domingo, 10 de fevereiro de 2019

Nossa Senhora de Lourdes – 11 de fevereiro

 
     A devoção à Nossa Senhora de Lourdes é muito conhecida, senão no mundo inteiro, numa boa parte dele. Mas, o que ainda deveria ser conhecido por muitos, principalmente por aqueles que se consideram devotos, é o conteúdo das mensagens reveladas pela Virgem à Santa Bernadete. 
     A história das Aparições de Nossa Senhora em Lourdes é bastante conhecida, mas recordemo-nos dela em um breve relato:
     Na então aldeia de Lourdes, região francesa dos Altos Pirineus, em 11 de fevereiro de 1858, a jovem Bernadette Soubirous, de 14 anos, indo apanhar lenha às margens do Rio Gave, viu pela primeira vez, na reentrância de um rochedo, uma gruta chamada massabielle, uma “Senhora”. Essa primeira aparição foi seguida de outras 17.
     Em uma das aparições, a “Senhora” pediu que ali se construísse uma igreja; em outra ocasião, fez brotar, por meio das mãos de Bernadette, uma fonte de água cristalina e considerada milagrosa, que ali corre desde então. Em 1862, as curas obtidas com o uso da água levaram o bispo de Tarbes a autorizar o culto a Nossa Senhora de Lourdes.
     Na aparição do dia 25 de março, dia da solenidade da Anunciação, a Aparição revelou, no dialeto da região, seu nome para Bernadette: “Eu sou a Imaculada Conceição”. Muitos viram nesse sinal, mais uma confirmação do dogma da Imaculada Conceição que o papa Pio IX havia proclamado apenas quatro anos antes, por meio da Constituição Apostólica Ineffabilis Deus, de 8 de dezembro de 1854.
     O Santuário de Lourdes é um dos mais importantes centros de peregrinação da Cristandade Católica. De fato, o santuário recebe todos os anos milhares de devotos que vem, em sua maioria, buscar lenitivo para suas dores e aflições, junto àquela Senhora que se revelara à pequena e humilde Bernadette.
O essencial das aparições
     Nossa Senhora usava um vestido branco com uma faixa azul. São as cores da Imaculada Conceição. Nossa Senhora fez vários pedidos por meio de Santa Bernadette:
1) “Penitência, penitência, penitência!”; “rezai a Deus pela conversão dos pecadores”; além da recomendação de “oscular a terra em penitência pelos pecadores”.
2) “Ela me disse para comer a erva que se encontra no mesmo local onde eu fui beber” [em sinal de penitência], explicou a vidente.
3) “Ide beber na fonte e lavai-vos ali”. Para esse efeito Nossa Senhora fez brotar a fonte na gruta de Lourdes. Dali provém a “água de Lourdes” até hoje.
4) Mandou construir uma igreja no local: “Devem vir aqui em procissão”. É a origem da procissão dos círios em Lourdes.
     Além de uma fonte real de água, Nossa Senhora abriu uma torrencial fonte de graças e milagres como em nenhuma outra parte do mundo. Depois de demorados processos, a ciência constatou mais de 7.000 curas inexplicáveis pela medicina. 
    Os milagres em geral ocorrem quando o doente bebe a “água de Lourdes” ou lava-se com ela, e também na bênção dos doentes, mas muitos outros acontecem de modos e em locais inesperados ao se invocar Nossa Senhora de Lourdes. Como resultado, surgiram inúmeras reproduções da gruta de Lourdes pelo mundo inteiro.
     Quando formos invocar o auxílio de Nossa Senhora diante de uma imagem que a representa na gruta de Massabielle, lembremo-nos que Ela é a Imaculada Conceição, que gerou o Verbo Encarnado; ouçamos sua voz e lembremo-nos de seus pedidos e, junto com a graça que desejamos receber, procuremos cumprir os pedidos feitos por Ela naquelas magníficas aparições, e tenhamos confiança e a certeza de sermos atendidos.
* * *
Lourdes confirmou o dogma da Imaculada Conceição e premiou a combatividade do Beato Papa Pio IX
     Não muito antes da aparição de Nossa Senhora em Lourdes (11 de fevereiro de 1858), o bem-aventurado Papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição.
     Essa proclamação aconteceu em 8 de dezembro de 1854. O glorioso Papa visou em primeiro lugar a afirmação de um dogma de grande importância para o progresso da mariologia dentro da Igreja. 
     Em segundo lugar ele queria com a afirmação desse dogma, tão profundamente anti-igualitário, esmagar o ceticismo do século.
     É curioso que exatamente os milagres de Lourdes são de natureza a esmagar o ceticismo. E a própria aparição de Lourdes veio como uma confirmação do dogma, uma vez que Nossa Senhora declarou que Ela era a Imaculada Conceição. Foi um prêmio e uma confirmação da veracidade do dogma.
     Face à impiedade revolucionária do século, o Beato Pio IX fez o contrário de dar a carne para a fera. Ele enfrentou o pecado, o laicismo, o espírito de revolta igualitário e sensual. Então, a Providência interveio dando uma série estupenda de milagres.
     Os milagres de Lourdes, debaixo desse ponto de vista, confirmam a estratégia do santo Papa. Essa estratégia foi a seguinte: a impiedade a gente enfrenta, não se faz gentilezas, nem se recua, mas se enfrenta.      
     Há, portanto, uma dupla confirmação em Lourdes: a confirmação do dogma e a aprovação da oportunidade.
     Quando se medita a respeito de Lourdes é apropriado refletir no caráter antirrevolucionário autêntico do Beato Pio IX.
     Assim agindo, ele atraiu as boas graças de Nossa Senhora e o início do maravilhoso cortejo de milagres que chega até nossos dias.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 8.12.63. Sem revisão do autor)
https://aparicaodelasalette.blogspot.com/

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Santa Edna, Abadessa de Whitby – 8 de fevereiro

   
     Século VII depois de Cristo, uma nova etapa da Santa Igreja. Era a época da formação da Cristandade. As nações iam se delineando e a Fé verdadeira tinha uma missão imensa diante de si: converter povos pagãos, evangelizá-los. É preciso louvar e reverenciar os propulsores desta nova etapa. Entre tantas figuras exponenciais, degustemos a história de uma região hoje conhecida como Reino Unido.  
     Quando os pais de nossa Santa, Oswiu e Eanflæd se casaram no ano de 643 d.C., uniram os dois reinos nortumbrianos de Bernicia e Deira. É difícil imaginar como seriam aqueles pequenos reinos que iriam formar nações tão cultas e civilizadas. Mas as ações daqueles reis incipientes revelam como tinham já grande Fé, senão vejamos:
     O rei Oswiu deu 12 parcelas de terras para estabelecer 12 mosteiros como uma oferta de agradecimento por sua vitória na Batalha de Winwaed sobre o rei Penda, da Mércia, em 15 de novembro de 654 ou 655. Uma daquelas parcelas de terra estava em Streoneshalh, mais tarde chamado Whitby. Como parte desse presente de ação de graças, o Venerável Beda (*) nos conta que Oswiu ofereceu sua filhinha Edna, que tinha apenas um ano de idade, “em perpétua virgindade” ao Mosteiro de Hartlepool, sob a orientação da abadessa Hilda.
     Dois anos depois, em 657, a Abadia de Whitby foi estabelecida e Santa Hilda e a criança se mudaram de Hartlepool para a nova abadia. Assim, é provável que Edna tenha nascido por volta de 655 ou 656. É interessante que seu pai, o rei Oswiu, foi um dos participantes do Sínodo de Whitby, em 664, sínodo que resolveu a controvérsia sobre a Páscoa e escolheu a forma de culto e de vida da Igreja latina em lugar da forma celta.
(obs. na gravura acima, Santa Edna ocupa o troneto de abadessa e atende pessoas)
Primórdios da vida e relações familiares:
    Santa Edna (Elflaed em inglês) foi a segunda ou terceira abadessa de Whitby após a morte de Santa Hilda de Whitby em 680. Como Santa Hilda, ela governou a Abadia de Whitby por 33 anos.
     Eddius Stephanus (Estevão de Ripon) em sua Vida de São Wilfrid descreveu Edna como “sempre a fonte de consolação para todo o reino, e a melhor das conselheiras”. A vida anônima de São Gregório foi escrita em Whitby enquanto ela era abadessa.
    Nós a conhecemos principalmente pelos escritos do venerável Beda (ver o dia 23) em sua História Eclesiástica do Povo Inglês e A Vida de São Cuthbert.
     Edna nasceu na família real nortumbriana do rei Oswiu (Oswy) e sua esposa, a rainha Eanflæd, filha do rei Edwin. Por seu lado materno, ela era neta do rei de Deira, Edwin e sua esposa, a rainha Ethelburg, e a bisneta do rei Ethelbert de Kent e sua esposa, Berta. No lado paterno, ela era neta do rei Ethelfrith e Acha de Bernícia e bisneta do rei Ælle. O muito amado rei Oswald era seu tio. Sim, ela era bem relacionada! Era uma princesa daqueles primitivos reinos.
     Edna tinha uma irmã Osthryth que se tornou a rainha da Mércia. Tinha pelo menos três irmãos que conhecemos, Eahlfrith, Ecgfrith e Elfwine, e um meio-irmão Aldfrith, que nasceu fora do casamento, de uma princesa irlandesa chamada Fin. Este filho ilegítimo, Aldfrith, foi criado na ilha de Iona e foi considerado por Beda e Alcuíno como o homem mais culto e sábio. Alguns pensam que a primeira esposa de Oswiu pode ter sido uma princesa de Rheged chamada Rieinmellt, de acordo com as genealogias anglo-saxônicas da História Britânica.
Sta. Edna encontra S Cuthbert
     Após a morte de Hilda em 680, Santa Eanflæd, então viúva de Oswiu, ingressou na Abadia de Whitby, e ela e sua filha Edna tornaram-se abadessas conjuntas; mais tarde Edna foi a única abadessa até sua morte em 714.
     A Igreja Católica na Nortúmbria do tempo de São Cuthbert era uma instituição rica e aristocrática. Em pelo menos uma ocasião a princesa abadessa Edna é encontrada em banquete com São Cuthbert de Lindisfarne.
     A Abadia de Whitby era constituída de religiosas famosas por suas habilidades em medicina. Edna era particularmente conhecida por ser hábil em cirurgia e em sua atenção pessoal aos pacientes, como já o fora Santa Hilda, que era conhecida por seu atendimento médico personalizado.
     Como sua mãe, Edna foi relacionada com o bispo São Wilfrid, e desempenhou um papel importante nas tratativas que colocou seu sobrinho Osred, filho de Aldfrith, no trono em 705. Ela foi uma figura política importante desde a morte de seu irmão Ecgfrith, em 685, até que ela própria morreu.
     De acordo com um relato, Edna sofreu uma doença incapacitante por algum tempo. Um dia, ela pensou em São Cuthbert e desejou ter algo pertencente a ele, pois tinha certeza de que isto iria ajudá-la. Logo depois chegou um mensageiro com o presente de um cinto de linho de São Cuthbert. Ela colocou-o e dentro de três dias ela recuperou a saúde.
     Sua piedade foi elogiada por contemporâneos como o venerável Beda e Estêvão de Ripon. Beda refere-se a seu alto grau de santidade e devoção, enquanto Estêvão a chama de “consoladora de todo o reino e a melhor conselheira”.
     Edna foi altamente considerada entre os líderes no Sínodo de Nidd onde falou “palavras inspiradoras”. Nas conclusões finais do sínodo, foram levadas em consideração as sugestões do Arcebispo e da Abadessa Edna. Na Vida de São Cuthbert é mencionado que uma igreja que Edna mandou construir em uma de suas propriedades fora de Whitby foi consagrada por aquele bispo.
     Há uma carta escrita por volta do ano 700, que alguns estudiosos acreditam ter sido escrita por uma muito culta Edna num latim muito florido, endereçada à Abadessa Adolana de Pfalzel, perto de Trèves, recomendando uma de suas amigas, outra abadessa que estava hospedada em Whitby, pronta para retornar à sua casa.
     Ela foi considerada santa e celebrada em 8 de fevereiro. Santa Edna foi enterrada em Whitby. Uma hagiografia tardia, a Vita sanctae Elfledae, sobreviveu, reunida por John Capgrave em Nova Legenda Angliae, em 1516.
     Escavações feitas na década de 1920 por Radford e Peers encontraram várias fundações de edifícios e duas pedras memoriais gravadas que, acredita-se, registraram a morte de Santa Edna, abadessa de Whitby, e Cineburga, rainha do rei Oswald.

Abadia de Whitby
     O primeiro mosteiro foi fundado em 657 d.C., durante o período anglo-saxão, pelo rei Oswiu da Nortumbria, com o nome de Streoneshalh. Ele designou Hilda, abadessa da Abadia de Hartlepool, e sobrinha de Eduino, o primeiro rei cristão da Nortúmbria, como primeira abadessa. Acredita-se que o nome Streoneshalh signifique "Baía do Forte" ou "Baía da Torre", em referência a um suposto assentamento romano que teria existido no local. Esta suposição jamais foi provada e teorias alternativas já foram propostas, como a que propõe que o nome signifique "Assentamento de Streona".
     O mosteiro duplo de monges e freiras beneditinos foi o lar do grande poeta nortumbriano Caedmon. Em 664 d.C., o Sínodo de Whitby, no qual o rei Oswiu decretou que a igreja nortumbriana iria adotar o cálculo da data da Páscoa e a tonsura romanos, foi realizado na abadia.
     Whitby foi destruída pelos dinamarqueses em ataques sucessivos entre 867 e 870, permanecendo abandonada por 200 anos. A existência de um prestebi, "habitação de padres" na língua nórdica antiga, na pesquisa de Domesday, pode indicar um renascimento da vida religiosa no local desde o período das invasões vikings. O antigo mosteiro era composto de quarenta monasteria vel oratoria arruinados, similares às ruínas monásticas irlandesas, com diversas capelas e celas onde habitavam os monges.
      Reinfrid, um soldado no exército de Guilherme, o Conquistador, se tornou monge e viajou até Streoneshalh, que então já era conhecido como Prestebi ou Hwitebi (o "assentamento branco" em nórdico antigo). Ele pediu a William de Percy, que lhe doou o arruinado mosteiro de São Pedro e as terras adjacentes para que ele iniciasse um novo mosteiro. Serlo de Percy, o irmão do fundador, se juntou a Reinfrid no novo mosteiro, que passou a seguir a regra de São Bento.
     Este segundo mosteiro perdurou até ser destruído por Henrique VIII, em 1540, durante a Dissolução dos Mosteiros. Os edifícios da abadia então foram abandonados, se arruinaram e foram utilizados como fonte de pedras para construções nas redondezas, permanecendo, porém, como uma marca visível para marinheiros. Atualmente, as ruínas pertencem ao English Heritage, que as mantém.
     Em 1914, a Abadia de Whitby foi alvo de um ataque pelos cruzadores dos alemães, que tentavam acertar um posto de radar das proximidades. A abadia foi consideravelmente danificada no ataque, que durou dez minutos.

(*) Beda (c. 673 - + 26 de maio de 735) conhecido também como Venerável Beda, ou São Beda, foi um monge inglês que viveu nos mosteiros de São Pedro, em Monkwearmouth, e São Paulo, na moderna Jarrow, no nordeste da Inglaterra, uma região que na época era parte do Reino da Nortúmbria. Ele é conhecido principalmente por sua obra-prima História Eclesiástica do Povo Inglês, um trabalho que lhe rendeu o título de Pai da História inglesa.
     Em 1899, ele foi proclamado Doutor da Igreja pelo Papa Leão XIII, um dos mais importantes títulos teológicos da Igreja Católica, e é até hoje o único nativo da Grã-Bretanha a alcançar a posição (Santo Agostinho de Cantuária, também um doutor, era nativo da Itália). Além disso, o Venerável Beda era um habilidoso linguista e tradutor, e suas obras ajudaram a tornar acessíveis os textos dos primeiros Padres da Igreja, escritos em latim ou em grego, para os anglo-saxões, contribuindo assim para o desenvolvimento do Cristianismo inglês. O mosteiro de Beda dispunha de uma grande biblioteca que incluía, entre outras, as obras de Eusébio e Orósio.
Manuscritos da História Eclesiástica do Povo Inglês

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Beata Clara (Ludwika) Szczesna, Virgem, cofundadora – 7 de fevereiro

 
   Ludwika Szczęsna nasceu em 18 de julho de 1863 na diocese de Plock, na Polônia, quarta de seis filhos de Antony Szczesni e Franciszka Skorupska.
     Nos anos difíceis que se seguiram à insurreição na zona da Polônia sob o domínio russo, Ludwika não pode frequentar a escola. Entretanto, aprendeu a ler e a escrever e recebeu cuidadosa educação religiosa. Passou a infância perto de um pequeno santuário de Nossa Senhora e de Santo Antônio em Zuromin. Aos doze anos perdeu a mãe e até os 17 anos viveu com seu pai e sua segunda esposa. Seu pai desejava que ela se casasse, motivo que levou Ludwika a deixar a casa paterna e se instalar em casa de parentes em Mlawa, onde trabalhou como costureira, à espera de se concretizar seu sonho de dedicar a própria vida a Deus como religiosa.
     Em 1886 participou dos exercícios espirituais dirigidos pelo Pe. Onorato de Biala, capuchinho (Beato desde 1988) em Zakroczym, onde conheceu Madre Eleonora Motylowska, a cofundadora e superiora geral da Congregação das Servas de Jesus. Ingressou nesta congregação e depois de um período de formação em Varsóvia, trabalhou em Lublino como governanta da casa das jovens. Embora as autoridades dos dominadores russos proibissem qualquer tipo de atividade religiosa, ela ensinava clandestinamente as jovens, sustentava sua fé e lhes dava uma boa educação. Foi obrigada a deixar Lublino quando sua atividade foi descoberta e voltou a Varsóvia por um breve período.
     Em 1893 um sacerdote, Pe. Józef Sebastian Pelczar, solicitou que algumas irmãs viessem trabalhar na casa das jovens de Cracóvia. Irmã Ludwika vai para Cracóvia junto com a Irmã Faustina Rostkowska, para trabalhar como governanta. Ali desenvolveu um trabalho de grande zelo e amor.
     Em 15 de abril de 1894 o Pe. Pelczar fundou a Congregação das Servas do Sagrado Coração de Jesus e Irmã Ludwika foi eleita superiora e mestra das primeiras irmãs. Em 2 de julho de 1895 ela fez a profissão religiosa nesta congregação, escolhendo Santa Clara como patrona de sua vida. Enquanto serva do Sagrado Coração de Jesus, Irmã Clara foi sempre zelosa das necessidades do próximo e sob a ação do Espírito Santo participava das preocupações do Pe. Pelczar com a sorte das domésticas, dos operários e dos doentes. Graças a ela as orientações do Fundador tiveram expressão duradora na espiritualidade e nos trabalhos apostólicos das Servas do Sagrado Coração de Jesus.
     No primeiro capítulo geral da congregação em 1907, Madre Clara foi eleita superiora geral. No segundo capítulo foi reeleita. Como superiora geral da congregação, visitava as casas e os locais de trabalho das irmãs. Apesar das condições sociais e históricas difíceis, o número de religiosas e de casas aumentavam sempre. Sua preocupação contínua era o bem das religiosas, sua preparação profissional, intelectual e espiritual, a fim de aprimorar a qualidade do trabalho que desempenhavam nas obras apostólicas da congregação.
     Madre Clara foi sempre dedicada a Deus; cheia de humildade e sempre pronta para servir ao próximo sinais visíveis do seu amor a Deus. “Tudo para o Coração de Jesus” era a sua palavra de ordem e seu programa de vida. Ficou na direção da congregação por 22 anos, até o fim de sua vida. Faleceu no dia 7 de fevereiro de 1916 em Cracóvia.
     O Pe. Józef Sebastian Pelczar, que fora nomeado bispo auxiliar de Przemyśl em 1899 e ordinário da diocese um ano depois, foi beatificado em 2 de junho de 1991 e canonizado em 18 de maio de 2003 por João Paulo II.
     Em 25 de março de 1995 foi iniciado o processo de beatificação de Madre Clara, concluído em 15 de abril de 1995, no 102º aniversário de fundação da congregação.
     Madre Clara foi beatificada em 27 de setembro de 2015, após a aprovação de um milagre obtido por sua intercessão.



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Beata Eulália Pinos, Viúva, mercedária – 5 de fevereiro

    

     Tendo nascido no seio de uma nobre família, a Beata Eulália Pinos renunciou à uma vida secular e às riquezas, e ingressou na Ordem Terceira Mercedária de Barcelona, e foi uma das primeiras seguidoras de Santa Maria de Cervellon, fundadora do ramo feminino da Ordem das Mercês.
     Maria de Cervellon foi atraída pela caridade que os Irmãos Mercedários inspiravam a favor dos cativos, isto é, os cristãos que eram feitos prisioneiros em terra e no mar, e eram vendidos como escravos na África. Assim, aos 18 anos tornou-se a consoladora dos pobres, dos doentes e dos escravos no Hospital de Santa Eulália.
     A Ordem de Nossa Senhora das Mercês foi fundada por São Pedro Nolasco; os Mercedários constituíam uma Ordem masculina que resgatava os cristãos cativos, mas havia grupos de senhoras que os sustentavam com orações e ofertas para as custosas expedições à África. Maria e sua mãe se uniram ao grupo de Barcelona. Quando a mãe faleceu, Maria doou o seu patrimônio aos Mercedários.
     Em 25 de maio de 1265 os grupos femininos se transformaram canonicamente em Ordem Terceira Mercedária, com estatuto, hábito religioso e uma priora. Maria fez profissão religiosa, recebendo o hábito das mãos de São Bernardo de Corby. Logo outras jovens a seguiram, como as Beatas Eulália Pinos, Elisabete Berti, Maria de Requesens e, mais tarde, Santa Colagia.
     A Beata Eulália também recebeu o hábito das mãos de São Bernardo de Corby. Insigne por muitas virtudes, esta piedosa viúva estendia a mão aos pobres e abraçou a Santa Cruz. No dia 5 de fevereiro com uma morte preciosa voou ao reino celestial.
     É festejada no dia de seu falecimento.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Santa Berlinda de Meerbeke, virgem – 3 de fevereiro

    
     A Vita S. Berlendis foi escrita por Hugues de Fosses por volta do ano 1050. É difícil separar os elementos biográficos certos das legendas que foram sendo acrescidas à sua pessoa. O autor da vida de Santa Gudula considera que Berlinda teria vivido no século VII. Após estudos de R. Podevyn, esta afirmação foi radicalmente modificada e a vida de Berlinda foi inserida em fins do século IX e início do século X.
     Berlinda era filha de Odelardo, conde do Pagus de Brabant, do tempo de Vigerico, duque da Lotaríngia. Sua mãe era Santa Nona de Meerbeke, uma prima de Santo Amando.
     Por volta de 880, durante a invasão normanda das Flandres, Odelardo foi um senhor de guerra a serviço do duque Vigerico da Lotaríngia (morto em 922 ou 923).  Durante tal guerra ele perdeu seu filho Eligardo, e ao retornar a Meerbeke, foi atacado pela lepra. Berlinda já era órfã de mãe e vivia com o pai.
     Há diferentes relatos acerca do conflito que se estabeleceu entre Berlinda e o pai: algumas fontes dizem que Odelardo zangou-se porque ela não estava cuidando bem dele; outras mencionam que ele encolerizou-se por ela não querer compartilhar o mesmo copo de água com ele devido sua condição. Num acesso de cólera ele transferiu todos os seus bens para a Abadia de Nivelles e Berlinda foi deserdada.
     Deserdada, Berlinda teve que se refugiar num mosteiro de Moorsel (Flandres oriental). Ali viveu vários anos com umas poucas monjas que haviam retornado ao mosteiro após a invasão normanda de Chévremont, próximo de Liège, onde se tinham refugiado. Um dia Berlinda recebeu a notícia do falecimento de seu pai: Odelardo faleceu entre 919 e 924.
     Após a morte do pai, Berlinda voltou para Meerbeke, e viveu como religiosa eremita com companheiras na Igreja São Pedro (fundada por seu pai) e morreu entre 936 e 941, dezessete anos depois da morte de seu pai.
     Cerca de trinta anos após a morte de Berlinda, o bispo de Cambrai, Autberto II (960-65) procedeu à solene transladação das suas relíquias para uma nova igreja dedicada à Virgem, construída em Meerbeke. O cuidado desta igreja foi confiado à uma comunidade de seis monjas e de seis eclesiásticos sob a direção de um eclesiástico nomeado pela abadessa de Nivelles.
     Santa Berlinda é geralmente representada como monja beneditina, tendo um cálice na mão, uma provável referência ao cálice de seu pai leproso. Ela é venerada na igreja paroquial de Meerbeke, cidade onde se encontra também uma capela pública que lhe é dedicada.
     Algumas relíquias da Santa foram levadas para o mosteiro de Santo Estevão de Tulle.
     Berlinda é uma das santas mais populares e mais veneradas na Bélgica. Patrona contra várias doenças, particularmente dos animais e sobretudo dos bovinos, ela é particularmente popular no ambiente agrícola. Especialmente no tempo de Pentecostes várias peregrinações de camponeses das Flandres, do Brabante e de Hainaut se dirigem à Meerbeke para rezar junto ao túmulo da Santa.
     Santa Berlinda é festejada no dia 3 de fevereiro na Ordem beneditina e na Diocese de Gand. É recordada também em outras datas, segundo as várias transladações.



Capela de Sta. Berlinda em Meerbeke

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Apresentação do Menino no Templo e a Purificação de Nossa Senhora - 2 de fevereiro



Festa de Nossa Senhora do Bom Sucesso




Beata Joana Francisca da Visitação, Virgem, Fundadora – 1º de fevereiro

     Na Turim do século XIX, abalada pelos ares belicosos da unificação italiana, o Senhor acendeu um dos grandes luminares da Igreja contemporânea: São João Bosco. Ele pode ser entendido como a estrela central de uma constelação de santos. Em sua órbita também se inscreve a Beata Joanna Francisca da Visitação, que nos oferece um suave lampejo de luz e espalha um calor suave, como brasas vivas e silenciosas. Ela sentia como ele o encanto produzido pela figura de São Francisco de Sales, modelo de bondade e mansidão. Se Dom Bosco fundou a Sociedade Salesiana, a nossa Beata pôde dar vida ao projeto original de São Francisco de Sales de fundar uma congregação de religiosas dedicadas a visitar e cuidar dos doentes pobres. Morreu com 44 anos de idade, um dia depois de São João Bosco, em 1º de fevereiro de 1888.
* * *
     "Pertencemos a Jesus; servimos Jesus que é a verdade encarnada e eterna, que não engana, porque as suas promessas são infalíveis e não deixará sem recompensa nem sequer um copo de água oferecido por amor".
     Essas palavras nortearam a vida de Ana Michelotti que ficou conhecida com o nome de Irmã Joana Francisca da Visitação, fundadora das Pequenas Servas do Sagrado Coração de Jesus para os doentes pobres.
     "Rezei muito por mim e porque esta é a vontade de Deus: vive em mim um ardente desejo de consagrar tudo a Jesus, na assistência aos doentes pobres".
     Este pensamento, presente entre os poucos escritos que por humildade Ana Michelotti nos transmitiu diretamente, indica uma missão nascida entre mil problemas, que graças a uma vontade extraordinária ainda está florescendo e fecunda dentro da Igreja.
     Ana nasceu na Alta Saboia (então território do Reino da Sardenha) em Annecy, em 29 de agosto de 1843. Seu pai, um nativo de Almese (Turim), morreu jovem, deixando a família na miséria completa. A mãe, piedosíssima, transmitiu aos seus filhos uma grande fé: no dia da 1ª Comunhão da pequena Ana, ela a levou para visitar um pobre homem doente em sua casa. Naquele dia nasceu sua vocação.
     A família foi para Almese pela primeira vez quando a menina tinha quatorze anos de idade, foi hóspede de seu tio Pe. Michelotti. Estabelecida em Lyon, alguns anos depois Ana entrou no Instituto das Irmãs de São Carlos, primeiro como estudante, depois como noviça. Mas educar não era sua missão.
     Alguns anos depois, sua mãe e seu irmão Antônio, noviço dos Irmãos das Escolas Cristãs, morreram: ela estava sozinha no mundo. Para sobreviver, trabalhou como instrutora para as filhas de um arquiteto, mas já era a dama dos "doentes pobres", porque assim que podia, procurava-os e colocava-se a seu serviço.
     Em Annecy ela conheceu uma certa Irmã Catarina, ex-noviça do Instituto de São José, que tinha os mesmos sentimentos: juntas elas começaram, em Lyon, um trabalho particular de assistência aos pobres em suas casas. Com a permissão do arcebispo, usavam o hábito religioso e faziam profissão de votos temporários. Mas a congregação nascente teve uma vida breve por causa da guerra entre a França e a Prússia, e em 1870 a Beata, vestida de freira, retornou a Annecy e depois a Almese; essas viagens muitas vezes faziam-na passar por Turim.
     Depois da tempestade, a Irmã Catarina convidou-a para voltar a Lyon, forçando-a a recomeçar como postulante. Ana aceitou humildemente, mas depois saiu do Instituto por motivos de saúde. Naqueles dias, rezando aos pés dos túmulos de São Francisco de Sales e Santa Joana Francisca de Chantal, sentiu que seu trabalho nasceria para além dos Alpes.
     Ela retornou a Almese no lombo de uma mula e depois seguiu para Turim (setembro de 1871). Hospedada durante um ano em Moncalieri, junto às Srtas. Lupis, ela ia todos os dias a pé até a cidade, em busca de pessoas doentes em dificuldade para atendê-las. Ela então alugou um quarto; para seu sustento fazia luvas, e algumas jovens começaram a ajudá-la em seu apostolado.
     Seus biógrafos fazem especial menção a duas pessoas de vida muito santa que lhe deram ajuda: o Pe. Felix Carpignano, do Oratório de São Felipe Neri, e Maria Clotilde de Saboia (cuja causa de beatificação foi introduzida em 10 de julho de 1942). Surpreendente também é que o Cardeal Gastaldi, Arcebispo de Turim, que se mostrou tão duro e incompreensivo com Dom Bosco, tenha apoiado uma pobre mulherzinha que começava a caminhar de modo insignificante...
     No início de 1874, o Arcebispo Gastaldi concedeu-lhes que usassem o hábito religioso, cerimônia realizada na Igreja de Santa Maria di Piazza: assim nasceu o Instituto das Pequenas Servas do Sagrado Coração de Jesus que além dos três votos ordinária daria atendimento domiciliar e de graça para pacientes pobres. A fundadora tomou o nome de Madre Joana Francisca em homenagem aos fundadores da Ordem de Visitação.
     O início foi difícil, caracterizado pela extrema pobreza, algumas das religiosas morreram e outras deixaram o Instituto. O clérigo superior e o médico da comunidade aconselharam-na a fechar o Instituto, mas Pe. Félix Carpignano, de venerada memória, encorajava a Madre. No apartamento que alugara na Piazza Corpus Domini, mais de uma vez a Madre foi ouvida exclamando entre lágrimas: "Estou disposta, ó meu amado Senhor, a retomar teu trabalho cinquenta vezes, se necessário, mas me ajude!" Deus ouviu essa súplica. Em 1879, Antônia Sismonda, ciente das más condições em que viviam as religiosas, hospedou-as em uma casa na colina de Turim.
     Poucos anos depois eram 20 religiosas. Em 1880 puderam abrir a segunda casa em Milão e em 1882 outra nova em Valsalice, perto de Turim, que se converteu em casa-mãe. Logo outras fundações se seguiram. A sombra benéfica de Dom Bosco a acompanhava nos momentos mais difíceis.
     Madre Joana Francisca era a Regra viva. Era uma mulher de intensa oração, mortificava seu corpo dormindo em terra ou em uma pilha de palha, misturando cinzas com a sopa. Na Congregação ela queria freiras generosas, ela dizia: "Se vocês falharem, descem um degrau; se vocês se humilharem, sobem três". Ao repreender as religiosas, às vezes era um pouco dura, mas elas a amavam, porque diante das dificuldades ela instilava confiança. Lia e meditava com elas as Sagradas Escrituras, recomendando-lhes que fossem "prudentes, zelosas e cheias de caridade", procurando Jesus Cristo nos pobres. Elas deviam auxiliá-los material e espiritualmente, favorecendo, se possível, sua aproximação dos Sacramentos. Antes de tomar uma decisão importante, pedia conselho aos seus confessores, entre os quais São João Bosco.
     A Beata não se eximia das tarefas de coleta de donativos, nem mesmo de participar de atividades públicas, nas quais às vezes era insultada. Ela tinha desejado instituir um grupo de religiosas adoradoras, mas como o superior não permitiu isto, ela dispôs que cada freira fizesse uma diária e profunda adoração ao Santíssimo Sacramento. Quando pedia uma graça particular, ela rezava com os braços em cruz, de joelhos, estendendo as mãos em direção ao tabernáculo. Ela trouxera da França uma estatuazinha da Virgem que foi benzida por Mons. Gastaldi. De vez em quando, segurando-a nos braços, em procissão com as religiosas pelo jardim, rezava cantando as ladainhas. Ela exortava-as a rezar o Rosário e a ter devoção à Virgem. Transmitiu uma profunda devoção à Paixão do Senhor: na Sexta-feira Santa almoçava de pé ou ajoelhada; beijava os pés das freiras, antes de se sentar para comer apenas uma crosta de pão.
     Nos últimos anos de vida, a asma brônquica frequentemente forçava a Madre a ficar na cama. Acreditando-se inadequada para governar o Instituto, que estava em constante desenvolvimento, especialmente na Lombardia, mas basicamente porque seus métodos irritavam um grupo de freiras idosas, em 26 de dezembro de 1887 foi exonerada do cargo de Superiora Geral. Aceitou a humilhação e submeteu-se a nova superiora, que ela própria sugerira.
     Daquele dia em diante a dor aumentou, mas sorrindo dizia: "Para Jesus, todo sacrifício é pouca coisa"; "Eu estou prestes a morrer, mas vocês não tenham medo. Vou continuar ajudando e orientando as Pequenas Servas do Sagrado Coração de Jesus para doentes pobres".
     Ana Michelotti morreu em 1º de fevereiro de 1888, um dia depois de Dom Bosco. Poucas horas antes de sua morte ela permitiu, cedendo às insistências das religiosas, ser fotografada (foto acima). Quem por toda vida, esquecendo-se de si mesma, serviu os mais indefesos, foi enterrada num pobre caixão, levando nos quadris o cíngulo franciscano, na terra molhada pela chuva de um pequeno cemitério. "O grão de trigo" morreu, mas uma luz de amor continuaria brilhando em suas filhas, hoje também ativas em terras missionárias.
     A Beata foi enterrada com a máxima simplicidade num cemitério pobre e teria ido para o ossuário comum, se os seus restos não tivessem sido recolhidos dez anos depois. Desde 1923, eles estão descansando na capela da casa mãe de Valsalice. Ela foi proclamada Beata pelo Papa Paulo VI em Roma no dia 1º de novembro do Ano Santo de 1975.