domingo, 12 de março de 2023

Santa Eufrásia de Nicomédia, Virgem e Mártir - 13 de março

 

   
Uma jovem cristã que coroou sua fidelidade à Cristo com o martírio no início do século IV, sob o império de Diocleciano, Santa Eufrásia é mencionada em alguns martirológios, entre os quais o Martirológio Romano, no dia 13 de março.
     Eufrásia nasceu em Nicomédia (Bitinia, atual Turquia) em uma família ilustre, condenada a sofrer os maiores ultrajes. Era cristã muito piedosa e de rara beleza.
     Durante a perseguição de Maximiano contra os cristãos, foi capturada e diante da recusa de sacrificar aos deuses foi espancada e dada a um gladiador para que este a violasse antes de executar a pena de morte a que ela havia sido condenada.
     A Santa rogou ao Senhor que a preservasse, preferindo perder a própria vida que a sua castidade. Deus ouviu sua oração e a inspirou a fazer o que os hagiógrafos chamam “estratagema da virgem” e que foi usado por algumas outras santas. Para desviar o agressor de seu propósito, Eufrásia sugeriu que se ele não a profanasse ela lhe daria uma erva especial que o tornaria protegido das armas inimigas e contra a morte. Ela explicou que esta erva só possuía sua energia quando estava nas mãos de uma virgem e não de uma mulher.
     O soldado acreditou em Eufrásia e foi com ela ao jardim. A santa virgem escolheu a erva, depois se ofereceu para demonstrar sua energia. Ela colocou a erva em seu pescoço e disse ao homem que a golpeasse com sua espada. Com um golpe poderoso ele cortou sua cabeça. Assim, seus rogos foram recompensados e a virgem ofereceu sua alma a Deus no ano 303, salvaguardando a pureza de seu corpo.
     O episódio tornado famoso no tempo do bispo Santo Autímio, é mencionado na “História Eclesiástica” de Nicéforo Calisto.
     A Santa é mencionada no Martirológio Romano no dia 13 de março.
 
Etimologia: Eufrásia deriva do grego Eyphrasia e significa “Alegria”.
 
Fonte: https://www.vaticano.com/santa-eufrasia-di-nicomedia/
Postado neste blog em13 de março de 2015

terça-feira, 7 de março de 2023

Beata Maria da Providência (Eugênia Smet) - 7 de fevereiro

     
Segundo a doutrina da Igreja Católica, o Purgatório não é um nível intermédio entre o Inferno e o Paraíso, mas um estado de purificação onde as almas dos que morreram em estado de graça (isto é, não estão manchados pelo pecado mortal e, portanto, já estão destinadas ao Paraíso), ainda precisam se purificar para ver a face de Deus no Céu. Isto se justifica pela existência nas almas de manchas originadas pelos pecados veniais (ou leves) e pelas penas temporais devidas ao pecado, pois que 'nada de impuro pode entrar no céu' (Ap.21,27).
     A existência do Purgatório se baseia no testemunho da Sagrada Escritura e da Tradição. Vários Concílios o definiram como dogma; Santos Padres e Doutores da Igreja o atestam a uma voz. Há uma prisão da qual não se sairá senão quando tiver pago o último centavo. (Mat. 18, 23-35).
     O menor sofrimento no Purgatório, como dizem os santos, ultrapassa todos os possíveis sofrimentos na terra. Está em nosso poder reduzi-los e ajudar as almas a alcançar a felicidade pela qual anseiam. Por isso o amor ao próximo deve ser o estímulo para lhes levar ajuda.
     Em vista de tudo o que foi acima exposto, se compreenderá a importância da fundação levada a cabo pela Beata Maria da Providência.
     Eugênia Maria Josefina Smet nasceu no dia 25 de março de 1825, na cidade de Lille, França. Era a terceira de seis filhos de uma família abastada de origem flamenga. Estudou por dez anos junto às Irmãs do Sagrado Coração de Lille. Concluídos os estudos, desejava ingressar naquele instituto como religiosa, mas retornou à sua casa.
     Embora tivesse inclinação para a vida religiosa, permaneceu em família e dedicou-se ao apostolado leigo. Comunicou ao seu confessor que havia feito o voto privado de castidade e depois começou a trabalhar nas obras de caridade.
      Tornou-se membro da obra pela propagação da fé, fundada em Lion no ano de 1822 por Paulina Jaricot, ela também uma leiga, obra esta que vinha obtendo uma ampla difusão e influência; os sócios ajudavam as missões com a oração diária e com uma esmola semanal. Pequenos gestos somados produzem grandes resultados.
     Nessas obras ninguém da paróquia tinha tanta dedicação quanto Eugênia. Distribuía diariamente alimentos aos carentes e aos enfermos. Sua participação ativa e objetiva aumentava cada vez mais os donativos para as obras missionárias, deixando os padres admirados com o seu senso de organização e carisma. "É necessário ajudar bem a Providência", dizia ela, justificando os crescentes donativos e pacotes de alimentos que conseguia.
     O século XIX foi um tempo fortemente marcado pela devoção às almas do Purgatório. Em novembro de 1853, aos 28 anos, decidiu promover uma associação de fiéis empenhados em rezar pelas almas do Purgatório. Logo conseguiu adesões, mas as dificuldades que encontrou levaram-na a fundar, com o mesmo objetivo, uma congregação de religiosas.
     Durante três anos pediu conselhos a muitos, inclusive ao próprio papa Beato Pio IX e ao Santo Cura d’Ars, que deram a ela todo apoio, e, finalmente, nos primeiros dias de 1856, ela está em Paris. Era a Paris triunfal de Napoleão III, da vitória da Crimeia, dos grandes congressos e projetos.
     Maria era teimosa e não gostava de ouvir muitos conselhos de seus diretores. Por isso os capelães de sua comunidade duravam muito pouco tempo e a Comunidade não progredir. Mas Deus lhe concedeu o remédio de que precisava. Enviou-lhe um sábio padre jesuíta que com diplomacia, mas energia, conseguiu que a Irmã Maria o ouvisse e seguisse os seus conselhos. Ela, que era tão dominante, agora tinha um de seu tamanho diante dela. Finalmente, um dia confessou-lhe claramente: “Padre, conseguiste dominar a minha arrogância e teimosia!” O padre respondeu: “Se Deus quiser, de agora em diante, o que você vai procurar é fazer sempre não o que seus impulsos e seus caprichos o aconselham, mas o que mais lhe parece ser a vontade de Deus”.
     Outro dia ela disse ao santo jesuíta: “Padre, estou totalmente desgostosa comigo mesma e com a maneira como me comporto”. E ele respondeu: “Estou contente que você não esteja feliz com a forma como você é e se comporta. Se você estivesse feliz, isso seria um mau sinal”.
      Com a orientação espiritual do padre jesuíta e com mais cinco religiosas, iniciou no dia 19 de janeiro de 1856, a Congregação das Auxiliadoras das Almas do Purgatório, com a finalidade de rezar pelos defuntos.
     Mas, Maria da Providência (nome que adotou na Congregação) conheceu o duríssimo “purgatório” que muitos passavam ainda em vida e por isso estabeleceu que as Irmãs Auxiliadoras deveriam interceder em duas frentes: pelas almas, com suas orações; pelos vivos carentes, alimentação, alfabetização e tratamento quando enfermos.
     Assim, sempre confiante na Providência, seguiu avante serena e decidida, promovendo uma sólida ligação entre o terreno e o celeste: toda alegria doada neste mundo é convertida para os outros em esperança de maior beatitude no mundo invisível.
     A regra e a espiritualidade de Santo Inácio foram adotadas em 1859, consolidando o Instituto, cuja expansão é lenta porque a fundadora não tem pressa: com sua praticidade flamenga ela quer primeiro “robustecer as raízes”. Em vida, a fundadora abriu as casas de Nantes (1864) e Bruxelas (1869) na Bélgica; e as de Shangai (1867) e Zi-Ka-Wei (1869) na China. ​
     No final do século XX as Auxiliadoras eram cerca de 1500 em sessenta casas espalhadas pelo mundo.
     A imensa paciência com que suportou vários sofrimentos provocados por um câncer, demonstraram claramente a grandeza de sua personalidade. Não cessou sua atividade. Teve forças para organizar um novo convento em Bruxelas, porém suas energias diminuíam. A guerra franco-prussiana de 1870 aumentou suas provações. Podo tirar suas noviças de Paris, antes que os alemães a sitiassem, e enviou-as à Nantes e à Bruxelas.
     Ela se extinguiu sob os tiros dos canhões inimigos. O sacerdote que a assistia, Pe. Pierre Olivaint, morreria nos massacres da Comuna de Paris alguns meses depois. A Fundadora faleceu no dia 7 de fevereiro de 1871 consumida por um câncer. Seu rosto crispado pelas dores voltou à serenidade após sua morte.
     Que como esta santa fundadora, também nós logremos dominar nossos impulsos, nossas inclinações, e deixemo-nos guiar pelas luzes e inspirações de quem nos queira levar à santidade.
     Pio XII a proclamou beata em 1957, com sua celebração litúrgica no dia 7 de fevereiro.
 
Fonte: Pia Sociedade Filhas de São Paulo Paulinas http://www.paulinas.org.br
https://es.wikipedia.org/wiki/Mar%C3%ADa_de_la_Providencia
https://www.aciprensa.com/
 
Postado pela primeira vez em 6 de fevereiro de 2012

domingo, 5 de março de 2023

Beata Joana Irrizaldi, Virgem mercedária - 5 de março

     

     A vida religiosa da Beata Joana Irrizaldi, monja mercedária, transcorreu no Mosteiro de São José em Nalan, pequena cidade das Astúrias, na Espanha, onde deu testemunho de uma Fé exemplar em Nosso Senhor Jesus Cristo.
     Ela ficou notabilizada pelo seguinte milagre: tendo que se dirigir a outro local, como faltasse uma embarcação para levá-la, estendeu um véu sobre as ondas do mar, saltou sobre ele e foi transportada sobre as águas sem que molhasse sequer os pés.
     Ao término de sua vida terrena, o seu corpo foi sepultado no mosteiro. A Ordem a festeja no dia 5 de março.
 
Postado neste blog em 5 de março de 2014
 
Fonte: https://www.santiebeati.it/dettaglio/93983

sexta-feira, 3 de março de 2023

Santa Teresa Verzeri, Fundadora – 3 de março

     
     Teresa Verzeri nasceu no dia 31 de julho de 1801, em Bérgamo (Itália), era a mais velha dos sete filhos de Antônio Verzeri e da Condessa Helena Pedrocca-Grumelli. Seu irmão, Jerônimo, se tornou bispo de Brescia. Sua mãe, em dúvida se devia escolher o casamento ou abraçar a vida monástica, ouviu sua tia Antônia M. Grumelli, religiosa Clarissa, dizer em tom profético: “Deus te destina aquele estado para tornar-se mãe de uma santa prole”.
     Na mais tenra idade Teresa aprendeu com a mãe, uma mulher eminentemente católica, a conhecer e amar a Deus ardentemente. Em sua jornada espiritual foi dirigida pelo Cônego José Benaglio, Vigário Geral da Diocese de Bérgamo, que já acompanhava a família.
     Teresa completou seus estudos iniciais em casa. Inteligente, dotada de uma mente aberta, vigilante, reta, foi educada para buscar os valores eternos e a fidelidade à ação da graça. Desde a infância até a idade mais madura, Teresa se deixa iluminar pelo Espírito de Verdade que vai animá-la no combate espiritual constante: à luz da fé descobre e experimenta o peso de sua própria fragilidade, desmascarando, tanto quanto é possível ao ser humano, todas as formas de falsidade, orgulho, medo, para se render totalmente a Deus. Por meio da graça, percorreu um caminho feito de desapego, de pureza de intenção, de retidão e simplicidade que a levou a buscar “Deus só”.
     Interiormente Teresa viveu a experiência mística da “ausência de Deus”, no entanto, ela nunca perdeu sua confiança e o abandono a Deus, Pai providente e misericordioso, a quem ela dedicou sua vida em obediência, e como Jesus sua solidão se tornou entrega de si mesma por amor.
     Na intenção de agradar a Deus e fazer somente a Sua vontade, amadureceu a sua vocação religiosa no Mosteiro Beneditino de Santa Grata, do qual saiu, após uma longa e laboriosa busca, para fundar em Bergamo, juntamente com a Cônego José Benaglio, em 8 de fevereiro de 1831, a Congregação das Filhas do Sagrada Coração de Jesus.
     Teresa Verzeri viveu na primeira metade do século XIX, um período de grandes mudanças na história da Itália e na sociedade de Bergamo, marcado por mudanças políticas, revoluções, perseguições que não pouparam a Igreja, também penetrada pelo jansenismo, e da crise de valores, fruto da Revolução Francesa.
     Numa época em que a devoção ao Sagrado Coração de Jesus encontrava resistências, ela confiou às primeiras Filhas do Sagrado Coração este testamento que caracteriza o patrimônio espiritual de sua família religiosa: “Jesus Cristo, a vós e ao vosso instituto tem dado o dom precioso de Seu Coração, porque não aprendestes de outros a santidade, sendo Ele a fonte inesgotável da verdadeira santidade”. (Livro dos Deveres, vol. I, p. 484)
     Teresa vê muito claramente as premências, entende as necessidades de seu tempo. Com disponibilidade absoluta em qualquer situação que a caridade o exige, mesmo as mais perigosas e sérias, com suas primeiras companheiras se dedicou a vários serviços apostólicos: "educação da juventude da classe média e da classe baixa; internatos para órfãos em perigo, abandonados e até mesmo desencaminhados; escolas, doutrina cristã, exercícios espirituais, recreações festivas, cuidado dos doentes". (Práticas, 1841)
     Em sua missão revela um talento especial de mestra de almas, apóstola e educadora. Teresa adotou expressamente o sistema preventivo: “Cultivar e guardar com muita atenção a mente e o coração de vossas meninas enquanto ainda são novas, para evitar, tanto quanto possível, que nelas entre o mal, sendo a melhor coisa evitar uma queda com vossos avisos e admoestações do que as reerguer com correção”. (Livro dos Deveres, vol. III, p. 368)
     A educação é obra de persuasão respeitando a individualidade; para isso ela recomendou deixar às jovens “uma santa liberdade para que elas possam fazer de boa vontade e de pleno acordo o que, sufocadas pelo mando, fariam como peso e com má vontade”; que a escolha dos meios se adapte “ao temperamento, às inclinações, às circunstâncias de cada uma ... e sobre o conhecimento de cada uma”, determinando a maneira pela qual tratá-la. (Livro dos Deveres, vol. I, p. 447 e 349)
     O Cônego Benaglio morre em 1836. Teresa, apoiada na obediência que lhe garantia que a Congregação foi querida por Deus, dedicou-se completamente à sua aprovação, consolidação e expansão. Enfrentou muitos obstáculos colocados pelas autoridades civis e também pela hierarquia eclesiástica, o que colocou à dura prova a sua virtude. Teresa se mostrou heroica no abandono à vontade de Deus que a sustentava.
     Depois de uma vida de intensa doação, Teresa morreu em Brescia, no dia 3 de março de 1852. Deixou a Congregação já aprovada pela Igreja e pelo governo, uma vasta documentação – especialmente nas Constituições, no Livro dos Deveres, e em mais de 3.500 cartas – na qual é possível admirar toda a riqueza de sua experiência espiritual e humana.


     A preciosa herança espiritual transmitida por ela à Congregação encontra seu centro no Coração de Jesus, de quem a Filha do Sagrado Coração herda o espírito de eximia caridade que a obriga a ser "toda para todos". Teresa a coloca desta forma:
     “As Filhas do Sagrado Coração de Jesus, como aqueles que absorvem sua caridade na própria fonte do amor, isto é, no Coração de Jesus Cristo, devem arder da caridade do mesmo Coração divino pelo próximo. Caridade puríssima que não visa senão a glória de Deus e o bem das almas; caridade universal que não exclui ninguém, mas abraça a todos; caridade generosa que não se abate no sofrimento, não se alarma com a contradição, mas que no sofrimento e na oposição cresce em força e vence pela paciência”. (Livro dos Deveres, vol. I, p. 58)
    Animadas deste espírito, as Filhas do Sagrado Coração de Jesus continuam hoje a missão de Teresa na Itália, Brasil, Argentina e Bolívia, na República Centro Africana e em Camarões, na Índia e na Albânia.
     As relíquias de Santa Teresa Verzeri são veneradas na capela das Filhas do Sagrado Coração de Jesus, em Bergamo.
     Foi canonizada em 10 de junho de 2001 por João Paulo II.
 
https://www.santiebeati.it/dettaglio/75450
 
Postado neste blog em 1º de março de 2014

Beata Maria da Conceição Cabrera Arias de Armida, Viúva, leiga, fundadora – 3 de março

     Maria da Conceição Cabrera Arias de Armida (cujo nome é bem mais longo, acrescente-se Lacavex Rivera), mais conhecida como Conchita, nasceu em São Luís Potosi, México, no dia 8 de dezembro de 1862.
     Seus pais, Otaviano Cabrera Lacavex, e sua mãe Clara Arias Rivera, eram de uma família bem-posicionada. Foi uma menina simples e comum, nobre e travessa como qualquer outra, como ela mesma relata: “Desobedecia a meus pais, brigava com meus irmãos, roubava doces e frutas”, entretanto professava um amor especial à Eucaristia.
     Em 8 de novembro de 1884, aos 21 anos, casou-se com Francisco Armida na Igreja do Carmo. Entre 1885 e 1899, o casal teve nove filhos. Francisco Armida faleceu em 17 de setembro de 1901.
     Após a viuvez, Conchita se dedicou ao estudo e ao apoio aos estudos de seus filhos, nunca ingressou na vida religiosa. Esposa e mãe de numerosos filhos, é uma das santas modernas que Jesus preparou para uma maternidade espiritual para os sacerdotes. No futuro ela terá grande importância para a Igreja universal.
     Jesus uma vez explicou para Conchita:
     “Existem almas que receberam uma unção através da ordenação sacerdotal. Porém há também almas sacerdotais que têm uma vocação sem ter a dignidade ou a ordenação sacerdotal. Elas se oferecem em união comigo... Essas almas ajudam espiritualmente a Igreja de maneira poderosa. Tu serás mãe de um grande número de filhos espirituais, mas eles custarão ao teu coração como mil martírios. Oferece-te como holocausto, une-te ao meu sacrifício para obter as graças para eles” ... “Desejaria voltar a este mundo...nos meus sacerdotes. Desejaria renovar o mundo, revelando-me neles e dar um impulso forte à minha Igreja, derramando o Espírito Santo sobre os meus sacerdotes como numa nova Pentecostes”. “A Igreja e o mundo necessitam de uma nova “Pentecostes, uma Pentecostes sacerdotal, interior”.
     Quando jovem Conchita rezava com frequência diante do Santíssimo: “Senhor, sinto-me incapaz de Te amar, portanto quero casar. Doa-me muitos filhos, que eles possam Te amar mais de quanto eu sou capaz”. De seu casamento muito feliz nasceram nove filhos, duas mulheres e sete homens. Ela os consagrou todos a Nossa Senhora: “Entrego-os completamente a Ti como se fossem Teus filhos. Tu sabes que eu não os sei educar, pouco sei do que significa ser mãe, mas Tu, Tu o sabes”.
     Conchita viu morrer quatro de seus filhos e todos tiveram uma morte santa. Uma filha tornou-se religiosa da Cruz, um filho tornou-se padre jesuíta e os outros se casaram e tiveram filhos. Como uma grande família, eles viveram na Cidade do México.
     Conchita foi realmente mãe espiritual para o sacerdócio de seu filho, e sobre ele escreveu: “Manuel nasceu na mesma hora em que morreu Pe. José Camacho. Quando ouvi a notícia, roguei a Deus que meu filho pudesse substituir este sacerdote no altar. Desde quando o pequeno Manuel começou a falar, rezamos juntos para a grande graça da vocação ao sacerdócio... No dia de sua primeira Comunhão e em todas as festas importantes renovei a súplica... Aos dezessete anos entrou na Companhia de Jesus”.
     Em 1906 da Espanha, onde estava, Manuel (nascido em 1889 e terceiro filho por idade) comunicou-lhe sua decisão de se tornar sacerdote e ela lhe escreveu: “Doa-te ao Senhor com todo o coração sem nunca negar-te! Esquece as criaturas e principalmente esquece a ti mesmo! Não posso imaginar um consagrado que não seja um santo. Não é possível doar-se a Deus pela metade. Procura ser generoso com Ele!”.
     Em 1914 Conchita encontrou Manuel na Espanha pela última vez, porque ele não voltou nunca mais ao México. Naquela época o filho lhe escreveu: “Minha querida, pequena mãe, me indicaste o caminho. Tive a sorte, desde pequeno, de ouvir de teus lábios a doutrina salutar e exigente da cruz. Agora queria pô-la em prática”.
     A mãe também experimentou a dor da renúncia: “Levei tua carta frente ao tabernáculo e disse ao Senhor que aceito com toda minha alma esse sacrifício. No dia seguinte coloquei a carta no meu peito enquanto recebia a Santa Comunhão para renovar o sacrifício total”.
“Mãe, ensina-me a ser sacerdote”
     No dia 23 de julho de 1922, uma semana antes da ordenação sacerdotal, Manuel, então com trinta anos de idade, escreve para sua mãe: “Mãe, ensina-me a ser sacerdote! Fala-me da imensa alegria de poder celebrar a S. Missa. Entrego tudo em tuas mãos, como me protegeste no teu peito quando eu era criança e me ensinaste a pronunciar os belos nomes de Jesus e Maria para introduzir-me nesse mistério. Sinto-me realmente como uma criança que pede preces e sacrifícios... Assim que eu for ordenado sacerdote, te mandarei a minha bênção e depois receberei ajoelhado a tua”.
     Quando Manuel foi ordenado sacerdote, aos 31 de julho de 1922, em Barcelona, Conchita levantou-se para participar espiritualmente da ordenação; devido ao fuso horário no México era noite. Ela comoveu-se profundamente: “Sou mãe de um sacerdote! ... Posso somente chorar e agradecer! Convido todo o céu a agradecer em meu lugar porque me sinto incapaz pela minha miséria”.
     Dez anos mais tarde escreveu ao filho “Não consigo imaginar um sacerdote que não seja Jesus, ainda menos quando ele é parte da Companhia de Jesus. Rezo para ti para que tua transformação em Cristo, desde o momento da celebração, se cumpra de modo que tu sejas, dia e noite, Jesus” (17 de maio de 1932). “O que faríamos sem a cruz? A vida sem as dores que unem, santificam, purificam e obtêm graças, seria insuportável” (10 de junho de 1932).
     O Pe. Manuel morreu aos 66 anos de idade em odor de santidade. O Senhor fez com que Conchita compreendesse o seu apostolado: “Confio-te mais um martírio: tu sofrerás aquilo que os sacerdotes cometem contra mim. Tu viverás e oferecerás pela infidelidade e pelas misérias deles”. Esta maternidade espiritual para a santificação dos sacerdotes e da Igreja a consumiu completamente. Conchita morreu em 3 de março de 1937 aos 75 anos.
     Suas obras como leiga: 1) Apostolado da Cruz; 2) Congregação das religiosas da Cruz do Sagrado Coração de Jesus cujo propósito principal é a Adoração ao Santíssimo Sacramento dia e noite, e expiação das injurias feitas ao Coração de Jesus; 3) Aliança de Amor com o Sagrado Coração de Jesus, para leigos que queiram cultivar no mundo o espírito das religiosas da Cruz; 4) Fraternidade de Cristo Sacerdote que reúne os sacerdotes diocesanos que participam das Obras da Cruz; 5) Sua quinta e maior obra é a fundação da congregação sacerdotal dos Missionários do Espírito Santo, em 1914, junto com o Pe. Felix Rougier Olanier. Esta obra está presente no México, Estados Unidos, Colômbia, Costa Rica, Chile, Espanha e Itália. Maria da Conceição deixou um legado teológico de 66 volumes manuscritos.
     Tempos depois, um missionário do Espírito Santo, o Pe. Luís Manuel Guzman Guerreiro fundaria, na solenidade de Pentecostes, o grupo Círculo do Espírito Santo e da Cruz, conhecido como C.E.C., que também é um ramo das Obras da Cruz.
     Seus restos mortais se encontram na cripta da Igreja São José de Altillo, na cidade do México.
     A causa de beatificação e canonização foi iniciada pelo Arcebispo do México nos anos 1956-1959. Foi reconhecida como Venerável em Roma no dia 20 de dezembro de 1999 por João Paulo II. Em 8 de junho de 2018 o Papa Francisco autorizou promulgar o Decreto do milagre atribuído a intercessão da Venerável Maria da Conceição Cabrera de Armida Arias. No dia 4 de maio de 2019, realizou-se a cerimônia de beatificação. Conchita Cabrera e a primeira mulher beatificada no México.

   
Fontes: “Adoração eucarística pela santificação dos sacerdotes e Maternidade espiritual” - Responsável pela publicação: S.E.R. Mons. Mauro Piacenza, Arcebispo. tit. de Vittoriana, Secretário da Congregação para o Clero
https://es.wikipedia.org/wiki/Concepción_Cabrera_de_Armida

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Santa Paula de S. José de Calazans, Fundadora - 26 de fevereiro

     
A vida de Santa Paula de S. José de Calazans, fecunda e profética, quase centenária, decorreu em um amplo contexto histórico (1799-1889), um período de crises do agitado século XIX espanhol, que se debatia entre os postulados do Antigo Regime e as novas correntes liberais, com repercussões sociopolíticas, culturais e religiosas muito peculiares.
     Paula Montal Fornés nasceu na vila de Arenys de Mar, perto de Barcelona, Espanha, em 11 de outubro de 1799, e no mesmo dia recebeu o batismo. Passou a infância e a juventude em sua cidade natal, trabalhando desde os 10 anos de idade, quando seu pai morreu. O seu lazer era a vida espiritual da sua paróquia, onde se destacou por sua devoção à Virgem Maria.
     Durante este período, Paula constatou, por sua própria experiência, que para as mulheres as possibilidades de acesso à instrução e à educação eram quase nenhuma. Um dia, quando estava em profunda oração, se sentiu iluminada por Deus para desenvolver este dever. Decidiu deixar sua cidade natal para fundar um colégio inteiramente dedicado à formação e educação feminina. Junto com mais três amigas de espiritualidade mariana, especialmente sua fidelíssima amiga Inês Busquets, Paula se transferiu para a cidade de Figueras (Gerona), uma cidade de fronteira com a França e bastião militar com o seu famoso castelo de armas, e iniciou sua obra.
     Em 1829, ela abriu ali a primeira escola para meninas, com amplos programas educativos, que superavam o sistema pedagógico dos meninos. Era uma escola nova. Com o seu apostolado totalmente voltado à formação feminina, se tornou a fundadora de uma família religiosa, inspirada no lema de São José de Calazans: "piedade e letras".
     Sempre fiel a sua devoção à Virgem Maria, deu a sua obra o nome de Congregação das Filhas de Maria. A estas religiosas transmitiu seu ideal: "Salvar a família, educar as meninas no santo temor de Deus". E continuou se dedicando à promoção da mulher e da família.
     A partir de 1837, Paula se sentia identificada com São José de Calazans e desejava viver a espiritualidade e as regras do Instituto fundado por ele. Foi durante a fundação da escola de Arenys de Mar, em 1842, que ela entrou em contato direto com os Padres Escolápios de Mataró. Depois disto, abriu sua terceira escola em Sabadell (Barcelona) em 1846.
     Um ano após abrir sua terceira escola, Paula conseguiu a autorização canônica para, junto com suas três companheiras, se tornar religiosa escolápia. Em 2 de fevereiro de 1847, fez profissão de Filha de Maria Escolápia junto com suas três companheiras: Inés Busquets, Felicia Clavell e Francisca de Domingo. No Capítulo geral, ocorrido em Sabadell, no dia 14 de março de 1847, não foi eleita nem superiora geral, nem assistente geral.
     No período de 1829-1859, desenvolveu uma atividade intensa e fundou pessoalmente sete escolas. Inspirou e ajudou a fundação de outras quatro. Além disso, foi formadora das primeiras 130 escolápias da Congregação.
Vista de Olesa de Montserrat
     
     Em 1859, deu a prova final da autenticidade, da coragem e da ternura do seu espírito modelado por Deus, no pequeno e pobre povoado de Olesa de Montserrat (Barcelona) fez sua última fundação pessoal. Foi a sua fundação predileta, onde permaneceu até a morte (15/12/1859 – 26/2/1889). Foram 30 anos de graças para as crianças e para as jovens da cidade, que puderam gozar de sua presença e de seu magistério fecundo.
     Santa Paula de S. José de Calazans morreu no dia 26 de fevereiro de 1889 e foi sepultada na capela da Igreja da Matriz de Olesa de Montserrat, Espanha.
     Por ocasião de sua morte, a Congregação das Filhas de Maria Religiosas das Escolas Pias, fundada por ela, era formada por 346 religiosas que continuavam sua obra educativa em 19 colégios. Hoje, 800 Religiosas Escolápias distribuídas em 112 comunidades educam cerca de 30.000 alunas em 19 nações dos quatro continentes, para a promoção da mulher.
     Foi solenemente beatificada em 1993 pelo Papa João Paulo II, que posteriormente a canonizou em Roma, no ano de 2001.


 
Postado em 25 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Beata Isabel da França, Princesa - 22 de fevereiro

     
A Princesa Isabel da França, irmã mais nova do Rei São Luís IX, nasceu em 1225, filha do Rei Luís VIII e da Rainha Santa Branca de Castela.
     A principal fonte sobre a vida desta beata é a "Vita" escrita por Inês de Harcourt, abadessa do mosteiro de Longchamp fundado pela princesa, que se relacionou com ela nos últimos anos de sua vida.
     Educada pela mãe numa religiosidade profunda e severa, desde a infância Isabel se distinguia pela piedade. Uma longa enfermidade fez amadurecer nela a decisão de se dedicar às suas práticas de piedade, às leituras piedosas e ao cuidado dos pobres. Se distinguiu particularmente pelo culto às relíquias dos santos e por manter os Cruzados. Desde a adolescência Isabel mostrava desprezo pelo luxo que a circundava. Amava e honrava seu irmão Luís, rei, e com ele conviveu por dez anos apenas. Seu amor a Deus porém era ainda maior.
     Um dia em que trabalhava uma linda peça de tricô, Luís a pediu para seu uso, ao que ela delicadamente respondeu: “Essa é a primeira que faço, por isso só Jesus a merece”. Deu-a a um pobre e a seguir confeccionou uma para seu irmão. No palácio real vivia recolhida como monja em um convento. Comia pouco, mas mandava uma abundância de alimentos para os pobres e doentes. Jejuava três vezes por semana. Alguém que vivia na corte assim testemunhou a seu respeito: “Vimos nela uma santa. Rosa de caridade, fonte inesgotável de paciência, violeta de humildade. Queria viver só para Deus, por isso fez o voto de virgindade”.
     Após ter recusado não poucos pretendentes e com firmeza responder negativamente ao Papa Inocêncio IV, que lhe havia escrito pedindo que ela aceitasse a mão do Rei Conrado de Jerusalém pelo bem da Cristandade, pediu e obteve a permissão para emitir o voto de perpétua virgindade.
     Em 1226 seu irmão subira ao trono e foi ele quem lhe inspirou a caridade com os pobres e o fervor religioso: todos os dias Isabel convidava à sua mesa numerosos mendigos e visitava os doentes e os pobres.
     São Luís IX tomou parte em duas Cruzadas, que não tiveram um resultado feliz, e quando foi feito prisioneiro no Egito, durante a primeira Cruzada, foi um duro golpe para Isabel, pois ela subvencionava a manutenção de dez cavaleiros para a recuperação dos locais santos.
     Outra figura que influenciou sua vida foi Santa Clara de Assis; e em 1252, após a morte de sua mãe, Isabel decidiu fundar, em Longchamp, um convento na floresta de Rouvray (atual Bois de Boulogne), perto de Paris (depois destruído durante a Revolução Francesa) um convento onde os ideais das Clarissas seriam vividos.
     O Rei Luís IX aprovou e financiou o projeto e alguns franciscanos, entre os quais São Boaventura, foram chamados para colaborar na formulação da regra e das constituições. O novo mosteiro foi dedicado à Humildade da Bem-aventurada Virgem Maria.
     Além da aprovação de Alexandre IV essa Regra foi ainda aprovada por Urbano IV a 27 de julho de 1263. Essa Regra coloca as Irmãs Menores, assim chamadas, sob a direção dos Frades Menores. A pobreza e a humildade são a base da Regra de Isabel; enquanto Santa Clara destaca a pobreza material como uma espécie de sinal sensível e sacramento da humildade, Isabel põe mais em destaque a humildade, mitigando um pouco e espiritualizando o sentido da pobreza material. 
     O seu mosteiro foi formado e orientado em 1260 por algumas irmãs provenientes de Reims, que foi fundado por Irmãs de Trento, e que recebeu um véu e um hábito de Santa Clara. Na sua Regra Isabel admite posses e rendas perpétuas. Na fórmula da profissão as noviças emitiam além dos três votos, o de clausura perpétua; por este motivo passaram a denominar-se Irmãs Menores Reclusas. Em 1263 Urbano IV confirmou esta Regra com a Bula Religionis Argumentum.
     Esta regra foi adotada por outros mosteiros de Clarissas, principalmente na França: o de Longchamps em Paris, Provins, Blois, Toulouse; e da Inglaterra: Londres, Waterbreach, Denny, Brisard; e da Itália: Palestrina e Roma. 
     Isabel dotou o convento de boa parte de bens destinados à sua própria sobrevivência e continuou sua atividade de assistência aos pobres. Muito provavelmente ela jamais emitiu os votos perpétuos devido a sua saúde precária. A decisão de viver em um local separado do edifício, sem um contato estreito com as celas das Irmãs, parece ter sido o resultado de sua humildade unido ao desejo de se proteger de uma eventual eleição a abadessa.
     Por dez anos ela levou no mosteiro uma vida de jejuns, penitências, contemplação e oração. Viveu santamente em Longchamp até sua morte, que ocorreu depois de dois anos de enfermidade.
     Antes de sua morte, ocorrida em 22 de fevereiro de 1270, o seu capelão, o confessor e a Irmã Inês, sua futura biógrafa, foram testemunhas de seu êxtase. Poucos meses depois, seu santo irmão morria em Túnis, ao retornar da segunda Cruzada.
     A Beata foi sepultada na igreja do convento; atualmente suas relíquias estão em Paris, junto ao túmulo de São Luís IX e em parte da Catedral de Meaux. 
    Após a morte de São Luís IX, Carlos d’Anjou, irmão do Rei e de Isabel, pediu a uma das damas de companhia da Princesa que escrevesse sua vida tendo em vista sua canonização. Em 1280, Inês d’Harcourt, amiga e companheira de Isabel, e sua fiel discípula, sobrevivendo-a muitos anos, recebeu o encargo de redigir as recordações de Isabel que dela conservava desde a infância. Foi, portanto, sua primeira biógrafa. mas Isabel somente seria beatificada em 3 de janeiro de 1521, com a bula Piis omnium do Papa Leão X, sendo ela uma das primeiras santas Clarissas.
     Durante algum tempo a Beata Isabel da França foi celebrada pela Ordem Franciscana no dia 8 de junho, junto com suas coirmãs Inês da Boêmia e Camila Batista de Varano. Luís IX foi um dos primeiros terceiros franciscanos a ser reconhecido como santo.
 
https://clarissas.net.br/?p=1820
https://www.santiebeati.it/dettaglio/90519
 
Postado neste blog em 22 de fevereiro de 2012