quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Beata Ingrid Elofsdotter de Skänninge - 2 de setembro

     
Ingrid, da nobre família Elofsdotter, nasceu em meados do século XIII, c. 1235. Por parte de sua mãe, era neta do Rei Canuto da Suécia. Ela recebeu uma educação condizente com sua condição social, sobretudo profundamente cristã. Alma de cândidos ideais, viveu desde os primeiros anos de vida em fervorosa piedade. As virtudes mais heroicas pareciam conaturais nela. Quando muito jovem foi obrigada por seus pais a contrair um riquíssimo casamento, mas todo aquele esplendor do mundo não a deslumbrou, continuando a viver no mundo sem ser do mundo.
     Ficou viúva em pouco tempo. Com uma irmã e um devoto séquito de damas de honra, empreendeu uma longa peregrinação à Terra Santa, onde seu coração se acendeu ainda mais de terno amor pelo Salvador. Da Palestina ela foi para Roma e depois para Santiago de Compostela. Em Roma, pediu ao Papa autorização para fundar um mosteiro de religiosas contemplativas em seu país.
     Retornando ao seu país, um único desejo a dominava: se dedicar para sempre a uma vida de oração e penitência. Mas o demônio, furioso, engendrou uma trama terrível, tentando ofuscar sua reputação entre os seus concidadãos. Tudo, entretanto, foi esclarecido e a santa peregrina, recebida com alegre veneração, pode logo realizar seus votos e, auxiliada por generosos benfeitores – entre eles seu irmão, João Elovson, cavaleiro teutônico.
     Em contato com o dominicano Frei Pedro de Dacia (1230-1289), e com a autorização do provincial dominicano e do bispo de Linkping construiu o Mosteiro de São Martinho em Skänninge, Suécia, observando a regra de São Domingos de Gusmão, onde, juntamente com um bom número de virgens, se dedicou inteiramente a contemplação e as santas austeridades.
     O mosteiro foi inaugurado em 15 de agosto de 1281, na presença do Rei Magnus Ladulas, e do Padre Pedro de Dacia, que dava assistência espiritual às religiosas, com a autorização do Bispo de Linkping e do Provincial da Ordem.
Igreja em honra de Beata
em Skänninge
     A Beata faleceu no dia 2 de setembro de 1282, quando era Priora daquele mosteiro, com tanta fama de santidade e obtendo milagres prodigiosos, que logo o seu culto se espalhou para os povos vizinhos.
     Suas relíquias foram solenemente transladadas em 29 de julho de 1507, com a autorização do Papa Alexandre VI, estando o rei presente, uma grande multidão, todos os bispos da Suécia e os Irmãos Pregadores daquela região.
     Em 1414, o Bispo de Linkoping, Canuto Bosson, antes do Concílio de Constança, pedira à Santa Sé autorização para abrir o processo de sua canonização. Devido a Pseudo Reforma protestante, o processo não teve continuidade. Durante os eventos da reforma, o Mosteiro de São Martinho foi destruído, bem como as relíquias da Beata, e sua causa de canonização nunca chegou a uma formalização. Mas, ela foi inserida no Martirológio Romano e sua memória é celebrada no dia de seu falecimento.
 
Fontes:  http://www.es.catholic.net/santoralwww.santiebeati/it
 
Postado neste blog em 1º de setembro de 2012

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Beata Maria dos Anjos Ginard Martí, Virgem e Mártir – 30 de agosto

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Poucos dias depois do martírio de Josep Tápies Sirvant e seis companheiros, também a Irmã Maria dos Anjos Ginard Martí rematou a sua consagração a Jesus Cristo oferecendo a sua vida, ceifada pelas balas, em Dehesa de la Villa, perto de Madrid. A Beata Maria dos Anjos foi uma religiosa exemplar, destacando-se entre as suas numerosas virtudes o amor à Santíssima Eucaristia e ao Rosário, assim como a sua particular devoção aos primeiros cristãos, cujo martírio venerava.
Cardeal José Saraiva Martins – Homilia de Beatificação 29/10/2005
 
     A Irmã Maria dos Anjos Ginard Martí, religiosa da Congregação das Irmãs Zeladoras do Culto Eucarístico, nasceu no dia 3 de abril de 1894 em Llucmajor (Baleares). Era a terceira de nove filhos do casal Sebastián e Margarita, e passou a sua infância nas Canárias, para onde o seu pai tinha sido transferido.
     Desde menina sentiu-se inclinada a uma profunda piedade, fruto da educação recebida de seus pais, e logo desejou se consagrar ao Senhor na vida religiosa, seguindo o exemplo das duas irmãs de sua mãe. Após o regresso da sua família a Maiorca, embora tivesse o desejo de tornar-se religiosa, teve que esperar.
     Por necessidade aprendeu a confeccionar chapéus e a bordar a fim de, com o seu esforço pessoal, contribuir e suprir as carências de uma família tão numerosa. Não obstante isso, todas as manhãs levantava-se de madrugada para assistir à missa e o seu trabalho não a impedia de recitar o Rosário, por sua devoção a Maria Santíssima, visitar o Santíssimo e transcorrer longos períodos em adoração na igreja das Irmãs Zeladoras do Culto Eucarístico, de Palma de Maiorca.
     Seu profundo amor à Eucaristia a levaria a escolher aquela congregação, fundada pelo sacerdote maiorquino, o Servo de Deus Miguel Maura Montaner, com a finalidade de adorar, desagravar e servir a Jesus Sacramentado, presente por amor entre nós.
     Entrou naquela Congregação em 1921. Terminado o noviciado e emitida a primeira profissão religiosa, viveu e trabalhou na casa das Irmãs em Madrid de 1926 a 1929. Colocou-se imediatamente em contato com a comunidade orante e soube estar disponível aos muitos fiéis que vinham à capela da casa para adorar o Santíssimo Sacramento.
     O clima eucarístico em que viveu, perfilou sua vida de consagrada, e foi uma religiosa bondosa, serviçal, sempre com anelos de santidade e de completa entrega a Deu, até a ponto de manifestar abertamente que sua maior alegria seria dar a vida por Jesus Cristo no martírio.
     Transferiu-se para Barcelona, regressando à casa de Madrid no ano de 1932, após ter renunciado ser conselheira-geral. Nesta casa viveu os quatro anos precedentes à sua morte, experimentando a perseguição religiosa típica daquela época. Atualmente os seus despojos repousam na igreja desta casa em Madrid.
     Ela sabia aproveitar todos os momentos livres para adorar silenciosamente a Eucaristia, além do tempo habitual do seu horário religioso. Rezava incessantemente diante de Jesus Cristo Ressuscitado, presente na Eucaristia, pelos muitos problemas da Espanha, agitada naquele período por tantos conflitos sociais. Desejava levar Cristo a toda a humanidade, através do fascínio eucarístico.
     No mês de março de 1936, uma explosão de violência antirreligiosa provocou o incêndio de diversas igrejas, cobrindo toda Madrid de fumaça. Não obstante tudo, as Zeladoras do Culto Eucarístico não interromperam o seu ritmo de adoração. Contudo, os incêndios continuavam a aumentar e também os assassinatos de sacerdotes, pessoas consagradas e leigos cristãos.
     No dia 20 de julho de 1936, as religiosas tiveram que sair do convento vestidas de seculares. A Irmã Maria dos Anjos Ginard Martí foi acolhida por um casal católico e piedoso, os Medina-Ariza, que viviam na rua Monte Esquinza em Madrid, de frente para o convento. Deste refúgio, pode observar com dor, como os milicianos do ateísmo organizado (anarquistas e comunistas) saqueavam e pilhavam o convento, destruindo todas as imagens religiosas e outros objetos da capela.
     Nesta situação viveu até ao dia 25 de agosto de 1936, quando uns milicianos da FAI (organização anarquista espanhola) entraram na casa, por denúncia do porteiro do prédio, e a prenderam. Ao prenderem-na, detiveram também uma irmã da dona da casa, e a Irmã Maria dos Anjos, cheia de serenidade e de caridade para com os seus perseguidores, afirmou: "Esta senhora não é religiosa. Deixem-na, pois a única religiosa aqui sou eu". E assim, salvou a vida àquela mulher, mas, ao mesmo tempo, identificou-se como religiosa, fato que a levou ao martírio.
     Conduzida à prisão das Belas Artes, na noite de 26 de agosto, foi fuzilada na localidade de Dehesa de la Villa, em Madrid. Não foi submetida a qualquer processo; era religiosa, e este fato era suficiente.
     Na manhã do dia 27 de agosto de 1936, após o reconhecimento e a remoção do cadáver desta cristã martirizada, foi sepultada no dia seguinte no cemitério de La Almudena, em Madrid. Maria dos Anjos morreu sorrindo, como demonstram as fotografias. Finalmente era mártir de Jesus Cristo, como tinha desejado.
     Terminada a Guerra, foi identificada a sepultura, e no ano de 1941 os seus restos foram transladados para o panteão da Irmãs Zeladoras do Culto Eucarístico, no mesmo cemitério, onde permaneceram até 19 de dezembro de 1985, e depois foram transladados para o convento onde ela viveu, situado na Rua Blanca de Navarra, em Madrid.
     Foi beatificada na Basílica de São Pedro, no Vaticano, em 29 de outubro de 2005. Sua festa é celebrada no dia 30 de agosto.
 


Fontes:
http://coisasdesantos.blogspot.com/2016/08/beata-maria-de-los-angeles-ginard-marti.html
http://martiresdeespanha.blogspot.com/2012/05/

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Santa Maria de Jesus Crucificado Baouardy, Carmelita Descalça - 26 de agosto

     
     A Santa nasceu em Abellin, pequeno povoado a meio caminho entre Haifa e Nazaré, a 5 de janeiro de 1846. Era filha do casal Jorge Baouardy e Mariam Chahyn, fervorosos católicos palestinos. Eles haviam obtido a graça de seu nascimento após uma peregrinação a pé, percorrendo uma distância de 170 km até Belém, ao local onde nasceu o Menino Jesus. A menina foi batizada e crismada no mesmo dia, segundo o rito católico melquita, recebendo o nome de Mariam. Um ano depois nasceu-lhes um menino, Baulos (Paulo).
     Em 1848, os pais de Mariam morrem um após o outro. Segundo o costume oriental, as crianças foram repartidas entre os parentes. Baulos foi adotado por uma tia materna de um povoado vizinho, e ela acolhida por um tio paterno abastado. Aos 8 anos fez sua primeira comunhão. Alguns anos depois o tio se mudou para Alexandria, Egito, levando-a consigo.
     Conforme o uso oriental, seu casamento foi ajustado e quando completou 13 anos lhe disseram que chegara o momento do casamento. Porém, Mariam já sentia um chamado de Deus e não desejava se casar, e comunicou isto aos tios. Nem as humilhações, nem os maus tratos puderam fazê-la mudar sua decisão.
     Após três meses, ela visitou um velho criado da casa de seu tio para que este enviasse uma carta a seu irmão, que vivia na Galileia, para que viesse ajudá-la. Ouvindo a narração de seus sofrimentos, o criado, que era muçulmano, exortou-a a converter-se ao Islã. Mariam respondeu com ênfase: "Muçulmana eu? Jamais! Sou filha da Igreja Católica e espero permanecer assim por toda vida!" Enfurecido, o homem deu-lhe um violento pontapé que a derrubou ao chão, e, com uma cimitarra, deu-lhe um golpe na garganta. Crendo que ela estava morta, envolveu-a num lençol e abandonou-a em uma rua escura. Era o dia 8 de setembro.
     A própria Mariam contaria muitos anos mais tarde que, como num sonho, lhe parecia ter entrado no Paraíso onde viu a Virgem, os Santos e também os pais, e a Gloriosa Trindade. Ouviu então uma voz que lhe disse: "O teu livro ainda não está todo escrito".
     Acordando, se encontrava numa gruta onde passou vários dias com febre, sendo assistida por uma jovem senhora que parecia ser uma religiosa e que vestia um véu azul. Esta a atendia, alimentava e fazia dormir. Depois de quatro semanas, aquela senhora conduziu-a a igreja dos Franciscanos, deixando-a lá.
     Curada, mas só, pois não poderia voltar para sua família adotiva, com o ajuda de um franciscano Mariam se colocou como doméstica a serviço de famílias não abastadas em Alexandria, Beirute, Jerusalém. Nesta cidade fez o voto de castidade perpétua no Santo Sepulcro. Em 1863, a família Nadjar, para a qual trabalhava, se transferiu para Marselha, França, levando-a consigo.
     Em 1865, Mariam entrou em contato com as Irmãs de São José de Marselha. Tinha 19 anos, mas só parecia ter 12 ou 13. Falava mal o francês e possuía uma saúde frágil, mas foi admitida no noviciado.
     Sempre disposta aos trabalhos mais pesados, ela passava a maior parte do tempo lavando ou na cozinha. Mas, dois dias por semanas revivia a Paixão de Jesus: Mariam recebia os estigmas (que na sua simplicidade acreditava ser uma enfermidade) e toda classe de graças extraordinárias começaram a manifestar-se. Algumas irmãs ficaram desconcertadas com o que se passava com ela, e, ao final de dois anos de noviciado, não é admitida na Congregação.
Carmelo de Pau
     Em 14 de junho de 1867, Mariam entrou no Carmelo de Pau (Baixo Pirineus), apresentada por sua antiga mestra de noviciado, Irmã Verônica da Paixão, que declarou: "esta pequena árabe é um milagre de obediência".
     Em 27 de julho de 1867 tomou o hábito carmelitano adotando o nome de Maria de Jesus Crucificado. A sua condição de analfabeta a colocava entre as conversas e para ela, que aspirava somente servir, assim estava bem. Mas foi decidido colocá-la entre as coristas, e a obrigaram a aprender a ler e a escrever, porém sem sucesso. Em 1870 voltou a ser conversa.
     Em 1870, com um pequeno grupo de Irmãs, Mariam parte para a Índia, para fundar o primeiro mosteiro de carmelitas daquele país, em Mangalore. A viagem de barco foi uma aventura e três religiosas morreram antes de chegarem. Reforços são enviados e no final de 1870 a vida claustral pode ser iniciada.
     Os fenômenos extraordinários, que ela procurava esconder, continuaram na terra de missão. Ao mesmo tempo ela era a alma da fundação, enfrentando todos os trabalhos pesados e dando atenção aos problemas inerentes a uma nova fundação. Durante seus êxtases, as irmãs às vezes podiam ver seu rosto resplandecente na cozinha ou em outro local. Mariam participava em espírito dos acontecimentos da Igreja, por exemplo, nas perseguições na China. Parecia estar possuída exteriormente pelo demônio, que a fazia viver terríveis tormentos e combates.
     A superiora e o bispo, porém, começam a duvidar da autenticidade das manifestações extraordinárias, acusando-a de visionária, de ter uma imaginação oriental muito ardente etc. Apesar das tensões, ela emitiu os votos no término de seu noviciado, em 21 de novembro de 1871. Como as tensões continuassem, ela foi enviada de volta ao Carmelo de Pau em setembro de 1872. As Irmãs que a perseguiram reconheceram mais tarde o seu erro e expressaram o seu arrependimento.
     Em Pau ela retomou sua vida simples de Irmã conversa, feita de muito trabalho entremeado de episódios prodigiosos. Dom de profecia, ataques do demônio ou êxtases, entre todas essas graças divinas ela sabe, de maneira muito profunda, ser ‘nada’ diante de Deus, e quando fala dela mesma se chama "o pequeno nada", é realmente a expressão profunda de seu ser.
     Iletrada como era, encantada com a natureza, compunha belíssimas poesias e inventava melodias para cantá-las. É bom frisar que todos os fatos extraordinários são vividos por Irmã Maria com grande humildade e simplicidade. Muitas pessoas a procuravam para serem reconfortadas, aconselhadas, e pedir orações.
     Em 28 de junho de 1873, pela manhã, a Priora a encontrou sentada em um pequeno banco diante de uma janela aberta: "Madre - ela disse - todos dormem. E Deus, tão cheio de bondade, tão grande, tão digno de louvores, é esquecido!... Ninguém pensa nEle!... Vede, a natureza O louva; o céu, as estrelas, as árvores, as ervas, todas as criaturas O louvam; porém o homem, que conhece seus benefícios, que deveria louvá-Lo, dorme!... Vamos, vamos, despertemos o universo! Jesus não é conhecido, Jesus não é amado!”
A fundação do Carmelo de Belém
     Nossa Senhora havia predito que Irmã Maria seria a alma propulsora da fundação de Carmelos na Palestina. A fundação em Belém era algo muito complicado por motivos políticos. O Bispo de Biarritz escreveu uma carta ao Papa Beato Pio IX expondo o projeto das religiosas do Carmelo de Pau e pedindo sua autorização para concretizar a fundação. O Papa apoiava o projeto e aprovou-o.
     Depois de uma peregrinação a Lourdes, no dia 20 de agosto de 1875, um pequeno grupo de carmelitas embarcou para esta aventura. Irmã Maria de Jesus Crucificado zarpou com elas para o Oriente Médio.
     Os locais sagrados já estavam nas mãos de muçulmanos e cismáticos. A alegria de estar na Terra Santa foi totalmente ofuscada por esse fato. A alegria de Irmã Maria esvaiu-se. Escreve seu biógrafo, o Pe. Estrate. “Visitando o Cenáculo, onde os muçulmanos fizeram uma mesquita, o rosto de Sóror Maria, que resplandecia de alegria celeste, ficou pálido e abatido; seus olhos tinham uma expressão de dor infindável: “Eu digo a Jesus, contou ela mais tarde: Como, Senhor podeis permitir coisas semelhantes, posto que Vós sois Deus? Ah! Isto é forte demais! Se eu fosse Jesus, jamais suportaria uma tal profanação! Mas logo pedi perdão a Jesus, acrescentando: ‘Senhor, tende piedade de mim, escusai minha ousadia, é meu amor por Vós que me fez soltar esse brado. Se eu fosse Jesus, faria como Vós, eu teria paciência, porque teria em meu coração vossa bondade infinita’. Oh! Senhor, em quantas almas ainda mais abomináveis que esse Cenáculo Vós sois obrigado a descer! Eu compreendo a profanação desse lugar santo pensando em todas as Comunhões indignas e sacrílegas em vossa Santa Igreja!" (op.cit. p. 282)
     O Senhor mesmo guiava Irmã Maria na escolha do local e na forma de construção do novo Carmelo. Como ela era a única que falava árabe, encarregava-se particularmente de seguir os trabalhos “imersa na areia e na cal”. A comunidade instalou-se no dia 21 de novembro de 1876, enquanto certos trabalhos continuaram.
     Irmã Maria preparou também a fundação de um Carmelo em Nazaré, viajando até lá para comprar o terreno, em agosto de 1878. Durante essa viagem Deus revelou a ela o lugar de Emaús, o qual foi adquirido.
     De volta a Belém, retomou a vigilância dos trabalhos sob um calor sufocante. Quando levava aos trabalhadores algo para beber, Irmã Maria caiu de uma escada e partiu um braço. A gangrena avançou muito rapidamente e ela morreu poucos dias depois, em 26 de agosto de 1878, aos 32 anos.
O dom de Profecia
     A Irmã Maria recebeu o dom de profecia. Em 1868, a piedosa carmelita anunciava a guerra franco-prussiana que viria em 1870, cobrindo de luto e vergonha a França e dando azo à explosão comunista da Comuna de Paris. Durante um longo êxtase em que ela falou do nada da vida, da cegueira dos pecadores, da perda das almas e dos males da Igreja, disse chorando: “Senhor, tende piedade de nós! Santa Virgem, afastai as desgraças que nos ameaçam. Rezai pela Igreja. A guerra chegará logo, como eu vou rezar pela Igreja!” (Pe. Estrate, op. cit., p. 81) Em 6 de julho de 1870, Nosso Senhor lhe mostrou a trama das forças secretas que querem aniquilar Roma enquanto cabeça da Cristandade e destruir a Igreja.
     Seu biógrafo, Pe. Estrate acrescenta sobre a narração do martírio do venerável M. Baptifault, sacerdote missionário em Yun-nan, na China, publicada no jornal de Paris l'Univers, em 21 de janeiro de 1875: “Nós já o tínhamos escrito, ditado pela pessoa que o senhor sabe, no dia 17 de setembro de 1874, às 8 horas da manhã, apenas algumas horas após a realização desse drama sangrento, tão longe de nós, em Yun-nan, na China, e sem que nada de humano possa explicar a exatidão do fato e dos detalhes os mais minuciosos aqui ditados a tão grande distância por nossa piedosa vidente” (op. cit., p. 298-299).
     Na primeira semana da Quaresma de 1876, a santa carmelita teve uma visão que, além de concordar com La Salette, insiste no pedido de penitência feito pela Mãe de Deus em Lourdes e Fátima: “Nosso Senhor tinha em suas mãos um monte de fogo; Ele olhava para a França com uma espécie de compaixão e amor; o fogo escorria e caía entre seus dedos, estava prestes a cair por inteiro, mas o Senhor dizia e repetia: ‘Pede perdão, pede perdão!’ Pobre França, acrescentava ela, pobre França, se ela soubesse, se ela compreendesse, e sobretudo, se ela quisesse! Deus a ama tanto!” (Pe. Estrate, op. cit., p. 291)
Relacionamento especial com Santo Elias
     A bem-aventurada carmelita tinha uma relação mística especial com Santo Elias, fundador do Carmelo, que lhe aparecia e lhe dava conselhos. Durante a possessão mencionada anteriormente, ela não podia comer nada, mas “em diversas ocasiões, várias freiras viram frutos misteriosos na boca da noviça. Duas ou três delas tiveram o privilégio de comer deles” (Pe. Estrate, op. cit. p.180-181). Nas anotações do Carmelo ficou registrada esta observação: “Esses frutos tinham a aparência de uma grande amêndoa, seu odor era de incenso e tinham o gosto de plantas aromáticas. Interrogada sobre a proveniência desses frutos, a noviça respondeu: ‘Eles vêm do local onde estavam Adão e Eva: é o fruto de que se alimenta Elias’ (Notas do Carmelo)” (Pe. Estrate, op. cit., p. 181, nota 1).
     Ela foi beatificada pelo Papa João Paulo II a 13 de novembro de 1983, e foi canonizada a 17 de maio de 2015, em Roma.
 
Postado neste blog em 25 de agosto de 2011
 
http://www.santosebeatoscatolicos.com/2015/01/beata-maria-de-jesus-crucificado-mariam.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mariam_Baouardy
http://www.carmelitas.pt/site/santos/santos_ver.php?cod_santo=29

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Santa Tydfil, Mártir de Gales - 23 de agosto

 
     
Tydfil (Tudful), filha do Rei Brychan, foi morta pelos pagãos em Merthyr Tydfil, no Glamorganshire, cerca do ano 480. Ela é patrona não apenas da igreja de Merthyr Tydfil, mas também de Llysronydd (hoje Lisworney) e de Port Talbot, na mesma região de Glamorganshire.
     Tydfil casou-se com um líder do oeste do País de Gales, na região hoje conhecida como Pembrokeshire. Quando seu marido morreu, ou foi assassinado, abraçou uma vida de castidade.
     Tydfil escolheu para sua morada o vale do Rio Taff povoado por agricultores celtas e suas famílias. Ela ficou conhecida por sua compaixão e sua habilidade no cuidado dos doentes tanto humanos como dos animais.
     Ela estabeleceu uma das primeiras comunidades monásticas britânicas, liderando um pequeno grupo de homens e mulheres. Ela construiu um recinto em torno de uma igreja de madeira, prática comum então. Seu convento incluía um hospital e demais dependências necessárias para a vida em comum. Ela vivia ali discretamente, levando esperança e apoio ao povo do vale o Rio Taff.
A vida em um convento Galês dos primeiros tempos
     Tydfil e as mulheres que a seguiam, como muitas religiosas nos séculos posteriores, ofereciam sua experiência em ajudar as mulheres no parto. Elas se dedicavam também em alimentar os famintos, vestir os nus, cuidar dos doentes e as outras obras de misericórdia. A Virgem Maria era a sua Padroeira, a Mãe de Misericórdia e a inspiração para seguir os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois Ela sempre aponta para o seu Filho.
     Elas aprenderam a tosquiar e a fiar a lã, a tecer e a tricotar. Alguns empregados do sexo masculino faziam as tarefas mais árduas da criação de animais. Sabemos que São Maches, filho de Santa Gwynlliw havia trabalhado como pastor.
     Tydfil era muito venerada por toda região. Ela gostava da vida que tinha e era grande sua alegria em trabalhar para o Reino do Céu. Há um vitral que mostra Tydfil com seu filho Teilo criança, que pode até ter sido criado durante algum tempo com a sua mãe em seu mosteiro, até que foi mandado para a escola em Ty Gwyn.
     Com a ajuda de alguns dos servos de seu pai Brychan, Tydfil construiu uma igreja e fortes muralhas, o que constituiu um pequeno povoado que se tornou um centro cristão onde a população local podia assistir a Santa Missa.
     Em sua velhice o Rei Brychan decidiu visitar seus filhos pela última vez. Ele levou com ele seu filho Rhun Dremrudd, seu neto Nefydd e o filho do próprio Nefydd, juntamente com funcionários e guerreiros.
     Eles visitaram sua terceira filha, Tanglwstl, em sua comunidade religiosa em Hafod Tanglwstl, que hoje é conhecida como a cidade de Aberfan, ao sul de Merthyr Tydfil. O rei passou pelo convento de Tydfil, enquanto o filho e Nefydd ainda estavam em Hafod Tanglwstl.
     O País de Gales estava então sofrendo ataques dos pagãos celtas, que estavam livres para vaguear por ali, após os romanos terem desaparecido. Alguns tinham inclusive se estabelecido em Radnorshire, perto do reino de Brychan. Eles decidiram tirar proveito da vulnerabilidade do rei. O rei e seus seguidores tiveram suas jóias, dinheiro e roupas roubados. Servidores e familiares foram todos assassinados. Enquanto os outros corriam ou lutavam, ou entravam em pânico, Tydfil ajoelhou-se e rezou calmamente antes de ser também brutalmente assassinada.

Panorama atual do Vale do Rio Taff

     
Tydfil foi sepultada dentro da igreja que fundou, entre as pessoas que ela tão bem havia cuidado. A cruz celta foi colocada em uma clareira perto do Taff e se tornou um ponto de encontro das pessoas do vale. No século XIII a cruz e a igreja de madeira foram substituidas por uma construção de pedra dedicada a Santa Tydfil Mártir, tendo ela própria sido substituída, em 1807, e reconstruída em 1894. A igreja ainda está de pé, perto do Rio Taff, e é uma das primeiras coisas que o turista vê quando entra no centro da cidade a partir do lado sul.
     A palavra galesa para 'Mártir' é ‘Merthyr’ e ‘Merthyr Tydfil’ significa 'A Mártir Tydfil’. Ela continua importante na cidade de Merthyr Tydfil. Ela foi enterrada no local onde a Igreja de Santa Tydfil está agora. A Igreja Católica e o Priorado restabelecidos no século XIX também foram dedicados a esta mulher notável.
     Merthyr Tydfil não é hoje uma cidade muito bonita (população atual c. 55 mil ha.). Não foi planejada e se tornou, durante a revolução industrial, um importante centro de mineração de carvão e ficou ainda mais desfigurada pelas feias propriedades do conselho dos anos 1960s. O colapso da indústria de mineração trouxe difíceis consequências, mas a cidade se orgulha de sua princesa mártir.
     As paisagens são maravilhosas e dirigir um pouco para o norte, em direção a Brecon, nos leva pelos mais surpreendentes campos onde há uma solidão semelhante a que Santa Tydfil deveria ter gostado. Ela deu à luz a um dos maiores santos galeses, São Teilo, que fundou o Colégio em Llandaff após ter visitado o Patriarca de Jerusalém e de ser consagrado bispo por ele. Assim sendo, ela enriqueceu a vida católica de todo o País de Gales.
     
O que contribuiu para a veneração de Tydfil como santa? Em primeiro lugar, seu testemunho silencioso. Tydfil não era uma abadessa, embora liderasse uma comunidade de homens e mulheres cristãos que provavelmente viviam sob algum tipo de regra semimonástica. Tydfil certamente viveu em tempos sombrios, mas suas 'boas ações' e as de sua comunidade atraíram as pessoas como mariposas para uma chama. E embora sua 'luz' individual tenha sido extinta pela morte, ela acendeu um fogo que ardeu durante aqueles tempos difíceis, mostrando aos outros o caminho para Deus.
     Além disso, ela deu o exemplo de sua grande fé e dignidade diante da morte. Ela não resistiu nem fugiu, mas 'dando a outra face' esperou sua morte com calma coragem e uma crença sincera de que iria estar com Jesus no lugar preparado para ela.
     Em terceiro lugar, seu amor e compaixão para com os outros - humanos e animais. O cristianismo ainda estava tentando vencer o paganismo dos celtas, saxões, jutos, pictos e outros. Havia muito pouca lei no tempo de Tydfil além da sobrevivência do mais apto. O amor e a compaixão, sem dúvida, eram vistos como um sinal de fraqueza em uma sociedade desordenada e fragmentada, aonde o poder ia para o mais forte. Tydfil viveu essas qualidades em uma sociedade faminta de amor e compaixão, e seu exemplo é mais necessário do que nunca hoje, à medida que mais e mais pessoas estão se distanciando de seu passado cristão.
Igreja de Santa Tydfil
 
Fonte:  http://go.microsoft.com/fwlink/?LinkId=72682
http://www.oodegr.com/english/biographies/arxaioi/Tydfil_wales.htm
 
Postado neste blog em 22 de agosto de 2012

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Beatas Elvira da Natividade de Nossa Senhora e suas oito companheiras, Carmelitas da Caridade, mártires (Guerra Civil Espanhola) - 19 de agosto

     
A comunidade da escola de Cullerà (Valença) e da Casa de Misericórdia daquela cidade estava preparada há tempo para a eventualidade do martírio. A superiora e as outras irmãs eram religiosas de grande estatura espiritual.
     As nove Carmelitas da Caridade foram levadas da casa-escola da Imaculada Conceição da cidadezinha marítima de Cullerà, onde residiam, no dia 15 de agosto de 1936, e conduzidas como prisioneiras. Três dias depois, no amanhecer do dia 19 de agosto de 1936, foram fuziladas pelos membros do comitê anárquico da FAI nas proximidades da salina.
     Madre Elvira da Natividade de Na. Sra. (Elvira Torrentallé Paraire), superiora da comunidade, nasceu em Balsareny Paraire Torrentallé (Barcelona) em 19 de junho de 1889. Em 9 de setembro de 1906 entrou no noviciado de Vic (Barcelona) em 1908 foi designada para a casa de Cullerà, onde ela fez sua profissão perpétua em abril de 1925 e foi designada para a Escola Sagrado Coração em Valença. Em 13 de janeiro de 1933 retornou ao seu primeiro destino, Cullerà, mas desta vez como Superiora da comunidade. Piedosa, modesta e dedicada, um de seus grandes amores era a Eucaristia.
     Em 1936, apesar das pressões da família para ir com eles, ela não deixou a comunidade. No caminho ao local do martírio encorajava as outras irmãs. Escolheu morrer por último; cantando o popular hino eucarístico Cantemos ao Amor dos amores, que entoou até o último suspiro, faleceu nas primeiras horas de 19 de agosto de 1936. A característica fundamental da sua espiritualidade era uma caridade sem limites, o amor de Deus se manifesta no amor aos irmãos.
     Madre Elvira e duas companheiras foram beatificadas, juntamente com outros 232 mártires, pelo Papa João Paulo II em 11 de março de 2001. Suas companheiras são:


Maria de Nossa Senhora da Providência Milagre Calaf
     Nasceu em Bonastre (Tarragona) em 18 de dezembro de 1871. Muito boa de caráter, possuía a têmpera dos fortes. Quando seu irmão foi procurá-la para pô-la a salvo junto à família, disse: “O que acontecer com uma, acontecerá com todas nós”.
 
Francisca de Santa Teresa Amezúa Ibaibarriaga
     Nasceu em Abadiano (Biscaia) em 9 de março de 1881. Uma verdadeira ba­sca, de família solidamente cristã, herdou uma fé pura e forte. De caráter afável e alegre, repetia: “A minha cozinha é um pedacinho do Céu, muito melhor que todos os palácios do mundo”. Acompanhou todos os momentos até o martírio com um espírito de alegria sobrenatural que causou a admiração de todos. Indo para o local do martírio repetia com fervor: “Sagrado Coração de Jesus! Nove mártires!”
 
Maria do Santíssimo Sacramento Giner Amparo Lister
     Nascida em Grão Valença em 13 de dezembro de 1877. Ativa, entusiasta, trabalhadeira, dava tudo de si no serviço dos outros. En­trou no noviciado de Vic em 2 de julho de 1902. Reconhecendo um de seus assassinos, lhe disse com serenidade: “Tu me dás a melhor coisa, me dás o Céu!”
 
Teresa da Mãe do Divino Pastor Chambò y Pallets
     Natural de Valença, onde nasceu em 5 de fevereiro de 1881. Entrou no noviciado de Vic em 21 de abril de 1900. Depois de ter feito os primeiros votos religiosos foi destinada a Manresa, depois a Denia e Oliva. Sempre modesta e silenciosa, sentia uma grande atração pelo recolhi­mento e pela oração. Nos seus restos mortais foi encontrado o anel da sua profissão religiosa, símbolo de sua fidelidade eterna ao seu esposo Jesus Cristo.
 
Ágata de Nossa Senhora das Virtudes Hernandez Amorós
     Original de Villena (Alicante), onde nascera no dia 5 de janeiro de 1893, entrou no noviciado de Vic em 27 de novembro de 1918. Cozinheira das alunas, era atenciosa e serviçal com todos. Quando a fúria da perseguição estourou sua família lhe ofereceu um refúgio seguro, mas ela não quis deixar a casa religiosa.
 
Maria das Dores de São Francisco Xavier Vidal Cervera
     Nasceu no dia 31 de janeiro de 1895 em Valença del Cid. Tornando-se religiosa entre as Carmelitas da Caridade, seu primeiro local de trabalho foi Zaragoza. As alunas mais velhas percebiam a riqueza de sua espiritualidade e admiravam sua prudência e compreensão, o que as levava a procurá-la para falar de seus problemas. As próprias alunas procuraram colocá-la a salvo, mas ela recusou a oferta, porque desejava compartilhar a sorte da sua comunidade.
 
Maria das Neves da Santíssima Trindade Crespo Lopez
     Nasceu na Ciudad Rodrigo (Salamanca) em 17 de setembro de 1897, mas se transferiu depois com a família para Valença. Entrou no instituto religioso no dia 11 de setembro de 1922. Na educação das alunas do colégio de Cullerà se distinguia como excelente pedagoga. Entrava na vida das alunas com suavidade e eficácia. Enérgica e firme, respondeu a um miliciano que jamais se separaria da comunidade.
 
Rosa de Nossa Senhora do Bom Conselho Pedret Rull
     Originária de Falset (Tarragona), onde nascera em 5 de dezembro de 1864, en­trou no instituto em 4 de março de 1886. Fez a profissão perpétua em 1881. Após o término da formação foi enviada a Cullerà, onde permaneceu por toda sua vida religiosa. Era a mais velha da comunidade. O responsável pelo comitê da FAI, vendo-a tão idosa e doce, convidou-a a ir embora, mas ela respondeu: “Não, irei aonde for a superiora, ainda que seja para a morte!”. Sua bondade e sua simplicidade eram proverbiais. Ela conhecia todo mundo em Cullerà e se interessava por cada pessoa. Mostrava-se sempre silenciosa e recolhida, totalmente unida a Nosso Senhor Jesus Cristo.
 
Fonte: www.santiebeati.it
 
Postado neste blog em 19 de agosto de 2014

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Beata Elvira Moragas Cantarero, Farmacêutica, Carmelita, Mártir da Rev. de 1936 – 16 de agosto

     
Também conhecida como Irmã Maria do Sacrário de São Luís Gonzaga
     Elvira Moragas Cantarero nasceu em Lillo (Toledo), em 8 de janeiro de 1881. Sua família mudou-se para Madri quando ela tinha 4 anos porque seu pai era o fornecedor farmacêutico da Casa Real. Elvira, filha e neta de farmacêuticos, estudou primeiro no Instituto Cardenal Cisneros e depois estudou Farmácia na Universidade Central de Madrid.
     Elvira foi pioneira na universidade. Ela foi a primeira mulher na Espanha a se formar em Farmácia. Isto foi em 1905. Ela se tornou a 29ª mulher espanhola que realizou estudos universitários. Ela trabalhou na farmácia de seu pai por vários anos.
     Ela também foi a primeira mulher espanhola a se matricular em Cursos de Doutorado em Farmácia, estudando microbiologia, entre outras disciplinas. Os cursos de doutoramento proporcionaram formação científica que foi enriquecida com os chamados "cursos de doutoramento concluídos", que, quando aplicados a um projeto de investigação, permitiam o acesso ao título de doutor.
     Em 1915, aos 34 anos, Elvira entrou no Carmelo. Tomo o nome de Maria do Sacrário de São Luís de Gonzaga. Tomou o hábito em 21 de dezembro, fez a primeira profissão em 24 de dezembro de 1916 e a profissão perpétua em 6 de janeiro de 1920. No convento desempenhou várias tarefas, de enfermeira a torneira. Mais tarde foi mestra das noviças e priora do convento de 1927 a 1930.
     Em 1º de julho de 1936, foi eleita priora pela segunda vez. Foram tempos ruins. Nesse mesmo mês, em 18 de julho, quando a Guerra Civil Espanhola estava apenas começando, as janelas da igreja conventual foram apedrejadas. Madre Maria do Sacrário disse às freiras que se quisessem ir com a família, podiam fazê-lo livremente, mas que ela ficaria no convento. A maioria ficou com ela. Ela rezou dizendo: "Tenho que cuidar de todos os meus pequeninos".
A Beata na juventude
     Em 14 de agosto, enquanto rezava a Liturgia das Horas, membros da Frente Popular a prenderam no convento e a levaram para a “checa” socialista da rua Marquês de Riscal, 1, em Madri, que era o palácio dos condes da Casa Valência. Esta “checa” atuou entre julho de 1936 e maio de 1937. Era administrado por milícias do Círculo Socialista do Sul e dependia organicamente da Inspeção Geral das Milícias Populares, que, por sua vez, dependia diretamente do então socialista e Ministro do Interior, Anjo Galarza Gago.
     Uma das prioridades desta “checa” era conseguir objetos de valor. Questionaram a prioresa sobre "os tesouros do convento". Ela respondeu escrevendo em um pedaço de papel: "Viva Cristo Rei!" Dali a levaram, insultando-a e agredindo-a verbal e fisicamente, até a campina de San Isidro, onde a fuzilaram à noite, véspera da Assunção. Isso aumentou o número de cientistas mortos pela Frente Popular (leia aqui "A Frente Popular matou mais cientistas em três anos do que a Inquisição em três séculos").
     Uma testemunha ocular, Irmã Natividade, que estava com ela nas últimas horas que passou na “checa”, declarou: “Sempre vi minha mãe como uma santa; sempre a vi recolhida, com um ar de paz e serenidade”.
     Em 10 de maio de 1998, o Papa João Paulo II beatificou a ex-farmacêutica como mártir, juntamente com a Madre Maravilhas de Jesus.
     O Papa disse naquele dia: “O livro do Apocalipse nos presenteou com a visão de Jerusalém, “arranjada como uma noiva que se enfeita para seu marido” (Ap 21, 2). Embora estas palavras se refiram à Igreja, podemos aplicá-las também às duas carmelitas descalças que foram proclamadas beatas nesta celebração, tendo alcançado o mesmo ideal por diferentes caminhos: Madre Sacrário de São Luís Gonzaga e Madre Maravilhas de Jesus. Ambos, com o adorno das virtudes cristãs, suas qualidades humanas e sua dedicação ao Senhor no Carmelo Teresiano, aparecem hoje aos olhos do povo cristão, como Esposas de Cristo.
     A Madre Maria do Sacrário, farmacêutica na juventude e modelo para os que exercem esta nobre profissão, abandonou tudo para viver somente para Deus em Cristo Jesus no mosteiro das Carmelitas Descalças de Santa Ana e São José em Madrid. Ali amadureceu sua dedicação ao Senhor e aprendeu com Ele a servir e se sacrificar por seus irmãos. Por isso, nos turbulentos acontecimentos de julho de 1936, ela teve a coragem de não trair sacerdotes e amigos da comunidade, enfrentando a morte com integridade por sua condição de carmelita e por salvar outras pessoas”.
     Sua vida foi estudada por José Carlos Areses Gándara em seu livro “A vida da Beata Maria Sacrário: farmacêutica, carmelita e mártir”.
 
Fontes:
https://www.religionenlibertad.com/
“Blessed Elvira Moragas Cantarero”. CatholicSaints.Info. 24 July 2020. Web. 6 July 2022.
https://catholicsaints.info/tag/name-elvira/

sábado, 13 de agosto de 2022

Beata Isabel Renzi, Virgem e Fundadora – 14 de agosto

 
     Maria Isabel, filha de João Batista Renzi e de Vitória Boni, veio ao mundo em Saludecio (Itália), a 19 de novembro de 1786, no seio de uma rica família. Sua mãe vem de uma família nobre de Urbino e seu pai é um avaliador especializado e administrador de propriedades; foi aliás para melhor exercer a profissão que a família mudou-se para Mondaino em 1791.
     Isabel foi educada pelos pais e, segundo o costume da época, por volta dos nove anos, tornou-se interna no mosteiro das Clarissas de Mondaino para receber os primeiros estudos.
     Em 25 de setembro de 1807, aos 21 anos, desejando doar-se completamente a Deus e aos irmãos, decidiu fazer uma experiência no Mosteiro Agostiniano de Pietrarubbia.
     No borrascoso período da invasão francesa, que seguiu à revolução, em 1810, Isabel foi quase arrancada do escondimento do mosteiro das Monjas Agostinianas, pois um decreto napoleônico suprimiu os mosteiros. Mas, reinserida no mundo, pôde conhecer melhor as urgentes necessidades da Igreja do seu tempo e dar-se conta de que um novo chamamento do Senhor lhe dizia respeito.
     Em 1813, sua única irmã, Dorotéia, morreu aos vinte anos. Passam-se quatorze anos de pesquisa, de trabalho interior. Deus mesmo a tinha, por assim dizer, transplantado junto aos problemas da juventude feminina da sua terra. Compreendeu assim que era preciso preparar as jovens do povo para enfrentarem as novas condições de vida que as esperavam numa sociedade secularizada, em contato com as novas estruturas políticas e administrativas, não raro adversas à fé. Isabel deu-se conta, com intuito profético, de que estava a surgir uma época em que a mulher haveria de assumir novas responsabilidades sociais.
     Aconselhada por seu diretor espiritual, Pe. Vital Corbucci, que assegurara que sua missão era a de educadora, mudou-se para Coriano em 29 de abril de 1824, para atuar na escola para moças e senhoras pobres conhecida como “Conservatório”. Poucos meses após a chegada de Isabel, em 16 de julho de 1824, começa a construção da igreja, que é consagrada em 31 de maio de 1825 e dedicada à Nossa Senhora das Dores.
     Devido à situação econômica incerta, as professoras decidiram unir-se às Filhas da Caridade que Santa Madalena de Canossa fundara em Verona. A santa saudou a proposta com algum interesse. Vai duas vezes a Coriano para ter uma ideia exata da situação. Visitando a pequena comunidade de Coriano conheceu pessoalmente Isabel Renzi e aconselhou-a a tomar a direção do Conservatório. Isabel aceitou a decisão do Bispo de Rimini, Mons. Otávio Zollio, que a nomeou Superiora da comunidade.
     Em 1828 Isabel delineou algumas regras de vida espiritual e comunitária com o Regulamento das "Pobres mulheres do Crucificado": ela insiste no desapego do mundo para viver o espírito da cruz, indispensável para "ter a mais amorosa conversa com o divino Noivo e sentindo o amor sua voz na solidão e na concentração de espírito”.
     Após a morte de Santa Madalena de Canossa, em 1835, Isabel percebeu que a fusão não havia ocorrido. De acordo com Mons. Francisco Gentilini, Bispo de Rimini, lança as bases das Mestras Pias da Dolorosa. Em 29 de agosto de 1839, na igreja paroquial de Coriano, Isabel Renzi e dez companheiras ofereceram a vida a Deus e aos irmãos, e receberam o hábito das Mestras Pias da Dolorosa.
     Depois de Coriano Madre Isabel fundou a comunidade de Sogliano, Roncofreddo, Faenza, Cotignola, Savignano de Romanha, Mondaino.
     Poder-se-ia dizer que Isabel Renzi se tomou fundadora não tanto por uma opção quanto porque uma série de circunstâncias a levaram e quase a constrangeram a realizar uma obra orgânica e estável em benefício das jovens na sua terra Romanha. Mas teve que enfrentar para isto enormes dificuldades e lutou com discernimento iluminado para vencer obstáculos que a tentação, com frequência, lhe apresentava como insuperáveis. A sua regra de vida foi precisamente a de abandonar-se a Deus, a fim de que Ele dispusesse os passos e os tempos para o desenvolvimento da obra como lhe agradava. (...)
     Como uma semente lançada à terra, Isabel suportou as suas provações com ativa esperança. Escreveu: “Quando tudo se complicava, quando o presente me era tão doloroso e o futuro me parecia ainda mais escuro, fechava os olhos e abandonava-me como uma criancinha nos braços do Pai que está nos céus”.
     Aos 72 anos Madre Isabel suportava uma dor de garganta insuportável, que logo provou ser uma forma de tuberculose. Seu sofrimento foi imenso, mas até o final manteve sua clareza e energia, o que permitiu a ela, ao expirar, dizer o seu famoso "eu vejo, eu vejo, eu vejo!", que lindamente complementava o significado do inicial "Eu trago Aquele que me traz!" “Peço perdão a todas as minhas falhas e defeitos, rezem por mim. Adeus filhas diletíssimas! Eu vejo... eu vejo... eu vejo!”
     Faleceu santamente em Coriano a 14 de agosto de 1859. Seus restos mortais são venerados na Capela da Casa-mãe em Coriano, na Província e Diocese de Rimini. 
     Isabel Renzi foi reconhecida como venerável em 8 de fevereiro de 1988, e foi beatificada em 18 de junho de 1989. As Pias Mestras estão presentes hoje na Europa, América, África e Ásia.
 
Panorama de Coriano
Fontes:
L'OSS. ROM. 25.6.1989; DIP 7,1687-9; 5, 824-6.
Pe José Leite, S.J., Santos de Cada Dia, Ed. A.O. – Braga;
http://www.santiebeati.it/dettaglio/91602
 
Postado neste blog em 13 de agosto de 2012

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Santa Susana de Roma, Mártir – 11 de agosto

     A história de Santa Susana foi-nos transmitida pela Passio do seu martírio, que remonta ao século VI, enriquecida com contos lendários. Não se sabe a data do seu nascimento; provavelmente, era natural da Dalmácia, mas viveu em Roma no século III.
     De família nobre, aparentada com o imperador Diocleciano, Susana era filha do presbítero Gabino (na época, os presbíteros eram os anciãos, que cuidavam da comunidade cristã), irmão do Bispo Caio, que depois se tornou Papa (283-296), e de Cláudio e Máximo, funcionários imperiais.
     Quando ascendeu ao trono em 284, Diocleciano estabeleceu a tetrarquia e passou a reinar no Oriente enquanto Maximiano reinava no Ocidente. Ambos nomearam césares como sucessores e co-imperadores juniores: Maximiano indicou Constâncio Cloro (o pai de Constantino, o Grande) e Diocleciano, Gaio Galério Valério Maximiano. Em 293, para garantir sua sucessão, Diocleciano desejava casar seu jovem sucessor rapidamente, mas sua filha, Valéria, já estava casada e a única jovem solteira da família seria Susana, sua prima. O anúncio do casamento traria a desgraça para ela e a família.
     Susana, jovem culta e de rara beleza, consagrou-se a Deus, oferecendo-lhe a sua virgindade. Por isso, recusou a proposta de Diocleciano de casar-se com seu filho adotivo, Gaio Galério Valério Maximiano.
O exemplo de Susana converteu seus tios Cláudio e Máximo
     Seu tio Cláudio, que havia sido encarregado de fazer-lhe a proposta de casamento, ficou tão impressionado com a determinação da jovem. A ponto de querer saber mais sobre a sua crença. Por isso, converteu-se - e, com ele, sua esposa, os filhos e os servos - e distribuiu seus bens aos pobres.
     Não tendo recebido nenhuma resposta, o imperador pediu notícias ao irmão de Cláudio, Máximo. Assim, ele ficou sabendo sobre a decisão de Susana de renunciar ao casamento. Depois, junto com Cláudio, decidiu envolver na questão também Caio e Gabino. Todos os quatro concordaram em não obrigar a jovem a casar-se. Ao conhecer melhor a sobrinha, também Máximo abraçou o cristianismo.
Decapitada em casa
     Ao ser informado sobre a decisão de Susana e sobre a conversão de seus dois oficiais, Diocleciano, furioso, prendeu a jovem e seus familiares.
     Submetidos a um interrogatório, nenhum deles abjurou à fé cristã. Assim sendo, o imperador mandou condená-los à morte. Cláudio e Máximo foram queimados vivos; a esposa de Cláudio, Prepedigna e os filhos do casal, foram todos mortos; Gabino foi torturado e morreu de fome na prisão.
     O cônsul Macedônio ordenou que Susana realizasse um sacrifício ao deus romano Júpiter para provar sua fé. Quando ela se recusou, ficou evidente que ela era de fato cristã, mas neste ponto os relatos divergem. Segundo uma fonte, o próprio Macedônio ordenou que ela fosse morta. Já em outra, Susana teria sido libertada por ser da família do imperador Diocleciano.
     De qualquer forma, considera-se que Susana foi decapitada em sua casa, em 11 de agosto de 294. A esposa do imperador Diocleciano, que também era cristã, organizou o enterro e conservou seu sangue como relíquia.
     O Papa Caio, que morava perto da casa de Gabino, na manhã do dia seguinte, celebrou Missa no lugar do martírio de Susana e estabeleceu que a santa fosse recordada e venerada em sua própria casa.
     Desta forma, começando a aumentar o culto a Santa Susana, no ano de 330 uma basílica foi construída sobre a casa da Santa e dedicada primeiro a São Caio, em homenagem ao papa tio dela. No século VI, o Papa Gregório, tornou a dedicá-la em sua homenagem e ela é conhecida desde então como Sancta Susanna ad duas domos.
     Os restos mortais de Santa Susana, que foram sepultados no cemitério de Santo Alexandre, na Via Nomentana, foram trasladados, depois, para a igreja a ela dedicada e, várias vezes modificada, hoje denominada igreja de Santa Susana nas Termas de Diocleciano.
     Ali, segundo fontes de 1500, foi encontrada uma lápide, atribuída ao século V – que depois foi perdida, – com a escrita: "Olim presbyteri Gabini Filia Felix / Hic Susana Iacet In Pace Patri Sociata" (“Filha feliz do presbítero Gabinio / aqui jaz Susana, na paz do Senhor).
 
https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/08/11/s--susana--romana--na-igreja-homonima.html
http://www.santiebeati.it/dettaglio/65850

Adendo
     O Papa Caio foi o 28º papa da história da Igreja Católica.
     Nascido na Dalmácia, região que hoje é pertencente à Croácia, em data desconhecida, Caio, por sinal, é um dos papas mais desconhecidos. Sabe-se muito pouco sobre sua vida pessoal e mesmo religiosa antes de se tornar Sumo Pontífice. Era descendente de um imperador cujo prenome era também Caio. Por isso, Caio viveu seus primeiros anos no luxo, no seio de uma família nobre e abastada. Não se sabe como ele veio a se tornar cristão. O fato, porém, é que Caio passou a ser um cristão fervoroso e grande conhecedor da fé e da doutrina cristã. Sabe-se que era descendente da família imperial de Diocleciano, que era seu tio. Era irmão do presbítero Gabino e tio de Suzana, ambos canonizados.
     Com o falecimento do Papa Eutiquiano, Caio foi eleito para ser sucessor no dia 17 de dezembro de 283. Antes de sua eleição, o Papa Caio, junto com seu irmão, Gabino, transformou sua casa em igreja. Lá, ouviam os aflitos, os pecadores; auxiliavam os pobres e doentes; celebravam as missas, distribuíam a eucaristia e ministravam os sacramentos do batismo e do casamento.
     O grande contratempo enfrentado pelo Papa Caio se deu no âmbito interno do próprio clero, devido a crescente multiplicação de heresias, criando uma grande confusão entre os devotos cristãos. A última, pela ordem cronológica, na época, foi a de “Mitra”. Esta heresia era do tipo maniqueísta, de origem asiática, pela qual Deus assumia em si a contraposição celeste da luz e da treva. Tal heresia e outras ele baniu por completo.
     Era uma época de muitas dificuldades para os cristãos, mas o Papa Caio conseguiu os oferecer um período de relativa paz, construir igrejas por toda Roma e encontrou as catacumbas de cristãos que foram martirizados antes de seu papado. Habilidoso no trato com as autoridades romanas, o Papa Caio conseguiu converter o prefeito Cromâncio.
     Entre suas ações como papa, Caio decretou que todo bispo só poderia assumir a posição após desempenhar as funções de hostiário, leitor, exorcista, acólito, subdiácono, diácono e padre. Reformando a administração da Igreja, dividiu os bairros de Roma entre os diáconos e conteve agitadores que desejavam se vingar da morte imposta a outros pontífices.
     O Papa Caio também pode ser considerado o primeiro Papa que reuniu fiéis e emissários imperiais durante uma forte discussão a respeito da legitimidade das cobranças de tributos sobre os cristãos. Assim, conseguiu bastante confiança dos governantes Romanos. Conseguiu conter inúmeros agitadores que desejavam vingança pela morte de outros papas usando de atos de vandalismo.
     Entretanto, durante o seu governo, muitos foram martirizados por não abjurarem a Fé Católica. Ao que tudo indica, o Papa São Caio esteve sempre presente nos esconderijos das catacumbas, para assim atender às necessidades dos cristãos. Como Papa, chegou a aconselhar alguns cristãos refugiados na casa de campo do então convertido prefeito Cromâncio, de Roma, para que fugissem da cidade antes de serem presos, pois sabia que muitos destes cristãos poderiam fraquejar diante das torturas e do martírio. Conta-se que este mesmo conselho foi dado a São Sebastião, mas este preferiu ficar em Roma, para animar e defender os irmãos da Igreja. Inclusive este santo, por permanecer na arena de luta defendendo a Igreja de Cristo, foi severamente martirizado.
     Embora tenha conseguido ampliar a presença da Igreja Católica em Roma física e administrativamente, o Papa Caio conviveu com uma época em que as medidas contra os cristãos estavam em crescimento. Nós sabemos, pelos escritos da Igreja, que apesar do seu parentesco com o imperador, o Papa se recusou a ajudar Diocleciano, que pretendia receber a sobrinha dele como sua futura nora. A ira do soberano mandou matar os cristãos, começando pelo seu parente, Caio. Não é certo que o Papa Caio tenha sido martirizado no final de seu papado de doze anos, mas a tradição diz que o Sumo Pontífice foi decapitado no dia 22 de abril de 296, data que marca o fim do seu papado.
     Caio foi sepultado na Catacumba de Calisto. Sua tumba, ainda com o epitáfio original, foi encontrada na Catacumba de São Calisto, junto com o anel usado por ele para selar cartas. Seus restos mortais estão hoje na capela da família Barberini.
     Venerado mais tarde como santo, o Papa Caio foi sucedido pelo Papa Marcelino.
     O nome Caio vem do Latim “Caius” e significa feliz, alegre, contente.
 
Fontes:
DUFFY, Eamon. Santos e Pecadores: história dos Papas. São Paulo: Cosac & Naify, 1998.
FISCHER-WOLLPERT, Rudolf. Os Papas e o Papado. Petrópolis: Editora Vozes.