segunda-feira, 13 de abril de 2026

Beata Ida de Louvain, Monja cisterciense e Beata Ida de Boulogne, Viúva, Oblata secular beneditina - 13 de abril

Neste dia a Santa Igreja comemora duas Beatas homônimas que viveram diferentes vocações, mas ambas muito admiráveis


Beata Ida de Louvain, Monja cisterciense - 13 de abril
 
     No mosteiro cisterciense de Roosendaal (Val-des-Roses), no Brabante, na atual Holanda, a Beata Ida, virgem, que sofreu muitos maus tratos do pai antes de entrar na vida religiosa e pela austeridade da sua vida imitou em seu corpo a paixão de Cristo.
(† c. 1290)
     Sabemos de Ida de Louvain o que um autor anônimo conta em sua Vida, escrita pouco tempo depois de sua morte.
     Nascida por volta de 1212, Ida pertencia a uma família de ricos comerciantes. Seu pai era um comerciante de vinhos que vivia na operosa cidade de Louvain e que, preocupado unicamente em acumular riquezas e em usufruir dos bens terrenos, ficou muito contrariado quando a filha lhe disse que tinha a intenção de se fazer monja. O pai não consentiu, o que a fez sofrer muito.
    Desde muito jovem ela manifestou repulsa por aquela nova sociedade comercial cujo aparecimento nas cidades do Norte provocava uma pobreza muito grande de uma população reduzida à mendicância. Em profundo conflito com a família, Ida se dedicava a ajudar os pobres, ao mesmo tempo em que se infligia impressionantes penitências que visavam reparar os ultrajes feitos a Nosso Senhor Jesus Cristo.
     Ela finalmente conseguiu vencer a dureza de seu pai e ingressou na abadia cisterciense de Val-des-Roses, perto de Malines. Sua biografia, composta provavelmente no final do século XIII, baseada nos testemunhos de seu confessor, revela uma mulher em odor de santidade cujo renome ultrapassou o claustro de seu mosteiro.
     Dominicanos e franciscanos reconheceram os seus méritos e não se pode deixar de perceber a influência da espiritualidade franciscana nas evocações dessa mística: a exemplo de São Francisco de Assis, Ida tinha grande familiaridade com os animais; seu corpo marcado por cinco chagas evocava seu amor imenso por Jesus sofredor.
     Antes mesmo de sua entrada no mosteiro apresentava um desejo insaciável de receber a Eucaristia.  É um dos temas desenvolvidos em sua Vida; assim como ela, outras santas daquele século dão testemunho da grande devoção pelo Santíssimo Sacramento que se desenvolveu a partir da Festa de Corpus Christi celebrada pela 1ª vez em 1246 na diocese de Liége.
     Sua biografia também apresenta numerosas analogias com a de outras cistercienses da diocese de Liège: Ida de Nivelles, Lutgarda d’Aywières, Beatriz de Nazaré ou Ida de Gorsleeuw, com as quais esta mística participa da mesma intimidade com o Menino Deus e Jesus Cristo crucificado.
     Alegrias e sofrimentos marcam seus encontros com Cristo que se faz ver, ouvir, entender. Ele se revela o Amor Encarnado que fere ao mesmo tempo em que cura. Ele oferece a ela seu Coração, lhe desvenda sua beleza, celebra uma Missa solene para ela.
     Transportada ao coro dos Serafins, ela vislumbra o mistério da Santíssima Trindade. Seu biógrafo revela que ela traduziu os textos da liturgia para a língua vernácula sob a orientação do Espírito Santo.
     Além de jejuns, distribuição alimento aos pobres, participação nos sofrimentos de Nosso Senhor, Ida se dedicou à oração, à contemplação e aos trabalhos manuais, entre os quais preferia a transcrição dos livros, mas não recusava jamais as incumbências mais humildes; estava sempre disponível no serviço de suas irmãs de hábito.
     Os fenômenos místicos, os seus êxtases frequentes e muitos prodígios lhe foram atribuídos e numerosas conversões.
     Ida faleceu no dia 13 de abril em um ano por volta de 1290.
     Considerada beata no século XVII tanto pelos hagiógrafos cistercienses como pelos Bolandistas, Ida faz parte destas figuras tratadas abundantemente pelos especialistas da mística da Idade Média.
 
Fontes: «Vita de venerabili Ida Lovaniensi. Ordinis Cisterciensis...», Bibliothèque nationale de Vienne, Series nova 12707, f°167r°-197r°.; «Vita de venerabili Ida Lovaniensi. Ordinis Cisterciensis...», éd. Daniel Papebroch, Acta sanctorum, Avril, t.II, 1866, p.156-198.
Beata Ida di Lovanio (santiebeati.it)
 
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Beata Ida de Boulogne, Viúva, Oblata secular beneditina - 13 de abril
 
     Ida nasceu em Boulogne, em 1040. Era filha de Godofredo, duque da Baixa Lotaríngia, e aos 17 anos desposou Eustáquio II, conde de Boulogne. Ida foi mãe de Eustáquio III, de Godofredo de Bouillon e de Balduino I, reis de Jerusalém.
     Suas imensas possessões se estendiam desde Luxemburgo até o Atlântico, passando por Ardenne e Pas de Calais.
     Muito devota, sua ocupação favorita era confeccionar belos ornamentos litúrgicos. Rezava com tanto fervor, que o Cronista Guilherme de Tiro atribuía boa parte do êxito da 1ª Cruzada às suas orações.
     Grande benfeitora das igrejas e dos pobres, após a morte de seu marido fundou vários mosteiros: Saint-Wulmer em Boulogne para os Cônegos Agostinianos, Saint-Michel-du-Wast para os monges de Cluny. Ela fez doações consideráveis ​​para a Abadia Saint-Bertin, Bouillon e Afflighem, favoreceu a reforma de Cluny sob a influência de Santo Anselmo de Canterbury, seu diretor espiritual, o qual manteve com ela uma correspondência epistolar que chegou até nós. Este particular destaca o papel que o santo arcebispo teve na reforma monástica na região de Flandres.
     Ida não tomou o hábito beneditino, como se acreditava (Holweck, p. 500), mas obteve de Santo Ugo a ligação espiritual com Cluny, de modo a ser considerada oblata da Ordem Beneditina.
     Ela morreu no dia 13 de abril de 1113 e foi enterrada na igreja de Wast (notamos que muitas informações biográficas erroneamente mencionam Saint-Waast, em vez de Wast). Em 1669 seus restos mortais foram transferidos para os beneditinos de SSmo. Sacramento em Paris, que levaram com eles quando, em 1808, se estabeleceram em Bayeux, onde eles ainda são mantidos (uma relíquia, no entanto, foi deixada em Wast).
                                                                       
A beata se despede de seu
filho que vai para a
Cruzada 
       A festa de Ida que era celebrada na antiga diocese de Boulogne, mais tarde foi autorizada para as dioceses de Arras e Bayeux, quando adotaram o rito romano. A comemoração da santa é encontrada em muitos calendários medievais a 13 de abril.
     Para a santa mãe do grande cruzado Godofredo de Bouillon não se tem uma representação iconográfica bem caracterizada e poucas são as imagens dela. Entre estas, muito tardia, vale a pena notar a escultura em madeira do artista do século XVIII Georg Ueblherr na igreja austríaca de Engelszell, que a representa em adoração do crucifixo.
     Ela é patrona das viúvas. 
     Ida teve dois filhos e um genro que deixaram marca na História. Seus filhos Godofredo de Bouillon e Balduino I tomaram parte na gloriosa primeira cruzada e foram os primeiros soberanos francos do reino de Jerusalém.
     Seu genro foi Henrique IV, imperador da Alemanha, cujo nome ficou ligado a “questão das Investiduras”. Quando foi derrotado, teve que implorar perdão ao Papa Gregório VII, porém mais tarde, retomou as hostilidades, se apoderou de Roma e mandou o Papa para o exílio, onde morreu.
 
Fonte: http://www.santiebeati.it/

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Santa Cacilda, a virgem moura convertida ao Catolicismo († c.1007) - 9 de abril

    
     'Casida' 
em árabe significa 'cantar' ou 'poesia'. O nome desta Santa já soa como uma delicada e encantadora música que ecoaria no tempo
     O Santuário de Santa Cacilda, coração religioso de Briviesca, fica apenas a 9 km da cidade, numa colina que domina o vale. No edifício do século XVI descansam, desde 1750, as relíquias da Santa, padroeira da cidade, "a virgem moura que veio de Toledo".
     Briviesca é a capital da comarca de Bureba, a noroeste da província de Burgos, e deve seu nome ao posto romano Virovesca. Com cerca de seis mil habitantes, esta cidade fica a 40 km de Burgos.
     No começo do século VIII, os seguidores de Maomé (*) invadiram a Espanha e conquistaram quase todo o país. Os cristãos começaram uma luta terrível que duraria séculos até que se libertassem dos invasores. Toledo era então a capital religiosa da Espanha islâmica, que os árabes haviam conquistado em 711, e que ficaria nas mãos dos muçulmanos até 1085.
     É dentro deste contexto que viveu Cacilda. Há muitas divergências nos relatos da vida desta Santa: segundo alguns era filha do emir de Toledo al-Mamun ou al-Macrin; segundo outros, era filha do governador de Cuenca, Bem Cannon. O relato mais fidedigno, na opinião dos Bolandistas, é o que se encontra no Breviário de Burgos.
     Com apenas 17 anos, Cacilda era uma das mais discretas e sábias princesas de seu tempo. Foi educada pelos homens mais doutos e logo começou a expor suas dúvidas religiosas, sentindo desejo de conhecer os princípios fundamentais do Cristianismo.                              
     Cacilda não ocultava as manifestações de solicitude para com os cristãos que gemiam nas masmorras de seu pai. Ela deve ter sido instruída na fé cristã pelos cativos que ela socorria, que retribuíam com dons espirituais os bens materiais que dela recebiam. A semente caiu em terra boa: a bondade imensa de Deus fez com que uma árvore estéril produzisse um ramo que deu frutos excelentes.
     A graça de Deus ia trabalhando e ia inclinando Cacilda cada vez mais à religião cristã. Mas, parecia improvável que a princesa moura, sujeita por tantos laços ao Islã, viesse a receber o Batismo e fazer pública profissão da fé verdadeira.
     Entrementes, uma doença secreta ia minando pouco a pouco a sua juventude. Os rudimentares recursos dos médicos do palácio se mostraram impotentes para curar o mal.
     Certo dia, os cristãos cativos falam-lhe de uma fonte existente nas terras castelhanas, cujas águas operavam milagres. Era a Fonte de São Vicente, de Briviesca. A tradição também se refere a uma revelação em que a Virgem Maria transmite à jovem princesa a esperança da cura nas águas de São Vicente. Era o caminho que a Providência dispunha para conduzir Cacilda para as águas regeneradoras do Batismo.
     Ela obteve a permissão do pai para realizar a viagem e, acompanhada de um séquito, iniciou sua peregrinação a Burgos. Chegada à fonte, banhou-se nas águas do poço de São Vicente e com a saúde do corpo alcançou a da alma. Poucos dias depois de sua chegada recebeu solenemente o santo Batismo na capital de Castela.
     Voltou ao lugar onde recebera a saúde perdida e resolvida a consagrar sua virgindade a Nosso Senhor Jesus Cristo, decidiu passar o resto de sua vida na solidão, entregue à oração e à penitência, em uma ermida que mandou erguer junto ao poço milagroso.
     Ali viveu por longos anos com admirável firmeza e constância. Morreu com avançada idade e foi sepultada na ermida que abrigara sua existência casta e fervorosa. Logo seu sepulcro se converteu em local de peregrinação de incontáveis devotos.
     Os seus admiradores narram maravilhas sobre ela, mas o grande milagre de Santa Cacilda é ela mesma.
     Criada em meio às magnificências reais, foi viver em uma ermida que mal a protegia contra os rigores do inverno e do verão; seus pés delicados, que pisaram preciosos tapetes e almofadas de seda, palmilham descalços os ásperos caminhos castelhanos; sua alimentação e suas roupas se reduzem ao indispensável para subsistir. E, acima de todas as austeridades físicas, há uma que deve ter sido a maior das provações: a solidão.
     Sendo naturalmente inclinada ao bem do próximo, deve ter sentido muito a privação do convívio humano, e de ver tolhida a expansão de sua caridade, feita de ternura e compaixão. Logo, porém, sua ação se fez sentir aonde sua presença física jamais teria podido chegar.
     Conta-se que, enquanto a Santa ali viveu, homens e gado podiam andar com segurança pelas perigosas ladeiras dos montes Obarenes. Nunca houve acidentes com os pastores, peregrinos ou viajantes que se embrenhavam por aquelas solidões inóspitas. A presença da Santa, ainda que invisível e distante, os protegia.
     O corpo de Santa Cacilda repousou em sua sepultura até 1529, quando suas relíquias foram transladadas para o santuário edificado sobre seu túmulo. Em 1601, parte dos venerandos despojos foi levada para a Catedral de Burgos; algumas relíquias suas também são veneradas na Catedral de Toledo.
     Santa Cacilda é invocada nos casos de fluxo de sangue, de quedas e acidentes de todo tipo. É padroeira de Briviesca e da comarca de Burgos. Sua festa litúrgica é celebrada em 9 de abril.
     Famosos artistas como Murillo, Zurbarán, Bayeu e Subias a retrataram com roupas suntuosas de suas épocas. Nos últimos dias de junho multidões de devotos visitam o seu santuário de Briviesca, apregoando a eficaz intercessão da santa princesa moura que deixou naquelas terras áridas o exemplo cativante de sua vida contemplativa e penitente.
 


 (*) Maomé nasceu cerca do ano de 570 em Meca, cidade da Arábia. Seu pai era pagão e sua mãe judia. Aos 40 anos declarou-se profeta e fundou o islamismo. Sua doutrina está contida no livro chamado Corão. Sua divisa 'Crê ou Morre' levou seus discípulos a espalhar pelas armas as doutrinas do fundador.
Fontes:
@abrhagi, @santoralvirtual.osantododia
Casilda de Toledo - Wikipédia

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Santa Gala de Roma, Viúva, Matrona - 6 de abril

 A Mulher que Transformou a Dor em Santidade
 

     Transcorria o período de violências que causou a decadência do Império Romano do Ocidente (476). Quinto Aurélio Símaco, patrício romano, ao ser eleito Prefeito de Roma, em 476, membro do senado, um inteligente e virtuoso patrício de Roma, que por muitos anos foi conselheiro do Rei Teodorico, tentou manter boas relações com os soberanos Bárbaros. Tornou-se Cônsul, em 485, e, depois, também chefe do Senado, até à ruptura definitiva com Teodorico, que o condenou à morte em Ravena (525) sob infundadas suspeitas de traição.
     Quinto Aurélio tinha uma filha, Gala, casada com um nobre romano, de nome desconhecido. Tendo enviuvado um ano depois, embora fosse estimulada pelos parentes a contrair novas núpcias, preferiu se consagrar a Deus, inicialmente no exercício das obras de misericórdia e depois se retirando em um mosteiro por ela fundado nas proximidades da basílica vaticana de São Pedro.
     Sendo rica, decidiu se retirar para o Monte do Vaticano e fundou um hospital e o convento no qual passou a viver. Gala permaneceu no convento pelo resto da vida, cuidando dos doentes e pobres, antes de morrer em 550. Diz-se que Gala curou uma garota surda e muda, abençoando um pouco de água e dando-a para a menina beber.
     Ali viveu, afirma São Gregório Magno, muitos anos “na simplicidade do coração, dedicada à oração, distribuindo grandes esmolas aos pobres”. A decisão da jovem suscitou uma salutar impressão em Roma e se difundiu largamente.
     Da Sardenha, onde se encontrava em exílio pela segunda vez, São Fulgêncio de Ruspe (que tinha tido ocasião de conhecer a família da santa em Roma) lhe enviou uma belíssima carta, quase um pequeno tratado em 21 capítulos ("De statu viduarum”), no qual a confirma na decisão tomada e lhe dá conselhos ascéticos.
     Antes de morrer a santa teve uma visão do apóstolo São Pedro, convidando-a ao céu. São Gregório se refere a esta visão em seus Diálogos, no livro IV, que tem por meta demonstrar a imortalidade da alma por meio de aparições ou visões ocorridas com almas eleitas.
     Segundo a tradição, a Virgem teria aparecido à santa enquanto esta executava uma de suas obras de caridade. A milagrosa aparição é recordada em uma apreciada pintura do século XI na igreja de Santa Maria em Portico in Campitelli.
     A festa comemorativa de tal aparição, por concessão da Congregação dos Ritos, se celebra em Roma no dia 17 de julho, enquanto Santa Gala é comemorada no Martirológio Romano no dia 6 de abril.
     Segundo a tradição, em 524, no pórtico da casa de Santa Gala, um ícone da Mãe de Deus apareceu na despensa onde a santa guardava os alimentos para os pobres. Um oratório, Santa Maria in Pórtico, foi construído no local para abrigar o ícone, que dizia-se ser levado em procissões desde 590 para evitar a peste. O Hospício de Sta. Gala, um abrigo noturno para indigentes, foi estabelecido ao lado pelo Papa Celestino III. Quando o ícone foi transferido para a recém-construída Santa Maria in Campitelli, Santa Maria in Pórtico passou a ser chamada Santa Galla Antiqua em homenagem à sua fundadora.
     Por volta da metade do século XVII, surgiu em Roma, por obra de M. A. Anastásio Odescalchi, primo do Beato Inocêncio XI, e com a aprovação deste Papa, um hospital dedicado à santa, no qual São João B. de Rossi desenvolveu durante muitos anos suas atividades e reagrupou em especial associações e sacerdotes dedicados a obras de apostolado entre as classes mais humildes. Em 1940, uma igreja paroquial foi dedicada à santa em Roma.
 Legado:
     A biografia de Gala consta nos Diálogos de São Gregório Magno Acredita-se também que Gala tenha sido a inspiração para a carta de São Fulgencio de Ruspe, intitulada "De statu viduarum".
     A nova igreja dedicada a Gala, localizada no bairro de Ostiense, foi consagrada em 1940. Gala é um dos 140 santos cujas imagens adornam a colunata da Praça de São Pedro.
 
Etimologia: 
     Gala é um nome de origem latina derivado de Gallus/Galla, gentílico para referir-se aos naturais da Gália, que seria a atual França. Este nome já fora usado como nome próprio na época romana. Foi, por exemplo, o nome de uma imperatriz romana, Gala Placídia, filha de Teodósio o Grande. Seu uso se estendeu na época cristã, quando alguns santos e santas tinham este nome, como São Galo, Bispo de Clermont, ou Santa Gala, viúva, século VI, objeto desta publicação.
 

Hospício e igreja de Sta. Gala
 
Fontes:
S. Gala, viúva romana - Informações sobre o Santo do dia - Vatican News
Santa Gala, viúva romana - Arquidiocese de São Paulo

quinta-feira, 19 de março de 2026

Grandes Santas devotas de São José

 

    A grande Madalena dos últimos tempos, Santa Margarida de Cortona, atribuía a sua conversão maravilhosa à proteção de São José. Cada dia lhe prestava uma homenagem. Jesus lhe disse numa aparição: “Filha, se desejas fazer-me algo agradável, rogo-te não deixeis passar um dia sem render algum tributo de louvor e de bênção ao meu Pai adotivo São José, porque me é caríssimo”. Abrasada em zelo, a santa nunca deixou de invocar ao santo Patriarca até a morte.
 


     Santa Joana de Chantal, a mais fiel discípula e herdeira das virtudes do Santo Doutor, São Francisco de Sales, herdou-lhe também a devoção ao santo Patriarca. Trazia sempre consigo uma pequena imagem do santo. Aconselhava às Superioras da Visitação que todas as suas filhas trouxessem consigo uma estampa de Jesus, Maria e José.


 
     Testemunho de Santa Teresa de Ávila (†1582), doutora da Igreja, devotíssima de São José. No “Livro da Vida”, sua autobiografia, ela escreveu:
     “Assim, tomei por advogado e senhor o glorioso São José, encomendando-me muito a ele. Vi com clareza que esse pai e senhor meu me salvou, fazendo mais do que eu podia pedir, tanto dessa necessidade como de outras maiores, referentes à honra e à perda da alma. Não me lembro até hoje de ter-lhe suplicado algo que ele não tenha feito. Espantam-me muito os muitos favores que Deus me concedeu através desse bem-aventurado Santo, e os perigos, tanto do corpo como da alma, de que me livrou. Se a outros santos o Senhor parece ter concedido a graça de socorrer numa dada necessidade, a esse Santo glorioso, a minha experiência mostra que Deus permite socorrer em todas, querendo dar a entender, que São José, por ter-Lhe sido submisso na terra, na qualidade de pai adotivo, tem no céu todos os seus pedidos atendidos.
     Por experiência, o mesmo viram outras pessoas a quem eu aconselhava encomendar-se a ele. A todos quisera persuadir que fossem devotos desse glorioso santo, pela experiência que tenho de quantos bens alcança de Deus... De alguns anos para cá, no dia de sua festa, sempre lhe peço algum favor especial. Nunca deixei de ser atendida”.   
     No Livro da Vida, sua autobiografia, encontram-se diversas passagens em que a santa fala de seu amor por São José e das muitas ocasiões em que a ele recorreu, jamais deixando de ser atendida. Num episódio relatado no capítulo trinta e três, escreve: “Numa ocasião, estando numa necessidade que não sabia resolver, nem tendo com que pagar os operários, apareceu-me São José, meu verdadeiro pai e senhor, e deu-me a entender que recursos não me faltariam e que eu devia contratá-los. Eu o fiz, sem dispor de um centavo, e o Senhor, por caminhos que espantavam aos que o viam, me forneceu os recursos” (p. 227).
     “Quisera subir à mais alta montanha para gritar a todos: ‘Ide a São José! Jamais recorri a ele em vão’”.
     “Quem não achar mestre que lhe ensine a orar, tome São José por mestre, e não errará o caminho”.
     Quando foi da canonização de Santa Teresa de Ávila, a grande apostola da devoção a São José e que ao seu nome consagrara 11 dos 18 mosteiros que fundara em vida, algumas das suas filhas, desejosas de glorificar a sua fundadora, quiseram mudar em alguns mosteiros o nome de São José pelo de Santa Teresa. Esta, aparecendo em Ávila à Madre Isabel de S. Domingos, deu-lhe esta ordem: “Minha filha, dirá ao padre provincial que tire o nome aos conventos e lhes restitua o de São José que já tinham”.
     Nas adversidades da vida de Santa Teresa o seu auxílio era São José. Santa Teresa conta no seu livro da vida:
     “Tendo vinte e dois anos de idade e encontrando-me tão jovem ainda atacada de paralisia, vendo o meu triste estado resolvi dirigir-me ao céu. Tomei, então, por meu advogado e protetor o glorioso São José, que me concedeu o seu socorro da forma mais visível. Este bem-amado pai da minha alma apresentou-se a livrar-me das angústias e enfermidades que vitimaram o meu corpo e livrou-me mais tarde de perigos de um outro género e mais graves, pois que me ameaçaram de me perder eternamente. Não me recordo que ele jamais me tenha recusado alguma coisa e até me tem dado sempre aquilo que eu sequer sabia desejar.
     São José fez resplandecer em mim o seu poder e bondade. Graças a ele recobrei as minhas forças, levantei-me, caminhei e fiquei livre da minha paralisia. É algo maravilhoso enumerar a quantidade de graças de toda ordem, com que o Senhor me tem cumulado, e os perigos, tanto do corpo como da alma, de que me tem livrado pelos merecimentos do meu bem-amado patrono”.
 
[Teresa de Jesus. Obras Completas. Texto estabelecido por Fr. Tomas Alvarez, O.C.D. Direção Pe. Gabriel C. Galache, SJ. Tradução de Adail Ubirajara Sobral e outros. – São Paulo: Edições Carmelitanas: Edições Loyola, 1995, Livro da Vida, p. 49.]
 
São José, Santa Teresinha e Santa Zélia Guerin

    
A devoção ao Santo Esposo de Maria Santíssima era tradicional na família de Santa Teresa do Menino Jesus. Na “História de uma alma”, Santa Teresinha escreveu: “Desde a mais tenra idade que em minha alma se confundiam o amor de São José com o da Santíssima Virgem”.
     Em suas poesias, ao falar da Santa Família de Nazaré, recorda a humildade, o amor e dedicação de São José! Santa Zélia Guerin, a piedosa mãe, devotíssima do Santo Patriarca, a Ele confiava todos os negócios e sofrimentos.
     Deu aos filhos, os dois meninos que teve, o nome de São José: José Luís e José João Batista. Ambos morreram em tenra idade. A esperança de um filho missionário se desvaneceu. Todavia continuaram os esposos a rezar, e Nosso Senhor lhes deu mais que um simples missionário: a Padroeira de todos os missionários!
     Aos 2 de Janeiro de 1873 nasceu em Alençon, Teresinha. Pouco depois do batismo, a menina definha e parece seguir o caminho dos irmãozinhos já partidos para o céu. O médico aconselha a procurar uma boa e sadia ama de leite, como última tentativa. Esta, ao chegar, encontra a criança em estado lastimável e abana a cabeça: Pobrezinha! É tarde demais! Já não há mais recurso...
     A pequena, lívida, com sinais de agonia. Zélia subiu ao segundo andar e retirou-se ao quarto. Não lhe sobravam forças para assistir a agonia de mais uma filha, e em tão pouco tempo! Todavia, ao contemplar a imagem de São José, seu protetor de todas as horas, caiu de joelhos e exclamou, cheia de confiança: “Meu querido São José, eu não me dou por vencida! Sois o padroeiro das causas desesperadas, valei-me!
     Desce. Alegria, inesperada: a criança toma o peito da ama. A felicidade foi momentânea, entretanto. São José queria experimentar a confiança da sua devota. Teresinha, após este sinal de vida, cai desfalecida novamente. Nem um sopro de vida. Zélia, banhada em lágrimas, suspirou resignada: “Seja feita a vossa vontade, meu Deus! Meu São José, eu vos agradeço a morte suave que permitistes ao meu anjinho!
     De súbito, com geral estupefação, Teresinha abre os olhos, reanima-se e sorri para a mãe. A agonizante de poucos minutos estava salva! São José fez o milagre. Naquele mesmo dia a pequenina se amamentava e a levaram à casa da ama a poucos quilômetros de Alençon.
     São José salvara a vida da maior santa dos últimos tempos, no expressivo e profético dizer de São Pio X.
 
Fonte: “Glória e poder de São José” – Mons. Ascânio Brandão – Editora Ave Maria Ltda.
http://www.aascj.org.br/home/2015/10/eles-recomendam-essa-devocao-conheca-os-santos-que-foram-devotos-de-sao-jose/
http://www.saojoseemnatal.com.br/oqueossantosdizemsobresaojose.php
 

quarta-feira, 18 de março de 2026

Beata Maria Repetto, “a monja santa” e a sua devoção a São José

 
   
Maria Madalena Peregrina Repetto nasceu em Voltaggio, na província de Alexandria, diocese de Gênova, em 31 de outubro de 1809. Era a filha mais velha do notário João Batista Repetto e de Teresa Gazzale, que tinham dez filhos. Ela foi batizada no mesmo dia com o nome da Santíssima Virgem. Como a mais velha, logo teve que ajudar sua mãe no cuidado dos irmãos e nas tarefas domésticas. Era uma família profundamente religiosa de modo que quatro irmãs e um irmão consagraram-se a Nosso Senhor.
     O dia da Primeira Comunhão, que ela fez quando tinha dez anos, imprimiu em seu coração o desejo de viver o resto de sua vida em união com Jesus. Maria freqüentou a escola por alguns anos, mantendo vivo o interesse pela leitura, especialmente hagiografias. É muito provável que ela aprendeu com seu pai, que tinha uma certa cultura, enquanto sua mãe lhe ensinou a bordar. A serenidade da família foi perturbada quando Maria tinha treze anos, devido à morte prematura de dois irmãos.
     A condição social dos Repetto era certamente melhor do que da maioria dos habitantes de Voltaggio uma região essencialmente agrícola. Dirigidas por sua mãe, Maria, e sua irmã Josefina visitavam as famílias mais necessitadas da região, fazendo pequenas doações ou trabalhos domésticos. Às vezes elas levavam para casa roupas para lavar ou consertar (um compromisso não leve para duas meninas). A fé realmente iluminava cada passo seu, e ela amadurecia lentamente no coração o desejo da consagração religiosa. Aos 20 anos, quando sua cooperação em casa podia ser dispensada, Maria comunicou seu desejo aos pais.
     Em 7 de maio de 1829, Maria entrou no Conservatório de Nossa Senhora do Refúgio no Monte Calvário, de Gênova. Este Instituto havia sido fundado em Gênova dois séculos antes por Santa Virginia Bracelli Centurione. Estas religiosas são chamadas de "Brignoline" do nome do nobre Emanuel Brignole, que lhes deu o local da primeira Casa Mãe.
     O dote que seu pai lhe deu foi suficiente para mantê-la por toda vida, além de uma soma que, com a permissão da superiora, ela poderia dar para instituições de caridade. Devido suas habilidades e sua instrução foi admitida como religiosa do coro e não como uma auxiliar. Ela pode viver a sua vocação na obscuridade total. No dia da Assunção do ano 1831 fez os votos privados de pobreza, castidade e obediência.
     De caráter simples e alegre, sua calma era edificante. Na oficina de bordado passava seus dias trabalhando e rezando. A oficina garantia importante renda para a casa e para Irmã Maria significava imitar seu patrono e mestre de vida São José, que com o trabalho de carpinteiro provia a subsistência da Sagrada Família. Maria tinha uma confiança ilimitada em São José.
     Em 1835, uma epidemia de cólera eclodiu em Gênova: o desejo de servir a Cristo no doente que sofria fez Irmã Maria vencer sua própria reserva. Com outras Irmãs ela dedicou-se com abnegação e amor. Seu compromisso foi tão grande que começaram a chamá-la de "monja santa". E pensar que por sua pequena estatura e sua humildade era muito difícil ser notada. Cessada a emergência, voltou para a oficina.
     Vinte anos mais tarde, outra epidemia de cólera atingiu a cidade (foi o verão de 1854) e Irmã Maria de novo deu tudo de si mesma como voluntária. As pessoas agora a consideravam uma criatura eleita. Posteriormente, por causa do enfraquecimento da vista, foi-lhe dado o trabalho de porteira. Uma tarefa aparentemente simples, mas fundamental para uma comunidade, uma vez que representa o principal contato com o exterior.
     Eram muitos os que batiam na porta do convento para mendigar ou para receber uma palavra de conforto e Irmã Maria era atenciosa e carinhosa com as necessidades de todos; para cada um tinha uma palavra. Foi nesta missão que se tornou proverbial sua devoção a São José. Ela recomendava a ele todos os doentes. No corredor, ao lado da recepção, havia uma imagem do santo e ela, quando eles pediam graças especiais, se apressava em ir pedir-lhe e implorar.
     Alguns episódios de sua vida são autênticos "fioretti". O grau de oração era muito intenso, gostava de meditar todos os dias as Estações da Via Sacra. Sua serenidade e seu sorriso encantavam; também tinha uma grande sensibilidade pelas vocações. Um dia Irmã Emanuela perguntou-lhe quando a reverenciada fundadora, Virginia Centurione, seria elevada a honra dos altares. Irmã Maria candidamente respondeu que isto iria ocorrer precedida porém por sua "filha". Ela não sabia que aludia a si mesma: Santa Virginia foi beatificada quatro anos após a Irmã Maria (mais tarde também foi canonizada).
     Em 1868 a comunidade teve que deixar o convento para dar lugar à construção da nova estação ferroviária de Brignole. A nova casa foi construída em Marassi e aqui Irmã Maria foi novamente nomeada porteira. Naqueles anos, em Gênova outro homem de Deus ajudava os necessitados: o capuchinho São Francisco Maria de Camporosso (1804-1866). Os dois nunca se encontraram, mas estavam "misteriosamente" em contato por meio de seus assistidos.
     Maria viveu toda sua vida em uma pobreza tal, que ela preferia usar as roupas usadas das Irmãs, que acomodava à suas medidas diminutas. No entanto, muito dinheiro passou por suas mãos: recebia dos ricos e com alegria dava aos pobres.
     Aos seus oitenta anos ela ingressou na enfermaria. Expirou serenamente no dia 5 de janeiro de 1890 tendo nos lábios as palavras "Regina Coeli Laetare, aleluia". Grande era sua fama de santidade, as irmãs mantiveram viva a sua memória, continuando em seu nome uma intensa atividade caritativa. Maria Repetto foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 4 de outubro de 1981. Suas relíquias são veneradas na igreja da Casa Mãe de Gênova.
      A Beata é festejada no dia 5 de janeiro.
A devoção a São José
     Conta-se que um dia uma mulher chegou ao convento para pedir orações por seu marido cego. A Irmã Maria aconselhou-a a rezar a São José. Quando a mulher se foi, Irmã Maria virou-se em direção ao quadro do Santo que tinha na portaria e lhe disse: “São José, o senhor faz ideia como é triste uma pessoa viver na escuridão?” A mulher voltou ao convento e lhe disse que seu marido havia recuperado a visão repentinamente. A Beata girou o quadro de São José e viu um bilhete que dizia: “São José agradece-lhe por isso".
 
Fonte: www;santiebeati.it

segunda-feira, 16 de março de 2026

Santa Lucrécia de Córdoba, Virgem e mártir - 15 de março

     
     Santa Lucrécia viveu em Córdoba quando esta era uma cidade moura e a conversão de um seguidor do Islã significava pena de morte. Os pais de Lucrécia eram ricos e influentes maometanos. Lucrécia fora convertida por uma parenta de nome Liliosa e fora batizada.
     Vivia também em Córdoba Santo Eulógio, varão famoso por sua sabedoria, sua cultura cientifica e teológica, seus dotes de prudência, e, quando era preciso, seu arrojo e valentia. Eulógio talvez seja a vítima mais célebre da invasão da Espanha pelos árabes vindos da África ao longo dos séculos VIII ao XIII.
     A ideia de um Deus que se entregara à morte por amor, com um amor de benevolência, quer dizer, amor de gratuidade absoluta, fascinava Lucrécia. Querendo instruir-se ainda mais no cristianismo, foi à procura do Santo.
     Santo Eulógio se encarregou de sua educação cristã com todo carinho. Sabia ao que se expunha com este trabalho de catequista. Porém nunca teve medo. Estava consciente de que os pais de Lucrécia se oporiam a que ela deixasse a religião muçulmana.
     Não tardou que os pais de Lucrécia percebessem seus novos hábitos e ela viu que não podia viver com eles, porque tornavam sua vida impossível; mudou-se então para a casa de Santo Eulógio, que a recebeu com grande caridade. Como ele tinha muitas ocupações pastorais, entregou-a aos cuidados de sua irmã Anilona.
     Os pais de Lucrécia procuraram pela filha, cujo desaparecimento já haviam denunciado aos juízes. Em consequência, houve um grande alarido, seguido de prisão e interrogatório de todos os cristãos suspeitos de terem ligação com ela.
     Lucrécia foi passando de uma família cristã para outra, enquanto Santo Eulógio visitava-a de tempos em tempos a fim de instruí-la melhor e fortalecê-la para o desenlace que a aguardava. Lucrécia empregava seu tempo em orações, jejuns e penitência.
     Um dia, enfim, Lucrécia decidiu fazer uma visita a Eulógio e a sua irmã; recebida com grande afeto, passou com eles a noite, pensando retornar ao seu esconderijo antes que se fizesse dia. Mas devido ao atraso da pessoa que a devia acompanhar, teve que esperar algumas horas. Enquanto isso, alguém denunciou aos juízes a presença de Lucrécia na casa de Eulógio. A habitação foi logo cercada pelos soldados que levaram todos os moradores diante do juiz.
     Perguntado por que escondera Lucrécia, Santo Eulógio respondeu: “Recebi a missão de pregar, e para mim é um dever sagrado ajudar os que buscam a luz da fé. A ninguém que procure, recuso-me a mostrar o caminho da vida. O que fiz por ela, teria feito por ti, se me tivesses pedido”. Eulógio foi condenado, açoitado e morto.
     Quanto a Lucrécia, o juiz procurou convencê-la de todos os modos a apostatar da fé católica. Como ela se negasse a abjurar do catolicismo, quatro dias após a morte do Santo, dia 15 de março de 859, açoitaram-na, decapitaram-na e a lançaram no Rio Guadalquivir.
     Os despojos de Lucrécia lançados no Guadalquivir milagrosamente permaneceram flutuando e os católicos puderam recolhê-los e sepultá-los na Basílica de São Genésio, na mesma cidade de Córdoba, ali permanecendo até 883.
     Em 884 quando o rei Afonso III fez um pacto de trégua com o rei Mahomad de Córdoba, pediu a ele que deixasse sair da cidade os santos despojos de Eulógio e Lucrécia. Os moradores de Córdoba os entregaram com muita tristeza, porém sabiam que entre cristãos suas relíquias não correriam perigo e que seriam veneradas com mais decência. Foram então levados para Oviedo, e solenemente recebidos pelo rei e pelo Bispo Ermenegildo com seu clero.
     Os despojos em ataúdes de cipreste foram colocados sob o altar da capela de Santa Leocádia, no dia 9 de janeiro de 884, data em que se celebrava esta transladação na Igreja de Oviedo. E esta transladação é a que foi passada ao missal moçárabe. É preciso dizer que junto aos ossos ia outra relíquia: o “Elogio de los Mártires de Córdoba” escrito por Santo Eulógio e que seria impresso pela primeira vez por Ambrósio de Morales no século XVI.
     Finalmente, em 1300, após um milagre atribuído aos dois santos, suas relíquias foram de novo transferidas e colocadas em uma rica urna de prata. D. Hernando Álvarez, bispo de Oviedo, autorizou a transladação dos corpos na nova urna à Câmara Santa, para venerá-las adequadamente.
      Algumas relíquias insignes de Santo Eulógio e de Santa Lucrécia retornaram a Córdoba e foram colocadas na Igreja de São Rafael, patrono da cidade, em 11 de abril de 1737.
     Na Acta Sanctorum, março, vol. II, consta um breve relato sobre Santa Lucrécia.
 
Fontes:
-"Año Cristiano de España". D. JOAQUÍN LORENZO VILLANUEVA. Madrid, 1792.
- "Nuevo Año Cristiano". Tomo 3. Editorial Edibesa, 2001.
https://www.religionenlibertad.com/

quinta-feira, 12 de março de 2026

Santa Maria Eugênia de Jesus, Fundadora - 10 de março

 
     Ana Eugênia Milleret de Brou nasceu em Metz no dia 25 de agosto de 1817; sua infância transcorreu entre a casa natal dos Milleret de Brou e a vasta propriedade de Preisch, na fronteira entre Luxemburgo, Alemanha e França. De uma família incrédula cujo pai, voltairiano, era um alto funcionário e a mãe, uma excelente educadora que só praticava um formalismo religioso, Ana Eugênia teve um verdadeiro encontro místico com Jesus Cristo no dia de sua Primeira Comunhão, no Natal de 1829: “Nunca o esqueci”.
     Aos 13 anos uma grave doença obrigou Ana a interromper os estudos, que teve que prosseguir sozinha. As provas de Ana continuaram em 1830: durante a revolução contra o rei Carlos X, que deu o trono da França a Felipe de Orleans, o pai caiu na ruína e teve que vender o Castelo de Preisch, e mais tarde a casa de Metz. Seus pais se separaram; ela foi para Paris com a mãe, que uma epidemia de cólera – uma doença que açoitava com grande força Paris naquela época – colherá brutalmente em 1832. Uma rica família amiga de Châlons a acolheu.
     Aos 17 anos, conheceu a solidão em meio dos mundanismos que a rodeiam: "Vivi uns anos me perguntando sobre a base e o efeito das crenças que não havia compreendido... Minha ignorância sobre o ensino da Igreja era inconcebível e, contudo, havia recebido as instruções comuns do Catecismo". (Carta ao Pe. Lacordaire, 1841).
     Seu pai a fez voltar para Paris. Durante a Quaresma de 1836, ouviu o Pe. Lacordaire pregar na Catedral de Notre-Dame. "Vossa palavra despertava em mim uma fé que nada pode fazer vacilar". "Minha vocação começou em Notre-Dame", diria mais tarde.
     Na Quaresma de 1837, Ana Eugênia encontrou o Pe. Combalot, que pregava em São Sulpício, e que a orientou na fundação de uma nova Congregação. Ele sonhava fundar uma congregação dedicada a Nossa Senhora da Assunção para formar jovens dos meios dirigentes, a maioria irreligiosa; ela sonhava com a vocação religiosa.
     O Pe. Combalot enviou Ana Eugênia ao Convento da Visitação de La Côte-Saint-André (Isère), experiência que deixaria nela a marca do espírito e da espiritualidade de São Francisco de Sales. Já tinha as bases de sua pedagogia: rechaçava uma educação mundana em que a instrução cristã fosse pouca, queria um cristianismo autêntico e não um verniz superficial, queria dar para as jovens uma educação à luz de Cristo.
      Em outubro de 1838, se encontrou com o Pe. d’Alzon. Esta grande amizade duraria 40 anos. Em 30 de abril 1839, com 22 anos, se unem a ela duas jovens para realizar o seu projeto em um apartamento pequeno da Rua Férou; em outubro já eram quatro em um andar da Rua de Vaugirard. Elas estudam teologia, a Sagrada Escritura e as ciências profanas. Kate O’Neill, uma irlandesa, se uniu a elas e tomou o nome de Teresa-Emanuel. De personalidade forte, ela acompanharia Ana Eugênia oferecendo-lhe sua amizade e sua ajuda durante toda sua vida.
     Em maio de 1841, as Irmãs se separaram definitivamente do Pe. Combalot. Mons. Affre lhes ofereceu o apoio de seu vigário geral, Mons. Gros.
     As Irmãs retomam os estudos e fazem sua primeira profissão religiosa em 14 de agosto de 1841. A pobreza em que viviam era grande e a comunidade não aumentava. Isto não impediu Madre Maria Eugênia de abrir o primeiro colégio na primavera de 1842, no Impasse des Vignes. Mais tarde se instalou em Chaillot, porque a comunidade crescia e se tornava cada vez mais internacional. Às vezes ela se queixava dos sacerdotes e dos leigos: "Seu coração não bate por nada que seja grande".
     No Natal de 1844, Madre Maria Eugênia fez sua Profissão perpétua, com um quarto voto: “Estender por toda minha vida o Reino de Jesus Cristo...”.
     Madre Maria Eugênia desejava para suas filhas “contemplativas da ação” a recitação do Ofício Divino como devoção principal por ser a oração oficial da Igreja, e o centro de sua espiritualidade devia ser Jesus Eucaristia. Roma reconheceu esta nova Congregação em 1867. As Constituições, ou a Regra da Congregação da Assunção, foram definitivamente aprovadas em 11 de abril de 1888.
     A morte do Pe. d’Alzon em 1880 pressagiava o despojamento que ela havia entrevisto como necessário em 1854: "Deus quer que tudo caia ao meu redor". Irmã Teresa-Emanuel faleceu em 3 de maio de 1888, e sua solidão se tornou mais profunda.
     Entre 1854 e 1895, nasceram novas comunidades na França, seguidas das fundações na Inglaterra, Espanha, Nova Caledônia, Itália, América Latina e Filipinas.
     As viagens, as construções, os estudos, as decisões se sucediam. Sua preocupação constante, porém, será sempre sua intuição inicial, a que as Irmãs têm que ser fieis aos chamados do Senhor: "Na educação, uma filosofia, um carácter, uma paixão. Porém, que paixão dar? A da Fé, a do Amor, a da realização do Evangelho”. As religiosas devem ser professoras educadoras adaptando-se às necessidades que vão se apresentando, sem deixar de lado a observância monástica.
     Quando descobriu a debilidade da velhice, "um estado no qual só resta o amor", Madre Maria Eugênia foi se apagando pouco a pouco: "Só me resta ser boa". Vencida por uma paralisia em 1897, somente terá seu olhar para expressar essa bondade. Em 10 de março de 1898, entregou sua alma a Deus.
     Madre Maria Eugênia de Jesus foi beatificada em 9 de fevereiro de 1975 pelo papa Paulo VI; e em 3 de junho de 2007 o papa Bento XVI canonizou-a em Roma, na Festa da Santíssima Trindade.