segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Santa Isabel da Trindade, Carmelita - 9 de novembro

      Maria Isabel Catez nasceu em um acampamento militar, no Campo de Avor, perto de Bourges, França, pois seu pai era capitão do exército francês, no dia 18 de julho de 1880.
     Sua mãe contava: “Quando tinha apenas 1 ano, já se manifestava sua natureza ardente e colérica”. No entanto, sua mãe, atenta, soube modelar a fúria de Isabel e fazer sobressair nela a ternura. Ela tomou a iniciativa de escrever em seu diário pessoal, aos 18 anos: “Eu tive hoje a alegria de oferecer a meu Jesus muitos sacrifícios sobre o meu defeito dominante, mas como eles me custaram! Eu reconheço minha fraqueza... Parece-me que quando recebo uma observação injusta, eu sinto esquentar todo o meu sangue nas veias, tanto que meu ser se revolta... Mas Jesus estava no meu coração e então eu estava pronta a tudo suportar por amor a Ele”.
     Ainda criança a família se mudou para a cidade de Dijon. Com apenas 7 anos e 2 meses, perdeu o pai tão querido, que a morte lhe roubou.
     O dia da primeira comunhão, a 19 de abril de 1891, foi “o grande dia” da vida de Isabel, então com 10 anos. Chorou de alegria. Ao sair da igreja, descendo as escadas diz à sua amiguinha Marie-Louise Hallo: “Não tenho fome, Jesus saciou-me”.
     Estudou piano desde os 8 anos de idade no Conservatório vindo a tornar-se uma “excelente pianista”, segundo a expressão do seu professor de música.
     Não atingira ainda os 14 anos e já escolhera Cristo para seu único esposo. Confirmou-se na sua vocação com a leitura da História de uma Alma, autobiografia de Santa Teresinha do Menino Jesus. Deste livro copiou por seu punho e letra o Oferecimento ao Amor Misericordioso e três poesias.
     Aos 18 anos sua mãe pretendeu casá-la, mas Isabel respondeu: “O meu coração já não está livre, dei-o ao Rei dos reis, já dele não posso dispor”. O desgosto da mãe foi grande. Mas foi mais amargo quando soube que Isabel queria entrar para o Carmelo, aonde tantas vezes tinham ido e que ficava apenas a 200 metros de sua casa. Entre lágrimas, a mãe disse que apenas consentiria na entrada da filha no Carmelo quando ela alcançasse a maioridade, aos 21 anos de idade.
     
Na verdade, era um estratagema de sua mãe, que procurava desse modo ganhar tempo. Efetivamente, durante os anos que faltavam para que Isabel completasse os 21 anos, sua mãe a levava constantemente à várias festas e bailes, na esperança secreta que a filha mudasse de ideia e encontrasse um bom partido. Isabel, por outro lado, antes de sair com a mãe para essas festas, se ajoelhava em casa, rezava e se oferecia à Nossa Senhora. Depois ia para as festas com serenidade e alegria, pois não pensava em outra coisa a não ser na comunhão que receberia na missa na manhã do dia seguinte.
     Isabel entrou no Carmelo de Dijon do dia 2 de agosto de 1901, quando recebeu o nome de Irmã Isabel da Santíssima Trindade. Este início foi marcado por muitas graças sensíveis e se tornou um período onde ela descobriria um profundo amor pelo silêncio, próprio da espiritualidade carmelitana.
     Irmã Isabel tomou o hábito a 8 de dezembro de 1901. No decurso do ano de 1902, o sofrimento interior visita Isabel. A sua noite ilumina-se com as claridades da fé e da confiança, como ela explica nesse mesmo ano à Senhora de Sourdon: “O abandono, eis o que nos entrega a Deus. Sou muito nova, mas parece-me que algumas vezes sofri bastante. Oh! então quando tudo se obscurecia, quando o presente era tão doloroso e o futuro me aparecia ainda mais sombrio, fechava os olhos e abandonava-me como uma criança nos braços desse Pai que está nos céus...”
     Irmã Isabel fez sua profissão simples no dia 8 de dezembro de 1901 e sua profissão perpétua dia 21 de janeiro de 1903, tendo recobrado a paz e a serenidade interior. Na véspera de sua profissão perpétua, ela passou a noite toda em oração, como era o costume no Carmelo. Ela afirma ter recebido nesse momento sua vocação: “Na noite que precedia o grande dia, enquanto eu estava no coro à espera do Esposo, eu compreendi que meu céu começaria na terra, o céu na fé, com o sofrimento e a imolação por Aquele que eu amo”.
     Ela descobriu a passagem de São Paulo sobre o Louvor de Glória, nas Cartas aos Efésios: “Em Cristo, segundo o propósito daquele que opera tudo de acordo com a decisão de sua vontade, fomos feitos seus herdeiros, predestinados a ser, para louvor da sua glória, os primeiros a pôr em Cristo nossa esperança” (Ef 1, 11-12). Escreve um seu biógrafo: “A Irmã Isabel da Trindade foi verdadeiramente a alma de uma ideia: ser, para a Santíssima Trindade, um Louvor de Glória”.
     Esta ideia e esta vocação serão o rumo e o norte de Isabel da Santíssima Trindade: “louvor de glória” é uma alma que mora em Deus e O ama com amor puro, amante do silêncio qual lira mantida sob o toque misterioso do Espírito Santo, fazendo sair de si harmonias divinas. “Louvor de glória” é uma alma que contempla a Deus em fé simples e permanece como um eco perene do eterno cântico celeste. O segredo da felicidade é não se preocupar consigo mesmo, é negar-se em todo o momento”.
     Isabel entrou no mistério de Deus através de Maria, a quem gosta de chamar a Porta do céu. Seguindo Santa Teresa de Jesus e, sobretudo, São João da Cruz, de quem constantemente fala nos seus escritos, Isabel mergulha no mistério das Três Pessoas Divinas, nesse Oceano sem fundo que é a Santíssima Trindade e que ela se sente envolvida por dentro e por fora. Tal como São João da Cruz se sentiu fascinado pela formosura de Deus, também Isabel da Trindade se sentia atraída pela beleza de Deus. Isabel gostava de ver o sol penetrar nos claustros e recordar aquela comparação de Santa Teresa que dizia que a alma é como um cristal que reflete a Deus. “Cada dia na minha vida de esposa me parece mais belo, mais luminoso, mais envolto em paz e amor”
     Numa carta à sua mãe, que à maneira francesa tratava por “tu”, assim se expressa: “Ele escolheu a tua filha para associá-la à sua grande obra de Redenção. Ele marcou-a com o selo da sua Cruz e sofre nela como que uma extensão da sua Paixão. Não ambiciono chegar ao Céu somente pura como um Anjo, mas transformada em Jesus Crucificado”.
     Esta crucifixão atingiu-a, sobretudo nos últimos nove meses de vida, por meio de uma doença que a transformou numa hóstia de imolação. No Céu, para onde voou, consumou-se a união desta grande Mestra da vida espiritual. Nos fins de março de 1906, a Irmã Isabel foi colocada na enfermaria. Sentia-se feliz por morrer carmelita e escreve esta frase que é uma cópia do verso de São João da Cruz: “sem outro ofício senão o de amar, estou na enfermaria”.
     As Irmãs rezavam pela sua cura e Isabel juntou o seu pedido às orações da comunidade, mas sentiu que Jesus lhe dizia que os ofícios da terra já não eram para ela.
     No dia 1 de novembro comungou pela última vez e dois dias antes da sua morte disse ao seu médico: “É provável que dentro de dois dias eu esteja no seio da Santíssima Trindade. É a Virgem Maria, aquele ser tão luminoso, tão puro, com a pureza do mesmo Deus, quem me levará pela mão e me introduzirá no céu tão deslumbrante”.
     Alguns dias antes de sua morte, Isabel dissera às suas Irmãs esta frase tão bela e que ficou célebre: “Tudo passa! No declinar da vida só o amor nos resta...” A sua última noite foi terrivelmente penosa, pois às suas horríveis dores juntou-se-lhe também a falta de ar, mas ao amanhecer Isabel sossegou, e inclinando a cabeça abriu os olhos e exclamou: “Vou para a Luz, para o Amor, para a Vida”, e adormeceu para sempre. Era a madrugada do dia 9 de novembro de 1906.
     Isabel da Trindade foi beatificada por João Paulo II no dia 25 de novembro, festa de Cristo Rei, de 1984. Sua canonização ocorreu no dia 16 de outubro de 2016.
 
Oração de Santa Isabel da Trindade
 
Ó meu Deus, Trindade que eu adoro
     Ó meu Deus, Trindade que eu adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente, para me estabelecer em vós, imóvel e pacífica como se já a minha alma estivesse na eternidade. Que nada possa perturbar a minha paz, nem fazer-me sair de vós, ó meu Imutável, mas que cada minuto me leve mais longe na profundeza do vosso Mistério. Pacificai a minha alma, fazei dela o vosso céu, vossa morada amada e o lugar de vosso repouso. Que nunca aí eu vos deixe só, mas que esteja lá inteiramente, toda acordada em minha fé, perfeita adoradora, toda entregue à vossa Ação criadora.
     Ó meu Cristo amado, crucificado por amor, quereria ser uma esposa para o vosso Coração, quereria cobrir-vos de glória, quereria amar-vos… até morrer de amor! Mas sinto a minha incapacidade e peço-vos para me “revestirdes de vós mesmo”, para identificar a minha alma com todos os movimentos de vossa alma, me submergir, me invadir, e Vos substituir a mim, a fim que a minha vida não seja senão uma irradiação da vossa Vida. Vinde a mim como Adorador, como Reparador e como Salvador. Ó Verbo eterno, Palavra do meu Deus, quero passar a minha vida a escutar-vos, quero tornar-me inteiramente dócil ao vosso ensino, a fim de tudo aprender de vós”.
 
Fontes: Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J.; www.santiebeati/it;
Postado neste blog em 8 de novembro de 2012

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Santa Isabel e São Zacarias – 5 de novembro

 

“Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, às pressas, a uma cidade da Judéia. Entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança se agitou no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.  Com um grande grito exclamou: “És bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar?” (Lc 1, 39-43)
 
     São Lucas é quem introduz São Zacarias e Santa Isabel em seu Evangelho, narrando a aparição que o primeiro teve do Arcanjo São Gabriel, que fora anunciar-lhe o nascimento de seu filho, o futuro Precursor do Messias, e a segunda na visita de Nossa Senhora. Diz o evangelista que “ambos eram justos na presença de Deus, e irrepreensíveis caminhavam em todos os preceitos e observâncias do Senhor”. O que corresponde a uma verdadeira canonização de ambos. São Lucas afirma também que eles eram avançados em anos, e não tinham filhos.
     O evangelho de São Lucas é muito conhecido. Limitamo-nos, pois, a ressaltar que o Precursor foi abençoado no seio materno por Jesus, presente no seio de Maria Santíssima, através da voz desta, como que mostrando que é por intermédio dela que Ele nos dá suas graças. Na ocasião Nossa Senhora foi saudada por sua prima Isabel com as palavras que todos os católicos rezam diariamente na Ave Maria.
     Restringimo-nos a citar aqui algumas hipóteses, baseadas sobretudo nos evangelhos apócrifos, do que sucedeu ao santo casal depois que desaparecem do cenário bíblico.
     O Pe. Pedro de Ribadeneira, discípulo de Santo Inácio, em seu Flos Sactorum, dá algumas versões a esse respeito. Diz ele que na perseguição de Herodes Santa Isabel fugiu para o deserto com seu filho; mas acrescenta que outra versão, tida como a mais provável, é a de que ela tenha se refugiado com o menino num mosteiro dos essênios, descendentes dos discípulos do Profeta Elias, e que lá ficaram até que São João Batista cumpriu sete anos de idade. Então o Precursor se retirou para o deserto, e sua mãe voltou para casa, onde teve uma santa morte.
     Seu marido, São Zacarias, como tinha funções no templo, permaneceu em Jerusalém. Lá teria sido morto secretamente no santuário, por ordem de Herodes. Os que defendem esta tese, o identificam com o Zacarias que Nosso Senhor diz que foi morto entre o templo e o altar (Mt 23, 25). Pelo que o Pe. Ribadaneira lhe dá o título de “profeta e mártir”. Mas acrescenta o ínclito jesuíta que o grande São Jerônimo não concorda com esta tese, afirmando que o Zacarias dito por Nosso Senhor, era uma outra pessoa. Seja como for, consta que seu corpo teria sido depois levado de Jerusalém para Veneza, e que lá estaria até hoje.
     A Santa Igreja venera os dois santos esposos em uma só solenidade.
 
https://ipco.org.br/05-11-sao-zacarias-e-santa-isabel-3/

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Beata Margarida da Lorena, Duquesa, Viúva, Clarissa – 2 de novembro

      Margarida da Lorena, Duquesa de Alençon, nasceu em 1463 no Castelo de Vaudémont, próximo de Nancy. Era filha de Henrique de Vaudémont e de Iolanda d’Anjou, descendente de São Luís IX de França. Foi educada na corte do seu piedoso avô, rei Renato d’Anjou.
     Os seus principais textos de estudo, a Legenda Áurea e as Vidas dos Santos, produziram nela tal impacto, que aos 10 anos de idade já sonhava em ser eremita, como demostra um episódio curioso: durante um passeio coletivo, Margarida e mais algumas companheiras separaram-se do grupo. Julgando-se que se teriam perdido na mata, organizou-se uma operação de busca. Quando à tardinha a encontraram, confessou que se tinha escondido de propósito para experimentar como seria a vida eremítica.
     Por ocasião da morte do Rei Renato, ela voltou para a Lorena. Em 1488 casou-se com Renato Duque de Alençon, filho de um companheiro de Santa Joana d’Arc nas lutas contra os ingleses. Mas a vida do casal não foi fácil, pois os desastres da Guerra dos Cem anos fizeram-se sentir no pequeno ducado. A situação da esposa tornou-se ainda pior quando lhe morreu o marido, deixando-a viúva aos 32 anos de idade, com três filhos de tenra idade para criar.
    A partir de então, como mulher forte, dedicou-se à educação dos órfãos, cuja tutela os parentes pretendiam assumir. Opondo-se à essa pretensão, Margarida esmerou-se na educação dos filhos, conseguindo que eles se tornassem jovens admiráveis que conseguiram ótimos casamentos.
     Margarida governou com sabedoria o Ducado de Alençon. Durante os 20 anos de regência do Ducado de Alençon arruinado pela Guerra dos Cem Anos, Margarida revelou que a gestão dos assuntos temporais não é incompatível com o ideal do Evangelho: ela sanou as finanças do Ducado, reformou os costumes, humanizou a vida social prestando assistência aos "pobres envergonhados" (aqueles que não se atreviam a pedir), refez a unidade da diocese de Séez dividida entre dois bispos, reformou as abadias de Almenèches e St. Martin de Séez e fundou mosteiros de Clarissas em Alençon, Mortagne, Château-Gontier, Mayenne e Argentan.
     Ela também restaurou e embelezou muitos monumentos civis e religiosos, incluindo igrejas de Mortagne, Argentan e Alençon. Assim, em 1505 concluiu a construção da Igreja de São Leonardo de Alençon.
     Finalmente, quando seu filho mais velho, Carlos, atingiu a maioridade, ela transferiu para ele o poder; Carlos se casaria com Margarida de Navarra, irmã do rei Francisco 1º.
     Viúva abastada, ela se consagrou plenamente a servir os doentes e os pobres, que ela chamava de "seus senhores". Visão sagrada da pobreza que tem suas raízes no Evangelho e na tradição franciscana. Livre do cuidado dos filhos e do ducado, dividiu seus bens em três partes: uma destinada aos pobres, outra a Igreja e a terceira ao seu próprio sustento; depois se retirou no Castelo de Essai, que se transformou num verdadeiro mosteiro, e permaneceu em estreito contado com as Clarissas de Alençon.
     O bispo da diocese chegou mesmo a recomendar à duquesa que moderasse as suas práticas ascéticas bastante exageradas, como passar noites inteiras em claro em oração, usar cilícios, fazer grandes temporadas de jejum, e flagelar-se com violência para “saborear um pouquinho da Paixão de Jesus”, como ela mesma costumava dizer. Cedendo às exortações do prelado, Margarida aceitou mudar o método: passou a cuidar das chagas dos doentes, num ambulatório aberto por ela em Mortagne.
     Margarida seguia os conselhos e o exemplo de sua cunhada Felipa de Gueldre, Duquesa da Lorena e Rainha da Sicília, que também ingressou nas Clarissas. 
     Antes de se tornar Clarissa em Argentan, Margarida enriqueceu igrejas e mosteiros com bordados de mérito incalculável, feitos por ela com todo o carinho: o famoso “ponto de Alençon”, uma arte das mais sutis, e que lhe dão direito a ser considerada legítima ascendente das nossas modernas rendeiras.
     O apadrinhamento histórico desta famosa renda cabe à Beata Margarida. Esta antepassada de Henrique IV, nora do “Gentil Duque”, que foi o companheiro de armas de Santa Joana d'Arc, não se limitou a administrar o ducado com tal sensatez e condescendência que lhe deram o nome de “mãe de toda a caridade”: ela praticou e incentivou esta arte que perdura até nossos dias, e da qual também foi uma engenhosa empreendedora a mãe de Santa Teresinha do Menino Jesus, Santa Zélia Guerin.
     Por fim, Margarida ingressou no mosteiro das Clarissas de Argentan para partilhar a vida duríssima das filhas de Santa Clara. Ela professou do mosteiro de Argentan no dia 11 de outubro de 1520, nas mãos do Bispo de Séez, na presença do Irmão Gabriel Maria, comissário geral dos Menores da Observância, enquanto sua cunhada, Felipa de Gueldre, entrava nas Clarissas de Pont-à-Mousson.
     Ela deu exemplo da mais generosa observância da Regra; dotou o mosteiro de Estatutos particulares aprovados pelo Papa Leão X: ele autorizou Margarida a agregar ao mosteiro casas de religiosas da Ordem Terceira regular que ajudariam as religiosas reclusas.
     Foi, porém, uma experiência de pouca duração, pois ao fim de dois anos Margarida adoeceu gravemente, e preparou-se para a morte, que ocorreu no dia 2 de novembro de 1521, tendo ela 58 anos de idade. Faleceu com grande fama de santidade. Só então se descobriu que ela trazia ao peito uma cruz de ferro com três pontas aguçadas que se lhe cravavam na carne.
     A memória de Margarida da Lorena foi preservada no Martirológio Franciscano e no Martirológio Gálico. Após um convite feito pelo Bispo de Séez, Jacques Camus de Pontcarri, Luís XIII rogou ao Papa Urbano VIII que ordenasse um processo canônico sobre as virtudes e os milagres da piedosa Duquesa d’Alençon. Seu culto, entretanto, somente foi aprovado por Bento XV no dia 20 de março de 1921.
     Ela é comemorada no dia 2 de novembro. A Igreja reconhece nela um "modelo para os que governam os povos".
 

                                                                      Ponto de Alençon
Fontes:
http://www.santiebeati.it/dettaglio/90417
http://fraternidadesaogilberto.blogspot.com/2012/11/beata-margarida-de-lorena-viuva-e.html
 
Postado neste blog em 6 de novembro de 2014

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Santa Eutrópia de Alexandria, Mártir – 30 de outubro


Tochas acesas vão diante da noiva Eutrópia, quando ela entra na casa de seu noivo espiritual

      De acordo com as narrativas do Sinassário Oriental, nem sempre acurado nos detalhes, Eutropia foi julgada e martirizada sob o prefeito de Alexandria, Apeliano. O nome deste magistrado romano é conhecido apenas através da Ata do mártir Santo Epímaco que tendo ido para Alexandria na época da perseguição de Décio (249-51), foi julgado por Apeliano.
     Sobre a validade histórica desta data não temos certeza. No entanto, tomando as Atas de Epímaco como base, pode-se estabelecer que Eutrópia pereceu na perseguição deciana.
     Santa Eutrópia era uma piedosa mulher cristã de Alexandria que viveu durante uma época em que os cristãos eram perseguidos e mortos por sua fé, provavelmente em meados do século III. Ela costumava visitar os santos mártires presos e atender às suas necessidades.
     Um dia, Eutrópia foi acusada de ser uma cristã, foi presa e levada diante de Apeliano. Depois de confessar sem medo sua fé em Cristo, ela foi entregue à tortura.
     Primeiro, eles a penduraram e rasgaram sua carne com garras de ferro, depois queimaram-na com tochas acesas. No entanto, a chama parecia-lhe um orvalho refrescante, como ela confessou, e aqueles que testemunharam isto, entre os quais estavam soldados, afirmaram que viram ao seu lado um homem admirável que a refrescava. Submetida à tortura de arranhões e fogo, ela se voltava para o prefeito exclamando: "Seu fogo é muito frio!"
     Depois de enfrentar ainda mais tormentos, ela foi jogada na prisão. No dia seguinte, ela foi novamente levada perante Apeliano e corajosamente zombou de seus ídolos. Ele então mandou cortar a língua de Eutrópia e ordenou que sua cabeça sagrada fosse cortada. Assim, a bem-aventurada entregou sua alma nas mãos de Deus e recebeu dEle a coroa do martírio.
 

Martirológio romano: Em Alexandria, no Egito, Santa Eutrópia, mártir, que entregou seu espírito em meio a torturas cruéis por se recusar a negar a Cristo.
 
Etimologia: Eutrópia = nome feminino de origem grega que significa “versátil”.
 
Fonte: http://www.santiebeati.it/dettaglio/75620

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Beata Celina Chludzinska Borzecka, Viúva e Fundadora - 26 de outubro


     
Celina Chludzinska Borzecka nasceu no dia 29 de outubro de 1833, em Antowil, então território polonês, atualmente Bielorrússia, a mais nova de dois irmãos, filhos do casal Ignacio e Petronella Chludzinska, cujas famílias eram abastadas. Celina teve uma infância feliz, que qualificou como “anos de ouro”, rodeada de afeto. A vida espiritual de Celina desenvolveu-se cedo e durante as orações sempre dirigia a Deus a pergunta: "O que queres que eu faça com a minha vida?"
     Após um retiro em Vilnius, em 1853, exprimiu o desejo de tornar-se religiosa, mas encontrou a oposição dos pais. Obedecendo à vontade deles e ao conselho do seu confessor, aos 20 anos casou-se com José Borzecki. De qualquer maneira, dentro dela permaneceu a convicção de que "a sua vida não deveria terminar de modo comum".
     O casal se instalou em Obremszczyzna. Profundamente amada pelo marido, também ela foi uma esposa amorosa e exemplar que partilhava a responsabilidade do lar e demonstrava a sua atenção aos pobres. Seus afazeres domésticos não a afastavam da oração; sua ascese estava impregnada também com o sacrifício. Além disto, enfrentou a dor que mais afeta uma mãe: a morte de seus filhos. O primeiro, Casimiro, nascido em 1855, morreu no mesmo ano. Após um período de alegria com a chegada de sua filha Celina, em 1858, novamente passou pelo duro transe em 1861, quando teve que enterrar sua filha Maria, que não sobreviveu. Finalmente, em 1863 nasceu Jadwiga (Edvige), que iria percorrer com ela a via religiosa que sempre aspirou.
     No ano em que a pequena Edviges nasceu Celina se envolveu na luta para resgatar os prisioneiros que iam ser executados em meio aos conflitos bélicos desatados em uma Polônia dividida pela invasão russa. As autoridades russas a detiveram e foi colocada na prisão, levando com ela a pequena recém-nascida.
     Em 1869, quando o marido teve um derrame cerebral que o deixou paralisado, Celina transferiu-se com a família para Viena a fim de obter melhores cuidados médicos para ele. Durante o seu sofrimento, que durou cinco anos, ela foi sua fonte de apoio espiritual e moral, além de dedicada e sensível enfermeira. Ao mesmo tempo, continuou a prodigalizar-se pela educação das duas filhas.
     Em 1875, após a morte do marido, Celina transferiu-se para Roma com as filhas, a fim de alargar os horizontes espirituais e culturais, e procurar indicações a respeito da vontade de Deus para si e para as suas filhas. 
     Em 1879 a jovem Celina casou-se com um rapaz polonês; a beata e Edviges se dispunham a fundar um convento de inspiração carmelita. Na igreja de São Cláudio Celina encontrou-se com o cofundador da Congregação da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pe. Pedro Semenenko, que há muitos anos desejava fundar o ramo feminino da Congregação. As conversas com o Pe. Semenenko fizeram-na mudar de plano.
     Em 1882 mãe e filha começaram a ser parte do sonho do fundador, preparando-se junto com outras cinco aspirantes para entrar na vida religiosa. Iniciou-se assim a vida em comunidade, em Roma, sob a direção espiritual do Pe. Semenenko. Em 1884, se instalaram em uma casa em que três anos depois abririam uma escola para meninas sem recursos.
     Em 1886, após a repentina morte do Sacerdote, Celina teve que enfrentar muitas intrigas de pessoas contrárias à nova fundação. De maneira cada vez mais forte, Celina sentia a chamada a fundar uma comunidade de mulheres dedicadas ao Mistério da Ressurreição.
     De sua primeira escola vespertina para moças foi capelão e catequista o Mons. Giacomo Della Chiesa, futuro Papa Bento XV, cujos pais residiam no apartamento ao lado da escola. O futuro pontífice deu muito apoio aos trabalhos da nova congregação.
     Depois de anos de provações e sofrimentos, Celina e sua filha Edviges, cofundadora, com outras três religiosas, fizeram a profissão dos votos religiosos a 6 de janeiro de 1891, dando início oficialmente à nova Congregação, cujo objetivo era proporcionar educação às meninas pobres, e que posteriormente se estendeu ao cuidado dos doentes. Edviges foi sua primeira superiora geral.
     Logo foram abrindo casas nos países do Leste europeu. Na Polônia, tiveram que usar de muita prudência. Resquícios da ocupação russa levaram-nas a trabalhar clandestinamente, estabelecendo a fundação em Czestochowa, perto de Jasna Góra, e em Varsóvia. Foram momentos de grandes recordações para Celina, que havia vivido de cheio o início da invasão.
     Depois, em 1900, chegaram à América, onde abriram uma casa e uma escola em Chicago. Em 1905 a fundação recebeu o decretum laudis.     
     Conforme Madre Celina avançava em idade, era consenso geral que Madre Edviges a sucederia. Mas Madre Edviges morreu inesperadamente em 27 de setembro de 1906, na idade de 43, em Kety, Polônia. Sua mãe teve que suportar mais este sofrimento e heroicamente o fez, e disse às Irmãs que “uma alma é capaz de suportar qualquer coisa por amor a Jesus”.
     Madre Celina continuou a governar a Congregação e em 1911 convocou o 1º. Capítulo Geral. Ela foi eleita Superiora Geral ad vitam. Nos últimos anos de vida ela manteve intensa correspondência e visitas às suas Irmãs, formando-as na espiritualidade do Instituto.
     A Beata expressou o dinamismo da sua vida, antes de morrer, quando escreveu num pedaço de papel, pois já não podia falar: "Em Deus reside a felicidade em eterno". Madre Celina faleceu a 26 de outubro de 1913 em Cracóvia.
     A Beata Celina pertence a um raro grupo de mulheres que experimentaram diversos estados de vida: esposa, mãe, viúva, religiosa e fundadora. Com simplicidade e humildade, escreveu, dando assim uma característica à sua vida espiritual: "Deus não me chamou para fazer coisas extraordinárias... talvez porque não queria que me tornasse orgulhosa. A minha vocação é cumprir a vontade de Deus fielmente e com amor". Ela deixou escritos como “Memórias para minhas filhas” e “Cartas desde a Bulgária”, publicadas na revista Gloria resurrectionis.
     Madre Celina foi beatificada em 27 de outubro de 2007 na Basílica de São João de Latrão, Roma.

domingo, 25 de outubro de 2020

Beata Catarina da Bósnia, Rainha, 3ª franciscana - 25 de outubro


     As informações sobre sua vida são um tanto escassas, mas suficientes para compreender a grandeza de sua figura, prevalentemente católica, vivida em um Estado dos Balcãs ameaçado continuamente pela expansão muçulmana.
     Ela nasceu por volta de 1425, em Blagaj (atual Herzegovina), sede de seu pai Stjepan Vukcic Kosaca, Duque de São Sava, uma das mais poderosas figuras da nobreza da Bósnia, e faleceu em 1478, exilada em Roma. Sua mãe Jelena Balšić era neta do Príncipe Lazar da Sérvia. Ela nasceu na Casa de Kosaca e casou-se na Casa de Kotromanic.
     Crescendo na região do Forte Blagaj, Catarina passou sua infância lendo poesias, tocando órgão e se entretendo com as apresentações de atores vindos de Florença e Dubrovnik para a corte de seu pai. Stjepan foi um membro e importante apoiador da Igreja Bósnia, enquanto sua mãe era uma cristã ortodoxa oriental. Catarina foi criada na confissão de seu pai.
     Em 26 de maio de 1446, foi dada em casamento ao filho ilegítimo do Rei Stephen Ostoja da Bósnia, Stephen Thomas, para estreitar os laços entre a realeza e a nobreza da Bósnia no tempo em que o Conde Herman II de Celje e Zagorje, filho de Herman I e de Catarina da Bósnia, Condessa de Cilli (que por sua vez era filha de Vladislav Kotromanic), reclamava o trono da Bósnia e o perigo otomano era presente.
     A cerimônia de casamento foi realizada de acordo com o rito católico entre 19 de maio, quando Catarina chegou a Milodraz perto de Fojnica acompanhada de seu pai, e 22 de maio de 1446. A nova rainha consorte converteu-se ao catolicismo ("deixou de lado os erros de Patarin"), provavelmente antes de seu casamento, e foi autorizada pelo Papa Eugene a escolher por si mesma dois capelães entre os franciscanos bósnios.
     Tendo se mudado para Kraljeva Sutjeska, sede dos reis da Bósnia, Catarina deu à luz duas crianças: Sigismundo, em 1449, e Catarina em 1459.
     Catarina provou ser uma convertida zelosa. Preocupando-se com a difusão da Fé em seu reino, chamou os Franciscanos para se estabelecerem em Jaice, a capital, para combater e converter os numerosos hereges e cismáticos que tinham feito da Bósnia a cidadela de sua heresia que contrapunha o mundo do espírito ao da matéria, considerado a expressão da força do mal, negava a Santíssima Trindade, a natureza humana de Cristo, reduzida a uma aparência, o Antigo Testamento, não reconhecia os ritos litúrgicos, a hierarquia eclesiástica, o batismo e o matrimônio.
     Ela iniciou e financiou com seu dote a construção de igrejas em toda a Bósnia, começando com uma em Kupres em 1447, seguida por igrejas em Krupa na Vrbasu e Jezero uma igreja em Jaice foi construída em 1458. Em dezembro de 1458 ela escreveu ao Papa Pio II para solicitar que a igreja em Jajce, construída junto com um mosteiro franciscano e um vicariato fosse nomeada em homenagem a sua homônima, Santa Catarina de Alexandria. Pio II atendeu ao seu pedido emitindo uma bula em 13 de dezembro, concedendo absolvição a qualquer um que visitasse a igreja da Rainha Catarina no Natal ou na Páscoa, ou em certos dias de festa.
     Thomas faleceu em 10 de julho de 1461 e foi sucedido por seu filho, Stephen Tomasevic, que reconheceu Catarina como rainha-mãe.
     Em 1463 os turcos, capitaneados pelo sultão Maomé II, ocuparam a Bósnia e, entre outras coisas, capturaram os filhos de Catarina, obrigando-os a se tornarem muçulmanos. As crianças foram levadas para Istambul onde o filho de Catarina, agora com o nome de Ishak-beg Kraloglu, tornou-se bastante influente. Sua filha Catarina morreu em Skopje, onde lhe foi erigido um monumento, o Kral Kizi.
     A Rainha-mãe se exilou em Roma, onde foi acolhida com honras pelo Papa Pio II, tornando-se Terceira Franciscana e vivendo santamente, gozando da estima e consideração dos sucessivos pontífices, Paulo II e Sisto IV.
     A infeliz Rainha levou consigo os símbolos da casa real da Bósnia, esperando que seu reino fosse restaurado um dia. Em Dubrovnik ela deixou a espada de seu esposo para ser entregue ao seu filho, se ele retornasse do cativeiro. Sua filha mais nova casou-se com o governador de Zeta, e épico herói de Montenegro, Ivan Crnojevic.
     Em Roma, ela era respeitada entre os eslavos, mas tinha poucos recursos porque seu pai a tinha tirado do testamento. A Igreja Católica foi a única instituição que ainda reconhecia Catarina como a “rainha legítima”. Entretanto, sua influência entre a nobreza parece ter sido muito grande, pois consta que em 1472 ela compareceu ao casamento de Sofia Palaiologina e o russo Duque Ivan III, também conhecido como Ivan o Grande.
     Ela viveu em Roma numa casa próxima da Igreja de São Marcos, com sua “corte”. Eles a serviram até sua morte em 25 de outubro de 1478. Foi sepultada com solenes funerais na Igreja de Aracoeli. No seu testamento dispôs que deixava para a Santa Sé o seu reino, a espada e os símbolos reais, com a cláusula: se seu filho Sigismundo, prisioneiro dos turcos, uma vez liberado voltasse para o Catolicismo, ele deveria se tornar Rei da Bósnia.
     Os católicos daquela região visitam com frequência seu túmulo na igreja romana de Santa Maria em Aracoeli. A pedra tumular apresenta um retrato seu com os emblemas da Casa de Kotromanic e Kosaca. A inscrição, originalmente escrita em Bosancica, foi substituída em 1590 por uma em latim que diz:
     A memória da Rainha Catarina, que foi beatificada após sua morte, ainda está viva na Bósnia Central, onde os Católicos tradicionalmente celebram o 25 de outubro com uma Missa em Bobovac “no altar da terra natal”. Alguns pertences da Rainha e da família Kotromanic foram levados em 1871 para a Croácia, por Josip Juraj Strossmayer, do mosteiro franciscano de Kraljeva Sutjeska, a fim de salvaguardá-los até que a “Bósnia seja libertada”. Eles jamais foram devolvidos.
     A Ordem Franciscana celebra Catarina no dia de sua morte.
 
www.santiebeati.it; http://en.wikipedia.org/wiki/Catherine_of_Bosnia
 
Postado neste blog em 22 de outubro de 2012

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Santa Sira de Châlons-sur-Marne, Abadessa – 23 de outubro

    Santa Sira (Cyre ou Syre) foi uma abadessa do mosteiro de Châlons-sur-Marne, que viveu entre o final do século VI e meados do século VII.
     Ela é tradicionalmente considerada irmã de São Fiacre, um eremita na região de Brie.
    Inicialmente Santa Sira havia entrado na Abadia de Faremountiers, na diocese de Meaux, fundada por Santa Fara, um mosteiro duplo, ou seja, composto por dois conventos separados, um masculino e um feminino, governados por uma abadessa.
     Somente após o pedido de Reginaldo, bispo de Châlons-sur-Marne, Santa Sira foi fundar um mosteiro nas proximidades de sua cidade episcopal, do qual ela se tornou a primeira abadessa.
     Acredita-se que Santa Sira tenha morrido por volta do ano 650. Desde os tempos antigos ela era venerada no mosteiro de Faremountiers, onde parte de suas relíquias são preservadas, e na diocese de Châlons-sur-Marne
     A festa para Santa Sira em Faremountiers e Châlons-sur-Marne está marcada para 23 de outubro.
 
http://www.santiebeati.it/dettaglio/98568
 
DIOCESE DE CHÂLONS-SUR-MARNE (CATALAUNENSIS)

Abadia de São Vitor c.1655
 
     A Diocese compreende o departamento de Marne. Unida em 1802 com a Diocese de Meaux e em 1821 com a de Reims, a Diocese de Châlons foi restabelecida em 1822, e é sufragã para Reims. 
     Lendas locais afirmam que a evangelização de Châlons por São Memmius, enviada para lá por São Pedro e assistido por sua irmã Poma, também por Santos Donaciano e Domita, ocorreu no primeiro século, mas na lista revisada dos santos diocesanos no Breviário essas lendas foram suprimidas.
     O Abbé Duchesne atribui a fundação da Sé de Châlons ao século IV, Amandinus, que participou do Conselho de Tours em 461, sendo seu nono bispo. São Lumier (Leudomerus), Bispo de Châlons por volta de 580, era conhecido por seu poder milagroso sobre os animais. Os bispos desta diocese desempenharam um papel importante no início da história francesa, e na coroação dos reis capetianos o Bispo de Châlons sempre carregava o anel real. A catedral foi consagrada em 1147 por Eugenio III, auxiliado por São Bernardo e dezoito cardeais. 
     Entre suas célebres abadias a diocese contava as de São Memmius, fundada no século V por Alpinus; Toussaints, fundada no século XI; Montier-en-Der, fundada no século VII por São Bereharius, um monge de Luxeuil; Saint-Pierre au Mont, fundada durante o mesmo período. Notre-Dame de l'Epine, perto de Châlons, foi um lugar de peregrinação já no início do século XV.