quinta-feira, 13 de abril de 2017

As Horas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo

Das 4 às 5 da madrugada                  Jesus nas mãos dos soldados é negado por Pedro
Estando Pedro embaixo, no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote. Ela fixou os olhos em Pedro, que se aquecia, e disse: Também tu estavas com Jesus de Nazaré. Ele negou: Não sei, nem compreendo o que dizes. E saiu para a entrada do pátio; e o galo cantou. (Mc 14, 66-68) Dirigia-se ele para a porta, a fim de sair, quando outra criada o viu e disse aos que lá estavam: Este homem também estava com Jesus de Nazaré. Pedro, pela segunda vez, negou com juramento: Eu nem conheço tal homem. Pouco depois, os que ali estavam aproximaram-se de Pedro e disseram: Sim, tu és daqueles; teu modo de falar te dá a conhecer. Pedro então começou a fazer imprecações, jurando que nem sequer conhecia tal homem. E, neste momento, cantou o galo. Pedro recordou-se do que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante duas vezes, negar-me-ás três vezes. E saindo, chorou amargamente. (Mt 26, 71-75)


Das 5 às 6 da madrugada                  Jesus na prisão
Ao amanhecer, reuniram-se os anciãos do povo, os príncipes dos sacerdotes e os escribas, e mandaram trazer Jesus ao seu conselho. Perguntaram-lhe: Dize-nos se és o Cristo! Respondeu-lhes ele: Se eu vo-lo disser, não me acreditareis; e se vos fizer qualquer pergunta, não me respondereis. Mas, doravante, o Filho do Homem estará sentado à direita do poder de Deus. Então perguntaram todos: Logo, tu és o Filho de Deus? Respondeu: Sim, eu sou. Eles então exclamaram: Temos nós ainda necessidade de testemunho? Nós mesmos o ouvimos da sua boca. (Lc 22, 66-71)

Das 6 às 7 da manhã                          Caifás confirma a condenação à morte e O envia a Pilatos
Pilatos entrou no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? Jesus respondeu: Dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim? Disse Pilatos: Acaso sou eu judeu? A tua nação e os sumos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste? Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súbditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo. Perguntou-lhe então Pilatos: És, portanto, rei? Respondeu Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz. Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? (Jo 18, 33-38) Saiu, por isso, Pilatos para ter com eles, e perguntou: Que acusação trazeis contra este homem? Responderam-lhe: Se este não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti. Disse, então, Pilatos: Tomai-o e julgai-o vós mesmos segundo a vossa lei. Responderam-lhe os judeus: Não nos é permitido matar ninguém. Assim se cumpria a palavra com a qual Jesus indicou de que gênero de morte havia de morrer (Mt 20,19). Declarou Pilatos aos príncipes dos sacerdotes e ao povo: Eu não acho neste homem culpa alguma. (Lc 23, 4)


Das 7 às 8 da manhã                          Jesus diante de Pilatos manda Jesus a Herodes
E quando soube que era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, pois justamente naqueles dias se achava em Jerusalém. Herodes alegrou-se muito em ver Jesus, pois de longo tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar dele muitas coisas, e esperava presenciar algum milagre operado por ele. Dirigiu-lhe muitas perguntas, mas Jesus nada respondeu. Ali estavam os príncipes dos sacerdotes e os escribas, acusando-o com violência. Herodes, com a sua guarda, tratou-o com desprezo, escarneceu dele, mandou revesti-lo de uma túnica branca... (Lc 23, 7-11) Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. (Ele não abriu a boca.) (Is 53, 7)

Das 8 às 9 da manhã                          Herodes devolve Jesus a Pilatos que manda flagelá-Lo
Pilatos convocou então os príncipes dos sacerdotes, os magistrados e o povo e disse-lhes: Apresentastes-me este homem como agitador do povo, mas, interrogando-o eu diante de vós, não o achei culpado de nenhum dos crimes de que o acusais. Nem tampouco Herodes, pois no-lo devolveu. Portanto, ele nada fez que mereça a morte. Por isso, soltá-lo-ei depois de o castigar. (Lc 23, 13-16) Pilatos então mandou então flagelar JESUS (Jo 19,1) Os soldados conduziram-no ao interior do pátio, isto é, ao pretório, onde convocaram toda a coorte. (Mc 15, 16) 


Das 9 às 10 da manhã                        Jesus é coroado de espinhos
Os soldados teceram de espinhos uma coroa e puseram-lha sobre a cabeça, diziam: Salve, rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas. (Jo 19, 2-3) Arrancaram-lhe as vestes e colocaram-lhe um manto escarlate. Depois, trançaram uma coroa de espinhos, meteram-lha na cabeça e puseram-lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante dele, diziam com escárnio: Salve, rei dos judeus! Cuspiam-lhe no rosto e, tomando da vara, davam-lhe golpes na cabeça. (Mt 27, 28-30)


Das 10 às 11 da manhã                      Jesus é condenado à morte e vai para o Calvário
Pilatos disse aos judeus: Eis o vosso rei! Mas eles clamavam: Fora com ele! Fora com ele! Crucifica-o! Pilatos perguntou-lhes: Hei de crucificar o vosso rei? Os sumos sacerdotes responderam: Não temos outro rei senão César! (Jo 19, 14-15) Pilatos viu que nada adiantava, mas que, ao contrário, o tumulto crescia. Fez com que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante do povo e disse: Sou inocente do sangue deste homem. Isto é lá convosco! E todo o povo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos! Libertou então Barrabás, mandou açoitar Jesus e lho entregou para ser crucificado. (Mt 27, 24-26) Em seguida levaram-nO para crucificar” (Mt 27, 31) Levaram então consigo Jesus. Ele próprio carregava a sua cruz para fora da cidade, em direção ao lugar chamado Calvário, em hebraico Gólgota. (Jo 19, 17) Enquanto o conduziam, detiveram um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para que a carregasse atrás de Jesus. (Lc 23, 26) Seguia-O uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam.


Das 11 ao meio-dia                            Jesus é despojado de suas vestes e crucificado
Depois de os soldados crucificarem Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. A túnica, porém, toda tecida de alto a baixo, não tinha costura. Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas deitemos sorte sobre ela, para ver de quem será. Assim se cumpria a Escritura: Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sorte sobre a minha túnica (Sl 21,19). Isso fizeram os soldados. (Jo 19, 23-24)


Do meio-dia à 1 da tarde                   1ª hora de agonia sobre a Cruz. 1ª Palavra de Jesus
Jesus, porém, dizia: “Meu Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem”. É preciso ser Jesus para encontrar desculpas e palavras de perdão para um tão grande crime. A oração de Jesus produziu logo o desejado efeito: converteu-se um dos ladrões e os soldados proclamaram sua divindade.

Da 1 às 2 da tarde                              2ª hora de agonia. Segunda, terceira e quarta Palavras
[O bom ladrão] dizia a Jesus: “Senhor, lembrai-vos de mim quando chegardes ao vosso reino”. Respondeu-lhe Jesus: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso”. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa. (Jo 19, 26-27) Quase a hora nona, clamou Jesus com grande brado, dizendo: “Eli, Eli, lamma sabacthani?” Isto é: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”

   
 

Das 2 às 3 da tarde                            3ª hora de agonia. Quinta, sexta e sétima Palavras de Jesus
“Tenho sede”. Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-lhe à boca. (Jo 19, 29) Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: “Tudo está consumado”. (Jo 19, 30) O véu do templo rasgou-se então de alto a baixo em duas partes. (Mc 15, 38) Jesus deu então um grande brado e disse: “Meu Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. (Lc 23, 46) Inclinou a cabeça e rendeu o espírito. (Jo 19, 30)


Das 3 às 4 da tarde                            Jesus morto é trespassado com a lança do soldado. Jesus é descido da Cruz                  
Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados. Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água. (Jo 19, 31-34)
Havia um homem, por nome José, membro do conselho, homem reto e justo. Ele não havia concordado com a decisão dos outros nem com os atos deles. Originário de Arimatéia, cidade da Judéia, esperava ele o Reino de Deus. Foi ter com Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus. (Lc 23, 50-52) Pilatos admirou-se de que ele tivesse morrido tão depressa. E, chamando o centurião, perguntou se já havia muito tempo que Jesus tinha morrido. Obtida a resposta afirmativa do centurião, mandou dar-lhe o corpo. (Mc 15, 44-45)

Das 4 às 5 da tarde                            A sepultura de Jesus - Maria Santíssima desolada
Foi, pois, e tirou o corpo de Jesus. Acompanhou-o Nicodemos (aquele que anteriormente fora de noite ter com Jesus), levando umas cem libras de uma mistura de mirra e aloés. Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar. (Jo 19, 38-40) No lugar em que ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado. Foi ali que depositaram Jesus por causa da Preparação dos judeus e da proximidade do túmulo. (Jo 19, 41-42) ... Depois rolou uma grande pedra à entrada do sepulcro e foi-se embora. (Mt 27, 60) As mulheres, que tinham vindo com Jesus da Galiléia, acompanharam José. Elas viram o túmulo e o modo como o corpo de Jesus ali fora depositado. Elas voltaram e prepararam aromas e bálsamos... (Lc 23, 55-56)

    
Oração de agradecimento depois de cada Hora.
     Meu Jesus, Tu chamaste-me nesta Hora da Tua Paixão a fazer-Te companhia e eu vim. Parecia-me que Te ouvia, angustiado e sofredor, a pedir, a reparar e a sofrer, e com as vozes mais comovedoras e eloquentes pedir a salvação das almas. ...
     Ó Jesus, faz com que de todo o meu ser brote uma corrente contínua de gratidão e de bênçãos, de forma a atrair sobre mim e sobre todos as Tuas bênçãos e graças. Ó Jesus, aperta-me ao Teu Coração e com as Tuas mãos santíssimas marca cada partícula do meu ser com o Teu “bendigo-Te”, para que de mim brote um hino contínuo de louvor a Ti.

Nota: O Pe. Aníbal Maria Di Francia no dia 16 de maio de 2004 foi declarado Santo. A sua memória celebra-se no dia 1 de junho.

Fonte: http://www.passioiesus.org/pt/horasdelapasion/distribucion.htm

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Beata Ida de Boulogne, Viúva, Oblata secular beneditina - 13 de abril

Martirológio Romano: No mosteiro de Santa Maria de Capelle, perto de Wast, na região de Boulogne, França, Beata Ida, que, viúva de Eustáquio, conde de Boulogne, brilhou por sua liberalidade junto aos pobres e por seu zelo no decoro da casa de Deus. († 1113)

     Ida nasceu em Boulogne, em 1040. Era filha de Godofredo, duque da Baixa Lotaríngia, e aos 17 anos desposou Eustáquio II, conde de Boulogne. Ida foi mãe de Eustáquio III, de Godofredo de Bouillon e de Balduino I, reis de Jerusalém.
     Suas imensas possessões se estendiam desde Luxemburgo até o Atlântico, passando por Ardenne e Pas de Calais.
     Muito devota, sua ocupação favorita era confeccionar belos ornamentos litúrgicos. Rezava com tanto fervor, que o Cronista Guilherme de Tiro atribuía boa parte do êxito da 1ª Cruzada às suas orações.
     Grande benfeitora das igrejas e dos pobres, após a morte de seu marido fundou vários mosteiros: Saint-Wulmer em Boulogne para os Cônegos Agostinianos, Saint-Michel-du-Wast para os monges de Cluny. Ela fez doações consideráveis ​​para a Abadia Saint-Bertin, Bouillon e Afflighem, favoreceu a reforma de Cluny sob a influência de Santo Anselmo de Canterbury, seu diretor espiritual, o qual manteve com ela uma correspondência epistolar que chegou até nós. Este particular destaca o papel que o santo arcebispo teve na reforma monástica na região de Flandres.
     Ida não tomou o hábito beneditino, como se acreditava (Holweck, p. 500), mas obteve de Santo Ugo a ligação espiritual com Cluny, de modo a ser considerada oblata da Ordem Beneditina.
     Ela morreu no dia 13 de abril de 1113 e foi enterrada na igreja de Wast (notamos que muitas informações biográficas erroneamente mencionam Saint-Waast, em vez de Wast). Em 1669 seus restos mortais foram transferidos para os beneditinos de SSmo. Sacramento em Paris, que levaram com eles quando, em 1808, se estabeleceram em Bayeux, onde eles ainda são mantidos (uma relíquia, no entanto, foi deixada em Wast).
A Beata se despede do filho que vai para a Cruzada
     A festa de Ida que era celebrada na antiga diocese de Boulogne, mais tarde foi autorizada para as dioceses de Arras e Bayeux, quando adotaram o rito romano. A comemoração da santa é encontrada em muitos calendários medievais a 13 de abril. No entanto, naquele dia é recordada a Beata Ida de Louvain, da qual se ignora a data da morte.
     Para a santa mãe do grande cruzado Godofredo de Bouillon não se tem uma representação iconográfica bem caracterizada e poucas são as imagens dela. Entre estas, muito tardia, vale a pena notar a escultura em madeira do artista do século XVIII Georg Ueblherr na igreja austríaca de Engelszell, que a representa em adoração do crucifixo.
     Ela é patrona das viúvas. 
    Ida teve dois filhos e um genro que deixaram marca na História. Seus filhos Godofredo de Bouillon e Balduino I tomaram parte na gloriosa primeira cruzada e foram os primeiros soberanos francos do reino de Jerusalém.
     Seu genro foi Henrique IV, imperador da Alemanha, cujo nome ficou ligado a “questão das Investiduras”. Quando foi derrotado, teve que implorar perdão ao Papa Gregório VII, porém mais tarde, retomou as hostilidades, se apoderou de Roma e mandou o Papa para o exílio, onde morreu.


Fonte: http://www.santiebeati.it/

terça-feira, 11 de abril de 2017

Beata Sancha de Portugal, Princesa, monja - 11 de abril

     
A Beata Sancha aparece para suas irmãs, Beatas Teresa e Mafalda
     A princesa Sancha, ou Sancha Sanches, era filha de D. Sancho I de Portugal e de sua esposa, a rainha Dulce de Barcelona. Seus avós paternos foram Mafalda de Saboia, filha do Conde Amadeu III, e Afonso I Henriques, primeiro rei de Portugal. Era também irmã das Beatas Teresa, rainha de Castela e Leão (festejada em 2 de maio) e Mafalda, abadessa de Arouca (festejada em 17 de junho).
     Sancha nasceu em Coimbra em 1180. Foi educada, como suas irmãs, na piedade e austeridade dos bons tempos.
     Quando seu pai D. Sancho I faleceu, ela devia receber, segundo as disposições testamentárias, o castelo de Alenquer e dispor de todos os recursos que deste dependiam, podendo mesmo utilizar o título de rainha.
     Esta disposição de D. Sancho I foi causa de lutas entre Sancha e seu irmão Afonso II, que tinha sucedido a se pai no trono de Portugal, o qual desejava centralizar em si todo o poder. Para evitar que o patrimônio deixasse de pertencer à coroa portuguesa na sequência de um futuro casamento de sua irmã, o que criaria um problema para a soberania de Portugal, revogou o testamento, despojando Sancha e suas irmãs dos bens nele dispostos.
     Sancha, que não tinha qualquer ideia de se casar, porque desejava consagra-se unicamente a Deus, acabou por deixar a seu irmão o total domínio da herança que recebera de seu pai.
     Como o testamento provia também terras e castelos para suas irmãs Teresa e Mafalda, formou-se então um partido de nobres afetos pelas infantas, liderado pelo Infante Pedro, que se exilou em Leão, sob a proteção de Teresa, então rainha consorte de Leão, que após tomar alguns locais transmontanos acabou por ser derrotado.
     Com a morte de Afonso II e a subida ao trono de seu filho Sancho II, o problema foi resolvido, concedendo este os castelos herdados a suas tias, nomeando seus alcaides entre os nomes que estas propusessem, pedindo-lhes apenas que renunciassem ao título de rainhas (1223).
     Animada pelo mais alto espírito de fé e zelo do serviço de Deus, logo que assegurou a posse da vila de Alenquer, o seu primeiro cuidado foi fundar nas proximidades, na serra de Montejunto, um convento de Dominicanos e outro de Franciscanos, na mesma vila, tudo pela sua devoção e especial proteção que dispensava às ordens mendicantes.
     Com igual zelo e devoção edificou também a Igreja de Redondo. Para si ergueu o Convento de Celas, em Coimbra, onde tomou o hábito de Cister, para levar, sob aquela regra, uma vida de oração e austeridade até à morte, em 13 de março de 1229. O seu corpo foi transladado para Lorvão, onde sua irmã Teresa era abadessa.
     A 13 de dezembro de 1705, através da bula “Sollicitudo Pastoralis Offici”, o Papa Clemente XI beatificou-a ao mesmo tempo que sua irmã Teresa.
     O Martirológio Romano, bem como o calendário cisterciense, comemora a Beata no dia 11 de abril. Ela é nomeada indistintamente como santa ou como beata, embora só tenha sido formalmente beatificada.

Martirológio Romano: Em Coimbra, cidade de Portugal, Beata Sancha, virgem, filha do rei Sancho 1, que fundou o Mosteiro de Celas de monjas cistercienses, e nele abraçou a vida regular. (+ 1229).


Fonte: Santi e Beati

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Beata Catarina Celestina Faron, Virgem e mártir - 9 de abril

Martirológio Romano: No campo de concentração de Auschwitz, perto de Cracovia, na Polônia, Beata Celestina Faron, virgem da Congregação das Pequenas Servas da Imaculada Conceição, e mártir, a qual, ao ser ocupada militarmente a Polônia durante a guerra, foi aprisionada pela fé de Cristo e, esgotada pelas privações, alcançou a gloriosa coroa († 1944).



     Katarzyna (Catarina) Faron, nascida em Zabrzez, Polônia, no dia 24 de abril de 1913, faz parte do grupo de mártires do nazismo.
     Ingressou na Congregação das Pequenas Servas da Imaculada Conceição tomando o nome de Celestina e tornou-se superiora da comunidade de Brzozow. Com o advento do nazismo, a religiosa ofereceu sua vida pela conversão de um sacerdote.
     Levada para a prisão pela Gestapo, foi condenada a trabalhos forçados no campo de concentração de Auschwitz.
     Enfrentou heroicamente o sofrimento, vindo a falecer ainda muito jovem, devido a numerosas torturas, no dia 9 de abril de 1944, Domingo de Páscoa.
     A jovem religiosa foi beatificada em 13 de junho de 1999 junto com outros 107 mártires e com o fundador da Congregação a que ela pertencia, Edmundo Bojanowski (1814-1871), e é comemorada no Martirológio Romano.


Etimologicamente: Celestina = aquela caída do céu, de origem latina.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Beata Catarina Morigi de Pallanza - 6 de abril

Martirológio: No mosteiro de Santa Maria no Sagrado Monte junto a Varese, a Beata Catarina de Pallanza, virgem, que juntamente com suas companheiras praticou vida eremítica sob a regra de Santo Agostinho.
    

    Entre os santos venerados pela Igreja de Milão estão as Beatas Catarina de Pallanza e Juliana de Busto que deram origem à experiência monástica das eremitas da Ordem de Santo Ambrósio ad Nemus de Santa Maria do Monte junto a Varese, comumente chamada Ermida Ambrosiana.
    Já antes de 1400, há séculos havia um local de culto à Virgem Maria, um santuário ligado pela tradição a Santo Ambrósio: ali o Santo Bispo havia derrotado o último grupo de arianos.
     Neste lugar importante para a história da Igreja de Milão, as duas mulheres vão viver a sua consagração virginal ao Senhor.
     A primeira foi Catarina, nascida em Pallanza, da nobre família dos Morigi, que muito criança ficou órfã devido a uma epidemia que colheu seus pais e irmãos. Acolhida por Catarina del Silenzio de Milão, foi formada em uma intensa vida espiritual, o que bem cedo a levou a se consagrar totalmente a Deus.
     Sentindo que o Senhor lhe indicava o Sagrado Monte de Varese como o local de sua oração, ali se uniu aos eremitas que viviam ao lado do santuário mariano que, segundo a tradição, fora fundado por Santo Ambrósio. Pouco depois, após uma terrível epidemia, todos os eremitas morreram e Catarina, em 24 de abril de 1452, decidiu continuar sozinha o caminho eremítico, entregando-se a intensa contemplação da Paixão de Cristo.
     Dois anos depois, em 14 de outubro de 1454, juntou-se a ela Juliana Puricelli. Nascida em 1427 em Busto-Verghera, numa família pobre, Juliana, simples e de grande docilidade, viveu à sombra e na escola de Catarina, que a deixou progredir em sua devoção ao Pai Nosso e à Ave Maria, desenvolvendo assim seus dons de pureza, obediência, pobreza, humildade e caridade, e cultivando com ela a contemplação da Paixão de Cristo.
     Suas vidas transcorriam na oração, na penitência e na assistência aos peregrinos que visitavam o vizinho santuário mariano.
     Em 1460 outras companheiras vieram se juntar a elas. Para dar estabilidade à comunidade, Catarina pediu ao Papa autorização para professar a Regra de Santo Agostinho, observar as constituições de Santo Ambrósio e recitar o ofício no rito ambrosiano.
     Depois de várias atribulações e mal-entendidos, em 1º de novembro de 1474 a autorização é concedida pelo Papa Cisto IV, e no dia 10 de agosto de 1476 as eremitas puderam fazer sua profissão religiosa, passando à vida cenobítica, elegendo Catarina como sua abadessa. Assim teve origem o Mosteiro de Santo Ambrósio e Santa Maria do Monte de Varese.
     Catarina morreu no dia 6 de abril de 1478, quando a vida da pequena comunidade, chamada simplesmente das Eremitas Ambrosianas, já estava consolidada. Deixou à pequena comunidade o testamento da caridade e da obediência à vontade de Deus.
     Juliana, “ao chegar a noite da Assunção da Virgem Maria, desejou ser colocada sobre a terra nua e morreu com grandes melodias no dia 15 de agosto de 1501".
    As duas Eremitas, que ainda em vida eram chamadas de "beatas", foram veneradas pelo povo desde a sua morte, como concordam as testemunhas dos dois processos; e "desde tempos imemoriais" a festa da Beata Catarina é celebrada em 6 de abril e a de Juliana no dia 15 de agosto.
     As duas eremitas ambrosianas foram beatificadas em 16 de setembro de 1769 pelo papa Clemente XIV (Gian Vincenzo Antonio Ganganelli, 1769-1774).
     Atualmente a liturgia ambrosiana, com o novo Missal de 1976, celebra as beatas em 27 de abril.
 
Santa Maria do Monte Varese

Fonte principal: chiesadimilano.it/ (“RIV./gpm”).

sábado, 1 de abril de 2017

Santa Teodósia (ou Teodora) de Tiro, virgem e mártir - 2 de abril

Martirológio Romano: No mesmo lugar, paixão de Santa Teodósia, virgem de Tiro, que na mesma perseguição, tendo saudado os santos confessores da fé que estavam diante do tribunal e pedido a eles que ao chegar ao Senhor se lembrassem dela, foi aprisionada pelos soldados e conduzida diante do governador, que ordenou fosse ela torturada com atrozes suplícios e finalmente lançada ao mar (c. †307)




       As informações sobre esta mártir nos chegaram pelo historiador Eusébio de Cesareia. Em sua obra Os mártires da Palestina o martírio da Santa é narrado.
     Entre os mártires da Palestina que Eusébio de Cesareia conheceu pessoalmente e cujos sofrimentos descreveu, há dois de tenra idade que impressionaram especialmente o escritor. Um, era Anfiano, jovem de 20 anos, e outra era uma jovem de 18 anos, chamada Teodósia.
     Eusébio descreve assim seu triunfo:
     No quinto ano de perseguição, no quarto dia depois das nonas de abril, que era a festa da Ressurreição do Senhor, chegou a Cesareia uma jovem muito santa e piedosa, chamada Teodósia, originária de Tiro. Teodósia se aproximou de uns prisioneiros que estavam esperando a sentença de morte diante do pretório, com a intenção de saudá-los e provavelmente também pedir-lhes que não se esquecessem dela ao chegar à presença de Deus.
     Os guardas caíram sobre ela como se tivesse cometido um crime e a arrastaram à presença do governador Urbano, que se deixou levar pela crueldade e a condenou a terríveis tormentos; os verdugos rasgaram suas costas e seus seios até deixar os ossos à vista. A mártir respirava, entretanto, e seu rosto refletia um delicioso sorriso, quando Urbano mandou que a jogassem no mar.


Etimologia: Teodosia, do grego Theodósios: “presente (dosios) de Deus (theo)”, ou “dado por Deus”.
Teodora, do grego Theódoros “presente (doros) de Deus (theo)”, ou “dado por Deus”.


terça-feira, 28 de março de 2017

Santa Balbina de Roma, Mártir – 31 de março

Martirológio Romano: Em Roma, comemoração de Santa Balbina, cujo título situado no Aventino mostra a veneração que se tributou a seu nome (antes de 595).     

     Apesar de poucas certezas sobre a vida de Santa Balbina, seu nome é venerado em uma antiquíssima igreja na via Ápia, nas proximidades de Roma. Também temos um cemitério que leva seu nome, supostamente o local onde Balbina foi enterrada.
     É venerada como mártir, mas destaca-se sua consagração a Deus pela virgindade e sua perseverança de servir a Cristo.
     Balbina etimologicamente significa “balbuciante”, na língua latina. Esta jovem foi incluída oficialmente no calendário dos santos a partir do século IX por causas alheias ao seu martírio. 
    Existia em Roma, entre as avenidas Ardeatina e Ápia, um cemitério "chamado Balbina", em gratidão à senhora que se doou à Igreja. O normal foi o que sucedeu: o cemitério ficou conhecido pelo seu nome. E tem sua razão de ser pois se fez em honra de uma virgem e mártir de nome Balbina que ali estava enterrada. Outra razão mais forte era o seu parentesco com Quirino, pai da jovem, que sofreu também o martírio.
     No relato legendário do martírio de Santo Alexandre (acta SS., Maii, I, 367 sqq.) o tribuno Quirino é mencionado, tendo morrido mártir e enterrado na catacumba de  Praetextatus na Via Ápia.
     Quirino foi objeto de grande veneração e estava inserido nos antigos itinerários (guias para os peregrinos) das catacumbas romanas. A tradição diz que sua filha Balbina, que havia sido batizada por Santo Alexandre e que jamais se casou, foi enterrada na mesma catacumba.
     A vida de Balbina nos chegou pelo teatro medieval. São duas obras de Alejandro, que viveu no século VI, e uma outra obra teatral de Hermetis, uma espécie de apêndice ao primeiro.
    Segundo estas duas legendas, Balbina era filha do mártir Quirino. Por se converter a fé cristã e ser batizada pelo Papa Alexandre, sofreu a pena do martírio. Estando doente com gravidade, o pai a levou ao Papa, que estava encarcerado, e ela se curou. Por sua riqueza e nobreza, muitos jovens a pediram em matrimônio, mas ela se manteve fiel ao seu voto de virgindade.
     Em 132, mais provavelmente no dia 31 de março, foi "presa com o pai por ordem do imperador Adriano II (117-135) e, com barbaridade, cortaram- lhe a cabeça. Devido a sua bravura diante da morte e por ter morrido em nome da fé, foi elevada, pelos hagiógrafos, à categoria de mártir e santa, sendo-lhe dedicada uma Basílica Menor em Roma, a Basílica de Santa Balbina".
     Está sepultada ao lado de seu pai no antigo cemitério entre as vias Ápia e Ardeatina, o qual recebe seu nome.
*
     Roma, ano 595: havia uma rua com o título “B”, em clara alusão a Balbina, e um cemitério situado na Via Ápia. Provavelmente a heroína da legenda foi a fundadora da rua e do cemitério. E como era costume então, os hagiógrafos diziam que foi elevada à dignidade de mártir.
     A catacumba de Balbina se estende entre a Via Ápia e a Via Ardeatina, a pouca distância da pequena igreja chamada Domine quo vadis (Aonde vais, Senhor).
     No século IV, o Papa Marcos erigiu sobre este cemitério uma basílica. Existe, entretanto, sobre a pequena Aventina, dentro da mesma cidade, o velho título de Santa Balbina primeiro mencionado em um epitáfio do século VI e nas assinaturas do Conselho romano (595) no tempo do Papa Gregório I.
     Esta igreja foi erigida em um antigo e amplo salão. Ela é identificada com o mais antigo "Titulus Tigridae" construído na casa que o imperador Sétimo Severo (193-211) deu ao seu amigo Fabio Cilone, cônsul duas vezes e prefeito de Roma. A datação é garantida por selos nos tijolos encontrados nas escavações.
     O edifício, pela técnica de construção e arquitetura, deve ser da segunda metade do século IV. É uma abside de uma sala que não é dividida em corredores como uma basílica tradicional. Devia ser a sala de uma grande residência privada que foi então convertido em uma igreja durante o século V ou VI. A nobre matrona Balbina, filha do mártir Quirino, queria transformar sua casa no título "do Salvador".
     Em 1925 a igreja foi restaurada no seu estilo original pelo Prof. A. Munoz. Aqui começa uma das poucas "estações" onde a procissão externa é permitida. Há o mosteiro de religiosas premostratenses no topo, de onde se pode descer para a igreja estacional por uma longa pequena via, que parece uma ligação entre a vida cotidiana material e a vida do espírito.

A antiga Igreja de Santa Balbina