sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Beata Joana Le Ber, Reclusa - 12 de outubro


     A Beata Joana Le Ber ocupa um lugar excepcional entre as grandes figuras religiosas que se destacaram no início da colonização da Nova França (Canadá): a de primeira reclusa na América do Norte.
     Filha de Jacques Le Ber, o maior negociante do Canadá na época, e de Joana Le Moyne, irmã do Barão de Longueil, Jeanne nasceu em Ville-Marie, atualmente Montreal, em 4 de janeiro de 1662. Foi batizada no mesmo dia, sendo seus padrinhos Gabriel Souart, Paulo Chomedey de Maisonneuve (fundador e governador de Montreal) e Joana Mance (fundadora e administradora do Hôtel-Dieu).
     Desde a mais tenra infância Joana se sentia atraída por Jesus presente no Santíssimo Sacramento; esta devoção cresceu dia a dia e se desdobrou numa atração pelo silêncio e pela oração. Acompanhada de sua madrinha Joana Mance, Joana visitava com frequência o Hospital. Ela também mantinha amizade com Santa Margarida Bourgeoys, a fundadora da Congregação de Nossa Senhora, que teve grande influência em sua vida espiritual (veja sua história neste blog, no dia 12/1/2012).
     O ano de 1672 foi marcado pelo início das provas na família Le Ber. Jacques Le Ber foi aprisionado por um breve tempo. A mãe de Joana ficou muito afetada por este evento. Era o fim de uma época. Muitos pioneiros foram mortos ou retornaram para a França. Joana Le Ber vai para Quebec encontrar sua tia, Maria Le Ber da Anunciação, que lecionava nas Ursulinas, para completar a sua educação formal, onde permaneceu por três anos (1674 a 1677). (1)
     Aos quinze anos, Joana concluiu seus estudos e retornou a Ville-Marie. Ela era a única filha de Jacques Le Ber (ela tinha quatro irmãos mais novos) e como herdeira de grande parte da fortuna do pai era considerada o melhor partido na Nova França. Seus pais obrigaram-na a se vestir segundo a sua alta condição social, sonhando realizar para ela um casamento bastante vantajoso. Mas Joana já havia renunciado ao mundo, mas não se sentia chamada à vida comunitária: começou a levar uma vida de recolhimento, afastada do mundo, na casa paterna. Embora não a compreendem-se, seus pais, piedosos, respeitaram sua vocação.
     Joana desejava reparar os pecados do mundo, começando pelos seus próprios e para isto entregava-se a penitências comuns: usar cilício, flagelar-se, comer os restos dos pobres que iam se alimentar à porta da casa do seu pai - isto estava no programa diário de penitências da jovem. Vestia-se com um tecido de lã grosseira acinzentada, sem adorno algum - Joana o usava para honrar a pureza e a humildade de Maria Santíssima - e um capuz cobria sua cabeça. A piedosa jovem reclusa somente saía para assistir a Santa Missa.
     Após cinco anos de reclusão sob a direção dos padres François Dollier de Casson e Séguenot, e dos superiores eclesiásticos, a jovem pronunciou os votos de perpétua reclusão, castidade e pobreza de coração.
     Em 4 de junho de 1685, quando a capela que ela havia mandado construir para a comunidade de Madre Bourgeoys ficou pronta, Joana deixou a casa paterna para morar em uma cela atrás do altar. No dia 5 de agosto do mesmo ano, durante a celebração das Vésperas na festa de Nossa Senhora das Neves, teve lugar a breve e tocante cerimônia da sua solene reclusão.
     Em sua cela de três dependências, construída segundo suas especificações, havia uma mesa de trabalho, uma cadeira, um fogão e um colchão miserável colocado perto do Tabernáculo - isto compunha todo o mobiliário da pobre cela. Para imitar a piedade de Maria para com Jesus, a Beata dedicava-se a bordar paramentos sacerdotais e ornamentos do altar.
     As vestimentas litúrgicas e os ornamentos do altar, bordados com fios de ouro, de prata e de cores vivas, refletiam sua intensa vida de contemplação, bem como sua veneração pelas belezas da natureza, obras de Deus. Ela está na origem da Obra dos Tabernáculos, que perdura ainda hoje em Montreal. Além das roupas brancas e dos ornamentos litúrgicos, Joana também confeccionava roupas para os pobres. (2)
     Sua pobreza e reclusão, entretanto, eram atenuadas pelo fato de que, devido sua posição social, durante seus anos de reclusão ela manteve uma acompanhante, sua prima Ana Barroy, que zelava por suas necessidades materiais e a acompanhava à Missa.
     Sua oração era contínua e sua imolação total. À noite, ela se levantava sem acender o fogo, mesmo nos mais rigorosos invernos; não acendia luz alguma para que ninguém a percebesse. Virando-se então para o Santíssimo Sacramento iluminado pela claridade da lamparina do santuário, ela prolongava suas orações durante uma hora. Ela pedia particularmente a instauração da Adoração Perpétua.
     Benfeitora de Ville-Marie, no decorrer dos anos Joana se desfez de sua fortuna para ajudar os pobres, a Igreja, a Congregação de Nossa Senhora e a educação das meninas menos favorecidas.
     Em 1695, ela pronunciou um último voto de reclusão. Ela comungava quatro vezes por semana, fato raro para a época. Em meio a pungentes desolações do coração e do espírito, Joana nunca deixou de dedicar três ou quatro horas por dia à oração e jamais deixou de fazer seus exercícios de piedade.
     Muito conhecida na colônia canadense, ela recebeu a visita de Mons. de Saint-Vallier, Bispo de Quebec, e de outras personalidades. Em suas orações, ela sempre incluía as preocupações e as dificuldades de seus compatriotas. O que segue é um exemplo concreto do poder de intercessão de Jeanne.
     Em 1711, a Grã-Bretanha e a França estavam em guerra. Naquela época o Canadá era francês. Joana soube que o general britânico Nicholson estava viajando pela Nova Inglaterra em direção a Montreal, e que o almirante Walker da Grã-Bretanha estava navegando no Rio São Lourenço em direção à cidade de Quebec.
     O Barão de Longueuil, comandante do exército canadense, primo de Joana, a tinha visitado para pedir-lhe que ela fizesse uma bandeira em que ela devia bordar uma oração. Joana fez a bandeira, em que escreveu: "Nossos inimigos colocam a confiança em suas armas, mas nós colocamos a nossa confiança na Rainha dos Anjos, que invocamos. Ela é tão poderosa como um exército pronto para a batalha. Sob sua proteção esperamos derrotar nossos inimigos".
     Uma tempestade no Rio São Lourenço causou o encalhe dos navios de Walker em Île-aux-Œufs. Quando Nicholson soube o que acontecera, decidiu que não iria lutar contra os habitantes de Ville-Marie, atual Montreal.
     Resultado: o exército canadense não teve que lutar para ser vitorioso.
     O “anjo de Ville-Marie”, como era conhecida, deixou a terra em 3 de outubro de 1714, às 9h da manhã, aos cinquenta e dois anos de idade. Seu funeral atraiu toda a população de Montreal, que lhe foi prestar uma última homenagem.
     Seus pobres andrajos foram distribuídos aos fiéis, até mesmo seus sapatos, que eram feitos de palha. Todos os que conseguiram obter alguma coisa que tivesse pertencido à admirável reclusa reverenciavam tal lembrança como relíquia digna de devoção. Seu corpo foi enterrado no subsolo da capela da Congregação de Nossa Senhora.
     Os restos mortais da Beata estão atualmente na Capela Nossa Senhora do Bom Auxílio, onde uma placa mural indica o local. Os bordados de Joana Le Ber estão expostos na Maison Saint-Gabriel, Montreal. Sua vida contemplativa inspirou a congregação religiosa das Reclusas Missionárias, fundada por duas antigas alunas da Congregação de Nossa Senhora. Em 1943, religiosas reclusas foram fundadas em Alberta. Em 2004, um distrito eleitoral recebeu o seu nome.
 
(1) As Ursulinas de Quebec foram marcadas pela forte personalidade da Santa Maria Guyart da Encarnação, sua fundadora; tinham uma excelente reputação quanto à formação para a vida social e a piedade religiosa. Eram muito boas na educação cristã, no ensino dos bordados que decoravam os altares das igrejas novas erigidas nas novas paróquias da região de Quebec.
(2) Joana Le Ber é considerada a maior bordadeira do século XVII em Montreal, Canadá. Os seus bordados contribuem para se conhecer os ornamentos litúrgicos influenciados pelas técnicas e padrões franceses. Joana aprendeu a utilização dos fios de ouro e de prata, uma técnica dispendiosa, portanto rara. Desenhos de acabamento, festões de renda, galões, Joana rapidamente aprendeu os segredos da arte de confeccionar belíssimos ornamentos de altar.
 
Fontes diversas, incluindo: Resumo O. D. M. Tradução e Adaptação: Gisèle do Prado Pimentel
Bordado feito pela Beata Joana Le Ber 
 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Santa Pelágia, a Penitente - 8 de outubro

    
Miniatura medieval representando Sta. Pelágia cortejada e S. Nono rezando por ela
 
     São João Crisóstomo (354-407) narra as vicissitudes de uma célebre atriz, belíssima tanto quanto dissoluta, que depois da conversão levou vida austera de penitência. Mas não diz seu nome. Assim, um autor desconhecido, que se nomeia Tiago, julgou bom dar-lhe o nome de Pelágia e escrever um longo relato sobre sua história.

     Pelágia, a penitente (artisticamente conhecida como Margarida de Antioquia) era uma belíssima bailarina que encantava os homens com sua dança e os ornamentos luxuosos que usava, que ostentava sua riqueza e sua vida promíscua.
     Numa ocasião, o patriarca de Antioquia convocou o Sínodo dos Bispos ante a Basílica de São Juliano, o mártir, onde costumava a pregar o honorável Bispo de Edessa, São Nono. Naquela ocasião Pelágia passou pelo pórtico cavalgando um cavalo branco, rodeada de admiradores, com os braços e ombros descobertos, como se vestiam as cortesãs daquela época.
     São Nono interrompeu sua pregação, enquanto os outros bispos baixaram discretamente seus olhos, e fixou seu olhar em Pelágia até que desaparecesse de sua vista. Perguntou, em seguida, aos outros bispos: “Não vos parece muito bela esta mulher?” Os bispos, sem saber o que dizer, permaneceram calados. Nono acrescentou: “A mim, me pareceu muito bela, e creio que é uma lição de Deus para nós. Esta mulher faz o impossível para manter sua beleza e aperfeiçoar-se na dança. Quanto a nós, não realizamos por nossas dioceses e por nossas almas, sequer a metade do que ela faz”.
     Naquela mesma noite São Nono se viu, em sonho, celebrando a Liturgia, enquanto um grande e estranho pássaro, sujo e agressivo, tentava impedi-lo. Quando o diácono despediu os catecúmenos, a criatura partiu com eles, mas pouco tempo depois retornou e São Nono conseguiu então apanhá-lo e mergulhá-lo na fonte do átrio. A ave saiu da água branca como a neve, desaparecendo entre as nuvens.
     No dia seguinte, um domingo, todos os bispos que assistiram a Divina Liturgia celebrada por São Nono, pediram a ele que pregasse. Pelágia, que sequer era catecúmena, sentiu-se impelida a ir à igreja naquele dia e ouvindo a pregação sentiu suas palavras caírem fundo em seu coração. Tempos depois, escreveu uma carta a São Nono rogando-lhe que permitisse falar com ele. São Nono concordou em lhe conceder uma audiência na condição de que isto acontecesse na presença de outros bispos.
     Ao aproximar-se de São Nono Pelágia caiu de joelhos diante dele e chorando muito disse: “Eu sou Pelágia, um oceano de iniquidade repleto das ondas dos pecados. Sou o abismo da perdição, a voragem e a armadilha das almas. Enganei a muitos, e agora tenho muito medo de tudo”. (*) Então pediu o batismo e suplicou que ele se interpusesse entre ela e seus pecados para que o espírito do mal não tivesse mais domínio sobre sua alma. São Nono batizou-a, confirmando-a na fé e lhe dando a comunhão.
     Oito dias depois de seu batismo, Pelágia, que já havia renunciado a todos os seus bens em favor dos pobres, despojou-se da túnica branca dos batizados e à noite, vestida como um homem, abandonou Antioquia e seguiu solitária, a pé, para Jerusalém onde se instalou numa gruta no Monte das Oliveiras.
     Logo ficou conhecida como “Pelágio, o monge sem barba”. Três ou quatro anos depois, Jacob, um diácono de São Nono, foi visitá-la acreditando tratar-se de um monge. Durante sua permanência em Jerusalém Pelágia entregou sua alma a Deus. O diácono voltou à sua cela e encontrando-a morta foi anunciar o ocorrido ao bispo que congregou o clero para celebrar as exéquias de tão santo varão. Ao prepará-la para o sepultamento descobriram que se tratava de uma mulher. Muito admirados, deram graças a Deus e sepultaram o santo corpo com todas as honras.
     Santa Pelágia faleceu por volta do ano do Senhor de 290.
 
Etimologia: Pelágia, do latim Pelagius: “do mar, marinho, marítimo, marinheiro”. Do grego pélagos: “mar, pélago”. 
(*) Legenda Áurea de Tiago de Voragine. Fontes: http://ecclesia.com.br; www.paulinas.org.br

domingo, 5 de outubro de 2014

Santa Flor ou Flora, Religiosa - 5 de outubro


     O Hospital Beaulieu foi fundado em 1238 por Gerbert de Thémines e sua esposa Aigline de Castelnau, entre Thémines e Grammat, no caminho de Conques à Rocamadour, na direção de São Tiago de Compostela.
     O local era ao mesmo tempo um mosteiro, um hospital e um local onde os pobres, os doentes eram cuidados. Em 1259, os fundadores o doaram para a ordem religiosa, militar e hospitalar de São João de Jerusalém, chamada atualmente Ordem de Malta. As irmãs eram admitidas após comprovação de nobreza.
     Santa Flor de Issendolus ou Santa Flor ou Flora, nasceu em Maurs em 1309, no Auvergne, na nobre família de Corbie, essencialmente religiosa, que contava com três filhos e sete filhas. Quatro delas foram religiosas como Flor. Seu pai chamava-se Pons de Corbie e sua mãe Melhors de Merle.
     Desde muito pequena se fez notar por uma maturidade precoce e uma grande piedade. Com quatorze anos, confessando sua vocação religiosa, pediu para entrar no convento. Ela ingressou no Hospital Beaulieu da Ordem de São João de Jerusalém.
     Logo de sua entrada no mosteiro Flora se deu totalmente à uma vida de oração, de penitência e de caridade. Ela escolheu uma vida de serviço para aliviar o sofrimento e a miséria dos pobres e dos doentes de seu tempo. Sua atividade transbordante era acompanhada de orações e de contemplação.
     A Guerra dos 100 anos tinha iniciado. As tropas inglesas invadiram a região de Quercy em 1342. Sabe-se que Santa Flora saia constantemente do convento para ir cuidar dos doentes, principalmente em Grammat, e visitava seus pais em Maurs. Os caminhos pelos planaltos calcários lhe permitiam passar sem se chocar com as tropas que se acantonavam nos vilarejos.
     Ela assistia a Missa todos os dias. A oração fervorosa lhe permitia passar noites sem dormir. Suas virtudes e sua humildade profunda a tornaram modelo para suas companheiras.
     Durante toda sua vida no Hospital Beaulieu Flor teve numerosas visões. Nessas visões, em seus êxtases, ela se aproximava desse mundo invisível ao comum dos mortais. Ela se dessedentava na fonte verdadeira, como Cristo havia indicado à Samaritana, fortificada com a descoberta do Paraiso. A Eucaristia a fazia cair numa extrema alegria.
     Santa Flor guardava segredo de suas visões e somente seu confessor podia fazê-las conhecidas. No começo suas companheiras zombavam de sua atitude, mas pouco a pouco, como suas visões se repetiam com frequência e idênticas, as monjas compreenderam que Santa Flora era uma privilegiada de Deus.
     Parece que foi então que ela recebeu o dom de curar, pois paralíticos, epilépticos recuperaram a saúde.
     Quanto mais sua alma se elevava para Deus, mais seu corpo se degradava. Esgotada devido a seus êxtases, ela se alimentava mal. Esgotada pela doença e pelo trabalho, Santa Flora faleceu em 1347, provavelmente no dia 5 de outubro, na idade de 38 anos.
    Após sua partida deste mundo, curas milagrosas ocorreram junto a seu túmulo. Os milagres se multiplicaram, seu sepulcro tornou-se o centro de uma piedosa peregrinação. Treze anos após sua morte seu corpo foi exumado e exposto à veneração dos fieis por ordem do Bispo de Cahors, Bertrand de Cardaillac.
     As relíquias foram levadas para a capela do Hospital Beaulieu. Em 1793, os revolucionários incendiaram o hospital. As relíquias da Santa foram profanadas e queimadas. Duas almas misericordiosas salvaram o crânio e uma tíbia da Santa. Em 1866, o Bispo de Cahors mandou depô-los na igreja de Issendolus.
     Proclamada Santa pelo povo antes de o ser oficialmente pela Igreja, Santa Flora realizou numerosos milagres: 109 foram reconhecidos. Eles foram descritos desde o século XVII, mas ainda hoje eles acontecem. Numerosas narrativas autenticam a intervenção de Santa Flora.
     As intercessões de Santa Flor acontecem dentro da tradição da Ordem religiosa e militar a favor dos pobres, dos doentes, dos peregrinos e dos soldados. A relação dos milagres de Santa Flora, por vezes narrativas reduzidas a algumas linhas, traz informações sobre a vida da província durante a Guerra dos 100 anos e as devoções populares.
     Santa Flor ficou conhecida graças ao seu confessor que escreveu sua vida. O texto original em latim desapareceu, mas uma tradução gasconha do século XV se conservou sob o nome de: Vida e miracles de S. Flor. O texto foi publicado por Clovis Brunel em 1946.
 
Etimologia: Flora, do latim Flora, deusa das flores, entre os romanos. Deriva-se de flos, floris: “flor”.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Sts. Máxima, Júlia e Veríssimo, Mártires - 3 de outubro

     Assim diz o Martirológio Romano de 1953: “Em Lisboa, na Lusitânia (agora Portugal), os santos mártires Veríssimo e suas irmãs Máxima e Júlia, que sofreram durante a perseguição do imperador Diocleciano” (284-305).
     Uma das referências mais antigas dos mártires de Lisboa é encontrada no Martirológio de Usuardo do século IX. Os testemunhos litúrgicos multiplicaram-se ao longo dos séculos X e XI. O Padre Miguel de Oliveira sustenta a opinião de que "os santos mártires de Lisboa já estavam inscritos nos calendários uns 200 anos depois do seu martírio". Esta devoção foi guardada pela comunidade moçárabe de Córdoba.
     Quanto aos detalhes da vida destes mártires, só os conhecemos pelo descrito num códice quatrocentista da Biblioteca Pública de Évora, (cód. CV/1-23d). Segundo a "Legenda", os irmãos lisbonenses, Veríssimo, Máxima e Júlia, durante a perseguição de Diocleciano apresentaram-se espontaneamente ao executor dos éditos imperiais,
Públio Daciano, legado do imperador, confessando a fé cristã.
     O juiz procurou dissuadi-los com promessas e ameaças; como nada conseguisse, mandou-os prender. Os três irmãos saíram vitoriosos da prova do cárcere. O juiz então mandou submetê-los a vários tormentos: açoites, ecúleo, unhas de ferro, lâminas em brasa. Diante de sua inabalável resistência, mandou que fossem arrastados pelas ruas da cidade e finalmente degolados. Alcançaram a palma do martírio em 303 ou 304.
     Depois de mortos, o juiz ordenou que os cadáveres ficassem insepultos para servirem de pasto aos cães e às aves, mas as feras os respeitaram. Mandou em seguida que eles fossem lançados no mar com pesadas pedras. Quando os barqueiros regressaram à praia do Rio Tejo encontraram ali os santos despojos. Os cristãos recolheram-nos e sepultaram-nos no lugar onde depois se erigiu a igreja Santos-o-Velho, a primeira igreja em Lisboa a albergar as relíquias destes Santos.
     Em 1475, D. João II ordenou que fossem trasladados para Santos-o-Novo, mosteiro das Comendadeiras de São Tiago. Em 1529, a comendadeira Da. Ana de Mendonça mandou colocar as relíquias em um cofre de prata, que foi depositado ao lado direito do altar mor da igreja.
     Alguns estudiosos pretenderam que estes mártires fossem filhos de um senador romano vivendo em Roma, os quais receberam de um anjo a missão de irem a Lisboa para confessarem a Fé. Esta legenda repercutiu na iconografia: os três mártires são apresentados em trajes de romeiros, portanto bordões compridos nas mãos. É como os podemos ver no belo conjunto de três imagens do século XVII expostas ao culto na igreja do extinto Mosteiro de Santos-o-Novo, em Lisboa, que guarda parte das relíquias dos mártires.
 
Fontes: http://evangelhoquotidiano.org/; Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J.
 
Mosteiro de Santos-o-Novo
     Uma velha tradição diz ter o Rio Tejo arrojado a uma das praias da sua margem direita, que depois se ficou chamanda de Santos, os corpos dos santos mártires Veríssimo, Máximo e Júlia. No local, pela tradição indicado, mandou D. Afonso Henriques edificar a Igreja de Santos, e D. Sancho I um mosteiro, destinado aos cavaleiros da Ordem de Santiago da Espada. Mais tarde, tendo estes recebido de D. Afonso III as vilas de Mértola, Alcácer do Sal e Palmela, foi o mosteiro concedido a algumas senhoras parentes dos cavaleiros de Santiago, a quem D. Afonso Henriques concedera o título de Comendadeira e que por êsse tempo viviam reunidas numa quinta em Arruda dos Vinhos.
     Largos anos estiveram essas donas e donzelas no mosteiro de Santos, sendo conhecidas vulgarmente nessa época por mulheres da obrigação dos cavaleiros de Santiago. Porém, em 1470, D. João II mandou que essas senhoras passassem para a ermida de Nossa Senhora do Paraíso, entre os conventos de Santa Clara e Xabregas, enquanto se construia, o de Santos-o-Novo.
     Em 1475 entraram as comendadeiras naquele novo e vasto convento, com bons dormitórios, grande claustro arborizado, tendo o espaçoso edifício muitos compartimentos e 365 janelas. E anos depois, foram solene e processionalmente transportadas para o convento de Santos-o-Novo as relíquias dos Santos Mártires, que desde o reinado de D. Afonso Henriques estavam guardadas na igreja de Santos-o-Velho.
     As senhoras recolhidas naquele mosteiro gozavam de muitas honras e privilégios, não sendo consideradas freiras. Eram pessoas nobres, que podiam ter criadas ao seu serviço. Algumas delas professavam votos iguais aos cavaleiros da mesma Ordem de Santiago. Pertenceram à Ordem senhoras de nobre estirpe, como D. Auzenda Egas, descendente de Egas Moniz e D. Sancha Martins Peres, que foi a primeira superiora.
     Como D. Afonso Henriques recomendara em uma carta para Arruda dos Vinhos que as senhoras usassem toucados honestos, as comendadeiras seguiram sempre essa recomendação vestindo trajos de sêda preta colocando sôbre êles mantos brancos de tule com as cruzes de Santiago e toucados também brancos nos cabelos. A princípio ocuparam, cada uma, várias dependências do convento, mas, pouco a pouco, foram vivendo mais modestamente, contentando-se cada uma com mais reduzido número de compartimentos; e o título de comendadeira chegou ao séc. XIX apenas como honorífico.
     O terramoto de 1755 arruinou bastante o edifício, chegando as senhoras ali recolhidas a terem que armar barracas na cêrca do convento para ali se abrigarem, até se reedificarem os seus dormitórios. Em 1833, o mosteiro podia acomodar 500 pessoas. Mas nesse mesmo ano D. Pedro IV ordenou que as religiosas de todos os conventos recolhessem para dentro das linhas de defesa de Lisboa, e a maior parte das comendadeiras de Santo-o-Novo recolheu ao mosteiro da Encarnação, da Ordem de S. Bento de Aviz. Terminadas as lutas civis, as comendadeiras regressaram ao seu convento.
     O edifício do convento de Santos é atualmente (1941) patrimônio do Estado e destinado a recolhimento de viúvas e filhas de oficiais do Exército e da Armada e funcionários públicos, dependendo da Direção Geral de Assistência Pública. No edifício estão também escolas primárias e o Instituto Presidente Sidónio Pais, do Prefessorado Primário (secção masculina).
 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Beata Cecilia Eusepi, Terciária servita - 1 de outubro

    
     Esta é a história de uma mocinha. Não era um gênio, não deixou obras. Nada de excessivo, em suma, nada de especial. Se não fosse que para Alguém tivesse sido tão preciosa.

     Cecília Eusepi é o nome desta jovem que viveu no início do século XX num vilarejo às portas de Roma e morta pela tuberculose com apenas dezoito anos. De si não deixou mais do que poucos cadernos com as suas recordações de infância e um diário, escritos apenas para obedecer ao seu confessor quando já estava tomada pela doença.
     A beatificação, introduzida pouco depois da sua morte, procedeu sem obstáculos. No dia 1º de junho de 1987 foi declarada venerável por João Paulo II, e dia 17 de junho de 2012 foi proclamada beata pelo Papa Bento XVI.
     Hoje já há quem a considere uma irmã espiritual de Santa Teresa de Lisieux, à qual Cecília Eusepi é semelhante em muitos aspectos.
Vida e Morte
     Nepi é uma antiga cidadezinha da Tuscia a quarenta quilômetros de Roma. Um dos muitos sonolentos vilarejos que tempos atrás pertenciam à Itália camponesa. Foi neste ambiente que foi morar Cecília, vinda de Monte Romano, uma cidadezinha próxima na qual tinha nascido no dia 17 de fevereiro de 1910, última de onze filhos. Com a mãe viúva e o tio materno estabeleceram-se a três quilômetros do vilarejo, numa propriedade chamada “La Massa” que pertencia aos Duques Lante della Rovere, onde o tio trabalhava como caseiro.
     Muito vivaz e sensível, cresceu circundada por um afeto particular, principalmente por parte do tio, a cujos cuidados seu pai, antes de morrer, a tinha confiado. Aos seis anos, como muitas meninas do povoado, foi mandada à escola junto ao mosteiro cisterciense de Nepi, que hospedava na comunidade as órfãs de guerra. Pela destacada sensibilidade e a rapidez de aprendizado de tudo aquilo que lhe ensinavam, as monjas não esconderam a esperança de tê-la um dia entre os muros do claustro.
     Mas não era a vida monacal que atraía Cecília. Um pouco mais adiante, a cem metros do convento, encontrava-se a paróquia de São Ptolomeu mantida pelos Servos de Maria, à qual tinha anexo o seminário, que então era lotado de aspirantes sacerdotes para as missões. Em torno da paróquia de São Ptolomeu gravitava toda a vida juvenil do vilarejo.
     Concluída a escola primária, Cecília passava o seu tempo ali, e foi neste contexto que amadureceu precocemente e com surpreendente clareza a sua vocação. Tanto que com apenas doze anos, junto com outras colegas maiores, pediu para entrar como terciária na ordem dos Servos de Maria e no ano seguinte, apesar da tenra idade e das tentativas para dissuadi-la por parte dos familiares, obteve do bispo a dispensa para entrar postulante entre as “Mantellates” Servas de Maria. Foi estudar em Roma, em Pistóia e depois em Zara.
     Mas a sua aspiração de partir como missionária não se realizaria. Em outubro de 1926, atingida pela doença que dois anos depois a levaria à morte, foi obrigada a voltar para Nepi.
     A pedido do Pe. Gabriele Roschini, seu confessor, escreveu suas memórias e as entregou em junho de 1927 num caderninho de escola.
Como Santa Teresa de Lisieux
     Quem lê aquela narração talvez poderá se admirar com o modo infantil e confidencial de Cecília falar da sua ligação de pertença a Jesus, mas toda sua sabedoria está neste ser criança abandonada à graça de Deus. Exatamente como Santa Teresa de Lisieux. Ela mesma diz isso: Chegarei a Jesus por um pequeno atalho, breve, muito breve, que me foi traçado pela pequena Teresa do Menino Jesus.
     Foi justamente a leitura de "História de uma alma" que provocou em Cecília ainda menina o desejo de abraçar a vida religiosa. Cecília ainda não tinha completado dez anos e Teresa de Lisieux não tinha sido proclamada venerável. Mais tarde diria: Jamais pensei em chamá-la de irmã, embora tivesse notado entre a minha alma e a Sua uma grande semelhança, não pela correspondência à graça, mas pelos dons de graça que Jesus nos concedeu.
     No dia 23 de outubro de 1926, com a volta para Nepi, para Cecília se inicia o último e breve percurso da sua vida, marcado pela manifestação e agudeza progressiva da tuberculose. Período que se tornou ainda mais doloroso pela solidão do chamado por ela “exílio em La Massa”. Um exílio sofrido pela consciência de não poder mais professar os votos, pelo afastamento de Nepi, e as calúnias por parte dos proprietários do local. Único conforto, a devoção filial a Nossa Senhora das Dores que ela chama o seu “coração” e à Eucaristia, o seu “tesouro”, que Pe. Roschini, duas vezes por semana, com qualquer condição de tempo, pontualmente levava para ela.
     Não faltam, para romper o exílio, as frequentes visitas dos camponeses, dos colegas da Ação Católica, e dos jovens seminaristas acompanhados pelos padres, os quais com frequência pedem a essa mocinha doente e pouco instruída conselhos para as homilias.
     Nestes últimos anos Cecília terá do “pequeno caminho” uma lúcida consciência: Humildade, abandono, amor”. Até o fim não diminuiria a sua simplicidade e alegria, faleceu cantando as orações à Maria que tinha aprendido quando pequena. Era o dia 1º de outubro de 1928. E também esta data parece quase uma coincidência. Teresa morrera no dia precedente, dia 30 de setembro de 1897. Em 1927, ano em que foi proclamada por Pio XI padroeira das missões, no dia 1º de outubro Teresa apareceu num sonho de Cecília, assim como está documentado no seu diário, preanunciando sua morte exatamente para aquele dia.
     Cecília desejava repousar para sempre na igreja de São Ptolomeu, aos pés do altar de Nossa Senhora das Dores, ali onde estava o seu “coração”. E também este desejo foi concedido durante a guerra, quando por temor dos bombardeamentos os frades decidiram transportar os seus restos para o interior da igreja. Naquela ocasião foi feito um reconhecimento dos seus restos e os presentes viram com surpresa que o corpo estava intacto (assim como se encontra até agora) “e a pele era tão macia”, lembra Pe. Pietro, atual pároco de São Ptolomeu, “que parecia que estava dormindo...”. 
Milagre
     Uma junta médica aprovou por unanimidade, no dia 1° de outubro de 2009, a cura de Thomas Ricci, ocorrida em 4 de agosto de 1959, depois que ele sofreu uma queda acidental. Sua recuperação milagrosa foi a condição necessária para a continuação da causa de beatificação da Serva de Deus Cecilia Eusepi.
 

domingo, 28 de setembro de 2014

Beata Amália Abad Casasempere, Mãe de família e mártir - 28 de setembro

     Amália Abad Casasempere nasceu em 11 de dezembro de 1897 em Alcoy, Alicante, na Espanha. Foi batizada no mesmo dia na paróquia do seu povoado; foi crismada em 6 de  outubro de 1906 e recebeu a 1ª Comunhão em 22 de maio de 1907. Amália foi educada nos valores da fé e cresceu, como muitas jovens da sua geração, em meio às dificuldades políticas daquelas primeiras décadas do século XX, na Espanha.
     Em 6 de setembro de 1924, casou-se com o capitão do exército Luís Maestre Vidal, preocupando-se doravante em ser uma boa esposa e criar o ambiente adequado para criar os filhos que Deus lhes concederia. Nada levava a crer que, após a alegria do nascimento dos seus três filhos, e depois de três anos de matrimônio, Amália ficaria viúva.
     Ela teve que ser forte e nos momentos de fraqueza confiava seus filhos à Virgem Maria. Sabia que a fé era o maior tesouro que poderia lhes dar e educou-os num ambiente de piedade e generosidade. Apesar da responsabilidade que implicava educar seus três filhos, Amália encontrava tempo para participar de várias atividades da Igreja, de maneira especial na Ação Católica. Sem se descuidar do seu lar, se dedicava com entusiasmo à catequese e às obras de caridade.
     Quando a perseguição religiosa começou na Espanha, com a consequente destruição de igrejas e conventos, e o assassinato de inúmeros católicos, Amália escondeu em sua casa duas religiosas, sabendo que esta atitude poderia custar-lhe a vida. Seu despojamento e caridade a impulsionaram a visitar dois fiéis encarcerados para dar-lhes ânimo e socorrê-los materialmente. Os perseguidores, conhecendo sua militância católica e a ajuda que prestava aos detentos, prenderam-na e submeteram-na a todo tipo de maus-tratos e fome.
     Finalmente, em 28 de setembro de 1936, a jovem mãe deu testemunho do seu amor a Jesus Cristo com seu próprio sangue, sendo assassinada em Benillup pelos milicianos. Sua confiança na Providência de Deus frutificou: seus filhos foram ajudados e anos mais tarde uma filha sua partiu rumo à África como missionária.
     O Papa João Paulo II elevou-a a honra dos altares no dia 11 de março de 2001, juntamente com outros 232 mártires da perseguição religiosa ocorrida na Espanha. 
 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Santa Justina, virgem e mártir - 26 de setembro


     Vivia em Antioquia, região situada entre a Síria e a Arábia, pertencente ao governo da Fenícia, a bela e rica donzela Justina. Seu pai Edeso, sacerdote dos ídolos, e sua mãe Cledônia a educaram nas tradições pagãs. Ela “sentava-se todos os dias à janela a ouvir o diácono Prélio ler o Evangelho, até que, por fim, foi convertida por ele”(*) ao Cristianismo, dedicando sua vida às orações, consagrando e preservando sua virgindade.
     Um jovem rico chamado Acládio apaixonou-se por Justina. Os pais da donzela, agora já convertidos à fé cristã, concederam-na a ele por esposa, mas Justina não aceitou casar-se. Acládio recorreu a Cipriano, o feiticeiro, para que este usasse seu poder para que a donzela abandonasse a Fé e se entregasse ao matrimônio.
     Cipriano de Antioquia, o feiticeiro, assim denominado para distinguir-se de Cipriano de Cartago, era filho de pais pagãos muito ricos. Desde menino foi induzido aos estudos da feitiçaria e das ciências ocultas como a alquimia, astrologia, adivinhação e as diversas modalidades de magia.
     Após muito tempo viajando pelo Egito, Grécia e outros países aperfeiçoando seus conhecimentos, aos trinta anos de idade Cipriano foi à Babilônia a fim de conhecer a cultura ocultista dos Caldeus. Encontrou a Bruxa Évora e intensificou seus estudos e aprimorou a técnica da premonição. Évora morreu em avançada idade deixando seus manuscritos para Cipriano, o que foi de grande proveito para ele. O feiticeiro logo se tornou conhecido, respeitado e temido por onde passava.
     Cipriano iniciou o ataque contra Justina: usou um pó que despertaria a luxúria, ofereceu sacrifícios aos demônios e empregou diversas obras malignas. Mas Justina se defendia redobrando as orações a Deus e fazendo o Sinal da Cruz a cada novo ataque do demônio, e as magias não obtinham resultado.
     A ineficácia dos feitiços fez com que Cipriano caísse em si e se desiludisse profundamente de sua fé pagã e se voltasse contra o demônio. Ele foi ter com o bispo contando-lhe tudo o que havia acontecido, protestando sincero arrependimento e pedindo-lhe que o batizasse. Assim, o bruxo se converteu ao Cristianismo, queimou seus manuscritos de feitiçaria e distribuiu seus bens entre os pobres.
     Cipriano avançou tanto no conhecimento da doutrina como na vida cristã que foi ordenado bispo após a morte do titular. Ele então pôs Justina à frente de um grupo de muitas virgens. São Cipriano enviava muitas cartas aos mártires fortalecendo-os no combate.
     Chegou ao conhecimento do governador romano daquela região a fama de Cipriano e de Justina. Baseando-se no decreto do imperador Diocleciano, que perseguia os cristãos, ordenou que fossem presos, torturados e forçados a negar a Fé Cristã.
     Diante do governador Justina foi chicoteada e Cipriano açoitado com pentes de ferro, mas não cederam. Irritado com esta resistência, o governador ordenou que Cipriano e Justina fossem lançados numa caldeira cheia de banha e cera ferventes. Eles não só não renunciaram à Fé, como sentiam muito frescor em vez de qualquer suplício.
     O sacerdote dos ídolos supôs que as torturas não produziam resultado devido a algum feitiço lançado por Cipriano. Desafiando-o, ele invocou os demônios e atirou-se na caldeira. Em poucos segundos seu corpo foi destruído.
     O governador então ordenou que Justina, Cipriano e outro cristão de nome Teoctisto fossem decapitados. Era o ano 302. Os seus corpos ficaram expostos aos cães por seis dias, mas estes não os tocaram; foram depois recolhidos pelos cristãos e trasladados para Roma.
     Estes santos foram introduzidos por São Beda em seu Martirológio, e por meio dos martirológios históricos passaram para o Martirológio Romano, onde são comemorados no dia 26 de setembro.
     Obs.: Justina vem de justitia, “justiça”.
 
(*) Fonte: Legenda Áurea, Tiago de Voragine.