quinta-feira, 23 de julho de 2026

Santa Brígida da Suécia, Esposa, Viúva, Mística e Fundadora - 23 de julho

   
     Brígida Birgersdotter, escritora, teóloga, fundadora de Ordem religiosa, padroeira da Suécia e Co-padroeira da Europa, era filha do aristocrata Birger Persson de Finsta e de Ingeborg Bengtsdotter. Seu pai foi conselheiro real (riksråd) e homem de leis (legífero) de Tiundalândia na Uppland. Por intermédio de seus pais e de seu esposo, pertenceu aos círculos políticos mais influentes da Suécia medieval. 
     Santa Brígida nasceu por volta de 1303, segundo uma tradição antiga, em Norrtälje, na província de Uppland, não longe de Upsala, então a capital de todo o reino. Finsta era a residência da família Finsta, e pertenceu durante ce,rto tempo (porém não na época do nascimento de Brígida) a seu pai. Seu pai era juiz de Uppland, e seu avô paterno, seu avô materno e seu irmão também exerceram essa profissão. Seu esposo também viria a ser juiz, teve um filho que passaria a exercer a mesma atividade. Seu avô materno era primo de Magnus Ladulás, de modo que Brígida tinha parentesco com a família real sueca.  Sua família forneceu à Igreja muitos santos e se dedicava a construir mosteiros, igrejas e hospitais com a própria fortuna. 
     Birger, seu pai, era homem cheio de piedade e de virtude. Fundou grande número de igrejas e de mosteiros; fez peregrinações a Roma, a Jerusalém e a outros santos lugares, a exemplo de Pedro, seu pai e de seus antepassados. Jejuava, confessava-se e comungava todas as sextas-feiras, a fim de conseguir a graça de sofrer pacientemente as cruzes que Deus lhe mandava até a sexta-feira seguinte. Sua mãe, Ingeborg Bengtsdotter, filha de Ligride, não tinha menos piedade. O túmulo dos dois esposos existe ainda na catedral de Upsala.
     Até os seus 3 anos de idade a pequena Brígida não falava. Repentinamente, falou com impressionante facilidade e desenvoltura. Aos 7 anos teve sua primeira experiência mística conhecida: viu Nossa Senhora que lhe sorria e colocava sua majestosa coroa sobre sua cabeça. Depois, desapareceu.
     Aos 10 anos de idade Brígida experimentou a dor da separação: sua mãe adoeceu gravemente e faleceu. Era, portanto, o ano 1312. Seu pai, se considerando incapaz de prover educação compatível com a de uma menina de sua condição social, enviou-a para a casa da cunhada Catarina Bengtsdotter, em Aspanäs, próxima ao Lago Sommen, em Östergötland. 
     Desde a infância, Brígida tinha o dom das revelações divinas, todas anotadas por ela no seu idioma sueco. Em uma ocasião, viu diante dela Jesus Cristo torturado e morto na cruz. Alguns dias depois, teve uma outra visão, de Cristo pregado à Cruz, coberto de chagas, e o Salvador lhe disse estas palavras: “Olha em que estado me encontro, minha filha”. E ela perguntou: “Jesus, quem te fez isto?”, ao que Ele respondeu: “Aqueles que me ofendem e não querem o meu amor”. Tal visão deixou uma profunda e indelével marca em seu coração.
     Esses dois temas, a profunda devoção a Maria e as meditações sobre o sofrimento de Cristo, marcariam toda a vida de Santa Brígida. As descrições foram traduzidas para o latim e somaram oito grandes volumes, que ainda hoje são fonte de consulta para historiadores, teólogos e fiéis cristãos.
     A "gruta das orações" (construída no século XX), está sempre aberta a visitantes. Segundo a tradição, foi lá que Nosso Senhor apareceu pela primeira vez a Santa Brígida. Nas proximidades de Finsta, se encontra a igreja de Skederid (do século XIII), o templo onde Brígida passou a infância.
A Sta. recebendo as 
revelações
     Antes de completar 14 anos, e atendendo às ordens de seu pai e parentes, Brígida casa-se com Ulf Gudmarsson. Com este homem nobre em mais de um sentido, viveu um matrimônio feliz por 28 anos. Como frutos desse casamento, vieram ao mundo 8 filhos, sendo 4 meninos e 4 meninas.
     Era com rigor que eles cuidavam da educação religiosa e acadêmica dos filhos, sempre no caminho para a santificação em Cristo.  Carlos, o mais velho, veio a se tornar um homem de vida desregrada. Dois meninos morreram ainda crianças e o quarto chamava-se Gudmaro. As mulheres se casaram, porém, a terceira, ficando viúva, tornou-se religiosa e foi canonizada como Santa Catarina da Suécia. A quarta filha entrou para a Ordem de Cister, também como religiosa.
     Em 1355, Brígida foi chamada pela corte do rei Magno II para converter-se em dama de honra da rainha Branca de Namur. Esta incumbência exigia que ela frequentasse sempre as cortes luxuosas. Mas não se corrompeu neste ambiente de riquezas frívolas, ao contrário, manteve-se fiel aos ensinamentos cristãos, perseverando na dignidade e na caridade da fé.
     A devoção de Brígida também influenciou seu marido. Entre outras viagens, o casal realizou peregrinações a Nídaros (atual Trondheim) e a Santiago de Compostela. A caminho da Espanha, na cidade francesa de Arras, Ulf adoeceu. Quando se temia o pior, o santo francês São Dionísio apareceu ante Brígida e lhe prometeu que seu marido não morreria nessa ocasião. De fato, ele ficou curado, mas, de volta a Suécia, Ulf ingressou no mosteiro cisterciense de Alvastra, onde vivia um dos seus filhos, e lá morreu, em 1344.
     Após a morte de Ulf, Brígida repartiu seus bens entre os herdeiros e os pobres, passando a viver de maneira simples nas imediações do convento de Alvastra. Viúva, Brígida decidiu retirar-se definitivamente para a vida monástica para realizar um velho projeto, a fundação de um mosteiro duplo, de homens e mulheres, que deu origem à Ordem do Santo Salvador, sob as Regras de Santo Agostinho, passando, então, a viver nele.
     Suas visões e revelações se tornaram mais numerosas e frequentes. As revelações divinas não lhe vinham mais em sonhos, mas quando desperta e em oração, muitas vezes em êxtases. As cerca de 600 visões e revelações de Santa Brígida, vindas de Deus, se referiam aos assuntos mais polêmicos de sua época e muitos reconhecem que, graças a essas visões, alguns acordos de paz foram obtidos e relações políticas entre os Estados se concretizaram, dentre outras coisas. Essas visões - relatadas pela própria Brígida - foram vertidas por escrito em latim na obra Revelações de Santa Brígida redigida pelo prior do Mosteiro de Santa Maria, Pedro de Skänninge (Petrus av Skänninge ou Petrus Olavi), que era confessor e confidente de Santa Brígida, a quem confiava com exatidão suas visões divinas.
      Certa vez, em uma visão, Jesus lhe disse: "O que eu te falo não é somente para ti, (...) mas por meio de ti falarei ao mundo".
     Brígida viajou a Roma no ano de 1349 com o propósito de tomar parte na celebração do jubileu de 1350, e para obter permissão do Papa para fundar uma nova Ordem religiosa. Entretanto, na ocasião o Papa residia em Avignon e, além disso, a Igreja havia proibido o estabelecimento de mais ordens religiosas. A ausência do Papa desanimou Brígida, que havia tido uma visão na qual encontraria o Papa e o Imperador quando chegasse a Roma.
     Em Roma, residiu primeiramente próximo da Basílica de São Lourenço. Foi testemunha do decaimento espiritual da cidade após a partida do Papa. Durante sua estadia na cidade, escreveu cartas ao Papa, onde lhe suplicava que regressasse a Roma, e se dedicou a visitar as igrejas que continham túmulos de santos. Nas Igreja de São Lourenço de Panisperna, na colina de Viminal, pediu aos transeuntes esmolas para os necessitados. Também aproveitou para viajar em peregrinação aos santuários de Assis, à Nápoles e ao sul da Itália.
     Em 1368, o Papa Urbano V regressou a Roma e, em 21 de outubro recebeu o Imperador Carlos IV. Então Brígida pôde entregar as regras de sua ordem ao Papa, que se encarregaria de examiná-las. As regras foram aceitas com várias revisões e grandes mudanças com as quais Brígida provavelmente não concordava. Além disso, o Papa tomou a decisão de deixar novamente a Itália por motivos de segurança, situação com a qual Brígida também não estava de acordo. Ela profetizou que o Papa receberia um forte golpe de Deus e após dois meses do regresso a Avignon Urbano faleceu.
     Em 1371, quando tinha aproximadamente 68 anos, Brígida realizou uma viagem à Terra Santa, com um itinerário que passaria por Nápoles e Chipre. Em Nápoles, faleceu seu filho Carlos Ulvsson, o que lhe acarretou grandes preocupações. Brígida teve, então, outra aparição que lhe garantiu o perdão divino a seu filho, que agradeceu as orações e lágrimas de sua mãe.
     Quando voltou à Roma, no verão de 1373, uma enfermidade a debilitou e Brígida faleceu no que é hoje a Praça Farnese, no dia 23 de julho, aos setenta e um anos, em mãos de seu fiel confessor. De acordo com sua própria vontade, seus restos mortais foram transladados para a Suécia, especificamente para o convento de Vadstena, após haverem sido enterrados na igreja romana de São Lourenço em Panisperna.
     A Ordem fundada por ela passou a ser dirigida por sua filha, Catarina da Suécia, alcançando notoriedade pelos anos futuros.
     Em 1377, por ordem do Bispo Alfonso Pecha de Vadaterra, amigo e confessor de Brígida, saiu à luz a primeira edição de suas Aparições Celestiais. Em 1378, saiu outra aprovação sobre as regras da ordem religiosa de Brígida, e em 1384 o convento de Vadstena foi consagrado.
     O processo de canonização de Brígida começou em 1377 e terminou em 1391. Foi canonizada a 7 de outubro de 1391 por Bonifácio IX.  Em 1999, Santa Brígida foi elevada à categoria, junto com Santa Catarina de Siena e Santa Teresa Benedita da Cruz, de co-patrona da Europa.
     A ordem de Santa Brígida perdura até nossos dias, sob o nome de Ordem do Santo Salvador (Ordo Sancti Salvatoris), chamada comumente de Ordem Brigidina. Os restos de Santa Brígida se encontram na Abadia de Vadstena. O edifício onde a Santa viveu em Roma, a Casa de Santa Brígida, contém um templo, um convento e um albergue. 
     Santa Brígida da Suécia é autora de duas obras incluídas no Cânone Cultural da Suécia (Sveriges kulturkanon), uma lista oficial de obras e realizações particularmente importantes para a herança cultural do país: Abadia de Vadstena e Revelações de Santa Brígida.
     Ela é venerada como a padroeira da Suécia. Sua festa litúrgica é comemorada em 23 de julho.
 
Visões e revelações: O tempo presente e as profecias de Sta. Brígida
   
Sta. Brígida e sua filha
Sta. Catarina da Suécia

     As Revelações de Santa Brígida receberam um grau excepcionalmente alto de autenticidade, autoridade e importância desde o início. O Papa Gregório XI (1370-78) aprovou e confirmou-as e julgou-as favoravelmente, assim como Bonifácio IX (1389-1404), na Bula Ab Origine Mundi, par. 39 (7 de julho de 1391). Mais tarde, foram examinados no Concílio de Constança (1414-18) e no Concílio de Basileia (1431-49), ambos julgando-as em conformidade com a fé católica. As revelações também foram fortemente defendidas por inúmeros teólogos conceituados, incluindo Jean Gerson (1363-1429), Chanceler da Universidade de Paris, e Cardeal Juan de Torquemada (1388-1468).
     Consta dos escritos de Santa Brígida que Nosso Senhor, referindo-se aos últimos tempos, disse-lhe: “... 40 anos antes do ano 2000 (anos 60 do século 20, portanto), o demônio será deixado solto, por um tempo”.
     “Um sinal dos eventos que marcarão o fim dos tempos será este: os sacerdotes deixarão de usar o hábito santo e se vestirão como pessoas comuns; as mulheres se vestirão como os homens e os homens como as mulheres”.
     “… Esta é a hora de Satanás, que tem a infame intenção de destruir a minha Criação...”
     Encerramos com uma importante advertência: há muitas supostas profecias atribuídas a Santa Brígida que podem ser encontradas na internet. Porém, é preciso extremo cuidado e seriedade ao se analisar tais conteúdos, porque há muita falsidade e/ou material sem apresentação de fontes que não merecem crédito.
 
Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Br%C3%ADgida_da_Su%C3%A9cia
www.obradoespiritosanto.com
http://www.derradeirasgracas.com/3.%20Os%20Santos%20do%20Dia/Santos%20do%20Mês%20de%20Julho/23-07%20Santa%20Brígida%20%20%20.htm

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Santa Vitburga, Virgem Abadessa – 8 de julho

 
  
Segundo a tradição popular, Vitburga (também conhecida como Wihtburh, Withburga ou Withburge) era a filha mais nova de Anna, rei de East Angles.
     Anna foi morto em batalha contra Penda da Mércia, e após a morte de seu pai, Vitburga foi para Dereham, em Norfolk, onde reuniu algumas jovens e fundou um pequeno convento.
     Vitburga é tradicionalmente ligada a um relato em que duas corças forneceram leite para os construtores de seu convento em Dereham, Norfolk. Quando um funcionário local tentou caçar as corças, ele foi jogado do cavalo e morto.
     Vitburga morreu em 743 e foi sepultada em Dereham. Seu corpo permaneceu incorrupto quando seu túmulo foi aberto meio século após sua morte, e a igreja e o túmulo tornaram-se posteriormente um local de peregrinação. Quando suas relíquias foram roubadas por ordem do abade da Abadia de Ely, os restos mortais foram reenterrados em Ely, ao lado de suas irmãs Eteldreda e Sexburga. Em 1106, o corpo de Vitburga foi novamente examinado e encontrado intacto.
     O culto de Vitburga no leste da Inglaterra estava intimamente ligado ao de Eteltdeda, sua irmã. Como se sabe que Eteldreda era filha de Anna, rei de East Angles, Vitburga teria sido sua irmã, caso ela fosse realmente filha do rei Anna. Sua veneração foi suprimida durante a Reforma na década de 1540, e todas suas relíquias foram destruídas.
Família
     Vitburga provavelmente era uma das filhas de Anna, rei de East Angles, filho de Eni, membro da dinastia Wuffingas, e sobrinho de Redvaldo, rei dos Anglos Orientais de 600 a 625. 
     East Angles foi um reino anglo-saxão antigo e de longa duração que corresponde aos condados ingleses modernos de Norfolk e Suffolk. Devido à rivalidade pelo controle sobre o povo da Anglia Média, East Anglia e sua vizinha Mércia provavelmente se tornaram inimigas hereditárias, e o rei de Mércia, Panda, atacou repetidamente os Anglos Orientais de meados da década de 630 até 654.
     As fontes de informação sobre a família de Vitburga e a vida e reinado de Anna estão incluídos na História Eclesiástica do Povo Inglês, concluída na Northumbria pelo monge inglês Beda em 731, e a Crônica Anglo-saxônica, que data do século IX. O Liber Eliensis, escrito em Ely no século XII, também fornece informações sobre Anna e suas filhas.
     Vitburga não é mencionada por Beda, cujos escritos sobre suas irmãs indicam que ele estava bem-informado sobre a família. Referências a Vitburga aparecem pela primeira vez em registros dos séculos X e XI.
     
Uma história tradicional relata que, enquanto construía o convento, ela tinha apenas pão seco para dar aos trabalhadores. Ela rezou à Virgem Maria e foi orientada a enviar suas criadas a um poço local todas as manhãs. Lá encontraram duas corças selvagens que eram dóceis o suficiente para serem ordenhadas, e assim forneciam uma bebida nutritiva para os trabalhadores. Segundo a história, um funcionário local não aprovou o milagre e decidiu caçar as corças com seus cães e impedir que viessem para serem ordenhadas. Ele foi punido por essa crueldade quando foi jogado do cavalo e quebrou o pescoço.
     O fato é comemorado na placa da cidade no centro de Dereham. A placa original, feita em 1954 por Harry Carter e por meninos da Hamond’s Grammar School, foi substituída em 2004 por uma réplica de fibra de vidro.
Morte e veneração em Dereham
     Vitburga morreu em idade avançada, em 17 de março de 743, pouco depois da conclusão da igreja, e foi sepultado em Dereham. Vitburga é mencionada nos anais da Crônica Anglo-Saxônica de 799, em um acréscimo ao texto original escrito após a Conquista Normanda de 1066: 799 d.C. Este ano, o arcebispo Ethelbert e Cynbert, bispo de Wessex, foram a Roma. Enquanto isso, o bispo Alfun faleceu em Sudbury e foi sepultado em Dunwich. Após ele, Tidfrith foi eleito para a sé; e Siric, rei dos saxões orientais, foi para Roma. Nesse ano, o corpo de Vitburga foi encontrado inteiro e livre de decomposição em Dereham, após um intervalo de cinquenta e cinco anos desde o período de sua morte.
     A incorruptibilidade do corpo de Vitburga foi considerada um milagre e seus restos foram reenterrados na igreja que ela havia construído em Dereham. A igreja e o túmulo tornaram-se locais de peregrinação. A grande igreja de Dereham possui uma capela dedicada a Vitburga, e um plano que, segundo o historiador Tim Pestell, “possivelmente indica seu antigo status”.
Remoção para Ely
     Em 974, Brithnoth, abade de Ely, acompanhado de monges e homens armados, viajou para Dereham com a intenção de tomar o corpo de Vitburga à força. Eles organizaram um banquete para os moradores da cidade como tática de distração. Depois de esperar até que os homens de Dereham estivessem devidamente bêbados, Brithnoth roubou o corpo de Vitburga e partiu durante a noite para a Ilha de Ely. Após descobrirem o roubo, o povo de Dereham partiu atrás dos ladrões de túmulos, que foram atacados em Brandon pelos moradores da cidade. Usando seu conhecimento dos Fens para escapar dos perseguidores, Brithnoth e seus homens chegaram com sucesso a Ely, e os restos mortais de Vitburga foram reenterrados ali. Quando os homens de Dereham retornaram para casa, descobriram que uma nascente havia surgido no túmulo de Vitburga. Eles interpretaram isso como um sinal de consolação da santa para eles. Esta nascente nunca secou.
Tumulo de Sta. Vitburga
     
A história do roubo, que aparece no Liber Eliensis, foi retirada de uma Vida anterior da santa. A abadia tentou contar a história como um "sacrilégio sagrado apropriado", o que lhe dava honra, pois ela estava sendo sepultada próxima aos restos mortais de sua irmã mais velha, Eteldreda.
      No local do túmulo de Vitburga, fora da extremidade oeste da igreja paroquial da cidade, há os restos de um poço sagrado associado à santa que teria ressuscitado no local de seu túmulo após seu corpo ter sido roubado.
     O sepultamento de Vitburga em Ely é registrado pela primeira vez no Hyde Register, uma lista do século XI dos locais de sepultamento de santos ingleses. Uma frase do texto do registro, atualmente guardada na Biblioteca Britânica, diz que ela foi colocada perto de Eteldreda, Sexburga e Ermenilda, filha de Sexburga.
     Em 1106, quando seus restos mortais foram movidos para mais perto do altar-mor, os corpos de Vitburga e de suas irmãs foram exibidos publicamente diante de um grupo de bispos, abades e clérigos, incluindo Anselmo, arcebispo de Cantuária. Descobriu-se que o corpo de Eteldreda havia sido preservado e que Vitburga era tão conservada, seus membros eram flexíveis, suas bochechas rosadas e seus seios firmes, sinal da vitalidade, juventude e "produtividade crescente" de seu corpo. As relíquias das irmãs foram todas destruídas durante a Reforma de Henrique VIII; não resta nenhum vestígio dos túmulos reais, incluindo o de Vitburga.
Disseminação de sua história de vida
     O processo pelo qual a história de Vitburga foi divulgada não é conhecido com certeza. Entre 1325 e 1340, o cronista inglês John de Tynemouth incluiu a vitae dos santos de Ely, incluindo Vitburga, em seu Sanctilogium Angliae. A obra foi ampliada durante o século XV e uma edição revisada impressa em inglês em 1516.
     Vitburga está incluída como "Santa Withburge" em The Lives of Women Saints of our Contrie of England, além de Some Other Liues of Holie Women Written by Some of the Uncient Fathers, escritos durante a primeira metade da década de 1610.
     A história de Vitburga parece ter sido influente apenas em nível local; quatro imagens mostram Vitburga da igreja de Norfolk.
     Santa Vitburga é celebrada no dia 8 de julho, data em que peregrinos costumam realizar visitas e cerimônias na região.
 
Fontes: Wihtburh - Wikipedia

sábado, 4 de julho de 2026

Santa Isabel, Rainha de Portugal, Esposa, mãe, viúva, 3ª. franciscana - 4 de julho

     
     Isabel de Aragão nasceu no palácio de Aljaferia, na cidade de Zaragoza, onde reinava o seu avô paterno, D. Jaime I. Era a filha mais velha de D. Pedro III e de D. Constança de Hohenstaufen. Por via materna era descendente de Frederico II, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, pois seu avô era Manfredo de Hohenstaufen, rei da Sicília, filho de Frederico II.
     A princesa recebeu o nome de Isabel por desejo de sua mãe, em recordação de sua tia Santa Isabel da Hungria, Duquesa da Turíngia. O seu nascimento veio acabar com as discórdias na corte de Aragão, pelo que o seu avô a chamava “rosa da casa de Aragão”.
     As virtudes da sua tia-avó viriam a servir-lhe de modelo e desde muito nova começou a mostrar gosto pela meditação, oração e jejum, não a atraindo os divertimentos comuns das jovens de sua idade. Isabel não gostava de música, passeios, nem joias e enfeites, vestia-se sempre com simplicidade.
     A infanta D. Isabel tornara-se conhecida pela beleza, discrição e santidade. As suas virtudes levaram muitos príncipes a se apresentarem a D. Pedro como pretendentes à mão da sua admirável filha.
     D. Dinis I de Portugal tinha 19 anos quando subiu ao trono e, pensando em casamento, convinha-lhe Isabel de Aragão; assim, D. Dinis enviou uma embaixada a Pedro de Aragão em 1280. Quando os embaixadores lá chegaram, estavam ainda à espera de resposta enviados dos reis de França e de Inglaterra, cada um desejoso de casar Isabel com um dos seus filhos. Aragão preferiu entre os pretendentes aquele que já era rei.
     Isabel estava mais inclinada a encerrar-se num convento, no entanto, como era submissa, viu na resolução dos pais a vontade do céu.
     A 11 de fevereiro de 1282, com 12 anos, Isabel casou-se por procuração com D. Dinis, tendo celebrado a boda ao passar a fronteira da Beira, na Vila de Trancoso, em 26 de junho do mesmo ano. Por esse motivo, o rei acrescentou esta vila ao dote que habitualmente era entregue às rainhas (a chamada Casa das Rainhas, conjunto de senhorios a partir dos quais as consortes dos reis portugueses colhiam as prendas destinadas à manutenção da sua pessoa).
     Nos primeiros tempos de casada Da. Isabel acompanhava o marido nas suas deslocações pelo país e com a sua bondade conquistou a simpatia do povo. Dava dotes a jovens pobres e educava os filhos de cavaleiros sem fortuna.
Sta. Isabel
e Dom Dinis
     Da. Isabel deu ao rei dois filhos: Constança (3/1/1290 – 18/11/1313), que se casou em 1302 com o rei Fernando IV de Castela; e D. Afonso IV (8/2/1291 – 28/5/1357), sucessor do pai no trono de Portugal.
   As numerosas aventuras extraconjugais do marido humilhavam-na profundamente. Mas Da. Isabel mostrava-se magnânima no perdão, criando com os seus também os filhos ilegítimos de Dinis, aos quais reservava igual afeto.
    Entre seus familiares, constantemente em luta, desempenhou obra de pacificadora, merecendo justamente o apelido de "Anjo da paz". Desempenhou sempre o papel de medianeira entre o rei e o seu irmão D. Afonso, bem como entre o rei e o príncipe herdeiro. Por sua intervenção foi assinada a paz em 1322.
     A sua vida será marcada por quatro virtudes fundamentais: a piedade, a caridade, a humildade e a inquietude pela paz. Tornou-se uma mulher de grande piedade conservando em sua vida a prática da oração e a meditação da palavra de Deus. Buscou sempre a reconciliação e a paz entre as pessoas, as famílias e até entre Nações.
     Da. Isabel costumava dizer “Deus tornou-me rainha para me dar meios de fazer esmolas”. Sempre que saía do paço era seguida por pobres e andrajosos a quem sempre ajudava.
     D. Dinis morreu em 1325. Pouco depois da sua morte Da. Isabel peregrinou ao Santuário de Santiago de Compostela, fazendo-o montada num burro e a última etapa a pé, onde ofertou muitos dos seus bens pessoais. Há historiadores que defendem a ideia de que ela terá se deslocado ao local duas vezes.
     Após a morte de seu marido, entregou-se inteiramente às obras assistenciais que havia fundado. Recolheu-se por fim no então Mosteiro de Santa Clara-a-Velha em Coimbra, vestindo o hábito da Ordem das Clarissas, mas não fazendo votos, o que lhe permitia manter a sua fortuna usada para a caridade. Só voltaria a sair dele uma vez, pouco antes da morte, em 1336.
     Nessa altura, Afonso declarara guerra ao seu sobrinho, o rei D. Afonso XI de Castela, filho da infanta Constança de Portugal, e, portanto, neto materno de Isabel, pelos maus tratos que este infligia à sua mulher Da. Maria, filha do rei português. Não obstante a sua idade avançada e a sua doença, a rainha Santa Isabel dirigiu-se a Estremoz, cavalgando na sua mula por dias e dias, onde mais uma vez se colocou entre dois exércitos desavindos e evitou a guerra. No entanto, a paz chegaria somente com a intervenção da própria Maria de Portugal, por um tratado assinado em Sevilha em 1339. 
Sta. Isabel em peregrinação
    Da. Isabel mandou edificar o hospital de Coimbra, o de Santarém e o de Leiria para receber enjeitados. Viveu uma profunda caridade sendo sempre sensível às necessidades dos mais pobres; o resto da vida praticou a pobreza voluntária, dedicando-se aos exercícios de piedade e de mortificações.
     O povo criou à sua volta uma áurea de santidade, atribuindo-lhe diversos milagres, como a cura da sua dama de companhia e de diversos leprosos. Diz-se também que fez com que uma pobre criança cega começasse a ver e que curou numa só noite os graves ferimentos de um criado. No entanto o mais conhecido é o milagre das rosas.
     Reza a tradição que durante o cerco de Lisboa D. Isabel estava a distribuir moedas de prata para socorrer os necessitados da zona de Alvalade, quando o marido apareceu. O rei perguntou-lhe: “O que levais aí, Senhora?” Ao que ela, com receio de desgostar a D. Dinis, e, como que inspirada pelo céu respondeu: "Levo rosas senhor”, e, abrindo o manto, perante o olhar atônito do rei, não se viram moedas, mas sim rosas encarnadas e frescas.
     Da. Isabel faleceu, tocada pela peste, em Estremoz, a 4 de julho de 1336, tendo deixado expresso em seu testamento o desejo de ser sepultada no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Constavam também de seu testamento grandes legados a hospitais e conventos.
     Segundo uma história hagiográfica, sendo a viagem demorada, havia o receio de o cadáver entrar em decomposição acelerada pelo calor que fazia, e conta-se que a meio da viagem, debaixo de um calor abrasador, o ataúde começou a abrir fendas, pelas quais escorria um líquido, que todos supuseram provir da decomposição cadavérica. Qual não foi, porém a surpresa quando notaram que em vez do mau cheiro esperado, saía um aroma suavíssimo do ataúde.
Túmulo de Sta. Isabel
     Por ordem do bispo D. Afonso de Castelo Branco abriu-se o túmulo real, verificando-se que o corpo da saudosa Rainha estava incorrupto. Beatificada pelo Papa Leão X (breve de 15/4/1516), a canonização solene teve lugar em 1625, pelo Papa Urbano VIII. Quando esta notícia chegou à cidade realizaram-se grandes festejos que se prolongam até aos nossos dias. É reverenciada a 4 de julho, data do seu falecimento.
     O seu marido, D. Dinis, repousa no Mosteiro de São Dinis, em Odivelas.
 

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, Coimbra, onde se encontra o sarcófago de Sta. Isabel
 
Fontes: http://www.cademeusanto.com.br/santa_isabel_portugal.htm;
http://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Isabel_de_Arag%C3%A3o,_Rainha_de_Portugal
https://bibliotecacatolica.com.br/
 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Beata Madre Assunta Marchetti, Missionária – 1°. de julho


Cofundadora da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo - Scalabrinianas
 
     Maria Assunta Caterina Marchetti nasceu em Lombrici di Camaiore, província de Lucca, na região da Toscana, Itália, em 15 de agosto de 1871, e foi batizada no dia seguinte na paróquia Santa Maria Assunta, que ficava ao lado da casa da família.
     De acordo com os documentos históricos, os pais Ângelo Marchetti e Carolina Ghilarducci eram moleiros. O trabalho da moagem garantia o sustento da família como também a moradia. Os pais sempre contaram com a ajuda de Assunta para cuidar dos outros 10 irmãos, pois sua mãe tinha saúde frágil.
     Desde jovem Maria Assunta anelava por uma vida de total dedicação e doação a Deus nas religiosas contemplativas. Mas as tarefas domésticas, a doença da mãe e a morte prematura do pai impediram-na de realizar imediatamente suas aspirações.
     No final do século XIX os italianos deixavam a Itália e rumavam para as Américas, especialmente para o Brasil. O irmão de Maria Assunta, José Marchetti, ingressou no Seminário de Lucca e se ordenou sacerdote em 1892. Tornou-se pároco em Compignano, diocese de Lucca, e via a maioria dos paroquianos deixarem a Itália em busca de sobrevivência. Então, de sacerdote diocesano passou a ser missionário de São Carlos Borromeu, congregação fundada em 1887 pelo Bispo de Piacenza, o Beato João Batista Scalabrini que, compadecido dos imigrantes italianos, organizou um grupo de missionários para acompanhar os imigrantes nas suas viagens nada fáceis.
     O Padre José passou a ser missionário de bordo e durante as viagens da Itália para o Brasil atendia os imigrantes ministrando os Sacramentos necessários, inclusive as exéquias para os que morriam e eram lançados ao mar.
     Em uma dessas viagens uma jovem mãe morreu a bordo do navio deixando órfã uma filha pequena e o marido desesperado. O pai deixou aos seus cuidados o bebê que ele assumiu a responsabilidade de cuidar. Ao desembarcar no Brasil, o padre imediatamente providenciou um orfanato onde colocou a criança. A partir deste fato, ele entendeu que sua missão não era a de ser missionário de bordo, mas de cuidar dos órfãos filhos de imigrantes italianos e africanos que viviam na cidade de São Paulo.
     Em 1895, o Padre José construiu dois orfanatos em São Paulo, um no alto do Ipiranga e outro na Vila Prudente. Com tantos órfãos para cuidar, voltou à Itália e convenceu Maria Assunta a vir com ele para ajudar no cuidado das crianças. Junto com a mãe e duas jovens, Maria Assunta foi apresentada a D. Scalabrini. 
    Em 25 de outubro de 1895, Maria Assunta, seu irmão e suas duas amigas emitiram os primeiros votos religiosos nas mãos do Beato João Batista Scalabrini, fundador da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo - Scalabrinianas, constituindo as "Servas dos Órfãos e Abandonados".
     Em 27 de outubro, partiram para o Brasil como missionários para os imigrantes e nunca mais retornaram à Itália, fazendo de sua pátria o Brasil. Padre José Marchetti morreu aos 27 anos, vítima da febre tifoide, muito comum entre os imigrantes naquele período.
O trabalho missionário em São Paulo
      Madre Assunta não só iria enfrentar o mundo, como também deveria socorrer as pessoas em um ambiente hostil, pois na época São Paulo era marcada por outras religiões como a maçonaria, por exemplo.
      Ao chegarem a São Paulo dedicaram-se ao cuidado dos órfãos e dos imigrantes italianos afetados pela cólera tifoide e pela difteria. O orfanato tinha como objetivo ser um ambiente familiar para os pequenos que haviam perdido os pais nos trajetos da imigração e no trabalho nas fazendas de café. Eram órfãos italianos, africanos, todos eram bem acolhidos. Assunta se dedicou ao próximo com heroísmo e não media esforços quando se tratava de atender ao mais necessitado.
     “O primeiro doente da Santa Casa de Monte Alto - SP foi um homem negro, mendigo. Madre Assunta se compadeceu dele porque estava sozinho na enfermaria, enquanto não havia ainda enfermeiros. Colocou uma cama no fundo do corredor, do lado oposto do doente e dormiu ali algumas noites para poder atendê-lo logo que chamasse. Via Cristo no irmão pobre, sofrido ou doente”, contou Irmã Afonsina Salvador que conviveu com Madre Assunta. “Tudo o que acontece é bom, porque vem de Deus”, sempre dizia Assunta, como que fazendo ecoar o mesmo pensamento de seu irmão José, que em todos os acontecimentos dizia: Deo gratias!
     Uma ferida grave na perna, provocada durante a visita a um doente, causou-lhe longos anos de sofrimento. Madre Assunta passou os últimos meses de sua vida em uma cadeira de rodas, mas sempre atenta em servir o próximo. Morreu em 1º de julho de 1948, em meio aos órfãos, no orfanato da Vila Prudente - SP, hoje, “Casa Madre Assunta Marchetti”, onde se encontram seus restos mortais.
 

Fontes:
Assunta Marchetti - Wikipedia
https://madreassunta.com.br
 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Beata Hosana Andreasi de Mântua, Mística - 18 de junho

      A Beata Hosana Andreasi nasceu no magnífico palácio de uma nobilíssima família italiana (sua mãe era uma Gonzaga). Aos cinco anos, enquanto caminhava nas margens do Pó, ouviu distintamente uma voz clara e firme que lhe diz: "A vida e a morte consistem em amar a Deus". A criança entra em êxtase e sente-se levada até o Céu por um esplêndido anjo. Este lhe mostra a hierarquia do Céu e diz: "Para entrar no Céu é necessário que a Deus muito se ame. Vê, todas as coisas cantam-lhe a glória e proclamam aos homens: ama-O, ama-O, Ele a tudo criou para que O amem!"
     A partir dessa experiência, nasce nela um grande desejo de estudar teologia. O pai se opõe como algo que não é adequado para uma criança. Mas Hosana reza. Em resposta às suas orações a Nossa Senhora, esta começa a aparecer em pessoa e dá-lhe aulas. Então Hosana aprende latim e adquire um grande conhecimento das Escrituras Sagradas. Cita de memória até mesmo os comentários dos Padres da Igreja.
     Por fim, seu pai se convenceu. Permite que ela dedique sua vida à teologia, não se case aos quinze anos e use o hábito de terciária dominicana. Mas Hosana também assume responsabilidades políticas, incluindo a regência provisória do Ducado de Mântua
     Quando Hosana tinha 28 anos de idade, recebeu estigmas na sua cabeça, no lado e nos pés, embora fossem visíveis para terceiros apenas em certos dias da semana especialmente às sextas-feiras e durante a Semana Santa. Hosana relatou a sua vida espiritual e experiências místicas ao seu biógrafo e orientador espiritual, o beneditino Jerônimo de Monte Oliveto.
     Ajudava os pobres e serviu como diretora espiritual de muitas pessoas, gastando grande parte da fortuna da sua família para auxiliar os mais necessitados. Manifestava frequentemente a sua repulsa pela decadência e criticava a aristocracia pela ausência de moralidade. Foi amiga da Beata Columba de Rieti e recebeu apoio espiritual da Beata Estefânia Quinzani.
     A sua casa era um autêntico centro de ação social e caritativa em benefício dos mais necessitados, bem como um local habitual de reunião e discussão sobre temas espirituais e vida da Igreja. Uma das principais causas de sofrimento de Hosana no seu tempo foi a degradação da Igreja sob o pontificado do Papa Alexandre VI.
Palácio dos Andreasi
em Mântua
     Hosana passou os últimos 37 anos da vida na corte de Mântua. Em 1478, os soberanos de então, o Duque Francisco II e sua mulher, Isabel d’Este, fizeram dela superintendente da sua Casa. Depressa compreenderam que era um anjo que tinham debaixo do teto. Quando ela estava para morrer, ajoelhados junto do leito, pediram-lhe a bênção; ela respondeu que pertencia ao sacerdote presente abençoá-los. Foi preciso que este tomasse a mão dela para Ihes traçar na testa o sinal da cruz. Francisco II isentou de contribuições, por vinte anos, todos os membros da família dela. E a duquesa Isabel ergueu-lhe um belo mausoléu, que ainda agora se vê na Catedral de Mântua.
     Dotada de dons proféticos, com suas orações protegeu o Duque Francisco na batalha de Fornovo de 1495, predisse a derrota de César Bórgia e, em 1500, o tão suspirado nascimento do primeiro filho de Isabel d’Este, Frederico II, “filhinho da oração”. Falou também de um flagelo que cairia sobre a Itália corrupta, profetizando o saque de Roma, obra dos Lanzichenecchi, em 1527.
     A ''Vida da Beata Hosana'' foi escrita em 1507, pouco depois da sua morte. Fr. Jerônimo juntou traduções em latim das 24 cartas recebidas de Hosana, acompanhadas de documentos certificando a sua autenticidade. A biografia tem um caráter de relatório detalhado das suas conversas com Hosana.
     Uma outra biografia, publicada em 1505 é da autoria de Fr. Francisco Silvestre de Ferrara, um dos mais relevantes teólogos tomistas e que veio a ser Mestre Geral da Ordem dos Pregadores.
     Hosana faleceu a 18 de junho de 1505. O seu corpo incorrupto encontra-se em exposição sob o altar de Nossa Senhora do Rosário na Catedral de Mântua, Itália.
Corpo incorrupto da Beata Hosana
Hosana de Mântua – Wikipédia, a enciclopédia livre
https://hagiopedia.blogspot.com/
 
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     Gostaria de meditar sobre o fato maravilhoso - referido por seu confessor e biógrafo - que aconteceu quando ela tinha cinco anos de idade. Sabemos que o estudo da teologia - e da filosofia, que necessariamente a acompanha - é muito profundo e requer uma aplicação vigorosa da razão. São estudos normalmente adequados a pessoas maduras: quanto mais madura é a pessoa, mais adequado é o estudo deste tipo. Esta é a regra: a vida da Beata Hosana é a exceção.
     Olhemos uma menininha de cinco anos que caminha ao lado de um rio muito bonito, o Pó. Eu mesmo tive a oportunidade de apreciar a beleza do Pó em uma viagem de Milão a Veneza. A menina está admirando o rio quando um anjo aparece. Um anjo magnífico que fala do amor a Deus e como toda a criação canta e proclama a Sua glória. A essência desta mensagem é que Deus criou todas as coisas para ser amado por meio delas.
     Por que um anjo apareceu para esta menina? E como é que o anjo faz para abrir a alma de uma criança para a contemplação de Deus na Criação? A menina provavelmente já estava preparada pela sua natureza a considerar com admiração a paisagem à sua frente. É comum entre as crianças que conservam sua inocência original colocar-se numa posição de admiração diante das belezas da natureza. Mas aqui aparece um anjo e se torna a coisa mais bela que ela já tinha visto. Percebemos isto pelo relato de seu confessor e biógrafo, que o deve ter contado muitas vezes.
     O anjo, movendo-se em uma espécie de auge da beleza, a ergue desta Terra e mostra a ela a hierarquia celeste, ou seja, a hierarquia angélica no Paraíso, onde os tronos dos anjos caídos permanecem vazios e são gradualmente ocupados por homens e mulheres santos. Assim é mostrada a Hosana a mais bela realidade que existe, todo o Reino Celeste. Depois de ter mostrado toda esta beleza, o anjo lhe diz para observar como todas as coisas criadas por Deus são intrinsecamente boas e dignas de serem amadas. É a conclusão natural: ame as criaturas e ame o Seu Criador, a fim de tornar-se santa e ir para o Céu para ocupar o lugar preparado para você.
Relicário da Beata no
palácio dos Andreasi
     Deus, por meio de seu anjo, convida uma menina a compreender o esplendor da criação e a magnificência do Criador, algo que vai muito além da capacidade de percepção natural dos sentidos. Deus a convida a elevar-se acima das limitações humanas e a concentrar a sua alma sobre as realidades espirituais que são imperceptíveis aos nossos sentidos, mas que são mais reais do que a realidade material. Mostra-lhe também um anjo e a hierarquia angélica composta por seres puramente espirituais. No vértice da hierarquia está Nossa Senhora e, acima dEla, o Rei dos reis, Nosso Senhor Jesus Cristo.
     Com este convite único Deus está formando uma pessoa cuja vida inteira será dedicada à reflexão. Enquanto o anjo mostra para Osana todas estas coisas, está implicitamente dizendo a ela para fazer um esforço de inteligência para conhecer Deus. O anjo indica, já aos seus cinco anos, a estrada que lhe é destinada para se santificar: se estas coisas são tão belas, como Deus deve ser mais belo. E ela começa a meditar sobre estas coisas. [...]
 
Autor: Plinio Corrêa de Oliveira

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Santa Benilde de Córdoba, viúva e mártir e Beata Albertina Berkenbrock, Virgem e mártir da castidade - 15 de junho

Santa Benilde de Córdoba, viúva e mártir - 15 de junho
 
Martirológio Romano: Em Córdoba, na Andaluzia, Espanha, Santa Benilde, mártir, morta em idade bem avançada durante a perseguição dos mouros. 
 
     Corria o ano de 853 quando se desencadeou uma perseguição dos mouros contra os cristãos. Há tempos os muçulmanos haviam invadido a Espanha e de tempos em tempos faziam leis para combater o aumento do catolicismo no país.
     Santo Eulógio conta que no dia seguinte ao martírio dos Santos Anastásio, Feliz e Digna, Benilde se apresentou aos juízes.
     Apesar de sua idade avançada, a viúva Benilde encheu-se de coragem evangélica, ergueu sua voz contra a tirania. Compareceu diante do juiz muçulmano na mesquita de Córdoba e proclamou que preferia a fé à vida e ao silêncio cúmplice com aquela tirania. Seu gesto claro, generoso e valente lhe custou a vida. Foi decapitada e suas cinzas foram dispersas, como as daqueles três mártires citados. Entretanto, antes de lançar seus restos mortais no Guadalquivir, seu corpo sem cabeça fora empalado e exposto a toda a cidade.
     Como os mouros conheciam bem os costumes cristãos, depois das execuções queimavam os corpos dos mártires e suas cinzas eram lançadas no Rio Guadalquivir para evitar a criação de santuários nos túmulos dos mártires.
     Dizem os entendidos que desde então as águas do Guadalquivir baixam “contaminadas” pelo único barro que, em lugar de sujar, fecundam a Igreja andaluza.
     Introduzida no Martirológio Romano por Barônio, a festa de Benilde é celebrada no dia 15 de junho. Ela é uma entre os Mártires de Córdoba.
 
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Beata Albertina Berkenbrock, Virgem e mártir da castidade - 15 de junho
     
     Albertina Berkenbrock nasceu a 11 de abril de 1919, em São Luís, paróquia São Sebastião de Vargem do Cedro, município de Imaruí, Estado de Santa Catarina, numa família de origem alemã, simples e profundamente cristã. Era filha do casal de agricultores, Henrique e Josefina Berkenbrock, e teve mais oito irmãos e irmãs. Foi batizada no dia 25 de maio de 1919, crismou-se a 9 de março de 1925 e fez a primeira comunhão no dia 16 de agosto de 1928.
     Quando chegou o tempo da catequese preparatória para os sacramentos da confissão e comunhão, Albertina chamou a atenção pela forma como se preparou: com muita diligência e grandeza de coração. A “primeira confissão” tornou-se porta aberta para se confessar frequentemente. A primeira comunhão foi uma experiência única, a tal ponto que ela própria afirmou: - “Foi o dia mais belo de minha vida!”
     Albertina cultivou uma devoção muito filial a Nossa Senhora, venerando-a com carinho, tanto em casa como na capela da comunidade. Participou, com intensidade, da oração do rosário junto com os familiares. Na simplicidade de coração, recomendou, seguidamente, a Maria - Mãe de Jesus e Mãe da Igreja - a sua alma e a sua salvação eterna.
     Ela deixou crescer dentro de si uma afinidade muito grande com o padroeiro da comunidade, São Luís. Uma coincidência providencial esta devoção ao Santo, que é modelo de pureza espiritual e corporal. Certamente, preparando-a também para um dia defender com sua vida este grande valor.
     Há uma singular concordância entre os relatos dados nos vários processos canônicos por parte das testemunhas que a tinham conhecido e convivido com ela, ao descrevê-la como uma menina bondosa no mais amplo sentido do termo. A natural mansidão e bondade de Albertina conjugavam-se bem com uma vida cristã compreendida e vivida completamente. Da prática cristã derivava a sua inclinação à bondade, às práticas religiosas e às virtudes, na medida em que uma criança da sua idade podia entendê-las e vivê-las.
Familiares da Beata
     Sabia ajudar os pais no trabalho dos campos e especialmente em casa. Sempre dócil, obediente, incansável, com espírito de sacrifício, paciente, até quando os irmãos a mortificavam ou lhe batiam ela sofria em silêncio, unindo-se aos sofrimentos de Jesus, que amava sinceramente.
     A frequência aos sacramentos e a profunda compenetração que mostrava ter na participação da mesa eucarística é um índice de maturidade espiritual que a menina tinha alcançado; distinguia-se pela piedade e recolhimento.
     O cenário no qual foi consumado o delito é terrivelmente simples, quanto atroz e violenta foi a morte de Albertina. No dia 15 de junho de 1931, estava ela apascentando os animais de propriedade da família quando o pai lhe disse para ir procurar um bovino que se tinha distanciado. Ela obedeceu. Num campo vizinho encontrou Idanlício e perguntou-lhe se tinha visto o animal passar por ali.
     Idanlício Cipriano Martins, conhecido com o nome de Manuel Martins da Silva, era chamado pelo apelido de Maneco. Tinha 33 anos, vivia com a mulher próximo da casa de Albertina e trabalhava para um tio dela. Embora já tivesse matado uma pessoa, era considerado por todos um homem reto e um trabalhador honesto. Albertina muitas vezes levava-lhe comida e brincava com os seus filhos; portanto, era uma pessoa do seu conhecimento.
     Quando Albertina lhe perguntou se tinha visto o boi, Maneco responde que sim, acrescentando que o tinha visto ir para o bosque próximo dali e ofereceu-se para acompanhá-la e ajudar na busca. Mas, ao chegarem perto do bosque, fez-lhe proposta libidinosa, e a seguira com intenção de lhe fazer mal. Albertina não consentiu e Maneco então a pegou pelos cabelos, jogou-a ao chão e, visto que não conseguia obter o que queria porque ela reagia, pegou um canivete e cortou o seu pescoço. A jovem morreu imediatamente. Dos testemunhos dos companheiros de prisão de Maneco foi revelado que a menina não aceitou o convite dizendo que aquele ato era pecado. A intenção de Maneco era clara, a posição de Albertina também: não queria pecar.
     Durante o velório, Maneco controlava a situação fingindo velar a vítima e ficando por perto da casa e acusou João Cândido de ter cometido o crime. Porém, antes que descobrissem quem era o assassino, algumas pessoas notaram um fenômeno: todas as vezes que ele se aproximava do cadáver de Albertina a grande ferida do pescoço começava a sangrar.
     João Cândido ou João Candinho, o presumido assassino foi arrastado para junto do corpo da menina morta. Ele jura: - Nunca vi essa menina! Protesta sua inocência. Em vão. Dois dias depois chegou o prefeito de Imaruí. Acalmou a população e mandou soltar João Candinho. Foi à capela, tomou um crucifixo e, acompanhado por Candinho e outras pessoas, foi à casa do pai de Albertina, o colocou sobre o peito da menina morta. Mandou que João Candinho se ajoelhasse e, mãos sobre o crucifixo, jurasse que era inocente. Dizem que naquele momento o sangue da ferida parou de sangrar.
     Enquanto isto Maneco fugia... Depois de muitas andanças foi preso em Aratingaúba a caminho de Imaruí. Preso, confessou o crime. Correu o processo, foi condenado. Na prisão comportou-se bem. Confessou ter matado Albertina porque ela recusara ceder às suas intenções libidinosas.
     No funeral de Albertina participou um elevado número de pessoas e todos diziam já que era uma "pequena mártir", pois dado o seu temperamento, a sua piedade e delicadeza, estavam convencidos de que tinha preferido a morte ao pecado. Albertina sacrificou a vida somente pela virtude.
     Por causa da fama de martírio de Albertina e de favores especiais obtidos por sua invocação, muitíssimas pessoas, individualmente ou em grupos, deram início a romarias ao lugar de sua morte e a seu túmulo no cemitério de São Luís. Pode-se afirmar que essa interminável peregrinação nunca foi interrompida, mesmo após 90 anos da sua morte.
     Em 1952, na mesma capela onde Albertina recebeu a primeira comunhão, o Tribunal Eclesiástico da Arquidiocese de Florianópolis reuniu-se para dar início ao processo de sua beatificação e canonização; de fato, a essa arquidiocese pertencia então a paróquia de Vargem do Cedro. Posteriormente, com a divisão da arquidiocese e a criação da Diocese de Tubarão, é o primeiro bispo de Tubarão, Dom Anselmo Pietrulla, OFM, que leva adiante a causa. Obedecendo às determinações das leis da Igreja, em 1956 é feito um processo complementar. Infelizmente, por uma série de circunstâncias, de 1959 em diante o processo de Albertina ficou interrompido até o ano 2000.
Cerimônia de beatificação
     Em maio de 2000, o terceiro bispo de Tubarão, Dom Hilário Moser, SDB, retomou o processo. Nomeou postulador da causa de beatificação e canonização de Albertina, Fr. Paolo Lombardo, OFM, de Roma. O postulador veio a Tubarão em maio do mesmo ano, quando foi possível dar os primeiros passos concretos no sentido de retomar o processo.
     Atendidas as exigências das leis da Igreja nesses casos, finalmente no dia 12 de fevereiro de 2001, presente o postulador geral da causa de beatificação, procedeu-se à exumação dos restos mortais de Albertina.
     Nesse interim, o Tribunal Eclesiástico nomeado para o caso fez um terceiro processo complementar sobre a fama de martírio e santidade da Serva de Deus Albertina. Encerrado com pleno êxito, no dia 18 de fevereiro de 2001 pôde-se inumar seus restos mortais dentro da igreja de São Luís num elegante sarcófago de granito.
     Com o decreto de beatificação assinado por Bento XVI, no dia 16 de dezembro de 2006, Albertina Berkenbrock foi beatificada em 20 de outubro de 2007 em Solene Missa em frente à Catedral Diocesana de Tubarão. Presidiu a Cerimônia o Cardeal Saraiva - prefeito para a causa dos Santos.
 
Fonte:
http://www.santosebeatoscatolicos.com/
 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Santa Godeberta, Fundadora - 11 de junho

      
     Godeberta nasceu por volta do ano 640, em Boves, a algumas léguas de Amiens, na França; morreu por volta do início do século VIII, em Noyon (Oise), a Noviomagus antiga. Ela foi cuidadosamente educada; seus pais eram da nobreza e participavam da corte do Rei Clóvis II.
     Quando a questão de seu casamento estava sendo discutida na presença do rei, o santo bispo de Noyon, Eligius (ou Elói), como que por inspiração, presenteou-a com um anel de ouro e expressou a esperança de que ela poderia dedicar a sua vida ao serviço de Deus.
     Godeberta, movida pelo Espírito Santo e
 sentindo o coração de repente cheio de amor divino, afastou-se das brilhantes perspectivas que poderia advir para ela de suas qualidades e de seu nascimento, e recusou as ofertas vantajosas feitas por seus nobres pretendentes. Ela declarou desejar ser esposa de Cristo e pediu ao santo prelado que lhe concedesse o véu de consagração, o que ocorreu em 657.
     Em pouco tempo toda a oposição à sua vontade desapareceu e ela entrou em sua nova vida sob a orientação de Santo Elói. Clotário II, rei dos Francos, ficou impressionado com sua conduta e seu zelo e presenteou-a com um pequeno palácio que ele tinha em Noyon, juntamente com uma pequena capela dedicada a São Jorge.
     O exemplo de Godeberta inspirou muitas jovens donzelas a seguir o mesmo caminho; ela fundou em sua nova casa um convento, sob a Regra de Santo Elói, do qual ela se tornou a superiora.  Ali ela passou o resto de sua vida em oração e solidão, salvo quando a caridade ou a religião obrigavam-na a sair e visitar pessoas, muitas das quais ainda estavam afundadas nos vícios do paganismo.
     Ela foi notável em particular pelas penitências e jejuns constantes a que ela se submetia. Ela possuía uma fé maravilhosa na eficácia dessa antiga prática dos primeiros cristãos: o Sinal da Cruz. Está registrado que em 676, durante o episcopado de São Momelino, quando a cidade estava ameaçada de destruição total pelo fogo ela fez o Sinal da Cruz sobre as chamas e o incêndio foi imediatamente extinto.
Sto Eloi dá o anel a
Sta Godeberta
     Durante uma epidemia de peste ela suplicou ao clérigo que ordenasse um jejum de três dias. No início reticente ao seu pedido, ele acabou por ceder... e os habitantes se salvaram: a peste debandou.
     Com o Sinal da Cruz ela dava visão aos cegos e curava os doentes.
     O ano exato de sua morte é desconhecido, mas tradicionalmente é considerado que ocorreu em 11 de junho, dia em que a sua festa é marcada no Proprium de Beauvais. Em Noyon, no entanto, em virtude de um indulto de 2 de abril de 1857, ela é celebrada no quinto domingo depois da Páscoa. O corpo da santa foi enterrado na Igreja de São Jorge, que mais tarde recebeu o seu nome.
     Seu convento se tornou mais tarde a sede de uma paróquia de Noyon.
     Em 1168, Dom Baudoin presidiu o solene traslado do corpo de Godeberta da igreja em ruínas, onde ele tinha descansado por mais de 450 anos, para a Catedral de Noyon. Providencialmente suas relíquias escaparam à devastação do tempo e do fogo, e da malícia dos irreligiosos.
     No período da nefasta Revolução Francesa um cidadão piedoso enterrou secretamente suas relíquias perto da catedral. Quando a tempestade havia passado, elas foram recuperadas de seu esconderijo e sua autenticidade foi reconhecida canonicamente, e foram reintroduzidos na igreja.
     Um sino que a tradição afirma ter sido o efetivamente utilizado por Santa Godeberta em seu convento ainda é preservado. É certamente muito antigo e não parece haver nenhuma boa razão, em particular do ponto de vista arqueológico, para duvidar da confiabilidade da legenda. No tesouro da catedral também pode ser visto um anel de ouro que se diz ter sido apresentado por Santo Elói a ela. Menção desta relíquia é feita em um registro do ano 1167, estando atualmente na Igreja de Noyon.
     Infelizmente os documentos mais antigos que temos oferecendo detalhes da vida de Godeberta datam do século XI, como a “Vita” mais antiga, que na verdade é mais um panegírico para sua festa do que uma biografia. Acredita-se ter sido composta por Radbodus, que se tornou bispo de Noyon em 1067.
     Naquele tempo o objetivo desses escritores era a edificação em vez da instrução dos fiéis, de modo que encontramos nesta vida as maravilhas habituais relatadas em tais obras pias desse período, mas com poucos fatos históricos.
     É certo, porém, que Santa Godeberta foi venerada como protetora no tempo de pragas e de catástrofes, e temos todas as razões para considerar que essa prática era justificada pelos resultados que se seguiram à sua invocação solene.
     Em 1866, um surto violento de febre tifoide ocorreu em Noyon, dizimando a cidade. Em 23 de maio desse ano, um dos principais cidadãos, cujo filho acabara de ser contagiado, aproximou-se do pároco da igreja e recordando os favores que haviam sido concedidos em eras passadas aos devotos da santa, pediu encarecidamente que o relicário contendo suas relíquias fosse exposto e uma novena de intercessão se iniciasse.
     Isto foi feito no dia seguinte, e logo o flagelo cessou; foi oficialmente certificado que não ocorreu mais nenhum caso de febre tifoide. Em ação de graças uma procissão solene teve lugar algumas semanas mais tarde sob a orientação do bispo, Dom Gignoux, sendo as relíquias de Santa Godeberta levadas triunfalmente pela cidade.
     Uma bela imagem da santa, na Catedral de Noyon, que foi abençoada pelo bispo em 25 de fevereiro de 1867, perpetuou a memória deste evento maravilhoso.
 
Relicário contendo as relíquias de Santa Godeberta
na Catedral de Noyon

Padroeira de Noyon, invocada contra a seca, epidemia e pestes
 
Fonte: A. A. MacErlean (Catholic Encyclopedia)