quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Santa Odília (ou Otília) de Hohenburg, Fundadora e Abadessa – 13 de dezembro

     
     A vida de Santa Odília é conhecida graças a um texto anônimo escrito pouco antes do ano 950.
     No século VII a Alsácia fazia parte da Alemanha. Na época de Childerico II, havia na Alsácia um duque franco chamado Adalrico, primeiro Duque da Alsácia, casado com Beresinda, sobrinha de São Leodegário, Bispo de Autun. Eles viviam em Obernheim, nas montanhas do Vosges, cerca de 40 km ao sul de Strasburg, no sopé do Monte Hohenburg.
     O duque havia sido batizado a pouco e não era um cristão muito fervoroso, mas aprovava as obras de caridade feitas por sua esposa, uma cristã fervorosa. Eles esperavam um filho que assegurasse a sua descendência, mas, por volta do ano 660 nasceu-lhes uma filha... e cega! O pai encolerizado considerou tal nascimento uma desgraça e desonra para a família. A mãe tentou apaziguá-lo dizendo que era a vontade de Deus, que Ele devia ter seus desígnios, tudo em vão: o pai chegou a desejar que matassem a menina.
     Beresinda conseguiu finalmente dissuadi-lo desse crime, mas ele a fez prometer que levaria a criança para longe sem dizer a que família pertencia. Beresinda cumpriu a primeira parte da promessa, mas não a segunda, pois confiou a menina aos cuidados de uma ama que estivera a seu serviço e lhe disse que era sua filha. Beresinda providenciou a ida de toda a família da ama para o local que hoje é conhecido como Baume-le-Dames, próximo de Besançon, onde havia um convento em que a menina poderia educar-se mais tarde.
     Ali viveu ela até os doze anos sem ter sido batizada. Foi então que um anjo revelou a Santo Heraldo, Bispo de Regensburg, abade do mosteiro recém-fundado de Eberheim-Münster, que ele devia ir ao convento de Baume, aonde encontraria uma jovem cega de nascença. Ele devia batizá-la e dar-lhe o nome de Odília.
     Santo Heraldo foi consultar São Hidulfo em Moyenmoutier e, juntos, se dirigiram a Baume, onde fizeram o que tinha sido indicado na revelação. Depois de ungir a cabeça de Odília, Santo Heraldo passou o óleo do Crisma em seus olhos e ela recobrou a visão. No momento do batismo, o bispo Heraldo disse: "Que os teus olhos do corpo se abram, como foram abertos os teus olhos da alma". Odília deste momento em diante passou a enxergar e recebeu o dom da profecia. Tornando-se uma das maiores místicas católicas, com previsões que impressionam ainda hoje.
     Odília permaneceu no convento servindo a Deus. Entrementes, Santo Heraldo havia comunicado a Adalrico a cura de sua filha. O pai não se abrandou diante de tal milagre e proibiu o filho, Hugo, de ajudar a irmã. O milagre que Odília recebera e os progressos que fazia em seus estudos provocaram a inveja de algumas das religiosas que tornaram sua vida difícil. Odília, sabendo da existência de seu irmão, resolveu então escrever para ele e pedir-lhe ajuda. Hugo desobedeceu ao pai e mandou vir a irmã.
     Um dia em que Hugo e Adalrico estavam em uma colina dos arredores, Odília se apresentou em uma charrete, seguida por uma multidão. Quando Adalrico soube de quem se tratava, descarregou sua pesada espada sobre a cabeça de Hugo e o matou de um golpe. Os remorsos finalmente mudaram seu coração e começou a amar sua filha tanto quanto a havia odiado antes.
     Odília se fixou em Obernheim com algumas companheiras que se dedicavam como ela aos atos de piedade e às obras de caridade entre os pobres.
     Adalrico, convertido graças às orações da filha, deu a ela o castelo que possuía no Monte Hohenburg. Odília transformou-o em mosteiro e foi sua primeira abadessa.
     O Monte Hohenburg tem mais de 2.000 m de altura e fica próximo do vale do Reno. Como a montanha era muito escarpada e dificultava o acesso dos peregrinos, Santa Odília fundou outro convento, Niedermünster, um pouco mais abaixo, a 703 m, e edificou um hospital junto a ele para acolher pobres e leprosos. São João Batista lhe apareceu e indicou o local e as dimensões da capela que devia construir ali em sua honra.
     A regra adotada por Santa Odília foi a beneditina, o que sugere a influência de seu tio-avô, São Leodegário, grande apóstolo do monasticismo beneditino na região. Em apenas dez anos o mosteiro já abrigava 130 religiosas, entre as quais três filhas de Adelardo, outro irmão de Santa Odília. Estas sobrinhas foram: Santa Eugênia, sucessora de Santa Odília, Santa Atala, abadessa do mosteiro de Santo Estevão de Strasburg, e Santa Gundelinda.
     Odília governou os dois conventos e tornou-se popularíssima na Alsácia, na Lorena e na região de Baden. Conta-se que após a morte do pai Santa Odília soube, durante uma visão, que ele fora livre do Purgatório graças às suas orações e penitências.
     Uma Fonte de Santa Odília existe ainda hoje. Ela fica fora do mosteiro, e, segundo a tradição, Santa Odília a fez surgir tocando a rocha com o cordão de seu hábito. Ela voltava da costumeira visita aos doentes, quando encontrou um homem cego que lhe pediu água. Como ela não tivesse água à mão, fez o milagre. E o homem ficou curado da cegueira. Muitas outras visões da Santa são narradas e numerosos milagres lhe são atribuídos.
     Depois de governar o mosteiro durante muitos anos, Santa Odília morreu no dia 13 de dezembro de 720, deitada sobre uma pele de urso. Como Santa Odília não pudera receber o Santo Viático, as prementes orações de suas irmãs de hábito alcançaram a graça dela recobrar a vida. Após descrever as belezas do Céu para elas e receber o Viático, a Santa morreu novamente e foi sepultada na Igreja do mosteiro.
     As suas fundações são mencionadas pela primeira vez em 783, numa doação feita para a abadessa da época. Carlos Magno garantiu imunidade às fundações de Santa Odília, o que foi confirmado em 9 de março de 837 por Luís, o Pio (Böhmer-Mühlbacher, "Regesta Imperii", I, 866, 933).
     A Igreja de São João Batista e o túmulo da Santa foram mencionados pela primeira vez pelo Papa Leão IX em 17 de dezembro de 1050. O Imperador Frederico I mandou restaurar a igreja e o mosteiro. A Abadessa Relinde estabeleceu ali uma escola para as filhas da nobreza. Uma outra abadessa, Herrade de Landsberg (1167-1195) tornou-se a famosa autora de um importante trabalho teológico chamado Hortus Deliciarum (Paradiesgarten). Em 1546, Niedermünster foi destruído num incêndio, e as religiosas não mais retornaram.
     Algumas relíquias da Santa foram transferidas para outros locais. O Imperador Carlos IV, por exemplo, recebeu o braço direito em 4 de maio de 1353, relíquia que hoje se encontra em Praga. Outras relíquias, que ficaram no mosteiro primitivo foram salvas da Revolução Francesa - inclusive o sarcófago, que recebeu posteriormente um revestimento de mármore - e foram colocadas sob o altar em 1842. As relíquias que foram levadas para Einsiedeln no século XVII foram destruídas pela Revolução.
     Seu túmulo é venerado e ainda hoje milhares de peregrinos a procuram e lhe prestam culto. O Monte Santa Odília é o local da Alsácia mais frequentado pelos católicos. Todos os imperadores alemães, desde Carlos Magno, a homenagearam. Até o Papa Leão IX e o Rei Ricardo I da Inglaterra foram visitar seu túmulo.
     Santa Odília foi designada patrona da Alsácia em 1807 pelo Papa Pio VII. Ela é também patrona de Strasburg e é invocada e muito venerada como protetora dos doentes da visão, dos cegos e dos médicos oftalmologistas. É venerada também na diocese de Mônaco, Meissen e nas abadias beneditinas femininas da Áustria.
     Os mosteiros e os hospitais fundados por ela foram entregues aos monges beneditinos, que mantiveram a finalidade inicial dada por Santa Otília: a assistência aos pobres e doentes incuráveis. 
     Santa Odília é festejada no dia de sua morte, 13 de dezembro. No Monte Santa Odília ela é celebrada no dia do aniversário da transladação de suas relíquias, ocorrida em 7 de julho de 1842.
     Desde o século XV, a Baviera e a Alsácia adotaram a versão Otília de seu nome.
Capela da Cruz no interior do mosteiro

Etimologia: O nome Odília significa “rica”, “proprietária”, “poderosa”. É o mesmo que Odália e Odélia, que vêm do germânico Odelia, derivado a partir da raiz od, ot, elementos que dão ideia de bens, posses, riquezas. Com outros nomes vindos da mesma raiz, Odília tem o mesmo significado de Otília e Odete.

Postado neste blog em 12 de dezembro de 2011

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Beata Maria Emília Riquelme y Zayas – 10 de dezembro

Era da nobreza, mas uma visão da Virgem mudou sua vida: "exemplar no fervor à Eucaristia"

     Maria Emília Riquelme y Zayas, nascida em Granada no dia 5 de agosto de 1847, viveu durante a segunda metade do século XIX e em quase toda primeira metade do século XX.
     Seus pais Joaquim Riquelme y Gómez e Maria Emília Zayas de La Vega, profundamente religiosos, constituíam um lar cristão para sua filha. Pertencia a uma família da aristocracia espanhola. Era descendente direta do Gran Capitán por parte de sua mãe e filha de um Tenente General e Conselheiro de Estado da Espanha.
     Desde menina recebeu uma excelente formação em francês, canto, equitação e bordado. Sua mãe mesma foi quem lhe ensinou as primeiras orações e a formação religiosa. Maria Emília tinha apenas sete anos quando sua mãe morreu. Ela recorreu à Santíssima Virgem, e a partir daí, o seu amor por Maria foi crescendo de tal modo, que teve uma experiência maravilhosa da Santíssima Virgem. Por isso, em sua adolescência, consagrou-se à Nossa Senhora do Carmo, fazendo votos privados de castidade e virgindade.
     Sendo a filha mais velha de quatro irmãos, ficou só com seu pai. Nenhum dos irmãos viveram muito tempo. Maria Emília teve tudo que uma jovem pode desejar: cultura, posição, além de muitas virtudes que realçam o seu encanto. Mas o que a deixava feliz era pensar na possibilidade de ser toda do Senhor e segui-lo na Vida Religiosa, mas seu pai a proibia.
     Quando seu pai morreu, tentou ingressar em várias comunidades religiosas, mas não a aceitaram por causa de sua saúde delicada.
     Com carinho e dedicação, sente as necessidades do seu tempo e redobra o seu trabalho a favor dos mais necessitados. No entusiasmo dos Exercícios Espirituais e na Adoração ao Santíssimo Sacramento nasceu esse desprendimento de total entrega e lançou-se a cumprir a vontade de Deus. Abriu um caminho com estilo próprio na Igreja.
     Iniciou um trabalho social com os pobres e doentes de diferentes cidades espanholas e pediu à Santa Sé permissão para expor permanentemente o Santíssimo Sacramento em sua casa, permissão que lhe foi concedida. Foi como nasceu, ao anoitecer de um século, a Obra de Maria Emília, ou melhor, a “Obra de Maria” denominação dada a congregação que ela fundou no dia 25 de março de 1896, na Cidade de Granada, o que depois seria a Congregação das Irmãs Missionárias do Santíssimo Sacramento e de Maria Imaculada.
     O pequeno grupo de mulheres destemidas fazia adoração dia e noite ao Santíssimo Sacramento para pedir por todo o mundo, enquanto aguardavam a vez de levar Jesus a outras terras.
     Sucedem-se as fundações na Espanha. A Beata foi a Roma e em 1938 obteve o Decretum Laudis e a Aprovação Pontifícia, concedidos pelo Papa Pio IX que aprovou seus estatutos.
     Quase no fim de sua vida, vê com alegria fundações no Brasil e mais tarde em Portugal. Em 10 de dezembro de 1940, 5 anos após a fundação no Brasil, Maria Emília faleceu na Casa Mãe em Granada, aos 93 anos de idade, cheia de virtudes e graça por ter cumprido a vontade do Senhor em sua vida.
     Atualmente, a congregação está presente na Espanha, em Portugal, Brasil, Colômbia, Bolívia e Estados Unidos. As irmãs da Congregação de Madre Riquelme y Zayas são responsáveis por duas Capelas de adoração perpétua, uma em Madri e outra em Maiorca.
     A Congregação das Missionárias do Santíssimo Sacramento dedica-se, sobretudo, à educação em colégios e residências universitárias. Nos lugares de missão, as Irmãs desempenham um papel importante nas obras sociais.
     O processo de beatificação de Madre Maria Emília Riquelme foi aberto em 1980, na Arquidiocese de Granada; dois anos depois, foi aprovado pela Santa Sé e pela Congregação para as Causas dos Santos. Em 19 de março de 2019, foi reconhecido o milagre realizado por sua intercessão. Maria Emília Riquelme y Zayas foi beatificada no dia 9 de novembro na Catedral de Granada, Espanha, em uma Missa presidida pelo Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal Angelo Becciu.
Milagre
     Em 19 de março a Santa Sé reconheceu o milagre que possibilitou a beatificação da Madre Riquelme y Zayas e que aconteceu na Colômbia. O milagre atribuído à intercessão da religiosa foi a cura, em 2003, de um homem colombiano que sofria de pancreatite aguda. A irmã do enfermo, que pertence à Congregação das Missionárias do Santíssimo Sacramento, pediu a intercessão da sua fundadora para cura de seu irmão e foi atendida.


segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Santa Leocádia de Toledo, Virgem e mártir – 9 de dezembro

Martirológio Romano: Em Toledo na Espanha, Santa Leocádia, virgem e mártir, insigne pelo seu testemunho de fé em Cristo.

     Leocádia de Toledo ou Santa Leocádia é a padroeira de Toledo, região conhecida pelo Império Romano como Hispania (Espanha), e é considerada santa pela Igreja Católica e mártir no século IV, durante a perseguição de Diocleciano aos cristãos, ainda na época do Império Romano.
     Ainda que Aurélio Prudêncio Clemente (384-410), que dedicou parte de sua obra a hinos dos mártires, não mencione Leocádia, há muito tempo existe uma igreja dedicada à santa. Leocádia é um dos santos de culto mais antigo de Espanha, aparecendo citada já, por exemplo, nos calendários moçárabes. A prisão e morte de Leocádia foi narrada num relato do século VII.
     As primeiras fontes hagiográficas datam, provavelmente, do século V. Narram que Leocádia pertencia a uma família nobre.
     Segundo a tradição, foi Publio Daciano, prefeito romano da Hispânia e governador da Bética, que aplicou em Hispania um decreto de Diocleciano que ordenava a perseguição dos cristãos, e o responsável direto de sua prisão e, em última instância, morte por martírio incruento.
     Ao chegar a Toledo, o pretor Daciano mandou prender Leocádia pela confissão pública de sua fé e rejeição à apostasia. Leocádia foi presa com amarras e numa masmorra escura para que refletisse sobre os tormentos que a esperavam se não se retificasse. Conta-se que fez uma cruz com as próprias unhas na parede da cela onde ficou presa até sua morte. Informada do martírio de Eulália de Mérida e de outros mártires como, entre outros, Vicente, Sabina e Cristeta de Talavera, com tremendos tormentos que lhes foram aplicados com grande crueldade, Leocadia morreu, talvez também de esgotamento, na prisão em 9 de dezembro de 304.
     Inicialmente foi enterrada no cemitério de Toledo, na zona ocidental, junto ao Tejo. Em 1587 trouxeram a Toledo os restos mortais da santa. Até o século VIII estiveram em Toledo.
     A perseguição de Abderramão contra os cristãos provocou que muitos moçárabes fugissem da cidade e levassem as relíquias de Leocadia, junto com as de outros santos toledanos. As de Leocadia foram levadas a Oviedo, onde Alfonso o Casto ergueu um templo em sua honra.
     O culto a Santa Leocádia, desde sua morte até o século VIII, não era tão forte quanto hoje. Depois da invasão árabe na Península Ibérica, que teve início em 711, suas relíquias foram levadas para Oviedo, onde ficaram até o final do século XI. Nessa época, o rei Afonso VI da Espanha teria permitido que um conde de Hainaut, peregrino de Santiago de Compostela e participante da reconquista cristã da Península Ibérica, levasse as relíquias de Leocádia para uma abadia na Bélgica.
     Durante o reinado de Felipe II, as relíquias retornaram à Espanha. Os monges do cenóbio de Saint-Ghislain (diocese de Cambrai), onde as relíquias estavam então depositadas, voltam a entregá-las ao padre jesuíta Miguel Hernández, e em 1587 chegaram à Catedral de Toledo em meio a grandes festas. Na cerimônia de recepção, assistem entre outros o Rei Felipe II.
     Durante muitos séculos a memória de Leocádia permaneceu um tanto esquecida. O culto à santa voltou a crescer a partir de seu retorno à Espanha. Os restos da santa repousam na catedral, numa arca de prata, a qual contém textos sobre sua vida. A arca foi desenhada por Nicolás de Vergara e confeccionada pelo prateiro Merino. Ela é levada em procissão em uma carruagem no dia 9 de dezembro, passando por diversas ruas de Toledo.

A aparição de Santa Leocádia a Santo Ildefonso, Bispo de Toledo do ano 657 a 667
     Estava em oração Santo Ildefonso, Arcebispo de Toledo, junto ao sepulcro de Santa Leocádia, na presença do Rei Recesvindo e de toda a sua corte. Então, Santa Leocádia levantou-se do sepulcro coberta com um grande véu e disse ao Santo Ildefonso: “Feliz de ti, Ildefonso, por teres uma devoção tão terna a Maria Santíssima. E por teres defendido com tanto valor a sua glória e prerrogativas insignes contra os seus inimigos, te asseguro que tudo deves esperar de seu poder e bondade”. Santo Ildefonso cortou o véu com uma faca do Rei. Essa relíquia permanece atualmente no sacrário da igreja de Toledo.

Iconografia
     Representam-na com uma cruz pelo fato de ela a ter desenhado na parede da prisão, e com a palma do martírio. Também diante do pretor, açoitada e em prisão. Em outras ocasiões representam-na em seu aparecimento a São Ildefonso de Toledo. Por último, representam-na com uma torre, por ter morrido em prisão. Tem o título de confessora.

Igreja de Santa Leocádia de Toledo

    A tradição toledana sustenta que a Igreja de Santa Leocádia em Toledo (Espanha) foi edificada sobre o solar da casa onde nasceu a santa, que pertenceria a uma pequena habitação subterrânea, onde se afirma que ela rezava.
     A paróquia aparece citada em documentos desde meados do século XII, com a denominação de Santa Leocádia de Toledo, para diferenciar de outra igreja, com o mesmo nome, junto ao alcácer, edificada no lugar onde a santa esteve em prisão. Também se chamou à basílica extramuros a de fora, dantes de "Santa Leocadia" e atualmente do "Cristo da Vega", onde foi enterrada. As partes mais antigas são de estilo mudéjar toledano. No século VII foi sede do IV Concílio de Toledo.

Etimologia: Leocádia significa “tudo que se refere a leão”. É um nome de origem grega.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Beata Maria de Pisa, Esposa, monja e reclusa – 4 de dezembro

    
     A Beata Maria de Pisa viveu no século XII. É a história de dois cônjuges que, de comum acordo, decidem viver sua vocação religiosa ao entrar no convento.
     Após um breve período conjugal, com o consentimento de seu esposo Maria decidiu entrar no mosteiro de São Paulo, em Pugnano, perto de Pisa, enquanto seu marido decidiu entrar no mosteiro camaldulense de São Savino.
     Nos anos em que viveu no mosteiro, em penitência e oração, Maria foi uma reclusa. Seu confessor era um monge do mosteiro onde seu marido entrou.
     Acredita-se que ela tenha morrido no mosteiro em 4 de dezembro de 1200, e diz-se que quando foi enterrada, uma antífona foi cantada com uma oração que por muitos anos se repetia no dia de sua morte, que correspondia à de sua festa.
     Não sabemos o que aconteceu com o corpo de Maria.
     Em 1736, o abade camaldulense G. Grandi imprimiu em latim uma vida da beata, nascida de uma transcrição de um códice do mosteiro de Santa Ana de Pisa.
     Sua festa foi fixada no dia 4 de dezembro.


terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Causa de Nossa Alegria – 2 de dezembro



(Notre Dame de Lièsse ou Causa Nostrae Laetitiae).

     Na diocese de Laon se acha o célebre santuário de Nossa Senhora de Lièsse. Este nome significa Nossa Senhora da Alegria, e foi dado em memória de um acontecimento feliz que o santuário de Lièsse recorda.
     Em 1134, durante o reinado de Fulco de Anjou, 4º rei de Jerusalém, três Cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém, fidalgos de Laon, foram feitos prisioneiros dos muçulmanos e conduzidos ao Cairo, Egito. O sultão tentava, por ameaças e seduções, fazê-los abjurar a sua fé. Não conseguiu abalar a piedosa fidelidade de seus prisioneiros; pelo contrário, estes converteram a filha do príncipe. Milagrosamente os fidalgos encontraram ou receberam em sua prisão uma imagem de Nossa Senhora, que eles chamaram de Nossa Senhora da Alegria, ou Nossa Senhora de Lièsse.
     Em resposta às suas orações, a jovem princesa muçulmana chamada Ismeria, que pela intercessão de Nossa Senhora e da misericórdia de Deus, se convertera, organizou a fuga dos piedosos cruzados e juntou-se a eles em sua jornada para a França. Eles carregavam a imagem com eles e, na região de Laon, cerca de 55 quilômetros a noroeste de Reims, fundaram uma igreja como local de descanso para a imagem.
     Por meio da devoção local, a igreja assumiu o nome da imagem e deu esse nome a toda a região, de modo que Nossa Senhora de Lièsse passou a se referir à devoção e ao local. A imagem veio a ser venerada por muitos, e Nossa Senhora de Lièsse tornou-se a padroeira da diocese de Soissons.
     Em 1620, o oficial de justiça da Armênia, Frei Jacques Chenu de Bellay, construiu uma igreja para Nossa Senhora de Lièsse em Valletta, em Malta. Hoje é a igreja de capelania do porto de Valetta.
     A imagem original foi destruída durante a Revolução Francesa, mas a basílica medieval em Lièsse permaneceu um centro de devoção à Mãe de Deus, e uma nova imagem foi instalada e coroada lá em 1857. Ainda é o foco da peregrinação, especialmente na Segunda-feira de Pentecostes.
Santuário de Nossa Senhora de Lièsse
Memorial no Missal da Ordem Hospitaleira Militar Soberana de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta

Fontes:
Mês de Maria, Pe. B. Bord – Editora Vozes Ltda, Petrópolis – 1ª. edição, 1940, pp. 72 – 74)

domingo, 1 de dezembro de 2019

Da. Maria Amélia de Bragança, a Princesa Flor

     
     Há 188 anos, nascia em Paris, em 1º de dezembro de 1831, Da. Maria Amélia a única filha de D. Pedro, o Duque de Bragança, e de sua segunda esposa, Da. Amélia de Beauharnais. Seu pai havia sido o primeiro Imperador do Brasil, como Pedro I, e 29º rei de Portugal, como Pedro IV - trono do qual abdicara apenas dois meses após sua aclamação, em favor de sua filha mais velha, Da. Maria II. Entretanto, dois anos depois, sua posição foi usurpada por seu tio (irmão mais novo de Pedro), que assumiu o trono como D. Miguel I. Ansioso para recuperar a coroa de sua filha, Pedro abdicou do trono brasileiro em abril de 1831 (em favor de seu filho mais novo, D. Pedro II) e partiu para a Europa com sua esposa, que estava grávida de Maria Amélia
     Pela via paterna, Maria Amélia era membro do ramo brasileiro da Casa de Bragança, sendo neta do rei D. João VI e da Infanta Carlota Joaquina da Espanha. Pelo lado materno, era neta do príncipe Eugênio de Beauharnais, enteado do imperador Napoleão I da França, e da princesa Augusta da Baviera, filha mais velha do rei Maximiliano I José da Baviera.
     A fim de reconhecer os direitos de Maria Amélia como princesa brasileira, D. Pedro convidou várias pessoas para testemunhar seu nascimento, entre eles o embaixador brasileiro na França. A recém-nascida teve como padrinhos o rei Luís Filipe I de França e sua esposa, Maria Amélia das Duas Sicílias. D. Pedro ficou encantado com o bebê e enviou uma carta, datada de 4 de dezembro, aos seus outros filhos que haviam ficado no Brasil, incluindo o pequeno D. Pedro II, com a mensagem: "A Divina Providência quis diminuir a tristeza que sente meu coração paterno pela separação de V.M.I. [Vossa Majestade Imperial] dando-me mais uma filha e, à V.M.I., mais uma irmã e súdita ...".
          Quando a Princesa Dona Maria Amélia tinha apenas vinte dias de idade, seu pai partiu para os Açores, onde liderou as tropas liberais contra o usurpador Rei Dom Miguel (1802-1866), seu irmão mais novo. Sua Alteza permaneceu em Paris, vivendo com sua mãe e sua irmã mais velha, a Rainha de Portugal. Com a notícia da vitória do Duque de Bragança, as três insignes damas partiram para Lisboa, lá chegando em 22 de setembro de 1833.
     Charles Napier, um oficial naval britânico que lutou ao lado de D. Pedro, escreveu sobre o emocionante encontro: "Nunca o vi [Pedro] tão feliz e satisfeito. Ele embarcou um pouco acima de Belém e foi recebido na escada pela imperatriz [Amélia] que abraçou-o e beijou-o com o maior carinho: a rainha [Maria II] estava muito emocionada e não conseguiu segurar as lágrimas. A princesinha [Maria] Amélia, sua filha mais nova, teve boa parte de sua atenção: ela ficou um pouco assustada com sua barba espessa e não correspondeu muito às suas carícias".
     A família se estabeleceu no Palácio Real de Queluz, próximo a Lisboa. Contudo, a longa Guerra contra o usurpador Rei Dom Miguel minou a saúde do Duque de Bragança, que veio a falecer, vítima de tuberculose, na madrugada do dia 24 de setembro de 1834. Aos três anos de idade incompletos, a Princesa Dona Maria Amélia foi levada ao leito de morte de seu pai, que a abençoou, antes de entregar sua alma a Deus Nosso Criador.
     A Duquesa de Bragança jamais se casou novamente, e foi viver, com sua filha, no Palácio das Janelas Verdes, em Lisboa, onde passou a se dedicar à educação de Maria Amélia. No Brasil, a Regência (1831-1840) não quis reconhecê-las como membros da Família Imperial, situação que só mudou após a Declaração da Maioridade do Imperador Dom Pedro II, que fez questão de reconhecer sua madrasta (a qual chamava de mãe) e irmã mais nova como parte da Família Imperial e destiná-las uma pensão.
     Da. Maria Amélia tornou-se "uma jovem de beleza impressionante e inteligência cultivada", segundo o historiador H. Montgomery Hyde. Foi descrita como muito religiosa, inteligente e astuta, com uma personalidade e um pouco irônica. A princesa recebeu uma educação refinada, sendo muito hábil em desenho, pintura e ao piano. Além de gostar de poesia, Maria Amélia também era fluente em português, francês e alemão. Sobre ela, uma de suas professoras disse: "tem, sem saber, um talento excepcional para a dialética, uma habilidade que faria a fortuna de um jovem estudante de direito".
     Aparentemente, uma das principais motivações para sua dedicação aos estudos era seu pai. O duque de Bragança muito representou em sua vida e era sempre lembrado pela jovem princesa, que perguntava frequentemente aos seus interlocutores: "e meu pai, que me olha do céu, estaria satisfeito com sua filha?" Maria Amélia nunca foi capaz de lidar com a morte de seu pai e isto a tocava profundamente. Uma carta escrita pela princesa em 27 de agosto de 1851 fala sobre seus sentimentos:
Desenho de autoria da princesa
     Estive no [Palácio Real de] Queluz... Após a morte de meu pai, nunca havia visto este palácio novamente. Não conseguia lembrar-me de nada, absolutamente nada, com exceção do quarto onde meu pai morreu!... Lá lembrei-me de tudo. Cada objeto foi gravado em minha memória, mesmo tendo, naquela ocasião, três anos de idade! Foi com grande emoção que entrei naquele quarto!... A cama... a cama ainda é a mesma, no mesmo local, com as mesmas cortinas, as mesmas colchas, os mesmos travesseiros... tudo tão bem preservado... Ai...
     O jardim é bonito; foi-me mostrado um laranjal, plantado no mesmo ano da morte de meu pai, e por sua ordem, e um plátano plantado por ele... Uma profunda tristeza invadiu-me ao contemplar estas árvores que tinham sobrevivido a meu pai e que, provavelmente, sobreviverão a todos nós. É uma imagem da fragilidade humana. O homem é o mais frágil de todos os seres; ele morre, enquanto os objetos aparentemente criados para seu uso, suportam a séculos!... Mas estou divagando em minhas reflexões melancólicas...
Maria Amélia
     No início de 1852, o arquiduque Maximiliano da Áustria, então servindo na marinha austríaca, visitou Amélia e Maria Amélia durante uma escala em Portugal. A princesa já o conhecia de uma reunião familiar em Munique, em 1838. Sofia da Baviera, mãe de Maximiliano, era meia-irmã de Augusta Amália, a avó materna de Maria Amélia, e ambas pertenciam à alemã Casa de Wittelsbach. O arquiduque também era primo dos meio-irmãos de Maria Amélia, visto que seu pai, o arquiduque Francisco Carlos, era irmão mais novo da imperatriz Da. Leopoldina. Eles apaixonaram-se imediatamente e ficaram noivos. O noivado, no entanto, nunca foi oficializado, devido à morte prematura de Maria Amélia.
     Em fevereiro de 1852, Maria Amélia contraiu escarlatina. Com o passar dos meses, ela não se recuperou, sendo afetada por uma persistente tosse - os sintomas da tuberculose. Em 26 de agosto, a princesa deixou o Palácio das Janelas Verdes, onde morava, e viajou para a Ilha da Madeira. O clima da ilha tinha a reputação de salutar nestes casos, como Maria Amélia observou: "as febres desaparecem, dizem eles, como que por magia!" Ao despedir-se da família, a princesa Amélia pode ter sentido um mau agouro, pois disse à sobrinha: "Não é verdade, Maria, que você não vai me esquecer?"
     Maria Amélia, acompanhada de sua mãe, desembarcou em 31 de agosto no Funchal, a capital da Madeira. A cidade inteira as saudou com alegria e uma multidão acompanhou a princesa até seu novo lar. Ela adorou a ilha e disse à mãe: "Se eu um dia recuperar a minha saúde, vamos ficar muito tempo nesta ilha, vamos fazer longas excursões nas montanhas, vamos encontrar novas trilhas, como só fizemos em Stein". Mas sua saúde só piorou e, no final de novembro, toda a esperança se foi. No início de 1853, a princesa estava acamada e sabia que a morte estava se aproximando: "A minha força diminui dia a dia; eu posso sentir isso... estamos chegando ao começo do fim!" Um pouco depois da meia-noite, na madrugada de 4 de fevereiro, um padre administrou-lhe os últimos sacramentos. Maria Amélia tentou consolar sua mãe: "Não chore ... deixe que a vontade de Deus seja feita; que Ele possa vir em meu auxílio em minha última hora; que Ele possa consolar minha pobre mãe!" Ela morreu pouco depois, por volta das 4 horas da manhã. Tinha apenas 21 anos de idade.
      O corpo da princesa permaneceu em uma capela ao lado da casa onde ela morreu, até ser levado de volta ao continente, 7 de maio de 1853. Em 12 de maio, o caixão foi desembarcado em Lisboa, seguindo-se um grandioso funeral. Seus restos mortais foram enterrados ao lado dos de seu pai no Panteão dos Bragança, no Mosteiro de São Vicente de Fora. Quase 130 anos depois, em 1982, o corpo de Maria Amélia foi trasladado para o Brasil, sendo definitivamente sepultado na cripta do Convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro, junto a outros membros da família imperial brasileira.
     A morte de Maria Amélia tocou profundamente a todos que a cercavam. D. Pedro II jamais conheceu pessoalmente sua irmã mais nova, mas havia desenvolvido uma forte relação com ela através de suas cartas. Ele escreveu em seu diário, sete anos após sua morte: "Ouvi a missa para minha mana Amélia, com quem estava tão próximo e sinto-me tão triste por nunca a ter conhecido". Da. Amélia visitou o túmulo de sua filha a cada 4 de fevereiro até sua própria morte, em 1873. A imperatriz-viúva financiou a construção de um hospital no Funchal chamado "Princesa Dona Maria Amélia", em honra da filha. O hospital ainda existe. Ela também legou suas propriedades na Baviera ao arquiduque Maximiliano, "a quem [ela] ficaria feliz em ter como genro, se Deus tivesse conservado sua amada filha Maria Amélia".
     Durante muito tempo o arquiduque Maximiliano foi assombrado pelas memórias de sua noiva. Após seu casamento com Carlota da Bélgica, ele fez uma peregrinação pessoal, em 1859, aos locais ligados à Maria Amélia.
A  imperatriz viúva tendo 
ao lado o retrato da filha

Carta de Da. Maria Amélia ao seu irmão D. Pedro II

Funchal, 9 de janeiro de 1853
Meu querido mano Pedro,
     Aproveito um momento em que me acho com mais forças, para escrever-te, dando-te os bons anos.
     Desejo-te bem do fundo do meu coração toda a sorte de felicidade, e peço ao mesmo tempo a Deus, que me dê saúde, para nós nos podermos ver um dia, o que é um desejo bem grande que tenho!
     Agradeço-te pela mesma ocasião a tua excelente carta de 12 de novembro, a que não me tem sido possível responder mais cedo, mas que nem por isso deixou de me dar um grande prazer.
     Tenho passado mais incomodada estes últimos tempos, meu querido mano, sentindo-me muito fraca e abatida, o que fez, que estive há agora quase 6 semanas, quase sempre de cama, exceto poucas horas em que estou deitada num canapé. Graças a Deus, ao menos posso às vezes ocupar pouco, desenho, ou leio, mas nunca o posso fazer por muito tempo, pois cansa-me tudo.
     Acabo esta, dando-te um abraço bem apertado como tua mana muito amiga!
Maria Amélia

Fontes: A Princesa Flor D. Maria Amélia, D. Carlos Tasso de Saxe-Coburgo-Bragança.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Amélia_de_Bragança

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Santa Teodora de Rossano Abadessa – 28 de novembro

Martirológio Romano: Próximo de Rossano, na Calábria, Santa Teodora, abadessa, discípula de São Nilo o Jovem e mestra de vida monástica. 

     Teodora nasceu cerca de 910, filha de Eusébio e Rosália. Dedicou-se bem jovem às obras de caridade e para conservar sua virgindade resolveu abandonar os hábitos mundanos e entrou, aos 15 anos, no Mosteiro de Santo Opoli, colocando-se sob a direção de São Nilo o Jovem (*).
     Distinguiu-se por sua grande devoção, tornando-se guia natural de outras jovens que a tomavam como exemplo.
     Algum tempo depois, São Nilo desejou premiar tanto empenho: quando da construção do Oratório de Santa Anastásia, realizada graças à generosidade de um devoto de nome Eusébio, o Santo entregou-o a direção de Teodora, que reuniu ali todas as jovens que desejavam se consagrar a Deus e as monjas suas companheiras do Mosteiro de Santo Opoli.
     Teodora permaneceu ali por toda sua vida. Faleceu em 28 de novembro de 980 tendo, segundo a tradição, 70 anos.
     Quanto ao local de sua sepultura, há dúvidas: segundo alguns, ela foi sepultada na Catedral de Rossano, mas segundo testemunhos escritos por dois contemporâneos da Santa, Eugênio e Beltrano, o corpo da abadessa foi sepultado no Mosteiro de Santa Anastásia, onde normalmente eram custodiados os restos mortais das mulheres beatas.


(*) Nilo de Rossano, ou Nilo o Jovem, batizado com o nome de Nicolau (Rossano 910 – Tuscolo 26 de setembro de 1004) era monge basiliano, abade e fundador da Abadia de Santa Maria de Grottaferrata. O Abade Nilo, nascido na Calábria bizantina e portanto grego de origem e de rito, fundou vários mosteiros; decidiu fundar um mosteiro na colina de Tuscolo, onde teria aparecido Nossa Senhora. É venerado como santo pela Igreja Católica e é santo patrono de Rossano onde é festejado no dia 26 de setembro. No ano 2004, foi celebrado o milênio de São Nilo.

Oratório de São Marcos de Rossano
     Dedicado originalmente a Santa Anastasia é o monumento mais antigo de Rossano e uma das construções bizantinas mais bem conservadas da Itália.

Postado neste blog em 27 de novembro de 2015