem", que Juliana afirmou ter sido dito a ela por Deus, reflete sua teologia. É uma das linhas mais famosas da escrita teológica católica e é uma das mais famosas frases da literatura de sua época.
     Em suas visões, Juliana viu o sangue fluindo sob a Coroa de Espinhos de Jesus Cristo, viu a Virgem como uma jovem e simples senhora; viu Jesus mostrando a ela uma castanha na palma de sua mão. Ela pensou: “O que será isso?”, e Ele respondeu: “Isto é tudo que é criado. Deus deu forma, Deus deu vida, Deus a mantém assim”.
     Assim ela aprendeu a bondade de Deus “para O qual a nossa mais elevada das preces deve ser dirigida”. “O qual desce para atender as nossas menores necessidades”. E em relação à Cruz, ela viu a misericórdia Divina caindo como uma fina chuva de graças durante a Sua Paixão. Ela viu o Senhor morrendo, os Seus terríveis tormentos, e escreveu: “Assim eu O vi e eu O amava”.
     Na época de sua morte, a Beata tinha uma vastíssima reputação e atraia visitantes de toda a Inglaterra para a sua cela. Embora Juliana não tenha sido formalmente beatificada, é mencionada como Beata por vários autores e na Inglaterra a invocam como Santa.
     A festa da Beata Juliana de Norwich na tradição católica romana é a 13 de maio.

Imagem da Beata na igreja de Sto. André e Sta. Maria, Norwich

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Santa Solange, Mártir da pureza - 10 de maio

    
     Solange foi uma pastora do século IX. É uma das padroeiras de Berry, França. Ela é invocada para o alívio da seca.

     “A ilustríssima virgem Solange é a patrona e, por assim dizer, a Santa Genoveva de Berry. Ela nasceu em 863, no burgo de Villemont, a duas ou três léguas da cidade de Bourges. Seu pai era um pobre vinhateiro que levava uma vida muito católica; Deus recompensou sua piedade abençoando seu casamento. Ele teve uma filha a quem pôs o nome de Solange. Nesta admirável criança a beleza do corpo e a beleza da alma faziam as delicias de Deus e dos homens”.
     “Antigas crônicas a chamam de Solange ou Soulange; o local de seu nascimento não existe mais; podemos ver as ruínas de uma casa no meio do Prado Verdier, que dizem que era a habitação de Santa Solange. Esta pradaria fica a meia légua do burgo que recebeu o nome da Santa após sua morte”.
     “As lições do ofício que a Igreja consagrou a ela narram que dia e noite aparecia sobre sua cabeça uma estrela que a conduzia em suas caminhadas, e que lhe servia de regra em tudo o que ela devia fazer; esta estrela servia especialmente para guia-la e adverti-la, assim que o tempo que ela destinava à oração ou à salmodia se aproximava, como se esta luz, que outrora convidara os Santos reis Magos a ir reconhecer e adorar Jesus Cristo, tivesse sido reproduzida para favorecer esta Santa esposa do Salvador, e indicar a ela os preciosos momentos que o divino Esposo pedia suas adorações”. (Extraído dos Petits Bollandistes)
     Ela era forte, alegre e piedosa; gostava de ouvir as vidas dos santos durante as longas noites de inverno. Especialmente gostava da história de Santa Inês, que tinha sofrido um terrível martírio, e para si repetia que haveria de seguir os seus passos. Aos sete anos fez voto de castidade.
     Quando se tornou mais velha, passou a se ocupar do pequeno rebanho da família. Levantava-se ao amanhecer, passava diante da pequena igreja e parava para deixar algumas flores sobre o altar, depois seguia para o campo, onde havia construído uma capelinha toda para si e ali se ajoelhava rezando com fervor.
     Algumas vezes era transportada por êxtases e o tempo passava velozmente, mas os anjos a chamavam de volta à realidade. Era muito generosa com os pobres e também foi abençoada com o poder de curar os doentes e curou muitos.
     Um dia, atraído pela reputação da pastora, Bernardo de la Gothie, filho de Bernardo, Conde de Poitiers, de Bourges et do Auvergne, montou seu cavalo e, sob pretexto de ir à caça, foi em direção a Villemont, onde Solange guardava seu pequeno rebanho. Ao vê-la, ele desejou vivamente tê-la, mas ela recusou sua proposta.
     Aparentemente resignado, o jovem entretanto voltou a abordá-la no mesmo local dias depois e, diante de nova recusa, agarrou-a e levou-a em seu cavalo. Solange, decidida a não consentir em seus avanços, conseguiu escapar e caiu em um riacho próximo da estrada. Bernardo, cego de raiva diante da persistente recusa de Solange, a decapitou (outros dizem que ele a traspassou com sua espada).
     Solange, que estava de pé, calmamente estendeu seus braços para receber sua cabeça e caminhou até Saint Martin du Cros (um cruzeiro) onde caiu sem vida e foi sepultada. (Boll. T. 5, pp. 427 à 431) A ereção de cruzes nas encruzilhadas era então muito frequente.
     A tradição tem como data do martírio de Solange o dia 10 de maio de 878, sob o pontificado de Frotario, Arcebispo de Bourges (876-890). Uma nova igreja foi construída sobre o túmulo da Santa e lhe foi dedicada.
    Desde a Idade Média até os dias de hoje seu culto permanece importante em Berry. Seus restos foram exumados “por causa dos milagres que eles operavam” (Guérin). Inicialmente colocados em um relicário de madeira, foram depois postos em um relicário de cobre. A última transladação ocorreu em 1511. Em 1657, a cidade de Bourges doou um relicário de prata para substituir o antigo. Em 1793, durante a Revolução Francesa, as relíquias foram dispersas.
Capela de Sta. Solange

     "Fazendo minha visita a Méry-ès-Bois, em 5 de abril de 843 – escreve M. Caillaud, vigário geral – ai encontrei relíquias de Santa Solange: um osso do crânio, a mandíbula superior e um dente da Santa. Esta relíquias pertenciam, antes da Revolução, à abadia dos bernardinos de Luis e tinham sido transferidas com grande pompa à Méry-ès-Bois em 1791, assim que os monges deixaram o convento; eu dividi estas relíquias em duas porções iguais, das quais uma ficou em Méry-ès-Bois, e a outra foi dada à paroquia de Santa Solange”.
     Todos os anos, os fieis peregrinos levam o relicário contendo as relíquias de Santa Solange até a capela consagrada, no “Campo do martírio”. A igreja foi classificada como monumento histórico em 1913.
     O Papa Alexandre VII autorizou a criação de uma confraria dos “Primos de Santa Solange".
 
Etimologia: Solange = do latim Solemnia, “solene, majestosa”.
 
 
 
     Vocalista blasfema contra Nosso Senhor Sacramentado durante show com cerca de 700 mil pessoas, na Praça de São João de Latrão, Itália.
     A indiferença e a negação da existência de Deus não são realidades totalmente incomuns ao longo da História, especialmente nos últimos séculos. Contudo, provocações...
 
Leia mais em www.adf.org.br

terça-feira, 7 de maio de 2013

Beata Francisca Ulrica Nisch, Religiosa - 8 de maio

    
     Francisca Nisch nasceu em 18 de setembro de 1882 e foi batizada no dia seguinte. Ela veio ao mundo em Oberdorf-Mittelbiberach (diocese de Rottenburg-Stuttgart), Alemanha. O pai trabalhava no castelo, a mãe era doméstica em uma pensão; foi a primeira de onze filhos.

     Devido a extrema pobreza da família, a pequena “Franzi” foi criada por sua avó e por sua madrinha, que lhe dispensaram todo o afeto que ela não encontrou junto a seu pai, que era muito duro com ela, mas a quem ela sempre obedecia. A avó e a tia lhe deram uma profunda formação religiosa, bem como lhe incutiram sentimentos de bondade e cordialidade.
     Na escola, Franzi quase não se destacava, um pouco bobinha; frequentemente quebrava as coisas, solitária, simples, piedosa e sempre amável. Como sua família era pobre, Franzi, junto com seus irmãos e irmãs mais novos, conseguiam arrecadar alguns donativos junto às pessoas das redondezas: pão, ovos, frutas. Sempre adoentada, ela faltava muito às aulas e seus resultados acabavam não sendo muito bons.
     Após terminar os estudos primários, Francisca, já aos doze anos, trabalhou como doméstica na Alemanha e finalmente foi admitida como empregada na casa de uma família em Rorschach, na Suíça. Conquistava a admiração de todos com o seu procedimento correto e particularmente com o exemplo de uma singular piedade.
     Em 1901, tendo adoecido gravemente, precisou ser internada. No hospital, foi tratada com grande carinho e bondade pelas Irmãs de Caridade da Santa Cruz de Ingenbohl. Em contato com a vida exemplar das Irmãs do hospital, decidiu entrar para esta Congregação. Em 7 de outubro de 1904, foi recebida na Casa provincial de Hagne, próximo de Constança, onde adotou o nome de Irmã Ulrica.
     Em 24 de abril de 1907, emitiu a profissão religiosa. Foi mandada para o hospital de Bühl, em Mittelbaden, como auxiliar de cozinha. Depois, como segunda cozinheira, foi enviada para a Casa de São Vicente de Baden-Baden, onde permaneceu por quatro anos, até fins de agosto de 1912.
     Plena de humildade e dedicando-se aos serviços os mais ocultos e desagradáveis, os trabalhos não a impediam de ajudar as Irmãs e aos parentes com bons conselhos. Seguia rigorosamente o programa das Irmãs da Santa Cruz: Toda do Crucificado, porque toda do próximo, representantes do amor de Cristo. Ela soube impregnar de espírito sobrenatural o trabalho mais obscuro, elevando-o à dignidade de frutuoso apostolado.
     Às vezes, ela se sentia em meio a trevas durante suas orações. Irmã Ulrica rezava dia e noite. Tudo para ela se transformava em oração. Alma toda entregue à vontade de Deus em constante oração, foi favorecida com particulares graças místicas, vivia mais no céu do que na terra. Junto dela as pessoas se sentiam como se estivessem no Paraíso.
     Os trabalhos pesados e uma vida de renúncia exauriram as forças de Irmã Ulrica; adoecendo novamente devido à tuberculose, ela foi levada para o Hospital de Santa Isabel, próximo da Casa provincial de Hagne, onde morreu aos 31 anos, em 8 de maio de 1913. A sua grande abnegação a fez morrer sozinha, pois nos últimos momentos de lucidez renunciou à assistência da Irmã a favor de outra coirmã doente.
     Quando decidiram escrever sua biografia, algumas pessoas se espantaram, pois não viam onde residiria sua santidade. Aliás, os títulos das primeiras publicações são eloquentes: “A santa do nada”, “A santa das marmitas”, “A voz silenciosa”. Mas os fatos falam por si: calcula-se que seu túmulo, que está sempre florido, é visitado por cem mil pessoas anualmente; as pessoas ali vão rezar e inúmeros testemunhos dão provas de graças alcançadas por sua intercessão.
     Sua beatificação teve lugar no dia 1º. de novembro de 1987, antes da fundadora de sua Congregação, Madre Maria Teresa Scherer, outra grande santa.
 
Etimologia: Ulrica = do alemão Ulrich, o mesmo que Udalrico (Uodalrich), "senhor (rich) de bens (uodl)".
Oratório da Beata Ulrica em Hagne

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Beata Gisela da Hungria, Rainha, abadessa - 7 de maio

    
 
A Beata Gisela com seu filho Sto. Américo
     Gsela, filha do duque Henrique II da Baviera, e de Gisela da Borgonha, nasceu c. 980/985. Era a irmã mais nova de Henrique II da Alemanha, de Bruno, que depois se tornaria bispo de Augsburgo, e de Brígida, futura abadessa de Mittelmuenster. 
     Foi a época em que seu pai se reconciliou definitivamente com a imperatriz Teofana, regente da Alemanha. Ela recebeu uma educação católica muito profunda, notadamente por parte do Bispo Wolfgang de Ratisbonne, confessor e conselheiro da corte ducal.
     Por toda sua infância ela viu seu pai em conflito quase constante com a Hungria. Em agosto de 995, seu pai faleceu deixando a Baviera ao seu filho mais velho, o futuro imperador Henrique II. Gisela foi logo dada em noivado ao herdeiro da Hungria, Estevão. Desde pequena ela desejara tornar-se religiosa, mas decidiu aceitar um casamento que contribuiria muito para a expansão do cristianismo, deixando sua vocação para mais tarde.
     A união teve lugar no Castelo de Scheven no fim de 995, ou no início de 996, com concessões de ambas as partes: os húngaros cederam o sudeste da Morávia e a bacia de Vienne. Além disso, eles aceitaram a evangelização do país. Em troca, a Baviera prometia a paz: por nove séculos a fronteira de Morávia e de Leitha permaneceu estável. Um cortejo numeroso acompanhou Gisela ao país de seu esposo e muitos eram religiosos. Gisela se tornou a primeira rainha católica húngara.
     Gisela e Estevão tiveram muitos filhos: o primogênito, nascido em 1002 e outro nascido depois, morreram muito jovens, e as fontes que os mencionam são posteriores, já as informações sobre o mais velho, Américo da Hungria, que foi canonizado, são mais extensas. Nascido em 1007, ele faleceu em 1031, antes de seus pais.
     Gisela construiu muitas igrejas e mosteiros, inclusive a Catedral de Vezprim, decorando-a com trabalhos dos mais importantes artistas da época, até mesmo de escultores gregos.
     Além da importância religiosa e cultural que seu reinado obteve, há de considerar-se também a importância política que permitiu, graças a seu casamento e à conversão da Hungria, que as boas relações com a Alemanha chegassem até o século XXI.
     Gisela cumpriu essa missão com muito sofrimento pessoal: a perda de seu filho mais velho e de uma filha; duas filhas seguiram seus maridos para terras distantes e ela nunca mais as viu; como vimos, o herdeiro, Américo, sucessor natural do trono, também faleceu. Mas, embora tivesse enfrentado várias tragédias, a que a fez mais sofrer ocorreu em 1038: a morte de seu esposo, Santo Estevão.
     Ainda teria que enfrentar os húngaros opostos a ela, que assumiram o poder desejando neutralizar a sua influência junto ao povo. Pedro, sobrinho e sucessor de seu esposo, negou seus compromissos e tiranizou os habitantes, inclusive ela. Despojada de seus bens, permaneceu presa por vários anos, sem qualquer contato com os parentes do exterior. Em 1045, depois de muitas negociações com o rei Henrique III, Gisela pôde retornar à sua Baviera natal.
     Na Baviera, ela se retirou no Mosteiro de Niedernburg, Passau. Gisela foi eleita abadessa, governando até o dia 7 maio de 1065, quando faleceu. O seu túmulo em Passau foi objeto de peregrinações e veneração dos fieis.
     Assim, esta grande figura feminina da história da Igreja deixou uma marca profunda no final do primeiro milênio. Gisela, a rainha católica que se fez abadessa, patrocinou grandes obras de caridade, construiu igrejas, ajudou a converter a Hungria e por isso teve grande participação política na expansão do Cristianismo.
     Seu culto é muito antigo e ainda intenso em todo o norte da Itália, Hungria, Alemanha, França, por todo o Oriente e pelos países onde os beneditinos se instalaram, levando com eles a comemoração litúrgica desta rainha abadessa no dia 7 de maio.
     Gisela foi declarada Beata em 1975. Em 1908, foi realizado um reconhecimento de suas relíquias. 
Etimologia: Gisela: do alemão Geisila = “bastão, vara, açoite”; ou ainda abreviação de Gisel = “prisioneiro de guerra, refém”.
 
Padre é excomungado por ser herege e não por defender homossexuais
     As notícias sobre a excomunhão do hoje ex-“padre Beto”, da diocese de Bauru-SP, servem para mostrar como o mal se desenvolve por etapas. Ele aparece de início em atitudes, afirmações ou posições tênues e aparentemente inofensivas, mas aos poucos destrói por dentro o bem e faz isso de modo que quase ninguém tome consciência do tamanho do estrago que ele produzirá quando chegar ao extremo. [...]
     Em relação às notícias que a mídia publica que são, obviamente tendenciosas, e escritas por pessoas que não sabem NADA sobre doutrina católica, já deixamos claro que a excomunhão não se deu pelo fato do padre defender os homossexuais. A excomunhão foi declarada porque ele se negou a cumprir o que prometera em sua ordenação sacerdotal: fidelidade ao Magistério da Igreja e obediência aos seus legítimos pastores. 
Leia mais, inclusive o comunicado oficial da Diocese de Bauru-SP em:

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Santa Prisca ou Priscila, Virgem e mártir - 5 de maio

    
     No dia 3 de maio de 1616, sendo então Arcebispo de Cagliari D. Francisco Desquivel, quando estavam sendo feitas escavações para encontrar o túmulo de São Esperate, descobriu-se também a sepultura de Santa Prisca (ou Priscila), Virgem e Mártir.
     Sobre seu túmulo havia uma inscrição que apenas mencionava que ela dera sua vida em sacrifício pela causa da Fé.  A lápide que cobria seu sarcófago continha a seguinte inscrição: “+ D(E)D(ICAVIMUS) F(IDE)L(I) MART(YRI) PRISCE NIMIS N(OBIS) D(ILECTAE)”, que traduzida significa: DEDICAMOS (ESTE SEPÚLCRO) À FIEL MÁRTIR PRISCA POR NÓS ARDENTEMENTE AMADA.
     Segundo a interpretação dos descobridores, esta epígrafe deve ter sido colocada pelo Bispo de Cagliari, Brumasio, no início do século VI. Pesquisas recentes do arqueólogo Mauro Dadea demonstraram que este bispo providenciara pessoalmente a colocação das relíquias de São Esperate, e de outros mártires seus companheiros, na antiga igreja do centro habitado de Valeria, depois conhecida como São Esperate. Esta jovem, portanto, viveu no tempo da perseguição aos cristãos pelos romanos, no século II d.C.
     As atas do descobrimento das relíquias, que se encontram no Santuário de Caller do Pe. Esquirro, relatam um fato extraordinário: quando o sarcófago de Prisca foi aberto, o seu corpo apareceu, para grande espanto dos arqueólogos, imerso em um mar de rosas. Os descobridores seiscentistas de seu túmulo supõe que a Santa tivesse origem sarda.
     As suas relíquias, conforme consta de documentos antigos do século XVII, foram deixadas em São Esperate. No decorrer dos séculos se perdeu a sua exata localização. Mas alguns fragmentos menores destas relíquias foram distribuídos a alguns expoentes da alta aristocracia, que os conservaram nas capelas privadas de seus palácios. Uma destas relíquias, depois do falecimento do último representante de uma família nobre de Cagliari, da qual era proprietário, retornou a São Esperate no ano jubilar de 2000, doada pelos seus descendentes.
     Todos os anos, no dia 5 de maio, data do "adventus", isto é, dia da trasladação do corpo da Santa para a cidade, no dia mesmo em que se celebra a solenidade de Santa Prisca, Virgem e Mártir, a relíquia é exposta ao culto público na igreja paroquial, para onde vem transportada numa procissão pelas ruas da cidade, que para a ocasião se enfeita com um tapete de pétalas de perfumadíssimas rosas.
*
     De acordo com o teólogo católico Johamm Kirsh, narrativas relacionadas à Santa não são históricas. Segundo a legenda, Santa Prisca pertencia a uma família nobre e na idade de treze anos foi levada diante do imperador Cláudio acusada de ser cristã. Este imperador ordenou que ela sacrificasse ao deus Apolo e, diante de sua recusa, ela foi flagelada e colocada na prisão.
     Como ela persistia na sua fé em Jesus Cristo após a saída da prisão, foi novamente punida e aprisionada. Ela foi levada para o anfiteatro para ser morta por um leão, mas este se colocou aos seus pés sem feri-la. Após três dias na prisão, foi torturada, continuou viva, mas foi decapitada.
     Os cristãos sepultaram seu corpo na catacumba próxima ao local de seu martírio. Ainda existe, no Aventine, em Roma, uma igreja de Santa Prisca, no mesmo local em que uma antiquíssima igreja, a Titulus Priscoe, era mencionada no século V e construída provavelmente no século IV.
 
Etimologia:
Prisca, do latim Priscus = "prisco, antigo, velho". Na época imperial romana, na linguagem poética, tinha um matiz de respeito e veneração. Priscila = diminutivo de Prisca.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Santa Viborada, Virgem e mártir de São Galo - 2 de maio

    

     Sankt Gallen, Saint-Gall ou São Galo é a capital do cantão Sankt Gallen, na Suíça. A cidade tem aproximadamente 75 mil habitantes, conta com fácil comunicação com o resto do país e com os países vizinhos, Alemanha e Áustria, e serve de ligação com a área das montanhas Appenzell.
     A sua principal atração turística é a Abadia de Sankt Gallen, fundada no século VII, cuja biblioteca contém livros que datam do século IX. Foi graças a ela que a cidade de Sankt Gallen surgiu.
     Sua história remonta à ermida de São Galo, monge irlandês discípulo de São Columbano, que viveu de 550 a 630. Em 612, São Galo (Gallech em irlandês) transferiu-se com São Columbano para o continente, onde viveram próximo a Luxueil e a Bregenz. Ali São Galo dedicou-se a vida eremítica, enquanto São Columbano foi para a Itália, onde fundou a Abadia de Bobbio. Mais tarde São Galo transferiu-se com alguns companheiros para oeste de Bregenz, fixando-se próximo à nascente do rio Steinach, onde morreu entre os anos 630 e 645.
     Sobre o túmulo de São Galo foi edificada uma igreja, e por volta do ano 720 o padre alemão Othmar (Osmano ou Osmar) construiu uma abadia no local, dando a ela o nome do Santo. A abadia tornou-se custódia dos restos mortais daquele Santo e de seu culto.
     No século XVI as relíquias de São Galo foram queimadas quase por inteiro pelos hereges que conquistaram a cidade que se desenvolvera em torno da abadia. Mas, o culto de São Galo continua vivo no leste da Suíça, no sudoeste da Alemanha e na Alsácia.
     É importante conhecermos a história da Abadia de São Galo, para entendermos a história de Santa Viborada (Weibrath).
     A vida desta reclusa é narrada em duas biografias: uma escrita entre 993 e 1047 pelo monge de São Galo, Hartman, e outra escrita entre 1072 e 1076 pelo monge Erimano. Além disso, Viborada é recordada em documentos da célebre Abadia.
     Viborada nasceu em data incerta, no fim do século IX, em uma nobre família alemã da região de Turgovia, atual cantão da Suíça.
     Graças a seus conselhos, seu irmão Ito tornou-se sacerdote da Igreja de São Magno, e mais tarde monge em São Galo. Viborada transformou sua casa em um hospital para os doentes pobres que seu irmão lhe trazia.
     Tendo ficado órfã, retirou-se como solitária em uma cela próxima da Igreja de São Jorge, onde permaneceu de 912 a 916, dedicando-se à oração e aos exercícios ascéticos, preparando-se para a vida de reclusa. No ambiente ocidental, esta prática de ascetismo feminino continuava a vida eremítica dos primeiros séculos. A reclusa vivia geralmente próxima de uma comunidade monástica, da qual recebia um pouco de alimento e assistência espiritual.
     Em 916, Viborada foi enclausurada numa cela junto da Igreja de São Magno, sob a orientação do Bispo-abade de São Galo, Salomão III (890-920). Ela foi certamente uma das primeiras eremitas cuja existência é comprovada historicamente. Viveu nestas condições por 10 anos, dedicada à oração e ao ascetismo, ocupando-se também de trabalhos de encadernação para a biblioteca da abadia.
     Sendo dotada do dom da profecia, muitos eram atraídos por sua austeridade e bons conselhos. O Bispo Ulrico de Augusta (923-973) buscou seu conselho numa situação controvertida com a comunidade de São Galo. Em outra ocasião, aconselhou o Abade Engilberto (925-933) a pôr a salvo os monges e os tesouros da Abadia de São Galo, pois profetizava a invasão dos húngaros.
     No início de 926, devido às suas continuas admoestações, os manuscritos mais preciosos foram transferidos para o mosteiro de Reichenau, no Lago de Constança.
     Os magiares, população pagã conhecida também como ‘húngaros’, fizeram incursões devastadoras nos países ocidentais, especialmente na Alemanha, até a metade do século X. Foram vencidos por Otão I, Imperador da Alemanha, em 955. A conversão destes pagãos ao cristianismo se iniciou em 973, sendo totalmente convertidos pelo Rei Santo Estevão I (997-1038).
     A 1º de maio de 926, os húngaros invadiram a região da Abadia de São Galo. Viborada recusara-se a deixar sua ermida e foi morta pelos invasores. Foi solenemente sepultada a 8 de maio, no local em que vivera reclusa. Vinte anos depois, em 946, os seus restos mortais foram transferidos para a Igreja de São Magno.
     Santa Viborada foi canonizada nos primeiros dias de janeiro de 1047 pelo Papa Clemente II, na presença do Imperador da Alemanha Henrique III. Com São Galo e Santo Osmar, fundador da Abadia de São Galo, Santa Viborada é uma das três estrelas dos santos sangalenses.
     Na iconografia, a Santa é representada com o hábito de monja beneditina, cuja regra era seguida pelos monges da Abadia de São Galo, com um livro que simboliza o dom da profecia, e uma alabarda, instrumento com que foi torturada e morta pelos invasores pagãos.

Abadia Sankt Gallen, Suiça