segunda-feira, 19 de abril de 2021

Beata Savina Petrilli, Fundadora – 18 de abril

     Savina Petrilli nasceu em Sena, na Itália, no dia 29 de agosto de 1851, em uma família simples e autenticamente cristã. Era a segunda filha de Celso Petrilli e Matilde Venturini.
     Sua grande capacidade de amar teve origem na relação afetuosa e serena com seus pais. Aos 12 anos recebeu pela primeira vez a Santa Comunhão; já então revelava muito amadurecimento e grande força de vontade capaz de enfrentar os problemas, bem como muita intimidade com Nosso Senhor Jesus Cristo. Na belíssima Catedral de Sena, Savina sempre permanecia horas rezando diante do Santíssimo Sacramento.
     Frequentou a escola e o catecismo na igreja de São Jerônimo, com as Irmãs de São Vicente de Paulo. Aos 13 anos de idade deixou a escola para ajudar a mãe a cuidar dos irmãos.
     Em virtude de sua grande veneração pela Virgem Imaculada, aos 15 anos passou a fazer parte da Pia União das Filhas de Maria e é rapidamente eleita presidente. Dentro de um ano vez o seu primeiro voto de virgindade.
     Vivaz e dinâmica, Savina ensinava catecismo e sempre reunia em sua casa um grupo de amigas com as quais rezava, trabalhava e sonhava com o futuro.
     Em 1869 foi recebida pelo Papa Pio IX que a exortou a seguir a norma de Santa Catarina de Siena, o que a inspirou a fundar um instituto.
     Em 15 de agosto de 1873, na capelinha de sua casa, com outras cinco companheiras ela emitiu os votos de castidade, obediência e pobreza na presença do confessor e com a aprovação do Arcebispo Mons. Enrico Bindi, que concedeu a primeira licença para iniciar uma obra em benefício dos pobres.
     No dia 7 de setembro de 1874, dia da vigília da festa da Natividade de Maria Santíssima, a comunidade nascente transferiu-se para a nova sede na Via Baroncelli. Sena torna-se então o berço de uma nova Congregação.
     A nova família religiosa recebeu o nome de Congregação das Irmãs dos Pobres de Santa Catarina de Siena. Com o mesmo ardor de Santa Catarina de Sena, Madre Savina decide dedicar-se especialmente aos pobres para ajudá-los, amando-os sem medida e sem recompensa.
     A Providência vai ao encontro de Savina através de alguns personagens eminentes, como o Cardeal Ricci Paracciani, o Marquês Bichi Ruspoli e a nobre senhora Anna Saracini. Estas pessoas foram para Savina o coração e as mãos de Deus.
     Sucessivamente Madre Savina toma o voto de “não negar nada voluntariamente ao Senhor”, o voto de “perfeita obediência” e ao diretor espiritual o voto de “não lamentar-se deliberadamente de nenhum sofrimento externo e interno” e o voto de “completo abandono à vontade do Senhor”. “Tudo é pouco por Jesus” é o lema de Madre Savina.
     Em 1881 Madre Savina inicia a fundação do Convento em Viterbo e em 1903 a primeira missão em Belém, no Brasil.
     As Constituições da Congregação, que se converteu de direito pontifício, foram finalmente aprovadas em 17 de junho de 1906. Inicialmente a obra se dedicou aos órfãos, depois abraçou outros apostolados de alívio à pobreza e ao sofrimento.
     Já por volta dos trinta anos, Madre Savina deu-nos de si uma imagem de mulher completa: um caráter com os traços bem definidos e inconfundíveis. De estatura média e com certa dificuldade para caminhar, devido a uma má formação do pé esquerdo, mostra-se com porte nobre e desenvolto, com um andar solícito e decidido.
     Fronte alta, olhos inteligentes e expressivos, revelam a pessoa perspicaz e de caráter aberto que passa horas e horas no gabinete em meio à correspondência que alarga os espaços do seu grande coração. Tendo decidido lançar os alicerces de uma grande família, é prudente e “antes senta-se para avaliar se pode enfrentar...” (cf. Lc. 14,31). Está ali, naqueles poucos metros quadrados, a estudar, projetar, aconselhar e deixar-se aconselhar. Mantém relações sociais com pessoas ilustres da Igreja ou empenhadas socialmente.
     Ela tem em si a simplicidade da dona de casa que não descuida nada, mas faz com que as simples tarefas domésticas sejam realizadas com dignidade e evitando a rotina, num harmonioso alternar-se da música, da pintura e do bordado. Tarefas que, como mãe vigilante e criativa, nunca deixa de apreciar e estimular.
     É uma mulher que não cede diante das dificuldades inerentes ao número crescente de filhas e comunidades que deve acompanhar, para que sejam verdadeiramente uma resposta às exigências da época. “Eis, Senhor, que eu venho para fazer a Tua Vontade”. Deste modo, se realiza a sua personalidade: desenvolvendo ao máximo a maternidade na missão de Fundadora.
     Nos últimos 30 anos de sua vida Madre Savina sofreu uma grave enfermidade degenerativa. Ela faleceu no dia 18 de abril de 1923, aos 72 anos de idade, oferecendo-se serenamente a Jesus, deixando-nos um exemplo luminoso de mulher sábia, contemplativa, operosa, um estilo de vida simples, vivido à luz da fé e da obediência.
     Além das 25 casas da Itália, a Congregação conta com obras no Brasil, Argentina, Índia, Estados Unidos, Filipinas e Paraguai.
     O Papa João Paulo II a proclamou Beata na Praça de São Pedro em 24 de abril de 1988. Sua festa é celebrada no dia 18 de abril.
 

Fontes: www.anbeas.org.br/savinianas/savina.php;
www.cademeusanto.com.br/beata_savina_petrilli.htm; www.santiebeati.it
 
Etimologia: Savina, o mesmo que Sabina: do latim Sabinus, “sabino, pertencente aos sabinos (povo da Itália, vizinho dos latinos)”. Sabinus significa: “o pertencente à própria federação”.
 
Postado neste blog em 17 de abril de 2015

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Santas Anastácia e Basilissa, mártires - 15 de abril

          Martirizadas em torno do ano 68 d.C.
     A tradição diz que duas nobres romanas, Basilissa e Anastácia, foram convertidas ao Cristianismo pelas pregações dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, dos quais receberam a missão e o privilégio de enterrarem os Apóstolos. Após os dois Apóstolos terem sido martirizados em Roma, Basilissa, Anastácia e Lucina (esta última comemorada a 30 de junho) encontraram os seus corpos e os enterraram secretamente à noite.
     Isto teria enfurecido as autoridades que acabaram descobrindo quem havia enterrado os Apóstolos; elas foram presas e levadas diante do tribunal de Nero para renunciarem a sua fé e confessarem onde tinham enterrado os dois, para seus corpos serem exumados e queimados. Nenhuma das duas confessou o local e tiveram as suas línguas arrancadas, os braços e pés cortados antes de serem finalmente decapitadas.
    São Pedro foi sepultado não tão longe do circo de Nero, aos pés do monte Janículo, onde hoje se encontra a basílica que traz seu nome. São Paulo foi enterrado na propriedade de Lucina, junto ao Tibre, na via Ostiense. Os corpos foram encontrados mais tarde e levados ao cemitério da via Ápia, nas catacumbas de São Sebastião.
     No lugar do sepulcro originário, onde havia se erguido um memorial, o imperador Constantino construiu a basílica de São Pedro, e os imperadores Valentiniano II, Arcádio e Honório construíram a de São Paulo, para nelas colocar as preciosas relíquias.
     Os restos das duas gloriosas mártires, segundo o Diário Romano de 1926, ainda hoje são venerados na igreja de Santa Maria da Paz.
     Em edições anteriores o Martirológio Romano recordava as Santas Anastásia e Basilissa no dia 15 de abril, mas as últimas reformas reuniram todos os primeiros mártires cristãos de Roma em uma única comemoração no dia 30 de junho.
     Na arte litúrgica da Igreja, Basilissa e Anastácia são mostradas com as suas mãos e pés cortados fora. Em outras gravuras são mostradas enterrando os corpos de São Pedro e São Paulo.

Etimologia: Anastácia = do grego Anastasios, “que ressurgiu (pelo Batismo à vida nova)”; Basilissa = do grego, “rainha”.

Fonte: www.santiebeati.it
Postado neste blog em 14 de abril de 2014

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Beata Ida de Louvain, Monja cisterciense - 13 de abril

No mosteiro cisterciense de Roosendaal (Val-des-Roses), no Brabante, na atual Holanda, a Beata Ida, virgem, que sofreu muitos maus tratos do pai antes de entrar na vida religiosa e pela austeridade da sua vida imitou em seu corpo a paixão de Cristo.
(† c. 1290)
 
     Sabemos de Ida de Louvain o que um autor anônimo conta em sua Vida, escrita pouco tempo depois de sua morte.
     Nascida por volta de 1212, Ida pertencia a uma família de ricos comerciantes. Seu pai era um comerciante de vinhos que vivia na operosa cidade de Louvain e que, preocupado unicamente em acumular riquezas e em usufruir dos bens terrenos, ficou muito contrariado quando a filha lhe disse que tinha a intenção de se fazer monja. O pai não consentiu, o que a fez sofrer muito.
     Desde muito jovem ela manifestou repulsa por aquela nova sociedade comercial cujo aparecimento nas cidades do Norte provocava uma pobreza muito grande de uma população reduzida à mendicância. Em profundo conflito com a família, Ida se dedicava a ajudar os pobres, ao mesmo tempo em que se infligia impressionantes penitências que visavam reparar os ultrajes feitos a Nosso Senhor Jesus Cristo.
     Ela finalmente conseguiu vencer a dureza de seu pai e ingressou na abadia cisterciense de Val-des-Roses, perto de Malines. Sua biografia, composta provavelmente no final do século XIII, baseada nos testemunhos de seu confessor, revela uma mulher em odor de santidade cujo renome ultrapassou o claustro de seu mosteiro.
     Dominicanos e franciscanos reconheceram os seus méritos e não se pode deixar de perceber a influência da espiritualidade franciscana nas evocações dessa mística: a exemplo de São Francisco de Assis, Ida tinha grande familiaridade com os animais; seu corpo marcado por cinco chagas evocava seu amor imenso por Jesus sofredor.
     Antes mesmo de sua entrada no mosteiro apresentava um desejo insaciável de receber a Eucaristia.  É um dos temas desenvolvidos em sua Vida; assim como ela, outras santas daquele século dão testemunho da grande devoção pelo Santíssimo Sacramento que se desenvolveu a partir da Festa de Corpus Christi celebrada pela 1ª vez em 1246 na diocese de Liége.
     Sua biografia também apresenta numerosas analogias com a de outras cistercienses da diocese de Liège: Ida de Nivelles, Lutgarda d’Aywières, Beatriz de Nazaré ou Ida de Gorsleeuw, com as quais esta mística participa da mesma intimidade com o Menino Deus e Jesus Cristo crucificado.
     Alegrias e sofrimentos marcam seus encontros com Cristo que se faz ver, ouvir, entender. Ele se revela o Amor Encarnado que fere ao mesmo tempo em que cura. Ele oferece a ela seu Coração, lhe desvenda sua beleza, celebra uma Missa solene para ela.
     Transportada ao coro dos Serafins, ela vislumbra o mistério da Santíssima Trindade. Seu biógrafo revela que ela traduziu os textos da liturgia para a língua vernácula sob a orientação do Espírito Santo.
     Além de jejuns, distribuição alimento aos pobres, participação nos sofrimentos de Nosso Senhor, Ida se dedicou à oração, à contemplação e aos trabalhos manuais, entre os quais preferia a transcrição dos livros, mas não recusava jamais as incumbências mais humildes; estava sempre disponível no serviço de suas irmãs de hábito.
     Os fenômenos místicos, os seus êxtases frequentes e muitos prodígios lhe foram atribuídos e numerosas conversões.
     Ida faleceu no dia 13 de abril em um ano por volta de 1290.
     Considerada beata no século XVII tanto pelos hagiógrafos cistercienses como pelos Bolandistas, Ida faz parte destas figuras tratadas abundantemente pelos especialistas da mística da Idade Média. 

 
Fontes: «Vita de venerabili Ida Lovaniensi. Ordinis Cisterciensis...», Bibliothèque nationale de Vienne, Series nova 12707, f°167r°-197r°.; «Vita de venerabili Ida Lovaniensi. Ordinis Cisterciensis...», éd. Daniel Papebroch, Acta sanctorum, Avril, t.II, 1866, p.156-198.
Beata Ida di Lovanio (santiebeati.it)
 
Postado neste blog em 11 de abril de 2015

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Santa Maria de Cléofas – 9 de abril

Sta.. Maria de Cléofas a esquerda
   São Jerônimo identificou Alfeu com Cléofas que, segundo Hegesippus, era irmão de São José (Hist. eccl., III, xi). Neste caso Maria de Cléofas, ou Alfeu, seria a cunhada da Virgem Santíssima, e o termo "irmã", de Adelphe, em João, xix, 25, se referia a isso. Mas há sérias dificuldades no caminho dessa identificação de Alfeu e Cléofas. Em primeiro lugar, São Lucas, que fala de Cléofas (xxiv, 18), também fala de Alfeu (vi, 15; Atos, i, 13). Podemos questionar se ele teria sido culpado de um uso tão confuso de nomes, se ambos tivessem se referido à mesma pessoa. Novamente, enquanto Alfeu é o equivalente ao aramaico, não é fácil ver como a forma grega disso se tornou Cléofas, ou mais corretamente Clopas. Mais provavelmente é uma forma encurtada de Cleópatros. (Cf. Hugu Pope Enciclopédia Católica)
     Alfeu e Cléofas são formas gregas derivadas do mesmo nome em hebraico "Halphai" e aramaico "Claphai"
     Maria de Cléofas, também chamada “de Cleopas”, era, portanto, cunhada da Virgem Maria e mãe de três apóstolos: Judas Tadeu, Tiago Menor e Simão, também chamados de “irmãos do Senhor”, expressão semítica que indica também os primos, segundo o historiador palestino Santo Hegésipo (*110 – +7/4/180).
     Santa Maria de Cléofas acompanhou Jesus desde a gravidez da Virgem Maria até sua morte e ressurreição. É, portanto, uma testemunha ocular e preciosa dos fatos relativos à História da Salvação. Ela vivia em Nazaré com sua família e, provavelmente, tinha sua casa ao lado da casa de Nossa Senhora, como era o costume das famílias naquele tempo. Por isso, ela certamente acompanhou a Virgem Maria em todos os momentos. Como tia, carregou Jesus no colo, amparou-o, encantou-se com a bondade do sobrinho e alegrou-se ao ver seus filhos seguindo os passos de Jesus.
     Por sua santidade, ela uniu-se à Mãe de Deus também na dor do Calvário, merecendo ser uma das testemunhas da ressurreição de Jesus (Mc 16,1): “E passado o sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo”. O mensageiro divino anunciou às piedosas mulheres: “Por que procuram o vivo entre os mortos?
     Esse é um fato incontestável: nas Sagradas Escrituras vemos Maria de Cléofas acompanhando Jesus em toda a sua sofrida e milagrosa caminhada de pregação. Estava com Nossa Senhora aos pés da cruz e junto ao grupo das “piedosas mulheres” que acompanharam seus últimos suspiros. Estava, também, com as poucas mulheres que visitaram o túmulo de Cristo para aplicar-lhe perfumes e unguentos, constatando o desaparecimento do corpo e presenciando, ainda, o anjo anunciar a ressurreição do Senhor.
     Assim, Maria de Cléofas tornou-se uma das porta-vozes do cumprimento da profecia. Tem, portanto, o carinho e um lugar singular e especial no coração dos católicos, neste dia que a Igreja lhe reserva para a veneração litúrgica.
Presente nos Evangelhos
     
Os Evangelhos atestam Santa Maria de Cléofas acompanhando Jesus em várias passagens. Encontramo-la fiel no sofrimento, aos pés da cruz de Jesus, ao lado da Virgem Maria: “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena”. (Jo 19,25) São Mateus confirma esta presença (Mateus 27, 56 e 61). Depois, na madrugada do domingo da ressurreição (Mt 28,1).
     São Marcos relata a presença de Santa Maria de Cléofas aos pés da Cruz (Mc 15, 40 e 47) e também que Santa Maria de Cléofas foi uma das testemunhas da ressurreição de Cristo: “E passado o sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo (...) O mensageiro divino anunciou às piedosas mulheres: Por que procuram o vivo entre os mortos?” (Mc 16,1 e seguintes).
     E depois, muito provavelmente, ela e seu marido Cléofas estiveram no Cenáculo no dia de Pentecostes quando o Senhor enviou o Espírito Santo, dando início à Igreja.
 
Adendo
Santo Hegésipo – 7 de abril
     Santo Hegésipo, é considerado o primeiro escritor cristão da época pós apostólica, viveu por volta do ano 110 a 180. O martirológio romano a ele se refere nestes termos: “Viveu em Roma, do papado de Aniceto até o papado de Eleutério; compôs com linguagem simples uma história da Igreja, da Paixão do Senhor até o seu tempo”. Pelo que se sabe, ele era um judeu que aceitou Jesus como o Messias esperado, tornando-se cristão. Da Palestina ele teria se transferido primeiro para Corinto e, depois, para Roma.
     Na cidade das sete colinas ele viveu por um período de vinte anos (157-177 d.C.), posteriormente se transferiu para o Oriente onde morreu, já ancião, provavelmente na cidade santa de Jerusalém (há outras fontes que dão como local de sua morte a cidade de Roma).
     Suas “Memórias” gozaram de grande popularidade e traziam elementos de história eclesiástica relativos particularmente à igreja de Jerusalém. Seus escritos são de grande importância para a história da Igrejas. Escre­veu cinco livros de Memórias, contra os gnósticos, infelizmente, a sua monumental obra está perdida, porém, no livro História Eclesiástica, Eusébio de Cesareia (265 a 339) citou alguns trechos do tratado de Hegésipo, que ainda não havia desaparecido.
     O mais importante de Hegésipo é ter-nos trans­mitido uma lista dos primeiros bispos de Roma. O fato de a mesma lista aparecer no livro sobre as Heresias (27,6) de Santo Epifânio (séc. IV) de­monstra que é a testemunha mais antiga dos no­mes dos bispos de Roma.
     Pelo ano 160, Hegésipo visitou as Igrejas mais importantes com a nobre intenção de conhecer a tradição da pregação apostólica. Após sua visita a Roma, escreveu: “Elaborei a ordem de sucessão até Aniceto”.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Beata Maria Assunta Pallotta, Virgem Franciscana, missionária - 7 de abril

        Primogênita de Luís Pallotta e Eufrásia Casali, Maria nasceu em Force (Ascoli Pisceno), Itália, em 20 de agosto de 1878. Seus pais eram agricultores pobres, que tinham de trabalhar com afinco de manhã à noite para sobreviver, assim Maria, aos oito anos, teve de abandonar a escola, que frequentava desde os seis, para ajudar a mãe nas lides de casa e tomar conta dos irmãozinhos, Alexandre, José, Vicente e Madalena.
     Mas nem assim a família conseguia o necessário para a vida. Era forçoso arranjar trabalho remunerado para a pequena Maria. Puseram-na, por isso, a servente de uns pedreiros, que trabalhavam nas redondezas. Estes encarregaram-na de transportar baldes de água e cestos de cal e cimento. A tudo ela se sujeitou de cara alegre e com tão boa disposição que logrou ser respeitada por aqueles homens. Na sua presença não se atreviam a proferir palavras inconvenientes.
     A mãe, no entanto, achou que aquele trabalho era demasiado pesado para a filha e conseguiu-lhe outro mais leve em casa de um velho alfaiate do lugar, que a recebeu com satisfação.
     Entrementes, a ação do Espírito Santo na alma da menina era cada vez mais notória. Desde os mais tenros anos sentia uma atração irresistível para a oração. Depois do trabalho em casa do alfaiate, corria à igreja a visitar o Santíssimo. Ali se demorava de olhos fitos no sacrário. A um canto da cozinha levantou um altarzinho. Depois de ter arrumado tudo, quando a família já dormia, ela, de joelhos diante das imagens do pequenino altar, rezava e meditava na vida dos santos.
     Esta vida de oração levava-a à prática da caridade, que se traduzia em ir buscar água à fonte e prestar outros serviços a famílias doentes ou pessoas de idade. Para aquilatar o valor destes atos, deve-se ter presente que o tempo mal lhe dava para o trabalho da alfaiataria e da própria casa. Era preciso não perder um minuto para dar conta de tudo.
     O pároco, conhecedor daquela alma de eleição, aos onze anos encarregou-a de ensinar, aos domingos, o catecismo às mais pequeninas. Com que satisfação ela aceitou o encargo é fácil imaginar.
     Assim ia Maria Assunta crescendo em idade e virtudes, guiada pelo Espírito Santo, que a preparava para a vida consagrada. A ideia da vocação surgiu-lhe de um incidente banal, no dia 2 de março de 1897, numa festa da aldeia. Ela abandonou a festa e no dia seguinte confiou a Marieta Fedeli, sua íntima amiga: "Se não formos para religiosas, não nos salvaremos! Não, não conseguirei salvar-me..."
     A resolução estava tomada. Mas havia dois problemas: ela era arrimo da casa e sendo a família muito pobre, ela não contaria com o dinheiro do dote. Porém, o que é impossível aos homens é possível ao Espírito Santo. Assunta sabia disso, e à força de oração e penitência haveria de lograr o seu intento.
     O Senhor, que recomendou: "Pedi e recebereis", dispôs as coisas de forma que a jovem pudesse entrar numa congregação. Serviu-Se para isso de um Bispo, dom Luís Canestrari, natural de Force, que vivia em Roma. Foi o prelado passar alguns dias à terra natal. Informado pelo pároco das prendas e desejos da menina, interessou-se por ela e conseguiu que a Superiora Geral das Franciscanas Missionárias de Maria generosamente a recebesse sem dote.
     Era o mês de maio de 1898. Mês de flores e mês em que o trabalho do campo mais aperta. Seus pais e irmãozinhos atiraram-se a ela, suplicando-lhe: "Não vás, Assunta. Não te vás embora".
     "Quem lhe daria energia, coragem decisiva e inabalável, a ela, que era tão sentimental, tão afeiçoada aos seus entes queridos?... Mais tarde, lá na China, havia de escrever a seus pais: 'Só Deus seria capaz de me apartar de vós'" (F. M. M., O Caminho de Assunta, Barcelos, 1955, p. 37).
     Maria Assunta teve que apelar para toda a força do seu amor a Deus, a fim de não vacilar naquela hora. Partiu de casa com o coração a sangrar e entrou em Roma, na arca santa da vida consagrada, a entoar louvores à misericórdia do Pai Celeste.
     Da casa de Roma, na Via Giusti, onde fez a maior parte do postulantado, passou para Grottaferrata, a fim de se preparar para receber o hábito e dar início ao noviciado. Lá, como em Roma, a sua vida pode sintetizar-se nestas breves palavras: humildade profundíssima, obediência pronta, total e alegre, por mais pesados que fossem os trabalhos.
     De fato, em Grottaferrata, as religiosas para prover ao próprio sustento, cultivavam alguns campos e criavam frangos, pombos e suínos. Assunta, apesar estar habituada a trabalhos rudes, sentiu no corpo a carga que lhe impuseram na vida consagrada. Mas com o pensamento de "fazer tudo por Jesus", como repetia amiúde, não havia nada que lhe perturbasse a alegria, nem sequer a limpeza da pocilga em dias de chuva.
     Ademais, tinha sempre presentes as palavras da Fundadora da Congregação, Madre Maria da Paixão, que, ao vê-la a primeira vez em Grottaferrata lhe perguntou o nome e de onde era, e comentou: - "És das Marcas?! Olha que as Marcas são terra de Santos; e é preciso que tu também o sejas" (o. c., p. 74).
     Sê-lo-á e bem depressa, como veremos. Mas antes terá que passar pelas provações a que Deus submete os seus fiéis servos. Pelos fins do noviciado, Assunta adoeceu gravemente e como se temia perigo de contágio, disseram-lhe que talvez tivesse de voltar temporariamente para casa da família. Foi para ela um tormento inenarrável. Estava disposta a tudo, até a morrer, contanto que fosse na vida religiosa. "Reze comigo à Senhora de Pompéia, dizia suplicante a uma Irmã. Nossa Senhora tudo pode" (o.c., p. 107)".
     A Mãe de Misericórdia e Consoladora dos aflitos atendeu a filha que pôs n'Ela tamanha confiança. Assunta não só recuperou a saúde, mas teve a suprema alegria de fazer os votos no dia 8 de dezembro de 1900, festa da Imaculada Conceição.
     Nesse ano, as Franciscanas Missionárias de Maria ardiam em fervor porque sete delas tinham tido a invejável dita de derramar o seu sangue por Jesus Cristo na missão da China, Este fato vai influir poderosamente no espírito da religiosa para "fazer todas as ações com a maior perfeição possível" como aconselhava a Madre Fundadora. E para que não decaísse o seu fervor, a 8 de dezembro de 1903 pediu licença à mesma Madre para se obrigar por voto a "fazer tudo o melhor que me seja possível com a graça de Deus e por toda a vida".
     A licença foi-lhe concedida e ela, em data que ignoramos, depois de comungar, dirigiu ao Senhor a seguinte prece: "Meu Deus, com a Vossa santíssima graça e por intercessão da Santíssima Virgem Imaculada faço voto de fazer tudo por amor de Deus, consagrando-me para sempre ao Sagrado Coração de Jesus com todos os meus pensamentos, palavras e obras que fizer durante a minha vida, e bem assim as que fizer depois da minha morte, a fim de que o Sagrado Coração de Jesus disponha delas como Lhe agradar" (o. c., p. 147-148).
     Há aqui dois atos heroicos: o de "fazer tudo por amor de Deus" e a "entrega ao Coração de Jesus de todos os sufrágios que se façam por ela depois da morte", para que disponha deles como Lhe aprouver. Generosa até ao heroísmo, não quer nada para si, tudo para Deus e em benefício dos outros.
     Dotada de tão elevado grau de generosidade, não é de estranhar que se oferecesse à Madre Geral para ir para a missão da China "tratar especialmente dos leprosos". O seu pedido foi aceito. Para lá partiu no dia 19 de março de 1904, sem ver a Madre Fundadora e sem abraçar os pais, que por falta de recursos não puderam ir a Roma despedir-se da filha.
     Depois de uma terrível e dolorosa viagem, chegou finalmente à missão. Lá esperava-a nova provação, a noite espiritual, que consistiu em trevas, dúvidas, desalentos, escrúpulos, que "atormentam-na até ao paroxismo. Deus permitiu que ela sofresse um verdadeiro martírio interior" (o. c., p. 201-202). Era a pincelada final do Divino Artista, que preparava esta alma para luzir no candelabro da Igreja. De fato, Maria Assunta viria a falecer antes de completar um ano na missão, vítima do tifo, que também ceifou a vida de outras religiosas.
     A Beata faleceu no dia 7 de abril de 1905. Deus quis glorificar a sua humilde serva no próprio momento da morte, pois um perfume, "como uma mistura de violetas e de incenso, que não se assemelha a nada que se conheça" se desprendeu do quarto onde ela faleceu e se fez sentir tão longe, que arrastou "uma multidão de chineses para ver o milagre".
     Quando se exumaram os restos mortais da Serva de Deus, a 23 de abril de 1913, apareceu o corpo de Assunta, intacto e incorrupto. "Quem se humilha será exaltado", proclamou o Divino Mestre. Cumpriu a palavra em Assunta. São Pio X naquele ano começou a ocupar-se do Processo de Beatificação e Canonização
     No dia 7 de novembro de 1954 - Ano Mariano - foi beatificada por Pio XII, na presença de seus irmãos Vicente e Madalena, que viajaram dos EUA a Roma para assistir à beatificação da irmã que deles cuidara quando pequenos.

Fontes: AAS 15 (1923) 473-6; 24 (1932) 125-8; F. M. M, O Caminho de Assunta; http://www.portalcatolico.org.br
Beata Maria Assunta Pallotta (santiebeati.it)
 
Postado neste blog em 6 de abril de 2012

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Santas Ágape, Quiônia e Irene, Mártires em Tessalônica – 3 e 5 de abril

 
     Estas três irmãs nasceram no século IV, época do imperador romano Diocleciano, considerado o mais sanguinário perseguidor dos cristãos, e que "proibia que as pessoas portassem ou guardassem escritos que pregassem o Cristianismo". Todos os livros "deveriam ser entregues às autoridades para serem queimados. Ágape (amor), Irene (paz) e Quiônia (pureza), pertenciam a uma família pagã da Tessalônica, mas elas se converteram e possuíam vários livros da Sagrada Escritura, e passaram a pregar o cristianismo".
     As três irmãs foram denunciadas, e em sua casa "foram encontradas várias Bíblias", por isso passaram a ser "perseguidas, e deveriam ser levadas ao interrogatório diante do governador da Macedônia, Dulcério". Deveriam, como os demais cristãos, submeter-se ao "intenso interrogatório, para renegar a fé em Cristo". E só se salvariam se idolatrassem aqueles que os cristãos consideravam falsos deuses, oferecendo publicamente comida e incenso a eles, e queimando as suas Bíblias. Quando os cristãos se negavam a renunciar a sua fé, geralmente eram queimados vivos, junto com a Bíblia.
     Ágape e Quiônia foram encontradas antes. Presas e interrogadas, negaram-se a adorar os deuses a que os cristãos alegavam serem falsos e confirmaram sua fé. O governador da Macedônia, Dulcério, perguntou onde tinham aprendido ideias tão estranhas, Quiônia respondeu: "De Nosso Senhor Jesus Cristo", e novamente ela e Ágape recusaram-se a comer o alimento e, por causa disso, foram queimadas vivas. O Martirológio Romano as reverencia dois dias antes.
     Entretanto, Irene, que havia escondido grande parte dos livros cristãos em sua casa, conseguiu "fugir para as montanhas, mas foi encontrada no dia do martírio das suas irmãs, levada a um prostíbulo para ser violada e, depois, presa". Lá, porém, segundo conta a legenda, "por uma graça, ninguém a tocou". Irene foi, então, "submetida a interrogatório, manteve-se firme em sua profissão de fé". Condenada pelo governador Dulcério, foi entregue aos carrascos, "que lhe tiraram a roupa, expuseram-na à vergonha pública e depois também a queimaram viva".
     Outras três mulheres e um homem foram julgados junto com estas mártires; uma das mulheres foi enviada de volta para a prisão porque estava grávida. Não é relatado o que aconteceu com eles.
     O culto à Santa Irene ainda é muito intenso no Oriente e no Ocidente, e se perpetuou até os nossos dias pelo seu lendário "exemplo de santa mártir", bem como pela tradição de seu nome, que em grego significa "paz", e é muito difundido principalmente entre os povos cristãos.
     A festa das Santas Ágape e Quiônia é celebrada no dia 3 de abril; a festa de Santa Irene acontece em 5 de abril, dia em que recebeu a palma do martírio pela fé em Cristo, no ano 304.
 
Santa Irene assiste o martírio de suas irmãs


Fontes: www.santiebeati.it, autor Donald Attwater; www.wikipedia

sábado, 27 de março de 2021

Beata Joana Maria de Maillé – 28 de março

     Relutante em se casar aos 16 anos, viúva com um pouco mais de 30, expulsa de casa pelos parentes do marido, nos restantes 50 anos de sua vida foi obrigada a viver sem abrigo. Tantos percalços estão concentrados na vida da Beata Joana Maria de Maillé que nasceu rica e mimada no Castelo de La Roche, perto de Saint-Quentin, Touraine, em 14 de abril de 1331. Seus pais eram o Barão de Maillé Hardoin e Joana, filha dos Duques de Montbazon.
     Sua família se destacava pela devoção. Ela cresceu sob a orientação espiritual de um franciscano, mostrando uma particular devoção a Maria. Dedicava-se a orações prolongadas e fez precocemente o voto de virgindade. Aos onze anos, no dia de Natal, pela primeira vez teve um êxtase: Maria Santíssima lhe apareceu segurando em seus braços o Menino Jesus. Uma doença que quase a levou à morte serviu para desprendê-la mais e mais da terra e torná-la mais próxima de Deus.
     Na idade de dezesseis anos, aparece no cenário de sua vida um parente da mãe que se tornou seu tutor, o que sugere que os pais morreram prematuramente. O tutor combina, de acordo com o costume da época, o casamento de Joana com o Barão Roberto II de Sillé, um bom jovem, não muito mais velho do que ela, seu companheiro de brincadeiras na infância. E isto apesar de estar ciente da inclinação de Joana para a vida religiosa e de seu voto de castidade. Portanto, é um casamento contra a vontade da jovem.
     Providencialmente, o tutor morreu repentinamente na manhã do dia do casamento, e a impressão no noivo foi tão grande, que propôs a Joana viverem em perfeita continência, isto é, como irmão e irmã. Seu consentimento é imediato, já que estava preparada para isto pelo seu voto de virgindade.
     Apesar das premissas, o casamento funcionou e bem: como base da união eles colocaram o Evangelho, e viveram-no plenamente, resultando em muitas boas obras, como: adotar algumas crianças abandonadas, alimentar e cuidar dos pobres, ajudar os empestados. Na verdade, tinham muito que fazer. Nunca se viu tanto movimento no castelo desde que se espalhou a notícia de o casal ser extremamente caridoso.
     E pensar que não faltavam problemas para eles, como quando Roberto teve que ir para a guerra (estamos na época da Guerra dos Cem Anos), foi ferido e preso pelos britânicos. Para libertá-lo Joana pagou um resgate elevado, o que afetou fortemente o patrimônio do casal. No entanto, eles não perderam a fé, e uma vez instalados, marido e mulher, lado a lado, primeiro tratam dos contagiados pela peste negra, depois, dos leprosos.
     Roberto morreu em 1362 e Joana, viúva aos 30 anos, vê toda a família de seu marido se voltar contra ela. A principal acusação: ter esbanjado a fortuna da família. Assim, ela foi expulsa do Castelo de Silly e ficou sem casa, sem um tostão, forçada a viver da caridade. Mas, mesmo na rua, os parentes ricos continuavam a persegui-la: enviavam seus serviçais para lançar-lhe insultos quando ela passava, porque não queriam rebaixar-se para fazê-lo pessoalmente.
     Ela renunciou a todos os seus bens e foi morar em um casebre construído junto ao convento dos Frades Menores Franciscanos de Tours, onde levava uma vida de penitência, contemplação e pobreza contínua, a mendigar o pão. Ela gozava de várias aparições da Virgem Maria, de São Francisco e de Santo Ivo, o qual recomendou que ela ingressasse na Ordem Terceira de São Francisco.
     Joana sofria e, com um amor sem limites, não tinha um mínimo de ressentimento. E para sabermos onde ela encontrava tal força e tanta bondade, olhemos para suas longas horas de oração, sua grande penitência, seus sacrifícios. Escolheu para vestir uma túnica grosseira e rude, muito semelhante à roupa de seus amados franciscanos, de cuja intensa espiritualidade vive.
     Continuou a fazer caridade com os doentes e os prisioneiros condenados à morte, se não mais com dinheiro, com a sua presença e seus humildes serviços, consolando-os quando não podia fazer nada melhor, e intercedendo por sua libertação quando atingiu popularidade e pode usá-la em proveito do próximo.
     Devido a sua reputação como uma mulher de Deus ter se espalhado pela França, muitos a procuravam pedindo conselhos, e entre aqueles que bateram à sua porta havia também alguns daqueles que a tinham insultado antigamente e que ela recebe com amor e paciência.
     O rei de França, Carlos VI, que estava em Tours, foi visitar a penitente famosa que lhe pediu para libertar alguns prisioneiros e dar a outros a ajuda de um capelão.
     Em 1395, Joana mudou-se para Paris onde se encontrou outra vez com o rei da França, Carlos VI e sua esposa, Isabel da Baviera. Ela aproveitou a oportunidade para criticar o luxo da corte e a vida licenciosa dos cortesãos. Em Paris, ela visitou a Saint-Chapelle para venerar as relíquias da Paixão de Cristo.
     Apesar da frágil saúde e das dificuldades de sua vida penitente, Joana atingiu a idade de 82 anos e morreu em 28 de março de 1414 cercada de uma sólida reputação de santidade e foi sepultada na igreja franciscana. Infelizmente o seu túmulo foi profanado pelos calvinistas nas guerras de religião.
     Sua fama de santidade era tão difundida, que os fiéis a veneravam espontaneamente. Como resultado, em apenas 12 meses foi instaurado o processo diocesano informativo para sua canonização. Mas, mesmo após a morte Joana tem que esperar: sua beatificação só ocorreu muito mais tarde, em 1871, pelo Papa Pio IX.
 
Aparição de Santo Ivo a Beata Joana Maria de Maillé.
     A Beata relatou uma visão de Santo Ivo em uma época difícil de sua vida. A jovem baronesa tinha ficado viúva e fora expulsa do seu castelo pelos parentes, que alegavam que ela tinha encorajado a excessiva caridade de seu esposo, em detrimento do novo herdeiro. Após ser maltratada, inclusive pelo serviçal a quem tinha dado refúgio, ela retornou a sua família em Tours.
     A aparição é contada por dois historiadores da Ordem Terceira. Santo Ivo “aconselhou-a a deixar o mundo e a tomar o hábito que ele estava usando”. Outro biógrafo diz: “Se vós deixardes o mundo, gozareis, mesmo aqui na Terra, as alegrias do Paraíso”.
     Os mesmos autores especulam se Joana não hesitou diante da perspectiva de renunciar a tudo. “Pobre pequena baronesa! Ela ficou amedrontada diante da prometida liberdade da pobreza e acreditou que poderia desfrutar da paz no último refúgio, seu lar. Mas a vontade de Deus era outra”.
     Joana deve mesmo ter hesitado, pois somente depois de uma visão de Nossa Senhora, que repetiu o mesmo conselho, é que ela tomou o hábito da Ordem Terceira de São Francisco.
 
Fonte: Cecily Hallack e Peter F. Anson, em “Estes fizeram a paz: Estudos dos Santos e Beatos da Ordem Terceira de São Francisco”, cap. VI, p. 152-3
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Beata Giovanna Maria de Maillé (santiebeati.it)