domingo, 8 de maio de 2011

8 de Maio - Festa de Nossa Senhora do Sagrado Coração

    
     "Missionários do Sagrado Coração de Jesus" é uma Congregação religiosa de sacerdotes e irmãos leigos fundada com o objetivo de difundir o conhecimento e a prática da devoção ao Coração de Jesus, segundo revelação de Nosso Senhor a Santa Margarida Maria Alacoque. O lema da Congregação é "Ametur ubique terrarum Cor Jesu Sacratissimum" (que o Sagrado Coração de Jesus seja amado em todas partes).
Foi fundada em Issoudun, arquidiocese de Bourges, França, pelo Abade Jules Chevalier, no século XIX. Quando o Padre Chevalier era estudante, ele constituiu uma associação de seminaristas à qual deu o nome de Cavaleiros do Sagrado Coração e de Maria. Mais tarde, convenceu-se que Deus lhe pedia a fundação de um grupo de missionários, e iniciou uma novena a Nossa Senhora, juntamente com um de seus primeiros companheiros, o Padre Maugenest. Ambos fizeram uma promessa: caso sua oração fosse ouvida, propagariam a devoção ao Coração de Jesus e fariam "por todos os meios possíveis, que Maria fosse conhecida e amada de uma maneira especial".
     Ao terminar a novena à Virgem, obtiveram tantas generosas promessas (econômicas), que foi possível iniciar sua obra. Anos mais tarde eles poderiam dizer: "Nossa Senhora fez tudo em nossa Congregação".
A primeira imagem
     Durante o verão de 1857, na hora do descanso comunitário, o Padre Chevalier e seus companheiros discutiam os planos e as idéias sobre a nova igreja que estavam construindo. O fundador perguntou aos demais com que título Nossa Senhora deveria ser venerada no futuro santuário. Foram apresentadas várias propostas. Ele já estava quase decidido, após longas reflexões. Falou, portanto, de honrar a Virgem com o título de Nossa Senhora do Sagrado Coração, dando à escolha uma explicação. Para ele aquele título indicava que Maria Santíssima havia sido preferida entre todas as mulheres pelo Coração amante de Deus, que havia sido destinada a ser mãe dos homens para levá-los ao Coração de seu Filho. Enfim, que era Ela nossa poderosa advogada perante o Coração de seu Divino Filho. A idéia estava clara e era fácil de compreender. Todos se entusiasmaram.
     No início de 1861, quando eram feitos os preparativos para a inauguração da primeira parte das obras, o Padre Chevalier dispôs que fosse colocado um vitral policromado com a imagem de Nossa Senhora do Sagrado Coração. Esta foi a primeira imagem da invocação.
Expansão Universal
     O fundador dos Missionários do Sagrado Coração estava convencido de que propagar a devoção a Nossa Senhora do Sagrado Coração era um meio efetivo para cumprir a missão de sua Congregação de aproximar os homens do Coração de Jesus. A difusão da nova devoção foi realmente extraordinária.
     Em 1864, foi fundada uma associação de devotos, honrada com o título oficial de Arquiconfraria de Nossa Senhora do Sagrado Coração, sendo-lhe outorgadas numerosas indulgências. Milhares de devotos nela se inscreveram. Nem todos apreciaram o conteúdo teológico que lhe dava o Padre Chevalier; a muitos interessou mais o "poder de intercessão" de Nossa Senhora. Mas, o que preocupava o fundador era a indiferença religiosa e para opor-se a ela idealizou vários caminhos. A arquiconfraria era um deles, Nossa Senhora faria o resto.
     A popularidade da devoção a Nossa Senhora do Sagrado Coração foi um dos motivos que levou um bom número de jovens estrangeiros a pedir sua admissão na Congregação dos Missionários do Sagrado Coração.
     A sede central tanto da Congregação como da Arquiconfraria encontra-se em Roma.

* * *

Nossa Senhora como Mãe amorosíssima e intercessora

     Não é sem motivo e sem boa razão que os servos de Maria a chamam de Mãe. Parece até que não sabem invocá-la com outro nome, nem se fartam de sempre lhe chamar de Mãe. Sim, Mãe, porque é verdadeiramente nossa Mãe, não carnal, mas espiritual, das nossas almas e da nossa salvação. (…)
     Mas, se Jesus é pai de nossas almas, Maria é a Mãe.
     Pois em nos dando Jesus, deu-nos ela a verdadeira vida. Em seguida proporcionou-nos a vida da divina graça, quando ofereceu no Calvário a vida do Filho pela nossa salvação. Em duas diferentes ocasiões tornou-se, portanto, Maria nossa Mãe Espiritual, como ensinam os Santos Padres. (…)
     Esta nossa amorosíssima Mãe sempre esteve toda unida à vontade de Deus. Assim viu o quanto o Eterno Pai amava os homens, observa S. Boaventura; conheceu também a sua vontade de entregar o próprio Filho à morte pela nossa salvação; soube do amor do Filho em querer morrer por nós.
     Para conformar-se com este amor do Pai e do Filho para com o gênero humano, Ela também com toda a sua vontade ofereceu e consentiu que o seu Filho morresse, a fim de que fôssemos salvos.
     Verdade é que Jesus quis ser o único a morrer pela redenção do gênero humano. “Eu calquei o lagar sozinho” (Is 63, 3). Mas viu como Maria desejava ardentemente tomar parte na salvação dos homens.
     Decidiu então que Ela, com o sacrifício e a oferta da vida do seu mesmo Jesus, cooperasse para nossa salvação, e deste modo viesse a ser Mãe de nossas almas.
     E isto quis dizer o nosso Salvador, quando, antes de expirar, olhando para sua Mãe e para o discípulo S. João, que estavam aos lados dEle, primeiramente disse a Maria: Eis o teu Filho! (Jo. 19.26). Queria dizer-lhe: Eis o homem que, pela oferta que fazes da minha vida pela sua salvação, já nasce para a graça. E depois, voltando-se para o discípulo, lhe disse: Eis tua Mãe! (Jo. 19.27). Com tais palavras, disse S. Bernardino de Sena, Maria foi feita Mãe, não só de S. João, mas também de todos os homens, por causa do amor que teve para com eles.(…)
     Nosso Senhor Jesus Cristo fez isso para significar que o Salvador nomeou Maria por Mãe universal de todos aqueles que, sendo cristãos, têm o nome de seus discípulos.

Extraído do livro: “Glórias de Maria”, de S. Afonso de Ligório


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     Mãe é a pessoa mais importante da terra. Ela não pode reivindicar para si a honra de ter construído a Catedral de Notre Dame. Ela não precisa. Ela construiu algo mais grandioso do que qualquer catedral - a morada para uma alma imortal, a perfeição do corpo minúsculo do seu filho.
     Os anjos não foram abençoados com tal graça. Eles não podem compartilhar do milagre criativo de Deus para gerar novos santos para o Céu. Só uma mãe humana pode. As mães estão mais perto de Deus Criador do que qualquer outra criatura; Deus une forças com as mães para realizar esse ato da criação.
     O que na boa terra de Deus é mais glorioso do que isso, ser mãe?

Cardeal Mindszenty


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Beata Judite (Jutta) de Sangerhausen, Viúva - Festejada 6 de maio

     Judite nasceu na região de Sangerhausen, na Turíngia (atual região central da Alemanha), no início do século XIII. A mais antiga Vita da Beata foi compilada na primeira metade do século XVII pelo jesuíta Padre Federico Schembek e escrita em língua polonesa. O autor consultou uma documentação canônica sobre Judite redigida em 1275, portanto quase sua contemporânea.
     Esta Vita de Judite tem uma semelhança muito grande com a vida de Santa Isabel da Hungria, que foi quase sua contemporânea. A Vita pode ser resumida como segue.
     Desde pequena Judite foi favorecida por graças divinas especiais, depois, iluminada por uma visão extraordinária, escolheu a vida matrimonial. Casou-se com 15 anos, tornando-se esposa exemplar de um nobre da corte de Henrique de Raspe.
     Poucos anos depois, o esposo morreu durante uma peregrinação a Terra Santa, deixando-a prostrada. Mas ficando viúva pode dedicar-se com mais zelo a oração e especialmente ao cuidado dos leprosos, atividade na qual alcançou formas heróicas.
     Educou seus filhos até atingirem uma idade em que podiam dispensar os seus cuidados. Ela se desfez de suas roupas custosas, jóias e bens condizentes com sua posição social, e tornou-se Terceira Franciscana tomando o hábito simples de religiosa.
     Judite se transferiu para Bildschön (atual Bielyczny), próximo de Kulmsee, Prússia (atual Chelmza, Polônia), numa área governada pelos Cavaleiros Teutônicos (¹), cujo Grão Mestre, Anno von Sangershausen, era seu parente.
     Vivendo na fronteira da Europa Cristã, ela se dedicou seus últimos anos de vida a rezar pela população não cristã da região. Ali ela construiu uma ermida e rezava constantemente por sua conversão.
     Visitantes vinham vê-la para receber seus conselhos e pedir suas orações, e logo sua reputação de santidade ficou conhecida. Ela dizia que havia três coisas que podem nos aproximar de Deus: doenças dolorosas, exílio e pobreza voluntária aceita por amor de Deus.
     A missão de Judite na Prússia Oriental, então feudo da Ordem Teutônica, toma um interesse histórico cultural particular. Ali se sacrificou na solidão e na oração por aquela população, confortando e assistindo os neófitos, e curando também suas doenças mais repugnantes, alcançando-lhes a graça da conversão.
     A data de sua morte é um pouco incerta, mas presumivelmente ocorreu em Kulmsee, em 6 de maio de 1260, vigília da Ascensão. De acordo com seu desejo, o sacerdote Heidemreich von Kulm (antigo Arcebispo de Armagh, Irlanda) mandou sepultá-la na capela de Kulmsee.
     Seu túmulo em Kulmsee passou a ser local de peregrinação. O bispo de Kulmsee aprovou o culto a Judite logo depois de sua morte. O clero local enviou a Roma, em 1275, uma informação canônica para o reconhecimento oficial de uma canonização que parece nunca ter acontecido.
     O culto da Beata se atenuou com o passar do tempo, mas foi retomado pelo Bispo João Lipski em 1636. Em 15 de dezembro de 1637, ele fez um reconhecimento canônico do túmulo da Beata existente na catedral de Kulmsee, mas os restos mortais de Judite não foram encontrados.
     Próximo ao sepulcro, ainda no século XVII, existia uma pintura antiga, sob a qual uma inscrição referia-se a proclamação da Beata Judite como patrona da Prússia (região histórica da Alemanha setentrional). A Beata também é patrona das viúvas.
    
(¹) A Ordem dos Cavaleiros Teutônicos de Santa Maria de Jerusalém, conhecida apenas como Ordem Teutônica foi uma Ordem militar vinculada à Igreja Católica por votos religiosos pelo Papa Clemente III, formada em Acre, na Palestina, na época das Cruzadas, no final do século XII. Usavam sobrevestes brancas com uma cruz negra. Tiveram a sua sede em Montfort, uma fortaleza construída nos tempos do Reino de Jerusalém, durante as Cruzadas, cujos vestígios se conservam no norte de Israel.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Beata Catarina Cittadini, Fundadora - Festejada 5 de maio

     «Se o grão de trigo [...] não morre ...» (Jo 12, 24). Esta palavra do Evangelho pode ser aplicada ao pé da letra a Catarina Cittadini, fundadora das Irmãs Ursulinas de São Jerônimo de Somasca, falecida no dia 5 de maio de 1857, antes de o Instituto receber a aprovação canônica.
     Com efeito, no dia 14 de dezembro do mesmo ano, o Bispo de Bérgamo, Dom Speranza, aprovava o Instituto e, no dia seguinte, as sete primeiras companheiras da Fundadora emitiam os votos religiosos.
     Deste modo originou-se no tempo, e para o serviço da Igreja, a Congregação das Irmãs Ursulinas de São Jerônimo de Somasca, fundada pelas irmãs Catarina e Judite Cittadini.

     Catarina Cittadini nasceu em Bérgamo no dia 28 de setembro de 1801, seus pais foram Giovanni Bautista e Margherita Lanzan; foi batizada em 30 de setembro na igreja paroquial de São Alexandre em Columna. Em 1808, ficou órfã de mãe e abandonada por seu pai; Catarina e sua irmã Judite, nascida em 1803, são acolhidas em um orfanato do Conventino de Bérgamo.
     Sob a direção do prior, Padre Giuseppe Brena, desenvolveu uma fé sólida, uma profunda confiança em Nosso Senhor, uma caridade ativa, uma terna devoção a Virgem Maria, um grande sentido de responsabilidade e de laboriosidade.
     Depois de ter conseguido o diploma de professora elementar, em 1823, deixou o Conventino para transferir-se com sua irmã para a casa de seus primos sacerdotes Giovanni e Antonio Cittadini, que moravam em Calolzio, paróquia da Diocese de Bérgamo.
     Ali as irmãs permanecem cerca de dois anos, encontrando em seus primos sacerdotes uma direção espiritual em um ambiente pastoral muito ativo. Catarina exerceu a função de professora provisória e, em 1824, como professora estável, na escola comunal feminina de Somasca. Com sua irmã Judite amadurece o desejo de entrar em uma Congregação religiosa.
     Por esta razão, se aconselhou com o Padre Giuseppe Brena, seu diretor espiritual no Conventino de Bérgamo, o qual indicou que a vontade de Deus consistia em ficar em Somasca: elas mesmas seriam as pedras fundamentais de uma nova família religiosa naquela pequena região, já protegida pela santidade de São Jerônimo Emiliano.
     Em 1826, com sua irmã Judite, se transferiu definitivamente para Somasca, morando em uma casa alugada. Em outubro do mesmo ano compra um imóvel que será sede de um colégio de meninas e mais tarde do instituto religioso das irmãs Ursulinas.
     Em Somasca, Catarina encontra uma direção espiritual idônea nos Clérigos Regulares Somascos, fundados por São Jerônimo Emiliano, que ela admira e segue o exemplo de caridade e pobreza. 
     A sua sede de almas não se limitou à educação e ao ensino na Escola Comunal: ajudada pela irmã, abre em Somasca uma escola gratuita para meninas pobres, um colégio e de um orfanato. Assim, 1832, nasce a escola privada "Cittadini" e, em 1836, o Colégio de Meninas, cuja direção é confiada a Judite.
     Algumas de suas ex-alunas se colocaram a disposição dela a sua riqueza espiritual, a sua energia física, a sua ânsia de apostolado, para dedicar-se a educação das meninas pobres e para ensinar o catecismo. Esse núcleo de jovens mestras comporá o novo Instituto das Ursulinas de Somasca.
     Em 1840, aos 37 anos, morre a amada irmã, Judite, seu maior apoio na obra de apostolado. A dor da perna é atroz, mas, sustentada por uma fé inabalável, Catarina aceita a vontade de Deus e se entrega a Ele com um abandono ainda maior. Em 1841, com as mortes do Padre Giuseppe Brena e de seu primo Padre Antonio Cittadini, perde outros valiosos apoios.
     Em 1842, Catarina padeceu de um grave mal-estar do qual é curada prodigiosamente por interseção da Virgem de Caravaggio e de São Jerônimo Emiliano.
     Em 1844, para dar estabilidade a sua obra, pelo menos civilmente, estipulou com três companheiras um "Instrumento de Sociedade e de Estado e também de doação recíproca ou Vitalícia", o qual apresenta já muitas características de um Instituto religioso.
     Em 1850, obteve do Papa Pio IX o Decreto de Ereção do Oratório privado, onde conservam a Sagrada Eucaristia.
     Nos anos 1854-55, Madre Cittadini escreveu as Constituições do novo Instituto e as submeteu a apreciação do Bispo de Bérgamo, Mons. Luigi Speranza, que só foram aprovadas sete meses após sua morte, que ocorreu no dia 5 de maio de 1857.
      Catarina se revelou uma educadora sábia e esclarecida, uma alma profundamente humilde e simples. Colocou numa clave feminina a instituição que se baseava no exemplo de São Carlos Borromeu e de São Jerônimo Emiliano.
     A obra de Catarina, grande devota de São Jerônimo, tornou-se de direito pontifício em 1917, difundindo-se para além da Diocese de Bérgamo; frutificou de modo especial em favor dos jovens e dos doentes. São numerosas as obras no norte da Itália, como também em Roma, Sardenha e no sul da Itália.
     A atividade missionária da Congregação hoje se estende à América Latina (Bolívia, Brasil), Índia, Filipinas. É preciso salientar também a atividade pastoral a serviço dos filhos dos emigrantes italianos na Suíça. França e Bélgica.
     O processo que levou à sua beatificação foi aberto em 12 de janeiro de 1979. Catarina Cittadini foi beatificada em 29 de abril de 2001 por João Paulo II.

Fontes: www.vatican.va; www.santiebeati.it

    

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Beata Mafalda, Abadessa de Arouca - Festejada 1 de maio

     O seu nome de batismo lhe foi dado em consideração à avó materna, Mafalda de Sabóia, filha do rei Amadeu III e esposa de Afonso Henrique, primeiro rei de Portugal, que tornou-se independente em 1145.
     Era filha de D. Sancho I (1154-1211) segundo rei português, que ao morrer deixou a regência aos cuidados da rainha viúva e o poder efetivo ao ministro Nunez de Lara. Neste ponto entra em cena a jovem Mafalda.
     Portugal estava empenhado na guerra de reconquista contra os árabes e era absolutamente indispensável fazer um estreito laço de amizade com o reino de Castela. Este bom relacionamento deveria ser selado com um matrimônio, e o ministro Nunez de Lara decide que Mafalda deve esposar Henrique I de Castela, que era um rapaz mais jovem do que ela.
     O Papa Inocêncio III, por meio de seu legado papal, anulou o matrimônio porque Henrique e Mafalda eram parentes. Esta intervenção papal era devida a uma declaração de vassalagem de Afonso Henrique à Santa Sé durante a guerra de independência de Portugal, buscando proteção de Roma contra Castela e Leão. Entrementes, o jovem rei morreu prematuramente, em 1217, deixando Mafalda livre.
     O que pareceria uma saída de cena da princesa tornou-a protagonista de uma belíssima página da história portuguesa. Mafalda escolheu o recolhimento da vida do claustro retirando-se no Mosteiro de Arouca. Vendo ali muitas coisas a restaurar, decidiu chamar monjas cistercienses para reformar o convento beneditino em crise. Ela mesma tomou o hábito da Ordem de Cister.
     Depois, com todos os seus bens ela se põe a criar hospitais e casas religiosas nos territórios devastados pela guerra, participando do grandioso esforço coletivo para restabelecer a vitalidade das regiões abandonadas. Deixou o mosteiro somente para uma peregrinação a cidade do Porto, onde sua avó havia iniciado a construção de uma catedral.
     Foram beneficiados por sua distribuição testamentária os mosteiros de Arouca, Tuias, São Tirso, Paço de Sousa, Vila Boa do Bispo e Alcobaça, mais as Ordens do Templo, Hospital e Avis, Dominicanos do Porto e as sés do Porto e Lamego.
     A Beata Mafalda morreu no Mosteiro de Arouca numa total humildade, deitada sobre cinzas e com o cilício. Logo são relatados milagres ocorridos próximo de seu túmulo. Uma exumação feita em 1617 mostra seu corpo ainda intacto.
     Com tantas obras de piedade e misericórdia, a sua memória ficou abençoada pela devoção dos fiéis. Seu culto desde tempos imemoriais foi reconhecido por Pio VI em março de 1792.


Suas Santa Irmãs
     Além da Beata Mafalda, mais duas filhas de Dom Sancho I – Beata Sancha e Beata Teresa – nascidas e educadas na corte, alcançaram a honra dos altares.
     A Beata Sancha (1180-1229), nascida em Coimbra, foi, como suas irmãs, educada na piedade e austeridade dos bons tempos. Seu pai lhe legara a Vila de Alenquer, e, ao tomar posse do seu legado, o primeiro cuidado seu foi fundar, na Serra de Montejunto, um convento de Dominicanos, e outro de Franciscanos na mesma vila. Mandou também edificar a igreja de Redondo. Construiu o Convento de Celas, em Coimbra, onde tomou o hábito da Ordem de Cister. Sob aquela regra viveu uma vida de oração e de austeridade até à morte em 13 de março de 1229. Ela foi a primeira a renunciar ao mundo e às comodidades que sua posição lhe oferecia, para se consagrar à perfeição religiosa.
     A Beata Teresa (1177-1250) casou-se como o rei de Leão, de quem teve três filhos. O Papa Celestino III declarou a nulidade do matrimônio e Da. Teresa regressou a Portugal. O mosteiro de Lorvão foi o local escolhido para ela retirar-se. Tomou o hábito cisterciense naquele mosteiro. Restaurou o velho convento e acolheu outras companheiras.
     Mas, a sua tranqüilidade foi quebrada pelas calamidades da guerra originada nas exigências do rei de Leão, Afonso IX. Este se apoiava em direitos de um matrimônio desfeito e em litígios de herdeiros sobre direitos de sucessão. Nos últimos anos de vida, ela teve que se afligir ainda com as contendas de seus sobrinhos, D. Sancho II e D. Afonso II.       Entretanto, nada abalou sua piedade e a contínua caridade com os humildes e desprotegidos.
     As três santas irmãs foram beatificadas por Clemente XI em 1705.

Fontes: Pe. José Leite, S.J., Santos de Cada Dia, http://www.santiebeati.it/

sábado, 30 de abril de 2011

Santas do mês de maio

1                  Beata Mafalda, Abadessa de Arouca (1184-1257)
1                  Beata Petronilha de Moncel, Abadessa (séc. XIII)
2                  Stos. Zoe e Espero, Esposos, e Filhos, Mártires de Atália († 120 c.)
2                  Sta. Viborada, Virgem e Mártir de São Gallo († 926)
3                  Beata Emília Bicchieri, Dominicana (1238-1314)
3                  Beata Ma. Leônia Paradis, Fundadora (1840-1912)
3        Santa Viola ou Violeta, Virgem e Mártir do 1º século
4                  Sta. Afra de Brescia, Matrona e Mártir (c. 120)
4                  Santa Antonina de Nicéia, Mártir (séc. IV)
 4         Beatas Ângela Isabel e Ângela Bartolomea, irmãs (séc.XV-XVI)
5                  Santa Irene (Erina) de Lecce, Virgem e Mártir (séc. II)
5                  Santas Tosca e Teutéria, Virgens e Eremitas (séc. VIII)
5         Beata Catarina Cittadini, Fundadora (séc. XIX)
6                  Santa Benedita de Roma, Virgem (séc. VI)
6                  Beata Judite (Jutta) de Sangerhausen, Viúva (séc. XIII)
 6         Beata Ana Rosa Gattorno, Viúva e Fundadora (séc. XIX)
 6         Beata Catarina Troiani, Fundadora (séc. XIX)
 7         Santa Flávia Domitila, Mártir (séc. I-II )
 7         Beata Gisela da Hungria, Rainha e Abadessa (séc. XI)
 7         Santa Rosa Venerini, Fundadora (XVI-XVII)
 8         Santa Ida (ou Ita) de Nivelles, Monja († 652)
 8         Beata Ma. Catarina de Sto. Agostinho, Virgem (1632-1668)
 8         Beata Ulrica Nisch, Virgem (1882-1913)
 9         Beata Ma. Teresa de Jesus, Fundadora (1797-1879)
10        Santa Isidora, a Tola, Virgem do Egito (séc. IV)
10        Santa Solange, Virgem e Mártir (séc. IX)
10        Beata Beatriz I d’Este, Monja Beneditina (c. 1200-1226)
11        Stos. Teopista e Anastásio, Esposos e 6 filhos, mártires († 251)
11        Santa Estela (ou Eustela), Mártir (séc. III)
11        Stos. Bertila e Gualberto, Esposos (séc. VII)
12        Santa Rictrude, Esposa e Abadessa (612-678)
12        Beata Imelda Lambertini, Virgem adolescente (c. 1320-1333)
12        Beata Joana de Portugal, Dominicana (1452-1490)
13        Santa Inês de Poitiers, Abadessa († 588)
13        Santa Gema, Reclusa (1375-1439)
13        Beata Juliana de Norwich († 1423)
13        Beata Madalena Albrici, Abadessa Agostiniana (séc. XV)
14        Santas Justa e Enedina, Mártires (séc. III/IV)
14        Santa Teodora Guerin, Fundadora (1798-1856)
14        Santa Ma. Domingas Mazzarello, Co-fundadora (1837-1881)
15        Beata Berta de Bingen, mãe de S. Ruperto (séc. IX)
15        Santa Cesareia, Eremita de Otranto (séc. XIV)
17        Santa Restituta da Tunísia, Mártir (séc. III)
17        Sta. Restituta, mãe de S. Eusébio de Vercelli (séc. III-IV)
17        Santa Júlia Salzano, Fundadora (1846-1929)
17        Beata Antonia Mesina, Mártir da pureza (1919-1935)
18        Sta. Tecusa, tia de S. Teodato, Mártires, e 6 Virgens Mártires († 303)
18        Beata Blandina Merten, Ursulina (1883-1918)
19        Santa Pudenciana de Roma, Virgem e Mártir (séc. II)
19        Beata Umiliana de Cerchi, 3ª. franciscana (1219-1246)
19        Santa Maria Bernarda, Fundadora (1848-1924)
19        Beata Pina Suriano (1915-1950)
20        Santa Áurea de Ostia, Mártir
20        Santa Lídia de Tiatira, contemporânea de São Paulo (séc. I)
20        Beata Colomba de Rieti, Virgem (1467-1501)
20        Beata Josefa Endrina Stenmanns, Co-fundadora (1852-1903)
21        Santa Isberga (Gisela), Abadessa (séc. VIII-IX)
22        Santa Helena de Auxerre, Virgem (séc. V)
22        Santa Júlia, Mártir da Córsega (séc. V)
22        Santa Quitéria, Virgem e Mártir (séc. V)
22        Santa Humildade, Abadessa Vallombrosana (1226-1310)
22        Santa Rita de Cássia, Viúva e Religiosa (1381-1447)
22        Beata Ma. Domingas Brun Barbantini, Fundadora (1789-1868)
24        Santa Joana, uma das santas mulheres, “a Mirofora” (séc. I)
24        Santa Amália, Mártir de Tavio (séc. III)
24        Sta. Ágata Kim, Mãe de Família, Mártir de Seul, Coréia († 1839)
25        Santa Ma. Madalena de Pazzi, Carmelita (1566-1607)
25        Santa Madalena Sofia Barat, Fundadora (1779-1865)
26        Santa Felicíssima, Mártir (séc. III/IV)
26        Beata Regintrude de Nonnberg, Abadessa († 750)
26        Santa Mariana de Jesus Paredes, Virgem (1618-1645)
27        Santa Bárbara Kim, Viúva, Mártir de Seul, Coréia († 1839
27        Santa Bárbara Yi, Virgem de 15 anos, Mártir de Seul († 1839)
28        Santa Ubaldesca Taccini, Virgem da Ordem de Malta (1136-1206)
28        Beata Margarida Pole, Mãe de Família, Mártir Inglesa (séc. XVI)
28        Beata Ma. Bartolomea Bagnesi, Dominicana (1514-1577)
28        Beata Ma. da Natividade, Virgem Mercedária († 1580)
29        Santa Bona de Pisa, Virgem (1155/6 – 1207)
29        Beata Geraldesca, Viúva e Camaldulense (c.1200 – c. 1270)
29        Santa Ursula Ledochowska (1865-1939
29        Beata Elia de S. Clemente, Carmelita (1901-1927)
30        Santos Emélia e Basílio, Esposos († 370)
30        Santa Dinfna, Virgem e Mártir (séc. VII)
30        Santa Joana d’Arc, a Donzela Guerreira (séc. XV)
30        Beata Marta Maria Wiecka, Ir. Vicentina (1874-1904)
30        Beata Ma. Celina da Apresentação, Clarissa (1878-1897)
31        Santa Petronilha, Mártir (séc. I)
31        Santa Camila Batista de Varano, Clarrisa (1458-1524)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Sta Catarina de Siena, Doutora da Igreja - Festejada 29 de abril

     Em 25 de março de 1347, Lapa Benincasa deu à luz duas gêmeas em seu vigésimo quarto parto. Uma delas não sobreviveu após o Batismo. A outra, Catarina, tornar-se-ia a glória de sua família, de sua pátria, da Igreja e do gênero humano.
     Giacomo di Benincasa, seu pai, era um tintureiro bem estabelecido, "homem simples, leal, temeroso de Deus, e cuja alma não estava contaminada por nenhum vício"; piedoso e trabalhador, criava sua enorme família de 25 filhos no amor e no temor de Deus. Catarina, a penúltima da família e caçula das filhas, teve a predileção de todos e cresceu num ambiente moral puro e religioso.
     Aos 7 anos de idade Catarina consagrou a sua virgindade a Cristo; aos 16, cortou sua longa cabeleira para evitar um casamento; e aos 18, recebeu o hábito das Irmãs da Penitência de São Domingos.
     Catarina encarou a sua clausura com seriedade e vivia encerrada no seu próprio quarto, onde, por intermédio da oração e diálogo afirmava que estava sempre com e em Cristo. Abandonou a sua cela somente em 1374, quando a peste se alastrou por toda a Europa e ela decidiu cuidar dos enfermos e abandonados, tendo praticado grandes atos de caridade.
    Nesse mesmo ano (1374), teve uma visão e ficou estigmatizada. Na visão Cristo lhe disse que ela trabalharia pela paz, e mostraria a todos que uma mulher fraca pode envergonhar o orgulho dos fortes. Analfabeta, aprendeu milagrosamente a ler e escrever, para poder cumprir a missão pública que Deus lhe destinava.

Sua Missão
     No fim da Idade Média — quando a gloriosa Civilização Cristã já decaía a olhos vistos — a Itália era um aglomerado de reinos e repúblicas que viviam em guerra entre si, ou, em uma mesma cidade, guerra entre facções contrárias. Catarina foi várias vezes chamada a ser o seu anjo pacificador. Assim, viajou ela de Siena para Florença, Luca, Pisa e Roma como pacificadora.
     Em 1375, toda a Itália estava envolvida em graves disputas políticas relativas à volta do papado; organizavam-se milícias nas cidades de Perusa, Florença, Pisa e em toda a Toscana, em revolta contra o poder político do Papa Gregório XI.
     Catarina, mediadora entre o Papa e os conjurados, inicia uma correspondência incessante com o Papa Gregório XI, cheia de piedade e amor filial, cada vez mais premente, em favor dos súditos dos Estados Pontifícios que se tinham rebelado contra ele: "Santíssimo e dulcíssimo Pai em Nosso Senhor Jesus Cristo [...] Ó governador nosso, eu vos digo que há muito tempo desejo ver-vos um homem viril e sem temor algum. [...] Não olheis para a nossa miséria, ingratidão e ignorância, nem para a perseguição de vossos filhos rebeldes. Ai! que a vossa benignidade e paciência vençam a malícia e a soberba deles. Tende misericórdia de tantas almas e corpos que morrem".
     Censurou o rei da França por guerrear contra cristãos e não empenhar-se na cruzada: "Eu peço-vos que sejais mais diligente para impedir tanto mal e para ativar tanto bem, como é a recuperação da Terra Santa e daquelas almas infelizes que não participam do Sangue do Filho de Deus. Desta coisa vos deveríeis envergonhar, vós e os outros senhores cristãos; porque é uma grande confusão diante dos homens, e abominação diante de Deus, fazer a guerra contra os irmãos e deixar os inimigos; e querer tirar o que é dos outros e não reconquistar o que é seu. Eu vos digo, da parte de Jesus Crucificado, que não demoreis mais a fazer esta paz. Fazei a paz e fazei toda a guerra contra os infiéis".
     Catarina, devorada de zelo e amor pela Igreja, ansiava pela pacificação da Cristandade para que, unidos, os cristãos se dispusessem a seguir em uma Cruzada para libertar os Santos Lugares.
     Ela decidiu seguir até Avinhão, cidade onde os papas viviam desde há mais de 70 anos, e apresentar-se diante de Gregório XI para convencê-lo a regressar a Roma, pois isto seria fundamental para a unidade da Igreja e a pacificação da Itália.
     Em Avinhão, diante dos cardeais, Catarina ousou proclamar os vícios da corte pontifícia e pedir, em nome de Cristo Jesus, a reforma dos abusos. Gregório XI a chamara para dar sua opinião em pleno Consistório dos Cardeais. Ela o convenceu a voltar a Roma.
     Em 17 de janeiro de 1377, Gregório XI deixa Avinhão, apesar da oposição do Rei francês e de quase todo o Sacro Colégio. Ele ainda hesita no caminho, e ela o conjura a ir até o fim.
     Mas a paz na Igreja não seria longa. Outra vez a república de Florença revoltou-se contra o Papa, que apelou para Catarina. Rejeitada por aquela cidade, a Santa quase foi martirizada. Gregório XI, gasto, envelhecido, sofrido, não resistiu e entregou sua alma a Deus.
     Os cardeais elegem Urbano VI. Conhecendo Catarina, e vendo nela o espírito de Deus, o novo Pontífice a chama a Roma para estar a seu lado. Não sem razão, pois cardeais franceses, desgostosos com o novo Papa, voltam para Avinhão, anulam sua eleição e elegem o antipapa Clemente VIII. A Cristandade mergulha em nova divisão: o Grande Cisma do Ocidente.
     Catarina tentou inutilmente trazer de volta ao verdadeiro redil os três cardeais, autores principais do cisma. Escreveu a reis e governantes da Europa para trazê-los ao verdadeiro Papa. Catarina escreveu 150 cartas a cardeais, bispos e prelados; e a reis, príncipes e governantes, 39.
     "As angústias que lhe causavam as revelações sobre o futuro da Igreja foram para essa Santa [Catarina de Siena] como uma paixão dolorosa. Ela clamava ao Senhor e pedia graça para essa Igreja, Esposa de seu Divino Filho: `Tomai, ó meu Criador, este corpo que eu recebi de vossas mãos. Não perdoeis nem a carne nem o sangue; rompei-o, lançai-o nas brasas ardentes; quebrai meus ossos, contanto que vos praza de me ouvir em favor de vosso Vigário'".

Doutora da Igreja
     Santa Catarina foi agraciada com o "casamento místico"; recebeu estigmas semelhantes aos de Nosso Senhor e teve uma "morte mística", durante a qual foi levada em espírito ao Inferno, ao Purgatório e ao Paraíso; teve também uma "troca mística de coração" com Nosso Senhor.
     Entre seus inúmeros discípulos, os caterinati, havia membros do clero, da nobreza e do povo mais miúdo. Um deles, São Raimundo de Cápua, seu confessor, foi também seu primeiro biógrafo e quem nos forneceu pormenores de sua impressionante vida.
     "Todos os seus contemporâneos dão testemunho de seu extraordinário charme, que prevalecia ainda em meio da contínua perseguição à qual ela foi sujeita, mesmo da parte dos frades de sua própria Ordem e de suas irmãs em religião".
     Uma das suas obras ditadas, Diálogo sobre a Divina Providência, é ainda hoje considerada um dos maiores testemunhos do misticismo cristão e uma exposição clara de suas ideias teológicas e de sua mística. Este livro compila as revelações - umas sublimes e outras terríveis - feitas por Deus à Santa durante seus êxtases. Seus secretários anotavam suas palavras durante os êxtases a seu pedido.
     Santa Catarina faleceu no dia 29 de abril de 1380, aos 33 anos. Em 1970, Paulo VI declarou-a Doutora da Igreja, sendo a única leiga a obter esta distinção. João Paulo II declarou-a co-padroeira da Europa, juntamente com Santa Brígida da Suécia e Santa Teresa Benedita da Cruz. É Padroeira da Itália. Sua festa comemora-se no dia 29 de abril.

Fonte:  Grandes Santos que Iluminaram o Mundo, Plinio Ma. Solimeo

Conselho de Santa Catarina de Sena sobre a Santa Paciência
     “Deveremos afirmar, então, que nenhum sofrimento é grande? De modo algum. E se a sensualidade se revoltar, lembremos-lhe: 'Atenção, pois o fruto da impaciência é o castigo eterno, que receberás no dia do juízo. É melhor para ti querer o que Deus quer, amar o que Ele ama, ao invés de querer o que preferes e amar o que agrada à sensualidade. Quero que suportes virilmente a dor, já que os sofrimentos desta vida não têm comparação com a glória futura, preparada por Deus aos que o temem (Rom. VIII, 18; ICor. II, 9) e cumprem sua vontade”.

(Santa Catarina de Sena. Carta 5, para Francisco de Montalcino)
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Nosso Senhor a Santa Catarina de Sena, sobre o homossexualismo
     “Esses infelizes ... caem no vício contra a natureza. São cegos e estúpidos, cuja inteligência obnubilada não percebe a baixeza em que vivem. Desagrada-me esse último pecado, pois sou a pureza eterna. Ele me é tão abominável que somente por sua causa fiz desaparecer cinco cidades (cfr. Sab. 10, 6). Minha justiça não mais consegue suportá-lo”.
     “Esse pecado, aliás, não desagrada somente a mim. É insuportável aos próprios demônios, que são tidos como patrões por aqueles infelizes ministros. Os demônios não toleram esse pecado. Não porque desejam a virtude; por sua origem angélica, recusam-se a ver tão hediondo vício. Eles (os demônios) atiram as flechas envenenadas de concupiscência, mas se voltam no momento em que o pecado é cometido”.

(Fonte: “O Diálogo”: Edições Paulinas, 1984, pp. 259-260)

terça-feira, 26 de abril de 2011

Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano - Festejada 26 de abril

    



     Nossa Senhora do Bom Conselho (em latim Mater boni consilii) é uma das invocações da Virgem Maria. Esta devoção está centrada num ícone da Virgem atualmente exposto em Genazzano, Itália, na Igreja de Nossa Senhora do Bom Conselho.
     As origens do ícone são envoltas em lendas e milagres. A história se divide em duas partes. A maioria dos relatos liga uma imagem de Nossa Senhora de Shkodra (Bom Conselho) cultuada na Albânia e o ícone atualmente venerado na Itália.
     Na Albânia Nossa Senhora era venerada desde tempos muito antigos sob este e outros títulos. Um deles é o de Zoja e Bekueme (Senhora Bendita), e havia muitas capelas a ela dedicadas. Especialmente uma delas, localizada em Shkodra, onde havia um ícone da Virgem, se tornou um centro de peregrinação durante as guerras contra os Otomanos.
     Um dia, durante um cerco à cidade, dois albaneses devotos se postaram ao pé da imagem e rezaram para que pudessem escapar com segurança. Neste momento a imagem se desprendeu do altar e flutuou no ar, saindo da igreja. Os dois homens, Gjorgji e De Sclavis, seguiram a pintura, que finalmente os conduziu até Roma, onde desapareceu diante de suas vistas. Lá, depois de algum tempo, ouviram rumores sobre uma imagem da Virgem que aparecera miraculosamente em Genazzano. Acorreram para o local e identificaram a imagem como a sua venerada Zoja e Bekueme. Depois disso os dois fixaram morada na cidadezinha.
     Aqui inicia a outra parte da história. Quando o Papa Sisto III solicitou ajuda dos fiéis para renovações na Basílica de Santa Maria Maggiore, o povo de Genazzano contribuiu generosamente, recebendo em troca um terreno na sua cidade, onde foi erguida uma igreja sob a invocação de Nossa Senhora do Bom Conselho. Com a passagem do tempo a igreja, sem cuidados, foi caindo em ruínas.
     Em 1467, uma viúva do local, Petruccia de Geneo, sentiu-se movida a reparar o templo com seus próprios, mas reduzidos, recursos. Sem encontrar ajuda, ela gastou o que possuía sem conseguir terminar as obras.
     Na festa de São Marcos, em 25 de abril daquele ano, a população se reuniu para festejar. Por volta das 16h o povo ouviu uma bela música, e procurou de onde vinha. Então viram uma nuvem, e em meio ao céu claro, descer do céu e cobrir uma das paredes inacabadas da igreja, lá permanecendo por algum tempo. Quando a nuvem se dissipou, a população atônita viu sobre a parede uma pintura da Virgem com o Menino onde nada existia antes, e então os sinos começaram a tocar sozinhos, atraindo as pessoas de longe para ver o que estava acontecendo. A própria Petruccia, que estava longe, veio depressa, e ao ver a imagem caiu em prantos.
     Depois da notícia se espalhar por toda a Itália, peregrinos começaram a chegar de todos os lugares, e assinalou-se a ocorrência de muitos milagres diante da pintura. Foi tão grande o número de prodígios que foi indicado um notário para registrar os mais notáveis, e este registro ainda existe, listando 171 milagres.
     Além de suas propriedades miraculosas, a imagem por si mesma é extraordinária, pois ela desde o século XV permanece como que suspensa no ar, sem moldura ou fixação, afastada da parede cerca de três centímetros, apenas parcialmente tocando uma base em sua borda inferior. Relatos diversos afirmam ainda que a fisionomia da Virgem muda de acordo com certas circunstâncias.
     O povo da Albânia não esqueceu da imagem desaparecida, e ainda a festeja duas vezes no ano, rezando para que ela volte para sua antiga casa. Pio XII colocou seu papado sob a proteção da Virgem do Bom Conselho.

Nossa Senhora do Bom Conselho, da Itália para o Brasil
Maravilhosa história do quadro venerado há várias décadas na igreja de São Luís, na capital paulista

     Ensina-nos o Catecismo que, entre as Obras de Misericórdia espirituais, a primeira é "dar bom conselho". Em meio ao terrível caos mental da sociedade contemporânea, o que o homem mais precisa é dessa Obra de Misericórdia. Assim, a devoção a Nossa Senhora do Bom Conselho reveste-se de importância capital.
     Catolicismo já publicou várias matérias sobre o milagroso afresco de Nossa Senhora do Bom Conselho, venerado na cidade italiana de Genazzano. Apresentamos a seguir, resumidamente, a história de uma cópia desse afresco de Nossa Senhora do Bom Conselho, que a própria Mãe de Deus quis enviar ao Brasil.

Dois irmãos da cidade de Itu tornam-se jesuítas
     Em meados do século XVIII, na tradicional cidade paulista de Itu, os irmãos Miguel e José, da família Campos Lara, uma das mais distintas da localidade, eram noviços da Companhia de Jesus.
     A combativa Ordem fundada pelo grande Santo Inácio de Loyola era então muito perseguida. Em 1760, o Rei de Portugal D. José I -- influenciado por seu ímpio ministro Marquês de Pombal -- expulsou de Portugal, Brasil e outras colônias a Companhia de Jesus.
     Jovens de verdadeira têmpera, os irmãos Campos Lara acompanharam os jesuítas em sua viagem de exílio a Roma. Na Itália, tendo concluído os estudos, receberam a ordenação sacerdotal. Pouco tempo depois, faleceu o Padre Miguel. Quanto ao Padre José, foi enviado por seus superiores a vários lugares.
     Porém, os governos ímpios de vários países vinham exercendo fortes pressões para que o Papa extinguisse a Companhia de Jesus. As coisas chegaram a tal ponto que, em 1773, Clemente XIV fechou-a.
     Por mais terrível e inexplicável que fosse aquela dificuldade, o Padre José de Campos Lara não desanimou. Confiou em Nossa Senhora, e a Virgem enviou-lhe um embaixador celeste para ajudá-lo.

Encontro com um Anjo nas areias da praia
     Corria o ano de 1785, e fazia 25 anos que o Padre José deixara o Brasil. Quando passeava pensativo por uma praia deserta, deparou com um jovem, o qual lhe ofereceu um quadro a óleo representando a Mãe do Bom Conselho, e dizendo-lhe que o levasse para o Brasil. E, ao mesmo tempo, lhe anunciou que no lugar onde Ela fosse venerada erguer-se-ia um grande colégio jesuíta.
     Respondeu-lhe o sacerdote não dispor de recursos para a viagem. Mas o jovem desconhecido garantiu-lhe que o comandante de um navio prestes a partir o admitiria gratuitamente. Consolado, quis o Padre Campos Lara despedir-se de seu interlocutor, mas eis que este havia desaparecido. Persuadido de que se tratava de um Anjo, dirigiu-se ao cais e encontrou o navio indicado. Seu capitão concordou em aceitá-lo como passageiro gratuito.

Regresso a Itu
     Depois de longa viagem, o navio chegou finalmente a Santos, de onde o Padre José dirigiu-se com o quadro para a sua cidade natal, Itu. Seus pais, já falecidos, haviam-lhe deixado de herança uma chácara, na qual ergueu uma capela para venerar a imagem do Bom Conselho.
     A primeira parte da profecia do Anjo estava cumprida. O Padre Campos Lara agradeceu à Mãe do Bom Conselho, e continuou a rezar e a confiar. Agora faltava a restauração da Companhia de Jesus, para que pudesse ser erguido o colégio jesuíta.
     Ao completar 35 anos de seu retorno ao Brasil, cerrou para sempre os olhos o Padre José de Campos Lara.

Ergueu-se o Colégio Jesuíta, após 87 anos
     Anos depois, a chácara do Padre Campos Lara foi doada à Companhia de Jesus, cujas atividades no Brasil haviam se reiniciado. Nesse local, em 1868, os filhos de Santo Inácio ergueram um grande colégio.
     Em 1872, o quadro da Mãe do Bom Conselho foi entronizado no altar-mor da nova igreja, anexa ao colégio.
     E quando o colégio foi transferido para a cidade de São Paulo, em 1918, com ele foi também o quadro. Hoje ele se encontra numa capela interna no edifício atual do Colégio São Luiz, ao lado da igreja de mesmo nome.
     Quando estudante do Colégio São Luís, o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira rezou muitas vezes diante do milagroso quadro. Durante toda sua heróica existência, sempre teve ardentíssima devoção a Nossa Senhora, particularmente sob a invocação de Mãe do Bom Conselho de Genazzano.

Fontes
www.catolicismo.com.br - Abril de 1996
pt.wikipedia.org/.../Nossa_Senhora_do_Bom_Conselho