terça-feira, 15 de agosto de 2023

Beata Petra de São José, Fundadora - 16 de agosto

     
No final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, ocorreram na Santa Igreja Católica um florescer de Fundadores de obras sociais que se ocuparam da instrução de crianças e jovens; do cuidado e do acolhimento dos pobres, velhos, abandonados, órfãos; na assistência aos doentes em suas casas, ou em hospitais; na formação profissional dos operários, artesãos, agricultores; na direção espiritual e formação dos jovens.
     Entre tais Santos Fundadores encontramos a espanhola Madre Petra de São José.
     Vale de Abdalajís (Málaga) foi o povoado que viu nascer, no dia 7 de dezembro de 1845, Petra de São José, cujo nome de batismo foi Ana Josefa Pérez Florido. Ana Josefa era a última de 19 filhos de José Pérez e Maria Florido.
     Aos três anos ficou órfã de mãe e foi entregue aos cuidados da avó paterna, Teresa Reina, muito religiosa, que lhe inculcou a fé desde tenra idade. Sua precoce caridade era alimentada pela devoção à Eucaristia, a Nossa Senhora das Dores e a São José.
     Fez os estudos elementares na escola da aldeia onde logo se sentiu chamada à oração e à vida consagrada, como dirá mais tarde: “Não pensava mais nada do que ser freira; e neste desejo me consumia”.
     Muito caridosa, distribuía quanto podia aos pobres e quando lhe era impossível acudir às suas necessidades ficava mais triste que eles, como ela própria confessa: “Quando me pediam alguma coisa e não conseguia dar nada, ficava desconsolada como eles”.
     Não era apenas a pobreza material que lhe tocava a alma. Também a entristecia a ignorância religiosa dos seus conterrâneos e a pouca vontade de aprenderem a conhecer os mistérios de Deus. “Dava-me pena que, ao ouvir os sermões, alguns dormissem, desperdiçando tão bela ocasião de se instruírem”.
      Com o irmão João levava comida às famílias mais necessitadas do povoado; quando não tinha meios de socorrê-los, vencendo a oposição do pai, ia com três companheiras, pedir de porta em porta e pelas quintas, vencendo assim a sua natural repugnância de mendigar. Derramava à sua volta simplicidade e alegria. Atraídas pelo seu modo caridoso e desinteressado, outras jovens também se dedicavam às crianças abandonadas.
     Após a morte do pai, ocorrida em 11 de janeiro de 1875, Ana Josefa pode se dedicar inteiramente à sua vocação. Dois meses depois, em 19 de março de 1875, a pedido do prefeito de Alora (Málaga), abriu uma pequena casa para idosos, sempre sem ligação a qualquer Ordem religiosa e com a ajuda das jovens que se tinham ligado a ela.
     Em 2 de novembro de 1877, Ana e suas companheiras vestiram o hábito das noviças da nova Congregação Mercedárias da Caridade, fundada pelo cônego de Málaga, João Nepomuceno Zegri, que lhes deixou a Casa de Alora.
     Em 23 de setembro de 1879, Ana Josefa deixou o hábito mercedário e se colocou à disposição do Bispo de Málaga, Mons. Manuel Gomez-Salazar.
     Em 25 de dezembro de 1880, encorajada por Mons. Manuel Gomez-Salazar, fundou a Congregação das Mães dos Desamparados. Na realidade foi o próprio bispo que lhes pôs o nome de Mães dos Desamparados para identificá-las com o modo como tratavam os pobres.
     Receberam o hábito e fizeram os votos no dia 2 de fevereiro de 1881. Nos primeiros anos não faltaram dificuldades para atender os desprotegidos que iam abrigar-se à sombra do seu amor. Mas a Madre Petra, nome adotado por ela depois da profissão religiosa, conquistou a confiança das famílias mais ricas, que reconheciam os desvelos com que eram tratados os indigentes; assim a Congregação pode erguer lares em Málaga, Gibraltar, Andújar, Barcelona, Martos, Valência e Arriate, ainda que à custa de muito sacrifício. Mas as vocações continuaram a afluir para tanto trabalho.
     Em 1895, como resultado de sua grande devoção a São José, iniciou a construção de um Santuário em honra do seu patrono, sobre a Montanha Pelada, Barcelona, cuja igreja foi inaugurada em 19 de março de 1901. Em 1903 fundou a revista religião “A Montanha de São José” para difundir devoção ao protetor da Santa Igreja.
     A fortaleza espiritual e a energia firme da Beata Petra resultavam de uma fé interior muito robusta, confiante e esclarecida, alimentada por uma oração contínua, por um amor visível e assombroso ao sacrifício e à cruz de todos os dias, e uma devoção terníssima e confiante em São José, cujo exemplo de simplicidade quis sempre reproduzir.
     Em 1905, o Papa São Pio X acrescentou o título “e de São José da Montanha” ao nome da Congregação, para ilustrar a devoção ao pai adotivo de Jesus.
     Madre Petra faleceu no dia 16 de agosto de 1906, aos 61 anos de idade, no Santuário de São José da Montanha, a joia mais bela da sua coroa, num ambiente de grande serenidade e paz.
     A Congregação espalhou-se por diversos países: Itália, Argentina, Colômbia, Chile, Guatemala, México, Estados Unidos e Porto Rico, onde prossegue e persevera no acolhimento dos desamparados que ninguém quer.
     Madre Petra foi beatificada por João Paulo II em 16 de outubro de 1994.
 
Fontes: www.santiebeati.it/http://www.jornalaguarda.com
 
Postado neste blog em 15 de agosto de 2013

Santa Radegundes, Rainha de França e Monja - 13 de agosto

     
Filha de Bertário, rei da Turíngia (atual Alemanha), Santa Radegundes nasceu por volta de 518, e viveu numa região de florestas profundas e verdes vales. Ela passou seus primeiros anos em meio às turbulências que devastaram o reino ainda pagão. Duas vezes prisioneira, ela assistiu ao assassinato dos pais e dos parentes mais chegados.
     Seu tio, Hermanfrido, matara seu pai para ficar com a porção do reino que cabia a este. Pediu o auxílio de Thierry, rei dos francos, para livrar-se do irmão e ficar só no governo da Turíngia. Depois, Hermanfrido não quis cumprir a promessa que fizera a seu aliado de partilhar com ele os domínios conquistados. E a Providência serviu-se disso para castigar o fratricida.
     Thierry, unindo-se a seu irmão Clotário, rei de Soissons, invadiu e devastou a Turíngia, matou seu rei, e levou para a França algumas vítimas ilustres e ricos despojos. Na partilha, Clotário quis ficar com Radegundes, então com dez anos de idade, mas muito amadurecida pelo sofrimento.
     Radegundes foi levada para a França, a Saint-Quentin, depois a Athies. A esposa de Clotário, Ingonda, deu a menina uma educação muito religiosa.
      Sofrendo sempre em silêncio, Radegundes preparava sua alma ainda pagã, retamente orientada pela lei natural, para compreender, em contato com a doutrina católica, o sentido de expiação que o sofrimento tem, à semelhança dos padecimentos do Redentor que expiou os pecados de toda a humanidade.
     Na propriedade real de Athies, para onde a mandou Clotário, a princesa recebeu uma educação tão esmerada, que chegou a falar com facilidade e elegância o latim, e a compor poesias nesse idioma.
     Em 538, com a morte de Ingonda, Clotário desejou desposar Radegundes em Vitry-en-Artois. Radegundes tentou fugir para os arredores de Péronne. Apanhada, ela teve que se submeter à cerimônia presidida pelo Bispo São Medardo, em Soissons.
     Embora fosse filho de Santa Clotilde – que se casou com Clóvis, rei dos Francos –, Clotário era dotado de uma natureza rude e selvagem. Mas, por um desígnio da Providência, envaideceu-se de poder apresentar por esposa uma mulher polida e culta.
     O trono não serviu a ela senão como meio de praticar a caridade em favor dos sofredores. Numa corte recém saída da barbárie, com um rei devasso e nada inclinado à piedade, as atitudes recatadas e modestas da rainha não eram muito do agrado dos cortesãos. Radegundes sofreu com admirável resignação as hostilidades com que estes a tratavam.
     Não podendo dar um filho a seu marido, ela insistia com ele para que a deixasse abandonar o palácio e entrar em algum mosteiro. Quando Clotário ordenou a morte de seu irmão Hermanfrido, única testemunha de todas as suas desventuras, Radegundes decidiu deixar a corte.
     Dirigindo-se a Noyon, suplicou ao Bispo São Medardo que lhe impusesse o véu de religiosa. Diante de sua hesitação, ela o ameaçou: “Se vós tardais em me consagrar e temeis um homem mais que Deus, o Pastor vos pedirá contas da alma da ovelhinha”.
     Depois da consagração oficiada por São Medardo, Radegundes fez uma peregrinação ao túmulo de São Martinho e se reuniu a rainha Santa Clotilde no mosteiro de Tours. Esta vivia entristecida com as infames atitudes do filho, mas foi então consolada pela vinda da dileta nora.
     Clotário fez várias ameaças para obrigar Radegundes a retornar à corte para viver a seu lado, mas ela permaneceu inflexível.
     De Tours, Radegundes passou para outra propriedade real dada a ela pelo rei, Saix. Ali fundou um oratório e um hospital, um dos primeiros da França, e viveu cerca de seis anos como religiosa, dedicando-se a pobre gente dos arredores, cuidando dos enfermos, especialmente os leprosos.
     Em 25 de outubro de 552 (ou 553), Santa Radegundes fundou um mosteiro em Poitiers, depois conhecido como da Santa Cruz, onde entrou acompanhada de um grande número de jovens e na presença de uma multidão. Logo o mosteiro contava com duzentas virgens, mas Radegundes não quis ser a abadessa. O cargo foi dado a sua filha adotiva, Santa Inês, a quem ela obedecia humildemente. O mosteiro seguia a Regra de São Cesário de Arles, e foi colocado sob a proteção da Santa Sé, para ficar livre do poder episcopal.
     A Santa deixou em seu testamento uma ameaça contra quem prejudicasse o convento, “seja não respeitando as pessoas ou propriedades, ou suscitando embaraços e obstáculos”, de modo a incorrer “no julgamento de Deus, da Santa Cruz, e da Bem-aventurada Virgem Maria”, e que tivesse como adversários e perseguidores “os Santos Confessores Hilário e Martinho, sob a proteção dos quais, após Deus”, a santa declarou ter colocado suas irmãs de hábito.
     Ela assim preservava sua obra, e impedia que após sua morte as doações que fizera ao mosteiro suscitassem a cobiça de eclesiásticos ou leigos.
     Os quatro filhos do primeiro casamento de Clotário, especialmente o rei Sigiberto, favoreceram o mosteiro e enviaram à veneranda rainha o poeta São Venâncio Fortunato para ajudá-la especialmente na atividade epistolar mantida por ela com o Papa, com Bispos e reis do Ocidente e do Oriente.
     Por meio de embaixadas junto ao Imperador Bizantino, Justiniano, o rei Sigiberto conseguiu uma relíquia da Santa Cruz. Por ocasião da entronização da relíquia no mosteiro, São Venâncio Fortunato compôs os hinos Vexilla Regis e Pange Língua em honra a Santa Cruz.
     Embora tivesse renunciado a todas as riquezas e ao seu título de rainha para melhor se dedicar a Jesus Cristo, do interior do mosteiro Radegundes continuou a influenciar os príncipes herdeiros evitando conflitos, e manteve uma grande autoridade em todo o reino até o fim de sua vida.
No dia 13 de agosto de 587, São Gregório de Tours, que há anos dava assistência religiosa ao mosteiro de Santa Radegundes, assistiu as suas últimas horas.
     Em sua “História dos Francos”, o Santo relata muitos fatos da vida de Santa Radegundes, deixando este testemunho, ao ver seu corpo no caixão: “tinha ela uma face de anjo em forma humana; a face refulgia como rosas e lírios e ele estremeceu como se estivesse na própria presença da Santa Mãe do Senhor”.
     Ela foi enterrada na Igreja Santa Maria Fora-dos-muros (hoje Santa Radegundes) em Poitiers. Durante as invasões normandas seus despojos foram levados para a Abadia de São Bento de Quincay, depois retornaram a Poitiers em 868. Numerosos milagres lhe são atribuídos, o que atrai muitos peregrinos.
 
Radegunda – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Santa Liadania de Killyon, Abadessa – 11 de agosto

     Santa Liadania de Killyon é uma abadessa que presumivelmente viveu no século VI. Acredita-se que ela tenha sido filha de Maine Cerr, filho de Oengus da linhagem de Lugaid e mãe de São Ciarano de Saighir.
     Tanto na vida de Ciarano escrita por Gotha, onde ela é chamada de Wingela, quanto em uma nota no martirológio de Oengu, Santa Liadania concebeu seu filho "quando uma estrela caiu em sua boca".
     Liadania foi convertida ao Cristianismo por seu filho Ciarano, que lhe construiu uma cela em Ceall Liadain (Kyllon), que mais tarde se tornou um mosteiro, a três milhas de seu mosteiro em Saighir.
     Muitas vezes a época em que São Ciarano e sua mãe viveram é indicada antes da chegada de São Patrício na Irlanda, na realidade a historiografia moderna os coloca no século VI.
     A festa de Santa Liadania no Martirológio de Gorman é celebrada em 11 de agosto.
 
Fonte: Santa Liadania di Killyon (santiebeati.it)
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Temos um
grande número de santas comemoradas nos calendários irlandeses em 11 de agosto. Entre elas estão Santa Atracta e Santa Lelia e agora encontramos outra santa cuja festa ocorre neste dia, Liadania ou Liadhain de Killyon. A tradição diz que Liadania era a mãe do homem conhecido como o 'primogênito dos santos da Irlanda', São Ciarano de Saighir, e que ela também era uma fundadora monástica. Canon O'Hanlon nos diz o que mais se sabe sobre esta mãe de santos e sobre os esforços do estudioso do século 19, John O'Donovan, para identificar a localidade onde ela floresceu.
     Esta santa mulher, de acordo com as tradições, deve ter florescido durante a própria infância do Cristianismo na Irlanda. De acordo com o Martirológio de Donegal, um festival foi celebrado no dia 11 de agosto para homenagear Liadhain, filha de Eochaidh. Ela descende da linhagem de Laighaire. Dizem-nos que ela era mãe de São Ciarano de Saigher e a primeira abadessa entre mulheres santas da Irlanda.
      Havia um estabelecimento religioso em um lugar chamado Killiadhuin, supostamente fundado pela santa e batizado em sua homenagem. Agora é identificado com Killyon, perto de Seir-Kieran. Diz-se que dois acres de terra estavam sob os prédios antigos; mas, agora, apenas uma pequena parte das paredes pode ser vista. Já se faz alusão a este local, nas margens de um pequeno ribeiro, denominado Rio Camcor.
      Ao mesmo tempo, John O'Donovan pensou que a paróquia de Killyon, no baronato de Upper Moyfenrath, no condado de Meath, havia sido especialmente dedicada a Santa Liadania. Esta paróquia de Killyon é limitada ao norte pela paróquia de Killaconnican; a leste pelas paróquias de Castlerickard e Clonard; a sul pela última paróquia e a oeste pelo condado de Westmeath. Havia partes destacadas desta paróquia dentro da de Clonard.
      No entanto, essa opinião do Sr. O'Donovan foi posteriormente retirada, embora, como ele supõe, e com grande possibilidade de conjectura, a paróquia de Killian, no Condado de Meath, também tenha sido dedicada à santa. Os restos de uma antiga igreja estão em um cemitério.
      Sob o governo de Santa Liadhain ou Liadania, viveu Santa Brunsecha, uma virgem santa. Supõe-se que ambas tenham florescido no quinto ou sexto século.
 
Fonte: Omnium Sanctorum Hiberniae: Saint Liadhain of Killyon, August 11
 
Origem e significado de Liadania: é o nome da menina que significa "dama cinzenta". É o nome de uma antiga santa irlandesa e o nome de uma poetisa na lenda folclórica irlandesa. Liadain é outra variação.

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Santa Cândida Maria de Jesus Cipitria, Fundadora - 9 de agosto

     Em 17 de outubro de 2010, a Santa Madre Igreja reconheceu a santidade da Madre Cândida Maria de Jesus, Virgem Fundadora do Instituto das Filhas de Jesus. Madre Cândida (no século Joana Josefa Cipitria y Barriola) nasceu em 1845 no povoadozinho de Andoain, no seio de uma família cristianíssima e humilde. Falava mal o castelhano, pois sua língua materna era o euskera, e era analfabeta, não sabia escrever nem ler.
     Mas, a Divina Providência tinha destinado à Madre Cândida uma missão aos olhos do mundo impossível. Na igreja de Rosarillo de Valladolid recebeu, em 2 de abril de 1869, a divina inspiração de fundar uma comunidade religiosa dedicada à salvação das almas por meio da educação e instrução da infância e da juventude. Ali também recebeu seu novo nome, Cândida Maria de Jesus. Uma serviçal analfabeta pretendia fundar uma congregação para a educação!
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     Ela nasceu em Berrospe, Andoain (Guipúzcoa, País Basco, Espanha) no dia 31 de maio de 1845; foi batizada com o nome de Joana Josefa Cipitria y Barriola. Era a primogênita de sete filhos de João Miguel Cipitria, tecelão, e de Maria de Jesus Barriola. Com três anos, em 5 de agosto de 1848, recebeu a Crisma.
     Em 1854 a família Cipitria y Barriola se mudou para Tolosa. Em 1862 Joana deixou a terra basca rumo a Burgos, onde teve que cuidar de seus irmãos menores numa família numerosa, para isto começou a trabalhar na família do magistrado José de Sabater. Ao mesmo tempo dava os primeiros passos na vida de piedade.
     Acompanhando a família Sabater a Valladolid, no ano 1868, na Igreja de Rosarillo, conheceu o Pe. Miguel San José Herranz, sacerdote jesuíta, que a ajudou a aumentar sua atitude de penitência e oração, que são dois caminhos necessários para tomar toda decisão importante. Foi ali que sentiu o chamado para responder às necessidades daquela turbulenta sociedade espanhola, e que a levou a fundar uma "Congregação com o nome de Filhas de Jesus, dedicada à salvação das almas por meio da educação e instrução da infância e da juventude”.
     Finalmente, em 8 de dezembro de 1871, em Salamanca, com outras cinco mulheres, deu início à Congregação com a celebração de uma Missa.
     Joana Josefa tinha 26 anos quando começou a redação das Constituições do novo Instituto e a formação das aspirantes. O Pe. Herranz a ajudou colocando ao seu alcance o Sumário das Constituições inacianas.
     Em pouco tempo a congregação se expandiu por toda a Espanha criando escolas em Peñaranda de Bracamonte, Arévalo, Tolosa, Segovia, Medina del Campo etc.
     Em 3 de outubro de 1911 o primeiro grupo de religiosas das Filhas de Jesus embarcou rumo ao Brasil, onde as religiosas abriram novas casas. Este foi o primeiro passo da expansão internacional da Congregação.
     Como fundadora, Cândida Maria experimentou profundamente sua pobreza pessoal (sua escassa preparação intelectual, a falta de meios econômicos e de ajudas materiais ao começo da fundação e durante toda sua vida), junto com o amor grande e infinito de Deus, que nunca nos abandona. No fundo, é esta sua experiência de Deus como Pai de todos, que abriria seu coração aos mais necessitados.
     Suas principais virtudes: um grande espírito de fé que a permite ver as pessoas, os acontecimentos e todas as coisas sob a luz de Deus, e uma esperança firme nas promessas divinas. "Fé, fé, fé viva, constante e eterna, e com isso, trabalhar sem descanso, que tudo passa e só Deus basta...". Uma relação estreita e constante com Jesus que a faria buscar se parecer a Ele como um filho se parece com seu pai. Dizia: "Em Jesus tudo temos". Um amor filial à Virgem, que ela chamava de a verdadeira fundadora do Instituto, e cuja proteção buscava - quase todas as suas cartas começam com a frase "A Puríssima Virgem nos cubra com seu manto".
     Depois de sua morte, em 9 de agosto de 1912, as Filhas de Jesus pretendem seguir os caminhos evangélicos percorridos pela Madre Cândida Maria de Jesus.
     Beatificada em 12 de maio de 1996, em 3 de julho de 2009 foi promulgado o decreto concernente a um milagre atribuído à intercessão da Beata Cândida Maria; sua canonização se realizou em 17 de outubro de 2010.
 
“Tu Voluntad, Señor mío, será la mía, pues mi ser y cuanto tengo me vino de ella". "Cada día, más y más santa, pues en esto está la dicha y la felicidad verdadera. Todo lo demás es falso, engaño y mentira". (Santa Cândida Maria de Jesus)
 
Fontes:http://divinavocacion.blogspot.com.br/2010/10/santa-candida-maria-de-jesus.html;http://emmcmj.wordpress.com/quem-foi-madre-candida/www.santiebeati.it/
 
 Postado neste blog em 8 de agosto de 2013 

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Beata Maria Francisca de Jesus Rubatto, Fundadora - 6 de agosto

Maria Francisca de Jesus, fiel seguidora de São Francisco de Assis, fundadora das Irmãs Terciárias Capuchinhas de Loano, desde 1972 Irmãs Capuchinhas de Madre Rubatto, primeira beata do Uruguai, se distinguiu por seu amor à pobreza e por seu serviço aos pobres, traços de espiritualidade franciscana que infundiu em suas religiosas.
 
      Ana Maria Rubatto nasceu em Carmagnola, Itália, no dia 14 de fevereiro de 1844, penúltima de oito filhos de João Tomas Rubatto e Catarina Pavesio, pessoas notáveis pela piedade e de bons costumes cristãos. Quando tinha quatro anos, ficou órfã de pai.
     Dotada de uma grande inteligência, embora não tivesse estudos alcançou um notável grau de cultura, que harmonizou constantemente com a vida prática. Cultivou desde pequena uma profunda espiritualidade.
     Aos dezenove anos, em virtude do falecimento da mãe, Ana Maria se transferiu para Turim, para a casa de sua irmã mais velha, Madalena, onde ficou por cinco anos, dedicada as obras de caridade.
     Foi adotada por Mariana Scoffone, uma senhora riquíssima, de quem se tornou dama de companhia e colaboradora na administração de seu patrimônio, de 1864 até 1882. Nestes anos, visitava todos os dias o Cottolengo de Turim, servindo os doentes com alegria, ajudava os pobres, ensinava o catecismo às crianças. São João Bosco a teve entre seus colaboradores dos Oratórios.
     Quando sua mãe adotiva faleceu, voltou para junto de sua irmã. No verão ia para Loano, na Riviera da Ligúria, onde ajudava os pescadores e os doentes, se interessava pelas crianças abandonadas. Neste local se uniu a um grupo de piedosas senhoras dedicadas às obras de caridade e de apostolado, sob a direção dos padres Capuchinhos.
     No verão de 1883, ao sair da igreja, ouviu lamentos e prantos. Uma pedra havia caído de uma construção e havia ferido na cabeça um jovenzinho. Ana Maria socorreu o jovem, lavou e tratou a ferida e depois de lhe dar o equivalente a dois dias de trabalho, o enviou para casa para se recuperar.
     A construção devia albergar uma comunidade feminina para a qual estavam procurando uma diretora. O padre capuchinho Angélico de Sestri Ponente, que apoiava esta iniciativa, pensou que Ana Maria Rubatto podia ocupar o cargo. E foi ele próprio quem convidou Ana Maria a colocar-se na direção do novo Instituto.
     No dia 23 de janeiro de 1885, Ana Maria vestiu o hábito religioso franciscano, junto com algumas amigas, dando vida à família religiosa das Irmãs Terciárias Capuchinhas de Loano, depois chamada Irmãs Capuchinhas de Madre Rubatto, com o fim de prestar assistência aos doentes, especialmente nas casas, e a educação cristã da juventude.
     No dia 17 de setembro de 1886 emitiu os votos, ocasião em que adotou o nome de Maria Francisca de Jesus, tornando-se a primeira superiora do Instituto, cargo que manteve até a morte.
     Três anos depois, o Instituto estava presente em Gênova-Voltri, Sanremo, Gênova-Centro. Depois de organizar as casas da Itália, iniciou viagens para fundações na América.
     Desde 1892, Madre Francisca transpôs sete vezes o Oceano para fundar casas da sua Congregação no Uruguai e na Argentina. Abriu dezoito casas nos vinte anos de seu governo. Durante os oito anos que permaneceu na América, foram incontáveis as viagens do Uruguai a Argentina, e de uma casa a outra.
     Em 1899, ela acompanhou um grupo de Irmãs à Missão do Alto Alegre, Maranhão, no Brasil, onde em 1901 morreram assassinadas pelos índios sete de suas filhas, junto com missionários capuchinhos e muitos fiéis.
     Quando se encontrava em Montevidéu adoeceu de câncer, ocasião que para todos foi um exemplo admirável de força católica e de plena resignação. Morreu naquela cidade no dia 6 de agosto de 1904, lamentada especialmente pelos doentes e pelos pobres.
     Seus despojos repousam no Uruguai, no Colégio de Belvedere por ela fundado em 1895, no meio de seus amados pobres, como desejava.
     Sua Congregação também está presente na Etiópia desde 1964.
     A causa para sua beatificação foi introduzida em 1965. O decreto sobre a heroicidade de suas virtudes foi promulgado no dia 1º de setembro de 1988. Em 10 de outubro de 1993 foi beatificada solenemente em Roma por João Paulo II.
 
María Francisca de Jesús Rubatto - Wikipedia, la enciclopedia libre
Madre Francisca Rubatto, a primeira santa do Uruguai - Vatican News
 
Postado neste blog em 5 de agosto de 2011

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Santa Nonna de Nazianzo, Esposa e mãe - 5 de agosto

Martirológio Romano: Em Nazianzo, na Capadócia, na moderna Turquia, Santa Nonna, que foi esposa do santo bispo Gregório o Velho e mãe dos santos: Gregório o Teólogo, Cesário e Gorgônia. 
 
     Santa Nonna nasceu por volta do século III e recebeu uma educação cristã ministrada por seus pais. Tendo se casado com um membro da seita judaico-pagã dos ipsistari, isto é, adoradores do Altíssimo, não tardou a convertê-lo ao Cristianismo. Este se tornou mais tarde sacerdote e bispo, pois no Oriente estava em uso o costume de homens casados se tornarem sacerdotes, e é conhecido e venerado como São Gregório o Velho.
     A santidade deste casal é medida pelo resultado obtido junto à sua prole: três de seus filhos mereceram receber oficialmente a honra dos altares. O filho mais velho, São Gregório Nazianzeno (festejado a 2 de janeiro), Doutor da Igreja, que nos seus escritos recordou muitas vezes a vida virtuosa de sua mãe; Santa Gorgônia (festejada a 9 de dezembro, vide neste site um pequeno resumo de sua vida), casada e mãe de três filhos; e São Cesário (festejado a 25 de fevereiro), médico.
     Seus filhos foram educados por Carterius, provavelmente o mesmo que foi tutor de São João Crisóstomo. Ambos aprenderam teologia sob Thespesius e depois foram para a Alexandria onde Gregório estudou sob a direção do grande Santo Atanásio. Gregório e Cesário estudaram retórica sob a direção de Himerius e Proaeresus.
     Parece que ela teria influenciado Gregório a escrever o seu notável trabalho: “De Sacerdotio”.
     São Gregório nos conta duma ocasião, em 351 d.C., quando Nona ficou gravemente doente e pareceu estar à beira da morte. A caminho de uma visita a um amigo, Gregório mudou de ideia e se apressou em direção à sua mãe que, nesse ínterim, começou a se recuperar. Ela teve uma visão onde Gregório lhe teria dado bolos com o sinal da cruz, abençoados por ele. Gregório apresentou Nona como um modelo da maternidade cristã. Sobre ela, ele escreveu:
     Meu pai era de verdade um segundo Abraão e era um homem de grandes virtudes, mas minha mãe era companheira ideal para um homem desses. Minha mãe foi uma valorosa companheira para alguém como ele [meu pai] e suas qualidades eram tão grandes quanto as dele. Ela veio de uma família devota e era ainda mais devota que todos eles. Embora tenha tido o corpo de uma mulher, em seu espírito ela estava acima de todos os homens... Sua boca não conhecia nada além da verdade, mas em sua modéstia ela era silenciosa a respeito das virtudes e dons que trouxeram a sua glória. Ela não foi guiada pelo medo de Deus, mas seu pelo amor a Deus”.
     Nonna faleceu alguns meses depois de seu esposo e morreu em avançada idade. Ela faleceu bem depois de Cesário e Gorgônia. Seu túmulo logo se tornou um local de peregrinação.
     O seu culto é especialmente difundido na cidade de Nazianzo, na Capadócia, e o Martirológio Romano a recorda no dia 5 de agosto, data em que nasceu para o Céu no ano de 374.
     Que a santidade desta família seja exemplo para nós nos dias de hoje, em que esta instituição sagrada é tão vilipendiada e corre tantos perigos devido a decadência dos costumes. Cada católico é responsável pela existência da família segundo os ensinamentos tradicionais da Santa Igreja. Rezemos e combatamos os elementos demolidores da família.
 
Fontes:
santoralcatólico: Santa Nonna de Nazianzen (santoralcatlico.blogspot.com)
Nona de Nazianzo – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)
 
Postado neste blog em 4 de agosto de 2015
 

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Santa Alfreda de Crowland, Monja Beneditina - 2 de agosto

 
   
Alfreda (ou Elfthritha, Ælfleda, Æfthryth, Alfritha, Etheldreda) foi uma reclusa da Abadia de Crowland, Inglaterra. Nasceu no século VIII na Mércia, um dos três reinos anglo-saxões fundados nos séculos V-VI pela antiga população germânica dos Anglos, de quem deriva o nome atual da Inglaterra (England = terra dos Anglos).
     Alfreda ou Eteldreda era a bela filha de Offa da Mércia (+ 796), um dos mais poderosos dos reis anglo-saxões e conquistador de vários contemporâneos, e de Coenthryth. O seu nome é mencionado entre os filhos do Rei Offa em um “privilégio” concedido ao soberano no ano de 787.
     Offa tinha sua corte em Sutton Walls, Herefordshire, para onde foi, no ano 793, o Rei Etelberto da Anglia Oriental, outro reino fundado pelos Anglos, firmar seu noivado com a jovem Eteldreda. A rainha Coenthryth pensou que o visitante desejava tomar o trono de Mércia e persuadiu Offa a matá-lo.
     Há notícias sobre o acontecido na “Crônica” de Crowland, do século XIV ou XV, que provavelmente se deve ao Abade Ingulf (+ 1109). Neste relatório é narrado que Santa Alfreda havia sido dada por noiva ao Rei Etelberto, da Anglia Oriental, que foi assassinado (794) ao que parece, por Offa. O homicídio foi documentado.
     Depois da morte de Etelberto, sua noiva, Alfreda, como para reparar o violento crime, se retirou na Abadia de Crowland, em Yorkshire (na Inglaterra Norte-oriental, que havia sido fundada por São Guthlac), onde ocupou uma cela de reclusa, na parte meridional da igreja, perto do altar mor.
Vitral da Abadia de Crowland
     Na mencionada Abadia de Crowland seu cunhado Wiglaf de Mércia se refugiou por quatro meses em 827, por estar sendo perseguido por Egberto de Wessex, outra região da futura Inglaterra.
     Em 830 Wiglaf reconquistou o reino e para agradecer a hospitalidade recebida na abadia confirmou todas as suas propriedades e ao mesmo tempo exaltou a santidade da cunhada ali reclusa.
     Alfreda morreu por volta do ano 834. Suas relíquias foram destruídas quando a abadia foi saqueada pelos dinamarqueses em 870. Sua festa é celebrada no dia 2 de agosto.
 
Abadia de Crowland
     Esta abadia, fundada por São Guthlac, foi um centro medieval de vida religiosa. Hoje, entretanto, está quase totalmente em ruinas. Por séculos os monges viveram ali silenciosamente, cultivando seus campos e rezando por longas horas. No século XV os vizinhos da abadia reclamaram junto às autoridades uma parte de suas terras, caso que foi levado a julgamento em 1413. No século seguinte, Henrique VIII dissolveu os mosteiros da Inglaterra. Muitos mosteiros foram saqueados e destruídos. A Abadia de Crowland foi dissolvida em 1539.
 
Fontes: Acta SS., agosto; STUBBS em Dict. Cristo. Biog., II, 82, s.v. Elfthritha; Ibidem,215 S.V. Ethelbert; DUNBAR, dez. das Santas Mulheres, I, 44; STANTON, Menology, 221.Para os relatórios de Brompton, ver os bollandistas e as obras de Giraldus Cambrensis, III, 411-420.
Thurston, Herbert. "Santa Alfrida." A Enciclopédia Católica. 1º. Nova Iorque: Robert Appleton Company, 1907. <http://www.newadvent.org/cathen/01310a.htm>.
 
Postado neste blog em 2 de agosto de 2012