segunda-feira, 6 de abril de 2026

Santa Gala de Roma, Viúva, Matrona - 6 de abril

 A Mulher que Transformou a Dor em Santidade
 

     Transcorria o período de violências que causou a decadência do Império Romano do Ocidente (476). Quinto Aurélio Símaco, patrício romano, ao ser eleito Prefeito de Roma, em 476, membro do senado, um inteligente e virtuoso patrício de Roma, que por muitos anos foi conselheiro do Rei Teodorico, tentou manter boas relações com os soberanos Bárbaros. Tornou-se Cônsul, em 485, e, depois, também chefe do Senado, até à ruptura definitiva com Teodorico, que o condenou à morte em Ravena (525) sob infundadas suspeitas de traição.
     Quinto Aurélio tinha uma filha, Gala, casada com um nobre romano, de nome desconhecido. Tendo enviuvado um ano depois, embora fosse estimulada pelos parentes a contrair novas núpcias, preferiu se consagrar a Deus, inicialmente no exercício das obras de misericórdia e depois se retirando em um mosteiro por ela fundado nas proximidades da basílica vaticana de São Pedro.
     Sendo rica, decidiu se retirar para o Monte do Vaticano e fundou um hospital e o convento no qual passou a viver. Gala permaneceu no convento pelo resto da vida, cuidando dos doentes e pobres, antes de morrer em 550. Diz-se que Gala curou uma garota surda e muda, abençoando um pouco de água e dando-a para a menina beber.
     Ali viveu, afirma São Gregório Magno, muitos anos “na simplicidade do coração, dedicada à oração, distribuindo grandes esmolas aos pobres”. A decisão da jovem suscitou uma salutar impressão em Roma e se difundiu largamente.
     Da Sardenha, onde se encontrava em exílio pela segunda vez, São Fulgêncio de Ruspe (que tinha tido ocasião de conhecer a família da santa em Roma) lhe enviou uma belíssima carta, quase um pequeno tratado em 21 capítulos ("De statu viduarum”), no qual a confirma na decisão tomada e lhe dá conselhos ascéticos.
     Antes de morrer a santa teve uma visão do apóstolo São Pedro, convidando-a ao céu. São Gregório se refere a esta visão em seus Diálogos, no livro IV, que tem por meta demonstrar a imortalidade da alma por meio de aparições ou visões ocorridas com almas eleitas.
     Segundo a tradição, a Virgem teria aparecido à santa enquanto esta executava uma de suas obras de caridade. A milagrosa aparição é recordada em uma apreciada pintura do século XI na igreja de Santa Maria em Portico in Campitelli.
     A festa comemorativa de tal aparição, por concessão da Congregação dos Ritos, se celebra em Roma no dia 17 de julho, enquanto Santa Gala é comemorada no Martirológio Romano no dia 6 de abril.
     Segundo a tradição, em 524, no pórtico da casa de Santa Gala, um ícone da Mãe de Deus apareceu na despensa onde a santa guardava os alimentos para os pobres. Um oratório, Santa Maria in Pórtico, foi construído no local para abrigar o ícone, que dizia-se ser levado em procissões desde 590 para evitar a peste. O Hospício de Sta. Gala, um abrigo noturno para indigentes, foi estabelecido ao lado pelo Papa Celestino III. Quando o ícone foi transferido para a recém-construída Santa Maria in Campitelli, Santa Maria in Pórtico passou a ser chamada Santa Galla Antiqua em homenagem à sua fundadora.
     Por volta da metade do século XVII, surgiu em Roma, por obra de M. A. Anastásio Odescalchi, primo do Beato Inocêncio XI, e com a aprovação deste Papa, um hospital dedicado à santa, no qual São João B. de Rossi desenvolveu durante muitos anos suas atividades e reagrupou em especial associações e sacerdotes dedicados a obras de apostolado entre as classes mais humildes. Em 1940, uma igreja paroquial foi dedicada à santa em Roma.
 Legado:
     A biografia de Gala consta nos Diálogos de São Gregório Magno Acredita-se também que Gala tenha sido a inspiração para a carta de São Fulgencio de Ruspe, intitulada "De statu viduarum".
     A nova igreja dedicada a Gala, localizada no bairro de Ostiense, foi consagrada em 1940. Gala é um dos 140 santos cujas imagens adornam a colunata da Praça de São Pedro.
 
Etimologia: 
     Gala é um nome de origem latina derivado de Gallus/Galla, gentílico para referir-se aos naturais da Gália, que seria a atual França. Este nome já fora usado como nome próprio na época romana. Foi, por exemplo, o nome de uma imperatriz romana, Gala Placídia, filha de Teodósio o Grande. Seu uso se estendeu na época cristã, quando alguns santos e santas tinham este nome, como São Galo, Bispo de Clermont, ou Santa Gala, viúva, século VI, objeto desta publicação.
 

Hospício e igreja de Sta. Gala
 
Fontes:
S. Gala, viúva romana - Informações sobre o Santo do dia - Vatican News
Santa Gala, viúva romana - Arquidiocese de São Paulo

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