quarta-feira, 6 de julho de 2022

Santa Godelina, Esposa, mártir - 6 de julho

     
     Godelina nasceu em Hondeforte-lez-Boulogne, 1052 e morreu em Gistel, no dia 6 de julho de 1070. Era a mais nova dos três filhos de Hemfrid, Senhor de Wierre-Effroy, e sua esposa Ogina. Godelina desde criança praticava a piedade e os pobres afluíam à procura da jovem, cujo desejo de satisfazer as suas necessidades muitas vezes envolveu-a em dificuldades com o mordomo de seu pai e até mesmo com seu piedoso pai.   
     Aos dezoito anos, a fama de sua beleza e de suas qualidades admiráveis ​​tinham se espalhado por Artois e até mesmo em Flandres, e muitos pretendentes apresentaram-se. Entretanto, como a decisão fora deixada com Godelina, ela persistia na resolução de renunciar ao mundo pelo claustro. Um dos jovens nobres, Bertoldo de Gistel, decidido a casar-se com ela, invocou a influência do suserano de seu pai, Eustáquio II, Conde de Boulogne, e foi bem-sucedido. 
     Após o casamento, Bertoldo e sua esposa partiram para Gistel, onde, no entanto, Godelina encontrou na mãe de Bertoldo uma inimiga amarga e implacável que induziu o filho a abandonar a sua esposa no mesmo dia de sua chegada, e mandou emparedá-la em uma cela estreita, com alimentação apenas suficiente para sobreviver. Mesmo assim, a santa compartilhava o alimento com os pobres.
     Sob a influência da mãe, Bertoldo espalhara calúnias sobre sua esposa. Depois de algum tempo, Godelina conseguiu fugir para a casa de seu pai, que obteve do Bispo de Tournai e Soissons e do Conde de Flandres que ameaçassem Bertoldo com as condenações da Igreja e do Estado. Aparentemente arrependido, ele prometeu dar à sua esposa o tratamento adequado, mas após seu retorno a Gistel a perseguição se renovou de uma forma agravada.
     Bertoldo, mais uma vez fingindo tristeza, simulou uma reconciliação apenas para evitar a suspeita do crime do qual ele fora mediador. Após cerca de um ano, durante sua ausência, dois dos seus servos, sob sua orientação, estrangularam Godelina, causando a impressão de que ela tinha morrido de morte natural.
Painel da vida da santa
mostrando-a sendo
estrangulada e seu
corpo lançado no rio
     Bertoldo logo contraiu um segundo casamento, mas a filha que nasceu deste matrimônio era cega de nascença. A recuperação milagrosa de sua visão por meio da intercessão de Santa Godelina afetou de tal maneira seu pai, que, agora verdadeiramente convertido, viajou para Roma para obter a absolvição do seu crime, empreendeu uma peregrinação à Terra Santa, e, finalmente, entrou no Mosteiro de São Winnok, em Bergues, onde expiou seus pecados numa vida de grande penitência.
     A seu pedido, sua filha ergueu em Gistel um mosteiro beneditino dedicado a Santa Godelina, onde ela ingressou como religiosa.
     Um monge da antiga abadia de São Winnok, em Bergues, escreveu a biografia de Godelina, a Vita Godeliph, uns dez anos depois de sua morte.
     Em 1084, o corpo de Godelina foi exumado pelo Bispo de Tournai e Noyon na presença de Gertrudes da Saxônia, esposa de Roberto I de Flandres, do abade de São Winnok e de numerosos clérigos. A devoção a Santa Godelina se espalhou a partir de então. Suas relíquias, reconhecidas em vários momentos pela autoridade eclesiástica, podem ser encontradas em várias cidades da Bélgica. Todos os anos, no domingo seguinte ao dia 5 de julho, a procissão de Santa Godelina acontece em Gistel.
Gistel, Bélgica panorama atual

Fonte: F. M. Rudge (Catholic Encyclopedia)
https://nobility.org/2013/07/st-godelina/
 
Postado neste blog em 4 de julho de 2013

segunda-feira, 4 de julho de 2022

Beata Catarina Jarrige, Terciária Dominicana - 4 de julho

 
     Catarina Jarrige veio ao mundo no dia 4 de outubro de 1754, em Doumis, Cantal, França. A última a nascer numa família de sete filhos, ela tinha três irmãos e três irmãs. Era uma família de agricultores pobres. Pierre Jarrige, o pai, trabalhava duro para sustentar os seus. A família toda se acomodava em uma única peça da casa.
     Catarina levava a vida simples de uma pequena camponesa pobre de seu tempo. Na época, a escolaridade não era obrigatória e, como muitas meninas de então, não frequentou a escola. Ela adquiriu aquela sabedoria rural transmitida pela experiência e ensinamento dos mais velhos, o contato cotidiano com a natureza e o Catecismo. Ela vivia nos campos com seus irmãos e as crianças dos arredores. Ela guardava as cabras e as ovelhas, levando-as para pastar.
     Aos dez anos, para auxiliar nas despesas da casa, Catarina foi trabalhar como doméstica em uma fazenda. Seus patrões ficaram satisfeitos com sua operosidade.
     Quanto tinha doze ou treze anos, Catarina fez sua Primeira Comunhão. Para isto ela se preparou com todo cuidado e, de maneira geral, o fato produziu uma mudança nela. Na adolescência, se tornou mais séria, dedicada à oração.
     Em 22 de dezembro de 1767, sua mãe faleceu na idade de 47 anos. Catarina tinha 13 anos e dois meses.
     Embora sua infância pobre tivesse sido calma e piedosa, não faltaram as dificuldades e estas provas forjaram uma alma forte e corajosa. Catarina era alegre, jamais perdia o bom humor, risonha sempre e um pouco travessa.
     Crescendo, Catarina aprendeu a dançar, uma das poucas alegrias no meio rural de então. Ela se apaixonou pela dança. Mas, quando tomou consciência que o Senhor a chamava para algo maior, renunciou a este inocente prazer, não sem uma enorme batalha para dominar sua natureza impetuosa.
     Este sacrifício ela o fez para colocar-se a serviço dos pobres, dos órfãos e dos doentes, se consagrando a Deus. Para mais se dedicar à vocação para a qual Deus a chamava se fixou em Mauriac. Como sua patrona, Santa Catarina de Siena, ela escolheu a Ordem Terceira Dominicana para nela ingressar.
     As terciárias faziam votos, mas viviam no mundo, onde eram chamadas de “menette” ou “monjinha”, em português, e Catarina ficou conhecida como “Catinon-Menette”, uma forma carinhosa de tratá-la.
     As terciárias deviam ser, no meio de seus contemporâneos, testemunhas da ternura de Deus. A regra prescrevia horas de oração, assistência cotidiana a Missa, a recitação do rosário, o serviço dos mais pobres, dos doentes e dos órfãos, e a catequese.
     Durante 60 anos, até a idade de 82 anos, ela serviu os mais necessitados. Para ajudá-los, ela procurava os mais afortunados e lhes pedia donativos. E ela sabia insistir junto aos recalcitrantes despertando suas consciências e concluindo: - “Vamos, vamos, dê ou eu pego”. Muitos foram doadores por muitos anos. Ela era realmente “a Menette dos pobres”, "a monjinha dos pobres".
     Quando encontrava uma criança órfã, ou pobre, sofredora, Catarina a tomava pela mão, a levava para sua casa, ou para alguma casa de caridade, e ali a aquecia, servia alimento, arrumava sua roupa. E a mandava de volta com o que ela podia dar.
     Amiga dos pobres, ela mesma vivia numa grande pobreza. Ela vivia com sua irmã numa pobre mansarda. Quantas vezes ela doou suas roupas ou seus calçados! Ela dava seu próprio alimento... Sua força vinha da oração que ela fazia na igreja, em sua casa, e até mesmo nas ruas da cidade.
     Durante a Revolução Francesa, Catarina sentiu enormemente a dilaceração da Igreja, o cisma, resultante da Constituição Civil do Clero. Havia então duas Igrejas na França. Ela sofria por ver a lei francesa consagrar a ruptura da comunhão com a Igreja de Roma, com o Papa, a supressão da vida consagrada, da vida religiosa, a descristianização sob o Terror, as perseguições injustas contra o clero refratário.
     Durante a tormenta, ela compreendeu que o que estava em jogo era a sobrevivência da Igreja, a continuação do anúncio do Evangelho pela Igreja de Cristo. Recusou-se a assistir os ofícios do clero constitucional e começou a ajudar os refratários perseguidos a exercer seu ministério clandestinamente. Ela escondeu dois refratários em sua casa.
     Em pleno Terror, Catarina percorria os bosques para levar alimento, vestimentas e objetos de culto para a celebração da Missa, aos padres que se escondiam. Ela acompanhou o Abade François Filiol, condenado à morte aos 29 anos, até o cadafalso e recolheu seu sangue como os primeiros cristãos recolhiam o sangue dos mártires.
     Ela foi presa duas vezes. Ela foi levada a julgamento uma vez e foi liberada por falta de provas. Ela não temia arriscar sua vida. A lei punia os suspeitos e os receptadores de padres refratários.
     Passada a época terrível da Revolução, ela continuou a levar sua ajuda ao clero para reconstruir a paróquia de Mauriac. Até 1836, ela trabalhou incessantemente junto aos pobres, órfãos e doentes.
     Após uma vida plena de serviço e de amor a Igreja e aos pobres, Catinon-Menette entregou sua alma a Deus, no dia 4 de julho de 1836.
     Toda a região se mobilizou para as exéquias. Todos lamentam sua perda: ricos e pobres tributam a ela uma última homenagem e esperam guardar alguma lembrança sua. Seu túmulo sempre florido revela pedidos de sua intercessão junto a Nosso Senhor pelos doentes, pelos necessitados, pelas vocações...
     O Padre Cormier, da Diocese de Saint-Flour, deu início ao processo de beatificação em 1911. O Papa Pio XII declarou-a Venerável em 1953 e João Paulo II proclamou-a oficialmente beata no dia 24 de novembro de 1996, em Roma, sendo a sua festa litúrgica a 4 de julho.
 

Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Catherine_Jarrige https://coisasdesantos.blogspot.com/2018/07/04-de-julho-beata-catarina-jarrige.html?m=0
 
Postado neste blog em 4 de julho de 2011

sábado, 2 de julho de 2022

Santa Regina de Denain, Viúva e religiosa - 1º de julho


     
Santa Regina viveu na França no século VIII; descendia de importante família de Hainaut (região da França) e era sobrinha de Pepino o Breve. Um outro documento indica que Regina era filha ou parente do Rei Pepino, que dera a ela em dote o condado de Ostrevent.
     “Regina, princesa da corte da França (isto explica a coroa que ela usa), de tantas belezas quanto ao corpo, como de eminentes virtudes quanto à alma”, desposou o Conde Beato Aldeberto d’Ostrevent (1).
     Uma filha do casal, Renfrida, “educada santamente por seus pais, pediu-lhes para se consagrar inteiramente a Nosso Senhor Jesus Cristo, fazendo-se religiosa”. Alguns autores mencionavam outras filhas de Regina que seguiram a irmã mais velha na vocação religiosa. Mas, uma relação moderna diz “que é possível que o nome de ‘irmãs’ possa ter sido dado a outras companheiras de Renfrida, por terem abraçado a vida religiosa com ela”.
     Os pais, felizes com a resolução de sua filha, “fundaram e edificaram em 764 (754 ou 774) uma igreja e um claustro dedicados a Virgem Maria, em um local de seu condado chamado Denaing”, e também uma outra igreja para os habitantes, dedicada a São Martinho.
     A Abadia ficava perto de um cemitério merovíngio, na confluência dos rios Selle e Escaut, junto a uma fonte milagrosa cujas águas curavam a cegueira.  
     Após o falecimento de seu esposo, ali a condessa recebeu o véu de religiosa e, fazendo da santificação o objetivo de sua vida, se serviu da oração e do trabalho para atingi-la.
     Entretanto, sua filha Renfrida logo se tornou sua mãe espiritual, pois foi eleita abadessa do novo mosteiro. A santa mãe se submeteu de boa vontade, e assim aquela que fora mãe tornou-se filha espiritual. Renfrida também é venerada como santa e é celebrada dia 8 de outubro.
     Destas santas vidas muito pouco pode ser acrescentado, mas a antiguidade do culto a ambas nos confirma que grandes foram as suas virtudes silenciosas, e por isso foram veneradas, e a fama de suas virtudes atravessou os séculos.
\igreja de São Martinho, Denain
 
(1) Ostrevent é uma região do norte da França entre Flandres e Hainaut francesas.
 
http://www.santiebeati.it/dettaglio/92213

quinta-feira, 30 de junho de 2022

Santa Adele de Orp-le-Grand, Abadessa – 30 de junho

          
Santa Adele de Orp-le-Grand é uma religiosa do século VII.
     Filha de um merovíngio notável , ela recebeu o véu no Mosteiro de Nivelles, recentemente fundado por Santa Ida, viúva de Pepino, o Velho, e sua filha, Santa Gertrudes de Nivelles.
     Por volta de 640, Santa Adele fundou o priorado de Orp-le-Grand, na Bélgica. Durante o reinado de Childerico II , ela recebeu cada vez mais freiras, por isso mandou construir no vale um oratório dedicado a São Martinho e para lá transferiu sua comunidade.
     Uma tradição local diz que Adele, tendo ficado cega milagrosamente recuperou a visão. Quando ela morreu, por volta de 670, foi enterrada na cripta da Igreja de São Martinho. Suas relíquias foram colocadas em um relicário ainda preservado em Orp-le-Grand e uma procissão anual é organizada em sua homenagem no primeiro domingo de outubro, com a presença de muitos fiéis.
     Popularmente invocada para a cura de doenças da vista, ela é representada tradicionalmente com o hábito religioso.
     Existe uma imagem sua em terracota na Igreja de São Omer d’Houchin em Pas de Calais.
     Santa Adele é comemorada localmente em 30 de junho. Lugares de culto são dedicados a ele em Saint-Géry, Fromiée, Brye (Capela de Santa Adele) e Hemptinne.

Praça em Orp-le-Grand
Igreja dos Santos Martinho e Adele em Orp-le-Grand
    
Fonte: http://www.santiebeati.it/dettaglio/99500

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Santa Vicência Gerosa, Virgem e Cofundadora - 28 de junho

     
Santa Vicência nasceu em 29 de outubro de 1784 em Lovere, Itália, e foi batizada com o nome de Catarina; começou a estudar nas Beneditinas de Gandino, em Val Seriana, mas a saúde frágil a impediu de continuar e teve que voltar para Lovere. Este foi, em sua vida, o primeiro de muitos projetos que as circunstâncias revolviam continuamente.
     Reservada e tímida, durante um período viveu contente atrás do balcão do pequeno comércio da família. Ela jamais havia pensado em tornar-se uma ‘fundadora’. O seu horizonte era Lovere, cidade do norte da Itália sujeita à República de Veneza. A empresa comercial que a família geria garantia aos Gerosa uma vida abastada. Mas, sob o ciclone napoleônico os negócios entram em crise, enquanto Lovere passava do domínio veneziano ao francês na República Cisalpina.
     A crise econômica levou à morte seu pai, depois sua irmã Francisca e por último, em 1814, também sua mãe. Apesar da tragédia pessoal, com ânimo e fé inabalável ela aceitou tudo com resignação. Confiante em Deus sofreu no silêncio do seu coração, encontrando forças na oração e na penitência.
     Quando Napoleão caiu, Lovere passou para o domínio do Império dos Habsburg. Naquele período, Catarina se dedicou ao ensino gratuito para jovens pobres, atividade de assistência e de formação religiosa encorajada por dois párocos sucessivos. Este empenho local lhe bastava, porque se revelava muito rico de estímulos e de desafios.
     Eis que surge outro projeto que mudou o curso de sua existência. Em 1824, iniciou uma amizade com Bartolomea Capitanio, jovem professora de 17 anos, nascida também em Lovere. Desde menina Bartolomea pensava em dedicar-se à caridade junto aos pobres e aos doentes. Por isso se diplomou professora no colégio das Clarissas de sua cidade natal.
     O encontro levou Catarina para uma nova aventura: criar um hospital, o que as duas conseguiriam alguns anos depois. Com os bens herdados da família Gerosa, Catarina teria possibilidade de fazê-lo, mas era necessário terem pessoal preparado para a assistência hospitalar.
     Bartolomea tem um projeto bem claro: fundar um instituto religioso com os objetivos de dar assistência aos doentes, dar instrução gratuita às jovens, criar um orfanato, dar assistência à juventude. Ela convence a amiga, de maneira que no outono de 1827 o instituto nasceu e foi chamado de Instituto das Irmãs de Maria Menina, com sede em Lovere, e com as regras escritas por Bartolomea. Para evitar objeções de caráter político, o instituto foi fundado autônomo. E assim independente ele permaneceu, cresceu e se difundiu nos anos subsequentes.
     Último e tremendo impacto: Bartolomea Capitanio morre no dia 26 de julho de 1833, com apenas 26 anos. Catarina Gerosa fica sozinha, tem pouca instrução, se sente quase velha, desejaria deixar tudo, mas, permanece, não desiste.
     Decidida, Catarina acolheu as primeiras jovens e por sete anos a pequena comunidade seguiu a regra das Irmãs de Santa Maria Antida Thouret, até que em 1840 chegava o reconhecimento pontifício, e as Irmãs de Maria Menina tomam vida canonicamente com as regras escritas por Bartolomea Capitanio e com a direção de Catarina Gerosa, que emite os votos assumindo o nome de Irmã Vicência.
     Já em 1842, embora fossem ainda poucas, são chamadas a Milão. O Arcebispo Cardeal Gaysruk (da alta aristocracia austríaca) desejava fazer delas uma instituição diocesana. Mas Irmã Vicência resiste: elas nasceram em Lovere e Lovere deve ser a sua casa, com as suas regras.
     Quando Santa Vicência morreu, depois de uma longa doença, em 28 de junho de 1847, as Irmãs eram somente 171; no início do terceiro milênio são cerca de 5.200 religiosas.
     Santa Vicência foi sepultada ao lado da cofundadora no santuário da Casa-mãe em Lovere. Atualmente o Instituto das Irmãs da Caridade das Santas Bartolomea Capitanio e Vicência Gerosa, ou Irmãs de Maria Menina, atua em toda a Europa, África, Ásia e nas Américas.
     Santa Vicência Gerosa é celebrada no dia de sua morte e foi canonizada por Pio XII no Ano Santo de 1950, junto com Santa Bartolomea Capitanio. A Congregação das Irmãs de Maria Menina e as dioceses de Brescia, Bergamo e Milão a recordam em 18 de maio.
 

Etimologia: Vicência – do latim, vitoriosa
 
Fonte: www.santiebeati.it/
 
Postado neste blog em 27 de junho de 2017
 
http://www.santiebeati.it/dettaglio/32700
 

sábado, 25 de junho de 2022

Beata Maria Lhuillier, Virgem e mártir - 25 de junho


Martirológio Romano:
 Em Laval, França, Beata Maria Lhuillier, virgem e mártir, que, recebida na Congregação das Irmãs Hospitalárias da Misericórdia, durante a Revolução Francesa foi decapitada por manter-se fiel aos votos religiosos da Igreja (1794).
 
     Maria Lhuillier nasceu em Arquenay, França, em 18 de novembro de 1744. Cresceu analfabeta e logo ficou órfã. Depois de servir uma senhora do lugar, foi trabalhar no convento de São Juliano das Canonisas Regulares Hospitalárias da Misericórdia de Jesus. Foi enviada ao hospital de Château Gontier e em 1778, depois de muitos sofrimentos e humilhações, ela foi admitida na profissão religiosa deste Instituto como Irmã conversa, tomando o nome de Maria de Santa Mônica.
     Quando a Revolução Francesa eclodiu, em fevereiro de 1794, as religiosas foram obrigadas a abandonar o hospital e a refugiar-se em Laval, no ex-convento das Ursulinas.
     Acusada de distribuir parte da roupa limpa do hospital a pessoas necessitadas, Maria Lhuillier foi presa e conduzida diante de uma comissão. O juiz declarou que ignoraria aquela infração se a religiosa prestasse o juramento de "Liberdade e Igualdade", porém ela não quis fazê-lo. O juiz a ameaçou com a guilhotina, e a quantos seguissem seu exemplo, porém ela permaneceu corajosa e disse: "Tanto melhor para mim e para minhas Irmãs. Assim teremos a alegria de morrer por nossa fé, e mais rápido poderemos ver a Deus”. O juiz insinuou: "Veja que queremos salvar-te e te oferecemos o melhor". Ela, porém, respondeu: "Todos os meios que me ofereces são somente para enganar-me, mas graças a Deus, não o consegues. Eu não quero perder-me por toda a eternidade".
     Ao ouvir a sentença de morte, nossa beata se ajoelhou e exclamou: "Deus meu, quantas graças me fazeis contando-me no número de vossos mártires, embora eu seja uma grande pecadora".
     Depois, estando sozinha, cortou os cabelos, então um ajudante do verdugo a agarrou e com um golpe de sabre cortou suas roupas. A mártir empalideceu pelo ultraje e desmaiou. Quando se recompôs comentou: "A morte não me dá medo, porém podias poupar-me desta dor". Novamente foi convidada a prestar juramento, porém ela suspirou: "Ó Deus! Preferir uma vida passageira e caduca a uma vida gloriosa e imortal? Não, não, prefiro a morte".
     Antes de subir ao cadafalso exclamou: "Deus meu, eu devo morrer de uma morte assim doce, enquanto tu sofreste tanto por mim...". Morreu em Laval.
     Em 15 de junho de 1955 o Papa Pio XII beatificou 19 mártires franceses de Laval.
 

Fonte: http://www.santiebeati.it/dettaglio/93295
Postado neste blog em 25 de junho de 2015
 

quinta-feira, 23 de junho de 2022

Beata Maria Rafaela (Santina) Cimatti, Virgem – 23 de junho

Esta religiosa desenvolveu com inteligência e serenidade um serviço constante e heroico em favor dos aflitos e dos doentes. “Quando não estava atenta no cuidado dos enfermos, rezava diante do Santíssimo Sacramento e suas mãos, quando não estavam a serviço do próximo, desfiavam as contas do Rosário”.


    Santina Cimatti nasceu em Faenza, no dia 6 de junho de 1861. Seu pai era agricultor e a mãe tecelã. Foi dotada pela natureza de um rosto sorridente, sereno e de belas feições, iluminado por olhos profundos.
     Como a família logo precisou do seu trabalho, pode dedicar pouco tempo aos estudos. Para ajudar na economia familiar, ajudava a mãe como tecelã, ou se ocupava nos trabalhos da casa.
     Após a morte do pai em 1882, Santina assumiu a educação dos irmãos e também era catequista na sua paróquia. Tornou-se indispensável que Santina permanecesse junto à mãe até que esta encontrasse um trabalho digno na casa de um sacerdote.
     Quando seus dois irmãos, Luís e Vicente, entraram na Congregação Salesiana, recém fundada por Dom Bosco (eles também morreram em odor de santidade), Santina sentiu-se livre para realizar suas aspirações religiosas.
     Em novembro de 1889, ingressou no Instituto das Irmãs Hospitalárias da Misericórdia, na casa mãe de São João de Latrão, em Roma. Tomou o nome de Maria Rafaela, e em 1883 foi enviada ao Hospital de São Bento em Alatri, onde iniciou sua formação de enfermeira. Em 1905, emitiu seus votos finais.
     Em 1921, foi enviada ao Hospital Humberto I de Frosinone, onde assumiu o cargo de priora da comunidade. Retornou a Alatri e, de 1928 a 1940, sempre como priora.
     O principal campo de apostolado de Irmã Rafaela foi a farmácia. Entretanto, quando era necessário, ela estava à disposição dos doentes e da comunidade para realizar qualquer trabalho. Os trabalhos entre pílulas, xaropes e o moer no almofariz, tudo era para Irmã Rafaela um dom de Deus. No empenho simples, mas contínuo do dia a dia, ela alcançava uma dedicação exemplar de verdadeiro amor ao próximo.
     Quando a doença bateu à sua porta, recorreu ainda mais à oração como meio de superação.
     Em 1944, durante uma das etapas mais duras da II Guerra Mundial, muitos foram os feridos que chegaram ao hospital e que precisavam de atenção. Embora a Beata já estivesse com 83 anos de idade, não deixou de cuidar e de consolar os feridos, que a chamavam de “mamãe”.
     Apresentou pessoalmente, com êxito, um protesto ao General Kesserling, do Quartel General Alemão em Alatri, ao ouvir rumores de que, para defender as forças aliadas, iam bombardear a cidade. O general mudou seus planos e Alatri se salvou. “Milagre!”, gritavam em coro, “um anjo salvou a cidade”.
     Uma sua paciente conta: "Eu era jovem, mas sofria de vários distúrbios. Depois de algum tempo, fui levada de novo ao hospital para uma operação de apendicite. Estava preocupada e sentia falta de minha mãe distante... Chorava como nunca por causa dessa situação. A serva de Deus percebeu a minha profunda prostração moral e me pergunta: ‘Por que choras?’. E eu: ‘Estou mal e não tenho a mamãe...’. De um modo profundamente compreensivo me respondeu: ‘E eu não sou a mamãe? Por que estou aqui? Toda irmã hospitalária deve ser a mãe de quem sofre!’...”
     Para as coirmãs ela sabia ser a superiora atenta e gentil. Não pretendia ser servida, mas que cada uma servisse a comunidade. Uma sua coirmã recorda: "Não se dava ares por causa do ofício de superiora que exercia, mas se considerava a serva das irmãs, ajudando-as nos trabalhos. Gostava também de remendar e confeccionas as meias das coirmãs".
     Em 1943, uma doença começou a se manifestar e se revelou incurável. Faleceu em 23 de junho de 1945, deixando na memória a santidade de sua vida e suas virtudes heroicas.
     A causa para sua canonização foi introduzida em 1962. Em 1988-89 o processo atribuiu a sua intercessão a recuperação milagrosa de Loreto Arduini, de uma "encefalite viral, convulsões e fracasso respiratório". Isto levou à promulgação do decreto para sua beatificação pela Congregação para as Causas de Santos, em 1993. Foi beatificada em 12 de maio de 1996.

Relicário da Beata

Postado neste blog em 22 de junho de 2011