quinta-feira, 12 de março de 2026

Santa Maria Eugênia de Jesus, Fundadora - 10 de março

 
     Ana Eugênia Milleret de Brou nasceu em Metz no dia 25 de agosto de 1817; sua infância transcorreu entre a casa natal dos Milleret de Brou e a vasta propriedade de Preisch, na fronteira entre Luxemburgo, Alemanha e França. De uma família incrédula cujo pai, voltairiano, era um alto funcionário e a mãe, uma excelente educadora que só praticava um formalismo religioso, Ana Eugênia teve um verdadeiro encontro místico com Jesus Cristo no dia de sua Primeira Comunhão, no Natal de 1829: “Nunca o esqueci”.
     Aos 13 anos uma grave doença obrigou Ana a interromper os estudos, que teve que prosseguir sozinha. As provas de Ana continuaram em 1830: durante a revolução contra o rei Carlos X, que deu o trono da França a Felipe de Orleans, o pai caiu na ruína e teve que vender o Castelo de Preisch, e mais tarde a casa de Metz. Seus pais se separaram; ela foi para Paris com a mãe, que uma epidemia de cólera – uma doença que açoitava com grande força Paris naquela época – colherá brutalmente em 1832. Uma rica família amiga de Châlons a acolheu.
     Aos 17 anos, conheceu a solidão em meio dos mundanismos que a rodeiam: "Vivi uns anos me perguntando sobre a base e o efeito das crenças que não havia compreendido... Minha ignorância sobre o ensino da Igreja era inconcebível e, contudo, havia recebido as instruções comuns do Catecismo". (Carta ao Pe. Lacordaire, 1841).
     Seu pai a fez voltar para Paris. Durante a Quaresma de 1836, ouviu o Pe. Lacordaire pregar na Catedral de Notre-Dame. "Vossa palavra despertava em mim uma fé que nada pode fazer vacilar". "Minha vocação começou em Notre-Dame", diria mais tarde.
     Na Quaresma de 1837, Ana Eugênia encontrou o Pe. Combalot, que pregava em São Sulpício, e que a orientou na fundação de uma nova Congregação. Ele sonhava fundar uma congregação dedicada a Nossa Senhora da Assunção para formar jovens dos meios dirigentes, a maioria irreligiosa; ela sonhava com a vocação religiosa.
     O Pe. Combalot enviou Ana Eugênia ao Convento da Visitação de La Côte-Saint-André (Isère), experiência que deixaria nela a marca do espírito e da espiritualidade de São Francisco de Sales. Já tinha as bases de sua pedagogia: rechaçava uma educação mundana em que a instrução cristã fosse pouca, queria um cristianismo autêntico e não um verniz superficial, queria dar para as jovens uma educação à luz de Cristo.
      Em outubro de 1838, se encontrou com o Pe. d’Alzon. Esta grande amizade duraria 40 anos. Em 30 de abril 1839, com 22 anos, se unem a ela duas jovens para realizar o seu projeto em um apartamento pequeno da Rua Férou; em outubro já eram quatro em um andar da Rua de Vaugirard. Elas estudam teologia, a Sagrada Escritura e as ciências profanas. Kate O’Neill, uma irlandesa, se uniu a elas e tomou o nome de Teresa-Emanuel. De personalidade forte, ela acompanharia Ana Eugênia oferecendo-lhe sua amizade e sua ajuda durante toda sua vida.
     Em maio de 1841, as Irmãs se separaram definitivamente do Pe. Combalot. Mons. Affre lhes ofereceu o apoio de seu vigário geral, Mons. Gros.
     As Irmãs retomam os estudos e fazem sua primeira profissão religiosa em 14 de agosto de 1841. A pobreza em que viviam era grande e a comunidade não aumentava. Isto não impediu Madre Maria Eugênia de abrir o primeiro colégio na primavera de 1842, no Impasse des Vignes. Mais tarde se instalou em Chaillot, porque a comunidade crescia e se tornava cada vez mais internacional. Às vezes ela se queixava dos sacerdotes e dos leigos: "Seu coração não bate por nada que seja grande".
     No Natal de 1844, Madre Maria Eugênia fez sua Profissão perpétua, com um quarto voto: “Estender por toda minha vida o Reino de Jesus Cristo...”.
     Madre Maria Eugênia desejava para suas filhas “contemplativas da ação” a recitação do Ofício Divino como devoção principal por ser a oração oficial da Igreja, e o centro de sua espiritualidade devia ser Jesus Eucaristia. Roma reconheceu esta nova Congregação em 1867. As Constituições, ou a Regra da Congregação da Assunção, foram definitivamente aprovadas em 11 de abril de 1888.
     A morte do Pe. d’Alzon em 1880 pressagiava o despojamento que ela havia entrevisto como necessário em 1854: "Deus quer que tudo caia ao meu redor". Irmã Teresa-Emanuel faleceu em 3 de maio de 1888, e sua solidão se tornou mais profunda.
     Entre 1854 e 1895, nasceram novas comunidades na França, seguidas das fundações na Inglaterra, Espanha, Nova Caledônia, Itália, América Latina e Filipinas.
     As viagens, as construções, os estudos, as decisões se sucediam. Sua preocupação constante, porém, será sempre sua intuição inicial, a que as Irmãs têm que ser fieis aos chamados do Senhor: "Na educação, uma filosofia, um carácter, uma paixão. Porém, que paixão dar? A da Fé, a do Amor, a da realização do Evangelho”. As religiosas devem ser professoras educadoras adaptando-se às necessidades que vão se apresentando, sem deixar de lado a observância monástica.
     Quando descobriu a debilidade da velhice, "um estado no qual só resta o amor", Madre Maria Eugênia foi se apagando pouco a pouco: "Só me resta ser boa". Vencida por uma paralisia em 1897, somente terá seu olhar para expressar essa bondade. Em 10 de março de 1898, entregou sua alma a Deus.
     Madre Maria Eugênia de Jesus foi beatificada em 9 de fevereiro de 1975 pelo papa Paulo VI; e em 3 de junho de 2007 o papa Bento XVI canonizou-a em Roma, na Festa da Santíssima Trindade.

Santa Colete Boylet de Corbie, Virgem, Clarissa - 6 de março

      A vida e a obra de Santa Colete se situam numa época extremamente tormentosa: a Guerra dos Cem Anos, gerada pelas rivalidades sangrentas entre duas famílias principescas da França; e o Cisma do Ocidente que dividia a Cristandade. Na Ordem franciscana, as dissensões - nascidas já em vida de São Francisco - entre os partidários da regra estrita e os que desejavam mitigações, terminaram com a vitória destes últimos.
     Quanto ao ramo feminino da Ordem, o direito de possuir bens, concedido por Alexandre IV ao mosteiro de Longchamps, próximo de Paris, fundado pela Beata Isabel de França, irmã de São Luís IX, começou a enfraquecer seriamente o "privilégio da pobreza" arduamente defendido por Santa Clara.
          Em 1263, Urbano IV estendeu a regra mitigada a todos os conventos de Clarissas e só raras comunidades guardaram a estrita observância primitiva. Autorização de possuir bens e tolerâncias relativas à clausura levaram à tibieza os conventos "urbanistas".
     É neste contexto que devemos compreender a missão de Santa Colete.
A vocação
     Nicolette Boylet ou Boëllet nasceu em Corbie, diocese de Amiens, França, em 13 de janeiro de 1381. Seus pais, Roberto Boylet e Marguerite Moyon, quase sexagenários, colocaram este nome na menina em sinal de reconhecimento a São Nicolau de Bari pelo seu nascimento. O pai era artista carpinteiro, caridoso e virtuoso; a mãe confessava-se e comungava toda semana, coisa rara naquela época.
     A menina cresceu em um ambiente acolhedor e muito religioso. Aos quatro anos já tinha uma vida de oração; aos sete, fazia uma hora de oração diária e assistia clandestinamente as Matinas cantadas nos beneditinos. Ela dirá mais tarde que aos nove anos recebeu plena e inteira revelação do espírito da Ordem franciscana e da necessidade de sua reforma.
     Em 1399, seus pais faleceram com alguns meses de intervalo um do outro. O pai confiara a filha aos cuidados de D. Raoul de Roye, abade do mosteiro beneditino de Corbie. Este desejava que ela se casasse. Colete recusou-se e acabou obtendo sua permissão para doar seus bens aos pobres e para entrar para a beguinaria (*) de Amiens, onde ficou apenas um ano por achar muito suave a disciplina ali vigente.
     Pelo mesmo motivo fez tentativas frustradas junto às beneditinas de Corbie e no Convento de Moncel, que seguia a regra de Urbano IV.
     Colete retornou a Corbie e seus concidadãos, que anteriormente a admiravam, passaram a desprezá-la porque a consideravam uma instável. Seu tutor começava a se impacientar com seus "caprichos".
     Neste isolamento moral, a Providência colocou o Padre João Pinet em seu caminho. Ele era guardião do convento de Hesdin, fervoroso religioso de São Francisco, intensamente desejoso de fazer reviver a observância primitiva da Ordem. Este religioso aconselhou-a a se fazer reclusa da Terceira da Ordem de São Francisco.
     Em 17 de setembro de 1402, festa dos Estigmas de São Francisco, ela pronunciou o voto de clausura, e passou a viver numa pequena ermida próxima da igreja paroquial de Nossa Senhora, em Corbie. Emparedaram-na entre dois contrafortes da igreja, numa pequeníssima cela que recebia a luz através de uma grade de ferro que dava para a igreja. Ali permaneceu por três anos, jejuando durante a Quaresma a pão e água, dormindo sobre um punhado de gravetos espalhados no chão.
A reformadora
     Em sua reclusão as visões se multiplicaram: por determinação de São Francisco e de Santa Clara, que lhe apareceram, ela devia reformar a Ordem segunda franciscana. Colete temia que tais visões fossem causadas "pelo inimigo do inferno". Ela consultou clérigos de seu meio e todos concordam em que ela devia agir. Após muita relutância, fruto de sua humildade, empreendeu a reforma inspirada por Deus.
     Ela precisava de alguém que a aconselhasse e mais uma vez a Providência vem em seu auxílio: o Padre Henrique de Baume, religioso franciscano de grande virtude, que sofria com a decadência da sua Ordem, tornou-se seu diretor espiritual e seu colaborador zeloso. Ele obtém a adesão da Condessa Branca de Genebra para a causa de Colete. Em Besançon, ele se encontra com Isabeau de Rochechouard, viúva do Barão de Brissay, que o acompanha a Corbie.
     Durante o Cisma havia três papas ao mesmo tempo: um em Roma, outro em Avinhão e o terceiro em Pisa. A França - bem como a Espanha e a Escócia - prestava obediência ao papa de Avinhão, que então era Bento XIII.
     Em 1406, obtida a dispensa do voto de reclusão perpétua, Colete dirigiu-se a Nice, acompanhada do Padre Baume e da Baronesa de Brissay, para se encontrar com Bento XIII. Expõe-lhe detalhadamente seu propósito restaurador.
     Depois de profunda reflexão, Bento XIII impôs-lhe o véu e o cordão seráfico e nomeou-a Superiora Geral de todos os conventos de Clarissas que viesse a fundar ou reformar. Autorizava Colete a transferir para o convento que fosse fundar as religiosas de mosteiros estrangeiros, e acolher eventualmente membros da Ordem Terceira franciscana. Bento XIII expediu a bula autorizando a reforma no dia 16 de outubro de 1406.
     Os católicos viviam na perplexidade e na boa vontade durante esses tormentosos anos do Cisma; estavam do lado que tinham por autêntico, ou que lhes indicavam suas autoridades. Santa Catarina de Siena e Santa Catarina da Suécia estavam com o papa de Roma, enquanto São Vicente Ferrer e Santa Colete estavam com o de Avinhão, concretamente com Bento XIII.
     Não foi fácil para Colete dar andamento aos seus projetos imediatamente. Durante alguns anos suas tentativas de reforma fracassaram. Seu empenho teve o apoio de personagens tão relevantes como a Condessa de Genebra e das duquesas de Borgonha e da Baviera.
     No Franche-Comté, com mais três amigas, que se tornaram suas primeiras filhas, ela se instalou. A comunidade logo cresceu e foi preciso procurar um lugar mais espaçoso. Em 1410, conseguiu finalmente autorização para ocupar o convento de urbanistas de Besançon, onde viviam apenas duas irmãs. A reforma estava assegurada. Àquele convento logo seguiram outros até um total de 17, reformados ou novas fundações.
     Como norma, cada convento devia ter quatro frades a seu serviço. Assim, a dinâmica reformadora sempre mantinha contato com os Gerais Franciscanos. Os Gerais da Ordem, principalmente Antônio de Massa e Guilherme de Casal, aceitaram e confirmaram a bula de 1406. O espírito da reforma coletina se infiltrava sutilmente na Ordem primeira.
      Colete precisava criar as Constituições para reger tão numerosas fundações. Em 1430, ela redigiu um texto - conhecido como Sentimentos de Santa Colete - que foi remanejado em 1432 e aprovado em 28 de setembro de 1434 por Frei Guilherme de Casal. Este havia submetido o texto a dois cardeais e alguns outros teólogos, que deram sua aprovação.
     Quanto ao ramo masculino, Santa Colete não tinha evidentemente jurisdição sobre a Ordem primeira, mas ela exerceu uma forte influência espiritual nela e conseguiu a adesão de alguns conventos masculinos à sua reforma. Segundo uma estimativa mais provável, em 1447, data da morte da Santa, a sua reforma contava com 17 conventos femininos e 7 masculinos.
     A reforma coletina estendeu-se rapidamente pela França, Espanha, Flandres e Saboia. Sob o impulso renovador de Santa Colete, os franciscanos voltaram a praticar aquilo que São Francisco havia querido para sua Ordem: vida de pobreza sem mitigações, vida austera, intensa oração pessoal e comunitária, e muita oração e penitência pela unidade da Igreja, então dividida pelo Cisma.
     Nos dias atuais, os conventos de "coletinas" são cerca de 140, a maior parte na Europa, embora haja alguns também na América, Ásia e África.
     A piedade de Colete, notável desde a infância, cresceu e a conduziu a um tal grau de união com Deus, que os êxtases tornaram-se contínuos. Por vezes, eles duravam vários dias. Ao redor dessa intensa vida mística, que a ação não obstava, gravitavam fenômenos tais como: levitação; eflúvios odoríferos que emanavam não somente da pessoa de Colete, mas das coisas que ela tocava; conhecimento das consciências; o estado das almas do Purgatório; dons de profecia.
     Santa Colete era de uma pureza requintada, e seu amor por esta virtude se manifestava por seu pendor irresistível pelas almas puras, as crianças também a atraiam, e mesmo os animais cuja aparência simbolizavam a pureza, como as rolas e os cordeiros.
     
Ela protagonizou inúmeros milagres que favoreciam suas fundações: na reforma de Hesdin, recebeu uma soma de quinhentos escudos de ouro, de origem celeste; em Poligny, descoberta de água potável; a provisão de trigo de Auxonne não diminuía e possibilitava as religiosas reparti-lo com os frades de Dôle; um tonel de vinho encheu-se sob a ação das preces de Colete, e muitos outros fatos relatados em seu processo de canonização.
    Verdadeira filha da Igreja, ele sofria com o Cisma que dilacerava sua unidade, e trabalhou denodadamente com São Vicente Ferrer pela extinção do Cisma.
     Coleta era também filha da França. As nobres casas conflitantes, Armagnacs (partido do Duque d'Orleans) e Bourguignons (partido do Duque de Bourgogne), a chamaram para fundar conventos em seus domínios. Segundo depoimentos, ela certa vez conseguiu dissuadi-los de lutar. Apesar das tensões, Colete foi respeitada por ambas e pode continuar sua obra.
     Santa Colete viajou muito, operou numerosos milagres, suportou sofrimentos de toda a espécie. Ela foi uma mulher extraordinária que soube obter a colaboração de papas, frades, príncipes, duques para a sua obra. Santa Colete morreu em Gand, Bélgica, no dia 6 de março de 1447. As marcas de sua própria doença e do sofrimento desapareceram. Seu corpo tornou-se belo, com uma pele branca como a neve, membros flexíveis e exalando um celestial perfume. Como era seu desejo, o corpo foi sepultado direto na terra. Numeroso foi o público que compareceu às suas exéquias, atraídos por sua fama de virtude e pelos fatos maravilhosos que narravam sobre ela.
     O processo de sua canonização iniciou poucos anos após sua morte, em 1472, mas somente se tornaria realidade anos depois. O processo relata, além dos fatos mencionados, curas operadas em pessoas de suas comunidades e cinco casos de ressurreição. Colete foi beatificada em 23 de janeiro de 1740. Porém, ela só foi canonizada em 24 de maio de 1807, sob o pontificado de Pio VII. Sua festa é celebrada no dia 6 de março.
 
(*) Beguinaria: convento onde vivem religiosas sem pronunciar votos, cada qual ocupando o seu aposento à parte. Beguina é o nome dado a essas religiosas nos Países Baixos e na Bélgica.
 
Etimologia: Colete, ou Colette, abreviação de Nicolette, feminino de Nicolet, em português Nicolau, do grego Nikólaos: “vencedor (niko) do povo (laos)”.

Beata Piedade da Cruz Ortiz Real, Fundadora - 26 de fevereiro

     
    Tomasa Ortiz Real nasceu em Bocairente, Valência (Espanha), no dia 12 de novembro de 1842, tendo sido batizada no dia seguinte. Recebeu a Primeira Comunhão aos dez anos, sacramento que despertou nela o desejo de pertencer inteiramente a Nosso Senhor e viver para Ele.
     Completou a sua formação humana e espiritual no Colégio de Loreto, que as religiosas da Sagrada Família de Burdeos tinham em Valência. Pediu várias vezes para ingressar no noviciado desse Instituto, mas seu pai, considerando a situação política da época e a pouca idade da menina, obrigou-a a voltar para casa.
     Esta etapa da sua vida em Bocairente foi caracterizada por três aspectos: o espírito de piedade e de oração, a sua dedicação em fazer o bem às crianças pobres, aos idosos e aos doentes, e o empenho em dar uma resposta àquilo que sentira no seu íntimo no dia da Primeira Comunhão.
     Tomasa fez sem sucesso algumas tentativas para ingressar em um convento de clausura. Ela intuiu depois que Deus não queria que ela seguisse aquele caminho. Ela então pediu a Ele que lhe indicasse claramente a Sua vontade e, retirando-se em oração, recitava assim: "Tua, meu Jesus, desejo ser tua, porém, diz-me onde".
     Tendo a certeza de sentir-se chamada para uma vida de especial consagração, mas com a dúvida de onde Deus a queria, Tomasa dirigiu-se para Barcelona. Depois de muitas dificuldades, ali o Senhor respondeu à sua busca vocacional, fazendo-a viver uma profunda experiência mística na qual o Coração de Jesus, mostrando-lhe o seu lado esquerdo ensanguentado, lhe disse: "Olha como me deixaram os homens com a sua ingratidão. Queres ajudar-me a levar esta cruz?". Tomasa respondeu: "Senhor, se tens necessidade de uma vítima e me queres, estou aqui". Então, o Redentor disse-lhe: "Funda, minha filha, que sobre ti e sobre a tua Congregação concederei sempre misericórdia".
     Esta experiência foi determinante para Tomasa, dando-lhe uma certeza tão grande que nunca a tirou de sua mente e do seu coração. Naquele momento ela compreendeu que Deus lhe pedia para dar vida a um novo Instituto. A pergunta agora era: “onde fundar?”. O Bispo D. Jaime Catalá indicou-lhe que abrisse seu coração com seu confessor e fizesse o que ele mandasse.
     No mês de março, acompanhada de três postulantes, Tomasa saiu de Barcelona a caminho de Puebla de Soto, a 1 km de Alcantarilla, para fundar ali, com a autorização do Bispo de Cartagena-Murcia, a primeira Comunidade de Terciárias da Virgem do Carmelo.
    Após a tragédia das inundações de 1884, eclodiu a cólera. Tomasa, que então havia tomado o nome de Piedade da Cruz, e suas Filhas se desdobraram no cuidado dos doentes e a das meninas órfãs em um hospitalzinho que ela chamou de “A Providência”.
     Foram chegando mais jovens atraídas pelo modo de viver daquelas primeiras Terciárias Carmelitas. A Casa tornou-se pequena e foi preciso comprar a de Alcantarilla.
     Uma nova comunidade se estabeleceu em Caudete. Tudo fazia pensar que finalmente ela havia encontrado o lugar onde levaria a cabo sua vocação.
     Entretanto, uma nova cruz: no mês de agosto as irmãs de Caudete foram para lcantarilla e levaram as noviças, deixando Madre Piedade da Cruz somente com a Irmã Alfonsa. Foram dias de muita dor. A Fundadora, como sempre, se refugiou na oração; prostrando-se diante de Nosso Senhor Jesus Cristo ali permanecia horas e horas a seus pés.
     Depois de imensas dificuldades e tribulações, no dia 8 de setembro de 1890, chegou para ela a hora de Deus. Nascia na Igreja a Congregação das Irmãs Salesianas do Sagrado Coração de Jesus na qual se devia amar, servir e reparar, ver o rosto do Senhor nas meninas órfãs, nas jovens operárias, nos doentes, nos idosos abandonados e ajudá-los a levar a cruz.
     Embora toda a vida de Madre Piedade tivesse sido uma renúncia do mundo, ela não deixou o mundo, continuou nele fazendo o bem e lutando contra o mal. São testemunha disto casamentos que ela impediu que se desfizessem, jovens que ela ia buscar nas fábricas para formá-las na escola dominical, meninas sem lar que amou entranhadamente, idosos solitários, doentes...
     Viveu pobre e morreu pobre, sentada em uma cadeira, porque “Aquele – dizia indicando o Crucifixo – morreu na cruz e eu não devo morrer na cama, se não na terra”.
     Madre Piedade da Cruz expirou com o crucifixo nos lábios e na santa paz de Deus, num sábado, dia 26 de fevereiro de 1916.
     Depois de um estudo exaustivo sobre as virtudes praticadas por Madre Piedade da Cruz, em 1º de julho de 2000 elas foram reconhecidas como heroicas; e a 21 de março de 2004, Madre Piedade foi beatificada em Roma.
 
Fonte: www.vaticano.va/

Santa Juliana de Nicomédia, Virgem e mártir - 16 de fevereiro

   
    No Martirológio Jeronimiano encontramos sua memória celebrada nos dias 13 e 16 de fevereiro. Na memória do dia 13, se lê Juliana ou Juliano, o que deu origem ao mártir imaginário de Lyon do Martirológio Romano no mesmo dia. Esta fonte, no entanto, comemora mais justamente Juliana, mártir da Nicomédia, no dia 16 de fevereiro, e menciona sua trasladação em Campania, como já fora mencionado tanto no Martirológio de São Beda, o Venerável, bem como nos Martirológios de Floro e de Adonis.
     De acordo com o texto das Paixões, Juliana nasceu por volta de 285 em Nicomédia, hoje Izmit, na Turquia. Em sua família de origem era a única cristã. Seu pai, em particular, era um seguidor zeloso dos deuses pagãos. Com nove anos de idade, foi prometida em casamento ao prefeito da cidade, um pagão chamado Evilásio. De acordo com as negociações das duas famílias, o casamento seria celebrado quando Juliana completasse 18 anos. Mas, naquele dia, a jovem disse que somente aceitaria se casar se Evilásio fosse batizado.
     Irritado com as exigências da jovem, Juliana foi denunciada pelo noivo como cristã praticante e a fez comparecer diante do tribunal. Nada foi capaz de fazê-la revogar sua decisão: nem os tormentos, nem a prisão. Finalmente, ela foi condenada a ser decapitada, consumindo assim seu martírio. Isto ocorreu na época de Maximiano, no ano 305.
     Tentou-se explicar a divergência dos dias de celebração de Juliana entre o Oriente e o Ocidente propondo ver a data de 16 de fevereiro como a do dia da trasladação (talvez a segunda) das relíquias da santa mártir: estas teriam sido transferidas primeiro de Nicomédia à Pozzuoli; em seguida, no tempo da invasão dos lombardos (cerca de 568) teriam sido colocadas em segurança em Cuma, e, finalmente, em 25 de fevereiro de 1207, foram transportadas para Nápoles. Isto explica a propagação do culto desta santa em toda a região de Nápoles, bem como a sua presença no calendário marmóreo do século IX.
     Certamente seria difícil esclarecer o problema das trasladações parciais que poderiam justificar as reivindicações de muitas igrejas na Itália, Espanha, Holanda, e outros países, de possuirem relíquias de Juliana.
     A iconografia a representa junto ao diabo, que a atormenta, mas muitas vezes há representações da tortura que sofreu em vida, como ser pendurada pelos cabelos, ou atormentada com o fogo.
 
Etimologia: Juliana = do Latim, pertencente à 'gens Julia', ilustre família romana.
Fonte: santiebeati.it

Beata Clara Agolanti de Rimini, Clarissa penitente - 10 de fevereiro

      
    Clara nasceu em 1280, foi educada por seu pai, Onosdeo, no cultivo de um carácter forte, quase masculino, e intolerante a qualquer submissão. Passou sua adolescência entre cavalos e torneios, rebelde nas práticas religiosas que sua mãe Gaudiana tentava inculcar-lhe. Morta a mãe quando ela contava apenas sete anos de idade, seu pai tornou a se casar e ela ficou ainda mais independente.
     Bem jovem casou-se com o filho de sua madrasta, porém ficou viúva três anos depois, herdando uma imensa fortuna. Durante oito anos continuou se entregando a festas, justas de cavalaria, banquetes, com uma vida frívola e mundana, dando lugar a escândalos e péssimos falatórios na cidade.
     Seu pai e seu irmão morreram no mesmo dia, enquanto estavam em guerra com os Malatesta, rivais pelo domínio na zona de Rimini. Deste modo todas as riquezas da família Agolanti se concentraram nas mãos da jovem viúva. Nem mesmo esse duplo luto a tirou da vida dissipada. Foi pedida em casamento por um nobre que levava uma vida relaxada e ela aceitou com a condição de que pudesse manter o mesmo estilo de vida.
     Aos 34 anos, um fato insólito: um dia, uma força misteriosa, mas irresistível, a obriga a entrar na igreja dos Padres Conventuais, Santa Maria em Trivio, e a rezar um Pai Nosso, que tem o poder de mudar-lhe a vida. Pela primeira vez ela se sentiu perturbada e agitada. Voltou para casa, se fechou em seu quarto, onde caiu no chão num mar de lágrimas de arrependimento, e decidiu mudar de vida.
     No dia seguinte, depois de uma noite insone, foi à mesma igreja, onde fez uma confissão geral, e a partir desse momento começou uma vida de piedade, boas obras e penitência, convertendo inclusive o marido, que morreu dois anos depois de modo cristão.
     Então Clara não pôs limites às suas penitências, que se tornaram terríveis, animada de um desejo de expiação que a devorava. Com suas imensas riquezas começou a ajudar a todas as misérias materiais e morais; deu dote e apoio a todas as jovens pobres que desejavam se casar.
     Algumas mulheres de grande fervor se reuniram a ela dispostas a levar uma vida de reclusão e penitência. Clara então fundou um pequeno mosteiro chamado Santa Maria dos Anjos – mais tarde conhecido como de Santa Clara. Obteve a bênção do Bispo de Rimini, Guido Abasi, indo em seguida à Catedral para emitir os votos religiosos, de acordo com a Regra de Santa Clara de Assis.
     Viveu uma dezena de anos como superiora, intensificando os sacrifícios e a contemplação da Paixão de Cristo. O Senhor lhe concedeu o dom de graças místicas elevadíssimas, com êxtases tão profundos, que nenhuma força humana podia deter, e só se recuperava se era levada diante do Santíssimo Sacramento.
     No dia 10 de fevereiro de 1326, Clara morreu aos 46 anos, consumida pela penitência e pela contemplação, e seu corpo descansa na igreja do mosteiro.
     Seu culto “de tempo imemorial” foi confirmado pelo papa Pio VI em 1784.  Sua vida é contada em um manuscrito em italiano vulgar, tingido de formas dialetais da Romagna do final do século XV, ainda preservado em Rimini. 
     A legenda foi captada nas suas dobras mais sutis por Jacques Dalarun em um livro de uma força narrativa cativante, Santa e rebelde, que desmonta e monta tempos, espaços, eventos da jornada terrena da Beata.
 
Fonte: www.santiebeati/it

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Santa Josefina Bakhita, religiosa – 8 de fevereiro

     
     O nome Bakhit, que significa "afortunada" ou "bem-aventurada", não lhe foi dado ao nascer, mas lhe foi atribuído pelos raptores, pois ela ficara tão abalada ao ser capturada, que esqueceu seu verdadeiro nome.
     Segundo consta de sua autobiografia, ela era originária da aldeia de Olgossa (a pronúncia é “algoz” e em árabe significa “dunas de areia”), em Darfur, Sudão, país africano de predominância islâmica, e que 1869 deve ter sido o ano de seu nascimento. Crescera junto a seus pais, três irmãos e duas irmãs, uma delas gêmea sua. Seu pai possuía terras, plantações e gado, era irmão do chefe da aldeia. Era uma família muito unida.
     Não devemos nos esquecer de que, apesar de possuírem terras, gado, etc., viviam numa aldeia onde as cabanas eram de barro com telhado de palha. Todos nas aldeias estavam sujeitos ao grande perigo que eram os bandos negreiros que raptavam homens, mulheres e crianças para negociar no mercado de escravos.
     No ano de 1874 sua irmã mais velha foi raptada. A dor dilacerou o coração daquela família tão unida e feliz. Em sua biografia ela escreveu: “Lembro-me quanto chorou mamãe e quanto choramos todos”.
     No ano de 1876, com mais ou menos 7 anos de idade, foi raptada e arrancada do seio de sua família. A pequena, tomada de pavor, foi levada brutalmente por dois árabes e foram eles que lhe impuseram o nome de “Bakhita”.
     A pequena escrava, depois de um mês de prisão, foi vendida a um mercador de escravos. Na ânsia de voltar para casa, Bakhita se armou de coragem e tentou fugir. Porém, foi capturada por um pastor e revendida a outro árabe, homem feroz e cruel, que, por sua vez, revendeu-a a outro mercador de escravos. Foi vendida e comprada várias vezes nos mercados de El Obeid e de Cartum. Foi vendida a um general turco, cuja esposa era mulher terrivelmente má; desejou marcar suas escravas e Bakhita estava entre elas. Chamou então uma tatuadora. Eis como a Santa narra o fato:
     "Uma mulher habilidosa nesta arte cruel (tatuagem) veio à casa principal... nossa patroa colocou-se atrás de nós, com o chicote nas mãos. A mulher trazia uma vasilha com farinha branca, uma vasilha com sal e uma navalha. Quando terminou de desenhar com a farinha, a mulher pegou da navalha e começou a fazer cortes seguindo o padrão desenhado. O sal foi aplicado em cada ferida... Meu rosto foi poupado, mas 6 desenhos foram feitos em meus seios, e mais 60 em minha barriga e braços. Pensei que fosse morrer, principalmente quando o sal era aplicado nas feridas... foi por milagre de Deus que não morri. Ele havia me destinado para coisas melhores".
      Em 1882 Bakhita foi finalmente comprada pelo cônsul da Itália no Sudão, Calixto Legnani, que logo lhe deu carta de liberdade.
     No período de escravidão, Bakhita havia sofrido as humilhações, os sofrimentos físicos, psicológicos e morais dos escravos negros. Na casa do cônsul Legnani, Bakhita trabalhava como pessoa livre e isto lhe deu momentos de serenidade. "Desta vez fui realmente afortunada - escreve Bakhita - porque o novo patrão era um homem bom e gostava de mim. Não fui maltratada nem humilhada, algo que me parecia completamente irreal, pude inclusive sentir-me em paz e na tranquilidade”.
     Em 1884 Legnani teve que deixar Cartum, devido a chegada de tropas Mahdis, e retornar à Itália. Bakhita pediu para acompanhá-lo e foi atendida. Com eles partiu também um amigo do Consul, o Sr. Augusto Michieli.
    Chegados a Gênova, o Sr. Legnani, pressionado pelos pedidos da esposa do Sr. Michieli, concordou que Bakhita fosse morar com eles. Assim, ela foi para Zianino de Mirano, Vêneto, onde seria babá da filhinha dos Michieli, Mimina, de quem se tornou amiga.
     Apesar de serem pessoas boas e honestas, os Michieli não eram católicos praticantes. Como sempre, Deus tem seus desígnios e acabou colocando no caminho de Bakhita, o administrador dos Michieli, o Sr. Illuminato Chechini. Illuminato era um homem muito piedoso e logo se preocupou com a formação religiosa de Bakhita e, ao dar um crucifixo a ela, disse em seu coração: “Jesus, eu a confio a Ti”.
     A compra de um hotel em Suakin, no Mar Vermelho, obrigou a esposa do Sr. Michieli, a Sra. Maria Turina, a transferir-se para lá, a fim de ajudar o marido na sua administração. Bakhita e a pequena Mimina foram confiadas às Irmãs Canossianas de Veneza, graças aos conselhos do Sr. Illuminato, que agia novamente, sob a inspiração da graça, a favor da jovem. A Santa diria mais tarde que ela considerava o Sr. Illuminato como seu segundo pai.
     Com as Irmãs Canossianas Bakhita aprendeu a doutrina e conheceu o Deus dos cristãos que desde pequena “sentia no coração, sem saber quem Ele era” e que havia dado a ela forças para suportar a escravidão.
     Ainda na África, a pequena escrava costumava olhar para o céu e, ao avistar a lua e as estrelas, indagava-se: “Quem será o ‘patrão’ de todas essas coisas? E sentia uma vontade imensa de vê-Lo e prestar-lhe homenagem”. Depois de ‘patrões’ tão terríveis que a tiveram como sua propriedade, Bakhita acabou por conhecer um ‘patrão’ totalmente diferente – no dialeto veneziano que agora tinha aprendido, chamava ‘paron’ a Nosso Senhor Jesus Cristo. Até então só tinha conhecido patrões que a desprezavam e maltratavam ou, na melhor das hipóteses, a consideravam uma escrava útil. Este ‘Paron’ morrera por amor a ela e a protegia.
     Ao final de nove meses, a Sra. Maria Turina voltou à Itália para buscar sua filhinha Mimina e aquela que considerava sua escrava, pois retornariam à África. Bakhita já prestes a receber os sacramentos, recusou-se a voltar para a África, apesar do afeto que nutria pela família Michieli e principalmente pela pequena. Sentia em seu coração um desejo inexplicável de abraçar a fé e vivê-la para sempre.
     Apesar dos apelos e até ameaças da Sra. Michieli, a jovem africana não cedeu em sua resolução. Bakhita estava livre, na Itália não havia escravidão. Sua patroa retornou à África com sua filha e Bakhita prosseguiu com sua catequese, feliz, mesmo sabendo que seria a última chance de rever seus familiares na África.
     Em 9 de janeiro de 1890, foi batizada, fez a 1ª Comunhão e foi crismada pelas mãos do Patriarca de Veneza, Cardeal Agostini, recebendo o nome cristão de Josefina Margarida Bakhita. Ela mesma conta em sua biografia que estando no Instituto conheceu cada dia mais a Deus “que me trouxe até aqui desta forma estranha”. Ela descreveria este dia como o mais feliz de sua vida: sentir-se filha de Deus era-lhe uma emoção inigualável, assim como receber Jesus na Eucaristia era o Céu na Terra. Daquele dia em diante era fácil vê-la beijar a pia batismal e dizer: “Aqui me tornei filha de Deus!
     Bakhita nutria em seu coração o sublime desejo de se tornar religiosa, uma Irmã Canossiana. Em 8 de dezembro de 1896, aos 38 anos de idade, tomou o hábito e ingressou na Congregação das Filhas da Caridade Canossianas, com o nome religioso de Irmã Josefina.
     Ela sonhava com a conversão do povo africano e no dia de sua profissão religiosa rezou: “Ó Senhor, se eu pudesse voar para lá longe, entre a minha gente e proclamar a todos em voz alta a Tua bondade; ó quantas almas eu poderia conquistar para Ti! Entre os primeiros a minha mãe, o meu pai, os meus irmãos, a minha irmã ainda escrava... e todos, todos os pobres negros da África. Faze, ó Jesus, que também eles Te conheçam e Te amem!
 Por mais de 50 anos, esta humilde Filha da Caridade dedicou-se à diversas ocupações na Congregação. Transferida para a cidade de Schio, lá permaneceu por 45 anos: foi cozinheira, responsável do guarda-roupas, bordadeira, sacristã e porteira. Nesta última função, as suas mãos pousavam docemente sobre a cabecinha das crianças que frequentavam a escola do Instituto. A sua voz amável chegava prazerosa aos pequeninos, reconfortava os pobres e os doentes e encorajava a todos que vinham bater à porta do Instituto.
      A vida exemplar de Irmã Bakhita, a sua humildade, a sua simplicidade e o seu constante sorriso, suas palavras de conforto e atitudes carinhosas cativavam e conquistaram o coração de todos os habitantes de Schio (hoje a cidade tem cerca de 39 mil habitantes) que passou a ser conhecida com o apelido em dialeto vêneto de "Madre Morèta" (Mãe Moreninha).
     As Irmãs a estimavam pela sua inalterável afabilidade, pela fineza da sua bondade e pelo seu profundo desejo de tornar Jesus conhecido. “Sede bons, amai a Deus, rezai por aqueles que não O conhecem. Se soubésseis que grande graça é conhecer a Deus!,,,”
     Algo custou a ela muito trabalho: foi escrever a sua autobiografia em 1910, que foi publicada em 1930. Em 1929 as superioras mandaram-na a Veneza para contar a história de sua vida. Após a publicação de suas memórias, se tornou famosa, viajando por toda a Itália dando conferências e coletando donativos para a Congregação.    
     A saúde de Irmã Josefina foi se debilitando; em seus últimos anos teve que se utilizar de uma cadeira de rodas, o que não a impediu de continuar viajando, apesar de todos os incômodos. A quem a visitava e lhe perguntava como se sentia, respondia sorridente: “Como o Patrão quer!”    
     Quando já estava bem doente, dizia: “Vou-me devagarinho para a eternidade... Vou com duas malas: uma contém os meus pecados; a outra, bem mais pesada, contém os méritos infinitos de Jesus Cristo. Quando eu comparecer diante do Tribunal de Deus, cobrirei a minha mala feia com os méritos de Nossa Senhora. Depois abrirei a outra e apresentarei os méritos de Jesus Cristo. Direi ao Pai: ‘Agora julgai o que vedes’. Estou segura de que não serei rejeitada! Então me voltarei para São Pedro e lhe direi: ‘Pode fechar a porta porque eu fico!
     Na agonia, delirando, reviveu os terríveis anos de sua escravidão e vária vezes suplicava à enfermeira que a assistia: “Por favor, solta-me as correntes, pesam muito!” Às 20 horas do dia 8 de fevereiro de 1947, em Schio, ela entregava sua alma a Deus aos 78 anos de idade, rodeada pela comunidade em pranto e em oração. Suas últimas palavras foram: “Nossa Senhora! Nossa Senhora!” E seu último sorriso testemunhava o encontro com a Mãe de Jesus.
     Uma grande multidão foi dar o último adeus à Madre Morena. Foi velada por três dias, durante os quais, contam as pessoas, suas articulações ainda permaneciam quentes e as mães tomavam sua mão para colocá-la sobre a cabeça de seus filhos.
     Foi enterrada inicialmente na capela de uma família de Schio, os Gasparella, provavelmente na espera de um sepultamento definitivo na Igreja da Sagrada Família. E assim foi em 1969, quando o corpo incorrupto de Bakhita foi sepultado sob o altar da Igreja do mesmo convento.
     A fama de sua santidade se espalhou rapidamente e todos iam ao seu túmulo pedir sua intercessão. O processo para a causa de canonização iniciou-se doze anos após a sua morte. Em 17 de maio de 1992 foi beatificada e em 1º de outubro de 2000, foi elevada à honra dos altares pelo Papa João Paulo II, sendo que o milagre que a levou a ser reconhecida como Santa, aconteceu em Santos, São Paulo, Brasil.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Santa Adelaide, Abadessa de Vilich – 5 de fevereiro

      
     Adelaide também conhecida como Adelheid, foi abadessa de Vilich e também de Santa Maria im Kapitol em Colônia. Ela era considerada uma santa por alguns; milagres são atribuídos a ela. Ela descendia do rei alemão Henrique, o Pássaro. Seus pais fundaram o convento em Vilich, do qual ela se tornou abadessa.
Vida
     Adelaide nasceu por volta de 970, a filha mais nova de Megingoz, Conde de Geldern, e de sua esposa Gerberga de Metzgau, uma neta de Carlos o Simples, rei dos Francos. Quando criança, foi entregue ao convento de Nossa Senhora de Capitol, fundado por seus pais em Colônia, que seguia a Regra de São Jerônimo., provavelmente antes de 977, onde foi educada e se dedicou a estudos filosóficos, segundo sua Vita.
     Quando seu irmão mais velho, Godofredo, morreu em batalha em 977, seus pais começaram a financiar a construção de uma igreja em sua homenagem em Vilich (hoje parte de Bonn-Beuel), localizado na confluência dos rios Reno e Sieg, e trabalharam para estabelecer uma comunidade monástica feminina seguindo a regra das observâncias das cônegas. Como parte desse processo, eles resgataram sua filha de Santa Úrsula com um dom de terras e a estabeleceram como abadessa da recém-fundada comunidade em Vilich.
     Para determinar a posição legal de Vilich no império, seus pais apelaram ao imperador Otão III em 987 para obter uma carta que concedesse a Vilich o mesmo status legal dos conventos imperiais de Gandershein, Quedtinburg e Essen. Essa carta foi confirmada por uma bula papal do Papa Gregório VI, datada de 24 de maio de 996.
     Devido à morte de sua mãe Gerberga por volta de 995, Adelaide foi forçada a liderar o convento sozinha. Ela usou essa posição de poder para mudar a regra seguida em Vilich para a Regra de São Bento; algumas cônegas deixaram Vilich como resultado. Três anos após a morte de Gerberga, o pai de Adelaide também faleceu. Foi sepultado ao lado de sua esposa em Vilich. Adelaide herdou grande parte da riqueza da família.
     Por volta de 1000, a irmã de Adelaide, Bertrada, abadessa de Santa Maria no Capitólio, morreu. O arcebispo Heriberto de Colônia expressou o desejo de que Adelaide assumisse a responsabilidade pela abadia. Adelaide foi posteriormente chamada à corte e confirmada como abadessa de Santa Maria.
     A instituição de caridade de Adelaide tornou-se bem conhecida em Colônia. Sua reputação favorável aumentou após colheitas ruins nos anos seguintes, durante os quais Adelaide cuidou do povo de Colônia. Enquanto seu relacionamento com o arcebispo Heriberto é descrito pela Vita como de caritas, as irmãs em Vilich são retratadas como se sentindo negligenciadas devido ao tempo que Adelaide passava em Colônia.
     Em 5 de fevereiro de um ano desconhecido, Adelaide morreu de dor de garganta. Suas irmãs de Vilich não acreditaram em uma mensagem descrevendo a doença de Adelaide e chegaram depois que ela havia morrido. O arcebispo Heriberto desejava que Adelaide fosse enterrada em Colônia, mas as irmãs o convenceram a fazê-la ser enterrada em Vilich.

Fontes
     Uma das principais fontes da vida de Adelaide é a Vita Adelheidis virginis. Foi escrita por volta de 1057 por Berta com a ajuda de testemunhas contemporâneas. Parece que Berta escreveu a Vita antes de entrar no convento de Vilich. Na Vita do irmão de Berta, Wolfhelm, está documentado que Berta escreveu a Vita Adelheidis junto com outras vitae.
     Muitas informações da Vita são apoiadas por diferentes cartas, principalmente por uma carta de 944, na qual Otão restaura a propriedade de Megingoz, e por uma carta de 987 pela qual Otão III. concede à Abadia de Vilich o status de Reichsstift (convento imperial).
Veneração
     Durante seu mandato, a região ao redor de Colônia foi afetada por fomes. Por isso, ela rezou pelos mais pobres e, como resultado, surgiu uma fonte de água no distrito de Pützchen, na atual Bonn. A nascente foi transformada em um poço e tornou-se um importante destino de peregrinação para o culto a Adelaide. Essa fonte está preservada até hoje; todo ano, em setembro, há uma peregrinação em veneração à Adelaide.
     Em 1641, seu túmulo na Vilicher Stiftskirche foi aberto e estava vazio. Após essa descoberta, o número de peregrinos caiu drasticamente, mas a cada ano algumas relíquias eram e ainda são mostradas ao público.
     Além desse poço, alguns outros milagres foram registrados, que ocorreram em seu túmulo. Adelaide foi declarada Serva de Deus em 22 de novembro de 1922, e canonizada pelo Papa Paulo VI em 27 de janeiro de 1966. Seu dia de morte, 5 de fevereiro, foi confirmado como o dia oficial de sua lembrança e festa.
     Até hoje, várias igrejas e mosteiros em Bonn e Colônia, assim como várias escolas, levam seu nome. Em 8 de setembro de 2008, Adelaide foi proclamada a terceira padroeira da cidade de Bonn.
 
Fontes:
RANBECK, Calendário Beneditino (London, 1896); LECHNER, Martirológio das Ordens Beneditinas (Augsburg, 1855); STADLER, Heiligen-Lexikon (Augsburg, 1858); MOOSMUELLER, Die Legende, VII, 448. MICHAEL OTT (Enciclopédia Católica).
http://www.paulinas.org.br/
Adelaide, abadessa de Vilich - Wikipédia