sábado, 15 de julho de 2017

Nossa Senhora do Carmo – 16 de julho


     Segundo a tradição, no dia 16 de julho de 1251, São Simão Stock, superior dos Carmelitas, encontrava-se em profunda oração rogando por seus religiosos perseguidos quando a Virgem lhe apareceu com o hábito da Ordem na mão e entregou-lhe o escapulário. Tempos depois a devoção a Nossa Senhora do Carmo foi florescendo e a espiritualidade carmelita se estendeu por vários lugares do mundo.
     A Festa de Nossa Senhora do Carmo, que se celebra a cada 16 de julho, é ainda símbolo do encontro entre a Antiga e a Nova Aliança porque foi no monte Carmelo (vocábulo hebreu que significa jardim) onde o profeta Elias defendeu a fé do povo escolhido contra os pagãos.
     Elias e Eliseu permaneceram no Monte Carmelo e com seus discípulos viveram de maneira contemplativa, como eremitas em oração. Em meados do século XII de nossa era, São Bertolo fundou a Ordem do Carmelo e vários sacerdotes foram viver no Carmelo como eremitas.
     Por volta de 1205 São Alberto, patriarca de Jerusalém, entregou aos eremitas do Carmelo uma regra de vida, que foi aprovada pelo Papa Honório III em 1226. Eles tinham a missão de viver como Elias e ter devoção a Maria Santíssima, a quem veneravam como a Virgem do Carmo.
     No século XIII, o Papa Inocêncio IV concedeu aos carmelitas o privilégio de serem incluídos entre as ordens mendicantes junto com os franciscanos e dominicanos. Os carmelitas passaram por algumas reformas, sendo a maior delas a realizada por Santa Teresa d´Ávila (Santa Teresa de Jesus) e São João da Cruz. Através dos séculos esta espiritualidade deu muitos santos à Igreja.
Milagres atribuídos a Nossa Senhora do Carmo
     Em Palmi, Itália, em 16 de novembro de cada ano é comemorado o terremoto de 1894, que teve o seu epicentro na cidade e no qual ocorreu um evento definido como o "milagre da Nossa Senhora do Carmo". Segundo a tradição, durante 17 dias os fiéis viram a imagem da Nossa Senhora do Carmo com movimento dos olhos e mudança da coloração da face. A imprensa local e nacional noticiou o evento e na noite de 16 de novembro, os fiéis improvisaram uma procissão pelas ruas. Quando a procissão chegou ao fim da cidade, um violento terremoto sacudiu todo o distrito de Palmi, arruinando a maioria das casas em seu caminho, mas apenas vitimou 9 pessoas, numa população de cerca de 15.000, isto porque quase toda a população estava na rua, assistindo ou participando da procissão. Anualmente, incluindo a queima de fogos de artifício, luzes e barracas, é celebrada a procissão da imagem de Nossa Senhora pelas mesmas ruas que andou em 1894. A Igreja Católica reconheceu oficialmente o milagre, coroando a estátua de 16 de novembro de 1896, como resultado do decreto emitido pelo Vaticano em 22 de setembro de 1895.
O Escapulário de Na Sra do Carmo
     Segundo a Doutrina Católica, a primeira veste de que se tenha notícia na História remonta ao Paraíso Terrestre. O Gênesis (3, 21), o primeiro livro da Bíblia, conta que após a queda dos primeiros pais da humanidade, Adão e Eva, o próprio Deus lhes confeccionou túnicas de pele e com elas os revestiu. Bem mais tarde, Jacob fez uma túnica de variadas cores para o uso de José, seu filho bem-amado (Gn 37, 3). E assim, as vestimentas vão sendo citadas nestas ou naquelas circunstâncias, ao longo das Escrituras (Gn 27, 15; 1 Sm 2, 19; etc.). Uma túnica, porém, ocupa lugar "princeps" entre as vestimentas: a túnica de Jesus Cristo sobre a qual os soldados deitaram sorte, por se tratar de uma peça de altíssimo valor, pelo facto de não possuir costura. Uma piedosa tradição atribui às mãos da Virgem Maria a arte empregada em sua confecção. Ao se darem conta, os soldados, da elevada qualidade daquela peça, tomaram a resolução de não rasgá-la.
     O Escapulário é um sinal de aliança com Nossa Senhora, e exprime a consagração de quem o usa a Ela. Segundo a devoção católica, assim como vestia Maria a seu Filho Jesus, da mesma forma Maria quer revestir também a nós, seus filhos adotivos. Pois, toda a humanidade, simbolizada por João Evangelista, foi entregue por Jesus aos cuidados de Maria, na mesma ocasião em que os soldados, pela sorte, decidiam sobre a propriedade da túnica de Jesus, ao dizer: "Mulher, eis aí teu filho" (Jo 19,26).
     O Escapulário do Carmo, enquanto veste devocional, surgiu no século XII. Segundo a tradição católica, no dia 16 de julho de 1251, São Simão Stock suplicava a Nossa Senhora ajuda para resolver um problema da Ordem do Carmo, da qual era o Prior Geral. Enquanto ele rezava, a Virgem Maria apareceu-lhe, trazendo o Escapulário nas mãos, e disse essas confortadoras palavras: "Recebe, meu filho, este Escapulário da tua Ordem, como sinal distintivo da Minha confraria e selo do privilégio que obtive para ti e para todos os Carmelitas: o que com ele morrer, não padecerá o fogo eterno. Este é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos e prenda de paz e de aliança eternas".
     Ao longo do séculos, gerações e gerações de católicos, sobretudo os religiosos e leigos consagrados carmelitas, difundiram esta devoção mariana por todo o mundo, tornando-a numa das devoções católicas mais difundidas. Para os seus defensores, o Escapulário é uma poderosa ajuda espiritual, conferida através da Virgem Maria, para aqueles que vivem em estado de graça e um valioso instrumento para converter os pecadores.
Os Papas enaltecem o uso do Escapulário
     Em 1951, por ocasião da celebração do 700º aniversário da entrega do Escapulário, o Papa Pio XII disse em carta aos Superiores Gerais das duas Ordens carmelitas: "Porque o Santo Escapulário, que pode ser chamado de Hábito ou Traje de Maria, é um sinal e penhor de proteção da Mãe de Deus".
     Variadíssimas são as manifestações de apreço ao Escapulário feitas por vários Papas, tais como Bento XIII, Clemente VII, Bento XIV, Leão XIII, São Pio X e Bento XV. Bento XIII estendeu a toda a Igreja a celebração da festa de Nossa Senhora do Carmo, a 16 de julho.
Os grandes privilégios do Escapulário
     Uma das promessas de Nossa Senhora do Carmo a São Simão Stock se refere ao "privilégio sabatino", que consiste que aquele que morrer usando o escapulário, sairá do Purgatório no primeiro sábado após sua morte. Porém, a Igreja Católica, antes de mais, esclarece que o Escapulário não é um sinal "mágico" de salvação. Não é uma espécie de amuleto cujo uso dispensa os fiéis das exigências da vida cristã. Não basta, portanto, carregá-lo ao pescoço e dizer: "Estou salvo!" Apesar de, segundo a devoção católica, a Virgem Maria não pôs nenhuma condição ao conceder o "privilégio sabatino", afirmando simplesmente: “Quem morrer com o Escapulário não padecerá o fogo do inferno", não obstante, para beneficiar-se deste privilégio, a Igreja ensina que é necessário usar o Escapulário com reta intenção. Neste caso, se na hora da morte a pessoa estiver em estado de pecado mortal, Nossa Senhora providenciará, de alguma forma, que essa pessoa moribunda se arrependa e receba os Sacramentos.
     Quem usa o Escapulário pode beneficiar-se também de indulgência plenária (remissão de todas as penas do Purgatório) no dia em que o recebe, na festa de Nossa Senhora do Carmo, 16 de julho; de Santo e Profeta Elias, 20 de julho; Santa Teresinha do Menino Jesus, 1º de outubro; dos santos carmelitas, 14 de novembro; São João da Cruz, 14 de dezembro; São Simão Stock, 16 de maio.


Fontes:

quinta-feira, 13 de julho de 2017

13 de julho de 1917

     
         Em 1916, numa aldeia de Portugal, um Anjo apareceu a três crianças. Eles se chamavam Lúcia, Jacinta e Francisco. Lúcia era prima dos irmãos Francisco e Jacinta; eles costumavam pastorear as ovelhas da família. E estavam fazendo isto quando o fato aconteceu.
            Um Anjo luminoso aproximou-se deles, ajoelhou-se e com a testa encostada no solo e rezou a seguinte oração: "Meus Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam, e não Vos amam". O Anjo disse depois para as crianças rezarem aquela oração muitas vezes durante o dia. Ele disse também que era o Anjo de Porgual.
            Numa outra aparição, o Anjo trazia um cálice na mão e sobre ele havia uma Hóstia da qual caíam algumas gotas de sangue dentro do cálice. Deixando o cálice e a Hóstia suspensos no ar, o Anjo ajoelhou-se em terra e repetiu três vezes uma oração. Depois deu à Lúcia a Hóstia; ao Francisco e a Jacinta deu a beber o cálice. Era a 1ª. Comunhão deles.
            Desde aqueles dias os três pastorzinhos ficaram muito diferentes das outras crianças: rezavam mais, brincavam menos, eram muito sérios.
*
  
          No dia 13 de maio de 1917, os três pastorzinhos estavam como de costume pastoreando suas ovelhas num local chamado Cova da Iria, quando viram “uma Senhora mais brilhante do que o sol” aparecer sobre uma arvorezinha chamada azinheira.
            A Senhora disse para eles não terem medo, anunciou que viria mais cinco vezes, em cada mês seguinte, e mais tarde voltaria uma sétima vez. Ela prometeu que eles iriam para o Céu, e pediu que eles aceitassem os sofrimentos que Deus lhes enviasse para reparar os peca/dos que são cometidos e pela conversão dos pecadores. Os três aceitaram. Por fim a Senhora recomendou que eles rezassem diariamente o Terço para alcançar o fim da guerra e a paz do mundo.
            Naqueles dias estava havendo a 1ª. Guerra Mundial e muitas pessoas sofriam com isto.
            No dia 13 de junho, como tinha prometido, a Senhora apareceu novamente e pediu para as crianças continuarem a rezar o Terço e ensinou uma oraçãozinha que devia ser rezada após casa dezena: "Oh meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu especialmente as que mais precisarem”.
            A Senhora apareceu pela terceira vez no dia 13 de julho. Depois de ter recomendado mais uma vez que rezassem o Terço, Ela ensinou uma outra oração para as crianças rezarem depois de um sacrifício: "Oh meu Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores, pelo Santo Padre e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria".
            Então a Senhora estendeu a mão em direção ao solo e os três pastorzinhos viram o Inferno! Terrivelmente assustados, as crianças ouviram então a Senhora dizer:
“Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar: mas, se não deixarem de ofender a Deus, virá outra pior".

E a Senhora disse também que se as pessoas não se convertessem muitos países desapareceriam, mas, disse Ela: "Por fim o Meu Imaculado Coração triunfará".
No dia 13 de agosto a Senhora não apareceu porque as crianças tinham sido presas pelo administrador da cidade. Elas passaram por um interrogatório terrível, pois diziam que elas estavam inventando aquilo tudo. Ameaçaram os pequenos de toda forma para assusta-los, mas eles continuaram firmes e dizendo que a Senhora lhes aparecia mesmo.
Na realidade o administrador e vários ateus estavam preocupados porque a cada mês aumentava o número de pessoas que iam ao local onde a Senhora aparecia.
No dia 19 de agosto a Senhora apareceu para as crianças e prometeu um milagre para o mês de outubro. Então, disse Ela, todos acreditarão.
Em 13 de setembro, a Senhora continuou a insistir na oração do Terço e nos sacrifícios pelos pecadores.
            Foi somente no dia 13 de outubro que a Senhora revelou quem era: "Eu sou a Senhora do Rosário". E pediu que as crianças dissessem às pessoas o que Ela disse: "Não ofendam mais a Nosso Senhor, que já está muito ofendido".
            Em seguida, abrindo as mãos, Nossa Senhora as refletiu no sol, e enquanto Ela se elevava indo para o Céu, o reflexo da sua própria luz continuava a se projetar no sol. Lúcia, nesse momento, exclamou: "Olhem para o sol!"
O sol parecia um imenso disco de prata, brilhava como nunca, mas não cegava. Isto durou apenas um instante. Como uma gigantesca roda de fogo, o sol começou a girar rapidamente. Em certo momento parecia que ele iria cair sobre as pessoas que ali estavam. Depois, o sol voltou para o seu local habitual.                              

Esta fotografia saiu no jornal da época em Portugal

Naquele dia havia cerca de 70 mil pessoas na Cova da Iria. Havia chovido e quando o sol se acalmou, todos viram que suas roupas estavam secas; o solo também havia secado... Todos tinham assistido àquele maravilhoso milagre. Num raio de 40 k outras pessoas também viram o milagre do sol.
Assim Nossa Senhora queria demostrar que Ela aparecia realmente e que os pastorzinhos não mentiam.
Francisco e Jacinta faleceram pouco tempo depois e foram para o Céu. Lúcia, a mais velha, ficou na terra para ser testemunha de tudo o que acontecera. Ela se tornou freira e viveu muitos anos no convento.
            No dia 13 de julho Nossa Senhora revelou um segredo que somente há poucos anos foi revelado em parte.



    Acabam de ser canonizados os dois Pastorinhos que viram Nossa Senhora de Fátima. Isso é realmente importante e justo! O que não entendo é por que não se fala da Mensagem da qual foram portadores, já que se tornaram santos.

     Ora, todo mundo está se dando conta que as coisas no mundo não vão bem, que algo de grave está para acontecer. Sim, porque o mundo está adotando coisas descabidas do ponto de vista da inteligência e muito pecaminosas com relação a Deus. Basta sair às ruas, basta ver as modas, basta ver as fisionomias das pessoas. O ambiente tem algo de fim de festa.
     Por que nas igrejas não se apregoa a Mensagem de Fátima e não se reconduz as almas ao redil dos Mandamentos? Claro! Nela Nossa Senhora dá a solução! Oração, conversão, penitência. Fora do que Nossa Senhora pediu não há solução. Vamos para o abismo. Com Ela tudo se conserta. Sem ela tudo se arruína. 


Santa Clélia Barbieri, Fundadora - 13 de julho

     
     Clélia Barbieri nasceu no dia 13 de fevereiro de 1847, no bairro popularmente chamado de "Budrie", pertencente à São João in Persiceto, Arquidiocese de Bolonha, filha de José Barbieri e Jacinta Nannetti.
     Os pais eram de diferentes classes sociais: José Barbieri veio das mais pobres famílias de "Budrie", enquanto Jacinta era das mais proeminentes famílias; ele, criado do tio de Jacinta, o médico local; ela, filha do abastado Pedro Nannetti. Jacinta, abastada, abraçou a pobreza de um operário e, deixando uma casa rica, passou a viver na humilde casa de Santo Barbieri, pai de José, mas eles construíram uma família sobre a rocha da fé e da prática cristã.
     O batismo foi administrado no mesmo dia de seu nascimento, e segundo o desejo expresso da mãe, a criança recebeu o nome de Clélia Rachel Maria.
     Jacinta ensinou a pequena Clélia a amar a Deus, a tal ponto que logo ela desejou ser santa. Um dia ela perguntou: "Mamãe, como posso ser santa"?
     A seu tempo Clélia aprendeu a arte de costurar, de fiar e tecer o cânhamo, o produto característico da região.
     Aos 8 anos, durante a epidemia de cólera de 1855, Clélia perdeu o pai. Com a morte do pai, graças à generosidade do tio médico, a mãe, a irmã mais nova de Clélia, Ernestina, e ela foram viver em uma casa mais acolhedora, perto da igreja paroquial. Para Clélia os dias se tornaram mais santificados. Quem a quisesse encontrar, invariavelmente a achavam em casa fiando ou cozinhando, ou na igreja rezando. É já muito responsável junto à mãe e à irmãzinha. Começam para ela dias de preocupações, trabalhos, fadigas. Com saudades se recorda do olhar de seu querido pai e inicia assim os mistérios dolorosos no rosário da sua vida.
     Foi por esta época, Domingo de Ramos de 1857, que a Divina Providência fez chegar ao povoado o Padre Caetano Guidi, que devia substituir o pároco falecido. Ele tomou para si o encargo de guiar Clélia na estrada da santidade.
     Embora fosse comum naquele tempo a pessoa se aproximar da Comunhão quase adulta, Clélia, devido sua precoce preparação eucarística e espiritual, foi admitida à Primeira Comunhão no dia 24 de junho de 1858, com onze anos.
     Foi o dia decisivo para o seu futuro, porque viveu a sua primeira experiência mística: uma contrição excepcional de seus próprios pecados e dos pecados dos outros. Pesou sobre ela a angústia do pecado que crucificou Jesus e fez sofrer Nossa Senhora. No dia da Primeira Comunhão, o Crucificado e Nossa Senhora das Dores inspiraram sua espiritualidade. Foi também daquele tempo uma intuição interior do seu futuro na dúplice linha: contemplativa e ativa.
     Diante do tabernáculo, em adoração, parecia uma estátua imóvel, absorta em oração; em casa era a maior companheira das jovens obrigadas a trabalhar. Com maturidade precoce, ela percebia ser o trabalho o modo de se aproximar das jovens, pois no “Budrie” o trabalho, especialmente no cânhamo, era a única fonte de sobrevivência.
     O Padre Caetano Guidi, vendo a extraordinária capacidade de Clélia e sua maneira esplêndida de atrair as almas para Deus, resolveu iniciar na paróquia um movimento da juventude feminina que se difundia naqueles tempos na Itália: as Filhas de Maria. Em torno de Clélia, em sua casa e sob o olhar maternalmente vigilante de Jacinta, as jovens da paróquia se reuniam.
     Clélia era a alma das orações em comum, a guia na formação espiritual das jovens, a amiga e a confidente de todas, a incansável animadora de um serviço ao próximo. Acolhem as meninas ensinando-as a rezar, a trabalhar: cozinhar e tecer, ler e estudar. Visitam os doentes pobres da região e cuidam deles. Ensinam o catecismo e levam os pequenos à igreja para frequentar os Sacramentos. Promovem e animam a oração dos adultos na igreja paroquial. Procuram, em particular, atrair a juventude fazendo-a desejar as coisas santas.
     O seu olhar penetrante se entristecia quando alguma amiga demonstrava vaidade: “Que coisa você procura neste mundo? Não sabe que tudo acaba?” Lágrimas surgiam nos olhos e o rosto exprimia grande dor quando repetia: “Rezemos para que Nosso Senhor não seja ofendido e para que os pecadores se convertam”.
     Já eram quatro as amigas mais íntimas de Clélia, e um dia ela manifesta às companheiras a sua ideia: “Por que não fazemos nós o nosso convento? Nós já somos quatro! Depois, se outras jovens pobres tiverem os mesmos desejos, nós as acolhemos!” Elas não têm dinheiro, nada. Mas Clélia e Úrsula, Teodora e Violante voltam para casa com o olhar mais brilhante diante de um futuro cheio de esperança.
     Seria um núcleo de jovens voltadas para a vida contemplativa e apostólica; um serviço que devia brotar da Eucaristia, se consumar na Comunhão diária e sublimar-se na instrução dos camponeses e operários do lugar.
     A ideia não pode se concretizar logo devido aos acontecimentos políticos depois da unidade da Itália de 1866-67. Foi possível realizá-la no dia 1º de maio de 1868; e após resolverem as questões burocráticas, Clélia com suas amigas puderam ocupar a chamada Casa do Mestre, onde até então se reuniam os Operários da Doutrina Cristã. Foi o início humilde da família religiosa de Clélia Barbieri, que os superiores chamaram de “Irmãs Mínimas de Nossa Senhora das Dores”.
     Mínimas, devido à grande devoção que Clélia tinha por São Francisco de Paula, patrono e protetor da comunidade nascente; de Nossa Senhora das Dores, porque Ela era muito venerada no “Budrie” e porque era o título de Nossa Senhora preferido de Clélia.
     Depois, na “Casa do mestre” aconteceram fatos extraordinários que atestavam o favor da Providência pela pequena comunidade, que de outra forma não teria perseverado. Clélia passou por sofrimentos físicos e morais na noite escura do espírito e na humilhação mais incompreensível por parte de pessoas que deveriam compreendê-la. A sua fé, porém era sempre proverbial como seu recolhimento na oração.
     Na pequena comunidade se respirava um clima de fé, uma verdadeira fome e sede de Deus, um instinto missionário cheio de criatividade e de fantasia. Clélia era a sua alma. O grupo inicial aumentou e, ao seu redor, também o número de pobres, de doentes, de moços e moças a catequizar e a instruir.
     Pouco a pouco as pessoas viram Clélia num papel de guia, de mestra na fé. Apesar de seus 22 anos, começaram a chamá-la de “Mãe”. A chamaram assim até a morte, que veio logo... A tuberculose, que a acompanhava de forma incubada, explodiu violenta somente dois anos após a fundação.
     Clélia morreu profetizando: “Eu vou, mas não as abandonarei jamais. Vede, quando lá, naquele campo de erva medicinal próximo da igreja surgir a nova casa, eu não estarei mais aqui. Vocês crescerão em número e se espalharão na planície e pelo monte, a trabalhar na vinha do Senhor. Virá dia que aqui no “Budrie” acorrerá tanta gente, com carroças e cavalos...”. E acrescenta: “Vou para o Paraíso e todas as Irmãs que morrerem na nossa família terão a vida eterna”.
     A morte a colheu no dia 13 de julho de 1870. Tinha 23 anos, 4 meses, 28 dias.
     No dia 13 de julho de 1871, primeiro aniversário de sua morte, Úrsula e as outras Irmãs estavam em oração no pequeno aposento em que Madre Clélia expirara santamente. Têm no coração amor, gratidão e saudades dela, e desejariam que estivesse entre elas como antes. Eis que durante a oração uma voz celeste, dulcíssima, as acompanha e as enche de alegria. Úrsula de repente a reconhece: “É Madre Clélia! Está conosco como havia prometido!
     Daquele dia em diante, até os dias atuais, a doce voz acompanha milagrosamente suas filhas em oração em qualquer parte do mundo em que elas estejam. Sua voz é ouvida acompanhando as Irmãs nos hinos, nas leituras religiosas, em suas conversas. Acompanha o sacerdote durante a celebração da Missa e é ouvida com frequência durante os sermões.
    A obra de Santa Clélia foi aprovada por Decreto Pontifício em 20 de março de 1934. Paulo VI a beatificou em 27 de outubro de 1968; no dia 9 de abril de 1989 foi canonizada por João Paulo II.
     Santa Clélia Barbieri pode ser considerada a Fundadora mais jovem da Igreja. É padroeira dos catequistas da região de Emilia-Romagna, Itália.
     A profecia de Clélia se realizou: a Congregação das Irmãs Mínimas da Dolorosa está presente na Itália, na Índia, na Tanzânia. No Brasil, em Salvador, Bahia, há uma Comunidade de quatro Irmãs que se dedicam à educação cristã de crianças, jovens e mulheres, entre outras atividades paroquiais.
     As Irmãs que vivem à imitação de Santa Clélia são hoje em torno de trezentas, distribuídas em 35 casas.

Etimologia: Clélia, deriva do grego Kléos = glória, fama; ou do latim Cluilia = famosa, ilustrada, nobre

Oração composta por Santa Clélia Barbieri

“Meu querido Jesus, meu esposo. Eu quero escrever para ter isto sempre na memória. Grandes são as graças que Deus me concedeu no dia 31 de janeiro de 1869. Enquanto me encontrava na igreja ouvindo a Santa Missa, senti uma grande inspiração de mortificar a minha vontade em todas as coisas para agradar sempre ao Senhor e eu sinto a vontade de fazê-lo, mas a minha força não é bastante grande. Ó grande Deus, Vós vedes que a minha vontade é Vos amar e procurar sempre estar longe de Vos ofender, mas a minha miséria é tão grande que eu sempre Vos ofendo. Senhor, abri o vosso Coração e derramai muitas chamas de amor. E com estas chamas, ascendei-me fazendo com que eu queime de amor. Com a ajuda do Senhor, procurarei acalmar-me e amar-Vos, meu Deus. Não se esqueça de mim, pobre pecadora. Sou a vossa serva”.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Santa Inês Lê Thi Thành, Mãe de família, mártir – 12 de julho


Martirológio Romano: Na província de Ninh Binh, em Tonquim, Santa Inês Lê Thi Thành (Dê), mártir, mãe de família, que no tempo do imperador Thiêu Tri foi cruelmente atormentada por ter ocultado em sua casa a um sacerdote, morrendo na cadeia por se negar a abjurar de sua fé (1841).


           Foi sempre muito difícil encontrar notícias seguras sobre os mártires, já desde os primeiros séculos da era cristã, e também às vezes para mártires da era moderna, sobretudo se viviam em algum lugar afastado; isto ocorre com Santa Inês Lê Thi Thành, de nacionalidade vietnamita.
           Inês nasceu em 1781 perto de Ba Den, nos arredores de Tranh Hoa no Vietnam. Mãe de família, com a idade de sessenta anos foi encarcerada e submetida a cruéis torturas por ter escondido um sacerdote em sua casa.
           Tendo recusado a possibilidade de renegar de sua fé cristã, morreu na cadeia na província de Ninh Binh no Tonchino na época do imperador Thiêu Tri em 12 de julho de 1841.
            Inês Lê Thi Thành foi canonizada pelo Papa João Paulo II em 19 de junho de 1988 junto com outros 116 mártires que regaram com seu sangue o solo de sua pátria vietnamita. O grupo, que tem como protomártir a Santo André Dung Lac e seus companheiros, é celebrado no calendário litúrgico latino em 24 de novembro.


Etimologia: Inês = do grego, aquela que é casta e pura.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Santa Landrada, Abadessa de Bilzen - 8 de julho

Martirológio Romano: Em Bilzen, no Brabante, no território da moderna Bélgica, Santa Landrada, Abadessa. 

     As fontes que se referem a Santa Landrada são: um relato da elevação e da transladação do corpo, redigido por Erigero, que se baseia no relato dos habitantes de Wintershoven; um relato dos milagres, do mesmo autor (ed. Acta SS. lulii, II, Venezia 1747, pp. 628-29); uma Vita redigida por Teodorico de St-Trond (m. 1117); menção em quatro ladainhas, uma delas do início do século XI de St-Pierre-au-Mont-Blandin de Gand, uma do fim do século XII, de São Bavão de Gand, uma da primeira metade do século XII, contida em um Saltério conservado em Orbais e uma quarta, da primeira metade do século XIII, constando do ms. 1553 de Troyes.
     Landrada descendia de uma nobre família. Segundo a Vita S. Landrada redigida por Teodoro ou Thierry de Saint-Trond (+ 1107), ela descendia de Pepino o Velho e de Santo Arnolfo, Bispo de Metz.
     Levando-se em consideração que ela faleceu em 690, ela deveria ser filha de Ansegisel († 648/680) e de Santa Begga († 693). O problema desta identificação situa-se na insistência do biógrafo sobre o fato que Landrada ser filha única de seus pais, quando o casal Ansegisel e Begga teve pelo menos mais um filho, Pepino de Herstal. Provavelmente o biógrafo confundiu Santa Landrada com uma homônima e meio século posterior que seria filha de Carlos Martel.
     O onomástico sugere uma relação da Santa com os primeiros Robertiens, família à qual pertencia seu protetor São Lambert de Maastricht.
     Ela decidiu consagrar sua virgindade a Deus e após recusar um bom partido em casamento, foi para Munsterbilzen (Belisia Monasterii), em Hesbaye, onde viveu na solidão e na piedade.
     No ano 670, em um local, segundo a legenda, em que uma cruz de fogo caiu do céu, ela edificou uma igreja que São Lambert de Maastricht consagrou, e fundou uma comunidade religiosa com outras jovens piedosas, entre as quais Santa Amalberga.
     Esta fundação, conhecida inicialmente sob o nome de Convento de Belysia, foi feita sob a direção de São Lambert. A comunidade adotou a regra beneditina. São Lambert foi sempre o protetor do novo mosteiro.
     Em 690, sentindo-se muito doente, ela pediu a presença de São Lambert em seu mosteiro, mas ele apenas chegou após ela ter falecido e ser sepultada.
     Segundo a legenda, São Lambert desejou levar o corpo de sua protegida para Wintershoven, junto de São Landoaldo. Como os habitantes de Munsterbilzen desobstruíram o túmulo em 8 de julho, foi impossível levar o corpo da santa, e São Lambert aceitou que o corpo permanecesse na igreja de Munsterbilzen.
     Em 980, suas relíquias foram transferidas para a Abadia de São Bavão, em Gand.
     Santa Ida de Bolonha, mãe de Godofredo de Bouillon foi educada na Abadia de Munsterbilzen.
     Santa Landrada é celebrada no dia 8 de julho e a transladação de suas relíquias é comemorada no dia 8 de março.    
*
     A Abadia de Munsterbilzen está situada na seção Munsterbilzen da comuna de Bilzen, na Bélgica, a 16 k no Sudeste de Hasselt, na Província de Limbourg. A antiga Abadia de Munsterbilzen (ou Abadia Santa Landrada de Munsterbilzen), próximo de Bilzen, no Limbourg belga, era um mosteiro de monjas beneditinas datando da época merovíngia.
Origem da comunidade religiosa
     Landrada fundou a comunidade de monjas por volta do ano 670.
Invasões normandas depois a refundação
     No fim do século IX os Normandos devastaram a região. Por volta de 880, a abadia foi vandalizada, como foram as igrejas das cidades próximas de Tongres, Liège de Maastricht e Saint-Trond. Ela foi logo reconstruída.

     No século IX ela era conhecida como Abadia do Santo-Amor. Esta abadia era uma ermida originaria da Aquitânia e estabelecida nos arredores de Maastricht, a fundação do Mosteiro Munsterbilzen foi inspirada após uma peregrinação ao túmulo de São Pedro em Roma.
Abadia de Munsterbilzen, Bélgica

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Santa Ciprila (Cirila) de Cirene, Mártir - 5 de julho

     

     Ciprila (ou Cirila) era uma cristã viúva de Cirene, cidade de Pentápolis, na Líbia. Na época de Diocleciano, ela teria recorrido ao Bispo Teodoro para ser curada de uma violenta e crônica dor de cabeça.
     O Bispo Teodoro estava então em liberdade vigiada e a curou, mantendo-a ao seu serviço junto com outras piedosas mulheres, Aroa e Lúcia. Após o martírio do bispo, a santa viúva foi convidada a sacrificar aos ídolos pagãos. Como tivesse recusado, colocaram-lhe nas mãos carvões ardentes e incenso, supondo que para escapar da dor ela os deixaria cair diante dos ídolos, simulando haver consumado o sacrifício pagão. Mas Ciprila foi mais forte e preferiu perder as mãos e por isso foi torturada e esvaiu em sangue até o martírio se consumar.
     Nada é relatado sobre as outras mulheres, Aroa e Lúcia. Ainda se conserva uma passio inédita de Ciprila, Aroa e Lúcia, em grego.
     O Martirológio Romano comemorava no dia 5 de julho Cirila, mártir de Cirene. A identidade de todas e as particularidades do texto testemunhavam que se tratava evidentemente de uma corrupção do nome da mártir Ciprila.

Martirológio Romano: Em Cirene, na Líbia, Santa Ciprila, mártir, que, de acordo com o relato, durante a perseguição do imperador Diocleciano teve carvões ardentes e incenso colocados nas mãos, mas para não dar a impressão, ao remover as brasas, de querer consumar uma oferenda de incenso aos deuses, preferiu perder as mãos; em seguida, foi cruelmente torturada e adornada de seu sangue voou para o Esposo.

Fonte: www.santiebeati/it Autor: Joseph-Marie Sauget


Etimologia: Cirilo (a) do latim Cyrillus, do grego Kyrillos. Diminutivo de Kyrios: “senhor”  

domingo, 2 de julho de 2017

Beata Bárbara Jeong Sun-mae, Virgem e mártir - 3 de julho

     
   Bárbara Jeong Sun-Mae nasceu em Yeoju, na província de Gyeonggi (atual Coreia do Sul), em 1777. Foi catequisada em 1795 por seu irmão Barnabé Jeong Gwang-su e sua cunhada Lucia Yun Um-hye. Passou a viver sua nova fé com grande zelo e decidiu guardar sua virgindade para dedicar-se a Deus com um coração não dividido. Para não levantar suspeitas, dizia às pessoas pagãs: “Sou casada com o Senhor Heo, mas fiquei viúva”.
     Alguns anos depois, Bárbara vai para Seul. Ajudava a cunhada e o irmão a difundir livros e objetos religiosos entre os fiéis e participava de uma comunidade de virgens presidida por Ágata Yun Jeom-hye. Algumas vezes que a casa era usada como igreja, ela preparava tudo com o máximo apuro e cuidado.
     Em 1800, recebeu o batismo das mãos do primeiro sacerdote missionário na Coreia, o padre chinês Tiago Zhou Wen-mo. Desde então o seu fervor aumentou ainda mais.
     Aprisionada durante a perseguição Shinyu de 1801, demonstrou grade coragem ao enfrentar os interrogatórios e as torturas. Não revelou o nome dos outros fieis, mas professou abertamente a sua Fé: “Não posso renunciar à minha religião ainda que deva morrer!” Naquele momento o chefe dos oficiais da polícia ordenou intensificar as punições contra ela, mas sem resultado.
     Bárbara foi então condenada à morte com outros fieis. Antes de ouvir a condenação, declarou: “Ser punida no quartel geral da polícia e ser interrogada pelo Ministério da Justiça é muito doloroso. Entretanto, não posso mudar de ideia, porque amo muitíssimo a religião católica”.
     O juiz ordenou que a sentença fosse executada próximo do vilarejo natal de Bárbara, para tornar os habitantes de Yeoju contrários à religião católica. Assim, foi decapitada no dia 3 ou 4 de julho de 1801 (23 ou 24 de maio do calendário lunar). Bárbara tinha apenas 24 anos.
     Foi inserida com o irmão e a cunhada no grupo de mártires encabeçado por Paulo Yun Ji-chung (do qual fazem parte também Padre Tiago Zhou Wen-mo e Ágata Yun Jeom-hye) e beatificada pelo Papa Francisco, em 16 de agosto de 2014, durante sua viagem apostólica à Coreia do Sul.



Fonte:
www.santiebeati/it
Autor: Emília Flocchini