terça-feira, 28 de julho de 2020

Santa Antusa de Onoriade, Virgem, fundadora – 27 de julho


Martírio Romano: Na cidade de Mantineion, perto de Eskihisar, em Onoriade, na atual Turquia, a Santa Antusa, uma virgem que como freira foi espancada com as varas e condenada ao exílio sob o imperador Constantino Coprônimo por defender o culto de imagens sagradas e, finalmente, voltando para casa, morreu em paz.

     Sob o nome de Antusa (Anthusa), há cinco santas, todas orientais dos primeiros séculos do Cristianismo; três também são mártires.
     A mais famosa é Santa Antusa de Constantinopla, princesa imperial filha de Constantino V Coprônimo; mas ligado a ela há a Santa Antusa, quase contemporânea, que é comemorada neste dia.
     Ela nasceu no início do século VIII, provavelmente na Oroniade (província da Anatólia, na costa do Mar Negro). Seus pais eram Estrategio e Febronia, e por muitos anos ela viveu na solidão de acordo com os ensinamentos do monge eremita Sisinio.
     Mais tarde fundou dois mosteiros em sua região, um para homens em Mantineion perto de Claudiopolis, com uma igreja dedicada aos Apóstolos; e outro para mulheres, erguida em uma ilhota no lago de Efteni-Göl, com uma igreja dedicada a Nossa Senhora. O mosteiro masculino foi agregado ao mosteiro feminino e entre os discípulos havia também São Romano.
     E chegou a hora do Imperador Constantino V Coprônimo (741-775), que com rigor persecutório queria impor a decisão do Concílio de Hieria de 754, que condenou as imagens sagradas. Os monges foram mais atingidos do que os outros, e isso deu a Constantino V, por parte dos adversários, os apelidos insultantes (Coprônimo, de kopros, esterco).
     Até a fundadora, a virgem Antusa, foi acusada de adorar as imagens, então ela foi severamente espancada e enviada para o exílio.
     Reza a história que quando a Imperatriz Irene, esposa de Constantino V, deu à luz à gêmeos, um menino e uma menina, depois de um parto difícil e perigoso, Antusa, que tinha previsto o resultado feliz da gravidez conturbada, recebeu grandes honras de parte da Imperatriz, que colocou seu nome na menina recém-nascida.
     Antusa de Onoriade foi libertada da perseguição e tornou-se famosa em todo o Império, retornou para seu mosteiro e depois da realização de muitos milagres, entregou sua alma a Deus na segunda metade do século VIII, por volta de 777.
     Ela é celebrada tanto no Oriente quanto no Ocidente em 27 de julho.


Etimologia: Anthousa é um nome grego do sexo feminino, que se classifica como uma variante do russo Anfisa, que tem relação com o nome Anthea e Antheia, da mitologia grega. Anthousa é uma das formas gregas antigas do nome, que deriva do grego “anthos”, ou seja, “flor”. A variante italiana é Antusa. Este nome é praticamente desconhecido do Ocidente, e Anfisa é usado em russo, sendo o nome de uma santa bizantina do século IX.

domingo, 26 de julho de 2020

Santa Ana e São Joaquim – 26 de julho


Pais da Santíssima Virgem Maria

     Santa Ana era a esposa de São Joaquim e foi escolhida por Deus para ser a mãe de Maria, sua própria Mãe abençoada na terra. Ambos eram da casa real de Davi, e suas vidas estavam totalmente ocupadas em oração e boas obras. Só faltava uma coisa em sua união - eles não tinham filhos, e isso era considerado um infortúnio amargo entre os judeus.
     Por fim, quando Ana era uma mulher idosa, Maria nasceu, fruto mais da graça do que da natureza, e a filha mais de Deus do que do homem. Com o nascimento de Maria, a idosa Ana começou uma nova vida: ela assistia todos os seus movimentos com reverente ternura e sentia-se santificada a cada hora pela presença de sua filha Imaculada. Mas ela recebeu sua filha de Deus e a Ele Ana devolveu.
     Maria tinha três anos quando Ana e Joaquim a levaram aos degraus do templo, a observaram entrar no santuário e depois não mais a viram. Assim, Ana foi deixada sem filhos na velhice solitária e privada de sua mais pura alegria terrena exatamente quando ela mais precisava. Ela humildemente adorou a Vontade Divina, e começou novamente a praticar o bem e rezar, até que Deus a chamou para um descanso interminável com a Santíssima Trindade na glória celestial.
*
     Deus fica satisfeito com os efeitos visíveis que testemunham o quanto Ele é honrado pela devoção dos fiéis a Santa Ana, que é grande modelo de virtude para todos no estado de casado e encarregada da educação dos filhos. Foi uma dignidade sublime e uma grande honra para esses santos darem a um mundo perdido a advogado da misericórdia e, ao mesmo tempo, serem os pais dessa advogada que em breve seria exaltada com dignidade inimaginável como Mãe de Deus.
    Mas era uma felicidade muito maior ser, pela graça de Deus, o maior instrumento da virtude de Maria, e ser espiritualmente sua mãe por uma educação santa, em perfeita inocência e santidade. Santa Ana, sendo ela mesma um vaso de graça, não apenas pelo nome, mas pela posse desse rico tesouro, foi escolhida por Deus para formar a alma da Santíssima Virgem Maria em perfeita virtude - e seu piedoso cuidado com essa ilustre filha foi o maior meio de sua própria santificação e glória na Igreja de Deus até o fim dos tempos.
     É uma lição para todos os pais cujo principal dever é a santa educação de seus filhos. Com isso, eles glorificam seu Criador, perpetuam Sua honra na terra e santificam suas próprias almas. São Paulo diz que é pela educação de seus filhos que os pais serão salvos. No entanto, vemos pais solícitos pelas qualificações mundanas de seus filhos e empenhados em conseguir um estabelecimento no mundo; mas extremamente descuidados em nutri-los na virtude, na qual somente a verdadeira felicidade deles consiste.
     Essa reflexão levou às lágrimas Crates, um filósofo pagão que desejava subir ao lugar mais alto de sua cidade e gritar, com todas as suas forças: “Cidadãos, o que vocês pensam? Vocês empregam todo o seu tempo acumulando riquezas para deixar para seus filhos; todavia, não se preocupam em cultivar suas almas com virtude, como se um estado fosse mais precioso que eles mesmos”.
Apresentação de Na. Sra. no Templo
     A palavra hebraica ‘Ana’ significa ‘graciosa’. São Joaquim e Santa Ana, os pais da Bem-Aventurada Virgem Maria, são justamente honrados na Igreja, e sua virtude é altamente louvada por São João Damasceno. O imperador Justiniano I construiu uma igreja em Constantinopla em homenagem a Santa Ana, por volta do ano 550. Codinus menciona outra construída por Justiniano II em 705. Seu corpo foi levado da Palestina para Constantinopla em 710, de onde algumas partes de suas relíquias foram disseminadas no Ocidente. F. Cuper, o bolandista, colecionou um grande número de milagres obtidos ​​por sua intercessão.
     Dois santuários populares para Santa Ana são o de Ste. Anne D'Auray, na Bretanha, no oeste da França, e o de St. Anne de Beaupre, perto de Quebec, onde há inúmeras lembranças em ação de graças pelos favores e curas concedidas.

Oração a Santa Ana
     Santa Ana, fostes especialmente favorecida por Deus para ser a mãe da Santíssima Virgem Maria, a Mãe de Nosso Salvador. Pelo seu poder junto à sua filha puríssima e ao seu Filho Divino, obtenha gentilmente para nós a graça e o favor que agora buscamos.
       Rogamos, garanta também o perdão dos pecados passados, a força para cumprir fielmente nossos deveres diários e a ajuda que precisamos para perseverar no amor de Jesus e Maria.
Amém.

Fonte: Vida dos Santos de Butler em 1894;
Tirada da Vida dos Santos de Butler em 1903



sexta-feira, 24 de julho de 2020

Beata Luísa de Savoia, Esposa exemplar, Clarissa perfeita – 24 de julho

     

     Luísa provavelmente nasceu em Bourg-en-Bresse no dia 28 de dezembro de 1462, quinta de nove filhos do Beato Amadeu IX de Savoia e de Iolanda de França, irmã do rei Luís XI. Por parte da mãe era neta do Rei Carlos VII da França, sobrinha do Rei Luís XI e prima de Santa Joana de Valois. Se ilustre era pela nobreza de linhagem, mais ilustre se tornou pela santidade de vida.
     A capital do ducado era Chambery, mas a corte era itinerante para um controle direto dos territórios sob sua jurisdição. A Casa de Savoia já então era proprietária do Santo Sudário, tesouro precioso que acompanhava a corte em seus deslocamentos. Podemos imaginar toda a veneração de que esta relíquia era alvo por parte de Amadeu e da pequena Luísa.
     Extremamente religioso e magnânimo, depois de ter assegurado ao seu povo um longo período de paz, o Beato Amadeu morreu em Vercelli no dia 30 de março de 1472, aos trinta e oito anos de idade. Luísa não tinha ainda dez. Herdou do pai uma fé profunda; a mãe, de caráter mais forte do que o esposo, tornara-se regente do ducado há alguns anos.
     A menina foi educada admiravelmente por sua mãe. Desde muito pequena dava mostras de possuir qualidades espirituais extraordinárias. Catarina de Saulx, uma das damas de honra de Luísa escreveu sobre ela as seguintes palavras: “Era tão doce e generosa, bem disposta e amável, que despertava o afeto de todos que se deixavam levar por sua atração e conquistar pelo seu encanto”.
     A doçura da jovem Luísa atraiu Hugo de Châlons-Arlay, Senhor de Château-Guyon catorze anos mais velho do que ela, membro do ramo deposto dos Senhores de Borgonha, hóspede em Chambery durante sete anos após ter caído em desgraça.
     Os eventos políticos daqueles tempos eram muito complicados, os interesses territoriais causavam numerosas guerras. Iolanda selara um pacto com Carlos o Temerário, Duque de Borgonha, mas sendo alvo de uma suspeita de complô, foi presa com os filhos pelo seu aliado (1476). Na solidão de uma prisão não tão rígida, Luísa fez um retiro e conheceu o franciscano Padre João Perrin, que no futuro teria muita importância para ela.
     Hugo visitou-a na prisão e entre eles foi crescendo o afeto. Embora Luísa começasse a desejar o retiro na clausura, foi o Padre Perrin quem a convenceu de que também no matrimônio ela poderia viver santamente.
     Entrementes, devido a intercessão do Rei Luís XI, Iolanda e os filhos foram libertados. Iolanda morreu no Castelo de Moncalieri no dia 29 de agosto de 1478. Luísa e a irmã Maria foram conduzidas à corte de Luís XI que se considerava tutor natural das sobrinhas. Ele tinha um interesse: o casamento da sobrinha com Hugo de Châlons significava ter um importante aliado. Luísa aquiesceu.
     As núpcias foram celebradas solenemente em Dijon a 24 de agosto de 1479. Luísa tinha dezessete anos. O Castelo de Nozeroy foi escolhido para morada do novo casal. Hugo se tornara proprietário de um patrimônio considerável; nos arquivos de Arlay e de Besançon podemos tomar conhecimento das largas doações feitas pelo casal aos menos favorecidos.
     O Senhor de Nozeroy era um homem tão bom quanto rico. De acordo com sua esposa, impôs em seu castelo uma vida perfeitamente católica. Tanto por exemplo como por preceito, marido e mulher criaram um nível de vida moral e material para todos os que moravam em suas terras e dependiam deles de alguma maneira. Em contraste com os palácios e residências de outros nobres, o suntuoso palácio dos de Châlons parecia um mosteiro. Com grande empenho se combatia o costume de jurar ou de usar palavras grosseiras.
     Luísa foi a primeira dama a ter uma caixa para os pobres, na qual todos os que viviam ou visitavam sua casa tinham a obrigação de colocar dinheiro, caso jurassem ou dissessem palavras feias. Luísa prodigalizou grande caridade aos enfermos e necessitados, viúvas e órfãos, especialmente aos leprosos. Ela se dedicava pessoalmente na confecção de tecidos para distribuí-los aos pobres ou para ornamentar as igrejas.
     Nas vigílias das festas de Nossa Senhora, Luísa rezava 365 Ave-Marias. Rezava muitas vezes o saltério. Confessava-se frequentemente e comungava nas festas. Muitas vezes, depois duma festa mundana, dizia: “Senhor Deus, quanto estou aborrecida! De tudo isto será preciso dar contas”. Os decotes desgostavam-na e ela proibia-os às suas damas. Não queria que se jogasse a dinheiro, mas tolerava, caso se tratasse de insignificâncias. E a quem perdia aconselhava: “Dê tudo por Deus, não conserve nada”.
     Enfim, a oração era o fundamento da união do casal. Tão feliz união, entretanto, durou somente dez anos: em 1490 a dor golpeia Luísa novamente. Depois de ter assistido seu esposo até seu sepultamento, restava a ela como único refúgio a fé. O casal não tivera filhos; Luísa poderia viver como rica viúva no seu castelo, ou contrair um novo casamento, mas seu desejo maior era de consagrar-se ao Senhor.
     O Padre Perrin a guiou espiritualmente até seu ingresso no Mosteiro de Santa Clara de Orbe (Vaud, atual Suíça). Ela precisou de dois anos para colocar em ordem todos os assuntos; durante este período usou o hábito dos terciários franciscanos, aprendeu a rezar o Ofício Divino e se levantava a meia-noite para rezar Matinas. Toda sexta-feira se disciplinava. Distribuiu sua fortuna, contestou as objeções de seus parentes e amigos.
     Em vida do marido, na Quinta-feira Santa ele lavava os pés a treze pobres e ela a treze mulheres. Morrendo ele, ela manteve as treze mulheres da Semana Santa, mas acrescentou, em todas as sextas-feiras, a lavagem dos pés de cinco pobrezinhas, dando-lhes depois esmola.
     Finalmente, em 1492, acompanhada de suas duas damas de honra, Catarina de Saulx e Carlota de Saint-Maurice, foi admitida no Convento das Clarissas Pobres de Orbe. Este mosteiro havia sido fundado pela mãe de Hugo de Châlons, e desde 1427 era ocupado por uma comunidade de Santa Coleta, a reformadora francesa das Clarissas. Muitas vezes Luísa ali fora para rezar e visitar sua cunhada, Filipina, monja naquele mosteiro.
     O hábito simples franciscano substituiu as roupas preciosas. Tendo sido um modelo de donzela, de esposa e de viúva, Luísa se tornou um modelo de monja. Foi sempre uma religiosa exemplar. Grande era seu espírito de piedade e de oração, em uma atmosfera austera e pobre. Sua humildade era sincera e natural: lavava os pratos, varria, ajudava na cozinha, limpava os corredores e tudo fazia bem e com gosto. Com a mesma simplicidade e naturalidade aceitou e desempenhou o cargo de abadessa quando a elegeram. Neste cargo mostrou especial solicitude em servir aos frades de sua Ordem, e qualquer deles que chegassem a se hospedar no convento era atendido regiamente; a presença dos padres e dos irmãos era como uma bênção de Deus e nada podia faltar aos filhos do “bom pai São Francisco”.
     Escreveu meditações sobre o Rosário e é-lhe atribuído um pequeno tratado sobre a importância da fidelidade à Regra, e os sinais de tibieza num mosteiro. Citemos: “Quando se frequentam demais os locutórios... Quando se leem livros espirituais mais para aprender do que praticar; quando se leem capítulos por costume e se dizem culpas a fingir e não para procurar emenda... Quando se tem mais cuidado do exterior que do interior...”. Estes manuscritos foram levados pelas irmãs quando da transferência de Orbe para Evian, mas hoje estão desaparecidos.
          Ela também teve muito empenho na canonização de Colette de Corbie. Entre 1492 e 1495, a Irmã Luísa tomou medidas para encerrar o caso de forma bem sucedida, pedindo também o apoio do rei da França, mas suas aspirações serão realizadas séculos depois: primeiro com a beatificação de 23 de janeiro de 1740 pelo Papa Clemente VIII (1536 - 1605) e depois com a canonização de 24 de maio de 1807 sob o pontificado de Pio VII (1742 -1823).
     No último período de sua vida Santa Luísa sofreu diversas doenças. Morreu sussurrando o nome da Virgem Maria no dia 24 de julho de 1503. Tinha somente quarenta anos; foi sepultada no cemitério do convento. A fama de sua santidade logo se difundiu; as primeiras notas biográficas foram escritas por Catarina de Saulx, sua companheira fiel por vinte anos, antes e depois da entrada no mosteiro.
     Quando em 1531 as monjas foram expulsas de Orbe, os seus despojos, bem como os da cunhada Filipina, foram colocados em uma única arca de carvalho, transportada para o convento franciscano de Nozeroy. Durante a nefasta Revolução Francesa o convento foi destruído e se perdeu qualquer pista dos túmulos.
     Em 1838, escavações foram feitas em busca da arca, a qual foi encontrada em boas condições. Os ossos de Luísa foram reconhecidos pelo médico Dr. David após uma escrupulosa perícia baseada na altura e idade das duas falecidas. Foram confiadas ao Mons. Vogliotti, capelão régio, a fim de serem transportadas a Turim para serem colocadas, com as devidas honras, na capela interna do Palácio Real, na época paróquia, junto ao altar dedicado ao pai de Luísa, o Beato Amadeu IX (1840).
     O Papa Gregório XVI confirmou, em 1839, o culto prestado deste tempo imemorial à beata. Teve Ofício e Missa nas dioceses do antigo reino da Sardenha, a 11 de agosto, e entre os franciscanos, a 1º de outubro; ficou sendo festejada a 24 de julho.

Livro Santos de cada Dia, de www.jesuitas.pt

Postado neste blog em 22 de julho de 2016

terça-feira, 21 de julho de 2020

Beata Lucrécia Garcia Solanas, Viúva e mártir de 1936 - 21 de julho

   
      Lucrécia Garcia Solanas nasceu em Aniñon, perto de Zaragoza, no dia 13 de agosto de 1866. Em 9 de outubro de 1910 casou-se com José Gaudi Negre, que faleceu em 1926. Não se sabe se tiveram filhos. Desde então ela passou a viver no convento das monjas do Instituto das Descalças Mínimas de São Francisco de Paula, em Barcelona, em uma casa fora da clausura, para ficar próxima de sua irmã, Madre Maria de Montserrat.
     Sempre à disposição das monjas, atuava como porteira recebendo as mensagens para elas; era mediadora entre o mosteiro e o mundo exterior. Muito piedosa, se habituara a seguir as orações da comunidade.
     Sua história foi recentemente relatada pelo Monsenhor Vicente Cárcel Ortí, historiador e autor de vários livros que contam a história de católicos perseguidos na Espanha.
     Conforme seu relato, tudo começou no dia 19 de julho de 1936, quando Lucrécia foi correndo ao convento para avisar as religiosas para deixarem o lugar imediatamente, uma vez que várias igrejas em Barcelona estavam sendo queimadas pelos responsáveis pela perseguição religiosa.
     Madre Maria de Montserrat, superiora daquele Instituto, que apesar da violência até aquele momento não quisera deixar o convento, ordenou às irmãs que se vestissem como civis, se escondendo em uma torre nas proximidades do local, além de se refugiarem em vários lugares, incluindo o porão da casa da viúva, que ficava ao lado do convento.
     Em 21 de julho um grupo armado entrou no mosteiro, forçando a porta com dinamite. Os “vermelhos” entraram na igreja adjacente, a profanaram e depois a queimaram. Tentando saquear o mosteiro, os republicanos profanaram os corpos de duas irmãs enterradas alguns meses antes, deixando-os expostos ao ridículo público.
     De onde estavam escondidas, algumas das Irmãs podiam ouvir o ruído dos milicianos que com a ajuda de cães buscavam suas vítimas.
     No dia 22 de julho, o grupo de refugiadas aumentou, porque algumas delas voltaram por não poderem permanecer mais em suas casas. No dia seguinte, o porteiro do convento as traiu. Os anticatólicos as encontraram na torre rezando o Rosário. Perguntaram quem era a Madre Superiora para interrogá-la sobre as riquezas que esperavam encontrar no mosteiro.
     A Madre ofereceu a própria vida em troca da de suas Irmãs, disse aos milicianos que Lucrécia era uma leiga, porém eles não a escutaram e quiseram saber onde estavam as outras monjas. Encontraram-nas no sótão, rezando de joelhos. Todas foram aprisionadas e começou para elas o Calvário.
     Os comunistas insultaram as religiosas, colocaram seus rosários ao redor de seus pescoços e, ridicularizando-as, puseram-nas em fila para arrastá-las pela rua. Somente uma delas, irmã de um famoso anarquista, foi poupada. Amparo Bosch Vilanova, testemunha ocular, descreveu o fim das outras Irmãs: “Colocaram-nas em fila como se fossem receber a Comunhão, empurraram-nas para a rua onde havia um caminhão, onde as jogaram como sacos de batatas, com uma violência tal, que com certeza lhes quebraram algum osso”.
     O caminhão se dirigiu a Santo André, onde as mulheres, depois de terem sido submetidas a prolongadas torturas, foram assassinadas. Algumas testemunhas disseram que por volta das 19 h desse dia foram ouvidos vários disparos. Os corpos das monjas foram deixados amontoados. Era um total de dez, nove religiosas e uma leiga. Tinham feridas de arma branca no peito e nas partes íntimas, as roupas arrancadas.
     Enquanto eram torturadas pelos “vermelhos”, todas as monjas, e com elas Lucrécia, temiam mais a violação do que a morte e em seus corpos deixaram sinais de uma luta terrível. Uma mulher relatou que os próprios agressores ficaram perturbados diante da valentia dessas mulheres, inclusive comentado no bar, depois de tê-las martirizado: “Que monjas mais valentes morreram hoje!” Segundo outras testemunhas, as dez mártires haviam dado suas vidas rezando de joelhos e pedindo o perdão para seus verdugos.
     No dia 13 de outubro de 2013, 522 mártires da Guerra Civil Espanhola foram beatificados em Tarragona. Entre os mártires estavam sacerdotes, religiosos, religiosas, vários leigos que deram sua vida em defesa da Fé, inclusive Lucrécia Garcia Solanas. 

As mártires Descalças Mínimas


Etimologia: Lucrécia, do latim Lucretius: “que atrai, que lucra”. Alguns estudiosos acreditam que deriva do Monte Lucretilis, em Sabina, Itália, de onde a gens Lucretia proveio.

Postado neste blog em 20 de julho de 2014

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Santa Odília de Colônia, mártir – 18 de julho


Santa Odília e os crúzios que encontraram suas relíquias
Padroeira dos Cônegos Regulares da Ordem da Santa Cruz

     Odília de Colônia foi uma mártir e santa da Igreja Católica do século IV, filha de um poderoso governante da Grã-Bretanha. Por volta do ano 383 Odília e dez outras virgens, entre elas Santa Úrsula, partiram da Inglaterra, em uma peregrinação ao Oriente. Essas virgens foram procurar um lugar onde pudessem praticar sua fé em paz e sossego, mas às portas de Colônia (Alemanha) foram recebidas pelos bárbaros Hunos e morreram em defesa de sua pureza e fé cristãs.
     Cerca de 800 anos mais tarde, em 1287, Odília apareceu a João Novelan, um irmão dos Cônegos Regulares da Ordem da Santa Cruz, e lhe disse que tinha sido nomeada por Deus para ser a Padroeira e Protetora dos membros da Ordem (agora comumente chamados de Padres Crúzios). Ela informou também que suas relíquias se encontravam em um pomar em Colônia e pediu-lhe para desenterrá-las. Ele pediu a permissão de seu superior, mas foi recusada. Santa Odília apareceu mais duas vezes. Finalmente, o Prior consentiu e ordenou um padre da Ordem para acompanhar o irmão.
     Quando os dois chegaram à Colônia, tiveram problemas em encontrar as relíquias. Eles informaram o arcebispo, que veio pessoalmente para testemunhar os resultados. Três urnas foram descobertas, e nelas foram encontrados os restos mortais de Odília, Ida e Ema.
     Santa Odília havia instruído o Irmão João que suas relíquias deviam ser levadas para a Casa Mãe da Ordem em Huy, na Bélgica.
     Em 1797, na época da Revolução Francesa, o Mosteiro de Huy foi totalmente destruído, entretanto um padre conseguira escapar com as relíquias de Santa Odília. As relíquias permaneceram em uma igreja paroquial em Kerniel, Bélgica, durante muitos anos.
     Felizmente, em 1949, suas relíquias foram devolvidas para a Ordem, e uma grande porção de seus ossos foi levada para Onamia, Estados Unidos, onde permanecem em um relicário de mármore, dentro de um santuário.
     Santa Odília é a Padroeira dos Crúzios e sua festa litúrgica é no dia 18 de julho.

*

    Os Cruzios
     A palavra significa portadores cruzados; foram fundados no ano de 1210 em Liege, Bélgica, pelo Beato Teodoro De Celles. Em 1287 Odília apareceu para o Irmão João de Eppa no mosteiro em Paris. Ela explicou que Deus ordenara que ela seria a protetora da Ordem. Ela disse-lhe onde suas relíquias seriam encontradas, e afirmou que elas deveriam ser levadas para a Casa-Mãe em Huy, Bélgica.
     A Ordem sofreu muito durante as Revoluções Protestante e Francesa. A Casa-Mãe foi destruída em 1797, mas um padre escapou com as relíquias de Sta. Odília. Mais tarde, elas foram encontradas em uma igreja paroquial em Kerniel, Bélgica. Finalmente, em 1949, as relíquias foram devolvidas aos crúzios e foram levadas em procissão solene ao mosteiro s Ordem em Diest, Bélgica.
     Em 1850, os crúzios chegaram à região de Green Bay, Wisconsin, mas ficaram apenas cerca de 26 anos. Em 1910, vários membros da Ordem se estabeleceram em Onamia (*), viajando da Holanda com imigrantes holandeses. Em 1922, eles tinham construído uma igreja e um mosteiro. Em 1952, uma grande porção de um osso do braço foi trazida para a Onamia e um santuário foi criado para homenagear a Padroeira dos Cegos e Aflitos e a Padroeira da Ordem Crosier. Muitas curas foram obtidas através da intercessão de St. Odília. Vale a pena uma viagem à Onamia para ver esse lindo santuário, os vitrais na capela e os prédios históricos.
     Em 2010, os crúzios celebraram seu Ano Jubilar, 800 anos desde a fundação da Ordem em 1210 e 100 anos desde seu estabelecimento permanente nos Estados Unidos em 1910. Hoje, mais de 400 crúzios vivem e servem a Igreja em onze países em cinco continentes, incluindo 75 deles nos Estados Unidos. Os crúzios comprometem-se com uma vida de comunidade, oração e ministério; eles compartilham uma espiritualidade, a da cruz. Santo Agostinho ensinou que conhecemos e experimentamos Deus em nossas relações com os outros, especialmente na comunidade. O título canônico completo é o Cânones Regular da Ordem da Santa Cruz de Santo Agostinho.

(*) Onamia é uma cidade localizada no estado americano de Minnesota, no Condado de Mille Lacs.
 
Relicário de Santa Odília de Colônia

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Santa Generosa e companheiros mártires – 17 de julho

     
     No século II da era cristã, Scili era uma pequena província romana do norte da África, não muito distante da capital Cartago, onde residia Saturnino, o procônsul designado pelo imperador Cômodo.
     Cômodo governou o Império Romano por doze anos. Era um tirano cruel e vaidoso. Para divertir-se, usava roupas de gladiador e matava seus opositores desarmados no Anfiteatro Flávio, atualmente conhecido como Coliseu. Durante o seu reinado, determinou que os cristãos voltassem a ser sacrificados.
     A Cartago romana deveu seu resplendor principalmente ao cristianismo, bem depressa aceito por seus habitantes. Consta que foi o apóstolo São Marcos que a evangelizou. Logo foi elevada à condição de diocese e tornou-se a pátria de grandes santos, como Cipriano, Agostinho e muitos outros. Mas também foi o local onde inúmeros cristãos morreram martirizados, após serem julgados e condenados pelo procônsul Saturnino, que obedecia às ordens de Roma.
     Nessa ocasião, na pequena vila de Scili, doze fiéis professavam, tranquilos, o cristianismo. Eram todos muito humildes e foram denunciados pelo "crime" de serem cristãos. Então, foram simplesmente presos e levados pelos oficiais do procônsul a Cartago, para serem julgados.
     Naquela cidade, no dia 17 de julho, na sala de audiências, Saturnino começou dizendo aos acusados que a religião dele mandava que os súditos jurassem pela "divindade" do imperador e que, se eles fizessem tal juramento, o soberano os "perdoaria". Assim, foram todos interrogados, entre os quais Generosa. Eles confessaram a fé em Cristo e disseram que nenhum tipo de morte faria com que desistissem dela.
     Outra vez Saturnino ordenou que renegassem a fé cristã, que adorassem o imperador. Então Esperato, em nome de seus companheiros, respondeu que não reconheciam a divindade do imperador e que serviriam unicamente a Deus, que era o Rei dos reis e o Senhor de todos os povos. Não temiam a ninguém, a não ser ao Senhor Deus, que está nos céus. E que desejavam continuar fiéis a Ele e perseverar na fé: sim, eram cristãos.
     Diante de tão clara e direta confissão, o procônsul sentenciou: "Ordeno que sejam lançados no cárcere, pregados em cepos e decapitados: Generosa, Vestina, Donata, Januária, Segunda, Esperato, Narzal, Citino, Vetúrio, Félix, Acelino e Letâncio, que se declaram cristãos e se recusam a tributar honra e reverência ao imperador".
     Assim está descrito o martírio de Santa Generosa e seus companheiros no catálogo oficial dos santos, também chamado Martirológio Romano.
     A veneração litúrgica de Santa Generosa é celebrada no dia de seu trânsito para a vida eterna.


Relíquia de Santa Generosa
     A relíquia de Santa Generosa foi conseguida em Roma pelo Revmo. Padre Francisco Freire de Moura Filho, capelão militar, no final da 2ª. Guerra Mundial, em 1945, e oferecida a Paróquia de Santa Generosa (São Paulo, Capital) por ser amigo pessoal do Padre Pedro Gomes, segundo vigário daquela Paróquia (Liv. Tombo 2, pg. 94 vs.). Ela foi exposta aos fiéis, pela primeira vez, na novena da Padroeira em 1946. Trata-se de um pedacinho de osso de Santa Generosa que, corajosamente, preferiu a morte a negar seu Deus verdadeiro.
     Todos os meses, no dia 17, o padre celebrante dá a bênção com a relíquia de Santa Generosa, no final das Missas.
     Os relatos dos mártires da Igreja primitiva constituem umas das páginas mais grandiosas do Cristianismo. O termo “mártir” vem do grego “martys”, que significa “testemunha”. Na terminologia teológica este mesmo termo, já desde os primeiros séculos, designa a pessoa que tenha dado testemunho em favor de Cristo e de sua doutrina com o sacrifício da própria vida. 
     Ainda hoje, no calendário litúrgico, grande parte dos santos venerados pertence aos mártires dos primeiros séculos. Um dos textos mais irrecusáveis, por ter sido redigido no momento em que os fatos se produziram, trata do “Processo dos Mártires Scilitanos”.
     Naqueles idos governava a Igreja Católica o Papa Santo Eleutério (174-189); na sede episcopal de Cartago estava Santo Agripino; em Roma era imperador Aurélio Cómodo, jovem de 19 anos, vaidoso, frívolo, cujo prazer era ver os cristãos na boca dos leões. Esse era o panorama da Igreja e do Estado no dia 17 de julho do ano 180, quando no burgo de Scili foram presos 12 fiéis e levados a Cartago para serem julgados por serem cristãos.
     Compareceram à sala de audiências: Esperato, Natzalo, Citino, Donata, GENEROSA, Secunda, Januária, Vetúrio, Felix, Acelino, Letâncio e Vestia. O procônsul Saturnino tentou convencer o grupo de cristãos a jurar pela divindade do Imperador e assim obter o perdão. Todos juntos disseram que queriam continuar sendo cristãos: “A ninguém tememos, a não ser ao Senhor nosso Deus, que está no Céu. Nós conhecemos o verdadeiro Deus, o verdadeiro Imperador dos povos”.
     Diante de tão clara e direta confissão, o procônsul sentenciou: “Ordeno que sejam lançados no cárcere, pregados em cepos e decapitados por declarar-se cristãos e recusar-se a tributar honra e reverência divina ao Imperador Aurélio Cómodo”. 
     E foi assim que receberam juntos a coroa do martírio. Ao ler a narrativa das Actae Martyrum, a impressão que se nos impõe é a de uma coragem sublime bem acima das forças humanas. Assim cantamos o seu hino:

“Do martírio sangrento da arena,
Junto ao trono de Deus foi viver,
Generosa de aromas divinos,
Abençoai-nos, ó nossa Padroeira, Amém!”

Fontes:

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Santa Mildred, Abadessa de Minster-in-Thanet - 13 de julho

     
     Mildred foi uma abadessa do mosteiro Minster-in-Thanet em Kent (sudeste da Inglaterra), um dos conventos mais ricos da Inglaterra anglo-saxã. (Minster, que deriva de monasterium em latim, foi o termo inglês antigo para praticamente qualquer instituição eclesiástica, e não distingue claramente entre conventos e mosteiros, ou conventos e igrejas.)
     Há inúmeros textos sobre a Vitae de Santa Mildred, com análises detalhadas de David Rollason em A Legenda de Mildred: um estudo da hagiografia medieval na Inglaterra (Leicester: Universidade de Leicester Imprensa 1982) e de Stephanie Hollis, A História da Fundação de Minster-in-Thanet, Inglaterra anglo-saxã, 27 (1998).
     A sequência de textos sobre Mildred é particularmente importante porque a versão mais antiga, agora perdida, parece ter sido composta no início do século VIII. Além disso, Hollis argumentou que o texto original apresenta as tradições das mulheres que viviam em Minster-in-Thanet, em vez das tradições monásticas masculinas que normalmente aparecem em outros textos. O início da Igreja anglo-saxã parece ter se caracterizado por dar mais destaque às mulheres do que mais tarde e os textos sobre Mildred fornecem uma visão útil de como isto se dava.
     O primeiro e o principal texto, uma versão relativamente simples e completa, é uma abreviação no inglês antigo da legenda original de Mildred que foi perdida (ou talvez uma versão independente com base nas mesmas tradições), conhecida como Tha Halgan ("Os Santos"), ou a Legenda Real de Kent, que talvez tenha sido composta em Kent (o se pode deduzir pois no texto aparece a palavra sulung distintamente da região de Kent), entre 725 e 974.
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     Mildred, também conhecida como Mildthryth, Mildryth ou Mildrith, era a filha do rei Merewalh de Magonsaete, um sub-reino de Mércia, e de Santa Eormenburga, filha do rei Etelberto de Kent e, como tal, personagem das Legendas Reais de Kent.
     Suas irmãs, Milburga e Mildgytha também foram canonizadas. Goscelin, se baseando numa história agora considerada perdida dos governantes do reino de Kent, escreveu uma hagiografia sobre Mildred.
     A família materna de Mildred possuia laços íntimos com os monarcas Merovíngios de Gaul, e acredita-se que Mildred tenha sido educada na prestigiosa Abadia de Chelles. Ela entrou na abadia de Minster-in-Thanet, a qual sua mãe havia estabelecido, e da qual se tornou abadessa em 694.
     Acredita-se que seus laços com Gaul foram mantidos, já que existe uma série de dedicações a Mildred em Pas-de-Calais, incluindo em Millam. Mildred morreu provavelmente em 716 (ou 733), em Minster-in-Thanet e ali foi enterrada.
     Seus restos mortais foram transferidos para a Abadia de Santo Agostinho, na Cantuária, em 1030; a data é comemorada em 18 de maio. Mildred parece ter sido substituída na função de abadessa por Edburga de Minster-in-Thanet, correspondente de São Bonifácio.
     Santa Mildred é celebrada no dia 13 de julho.
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     A Abadia de Minster-in-Thanet é o coração de Thanet. Em 597, o Papa S. Gregório Magno enviou para ali Santo Agostinho da Cantuária, que iniciou sua missão de evangelização do povo anglo-saxão. Alguns anos depois de sua chegada à Thanet, a Cristandade já havia se espalhado por toda a região da Inglaterra e a vida monástica começou a florescer. Minster-in-Thanet foi uma das primeiras fundações monásticas. O mosteiro foi construído no ano de 670 d.C. pela mãe de Santa Mildred, que foi a segunda abadessa do mosteiro.
     Santa Mildred era uma das mais amadas Santas anglo-saxãs e é a padroeira de Thanet. Durante o período em que foi abadessa, a igreja do mosteiro era dedicada aos Santos Apóstolos Pedro e Paulo. O mosteiro foi atacado inúmeras vezes e provavelmente destruído durante as invasões viking nos séculos 9 e 10. Escavações dos anos 1930 descobriram as fundações de seus edifícios.
     A história da fundação da Abadia de Minster-in-Thanet está bem documentada nas antigas crônicas e atestada por vários capítulos da Legenda dos Reis de Kent.
     Em 1027 a propriedade foi dada à Abadia de Santo Agostinho e o mosteiro foi reconstruído. A Ala Saxã, a mais antiga das partes da abadia, com uma pequena capela, ainda está em uso pela comunidade atual. Os monges logo assumiram a vida de oração e reedificaram a igreja do mosteiro bem como a igreja paroquial, que se tornou conhecida como a catedral. Por muitos anos os monges serviram de sacerdotes na paróquia de Thanet.
     Com os habitantes da região, os monges tornaram as terras agriculturáveis e construíram instalações para acomodar hóspedes e peregrinos que visitavam as relíquias de Santo Agostinho da Cantuária.
     A Abadia foi o lar dos monges por 500 anos. Na época de Henrique VIII, os monges foram obrigados a abandoná-la e a propriedade passou para mãos particulares.
     Em 1937, a comunidade beneditina católica de Santa Valburga, da Bavária, reestabeleceu a vida monástica da Abadia. Mais uma vez, ela se tornou local de oração e dedicação a Deus.
     Como nos dias de Santa Mildred, hospitalidade é um importante aspecto da vida monástica e uma forma de partilhar as ricas heranças beneditinas. As irmãs têm uma Casa de Hóspedes que fica no local do antigo mosteiro. A Abadia atrai centenas de visitantes todo ano. Embora seja um monumento antigo, é também o local de uma comunidade viva. Alguns vão à Abadia por motivos históricos, outros por perspectivas arqueológicas. Mas vários vão para encontrar a paz e para rezar na capela, desfrutando da sacralidade de um local aonde a adoração a Deus vem sendo cantada por muitos séculos.

Postado neste blog em 12 de julho de 2014

Referências: Ir para abc St. Augustine's Abbey, The Book of Saints, A&C Black. Ltd., London, 1921

Etimologia: Mildred, do alemão antigo Miltr(a)aud: (milti) “graciosa, risonha” e (trud) “amável, afetuosa, familiar”.

sábado, 11 de julho de 2020

Santa Maria de Atocha - 10 de julho

     

     A presença da imagem da Virgem de Atocha dentro do acervo do Museu Santa Clara (Bogotá, Colômbia) é resultado da migração de algumas devoções marianas espanholas que vieram para a América com o processo de evangelização.
     O culto desta devoção madrilenha surgiu durante o reinado de Afonso VI (c 1040-1109), a partir de um relato segundo o qual uma escultura da Virgem, supostamente feita por São Lucas e Nicodemos, foi trazida para a Espanha pelos apóstolos Pedro e Tiago. Seus portadores, deixaram a escultura em um santuário localizado em um campo de atochas, planta herbácea com folhas duras, ao lado do rio Manzanares.
     No início da invasão muçulmana no século VIII, a imagem desapareceu e mais tarde foi encontrada por Gracián Ramirez de Vargas, um cavaleiro cristão que construiria um eremitério consagrado a ela.
     Conta a história que durante o Reconquista a escultura realizou inúmeros milagres, apoiando assim a vitória da Coroa Espanhola sobre os islâmicos. A fama das maravilhas feitas por esta Virgem foi espalhada nas Cantigas de Alfonso X o Sábio (1221-1284) e seu culto foi especialmente apoiado pela monarquia. Por exemplo, Filipe II (1527-1598) lhe deu o Patrocínio Real; Filipe III (1578-1621) tinha essa imagem ao seu lado na época de sua morte, e Afonso XIII (1886-1941) casou-se em sua capela.
     A pintura atual é uma réplica de uma pequena escultura românica feita por volta do século XIII. Esta escultura mostra a Virgem sentada em um trono. Aos seus pés está o crescente simbolizando a Imaculada Conceição. O Menino Jesus descansa em sua perna esquerda e em sua mão direita segura uma maçã, substituída na representação pictórica por um buquê de flores. Para o século XVII, essa imagem foi dotada de atributos barrocos, como a vestimenta falsa que dá uma forma cônica à figura da virgem, como visto na pintura do antigo templo clariano.


O Santo Menino de Atocha
     A devoção ao Santo Menino de Atocha teve origem na Espanha; está relacionado com Nossa Senhora de Atocha, que é mencionada nas "Cantigas" do Rei Afonso, o Sábio, no século XIII.
     Em 711, os mouros dominaram vastas regiões da Espanha e as batalhas entre católicos e mouros eram comuns. Estes últimos invadiram a cidade de Atocha, perto de Madri, e foram vitoriosos mantendo muitos católicos cativos e até impediu que os aldeões trouxessem comida e água para os cativos, exceto crianças menores de doze anos, que foram autorizadas a ajudar os prisioneiros. Para aqueles que não tinham familiares por perto, esta teria sido uma certa sentença de morte.
     Temendo pela vida dos prisioneiros, as famílias rezaram incessantemente a Deus por alívio e imploraram à Mãe de Deus sob o título Nossa Senhora de Atocha.
     As pessoas que viajavam naqueles dias também se encontravam em grande perigo. Muitas vezes, quando visitavam parentes distantes, eles eram agredidos e mortos nas estradas. Muitos dos viajantes eram católicos e os estaleiros tinham medo de lhes fornecer hospedagem por medo da crueldade dos mouros. Como resultado, muitos viajantes tiveram que dormir nas florestas abertas ou perto das principais estradas, tornando-os ainda mais vulneráveis a ataques. 
     Em pouco tempo, relatos de um menino de doze anos de idade, vestido como um peregrino e trazendo-lhes comida e bebida começaram a surgir. Ele aparecia especialmente para eles quando eles se encontravam em situações perigosas, muitas vezes apontando para eles o caminho seguro a tomar para evitar qualquer perigo. Muitas vezes, Ele os acompanhava em sua jornada. As descrições dele eram sempre as mesmas: ele tinha uma roupa de peregrino, um chapéu com uma pluma e uma capa sobre Seus Ombros.
     Quanto aos prisioneiros, um dia um menino com cerca de 12 anos apareceu, vestido como peregrino, carregando uma cesta de comida e uma cabaça de água. Os mouros permitiram que ele trouxesse comida e água todos os dias. Todo o tempo os cativos eram alimentados, a cesta e a cabaça permaneciam cheias. A criança não era conhecida por ninguém pelo nome, mas todas as pessoas perceberam que era o Menino Jesus, disfarçado de peregrino, que tinha vindo em seu socorro.
     Quando as mulheres ouviram as histórias sobre o Santo Menino, correram para a capela para agradecer a Nossa Senhora por enviar seu Filho. Ao entrar na capela, elas notaram que os sapatos do Menino na imagem de Nossa Senhora de Atocha estavam empoeirados e desgastados. As mulheres da aldeia substituíram seus sapatos.
     Em arte, o Santo Menino muitas vezes usa um chapéu de aba com uma pluma e um manto ou capa ornamentada com a concha de São Tiago; durante as Cruzadas, conchas vieiras eram o símbolo de peregrinações sagradas e uma variação europeia ainda é referida como "o peregrino" ou "concha de São Tiago".
     Os exploradores espanhóis e franciscanos evangelizaram o novo mundo; muitas imagens de Jesus e Maria foram trazidas da Espanha; em 1554, as imagens do Santo Menino foram trazidas de Atocha, Espanha, para a vila de Fresnillo em Zacatecas, México. Imediatamente, muitos aldeões afirmaram ter visto o pequeno peregrino e relataram milagres atribuídos ao Santo Menino de Atocha.