domingo, 17 de abril de 2011

Beata Catarina Tekakwitha, o Lírio dos Mohawks - Festejada 17 de abril

     No ano de 1655, uma jovem índia foi capturada durante uma invasão dos Iroqueses. Seu nome era Kahenta. Nascera Algonquin e fora convertida pelos padres jesuítas. Levada para o território dos Mohawks, ela se casou com um chefe Mohawk pagão, que a salvara das torturas e morte, destino de muitos cativos. A aldeia dos Mohawks ficava em Ossernenon, ao longo da margem sul do Rio Mohawk, próximo da atual Auriesville, Estado de Nova York.
     No ano de 1656, nasceu a pequena Tekakwitha, “a que põe as coisas em ordem”, e tempos depois seu irmãozinho. Tekakwitha tinha mais ou menos quatro anos quando uma epidemia de varíola exterminou muitos habitantes da aldeia, entre eles seus pais e irmão. A pequena sobreviveu, mas a doença deixou marcas em seu rosto, sua visão é afetada e sua saúde se ressentiria para sempre. Tendo ficado órfã, seu tio, o novo chefe da aldeia, a adotou.
     Após a epidemia, a aldeia foi abandonada e os sobreviventes construíram um novo povoado chamado Caughnawaga, há umas cinco milhas de distância.
     Embora sua mãe tivesse sido batizada, Tekakwitha não o fora, mas ela era católica no fundo da alma. Ela sentia muita solidão, em parte devido à sua pouca visão e à sua aparência, mas também porque percebia o que tinha de errado na vida dos Mohawks. Ela era uma criança doce e tímida. Ajudava suas tias a trabalhar no campo, onde cultivavam milho, feijão e abóbora; cuidava da tenda em que viviam. Apesar de sua visão deficiente, ela também se tornou muito hábil no trabalho com contas.
     Talvez devido às marcas em seu rosto, ela não gostava de danças e celebrações. As torturas brutais de prisioneiros era algo em que toda a aldeia participava com entusiasmo, mas Tekakwitha não podia ver os sofrimentos impingidos às vítimas e permanecia sozinha em sua tenda.
     Os Iroqueses foram vencidos pelos Franceses quando ela tinha em torno de dez anos. Um tratado de paz foi assinado, que permitia aos padres jesuítas a ida às aldeias Mohawks. Embora contra a oposição da sua tribo, da sua família e especialmente de seu tio, Tekakwitha com freqüência encontrava-se com os padres que vinham à aldeia e aprendia tudo que podia sobre Deus.
     No ano de 1670, a Missão de São Pedro foi estabelecida na aldeia Caughnawaga e uma capela foi construída em uma das tendas. Em 1674, o Padre James de Lamberville, jesuíta missionário, chegou a Caughnawaga para cuidar da Missão de São Pedro.
     Tekakwitha compreendia apenas algumas coisas sobre a Fé pregada pelos missionários, mas havia nela um grande desejo de aprender tudo que pudesse sobre o Catolicismo. Ela desejava mais que tudo ser batizada e viver uma vida católica.
     Seus tios têm outros planos para ela: frustrados por suas contínuas recusas ao casamento, decidem enganá-la. Uma noite, eles pedem que ela vista suas melhores roupas, pois receberiam convidados. Eles chegaram: era um jovem e sua família. Os tios fazem-no sentar-se ao lado de Tekakwitha e ordenam que ela sirva sopa ao rapaz. Logo ela percebeu a trama: se ela oferecesse a ele a tigela, isto significaria que ela aceitava o casamento. Ela atirou a sopa no fogo e correu para fora da tenda em lágrimas, escondendo-se na plantação de milho até que os convidados tivessem partido.
     Um dia, o Pe. de Lamberville, sabendo embora da hostilidade de seu tio, seguiu um forte impulso e foi visitá-la e ela revela o seu grande desejo de ser batizada. Vendo a sinceridade da jovem, ele concordou em instruí-la. No dia 5 de abril de 1676, com a idade de vinte anos, Tekakwitha foi batizada na pequena capela da Missão, recebendo o nome de Kateri ou Catarina.
     A família de Catarina não aceitou sua escolha e passou a tratá-la como uma escrava; ela se tornou objeto de crueldades por parte de seu povo. Quando ela ia para a capela ou para a fonte, as crianças atiravam lama e pedras nela. Certa vez, quando se encontrava sozinha na tenda, um homem entrou abruptamente, brandindo um grande porrete de guerra e, dirigindo-se a ela, ameaça-a com a morte caso não renuncie à religião dos Roupas Pretas (era assim que os índios designavam os missionários). Catarina responde que ela preferia morrer a desistir de sua fé. Vendo-a tão calma, com suas mãos cruzadas e sua cabeça curvada, o atacante subitamente perde a coragem, larga o porrete e foge da tenda.
     Em virtude das hostilidades crescentes e porque ela desejava devotar sua vida a Deus, ela quer deixar Caughnawaga. Havia uma outra aldeia com o nome de Missão de São Francisco Xavier, em Sault St. Louis, próxima da colônia francesa de Montreal, uma missão jesuítica no Canadá para índios convertidos que como Catarina não tinham tranqüilidade nem segurança em suas aldeias. Uma antiga amiga de sua mãe, Anastastia Tegonhatsiio, já tinha ido para lá, mas seu tio não a deixaria ir.
     Em julho de 1677, o Pe. de Lamberville conseguiu que ela escapasse enquanto seu tio estava ausente numa viagem de negócios. Com ela foram mais duas pessoas.
     A viagem a pé, de mais de dois meses, não foi muito fácil: além das 300 milhas por densas florestas, vales profundos, rios e pântanos, seu tio, ao saber da fuga estava ao seu encalço. Catarina e seus companheiros, entretanto, conseguem escapar. Quando eles chegam ao Lago George, chamado na língua de Catarina, Andiarocte, eles encontram uma canoa e atravessam os Lagos George e Champlain em direção ao Canadá. Finalmente eles chegam sãos e salvos na aldeia da Missão; Catarina corre para a capela para render graças a Deus.
     Catarina recebeu a 1a. Comunhão no Natal do ano de 1677. Foi o dia mais feliz de sua vida. Ela tem então um lema: “Quem pode dizer-me o que mais agrada a Deus, para que eu o faça?” Embora não soubesse nem ler nem escrever, ela se dedica a ajudar os outros. Tem uma vida plena de oração, penitência, devotada a ensinar os mais jovens, a cuidar dos doentes e dos mais idosos.
     Era grande sua devoção a Mãe de Deus. Aprendeu rapidamente a Ladainha Lauretana de cor. Seu Rosário estava sempre à mão e Nossa Senhora era o seu modelo. A vida religiosa a atraia, mas os missionários negam-lhe permissão, pois ela só tem três anos de conversão.
     A 25 de março de 1679 Catarina tornou-se Esposa de Cristo: após a Sagrada Comunhão ela faz voto de perpétua virgindade. Na mesma ocasião ela se oferece a Maria Ssma. como filha.
     Catarina e Maria Teresa (Tegaiaguenta) tornaram-se grandes amigas e nesse ano de 1679 obtêm permissão para começar um pequeno convento na Missão.
     Como resultado de tribulações e austeridades, algum tempo depois de ter feito os votos ela caiu doente. Em breve está tão fraca, que não pode visitar a capela ou deixar o leito. Durante meses ela suportou grandes dores e febre contínua, mas nunca perdeu sua fé em Nosso Senhor Jesus Cristo e em Sua Mãe Ssma.
     Na Quinta-feira da Semana Santa, dia 17 de abril de 1680, por volta das quinze horas, ela expirou pronunciando com grande dificuldade e dor: “Jesus, Maria, eu Vos amo!”
     O Pe. Pierre Cholenec, um dos presentes no instante de sua morte, conta que, “no momento de sua morte, a face de Catarina, tão desfigurada em vida, quinze minutos após seu falecimento subitamente mudou e em instantes tornou-se tão bela, que assim que eu vi isto (eu estava rezando ao seu lado) eu dei um grito, fiquei tão aturdido, e mandei chamar o padre que estava atendendo as cerimônias da Quinta-feira Santa. Ao tomar conhecimento deste prodígio, ele acorreu com algumas pessoas que estavam com ele. Nós pudemos contemplar aquela maravilha até o momento de seu funeral. Eu admito francamente que meu primeiro pensamento, na ocasião, fora que Catarina podia ter entrado no Céu naquele instante e que ela tinha recebido – como por antecipação – em seu corpo virginal uma pequena indicação da glória que sua alma já teria possuído no Paraíso. Dois franceses provenientes de La Prairie de la Magdeleine vieram participar das cerimônias da Semana Santa. Eles passaram pela cabana de Catarina onde viram uma jovem deitada em seu tapete com uma tão bela e radiante face, que disseram um ao outro, “olhe esta jovem mulher dormindo tão pacificamente” e continuaram o caminho. Tomando conhecimento, minutos depois, de que se tratava de um cadáver, e que era Catarina, eles retornaram a cabana e se ajoelharam para se recomendarem às preces dela. Após ter manifestado sua devoção por ter podido admirar tão maravilhosa cena, eles quiseram demonstrar sua veneração pela jovem morta fazendo um caixão para conter tão preciosas relíquias”.
     A devoção por Catarina começou imediatamente. Antes de sua morte ela prometera, tal qual Santa Teresa de Lisieux, que se lembraria dos seus amigos da Terra e que os ajudaria do Céu. Ela logo cumpriu sua promessa: curas aconteciam quando ela era invocada ou quando se usava sua relíquia.
     No início no século XX foram feitos pedidos a Roma para sua canonização. Declarada Venerável a 3 de janeiro de 1943 pelo Papa Pio XII, ela foi beatificada por João Paulo II em junho de 1980.
     Santuários dedicados a Bem-aventurada Catarina Tekakwitha foram erigidos em São Francisco Xavier, Caughnawaga, em Auriesville e em muitos outros lugares. Milhares de fiéis peregrinam a esses locais até nossos dias.
     A Bem-aventurada Catarina Tekakwitha é a primeira americana nativa declarada bem-aventurada. É festejada a 17 de abril.

sábado, 16 de abril de 2011

Santa Bernadette Soubirous - Festejada 16 de abril

A tragédia da família Soubirous

     No meio das famílias pobres de Lourdes havia uma sobre a qual a inclemência dos flagelos se abateu com especial empenho: a de Francisco Soubirous, sua esposa Louise e seu quatro filhos: Bernadette, a mais velha, Marie, Jean-Marie e Justin.
     A desgraça atingira-os sem piedade. Francisco e Louise pertenciam a famílias de proprietários de moinhos de trigo. Esta condição não era apenas uma fonte de renda, mas um título de honra e preeminência no ambiente camponês de Lourdes. Mas, para eles tudo dera errado. A crise arruinou seus moinhos. As dívidas e maus negócios consumiram o resto. Caíram numa miséria tão funda que perderam até a casa onde moravam.
     Em desespero de causa, tiveram que se instalar numa antiga cela da prisão da cidade que fora desativada por falta de condições higiênicas. Ali vivia Santa Bernadette no tempo das aparições. É o famoso “cachot” (cela) onde hoje os peregrinos se recolhem em admirada contemplação como num local sagrado. Um modesto quartinho com uma lareira e uma minúscula pia. A única janela, ainda hoje fechada por grades carcerárias, dava para um curral pestilencial.


Santa Bernadette Soubirous

     Bernadette Soubirous, como vimos acima, pertencia a uma família pobre; durante vários anos lhe foi confiada a guarda de rebanhos; aprendia com dificuldade o catecismo: - Vai, nunca serás mais do que uma louca e uma ignorante, dizia seu catequista desesperado. E Bernadete, confusa e meiga, lhe testemunhava ainda mais ternura.
     Um pouco depois, a Santíssima Virgem lhe apareceu várias vezes, nas margens do Gave. Este privilégio não excita seu amor próprio.
     - Eu não sei, dizia ela, se a Santíssima Virgem me escolheu por ser a mais ignorante!
     E numa outra ocasião, acrescentava:
     - Que mérito posso ter? A Santíssima Virgem se serviu de mim como duma pedra… fez como os bois de Betarram, que descobriram uma estátua.
     Às três horas da tarde do dia 16 de abril de 1879, os olhos que tinham visto Maria Santíssima se fecharam para sempre. Ainda na agonia ouviram Bernadette dizer “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por mim, pobre pecadora”. Alguns momentos depois, soltou o último suspiro. Tinha pedido orações por si, ainda mesmo depois que falecesse.
     Uma imensa multidão assistiu ao seu funeral no dia 19 de abril de 1879, que foi necessário ser adiado por causa da grande afluência de gente totalmente inesperada.
     O documento mais significativo acerca das aparições e da própria Bernadette, é uma carta datada de 1862, onde Bernadette relata com clareza todo o ocorrido durante as dezoito visões. Somente parte da carta está disponível ao acesso público:


     Eu tinha ido com duas outras meninas na margem do rio Gave quando eu ouvi um som de sussurro. Olhei para as árvores e elas estavam paradas e o ruído não eram delas. Então eu olhei e vi uma caverna e uma senhora vestindo um lindo vestido branco com um cinto brilhante. No topo de cada pé havia uma rosa pálida da mesma cor das contas do rosário que ela segurava. Eu queria fazer o sinal da cruz, mas eu não conseguia e minha mão ficava para baixo. Aí a senhora fez o sinal da cruz ela mesma e na segunda tentativa eu consegui fazer o sinal da cruz embora minhas mãos tremessem. Então eu comecei a dizer o rosário enquanto ela movia as contas com os dedos sem mover os lábios. Quando eu terminei a Ave Maria, ela desapareceu.
     Eu perguntei às minhas duas companheiras se elas haviam notado algo e elas responderam que não haviam visto nada. Naturalmente elas queriam saber o que eu estava fazendo e eu disse a elas que tinha visto uma senhora com um lindo vestido branco, embora eu não soubesse quem era. Disse a elas para não dizer nada sobre o assunto porque iriam dizer que era coisa de criança.
     Voltei no domingo ao mesmo lugar sentindo que era chamada ali. Na terceira vez que fui a senhora reapareceu e falou comigo e me pediu para retornar todos os próximos 15 dias. Eu disse que viria e então ela disse para dizer aos padres para fazerem uma capela ali. Ela me disse também para tomar a água da fonte. Eu fui ao rio que era a única água que podia ver. Ela me fez realizar que não falava do rio Gave e sim de um pequeno fio d’água perto da caverna. Eu coloquei minhas mãos em concha e tentei pegar um pouco do liquido sem sucesso. Aí comecei a cavar com as mãos o chão para encontrar mais água e na quarta tentativa encontrei água suficiente para beber. A senhora desapareceu e fui para casa.
     Voltei todos os dias durante 15 dias e cada vez, exceto em uma Segunda e uma Sexta a Senhora apareceu e disse-me para olhar para a fonte e lavar-me nela e ver se os padres poderiam fazer uma capela ali. Disse ainda que eu deveria orar pela conversão dos pecadores. Perguntei a ela, várias vezes, o que queria dizer com isto, mas ela somente sorria. Uma vez finalmente, com os braços para frente, ela olhou para o céu e disse-me que era a Imaculada Conceição. Durante 15 dias ela me disse três segredos que não era para revelar a ninguém e até hoje não os revelei.

     Bernadette foi submetida a métodos de interrogatórios, constrangimentos e intimidações pelas autoridades civis que seriam inadmissíveis nos dias de hoje. Não obstante, nunca vacilou em afirmar com toda a convicção a autenticidade das aparições, o que fez até a sua morte.
     Para fugir à curiosidade geral, Bernadete refugiou-se como "pensionista indigente" no hospítal das Irmãs da Caridade de Nevers em Lourdes, em 1860. Ali recebe instrução e, em 1862, fez de próprio punho o primeiro relato escrito das aparições (acima).
     No dia 18 de janeiro de 1862, Mons. Bertrand Sévère Laurence, Bispo de Tarbes, reconheceu pública e oficialmente a realidade do fato das aparições.
     Em julho de 1866, Bernadette iniciou o seu noviciado no convento de Saint-Gildard e, em 30 de outubro de 1867, fez a profissão de religiosa da Congregação das Irmãs da Caridade de Nevers. Dedicou-se à enfermagem até ficar imobilizada, em 1878, pela doença que lhe causou a morte.
     Desde 1858 até hoje, contínuas multidões se têm reunido em Lourdes, às vezes presididas por Papas ou seus Legados, e muito mais frequentemente por Bispos e Cardeais. Os milagres de curas são estudados com todo o rigor e só reconhecidos quando de todo certos. Mais numerosas são as curas de almas, embora mais dificeis de contar.
     Reduzida à sua expressão mais simples, poderiamos sintetizar desta forma a mensagem de Lourdes: A Virgem sem pecado, que vem socorrer os pecadores. E para isso propõe três meios: a fonte de águas vivas, a oração, a penitência.


Santa Bernadette, rogai por nós!


Fonte: Lourdes e suas aparições – ‘Santos de cada dia’, Pe. José Leite, S.J. 3ª. Edição.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Beata Margarida de Città de Castello - Festejada 13 de abril

     
"Meu pai e minha mãe me abandonarem, mas o Senhor me recebeu"

     A história da vida desta Beata foi escrita cerca de 30 anos após sua morte, por um religioso anônimo, que para seu relato se baseou nos testemunhos de muitas pessoas contemporâneos de Margarida.
     O Castelo de Metola, onde Margarida nasceu em 1287, era uma fortaleza situada no cume de uma montanha. Localizado na parte sul de Massa Trabaria, foi construído com um sistema de defesa quase inexpugnável. Hoje, somente uma torre permanece no local.
     Seus pais tinham esperado com alegria o nascimento de um herdeiro. Cheio de sonhos para o futuro dessa criança, ordenaram uma grande festa para o evento feliz, mas a decepção do casal não poderia ser mais amarga quando perceberam que a criança nascera cega, corcunda e com uma perna mais curta que a outra.
     Eles decidiram esconder todas as suas desgraças e confiar a criança a uma criada fiel, obrigada a mantê-la escondida. No maior segredo, a boa criada levou a criança a catedral de Mercatello para ser batizada.
     Crescendo, Margarida demonstrou uma inteligência extraordinária. O capelão do castelo educou-a o melhor que pode. Margarida facilmente memorizou os Salmos e outros versículos das Escrituras que ele lhe ensinou. Ele mesmo talhou na madeira uma bengala para tornar fácil sua locomoção, e ela logo aprendeu a orientar-se pelo castelo, nunca se aproximando do quarto dos pais, que não queriam encontrá-la.   
     Quando Margarida tinha seis anos de idade, passaram por Metola alguns visitantes, e quando a menina foi até a capela para rezar, foi vista por uma das convidadas que, obviamente, ficou intrigada com a presença da criança cega e aleijada.
     Para evitar futuros riscos de sua filha ser descoberta, o pai construiu uma cela perto da Igreja de Santa Maria della Fortezza, que ficava cerca de quatrocentos metros do castelo, no meio da mata, e ali trancou a filha, que passava o tempo rezando, nutrida pela comida que lhe era entregue pela janela.
     Nos nove anos que ela ali permaneceu, recebia visitas freqüentes do capelão. Este não concordava com a atitude dos pais da criança, mas nada podia fazer. Para compensar sua solidão, ele continuava a dar-lhe instrução religiosa e os Sacramentos. Ela também recebia raras visitas de sua mãe.
     Ela só foi retirada daquele lugar quando Massa Trabaria foi invadida por inimigos. Margarida terminou em um lugar pior, no porão do palácio de seu pai em Mercatello.
     Quando o perigo da guerra passou, seus pais decidiram levá-la ao túmulo de Frei Tiago, na Igreja de São Francisco, em Città di Castello, um franciscano que havia morrido em odor de santidade, na esperança de que um milagre pudesse curar sua filha.
     A viagem de um dia através das montanhas dos Apeninos foi longa e desconfortável. Margarida estava feliz e mais tarde contou que foi a única vez que seus pais lhe demonstraram amor.
     Mas, os pais ficaram decepcionados, pois o milagre não aconteceu... Sem dizer uma palavra, secretamente eles fizeram o caminho de volta, abandonando-a, livrando-se dela para sempre. Quando a jovem, que tinha cerca de quinze anos, se deu conta, seus pais a haviam abandonado naquela cidade completamente desconhecida.
     "Meu pai e minha mãe me abandonarem, mas o Senhor me recebeu", diz o salmista. E foi o que aconteceu com ela.
     Inicialmente alguns mendigos se apiedaram dela e ela tornou-se mendiga com eles. Após um curto período de tempo como mendiga, Margarida encontrou uma recepção calorosa nas famílias da cidade, que a hospedavam alternadamente, admirando sua bondade, sua serenidade, sua paciência inalterável. Com a oração contínua, ela recompensava seus benfeitores com a obtenção de apoio material e moral às suas famílias.
     Com cerca de 20 anos foi recebida em um mosteiro, onde com alegria começou uma nova jornada espiritual empenhando-se na observância da Regra de uma Ordem que o seu antigo biógrafo não revela o nome. Infelizmente nesse convento as religiosas viviam em um ambiente relaxado e, depois de um tempo, o comportamento da noviça cega que aderiu ao silêncio, a pobreza e a meditação, tornou-se um fator de desconforto no convento. Como Margarida recusasse qualquer abrandamento, foi dispensada do mosteiro e encontrou-se novamente sozinha e abandonada na rua.
     Foi então que ela conheceu, na Igreja da Caridade, dirigida por frades dominicanos, as Mantellate, membros leigos da Ordem da Penitência de São Domingos. Margarida foi recebida e assim, fazendo parte de uma família religiosa, encontrou irmãos e irmãs e um grande ideal para os quais se dedicar: contemplar a Deus e transmiti-lo com a oração e a penitência. A pobre cega também foi Mantellata.
     Apesar de seus infortúnios físicos, praticava um intenso apostolado de misericórdia junto aos doentes e moribundos, e aliviava os corações aflitos com uma boa conversa que a todos reconduzia ao amor de Deus.
      Claros sinais sobrenaturais revelavam que Margarida estava muito próxima do coração de Deus, e que O amava com um amor sempre mais puro e profundo. Duas vezes ela previu o futuro e suas profecias se cumpriram, obteve a cura milagrosa de uma jovem e apagou um incêndio jogando seu manto contra as chamas. Também com o toque da sua mão curou o olho doente de uma Irmã. Depois destes fatos, a “mantellata” se tornou cada vez mais célebre em toda a região por sua santidade. Durante suas orações intensas tinha êxtases profundos, especialmente se estava na presença de grandes misérias e sofrimentos.
     No início de 1320, Margarida percebeu que seu exílio longe de Deus estava prestes a terminar: o sofrimento físico aumentou, a sua alma ansiava apenas por se libertar do corpo mortal.
     Ela faleceu no dia 13 de abril, no segundo domingo de Páscoa, com a idade de 33 anos. Os habitantes de Città di Castello correram em massa para a despedida final. Muitos milagres ocorreram em seu túmulo, que sempre foi cercado de grande reverência.
     A Ordem Dominicana deu os primeiros passos para a causa da beatificação de Margarida, mas por várias razões ela não prosperou.
     Em 9 de junho de 1558, o bispo autorizou a transferência dos seus despojos para um novo caixão. A exumação foi realizada na presença de numerosas testemunhas oficiais. Quando o ataúde foi aberto, todos ficaram repletos de reverência. A vestimenta estava coberta de poeira, mas o corpo de Margarida foi encontrado preservado, flácido e flexível. Ela tinha os braços cruzados sobre o corpo.
     Ao abrirem uma das laterais do ataúde, o braço direito, ficando sem apoio, deslizou espontaneamente para fora e com facilidade foi recolocado sobre o corpo. Ao examinarem o corpo, os médicos se certificaram que não se havia usado nenhuma técnica artificial, nem havia nenhuma causa natural de conservação.
     O corpo foi colocado em exposição pública e muitos milagres aconteceram, os quais, após conscienciosa análise, foram reconhecidos pela Igreja e aprovados para a beatificação.
     A causa da beatificação foi retomada e em 19 de outubro de 1609, o Papa Paulo V concedeu aos dominicanos daquela cidade a Missa e o Ofício próprios da Beata. Em 6 de abril de 1675 o Papa Clemente X estendeu este privilégio à Ordem toda.  Em 1988, o bispo de Urbino proclamou a Beata Margarida de Città di Castello padroeira diocesana dos cegos.
     O corpo de Margarida, deformado em vida, permanece perfeitamente intacto após sua morte, e agora se encontra sob o altar-mor da Igreja de São Domingos, em Città di Castello, Itália.
     No coração da pequena cega foi encontrado um fenômeno de estigmatização: três pequenas bolas que carregam as imagens da Sagrada Família. Esta descoberta lembrou o grande amor de Margarida pelo Verbo Encarnado, por Nossa Senhora e por São José, dos quais ela sempre falava com enlevo, e as palavras que muitas vezes tinha pronunciado: "Ah, se vocês soubessem o tesouro que eu tenho em meu coração, vocês se maravilhariam!"

     A Beata Margarida é patrona dos cegos e dos deficientes. Mas, ela também poderia ser declarada padroeira dos não nascidos, pois se ela tivesse sido concebida nos dias de hoje, provavelmente seria abortada, ou abandonada à morte, como tantas crianças encontradas em cestos de lixo e em locais os mais inóspitos.
     Beata Margarida, rezai pedindo que a cegueira espiritual dos nossos dias cesse o quanto antes! 

Fonte principal: domenicanecaterina.org

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Santa Cacilda, a virgem moura († c.1007) - Festejada 9 de abril

'Casida' em árabe significa 'cantar' ou 'poesia'. O nome desta Santa já soa como uma delicada e encantadora música que ecoaria no tempo.


     O Santuário de Santa Cacilda, coração religioso de Briviesca, fica apenas a 9 km da cidade, numa colina que domina o vale. No edifício do século XVI descansam, desde 1750, as relíquias da Santa, padroeira da cidade, "a virgem moura que veio de Toledo".
     Briviesca é a capital da comarca de Bureba, a noroeste da província de Burgos, e deve seu nome ao posto romano Virovesca. Com cerca de seis mil habitantes, esta cidade fica a 40 km de Burgos.
     No começo do século VIII, os seguidores de Maomé (*) invadiram a Espanha e conquistaram quase todo o país. Os cristãos começaram uma luta terrível que duraria séculos até que se libertassem dos invasores. Toledo era então a capital religiosa da Espanha islâmica, que os árabes haviam conquistado em 711, e que ficaria nas mãos dos muçulmanos até 1085.
     É dentro deste contexto que viveu Cacilda. Há muitas divergências nos relatos da vida desta Santa: segundo alguns era filha do emir de Toledo al-Mamun ou al-Macrin; segundo outros, era filha do governador de Cuenca, Bem Cannon. O relato mais fidedigno, na opinião dos Bolandistas, é o que se encontra no Breviário de Burgos.
     Com apenas 17 anos, Cacilda era uma das mais discretas e sábias princesas de seu tempo. Foi educada pelos homens mais doutos e logo começou a expor suas dúvidas religiosas, sentindo desejo de conhecer os princípios fundamentais do Cristianismo.                              
     Cacilda não ocultava as manifestações de solicitude para com os cristãos que gemiam nas masmorras de seu pai. Ela deve ter sido instruída na fé cristã pelos cativos que ela socorria, que retribuíam com dons espirituais os bens materiais que dela recebiam. A semente caiu em terra boa: a bondade imensa de Deus fez com que uma árvore estéril produzisse um ramo que deu frutos excelentes.
     A graça de Deus ia trabalhando e ia inclinando Cacilda cada vez mais à religião cristã. Mas, parecia improvável que a princesa moura, sujeita por tantos laços ao Islã, viesse a receber o Batismo e fazer pública profissão da fé verdadeira.
     Entrementes, uma doença secreta ia minando pouco a pouco a sua juventude. Os rudimentares recursos dos médicos do palácio se mostraram impotentes para curar o mal.
     Certo dia, os cristãos cativos falam-lhe de uma fonte existente nas terras castelhanas, cujas águas operavam milagres. Era a Fonte de São Vicente, de Briviesca. A tradição também se refere a uma revelação em que a Virgem Maria transmite à jovem princesa a esperança da cura nas águas de São Vicente. Era o caminho que a Providência dispunha para conduzir Cacilda para as águas regeneradoras do Batismo.
     Ela obteve a permissão do pai para realizar a viagem e, acompanhada de um séqüito, iniciou sua peregrinação a Burgos. Chegada à fonte, banhou-se nas águas do poço de São Vicente e com a saúde do corpo alcançou a da alma. Poucos dias depois de sua chegada recebeu solenemente o santo Batismo na capital de Castela.
     Voltou ao lugar onde recebera a saúde perdida e resolvida a consagrar sua virgindade a Nosso Senhor Jesus Cristo, decidiu passar o resto de sua vida na solidão, entregue à oração e à penitência, em uma ermida que mandou erguer junto ao poço milagroso.
     Ali viveu por longos anos com admirável firmeza e constância. Morreu com avançada idade e foi sepultada na ermida que abrigara sua existência casta e fervorosa. Logo seu sepulcro se converteu em local de peregrinação de incontáveis devotos.
     Os seus admiradores narram maravilhas sobre ela, mas o grande milagre de Santa Cacilda é ela mesma.
     Criada em meio às magnificências reais, foi viver em uma ermida que mal a protegia contra os rigores do inverno e do verão; seus pés delicados, que pisaram preciosos tapetes e almofadas de seda, palmilham descalços os ásperos caminhos castelhanos; sua alimentação e suas roupas se reduzem ao indispensável para subsistir. E, acima de todas as austeridades físicas, há uma que deve ter sido a maior das provações: a solidão.
     Sendo naturalmente inclinada ao bem do próximo, deve ter sentido muito a privação do convívio humano, e de ver tolhida a expansão de sua caridade, feita de ternura e compaixão. Logo, porém, sua ação se fez sentir aonde sua presença física jamais teria podido chegar.
     Conta-se que, enquanto a Santa ali viveu, homens e gado podiam andar com segurança pelas perigosas ladeiras dos montes Obarenes. Nunca houve acidentes com os pastores, peregrinos ou viajantes que se embrenhavam por aquelas solidões inóspitas. A presença da Santa, ainda que invisível e distante, os protegia.
     O corpo de Santa Cacilda repousou em sua sepultura até 1529, quando suas relíquias foram transladadas para o santuário edificado sobre seu túmulo. Em 1601, parte dos venerandos despojos foi levada para a Catedral de Burgos; algumas relíquias suas também são veneradas na Catedral de Toledo.
     Santa Cacilda é invocada nos casos de fluxo de sangue, de quedas e acidentes de todo tipo. É padroeira de Briviesca e da comarca de Burgos. Sua festa litúrgica é celebrada em 9 de abril.
     Famosos artistas como Murillo, Zurbarán, Bayeu e Subias a retrataram com roupas suntuosas de suas épocas. Nos últimos dias de junho multidões de devotos visitam o seu santuário de Briviesca, apregoando a eficaz intercessão da santa princesa moura que deixou naquelas terras áridas o exemplo cativante de sua vida contemplativa e penitente.

 (*) Maomé nasceu cerca do ano de 570 em Meca, cidade da Arábia. Seu pai era pagão e sua mãe judia. Aos 40 anos declarou-se profeta e fundou o islamismo. Sua doutrina está contida no livro chamado Corão. Sua divisa 'Crê ou Morre' levou seus discípulos a espalhar pelas armas as doutrinas do fundador.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Beata Pierina Morosini: a nova “Maria Goretti” - Festejada 6 de abril

     São inúmeros os projetos ou legalizações efetivas do aborto em várias partes do mundo. E uma das justificativas apresentadas é “para evitar o crescente número de mortes, especialmente de jovens que praticam o aborto clandestinamente”. A raiz do mal, que é o “amor livre”, é praticamente oficial e amparado por leis, e é sem conta o número de jovens que utilizam os anticoncepcionais para se entregarem à prática da mais despudorada libertinagem. Quanta ofensa é feita a Deus Nosso Senhor!
     É, portanto, com alegria que tomamos conhecimento da história de uma jovem que há alguns anos sofreu o martírio para defender sua pureza.
     Há os mártires da fé e os há da pureza. O martírio não ficou no passado, nos primórdios da História da Igreja, quando os imperadores romanos perseguiam os cristãos. Valorosos mártires católicos sucumbiram, e continuam a perecer nos dias de hoje, principalmente em tantas nações que não aceitam Nosso Senhor Jesus Cristo e a Sua Igreja.
     Lembremo-nos de contemporâneas nossas que foram autênticas mártires da pureza, tais como Santa Maria Goretti e a Beata Pierina Morosini.

     Pierina Morosini era a mais velha dos nove filhos do casal Roque e Sara Morosini, humildes camponeses de Fiobbio di Albino, Diocese de Bérgamo, ao norte da Itália. Nasceu no dia 7 de janeiro de 1931. À medida que foi crescendo, a sua boa mãe ensinou-lhe as principais verdades da Fé e incutiu-lhe o santo temor de Deus.
     Como a mãe recitasse com os filhos as orações da manhã e da noite, e os fizesse repetir os elementos do Catecismo, aos 4 anos Pierina já sabia de memória muitas orações, os Atos de Fé, Esperança, Caridade e Contrição, além dos Mandamentos e das Obras de Misericórdia.
     Assim preparada, recebeu o Crisma a 10 de janeiro de 1937 e a Primeira Comunhão a 5 de junho de 1938. Desde cedo mostrou aptidões para a vida religiosa, desejando ser missionária franciscana. Aos 16 anos, com licença do confessor, fez voto de castidade e depois acrescentou os votos particulares de pobreza e obediência. Participava com alegria e entusiasmo nas atividades apostólicas da paróquia. Fez parte também da pia associação das Filhas de Maria e da Ordem Terceira Franciscana.
     Modesta, prudente, simples e, principalmente, muito pura, Pierina obteve sempre o primeiro prêmio, com distinção, em todas as provas que fez no curso primário que freqüentou nas Irmãs Filhas do Sagrado Coração de Jesus, de Albino. Renunciou, no entanto, prosseguir os estudos, para auxiliar o pai no sustento da numerosa família. A renúncia mais dolorosa, porém, consistiu em retardar a entrada para o convento, pois a invalidez do pai devida a um acidente obrigou-a a tornar-se o arrimo da família.
     Aprendeu corte e costura aos 11 anos e aos 13 costurava com perfeição roupas para toda família. Aos 15 anos empregou-se numa fábrica de tecelagem - o Cotonifício Honegger - como ajudante de tecelão. Era muito estimada pelos superiores e respeitada pelos outros operários.
     Embora fosse muito inteligente - ou justamente por isto! - Pierina se considerava a última de todos. Era sempre amável no trabalho, sem contudo ceder nada em matéria de moral e de costumes.  De tal modo era venerada na empresa onde trabalhava, que logo ao terem conhecimento de sua morte suas companheiras dividiram entre si o avental de Pierina, a fim de guardar dela uma relíquia.
     Tendo que caminhar cerca de três horas diariamente para ir ao trabalho, Pierina preenchia este tempo rezando o Rosário. Uma parte do trajeto rezava-o com as companheiras de trabalho e o restante, sozinha. Ela incentivava as companheiras a rezarem, embora algumas tivessem respeito humano. "Aqui, no meio de todos dá vergonha!", dizia uma. Mas ela: "Eu rezo aqui e não penso mais nisso". "Riem de você, Pierina!". Era inútil, ela continuava firme.
     Além de trabalhar oito horas no Cotonifício, Pierina tinha um outro "turno" em casa. Chegando do trabalho ela costurava ou remendava as roupas dos familiares em sua máquina de costura, cozinhava, limpava, enfim, fazia o que podia para aliviar a pesada carga de sua mãe, que além de cuidar de uma família de 11 pessoas, atendia a algumas crianças cujos pais tinham que trabalhar e ficavam aos seus cuidados. "O tempo é mais precioso do que o ouro!", repetia freqüentemente Pierina.
     O espírito apostólico nela era inato. Enquanto trabalhava rodeada dos irmãozinhos e das outras crianças, contava para eles episódios do Evangelho e da vida dos Santos, ou fazia com que rezassem em voz alta. Uma religiosa contava que "Pierina tinha uma tática particular para ensinar as crianças não só o Catecismo, mas também o espírito de oração, de obediência e de sacrifício. De vez em quando premiava algumas meninas com uma coroinha, ou uma medalha, dizendo sempre: 'Toma e seja boa!'. Quantas jovens foram instruídas por ela no Catecismo! Tinha um jeito especial para convencê-las a fazer o bem. Algumas vezes levava com ela os álbuns ilustrados de Dom Bosco e Domingos Sávio - que havia comprado para ensinar seus irmãos - e os lia, explicava, mostrava as belas ilustrações a cores".
     À noite, quando todos já dormiam, Pierina lia à luz de uma vela (a eletricidade só chegaria a sua aldeia em 1955) os seus livros comprados com grande sacrifício. Entre suas leituras estão: Santa Gema Galgani, Santo Cura d'Ars (que leu várias vezes), Padre Damião Samarate, o apóstolo dos leprosos no Brasil, São João Bosco, São Domingos de Sávio... Além destes, o "A jovem piedosa", que continha orações e meditações adaptadas às jovens, e "A grande promessa" sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
     Seu amor à virtude da pureza levou-a a tomar como protetora Santa Maria Goretti. A única vez que a jovem saiu dos limites da região onde residia foi quando viajou a Roma a fim de assistir à canonização de sua protetora, que ocorreu no dia 27 de abril de 1947.
     Uma outra frase escrita à mão por Pierina em seu livro de orações, para ela poder lê-la e meditá-la, deixa transparecer a sua espiritualidade: "A virgindade é um profundo silêncio de todas as coisas da terra". 
     Segundo o testemunho de seus conterrâneos, Pierina sempre foi muito recatada. Todos diziam que ela era uma moça diferente das demais. O seu avental de trabalho tinha mangas compridas e ela o mantinha fechado até o pescoço. Quando fazia calor lhe diziam: "Mas, abre um pouco!" Ela sorria, limitando-se a enxugar o suor com um lenço muito limpo. Ela estava sempre limpa e bem penteada. Suas companheiras de trabalho afirmaram que “Pierina possuía muita graça e elegância, de tal modo que não parecia uma pessoa do povo”.
     Pierina falava muito pouco, mas o que dizia vinha sempre muito a propósito, de maneira simples e sem rebuscamentos. Um sacerdote que a conheceu testemunhou: “Quando esta jovem fala, diz somente palavras de verdade”.
     Pierina conheceu o Padre Luciano em abril de 1946, quando sofreu um acidente na fábrica e precisou se recuperar no Hospital Honegger, de Albino, onde ele era Capelão. Ele era do Convento dos Capuchinhos de Albino e foi o único diretor espiritual de Pierina. Sobre uma página branca de seu livro de orações ela havia escrito uma frase que resume a sua conduta em relação ao diretor espiritual: "A minha vocação: me deixarei conduzir como uma menina de um dia".
     Entre os livros de Pierina foi encontrada uma folha datilografada contendo um "Pequeno regulamento diário" que se acredita ter sido dado a ela pelo Padre Luciano. O texto contém numerosas correções e na parte da folha que restou em branco, Pierina escreveu sete propósitos, no fim dos quais o mesmo Padre Luciano escreveu de próprio punho a palavra "Bom!".
     O "Pequeno regulamento" era uma verdadeira regra de vida. Embora no mundo, Pierina levava uma vida de verdadeira religiosa. Tendo conhecimento da espiritualidade de São Luís Maria Grignon de Montfort, consagrou-se como escrava a Nossa Senhora, segundo o método daquele grande santo, fazendo todas as ações do dia em união com a Virgem Imaculada.
     Os sete propósitos revelam bem sua espiritualidade simples e ardente:
"Sou toda Vossa e tudo quanto possuo Vos ofereço, amável Jesus, por meio de Maria Vossa Mãe Santíssima".
1. Me esforçarei para manter a paz na família; 2. Quando o cansaço me enfraquecer, me mostrarei sempre alegre; 3. Terei sumo respeito por mamãe; a obedecerei e não responderei grosseiramente; 4. Não comerei nenhuma guloseima; 5. Durante o dia procurarei permanecer na presença de Deus, farei comunhões espirituais e rezarei jaculatórias; 6. Não buscarei saber coisas dos outros; 7. Não direi nunca palavra em meu louvor e procurarei estar escondida aos olhos dos homens.
     Pierina comungava diariamente, mesmo nos dias mais rigorosos do inverno, levantando-se às quatro horas da madrugada para receber a Jesus Sacramentado.
     No dia 4 de abril de 1957, quinta-feira, Pierina saiu da fábrica onde trabalhava, em Cedrina, dirigindo-se a sua casa, em Fiobbio di Albino, distante uma boa hora de caminhada.
     Chegando a um trecho mais despovoado da estrada, foi abordada por um jovem que de há muito pretendera, em vão, manter conversa com ela. Pierina acelerou seus passos e rezou mais fervorosamente. O rapaz, no entanto, a alcançou, passando a fazer-lhe propostas indecorosas em tom de ameaça. Pierina procurou correr, mas o rapaz segurou-a. Ela, porém, lutou valentemente contra aquele jovem lúbrico. Desvairado, o rapaz apanhou uma grande pedra e por oito vezes atingiu violentamente o seu crânio. Pierina ainda caminhou vinte passos, mas depois caiu por terra desfalecida.
     Em sua casa todos a aguardavam com impaciência. Seu irmão, Santo, pressentindo alguma tragédia, deixou de lado os livros e saiu à procura da irmã. Depois de muito a procurar, encontrou-a caída sob algumas árvores do caminho, a cabeça mergulhada numa poça de sangue, o rosário junto às mãos. Conduzida agonizante a um hospital de Bérgamo, veio a falecer 40 horas depois do crime, no dia 6 de abril de 1957, primeiro sábado do mês.
     Em janeiro de 1976, D. Clemente Gaddi, bispo de Bérgamo, anunciou a abertura do processo de beatificação dessa nova mártir da pureza, morta aos vinte e cinco anos de idade. A fama do martírio, que correu por toda parte, foi finalmente confirmada pela Santa Sé a 16 de junho de 1987, depois de rigoroso processo. Pierina foi beatificada no domingo, 4 de outubro de 1987, e é comemorada pela Santa Igreja no dia 6 de abril.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Venerável Madre Maria Teodora Voiron

Um convite inesperado levou-me a visitar neste domingo o túmulo da Venerável Madre Maria Teodora Voiron em Itu-SP. Uma sobrinha recebeu uma graça por intercessão da Madre e quis ir agradecê-la. Para mim foi uma grande oportunidade para recordar-me de toda a trajetória dessa grande mulher e religiosa, “que viveu a prudência em sua vida”. E ao notar que ela nasceu no dia 6 de abril de 1935, pensei que seria uma boa oportunidade para falar sobre ela.
Mulheres do século 21, que se ufanam de ocupar cargos diretivos, de gerir seus próprios empreendimentos, etc. etc., reflitam em tudo quanto esta mulher impulsionou em uma época remota, em meio à dificuldades de toda espécie num Brasil ainda por crescer...  Desejando apenas fazer o bem ao próximo com dedicação e desprendimento. E com que humildade!...


“Façamos o maior bem que pudermos, da maneira mais oculta possível”.


     Luísa Josefina Voiron era o nome de batismo da Madre Maria Teodora Voiron, nascida em Chambéry, França, em 6 de abril de 1835. Era a filha mais velha do casal Cláudio Voiron e Catarina Héritier, simples agricultores que deram uma esmerada educação católica aos seus cinco filhos.
     Com apenas dez anos, sofreu a primeira grande perda, com o falecimento de sua mãe. Abraçou a grande responsabilidade de ajudar seu pai a criar os irmãos menores. O pai, preocupado com a educação das meninas, resolveu matriculá-las no Instituto que as Irmãs de São José tinham acabado de fundar. Luisa Josefina logo despertou a atenção das religiosas pela bondade com que tratava a todos.
     Aos quinze anos, sentiu um forte chamado para a vida religiosa e resolveu buscar ajuda junto à Madre Superiora Maria Felicidade Veyrat, que a orientou a rezar e pedir ao Espírito Santo que confirmasse sua decisão. Dois anos depois, no dia 17 de dezembro de 1852, Luisa entrou para o noviciado da Congregação das Irmãs de São José, adotando o nome Irmã Maria Teodora.
     Em 1854, a região de Sabóia foi infectada pela cólera morbus. Irmã Maria Teodora, juntamente com outras irmãs, ajudou os doentes como voluntária. Durante dois meses elas passam por muitas dificuldades, o medo de se contaminar era grande, mas a fé era maior e nenhuma irmã adoeceu.
     Dom Antonio Joaquim de Mello, Bispo de São Paulo, ituano, desejava ter um colégio para educação das famílias paulistas. Entrou em contato com Madre Maria Felicidade, na França, e esta ficou encarregada de escolher as religiosas para uma tão importante missão no Brasil. Em 1858, designou sete Irmãs, tendo como superiora Madre Maria Basília. A viagem era árdua e a Madre faleceu dois dias antes de chegar ao Brasil, sendo seu corpo lançado ao mar.
     As seis primeiras Irmãs chegaram a São Paulo no dia 30 de julho de 1858. No dia 4 de outubro, após uma viagem penosíssima num carro de boi, chegaram a Itu, sendo recebidas com grande entusiasmo pelo povo. As Irmãs se instalaram temporariamente no prédio da Santa Casa de Misericórdia de Itu até que fossem concluídas as obras do colégio.
     Irmã Maria Teodora foi escolhida para substituir Madre Basília, e no dia 29 de março de 1859 começava a viagem. No dia 24 de maio chegava à Baía da Guanabara, e a Itu na tarde de 15 de junho de 1859. Muito bem acolhida por todas as irmãs, ela só não agradou ao bispo, que a achava jovem demais para ser superiora, pois contava apenas 24 anos, e decidiu que Madre Justina seria superiora.
     Passados alguns meses, D. Antônio procurou Irmã Maria Teodora e lhe confiou o cargo de superiora. Isso aconteceu no dia 13 de novembro, dia da festa de Nossa Senhora do Patrocínio, e dia da inauguração do colégio que recebeu este nome.
     Madre Maria Teodora Voiron teve grande importância no campo da educação na cidade e no país. Trabalhou muito pelo ensino através do Colégio Nossa Senhora do Patrocínio, que foi a primeira instituição de educação católica feminina da Província de São Paulo.
     Madre Maria Teodora não entendia a escravidão no Brasil, e querendo quebrar as barreiras do preconceito da sociedade na época, realizou um enorme prodígio abrindo uma escola gratuita, no próprio Colégio Patrocínio, para as meninas escravas. Cuidou também da formação religiosa das escravas adultas.
     Durante 62 anos Madre Voiron esteve à frente das obras das Irmãs de São José no Brasil, no início como superiora e depois como Provincial. Ela abraçou numerosas obras de caridade como: orfanatos, asilos, hospitais, leprosários, escolas para meninas pobres, enviando suas religiosas para várias cidades do interior de São Paulo, como Campinas, Taubaté, Franca, Piracicaba, Jaú, Guapira, inclusive a capital, São Paulo, onde fundou o Colégio São José.
     Em 1871, enviou para São Paulo um grupo de Irmãs para assumirem a missão da saúde na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, e para o Seminário de Educandas Na. Sra. da Glória, uma escola pública que cuidava de alunas órfãs e pobres.
     No decorrer dos anos muitas jovens brasileiras também ingressaram no Instituto e se dedicaram às obras tão necessárias neste imenso País.
     A Madre enfrentou momentos difíceis, como intrigas, calúnias e até perseguições Chegaram até a enviar notícias falsas para a Superiora Geral na França. Durante a “questão religiosa” no Brasil, no final do Império, aprisionaram Frei Dom Vital que tinha sido Capelão do Colégio do Patrocínio. Em uma viagem à França, Madre Voiron fez questão de ir visitá-lo na prisão, apesar das autoridades virem-na com maus olhos por causa disto.
     Aos 85 anos Madre Voiron teve o fêmur fraturado em conseqüência de uma queda. A partir daí, a cadeira de rodas foi seu único meio de locomoção. Mas, não deixou de participar cotidianamente dos atos religiosos. No ano seguinte, 1921, pediu e obteve demissão do cargo de Provincial.
     Madre Voiron faleceu em 17 de julho de 1925 com 90 anos. Seus restos mortais encontram-se sepultados no interior da Igreja do Patrocínio, onde são visitados por milhares de pessoas.
     Logo após suas morte, vários milagres foram relatados. Mais de 30 mil cartas já chegaram à comunidade do Patrocínio testemunhando casos de cura, sucesso no trabalho, proteção contra acidentes, encontro de pessoas desaparecidas etc. Mas ainda não há uma documentação oficial de nenhum destes casos. O processo de beatificação de Madre Teodora já está em Roma, necessitando apenas de uma graça comprovada por médicos e pela Santa Igreja, para que ela seja beatificada.
    Em 1989, João Paulo II concedeu a Madre Teodora o título de Venerável.
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     “Dom Antonio Joaquim de Mello escreveu à Madre Geral alguns meses depois de ter reconhecido nessa “jovem... em circunstâncias tão delicadas... que sua maturidade, sua discrição e sua prudência eram a toda prova”. (¹)
     “O Capelão de Itu, em 1894, escreveu à Madre Geral: ‘Seu (de suas Irmãs do Brasil) Anjo visível foi, desde longos anos, e ainda é, Madre Maria Teodora... É uma das mulheres mais sábias que conheço, respeitadas por todos’...” (²)
     “Durante muito tempo, a questão econômico-financeira foi um pesadelo para Madre Maria Teodora; após longos procedimentos, o Padre Hubbaner, Redentorista, conseguiu fazer aprovar uma Sociedade de Educação Popular e Beneficência, dotada de personalidade jurídica, da qual Madre Voiron foi presidente até o fim do seu Provincialato. Neste ano de 2011, esta Sociedade completa 100 anos. Madre Maria Teodora foi prudente na escolha das suas colaboradoras. Amadurecia por muito tempo suas decisões. Ela consultava antes de agir. ‘Depois de ter refletido e rezado, decidi assim. Sou lenta para tomar uma decisão, mas quando a tomei, não volto atrás’, dizia ela. Foi sempre feliz em seus empreendimentos. Graças à sua prudência, as Obras da Província nunca estiveram em perigo”. (³)

(¹) Cf. Vozes do Patrocínio, ano 63, Itu 2010, nº 162; (²) idem; (³) idem.

sábado, 2 de abril de 2011

Santa Juliana de Mont Cornillón ou Liège - Festejada 5 de abril

     No fim do século XIII surgiu em Liège, Bélgica, um movimento eucarístico cujo centro foi a Abadia de Cornillón, fundada em 1124 pelo Bispo Alberto de Liège. Este movimento deu origem a vários costumes eucarísticos, como, por exemplo, a Exposição e a Bênção com o Santíssimo Sacramento, o uso das campainhas durante a elevação na Missa e a festa de Corpus Christi.
     Santa Juliana de Mont Cornillón, por aqueles anos priora da Abadia, foi a enviada de Deus para propiciar esta festa. A santa nasceu em Rettine, próximo de Liège, Bélgica, em 1192. Ficou órfã muito pequena e foi educada pelas monjas Agostinianas em Mont Cornillón. Aos 14 anos fez sua profissão religiosa entre as suas educadoras, e mais tarde foi superiora de sua comunidade.
     Desde jovem, Santa Juliana teve uma grande veneração pelo Santíssimo Sacramento, e sempre anelara que se tivesse uma festa especial em sua honra. Este desejo se intensificou por uma visão que teve da Igreja sob a aparência de lua cheia com uma mancha negra, que significava a ausência desta solenidade. Esta visão ela a tinha já há vários anos, e compreendeu que devia trabalhar pela instituição da festa.
     Pelo ano de 1210, vai visitá-la uma virgem reclusa chamada Eva. Juliana contou-lhe o que vira e ouvira, ficaram de pedir uma pela outra e de se ajudarem. Mais tarde, sendo Juliana já priora, Eva tem uma visão igual à da amiga e a exorta a promover o que é vontade de Deus (Eva foi sucessora de Juliana e recebeu o título de Beata). Juliana também fala a respeito da visão à beguina Isabel, enfermeira de leprosos.
     As três senhoras tentam convencer padres, frades, comunidades e paróquias da necessidade de se criar uma solenidade para o Santíssimo Sacramento. A Mons. Roberto de Thourotte, Bispo de Liège, pedem para instituir a festa que deveria se chamar Corpus Domini.
     Muitos são contrários, o bispo hesita... Mas Juliana vai adiante e já faz preparar um Ofício em latim para a nova celebração. São Tomás de Aquino, então jovem clérigo, é encarregado de compor o Ofício litúrgico da nova festividade, o que se realiza em 1232.
     Assim, impelido por Juliana, o bispo Roberto de Thourotte se impressionou favoravelmente e, como nesse tempo os bispos tinham o direito de ordenar festas para suas dioceses, convocou um sínodo em 1246 e ordenou a celebração da festa de Corpus Domini. A iniciativa era apoiada pelo douto dominicano Hugh, mais tarde cardeal legado dos Paises Baixos, e por Jacques Pantaléon, arcediago de Liège, de Troyes (França), eleito papa em 1261 com o nome de Urbano IV.  
     Mons. Roberto não viveu para ver a realização de sua ordem, pois morreu em 16 de outubro de 1246, porém a festa se celebrou pela primeira vez no ano seguinte, na quinta-feira posterior à festa da Santíssima Trindade. Mais tarde um bispo alemão conheceu o costume e o estendeu por toda a atual Alemanha.
     Juliana não veria a instituição da Festa de Corpus Christi pelo Papa Urbano IV para a Igreja toda. Priora do Mosteiro de Mont Cornillón desde 1230, instaurara uma disciplina rigorosa que não agradava a todas. Nasce a perseguição na comunidade suscitada nada menos que pela superiora. Em 1248, Juliana e outras Irmãs deixam o mosteiro e pedem asilo a Beata Eva.
     Repetem-se as incompreensões e Juliana se retira para a clausura das monjas cistercienses de Fosses, próximo de Namur, onde faleceu dez anos depois, em 5 de abril de 1258. Ela soube antes de falecer que, além de Liège, também a Alemanha ocidental já festejara a festa de Corpus Domini em 1252.
     Seu corpo foi sepultado na Abadia Cisterciense de Villiers. É festejada pela Santa Igreja no dia 5 de abril.           

A Bula Transiturus
     No ano de 1263, o Papa Urbano IV tinha a corte em Orvieto, um pouco ao norte de Roma. Perto desta localidade se encontra Bolsena, onde, em 1263 ou 1264, ocorreu o Milagre de Bolsena: um sacerdote que celebrava a Santa Missa teve dúvidas de que a Consagração era algo real. No momento de partir a Sagrada Hóstia, viu sair sangue dela, o qual foi empapando em seguida o corporal. A veneranda relíquia foi levada em procissão a Orvieto em 19 de junho de 1264. Hoje se conserva em Orvieto os corporais - onde se apóia o cálice e a patena durante a Missa - e se pode ver em Bolsena a pedra do altar manchada de sangue.
     O Santo Padre, movido pelo prodígio e pela petição de vários bispos, estende a festa de Corpus Christi a toda a Igreja por meio da bula "Transiturus" de 8 de setembro do mesmo ano, fixando-a para a quinta-feira após a oitava de Pentecostes, e outorgando muitas indulgências a todos os fiéis que assistissem a Santa Missa e ao Ofício.